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novembro 30, 2005

Opinião - O Que aconteceu ao cinema portuense?

O Porto foi a pátria do cinema em Portugal. Poucos sabem disso mas é verdade. Foi aqui que se fizeram as primeiras filmagens, onde houve os primeiros estúdios de cinema nacionais. E claro, Douro Faina Fluvial trouxe definitivamente a capital do Norte para o mapa. Hoje, o Porto é um oásis cinematográfico. Mas, porquê?
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Hoje ir ver um filme ao Nun´Alvares é quase um ritual de despedida. Um dos mais antigos cinemas portuenses, o último cinema de bairro da Invicta, está ás portas da morte. Abandonado, sem público, com filmes que ninguém quer ver. Sessões canceladas, bilhetes guardados debaixo da caixa porque ninguém os quer levantar, suspiros de dor. E um adeus anunciado.
Mas um adeus que se repete, ano após ano. As miticas salas da cidade já não existem, senão na nossa própria imaginação. E na saudade, sempre na saudade de outros dias, outros tempos!
O Nun´Alvares era um sobrevivente. Vai deixar de o ser. Vai juntar-se aos outros, qual Valahla dos cinemas históricos, e descansar eternamente na nossa memória. Antes dele, já uma quinzena de cinemas tinham perecido. Uma luta inglória, desigual, e como todo o filme, trágica. Uma luta que ninguém pode ganhar, mas que todos acabarão por perder.
Do Águia D´Ouro ao Olimpia, do Vale Formoso ao Vitória. Até mesmo o Batalha e o Trindade já não existem. E que dizer de todos os outros, o Charlot, o Lumiere, o Julio Dinis, a Casa das Artes, o Foco, o Rivoli, até mesmo o Central Shopping. Foram desaparecendo com os anos, os mesmos locais de peregrinação dos mais devotos fieis dessa religião que é a 7º Arte. Foi nesses espaços que vi alguns dos filmes mais miticos da história. E nunca mais lá voltarei. Porquê?
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A verdade é que o Porto, como cidade, é já um espaço fantasma. Rodeado de autênticas cidades dormitório (Gaia, Rio Tinto, Gondomar, Matosinhas, Maia, ...), os portuenses já não dormem no Porto. Já não vivem no Porto. Limitam-se a ir lá trabalhar, voltando depois para a sua rotina urbana nos suburbios. E e lá onde encontram os lares, mas também os grandes shoppings, os templos do século XXI. E é lá, no cume desses mesmos templos, como convém, que se encontram as salas de cinema, os complexos da Lusomundo, da AMC ou da Castello Lopes, onde os filmes se amontoam em cartaz. E lá podemos encontrar tudo, desde o pior filme em exibição, ao segundo pior, e daí por diante até conseguimos ver um ou outro filme que vale a pena. Os preços, ridiculos; o ambiente, impróprio para consumo. Mas que é que um cinéfilo pode fazer?
Nada. A desertificação da cidade levou à desertificação do espólio cultural do Porto. E o cinema, esse, ninguém lhe liga nenhuma. O Nun´Alvares vai fechar. E ninguém se importa. O Passos Manuel poderá ser o senhor que se segue. O único local que faz reposição regular de grandes clássicos numa verdadeira sala de cinema. Mas poderá não durar muito. E onde é que os portuenses vão poder rever Hitchcock, Ford ou Hawks? Mas a quem manda na cidade isso não lhe interessa. Não é coisa de dar votos, isso do cinema.
E então fecha-se. Até porque há os shoppings não é verdade? Nem o facto das salas Lusomundo serem miseráveis, e do AMC estar à venda parece servir de desculpa para pensar o cinema na cidade do Porto.
Aliás, haverá ainda cinema na Invicta?
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Os mais atentos dirão que sim. O Cine-Teatro do Campo Alegre ainda consegue escapar à rotina e exibir algumas pérolas cinematográficas que não encontramos em lado nenhum. O mesmo se passa com o Passos Manuel, que ainda vai vivendo, a custo. Mas já os cinemas do Cidade do Porto vivem de um preço proibitivo e de uma fraca oferta de filmes. De vez em quando algumas faculdades fazem uns pequenos ciclos, mas isso é mais cinéfilia que cinema. Ou seja, as condições são demasiado fracas para criar um ambiente de cinema, apesar do espirito pairar por lá!
Continuamos sem perceber muito bem a politica cultural do Porto. As pessoas vão-se embora e o que é o cinema sem as pessoas! Mas, o cinema também pode puxar pelas pessoas e não o contrário. Há muito que à cidade do Porto - que até foi, não sei se se lembram, capital europeia da cultura há quatro anos atrás - lhe é devida uma politica cultural.
Uma Cinemateca portuense é algo que os portuenses pedem e merecem há muito tempo. Um local onde os grandes filmes possam coabitar com a oferta habitual da indústria. Um ponto de encontro de pessoas, ideias. Um local de descoberta, de ensino, de verdadeira cultura. Não vi nenhum politico falar disso na campanha. Não vejo ninguem falar desse monopólio que a Cinemateca de Lisboa tem sobre todo o país. De vez em quando dá um brinde e todos ficam contentes. Contentam-se com pouco!
Não estamos a falar de projectos para darem lucro. Estamos a falar de uma identidade cultural de uma cidade que se devia orgulhar das suas raizes na história do cinema português, mas que teima em desviar o olhar e assobiar para o alto.
O Nun´Alvares vai fechar! E ninguém se parece importar muito! O Nun´Alvares vai fechar! E, nós, para onde vamos agora?

Miguel Lourenço Pereira

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:21 PM | Comentários (3)

Oscarwatching2005 - Previsões - Melhor Filme Animado

Com apenas três vaga para dez concorrentes, a categoria de Melhor Filme Animado está extremamente...animada. Curiosamente, numa era onde o cinema animado recorre cada vez mais a animações geradas por computador, os grandes favoritos da edição deste ano são...stop-motions...
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Depois de ter vencido vários óscares na categoria de Melhor Curta-Metragem de Animação, os estúdios Aardman lançaram finalmente uma longa-metragem de aventuras de uma das mais amadas duplas do cinema animado: Wallace e Gromitt.
Neste Wallace and Gromit : The WhereRabit Curse, o engenhoso Wallace e o seu fiel cão Gromit têm de se haver com um esfomeado coelho gigante. Uma animação muito popular, com excelente box-office e criticas, e que parte claramente na linha da frente.
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A Disney está de regresso em estilo, após ter vivido os últimos anos na sombra da Pixar. O seu mais recente filme, Chicken Little é um divertido entertenimento que teve excelente recepção nos Estados Unidos e que, face ao apagamento da Dreamworks, surge igualmente como um dos mais fortes e naturais candidatos à estatueta dourada.
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Depois do sucesso de Nightmare´s Before Christmas, o realizador Tim Burton voltou ao cinema de animação stop-mortion em The Corpse Bride. O filme, que conta com uns estranhos Johnny Depp, Helena-Bonham Carter e Emily Watson numa versão do além, foi um enorme sucesso de bilheteira e de critica, e é igualmente, um dos grandes candidatos a vencer a cerimónia. Poderá mesmo ser a primeira estatueta dourada para Burton.
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QUEM PODE SER NOMEADO

- Howl´s Moving Castle

- Madagascar

- Valiant

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:59 AM | Comentários (0)

Oscarwatching2005 - Previsões - Melhor Documentário

A Academia de Hollywood já selecionou os pré-candidatos à próxima edição dos óscares. São cinco vagas para quinze trabalhos. Mas já há favoritos à estatueta dourada...
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The March of the Penguins foi um dos grandes fenómenos do ano nos Estados Unidos. O filme francês de maior sucesso no box-office norte-americano, o filme conquistou tanto o público como a critica pelo seu sentido dramático numa história que, possivelmente, noutras mãos, daria um monótono documentário do National Geographic.
O cineasta Luc Jaquet é um caso de sucesso e o seu trabalho é sem dúvida alguma o mais forte candidato a triunfar na noite de 5 de Março.
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Enron: The Smartest Guys in the Room é um documentário pouco politicamente correcto que desmascara a corrupção nas grandes empresas norte-americanas, utilizando como ponto de partida o polémico caso da Enron. Alex Gibney é mordaz e contudente na sua critica ao universo empresarial norte-americano, e o seu trabalho é igualmente um fortissimo candidato ao óscar.
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Mad Hot Ballroom de Marilyn Agrelo é um dos habituais documentários de situação. A camara segue um grupo de jovens de várias escolas de Nova Iorque que decidem aprender danças de salão para entrarem num concurso. Um documentário simpático, que aponta essencialmente para o lado humano, um verdadeiro feel-good filme.
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Murderball é o mais intenso documentário do ano, talvez por mexer com um problema - deficiêncis motoras - que ainda conseguem impressionar bastante as audiências. Henry Alex Rubin e Dana Adam Shapiro dirigem este filme sobre um grupo de quadriplégicos que joga rugby, utilizando apenas as cadeiras de rodas e os braços, de forma a treinarem-se para chegar aos Jogos Para-Olimpicos de Atenas. Emocionalmente intenso!
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Rize é mais um documentário de David La Chapelle - mais conhecido pelo seu trabalho como fotógrafo das estrelas - e leva-nos até ás ruas de Los Angeles onde se desenvolve uma nova cultura pop, o clowning, que Chapelle conheceu quando filmou um videolcip da cantora Christina Aguillera. Um filme sobre a forma como muitos jovens evitam entrar no mundo dos gangster e da violência, dedicando-se de corpo e alma a este estilo de dança. Está actualmente em exibição em Portugal.
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QUEM PODE SER NOMEADO

- Favelas Rising

- On Native Soil

- The Boys of Baraka

- Unknow White Male

- The Devil and Daniel Johnston

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:17 AM | Comentários (0)

O Que Estreia Por Cá - Oliver Polanski...

David Lean e Carol Reed tentaram as suas adaptações do notável romance de Charles Dickens. O primero entrou para a história com um Alec Guiness inesquecivel. O segundo venceu mesmo o óscar de melhor filme. Após o estrondoso sucesso de The Pianist, o polaco Roman Polanski entrega-se ao universo de Charles Dickens e mistura-se com a personagem principal, tornando-se um autêntico Roman Oliver Polanski...
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Filmado com imensa paixão, Roman Polanski deu o melhor de si no intimista The Pianist, o mesmo filme que lhe valeu o tal óscar que ninguem pensava ser possivel, depois de ter sido banido dos Estados Unidos. Foram três anos de ausência, periodo em que o realizador se deleitou com a obra literária de Dickens. E quando chegoua a altura de criar um novo projecto, a escolha teve de recair na obra súmula do autor britânico.
Sem nunca abdicar do sentido literário, as ruas de Londres, os pequenos miudos abandonados, o incorrigivel Fagin, esta nova adaptação de Oliver Twist traz muito do próprio cineasta. Da sua experiência de vida, do seu sentido dramático da vida. Um filme intimista, e, ao mesmo tempo, de dimensões heroicas.
Recheado de personagens miticas da literatura europeia (Fagin, Oliver, Artful Dodger), este Oliver Twist é o exemplo de como Polanski produz os seus filmes. Ben Kinglsey, como Fagin, é o único nome conhecido no elenco. Os jovens actores que deram vida ás restantes personagens, Barney Clarke ou Leanne Rowe, contribuem para criar um ambiente mágico à volta da história, filmada em Praga e Londres, dois ambientes cosmopolitas, mas, igualmente, extremamente intimistas.
Oliver Twist é um dos titulos mais interessantes de 2005, e marca o regresso de um dos mais aclamados cineastas europeus. Um filme para ver, perto de si!
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Esta semana há ainda quatro estreias nas salas nacionais.

An Unfinished Life junta dois grandes actores norte-americanos, Robert Redford e Morgan Freeman, com a cantora-actriz-estrela pop Jennifer Lopez sob a direção do intimista Lasse Hallstrom. O filme conta a história de uma jovem que tenta esquecer o passado, e, ao mesmo tempo, integrar-se numa comunidade diferente do que conheceu. Aposta da Miramax para 2004, esteve um ano na gaveta, e teve fracas reviews nos Estados Unidos.
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Just Like Heaven foi um dos grandes sucessos de bilheteira do Verão norte-americano. Reese Whiterspoon é um fantasma que vive numa casa que acaba por ser ocupada por um novo inquilino, Mark Rufallo. Entre ambos vai-se criando uma cumplicidade que acabará por se tornar em amor, um amor impossivel! Filme de Mark Waters.
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The Exorcism of Emily Rose conta a história de um exorcismo que correu mal. A jovem morreu, o padre é acusado de negligência num filme onde o drama humano e o terror se misturam. Laura Linney, Tom Wilkinson e Jennifer Carpenter estão no elenco deste filme dirigido por Scott Derickson.
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Rois et Reine é mais um filme do cineasta francês Arnaud Desplechin. Uma mulher prepara-se para casar, mas antes disso, procura um antigo amante a quem quer entregar o filho que teve de uma antiga relação. Mas o amante agora está internado num hospicio à força. Choque de vidas, regresso ao passado, tudo num filme intenso que conta com Catherine Deneuve, Emmanuelle Davos e Mathieu Almaric nos principais papeis.
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O Hollywood Recomenda - Depois do sucesso do fabuloso The Pianist, é com expectativa que se aguarda mais um capitulo da obra do cineasta polaco Roman Polanski.

O Hollywood Desaconselha - Inevitavelmente, The Exorcism of Emily Rose é um filme condenado a passar á historia sem que nos tenhamos apercebido que existiu sequer!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:22 AM | Comentários (0)

novembro 29, 2005

Oscarwatching2005 - Os Estúdios... redefinem estratégias Parte II

Continuando as previsões sobre as apostas dos estúdios, voltamo-nos agora para aqueles que podem surpreeender, apesar de, à partida, estarem longe do favoritismo dos gigantes que vimos no dia de ontem...
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Miramax

A Miramax fez com Proof o que a Columbia fez este ano com All the Kings Man. Mas o resultado não foi o mesmo. Gwyneth Paltrow esteve em alta mas, no computo geral, o filme ficou abaixo das espectativas e sendo assim deixou de ser a forte aposta da Miramax. Já An Unfinished Life foi mesmo um grande fracasso. E assim, pela primeira vez em anos, a Miramax parece estar fora da corrida.

Weinstein Company

Quem lucra com a baixa da Miramax são os irmãos Weinstein, que sairam para fundar a sua própria companhia. E a manga têm o trunfo Mrs Hendersons Presents. Náo parece ser - pelo que se disse - um grande filme, mas com a habitual campanha agressiva de Harvey Weinstein, pode conseguir nomeações cirúrgicas. Em termos de actores, Felicity Huffman em Transamerica e Johnny Depp em The Libertine, podem ser mais valias a explorar.

20th Century Fox

O estúdio que mais cresceu desde Setembro. O seu Walk the Line já estava em alta no final do mês mas agora é um dos filmes mais fortes na lista de candidatos. E em diversas categorias, o que fazem dele um temivel oponente.
Com o favoritismo de Walk the Line, a Fox vai focar aí toda a sua atenção, já que In Her Shoes falhou por completo.
A Fox Searchlight continua a apostar em Bee Season e Separete Lies, mas os filmes têm tido pouco eco.

Focus Features

Ter Brokeback Mountain nas mãos é um desafio para a Focus.
O filme é oficialmente um sucesso da critica e pode continuar a cativar adeptos quando estrear nas salas de cinema. Mas o espectro homossexual mantem-se, apesar de tudo. No entanto, se falassemos só de cinema e esquecessemos o resto, a Focus teria aqui a sua pérola.
Mas não é a única. Alguns - não muitos - ainda se lembrarão de The Constant Gardener, um dos filmes em alta em Setembro que começa a cair no esquecimento. Já Broken Flowers está em baixa. Quem pode vir a surpreender é Pride and Prejudice. O filme tem recebido boas reviews e no final do ano será provavelmente o número 2 da Focus na conquista por algumas nomeações.

Paramount

Antes um grande estúdio, hoje a Paramount atravessa dias dificeis. O seu Elizabethtown foi mal recebido pela critica, mas não tão mal como The Weather Man. Hustle and Flow é agora a única grande hipótese dos estúdios conseguirem alguma nomeação, apesar de serem parte da tripla (com a Universal e Dreamworks) que produziu e publicita War of the Worlds.

Buena Vista/Touchstone

A alta classificação com que Casanova foi catalogado quase que o arreda da corrida por si só. Shopgirl poderá ser uma hipótese, mas bastante remota.

Sony Pictures

Capote está em alta e pode ser uma das grandes surpresas do ano, feitas as contas no final. Será a atracção número um da Sony que tem ainda Breakfast in Pluto´s e The White Contessa para publicitar. O primeiro tem tudo para conseguir nomeações cirúrgicas. O segundo é uma incógnita.
Junebug e The Three Burrials of Meqluiades Estrada são igualmente filmes a considerar. O primeiro é um indie bem recebi no mès de Novembro, e o segundo foi galardoado em Cannes, apesar de muitos analistas afiançarem que Tommy Lee Jones não está na lista de favoritos dos votantes.

Lions Gate

Crash pode ser a grande surpresa do ano. Esteve longos meses em exibição, com sucesso, tem um grande elenco, pode surpreender em diversas categorias. E a publicidade fortissima que a Lions Gate tem vindo a desenvolver desde Outubro pode ajudar a isso. Também o documentário de David La Chapelle, Rize, é uma boa hipótese da Lions Gate voltar para casa com uma estatueta dourada a 5 de Março.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:55 PM | Comentários (0)

Nomeados aos Independent Spirit Awards

Foram há pouco divulgados os nomeados à próxima edição dos Independent Spirit Awards, os prémios do cinema indepenente norte-americano. The Squid and the Whale é o filme com mais nomeações, seguidos dos também favoritos Good Night and Good Luck., Capote e Brokeback Mountain. A cerimónia, como tem sido habitual, será na vespera dos óscares, a 4 de Março de 2005. O grande vencedor da edição passado foi Sideways.
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The Squid and the Whale conquistou um total de seis nomeações. O realizador Noah Baumbach foi nomeado como director e também como argumentista, sendo que Jeff Daniels, Laura Linney e Jesse Eisenberg foram igualmente escolhidos pelo juri da Independt Spirit Association.
Na categoria de Melhor Filme Squid and the Whale vai ter como concorrentes os quatro filmes que se lhe seguiram no total de nomeações. O drama de Ang Lee Brokeback Mountain, o segundo filme de George Clooney, Good Night and Good Luck., a estreia na realização de Tommy Lee Jones, o filme The Three Burrials of Melquiades Estrada e ainda Capote.
A par de Melhor Filme, a categoria mais disputada é a de Melhor Actor, já que junta cinco potenciais candidatos ao óscar: Philiph Seymour-Hoffman, David Straiharn, Heath Ledger, Jeff Daniels e Terrence Howard.
Na categoria feminina o destaque vai para Felicity Huffman, por Transamerica. Também nomeadas estão Dina Korzun, Laura Linney, Cyndi Williams e S. Epatha Merkerson.
A grande surpresa foram as poucas nomeações conquistadas pelo filme Crash, bem como a ausência de Tommy Lee Jones como melhor actor, categoria pela qual venceu a Palma de Ouro em Cannes.
Depois do sucesso de Sideways e Lost in Translation nos últimos anos, os indicadores do Independent Spirit Awards têm-se revelado cada vez mais importantes. Tanto é que as duas maiores surpresas na categoria de Melhor Actriz nos dois últimos anos, Keisha-Castle Hughes e Catalina Sandino Moreno, começaram a construir a sua base de apoio aqui.
A cerimónia será a 4 de Março, em Los Angeles.

NOMEADOS

FILME
Brokeback Mountain
Capote
Good Night and Good Luck.
The Squid and the Whale
The Three Burrials of Melquiades Estrada

REALIZADOR
Ang Lee, Brokeback Mountain
Noah Baumbach, The Squid and the Whale
George Clooney, Good Night and Good Luck.
Gregg Araki, Mysterious Skin
Rodrigo Garcia, Nine Lives

ACTRIZ
Felicity Huffman, Transamerica
Dina Korzun, Forty Shades of Blue
Laura Linney, The Squid and the Whale
S. Epatha Merkerson, Lackawanna Blues
Cyndi Williams, Room

ACTOR
Jeff Daniels, The Squid and the Whale
Philip Seymour Hoffman, Capote
Terrence Howard, Hustle & Flow
Heath Ledger, Brokeback Mountain
David Strathairn, Good Night, and Good Luck.

ACTRIZ SECUNDÁRIA
Amy Adams, Junebug
Maggie Gyllenhaal, Happy Endings
Allison Janney, Our Very Own
Michelle Williams, Brokeback Mountain
Robin Wright Penn, Nine Lives

ACTOR SECUNDÁRIO
Firdous Bamji, The War Within
Matt Dillon, Crash
Jesse Eisenberg, The Squid and the Whale
Barry Pepper, The Three Burials of Melquiades Estrada
Jeffrey Wright, Broken Flowers

ARGUMENTO
Ayad Akhtar, Joseph Castelo, Tom Glynn, The War Within
Guillermo Arriaga, The Three Burials of Melquiades Estrada
Noah Baumbach, The Squid and the Whale
Dan Futterman, Capote
Rodrigo Garcia, Nine Lives

Restantes Categorias

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:54 PM | Comentários (0)

Burton e Carrey juntos

O realizador de culto Tim Burton e o actor Jim Carrey estão prestes a trabalhar juntos pela primeira vez.
A Paramount quer que a dupla se encarrega de Believe It or Not!, filme escrito por Scott Alexander - o mesmo de Ed Wood - que conta as aventuras de Robert Ripley, um excêntrico aventureiro que passeia pelo mundo com um grupo de amigos á procura de coisas nunca vistas.
Um guião aparentemente do agrado de Burton que terá Richard Zanuck na produção. O projecto arrancará assim que Carrey termine The Number 23, filme de Joel Schumacher.
Ainda a propósito de Tim Burton, há dias a sua mulher, Helen-Bonham Carter, revelou que o cineasta pode sofrer de autismo. Uma doença que o isola do mundo, mas que, por outro lado, lhe permite criar os mundos fantásticos que se lhe conhecem. A informação não foi oficial, sendo encarada como um descuido da actriz e mulher do cineasta, aquando de uma entrevista de promoção a Corpse Bride.
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Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:58 PM | Comentários (1)

Oscarwatching 2005 - Os Estúdios...redefinem estratégias

Também em Setembro publicamos aquelas que seriam as grandes apostas dos estúdios de Hollywood. Os filmes com maior suporte dos estúdios mas também aqueles que podiam surpeender, mesmo sem a indústria por trás. Adiamentos, redefinições de politicas, levaram a que os estúdios fossem trabalhando as suas próprias apostas. Que agora são...
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Warner Brothers

North Country foi um flop autêntico de bilheteira. O filme mantem agora a esperança de conseguir uma nomeação (Charlize Theron) e pouco mais. Ficam então os dois projectos que envolvem o actor George Clooney à frente. A vitória em Veneza e os aplausos em Toronto e Nova Iorque fazem de Good Night and Good Luck. um dos maiores candidatos. O filme é apoiado pela Warner Independent e pode encontrar nos prémios da critica (a 7 de Dezembro o National Board of Review abre a corrida) o apoio necessário.
Para categorias mais técnicas há ainda Charlie and the Chocolate Factory, The Corpse Bride, March of the Penguins e Harry Potter and the Goblet of Fire.
Syriana, a aposta central da Warner, teve uma semana em cheio e será uma das grandes apostas do estúdio detentor do óscar de melhor filme, graças ao notável trabalho de Clint Eastwood no ano passado.

Universal

Depois do flop de Jarhead, o apoio dos estúdios recai agora em Munich sem qualquer dúvida. No entanto Spielberg já definiiu a sua estratégia: o minimo de publicidade.
Quem pode benificar dessa decisão são King Kong e Cinderella Man. Ambos os filmes precisam do apoio do estúdio - o primeiro por ser um filme muito diferente do que a Academia costuma nomear, o segundo pelo fracasso de box-office que está, aos poucos a ser mitigado - e com Munich a valer-se por si só, e sem o filme de Mendes na corrida, poderá haver aqui um confronto interessante.
The Producers continua a ser a grande incógnita. Alguns analistas colocam-nos no topo dos favoritos, outros sentem que o filme terá uma ou duas nomeaçóes, e na área musical. De qualquer forma a estreia nas salas e a recepção da critica - sempre um pouco avessa a musicais - poderá decidir para onde o vento soprará.

New Line Cinema

A New Line continua com as duas incógnitas do ano.
The New World é ou não um filme nomeável? Malick quer segredo absoluto do seu trabalho e só em fins de Dezembro é que o saberemos. Ou talvez não. Os Globos, que têm imenso respeito pela obra do texano, nomeiam no inicio do mês e já terão visto o filme. Nomeações serão um bom sinal e um aumento da sua importância dentro do leque de candidatos. Ate lá, o filme é a incógnita.
A History of Violence foi um sucesso de critica e até deu lucro - algo pouco comum em Cronenberg - mas continua a duvidar-se que é um filme a que a Academia prestará a devida atenção. Tem forte concorrência em muitas áreas e precisará dos prémios da critica - como tantos outros filmes - para se manter de pé.

Dreamworks

As boas noticias para a Dreamworks é que Woody Allen tem estado em alta com muitos apostadores, que vêm em Match Point o comeback perfeito de Allen à noite dos óscares. Mas o filme pode ser uma bolha de ar, sem o impacto esperado quando as contas finais se fizerem (Allen precisava de muito amor da critica) e com a iminência de Madagascar ficar de fora na categoria de filme animado, e com War of the Worlds a ter de lutar até ao fim em todas as categorias onde é nomeável, este pode ser um ano negro para a Dreamworks.

Columbia

A Columbia foi dos estúdios mais hábeis a mudar de politica. Dividido entre All the Kings Man e Memoirs of a Gueisha, o estúdio adiou o primeiro filme para 2006. Memoirs é agora um dos mais fortes candidatos aos óscares, tendo recebido aplausos da critica que já viu o novo trabalho de Rob Marshall.
Quem parece progressivamente fora da corrida é Rent e Oliver Twist, que precisarão de um gigantesco comeback em Dezembro para compensar o atraso.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:09 AM | Comentários (0)

Óscares 2005 - Previsões de Novembro/Dezembro

Depois das primeiras previsões de Outubro, onde fomos dando uma vista de olhos sobre as diversas categorias e como se perfilavam os eventuias nomeáveis, chega uma segunda fase de previsões.
Muita coisa mudou desde então. Certezas tornaram-se dúvidas, dúvidas derão lugar a quase-certezas, e á medida que nos aproximamos do final do ano cada vez se fala mais sobre óscares. E como é natural, tudo fica mais confuso ainda.
Estas previsões foram feitas até ao fim de semana passado, sendo por isso natural que qualquer mudança nas próximas duas semanas não sejam reflectidas nos nomeáveis que o Hollywood elegeu para cada categoria.
Serão treze dias de muita especulação, estudos e informações cruzadas. No final ficaremos com uma ideia mais clara do que poderá acontecer a 31 de Janeiro.
Senhoras e Senhores, vamos jogar ao Oscarwatching!

Miguel Lourenço Pereira

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:45 AM | Comentários (0)

novembro 28, 2005

Antevisão - The Libertine

É o regresso de Johhny Depp ás suas mais excêntricas personagens. Um Casanova com uma ponta de cinismo e ironia "deppiano", um heroi em dias de moralidade, um pervertido numa era onde o prazer era pecado. E mais um papelão de Depp, capaz sozinho de arrastar nas costas este aparentemente obscuro The Libertine....
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A critica norte-americana tem-se dividido. Para uns o filme é um imenso vazio, uma experiência falhada de uma adaptação que provavelmente nunca teria existido. Para outros há ali algo que merece ser visto com atenção. E um filme destes dificilmente será consensual, havendo acérrimos defensores de ambos os lados.
Mas quer os apologistas, quer os detractores de The Libertine concordam numa coisa: o filme é Johnny Depp.
Nada de novo, note-se. Estamos mais do que habituados a ver o actor norte-americano a carregar filmes ás costas. Mas este caso é especial. Depois da contenção de Finding Neverland e da loucura de Charlie and the Chocolate Factory, este papel volta a mostrar Depp nos terrenos onde se sente mais á vontade. Onde o seu charme, a sua ironia mordaz, a sua capacidade de improvisação, jogam em casa.
O actor está no pico da sua forma, desde há três ou quatro anos para cá, e ano após ano entrega uma das melhores performances do ano. Num ano tão confuso como este, Depp, em The Libertine, pode ser, acima de tudo, refrescante de ver.
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O filme conta a história de John Wilmot, conde de Rohcester e um dos homens mais pervertidos e debochantes da sua era. Conhecido pelas inúmeras amantes, pelos duelos que travava contra qualquer um, pelas cavalgadas nocturnas, a bebida e a sua própria arrogância - que será a sua queda.
Uma história recheada de episódios interessantes, que espelham bem a decadência da nobreza britânica da corte de Carlos II, da qual a vida de Wilmot é o exemplo perfeito. Para mote do filme está o caso tórrido que o conde teve com uma jovem e popular actriz, e a peça que escreveu contra o próprio rei, que faria com que acabasse por ser banido e abandonado por todos. Stephen Jeffreys escreve esta adaptação da sua própria peça sobre Wilmot e dá espaço para o espectador viajar para uma era que para nós é ainda dificil de entender.
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O filme é dirigido por Laurence Dunmore, um estreante, com uma pesada tarefa sob os ombros. Encontrar o registo certo entre o dramatismo da história e os delirios da sua personagem principal. Depp é o motor do filme mas não está só. John Malkovich como Carlos II e as belas Rosamund Pike e Samantha Morton como amantes de John Wilmot dão um tom mais estrelado a um elenco maioritariamente composto por actores britânicos.
Com várias nomeações aos prémios do cinema independente britânico, The Libertine prova que é um dos filmes que mais interesse despertará nos próximos meses. Centrado no trabalho de um actor como há poucos neste momento, com o ambiente histórico que tão bons resultados tem dado, o filme promete algo mais do que uma monótona viagem ao passado!

O QUE SE DIZ

"A beleza e o talento de Johnny Depp salvam este filme maçador sobre a vida e os dias de infamia do segundo conde de Rochester!"

Manohla Dargis, New York Times

"Para os que aguentarem, as recompensas são consideráveis!"

Sheri Linden, Hollywood Reporter

"Apesar do arrjo de Depp como o escandaloso poeta, esta adaptação desilude e tem mais em comum com Quills e Stage Beauty, tudo filmes com falhas sobre artistas "desviantes" que quebraram tabus!"

Emanuel Levy, EmanuelLevy.com

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:00 PM | Comentários (1)

Oscarwatching 2005 - O que mudou desde Setembro

Passaram dois meses e muita coisa mudou em Hollywood. Alguns favoritas deixarão de o ser, alguns filmes foram ganhando o seu espaço. Há ainda muitos titulos por estrear mas começam a definir-se alguns cenários, impensáveis no mês de Setembro.
O que se segue é um pequeno compêndio de mudanças claras desde a última previsão do Hollywood...

O filme Jarhead tinha 7 nomeações numa primeira fase. Agora muito dificilmente alcançará esses números. O filme desiludiu no box-office, mas, acima de tudo, não convenceu a critica. Sam Mendes volta a falhar a tentativa de revalidar o óscar que ganhou por American Beauty. E Jake Gyllenhall e Peter Saarsgard vêm o seu nome ser riscado da lista de favoritos.

The New World foi o segundo filme com mais nomeações previstas. Pelo adiamento do projecto e por nada se saber sobre o novo filme de Terrence Malick, estas novas previsões são mais cuidadosas. Afinal a hora da verdade aproxima-se e o segredo à volta do fim dá pouca margem de manobra para se arriscar.

Walk the Line tornou-se num dos grandes favoritos do ano. Aplaudido pela critica, abraçado pelo público, com notáveis performances, o filme de James Mangold é hoje um dos mais sérios candidatos a conquistar mais nomeações.

Também Munich, que só saiu com 5 nomeações (em Setembro o projecto ainda estava em rodagens e pouco se sabia) vê o seu estatuto de favorito consolidado.

All the Kings Man saiu da corrida, sendo agora um dos favoritos para o próximo ano. Sem qualquer nomeação prevista em Setembro mas com boas hipóteses em Novembro estão Syriana e The Squid and the Whale. Filmes como Crash, Cinderella Man ou Capote estão igualmente a subir enquanto que In Her Shoes, Elizabethtown, Transamerica e The Three Burrials of Melquiades Estrada podem estar fora da corrida.

Em áreas mais especificas há igualmente mais novidades. Actores que passaram de secundários a principais e vice-versa, argumentos que mudaram de original para adaptado, novas trilhas sonoras....As mudanças são muitas, mas é curioso que nas principais categorias as coisas estão muito parecidas. Das duas uma: ou o Hollywood preveu em Setembro o cenário de Dezembro, ou pouco ou nada tem mudado por esses terrenos.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:58 AM | Comentários (0)

Clooney e irmãos Coen de novo juntos

Já tinham trabalhado em Oh Brother Were Are Thou! e Intorable Cruelty. Estão prontos para começar a filmar Hail Caeser e mesmo assim George Clooney e Joel e Ethan Coen querem continuar a trabalhar juntos.
Os irmãos tinham oferecido um papel a Clooney no seu novo projecto, Suburbicon, mas entretanto abandonaram a ideia para desenvolver outros filmes. Foi então que Clooney sugeriu uma nova parceria. O argumento ficaria à cargo de Joel e Ethan e ele faria de Suburbicon o seu terceiro filme como realizador.
Os filmes - há ainda Hail Caeser para filmar - será rodado assim que Clooney termine a sua participação no novo filme de um outro companheiro de longa data, Steven Soderbergh. O filme é The Good German. Quanto aos imaginativos irmãos Coen, neste momento filmam Paris Je T´aime ao que se segue No Country For Old Men.
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Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:29 AM | Comentários (0)

novembro 27, 2005

Ainda a crise...

O Público e o Jornal de Noticias já tinham falado sobre a crise. O próprio Hollywood Reporter abriu a semana com um excelente artigo de opinião. Motes mais do que suficientes para o Hollywood se debruçar sobre o tema, num artigo que podem ler aqui.
Sob o mesmo tema, mas com um angulo pertinente e diferente, Leccio Rocha do Take2 deu a sua visão da critica situação porque passa a indústria cinematográfica. Um artigo que vale a pena ler, e que podem encontrar aqui.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:36 AM | Comentários (2)

Harry Potter and the Goblet of Fire - Acabou a idade da inocência!

O que mais impressiona em Harry Potter and the Goblet of Fire, é o facto de ser um filme assumidamente de transição. A história ajuda, as personagens (e os actores) estarem a crescer também. Mas há uma imensidão de pormenores que nos fazem ver este filme de um ponto de vista diferente. Diferente dos três primeiros, provavelmente distinto dos três próximos filmes, esta quarta aventura do jovem Harry Potter é a ponte entre a infância e a adolescência do mais popular heroi literário do novo século...
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Não vamos discutir aqui o paralelismo livro-filme, que tem pautado as discussões dos filmes anteriores. Já deu para perceber que as aventuras de Potter, cinematograficamente, nunca proporcionam filmes à altura do livro. Falta um pouco do espirito bigger than life, da atracção que a história escrita por J.K. Rowling tem que não encontramos nos filmes, tanto de Columbus, como de Cuaron e agora também, de Newell.
É manifesto que há pontos fortes do livro que faltam ao filme. Mas também já se sabe que a grande dificuldade em adaptar uma obra literária ao cinema é o de ser impossivel transpor o conteudo do livro na sua totalidade. E as liberdades de adaptação acabam por ser um mal menor, tendo em conta que é preciso criar uma dinâmica narrativa na obra cinematográfica que é manifestamente diferente da que encontramos nas páginas dos livros.
Um dos problemas do filme até passa mesmo pelo encadear das cenas. As falhas são o menos, o problema está em reduzir o livro ao torneio dos Três Feiticeiros. Percebe-se pelo filme - mesmo sem se ter lido o livro - que falta algo pelo meio, que há saltos muito grandes de tempo, que acabam por levar a que algumas personagens fiquem demasiado pela superficie, faltando-lhe depois o carisma que precisariam para algumas cenas. E isso acontece essencialmente com os três jovens que, juntamente com Potter, participam no torneio.
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Mas de facto o aspecto central em Harry Potter and the Goblet of Fire, é que este é um filme de mudanças.
Mudou a banda sonora, ficando a fantasia inicial de John Williams de fora, dando lugar a um trabalho mais sombrio e maturo de Patrick Doyle. E claro, há um novo realizador - Mike Newell, o terceiro da saga - e com ele novas mudanças. O espirito sombrio que Cuaron tinha inaugurado, mantem-se, essencialmente nos cenários e no cortar das cenas mais infantis dos primeiros filmes. Agora Harry Potter e os seus amigos são pequenos homenzinhos, e devem comportar-se como tal. A infantilidade é tratada de forma humoristica, e fica a cargo de Rupert Grint. A transição de crianças para adolescentes é explorada junto dos outros jovens actores. No caso de Emma Watson, a Hermione, é mais o aspecto fisico (e que notável transformação da actriz de The Prisioner of Azkaban para este filme), e a sempre popular questão sentimental que muito irá dar que falar nos próximos filmes. Já Harry Potter vive noutra dimensão. Como sempre, a sua vida está em perigo. Para além de ter de ganhar coragem para conquistar a rapariga dos seus sonhos, Harry tem finalmente o frente a frente com a sua nemesis, Lord Voldemort, porque todos esperavam. A cena não desilude, pelo contrário, mostrando um final de filme muito mais forte e maturo que uma primeira parte, mais de apresentação ao espirito do livro. E é a maturidade do final de Harry Potter and the Goblet of Fire que nos interessa, até porque o resto é um pouco o deja vu dos três filmes anteriores.
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Em relação ao elenco do filme, realce para a cada vez mais evidente maturidade do trio de actores principais.
Daniel Radcliffe é claramente um actor em progressão. Está muito mais solto, mais á vontade, do que em relação aos filmes anteriores. Cada vez mostra ter capacidade de aguentar com as cenas mais dificeis, e o filme ganha claramente com isso. Também Emma Watson se define como uma actriz de grande valor, apesar da sua tenra idade. A felicidade da escolha de casting torna a sua Hermione, não só uma personagem bem construida, mas também bastante atraente fisicamente, o que é um bónus em relação aos filmes anteriores. E Rupert Grint, já o dissemos, é cada vez mais o actor que fica responsável pelo humor, o que consegue sem problemas.
Em relação aos veteranos, Ralph Fiennes vai muito bem como Lord Voldemort, apesar do reduzido tempo em cena, e Maggie Smith, Alan Rickman e Michael Gambon mantêm o seu registo inalterado. O que falta essencialmente ao filme é um desempenho revelação, o que poderia ter acontecido, não tivessem ficado as personagens secundárias tão pouco exploradas como foi o caso.
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Mais do que a questão da adolescência (aqui não há a questão das borbulhas, mas os namoros e responsabilidades já vão surgindo aos poucos), que as personagens vivem, este filme é uma clara ponte entre o antes e o depois, a infância e a idade adulta.
Encontramos isso nas atitudes das personagens, mas também na forma como a história é filmada. Os grandes planos faciais, as expressões mais vincadas e determinadas - especialmente, e como não podia deixar de ser, no caso de Potter - vão dando o sinal. E o aparecimento da personagem mais negra da história, o inevitavel senhor das Trevas, torna essa situação inevitável. Porque mesmo sem ter lido os livros, o espectador agora sabe que tudo será diferente. Já não há os jogos de adivinhas redutores dos primeiros filmes/livros. Agora que os campos estão bem definidos, que as barricadas começam a surgir bem vincadas, entramos numa outra dimensão. A saga tenderá a ficar menos infantil, mais adulta, menos comprometida com o entretenimento fácil, mas preparada para agradar a uma audiência mais velha. A verdade é que este filme transmite a ideia que os próximos filmes da saga serão mais ao estilo de Lord of the Rings. Há uma missão - destruir Lord Voldemort - e exércitos dos dois lados que vão tentar ganhar. Pelo meio haverá as aulas, os romances, o humor, a amizade. Tudo isso.
Mas de uma coisa podemos ter a certeza. Este filme é central, não apenas no número, mas essencialmente na sua forma. Agora é começar de novo, para uma serie de aventuras que terá mais diferenças do que propriamente semelhanças em relação aos filmes que ficam para trás.

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O Melhor - A exploração dos cenários espantosos que compõem o filme e a última meia hora, a um nivel que poucas cenas de todos os quatro filmes conseguiram.

O Pior - Alguns cortes na narrativa original, que transparecem uma enorme dificuldade em adaptar um livro destes ao cinema, sem cometer alguns tiros no pé.

Curiosidade - Aquando da estreia de Harry Potter and the Chamber of Secrets, começaram os rumores sobre a eventual substituição do trio de jovens. Os mais criticos asseguravam que tanto Watson, como Radcliffe e Grint não iriam crescer de forma a se enquadrarem no espirito dos filmes seguintes. A prova final que os três actores precisavam de dar está neste quarto filme, tendo praticamente assegurado que serão eles os herois das aventuras de Potter até ao sétimo e último filme.

Site Oficial - harrypotter.warnerbros.com/gobletoffire

Realizador - Mike Newell
Elenco - Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, ...
Produtora - Warner Bros
Duração - 157 m
Classificação - m/6

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:46 AM | Comentários (100)

Proof - One Girl Show

Uma excelente peça de teatro transformada num filme claramente mediano. Seria essa a grande impressão final deste Proof de John Madden não fosse por um pequeno detalhe: Gwyneth Paltrow.
Num desempenho que deixa a anos luz aquele que lhe deu o óscar, Paltrow anda com o filme ás costas e consegue um dos melhores desempenhos femininos de 2005...
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Há alguns anos atrás fez-se uma sondagem: a quem pertencia o óscar mais injusto de toda a história?
Os resultados não deixaram margem para dúvidas e a fava calhou á jovem Gwyneth Paltrow que em 1998 tinha conquistado o óscar de melhor actriz pelo seu desempenho como musa de William Shakespeare em Shakespeare in Love.
Quem escolheu Paltrow teria lá as suas razões (aqui só para nós que ninguém nos ouve, há bem piores vencedores que a senhora Chris Martin na história...bem piores) e de facto nesse ano havia outros grandes nomes por onde escolher. Mas a verdade é que desde o seu óscar até agora pouco se tem ouvido falar de Paltrow. Houve o fim do seu quase casamento com Brad Pitt, houve o seu casamento com Chris Martin, vocalista dos Coldplay, mas isso era para encher revistas e não para falar num site de cinema. Ou melhor, houve, mas a imprensa nunca prestou a devida atenção a Sylvia - notável encarnação da escritora Sylvia Platt - e mesmo em The Royal Teenembaus ela foi sempre deixada de lado nas estrondosas reviews.
Serve tudo isto para dizer que o desempenho de Paltrow só é novidade para quem tem estado a dormir. Desde há muito tempo que ali está uma actriz de valor, capaz de se valer mais pelo talento que pela beleza ou mediatismo. Uma actriz com a maturidade de arrastar um filme ás costas, coisa que nomes mais sonantes do que ela ainda têm dificuldades em conseguir.
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Falamos de Paltrow e não de Proof. Porquê?
A verdade é que a actriz é muito mais interessante que o filme em si. Sem ela, Proof seria um imenso vazio. É a sua presença que dá carisma e garra a algumas cenas terrivelmente banais, algo que nem mesmo o grande elenco que a acompanha consegue. Até porque Jake Gyllenhall ainda é muito verde - nota-se - e Anthony Hopkins, se excluirmos duas ou três cenas, está manifestamente apagado. Sobra Hope Davis. E o que dizer dela? Davis teve a infelicidade de interpretar um papel que é fácil de odiar, porque, se fosse alguém que realmente conhecessemos, iriamos certamente odiá-la. Por isso, quem saiu da sala a odiar Hope Davis - como aconteceu comigo - , confirmou que o seu desempenho foi exactamente o que lhe era pedido. O que, por muito estranho que pareça, reflecte exactamente o bastante talento que esta actriz, habitualmente secundária, tem.
E quanto a Hopkins, o veterano actor está na melhor cena do filme - a mesma que o abre, onde o efeito surpresa ainda existe - e em alguns bons momentos, mas arrasta-se um pouco, tal como a sua personagem, ficando perdido num vazio que só ele saberá qual é.
E assim, depois desta pequena volta, lá voltamos, inevitavelmente, a Paltrow. Na primeira cena do filme, é melancólica e captivante. Ao longo do filme altera o seu registo - muito por culpa dos sucessivos flashbacks. Ora é explosiva, ora está em estado quase catatónico. Essa mudança de registo é fulcral para definir o seu próprio papel, e mostra a sua competência tanto no under-acting, como no over-acting. E uma das grandes virtudes da sua própria performance foi o de saber despojar-se da própria beleza fisica, vivendo num estado quase "zombie" durante grande parte do filme, carregada de emoção e energia, prontas a explodir no momento certo.
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Quanto ao filme em si, talvez por culpa de John Madden, talvez por culpa do próprio David Auburn (actor da peça, e também do argumento), o filme nunca deixa de soar a peça de teatro - falhando a transposição cinematográfica - mas também perde alguns dos pontos positivos do que é uma peça de teatro, ficando num vazio dificil de entender.
O universo matemático (a banda, os cadernos, a demonstração) são feitos com algum interesse e uma manifesta vontade de aproximar o público a conceitos matemáticos que, numa dimensão de sobretados, estão demasiado simplificados. Falta aqui um pouco da sensibilidade de A Beautiful Mind, o filme que nos vem sempre á cabeça quando vemos Proof.
O espirito claustrofóbico, bem tipico de uma peça de teatro, não é explorado em toda a sua dimensão, como acontecia, por exemplo, com as adaptações de Richard Brooks ás peças de Tenesse Williams. Mas nem é tanto por aí que o filme peca. Há pontos por ligar, linhas que ficam perdidas, algo a que os sucessivos flahsbacks também não ajudam a superar. E depois há uma imensa banalidade que nunca é superada, nem totalmente explicada.
No final de contas, o filme vale por Paltrow. Nem por mais, nem por menos. Proof é mesmo, apenas e só, um one girl show.

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O Melhor - Obviamente, Gwyneth Paltrow. A nomeação ao óscar seria justa, pelo menos vista agora!

O Pior - A imensa banalidade que acompanha o filme.

Curiosidade - Este é o segundo filme que Paltrow faz com Madden. O primeiro valeu-lhe um óscar, em Shakespere in Love. O realizador viu o seu filme ser o grande vencedor da noite, mas perdeu na sua categoria para Spielberg.

Site Oficial - www.miramax.com/proof

Realizador - John Madden
Elenco - Gwyneth Paltrow, Jake Gyllenhall, Anthony Hopkins, ...
Produtora - Miramax
Classificação - m/12
Duração - 99 m

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:41 AM | Comentários (4)

Aquelas Frases...

"Na Cidade de Deus se ficar o bicho pega, se correr, o bicho morde!"

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in Cidade de Deus

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:34 AM | Comentários (2)

novembro 26, 2005

CANTOS DO MUNDO - EUROPA

O cinema é europeu por nascimento. Mas não apenas por uma questão de bilhete de identidade. Também, e sobretudo, porque se desenvolveu com a ambição de se tornar uma forma de arte à altura das tradições culturais europeias.
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Veja-se o expressionismo alemão ou a tradução cinematográfica dos grandes romances europeus, da Mat (Mãe) de Pudovkine ao Il Gattopardo de Visconti, passando pelsa adaptações de David Lean.
Assim, duas das principais características do cinema europeu estão inscritas no seu próprio nascimento:
a) o experimentalismo, ou seja, o trabalho e a pesquisa sobre a forma, desde Meliès e Dziga Vertov e que se prolonga por aí fora através de nomes como Eisenstein, Antonioni, Fellini, Bergman, Godard ou Wenders.
b) a sua relação estreita com as tradições artísticas da pintura, do teatro e do romance.
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Digamos, para simplificar, que a primeira característica está ligada ao cinema de realizador e a segunda ao cinema de argumentista. Para além disso, temos a sua relação com o teatro, bem visível no cinema britânico, no sueco e no russo, que, aliás, exportou a sua escola de actores para os Estados Unidos.
O cinema europeu nunca foi, ao contrário de Hollywood, um cinema de produtor que impunha modelos narrativos a pensar no espectador e nas bilheteiras. Foi, antes, um cinema de realizadores, ou melhor, de autores. Movimentos colectivos contam-se pelos dedos e aparecem quando sobressai uma outra característica única do cinema europeu: o cinema ideológico ou mesmo político. A influência profunda do marxismo nos intelectuais europeus marcou ideologicamente o cinema que se fez na Europa nos momentos de mais acesa luta ideológica na Europa. E foi então que o cinema se pretendeu mais popular, dedicado à educação ideológica das massas e à sua libertação através da arte: o cinema russo, o cinema da Frente Popular (Renoir e This Land Is Mine), o neo-realismo italiano foram movimentos onde os intelectuais europeus se aplicaram empenhadamente para darem uma consciência social aos cidadãos europeus. A estabilização do modelo capitalista e democrático em meados dos anos 50 assim como os anos dourados do cinema americano vão esbatendo esses movimentos e fazendo surgir um outro, o da cinefilia. É então que, por intermédio dos Cahiers du Cinema, aparece um cinema que já não tem como referência a ideologia mas sim o próprio cinema e como objectivo não a educação das massas mas, e mais uma vez, o próprio cinema: é o cinema de autor da geração dos Cahiers. Quem se esqueceu já das críticas da escola marxista de Sadoul ao cinema “alienante” e niilista de Antonioni nos seus Deserto Rosso e Blow-Up?
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Se, nos anos 60, a luta era entre um cinema ideológico e um cinema cinéfilo de autor, hoje em dia, vitorioso este último, o debate situa-se entre um cinema de autor e uma indústria de cinema. Mas, a ainda decisiva influência dos festivais europeus de cinema perpetua o cinema de autor, que é a única marca de prestígio que o cinema europeu conhece. Alimentada por solenes festivais e dedicados cine-clubes, a Europa mantém uma noção elevada do cinema, como forma superior de expressão artística. Por esse motivo, é ainda muito forte a resistência a uma indústria de cinema assente em modelos narrativos cheios de concessões ao gosto do espectador médio, contaminado por essa grande e desprezível rival que se chama televisão.
Mas, a cinematografia europeia sempre perseguiu uma ideia de arte que a afastou do cinema popular de Hollywood, mas que a deixa numa encruzilhada: ou se mantém fiel ao cinema de autor e continua viver a crise que vive hoje, ou envereda definitivamente pela uma criação de uma industria bem semelhante ao mesmo modelo do qual sempre se tentou distanciar.

Filipe Carneiro

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:46 PM | Comentários (13)

Crowe e Kidman finalmente!

Depois de vários rumores e projectos anunciados e sempre adiados (sim, parece que Eucalyptus já não irá acontecer), finalmente Nicole Kidman e Russell Crowe vão trabalhar juntos. O australiano e a jovem havaiense, que começou a carreira na Austrália, são amigos de longa data, além de serem dois dos maiores nomes do cinema actual.
O projecto será dirigido por Bazz Luhrmann, o mesmo que consagrou Kidman em Moulin Rouge, e já tinha sido anunciado há alguns meses. Agora chega a confirmação. O filme será um épico, ao jeito de Gone With the Wind, segundo a produção, e Crowe já avançou que a produção estará a cargo da Fox.
Resta saber se com a agenda apertada de Leonardo di Caprio, o Alexander the Great de Luhrmann está definitivamente adiado.
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Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:00 PM | Comentários (0)

novembro 25, 2005

Oscarwatching - A semana de Syriana

O tempo vai passando e os filmes vão surgindo. Depois de se ter confirmado o real potencial de Walk the Line e Memoirs of a Gueisha, há ainda incógnitas no ar. Como é realmente Munich? Alguém viu The New World? Brokeback Mountain será rotulado como western-gay? Good Night and Good Luck. é demasiado pequeno?
Para Syriana isso não importa. O filme de Stephen Gaghan teve uma semana e peras...
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O filme lida essencialmente com a questão do terrorismo e da presença norte-americana no Médio Oriente. O aspecto central do filme é um agente da C.I.A que começa a perceber que há algo que ele desconhece em todo o processo em que os EUA estão envolvidos nessa zona. Começa a pesquisar por ele mesmo e descobre coisas que pensava não serem possiveis. Esse é o ponto de partida e a partir daí a história desmultiplica-se em várias personagens e no papel que elas têm no bolo que é o negócio do petróleo no Médio Oriente. O filme é dirigido por Stephen Gaghan, o aclamado argumentista de Traffic, e conta com um transformado George Clooney. E quando todos pensavam que ele ia atacar o óscar principal, há duas semanas, o site The Envelope afirmou que ele seria secundário. Rumores desmentidos, capa do Hollywood Reporter a fazer menção a esse protagonismo no filme, mas o mesmo site, duas semanas depois, diz saber de fonte segurissima que Clooney apenas vai lutar pelo óscar de secundário, onde, curiosamente, já era candidato pelo papel no seu próprio filme, Goodnight and Good Luck.
Mas o que conta essencialmente para Syriana é o aplauso que a critica lhe tem devotado nos últimos dias. Tudo começou, naturalmente, com Roger Ebert, e rapidamente a noticia espalhou-se. O filme é elogiado pela sua transparência e coragem, e pelo trabalho de Gaghan, atrás da camara e na escrita do guião.
Visto por muitos como um cavalo negro, Syriana vai começando a ganhar apoiantes. Não será nunca um filme de grande projeção e por isso é natural que entre para uma "categoria", já de si sobrelotada, de filmes pequenos que a critica tem vindo a aclamar. E ter a companhia de Crash, Capote, The Constant Gardener, A History of Violence ou The Squid and the Whale, pode complicar as coisas.
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Steven Spielberg não quer fazer campanha. O realizador de Munich quer que o filme fale por si, sem necessidade de uma forte campanha mediática a apoiá-lo. Spielberg, que será provavelmente o produtor dos dois grandes candidatos - o que pode violar um pouco as regras do jogo, já que para além de produzir Munich, também produz Memoirs of a Gueisha - espera assim conquistar a simpatia de um cada vez maior número de criticos e membros da Academia que se mostram irritados com a politica agressiva de marketing dos estúdios nos últimos anos. Resta saber se o tiro não lhe sai pela culatra.
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Se a nivel dos actores principais nada tem mudado nas últimas semanas - o mesmo será dizer, as dúvidas continuam a ser as mesmas, as certezas continuam a ser poucas - nas categorias secundárias o assunto vai-se complicando. Gary Beach (The Producers), Frank Langella (Good Night and Good Luck.), George Clooney (Syriana/Good Night and Good Luck) juntam-se à luta com nomes já firmados há alguns meses como Bob Hoskins, William Hurt, Paul Giamatti ou Jake Gyllenhall. E com a indecisão à volta do elenco secundário de Munich, The New World ou Memoirs of a Gueisha, a questão do melhor actor secundário está mais indecisa que nunca. Apostas aceitam-se!


Por falar em apostas, a partir de segunda-feira o Hollywood volta ás suas previsões. Os nomes e as apostas referem-se ás informações recolhidas até este fim de semana. Por isso não se espantem se virem nomes na terça feira que na quarta-feira já estão fora da corrida, tal como aconteceu com Alexander no ano transacto. Ossos do ofício!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:47 AM | Comentários (1)

Trailer de Pirates of the Caribbean 2

As rodagens dos próximos Pirates of the Caribbean têm sido intensas, segundo o próprio Gore Verbinski, e a meio ano da estreia de Dead Man´s Chest, o segundo capitulo das aventuras de Jack Sparrow e dos seus amigos, um site russo conseguiu ter acesso ao primeiro trailer do filme.
Johnny Depp, Orlando Bloom, Keira Knightley e Geoffrey Rush estão de regresso. Desta vez o vilão é Davey Jones, e no segredo dos deuses fica ainda a possibilidade de Keith Richards filmar o seu cameo como pai de Jack Sparrow. De resto espera-se mais humor, acção e um novo festival de Johnny Depp numa das mais insólitas e amadas personagens dos últimos anos.
O filme estreia no próximo Verão e é produzido pela Disney. A segunda sequela estreará no Inverno de 2007. O link para verem este trailer não-oficial está aqui.
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Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:33 AM | Comentários (2)

novembro 24, 2005

Carreira de Hopkins consagrada pela HFPA

Na próxima edição dos Globos de Ouro - a decorrer no dia 16 de Janeiro - a Hollywood Foreign Press Association vai distinguir o britânico Anthony Hopkins com um prémio pela sua carreira. Hopkins, já galardoado com um óscar da Academia pelo seu desempenho em Silence of the Lambs, vê assim reconhecidos 40 anos de presenças no cinema. Foi no filme Lion in Winter, em 1968, que o jovem actor começou a dar nas vistas ao lado de um elenco de luxo composto por Khatarine Hepburn, Peter O´Toole e Timothy Dalton. Depois de problemas pessoais que atormentaram a sua carreira ao longo das duas décadas seguintes, Hopkins conseguiu reinventar-se no anos 90. Em quinze anos tornou-se num dos mais respeitados e amados actores de cinema com papeis marcantes em filmes como Silence of the Lambs,Nixon, The Remains of the Day ou Amistad.
Foram seis as nomeações aos Globos de Ouro que nunca resultaram em vitória. Este prémio Cecil B. de Mille, um prémio honorário, servirá também como forma da HFPA compensar o actor pelo facto de nunca ter sido um dos premiados.
O prémio será entregue no final da cerimónia dos Globos de Ouro, e curiosamente Hopkins pode voltar a ser nomeado. É que um dos mais sérios candidatos a conquistar algumas nomeações é o filme Proof, onde contracena com Gwyneth Paltrow e Jake Gyllenhall. Filme esse que estreia hoje nas salas.
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Fonte: C7nema : Hollywood Foreign Press Association

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:33 AM | Comentários (0)

novembro 23, 2005

Dificuldades técnicas

Como devem ter reparado, problemas técnicos fizeram com que mais de metade da coluna da direita do Hollywood desaparecesse misteriosamente. Um problema que estou a tentar resolver o mais rapidamente possivel. Até lá peço obviamente desculpas pela falha!

Miguel Lourenço Pereira

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:52 AM | Comentários (0)

Opinião - A tal crise!

Esta semana foram conhecidos os dados que confirmam a ideia de uma crise na indústria cinematográfica em Portugal. E já não apenas uma crise de conteudos. Com menos de 2 milhões de espectadores nas salas, com os cinemas Freeport de portas fechadas e estando as salas da AMC à venda, é a altura de falar da tal crise que assombra o mundo do cinema...
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Uma crise que não é nacional.
Desde há vários anos para cá que as salas de cinema estão a perder espectadores. Em Portugal, França ou Estados Unidos. O fenómeno é global e tem os seus motivos. É na cegueira dos estúdios norte-americanos - responsáveis pela maior distribuição mundial de produção cinematográfica - e na impotência da Europa ter a sua própria indústria, que encontramos a genese deste problema.
Nos Estados Unidos Hollywood vive dias dificeis. Depois da gravissima crise dos anos 70, os estúdios foram gradualmente recuperando as suas posições, vivendo dias de glória em meados dos anos 90. Eram os dias em que os filmes indies davam lucro e que as apostas dos grandes estúdios acabavam por compensar. A decada dos Schindler´s List, Forrest Gump, Bravehearth ou Titanic. Grandes produções que davam margem de manobra suficiente para os estúdios apostar noutro tipo de filmes que, ou tinha sucesso no box-office numa menor escala (Unforgiven, Pulp Fiction, L.A. Confidential), ou não tinha esse sucesso. Mas nesse caso o excedente dos outros projectos mantinha a cabeça dos estúdios bem acima da água. Enfim, eram esses os dias que Hollywood desejava viver hoje. Mas não vive!
Desde o histórico - e até à bem pouco tempo imbativel - estúdio da Disney à venda do mitico leão da MGM, Hollywood está desorientada. Não há uma politica concertada por parte dos estúdios de forma a ultrapassar a crise. Pior! Alguns recusam-se a acreditar na ideia de crise, lançando fiascos atrás de fiascos no mercado, à espera que um pegue e apague todos os erros do passado. Mas o jogo já não resulta bem assim!
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Os três maiores problemas do cinema americano são faceis de descobrir, mas muito dificeis de curar.
É evidente para todos o claro problema de falta de ideias das majors norte-americanas. Os estúdios perderam a imaginação. Sucedem-se os remakes de sucesso antigos, as sequelas de sucessos actuais, a constante e veroz adaptação de livros, ao minimo sinal de sucesos nas bancas da mesma forma que há cinquenta anos se fazia com uma peça da Broadway. Guiões originais, filmes diferentes ao que estamos habituar a ver, já não se fazem. Ou melhor, fazem-se, mas não são ideias que partem de dentro para fora. Têm de ser recrutadas. E é isso que os estúdios têm feito, a peso de ouro.
E esse é o segundo grande problema. A divisão entre os indies e os majors está-se a desvanecer rapidamente. Sem ideias, sem um pingo de imaginação, os executivos dos estúdios passam cheques em branco aos autores independentes, ao primeiro sinal de sucesso. "Se a critica gostou daquele filme, - pensam eles - e o público até foi ver, pode ser que este argumentista me faça aí uma serie de sucessos. Vai custar-me uma fortuna mas vai acabar por compensar." Só que nunca compensa. Hoje os Tarantinos, Crowes, Paul Thomas Anderson, Wes Anderson, Charlie Kauffman ou Alexander Payne são nomes únicos devido à sua imensa originalidade, capaz de atingir tanto a critica como o público. Mas são caros demais e estão a levar os estúdios à falência.
Vejamos! Para filmar uma história de um Payne ou de um Kauffman, em principio, pela sua natureza indie, o filme custaria entre 10 a 20 milhões. Demoraria três a quatro semanas a filmar, teria um orçamento restrito - e este tipo de filmes nem custama ultrapassar orçamentos - teria um ou outro nome de luxo no elenco (porque os actores sabem que têm de ir ao cinema de autor procurar a credibilidade, e aos filmes de estúdio, o dinheiro), e daria lucro no box-office. Porquê? Por ser um filme indie não teria gasto uma gigantesca verba em publicidade - já lá vamos. E depois porque teria uns 30 a 50 milhões de receitas nas bilheteiras. Um lucro total de 20 milhões, assim por alto. Mas isso são os filmes assumidamente indies, que desde os anos 80 têm sido uma verdadeira lufada de ar fresco no cinema norte-americano. Mas o que acontece com as grandes produções?
O mesmo filme - qualquer um - custaria a fazer, o dobro. Porquê? Porque os estúdios não indiferenciam as suas próprias produções. O orçamento desse filme seria aumentado no dobro, não teria um alto controlo de despesas - é nas produções das majors que se ultrapassa o orçamento...e muito - as filmagens em vez de durarem 4 semanas, estender-se-iam por meses, e as estrelas que dariam a cara, misturariam o autor com o estúdio, e iriam querer o dobro. Isto sem esquecer o já milionário contracto com o tal autor, e a enormidade de dinheiro que seria gasto em publicidade. O mesmo filme custaria agora 40 milhões, a que juntariamos cerca de 20 a 30 de publicidade. Com as mesmas reviews - ou, tendencialmente, piores - e o mesmo público, o hipotético lucro de 20 milhões passa a prejuizo. E as contas saem furadas.
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Porque, como já se falou, nem são os contractos e os gastos da produção dos filmes que fazem deles buracos nos orçamentos dos estúdios. É o dinheiro que se gasta em publicidade que o tornam flops de bilheteira. Basta ver o caso de Cinderella Man por exemplo. Porque no caso anterior, sem a agressiva campanha de publicidade, o filme não daria lucro mas também não daria prejuizo. Viveria num limbo, que se arrastaria eternamente, mas não afundaria a indústria numa crise clara. Os milhões que a Dreamworks gastou na publicidade de The Island condenaram o filme á partida. O mesmo aconteceu com The Polar Express no ano passado. E como o mercado de dvd está cada vez a tornar-se uma ameaça aos filmes - não aos estúdios, porque são eles que os produzem e já estão contabiliizados nos lucros futuros de cada filme - e aos distribuidores, é preciso convencer o público de que vale a pena ir ao cinema. Mas por vezes essa campanha é um autêntico tiro no pé. É exactamente isso que está a acontecer. Convencer o público a voltar ás salas está-se a revelar demasiado despendioso.
Os estúdios fariam melhor em perceber as suas próprias limitações. Voltar ao exemplo dos anos dourados. Deixar os filmes de critica, de autor, para pequenas produtoras - ou subsidiárias como a Fox Searchlight ou a Warner Independent - capazes de promover sem problemas, e com lucro, o material indie, e manter a sua ideia de lucro. Apostar em projectos de sucesso à partido, aquilo que Anne Thompson resume a "sequelas, filmes que se valorizem e não se esgotem num só modelo". O que a jornalista do Hollywood Reporter quis dizer neste artigo, é simplesmente que a continuar assim e o sistema entra em colapso. É preciso acordar Hollywood, antes que sejam os credores a faze-lo.
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Na Europa o cenário é o oposto. Se nos Estados Unidos vive-se a crise de ideias dos estúdios, na Europa vive-se a eterna crise da ausência de estúdios. Filmes financiados constantemente pelo Estado ou pela União Europeia, dirigidos para um público que está na minoria das minorias, é continuar a insistir num modelo falhado...há mais de cinquenta anos.
Quer seja o caso português, quer seja o exemplo da França, a crise é notória. Não tanto em ideias, mas sim na aplicação prática das mesmas. O cinema de autor europeu é uma imagem de marca desde os anos 60, e faz do cinema made in Europa especial, capaz de procurar novos caminhos dentro da gramática cinematográfica. Mas resumir a produção cinematográfica de um continente e a apenas isso é manifestamente pouco. Porque o público - e por muito que os intelectuais não o queiram aceitar - não será nunca o consumidor dessas obras. A própria Nouvelle Vague francesa teve de perceber isso da pior maneira. O público dos Oliveiras, Canijos, Godard, Chabrol ou Bergmans existe, mas em número extremamente reduzido. Nunca farão de um filme europeu um sucesso de bilheteira. Mas isso não invalida que estes filmes existam. Claro que não! Só que têm de ser - definitivamente e sem mais falsos pudores - enquadrados numa politica de mercado. Porque o cinema é arte, mas também é indústria. E a Europa teima em não perceber.
Por cada Oliveira deviam existir dois sucessos comerciais. A qualidade pode não ser a mesma - e atenção que eu não estou a pedir dois "Crimes do Padre Amaro" ou "Balas e Bolinhos", porque isso seria passar do 8 ao 80 sem sentido algum. Não, a questão não passa por aí. Passa por explorar a imaginação dos autores europeus para filmes de outra magnitude, capazes de criar identidas, de captivar os espectadores. Um continente com um passado histórico, uma cultura tão rica, e paisagens tão diversas e cinematográficas, não se pode reduzir a filmar planos de 10 minutos numa sala escura. Tem de trazer o cinema cá para fora, para as planicies de Espanha, os vales do Loire, os Alpes, a verdura das florestas e prados da Alemanha, as ilhas britânicas. Tem de fazer épicos históricos, dramas intensos, comédias com sentido - pedem-se, desesperadamente novos Goodbye Lenin!, La Vitta É Bella, Tudo Sobre Mi Madre...
Porque, mesmo que custe ao inicio, o que o público europeu precisa de saber é que há vida para além de Hollywood. E se os estúdios norte-americanos estão em crise, e enchem as salas portuguesas com produtos mediocres, é natural que hajam menos 2 milhões de espectadores. Tirando o espectador-pipoca de sábado á noite que, se o filme que quer ver está esgotado vai ver o mais absurdo que está na lista de disponiveis, sem problemas, já ninguém tem paciência para assistir aos sucessivos falhanços de Hollywood. Mas quando o cinema europeu está como está - e basta ver, não só os filmes, mas a própria campanha montada à sua volta (trailers, posters, entrevistas) - a vontade de os ver é igualmente minima. E assim as pessoas ficam em casa, e a tal crise teima em não desaparecer.
Um conselho: olhem para Alice. Filmado com recursos minimos, em pouqissimo tempo, com um grande elenco mas sem ser muito dispendioso, esteve em Cannes - onde conquistou a critica - e esteve em exibição largas semanas nas salas nacionais - onde conquistou o público. Aliou a qualidade do cinema de autor europeu, expresso num poderoso drama, que tanto podia ser candidato à Palma de Ouro como ao Óscar, com uma notável campanha de publicidade, extremamente eficaz, que soube levar as pessoas para as salas. Ao menos fossem todos os filmes como Alice! E mesmo que não fossem, bastava seguir o seu exemplo para já serem alguma coisa, num panorama tão mediocre como o que vivemos!

Miguel Lourenço Pereira

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:33 AM | Comentários (2)

O Que Estreia Por Cá - Potter torna-se adolescente

Depois do sucesso dos livros, veio o sucesso dos filmes. Ao quarto filme Harry Potter já não é o mesmo feiticeiro atrapalhado dos primeiros volumes. Agora é um adolescente. Está mais maduro, mais adulto, mais pronto a enfrentar as adversidades que vão surgir à sua frente. Porque The Goblet of Fire é isso mesmo. Um teste à maturidade do feiticeiro que conquistou o mundo...
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Talvez o grande problema da saga Harry Potter transportada para o cinema - os livros têm outros problemas - seja a direcção. Ou as direções, melhor dizendo, porque, ao contrário de um estável e sólido elenco, desde que Potter chegou aos ecrãns que os realizadores se têm sucedido em catadupa. Mike Newell sucede a Alfonso Cuarón e tem a dificil tarefa de superar o universo sombrio que o mexicano criou em The Prisioner of Azkaban. Mas ao quarto filme, o que salta mais á vista é a evidente maturidade do trio de jovens actores que comandam as operações. Daniel Radcliffe é já um autêntico homenzinho preparado para enfrentar de peito feito os filmes que faltam, sem desiludir os fãs que já foi conquistando e que ajudaram a fazer dele o adolescente mais rico de Inglaterra. Emma Watson tornou-se num bela rapariga e parece estar ali uma das grandes promessas do cinema britânico. O mesmo se pode dizer de Rupert Grint, o menos badalado do grupo, mas um dos mais originais personagens da história.
E ao trio de jovens junta-se o elenco de luxo do costume (Maggie Smith, Michael Gambon, Alan Rickman, Gary Oldman, David Thewlis) com duas novidades especiais: Miranda Richardson, que será a impertiente reporter Rita Skeeter e o consagrado Ralph Fiennes que surgirá no final como um inquietante e perturbador Lord Voldemort. É a cena que todos esperam, o aparecimento do grande rival do jovem feiticeiro. Porque ao contrário dos filmes anteriore, este tem menos da rotina de Hogwarts e mais de aventuras e de suspense. Segue a ordem natural das coisas e é o mais sério candidato a filme mais visto do ano em Portugal. Porque já não são só os pequenos que vão ver os filmes de Harry Potter. Os que cresceram com a personagem, e mesmo os adultos, estão rendidos ao talento de J.K. Rowling, capaz de criar, por si só. um mundo alternativo. Mas rendidos também a este projecto cinematográfico que, apesar de não ser composto por grandes filmes, se torna num entretenimento extremamente agradável de se ver.
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Mais três estreias esta semana nas salas nacionais.

Proof marca uma nova parceria entre John Madden e Gwyneth Paltrow, depois do sucesso de Shakespeare in Love. Neste filme, Paltrow vive na incerteza de poder ter herdado a loucura do seu pai, um genial mas louco professor de matemática recentemente falecido. É a relação que estabelece com um antigo aluno do pai, que a leva à procura de uma prova da sua própria sanidade. No elenco estão ainda Anthony Hopkins, Jake Gyllenhaal e Hope Davis.
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Into the Blue é um filme de aventuras submarinas da autoria de John Stockwell. Recheado de twists e imagens bem conseguidas das profundezas do oceano, o grande trunfo do filme será no entanto sempre a presença de Paul Walker e Jessica Alba em trajes minimos. Um filme de Verão que perfeitamente deslocado no tempo.
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Cry Wolf é mais um filme de terror tendo por base uma universidade. Uma jovem é encontrada morta e um rapaz e os amigos começam a inventar uma personagem ficitia, O Lobo. Mas quando mais jovens começam a morrer, da mesma forma como os jovens tinham sugerido que poderia acontecer, levanta-se a suspeita: quem é o Lobo?
Filme com um improvável John Bon Jovi e Julian Morris. A direcção está a cargo de Jeff Wadlow.
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O Hollywood Recomenda - Esteve um ano na gaveta da Miramax e agora é o seu maior trunfo para 2005. Um drama bem trabalhado com um leque de bons desempenhos, fazem de Proof um filme a ver.

O Hollywood Desaconselha - Cry Wolf, porque não traz absolutamente nada de novo.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:35 AM | Comentários (1)

novembro 22, 2005

Trailer de Lady in Water

Um dos mais esperados trailers do ano surgiu finalmente na net. Lady in Water é o quinto filme do realizador de culto M. Night Shyamalan, e o segundo da colaboração entre o cineasta e Bryce Dallas Howard depois de The Village.
Neste filme, Paul Giamatti, um porteiro de um complexo habitacional, descobre que uma sereia vive na piscina do prédio. Ela é na verdade uma personagem de um mundo mágico que está a tentar regressar ao mundo dos contos, e para isso precisa da ajuda da personagem vivida por Giamatti.
Mais um argumento alucinante de Shyamalan que cada vez mais se assume como um dos realizadores mais originais do cinema actual. O primeiro trailer do filme - que tem estreia em Junho do próximo ano . pode ser visto aqui.
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Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:26 PM | Comentários (0)

Harry Potter arasa no Box Office e bate recordes

Foi um fim de semana e tanto para o box office norte-americano. Num ano em que todos falam na crise pelo que o cinema passa (só em Portugal foram menos 2 milhões de espectadores este ano), a quarta aventura do pequeno feiticeiro Harry Potter and the Goblet of Fire conseguiu uns impressionantes 101.4 milhões de dólares. O filme bate assim todos os recordes de sucesso off-season, já que é o primeiro filme a estrear fora da época dos blockbusters (fim da Primavera, inicio do Verão) a conseguir ultrapassar a barreira dos 100 milhões. Harry Potter and the Golbet of Fire esteve a 8 milhões de igualar o recorde de Star Wars : The Revenge of the Sith, o segundo filme com melhor estreia de sempre nos primeiros três dias, e um dos filmes mais vistos de 2005.
O novo filme de Harry Potter estreia na próxima quinta-feira em Portugal prevendo-se igualmente que se torne rapidamente num dos filmes de maior sucesso de 2005 em Portugal.
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Fonte: C7nema

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:57 AM | Comentários (3)

Previsões aos Óscares

A partir da próxima segunda-feira o Hollywood começará a segunda fase de previsões aos óscares. As previsões terminarão no dia 15 de Dezembro. Uma última fase de previsões antecederá o anuncio dos nomeados, e depois, ao longo do mês de Fevereiro, o Hollywood fará a habitual cobertura minuciosa à próxima edição dos óscares, categoria por categoria, nomeado por nomeado.
Para os interessados, marquem segunda-feira na vossa agenda. Os óscares voltam ao Hollywood!
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Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:26 AM | Comentários (2)

Artigos de Leitura Obrigatória

São ás dezenas os artigos semanais de publicações dedicadas ao cinema que valem a pena ser lindo. Muitos dos quais são imperdiveis. Estes são exemplos disso. Provavelmente nunca nenhum artigo conseguiu entender tão bem a crise porque passam os estúdios de Hollywood como o que a jornalista Anne Thompson escreveu no Hollywood Reporter esta semana sob o titulo "Hung up on tentpoles, studios think too big!".
Para quem estiver interessado, aqui fica o link.

Para quem se pergunta o porquê do Oscarwatching, esse estranho passatempo que consiste em adivinhar ao longo do ano quais são os grandes candidatos a levar para casa a mais famosa estatueta dourada do mundo, é igualmente imperdivel o texto que Kris Tapley escreveu no seu dia de aniversário no weblog In Contention. O texto dirá certamente algo a todos os que praticam o oscar-watching (a mim pessoalmente diz ainda mais porque eu e o Kris partilhamos a data em que começamos a jogar este aliciante jogo) e pode ser lido aqui.

Porque ás vezes há textos que são mesmo de leitura obrigatória!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:30 AM | Comentários (1)

novembro 21, 2005

Antevisão - Walk the Line

Depois de Ray Charles, Johnny Cash. Um amor antigo do realizador James Mangold que agora ganha contornos de fábula americana. O filme tem conquistado tanto a critica como o público, é um dos mais fortes candidatos a filme do ano, e traz Joaquin Phoenix e Reese Witherspoon como nunca os vimos antes...
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O imenso sucesso de Ray no ano passado relançou a ideia dos biopics de grandes nomes da música. Kevin Spacey já se tinha aventurado pelo mesmo caminho, mas o seu Beyond the Sea não conquistou o público, também porque Bobby Darin não tem o mesmo impacto que Ray Charles.
Para 2005 temos mais um capitulo destes biopics-musicais. Walk The Line conta a vida de Johnny Cash, o rei da country music, uma das figuras mais perturbadas e fascinantes da música norte-americana. O homem que vestia sempre de negro, amargurado pelo passado, inquieto em relação ao futuro, é o tema deste regresso ao passado, ao som de músicas vibrantes como Ring of Fire. Um filme que regressa ás origens de Cash, ao papel que teve em definir a música country nos anos 60, e ao seu imenso amor por June Carter, também ela cantora, que acabaria por se tornar numa das mais intensas relações da época.
Dirigido de forma competente por James Mangold, com notáveis desempenhos de Joaquin Phoenix e Reese Whiterspoon - que aproveitam o balanço e para além de representarem, também cantam - Walk the Line é uma das grandes estreias do Outono norte-americano, e um dos mais fortes candidatos a filme do ano. Porquê? Porque transpira a magia de um nome singular na jovem história dos Estados Unidos.
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O filme começa na juventude de Cash. Os pais queriam que fosse padre, mas era demasiado rebelde para seguir o caminhos do Senhor. A visão da morte do jovem irmão perturbou-o imenso e a sua juventude foi passada em pequenos trabalhos que iam dando para viver, mas também, para conhecer melhor a vida. Foi quando pegou numa guitarra e começou a cantar a América, de dentro para fora, que o Mundo parou e escutou, fazendo de Johnny Cash um icone nacional. Pelo meio fica a mente perturbada de Cash e a sua relação amorosa com June Carter, a verdadeira alma do filme. Walk the Line prima pela competência, pela sobriedade e pela magia do universo muito próprio do cantor e do mundo que o rodeava .Um filme que tem conquistado tudo por onde passa.
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E isso acontece também por culpa da dupla de actores que Mangold contratou. Phoenix é Cash, fisicamente quase sem tirar nem por, mas também por dentro. A sua alma doi-lhe com a mesma intensidade - há quem diga que ter visto o seu irmão River Phoenix morrer lhe deu o que precisava para encarnar Cash desta forma - e o seu talento como actor (que já conheciamos de Gladiator ou The Village) vem ao de cimea, criando assim uma composiçõ impar, falando-se já em prémios, entre os quais, o inevitável oscar. Mas para os criticos a alma do filme é Reese Whiterspoon. A sua June Carter Cash é sensual, enérgica e mágica. A sua performance suplanta Phoenix e serve como motor da narrativa, num ritmo cheio de garra e presença, ao contrário do introspectivo Phoenix/Cash. Tal como acontece com Phoenix, há muitos meses que se falam em prémios para a "namoradinha da América".
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Walk the Line é um ambicioso retrato de um cantor dificil de resumir num filme. Mas uma tarefa que Mangold terá conseguido levar a bom porto, a imaginar pelas entusiásticas reações ao filme. Cash era um icone da América, tal como Charles. Após Walk the Line voltará certamente aos ouvidos e corações do mundo. Phoenix e Whiterspoon podem ter finalmente encontrado a chave certa para uma carreira de grande sucesso. E Hollywood parece ter encontrado em mais uma figura norte-americana, matéria prima para elogiar e premiar. Walk the Line estreia em Janeiro em Portugal. Até lá, os mais ansiosos terão de se contenar com os mais vibrantes albuns de um músico que mudou a face da música na América dos anos 60.

O QUE SE DIZ

"Johnny Cash cantava como sentia...Walk the Line, com as suas notáveis performances de Joaquin Phoenix e Reese Witherspoon, ajudarvos-ão a compreender o porquê!"

Roger Ebert, Chicago Sun-Times

"O filme de James Mangold, também, tem as suas recompensas na forma como consegue evitar os perigos mais comuns de retratar uma lenda, especialmente, uma lenda da música."

Kirt Honeycutt, Hollywood Reporter

"Walk the Line é notavelmente representado, musicalmente vibrante e um biopic convencional bastante satisfatório?"

Todd McCarthy, Variety

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:18 PM | Comentários (0)

Hustle and Flow com sequela

Ainda não estreou em Portugal mas foi dos filmes mais bem recebidos nos últimos meses nos Estados Unidos, valendo ao actor Terrence Howard um lugar na luta pela nomeação ao óscar. O filme Hustle and Flow segue um pouco o modelo de 8 Mile, contando a história de um jovem que quer fazer todos os possiveis para se tornar numa estrela de rap. O filme é solto, com uma imaginativa banda sonora, mas, mais do que qualquer outra coisa, com um excelente desempenho de Howard, que já tinhamos visto em Crash.
Agora o actor confirmou à MTV que os estúdios já têm um guião preparado para uma sequela sob o titulo Hustle and Flow 2: We´re Gonna Do It. O filme começará a ser rodado daqui a um ano e terá estreia agendada para o Verão de 2007.
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Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:54 PM | Comentários (1)

novembro 20, 2005

Comentários Activos

Depois de três dias em que - por motivos alheios ao Hollywood - foi impossivel deixar qualquer comentário, é com grande satisfação que anuncio que os comentários estão de novo activos. Para os que queriam comentar o final da lista das 50 maiores estrelas do cinema de Hollywood, a caixa está de novo aberta.

Miguel Lourenço Pereira

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:24 PM | Comentários (1)

Aquelas Frases...

"Frankly dear...i don´t give a damn!"

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in Gone With the Wind

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:32 AM | Comentários (2)

novembro 19, 2005

Novas fotos de Syriana

O filme de estreia de Stephen Gaghan está em alta. Apesar de ainda não ter estreado, é um dos filmes mais falados para se afirmar na temporada de prémios que está aí à porta. O filme conta com um transformado George Clooney - engordou imenso para dar mais vida à personagem - como um agente da CIA que opera no Médio Oriente. O terrorismo e os jogos de poder na maior reserva mundial de petróleo, entre americanos e arábes, estão na base deste intenso filme de acção. Amanda Peet, Matt Damon, Jeffrey Wright, Chris Cooper, William Hurt e Christopher Plummer completam o elenco de um filme cujo o guião também é da autoria de Gaghan, o autor, entre outros, de Traffic.
A estreia de Syriana está agendada para 23 de Novembro nos Estados Unidos. Cliquem na imagem para aceder á nova galeria do filme.
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Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:23 AM | Comentários (0)

CANTOS DO MUNDO - AMÉRICA DO SUL

O cinema brasileiro viveu uma atividade intensa em 2004. Desde meados de 1995, quando houve a retomada das produções nacionais de grande escala, não se produziam tantos filmes no país.
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O ano passado é motivo para comemoração: no total foram 48 longas, número que não era visto desde 1988. É o triplo do que chegou às telonas em 2003, ano marcado pelo estrondoso sucesso de Carandiru. Os documentários e biografias foram os gêneros de maior destaque e, segundo estimativas, 14% do que foi arrecadado nas bilheterias foi para longas nacionais.
As leis e projetos de incentivo à produção nacional projetam números otimistas para 2005. O Ministério da Cultura já autorizou a produção de 357 filmes, além dos que estão em fase de finalização, edição ou apenas esperando para chegar ao circuito comercial. O ano termina com mais um recorde de estréias e um novo campeão da atual fase chamada "retomada".
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2 Filhos de Francisco – A História de Zezé Di Camargo e Luciano, do diretor Breno Silveira, tornou-se no dia 2 de outubro, sexta-feira, o filme de maior público da retomada do cinema nacional. O longa-metragem, já assistido por mais de 5 milhões de espectadores, bateu os 4,693,853 espectadores do até então líder Carandiru (2003), de Hector Babenco.
Maior renda e público no país em 2005 – superando, entre outros, os blockbusters The Incredibles, Madagascar e Star Wars: The Revenge of the Sith –, o filme ocupou por nove semanas consecutivas a primeira posição do ranking de público brasileiro.
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Para completar o quadro de recordes, 2 Filhos de Francisco é o filme brasileiro de maior arrecadação nas duas últimas décadas, com mais de R$ 34 milhões (valor superior a US$ 15 milhões) acumulados, além de ser a quinta maior renda de um filme lançado no Brasil, perdendo apenas para Titanic, Spiderman (1 e 2) e The Passion of the Christ.
Produzido pela Conspiração Filmes, Columbia Tristar Filmes do Brasil, Globo Filmes e ZCL Produções Artísticas, a cinebiografia da dupla sertaneja foi eleita para representar o Brasil na disputa por uma das cinco vagas na categoria de melhor filme estrangeiro no Oscar do ano que vem.

Diego Almeida

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:50 AM | Comentários (0)

novembro 18, 2005

As 50 Estrelas de Hollywood - 10º ao 1º lugar

E cá estão elas, as 10 estrelas mais cintilantes do nosso imaginário. Resistiram aos anos, aos concorrentes, ao mudar das modas. Mas estão cá para toda a eternidade. Não devem nada a ninguém. Aliás, nós é que lhes devemos tudo. Foram eles que criaram a magia daquilo a que conhecemos por Cinema...

10 - DUSTIN HOFFMAN
(1937 - )

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É sempre dificil escolher a ordem entre três dos mais proeminenes actores de sempre que são, ao mesmo tempo, da mesma geração. E como quanto mais depressa caminhamos para o fim, menos a ordem faz sentido, calhou a fava a Dustin Hoffman ficar em 10º lugar. Mas para chegar a este lugar fica desde logo a prova de que Hoffman é um actor e pêras.
Nascido em 1937, teve uns pequenos papeis antes de surgir pela primeira vez em estilo no filme The Graduate. Ao lado de Anne Bancroft criou uma quimica intensa e ao terceiro filme era já um dos mais fortes candidatos a vencer o óscar. Assumindo-se como o actor do momento, em 1969 vive um chulo tuberculoso em Midnight Cowboy. O filme é o primeiro a ter classificação restrita a vencer óscares, mas a sua segunda nomeação resultou como a primeira. Hoffman começa então a criticiar a Academia por colocar actor contra actores. Não aparece nas cerimónias seguintes, apesar de continuar em forma em filmes como Little Big Man, Straw Dogs ou Papillon. Em 1974 é de novo nomeado pela sua encarnação fabulosa de Lenny Bruce no biopic Lenny. Estavamos no ano da afirmação da geração dos movie-brats e isso também se via no irromper de grandes actores. Nos nomeados desse ano estavam também Pacino e Nicholson, e de Niro iria vencer o óscar de secundário. Um ano que serviria de base para o que se seguiria.
Em 1976 tem dois brilhantes desempenhos, em The Marathon Man e All the President´s Men, mas é 1979 o ano da sua consagração. No filme Kramer vs Kramer vive um pai angustiado pela possivel perda da custódia do filho. Um papel cheio de energia e sensibilidade que lhe valeram o óscar, doze anos depois da primeira nomeação. Já oficialmente consagrado, Hoffman faz em 1982 um dos mais espantosos papeis de sempre, desdobrando-se entre Dorothy Michael e Michael Dorsey no inesquecivel Tootsie. A derrota na cerimónia soube-lhe mal e durante uns anos afastou-se de Hollywood. Em 1987 está no gigantesco falhanço que foi Ishtar, mas regressa com o seu maior papel de sempre em 1988 no filme Rain Man. É a altura do segundo óscar e da sua confirmação com actor sem igual. Não abrandando o ritmo entra em Family Business, Dick Tracy, Billy Bathgate e Hero. Para trás tinha ficado o flop Hook que o levará a aceitar um papel doze anos depois em Finding Neverland, como maneira de se redimir perante o criador de Peter Pan. Em 1997 consegue mais um papel assombroso em Wag the Dog que lhe vale a sua sétima, e última, nomeação aos óscares, num filme onde partilha o ecrán com De Niro. A partir daí passa a ter pequenos papeis em diversos filmes, de Jean D´Arc a I Heart Huckbees, passando por Finding Neverland e Meet the Fockers. A sua carreira tem abrandado significativamente mas está longe de ter terminado. E Hoffman poderá assim tornar ainda mais dourada a sua brilhante vida como estrela de cinema.

9 - INGRID BERGMAN
(1915 - 1982)

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Quando chegou a Hollywood, rotulada de futura estrela, a verdadeira estrela sueca do momento, Greta Garbo, dizia adeus ao cinema. Rainha morta, rainha posta! Na altura era dificil de prever, mas Ingrid Bergman superou a Garbo, e ainda hoje é a maior actriz sueca da história, apesar da "rivalidade" com as mulheres de Bergman e com a diva da década de 30.
Depois de uma passagem pelo teatro sueco e pela ascendente industria erótica daquele país nórdico, Bergman deu nas vistas no filme Intermezzo em 1936. David Selznick comprou os direitos do filme e fez uma versão para Hollywood, insistindo em Bergman para o papel que fizera dela uma estrela na Suécia. Depois do enorme sucesso da versão americana de Intermezzo, Bergman volta a casa para fazer mais três filmes, mas em 1942 está em Hollywood. Acreditava-se que para sempre, mas o destino iria pregar-lhe uma partida.
No ano seguinte protagoniza algumas das mais icónicas cenas da história do cinema com Bogart em Casablanca. O filme torna-se num dos maiores sucessos de sempre, confirmando o estatuto de estrela da bela sueca. No ano seguinte é pela primeira vez nomeada aos óscares, por For Whom the Bell Tolls, onde divide o ecrãn com Gary Cooper. Em 1944 a sua consagração é consumada em Gaslight, filme que lhe vale os prémios da critica e da Academia. No ano seguinte tornava-s numa das "Loiras" de Hitchcock em Spellbound . Volta a trabalhar com o realizador em Notorious e Under Capricorn, mas são os seus papeis em The Bells of St. Mary´s e Joan of Arc que lhe valem mais duas nomeações aos óscares.
Em 1949 viaja até Itália para filmar Stromboli com o realizador Roberto Rossellini. Acabam por se apaixonar, e Bergman, que era casada e tinha uma filha, deixa a familia para ir viver com o realizador italiano, de quem terá duas filhas, a mais conhecida, a também actriz Isabella Rossellini. Banida pelos americanos, que com a sua moral se sentiram de alguma forma traidos, Bergman fica seis anos fora da América. Aproveita para entrar nalguns dos melhores filmes de Rossellini, Europa 51, Viaggio in Italia e La Paura, e trabalha com Renoir em Heléne et les Hommes.
O seu regresso a Hollywood não poderia ser mais triunfal. Em 1956 vence o seu segundo óscar por Anastasia e faz as pazes com o seu país adoptivo. A partir daí a sua carreira abranda claramente, mas há ainda papeis merecedores de atenção. Em 1974 conquista o seu terceiro óscar, como secundária desta feita, por Murder on the Orient Express, tornando-se na segunda actriz com mais triunfos, logo atrás de Hepburn. O cancro acabará por ser a sua perdição. Bergman morre em 1982 deixando o mundo do cinema sem uma das suas maiores estrelas.

8 - AL PACINO
(1940 - )

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Consegue explodir de raiva em poucos segundos, de uma forma que nem o "Método" ensinava. Duro entre os duros, nunca perdendo o seu charme muito próprio, Al Pacino é uma referência eterna para quem vive o cinema.
Começou a carreira em 1969, numa serie de pequenos papeis, e é a escolha surpresa para ser Michael Corleone em The Godfather. O seu assombroso desempenho vale uma nomeação e o aplauso generalizado da critica. No ano seguinte está no aclamado <