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novembro 28, 2005

Antevisão - The Libertine

É o regresso de Johhny Depp ás suas mais excêntricas personagens. Um Casanova com uma ponta de cinismo e ironia "deppiano", um heroi em dias de moralidade, um pervertido numa era onde o prazer era pecado. E mais um papelão de Depp, capaz sozinho de arrastar nas costas este aparentemente obscuro The Libertine....
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A critica norte-americana tem-se dividido. Para uns o filme é um imenso vazio, uma experiência falhada de uma adaptação que provavelmente nunca teria existido. Para outros há ali algo que merece ser visto com atenção. E um filme destes dificilmente será consensual, havendo acérrimos defensores de ambos os lados.
Mas quer os apologistas, quer os detractores de The Libertine concordam numa coisa: o filme é Johnny Depp.
Nada de novo, note-se. Estamos mais do que habituados a ver o actor norte-americano a carregar filmes ás costas. Mas este caso é especial. Depois da contenção de Finding Neverland e da loucura de Charlie and the Chocolate Factory, este papel volta a mostrar Depp nos terrenos onde se sente mais á vontade. Onde o seu charme, a sua ironia mordaz, a sua capacidade de improvisação, jogam em casa.
O actor está no pico da sua forma, desde há três ou quatro anos para cá, e ano após ano entrega uma das melhores performances do ano. Num ano tão confuso como este, Depp, em The Libertine, pode ser, acima de tudo, refrescante de ver.
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O filme conta a história de John Wilmot, conde de Rohcester e um dos homens mais pervertidos e debochantes da sua era. Conhecido pelas inúmeras amantes, pelos duelos que travava contra qualquer um, pelas cavalgadas nocturnas, a bebida e a sua própria arrogância - que será a sua queda.
Uma história recheada de episódios interessantes, que espelham bem a decadência da nobreza britânica da corte de Carlos II, da qual a vida de Wilmot é o exemplo perfeito. Para mote do filme está o caso tórrido que o conde teve com uma jovem e popular actriz, e a peça que escreveu contra o próprio rei, que faria com que acabasse por ser banido e abandonado por todos. Stephen Jeffreys escreve esta adaptação da sua própria peça sobre Wilmot e dá espaço para o espectador viajar para uma era que para nós é ainda dificil de entender.
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O filme é dirigido por Laurence Dunmore, um estreante, com uma pesada tarefa sob os ombros. Encontrar o registo certo entre o dramatismo da história e os delirios da sua personagem principal. Depp é o motor do filme mas não está só. John Malkovich como Carlos II e as belas Rosamund Pike e Samantha Morton como amantes de John Wilmot dão um tom mais estrelado a um elenco maioritariamente composto por actores britânicos.
Com várias nomeações aos prémios do cinema independente britânico, The Libertine prova que é um dos filmes que mais interesse despertará nos próximos meses. Centrado no trabalho de um actor como há poucos neste momento, com o ambiente histórico que tão bons resultados tem dado, o filme promete algo mais do que uma monótona viagem ao passado!

O QUE SE DIZ

"A beleza e o talento de Johnny Depp salvam este filme maçador sobre a vida e os dias de infamia do segundo conde de Rochester!"

Manohla Dargis, New York Times

"Para os que aguentarem, as recompensas são consideráveis!"

Sheri Linden, Hollywood Reporter

"Apesar do arrjo de Depp como o escandaloso poeta, esta adaptação desilude e tem mais em comum com Quills e Stage Beauty, tudo filmes com falhas sobre artistas "desviantes" que quebraram tabus!"

Emanuel Levy, EmanuelLevy.com

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às novembro 28, 2005 07:00 PM

Comentários

Será que é desta que ele ganha o seu oscar? Assim o espero, porque sem minima de duvida este homem é um genio.

Publicado por: Pedro às novembro 28, 2005 10:04 PM

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