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novembro 30, 2005
Opinião - O Que aconteceu ao cinema portuense?
O Porto foi a pátria do cinema em Portugal. Poucos sabem disso mas é verdade. Foi aqui que se fizeram as primeiras filmagens, onde houve os primeiros estúdios de cinema nacionais. E claro, Douro Faina Fluvial trouxe definitivamente a capital do Norte para o mapa. Hoje, o Porto é um oásis cinematográfico. Mas, porquê?

Hoje ir ver um filme ao Nun´Alvares é quase um ritual de despedida. Um dos mais antigos cinemas portuenses, o último cinema de bairro da Invicta, está ás portas da morte. Abandonado, sem público, com filmes que ninguém quer ver. Sessões canceladas, bilhetes guardados debaixo da caixa porque ninguém os quer levantar, suspiros de dor. E um adeus anunciado.
Mas um adeus que se repete, ano após ano. As miticas salas da cidade já não existem, senão na nossa própria imaginação. E na saudade, sempre na saudade de outros dias, outros tempos!
O Nun´Alvares era um sobrevivente. Vai deixar de o ser. Vai juntar-se aos outros, qual Valahla dos cinemas históricos, e descansar eternamente na nossa memória. Antes dele, já uma quinzena de cinemas tinham perecido. Uma luta inglória, desigual, e como todo o filme, trágica. Uma luta que ninguém pode ganhar, mas que todos acabarão por perder.
Do Águia D´Ouro ao Olimpia, do Vale Formoso ao Vitória. Até mesmo o Batalha e o Trindade já não existem. E que dizer de todos os outros, o Charlot, o Lumiere, o Julio Dinis, a Casa das Artes, o Foco, o Rivoli, até mesmo o Central Shopping. Foram desaparecendo com os anos, os mesmos locais de peregrinação dos mais devotos fieis dessa religião que é a 7º Arte. Foi nesses espaços que vi alguns dos filmes mais miticos da história. E nunca mais lá voltarei. Porquê?

A verdade é que o Porto, como cidade, é já um espaço fantasma. Rodeado de autênticas cidades dormitório (Gaia, Rio Tinto, Gondomar, Matosinhas, Maia, ...), os portuenses já não dormem no Porto. Já não vivem no Porto. Limitam-se a ir lá trabalhar, voltando depois para a sua rotina urbana nos suburbios. E e lá onde encontram os lares, mas também os grandes shoppings, os templos do século XXI. E é lá, no cume desses mesmos templos, como convém, que se encontram as salas de cinema, os complexos da Lusomundo, da AMC ou da Castello Lopes, onde os filmes se amontoam em cartaz. E lá podemos encontrar tudo, desde o pior filme em exibição, ao segundo pior, e daí por diante até conseguimos ver um ou outro filme que vale a pena. Os preços, ridiculos; o ambiente, impróprio para consumo. Mas que é que um cinéfilo pode fazer?
Nada. A desertificação da cidade levou à desertificação do espólio cultural do Porto. E o cinema, esse, ninguém lhe liga nenhuma. O Nun´Alvares vai fechar. E ninguém se importa. O Passos Manuel poderá ser o senhor que se segue. O único local que faz reposição regular de grandes clássicos numa verdadeira sala de cinema. Mas poderá não durar muito. E onde é que os portuenses vão poder rever Hitchcock, Ford ou Hawks? Mas a quem manda na cidade isso não lhe interessa. Não é coisa de dar votos, isso do cinema.
E então fecha-se. Até porque há os shoppings não é verdade? Nem o facto das salas Lusomundo serem miseráveis, e do AMC estar à venda parece servir de desculpa para pensar o cinema na cidade do Porto.
Aliás, haverá ainda cinema na Invicta?

Os mais atentos dirão que sim. O Cine-Teatro do Campo Alegre ainda consegue escapar à rotina e exibir algumas pérolas cinematográficas que não encontramos em lado nenhum. O mesmo se passa com o Passos Manuel, que ainda vai vivendo, a custo. Mas já os cinemas do Cidade do Porto vivem de um preço proibitivo e de uma fraca oferta de filmes. De vez em quando algumas faculdades fazem uns pequenos ciclos, mas isso é mais cinéfilia que cinema. Ou seja, as condições são demasiado fracas para criar um ambiente de cinema, apesar do espirito pairar por lá!
Continuamos sem perceber muito bem a politica cultural do Porto. As pessoas vão-se embora e o que é o cinema sem as pessoas! Mas, o cinema também pode puxar pelas pessoas e não o contrário. Há muito que à cidade do Porto - que até foi, não sei se se lembram, capital europeia da cultura há quatro anos atrás - lhe é devida uma politica cultural.
Uma Cinemateca portuense é algo que os portuenses pedem e merecem há muito tempo. Um local onde os grandes filmes possam coabitar com a oferta habitual da indústria. Um ponto de encontro de pessoas, ideias. Um local de descoberta, de ensino, de verdadeira cultura. Não vi nenhum politico falar disso na campanha. Não vejo ninguem falar desse monopólio que a Cinemateca de Lisboa tem sobre todo o país. De vez em quando dá um brinde e todos ficam contentes. Contentam-se com pouco!
Não estamos a falar de projectos para darem lucro. Estamos a falar de uma identidade cultural de uma cidade que se devia orgulhar das suas raizes na história do cinema português, mas que teima em desviar o olhar e assobiar para o alto.
O Nun´Alvares vai fechar! E ninguém se parece importar muito! O Nun´Alvares vai fechar! E, nós, para onde vamos agora?
Miguel Lourenço Pereira
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:21 PM | Comentários (3)
Oscarwatching2005 - Previsões - Melhor Filme Animado
Com apenas três vaga para dez concorrentes, a categoria de Melhor Filme Animado está extremamente...animada. Curiosamente, numa era onde o cinema animado recorre cada vez mais a animações geradas por computador, os grandes favoritos da edição deste ano são...stop-motions...



Depois de ter vencido vários óscares na categoria de Melhor Curta-Metragem de Animação, os estúdios Aardman lançaram finalmente uma longa-metragem de aventuras de uma das mais amadas duplas do cinema animado: Wallace e Gromitt.
Neste Wallace and Gromit : The WhereRabit Curse, o engenhoso Wallace e o seu fiel cão Gromit têm de se haver com um esfomeado coelho gigante. Uma animação muito popular, com excelente box-office e criticas, e que parte claramente na linha da frente.

A Disney está de regresso em estilo, após ter vivido os últimos anos na sombra da Pixar. O seu mais recente filme, Chicken Little é um divertido entertenimento que teve excelente recepção nos Estados Unidos e que, face ao apagamento da Dreamworks, surge igualmente como um dos mais fortes e naturais candidatos à estatueta dourada.

Depois do sucesso de Nightmare´s Before Christmas, o realizador Tim Burton voltou ao cinema de animação stop-mortion em The Corpse Bride. O filme, que conta com uns estranhos Johnny Depp, Helena-Bonham Carter e Emily Watson numa versão do além, foi um enorme sucesso de bilheteira e de critica, e é igualmente, um dos grandes candidatos a vencer a cerimónia. Poderá mesmo ser a primeira estatueta dourada para Burton.

QUEM PODE SER NOMEADO
- Howl´s Moving Castle
- Madagascar
- Valiant
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:59 AM | Comentários (0)
Oscarwatching2005 - Previsões - Melhor Documentário
A Academia de Hollywood já selecionou os pré-candidatos à próxima edição dos óscares. São cinco vagas para quinze trabalhos. Mas já há favoritos à estatueta dourada...





The March of the Penguins foi um dos grandes fenómenos do ano nos Estados Unidos. O filme francês de maior sucesso no box-office norte-americano, o filme conquistou tanto o público como a critica pelo seu sentido dramático numa história que, possivelmente, noutras mãos, daria um monótono documentário do National Geographic.
O cineasta Luc Jaquet é um caso de sucesso e o seu trabalho é sem dúvida alguma o mais forte candidato a triunfar na noite de 5 de Março.

Enron: The Smartest Guys in the Room é um documentário pouco politicamente correcto que desmascara a corrupção nas grandes empresas norte-americanas, utilizando como ponto de partida o polémico caso da Enron. Alex Gibney é mordaz e contudente na sua critica ao universo empresarial norte-americano, e o seu trabalho é igualmente um fortissimo candidato ao óscar.

Mad Hot Ballroom de Marilyn Agrelo é um dos habituais documentários de situação. A camara segue um grupo de jovens de várias escolas de Nova Iorque que decidem aprender danças de salão para entrarem num concurso. Um documentário simpático, que aponta essencialmente para o lado humano, um verdadeiro feel-good filme.

Murderball é o mais intenso documentário do ano, talvez por mexer com um problema - deficiêncis motoras - que ainda conseguem impressionar bastante as audiências. Henry Alex Rubin e Dana Adam Shapiro dirigem este filme sobre um grupo de quadriplégicos que joga rugby, utilizando apenas as cadeiras de rodas e os braços, de forma a treinarem-se para chegar aos Jogos Para-Olimpicos de Atenas. Emocionalmente intenso!

Rize é mais um documentário de David La Chapelle - mais conhecido pelo seu trabalho como fotógrafo das estrelas - e leva-nos até ás ruas de Los Angeles onde se desenvolve uma nova cultura pop, o clowning, que Chapelle conheceu quando filmou um videolcip da cantora Christina Aguillera. Um filme sobre a forma como muitos jovens evitam entrar no mundo dos gangster e da violência, dedicando-se de corpo e alma a este estilo de dança. Está actualmente em exibição em Portugal.

QUEM PODE SER NOMEADO
- Favelas Rising
- On Native Soil
- The Boys of Baraka
- Unknow White Male
- The Devil and Daniel Johnston
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:17 AM | Comentários (0)
O Que Estreia Por Cá - Oliver Polanski...
David Lean e Carol Reed tentaram as suas adaptações do notável romance de Charles Dickens. O primero entrou para a história com um Alec Guiness inesquecivel. O segundo venceu mesmo o óscar de melhor filme. Após o estrondoso sucesso de The Pianist, o polaco Roman Polanski entrega-se ao universo de Charles Dickens e mistura-se com a personagem principal, tornando-se um autêntico Roman Oliver Polanski...

Filmado com imensa paixão, Roman Polanski deu o melhor de si no intimista The Pianist, o mesmo filme que lhe valeu o tal óscar que ninguem pensava ser possivel, depois de ter sido banido dos Estados Unidos. Foram três anos de ausência, periodo em que o realizador se deleitou com a obra literária de Dickens. E quando chegoua a altura de criar um novo projecto, a escolha teve de recair na obra súmula do autor britânico.
Sem nunca abdicar do sentido literário, as ruas de Londres, os pequenos miudos abandonados, o incorrigivel Fagin, esta nova adaptação de Oliver Twist traz muito do próprio cineasta. Da sua experiência de vida, do seu sentido dramático da vida. Um filme intimista, e, ao mesmo tempo, de dimensões heroicas.
Recheado de personagens miticas da literatura europeia (Fagin, Oliver, Artful Dodger), este Oliver Twist é o exemplo de como Polanski produz os seus filmes. Ben Kinglsey, como Fagin, é o único nome conhecido no elenco. Os jovens actores que deram vida ás restantes personagens, Barney Clarke ou Leanne Rowe, contribuem para criar um ambiente mágico à volta da história, filmada em Praga e Londres, dois ambientes cosmopolitas, mas, igualmente, extremamente intimistas.
Oliver Twist é um dos titulos mais interessantes de 2005, e marca o regresso de um dos mais aclamados cineastas europeus. Um filme para ver, perto de si!

Esta semana há ainda quatro estreias nas salas nacionais.
An Unfinished Life junta dois grandes actores norte-americanos, Robert Redford e Morgan Freeman, com a cantora-actriz-estrela pop Jennifer Lopez sob a direção do intimista Lasse Hallstrom. O filme conta a história de uma jovem que tenta esquecer o passado, e, ao mesmo tempo, integrar-se numa comunidade diferente do que conheceu. Aposta da Miramax para 2004, esteve um ano na gaveta, e teve fracas reviews nos Estados Unidos.

Just Like Heaven foi um dos grandes sucessos de bilheteira do Verão norte-americano. Reese Whiterspoon é um fantasma que vive numa casa que acaba por ser ocupada por um novo inquilino, Mark Rufallo. Entre ambos vai-se criando uma cumplicidade que acabará por se tornar em amor, um amor impossivel! Filme de Mark Waters.

The Exorcism of Emily Rose conta a história de um exorcismo que correu mal. A jovem morreu, o padre é acusado de negligência num filme onde o drama humano e o terror se misturam. Laura Linney, Tom Wilkinson e Jennifer Carpenter estão no elenco deste filme dirigido por Scott Derickson.

Rois et Reine é mais um filme do cineasta francês Arnaud Desplechin. Uma mulher prepara-se para casar, mas antes disso, procura um antigo amante a quem quer entregar o filho que teve de uma antiga relação. Mas o amante agora está internado num hospicio à força. Choque de vidas, regresso ao passado, tudo num filme intenso que conta com Catherine Deneuve, Emmanuelle Davos e Mathieu Almaric nos principais papeis.

O Hollywood Recomenda - Depois do sucesso do fabuloso The Pianist, é com expectativa que se aguarda mais um capitulo da obra do cineasta polaco Roman Polanski.
O Hollywood Desaconselha - Inevitavelmente, The Exorcism of Emily Rose é um filme condenado a passar á historia sem que nos tenhamos apercebido que existiu sequer!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:22 AM | Comentários (0)
novembro 29, 2005
Oscarwatching2005 - Os Estúdios... redefinem estratégias Parte II
Continuando as previsões sobre as apostas dos estúdios, voltamo-nos agora para aqueles que podem surpreeender, apesar de, à partida, estarem longe do favoritismo dos gigantes que vimos no dia de ontem...





Miramax
A Miramax fez com Proof o que a Columbia fez este ano com All the Kings Man. Mas o resultado não foi o mesmo. Gwyneth Paltrow esteve em alta mas, no computo geral, o filme ficou abaixo das espectativas e sendo assim deixou de ser a forte aposta da Miramax. Já An Unfinished Life foi mesmo um grande fracasso. E assim, pela primeira vez em anos, a Miramax parece estar fora da corrida.
Weinstein Company
Quem lucra com a baixa da Miramax são os irmãos Weinstein, que sairam para fundar a sua própria companhia. E a manga têm o trunfo Mrs Hendersons Presents. Náo parece ser - pelo que se disse - um grande filme, mas com a habitual campanha agressiva de Harvey Weinstein, pode conseguir nomeações cirúrgicas. Em termos de actores, Felicity Huffman em Transamerica e Johnny Depp em The Libertine, podem ser mais valias a explorar.
20th Century Fox
O estúdio que mais cresceu desde Setembro. O seu Walk the Line já estava em alta no final do mês mas agora é um dos filmes mais fortes na lista de candidatos. E em diversas categorias, o que fazem dele um temivel oponente.
Com o favoritismo de Walk the Line, a Fox vai focar aí toda a sua atenção, já que In Her Shoes falhou por completo.
A Fox Searchlight continua a apostar em Bee Season e Separete Lies, mas os filmes têm tido pouco eco.
Focus Features
Ter Brokeback Mountain nas mãos é um desafio para a Focus.
O filme é oficialmente um sucesso da critica e pode continuar a cativar adeptos quando estrear nas salas de cinema. Mas o espectro homossexual mantem-se, apesar de tudo. No entanto, se falassemos só de cinema e esquecessemos o resto, a Focus teria aqui a sua pérola.
Mas não é a única. Alguns - não muitos - ainda se lembrarão de The Constant Gardener, um dos filmes em alta em Setembro que começa a cair no esquecimento. Já Broken Flowers está em baixa. Quem pode vir a surpreender é Pride and Prejudice. O filme tem recebido boas reviews e no final do ano será provavelmente o número 2 da Focus na conquista por algumas nomeações.
Paramount
Antes um grande estúdio, hoje a Paramount atravessa dias dificeis. O seu Elizabethtown foi mal recebido pela critica, mas não tão mal como The Weather Man. Hustle and Flow é agora a única grande hipótese dos estúdios conseguirem alguma nomeação, apesar de serem parte da tripla (com a Universal e Dreamworks) que produziu e publicita War of the Worlds.
Buena Vista/Touchstone
A alta classificação com que Casanova foi catalogado quase que o arreda da corrida por si só. Shopgirl poderá ser uma hipótese, mas bastante remota.
Sony Pictures
Capote está em alta e pode ser uma das grandes surpresas do ano, feitas as contas no final. Será a atracção número um da Sony que tem ainda Breakfast in Pluto´s e The White Contessa para publicitar. O primeiro tem tudo para conseguir nomeações cirúrgicas. O segundo é uma incógnita.
Junebug e The Three Burrials of Meqluiades Estrada são igualmente filmes a considerar. O primeiro é um indie bem recebi no mès de Novembro, e o segundo foi galardoado em Cannes, apesar de muitos analistas afiançarem que Tommy Lee Jones não está na lista de favoritos dos votantes.
Lions Gate
Crash pode ser a grande surpresa do ano. Esteve longos meses em exibição, com sucesso, tem um grande elenco, pode surpreender em diversas categorias. E a publicidade fortissima que a Lions Gate tem vindo a desenvolver desde Outubro pode ajudar a isso. Também o documentário de David La Chapelle, Rize, é uma boa hipótese da Lions Gate voltar para casa com uma estatueta dourada a 5 de Março.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:55 PM | Comentários (0)
Nomeados aos Independent Spirit Awards
Foram há pouco divulgados os nomeados à próxima edição dos Independent Spirit Awards, os prémios do cinema indepenente norte-americano. The Squid and the Whale é o filme com mais nomeações, seguidos dos também favoritos Good Night and Good Luck., Capote e Brokeback Mountain. A cerimónia, como tem sido habitual, será na vespera dos óscares, a 4 de Março de 2005. O grande vencedor da edição passado foi Sideways.

The Squid and the Whale conquistou um total de seis nomeações. O realizador Noah Baumbach foi nomeado como director e também como argumentista, sendo que Jeff Daniels, Laura Linney e Jesse Eisenberg foram igualmente escolhidos pelo juri da Independt Spirit Association.
Na categoria de Melhor Filme Squid and the Whale vai ter como concorrentes os quatro filmes que se lhe seguiram no total de nomeações. O drama de Ang Lee Brokeback Mountain, o segundo filme de George Clooney, Good Night and Good Luck., a estreia na realização de Tommy Lee Jones, o filme The Three Burrials of Melquiades Estrada e ainda Capote.
A par de Melhor Filme, a categoria mais disputada é a de Melhor Actor, já que junta cinco potenciais candidatos ao óscar: Philiph Seymour-Hoffman, David Straiharn, Heath Ledger, Jeff Daniels e Terrence Howard.
Na categoria feminina o destaque vai para Felicity Huffman, por Transamerica. Também nomeadas estão Dina Korzun, Laura Linney, Cyndi Williams e S. Epatha Merkerson.
A grande surpresa foram as poucas nomeações conquistadas pelo filme Crash, bem como a ausência de Tommy Lee Jones como melhor actor, categoria pela qual venceu a Palma de Ouro em Cannes.
Depois do sucesso de Sideways e Lost in Translation nos últimos anos, os indicadores do Independent Spirit Awards têm-se revelado cada vez mais importantes. Tanto é que as duas maiores surpresas na categoria de Melhor Actriz nos dois últimos anos, Keisha-Castle Hughes e Catalina Sandino Moreno, começaram a construir a sua base de apoio aqui.
A cerimónia será a 4 de Março, em Los Angeles.
NOMEADOS
FILME
Brokeback Mountain
Capote
Good Night and Good Luck.
The Squid and the Whale
The Three Burrials of Melquiades Estrada
REALIZADOR
Ang Lee, Brokeback Mountain
Noah Baumbach, The Squid and the Whale
George Clooney, Good Night and Good Luck.
Gregg Araki, Mysterious Skin
Rodrigo Garcia, Nine Lives
ACTRIZ
Felicity Huffman, Transamerica
Dina Korzun, Forty Shades of Blue
Laura Linney, The Squid and the Whale
S. Epatha Merkerson, Lackawanna Blues
Cyndi Williams, Room
ACTOR
Jeff Daniels, The Squid and the Whale
Philip Seymour Hoffman, Capote
Terrence Howard, Hustle & Flow
Heath Ledger, Brokeback Mountain
David Strathairn, Good Night, and Good Luck.
ACTRIZ SECUNDÁRIA
Amy Adams, Junebug
Maggie Gyllenhaal, Happy Endings
Allison Janney, Our Very Own
Michelle Williams, Brokeback Mountain
Robin Wright Penn, Nine Lives
ACTOR SECUNDÁRIO
Firdous Bamji, The War Within
Matt Dillon, Crash
Jesse Eisenberg, The Squid and the Whale
Barry Pepper, The Three Burials of Melquiades Estrada
Jeffrey Wright, Broken Flowers
ARGUMENTO
Ayad Akhtar, Joseph Castelo, Tom Glynn, The War Within
Guillermo Arriaga, The Three Burials of Melquiades Estrada
Noah Baumbach, The Squid and the Whale
Dan Futterman, Capote
Rodrigo Garcia, Nine Lives
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:54 PM | Comentários (0)
Burton e Carrey juntos
O realizador de culto Tim Burton e o actor Jim Carrey estão prestes a trabalhar juntos pela primeira vez.
A Paramount quer que a dupla se encarrega de Believe It or Not!, filme escrito por Scott Alexander - o mesmo de Ed Wood - que conta as aventuras de Robert Ripley, um excêntrico aventureiro que passeia pelo mundo com um grupo de amigos á procura de coisas nunca vistas.
Um guião aparentemente do agrado de Burton que terá Richard Zanuck na produção. O projecto arrancará assim que Carrey termine The Number 23, filme de Joel Schumacher.
Ainda a propósito de Tim Burton, há dias a sua mulher, Helen-Bonham Carter, revelou que o cineasta pode sofrer de autismo. Uma doença que o isola do mundo, mas que, por outro lado, lhe permite criar os mundos fantásticos que se lhe conhecem. A informação não foi oficial, sendo encarada como um descuido da actriz e mulher do cineasta, aquando de uma entrevista de promoção a Corpse Bride.


Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:58 PM | Comentários (1)
Oscarwatching 2005 - Os Estúdios...redefinem estratégias
Também em Setembro publicamos aquelas que seriam as grandes apostas dos estúdios de Hollywood. Os filmes com maior suporte dos estúdios mas também aqueles que podiam surpeender, mesmo sem a indústria por trás. Adiamentos, redefinições de politicas, levaram a que os estúdios fossem trabalhando as suas próprias apostas. Que agora são...





Warner Brothers
North Country foi um flop autêntico de bilheteira. O filme mantem agora a esperança de conseguir uma nomeação (Charlize Theron) e pouco mais. Ficam então os dois projectos que envolvem o actor George Clooney à frente. A vitória em Veneza e os aplausos em Toronto e Nova Iorque fazem de Good Night and Good Luck. um dos maiores candidatos. O filme é apoiado pela Warner Independent e pode encontrar nos prémios da critica (a 7 de Dezembro o National Board of Review abre a corrida) o apoio necessário.
Para categorias mais técnicas há ainda Charlie and the Chocolate Factory, The Corpse Bride, March of the Penguins e Harry Potter and the Goblet of Fire.
Syriana, a aposta central da Warner, teve uma semana em cheio e será uma das grandes apostas do estúdio detentor do óscar de melhor filme, graças ao notável trabalho de Clint Eastwood no ano passado.
Universal
Depois do flop de Jarhead, o apoio dos estúdios recai agora em Munich sem qualquer dúvida. No entanto Spielberg já definiiu a sua estratégia: o minimo de publicidade.
Quem pode benificar dessa decisão são King Kong e Cinderella Man. Ambos os filmes precisam do apoio do estúdio - o primeiro por ser um filme muito diferente do que a Academia costuma nomear, o segundo pelo fracasso de box-office que está, aos poucos a ser mitigado - e com Munich a valer-se por si só, e sem o filme de Mendes na corrida, poderá haver aqui um confronto interessante.
The Producers continua a ser a grande incógnita. Alguns analistas colocam-nos no topo dos favoritos, outros sentem que o filme terá uma ou duas nomeaçóes, e na área musical. De qualquer forma a estreia nas salas e a recepção da critica - sempre um pouco avessa a musicais - poderá decidir para onde o vento soprará.
New Line Cinema
A New Line continua com as duas incógnitas do ano.
The New World é ou não um filme nomeável? Malick quer segredo absoluto do seu trabalho e só em fins de Dezembro é que o saberemos. Ou talvez não. Os Globos, que têm imenso respeito pela obra do texano, nomeiam no inicio do mês e já terão visto o filme. Nomeações serão um bom sinal e um aumento da sua importância dentro do leque de candidatos. Ate lá, o filme é a incógnita.
Já A History of Violence foi um sucesso de critica e até deu lucro - algo pouco comum em Cronenberg - mas continua a duvidar-se que é um filme a que a Academia prestará a devida atenção. Tem forte concorrência em muitas áreas e precisará dos prémios da critica - como tantos outros filmes - para se manter de pé.
Dreamworks
As boas noticias para a Dreamworks é que Woody Allen tem estado em alta com muitos apostadores, que vêm em Match Point o comeback perfeito de Allen à noite dos óscares. Mas o filme pode ser uma bolha de ar, sem o impacto esperado quando as contas finais se fizerem (Allen precisava de muito amor da critica) e com a iminência de Madagascar ficar de fora na categoria de filme animado, e com War of the Worlds a ter de lutar até ao fim em todas as categorias onde é nomeável, este pode ser um ano negro para a Dreamworks.
Columbia
A Columbia foi dos estúdios mais hábeis a mudar de politica. Dividido entre All the Kings Man e Memoirs of a Gueisha, o estúdio adiou o primeiro filme para 2006. Memoirs é agora um dos mais fortes candidatos aos óscares, tendo recebido aplausos da critica que já viu o novo trabalho de Rob Marshall.
Quem parece progressivamente fora da corrida é Rent e Oliver Twist, que precisarão de um gigantesco comeback em Dezembro para compensar o atraso.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:09 AM | Comentários (0)
Óscares 2005 - Previsões de Novembro/Dezembro
Depois das primeiras previsões de Outubro, onde fomos dando uma vista de olhos sobre as diversas categorias e como se perfilavam os eventuias nomeáveis, chega uma segunda fase de previsões.
Muita coisa mudou desde então. Certezas tornaram-se dúvidas, dúvidas derão lugar a quase-certezas, e á medida que nos aproximamos do final do ano cada vez se fala mais sobre óscares. E como é natural, tudo fica mais confuso ainda.
Estas previsões foram feitas até ao fim de semana passado, sendo por isso natural que qualquer mudança nas próximas duas semanas não sejam reflectidas nos nomeáveis que o Hollywood elegeu para cada categoria.
Serão treze dias de muita especulação, estudos e informações cruzadas. No final ficaremos com uma ideia mais clara do que poderá acontecer a 31 de Janeiro.
Senhoras e Senhores, vamos jogar ao Oscarwatching!
Miguel Lourenço Pereira
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:45 AM | Comentários (0)
novembro 28, 2005
Antevisão - The Libertine
É o regresso de Johhny Depp ás suas mais excêntricas personagens. Um Casanova com uma ponta de cinismo e ironia "deppiano", um heroi em dias de moralidade, um pervertido numa era onde o prazer era pecado. E mais um papelão de Depp, capaz sozinho de arrastar nas costas este aparentemente obscuro The Libertine....

A critica norte-americana tem-se dividido. Para uns o filme é um imenso vazio, uma experiência falhada de uma adaptação que provavelmente nunca teria existido. Para outros há ali algo que merece ser visto com atenção. E um filme destes dificilmente será consensual, havendo acérrimos defensores de ambos os lados.
Mas quer os apologistas, quer os detractores de The Libertine concordam numa coisa: o filme é Johnny Depp.
Nada de novo, note-se. Estamos mais do que habituados a ver o actor norte-americano a carregar filmes ás costas. Mas este caso é especial. Depois da contenção de Finding Neverland e da loucura de Charlie and the Chocolate Factory, este papel volta a mostrar Depp nos terrenos onde se sente mais á vontade. Onde o seu charme, a sua ironia mordaz, a sua capacidade de improvisação, jogam em casa.
O actor está no pico da sua forma, desde há três ou quatro anos para cá, e ano após ano entrega uma das melhores performances do ano. Num ano tão confuso como este, Depp, em The Libertine, pode ser, acima de tudo, refrescante de ver.

O filme conta a história de John Wilmot, conde de Rohcester e um dos homens mais pervertidos e debochantes da sua era. Conhecido pelas inúmeras amantes, pelos duelos que travava contra qualquer um, pelas cavalgadas nocturnas, a bebida e a sua própria arrogância - que será a sua queda.
Uma história recheada de episódios interessantes, que espelham bem a decadência da nobreza britânica da corte de Carlos II, da qual a vida de Wilmot é o exemplo perfeito. Para mote do filme está o caso tórrido que o conde teve com uma jovem e popular actriz, e a peça que escreveu contra o próprio rei, que faria com que acabasse por ser banido e abandonado por todos. Stephen Jeffreys escreve esta adaptação da sua própria peça sobre Wilmot e dá espaço para o espectador viajar para uma era que para nós é ainda dificil de entender.

O filme é dirigido por Laurence Dunmore, um estreante, com uma pesada tarefa sob os ombros. Encontrar o registo certo entre o dramatismo da história e os delirios da sua personagem principal. Depp é o motor do filme mas não está só. John Malkovich como Carlos II e as belas Rosamund Pike e Samantha Morton como amantes de John Wilmot dão um tom mais estrelado a um elenco maioritariamente composto por actores britânicos.
Com várias nomeações aos prémios do cinema independente britânico, The Libertine prova que é um dos filmes que mais interesse despertará nos próximos meses. Centrado no trabalho de um actor como há poucos neste momento, com o ambiente histórico que tão bons resultados tem dado, o filme promete algo mais do que uma monótona viagem ao passado!
O QUE SE DIZ
Manohla Dargis, New York Times
"Para os que aguentarem, as recompensas são consideráveis!"
Sheri Linden, Hollywood Reporter
Emanuel Levy, EmanuelLevy.com
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:00 PM | Comentários (1)
Oscarwatching 2005 - O que mudou desde Setembro
Passaram dois meses e muita coisa mudou em Hollywood. Alguns favoritas deixarão de o ser, alguns filmes foram ganhando o seu espaço. Há ainda muitos titulos por estrear mas começam a definir-se alguns cenários, impensáveis no mês de Setembro.
O que se segue é um pequeno compêndio de mudanças claras desde a última previsão do Hollywood...
O filme Jarhead tinha 7 nomeações numa primeira fase. Agora muito dificilmente alcançará esses números. O filme desiludiu no box-office, mas, acima de tudo, não convenceu a critica. Sam Mendes volta a falhar a tentativa de revalidar o óscar que ganhou por American Beauty. E Jake Gyllenhall e Peter Saarsgard vêm o seu nome ser riscado da lista de favoritos.
The New World foi o segundo filme com mais nomeações previstas. Pelo adiamento do projecto e por nada se saber sobre o novo filme de Terrence Malick, estas novas previsões são mais cuidadosas. Afinal a hora da verdade aproxima-se e o segredo à volta do fim dá pouca margem de manobra para se arriscar.
Walk the Line tornou-se num dos grandes favoritos do ano. Aplaudido pela critica, abraçado pelo público, com notáveis performances, o filme de James Mangold é hoje um dos mais sérios candidatos a conquistar mais nomeações.
Também Munich, que só saiu com 5 nomeações (em Setembro o projecto ainda estava em rodagens e pouco se sabia) vê o seu estatuto de favorito consolidado.
All the Kings Man saiu da corrida, sendo agora um dos favoritos para o próximo ano. Sem qualquer nomeação prevista em Setembro mas com boas hipóteses em Novembro estão Syriana e The Squid and the Whale. Filmes como Crash, Cinderella Man ou Capote estão igualmente a subir enquanto que In Her Shoes, Elizabethtown, Transamerica e The Three Burrials of Melquiades Estrada podem estar fora da corrida.
Em áreas mais especificas há igualmente mais novidades. Actores que passaram de secundários a principais e vice-versa, argumentos que mudaram de original para adaptado, novas trilhas sonoras....As mudanças são muitas, mas é curioso que nas principais categorias as coisas estão muito parecidas. Das duas uma: ou o Hollywood preveu em Setembro o cenário de Dezembro, ou pouco ou nada tem mudado por esses terrenos.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:58 AM | Comentários (0)
Clooney e irmãos Coen de novo juntos
Já tinham trabalhado em Oh Brother Were Are Thou! e Intorable Cruelty. Estão prontos para começar a filmar Hail Caeser e mesmo assim George Clooney e Joel e Ethan Coen querem continuar a trabalhar juntos.
Os irmãos tinham oferecido um papel a Clooney no seu novo projecto, Suburbicon, mas entretanto abandonaram a ideia para desenvolver outros filmes. Foi então que Clooney sugeriu uma nova parceria. O argumento ficaria à cargo de Joel e Ethan e ele faria de Suburbicon o seu terceiro filme como realizador.
Os filmes - há ainda Hail Caeser para filmar - será rodado assim que Clooney termine a sua participação no novo filme de um outro companheiro de longa data, Steven Soderbergh. O filme é The Good German. Quanto aos imaginativos irmãos Coen, neste momento filmam Paris Je T´aime ao que se segue No Country For Old Men.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:29 AM | Comentários (0)
novembro 27, 2005
Ainda a crise...
O Público e o Jornal de Noticias já tinham falado sobre a crise. O próprio Hollywood Reporter abriu a semana com um excelente artigo de opinião. Motes mais do que suficientes para o Hollywood se debruçar sobre o tema, num artigo que podem ler aqui.
Sob o mesmo tema, mas com um angulo pertinente e diferente, Leccio Rocha do Take2 deu a sua visão da critica situação porque passa a indústria cinematográfica. Um artigo que vale a pena ler, e que podem encontrar aqui.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:36 AM | Comentários (2)
Harry Potter and the Goblet of Fire - Acabou a idade da inocência!
O que mais impressiona em Harry Potter and the Goblet of Fire, é o facto de ser um filme assumidamente de transição. A história ajuda, as personagens (e os actores) estarem a crescer também. Mas há uma imensidão de pormenores que nos fazem ver este filme de um ponto de vista diferente. Diferente dos três primeiros, provavelmente distinto dos três próximos filmes, esta quarta aventura do jovem Harry Potter é a ponte entre a infância e a adolescência do mais popular heroi literário do novo século...
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Não vamos discutir aqui o paralelismo livro-filme, que tem pautado as discussões dos filmes anteriores. Já deu para perceber que as aventuras de Potter, cinematograficamente, nunca proporcionam filmes à altura do livro. Falta um pouco do espirito bigger than life, da atracção que a história escrita por J.K. Rowling tem que não encontramos nos filmes, tanto de Columbus, como de Cuaron e agora também, de Newell.
É manifesto que há pontos fortes do livro que faltam ao filme. Mas também já se sabe que a grande dificuldade em adaptar uma obra literária ao cinema é o de ser impossivel transpor o conteudo do livro na sua totalidade. E as liberdades de adaptação acabam por ser um mal menor, tendo em conta que é preciso criar uma dinâmica narrativa na obra cinematográfica que é manifestamente diferente da que encontramos nas páginas dos livros.
Um dos problemas do filme até passa mesmo pelo encadear das cenas. As falhas são o menos, o problema está em reduzir o livro ao torneio dos Três Feiticeiros. Percebe-se pelo filme - mesmo sem se ter lido o livro - que falta algo pelo meio, que há saltos muito grandes de tempo, que acabam por levar a que algumas personagens fiquem demasiado pela superficie, faltando-lhe depois o carisma que precisariam para algumas cenas. E isso acontece essencialmente com os três jovens que, juntamente com Potter, participam no torneio.

Mas de facto o aspecto central em Harry Potter and the Goblet of Fire, é que este é um filme de mudanças.
Mudou a banda sonora, ficando a fantasia inicial de John Williams de fora, dando lugar a um trabalho mais sombrio e maturo de Patrick Doyle. E claro, há um novo realizador - Mike Newell, o terceiro da saga - e com ele novas mudanças. O espirito sombrio que Cuaron tinha inaugurado, mantem-se, essencialmente nos cenários e no cortar das cenas mais infantis dos primeiros filmes. Agora Harry Potter e os seus amigos são pequenos homenzinhos, e devem comportar-se como tal. A infantilidade é tratada de forma humoristica, e fica a cargo de Rupert Grint. A transição de crianças para adolescentes é explorada junto dos outros jovens actores. No caso de Emma Watson, a Hermione, é mais o aspecto fisico (e que notável transformação da actriz de The Prisioner of Azkaban para este filme), e a sempre popular questão sentimental que muito irá dar que falar nos próximos filmes. Já Harry Potter vive noutra dimensão. Como sempre, a sua vida está em perigo. Para além de ter de ganhar coragem para conquistar a rapariga dos seus sonhos, Harry tem finalmente o frente a frente com a sua nemesis, Lord Voldemort, porque todos esperavam. A cena não desilude, pelo contrário, mostrando um final de filme muito mais forte e maturo que uma primeira parte, mais de apresentação ao espirito do livro. E é a maturidade do final de Harry Potter and the Goblet of Fire que nos interessa, até porque o resto é um pouco o deja vu dos três filmes anteriores.

Em relação ao elenco do filme, realce para a cada vez mais evidente maturidade do trio de actores principais.
Daniel Radcliffe é claramente um actor em progressão. Está muito mais solto, mais á vontade, do que em relação aos filmes anteriores. Cada vez mostra ter capacidade de aguentar com as cenas mais dificeis, e o filme ganha claramente com isso. Também Emma Watson se define como uma actriz de grande valor, apesar da sua tenra idade. A felicidade da escolha de casting torna a sua Hermione, não só uma personagem bem construida, mas também bastante atraente fisicamente, o que é um bónus em relação aos filmes anteriores. E Rupert Grint, já o dissemos, é cada vez mais o actor que fica responsável pelo humor, o que consegue sem problemas.
Em relação aos veteranos, Ralph Fiennes vai muito bem como Lord Voldemort, apesar do reduzido tempo em cena, e Maggie Smith, Alan Rickman e Michael Gambon mantêm o seu registo inalterado. O que falta essencialmente ao filme é um desempenho revelação, o que poderia ter acontecido, não tivessem ficado as personagens secundárias tão pouco exploradas como foi o caso.

Mais do que a questão da adolescência (aqui não há a questão das borbulhas, mas os namoros e responsabilidades já vão surgindo aos poucos), que as personagens vivem, este filme é uma clara ponte entre o antes e o depois, a infância e a idade adulta.
Encontramos isso nas atitudes das personagens, mas também na forma como a história é filmada. Os grandes planos faciais, as expressões mais vincadas e determinadas - especialmente, e como não podia deixar de ser, no caso de Potter - vão dando o sinal. E o aparecimento da personagem mais negra da história, o inevitavel senhor das Trevas, torna essa situação inevitável. Porque mesmo sem ter lido os livros, o espectador agora sabe que tudo será diferente. Já não há os jogos de adivinhas redutores dos primeiros filmes/livros. Agora que os campos estão bem definidos, que as barricadas começam a surgir bem vincadas, entramos numa outra dimensão. A saga tenderá a ficar menos infantil, mais adulta, menos comprometida com o entretenimento fácil, mas preparada para agradar a uma audiência mais velha. A verdade é que este filme transmite a ideia que os próximos filmes da saga serão mais ao estilo de Lord of the Rings. Há uma missão - destruir Lord Voldemort - e exércitos dos dois lados que vão tentar ganhar. Pelo meio haverá as aulas, os romances, o humor, a amizade. Tudo isso.
Mas de uma coisa podemos ter a certeza. Este filme é central, não apenas no número, mas essencialmente na sua forma. Agora é começar de novo, para uma serie de aventuras que terá mais diferenças do que propriamente semelhanças em relação aos filmes que ficam para trás.
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O Melhor - A exploração dos cenários espantosos que compõem o filme e a última meia hora, a um nivel que poucas cenas de todos os quatro filmes conseguiram.
O Pior - Alguns cortes na narrativa original, que transparecem uma enorme dificuldade em adaptar um livro destes ao cinema, sem cometer alguns tiros no pé.
Curiosidade - Aquando da estreia de Harry Potter and the Chamber of Secrets, começaram os rumores sobre a eventual substituição do trio de jovens. Os mais criticos asseguravam que tanto Watson, como Radcliffe e Grint não iriam crescer de forma a se enquadrarem no espirito dos filmes seguintes. A prova final que os três actores precisavam de dar está neste quarto filme, tendo praticamente assegurado que serão eles os herois das aventuras de Potter até ao sétimo e último filme.
Site Oficial - harrypotter.warnerbros.com/gobletoffire
Realizador - Mike Newell
Elenco - Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, ...
Produtora - Warner Bros
Duração - 157 m
Classificação - m/6
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:46 AM | Comentários (100)
Proof - One Girl Show
Uma excelente peça de teatro transformada num filme claramente mediano. Seria essa a grande impressão final deste Proof de John Madden não fosse por um pequeno detalhe: Gwyneth Paltrow.
Num desempenho que deixa a anos luz aquele que lhe deu o óscar, Paltrow anda com o filme ás costas e consegue um dos melhores desempenhos femininos de 2005...
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Há alguns anos atrás fez-se uma sondagem: a quem pertencia o óscar mais injusto de toda a história?
Os resultados não deixaram margem para dúvidas e a fava calhou á jovem Gwyneth Paltrow que em 1998 tinha conquistado o óscar de melhor actriz pelo seu desempenho como musa de William Shakespeare em Shakespeare in Love.
Quem escolheu Paltrow teria lá as suas razões (aqui só para nós que ninguém nos ouve, há bem piores vencedores que a senhora Chris Martin na história...bem piores) e de facto nesse ano havia outros grandes nomes por onde escolher. Mas a verdade é que desde o seu óscar até agora pouco se tem ouvido falar de Paltrow. Houve o fim do seu quase casamento com Brad Pitt, houve o seu casamento com Chris Martin, vocalista dos Coldplay, mas isso era para encher revistas e não para falar num site de cinema. Ou melhor, houve, mas a imprensa nunca prestou a devida atenção a Sylvia - notável encarnação da escritora Sylvia Platt - e mesmo em The Royal Teenembaus ela foi sempre deixada de lado nas estrondosas reviews.
Serve tudo isto para dizer que o desempenho de Paltrow só é novidade para quem tem estado a dormir. Desde há muito tempo que ali está uma actriz de valor, capaz de se valer mais pelo talento que pela beleza ou mediatismo. Uma actriz com a maturidade de arrastar um filme ás costas, coisa que nomes mais sonantes do que ela ainda têm dificuldades em conseguir.

Falamos de Paltrow e não de Proof. Porquê?
A verdade é que a actriz é muito mais interessante que o filme em si. Sem ela, Proof seria um imenso vazio. É a sua presença que dá carisma e garra a algumas cenas terrivelmente banais, algo que nem mesmo o grande elenco que a acompanha consegue. Até porque Jake Gyllenhall ainda é muito verde - nota-se - e Anthony Hopkins, se excluirmos duas ou três cenas, está manifestamente apagado. Sobra Hope Davis. E o que dizer dela? Davis teve a infelicidade de interpretar um papel que é fácil de odiar, porque, se fosse alguém que realmente conhecessemos, iriamos certamente odiá-la. Por isso, quem saiu da sala a odiar Hope Davis - como aconteceu comigo - , confirmou que o seu desempenho foi exactamente o que lhe era pedido. O que, por muito estranho que pareça, reflecte exactamente o bastante talento que esta actriz, habitualmente secundária, tem.
E quanto a Hopkins, o veterano actor está na melhor cena do filme - a mesma que o abre, onde o efeito surpresa ainda existe - e em alguns bons momentos, mas arrasta-se um pouco, tal como a sua personagem, ficando perdido num vazio que só ele saberá qual é.
E assim, depois desta pequena volta, lá voltamos, inevitavelmente, a Paltrow. Na primeira cena do filme, é melancólica e captivante. Ao longo do filme altera o seu registo - muito por culpa dos sucessivos flashbacks. Ora é explosiva, ora está em estado quase catatónico. Essa mudança de registo é fulcral para definir o seu próprio papel, e mostra a sua competência tanto no under-acting, como no over-acting. E uma das grandes virtudes da sua própria performance foi o de saber despojar-se da própria beleza fisica, vivendo num estado quase "zombie" durante grande parte do filme, carregada de emoção e energia, prontas a explodir no momento certo.

Quanto ao filme em si, talvez por culpa de John Madden, talvez por culpa do próprio David Auburn (actor da peça, e também do argumento), o filme nunca deixa de soar a peça de teatro - falhando a transposição cinematográfica - mas também perde alguns dos pontos positivos do que é uma peça de teatro, ficando num vazio dificil de entender.
O universo matemático (a banda, os cadernos, a demonstração) são feitos com algum interesse e uma manifesta vontade de aproximar o público a conceitos matemáticos que, numa dimensão de sobretados, estão demasiado simplificados. Falta aqui um pouco da sensibilidade de A Beautiful Mind, o filme que nos vem sempre á cabeça quando vemos Proof.
O espirito claustrofóbico, bem tipico de uma peça de teatro, não é explorado em toda a sua dimensão, como acontecia, por exemplo, com as adaptações de Richard Brooks ás peças de Tenesse Williams. Mas nem é tanto por aí que o filme peca. Há pontos por ligar, linhas que ficam perdidas, algo a que os sucessivos flahsbacks também não ajudam a superar. E depois há uma imensa banalidade que nunca é superada, nem totalmente explicada.
No final de contas, o filme vale por Paltrow. Nem por mais, nem por menos. Proof é mesmo, apenas e só, um one girl show.
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O Melhor - Obviamente, Gwyneth Paltrow. A nomeação ao óscar seria justa, pelo menos vista agora!
O Pior - A imensa banalidade que acompanha o filme.
Curiosidade - Este é o segundo filme que Paltrow faz com Madden. O primeiro valeu-lhe um óscar, em Shakespere in Love. O realizador viu o seu filme ser o grande vencedor da noite, mas perdeu na sua categoria para Spielberg.
Site Oficial - www.miramax.com/proof
Realizador - John Madden
Elenco - Gwyneth Paltrow, Jake Gyllenhall, Anthony Hopkins, ...
Produtora - Miramax
Classificação - m/12
Duração - 99 m
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:41 AM | Comentários (4)
Aquelas Frases...
"Na Cidade de Deus se ficar o bicho pega, se correr, o bicho morde!"

in Cidade de Deus
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:34 AM | Comentários (2)
novembro 26, 2005
CANTOS DO MUNDO - EUROPA
O cinema é europeu por nascimento. Mas não apenas por uma questão de bilhete de identidade. Também, e sobretudo, porque se desenvolveu com a ambição de se tornar uma forma de arte à altura das tradições culturais europeias.

Veja-se o expressionismo alemão ou a tradução cinematográfica dos grandes romances europeus, da Mat (Mãe) de Pudovkine ao Il Gattopardo de Visconti, passando pelsa adaptações de David Lean.
Assim, duas das principais características do cinema europeu estão inscritas no seu próprio nascimento:
a) o experimentalismo, ou seja, o trabalho e a pesquisa sobre a forma, desde Meliès e Dziga Vertov e que se prolonga por aí fora através de nomes como Eisenstein, Antonioni, Fellini, Bergman, Godard ou Wenders.
b) a sua relação estreita com as tradições artísticas da pintura, do teatro e do romance.

Digamos, para simplificar, que a primeira característica está ligada ao cinema de realizador e a segunda ao cinema de argumentista. Para além disso, temos a sua relação com o teatro, bem visível no cinema britânico, no sueco e no russo, que, aliás, exportou a sua escola de actores para os Estados Unidos.
O cinema europeu nunca foi, ao contrário de Hollywood, um cinema de produtor que impunha modelos narrativos a pensar no espectador e nas bilheteiras. Foi, antes, um cinema de realizadores, ou melhor, de autores. Movimentos colectivos contam-se pelos dedos e aparecem quando sobressai uma outra característica única do cinema europeu: o cinema ideológico ou mesmo político. A influência profunda do marxismo nos intelectuais europeus marcou ideologicamente o cinema que se fez na Europa nos momentos de mais acesa luta ideológica na Europa. E foi então que o cinema se pretendeu mais popular, dedicado à educação ideológica das massas e à sua libertação através da arte: o cinema russo, o cinema da Frente Popular (Renoir e This Land Is Mine), o neo-realismo italiano foram movimentos onde os intelectuais europeus se aplicaram empenhadamente para darem uma consciência social aos cidadãos europeus. A estabilização do modelo capitalista e democrático em meados dos anos 50 assim como os anos dourados do cinema americano vão esbatendo esses movimentos e fazendo surgir um outro, o da cinefilia. É então que, por intermédio dos Cahiers du Cinema, aparece um cinema que já não tem como referência a ideologia mas sim o próprio cinema e como objectivo não a educação das massas mas, e mais uma vez, o próprio cinema: é o cinema de autor da geração dos Cahiers. Quem se esqueceu já das críticas da escola marxista de Sadoul ao cinema “alienante” e niilista de Antonioni nos seus Deserto Rosso e Blow-Up?

Se, nos anos 60, a luta era entre um cinema ideológico e um cinema cinéfilo de autor, hoje em dia, vitorioso este último, o debate situa-se entre um cinema de autor e uma indústria de cinema. Mas, a ainda decisiva influência dos festivais europeus de cinema perpetua o cinema de autor, que é a única marca de prestígio que o cinema europeu conhece. Alimentada por solenes festivais e dedicados cine-clubes, a Europa mantém uma noção elevada do cinema, como forma superior de expressão artística. Por esse motivo, é ainda muito forte a resistência a uma indústria de cinema assente em modelos narrativos cheios de concessões ao gosto do espectador médio, contaminado por essa grande e desprezível rival que se chama televisão.
Mas, a cinematografia europeia sempre perseguiu uma ideia de arte que a afastou do cinema popular de Hollywood, mas que a deixa numa encruzilhada: ou se mantém fiel ao cinema de autor e continua viver a crise que vive hoje, ou envereda definitivamente pela uma criação de uma industria bem semelhante ao mesmo modelo do qual sempre se tentou distanciar.
Filipe Carneiro
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:46 PM | Comentários (13)
Crowe e Kidman finalmente!
Depois de vários rumores e projectos anunciados e sempre adiados (sim, parece que Eucalyptus já não irá acontecer), finalmente Nicole Kidman e Russell Crowe vão trabalhar juntos. O australiano e a jovem havaiense, que começou a carreira na Austrália, são amigos de longa data, além de serem dois dos maiores nomes do cinema actual.
O projecto será dirigido por Bazz Luhrmann, o mesmo que consagrou Kidman em Moulin Rouge, e já tinha sido anunciado há alguns meses. Agora chega a confirmação. O filme será um épico, ao jeito de Gone With the Wind, segundo a produção, e Crowe já avançou que a produção estará a cargo da Fox.
Resta saber se com a agenda apertada de Leonardo di Caprio, o Alexander the Great de Luhrmann está definitivamente adiado.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:00 PM | Comentários (0)
novembro 25, 2005
Oscarwatching - A semana de Syriana
O tempo vai passando e os filmes vão surgindo. Depois de se ter confirmado o real potencial de Walk the Line e Memoirs of a Gueisha, há ainda incógnitas no ar. Como é realmente Munich? Alguém viu The New World? Brokeback Mountain será rotulado como western-gay? Good Night and Good Luck. é demasiado pequeno?
Para Syriana isso não importa. O filme de Stephen Gaghan teve uma semana e peras...

O filme lida essencialmente com a questão do terrorismo e da presença norte-americana no Médio Oriente. O aspecto central do filme é um agente da C.I.A que começa a perceber que há algo que ele desconhece em todo o processo em que os EUA estão envolvidos nessa zona. Começa a pesquisar por ele mesmo e descobre coisas que pensava não serem possiveis. Esse é o ponto de partida e a partir daí a história desmultiplica-se em várias personagens e no papel que elas têm no bolo que é o negócio do petróleo no Médio Oriente. O filme é dirigido por Stephen Gaghan, o aclamado argumentista de Traffic, e conta com um transformado George Clooney. E quando todos pensavam que ele ia atacar o óscar principal, há duas semanas, o site The Envelope afirmou que ele seria secundário. Rumores desmentidos, capa do Hollywood Reporter a fazer menção a esse protagonismo no filme, mas o mesmo site, duas semanas depois, diz saber de fonte segurissima que Clooney apenas vai lutar pelo óscar de secundário, onde, curiosamente, já era candidato pelo papel no seu próprio filme, Goodnight and Good Luck.
Mas o que conta essencialmente para Syriana é o aplauso que a critica lhe tem devotado nos últimos dias. Tudo começou, naturalmente, com Roger Ebert, e rapidamente a noticia espalhou-se. O filme é elogiado pela sua transparência e coragem, e pelo trabalho de Gaghan, atrás da camara e na escrita do guião.
Visto por muitos como um cavalo negro, Syriana vai começando a ganhar apoiantes. Não será nunca um filme de grande projeção e por isso é natural que entre para uma "categoria", já de si sobrelotada, de filmes pequenos que a critica tem vindo a aclamar. E ter a companhia de Crash, Capote, The Constant Gardener, A History of Violence ou The Squid and the Whale, pode complicar as coisas.

Steven Spielberg não quer fazer campanha. O realizador de Munich quer que o filme fale por si, sem necessidade de uma forte campanha mediática a apoiá-lo. Spielberg, que será provavelmente o produtor dos dois grandes candidatos - o que pode violar um pouco as regras do jogo, já que para além de produzir Munich, também produz Memoirs of a Gueisha - espera assim conquistar a simpatia de um cada vez maior número de criticos e membros da Academia que se mostram irritados com a politica agressiva de marketing dos estúdios nos últimos anos. Resta saber se o tiro não lhe sai pela culatra.

Se a nivel dos actores principais nada tem mudado nas últimas semanas - o mesmo será dizer, as dúvidas continuam a ser as mesmas, as certezas continuam a ser poucas - nas categorias secundárias o assunto vai-se complicando. Gary Beach (The Producers), Frank Langella (Good Night and Good Luck.), George Clooney (Syriana/Good Night and Good Luck) juntam-se à luta com nomes já firmados há alguns meses como Bob Hoskins, William Hurt, Paul Giamatti ou Jake Gyllenhall. E com a indecisão à volta do elenco secundário de Munich, The New World ou Memoirs of a Gueisha, a questão do melhor actor secundário está mais indecisa que nunca. Apostas aceitam-se!
Por falar em apostas, a partir de segunda-feira o Hollywood volta ás suas previsões. Os nomes e as apostas referem-se ás informações recolhidas até este fim de semana. Por isso não se espantem se virem nomes na terça feira que na quarta-feira já estão fora da corrida, tal como aconteceu com Alexander no ano transacto. Ossos do ofício!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:47 AM | Comentários (1)
Trailer de Pirates of the Caribbean 2
As rodagens dos próximos Pirates of the Caribbean têm sido intensas, segundo o próprio Gore Verbinski, e a meio ano da estreia de Dead Man´s Chest, o segundo capitulo das aventuras de Jack Sparrow e dos seus amigos, um site russo conseguiu ter acesso ao primeiro trailer do filme.
Johnny Depp, Orlando Bloom, Keira Knightley e Geoffrey Rush estão de regresso. Desta vez o vilão é Davey Jones, e no segredo dos deuses fica ainda a possibilidade de Keith Richards filmar o seu cameo como pai de Jack Sparrow. De resto espera-se mais humor, acção e um novo festival de Johnny Depp numa das mais insólitas e amadas personagens dos últimos anos.
O filme estreia no próximo Verão e é produzido pela Disney. A segunda sequela estreará no Inverno de 2007. O link para verem este trailer não-oficial está aqui.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:33 AM | Comentários (2)
novembro 24, 2005
Carreira de Hopkins consagrada pela HFPA
Na próxima edição dos Globos de Ouro - a decorrer no dia 16 de Janeiro - a Hollywood Foreign Press Association vai distinguir o britânico Anthony Hopkins com um prémio pela sua carreira. Hopkins, já galardoado com um óscar da Academia pelo seu desempenho em Silence of the Lambs, vê assim reconhecidos 40 anos de presenças no cinema. Foi no filme Lion in Winter, em 1968, que o jovem actor começou a dar nas vistas ao lado de um elenco de luxo composto por Khatarine Hepburn, Peter O´Toole e Timothy Dalton. Depois de problemas pessoais que atormentaram a sua carreira ao longo das duas décadas seguintes, Hopkins conseguiu reinventar-se no anos 90. Em quinze anos tornou-se num dos mais respeitados e amados actores de cinema com papeis marcantes em filmes como Silence of the Lambs,Nixon, The Remains of the Day ou Amistad.
Foram seis as nomeações aos Globos de Ouro que nunca resultaram em vitória. Este prémio Cecil B. de Mille, um prémio honorário, servirá também como forma da HFPA compensar o actor pelo facto de nunca ter sido um dos premiados.
O prémio será entregue no final da cerimónia dos Globos de Ouro, e curiosamente Hopkins pode voltar a ser nomeado. É que um dos mais sérios candidatos a conquistar algumas nomeações é o filme Proof, onde contracena com Gwyneth Paltrow e Jake Gyllenhall. Filme esse que estreia hoje nas salas.

Fonte: C7nema : Hollywood Foreign Press Association
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:33 AM | Comentários (0)
novembro 23, 2005
Dificuldades técnicas
Como devem ter reparado, problemas técnicos fizeram com que mais de metade da coluna da direita do Hollywood desaparecesse misteriosamente. Um problema que estou a tentar resolver o mais rapidamente possivel. Até lá peço obviamente desculpas pela falha!
Miguel Lourenço Pereira
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:52 AM | Comentários (0)
Opinião - A tal crise!
Esta semana foram conhecidos os dados que confirmam a ideia de uma crise na indústria cinematográfica em Portugal. E já não apenas uma crise de conteudos. Com menos de 2 milhões de espectadores nas salas, com os cinemas Freeport de portas fechadas e estando as salas da AMC à venda, é a altura de falar da tal crise que assombra o mundo do cinema...

Uma crise que não é nacional.
Desde há vários anos para cá que as salas de cinema estão a perder espectadores. Em Portugal, França ou Estados Unidos. O fenómeno é global e tem os seus motivos. É na cegueira dos estúdios norte-americanos - responsáveis pela maior distribuição mundial de produção cinematográfica - e na impotência da Europa ter a sua própria indústria, que encontramos a genese deste problema.
Nos Estados Unidos Hollywood vive dias dificeis. Depois da gravissima crise dos anos 70, os estúdios foram gradualmente recuperando as suas posições, vivendo dias de glória em meados dos anos 90. Eram os dias em que os filmes indies davam lucro e que as apostas dos grandes estúdios acabavam por compensar. A decada dos Schindler´s List, Forrest Gump, Bravehearth ou Titanic. Grandes produções que davam margem de manobra suficiente para os estúdios apostar noutro tipo de filmes que, ou tinha sucesso no box-office numa menor escala (Unforgiven, Pulp Fiction, L.A. Confidential), ou não tinha esse sucesso. Mas nesse caso o excedente dos outros projectos mantinha a cabeça dos estúdios bem acima da água. Enfim, eram esses os dias que Hollywood desejava viver hoje. Mas não vive!
Desde o histórico - e até à bem pouco tempo imbativel - estúdio da Disney à venda do mitico leão da MGM, Hollywood está desorientada. Não há uma politica concertada por parte dos estúdios de forma a ultrapassar a crise. Pior! Alguns recusam-se a acreditar na ideia de crise, lançando fiascos atrás de fiascos no mercado, à espera que um pegue e apague todos os erros do passado. Mas o jogo já não resulta bem assim!

Os três maiores problemas do cinema americano são faceis de descobrir, mas muito dificeis de curar.
É evidente para todos o claro problema de falta de ideias das majors norte-americanas. Os estúdios perderam a imaginação. Sucedem-se os remakes de sucesso antigos, as sequelas de sucessos actuais, a constante e veroz adaptação de livros, ao minimo sinal de sucesos nas bancas da mesma forma que há cinquenta anos se fazia com uma peça da Broadway. Guiões originais, filmes diferentes ao que estamos habituar a ver, já não se fazem. Ou melhor, fazem-se, mas não são ideias que partem de dentro para fora. Têm de ser recrutadas. E é isso que os estúdios têm feito, a peso de ouro.
E esse é o segundo grande problema. A divisão entre os indies e os majors está-se a desvanecer rapidamente. Sem ideias, sem um pingo de imaginação, os executivos dos estúdios passam cheques em branco aos autores independentes, ao primeiro sinal de sucesso. "Se a critica gostou daquele filme, - pensam eles - e o público até foi ver, pode ser que este argumentista me faça aí uma serie de sucessos. Vai custar-me uma fortuna mas vai acabar por compensar." Só que nunca compensa. Hoje os Tarantinos, Crowes, Paul Thomas Anderson, Wes Anderson, Charlie Kauffman ou Alexander Payne são nomes únicos devido à sua imensa originalidade, capaz de atingir tanto a critica como o público. Mas são caros demais e estão a levar os estúdios à falência.
Vejamos! Para filmar uma história de um Payne ou de um Kauffman, em principio, pela sua natureza indie, o filme custaria entre 10 a 20 milhões. Demoraria três a quatro semanas a filmar, teria um orçamento restrito - e este tipo de filmes nem custama ultrapassar orçamentos - teria um ou outro nome de luxo no elenco (porque os actores sabem que têm de ir ao cinema de autor procurar a credibilidade, e aos filmes de estúdio, o dinheiro), e daria lucro no box-office. Porquê? Por ser um filme indie não teria gasto uma gigantesca verba em publicidade - já lá vamos. E depois porque teria uns 30 a 50 milhões de receitas nas bilheteiras. Um lucro total de 20 milhões, assim por alto. Mas isso são os filmes assumidamente indies, que desde os anos 80 têm sido uma verdadeira lufada de ar fresco no cinema norte-americano. Mas o que acontece com as grandes produções?
O mesmo filme - qualquer um - custaria a fazer, o dobro. Porquê? Porque os estúdios não indiferenciam as suas próprias produções. O orçamento desse filme seria aumentado no dobro, não teria um alto controlo de despesas - é nas produções das majors que se ultrapassa o orçamento...e muito - as filmagens em vez de durarem 4 semanas, estender-se-iam por meses, e as estrelas que dariam a cara, misturariam o autor com o estúdio, e iriam querer o dobro. Isto sem esquecer o já milionário contracto com o tal autor, e a enormidade de dinheiro que seria gasto em publicidade. O mesmo filme custaria agora 40 milhões, a que juntariamos cerca de 20 a 30 de publicidade. Com as mesmas reviews - ou, tendencialmente, piores - e o mesmo público, o hipotético lucro de 20 milhões passa a prejuizo. E as contas saem furadas.

Porque, como já se falou, nem são os contractos e os gastos da produção dos filmes que fazem deles buracos nos orçamentos dos estúdios. É o dinheiro que se gasta em publicidade que o tornam flops de bilheteira. Basta ver o caso de Cinderella Man por exemplo. Porque no caso anterior, sem a agressiva campanha de publicidade, o filme não daria lucro mas também não daria prejuizo. Viveria num limbo, que se arrastaria eternamente, mas não afundaria a indústria numa crise clara. Os milhões que a Dreamworks gastou na publicidade de The Island condenaram o filme á partida. O mesmo aconteceu com The Polar Express no ano passado. E como o mercado de dvd está cada vez a tornar-se uma ameaça aos filmes - não aos estúdios, porque são eles que os produzem e já estão contabiliizados nos lucros futuros de cada filme - e aos distribuidores, é preciso convencer o público de que vale a pena ir ao cinema. Mas por vezes essa campanha é um autêntico tiro no pé. É exactamente isso que está a acontecer. Convencer o público a voltar ás salas está-se a revelar demasiado despendioso.
Os estúdios fariam melhor em perceber as suas próprias limitações. Voltar ao exemplo dos anos dourados. Deixar os filmes de critica, de autor, para pequenas produtoras - ou subsidiárias como a Fox Searchlight ou a Warner Independent - capazes de promover sem problemas, e com lucro, o material indie, e manter a sua ideia de lucro. Apostar em projectos de sucesso à partido, aquilo que Anne Thompson resume a "sequelas, filmes que se valorizem e não se esgotem num só modelo". O que a jornalista do Hollywood Reporter quis dizer neste artigo, é simplesmente que a continuar assim e o sistema entra em colapso. É preciso acordar Hollywood, antes que sejam os credores a faze-lo.

Na Europa o cenário é o oposto. Se nos Estados Unidos vive-se a crise de ideias dos estúdios, na Europa vive-se a eterna crise da ausência de estúdios. Filmes financiados constantemente pelo Estado ou pela União Europeia, dirigidos para um público que está na minoria das minorias, é continuar a insistir num modelo falhado...há mais de cinquenta anos.
Quer seja o caso português, quer seja o exemplo da França, a crise é notória. Não tanto em ideias, mas sim na aplicação prática das mesmas. O cinema de autor europeu é uma imagem de marca desde os anos 60, e faz do cinema made in Europa especial, capaz de procurar novos caminhos dentro da gramática cinematográfica. Mas resumir a produção cinematográfica de um continente e a apenas isso é manifestamente pouco. Porque o público - e por muito que os intelectuais não o queiram aceitar - não será nunca o consumidor dessas obras. A própria Nouvelle Vague francesa teve de perceber isso da pior maneira. O público dos Oliveiras, Canijos, Godard, Chabrol ou Bergmans existe, mas em número extremamente reduzido. Nunca farão de um filme europeu um sucesso de bilheteira. Mas isso não invalida que estes filmes existam. Claro que não! Só que têm de ser - definitivamente e sem mais falsos pudores - enquadrados numa politica de mercado. Porque o cinema é arte, mas também é indústria. E a Europa teima em não perceber.
Por cada Oliveira deviam existir dois sucessos comerciais. A qualidade pode não ser a mesma - e atenção que eu não estou a pedir dois "Crimes do Padre Amaro" ou "Balas e Bolinhos", porque isso seria passar do 8 ao 80 sem sentido algum. Não, a questão não passa por aí. Passa por explorar a imaginação dos autores europeus para filmes de outra magnitude, capazes de criar identidas, de captivar os espectadores. Um continente com um passado histórico, uma cultura tão rica, e paisagens tão diversas e cinematográficas, não se pode reduzir a filmar planos de 10 minutos numa sala escura. Tem de trazer o cinema cá para fora, para as planicies de Espanha, os vales do Loire, os Alpes, a verdura das florestas e prados da Alemanha, as ilhas britânicas. Tem de fazer épicos históricos, dramas intensos, comédias com sentido - pedem-se, desesperadamente novos Goodbye Lenin!, La Vitta É Bella, Tudo Sobre Mi Madre...
Porque, mesmo que custe ao inicio, o que o público europeu precisa de saber é que há vida para além de Hollywood. E se os estúdios norte-americanos estão em crise, e enchem as salas portuguesas com produtos mediocres, é natural que hajam menos 2 milhões de espectadores. Tirando o espectador-pipoca de sábado á noite que, se o filme que quer ver está esgotado vai ver o mais absurdo que está na lista de disponiveis, sem problemas, já ninguém tem paciência para assistir aos sucessivos falhanços de Hollywood. Mas quando o cinema europeu está como está - e basta ver, não só os filmes, mas a própria campanha montada à sua volta (trailers, posters, entrevistas) - a vontade de os ver é igualmente minima. E assim as pessoas ficam em casa, e a tal crise teima em não desaparecer.
Um conselho: olhem para Alice. Filmado com recursos minimos, em pouqissimo tempo, com um grande elenco mas sem ser muito dispendioso, esteve em Cannes - onde conquistou a critica - e esteve em exibição largas semanas nas salas nacionais - onde conquistou o público. Aliou a qualidade do cinema de autor europeu, expresso num poderoso drama, que tanto podia ser candidato à Palma de Ouro como ao Óscar, com uma notável campanha de publicidade, extremamente eficaz, que soube levar as pessoas para as salas. Ao menos fossem todos os filmes como Alice! E mesmo que não fossem, bastava seguir o seu exemplo para já serem alguma coisa, num panorama tão mediocre como o que vivemos!
Miguel Lourenço Pereira
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:33 AM | Comentários (2)
O Que Estreia Por Cá - Potter torna-se adolescente
Depois do sucesso dos livros, veio o sucesso dos filmes. Ao quarto filme Harry Potter já não é o mesmo feiticeiro atrapalhado dos primeiros volumes. Agora é um adolescente. Está mais maduro, mais adulto, mais pronto a enfrentar as adversidades que vão surgir à sua frente. Porque The Goblet of Fire é isso mesmo. Um teste à maturidade do feiticeiro que conquistou o mundo...

Talvez o grande problema da saga Harry Potter transportada para o cinema - os livros têm outros problemas - seja a direcção. Ou as direções, melhor dizendo, porque, ao contrário de um estável e sólido elenco, desde que Potter chegou aos ecrãns que os realizadores se têm sucedido em catadupa. Mike Newell sucede a Alfonso Cuarón e tem a dificil tarefa de superar o universo sombrio que o mexicano criou em The Prisioner of Azkaban. Mas ao quarto filme, o que salta mais á vista é a evidente maturidade do trio de jovens actores que comandam as operações. Daniel Radcliffe é já um autêntico homenzinho preparado para enfrentar de peito feito os filmes que faltam, sem desiludir os fãs que já foi conquistando e que ajudaram a fazer dele o adolescente mais rico de Inglaterra. Emma Watson tornou-se num bela rapariga e parece estar ali uma das grandes promessas do cinema britânico. O mesmo se pode dizer de Rupert Grint, o menos badalado do grupo, mas um dos mais originais personagens da história.
E ao trio de jovens junta-se o elenco de luxo do costume (Maggie Smith, Michael Gambon, Alan Rickman, Gary Oldman, David Thewlis) com duas novidades especiais: Miranda Richardson, que será a impertiente reporter Rita Skeeter e o consagrado Ralph Fiennes que surgirá no final como um inquietante e perturbador Lord Voldemort. É a cena que todos esperam, o aparecimento do grande rival do jovem feiticeiro. Porque ao contrário dos filmes anteriore, este tem menos da rotina de Hogwarts e mais de aventuras e de suspense. Segue a ordem natural das coisas e é o mais sério candidato a filme mais visto do ano em Portugal. Porque já não são só os pequenos que vão ver os filmes de Harry Potter. Os que cresceram com a personagem, e mesmo os adultos, estão rendidos ao talento de J.K. Rowling, capaz de criar, por si só. um mundo alternativo. Mas rendidos também a este projecto cinematográfico que, apesar de não ser composto por grandes filmes, se torna num entretenimento extremamente agradável de se ver.

Mais três estreias esta semana nas salas nacionais.
Proof marca uma nova parceria entre John Madden e Gwyneth Paltrow, depois do sucesso de Shakespeare in Love. Neste filme, Paltrow vive na incerteza de poder ter herdado a loucura do seu pai, um genial mas louco professor de matemática recentemente falecido. É a relação que estabelece com um antigo aluno do pai, que a leva à procura de uma prova da sua própria sanidade. No elenco estão ainda Anthony Hopkins, Jake Gyllenhaal e Hope Davis.

Into the Blue é um filme de aventuras submarinas da autoria de John Stockwell. Recheado de twists e imagens bem conseguidas das profundezas do oceano, o grande trunfo do filme será no entanto sempre a presença de Paul Walker e Jessica Alba em trajes minimos. Um filme de Verão que perfeitamente deslocado no tempo.

Cry Wolf é mais um filme de terror tendo por base uma universidade. Uma jovem é encontrada morta e um rapaz e os amigos começam a inventar uma personagem ficitia, O Lobo. Mas quando mais jovens começam a morrer, da mesma forma como os jovens tinham sugerido que poderia acontecer, levanta-se a suspeita: quem é o Lobo?
Filme com um improvável John Bon Jovi e Julian Morris. A direcção está a cargo de Jeff Wadlow.

O Hollywood Recomenda - Esteve um ano na gaveta da Miramax e agora é o seu maior trunfo para 2005. Um drama bem trabalhado com um leque de bons desempenhos, fazem de Proof um filme a ver.
O Hollywood Desaconselha - Cry Wolf, porque não traz absolutamente nada de novo.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:35 AM | Comentários (1)
novembro 22, 2005
Trailer de Lady in Water
Um dos mais esperados trailers do ano surgiu finalmente na net. Lady in Water é o quinto filme do realizador de culto M. Night Shyamalan, e o segundo da colaboração entre o cineasta e Bryce Dallas Howard depois de The Village.
Neste filme, Paul Giamatti, um porteiro de um complexo habitacional, descobre que uma sereia vive na piscina do prédio. Ela é na verdade uma personagem de um mundo mágico que está a tentar regressar ao mundo dos contos, e para isso precisa da ajuda da personagem vivida por Giamatti.
Mais um argumento alucinante de Shyamalan que cada vez mais se assume como um dos realizadores mais originais do cinema actual. O primeiro trailer do filme - que tem estreia em Junho do próximo ano . pode ser visto aqui.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:26 PM | Comentários (0)
Harry Potter arasa no Box Office e bate recordes
Foi um fim de semana e tanto para o box office norte-americano. Num ano em que todos falam na crise pelo que o cinema passa (só em Portugal foram menos 2 milhões de espectadores este ano), a quarta aventura do pequeno feiticeiro Harry Potter and the Goblet of Fire conseguiu uns impressionantes 101.4 milhões de dólares. O filme bate assim todos os recordes de sucesso off-season, já que é o primeiro filme a estrear fora da época dos blockbusters (fim da Primavera, inicio do Verão) a conseguir ultrapassar a barreira dos 100 milhões. Harry Potter and the Golbet of Fire esteve a 8 milhões de igualar o recorde de Star Wars : The Revenge of the Sith, o segundo filme com melhor estreia de sempre nos primeiros três dias, e um dos filmes mais vistos de 2005.
O novo filme de Harry Potter estreia na próxima quinta-feira em Portugal prevendo-se igualmente que se torne rapidamente num dos filmes de maior sucesso de 2005 em Portugal.

Fonte: C7nema
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:57 AM | Comentários (3)
Previsões aos Óscares
A partir da próxima segunda-feira o Hollywood começará a segunda fase de previsões aos óscares. As previsões terminarão no dia 15 de Dezembro. Uma última fase de previsões antecederá o anuncio dos nomeados, e depois, ao longo do mês de Fevereiro, o Hollywood fará a habitual cobertura minuciosa à próxima edição dos óscares, categoria por categoria, nomeado por nomeado.
Para os interessados, marquem segunda-feira na vossa agenda. Os óscares voltam ao Hollywood!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:26 AM | Comentários (2)
Artigos de Leitura Obrigatória
São ás dezenas os artigos semanais de publicações dedicadas ao cinema que valem a pena ser lindo. Muitos dos quais são imperdiveis. Estes são exemplos disso. Provavelmente nunca nenhum artigo conseguiu entender tão bem a crise porque passam os estúdios de Hollywood como o que a jornalista Anne Thompson escreveu no Hollywood Reporter esta semana sob o titulo "Hung up on tentpoles, studios think too big!".
Para quem estiver interessado, aqui fica o link.
Para quem se pergunta o porquê do Oscarwatching, esse estranho passatempo que consiste em adivinhar ao longo do ano quais são os grandes candidatos a levar para casa a mais famosa estatueta dourada do mundo, é igualmente imperdivel o texto que Kris Tapley escreveu no seu dia de aniversário no weblog In Contention. O texto dirá certamente algo a todos os que praticam o oscar-watching (a mim pessoalmente diz ainda mais porque eu e o Kris partilhamos a data em que começamos a jogar este aliciante jogo) e pode ser lido aqui.
Porque ás vezes há textos que são mesmo de leitura obrigatória!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:30 AM | Comentários (1)
novembro 21, 2005
Antevisão - Walk the Line
Depois de Ray Charles, Johnny Cash. Um amor antigo do realizador James Mangold que agora ganha contornos de fábula americana. O filme tem conquistado tanto a critica como o público, é um dos mais fortes candidatos a filme do ano, e traz Joaquin Phoenix e Reese Witherspoon como nunca os vimos antes...

O imenso sucesso de Ray no ano passado relançou a ideia dos biopics de grandes nomes da música. Kevin Spacey já se tinha aventurado pelo mesmo caminho, mas o seu Beyond the Sea não conquistou o público, também porque Bobby Darin não tem o mesmo impacto que Ray Charles.
Para 2005 temos mais um capitulo destes biopics-musicais. Walk The Line conta a vida de Johnny Cash, o rei da country music, uma das figuras mais perturbadas e fascinantes da música norte-americana. O homem que vestia sempre de negro, amargurado pelo passado, inquieto em relação ao futuro, é o tema deste regresso ao passado, ao som de músicas vibrantes como Ring of Fire. Um filme que regressa ás origens de Cash, ao papel que teve em definir a música country nos anos 60, e ao seu imenso amor por June Carter, também ela cantora, que acabaria por se tornar numa das mais intensas relações da época.
Dirigido de forma competente por James Mangold, com notáveis desempenhos de Joaquin Phoenix e Reese Whiterspoon - que aproveitam o balanço e para além de representarem, também cantam - Walk the Line é uma das grandes estreias do Outono norte-americano, e um dos mais fortes candidatos a filme do ano. Porquê? Porque transpira a magia de um nome singular na jovem história dos Estados Unidos.

O filme começa na juventude de Cash. Os pais queriam que fosse padre, mas era demasiado rebelde para seguir o caminhos do Senhor. A visão da morte do jovem irmão perturbou-o imenso e a sua juventude foi passada em pequenos trabalhos que iam dando para viver, mas também, para conhecer melhor a vida. Foi quando pegou numa guitarra e começou a cantar a América, de dentro para fora, que o Mundo parou e escutou, fazendo de Johnny Cash um icone nacional. Pelo meio fica a mente perturbada de Cash e a sua relação amorosa com June Carter, a verdadeira alma do filme. Walk the Line prima pela competência, pela sobriedade e pela magia do universo muito próprio do cantor e do mundo que o rodeava .Um filme que tem conquistado tudo por onde passa.

E isso acontece também por culpa da dupla de actores que Mangold contratou. Phoenix é Cash, fisicamente quase sem tirar nem por, mas também por dentro. A sua alma doi-lhe com a mesma intensidade - há quem diga que ter visto o seu irmão River Phoenix morrer lhe deu o que precisava para encarnar Cash desta forma - e o seu talento como actor (que já conheciamos de Gladiator ou The Village) vem ao de cimea, criando assim uma composiçõ impar, falando-se já em prémios, entre os quais, o inevitável oscar. Mas para os criticos a alma do filme é Reese Whiterspoon. A sua June Carter Cash é sensual, enérgica e mágica. A sua performance suplanta Phoenix e serve como motor da narrativa, num ritmo cheio de garra e presença, ao contrário do introspectivo Phoenix/Cash. Tal como acontece com Phoenix, há muitos meses que se falam em prémios para a "namoradinha da América".

Walk the Line é um ambicioso retrato de um cantor dificil de resumir num filme. Mas uma tarefa que Mangold terá conseguido levar a bom porto, a imaginar pelas entusiásticas reações ao filme. Cash era um icone da América, tal como Charles. Após Walk the Line voltará certamente aos ouvidos e corações do mundo. Phoenix e Whiterspoon podem ter finalmente encontrado a chave certa para uma carreira de grande sucesso. E Hollywood parece ter encontrado em mais uma figura norte-americana, matéria prima para elogiar e premiar. Walk the Line estreia em Janeiro em Portugal. Até lá, os mais ansiosos terão de se contenar com os mais vibrantes albuns de um músico que mudou a face da música na América dos anos 60.
O QUE SE DIZ
"Johnny Cash cantava como sentia...Walk the Line, com as suas notáveis performances de Joaquin Phoenix e Reese Witherspoon, ajudarvos-ão a compreender o porquê!"
Roger Ebert, Chicago Sun-Times
"O filme de James Mangold, também, tem as suas recompensas na forma como consegue evitar os perigos mais comuns de retratar uma lenda, especialmente, uma lenda da música."
Kirt Honeycutt, Hollywood Reporter
"Walk the Line é notavelmente representado, musicalmente vibrante e um biopic convencional bastante satisfatório?"
Todd McCarthy, Variety
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:18 PM | Comentários (0)
Hustle and Flow com sequela
Ainda não estreou em Portugal mas foi dos filmes mais bem recebidos nos últimos meses nos Estados Unidos, valendo ao actor Terrence Howard um lugar na luta pela nomeação ao óscar. O filme Hustle and Flow segue um pouco o modelo de 8 Mile, contando a história de um jovem que quer fazer todos os possiveis para se tornar numa estrela de rap. O filme é solto, com uma imaginativa banda sonora, mas, mais do que qualquer outra coisa, com um excelente desempenho de Howard, que já tinhamos visto em Crash.
Agora o actor confirmou à MTV que os estúdios já têm um guião preparado para uma sequela sob o titulo Hustle and Flow 2: We´re Gonna Do It. O filme começará a ser rodado daqui a um ano e terá estreia agendada para o Verão de 2007.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:54 PM | Comentários (1)
novembro 20, 2005
Comentários Activos
Depois de três dias em que - por motivos alheios ao Hollywood - foi impossivel deixar qualquer comentário, é com grande satisfação que anuncio que os comentários estão de novo activos. Para os que queriam comentar o final da lista das 50 maiores estrelas do cinema de Hollywood, a caixa está de novo aberta.
Miguel Lourenço Pereira
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:24 PM | Comentários (1)
Aquelas Frases...
"Frankly dear...i don´t give a damn!"

in Gone With the Wind
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:32 AM | Comentários (2)
novembro 19, 2005
Novas fotos de Syriana
O filme de estreia de Stephen Gaghan está em alta. Apesar de ainda não ter estreado, é um dos filmes mais falados para se afirmar na temporada de prémios que está aí à porta. O filme conta com um transformado George Clooney - engordou imenso para dar mais vida à personagem - como um agente da CIA que opera no Médio Oriente. O terrorismo e os jogos de poder na maior reserva mundial de petróleo, entre americanos e arábes, estão na base deste intenso filme de acção. Amanda Peet, Matt Damon, Jeffrey Wright, Chris Cooper, William Hurt e Christopher Plummer completam o elenco de um filme cujo o guião também é da autoria de Gaghan, o autor, entre outros, de Traffic.
A estreia de Syriana está agendada para 23 de Novembro nos Estados Unidos. Cliquem na imagem para aceder á nova galeria do filme.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:23 AM | Comentários (0)
CANTOS DO MUNDO - AMÉRICA DO SUL
O cinema brasileiro viveu uma atividade intensa em 2004. Desde meados de 1995, quando houve a retomada das produções nacionais de grande escala, não se produziam tantos filmes no país.

O ano passado é motivo para comemoração: no total foram 48 longas, número que não era visto desde 1988. É o triplo do que chegou às telonas em 2003, ano marcado pelo estrondoso sucesso de Carandiru. Os documentários e biografias foram os gêneros de maior destaque e, segundo estimativas, 14% do que foi arrecadado nas bilheterias foi para longas nacionais.
As leis e projetos de incentivo à produção nacional projetam números otimistas para 2005. O Ministério da Cultura já autorizou a produção de 357 filmes, além dos que estão em fase de finalização, edição ou apenas esperando para chegar ao circuito comercial. O ano termina com mais um recorde de estréias e um novo campeão da atual fase chamada "retomada".

2 Filhos de Francisco – A História de Zezé Di Camargo e Luciano, do diretor Breno Silveira, tornou-se no dia 2 de outubro, sexta-feira, o filme de maior público da retomada do cinema nacional. O longa-metragem, já assistido por mais de 5 milhões de espectadores, bateu os 4,693,853 espectadores do até então líder Carandiru (2003), de Hector Babenco.
Maior renda e público no país em 2005 – superando, entre outros, os blockbusters The Incredibles, Madagascar e Star Wars: The Revenge of the Sith –, o filme ocupou por nove semanas consecutivas a primeira posição do ranking de público brasileiro.

Para completar o quadro de recordes, 2 Filhos de Francisco é o filme brasileiro de maior arrecadação nas duas últimas décadas, com mais de R$ 34 milhões (valor superior a US$ 15 milhões) acumulados, além de ser a quinta maior renda de um filme lançado no Brasil, perdendo apenas para Titanic, Spiderman (1 e 2) e The Passion of the Christ.
Produzido pela Conspiração Filmes, Columbia Tristar Filmes do Brasil, Globo Filmes e ZCL Produções Artísticas, a cinebiografia da dupla sertaneja foi eleita para representar o Brasil na disputa por uma das cinco vagas na categoria de melhor filme estrangeiro no Oscar do ano que vem.
Diego Almeida
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:50 AM | Comentários (0)
novembro 18, 2005
As 50 Estrelas de Hollywood - 10º ao 1º lugar
E cá estão elas, as 10 estrelas mais cintilantes do nosso imaginário. Resistiram aos anos, aos concorrentes, ao mudar das modas. Mas estão cá para toda a eternidade. Não devem nada a ninguém. Aliás, nós é que lhes devemos tudo. Foram eles que criaram a magia daquilo a que conhecemos por Cinema...
10 - DUSTIN HOFFMAN
(1937 - )

É sempre dificil escolher a ordem entre três dos mais proeminenes actores de sempre que são, ao mesmo tempo, da mesma geração. E como quanto mais depressa caminhamos para o fim, menos a ordem faz sentido, calhou a fava a Dustin Hoffman ficar em 10º lugar. Mas para chegar a este lugar fica desde logo a prova de que Hoffman é um actor e pêras.
Nascido em 1937, teve uns pequenos papeis antes de surgir pela primeira vez em estilo no filme The Graduate. Ao lado de Anne Bancroft criou uma quimica intensa e ao terceiro filme era já um dos mais fortes candidatos a vencer o óscar. Assumindo-se como o actor do momento, em 1969 vive um chulo tuberculoso em Midnight Cowboy. O filme é o primeiro a ter classificação restrita a vencer óscares, mas a sua segunda nomeação resultou como a primeira. Hoffman começa então a criticiar a Academia por colocar actor contra actores. Não aparece nas cerimónias seguintes, apesar de continuar em forma em filmes como Little Big Man, Straw Dogs ou Papillon. Em 1974 é de novo nomeado pela sua encarnação fabulosa de Lenny Bruce no biopic Lenny. Estavamos no ano da afirmação da geração dos movie-brats e isso também se via no irromper de grandes actores. Nos nomeados desse ano estavam também Pacino e Nicholson, e de Niro iria vencer o óscar de secundário. Um ano que serviria de base para o que se seguiria.
Em 1976 tem dois brilhantes desempenhos, em The Marathon Man e All the President´s Men, mas é 1979 o ano da sua consagração. No filme Kramer vs Kramer vive um pai angustiado pela possivel perda da custódia do filho. Um papel cheio de energia e sensibilidade que lhe valeram o óscar, doze anos depois da primeira nomeação. Já oficialmente consagrado, Hoffman faz em 1982 um dos mais espantosos papeis de sempre, desdobrando-se entre Dorothy Michael e Michael Dorsey no inesquecivel Tootsie. A derrota na cerimónia soube-lhe mal e durante uns anos afastou-se de Hollywood. Em 1987 está no gigantesco falhanço que foi Ishtar, mas regressa com o seu maior papel de sempre em 1988 no filme Rain Man. É a altura do segundo óscar e da sua confirmação com actor sem igual. Não abrandando o ritmo entra em Family Business, Dick Tracy, Billy Bathgate e Hero. Para trás tinha ficado o flop Hook que o levará a aceitar um papel doze anos depois em Finding Neverland, como maneira de se redimir perante o criador de Peter Pan. Em 1997 consegue mais um papel assombroso em Wag the Dog que lhe vale a sua sétima, e última, nomeação aos óscares, num filme onde partilha o ecrán com De Niro. A partir daí passa a ter pequenos papeis em diversos filmes, de Jean D´Arc a I Heart Huckbees, passando por Finding Neverland e Meet the Fockers. A sua carreira tem abrandado significativamente mas está longe de ter terminado. E Hoffman poderá assim tornar ainda mais dourada a sua brilhante vida como estrela de cinema.
9 - INGRID BERGMAN
(1915 - 1982)

Quando chegou a Hollywood, rotulada de futura estrela, a verdadeira estrela sueca do momento, Greta Garbo, dizia adeus ao cinema. Rainha morta, rainha posta! Na altura era dificil de prever, mas Ingrid Bergman superou a Garbo, e ainda hoje é a maior actriz sueca da história, apesar da "rivalidade" com as mulheres de Bergman e com a diva da década de 30.
Depois de uma passagem pelo teatro sueco e pela ascendente industria erótica daquele país nórdico, Bergman deu nas vistas no filme Intermezzo em 1936. David Selznick comprou os direitos do filme e fez uma versão para Hollywood, insistindo em Bergman para o papel que fizera dela uma estrela na Suécia. Depois do enorme sucesso da versão americana de Intermezzo, Bergman volta a casa para fazer mais três filmes, mas em 1942 está em Hollywood. Acreditava-se que para sempre, mas o destino iria pregar-lhe uma partida.
No ano seguinte protagoniza algumas das mais icónicas cenas da história do cinema com Bogart em Casablanca. O filme torna-se num dos maiores sucessos de sempre, confirmando o estatuto de estrela da bela sueca. No ano seguinte é pela primeira vez nomeada aos óscares, por For Whom the Bell Tolls, onde divide o ecrãn com Gary Cooper. Em 1944 a sua consagração é consumada em Gaslight, filme que lhe vale os prémios da critica e da Academia. No ano seguinte tornava-s numa das "Loiras" de Hitchcock em Spellbound . Volta a trabalhar com o realizador em Notorious e Under Capricorn, mas são os seus papeis em The Bells of St. Mary´s e Joan of Arc que lhe valem mais duas nomeações aos óscares.
Em 1949 viaja até Itália para filmar Stromboli com o realizador Roberto Rossellini. Acabam por se apaixonar, e Bergman, que era casada e tinha uma filha, deixa a familia para ir viver com o realizador italiano, de quem terá duas filhas, a mais conhecida, a também actriz Isabella Rossellini. Banida pelos americanos, que com a sua moral se sentiram de alguma forma traidos, Bergman fica seis anos fora da América. Aproveita para entrar nalguns dos melhores filmes de Rossellini, Europa 51, Viaggio in Italia e La Paura, e trabalha com Renoir em Heléne et les Hommes.
O seu regresso a Hollywood não poderia ser mais triunfal. Em 1956 vence o seu segundo óscar por Anastasia e faz as pazes com o seu país adoptivo. A partir daí a sua carreira abranda claramente, mas há ainda papeis merecedores de atenção. Em 1974 conquista o seu terceiro óscar, como secundária desta feita, por Murder on the Orient Express, tornando-se na segunda actriz com mais triunfos, logo atrás de Hepburn. O cancro acabará por ser a sua perdição. Bergman morre em 1982 deixando o mundo do cinema sem uma das suas maiores estrelas.
8 - AL PACINO
(1940 - )

Consegue explodir de raiva em poucos segundos, de uma forma que nem o "Método" ensinava. Duro entre os duros, nunca perdendo o seu charme muito próprio, Al Pacino é uma referência eterna para quem vive o cinema.
Começou a carreira em 1969, numa serie de pequenos papeis, e é a escolha surpresa para ser Michael Corleone em The Godfather. O seu assombroso desempenho vale uma nomeação e o aplauso generalizado da critica. No ano seguinte está no aclamado Serpico e em 1974 volta ao universo da familia Corleone, superando-se mais uma vez. Segue-se Dog Day Afternoon naquele que é o seu periodo de maior produtividade. Em 1979 é a estrela de And Justice For All, sexta nomeação em dez anos de carreira. Em 1983 está no remake que Brian de Palma faz ao clássico de Howard Hawks, o filme Scarface, onde volta a assumir-se como um dos mais completos actores da história, misturando cenas de grande violència com momentos de profunda sensibilidade.
Os anos 80 são infelizes e Revolution, uma grande aposta, é um gigantesco fracasso. Em Dick Tracy trabalha com Hoffman e Beatty e volta a ser nomeado, desta feita para melhor actor secundário.
Nesse mesmo ano volta a viver pela última vez a personagem de Michael Corleone em The Godfather III, algo que estava relutante em fazer, sendo persuadido pelo amigo Copolla, que, cheio de dividas, precisava de um sucesso para manter viva a sua produtora.
O inicio dos anos 90 são o periodo do comeback de Pacino. Depois de deixar Michael Corleone, é fabuloso em Frankie and Johnny ao lado de Michelle Pfeiffer. Já com cinquenta e dois anos, 1992 é o ano da sua consagração. É duplamente nomeado aos óscares, pelo seu papel secundário em Glengarry Glenn Rose, e pelo papel principal em Scent of a Woman. É nesse filme, onde brilha como há muito não se lhe via, que Pacino vence finalmente o óscar que os rivais Nicholson e Hoffman já tinham a dobrar. Mostrando que ainda está em forma, no ano seguinte protagoniza Carlito´s Way, e divide o ecrán com Robert de Niro em Heat. Em 1997 está em Devil´s Advocate e Donnie Brasco, continuando a explorar o seu lado infernal, e 1999 volta a mostrar um soberbo Pacino, quer em Any Givem Sunday, quer em The Insider. Em 2002 volta com Insomnia e Simone e no ano seguinte é o instrutor de Colin Farrell em The Recruit. Passa por Angels in America e regressa ao cinema para ser um inesquecivel Shylock em The Merchant of Venice.
Al Pacino continua a ter projectos para o futuro. Teve mais falhanços que os seus "rivais"; mas a verdade é que tem um estilo único e que, quando desaparecer, dificilmente encontrará um digno sucessor.
7 - ELIZABETH TAYLOR
(1932 - )

A mais bem sucedida menina-prodigio de Hollywood. Começou a fazer filmes quando tinha apenas 11 anos, no mitico filme Lassie Come Home. A partir daí foi-se estabelecendo como uma das mais talentosas, carismáticas e sensuais actrizes de sempre. Manteve sempre o seu estilo próprio, mesmo na era onde as loiras voluptuosas dominavam. Teve uma vida cheia de precalços mas destacou-se sempre pela fidelidade aos seus amigos, desde Rock Hudson a Montgomery Clift, passando também por Michael Jackson, que ajudou até ás últimas consequências. É um dos últimos mitos vivos da idade de ouro de Hollywood.
Poucos imaginavam que a simpática rapariga dos filmes da cadela Lassie crescesse tão depressa. National Velvet, onde contracenava com Mickey Rooney, fez dela uma estrela aos 13 anos de idade. Seguiram-se novas aventuras com Lassie mas entretanto os estúdios MGM não sabiam o que fazer com ela. Aos 14 anos já tinha um corpo de mulher muitissimo bem definido e os papeis em filmes infantis começaram a parecer impróprios. A inicio ainda tentaram disfarçar a voluptuosidade da jovem com camisolas largas, mas apenas com 16 Elizabeth Taylor começa a interpretar papeis de adulta. Em 1950 tem o seu primeiro grande sucesso nesta segunda fase da sua carreira no filme Father of the Bride, com Spencer Tracy. No ano seguinte divide o ecrãn com o seu grande amigo Montgomery Clift em A Place in the Sun. A sua sensualidade é avassaladora e Hollywood cai imediatamente aos seus pés. Tinha apenas 19 anos.
A primeira metade dos anos 50 é pouco prolifera em grandes papeis, mas em 1956 a actriz entra em The Giant, ao lado dos amigos Dean e Hudson, voltando a afirmar-se como a actriz de uma geração. No ano seguinte é nomeada ao óscar pela primeira vez no épico sulista Raintree Country. Começa aí a brilhante sucessão de papeis de Taylor que terminará apenas em 1968. Nos anos seguintes entra em Cat on a Hot Thin Roof, Suddenly Last Summer e Butterfield 8. Pelo terceiro filme vencerá o seu primeiro óscar, à quarta nomeação. No entanto esse foi um prémio de simpatia. O seu terceiro marido, Michael Tood, tinha morrido semanas antes num desastre de aviação e a própria Taylor estava ás portas da morte. O óscar para uma moribunda acabou por ser apenas o primeiro de uma carreira que ainda tinha muito para dar.
Três anos depois a actriz é a estrela de Cleopatra. O filme foi um fracasso mas esteve cheio de histórias no elenco. Taylor exigiu que fosse Burton a interpretar Marco António e na rodagem do filme apaixonaram-se e casaram-se de seguida, tornando-se no mais badalado casal do mundo. Ainda nas rodagens do filme Taylor volta a estar ás portas da morte, tendo mesmo sido declarado morta por alguns jornais. Nesse mesmo ano faria ainda V.I.P.´s o segundo de doze filmes que fará com Burton. Entre esses o mais espantoso é seguramente Who´s Affraid Virginia Wolf?, o seu melhor desempenho coroado com o segundo óscar em oito anos. Elizabeth Taylor, ja mãe e ainda doente, era com 36 anos a maior estrela de Hollywood, superando mesmo o apagado Brando, e as rising stars Newman, O´Toole e o próprio Burton.
No entanto os seus insistentes problemas de saúde, a relação tempestuosa com Burton que levou a dois divórcios e um segundo casamento em três anos, acompanhados pela forte dependência do alcool, terminaram com a carreira da actriz ainda aos 40 anos. Hoje, Taylor mostra ter desejo de um comeback, mas a sua frágil doença dificilmente o permitirá. Ficam no entanto algumas das melhores cenas da história do cinema, protagonizadas por esta verdadeira deusa de Hollywood. Se Hollywood fosse o Olimpo, Elizabeth Taylor seria Afrodite.
6 - JACK NICHOLSON
(1937 - )

É um dos mais premiados actores de sempre. Detem o record de vitórias dos Globos de Ouro, prémios da critica de Nova Iorque, Los Angeles, San Francisco e é o actor com mais óscares na história. Ou seja, o seu gigantesco talento, provado por mais de uma dezena de obras-primas, foi amplamente recompensado fazendo dele o mais bem sucedido actor da sua geração.
Começa a sua carreira nos filmes de terror, onde é aproveitada a sua figura bem diferente da que estavamos habituar a ver nas grandes estrelas. O seu passado sombrio - foi educado pela avó julgando-a sua mãe, com a mãe fazendo-se passar por irmã - conferia-lhe uma aura inesquecivel. Em 1969 junta-se a Peter Fonda e Dennis Hopper na louca viagem de Easy Rider, e é nomeado pela primeira vez ao óscar. Em 1970 é nomeado pela segunda vez pelo seu notável papel em Five Easy Pieces. Em 1973 a sua carreira arranca de uma forma notável. Primeiro por The Last Detail, depois em Chinatown e por fim em One Flew Over the Cuckoo´s Nest, chega o óscar que já perseguia insistentemente. Altamente alternativo, provocador e cabotino, fez uma parceria histórica com Brando em Missouri Breaks, e em 1980 é um dos vilões mais assustadores do cinema em Shinning. É Eugene O´Neill em Reds, e continua como secundário de luxo em Tearms of Endearment, onde ganha o segundo óscar. Volta de novo á sua melhor forma na segunda metade dos anos 80 em The Witches of Eastwick, Prizzis Honor, Ironweed e Batman. Em A Few Good Man protagoniza uma das cenas icónicas dos anos 90 ao lado do jovem Tom Cruise. Depois de uns anos 90 de menor produtividade, chega magnifico em As Good As It Gets açambarcando o seu terceiro óscar, tornando-se nesse ano o actor mais premiado da história. Volta a brilhar para o jovem Alexander Payne em About Schmidt, mas em Something´s Gotta Give mostra continuar igual a si mesmo. The Departed é uma incógnita mas saber que o sempre alucinado Nicholson anda por aí, deixa-nos dormir melhor. Para bem do cinema!
5 - PAUL NEWMAN
(1925 - )

O mais belo actor da história, dono do mais famoso par de olhos azuis de toda a história. Dono de um charme, um fragilidade e uma força sem limites, Paul Newman viveu entre estrelas mas soube sempre superar-se durante cinquenta anos de carreira. Foi também um dos primeiros actores com sensibilidade para se tornar realizador, com o suceso que se lhe conhece.
A carreira de Newman deriva do fim da de James Dean. É lenda, mas é verdade. Herdou o papel de Dean em Somebody Up There Likes Me e afirmou-se de imediato. Depois de contracenar com a mulher da sua vida, com quem se casará no final da rodagem de The Long, Hot Summer, é um inesquecivel Billy the Kid em The Left Handed Gun. Nesse mesmo ano é um poço de emoções contidas em Cat on a Hot Thin Roof, a sua primeira nomeação ao óscar. Em 1960 começa uma serie de papeis inesqueciveis. Primeiro em Exodus, drama sobre a criação de Israel. Em 1961 é inesquecivel em The Hustler, onde joga bilhar como ninguem, e em 1962 é inadjectivável no filme Sweet Bird of Youth. Em Hud, estavamos em 64, completa uma serie de quatro papeis que, na iminência do afastamento de Brando, o tornam na maior estrela de cinema do mundo. Trabalha para Hitchock em Torn Curtain e junta-se a Robert Redford, primeiro em Butch Cassidy and the Sundance Kid e mais tarde em The Sting. Em 1981 Absence of Malice marca o seu regresso em grande, amplamente confirmado por The Veredict no ano seguinte. Em 1985 vence um óscar honorário para, à nona tentativa, conquistar finalmente o ambiciado prémio por The Colour of Money em 1986. Volta em grande estilo em Mr and Mrs Bridges, ao lado da mulher, e consegue um dos seus melhores papeis de sempre em 1994 no filme Nobody´s Fool. A sua última nomeação aos óscares chega como secundário em Road To Perdition. Newman decide então desistir da carreira de actor, dedicando-se á sua indústria de produtos alimentares e à sua equipa de corridas, paixão que alimenta desde jovem. Como realizador estreou-se em 1968 com Rachel, Rachel e é com The Effect of Gamma Rays on Man-in-the-Moon Marigolds e The Glass Menagerie que recebe os aplausos da critica. Continua vivo, e ameaça um comeback com Robert Redford, sabendo-se já que vai dar a voz a um carro de corridas em Cars. Ou seja, o mito continuará vivo!
4 - KATHARINE HEPBURN
(1907 - 2003)

Chamaram-lhe "veneno de bilheteiras". Durante décadas foi altamente subvalorizada. Mas soube sempre dar a volta por cima conseguindo alguns dos seus mais brilhantes desempenhos quando muitos pensavam que já nem sequer representava. Dos anos 30 à década de 80 não houve actriz tão espantosa como Katharine Hepburn. Quatro óscares provam-no facilmente! Afinal, se algum dia houve uma actriz "monstruosa", foi ela.
Dividiu-se sempre entre o cinema e o teatro. Em cinquenta anos fez cinquenta filmes, conquistou quatro óscares, 12 nomeações, múltiplos prémios e a admiração de todos, uns mais tardiamente que outros. Teve o seu primeiro grande papel em Morning Glory, o seu terceiro filme, pelo qual venceu de imediato o óscar. Little Women, Sylvia Scarlett, Mary of Scotland e Bringing Up Baby confirmaram-na como uma das grandes actrizes dos anos 30. No entanto as suas polémicas relações - Howard Hughes, John Ford, Spencer Tracy - o seu cariz altamente feminista e liberal, não lhe eram favoráveis em Hollywood. Não atraia o público comum e muitos dos seus melhores papeis nos anos 40 e 50 vieram em filmes fracassados nas bilheteiras. Foi o que aconteceu com Woman of the Year ou Adam´s Rib. Em Philadelphia Story supera-se e em The African Queen, ao lado de Bogart, consegue a sua quinta nomeação aos óscares. Os anos cinquenta ficam marcados ainda por três papeis: em Summertime, The Rainmaker e, acima de tudo, Suddenly Last Summer. Confirmando-se definitivamente como a maior actriz do mundo nos anos 60, Hepburn conseguiu um inesperado comeback. Primeiro em Long Day´s Journey Into Night, em 1962, e em 1967 no filme Guess Who´s Coming to Dinner. Quando ninguém pensava, Hepburn vence um segundo óscar. É no entanto em 1968 que consegue a maior performance de toda a sua carreira no filme The Lion in Winter. Vence o óscar em ex-aqueo com Barbra Streisand e afirma-se como a mais bem sucedida actriz de sempre. E quando ninguém o esperava, depois de uns anos 70 mais virados para a televisão, conquista o seu 4º e último óscar no filme On a Golden Pond. Hepburn estará anos sem fazer um filme, aparecendo em Love Affair de Warren Beatty num registo de despedida. Morre com a bela idade de 96 anos em 2003, perdendo o mundo a maior actriz que alguma vez conheceu.
3 - MARLON BRANDO
(1924 - 2004)

Foi o icone de gerações. Depois de surgir de camisola justa rasgada, suado, gritando "Stellaaa!!!" em A Streetcar Named Desire, o cinema nunca mais seria o mesmo. Criou uma escola, mais tarde imitada por todos. Misturou a carnalidade masculina com a sensibilidade humana como nunca tinha sido feito. Foi o primeiro actor a explorar o próprio corpo, criando uma imagem icónica que o acompanharia, e que eventualmente, acabaria por transcende-lo.
E no entanto não fez muitos filmes ao longo de uma carreira que durou mais de quarenta anos. Mas quando entrava em cena, transcendia-se sempre de uma forma inimitável.
Formado nas escolas do Actor´s Studio, exemplo perfeito da aplicação do "Método", essa cartilha da arte de representar, a sua estreia em A Streetcar Named Desire, foi das mais furiosas e intensas da história. A sua performance ultrapassou limites e barreiras, exibindo-se a um nivel nunca visto num rookie de 27 anos. Naturalmente foi nomeado ao oscar, acabando por perder injustamente para o veterano Bogart.
Os anos 50 foram os da ascensão, confirmação e glorificação de Brando. Em 1952 era único como Emiliano Zapata em Viva Zapata! e no ano seguinte dá um dos melhores discursos da história, superando mesmos os mais shakesperianos dos actores, em Julius Caeser. E antes de Dean foi o perfeito "Rebel without a Cause" em The Wild One.
Naturalmente em 1954 surge a consagração em On the Waterfront, filme onde todo o espirito do Actor´s Studio se resume na perfeição. No ano seguinte está ao lado de Jean Simmons em Guys and Dolls! e Sayonarra e The Young Lions definem-no como um actor único. Era já declaradamente um dos maiores actores do mundo, rivalizando com os clássicos Stewart, Bogart, Cooper, e liderando uma vaga ascendente que tinha Newman, Clift - e durante um ano - Dean, na sua peugada.
Os anos 60 começam com o falhanço do remake de The Mutiny on the Bounty, filme que apresenta o Pacifico a Brando. É lá que conhece a mulher e onde viverá durante largos anos numa ilha que adquire a peso de ouro. Depois de uns anos de apagamento surge no seu melhor em 1966 no filme The Chase. Mas a aura que o acompanha vai-se lentamente desvanecendo. Problemas com as produtoras, o falhanço do seu primeiro filme como realizador, One-Eyed Jacks, o seu activismo pró-indios e o facto da critica e do público o acusarem de não estar a viver de acordo com o mito que o próprio tinha criado fez com que Brando fosse afastado de Hollywood. Muitos acusaram-no de estar a destruir a sua própria carreira.
Mas então surge Francis Ford Copolla, apaixonado por Brando desde sempre, que vê nele o candidato perfeito para viver Vitto Corleone em The Godfather. Os produtores rejeitam e Copolla faz com que Brando vá ao casting completamente transformado. O actor engorda, enche as bochechas com algodão, cria maneirismos totalmente novos e espanta os produtores que após o casting querem saber quem é aquele actor que é tão perfeito para o papel: "é Brando", diz-lhes Copolla. O acordo fica fechado. O resto - The Godfather, o óscar rejeitado, o papel de uma vida - é história.
No ano seguinte despe-se de todos os pudores para Bertolucci no aclamado The Last Tango in Paris, e em 1979 regressa sorumbático para um papel inesquecivel em Apocalypse Now, também de Copolla. E depois o "Monstro" retira-se para a sua ilha. Vive problemas familiares com a prisão do filho e acaba por voltar apenas duas vezes mais. A primeira, que lhe vale a oitava e última nomeação ao óscar, em A Dry White Season. A segunda para fazer D. Juan de Marco com Johnny Depp, que elogia, declarando que é mais parecido consigo do que Clift ou Dean alguma vez foram, e para quem faz The Brave, o filme de estreia na realização do jovem actor. Quando morreu, em 2004, o mundo ficou definitivamente um lugar mais pobre.
2 - HUMPHREY BOGART
(1899 - 1957)

Quando Jean-Luc Godard coloca Jean-Paul Belmondo a imitir Bogart em A Bout de Soufle, o mito ganhava dimensões inimagináveis. Durante anos Bogart tinha sido actor de filmes considerados de segunda linha. Mas os cinéfilos, primeiro na Europa e só mais tarde nos Estados Unidos, viam nele algo que nunca viram, nem voltariam a ver: um actor explosivo, dono de um cinismo sem fim, mas com um coração gigantesco, capaz de encaixar o soco mais duro e manter-se de pé. Sem ser alto ou forte, Bogart foi o maior de todos os duros. Nunca nenhum outro actor conseguiu roubar uma cena da mesma forma que "Bogie" fazia.
Humphrey Bogart era filho de gente muito ilustre e estava destinado a ser um menino rico de Wall Street, não fosse a sua imensa paixão pelo cinema desviá-lo do consultório médico do pai para a Broadway. Foi aí que começou a representar, divindo os palcos com o cinema, onde nos anos 30 começou a aventurar-se progressivamente. Depois de uns papeis menores a Fox dispensa-o do contrato e Bogart volta á Broadway onde se junta a Leslie Howard na peça The Petrified Forrest. A Warner compra os direitos da peça e quer adaptá-la ao cinema com Robinson no papel de Bogart mas Leslie Howard exige a presença do actor. Bogart fica com o papel e é explosivo como o vilão Duke Mantee. O seu nome estava feito.
Durante cinco anos vai ser presença assidua em três dezenas de filmes de gangster, sempre em papeis secundários. É em 1941 que tem o seu primeiro grande papel principal em High Sierra de Raoul Walsh. O filme é um sucesso, tal como The Maltese Falcon, e a Warner - depois de várias recusas - acaba por escolher Bogart para o papel de Rick Blaine em Casablanca. O seu desempenho é histórico e Bogart é nomeado ao óscar - que perde para Ronald Colman - afirmando-se definitivamente como um actor de respeito. Segue-se To Have and Have Not de Howard Hawks onde contracena pela primeira com uma jovem modelo de 18 anos, Lauren Bacall. A quimica entre ambos é explosiva e os actores casam no final das rodagens. Em 1946 vive pela primeira vez a mitica personagem de Chandler, Philiph Marlowe em The Big Sleep, também com Bacall no elenco. Dois anos depois Key Largo - de novo com Bacall - coloca-o frente a frente com Edward G. Robinson. Mas agora a estrela é ele, e o filme é dele também! Por essa altura tinha marcado presença em The Treasure of Sierra Madre, mais uma parceria com o amigo e realizador John Huston, mas nessa altura o seu nome esteve perto de entrar na lista negra após a marcha que promove com Bacall em Washington para protestar contra a "Caça ás Bruxas" que iria levar a que vários argumentistas de Hollywood fossem colocados na lista-negra.
Em 1950 assina o seu melhor papel de sempre em In a Lonely Place, onde é explosivo como nunca o tinha sido, mas o óscar só chega no ano seguinte em mais um brilhante papel para Huston no filme The African Queen. A sua saúde já não é a melhor - Bogart era altamente dependente do alcool - mas ainda deu para entrar em Sabrina, de Billy Wilder, e The Caine Mutiny, que lhe valeria a terceira e última nomeação ao óscar. Fez três filmes nos seus últimos anos de vida (The Left Hand of God, Desperate Hours e The Harder They Fall), morrendo com um terrivel cancro que o manteve o último ano na cama, onde recebeu a visita da nata de Hollywood. Vieram prestar homenagem ao amigo, mas também à lenda, a um dos nomes mais inesqueciveis, não só da história do cinema, mas da história do próprio Homem.
1 - JAMES STEWART
(1908 - 1997)

Ninguém consegue encontrar na carreira de Jimmy Stewart um mau papel. Muitas vezes passou por filmes menores, mas soube sempre fazer a sua parte, indo além do que achavam possivel. Trabalhou com quase todos os grandes realizadores de Hollywood (Ford, Hitchcok, Capra, Hawks, Wilder, Cuckor, Mann, Preminger, ...) e fez de todas as suas personagens pérolas inesqueciveis. Está nos dois maiores papeis de sempre da história do cinema, conseguindo trabalhar em registos completamente diferentes, sem nunca perder o seu estilo muito próprio. Sempre bom rapaz - na tela e na vida real - com um estilo de representação muito fisico para um "clássico", e muito "under acting" para um jovem turco, Stewart passou gerações, ás vezes despercebido. Mas o tempo ajuda a perceber as coisas, e olhando em retrospectiva é impossivel não olhar para James Stewart, e não ver nele o que foi: o maior actor de todos os tempos.
Nascido no Indiana, Stewart vai para a Broadway muito cedo. Faz musicais e é por aí que chega ao cinema, em filmes de pouca projeção. Amigo intimo de Henry Fonda, estudam juntos representação, e é em 1938 que ambos se começam a fazer notar. Stewart fê-lo em You Can´t Take It With You, uma alegre comédia de costumes com um elenco de luxo que acabaria por vencer uma serie de óscares. Mais importante que isso, era também a sua primeira parceria com Frank Capra, realizador que marcaria a primeira fase da sua carreira. No ano seguinte Stewart consegue uma das maiores performances de todos os tempos em Mr Smith Goes to Washington. Perde o óscar - por razões politicas diz-se - e é compensado no ano seguinte, vencendo-o por Philadelphia Story. Stewart nem era o actor principal do filme (Cary Grant tinha mais protagonismo), e venceu por simpatia pela derrota do ano seguinte e pelo bloqueio anti-Grapes of Wrath que faz com que Fonda não vença. Mas por muito estranho que pareça, este será o seu único prémio numa carreira de quarenta e cinco anos.
Nesse mesmo ano trabalha com Lubitsch no admirável The Shop Around the Corner e no ano seguinte parte para a guerra, deixando a Gary Cooper o papel em Meet John Doe que lhe estava destinado. É um dos herois da guerra e volta em 1946 para assinar a maior obra-prima da história do cinema, de novo com Frank Capra: It´s a Wonderful Life. O seu George Bailey é a mais pura e bela personagem da história do cinema, granjeando-lhe de imediato o estatuto de estrela. No entanto o filme não foi o sucesso que se previa (Capra disse dele que era "o mais belo filme feito até hoje"..e era!). O público tinha mudado e Stewart irá perceber essa mudança melhor que Capra.
Vira-se para os westers e para os thrillers, pelas mãos de Anthonny Mann e Alfred Hitchcock. Em 1948 faz o seu primeiro papel para o "mestre do suspense" em The Rope. Em 1950 é assombroso em Winchester 73, mas acaba por ser nomeado por Harvey. Bend of the River e o espantoso The Naked Spur continuam a provar o sucesso da dupla Stewart-Mann, e The Rear Window torna-se numa das obras-primas de Hitchock, com um Stewart nunca visto.
O final dos anos 50 traz o melhor de Jimmy Stewart. The Man From Laramie, The Man Who Knew To Much, The Spirit of Saint Louis, Vertigo e Anatomy of a Murder são do melhor que se podia encontrar nos dias em que o mundo ainda estava rendido ao "método". Vertigo! Nunca um actor foi tão intenso, tão hipnotizante, tão avassalador com James Stewart em Vertigo. Se George Bailey é a sua obra-prima, Scottie Fergusson é o seu irmão gémeo, tal é a perfeição do seu registo, naquele que para muitos é o melhor filme de todos os tempos.
Os anos 60 juntam Stewart com John Ford, outro realizador icónico, primeiro em Two Road Together e depois no inesquecivel The Man Who Shot Liberty Valance que está para Mr Smith na filmografia de Stewart como Vertigo está para It´s a Wonderful Life. E é assim que no inicio dos anos 60, Stewart decide retirar-se. Com quase 60 anos, e com as suas referências (Mann, Capra, Preminger, Ford, Hitchcock) a deixarem Hollywood, sente também que a sua hora chegou. Ainda faz pequenos papeis, com principal destaque para o reencontro com John Wayne em The Shootist, uma bela despedida para dois heróis do Oeste.
Um icone americano, um exemplo de vida, um actor sem comparação - nem Bogart, nem Brando, nem Newman, Nicholson ou tantos outros se lhe comparam - James Stewart é mais do que um mito.
Deixou-nos em 1997. Mentira. Ainda cá está. Em todos os papeis que representou. E estará para sempre!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:18 AM | Comentários (6)
Oscarwatching - Documentários e Filmes Animados definidos
A semana ficou marcada pela decisão da Academia de divulgar a lista dos pré-candidatos ás nomeações para Melhor Documentário e Melhor Filme Animado. No primeiro caso surpreendente é a ausência de Grizzly Man de Werner Herzog. Já quando ao universo da animação não houve novidades, mas a corrida está mais apertada do que nunca.

Wallace and Gromit parecem estar claramente em vantagem. O filme animado de maior sucesso do ano nos Estados Unidos conquistou o público e a critica, e depois de vitórias em curtas-metragens em edições passadas, parece que é desta que os estúdios Aardman vão conquistar o primeiro óscar animado da sua carreira. Mas a competição é durissima, isto apesar de não haver Pixar na luta.
A Disney parece em boa posição de conseguir voltar a ter um filme nomeado. Chicken Little esteve longe de desiludir. Está a ter uma boa performance no box-office, é divertido e popular. Um candidato muito forte, tendo em linha de conta que este parece ser um ano para esquecer para a Dreamworks. Madagascar e Robots estão pré-nomeados mas nenhum dos filmes deve ter grandes hipóteses de conseguir entrar no restrito grupo de três filmes eleitos para disputar a estatueta.
Em tom mais "artistico" confirma-se o duelo entre Tim Burton e Hayo Miazaki. O primeiro aparece em boa posição já que o seu The Corpse Bride foi um grande sucesso nos Estados Unidos, fazendo de 2005 um dos melhores anos da carreira do realizador. Já Howl´s Moving Castle falhou em conseguir o mesmo impacto que os seus antecessores, mas mesmo assim nunca será uma carta fora do baralho.
Os outros filmes pré-nomeados são Valiant, Steamboy, Hoodwinked e Gulliver´s Travel, mas nenhum deles parece ter qualquer hipótese de lutar pela nomeação.

Já em relação aos documentários, a surpresa é de facto a ausência de Herzog. Um trabalho aclamado pela critica mas que não convenceu a Academia. Quem marcou presença foi o aclamado The March of the Empereur, que parte como um dos mais fortes candidatos à vitória. No entanto a luta será complexa.
Nomeado está também o aclamado trabalho de David LaChapelle, Rize, um filme que fala sobretudo de Los Angeles e que pode benificiar disso mesmo. Além disso LaChapelle é um dos nomes mais respeitados em Hollywood.
Um trabalho sobre as favelas brasileiras, Favela Rising, está igualmente entre os favoritos. Outros nomes a ter em linha de conta são Murderball, Mad Hot Ballroom e Enron: The Smartest Guys in the Room, uma excelente abordagem ao escandalo empresarial de 2004.
Os restantes nomeados são After the Innocence, The Boys of Baraka, Darwin´s Nightmare, The Devil and Daniel Johnston, Occupation: Dreamland, One Native Soil: The Documentary of the 9/11 Comission Report, Street Fight, 39 Pounds of Love e Unknow White Male.
São cinco os filmes nomeados.

A semana ficou ainda marcada pelo anuncio oficial que Gill Cates vai organizar a cerimónia pela 13º vez. Cates é o realizador que mais vezes foi escolhido pela Academia para organizar a cerimónia, repetindo o feito do ano passado. Uma cerimónia polémica, graças ás suas introduções no momento da entrega das estatuetas, mas bem organizada. Os pormenores da organização serão conhecidos em maior detalhe em Janeiro, altura em que também serão apresentados os nomeados. Os óscares 2005 decorrem a 5 de Março de 2006.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:58 AM | Comentários (2)
novembro 17, 2005
As 50 Estrelas de Hollywood - 20º ao 11º lugar
Não entrar no top10 pode parecer uma frustração para quem chegou até aqui. Mas nem todos lá podem chegar. Estar nos primeiros vinte lugares é já um sinal de irrefutável importância no desenrolar daquilo a que chamam a magia do cinema. Mas não serão todos estes nomes partes importantes do nosso imaginário?
Aqui fica o penúltimo lote de estrelas, do 20º ao 11º lugar...
20 - SHIRLEY MACLAINE
(1934 - )

Ao longo da sua carreira trabalhou com alguns dos maiores realizadores de Hollywood. Foi essencialmente nas mãos de Billy Wilder que Shirley MacLaine provou porque é uma das melhores actrizes da história. A sua beleza não seguia os padrões dos sex-symbols da era, a sua frontalidade valeu-lhe muitos inimigos na indústria, mas ainda hoje, cinquenta anos depois de ter começado, Shirley MacLaine ainda dá provas do seu gigantesco talento.
A estreia não podia ter sido mais auspiciosa. Foi em 1955 no divertido Troubles With Harry de Alfred Hitchcock. O realizador reparou nela, lançou-a para a ribalta, e assim nasceu uma estrela. Em 1958 faz uma performance inesquecivel - uma das melhores de sempre certamente - em Some Came Running de Vincent Minelli. Um desempenho poderosissimo que lhe vale uma primeia nomeação ao óscar. Algo que repetirá dois anos depois pelo seu assombroso desempenho em The Apartment de Billy Wilder. O filme marcará a primeira colaboração entre ambos que conhecerá novo capitulo de sucesso em 1963 com Irma la Douce. Nova nomeação e nova derrota para McLaine que começa a mostrar o seu descontentamento com Hollywood. Os anos 60 e 70 passam a correr até que chega em 1975 o seu premiado documentário, The Other Half of the Sky, um trabalho sobre a China. Dois anos depois a quarta nomeação ao óscar pelo seu papel em Turning Point. O resultado final foi o mesmo. Foi preciso esperar até 1984 para que a já veterano actriz levasse de vencida as rivais e subisse ao palco para reclamar o óscar. Num dos mais espantosos discursos de sempre, MacLaine abre dizendo "I deserve this...i really deserve this!". Estava feita justiça. A carreira da meia-irmã de Warren Beatty continua calmamente, com alguns pontos altos como Stealing Magnolias ou Guarding Tess. O último ano foi bastante activo para MacLaine que regressa em estilo, primeiro em In Her Shoes, já por cá estreado, e também com Rumor Has It. A sua carreira mostra sinais de que não vai parar tão cedo. O mundo agradece!
19 - TOM HANKS
(1956 - )

É o porta-estandarte da sua geração. O mais completo actor a surgir nos últimos vinte ano, Tom Hanks começou por ser um improvável comediante. Foi quando encontrou o seu lugar certo no cinema dramático da década de 90 que se consagrou definitivamente junto do público e da critica.
Uma carreira que começou em 1980 no universo da comédia. No final da década, Tom Hanks já era um dos nomes consagrados de comédia com papeis em Splash e Big, este último valendo-lhe a primeira nomeação ao óscar. Em 1990 surge a primeira tentativa para Hanks entrar num projecto "sério" mas The Bonfire of Vanities é um tremendo fracaso. Depois de um breve regresso à comédia (Sleepless in Seatle) surge o primeiro grande papel dramático na sua carreira. Em Philadelphia, Hanks vive um homossexual infectado com SIDA que parte numa cruzada contra todos aqueles que o ostracizaram devido à sua doença. O desempenho é assombroso e o actor conquista o seu primeiro óscar. Mas em 1994 Hanks supera-se assinando o seu melhor desempenho de sempre em Forrest Gump. O americano mais idiota da história é também o papel que confirma definitivamente Hanks como um actor de excelência. Sem grandes surpresas, o recorde de Spencer Tracy é igualada e Hanks leva o seu segundo óscar. Há quem diga mesmo que uma dupla conquista tão cedo o impediu de ganhar mais prémios nos anos seguintes. Prémios esses que teriam sido merecidos.
No ano seguinte está no premiado Apollo 13, voltando a exibir-se a bom nivel e em 1998 volta a ser nomeado por Saving Private Ryan, filme que marca a sua primeira colaboração com Steven Spielberg. A derrota para Roberto Benigni prova que a Academia não estava preparada para fazer dele o actor com mais óscares da história, e depois de nova parceria com Meg Ryan em You´ve Got Mail, há Green Mile e Cast Away, dois aplaudidos trabalhos que provam que Hanks continua em excelene forma. Surge então Band of Brothers, a estreia de Hanks na produção televisiva e Road to Perdition, o seu maior flop de carreira. Ainda em 2002 é o secundário perfeito em Catch Me If You Can - terceira colaboração com Spielberg - que retoma em 2004 no magnifico The Terminal. Nesse ano trabalha ainda com os Coen em The Ladykillers e faz parte do projecto pioneiro de Robert Zemeckis The Polar Express. Entretanto assina contracto para viver uma das mais desejadas personagens dos últimos ano, Harry Langdon, estando prestes a estrear The Da Vinci Code, onde assina o seu segundo filme com Ron Howard. Como actor e produtor a sua carreira está repleta de sucessos e o céu é o limite para Tom Hanks, um actor para todas as geraçóes.
18 - GARY COOPER
(1901 - 18961)

Durante muitos anos os americanos sonharem em ser como ele. Dono de uma beleza dura mas contagiante, de uma pose humilde mas determinada, Gary Cooper foi o heroi de mais do que uma geração. Em trinta anos de carreira tornou-se num dos mais bem sucedidos e amados actores de sempre. E mesmo a polémica que envolveu a sua vida privada (a sua relação extra-matrimonial com Patricia Neal) nunca alterou a sua imagem de galã e cavalheiro.
A sua estreia no cinema data do periodo mudo e em 1927 é um dos actores de Wings, o primeiro filme oscarizado. Nos anos seguinte consagra-se em filmes como Morroco, A Farewell to Arms e Now and Forever. Em 1936 trabalha pela primeira vez com Frank Capra que o escolhe para iniciar a sua triloga sobre o comum americano. Em Mr Deeds Goes To Town faz o seu melhor papel até à data e é nomeado ao óscar .A sua cotação está em alta e dá-se ao luxo de rejeitar em 1939 papeis em Stagecoach e Gone With the Wind. Entre 1941 e 1943 os seus maiores desempenhos de cada ano são nomeados ao óscar. Vence na primeira tentativa por Sargeant York, mas está perto de repetir a façanha em The Pride of the Yankees e For Whom the Bell Tolls. A sua amizade com o escritor Ernst Hemingway (que cometerá suicidio um mês após a morte de Cooper), torna-o popular entre a comunidade intelectual. Para trás ficou o sucesso de The Westerner e Meet John Doe, o capitulo final da trilogia de Capra. Em 1949 trabalha com King Vidor em The Fountainhead e conhece Patricia Neal que será sua amante até à morte.Em 1951 está pela primeira vez em 15 anos fora do top 10 dos actores favoritos do público. É no entanto no ano seguinte que consegue o seu melhor desempenho em High Noon, fazendo um comeback triunfal que lhe dá o seu segundo óscar. A partir daí vai progressivamente abandonando o cinema. O cancro que o levará à morte em 1961 deixa-o apenas voltar a brilhar uma vez mais, em Man of the West de Antohny Mann. Com a morte de Cooper, Hollywood começava a encerrar um capitulo dourado da sua história.
17 - LAURENCE OLIVIER
(1907 - 1989)

Durante meio século foi considerado o maior actor inglês de sempre. Uma carreira sempre dividida entre o cinema e o teatro, um nome que todos aprenderam a respeitar e a amar. Atravessou gerações e criou um culto de admiração à sua volta que é dificil igualar.
Começou nos palcos londrinos e no inicio dos anos 30 salta para o cinema britânico. Assume-se como o maior actor shakesperiano, e em 1937 dá um ar da sua graça em Fire Over England. Conhece Vivien Leigh. O seu casamento será um dos mais badalados da época (e o seu final também) e ajuda-a a conquistar o lugar de Scarlett O´´Hara. Nesse mesmo ano faz o seu primeiro grande desempenho em Hollywood no filme Wuthering Heights. No ano seguinte trabalha com Hitchcock em Rebecca recebendo a sua segunda nomeação consecutiva ao óscar. Começa a adaptar em 1945 Shakespeare ao cinema. Primeiro com Henry V (terceira nomeação e prémio especial da Academia como actor, realizador e produtor) e em 1948 com Hamlet, filme que lhe irá dar o único óscar da carreira como melhor actor, mas também o óscar de Melhor Filme (falhou apenas o de realizador). Em 1955 continua com Shakespeare em Richard III (mais uma nomeação) e em 1957 está ao lado de Marilyn Monroe no admirável The Prince and the Showgirl. Em 1960 nova nomeação por The Enterteiner e regresso a Shakespeare cinco anos depois no filme Othello. O seu maior papel surge em 1972 ao lado de Michael Caine no filme Sleuth, que lhe dá a sua nona nomeação ao óscar. Mas não será a única. Passará os anos 70 a fazer pequenos papeis secundários, conseguindo novas nomeações por Marathon Man e Boys From Brazil, onde é o caçador de nazis Ezra Lieberman. Para trás tinham ficado inesqueciveis papeis em Spartacus, Khartoum e The Merchant of Venice. Morre em 1989 com 82 anos.
16 - PETER O´TOOLE
(1932 - )

No meio do inesquecivel deserto da Arábia, os seus olhos azuis eram um irradiar de energia como há muito o cinema não vi. Tomara a todos os actores poderem dizer que se estrearam como Peter O´Toole, que consegue o seu melhor papel de sempre naquele que foi também o seu primeiro filme.
Irlandes de temperamento agitado, tinha tido umas breves participações em três filmes na altura em que foi escolhido para ser T.E. Lawrence. Não era nem a primeira, nem a segunda escolha, mas a sua presença fizeram de Lawrence of Arabia um dos maiores filmes da história. Apesar de todos os prémios que o filme ganhou, O´Toole falhou em conquistar o óscar, uma maldição que o iria perseguir para a vida em sete diferentes tentativas.
Depois de três anos a viver á sombra do sucesso, mas um assombroso desempenho em Becket, onde contracena com Richard Burton, o seu maior rival, vivendo o rei Henrique II de Inglaterra. Será novamente como Henrique II, mas numa versão mais rude e brutal que O´Toole volta a alcançar a perfeição com que iniciara a carreira, em The Lion in Winter. Pelo meio tinham ficado Lord Jim, esse estrondoso e brilhante falhanço, What´s New Pussycat? e o inesquecivel anjo Gabriel de The Bible. Em 1969 consegue a sua quarta nomeação na mesma década ao protagonizar Goodbye Mister Chips!, filme que até já tinha dado um óscar a Robert Donat trinta anos antes.
The Ruling Class em 1972 é a sua quinta nomeação e o seu mais fascinante trabalho da década de 70. Seguem-se The Man From La Mancha, onde é um improvável Don Quixote, Caligula e The Stunt Man, penultima nomeação e um dos seus mais interessantes trabalhos. Em 1982 última nomeação, desta feita por My Favourite Year, mais um trabalho notável, e em 1987 encontramo-lo no multi-premiado The Last Emperor. No final dos anos 80 O´Toole desaparece. É recuperado por Wolfgan Peterson em Troy, no ano passado, e desde aí parece ter retomado a actividade regular de actor. O óscar honorário de 2002 serviu para fazer as pazes com a Academia, mas tal como o seu rival e amigo Burton, ele é um dos grandes injustiçados da história do cinema.
15 - RICHARD BURTON
(1925 - 1984)

Partilha com Peter O´Toole o trono de uma geração, mas a verdade é que a sua fleuma galesa, a sua voz inconfundivel e o seu leque de performances fazem dele o porta-estandarte desse magnifico grupo de actores que incluia ainda Michael Caine ou Albert Finney.
Burton começa a sua carreira em 1949 e a sua ascensão será praticamente imediata. Em 1952 é soberbo no final My Cousin Rachel. É nomeado para melhor actor secundário. Tal como O´Toole serão sete as nomeações sem qualquer vitória. No ano seguinte a nova estrela britânica chega á categoria principal pelo seu desempenho no aclamado The Robe. Continuando na época clássica, é um convincente Alexandre em Alexander the Great de Robert Rossen em 1956. No ano seguinte está numa das obras-primas de Nic Ray, Bitter Victory, onde é de uma intensidade dramática absolutamente notável. Chefia a geração dos young angry rebels em Look Back in Anger e depois de fazer Shakespeare e de ajudar a invadir a Normandia no épico The Longest Day, é escolhido para ser Marco António naquele que seria o mais ambicioso projecto de sempre. O seu desempenho é de altissimo nivel mas Cleopatra será um fracasso. Nem a relação amorosa que Burton começa com Elizabeth Taylor nas rodagens do filme, e que se tornará numa das relações mais conturbadas e famosas da história, salva o filme. A sua reputação continua imaculada e divide o ecrãn com Peter O´Toole em Becket, partilhando igualmente mais uma nomeação aos óscares. Seguem-se The Night of the Iguana, poderoso drama, e em 1965 o seu mais contido e aplaudido desempenho em The Spy Who Came From the Cold. Ao lado de Elizabeth Taylor brilha como poucos na obra de estreia de Mike Nichols, o inesquecivel Who´s Affraid Virginia Wolf. Mais uma vez o oscar vai para outro e Burton continua a trabalhar com Taylor, desta vez em The Taming of the Shrew. Acaba a década em alta no filme Anne of the Thousand Days e em 1974 divorcia-se de Liz Taylor após uma serie de conflitos matrimoniais. No entanto o casal volta a juntar-se no ano seguinte, para se separar finalmente em 1976. Estes foram os anos menos proliferos para Burton, que em 1977 regressa de novo em estilo no filme Equus. Em 1984 entra na adaptação homónima de George Orwell, ao lado de John Hurt, mas a sua saúde, minada pelo alcool e tabaco, não lhe permite voltar a filmar. Morre nesse mesmo ano deixando um imenso vazio que mais nenhum actor soube preencher.
14 - MERYL STREEP
(1949 - )

É a grande actriz dos últimos trinta anos. Nenhuma das que se lhe seguiram conseguiram alguma vez transmitir a sua sensibilidade dianta da camara, e, ao mesmo tempo, a sua força interior, que fazem dela um dos maiores "monstros" vivos da representação.
Meryl Streep começou a carreira em grande com o filme Julia. No ano seguinte já era nomeada aos óscares pelo seu desempenho em The Deer Hunter de Michael Cimino. Woody Allen repara nela e junta-a à sua troupe para fazer Manhatan mas é o seu desempenho em Kramer vs Kramer que a estabelece como mais uma estrela para a constelação de Hollywood. Vence o óscar de melhor actriz secundária e o seu filme seguinte, The French Lieutenent´s Woman, conquista a primeira nomeação para actriz principal. Em 1982 conquista o segundo óscar pelo filme Sophia´s Choice. Quatro nomeações e dois óscares em seis anos deixavam já antever que a jovem Streep não iria ficar por aí. E de facto a década de 80 é de ouro para a actriz. Depois do óscar vem Silkwood, o inesquecivel Out of Africa, Ironweed e A Cry In the Dark. Quatro papeis fabulosos, quatro nomeações, quatro sucessos da critica. Streep era já unanimemente considerada a melhor actriz em actividade.
Postcards From the Edge começa da melhor forma a década de 90 para Streep e ao lado de Clint Eastwood em The Bridges of Madison County volta a superar-se. O final dos anos 90 são espantosos para a actriz graças aos desempenhos em Marvin´s Room, One True Thing e Music From the Heart. Em 2002 entra em dois sucessos, The Hours e Adaptation, e pelo último consegue a sua 13º nomeação aos oscares, um recorde. Marca presença na popular serie Angels in America e dá vida ao filme The Manchurian Candidate. Este ano vamos poder vê-la em Prime mas a sua carreira está longe de abrandar. Para os próximos dois anos são já 10 os projectos em que Streep fará parte. Uma actriz verdadeiramente excepcional, e de incomparável talento nos dias que correm.
13 - HENRY FONDA
(1905 - 1982)

A familia Fonda está intimamente ligada à história do cinema nos últimos oitenta anos. Apesar de todas as polémicas que o envolveram ao longo da careira, Henry Fonda soube sempre manter-se igual a si mesmo. Antes de morrer teve a justiça que merecia.
"Hank" Fonda chega em 1935 a Hollywood. Partilhava um quarto com James Stewart enquanto tinha aulas de representação com a mãe daquele que viria a ser Marlon Brando. Pelo meio fica um passado cheio de casos, o mais famoso dos quais foi o polémico casamento com Margaret Sullavan. Teve o seu primeiro grande papel em 1937 no filme You Only Live Once de Fritz Lang. A sua carreia continuou a progredir nos anos seguintes, com presenças em filmes como Jezebel e Drums Along the Mohawk. Em 1939 é um inesquecivel Abraham Lincoln em Young Mr Lincoln. O filme marca o inicio da colaboração com John Ford que irá acabar abruptamente no set de Mister Roberts, em 1955, quando Ford soca Fonda após uma violenta discussão.
Em 1940 é Tom Joad na inesquecivel adaptação de The Grapes of Wrath de John Steinbeck. O filme foi altamente censurado à época o que impediu Fonda de vencer o seu primeiro óscar. Só voltará a ser nomeado quarenta e um anos depois.
Trabalha com Lang de novo em The Return of Frank James e com Wellman em The Box-Ow Incident. É perfeito no seu terceiro filme com Ford, My Darling Clementine, como Wyatt Earp e volta a trabalhar com o realizador em Forte Apache e Mister Roberts. Acabada a união com Ford, enveredra pelo drama em War and Peace, passa pelas mãos de Hitchock em The Wrong Man e produz e representa de forma sublime 12 Angry Men. A sua presença nos palcos é constante e apesar de regressos ao cinema em filmes como Warlock, The Longest Day ou How the West Was On será em 1968, como vilão em Once Upon a Time in the West que Fonda volta ao seu melhor. Por essa altura corta relações com a polémica filha, Jane Fonda, e começa a sentir-se doente. Passa os anos 70 na televisão e em 1980 recebe um óscar honorário. Em 1981 junta-se a Khatarine Hepburn e à filha Jane Fonda, com quem faz as pazes, em On a Golden Pond. O filme é um relativo sucesso e já ás portas da morte torna-se o mais velho vencedor de um óscar, com 75 anos. Não consegue receber o óscar em Hollywood porque já está acamado. Nunca mais se irá levantar, morrendo nesse ano para tristeza de muitos amantes de cinema.
12 - BETTE DAVIS
(1908 - 1989)

Começou a representar numa era que fazia ainda a ponte das divas do mudo para as primeiras estrelas do sonoro. Não tinha a beleza e charme natural das grandes rivais da época, Garbo e Dietrich, e alimentou durante décadas uma rivalidade com Joan Crawford. No final de contas acabou por se perceber que Bette Davis é de facto um nome único na história de cinema, uma autêntica diva de Hollywood.
Depois de pequenas participações em vários filmes do inicio dos anos 30, Bettie Davis faz-se notar pela primeira vez em Of Human Bondage, filme que lhe vale uma nomeação ao óscar em 1934. No ano seguinte sai vencedora da cerimónia graças ao monstruoso desempenho em Dangerous. Segue-se a parceira com Leslie Howard e Humphrey Bogart em Petrified Forrest e em 1938 o seu segundo óscar por Jezebel, onde interpreta uma jovem menina mimada do sul. Com a vitória Davis tornava-se a mais séria candidata a ser Scarlett O´Hara, mas para sua raiva o papel foge para Vivien Leigh. A sua carreira continua de vento em poupa nos anos seguintes com magnificos desempenhos em Dark Victory, The Private Life of Elizabeth and Essex, The Letter e Little Foxes. Em 1942 consegue a sua sétima nomeação em dez anos de carreira por Now Voyager. Em 1944 novo "papelão", desta feita em Mr. Skeffington.
O papel da sua vida surge em 1950 no filme All About Eve. Um filme que poderia ter consagrado Davis como a primeira actriz a vencer três óscares, mas que acabou por se revelar um falhanço pessoal para Davis. Anos mais tarde a história ficcional tornar-se-á realidade em 1982 quando a actriz doente será substituida por Anne Baxter numa serie televisiva). A sua carreira estava afectada pelos problemas legais que mantinha com a Warner, de quem se queixava que não lhe davam os filmes que merecia, e os anos 50 serão uma catastrofe completa. Regressa em grande estilo em Whatever Happned to Baby Jane?, filme onde contracena com a rival de sempre, Joan Crawford, e que lhe vale a sua oitava nomeação ao óscar. Passa então para a televisão, chegando mesmo a ganhar um Emmy. Morre em 1989 após uma carreira com mais de uma centena de filmes e um leque de inesqueciveis performances.
11 - JACK LEMMON
(1925 - 2001)

Provavelmente um dos maiores actores de comédia de sempre (apesar de não ser um cómico como o eram Chaplin, Keaton, Groucho, Lewis ou Sellers), mas também capaz de desempenhos dramáticos assombrosos, Jack Lemmon é um icone de uma forma de fazer cinema que já não existe. Sempre capaz de brincar com os seus próprios defeitos - um pouco desengonçado, picuinhas, sem grande sentido de humor, resmungão - fez com Billy Wilder e Walter Matthau uma das melhores triplas de todos os tempos.
Começou a sua carreira em 1949 mas foi em 1955 no polémico Mr Roberts - o tal filme que acabou com a amizade de Ford e Fonda - que Jack Lemmon se destaca, vencendo de forma surpreendente um óscar. Era apenas o seu décimo filme.
Durante quatro anos anda perdido em papeis com que não se identifica até que em 1959 conhece Billy Wilder. O realizador junta-o a Tony Curtis e Marilyn Monroe e juntos criam a maior comédia da história do cinema, o inesquecivel Some Like it Hot. O filme consagra Lemmon como um actor popular e bem recebido pelos criticos mas o "furacão" Ben-Hur rouba-lhe o segundo óscar. No ano seguinte a dupla Wilder-Lemmon volta a ser bem sucedida, com uma serie de óscares por The Apartment. Em 1962 Lemmon experiementa pela primeira vez com sucesso o registo dramático em Day of Wine and Roses, que lhe valem uma quarta nomeação e o aplauso da critica. Em 1963 mais um filme com Shirley MacLaine e Billy Wilder, o irresistivel Irma la Douce.
Em 1965 a sua carreira sofre uma reviravolta. Conhece Walter Matthau e juntamente com ele criam uma das maiores duplas de sempre da história do cinema, com Billy Wilder por trás da camara. O primeiro filme em conjunto, The Fortune Cookie, dá o óscar a Mathau e cria uma empatia que nunca mais desaparecerá. The Odd Couple, baseado numa peça de Neil Simon consagra as personagens de Felix Unger e Oscar Madisson que irão recuperar por diversas vezes ao longo da carreira. Ainda com Matthau e Wilder faz The Front Page em 1974 e Buddy Buddy em 1981. Por essa altura Jack Lemmon já é um consagrado actor dramático. Conquistara o seu óscar como actor principal em 1973 no drama Save the Tiger, e voltaria a ser nomeado por três vezes por The China Syndrome, Tribute e Missing.
Nos anos 90 volta aos filmes com Walter Matthau em Grumpy Old Men e Grumpier Old Men. Antes já tinha passado por JFK e Glengarry Glen Rose. Em 1998 faz o seu último filme com Walter Matthau, The Odd Couple II, recuperando as personagens que o tinham imortalizado. Dois anos depois morre Matthau deixando Lemmon destroçado. O seu cancro só lhe permitirá viver mais um ano. Com a sua morte, o mundo perdeu uma das pessoas que mais o fez rir durante meio século.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:15 AM | Comentários (22)
Poster de Cars
Depois de um ano de ausência, a Pixar promete um regresso em grande para 2006.
Cars, que será a última parceria Disney-Pixar, conta a história de um carro de corrida que é retido numa pequena cidade do deserto americano que fica localizada mesmo à beira da estrada 66, a mais famosa do mundo. O filme é dirigido por John Lassater e tem as vozes de Owen Wilson, Paul Newman e Richard Petty.
A estreia está agendada para 30 de Junho e aqui podem ver o primeiro trailer.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:44 AM | Comentários (0)
novembro 16, 2005
Elizabethtown - A essência da vida!
Há uma imensa frescura em Elizabethtown. Na história, na dinâmica narrativa, na levez da câmara. Uma viagem à América profunda. Uma viagem de dúvidas, mas também de pretos e brancos. Uma viagem com uma banda sonora espantosa. Uma viagem para se aprender a viver!
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Cameron Crowe é aquele tipo de realizadores que aproveita todos os episódios da sua vida para os tornar cinematográficos. A sua experiência como estudante deu origem ao argumento de Fast Times at Ridgemont High. O seu passado como critico de música precoce estava na base de Almoust Famous. E Elizabethtown pega num episódio veridico da sua vida e parte para uma viagem que o próprio fez, e que nos convida a fazer com tamanha elegância, que se torna impossivel recusar o convite.
É impossivel não olhar para os últimos três filmes de Crowe para perceber a forma como se desenvolve Elizabethtown. Há a lembrança do fracasso de Vanilla Sky - metaforizado nas sapatilhas cujo o design tão audaz custou quase um bilião de dólares (são muitos milhões de facto) a uma empresa gerida por um excêntrico homem de negócios, muito bem encarnado por Alec Baldwin. Há a experiência de vida de Crowe - a morte do pai que o fez voltar ás raizes, e que mais tarde o levou a fazer uma road trip pela América, só ele e a sua música - como acontecia em Almoust Famous. E se nesse filme há o elogio da mãe, sempre pronta a apoiar as decisões do pequeno prodigio, aqui há o constante elogio a um pai desconhecido, mas omnipresente em todos os momentos do filme. E por fim há Jerry Maguire, essa grande obra que é recuperada aqui na sua verdadeira essência. Tal como Maguire, também Drew Baylor estava no topo e caiu para o fundo do poço. E foi aí que percebeu que o dinheiro, a fama, o sucesso, era demasiado relativo para constituir per si, um objectivo de vida. E se é no seu único jogador e na empregada que Maguire encontra a verdadeira razão de viver, aqui, Drew tem a felicidade de encontrar a mulher mais irritantemente perfeita que se poderia encontrar numa viagem para o Kentucky: Claire.

A grande virtude de Elizabethtown está, não na forma, mas sim no conteudo. Formalmente o filme não foge muito do esquema habitual. Tem algumas sequências muitissimo bem conseguidas (a sucessão de telefonemas de Drew, o discurso da sua mãe, Kirsten Dunst em qualquer cena, ...), sendo que as melhores cenas do filme parecem ter ficado guardadas para o fim (há pelo menos meia dúzia de cenas perfeitas para acabar o filme - o realizador escolheu uma delas).
É o conteudo, a história de desilusão que Drew vive, e que coincide com a morte do pai e o redescobrir de um mundo que lhe passou ao lado, um mundo - essa América profunda - que todos parecem desconhecer mas que continua a ter o seu peso - mas essencialmente, que possibilita o seu reencontro com a vida (praticamente personificada por Dunst, no seu melhor papel até hoje) que faz o filme valer a pena. Fosse só por isso, e estávamos diante de uma das melhores histórias do ano. Um filme capaz de fazer o depressivo reconciliar-se com a vida, os casais na iminência de terminarem a relação, durarem mais uns meses, um filme capaz de nos fazer sentir bem com a vida, e com nós próprios.
Os grandes problemas de Elizabethtown estão na forma. Nos cortes abruptos aqui e ali que evidenciam os problemas que Crowe teve de passar quando pela primeira vez estreou o filme em Toronto. A recepção fria da critica fez com que o realizador tivesse de amputar o filme quase em quarenta minutos, criando por vezes uma sensação de vazio. É praticamente esse pequeno grande pormenor que impede que o filme seja uma obra muitissimo boa, a todos os niveis, acabando por satisfazer plenamente, mas sem o algo mais que Crowe nos habituou em Jerry Maguire.

Em relação ao elenco do filme, há que apontar dois aspectos essenciais. Parece que Orlando Bloom encontrou finalmente o seu melhor registo. Longe das trilogias (Lord of the Rings, Pirates of the Caribean) ou dos épicos históricos, este parece ser o tipo de papel indicado para o jovem britânico. Bloom está à vontade com a sua personagem e isso dá-lhe um outro ânimo. É uma performance segura, estável, e com momentos verdadeiramente bem conseguidos. Já Kirsten Dunst é outro nivel. Pela primeira vez fica a ideia de que Dunst pode mesmo vir a ser uma grande actriz. Apesar de ter já uma carreira altamente produtiva, este é o seu melhor desempenho à data, talvez por ser o mais genuino. A sua personagem é de um idealismo e de uma magia impensáveis num filme de Crowe. E a actriz vive-a até ao limite, funcionando como catarsis para todos os momentos trágicos que não chegam a acontecer, muito porque ela está lá. Todos desejam ter a sua Claire. Até porque mulheres como ela não são faceis de encontrar. E o filme explora isso muitissimo bem.
Uma palavra final ainda para a música. Vários anos como jornalista na Rolling Stone fizeram de Cameron Crowe uma enciclopédia ambulante de música e ele explora, como ninguem, essa sua capacidade nos filmes. Em Elizabethtown supera-se, muito por culpa também da insistência de Dunst em apostar em Ryan Adams para fazer companhia a Tim e Jeff Buckley e a tantos outros nomes geniais que tornam a história mais fácil de seguir. Uma banda sonora digna de uma vida, uma banda sonora perfeita para um filme sobre a própria vida.

Resumindo e concluindo, a magia de Elizabethtown está na magia da própria vida. Na pureza dos sentimentos, nas dúvidas da condição humana, na forma como as pessoas se relaccionam. Está na forma natural e humana como Cameron Crowe encara os seus filmes. Está no olhar ternurento de Kirsten Dunst, nas dúvidas existenciais de Orlando Bloom. Está na voz de Ryan Adams. Está na estrada 60B. Está na América. Está dentro de nós.
Classificação - ![]()
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O Melhor - A banda sonora fabulosa que Cameron Crowe compilou. O espirito do filme e, claro, Kirsten Dunst.
O Pior - Os cortes que Crowe foi obrigado a fazer. São demasiado explicitos para serem ignorados.
Curiosidade - O filme baseia-se numa história veridica. A viagem de Drew foi também a viagem de Cameron Crowe, primeiro quando o pai morreu, e anos mais tarde, quando acompanhando a tour da banda de música da mulher, se lançou à estrada apenas com os seus cd´s e o vento.
Site Oficial - www.elizabethtown.com
Realizador - Cameron Crowe
Elenco - Orlando Bloom, Kirsten Dunst, Susan Sarandon, ...
Produtora - Paramount
Duração - 123 m
Classificação - m/12
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:37 PM | Comentários (2)
Opinião - Quando o actor salta para trás da camara
Quando o cinema começou não havia sistema, não havia indústria. Era tudo voluntarioso, feito com imaginação e com muita vontade de crescer. Os actores realizavam, os realizadores protagonizavam, e tudo seguia naturalmente o seu curso. Com o consagrar da indústria, os estúdios trataram de por tudo nos seus lugares. E assim foi durante longas décadas. Até ao momento em que os actores começaram a voltar atrás no tempo, sentando-se na cadeira sagrada do realizador...

Chaplin, Keaton, Renoir e tantos outros, nunca tiveram problemas em representar em realizar. Se os dois primeiros eram, antes de mais, actores, já o francês era um artista, que tanto sabia dirigir com mestria os seus filmes, como fazer uma perninha como actor, sem ficar muito atrás do resto do elenco "profissional". Mas estes nomes foram-se tornando uma raridade. Os estúdios nos anos 30 começaram definitivamente a estruturar a produção cinematográfica. A arte foi inclausurada em tabelas, horários e cargos. Os estúdios tinham os seus próprios realizadores, e iam empergando os mais talentosos, trocando o seu génio artistico nuns filmes, pela sua passagem por produções de estúdio noutros. E com essa rigidez toda, foi desaparecendo o espaço para os actores-realizadores. Orson Welles ainda tentou revitalizar o espirito - na Europa a situação era perfeitamente normal na época como é hoje - mas a sua megalomania (ou grandeza) revelou-se a sua perdição. E lá havia Hitchcock a aparecer em muitos dos filmes, não como actor, mas recuperando por breves instantes a ideia de que os realizadores não têm só de ficar sentados nas cadeiras a dar ordens. Também podiam voar!

E depois de anos e anos onde os casos de actores-realizadores se tornaram numa minoria gritante, eis que os anos 70 dão a volta ao cenário. Os movie-brats tinham tomado conta da indústria, e sem o saberem, estavam prestes a afundá-la. Hollywood estava entregue ás grandes corporações que iam comprando os despojos de um dos maiores impérios dentro do império americano e não havia salvação à vista. O público parecia divorciar-se do cinema dos movie-brats, condenando os seus mais ambiciosos projectos ao falhanço absoluto. Os blockbusters dos dois jovens mavericks mais aventureiros, Spielberg e Lucas, remavam contra a maré, mas era muito pouco. Quem iria salvar a indústria desta vez? Quem traria o cinema de novo para o coração do público. Ninguém pensou na resposta, mas ela estava mesmo ali. Exactamente, os próprios actores.
Quer na comédia, quer no drama, foram eles que voltaram a procurar dentro da alma dos moviemakers, a essência do cinema. E em pouco mais de uma década, alguns desses actores tornaram-se autênticas figuras de culto pela sua simplicidade e mestria com que encaravam o making de um filme.

A história é antiga mas recomeça nos anos 70. Recomeça com as piadas de Woody Allen, aquele seu jeito desengonçado e neurótico, à frente das camaras, que contrasta com a sua sobriedade e calma quando está sentado na cadeira de realizador. Essa mitica cadeira que Clint Eastwood sentiu pela primeira vez ainda era um dos "duros" do cinema. No inicio foi dificil convencer o mundo que ali estava um dos mais sóbrios e talentosos cineastas da história do cinema. Filmes como Bird, White Hunter Black Heart, Unforgiven, The Bridges of Madisson County, Perfect World, Mystic River ou Million Dollar Baby chegaram para lhe guardar um lugar na história como realizador. E em todos esses filmes (exceptuando Bird e Mystic River) a sua presença como actor foi sempre uma gigantesca mais valia para o filme. A prova viva de que é possivel por-se em prática dois misteres que muitos julgavam contraditórios.
E quem fala nestes dois génios, fala também do Robert Redford, que transformou o cinema independente em algo popular junto do grande público. Ou de Kevin Costner que, durante dez anos experimentou o céu e o inferno. Ou ainda Warren Beatty, esse inadaptado galanteador. E tantos, tantos outros. E hoje, quando se fala de George Clooney, de Tommy Lee Jones ou de Mel Gibson, temos de nos lembrar onde tudo começou. Hoje todo o actor quer realizar. Muitos não tiveram sucesso (Depp, De Niro, Washington...). Outros perceberam rapidamente que não eram actores e dedicaram-se a viver atrás da camara. Lembram-se da actriz Sofia Copolla? Ou das tentativas de representação de Spike Lee? Ou mesmo o jovem Ron Howard que percbeu cedo que representar não era com ele (para muitos, realizar também não)? Tudo nomes que, de uma forma ou de outra, fizeram história. Atrás ou à frente das camaras. Mas sempre com a mesma postura, a mesma sensibilidade!

Nomes!
A história faz-se de momentos, de eventos...mas principalmente de nomes! Entre os muitos que poderiam ter vingado, houve aqueles que de facto souberam-se impor, de uma maneira ou de outra, ao sistema, fazendo parte dele sim, mas sempre com um pé de fora. O pé da criatividade, da sobriedade, do criador artistico do qual nunca abdicaram. Desde Woody Allen a Clint Eastwood, foram inúmeros os casos de sucesso. Também houve os casos falhados, como em todo o lado, mas não chegaram para quebrar a corrente. A longo prazo os actores-realizadores ajudaram a manter a indústria de pé. Não são eles que a sustentam, que conseguem os grandes êxitos de bilheteiras Mas são capazes de fazer a ponte entre o público e a critica, a arte e a indústria. Trazem a pureza dos clássicos com a visão do presente, e nalguns casos, do próprio futuro. Trazem uma gramática cinematográfica simplificada, virada para as emoções interiores. Sem grandes explosões, choros ou perseguições. Mas com muito sentimento. Com vida!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:48 PM | Comentários (2)
As 50 Estrelas de Hollywood - 30º ao 21º lugar
Chegamos a meio da lista. Alguns dos grandes nomes já ficaram para trás. Muitos injustamente talvez, mas fica ainda por se saber o que a segunda metade da tabela nos reserva. As grandes "injustiças" começam a perceber-se aqui, para quem as encontra. Os outros, vai seguindo a lógica do raciocinio de escolhas. Aqui têm as estrelas do 30º ao 21º lugar...
30 - CHARLES CHAPLIN
(1889 - 1977)

A maior estrela do cinema mudo sem qualquer discussão. Chaplin foi um visionário. Soube aprender os truques do oficio com a estrela Max Linder mas utilizou-os de forma a atingir todos os públicos. A sua mais famosa criação, Charlot, ainda hoje é um icone inesquecivel.
O orfão britânico chegou a Hollywood em 1914. Meia dúzia de anos depois já era uma estrela. Ajuda a fundar o estúdio United Artits e populariza a comédia em Hollywood, tendo como rival directo o popular Buster Keaton. A sua vida intima torna-o num dos maiores colunáveis da época. Casa-se várias vezes, uma das quais com uma menor com 14 anos o que provoca imensa polémica. A sua passagem para detrás das camaras não tem o sucesso previsto e apesar da popularidade de Charlot, a verdade é que Chaplin se torna persona non grata em Hollywood. Com a chegada do sonoro não abandona a mudez da sua personagem e retira-se de Hollywood. Parte para a Europa depois de fazer de rajada quatro obras-primas. The Gold Rush, The Circus, City Lights e Modern Times. É em 1940 que se ouve pela primeira vez Chaplin em The Great Dictator. O filme é nomeado para os óscares mas há muito que o actor está em ruptura com a Academia depois desta lhe ter entregue um óscar honorário após retirar de competição as suas múltiplas nomeações por The Circus, que era o mais forte candidato a vencer a primeira edição dos óscares. Em 1847 volta a ser nomeado como argumentista por Monsieur Verdoux, aquele que é talvez o seu mais espantoso desempenho e é em 1952 que no filme Limelight Chaplin atinge a sua total maturidade como artista. O filme é espantoso, como seriam os dois últimos, A King in New York e The Contess of Hong Kong, ambos dirigidos por ele. Em 1971 Chaplin suspense o seu exilio voluntário na Suiça para receber um óscar honorário. No ano seguinte vence um óscar pela melhor banda sonora de...Limelight, um filme com vinte anos. A morte encontra-o em 1977, levando assim um dos maiores mitos da história da 7º Arte.
29 - BARBARA STANWYCK
(1907-1990)

Descoberta por Frank Capra com vinte anos, Barbara Stanwyck será sempre uma das grandes actrizes da era dourada de Hollywood. Não teve o prestigio e prémios de Joan Crawford ou Bette Davis, mas as suas performnces nunca estiveram longe das realizadas pelas suas rivais.
Em 1937 salta definitivamente para a ribalta em Stella Dallas, pelo qual é pela primeira nomeada aos óscares. Volta a trabalhar com Capra em Meet John Doe e nos anos 40 entrega-se ao cinema de Serie B onde brilha em filmes como Double Indemnity (terceira nomeação) de Billy Wilder que também tinha escrito o argumento de Ball of Fire que lhe dá um segunda nomeação em 1941.
O final de década é em alta com Sorry, Wrong Number, a sua última nomeação e um dos seus mais brilhantes desempenhos, e no inicio dos anos 50 encontramo-la em Clash By Night e Jeopardy. Hollywood ignora o seu talento e os anos 50 são passados em produções de segunda como Catlle Queen Montana. Em Forty Guns é reabilitada por Samuel Fuller - num majestoso primeiro plano - mas esse será o seu último grande papel. Troca o cinema pela televisão e acaba por falacer em 1990, vitima de uma falha cardiaca.
28 - MONTGOMERY CLIFT
(1920 - 1966)

Um dos mais belos actores de sempre, foi também um dos mais trágicos. Tinha a sensibilidade dos clássicos mas era capaz de transmitir com o olhar a mesma frustração e raiva que a geração dos jovens rebeldes que surgiu poucos anos depois da sua auspiciosa estreia em Red River. Nesse mesmo ano de 1948 consegue a sua primeira nomeação pelo seu desempenho em The Search.
No ano seguinte encontramo-lo em The Heiress mas é em 1951 que Montgomery Clift é definitivamente consagrado. Foi o ano do inesquecivel A Place in the Sun de George Stevens, um trabalho fabuloso que lhe valeu a sua segunda nomeação em três anos. Os três anos seguintes ficariam marcados pelo trabalho desenvolvido com dois "monstros" da realização, Vittoria de Sica (Stazione Termini) e Alfred Hitchcock (I Confess). Em 1953 é de novo nomeado aos óscares pelo papel de soldado amargurado em From Here to Eternity. Era a consagração final do seu talento. No entanto os anos 50 foram dificieis. O problema com o alcoolismo e as sucessivas doenças marcaram-no imenso, exteriormente mas também na sua cabeça. Talvez por isso a sua amargura em Suddenly Last Summer pareça tão real, naquele que é um dos seus mais espantosos desempenhos. Em 1961 entra ainda no gigantesco elenco de Judgment of Nuremberga e juntamente com Marilyn Monroe e Clark Gable é um dos inadaptados de John Houston em The Misfits. A sua beleza etérea começava a ser destruida, primeiro pela doença e depois por um acidente de automóvel que o desfigurou parcialmente. A sua homossexualidade marcava-o junto dos seus pares, e a sua dependência de alcool e drogas tornou-se cada vez maior. Foi encontrado morto no seu quarto a 23 de Julho de 1966.
27 - WILLIAM HOLDEN
(1918 - 1981)

Afirmou-se sempre como um duro, e os seus papeis eram coroados sempre com uma dose de cinismo que fazia de William Holden um actor único.
Estreou-se no cinema nos anos 30 mas foi a década de 50 que o confirmou como um actor de excepção. Em 1950 trabalha em Born Yeasterday como secundário, mas, essencialmente, protagoniza uma das obras-primas de Billy Wilder, o inesquecivel Sunset Boulevard. A partir desse filme o seu nome passa a ser respeitado e três anos depois, de novo com Wilder, conquista o óscar à segunda tentativa. O filme era Stalag 17, um cruel retrato sobre um campo de prisioneiros da 2º Guerra, e o papel de Holden é perfeito. Continuando com Wilder, o realizador que melhor o compreende, faz com Bogart a corte a Audrey Hepburn em Sabrina. Continuará a viver papeis mais românticos em Love is a Many Splendored Thing e Picnic. Em 1957 é o irreverente Shears em The Bridge over the River Kwai e no final da década trabalha com Wayne e Ford em The Horse Soldiers. Praticamente desaparece de circulação durante uma década, voltando em 1969 em estilo no filme Wild Bunch. Anda pelos filmes catastrofe em Towering Inferno e é nomeado mais uma vez ao óscar pelo seu papel como impiedoso executivo em Network. A sua irritação por ter perdido para o seu colega, o já falecido Peter Finch, marcam bem a sua imagem de irreverente. Fará ainda mais um filme com Wilder, Fedora, antes de se despedir com pouco brio em algumas produções menores. A morte encontrou-o em 1981 como resultado de uma queda. Inglória partida para um homem tão duro!
26 - JOHN WAYNE
(1907 - 1979)

The Duke, como ficou conhecido, é hoje um autêntico icone da América. Durante quarenta anos foi um dos homens mais duros e valentes do Mundo, admirado por tudo e por todos, desde Roosevelt a Stalin. A sua fibra, o seu caracter quase impoluto, a determinação e a forma como defendia os seus valores fizeram dele um homem altamente respeitado. Para além disso, foi o "rei" do genero western durante quase quatro décadas, atravessando gerações, mas mantendo sempre o mesmo estilo.
Começou como jogador de futebol americano mas John Ford convenceu-o a entrar nos seus filmes. Acabou por ser o sucessor de Tom Mix. Em 1939 no filme Stagecoach, com 32 anos, assume-se como uma verdadeira estrela. Já tinha 92 filmes no curriculo. Tornou-se imediatamente o actor oficial de Ford, o lider da sua troupe. Com ele faria alguns dos seus maiores papeis em filmes como Forte Apache ou Three Godfathers. Ainda nos anos 40 começou também a trabalhar com Howard Hawks, outro dos realizadores que melhor o soube utilizar. Foi para ele que em 1948 fez Red River.
Os anos 50 ficaram marcados pela trilogia da cavalaria de Ford (She Whore a Yellow Ribow, The Horse Soldiers e Rio Grande) e pelo gigantesco papel como Ethan Edwards na obra-prima de Ford The Searchers. Pelo meio ficam ainda filmes como The Quiet Man, The Wings of the Eagle ou Hondo. Antes tinha chegado a primeira nomeação ao óscar no filme The Sands of Iwo Jima, ele que sempre se dividiu entre o Velho Oeste e os cenários de guerra. Em 1959 mais um papel inesquecivel, desta feita para Hawks, em Rio Bravo. E três anos depois, agora de novo com Ford, vem The Man Who Shoot Liberty Valance. O óscar só chegará em 1969, quando ninguém esperava, por um papel, que no meio de todos estes, parece bem menor, em True Grit. Pelo meio tinha ficado a experiência fracassada como realizador em The Alamo. Em 1977 John Wayne dá o seu último show no filme The Shootist, encerrando a sua carreira com chave de ouro. Morrerá dois anos mais tarde, vitima de um cancro no estomago.
25 - ROBERT DE NIRO
(1943 - )

Se Wayne se tornou o rei do western, é dificil não olhar para Robert de Niro como o actor que melhor soube encarnar o espirito da máfia, essa organização criminal tão cinematográfica. Apesar de já ter mostrado o seu valor noutros papeis, é sempre a essa imagem de durão sem piedade que associamos de Niro.
Lançada por Scorsese - de quem será actor fetiche durante mais de vinte anos - em Mean Streats, é consagrado no ano seguinte ao viver Vitto Corleone, a mesma personagem que Brando criara de forma única dois anos antes, em The Godfather II. Apesar de só falar italiano durante o filme, recebeu o óscar de melhor actor secundário à primeira tentativa. Dois anos depois e nova nomeação pelo seu desempenho explosivo como Travis Bickle em Taxi Driver. O seu ecletismo começa a evidenciar-se nesse mesmo ano ao trabalhar com Gerard Depardieu no épico de Bertolucci, 1900. Volta a Scorsese para fazer New York, New York e trabalha com outro movie-brat, Michael Cimino, em The Deer Hunter. Passa depois dois anos a preparar-se para encarnar o complexo Jack La Motta e dá um dos mais fortes desempenhos de sempre em Raging Bull. O óscar surge com naturalidade fazendo do jovem de Brooklyn o mais bem sucedido actor da sua geração (a mesma de Nicholson, Pacino e Hoffman é preciso não esquecer). Continua fiel a Scorsese e entra no flop que acaba por ser The King of Comedy onde contracena com Jerry Lewis e volta ao cinema europeu para fazer The Mission. Pelo meio tinha ficado Once Upon a Time In America de Leone. Foi um inesqucivel Al Capone em The Untouchables e a fechar os anos 80 filma Goodfellas e Awekenings. Pelo primeiro consagrar-se-á definitivamente como actor de filmes sobre a Máfia. Com o segundo ganha a sua sexta nomeação ao óscar. Nomeação que repete no ano seguinte ao revisitar o papel já vivido por Robert Mitchum em Cape Fear.
A partir daí a sua carreira acalma. Volta a brilhar com Scorsese em Casino já em 1995 e trabalha com Tarantino em Jackie Brown. Pelo meio ficam Wag the Dog e Heat. Com uma filmografia impar, de Niro começa a satirizar-se e entra no universo da comédia, primeiro com Billy Cristal e depois com Ben Stiller. Prepara-se agora para dirigir o seu terceiro filme, The Good Shepard.
24 - SPENCER TRACY
(1900 - 1967)

Foi um dos nomes mais populares dos anos 30, conseguindo um feito que demoraria cinquenta e cinco anos a ser quebrado. A sua carreira ficou ainda marcada pela relação extra-matrimonial que teve com Katharine Hepburn, ele que era um ferveroso católico, mas que encontrou nela a sua alma gémea.
A sua estreia no cinema surgiu aos 30 anos com uma serie de pequenos papeis em produções dos inicios dos anos 30. Em Up the River começa a fazer o seu nome brilhar mas é em 1936 que se confirma como um actor de excelência em Fury de Fritz Lang. Nesse mesmo ano é nomeado ao óscar pelo seu papel em San Francisco.
Os dois anos seguintes seriam os melhores da sua carreira. Venceria dois óscares consecutivos - algo que só Tom Hanks conseguiu igualar em 1994 - por Captain Courageus e Boy´s Town - e conheceu Katharine Hepburn, sua companheira até à morte.
Em 1940 trabalha com King Vidor em Northwest Passage, um filme violentissimo onde todo o seu talento vem ao de cima, e os anos 40 ficam marcados pela dupla Spencer-Hepburn em Woman of the Year, Pat and Mike, mas acima de tudo, em Adam´s Rib. No ano seguinte nova nomeação por Father of the Bride, e os anos 50 mostraram-se altamente benéficos para a sua carreira com mais duas nomeações, pelos desempenhos em Bad Day at the Black Rock e The Old Man and the Sea. Longe das grandes produções, Tracy fazia do mais pequeno filme uma verdadeira obra imperdivel. É o que acontece em 1960 com Inherit the Wind. Nomeado por The Judgement of Nuremberga, os anos 60 são já de despedida. Velho, cansado, bastante doente, Tracy tem apenas forças para mais uma aventura ao lado de Hepburn e Sidney Poitier. Guess Who´s Coming to Dinner ajudou a quebrar tabus e valeu-lhe a nona nomeação. Mas Tracy não chegou a ver o filme. Morreu nas vesperas de acabarem as rodagens do filmem, vitima de mesma doença que o vinha atormentado à anos, a diabetes.
23 - JOAN CRAWFORD
(1904 - 1977)

De temperamento facilmente irritável, capaz do melhor e do pior, rival eterna de Bettie Davis, a carreira de Joan Crawford teve tanto de polémica como de cinema. Acusada de ir para os castings com os produtores e realizadores vestida com um casaco e nada mais por baixo, de ter tido uma rápida mas fulgurante carreira na indústria porno underground, Joan Crawford está longe de ser uma estrela consensual. Mas é uma actriz de altissimo nivel.
Começou a sua carreira na época do mudo e foi das poucas actrizes que conseguiu sobreviver ao dificil teste do "sonoro". Em Grand Hotel faz parte de um elenco de estrelas, mas uma guerra com a vedeta Garbo quase faz com que seja substituida. Como vingança, toca bem alto os discos de Dietrich no seu camarim para Garbo ouvir. Passa os anos 30 em pequenos papeis e tenta ser - como toda a gente - Scarlett O´Hara, mas sem sucesso. Em 1945 arranca uma performance explosiva em Mildried Pierce e vence o óscar. Nessa altura já existia uma rivalidade quase mortal com Bettie Davis. Em 1950, quando Davis estava nomeada pelo seu papel em All About Eve, era a Joan Crawford que cabia receber a estatueta por qualquer uma das quatro outras nomeadas ausentes, se Davis não ganhasse. Foi o que aconteceu e em palco o sorriso de Crawford era triunfal. Antes disso já tinha falhado o segundo óscar em 1947 pelo seu papel em Possessed. Sudden Fear é a sua terceira nomeação mas é como Vienna no inesquecivel Johnny Guittar que o seu nome ganha contornos de verdadeira estrela.
Em 1962 as duas eternas rivais, Davis e Crawford, dividem o ecrãn no inesquecivel Whatever Happened to Babby Jane. Com ambas as actrizes a tentarem constantemente superar-se, o filme é um marco histórico e uma verdadeira reliquia. Será também o último grande papel de Crawford que passa o resto da sua carreira despercebida, antes de falecer em 1977, vitima de cancro.
22 - BURT LANCASTER
(1913-1994)

Tentaram catalogá-lo apenas como "mais um duro" no inicio da sua carreira. Custou livrar-se do rótulo, mas assim que o conseguiu, Burt Lancaster provou ao mundo que era de facto um dos maiores e mais majestosos actores da história do cinema.
A sua fama de duro vem dos seus primeiros papeis nos anos 40. Repara-se nele pela primeira vez em Come Back Little Sheba, drama que valeu o óscar a Shirley Both, mas onde Lancaster é soberbo como um alcoolico a tentar superar o vicio. No ano seguinte a consagração no grande vencedor do ano, From Here to Eternity, que lhe vale igualmente a primeira nomeação ao óscar. Em The Rose Tattoo divide o ecrãn com a diva italiana Sophia Loren. A sua presença em filmes europeus ou filmes com estrelas europeias será uma constante, fazendo dele um actor altamente apreciado na Europa. The Rainmaker, Gunfith at the O.K. Corral e Sweet Smell of Sucess marcam o final dos anos 50. No primeiro ano da década seguinte chega o seu mais aclamado desempenho no filme Elmer Gantry de Richard Brooks. Papel que lhe permite arrecadar o óscar e confirmar os seus dotes de actor dramático. Como todos os actores na moda, entra em The Judgement of Nuremberga, mas é no filme The Birdman of Alcatraz que volta a encantar tudo e todos, conseguindo a terceira nomeação. Em 1965 faz o papel de uma vida no filme de Luchino Visconti Il Gattopardo, onde contracena com Claudia Cardinalli e Alain Delon. Voltará a encontrar o actor francês no notável Scorpio, já nos anos 70, onde volta também à Europa para fazer 1900. O inicio dos anos 80 ficam marcado por Atlantic City USA, o seu último papel premiado, a sua quarta nomeação ao óscar, e a última vez em que se exibiu ao seu melhor nivel. Até falecer, em 1993 continuará a trabalhar, na Europa e em Hollywood, em pequenas produções.
21 - CARY GRANT
(1904-1986)

É provavelmente o actor mais charmoso da história do cinema. Não é por acaso que foi nele em que Ian Fleming pensou ao escrever James Bond. O actor esteve mesmo para viver a personagem, não fosse já a sua avançada idade. Um charme e um talento impares, que ao serviço de alguns dos maiores realizadores de sempre, fizeram dele uma estrela de altissimo nivel.
Britânico, como não podia deixar de ser, começou a carreira no inicio dos anos 30. Foi no universo das screwballs que vieram os seus primeiros grandes sucessos. Em 1936 contracena pela primeira vez com Katherine Hepburn em Sylvia Scarlett. Em sete anos voltará a faze-lo em Bringing Up Baby e The Philadelphia Story, dois dos seus melhores trabalhos. Pelo meio fica The Awful Truth - filme de Leo McCarrey - e Only Angels Have Wings de Howard Hawks. Em 1941 é a vez de trabalhar com Frank Capra em Arsenic and Old Laces. Nesse mesmo ano inaugura a sua longa parceria com Hitchcock - a par de James Stewart, é o seu actor preferido - no filme Suspicion. O seu lado mais negro é visto pela primeira vez em None But the Lonely Heart, notável desempenho num filme pequeno mas cheio de magia que lhe valeu a segunda e última nomeação ao óscar. Entretanto já tinha chegado a primeira nomeação ao óscar por Penny Serenade, filme de George Stevens onde volta a contracenar com Irene Dunne, sua parceira de muitos screwballs dos anos 30. Em Notorious, volta a reunir-se com Hitchcock, filmando com Bergman um dos beijos mais conhecidos da história do cinema.
I Was a Male War Bride fecha os anos 40 com chave de ouro para Grant que entra na década de 50 como um actor veterano e consagrado. Em 1952 volta ás comédias com Ginger Rogers no filme Monkey Business e três anos depois faz o seu terceiro filme com "o mestre do suspense"; To Catch a Thief. Em 1959 é o heroi de Hitchcock pela última vez em North By Northwest, consagrando-se agora como actor de acção. Durante os anos 60 decide retirar-se. Rejeita o papel de 007 e faz uma última aparição em estilo no filme Charade. Morrerá em 1986, depois de vinte anos sem fazer um único filme, mas continuando a estar na memória de todos os amantes de cinema.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:10 AM | Comentários (7)
O Que Estreia Por Cá - O Céu Não Caiu sobre a Disney
Depois de anos em que o cinema de animação parecia ser propriedade da Pixar e dos estúdios Dreamworks, eis que finalmente a Disney dá um ar de sua graça, provando que os históricos estúdios de animação ainda estão vivos. Chicken Little é imaginativo, divertido e veio para conquistar todos os públicos...

Há muitos e bons anos que a Disney não se assume na vanguarda do cinema de animação. Ultrapassada pela sua própria subsidiária, a Pixar, e também pela Dreamworks, os estúdios criados nos anos 20 por Walt Disney atravessm claramente uma das maiores crises da sua história. E por isso nunca tiveram tanta necessidade de um sucesso de bilheteira e de critica.
Chicken Litlle foi esse milagre que a histórica companhia estava à espera. A história de um pequeno e irreverente pinto que lança o boato do final do mundo, que acaba por se revelar verdadeiro depois de todos os ostracizarem por terem-no como um mentiroso, é uma premissa que mistura histórias infantis (Pedro e o Lobo por exemplo) com o sentido de acção que o cinema de animação agora preconiza. O jovem pinto vai tentar recuperar a sua imagem salvando o mundo com os seus amigos, depois do céu lhe ter caido em cima, algo que ele tinha anunciado que iria acontecer mas que ninguém realmente acreditou, nem ele mesmo.
Com vozes de Zach Braff, Joan Cusack ou Garry Marshall, o filme foi um dos campeões de bilheteiras no Outono norte-americano e agora chega à Europa pronto para fazer estragos.

Seis filmes estreiam também esta semana nas salas portuguesas.
The Bridge of San Luis Rey é a adaptação do romance homónimo do autor norte-americano Thornton Wilder galardoado no final dos anos 20 com um Pulitzer. A história de cinco viajantes que acabam mortos ao cairem de uma ponte suspensa na longinquo Peru, e da investigação que tem por objectivo provar que aquelas mortes foram tudo menos um acidente, e que há algo escondido que unia estes viajantes tão diferentes, é o tema do filme de Mary McGukian. O elenco, esse, é de luxo. Robert de Niro, Gabriel Byrne, Harvey Keitel, Kathy Bates ou F. Murray Abraham, apenas para citar os nomes mais sonantes.

Rize é a estreia no documentarismo de um dos maiores fotografos da actualidade, David LaChapelle. O autor deslocou-se até ás ruas de Los Angeles para observar melhor a cultura de krumping, uma corrente que surgiu após os últimos motins na cidade e que tenta captivar os jovens através da música, dança e de pinturas, afastando-os assim dos gangs que controlam muitos dos bairros da "cidade dos Anjos".

O mundo do supercross é retratado em Supercross. Dois irmãos tentam desafiar todos os limites para se superarem um ao outro, mas também para esquecer a lembrança da morte misterioso do seu pai. Filme de Steve Boyum com Cameron Richardson, Mike Vogel e Steven Howey.

Deuce Bigalow: European Gigolo volta a colocar Rob Schneider na pele de um pouco convencional gigolo. Agora a visitar a Europa, Deuce tem de entrar em contacto com a cultura e as mulheres europeias. Humor fisico, bem ao estilo de Schneider, e mulheres e situações surreais neste filme de Mike Bigelow.

Depois do sucesso de Spring, Summer, Autumn, Winter...Spring, o realizador sul-coreano Kim Ki-Duk está de regresso com Bin-Jip. Um jovem vai vivendo de casa em casa, sempre que os donos estão ausentes. Não rouba nada e um dia entra em contacto com um casal pouco feliz. Apaixona-se pela mulher, que sofre ás mãos do marido, mas tenta fugir de uma relação a que sabe estar condenado. Mas a felicidade não parece estar para acontecer nas suas vidas quando ambos se deparam com a raiva do marido. Filme com Lee-Seon Yeong e Lee Hyun-Kikoo.

Manô é dirigido por George Felner que também protagoniza este filme extremamente imaginativo. Quando um antigo estúdio de cinema é marcado para ser destruido, uma personagem de uma antiga dupla cómica dos anos 20 recusa-se a desaparecer debaixo dos escombros. Ganha vida e passeia pelo mundo, apesar de ser ainda feito de celuloide e a preto e branco. Uma jovem fotógrafa fica fascinada pela personagem mas o seu lugar não é neste mundo. No elenco estão também Adelaide de Sousa e Diogo Infante.

O Hollywood Recomenda - Depois dos documentários de Herzog e Jacquet, mais um documentário chega ás salas nacionais. Dirigido pelo fotógrafo "das estrelas", Rize fala de um mundo estranho para nós mas que explora bem o outro lado da América.
O Hollywood Desaconselha - O humor de Rob Schneider consegue atingir niveis bastante interessantes, mas a sua personagem Deuce Bigolow é demasiado má para ser verdade.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:17 AM | Comentários (0)
Revisão nas Classificações
A propósito de Elizabethtown - cuja review estará disponivel brevemente - o Hollywood decidiu mudar um ponto na sua linha editorial. Até hoje as classificações eram de 1 a 5 estrelas, sem pontos intermédios. Isso levou a muitos filmes chegassem a quatro e cinco estrelas, quando na verdade eram filmes que ficavam na linha intermédia. A ideia era que, em caso de dúvida, optava-se pela nota mais alta, um pouco segundo o que defendiam os Cahiers du Cinema.
Ora Elizabethtown não é um filme de quatro estrelas - tem alguns pontos fracos que o impedem - mas também é bom de mais para ser um filme de três. Sendo assim, a partir de hoje, o Hollywood utilizará a "meia estrela", para caracterizar situações como esta. Um processo muito comum noutras publicações, escritas ou online, e que agora chega ao Hollywood para ficar.
Como resultado desta mudança, as classificações dos filmes que sofreram até hoje o facto dessa "meia estrela" não existir, vão ser alteradas para uma total harmonização do conteúdo.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:38 AM | Comentários (0)
Mais imagens de Basic Instint 2
Depois do poster e da primeira imagem de Sharon Stone como Catherine Tremmell, foram disponibilizadas novas imagens de Basic Instint : Risk Addiction.
O filme segue a vida da já nossa conhecida serial-killer, que agora está em Londres onde irá travar relações com um homem - David Morrisey - que desconhece o seu passado. Mas com o passar do tempo a sua verdadeira faceta irá revelar-se. Pelo meio fica a dúvida se voltará a haver o famoso descruzar de pernas ou cenas tão escaldantes como as do primeiro filme. Afinal Sharon Stone já está na casa dos quarenta e o filme precisa desesperadamente de um chamariz para não se tornar num dos grandes flops do próximo ano.
Até lá aqui ficam mais imagens da sedutora serial-killer.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:05 AM | Comentários (1)
novembro 15, 2005
Scorsese em português
O realizador Martin Scorsese já decidiu qual será o seu próximo projecto. Depois dos óscares falhados de The Aviator e do filme The Departed - que acabou agora de ser rodado - o realizador nova-iorquina quer fazer Silence.
O projecto estava há dez anos na gaveta do realizador e a história conta como os missionários portugueses no Japão tentaram difundir a fé cristã a uma cultura milenar que acaba por persegui-los, e eventualmente, por fechar o Japão a estrangeiros durante os próximos séculos.
O filme não tem ainda elenco definido e só após a estreia de The Departed - a acontecer em meados do próximo ano - é que Scorsese voltará definitivamente as atenções para este seu novo projecto.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:10 PM | Comentários (5)
As 50 Estrelas de Hollywood - 40º ao 31º lugar
Depois da lista começar é quase impossivel parar. A partir do momento em que se define o limite da lista, os nomes que compõem a sua base, fica mais fácil saber os nomes que estão à sua frente. O problema a partir de agora começa a ser a ordem desses nomes, sempre criticável, mas justificável pelo facto de serem nomes de épocas diferentes, com impactos diferentes na história do cinema. Os senhores e senhoras do 40º ao 31º posto seguem dentro de momentos...
40 - NATALIE WOOD
(1938-1981)

Foi a menina bonita dos anos 60. Entrou em alguns dos mais emblemáticos filmes da década e afirmou-se imediatamente como uma grande actriz em potência, isto apesar de já ser presença assidua nos filmes desde os sete anos de idade.
Foi em 1961 que o talento de Natalie Wood saltou à vista. A jovem já tinha surgido ao lado de James Dean em Rebel Without a Cause ou em The Searchers, causando grande impressão, mas foi graças a dois desempenhos nesse ano que o seu nome se elevou para as estrelas. Primeiro no poderoso drama Splendor in the Grass e por fim no grande campeão de prémios do ano, o musical West Side Story, onde curiosamente era dobrada pela também actriz Rita Moreno. Com o sucesso dos seus desempenhos Wood tornou-se na queridinha de muitos realizadores. Até ao final dos anos 60 entrou em filmes como em Love With a Proper Stranger, This Property is Condemned ou ainda em Inside Daisy Clover. Os anos 70 foram quase um oásis para a rebelde actriz e a morte iria encontrá-la demasiado cedo. Um acidente misterioso em 1981 - Natalie Wood caiu ao mar e morreu afogada quando passava uns dias em alto mar com o marido, Robert Wagner, e Christopher Walken - roubou-nos uma notável actriz e uma das grandes estrelas de Hollywood.
39 - JODIE FOSTER
(1962 - )

É um dos casos mais gritantes de talento precoce. Foster aos três anos já entrava em filmes e foi como uma jovem "lolita" que se foi afirmando na indústria. Foi em 1974 que Martin Scorsese a escolheu para ser a "Musa" de Robert de Niro em Taxi Driver. A partir daí a sua carreira entrou numa espiral ascendente, tornando-a na jovem actriz mais bem sucedida de Hollywood. Até aos 20 anos entrou ainda em filmes de sucesso como Bugsy Malone ou Foxes. De repente Foster deixa o cinema. Talento precoce, a jovem era também uma sobredotada na escola e decidiu primeiro acabar o seu doutoramento e só depois voltar ao mundo da sétima arte. E quando regressou, foi em grande.
Estavamos em 1988 e o seu papel explosivo em The Accused, onde encarna uma mulher violada que procura justiça, deixou meio mundo do boca aberta. E o óscar foi-lhe entregue. Depois de uma segunda pausa, Foster voltou num thriller ambicioso. Inesperadamente voltou a conquistar o óscar, o segundo da sua carreira, ainda não tinha 30 anos. O filme era The Silence of the Lambs e confirmou-a como uma poderosissima actriz dramática. Algo que foi rapidamente confirmado nos seus papeis seguintes em Nell, Summersby ou Contact. Foi então que surgiu a polémica à volta da sua homossexualidade e uma terceira pausa na carreira. Foster está a regressar aos poucos agora, mas sem o sucesso dos seus anteriores come-backs. Mas mesmo assim é uma das grandes actrizes da história de Hollywood.
38 - DENZEL WASHINGTON
(1954 - )

É o mais bem sucedido actor de raça negra de sempre. Um feito que Washington estaria longe de imaginar quando deu os seus primeiros passos no cinema. Hoje, com dois óscares da Academia - o único membro de uma minoria étnica a consegui-lo - é uma verdadeira instituição, um actor respeitado não só na sua comunidade como em todo o Mundo.
Apesar dos primeiros passos no cinema terem chegado no inicio dos anos 80, foi no final da década que duas nomeações ao óscar de melhor actor secundário lançaram o alerta para o seu talento. Em Cry Freedom foi Steven Bicko, um dos herois da resistência ao Apartheid. Em Glory viveu algumas das cenas mais intensas de um filme sobre racismo, guerra e libertação pessoal. E chegou o primeiro óscar e com ele abriram-se as portas de Hollywood. Foi então que Washington encontra Spike Lee, realizador com quem irá trabalhar em Mo´Better Blues, mais um notável desempenho. Os anos 90 são de altissimo nivel. Malcolm X, The Pelican Brief, Philadelphia e The Hurricane são apenas os melhores exemplos do seu gigantesco talento. Será no entanto como o policia mais politicamente incorrecto desde os dias de Dirty Harry que Washington finalmente vence o óscar de melhor actor principal. Depois do triunfo em Training Day uma breve pausa na carreira para filmes menos ambiciosos e agora o regresso de Denzel está a ser de novo orquestrado por Spike Lee no filme The Insider.
37 - DANIEL DAY-LEWIS
(1957 - )

O cinema corre nas veias de Day-Lewis mas a verdade é que ele não nasceu para ser um actor profissional. Prova-o o seu caracter e a sua vida errante, um verdadeiro alternativo a sistema de produção. Mas como esquecer os seus papeis mais miticos, verdadeiras pérolas cinematográficas?
Foi com dois jovens realizadores britânicos em ascensão, em 1985, que Daniel Day-Lewis começou a dar nas vistas. Em My Beautifful Laundrette, filme de Frears, a personagem homossexual de Day-Lewis era verdadeiramente espantosa. Tal como o actor o foi no filme de James Ivory A Room With a View. Quando quatro anos depois conquista o óscar pelo filme My Left Foot, estava confirmado que ali estava um dos maiores actores britânicos dos últimos anos.
No entanto o seu estilo de vida errante vai mante-lo parado durante largos periodos de temp. Em 1993 regressa brilhantemente com In the Name of the Father e The Age of Innocence mas só em 1997 é que o actor volta em estilo no filme The Boxeur. Nova ausência até que Scorsese o convida para Gangs of New York. Desempenho soberbo mas a Academia nega-lhe o segundo óscar. Day-Lewis diz que deixa definitivamente Hollywood e de lá para cá tem sido visto em pequenas produções, mas com o carisma que se lhe conhece.
36 - JEREMY IRONS
(1948 - )

Pouco habituado a grandes produções, o nome de Jeremy Irons é imediatamente associado a personagens complexas e altamente cativantes. Um talento que é melhor explorado por realizadores fora da corrente do mainstream, como prova bem a sua carreira.
Irons começa nos palcos londrinos e daí salta para o grande ecrãn nos anos 70. É no filme The Mission de 1985 que se consagra definitivamente como um dos mais interessantes actores do momento, algo que vai confirmar por inteiro em 1988 no seu duplo desempenho em Dead Ringers de David Cronenberg. Em 1990 chega o óscar, de forma repentina mas inteiramente merecida, pelo seu desempenho em Reversal of Fortune. A carreira está consagrada e os anos seguintes são dedicados a projectos menos sucedidos como Kafka ou The House of Spirits.
Depois de filmes mais alternativos como Stealing Beauty ou o remake de Lolita, Irons afasta-se progressivamente de Hollywood, tendo pequenos papeis secundários em filmes britânicos como The Merchant of Venice ou Being Julia. Com Kingdom of Heaven testemunhamos o seu regresso à ribalta ele que já tem vários projectos anunciados para os próximos anos, uma noticia que certamente agradará aos imensos admiradores que o seu talento foi conquistando em meias de trinta anos de carreira.
35 - MORGAN FREEMAN
(1937 - )

O mundo demorou a reparar em Morgan Freeman. Antes tarde do que nunca. Nos últimos vinte e cinco anos o actor afirmou-se como um dos maiores nomes da sua geração, um verdadeiro gigante da arte de representar. Só este ano a confirmação foi "oficializada" com o óscar, mas de Freeman já se ouve falar há algum tempo.
Nos anos 60 começa a trabalhar no cinema e na televisão mas é a década de 80 que o confirma definitivamente. Em 1987 no filme Street Smart consegue uma surpreendente e merecida nomeação aos óscares e afirma-se como o actor negro de maior projecção. Imediatamente a seguir entra em Glory - filme que consagra o seu amigo Washington - e em Driving Miss Daisy, onde perde o óscar de principal para Day-Lewis.
Os anos 90 ficam marcados por desempenhos memoráveis. Em 1992 está ao lado de Clint Eastwood no multi-premiado The Unforgiven. Seguem-se The Shawshank Redemption e Se7en que o tornam um dos actores mais populares do mundo. Entretanto passo os anos seguintes em produções menores e regressa em 2004 no filme Million Dollar Baby em grande estilo, conquistando o já merecido óscar. A sua voz é de tal forma espantosa que foi contratado para a narração do documentário March of the Emperor e é hoje um dos rostos e vozes mais facilmente reconheciveis em todo o Mundo.
34 - MICHAEL CAINE
(1933 - )

Teve dificuldades em se impor aos nomes maiores da sua geração. Não era nenhum Richard Burton, Peter O´Toole ou Albert Finney e por isso foi dificil impor-se como um working class hero no cinema britânico dos anos 50 e 60. Seria no entanto ao encarnar uma dessas personagens tão comuns em Alfie que o seu nome saltaria para a ribalta. O desempenho valeu-lhe uma nomeação ao óscar e o seu nome ficou definitivament estabelecido. Caine seria mesmo um dos poucos actores a conseguir uma nomeação por cada década de trabalho, algo ao alcance de muito poucos.
Depois de se afirmar no cinema britânico com o seu inesquecivel desempenho em Sleuth, ao lado do gigante Laurence Olivier, o jovem Caine tenta a sua sorte em Hollywood. Vai ter dificuldade em entrar em grandes produções e será em California Suite que volta a destacar-se, já no final da década. Os anos 80 trazem um Caine amadurecido e multi-premiado pelo seu desempenho em Hannah and Her Sisters, o mais melodramático filme e Woody Allen. Nova nomeação por Educating Rita e a sua carreira entra num periodo de estagnação. É já como veterano no final dos anos 90 que voltam os papeis de destaque e o segundo óscar em Cider House Rules. Habituado agora a papeis secundários, é com surpresa que consegue a sua terceira nomeação como principal em The Quiet American, três anos depois. Hoje Michael Caine é uma referência para todos os amantes do cinema. Nunca chegou ao nivel dos dois nomes maiores da sua geração, mas acabou por ir bem mais longe do que se prespectivava no inicio da sua carreira.
33 - SEAN PENN
(1960 - )

O seu feitio irritante para muitos, as suas posições politicas e o seu low profile tornaram-no numa especie de "anti-estrela". Mas o seu talento é indesmentivel, sendo provavelmente o segundo maior actor de toda a sua geração, o que já é dizer bem do seu valor.
Sean Penn começou a surgir em comédias nos anos 80, mas não era esse definitivamente o seu meio. É no drama policial State of Grace que consegue o seu primeiro grande desempenho, tornando-o num nome a seguir atentamente pelos estúdios. Trabalha com Al Pacino em Carlito´s Way e salta para a ribalta definitivamente em Dead Man Walking. A sua nomeação ao óscar foi polémica, mas a vitória não chegou a acontecer. Seria a primeira de quatro até hoje. Ao longo dos anos 90 o actor vai-se estabelecendo definitivamente como um dos maiores, trabalhando com Malick em The Thin Red Line ou Woody Allen em Sweet and Lowdown, filme que lhe vale uma segunda nomeação. É já neste século que Penn se afirma definitivamente com uma mão cheia de notáveis desempenhos. Em I Am Sam fica perto de conquistar o ansiado óscar mas será 2003 o seu maior ano de sempre com dois desempenhos dignos da vitória. Seria por Mystic River e não por 21 Grams que o óscar iria parar ás suas mãos. Depois do triunfo continuou a trabalhar ao seu melhor nivel como o provam bem The Assassination of Richard Nixon, The Interpreter e All the Kings Man. Apesar da polémica que o seu nome levanta, o seu valor é inquestionável. Sean Penn é uma das grandes estrelas de Hollywood.
32 - VIVEN LEIGH
(1913 - 1967)

O seu ar frágil mas de caracter determinado fizeram dela uma das mais fascinantes actrizes de sempre. O seu casamento com Laurence Olivier ajudaram a criar um dos casais mais emblemáticos da história do cinema e os seus mais famosos desempenhos tornaram-na numa "Musa" para muitas jovens actrizes.
Vivien Leigh começou a sua carreira nos anos 30 e o seu quarto filme, Fire Over England, fez dela um dos nomes mais aplaudidos do ano. No casting para se tornar Scarlett O´Hara de Gone With the Wind ultrapassou as maiores actrizes do seu tempo e deu ao mundo um desempenho memorável, vencendo o óscar com toda a justiça. No entanto, problemas de saude e o azedar da sua relação com Olivier foram-na afastando do grande ecrãn, onde voltou pontualmente durante os anos 40 para papeis que nunca tiveram o impacto esperado. Foi em 1951 que a actriz consegue o seu mais brilhante come back, ao ser Blanche de Bouis em A Streetcar Named Desire. O sucesso do seu papel praticamente ofoscou a rising star Marlon Brando e valeu-lhe o segundo óscar, tornando-a numa das poucas actrizes a deter o registo perfeito de duas nomeações e duas vitórias.
Até ao final da sua carreira Leigh só entrará em mais três filmes, mas o último, Ship of Fools é inesquecivel graças ao seu autêntico tour de force, que confirmaram até para os mais cépticos, que ela era uma das grandes actrizes da história do cinema. Faleceu em 1967, vitima de uma tuberculose crónica, ela que tinha sido sempre perseguida por uma frágil saúde que a impediram muitas vezes de voar ainda mais alto.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:55 PM | Comentários (8)
Problemas com o banner
Pedimos desculpa pelo súbito desaparecimento do novo banner do Hollywood. Encontramos alguns problemas com o armazenamento da imagem no site Photobucket e enquanto procuramos resolver o problema a imagem estará fora de visualização. Alguma solução intermédia será encontrada até ao problema ficar totalmente resolvido.
Até lá o nosso pedido de desculpas!
Miguel Lourenço Pereira

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:08 PM | Comentários (0)
novembro 14, 2005
Antevisão - Memoirs of a Gueisha
Um drama profundo num país que caminha para o precipicio sem o saber. O Japão do pré-guerra é o cenário para a competição de duas gueishas pelo poder e amor de um homem. Atravessam tempos inesqueciveis mas ainda não o sabem. Quando o perceberem será tarde demais. Memórias de mulheres de outros tempos...

Dirigido por Rob Marshall, este Memoirs of a Gueisha é a adaptaçõ do romance homónimo de Arthur Golden. O pano de fundo é o Japão da primeira metade do século passado e a acção segue uma jovem que é escolhida para se tornar numa gueisha. Vestigios de uma era que parece já distante, as gueishas eram as mulheres mais belas, cultas e sociáveis do Japão imperial. Acompanhantes, amantes dos grandes homens do reino, conseguiam transformar a sua influência em poder e eram por isso uma verdadeira elite. O processo de como uma dessas jovens se torna na mais requisitada gueisha do reino é o pano de gundo da primeira fase do filme. A segunda fase diz respeito à forma como a jovem se integra numa sociedade que, sem o saber, caminhava a passos largos para o precipicio que se revelou ser a 2º Guerra Mundial.
Dois dramas num só, num espaço criado com o minuciosismo dos japoneses num filme dirigido por um habituado a coreografias perfeitas, e produzido por um dos grandes perfeccionistas de Hollywood, o inevitável Steven Spielberg.
Memoirs of a Gueisha não deixa de ser uma incógnita. Ainda muito pouca gente viu o filme e por isso não há verdadeiramente ecos reais do que está por detrás desta adaptação. Os trailers são convincenes, os test-screenings também o foram, mas a incógnita mantem-se: o que é este Memoirs de facto?

Uma das particularidades do filme, produzido e realizador por norte-americanos, é o facto do seu elenco ser oriental. Uma história contada à americana - o romance é de um norte-americano - mas que visa retratar na perfeição uma sociedade e uma cultura bem distantes da nossa. E curioso será ver como Hollywood vai receber um filme só com actores estrangeiros. Zhang Zihy, Michelle Yeoh, Gong Li e Ken Watanabe já são conhecidos doutros projectos, mas ainda não deram provas num drama falado em inglês e com um ritmo completamente diferente dos filmes chineses e japoneses. Aliás o facto de serem actrizes chineses a viver as miticas gueishas japonesas - dois mundos completamente diferentes - causou bastante polémica, algo que já parece estar ultrapassado mas que pode ter deixado as suas marcas.
A própria competição interna promete não ser pacifica. Zhang Zyhi é a estrela imergente do cinema asiático mas Michelle Yeoh e Gong Li já levam uns anos disto e vão querer o máximo protagonismo possivel no filme que será a afirmação - ou talvez não - do cinema asiático nos Estados Unidos. E só por isso a sua importância transcende a de um mero drama como poderia ser Memoirs of a Gueisha noutra conjuntura.

O filme, que estreia a 9 de Dezembro nos Estados Unidos, é a grande aposta da Columbia aos óscares. E percebesse. Tem potencial para conquistar mais nomeações que qualquer outro projecto. É um dos filmes que pode ter melhor resultados no box-office. E pode ajudar a revelar um sem número de actores de uma indústria em expansão e com uma crescente penetração no mercado norte-americano. Mas as incógnitas continuam. O filme decidiu não aparecer em nenhum festival apesar de já estar pronto há algum tempo. Quer aproveitar o último dia de nomeação para os Globos para surpreender. O público norte-americano será o primeiro juiz do filme, mas o papel dos criticos será fundamental. Rob Marshall nunca conquistou a critica com o seu Chicago, apesar dos óscares. Mas com Spielberg ao leme e numa época em que as minorias se começam a impor, Memoirs of a Gueisha tem tudo para ser um dos filmes do ano.
O QUE SE DIZ
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:31 PM | Comentários (1)
As 50 Estrelas de Hollywood - 50º ao 41º lugar
Todas as listas são conhecidas pelo seu inicio, pelos nomes que ficaram no topo. Mas qualquer lista que se faça começa sempre pelo fim. Não se trata apenas de arrumar a casa. Por vezes esta é a parte mais dificil de fazer numa lista, já que estamos no limbo entre aqueles que entraram no top e os muitos gigantes que ficaram de fora.
Escolhas que têm de ser feitas. Senhoras e senhores, os dez nomes que abrem a lista As 50 Estrelas de Hollywood são...
50 - GENE TIERNEY
(1920-1991)

Uma das grandes divas dos anos 40 e 50, Gene Tierney foi uma actriz que marcou a geração de ouro do cinema de Hollywood. Começou a despontar em Heavan Can Wait de Ernst Lubitsch, mas seria com Otto Preminger que conseguiria o seu mais famoso desempenho em Laura. Estavamos em 1944. A sua beleza e pose dianta da camara transformaram-na numa das actrizes mais populares da época e depois dos seus papeis em Leave Her to Heaven e The Ghost and Mrs Muir foi igualmente aclamada pela critica. Com uma conturbada vida romantica, Tierney nunca foi feliz fora do seu habitat natural, o estúdio, e quando a sua carreira entrou em declineo a actriz deixou-se derrotar por múltiplas depressões. Viria a falecer em 1991, vitima de um enfisema, mas já há 26 anos que não fazia um filme.
49 - SEAN CONNERY
(1930 - )

Foi o primeiro James Bond e isso já chegava para o colocar num lugar de destaque da história do cinema. O actor escocês popularizou o sedutor 007 de tal forma que ainda hoje é considerado como o mais perfeito dos Bonds. Com medo de ficar demasiado preso à personagem abandonou-a nos anos 70 para se dedicar a papeis mais dramáticos. The Who Would Be King e The Name of the Rose consagraram-no como um dos mais talentosos actores da sua geração. Venceria o seu único óscar até hoje em 1987 como secundário no filme The Untouchables. A partir daí tornou-se num dos actores mais respeitados do Mundo. Apesar de praticamente ter deixado os papeis principais, teve participações de alto nivel em filmes como The Rock ou Finding Forrest, filmes que também produziu. É ainda hoje considerado um dos homens mais sexys do mundo e vai ser premiado em 2006 pela American Film Institute pelos serviços prestados à indústria cinematográfica.
48 - MARLENE DIETRICH
(1901-1992)

Uma das primeiras grandes estrelas do cinema. Chegou aos Estados Unidos nos anos 30 depois de uma década de 20 onde despontou como a grande diva do cinema alemão. Consagrada no filme Der Blaue Engel, a jovem actriz explode verdadeiramente no filme Morroco. Estavamos em 1930. Nos anos seguintes papeis em filmes como Blond Venus, The Scarlett Empress ou Shangai Express tornaram-na num caso de grande sucesso. A sua rivalidade com Greta Garbo era histórica. Com a actriz sueca a abandonar o cinema, Dietrich também passou nos anos 40 por dificuldades. Outros tempos onde a outrara grandiosa alemã já parecia não ter lugar. A Foreign Affair, Ranch Notorius e Witness For the Prosecution trataram de provar que a grandeza de Marlene ainda se mantinha, e o seu pequeno papel em The Touch of Evil de Orson Welles funcionou como um coroar perfeito de uma grande carreira. Nos anos 60 deixou o cinema e veria a falacer em 1992.
47 - JOHNNY DEPP
(1963 - )

Com 42 anos Johnny Depp é já uma das maiores estrelas da história do cinema. Uma carreira de mais de vinte e cinco anos coroada com desempenhos absolutamente notáveis, fizeram deste jovem "parte-corações" da serie 21st Jump Street num verdadeiro icone.
Depp explode verdadeiramente em Edward Schissorhands. Seria aliás com Tim Burton que o actor conseguiria os mais espantosos desempenhos, repetindo a parceria mais três vezes: Ed Wood, Sleepy Hollow e Charlie and the Chocolate Factory.
Os anos 90 serviram para Depp se consagrar como um idolo para os mais jovens com papeis em filmes como D. Juan, Blow ou ainda Donnie Brasco, ou ainda como menino bonito da critica graças o seu poder de "transformação" nos filmes Fear and Loathing in Las Vegas ou The Brave, que também realizou e onde voltou a contracenar com o seu idolo e amigo, Marlon Brando.
Os últimos anos têm servido para consagrar definitivamente a imagem de Depp. Duas nomeações consecutivas aos óscares, pelos notáveis desempenhos em The Pirates of the Caribean e Finding Neverland e um estatuto invejável, fazem dele uma autêntica lenda viva.
46 - WALTER BRENNAN
(1894-1974)

É o maior actor secundário na história do cinema e só isso já é digno de lhe valer um lugar nesta lista. Mas mais do que as suas inesqueciveis personagens, Walter Brennan fica para a história como um actor como já não se faz. De vilão a herói, de velho resmungão a "tio perfeito", Brennan fazia todo o tipo de papeis.
Começou a sua carreira como actor em 1925 e fez mais de 200 filmes. O primeiro a fazer dele um nome a reter foi Fury de Fritz Lang. Mas seria com Howard Hawks que o actor conseguiria os seus mais inesqueciveis desempenhos. To Have and Have Not ou Rio Bravo são apenas os exemplos mais faceis de encontrar. Pelo meio ficaram os três óscares como melhor actor secundário entre 1936 e 1940 nos filmes em Kentucky, Come and Get It e The Westerner. O actor seria ainda nomeado por Sargeant York em 1941 mas não voltaria a ganhar. Mas durante mais vinte anos encheu as salas com personagens inesqueciveis que fizeram dele um nome hoje escrito a letras de ouro.
45 - MAGGIE SMITH
(1934 - )

Começou a brilhar como actriz de teatro e a verdade é que demorou a despontar como uma das maiores actrizes britânicas de sempre no grande ecrãn. The V.I.P.´s abriu a sua estreia na 7º arte, estavamos em 1963, e dois anos depois Maggie Smith já era nomeada aos óscares pela sua interpretação como Desdémona em Othelo. Não venceu dessa vez mas quatro anos depois, em The Prime of Miss Jean Brody, a experiente actriz consegue a sua primeira vitória. Smith voltará a ser nomeada quatro vezes e em 1978 chega o segundo óscar no filme California Suite. Pelo meio ficou o inesquecivel Travels With My Aunt.
Os anos 80 ficaram marcados por filmes como A Room With a View. Seria já no final dos anos 90 que o seu nome voltaria à ribalta. Primeiro em Gosford Park, onde consegue a última nomeação aos óscares, e depois pelo seu papel como McGonagall na saga cinematográfica de Harry Potter.
44 - GRETA GARBO
(1905-1990)

Uma cara inesquecivel. Uma maneira de sofrer que seria imitada até à exaustão pelas gerações vindouras. "Estou farta!" dizia durante Grand Hotel. E a verdade é que sempre esteve. Garbo não nasceu para o cinema apesar de ter sido durante quinze anos uma das suas maiores estrelas.
Começou a sua carreira na Suécia em filmes menores e no final dos anos 20 o seu papel em Anna Christie foi suficiente para a levar até Hollywood. Tratada como uma autêntica divindade, Garbo nunca se habituou ao star-system de Hollywood. A sua polémica relação com John Gilbert também não ajudava e os papeis pareciam estar sempre abaixo das suas reais potencialidades. Mesmo assim houve Mata Hari, Grand Hotel, Camille, Anna Karenina e Ninotchka. Este último seria a sua última grande presença em cena. Com apenas 35 anos, na flor da idade, ainda detentora de toda a sua invejável beleza e talento, Garbo retira-se. Ficou o mito e a dúvida sobre o que teria sido o seu futuro se continuasse a representar. Mas nos anos em que se dedicou ao cinema, Garbo foi uma das mais cintilantes estrelas de Hollywood.
43 - RUSSELL CROWE
(1964 - )

De temperamento intempestivo, talvez demasiado rebelde para os dias que correm, Russell Crowe é um homem fora do sistema que este recruta constantemente, conseguindo retirar o melhor que há dentro deste actor australiano. E de facto os últimos dez anos provaram que Crowe é uma das estrelas da sua geração.
Depois de uma passagem pelo cinema australiano, Crowe partiu em 1992 para Hollywood. Eram os dias de Romper Stoomper e The Quick and the Death, filmes que já davam bem a noção do estilo da futura estrela.
É no entanto em 1997 que Crowe explode verdadeiramente no filme L.A. Confidential. A partir daí a sua carreira sob vertiginosamente. Dois anos depois é nomeado ao óscar pelo seu contido papel em The Insider, transformando por completo a sua imagem de briguento. É no entanto como general romano transformado em escravo no filme The Gladiator que Crowe conquista o óscar, afirmando-se como um dos nomes maiores dos nossos dias. O terceiro ano consecutivo como nomeado chega com A Beautiful Mind. A vitória do filme em várias categorias não foi suficiente para Crowe bisar no óscar. Chateado com o sistema, o actor afasta-se para a Austrália. Mas será por pouco tempo. Volta em Master and Commander e Cinderella Man e continua a exibir todos os dotes que o consagraram. Resta saber se o seu caracter intempestivo poderá vir a prejudicar (mais) a sua carreira, ou se o melhor de Crowe ainda está para vir.
42 - JAMES MASON
(1909-1984)

O mais popular actor britânico da sua geração hoje, mas extremamente subvalorizado à época. A Mason faltou muito do carisma que Laurence Olivier tinha fora de cena para se consagrar como aconteceu com Alec Guiness, seu contemporâneo.
A sua estreia no cinema britânico sucede à sua vasta experiência nos palcos londrinos. É nos anos 40 que chega a Hollywood mas o filme que o vai afirmar definitivamente data de 1953. Depois do sucesso de Five Fingers, Mason passa a ter mais papeis de destaque. É aí que surgem A Star is Born ou Bigger than Life, papeis inesqueciveis que o confirmaram como um dos grandes da sua geração. Antes disso tinha em Julius Caeser conseguido um dos mais inesqueciveis desempenhos como actor shakesperiano no grande ecrãn. Mostrando bem a sua versatilidade, foi o vilão com mais glamour da filmografia hitchockiana em North By Northwest. Em Lolita voltou a explorar a sua capacidade para viver personagens perturbadas e acabou por entrar na maior parte dos épicos falhados dos anos 60. Continuaria a estar presente como actor secundário em diversas produções sendo nomeado aos óscares pela terceira vez em 1982 no filme The Veredict. Morria dois anos depois depois de quase 150 filmes em cinquenta anos de carreira.
41 - GROUCHO MARX
(1980-1977)

Os irmãos até eram 5, mas nenhum deles atingiu o nivel e o talento de Groucho Marx.
Com o seu inesquecivel bigode, o charuto sempre perto dos lábios, um movimento de corpo impressionante e um sentido de humor negro como nunca se tinha visto até então, Groucho está ao nivel de outros gigantes do cinema de comédia da primeira metade do século. Aliás, talvez seja apenas superado por Chaplin, ele que preferia as suas falas corrosivas aos sapateados do britânico. Nunca arriscou uma carreira a solo, por perceber que o seu potencial estava intimamente ligado ao estilo de filmes que desenvolveu com os irmãos. The Cocconaut, A Night at the Opera, In the Circus ou A Day at the Races foram talvez as maiores obras-primas que protagonizou, assumindo-se como uma estrela mordaz e sem igual. Com o final dos Irmãos Marx os seus poucos projectos "solitários" falharam em protagonismo mas confirmaram todo o seu talento. Percebendo que o seu tempo tinha passado, Groucho retira-se nos anos 50, vindo a morrer em 1977, numa altura em que todos os comediantes viviam para o imitar, a ele e não aos seus rivais dos anos 30. Uma ironia digna de Groucho.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:00 AM | Comentários (10)
novembro 13, 2005
Aquelas Frases...
"The name is Bond. James Bond!"

in Dr. No
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:29 AM | Comentários (0)
As 50 Estrelas do Cinema de Hollywood
Uma lista vale sempre pelo que vale. São normalmente resultado do cruzar de opiniões, de ideias, de momentos. Definir um top qualquer é sempre dificil. Fica sempre alguém de fora, há sempre alguém mais sobrevalorizado e outros que ficam lá para trás sem muitos perceberem bem porquê. São os riscos das listas, já diria Nick Hornby.
Definir as 50 Estrelas do cinema feito em Hollywood - incluindo os actores de lingua inglesa e não apenas os norte-americanos - é voltar ao passado e olhar para cem anos de história do cinema. É lembrar os momentosm mais marcantes e mágicos da história. É rever Brando em Streetcar Named Desire, lembrar Stewart em It´s a Wonderful Life ou imaginar mais um gag de Charles Chaplin. Porque apesar das estrelas terem o seu próprio glamour, não há estrelas sem talento. Esta definição de "estrelas" para muitos pode passar apenas pelo "showbiz". Aqui no Hollywood os cinquenta nomes são, antes de mais, os cinquenta maiores actores da história de Hollywood. Porque não há dúvida nenhuma que todos eles são estrelas.
Vai haver surpresas, vai haver contestação, vamos ouvir apupos e aplausos. Porque as listas são assim mesmo. Valem o que valem. Mas para nós, esta lista vale muito. Significa resumir a paixão do cinema em cinquenta nomes. Significa ordenar nomes que são também as estrelas do céu cintilante de todos os cinéfilos.
É por isso um exercicio apaixonante. Está por isso aberta a contagem. Abram alas, o hall of fame vai começar a encher. Vêm ai as grandes estrelas!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:48 AM | Comentários (2)
CineTuga agora está EmCena.com
O portal CineTuga era um dos locais obrigatórios no espaço da Internet dedicado ao cinema em lingua portuguesa. Um espaço que vivia essencialmente de um fórum, gerido admiravelmente por Luis Paulo Dobreira, onde se discutia de tudo um pouco, sendo igualmente um local privilegiado para a afirmação de novos criticos e novos cineastas. O CineTuga continua a ser esse local de referência apesar de já não existir sob esse nome. Ele agora está Em Cena.
O Em Cena é o passo seguinte do projecto iniciado por Luis Paulo Dobreira, a abertura do que começou por ser um excelente forum de cinema para um portal verdadeiramente ambicioso. Noticias, criticas, trailers, passatempos, tudo isto com um design arrojado, fazem do Em Cena um digno rival dos nossos maiores websites.
Aqui fica o convite para a visitar a mais um espaço interessantissimo.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:22 AM | Comentários (0)
novembro 12, 2005
As 50 Maiores Estrelas, segundo a Premiere!
A revista norte-americana Premiere decidiu eleger as 50 maiores estrelas de sempre do cinema. Uma lista polémica. O primeiro posto pertence a Cary Grant e Marilyn Monroe e Tom Cruise fecham o pódio. Também no top50 estão nomes surpreendentes como Will Smith, Peter Sellers, Nicole Kidman ou Doris Day, notando-se claramente a ausência de nomes como Dustin Hoffman ou Charles Chaplin.
De qualquer forma aqui têm a lista para consultar.

O Hollywood, seguindo o exemplo da Premiere, vai igualmente debruçar-se sobre os 50 maiores nomes do cinema norte-americano e europeu. As ausências na lista da Premiere parecem-nos demasiado graves para passarem sem qualquer critica e por isso a partir de amanhã poderão conhecer aqueles que para o Hollywood são os cinquenta maiores nomes do cinema em lingua inglesa (norte-americanos e britânicos, por uma questão de lógica) e ainda uma votação para os cinquenta maiores nomes do cinema europeu. Fiquem atentos!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:40 PM | Comentários (1)
Mais um para Johansson
Scarlett Johansson é provavelmente a actriz mais requisitada do momento. Este ano já estreou três filmes (Match Point, The Island e A Good Woman). Está a acabar de filmar Scoop com o seu novo mentor, Woody Allen, e já acabou a rodagem de Black Dahlia, o novo filme de Brian de Palma. Pelo meio ficou a confirmação de que a actriz será Lucrécia Bórgia e protagonarizá Amazon e The Secret Life of Walter Mitty. Como se isso não chegasse, há mais!
A jovem actriz vai agora protagonizar o novo projecto da Weisntein Co. O filme - The Nanny Diaries - foi adaptado por Robert Pulcini e Shari Springer-Berman, os mesmos autores do aclamado American Splendor. O original é da autora Emma McLaughlin. O filme conta a história de uma ama que toma conta de um jovem de quatro anos, filho de um casal onde o pai é uma figura ausente e a mãe não se parece preocupar muito com o próprio filho.
O drama poderá vir a ser rodado já em 2006 ou poderá ficar á espera que a actriz acabe os outros projectos em agenda primeiro, já que ainda não há qualquer ordem de produção dos próximos filmes de Johansson.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:25 PM | Comentários (1)
CANTOS DO MUNDO - ÁFRICA
"Eu sou daquela terra que é cheia de crianças, e que de idade ainda tenra já são cheias de más lembranças, eu sou daquela terra de gente generosa, que de tanto esperar, já têm a esperança idosa... eu sou daquela terra que é como uma mãe já velha e acabada, que deve ser mais amada” Para não dizerem que plagiei, o original é de um cantor angolano chamado Alberto Teta Lando.

Pois é amigos, sou o Edson Macedo e vivo em Luanda. Natural da província de Malange, vim como muitos para Luanda devido também à questão da guerra e depois de ter passado uns bons e maus tempos pelas FAPLA (o exército governamental antes das eleições), constituí família, desenvolvi-me profissionalmente e cá estou em Luanda, trabalhando como designer publicitário e realizando e apresentando um programa de rádio sobre uma das minhas paixões que é o cinema.
O cinema angolano, depois de vários anos reapareceu com três obras, felizmente reconhecidas a nível mundial em alguns dos mais prestigiados eventos cinematográficos.

Na Cidade Vazia de Maria João Ganga, foi muito bem recebido no festival de cinema de Milão, conseguindo o prémio do público e ainda em Haia na Holanda, apesar de ter sido convidado a participar em muitos outros certames de cinema incluindo o MOMA em Nova Iorque, no início deste ano.
O Herói de Zezé Gambôa foi escolhido como o melhor filme de língua estrangeira no Festival de Robert Redford, Sundance.
O Comboio da Canhoca conquistou um prémio no novíssimo festival de cinema da CPLP recentemente realizado no Brasil e que promete voltar as atenções para a produção cinematográfica dos países de língua portuguesa.

Os benefícios destes prémios conquistados por essas produções angolanas, garantiram já a vinda ao nosso país de eminentes figuras do mundo do cinema, em especial do Brasil e da França em busca de parcerias para a concretização de projectos na área da 7ª arte.
Felizmente, e graças a esse “apetite” de se vir investir no país, foi reabilitado com o apoio e/ou parceria da Lusomundo, uma sala de cinema na cidade de Luanda que vai proporcionando a todos a possibilidade de ver filmes recentes, como é lógico uns melhores que outros.
Antes, e precisamente desde 1987, a cidade de Luanda (capital do país) e por arrasto o resto da nação, ficou SEM salas de cinema. Acreditem ou não, o que sabemos e vemos de cinema, só aconteceu ao longo de todos estes anos, graças ao número elevado de clubes de vídeo. Todos eles, sem excepção, sempre tiveram filmes novos (antes em K7 e agora em DVD) de todos géneros e estilos, o que nos possibilitou de estar por dentro da sétima arte, apesar de entre 3 a 6 meses depois do lançamento dos filmes.
O mercado do vídeo é tão procurado que existe em Luanda um clube de vídeo só e apenas evangélico.
O cinema mundial é possível ser acompanhado ainda graças à Lusomundo através dos canais Lusomundo Premium e Lusomundo Gallery, por fazerem parte do pacote de canais da Multichoice, serviço de Tv Paga.
É lógico que associado a tudo isso temos hoje a Internet que também facilita e ajuda.
Ainda assim, apesar do descaso das autoridades no que concerne aos audiovisuais, Angola continua aberta às parcerias para voltar a produzir filmes e os distribuir pelo mundo.
Os prémios conquistados, estão felizmente a obrigar que as pessoas de “dinheiro” invistam também nos cinemas, tanto que já se vislumbram obras em outras 4 salas de cinema além de provavelmente uma igreja vir a devolver a sala que ocupa, ao mesmo tempo em que já foi tornado público a construção de um Shopping Centre que entre outras coisas terá também 8 salas de cinema.
Assim, e como dizia o poeta maior da nação Angola, Dr. António Agostinho Neto, “havemos de voltar”.
Até breve
Edson Macedo
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:54 PM | Comentários (1)
novembro 11, 2005
In Her Shoes - Clichés só para mulheres
Há histórias que merecem ser contadas. Outras que nem tanto. In Her Shoes vive no limbo. Por vezes sentimos algo que justifica a nossa presença naquela sala escura. Há empatia, há emoção, há interesse. Mas por outro lado, o filme também consegue descambar para uma monotonia insuportável. No final, é sempre a má imagem que sobrevive!
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Há quem pergunte o que aconteceu a Curtis Hanson?
Depois da obra-prima que é L.A. Confidential o realizador desapareceu. Ou melhor, descambou. Houve 8 Mile, a pseudo-biografia que Eminem quis fazer de si próprio. Não resultou. Como também não resultou Wonder Boys apesar do elenco interessante. A expectativa à volta de In Her Shoes não era tão alta como teria sido se o filme fosse rodado há cinco anos atrás, mas ainda assim esperava-se algo mais do que um simples "chick flick". Esse algo mais nunca apareceu. Hanson, tão intenso e capaz de transmitir emoções e de fazer vibrar a audiência no seu grande êxito de 1997, parece estar completamente perdido. Filma á toa, num tom academista sem qualquer rasgo de imaginação. O argumento já em si é demasiado vago - há mil e uma maneiras de filmar esta história, e certamente esta não é a melhor - mas Hanson contribui em não conseguir soltar as amarras em que o filme se prendeu. O resultado final não é desastroso, nada disso. É apenas monótono, cansativo, aborrecido, o que para um realizador pode ser igualmente terrivel.

O principal problema de In Her Shoes é a dificuldade em passar a mensagem de que esta história é relevante a ponto de dar um filme. Duas irmãs, tão diferentes mas insperaveis, mal conseguem viver em conjunto. Um dia o verniz estala quando a irresponsável irmã mais nova deita-se, por vingança, com o namorado da irmã. Aí os seus mundos separam-se. A irmã mais velha abandona a respeitável profissão de advogada numa firma de sucesso e passa a passear cães para ocupar o dia, enquanto que encontra um antigo colega de trabalho, já há muito apaixonado por ela, com quem começa uma relação que rapidamente leva ao noivado. Já a outra irmã vai visitar a avó que achava que tinha morrido - tudo isto joga com a morte trágica da mãe das jovens - que tenta recuperar uma relação que nunca teve, incutindo ao mesmo tempo algum sentido de responsabilidade à imatura rapariga. Reviravoltas previsiveis, encontro de irmãs, afinal está tudo bem, há o casamento e isto é In Her Shoes.
Confessamos que com um outro elenco a coisa talvez pegasse. Mas por muito que Toni Collete seja realista e esforçada, e Shirley McLaine seja um verdadeiro monstro da representação, capaz de ter, numa expressão mais força emotiva que as duas irmãs juntas em todo o filme, a verdade é que a aposta central em Cameron Diaz é uma catástrofe.
Diaz nunca foi actriz. Teve uns papeis onde jogava bem com a figura de menina bonita com corpo atraente mas nunca fez verdadeiramente de actriz. E quando lhe pediram para o fazer, fez mal. Salva-se Any Given Sunday de Oliver Stone, mas isso é muito pouco para uma "actriz" que já leva 10 anos de Hollywood. Ela devia ter fucnionado como o motor da história, como a personagem que agarra o público. O seu efeito é o oposto. Ela é desastrosa, entrega o filme de mão beijada a Collete - que ainda não tem estofo para aguentar um filme sozinha - e estraga o pouco de bom que podia vir de um argumento tão fraquinho.

Apesar de um ambiente aprazivel a meio do filme, o inicio e o final são demasiado feitos de chavões para se tornarem realmente crediveis. A imaginação que permite ao filme ter bastantes pontos de interesse ao longo do periodo em que as irmãs estão separadas, desaparece sempre que ambas estão juntas. E não fosse Shirley McLaine, e o filme não teria verdadeiramente um rasgo de interpretação.
No final de contas In Her Shoes pode ser eficaz para o tal público de "chick flick". Mas numa visão mais abrangente, é um filme com demasiadas falhas para convencer. A sua virtude é nunca comprometer. Mas essa falta de ousadia acaba por ser também a sua principal falha. Ninguém gosta de andar com sapatos um número abaixo.
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O Melhor- A presença em cena de Shirley McLaine. Um notável desempenho de uma das maiores actrizes de sempre.
O Pior - Cameron Diaz e a total falta de imaginação de Curtis Hanson.
Curiosidade - Numa das cenas a autora do livro em que Hanson se inspirou para In Her Shoes aparece num pequeno cameo.
Site Oficial - www.inhershoesmovie.com
Realizador - Curtis Hanson
Elenco - Cameron Diaz, Toni Collete, Shirley McLaine, ...
Produtora - 20th Century Fox
Duração - 130 m
Classificação - m/12
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:52 PM | Comentários (1)
Oscarwatching - Definem-se favoritos
O primeiro trailer de Munich ajudou a esclarecer as dúvidas. O filme de Steven Spielberg é um retrato intimista e bastante negro dos ataques terroristas de Setembro de 72, com uma contenção emocional tremenda e uma narratia bem montada. Depois de meses de rumores, agora chega a confirmação. Será muito dificil destronar Munich da lista dos grandes favoritos do ano. A questão continua a ser: quem são os outros?

O jornal L.A. Times lançou um portal especial dedicado aos prémios do ano. O The Envelope abriu assim a competição com outros sites (Oscarwatch, Movie City News), mas foram os blogs dos criticos norte-americanos que estiveram mais animados esta semana, começando a listar os favoritos, quando muitos deles ainda não estrearam nos Estados Unidos.
Apesar da boa estreia no box-office, Jarhead parece ser uma carta fora do baralho. Criticas pouco positivas e falta de uma apreciação colectiva ao filme podem ter arrasado as hipóteses de Sam Mendes e do seu elenco. Pelo contrário, os screening tests de Memoirs of a Gueisha confirmam que este será um dos filmes com mais nomeações, já que em quase todas as categorias apresenta um sólido e interessante trabalho técnico. Rob Marshall pode conseguir a sua segunda nomeação e há a hipótese de uma tripla (ou mesmo quádrupla) nomeação de actores asiáticos.
Atrás de Munich e Memoirs devemos encontrar Walk the Line. O filme tem arrasado corações nos festivais, especialmente graças ao seu elenco, e a apreciação até agora tem sido bastante positivo. As últimas vagas serão uma luta entre pequenos filmes contra grandes produções, das quais ainda pouco se sabe. Ou seja, há Good Night and Good Luck., Brokeback Mountain, The Constant Gardener, Crash ou Capote a lutarem directamente contra Cinderella Man, The Producers, Oliver Twist, King Kong ou The New World.
Continua a haver muitas incógnitas nesta fase apesar dos filmes de George Clooney e de Ang Lee continuarem a ser altamente cotados. Cinderella Man tem conhecido uma recente vaga de apoio que pode mesmo servir para ressuscitar o filme, e Crash poderá ser a grande surpresa do ano.
De qualquer forma Munich continua a ser o rival a bater. Se o filme estiver pronto a tempo de ser visto pela HFPA as nomeações aos Globos estarão garantidas. E num ano em que os nomeados da Academia só serão conhecidos depois de serem anunciados os vencedores dos Globos, a importância desses prémios será tremenda.

Na sempre interessante luta pelo óscar de Melhor Filme Animado, este ano não há Pixar. Mas não faz mal. A luta promete ser titânica e há mais candidatos que vagas disponiveis, o que promete muita emoção para o dia em que serão anunciadas as nomeações. Confirmando o seu potencial, o filme da Disney Chicken Little abriu com uns impressionantes 40 milhões de dolares no primeiro fim de semana de exibição. Coloca-se assim lado a lado com Wallace and Gromit - um dos filmes mais amados do ano - como o grande favorito à cerimónia. Mas atrás destes dois há os trabalhos artisticos de Tim Burton e Hayo Miazaki, também eles fortissimos candidatos. E para além de The Corpse Bride e Howl´s Moving Castle, é preciso contar com Madagascar e o poder que a Dreamworks tem nesta área. Para os estúdios da Dreamworks falhar o óscar num ano em que não há Pixar (Cars já é o favorito para o próximo ano) será bastante negativo.

A polémica à volta de George Clooney continua. Depois do The Envelope ter anunciado - precipitadamente - que George Clooney afinal ia lutar por um lugar no lote de secundários pelo seu papel em Syriana, foi preciso Kris Tapley quebrar o erro colectivo em que a imprensa americana se tinha enfiado. Clooney vai mesmo fazer campanha pelo óscar de melhor actor, apesar de ser já também conhecido que o actor poderá desistir de lutar pela nomeação se vir que isso prejudica a candidatura do actor principal do seu filme, David Straiharn.
Quem também está em alta é Keira Knightley. A actriz tem recebido óptimas reviews pelo seu desempenho em Pride and Prejudice, e depois de Keaton ter abandonado a corrida, as vagas na luta pelo óscar de melhor actriz estão abertas. Knightley poderá ser uma rival de peso para o trio de favoritas, Charlize Theron, Reese Whiterspoon e Judi Dench.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:52 PM | Comentários (3)
Schreiber é mais um boato para Batman 2
Christopher Nolan já combinou com os executivos da Warner Bros. que voltará ao universo Batman assim que acabe o seu próximo projecto, também ele da Warner, o filme The Prestige.
E com os rumores sobre o guião do próximo filme do Homem-Morcego a apontarem para o aparecimento de duas novas personagens chave, Joker e Harvey Dent, há muito que começaram os rumores sobre quem encarnaria estas duas nemesis da personagem que voltará a ser vivida por Christian Bale.
O mais recente rumor aponta o actor - e agora também realizador (Everything is Iluminated) - Liev Schreiber como o mais forte candidato a viver Harvey Dent. A personagem lutará ao lado de Batman neste segundo filme contra o Joker - suceder a Jack Nicholson não ser fácil - e no terceiro filme (praticamente já confirmado), será ele o vilão central da história.
O site Batman-on-Film adiantou ainda o nome de Hugh Jackman como possivel Harvey Dent mas a preenchida agenda do actor tornam-no num candidato bastante improvável.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:39 PM | Comentários (0)
novembro 10, 2005
Corrida às BondGirls
Depois de Angelina Jolie e Cecille de France, aparentemente rumores e nada mais do que isso, a imprensa inglesa começou a sua corrida em busca da Bond Girl perfeita para contracenar com o novo 007, o actor Daniel Craig.
O site Yahoo Uk abriu a corrida ao declarar que Bilie Piper, actriz da serie televisiva Dr Who, é a mais recente candidata ao lugar. A actriz vai encontrar-se com os produtores de James Bond para tentar persuadi-los que é a candidata ideal ao papel. Algo que no entanto poderá vir a ser dificil já que a lista de rivais promete ser extensa.
O novo Bond, Casino Royale, vai começar a ser rodado em Praga já em Janeiro e tem estreia marcada para o Outono de 2006.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:35 PM | Comentários (1)
novembro 09, 2005
Opinião - Ascenção e Queda da Nova Hollywood
Quando os grandes mestres morreram, abandonaram os sets ou simplesmente deram um tiro no próprio pé, a velha Hollywood ficou em estado de sitio. Não havia luz ao fundo do túnel que desse a volta a uma crise tão repentina, e, ao mesmo tempo, tão evidente. Foi então que surgiu um grupo de jovens, acabadinhos de sair da UCLA. Eles tinham mais do que um plano para ressuscitar a velha Hollywood. Eles queriam ser "A Nova Hollywood". E em dez anos pudemos assistir à sua ascenção...e à sua queda!

Hoje são talvez os nomes mais amados pelos cinéfilos. Talvez porque muitos deles cresceram sob o seu signo, ouvindo as deixas de filmes como The Godfather, Star Wars ou The Deer Hunter. Ou talvez porque eles representaram um laivo de esperança de um renascimento dos estúdios não graças aos produtores, mas devido aos próprios autores. Era o espirito da United Artists que voltava das cinzas, sob a forma de meia dúzia de jovens autores, influenciados directamente pela Nouvelle Vague francesa, mas também por toda uma cultura cinéfila aprofundada ainda mais pelo trabalho desenvolvido na mitica UCLA, a universidade da Califórnia.
Estes jovens autores - é à Nouvelle Vague que eles vão recuperar o termo - não queriam lutar contra o sistema. Queriam recupera-lo. Depois de terem percebido que os grandes épicos e dramas tinham falhado por completo ao longo dos anos 60, foi para filmes mais pequenos, mais intimistas, mais sombrios, que eles próprios se viraram. Eram os dias de culto de Bonnie and Clyde, dos primeiros filmes de um Mike Nichols ou de um Sam Peckinpah. Cada um desses autores tinha o seu próprio estilo, bem diferente uns dos outros na maioria dos casos. Mas a forma como surgiram ao mesmo tempo, em bloco, e tendo por base uma mesma ideologia, desafiando tudo e todos no verdadeiro faroeste em que se tinha tornado Hollywood valeu-lhes de imediato a alcunha de Mavericks do cinema. E durante dez anos eles seriam isso mesmo, até serem absorvidos pelos estúdios ou abandonarem o sonho que inicialmente acalentavam.

O popular livro "Easy Riders, Raggin Bulls" de Peter Biskind traça um retrato praticamente perfeito da evolução desta geração. Filhos dos anos 60 - não podia deixar de ser de outra forma - onde a droga, as novas correntes musicais e a liberdade sexual - a abolição em 1967 do Código Haynes foi fundamental para a sua afirmação - tinham lugar de estaque, a geração de 60 foi trabalhando em pequenos projectos no final da década até que um desses jovens destemidos autores, um tal de Dennis Hopper, decidiu dar um pontapé no establishment. Disso resultou directamente o polémico e aclamado Easy Rider. Um filme sobre motoqueiros californianos que vivem do asfalto, da droga, do sexo e do rock and roll, que era acima de tudo uma clara contestação a tudo o que tinha sido feito. No elenco, um nome insuspeito, Peter Fonda, filho do conservador e popular "Hank" Fonda, e um desconhecido - Jack Nicholson - que começava aqui uma carreira fabulosa. O filme foi contagiante - afinal, estavamos em 1969 - revolucionando por completo a forma como se olhava para estes jovens autores. E depois de um nome se ter afirmado, foi fácil a outros seguirem-lhe o exemplo. Rapidamente se começou a ouvir falar de Martin Scorsese, Francis Ford Copolla, William Friedkin, George Lucas, Steven Spielberg ou Michael Cimino, entre tantos, tantos outros.
A década de 70 foi deles. Por todos os motivos e mais alguns. Pelo regresso de Hollywood ás ruas, aos dramas de rua, á crueza dos becos de Nova Iorque - pelas mãos de Scorsese ou Friedkin. A criação da ideia de blockbuster na mente de Spielberg e Lucas. Ou os devaneios artistico-dramáticos de Copolla ou Cimino.
Em 1971 todos os pequenos trabalhos desses realizadores começaram a ser ofuscados pelas suas primeiras obras aclamadas, tanto pela critica - desejosa de encontrar novos herois - quer pelo público, também ele à procura de filmes que lhe dissessem algo.
Nesse mesmo ano a "Nova Hollywood" foi oficialmente consagrada pela indústria quando William Friedkin se tornou no mais novo realizador de sempre a vencer um óscar. O seu filme, The French Connection, foi o grande vencedor do ano, e confirmou o que todos já pensavam. Estes autores tinham vindo para ficar. No ano seguinte foi a vez de The Godfather, a primeira parte da obra-prima em três capitulos de Francis Ford Copolla, ser galardoada. Ao todo, no espaço de dez anos, seriam quatro óscares de melhor filme para os jovens mavericks, nada mau para uma geração em ascensão. E enquanto uns ganhavam oscares, outros conquistavam a critica. Depois de Mean Streets, o excêntrico Martin Scorsese continuou a ganhar admiradores com filmes como Alice Doesn´t Live Here Anymore ou Taxi Driver. O jovem e ousado George Lucas tinha desafiado barreiras em 1971 com o seu THX 1138, e em 1973 voltava a impressionar com o fresco e irreverente American Graffitti, um filme pulp, icónico de uma geração sem causas, bem mais parecida com a sua própria do que Lucas realmente imaginava. Em meia década o panorama cinematográfico tinha-se transformado por completo.

E enquanto os dramas foram recuperando a imagem de Hollywood, e fazendo a imagens dos "easy riders", um insuspeito Steven Spielberg deu a estocada final na afirmação da sua geração quando em 1974 lança Jaws. O realizador já tinha tido a sua dose de sucesso da critica com o seu filme de estreia, Duel, mas foi a invenção do ideal de blockbuster que culminou com o seu afastamento do grosso da sua geração - ainda virada para filmes mais obscuros e intimistas - mas que, curiosamente, acabaria por salvá-la a longa prazo. Com os blockbusters, os estúdios voltavam a ter liquidez financeira. Estavam agora prontos para retomar algumas das ideias mais ambiciosas destes realizadores. Depois de terem passado cinco anos a fazerem filmes que mais ninguém conseguia fazer, também os Copolla ou os Cimino decidiram fazer filmes que poucos imaginavam que podiam ser feitos. Sem o saberem, tinham aberto a caixa de Pandora, soltando um demónio que não iria conseguir controlar.
Copolla foi o primeiro a aventurar-se. Depois do sucesso dos dois primeiros Padrinhos e de The Conversation, a ideia de adaptar o negro romance de Joseph Conrad, Corações na Penumbra para o cinema levou uma gigantesca equipa de produção para o sudeste Asiático. Entre explosões, febres, ataques cardiacos a actores do set, muita drogra e sexo, e ainda a megalomania de Marlon Brando, recuperado em 1972 pelo próprio Copolla, lá se foi fazendo Apocalipse Now. O filme demorou dois anos, custou mais que os anteriores filmes do realizador juntos e estreou apressadamente em Cannes em 1979. O realizador queria o consenso da critica europeia e o filme lá venceu - em ex-aqueo com O Tambor, filme experimental alemão - a Palma de Ouro. Mas era sol de pouca dura. A Zoetrope, o sonho de Copolla em ter a sua própria produtora, emperrou no box office e nos óscares. Nada conseguia compensar os enormes gastos do filme. O fracasso de Apocalipse Now foi um prenúnico. Para Copolla seria One From the Heart, três anos depois, a dar a estocada final. Para a Nova Hollywood era o começar do fechar da porta.

Foi no entanto Michael Cimino que ficaria com o titulo menos desejado por qualquer realizador, o de ter sido culpado pelo final da geração dos "easy riders". O realizador tinha tido um sucesso espantoso com The Deer Hunter, arriscando mostrar as marcas do Vietname, apenas três anos após o fim do conflito. Um filme patriótico, controverso, mas que "fez" o nome do autor que teve imediatamente carta branca da United Artists para fazer o filme que quisesse. Cimino escolheu um western épico sobre a própria fundação do Oeste americano, e da eterna luta entre os colonos e os rancheiros. O casting foi horrivel - Kris Kristoffersen ou Isabel Huppert estavam completamente descontextualizados. A produção arrastou-se durante dois anos, os prejuizos foram imensos. O filme inicial tinha três horas de duração e apesar da UA querer cortar, é Cimino quem exige que se respeite a liberdade artistica. Assim acontece. Passado uma semana, Heaven´s Gate é retirado dos cinemas pelo próprio Cimino, cortado a torto e a direito, regressa ás salas, mas o resultado é o mesmo. Heaven´s Gate será um dos maiores fiascos da história do cinema. Custou 44 milhões de dólares e fez apenas 3 milhões nas bilheteiras. Algo impensável e que era o verdadeiro dobrar de finados da Nova Hollywood. Tal como tinha acontecido com os grandes autores dos anos 50, caidos em desgraça na década de 60, os estúdios fecharam as portas aqueles que dez anos antes tinham ajudado a ressuscitar a indústria. Muitos tentaram fundar as suas próprias companhias, mas sem liquidez financeira e continuando em investir em projectos falhados à partida, as suas carreiras entraram num beco sem saída. Copolla teve de voltar a The Godfather para pagar as suas dividas. Desencantado, abandonou o cinema e dedicou-se á sua paixão pela cultura vinicola, abrindo as portas á sua filha para lhe seguir os passos. Martin Scorsese por sua vez teve de alternar os projectos que lhe eram verdadeiramente caros - os Taxi Drivers ou Ragging Bulls - com filmes menos interessantes, mas forçosamente necessários se queria continuar a ser uma opção para os estúdios. Cimino ou Friedkin - e tantos outros como eles - foram nomes riscados do mapa. Os anos 80 abriam as portas a novos realizadores, muitos deles ex-actores que tinham decidido tomar por sua própria conta e risco a direcção de novos projectos. Mas foram, acima de tudo, os anos da confirmação dos blockbusters. Mas isso é outra história!
Miguel Lourenço Pereira
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:16 PM | Comentários (2)
O Que Estreia Por Cá - Uma viagem com Cameron
Depois dos sucesos de Jerry Maguire e Almoust Famous, voltamos a viajar com Cameron Crowe para um universo bem complexo de truculentas relações humanas e de problemas do dia a dia. O sul dos Estados Unidos serve de pano de fundo para dois jovens encontrarem um rumo para a sua vida. Mas será que há vida para Elizabethtown depois de Toronto?

O filme era uma das grandes estreias previstas para o Festival de Toronto. Afinal estavamos a falar do regresso de Cameron Crowe, um dos queridos da critica norte-americana. O filme corria riscos à partida. Primeiro porque apostava num elenco bastante jovem e cheio de vontade de se afirmar definitivamente num registo mais sério. Orlando Bloom e Kirsten Dunst não tiveram a melhor das quimicas - diz quem esteve por Toronto - e a derrocada do filme começou por aí. Crowe foi obrigado a cortar meia hora ao filme e esses cortes fizeram-se claramente notar na falta de consistência narrativa. Também retiraram espaço para Susan Sarandon brilhar, num registo bem seu, perdendo assim o filme um dos seus elos mais interessantes. E claro, a banda sonora voltou a ser um dos pontos altos do filme, mas há quem acuse Crowe de não ter adequado a música à narrativa. Em resume, a passagem pelo certame canadiense não deu a melhor das imagens do filme.
Então o que esperar de Elizabethtown?
Um drama sobre um jovem, com ideias suicidas, que parte para a cidade que dá o titulo ao filme para o funeral da sua mãe. Pelo caminho encontra uma assistente de bordo também desorientada com a vida e juntos vão à procura deles mesmos, para acabarem por se encontrar um ao outro. Apesar de Toronto, Elizabethtown continua a ser Crowe. Mas isso ainda quererá dizer algo?

Semana de magras estreias esta semana, com destaque para a re-exibição do D. Quixote de Orson Welles em Lisboa.
Flightplan marca o regresso de Jodie Foster. A ex-menina prodigio, que há dez anos que não tem um projecto bem sucedido, está desta vez a bordo de um avião quando descobre que a sua filha desapareceu. Mas quando lhe dizem que a filha morrera, dias antes dela embarcar, a mulher não acredita e parte em busca da verdade. Muitas semelhanças com Panic Room e The Forgotten neste filme dirigido por Robert Schwentke que conta ainda com Peter Saarsgard e Sean Bean.

Ársene Lupin é mais um filme que passou por cá no Festival de Cinema Francês e que estreia agora em circuito comercial. As aventuras de um dos maiores herois da literatura francesa dos últimos 100 anos é agora encarnada por Roman Duris e Kristin Scott-Thomas. O filme é dirigido por Jean-Paul Salomé e tem ainda Pascal Gregory e Eva Green no elenco.

O Hollywood Recomenda - Uma viagem ás terras de Elizabethtown com o consagrado Cameron Crowe. Os custos e riscos da viagem ficam por vossa conta.
O Hollywood Desaconselha - Se Red Eye provou como se faz um filme de suspense num avião, já Flightplan é quase como uma enciclopédia do que não fazer. Reciclar ideias e juntá-las num só filme não é o garante de um produto de qualidade.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:44 AM | Comentários (0)
Mais estrelas para Bobby
Não passa uma semana sem que surjam novos nomes associados ao novo projecto de Emilio Estevez.
Bobby é menos um filme dedicado a Robert Kennedy e mais um mosaico da América nos conturbados anos 60. O filme desenrola-se no hotel onde o senador e candidato presidencial estava alojado no dia em que foi assassinado. A acção abarca a vida de 22 pessoas, que vão desde jovens que fazem tudo para fugir ao Vietname até estagiários na campanha de Kennedy que vêm no candidato uma solução para os crescentes problemas dos EUA.
Emilio Estevez produz e dirige este filme recheado de estrelas. Agora juntam-se ao leque de actores contratados mais quatro nomes de luxo. Christian Slater, Helen Hunt, William H. Macy e Joshua Jackson são as novidades no elenco, ainda não se sabendo que papeis vão tomar no desenrolar do filme.
Também Martin Sheen, pai de Emilio, e James Mardsen estão prestes a rubricar contrato com esta produção independente que custará cerca de 10 milhões de dólares.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:27 AM | Comentários (0)
novembro 08, 2005
Scarlett como guerreira amazona
A nova menina-bonita de Hollywood parece estar a desenvolver cada vez mais o seu ecletismo. Aclamada em filmes independentes (Ghost World, Lost in Translation, A Love Song For Bobby Long), com presença num blockbuster em tom de flop (The Island) e com dois filmes de Woody Allen de seguida, o que faltava a Scarlett Johansson?
Exactamente. Tornar-se numa guerreira amazona de 200 A.C, algures no mundo. A ideia surgiu no set de The Island e a actriz apaixonou-se pela possibilidade de liderar um exército para punir um guerreiro rival que destruira a sua casa. Os fãs já suspiram pelas roupas que Johansson irá usar, mas a verdade é que este não será provavelmente o melhor caminho para a definitiva confirmação de uma das melhores actrizes do momento. A ver vamos!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:16 AM | Comentários (0)
novembro 07, 2005
Antevisão - Brokeback Mountain
Western-gay? Nem por sombras. Ang Lee vai muito para além das convenções sociais. Em Brokeback Mountain há amor, dor e uma beleza visual como dificilmente seria de imaginar com um realizador norte-americano. Não há aqui a exaltação da homossexualidade, como se tem querido fazer crer. Há simplesmente uma história de amor que merece ser cantada.

Diz quem esteve em Toronto que não havia uma cara que não deixasse cair uma lágrima. O mesmo já tinha acontecido na sempre selectiva Veneza. Por onde passa, Brokeback Mountain quebra tabus e barreiras e conquista o seu público da forma mais antiga de sempre: contando uma história de amor.
A diferença - grande, apesar dos dias de estarmos em pleno século XXI - é que não há aqui um principe ou princesa. Quanto muito, haverá dois principes encantados. Mas nem isso. Brokeback Mountain começa por ser um filme sobre dois homens que são obrigados a cruzar o mesmo caminho. Um caminho longo, silencioso e imponente como são as montanhas Brokeback. E é nesse pano de fundo, que já vimos em filmes de Hawks, Ford ou Mann, que se começa a desenvolver uma forte amizade entre dois jovens cowboys. Da amizade ao amor a diferença revela-se pequena. E de repente um fantasma paira sobre as suas cabeças. A dor de saberem não poder ficar juntos leva-os a afastarem-se, acreditando que o tempo e a distância vão amenizar a dor da separação. Mas nem o casamento nem o nascimento de filhos serve para se esquecerem do seu amor mais primitivo. E quando se reencontram decidem enfrentar tudo e todos para voltarem a ser felizes.
Em traços gerais é esta a história de Brokeback Mountain, o filme que Ang Lee filmou com mestria e uma extrema sensibilidade. Utilizando a beleza natural do oeste americano, a rudeza dos homens que por lá vivem, que transformam as palavras vãs em olhares profundos e sentidos, que dão vida a este drama. O realizador asiático continua assim a mostrar ter dedo para adaptar profundas obras literárias, depois do sucesso de Sense and Sensibility.

Annie Proulx assina um belissimo romance. Lee segue fielmente a história, explorando não só a dimensão de western na primeira fase do filme, com as paisagens, os rituais e comportamentos a que estamos habituados a ver num verdadeiro filme de cowboys na velha acepção da palavra, mas também a profundidade dramática de um amor proibido, no segundo acto do filme. O livro, vencedor de um Pulitzer, quebra tabus e barreiras. O filme faz o mesmo. E os prémios não se fizeram esperar. O Leão de Ouro em Veneza foi o mais significativo de todos eles. Pela primeira vez desde 1981 - ou seja, desde Atlantic City, USA - um filme de produção made in Hollywood vence a prestigiada festividade de Veneza. E muitos começaram já a apostar em Brokeback para conquistar muitos dos prémios da critica no mês de Dezembro. Talvez uma ideia arrojada, dirão outros. Afinal a homossexualidade ainda é um tema tabu para muito boa gente e um filme explicitamente gay terá dificuldade em conquistar o público mais conservador que preenche o grupo de criticos, argumentistas, produtores, actores, realizadores, enfim, os elementos nucleares da indústria. Os produtores esperam que o enfoque dado ao enredo amoroso e ao drama humano ultrapassa a questão gay. E essa será sempre uma das perguntas que ficará sem resposta até Março. Como é que Hollywood olhou para Brokeback Mountain?

Para além de ser um filme brilhantemente trabalhado por Lee e pela sua equipa técnica - a banda sonora de Gustavo Santaollala e o brilhante trabalho de fotografia de Rodrigo Prieto - o filme fica marcado pelo excelente desempenho do seu elenco.
Jake Gyllenhall e Heath Ledger são autênticos rancheiros, quer na pose quer na forma como desenvolvem as suas personagem. Ledger - que diz quem por lá andou que esteve com a Copa Volpi nas mãos e só por pouco a perdeu para Straiharn - é poderosissimo num exercicio de contenção e de mágoa interior. É ele o elo mais frágil da relação, aquele que mais sofre com a descoberta do amor, mas também depois com a sua partida. É também a sua relação a mais explorada, por ser a mais frágil e "tipica" de acordo com a velha história de um casamento onde o amor corre apenas numa direcção. Já Jake Gyllenhall, num ano espantoso, é mais solto e dinâmico, mas consegue igualmente imprimir grande emotividade ás saus cenas, funcionando perfeitamente como contraponto a Ledger.
E há ainda o elenco feminino do filme. Michelle Williams, que curiosamente acabou de casar com Ledger, é a encanração perfeita da dona de casa sofredora, profundamente apaixonada pelo o único homem que conheceu, e ao mesmo tempo em constante sofrimento por saber que o seu coração não lhe pertence. E mais fica quando começa a perceber a verdade dos factos. Já Anne Hathaway é uma mulher mais moderna, mais dinâmica, emparelhando bem com Gyllenhall, mas é igualmente emotiva quando se depara com a relação tabu do seu marido.

O que esperar de Brokeback Mountain? Certamente não um grande sucesso de bilheteira ou um filme consensual. O filme tem conquistado corações num circuito selectivo, mas quando chegar ao grande público, ás capas de revista - que vão explorar ao máximo o tema - e tocar na "América profunda", só ai se vão começar a perceber as verdadeiras implicações do filme na sociedade norte-americana. No entanto, em termos cinematográficos, que é o que mais nos interessa, ninguém duvida que aqui esteja um dos mais serios candidatos a filme do ano. Um titulo que poderá não lhe vir a pertencer de facto no final do ano. Mas muitos nunca mais voltarão a julgar sem pensar duas vezes, um amor tabu depois de verem Brokeback Mountain.
O QUE SE DIZ
"Este ostensivo western gay é marcado pelo forte peso de tacto e sensibilidade, bem como uma notável performance de Heath Ledger."
Todd McCarthy - Variety
"Brokeback Mountain vai conquistar aqueles que vão ao cinema e que gostam de grandes filmes e profundas histórias de amor, sejam elas gay, herexo ou qualquer outra coisa."
Ray Bennet - Hollywood Reporter
"O melhor filme de Ang Lee é não só um belissimo e bem conseguido western (no primeiro acto), mas uma intimista épica história de amor no sentida mais clássico da tradição de Hollywood."
Jim Emerson - RogerEbert.com
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:29 PM | Comentários (0)
Milla e Kline em drama sobre escravidão sexual
Roland Emmerich está a preprar a produção de mais um filme. Trata-se de Welcome to America, drama sobre o tráfico sexual nos Estados Unidos. O filme será escrito por José Rivera, guionista de Diarios de Motocicleta, e tem por base um polémico artigo do New York Times intitulado The Girl Next Door.
O filme segue Kevin Kline, um agente policial do Texas, que persegue o rasto de uma menina de 11 onze anos, desaparecida após ter sido raptada por uma organização de tráfico sexual na fronteira entre os Estados Unidos e o México. A bela Milla Jovovich será uma imigrante russa, que é vendida com a jovem no México. O drama será realizado por Marco Kreuzpaintner, cineasta alemão, e estreia no final de 2006.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:58 PM | Comentários (0)
Caché domina nomeações aos European Film Awards
A Academia de Cinema Europeia reuniu-se em Sevilha e divulgou a lista de nomeados aos prémios de melhores do ano de 2005. O filme Caché de Michael Haneke é o favorito, e lidera a corrida com sete nomeações. Logo atrás surgem My Summer of Love e Sophie Scholl, dos dos grandes êxitos do ano.
Alice é o único filme português nomeado. O drama de uma jovem desaparecida nas ruas de Lisboa surge na lista do prémio Fassbinder com outros cinco filmes: 4, Accused, Stranger, UNO, When the Tide Comes In e Saimir. O filme de Marco Martins é mesmo um dos grandes candidatos à vitória.

Na categoria de Melhor Filme, para além de Caché, My Summer of Love e Marie Scholl foram também nomeados Don´t Come Knocking, de Wim Wenders, o filme Brothers de Susane Bier e ainda L´Enfant, dos irmãos Dardenne, e a mais recente Palma de Ouro de Cannes.
Na categoria de melhor realizador apenas Wenders, Pawlikowski, Bier e Haneke repetem a nomeação de melhor filme, Os outros noemados são Cristi Puiu (The Death of Mister Lazarescu), Alex de la Iglesia (Crimen Perfecto) e Roberto Faenza (Alla Luce del Sole).
Quanto ás interpretações, os grandes favoritos à vitória são actores franceses.
Na categoria de melhor actor a disputa poderá ser entre Roman Duris - do aclamado De Batre Mon Couer S´Arrêté... - e Daniel Auteil, a estrela de Caché. Ainda estão nomeados Jeremie Renier pelo filme L´Enfant, Henry Hubchen por Zucker! e ainda Ulrich Mathes por The Ninth Day e Ulrich Thomsen por Brothers.
Em relação ás actrizes, destaque para Juliette Binoche em Caché e Audrey Tatou no filme Un Long Dimanche de Fiançailles Na luta também estão Julia Jentsch por Sophie Scholl, a britânica Natalie Press no filme My Summer of Love e Connie Nieslen em Brothers. A última nomeada é Sandra Ceccareli no filme La Vita Che Vorrei.
Os vencedores dos Europeans FIlm Awards serão conhecidos a 3 de Dezembro em Berlim.
NOMEADOS
Melhor Filme
Caché
Brothers
Sophie Scholl
Don't Come Knocking
L'Enfant
My Summer of Love
Melhor Realizador
Susanne Bier (Brothers)
Roberto Faenza (Alla Luce Del Sole)
Michael Haneke (Caché)
Alex de la Iglesia (Crimen Ferpecto)
Pawel Pawlikowski por (My Summer of Love)
Cristi Puiu (The Death of Mr Lazarescu)
Wim Wenders (Don't Come Knocking)
Melhor Actriz
Juliette Binoche (Caché)
Sandra Ceccarelli (La Vita Che Vorrei)
Julia Jentsch (Sophie Scholl)
Connie Nielsen (Brothers)
Natalie Press (My Summer of Love)
Audrey Tautou (Un Long Dimanche de Fiançailles)
Melhor Actor
Daniel Auteuil (Caché)
Romain Duris (De battre Mon Coeur s'est Arrêté)
Henry Hubchen (Go for Zucker!)
Ulrich Matthes (The Ninth Day)
Jeremie Renier (L'Enfant)
Ulrich Thomsen (Brothers)
Melhor Argumento
Hany Abu-Assad e Bero Beyer (Paradise Now)
Mark O'Halloran (Adam And Paul)
Michael Haneke (Caché)
Anders Thomas Jensen (Adam's Apples e Brothers)
Dani Levy e Holger Franke (Go for Zucker!)
Cristi Puiu e Razvan Radulescu (The Death of Mr Lazarescu)
Melhor Cinematografia
Christian Berger (Caché)
Bruno Delbonnel (Un long dimanche de fiançailles)
Anthony Dod Mantle (Manderlay)
Ryszard Lenczewski (My Summer of Love)
Franz Lustig (Don't Come Knocking)
Gyula Pados (Fateless)
Melhor Compositor
Rupert Gregson-Williams e Andrea Guerra (Hotel Rwanda)
Joachim Holbek ( Manderlay)
Cyril Morin (The Syrian Bride)
Ennio Morricone (Fateless)
Stefan Nilsson (As It Is In Heaven)
Johan Soderqvist (Brothers)
Melhor Montagem
Michael Hudecek e Nadine Muse (Caché)
Peter Przygodda e Oli Weiss (Don't Come Knocking)
Herve Schneid (Un long dimanche de fiançailles)
Melhor Direcção Arstística
Aline Bonetto ( Un long dimanche de fiançailles)
Peter Grant ( Manderlay)
Jana Karen ( Sophie Scholl )
Prémio Fassbinder
4
Alice
Accused
Stranger
When The Tide Comes In
Saimir
UNO
Fonte: European Film Academy e C7nema
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:52 PM | Comentários (1)
novembro 06, 2005
Site, trailer e poster para Munich
A corrida contra o tempo continua na produção de Munich. As filmagens acabaram há algumas semanas mas John Williams ainda não começou a trabalhar na banda sonora e Steven Spielberg passa todos os minutos disponiveis na sala de montagem para ter o filme pronto a tempo da sua estreia, a 23 de Dezembro.
Entretanto a Universal continua calmamente a sua campanha de marketing ao filme. Os estúdios aproveitaram esta semana para divulgar o novo site do filme, brindando os fãs com o primeiro teaser trailer e com uma nova versão do poster apresentado há algumas semanas.
O novo poster é em tudo semelhante ao anterior, com a diferença de conter já uma tagline central, e de confirmar os rumores que indicavam Munich na categoria de melhor argumento adaptado e não original, como se pensava até agora.
Munich conta a história da caça ao homem montada pelos agentes da Mossad após os atentados terroristas em Setembro de 1972 quando terroristas palestinianos mataram 11 atletas olimpicos israelitas. O filme tem argumento de Tony Kutcher e conta com Eric Bana no principal papel. No elenco estão ainda o novo Bond, Daniel Craig, e também Geoffrey Rush, Marie-Josée Crooze e Mathieu Kassovitz.
O filme não deverá ser elegivel aos Globos de Ouro (teria de ser visto pela HFPA até 8 de Dezembro), mas Spielberg irá provavelmente vencer mais um contra-relógio, estreando o seu segundo filme deste ano a 23 de Dezembro num circuito limitado em Nova Iorque e Los Angeles.
Cliquem na imagem para visitar o site de Munich, e cliquem aqui para verem o primeiro trailer do filme.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:07 AM | Comentários (1)
Aquelas Frases
"Fasten your seetbelts. This is going to be a bumpy night!"

in All About Eve
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:25 AM | Comentários (0)
Scoop é o novo de Woody
Match Point conquistou a critica em Cannes e é uma das grandes estreias do mês de Dezembro. Mas Woody Allen não pára e já está há algum tempo a filmar o seu próximo filme. Até agora nada se sabia deste novo drama do realizador nova-iorquino, a não ser que Scarlett Johansson, Hugh Jackman e o próprio Allen estavam no elenco.
Agora as informações sobre o "projecto de Outono" de Woody Allen são mais esclarecedoras.
Scoop - é esse o titulo - conta a história de uma estudante de jornalismo norte-americana que se envolve numa investigação sobre uma serie de assassinatos em Londres, quando acaba por se apaixonar por um inglês. Pelo meio há ainda um homem que se faz passar por pai da jovem estudante.
Johansson volta a trabalhar com Allen, depois de Match Point, naquele que é o seu segundo filme em Londres. Hugh Jackman vive o sedutor inglês e Woody Allen é o "falso" pai.
Scoop estreia no Verão do próximo ano.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:51 AM | Comentários (0)
novembro 05, 2005
Anne Hathaway é Jane Austen
Uma das mais reputadas escritoras britânicas vai ter direito a um biopic em 2006. A jovem actriz Anne Hathaway foi escolhida para viver a escritora num filme que mistura um pouco de Finding Neverland com Shakespeare in Love. Em vez de fazer um mero retrato da vida de Austen, o filme, cujo o titulo será Becoming Jane, vai explorar as suas experiências amorosas e a forma como influenciaram a sua escrita, já que a acção irá decorrer durante o periodo em que a escritora estará a começar a escrever Pride and Prejudice, uma das suas obras mais aclamadas.
O filme será escrito por Kevin Hood e os produtores ainda procuram um realizador para dirigir a jovem actriz.
Anne Hathaway celebrizou-se em filmes para adolescentes como The Princess Diaries mas este ano está já a dar um importante passo para uma maior maturidade como actriz ao fazer parte do elenco de Brokeback Mountain.
Curiosamente este ano está marcada a estreia de mais uma adaptação de Pride and Prejudice de Jane Austen. Keira Knightley será a actriz principal do filme.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:39 PM | Comentários (9)
Cantos do Mundo - ÁSIA
Não foi há muito tempo que o cinema asiático era maioritariamente conhecido apenas pelos filmes japoneses do grande Akira Kurosawa ou pelos filmes indianos de Satyajit Ray. No entanto, e a partir, principalmente, da década de 80, assistiu-se a uma grande evolução da sétima arte no continente asiático. Novos realizadores surgiram, como novas ideias e novas abordagens à realização, que tornaram possível a ocidentalização do cinema asiático.

Mensalmente vou tentar falar sobre o cinema asiático, mencionando as suas tendências, o que se faz de melhor e de pior, tentando divulgar esta nova forma de fazer e sentir cinema, proveniente do oriente. Neste primeiro artigo, falarei da evolução do cinema asiático desde o princípio do século até aos dias de hoje.
Em décadas diferente, películas vindas de Hong-Kong, Japão e mais recentemente, Coreia do Sul, Taiwan e Filipinas, são alguns dos países que contribuíram para este desenvolvimento que trata o cinema de uma forma diferente, apelativa e até excitante e que tem chamado a atenção de todo o mundo e em particular do cinema americano que encontrou nos remakes dos filmes asiáticos um novo filão de receitas e uma forma de contornar a gritante falte de originalidade actual.
O primeiro país, impulsionador do cinema, no continente asiático, foi a China. Aliás neste país o cinema tem cerca de um século! No entanto, e apesar das eras douradas dos anos 30, finais dos anos 40, ou mais recentemente, os anos 80 e meados dos anos 90, a grande repressão vivida e a não permissão por parte do governo da passagem de alguns filmes devido aos conteúdos abordados não serem aceitáveis (censura!), a China foi ultrapassada por outras cinematografias asiáticas. Apesar de tudo, alguns cineastas conseguiram chamar a atenção do mundo em geral através do seu trabalho criativo. O maior exemplo poderá ser Zang Yimou que recentemente atingiu o estrelato mundial com Hero (candidato ao Óscar de melhor filme estrangeiro) ou The House of the Flying Daggers.
Apesar da censura, cerca de 150 a 200 filmes são feitos na China por ano. No entanto, poucos deles saem do território chinês ou conseguem obter resultados aceitáveis face às películas oriundas principalmente de Hong Kong. Assim, para contrariar, de alguma forma, a censura existente no país, os chineses, não tiveram outra alternativa que não fosse a de facilitar as instalações e os meios (estúdios, locais, etc) aos vizinhos de Hong-Kong, que deste modo tiveram a possibilidade de fazer filmes com reduzidos custos. Por outro lado, a China tinha a possibilidade através dos produtores de Hong-Kong a trabalhar em território chinês de divulgar internacionalmente o seu cinema e escapar à censura.

Hong Kong acabou por lucrar bastante com esta parceria conseguindo desenvolver a sua indústria cinematográfica. Assim, na década de 70, o aparecimento de Bruce Lee e mais tarde de Jackie Chan, tornaram o cinema de Hong-Kong muito lucrativo e internacionalmente conhecido. Este facto, tornou possível o aparecimento de novos cineastas de Hong-Kong, dos quais obviamente se destacam na década de 80, John Woo e Tsui Hark, criadores de filmes de acção inovadores e que mais tarde acabaram por ir parar a Hollywood. Nessa época, Hong-kong vivia um clima de prosperidade e era conhecido como “Hollywood da Ásia”, tal era a produção em massa de películas. No entanto, face à concorrência da indústria americana e dos vizinhos Japão e Coreia do Sul, Hong-Kong tem sofrido um grande declínio, tendo mesmo sido ultrapassado por outras cinematografias.

Assim, a partir dos anos 90, o Japão que tinha estado pouco produtivo, desde a época dourada dos anos 50 e 60, atingiu um novo pico de criatividade. Novos realizadores surgiram e revolucionaram o cinema Japonês em diversos géneros e com diferentes estilos. A nível da animação (vulgo anime), Hayao Miyazaki criou obras magníficas com Monoke Princess ou Spirtied Away. Takeshi Kitano, criou obras com uma realização muito própria baseando-se na tríade japonesa, tais como Hana-Bi ou Brother ; ou Takashi Miike, característico pela ultra-violência e uso excessivo do gore e do choque (Ichi, the killer, Audition, etc), foram alguns dos principais responsáveis pela aclamação mundial do cinema Japonês. Outros nomes, tais como o cineasta independente Nagisa Oshima (Taboo) ou o pioneiro do cinema de terror oriental Hideo Nakata (Dark Water ou Ringu), contribuíram igualmente para o sucesso e ocidentalização do cinema asiático, particularmente o japonês.

Paralelamente ao boom do cinema japonês, neste inicio do século XXI, nasce uma grande diversidade de propostas oriundas de diferentes países asiáticos. Neste momento, assistimos com grande admiração e satisfação à ascensão do fabuloso cinema coreano. Influenciado pela cultura americana e adapatado à sua própria cultura, tem sido uma surpresa agradável e uma cinematografia a seguir com muita atenção. (Num próximo artigo debruçarei.me com mais detalhe sobre o novo cinema coreano). Por outro lado, Hong-Kong tenta regressar, mas agora com um cinema mais independente, onde se destaca Wong kar-Wai (In the mood for love ou 2046). Outras cinematografias emergentes tais como Taiwan (Crouching Tigger, Hidden Dragon recentemente nomeado para Óscar de Hollywood) ou Filipinas, Indonésia, Índia, Paquistão, etc, estão em franca ascensão o que leva a concluir que podemos esperar muito mais do cinema que é feito do outro lado do mundo. Vamos aguardar para ver…
Sérgio Lopes
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:33 AM | Comentários (54)
Hollywood com novo look
Um ano depois do Hollywood ter encontrado no Weblog.Pt uma nova casa - extremamente funcional e com uma mudança radical de visual - chegou a altura da mudança.
O novo look do Hollywood pretende essencialmente duas coisas: ser mais apelativo visualmente, e facilitar ao máximo a vida aos visitantes deste cineblog, que são cada vez mais a cada dia que passa. Por tudo isso não foi só a imagem de apresentação que mudou. Foi, acima de tudo, a facilidade que os nossos leitores passarão a ter quando quiserem consultar algo neste espaço. Longe vão os dias em que a simples listagem de categorias era suficiente. O leitor do Hollywood tem agora os principais espaços deste weblog bem sinalizados, e esse será sempre o ponto de partida para uma viagem pelos meandros de um espaço de cinema que procura ser cada vez mais funcional. Hoje, para consultar as criticas basta ver a classificação que o Hollywood tem aos filmes mais recentes. Uma viagem pelas principais rúbricas deste espaço é agora mais fácil e interessante.
E a partir de hoje o Hollywood inicia ainda um projecto pioneiro em Portugal. Uma parceira com um website brasileiro e um programa de rádio de Angola, a que se junta a colaboração de um dos mais interessantes weblogs dedicados ao cinema asiático, permitirá a criação de um novo espaço apelidade de Cantos do Mundo. Mensalmente será publicado um artigo de opinião sobre como vai o cinema em África, na América Latina, na Europa e no continente asiático. É aliás hoje que o novo cinema asiático abre este novo espaço, que visa contrariar a ideia - legitima mas que promete mudar - de que este espaço é apenas dedicado ao cinema norte-americano.
Com o novo visual vem também uma nova politica. Abrir o blog cada vez mais aos seus leitores, incentivando comentários, criticas, apreciações a noticias, criticas ou artigos de opinião. A cobertura especial dos óscares continuará a partir de dia 15 com as previsões de Novembro.
A cada dia que passa o Hollywood é cada vez mais um espaço aberto a todas as formas de fazer cinema. E um espaço que é também cada vez mais de todos aqueles que o visitam... Vocês!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:39 AM | Comentários (2)
novembro 04, 2005
Oscarwatching - Quem quer ser secundário?
Ninguém gosta de ver o seu nome aparecer em segundo lugar num genérico de um filme. Aliás a própria desingação de secundário é incorrecta. A Academia gosta de lhe chamar interpretação de "suporte". A verdade é que nunca ninguém gostou muito de ser visto como secundário. Até hoje! Com os rumores a anunciarem que Diane Keaton vai querer passar por secundária para conseguir mais facilmente o óscar, abriu a corrida aos lugares de suporte...

Desde que surgiram as primeiras noticias sobre The Family Stone que imediatamente o nome de Diane Keaton foi colocado em destaque na categoria de melhor actriz. Uma das melhores da sua geração, Keaton ainda vivia um pouco o estigma da derrota há dois anos atrás, mas tudo indicava que este ano a sua candidatura teria de ser levada a sério. Mas, de repente, os rumores mudaram por completo. Afinal Diane Keaton não quer ser "principal". E a Fox vai fazer tudo para convencer a Academia e a HFPA (Hollywood Foreign Press Association) que a diva é realmente secundária, puxando Sarah Jessica Parker - directamente chegada de Sex and the City - para a categoria principal. Porquê?
A razão parece ser simples. Até agora os elogios, as criticas, o chamado "buzz" tem criado uma pré-vencedora à categoria de Melhor Actriz: Reese Whiterspoon. A bela actriz, namoradinha da América durante bastante tempo, domina Walk the Line com a sua encarnação de June Carter Cash, o amor da vida do músico Johnny Cash. E não há ninguém que conteste o facto da sua nomeação ser já uma certeza.
Para agravar a situação há ainda o efeito "white trash girl", muito eficaz nos últimos anos, que rodeia a interpretação de Charlize Theron. A sul-africana venceu em 2003 (a Keaton curiosamente) o óscar e volta agora com uma performance igualmente poderosa em North Country. O filme não tem convencido, mas Theron já foi tão aclamada como aquando tinha sido em 2003.
Razões de sobre para Diane Keaton perceber que seria dificil ombrear com estas duas jovens e talentosas actrizes, em clara ascensão. E por isso Keaton prepara um feroz ataque ao óscar secundário. Conhecido por premiar muitos actores pela carreira - e não só pelo seu desempenho - o óscar secundário feminino vive uma clara indefinição.
Nomes não faltam, mas nenhum deles parece estar á frente na corrida. A critica gosta especialmente de Amy Adams de Junebug. Maria Bello e Rachel Weisz foram as actrizes mais aclamadas nos últimos meses. O elenco de Memoirs of a Gueisha (Gong Li e Michelle Yeoh), In Her Shoes (Shirley McLaine e Toni Collete) ou o de Brokeback Mountain (Michelle Williams e Anne Hathaway) tem de ser levado em consideração, mas podem acabar por se anular. E quanto a Scarlett Johansson ou Q´Orianka Kilcher, ainda ninguém sabe se vão surgir como principais ou secundárias na temporada de prémios. E tendo já muito "buzz" a seu favor, a produtora de The Family Stone - que se preparava para apostar em Sarah Jessica Parker ou Rachel McAdams caso Keaton fosse principal - decidiu que a probabilidade ser nomeada (e vencer) será muito maior aqui. Vamos a ver se a moda pega este ano, e se há mais alguém a querer virar secundário sem realmente o ser!

Entretanto parece que mais um favorito vai ficar pelo caminho. Jarhead tem recebido reviews bastante desanimadoras e o filme de Sam Mendes, para muitos um favorito claro, passou agora para o fim do pelotão. O filme é acusado de ser demasiado vago e sem sentido. Os desempenhos de Saasgard e Gyllenhall são vistos como vulgares e acaba por ser Jamie Foxx quem consegue o maior destaque. Sam Mendes volta a não convencer, dizem os criticos norte-americanos, e se não conseguir tornar-se num grande sucesso de bilheteira, Jarhead arrisca-se a passar para a história, ainda antes da estreia dos seus maiores rivais.



O que é que Peter Jackson, Steven Spielberg e Terrence Malick têm em comum? Certamente muita coisa, mas uma delas está a preocupar estes três realizadores bastante. Nenhum deles tem o seu filme pronto, e a data de estreia quer de King Kong, Munich ou The New World pode estar em risco.
No caso do filme de Jackson os problemas estão nos efeitos especiais e na banda sonora. No primeiro caso a Weta está a trabalhar em horas extraordinárias para ter o filme pronto a tempo de ser considerado para os Globos de Ouro. Em relação à banda sonora, a substituição de Howard Shore por Thomas Newton implicou começar tudo do zero.
Munich foi desde sempre um projecto de risco. Spielberg sabia-o, a Universal também. Mas com apenas um mês para a estreia parece que os problemas vão continuar até ao último dia. As filmagens já terminaram mas o trabalho na sala de montagem promete ser longo e complexo. Isto enquanto John Williams também ainda não tem a banda sonora do filme pronta.
Quanto a The New World o suspense é total. O filme deveria ter estreado em Novembro mas Malick decidiu adiar a estreia para Dezembro, de forma a ter mais tempo de editar o filme. Os seus métodos de trabalho impedem saber o que se passa na sala de edição do filme, mas há quem pense que Malick está em autêntico sprint para conseguir o estrear o seu filme dentro dos prazos.
Três filmes que prometem imenso, três imensas dores de cabeça para os seus autores!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:44 PM | Comentários (4)
Trailer de Kong
O trailer começou a correr os cinemas norte-americanos e agora chegou à net. Exibido antes de Jarhead, o novo trailer de King Kong continua a explorar as cenas mais emotivas e de maior acção com o gigante gorila, desta feita envolvido num confronto com um ameaçador Tiranossaurus Rex.
Peter Jackson tem practicamente o seu novo filme pronto - falta optimizar a banda sonora e alguns efeitos especiais - e King Kong deverá mesmo estrear a 14 de Dezembro. O filme reconta a história de um gigante gorila descoberto na ilha Skull por uma equipa de gravação do novo filme de um ambicioso produtor. A partir daí, é lenda!
Naomi Watts, Jack Black, Adrien Brody e Andy Serkis são as estrelas de King Kong. O novo trailer pode ser visto aqui.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:23 PM | Comentários (0)
Oscarwatching2005 - Previsões - Melhor Guarda Roupa
Uma categoria sempre imensamente interessante por fugir a vários lugares comuns. É igualmente uma das mais dificeis de prever graças ao sentimento de classe que existe entre os profissionais do ramo, que muitas vezes ignoram o nome do filme, por muito bem sucedido que tenha sido. O inverso também se aplica. Onde ficamos? Na dúvida certamente, com vários nomes ainda a lutar por entrar no fato de cerimónia de 5 de Março...





Colleen Atwood é um dos grandes nomes do guarda-roupa em Hollywood. Já com cinco nomeações e um triunfo, a estilista fez de Memoirs of a Gueisha um filme cheio de arrojo e bom gosto, onde o tradicionalismo das gueishas se mistura bem com os fatos tradicionais dos anos 30. Um filme de época com traje a rigor. A nomeação está mais que certa.
Outro grande nome nesta área é sem dúvida o de Sandy Powell, que com seis nomeações e dois óscares, surge como uma das mais sérias concorrentes à vitória. Os fatos tipicos dos anos 40 e as exuberantes roupas das bailarinas de Mrs Henderson´s Presents serão suficiente para lhe dar a nomeação. E nem mesmo o facto das dançarinas acabarem nuas parece minimizar o papel de Powell.
Filmes de época e guarda-roupa são a combinação mais do que perfeita. Pride and Prejudice, com um notável trabalho de Jacqueline Duran, deve provavelmente destronar o trabalho muito parecido de Casanova e valer à estilista a sua primeira nomeação de sempre. No entanto a luta será terrivel com o filme de Lasse Hallstrom.
O arrojo de Arianne Philips na criação do guarda-roupa muito anos 60 para Walk the Line pode valer à estilista a sua primeira nomeação. O filme é já um sucesso e garantirá diversas nomeações técnicas, sendo natural que uma delas passe por aqui.
Numa luta extremamente equilibrada, talvez The Producers consiga aqui uma nomeação pouco provável. O guarda-roupa muito anos 30, misturado com o próprio guarda-roupa dentro do filme pode captar as atenções dos membros da Academia e valer assim a nomeação a William Ivey Long, nomeação que seria a sua primeira.
QUEM PODE SER NOMEADO
- Casanova
- Cinderella Man
- Kingdom of Heaven
- The New World
- Oliver Twist
EM SETEMBRO O CENÁRIO ERA ESTE
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:44 AM | Comentários (0)
novembro 03, 2005
The Constant Gardener - O Continente Negro está de Luto
"This is how we fuck Africa!". É assim que o Mundo destroi um continente. A ganância do mundo é a perdição de um continente. A ganância do mundo provoca por ano a morte a milhares de inocentes. Dois deles eram ingleses que só queriam fazer algo. Le Carré escreveu a história. Meirelles pintou-a de negro. Até porque este filme mostra-nos que"This his how we fuck Africa!".
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The Constant Gardener pode ser analisado de três maneiras. Mas é injusto sermos forçados a escolher uma delas.
Um critico mais convencional ficar-se-ia certamente pela história de amor, pela dedicação de um diplomata amante de jardins - a imagem do corpo diplomático britânico romântico - à sua mulher, misteriosamente assassinada no Quénia, onde vivem. Daí passarão para a transformação operada no jardineiro, esse pacifico e "britânico tranquilo", obrigado a descer aos infernos para procurar perceber o porquê da morte da sua mulher. E para encontrar o seu próprio fim.
Neste filme dentro do filme, o destaque vai essencialmente para a interpretação fabulosa de Ralph Fiennes. Aliás, há papeis que associamos imediatamente a um actor quando ouvimos a sinopse de um filme, folheamos um livro ou vemos uma peça de teatro. Justin Quayle é Ralph Fiennes em todo o seu esplendor. Uma persoangem contida, algo timida e atrapalhada, mas extremamente nobre. John Le Carré sabe o que faz, sempre o soube. O seu Quayle está no meio de uma ponte entre o gentelman britânico, o herdeiro de uma longa tradição de Quayles, todos eles iguais, mas também entre o justiceiro, o homem que sabe que o mundo que o rodeia está cheio de mentiras e enganos. Não precisamos de seguir a sua transformação espantosa para o perceber. Basta estar atento á forma como ele sai da conferência com aquela que viria a ser a sua mulher. Se ouvirmos bem, ele próprio admite que tudo o que tinha acabado de dizer, o b.a.b.á da diplomacia, é uma grande mentira. E se no final do filme é esse o Quayle que se despede de nós, a verdade é que ele esteve sempre presente, mesmo quando recusou dar boleia a dois quenianos a pedido da mulher. Mesmo quando cuidava das suas plantas, enquanto a sua mulher tentatava salvar o mundo, ou pelo menos parte dele. A sua personagem é a mais fascinante do filme porque está longe do superficialismo das restantes. Temos os lobos econdidos em pele de cordeiro, os agentes de bom coração, os amigos traidores, e a mulher idealista. Se analisar-mos cada uma dessas personagens, não conseguiremos ir muito longe. Estariamos condenados á superficie. Mas não com Quayle. O seu fascinio advém da sua maneira de estar no mundo. E Ralph Fiennes - esse portentoso actor, a par de Daniel Day-Lewis o maior britânico dos últimos quinze anos - era o único actor no mundo capaz de perceber essa sensibilidade. Quando lhe contam a morte da mulher, a sua cara praticamente não se move. Não há lágrimas. Mas a dor de perda está toda lá. Ele demonstra-a? Nunca, isso não é digno de um cavalheiro. Antes agradece a gentileza ao amigo, e depois acaricia uma planta. Por dentro ele chora. Por fora, a sua imagem está imaculada. Só quando só, no mesmo jardim da casa que consagrou o seu amor - numa cena memorável - dá-se a famosa explosão. Nada ao estilo brandoniano ou algo que se pareça. A contenção continua lá, mas agora ele já pode soltar o outro Quayle que vivia dentro de si. Agora ele já pode ser ele mesmo. E se-lo-á assim, até ao final do filme, de uma forma arrebatadora e inesquecivel.

Esse seria o filme que um britânico realizaria. Foi assim que o livro foi escrito, à volta de personagens britânicas em África. A história de amor e a procura de justiça entre os europeus num continente estranho. Mas o filme está bem longe dessa fórmula algo simplista. Porque contar com Fernando Meirelles no leme do navio, é saber que o realizador brasileiro não se vai reduzir apenas ao espirito literário de um argumento. Respeita-o, mas explora todo o universo à sua volta, até para o tornar mais credivel.
A verdade é simples de descortinar. Colocar um habitante de um país do terceiro mundo - apesar de tudo, ainda é isso que o Brasil é, por muito que nos custe a todos - a filmar o centro do terceiro mundo, é a chave mágica deste filme. É o encantamento pefeito, a pedra filosofal. É magia pura. A camara de Meirelles suga o espirito de África bem até ao tutano. No seu tom trepidante, imparável, andamos pelo meio das gentes locais, com a sua tradição, os seus costumes, mas, acima de tudo, com a sua dor, a sua pobreza, o seu olhar triste, o seu futuro despedaçado. A fabulosa montagem - que já conheciamos bem de Cidade de Deus, um filme tão parecido com este, apesar de ser tão diferente - e a inesquecivel fotografia, mostram uma África como nunca vimos, longe da poesia de Out of Africa ou da dor de The English Patient. Lembramo-nos sim do que fez Clint Eastwood com o também inesquecivel White Hunter Black Heart. Um coração negro que parou de bater!
Aqui há contemplação, uma homenagem a um mundo em sofrimento, em dor. Talvez um pouco com Diarios de Motocicleta. Talvez seja uma sensibilidade sul-americana. Ou talvez seja pura coincidência. De qualquer das formas, The Constant Gardener é o que é essencialmente por Fernando Meirelles.
Um realizador que transmite a dor de um continente para o coração do espectador apenas com um genial plano, é dgno de ser admirado por todos. Quando Ralph Fiennes - esse Quayle inesquecivel - entra no campo de golfe para discutir com o chefe da farmaceutica, e a camara se afasta dele, sem se mexer, vai-se deslocando em travelling para a sua esquerda. De um momento para o outro, o verdejante e "civilizado" campo de golfe dá lugar á pobreza dos bairros de lata de Nairobi, com uma crueza assustadora. Poesia pura, simplesmente poesia pura!

No inicio falei em três filmes dentro de The Constant Gardener. É bem verdade. Para além da bela e trágica história de amor - expressões destinadas a caminhar lado a lado - e da belissima homenagem de um brasileiro a África, há ainda o leit motiv disto tudo. Neste filme são as farmacêuticas. Noutros filmes é o tráfico de armas, as catastrofes naturais, a loucura dos homens. No entanto todos os rios caminham para o mesmo oceano e o resultado é invariavelmente o mesmo. Estão a sangrar África. Estão a destruir um continente, talvez o primeiro continente habitado pelo homem, o ventre de todos nós. Meirelles aponta claramente as baterias nesse sentido, mas o livro original já ajudava. Tessa (ainda não dissemos nada da belissima e espantosa Rachel Weisz, mas também há poucs palavras, e as que há, parecem demasiado pequenas para serem ditas) e Justin Quayle morreram porque quiseram salvar um continente. Muitos desconhecidos passaram pelo mesmo, mas ninguém irá fazer um filme sobre eles. O drama imagiando por Le Carré é mais real que a realidade de muitos. A ineficácia da ONU está mais que provada. Os habitantes do mundo levam constantemente com pó nos olhos, porque na verdade, todo o Mundo está a fazer o melhor que pode. Ou pelo menos é preciso dize-lo por uns, para que outros o ouçam e possam dormir, sem o peso da consciência. Um continente inteiro não pode servir de cobaia para o resto do mundo experimentar os seus medicamentos, armas, recursos naturais...Um continente - e Meirelles mostra a sua beleza como só Polanski conseguiu - como África merece mais do que um filme. Merece que olhem para ele com outros olhos, olhos de ver. The Constant Gardener dá-nos - a nós, habitantes do Mundo - um par de óculos para conseguirmos ver bem o que se passa. A imagem que nos passa diante dos olhos é desoladora. E apesar de ser bom saber que ainda há o chamado cinema de denúncia - porque é isso mesmo de que se trata The Constant Gardener (também) - falta ainda muito para que todos possamos dormir em paz. Em Portugal como no Quénia ou em qualquer outro recanto do mundo! Porque é preciso fazer com que mais ninguém diga "this is how we fuck Africa!"
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O Melhor - É dificil escolher entre as soberbas interpretações e o pano de fundo montado à volta da história. Ficamo-nos por Fernando Meirelles, um realizador capaz de capturar a beleza das situações mais cruas da existência humana.
O Pior - É dificil escolher algo. Talvez o facto do filme demorar um pouco a arrancar verdadeiramente.
Curiosidade - Se muita da genialidade deste filme passa pelas mãos de Fernando Meirelles, imaginem o que seria se o realizador fosse aquele inicialmente previsto: nada mais nada menos que o britânico Mike Newell. O inglês preferiu realizar Harry Potter and the Goblet of Fire. Meirelles agradece. Nós também!
Site Oficial - www.theconstantgardener.com
Realizador - Fernando Meirelles
Elenco - Ralph Fiennes, Rachel Weisz, Danny Huston, ...
Produtora - Focus Features
Classificação - m/16
Duração - 129m
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:53 PM | Comentários (19)
Lohan e Leto na morte de Lennon
Segundo o site noticioso Hollywood.com, a actriz Lindsay Lohan tem mais um projecto em mãos. Depois de termos confirmado a sua entrada no elenco de Bobby - e de estar acertada a sua participação no biopic de Andy Warhol, Factory Girl - agora a jovem actriz prepara-se para continuar a sua carreira no universo indie com o filme Chapter 27.
Lohan estará lado a lado com Jared Leto nesta adaptação da história da morte de John Lennon. Leto será David Chapman, o assassino de Lennon e Lohan viverá a sua namorada, também ela uma fã dos Beatles. O filme tem o titulo de um capitulo inexistente do livro que Chapman pediu a Lennon para autografar, minutos antes de o assassinar.
O projecto não está ainda confirmado e não foi adiantado o nome de nenhum realizador para comandar esta dupla de jovens actores.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:42 PM | Comentários (1)
Borgia com elenco de luxo
Há vários anos que o realizador Neil Jordan anda a conquistar financiadores para o seu projecto sobre a vida da familia Bórgia, uma das mais poderosas familia do periodo renascentista em Roma. Apesar das origens espanholas, a familia criou impacto na sociedade romana, com o patriarca, Alexandre Bórgia, a ser eleito Papa, e os seus filhos - Lucrécia e César - a tornarem-se nomes marcantes da história. Acusações de incesto, corrupção, homicidio e traição marcaram a ferro o nome dos Bórgia, e o mistério que rodeia a familia apaixonou Jordan que agora parece ter conseguido luz verde para o projecto.
As filmagens de Borgia deverão começar em Abril próximo, e os primeiros nomes avançados para o elenco indicam que estamos diante de uma verdadeira grande produção. Scarlett Johansson vai encarnar Lucrécia Bórgia, a sedutora e misteriosa filha do patriarca da familia, e Colin Farrell o seu irmão César Bórgia, personagem em quem Maquiavel se inspirou para o seu Principe.
O filme tem argumento e realização de Jordan e ainda não se sabe qual será o nome escolhido para viver a personagem central do filme.


Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:32 PM | Comentários (0)
Directamente de Inglaterra...
Chegam estes dois pequenos filmes que vão certamente dar muito que falar este ano. Pelo menos é o que se espera, vindo de quem vèm.
Mrs Henderson Presents é uma fortissima aposta da Weinstein Co. para este ano. É um dos filmes mais falados do ano, até porque tem uma Judi Dench em grande forma. O filme desenrola-se na 2º Guerra Mundial, onde Dench é dona de um teatro sui generis e vai tentar sobreviver aos dificeis anos da guerra graças a um grupo de belas raparigas que vão representar sem muitos adereços em cima. O filme é do veteranissimo Stephen Frears e conta ainda com Bob Hoskins no elenco.
Já vindo da Irlanda, Neil Jordan traz Breakfast On Pluto´s. Uma comédia sobre um jovem irlandês que troca a sua terra natal pela Londres dos anos 70 onde vira travesti, e acaba ainda confundido com elementos do IRA. Um notável desempenho de Cilian Murphy que lidera um elenco que conta ainda com Liam Neeson e Brendan Gleeson.
Ambos os filmes só devem chegar a Portugal no próximo ano, mas são serios candidatos a excelentes criticas e alguns prémios já no final de 2005 quando chegarem aos Estados Unidos.


Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:58 AM | Comentários (0)
novembro 02, 2005
Opinião - O Cinema em Mosaico
Porque é que as histórias têm de ser contadas numa linha linear num filme? Porque seguir uma personagem no principio, meio e fim do filme? Porque não olhar para uma questão, um episódio, por diferentes angulos? Porque não fazer "Cinema Mosaico"? A pergunta tinha pertinência, e a verdade é que, de há uns anos para cá a moda pegou. Que virtudes tem este novo estilo narrativo que tem conquistado tantos admiradores no universo cinematográfico?

1994. A Academia de Hollywood achou por bem premiar a magnifica comédia de Robert Zemeckis, um tal de Forrest Gump. Mas meses antes, em Cannes, um filme tinha pasmado meio mundo. Era um tal de Pulp Fiction, o segundo filme de um realizador de seu nome Quentin Tarantino. O seu primeiro filme tinha conquistado Sundance. O segundo conquistava o mundo. E o que fazia Pulp Fiction tão diferente de todos os outros? O humor, a violência, os diálogos. Certamente! Mas a grande diferença foi a forma como a história estava montada. Não havia continuidade narrativa, e tinhamos diferentes personagens que seguiamos, longe de suspeitar (ou talvez não), que todas elas se acabariam por cruzar. E assim, de um momento para o outro, todos os jovens autores quiseram também eles quebrar convenções. E é fácil encontrar, no pós-Pulp Fiction nomes jovens ilustres com trabalhos que seguiam uma narrativa paralela, longe da ideia de narrativa continua que sempre pautara a criação cinematográfica!
Sempre? Não, a verdade é que Tarantino não inventou nada. Aliás o realizador é conhecido por homenagear e recilcar, não por inventar. Já nos anos 60 filmes como The Longest Day - essa homenagem grandiosa de Darryl F. Zanuck ao Dia D, com um elenco inesquecivel num dos maiores momentos do Século XX - ou então com The Outrage, filme em que Laurence Harvey, Paul Newman e Claire Bloom dão a sua visão sobre o mesmo acontecimento, mostrando-nos a mesma história três vezes. E também Ship of Fools, essa viagem de Stanley Kramer por um universo de insanidade com uma inesquecivel Vivien Leigh! E mais tarde, já na década de 70, há o incontornável Robert Altman, realizador de Short Cuts, Pret-a-Porter e tantos outros.

O que é então o cinema mosaico?
Uma designação que pode ser contestada. No fundo o que distingue esta abordagem de outras é a forma como se conta a história. Este tipo de filmes acenta numa ideia. Essa ideia pode ser reduzida a um episódio, a uma personagem, a um momento. É essa a base em que o realizador - aqui intimamente ligado ao argumentista, e não é por acaso, que a esmagadora maioria dos filmes-mosaico são inspirados em argumentos originais - tem para trabalhar. Depois há quem criar um universo múltiplo, onde as personagens se cruzam, mas onde também procuram ter vida própria. Ao contrário dos "clássicos", onde há uma personagem central e várias personagens secundárias que nós só vemos, quando elas têm algo a dizer sobre a personagem principal, neste tipo de filme todos são secundários, todos são principais. Cada um tem a sua vida, cada personagem tem a sua profundidade dramática, a sua evolução espacial e temporal, e é a forma como se correlacionam, como se cruzam, como interagem que dá alma ao filme.
E depois há esses elementos de ligacação entre as personagens que nunca são pura obra do destino. Ou há algo que une todas as personagens, ou há um episódio que acaba por servir de elo unificador. E depois o final não é um final puro, como estamos acostumados. Por haver muitas histórias paralelas há sempre algo que fica em aberto. Porque estes filmes seguem essencialmente a ideia de que a própria vida é um livro aberto, em constante mutação e estranhamente inter-ligado. E ao explorar essa realidade, nos últimos anos, estes autores têm-nos dado filmes inesqueciveis.

Vale a pena lembrar alguns. Cronologicamente, depois de Pulp Fiction há o inesquecivel Smoke, conjunto de histórias de um conjunto de personagens nova-iorquinas de Paul Auster e Wayne Wang, com um elenco inesquecivel, que começa em William Hurt e passa por Harvey Keitel ou Forrest Withaker em papeis inesqueciveis. Um filme humano que vai influenciar filmes futuros como Magnolia, esse magnifico filme-mosaico de Paul Thomas Anderson, ou o mais recente Crash, essa alegoria do racismo em Los Angeles do antigo escriba hoje também realizador, Paul Haggis. E também nos fomos habituando a jovens e irreverentes autores utilizarem esse mecanismo para explorarem os seus universos alternantivos. Lá encontramos Spike Jonze no seu Adaptation, onde o argumentista Charlie Kauffman se expõe por completo na pele do inesquecivel Nicholas Cage. Ou então o aclamado - mas altamente vazio - Elephant, onde seguindo personagens que, por obra do Destino (ou talvez não) se cruzam diariamente sem saber que a morte os espera calmamente. E quem enumera estes filmes - com medo de se esquecer de outros - lembra-se também da crueza de 21 Grams, de Full Fontral ou ainda de Traffic, ambos do sempre irreverente Soderbergh.

A questão central que se coloca é se esta moda veio para ficar. Há alguns anos julgava-se que era apenas algo passageiro, ligado essencialmente a pequenos autores em busca de afirmação de uma forma original. De alguma forma tinham razão. Muitos dos filmes-mosaico foram uma das formas de jovens autores se afirmarem á sua maneira. Mas não foi um exclusivo de jovens autores. Cada vez mais, pelas multiplas abordagens que permite, e normalmente, pelo seu baixo custo de produção, este tipo de filmes surge como um produto apetecivel para alguns estúdios. Por ter uma imagem algo indie, longe dos filmes de grande produção, é dificil ainda ver um filme-mosaico atrair a uma grande fatia da audiència, mas a verdade é que, com o passar dos anos, os criticos e amantes do cinema vão-se rendendo a esta nova forma de fazer cinema. Resta saber se o mercado não vai acabar saturado com tantos filmes que deveriam ser alternativos a padronizarem-se num movimento cada vez mais mainstream, ou se o futuro vai apenas pautar-se pela afirmação e consolidação de um espaço próprio para aquilo que se convencionou chamar de "cinema mosaico".
Miguel Lourenço Pereira
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:47 PM | Comentários (1)
O Que Estreia Por Cá - Não se metam com o Jardineiro
Falamos a semana passada de The Constant Gardener. Um thriller intenso passado no interior do continente negro. Fernando Meirelles pega no romance de John Le Carré, acrescenta-lhe uma pitada de terceiro-mundismo, escolhe um elenco perfeito, e monta aqui um dos filmes mais interessantes do ano...

Ralph Fiennes é um jovem diplomata. Antes de partir para o Quénia, onde vai integrar o corpo diplomático, casa-se com Rachel Weisz, mulher de quem pouco sabe. Em África ele dedica-se á jardinagem. Não quer preocupar-se com politica ou com o que se passa fora de sua casa. Bem ao contrário da sua jovem e bela mulher, uma activista dos direitos humanos que se esforça para ajudar o povo queniano. Quando ela é brutalmente assassinada, o fiel e pacifio jardineiro transforma-se. Começa a perceber o mundo que o rodeia mas não hesita em vingar a morte da sua eterna amada. E ninguém está a salvo da sua ira!
Fernando Meirelles assina mais um poderoso trabalho, depois da obra-prima que é Cidade de Deus. Com uma fotografia e banda sonora adequadas na perfeição, e um leque de actores fabulosos - alguns dos desempenhos do ano encontram-se aqui - The Constant Gardener é um filme obrigatório para este Outono.

Semana com cinco filmes a estrear, alguns deles bem interessantes.
In Her Shoes é o novo trabalho de Curtis Hanson, autor do aclamado L.A. Confidential. O filme conta a história de duas irmãs completamente diferentes, que descobrem a importância que cada uma tem na vida da outra, com a ajuda de uma simpática avó. Um filme não só para o público feminino, como se faz crer, e com um trio de excelentes desempenhos de Cameron Diaz, Toni Collete e Shirley McLaine.

Le Marche de L´Empereur foi um dos grandes femómenos do ano nos Estados Unidos. Estreou em Portugal com o Festival de Cinema Francês e chega agora ás salas comerciais depois de ter sido aclamado como o documentário do ano um pouco por todo o mundo. Luc Jacquet filma aqui uma das mais belas histórias de amor do mundo, a marcha do pinguim imperador na Antártida, entre o acasalmento e o primeiro ano de vida dos pequenos pinguins, uma viagem cheia de sofrimento, emoção, e também, de amor!

Habana Blues conta a história de dois jovens musicos cubanos que recebem um convite para gravarem um album em Espanha. Mas seguiro o sonho implica deixar para trás a familia e todos os que amam. Será que os sonhos ás vezes valem sempre tudo, ou haverá algo maior? Drama explorado pelo realizador Benito Zambrano.

A Sounf of Thunder junta Edward Burns e Catherine McCormack num filme de acção dirigido por Peter Hyams. Uma agência patrocina viagens no tempo para endinheirados poderem fazer safaris em qualquer época da história. Mas numa das expedições alguém muda o rumo da história, pondo em causa todo o processo.

Doom adapta um dos mais famosos videojogos da história. Andrzej Bartkowiak dirige este filme sobre a sobrevivência numa estação em Marte, quando um erro de cientistas desencadeia uma verdadeira maldição. Filme com Karl Urban e Rosamund Pike.

O Hollywood Recomenda : Um conjunto de três filmes: The Constant Gardener, In Her Shoes e Le Marche d L´ Empereur. Uma belissima colheita.
O Hollywood Desaconselha : Apesar de ser, sem dúvida alguma, um dos mais espantosos videojogos de sempre, o filme não se compara ao jogo. Doom é candidato a um dos piores do ano!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:42 AM | Comentários (0)
novembro 01, 2005
Garner em filme erótico
A jovem actriz norte-americana Jennifer Garner está prestes a protagonizar o filme Sabbatical. O filme pertencia á sua produtora, a Vandalia Films, e foi vendido á Touchstone com a garantia de que o papel principal pertencerá a Garner.
O filme é descrito como um intenso thriller erótico, e conta a história de um casal que, para animar o seu moribundo casamento, tira quinze dias de "férias" um do outro. A ideia é dedicar esses quinze dias a explorar relações alternativas, e depois voltarem a juntar-se. O problema é que o marido nunca regressa e a personagem vivida por Garner enceta então uma minuciosa busca, tentando passar por todos os locais onde ele tenha estado nos quinze dias de férias.
O filme será filmado apenas no próximo ano. O guião, o realizador e o elenco são ainda uma incógnita, mas, obviamente, o interesse dos fãs passa por saber até que ponto chegarão as cenas intensas que a futura mamã do primeiro filho do também actor Ben Affleck irá fazer neste seu próximo projecto.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:11 AM | Comentários (1)
The Legend of Zorro - Mascarada total!
O perigo das sequelas é sempre estar abaixo das expectativas lançadas pelo filme original. No caso de The Legend of Zorro nem havia esse perigo, já que o primeiro filme do "heroi-mascarado" não tinha trazido muito de interessante. Mas, apesar disso, soube ser um filme de entretenimento bem feito. Este seu sucessor é um dos mais fortes candidatos a pior filme de 2005.
Filme de ![]()

Não há absolutamente nada que funcione naquele que será sempre visto como uma das mais fracas tentativas de fazer cinema de entretenimento. Tudo o que resultava no primeiro filme - que longe de ser um bom filme, era no entanto algo "comestivel" - falha redondamente aqui. O humor, as cenas de acção, as falas, os momentos de maior tensão. Há aqui um vazio inexplicável. Pior, há uma enchurrada de lugares comuns dos filmes de acção que tornam este The Legend of Zorro um corta e cola de todos os filmes que já foram feitos. Com um problema. Puseram tanta cola que acabaram por estragar o pouco de bom que dali podia ter saido. E não falamos em cinema de qualidade, não era isso que se esperava desse filme. Falemos apenas de entretenimento que é para isso que estas produções sem sentido, senão o de dar dinheiro ás produtoras para estas depois poderem fazerfilmes sérios (alguém poderá explicar o porquê do nome de Spielberg como produtor executivo?), realmente servem!
Chega a ser verdadeiramente insultuoso a forma como Martin Campbell brinca - e o termo aqui é mesmo esse - com o espectador. Basta nos lembrarmos um pouco de Anthony Hopkins como um Zorro veterano para percebermos que tudo neste filme foi deturpado. E para cumulo dos cumulos, a única coisa que salva o filme acaba mesmo por ser o heroi mascarado. Mas já lá vamos.

Nesta aventura do heroi da Califórnia, há um vilão que pertence a uma organização secreta que manda no undo, mas que quer mandar ainda mais destruindo a América, já de si ás portas da Guerra Civil. Pelo meio há os dois primeiros agentes da CIA - que não ficam nada bem retrados na fotografia - um padre que parece uma imitação barata do Robert De Niro se este fizesse de padre, e ainda um leque de incompetentes vilões, que, curiosamente, nunca são mortos. Zorro é um homem de paz e consegue passar o filme, entre duelo e mais duelos, sem matar praticamente nenhum homem, nem nos momentos de maior fúria. Quem diria!
Resta-nos a familia de herois - quase a tentar capturar o espirito de The Incredibles, onde até o mais pequeno é capaz das mais espantosas acrobacias - retratada até ao cúmulo da estupidez. Antonio Banderas mostra que é um bom actor, porque no ridiculo completo da sua personagem, ele consegue mostrar verdadeiros tiques de actor. As crises de ciumes, as sucessivas bebedeiras, as tropelias e saltos inimagináveis diante dos mais temerosos dos adversários, tudo isso só chega para destruir por completo uma das personagens mais miticas da imaginação popular americana. Se não fosse a mestria do actor espanhola, em muitas das cenas em que o cinema vai abaixo com tanta ridicularidade, e o filme seria bem pior do que realmente é. O que é um luxo nestas ocasiões. De Zeta-Jones não falamos muito porque, apesar de se notar que a camara tem uma clara paixão por ela, a verdade é que a sua personagem náo lhe dá o minimo espaço de manobra neste caso. E quanto ao miudo, deixemos apenas a esperança de não haver um terceiro filme, desta vez com o miudo, porque isso seria claramente o fim da carreira de Campbell.

O que é pior neste filme é que o que deveria ser o seu motor - as cenas de acção e o humor - são mal construidos desde o primeiro instante. Não há qualquer empatia possivel com personagens tão ridiculas quanto estas. Assusta o vazio de ideias que vai pela cabeça de Campbell (só de imaginar o próximo Bond...), como assusta a forma como os estúdios continuam a tratar o grosso dos seus espectadores como se fossem realmente estúpidos. Mesmo o mais comum dos frequentadores de uma sala de cinema, aquele que não precisa de saber quem foi Capra ou Ford, terá dificuldade em engolir esta salada de fruta de erros e trapalhadas. E quando isso acontece, para um filme destes, ou melhor, para o que este filme queria ser e nunca é, isso é a pior coisa que pode acontecer. Por falhar em todos os pontos do principio ao fim, não há redenção possivel. Por muitos malabarismos que faça a marca do Zorro está definitvamente manchada.
Classificação - ![]()
O Melhor - Não há nada que se salva. Talvez, em algumas cenas, António Banderas.
O Pior - Por onde começar? Na primeira página desta review certamente.
Curiosidade - No final, aquando da assiantura do tratado de adesão da Califórnia aos Estados Uidos, temos a oportunidade de ver, por alguns instantes, no mesmo plano, Zorro e Abraham Linclon.
Site Oficial - www.sonypictures.com/movies/thelegendofzorro
Realizador - Martin Campbell
Elenco - Antonio Banderas, Catherine Zeta-Jones, Rufus Sewell, ...
Produtora - Columbia
Classificação - m/12
Duração - 129m
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:20 AM | Comentários (8)