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novembro 21, 2005
Antevisão - Walk the Line
Depois de Ray Charles, Johnny Cash. Um amor antigo do realizador James Mangold que agora ganha contornos de fábula americana. O filme tem conquistado tanto a critica como o público, é um dos mais fortes candidatos a filme do ano, e traz Joaquin Phoenix e Reese Witherspoon como nunca os vimos antes...

O imenso sucesso de Ray no ano passado relançou a ideia dos biopics de grandes nomes da música. Kevin Spacey já se tinha aventurado pelo mesmo caminho, mas o seu Beyond the Sea não conquistou o público, também porque Bobby Darin não tem o mesmo impacto que Ray Charles.
Para 2005 temos mais um capitulo destes biopics-musicais. Walk The Line conta a vida de Johnny Cash, o rei da country music, uma das figuras mais perturbadas e fascinantes da música norte-americana. O homem que vestia sempre de negro, amargurado pelo passado, inquieto em relação ao futuro, é o tema deste regresso ao passado, ao som de músicas vibrantes como Ring of Fire. Um filme que regressa ás origens de Cash, ao papel que teve em definir a música country nos anos 60, e ao seu imenso amor por June Carter, também ela cantora, que acabaria por se tornar numa das mais intensas relações da época.
Dirigido de forma competente por James Mangold, com notáveis desempenhos de Joaquin Phoenix e Reese Whiterspoon - que aproveitam o balanço e para além de representarem, também cantam - Walk the Line é uma das grandes estreias do Outono norte-americano, e um dos mais fortes candidatos a filme do ano. Porquê? Porque transpira a magia de um nome singular na jovem história dos Estados Unidos.

O filme começa na juventude de Cash. Os pais queriam que fosse padre, mas era demasiado rebelde para seguir o caminhos do Senhor. A visão da morte do jovem irmão perturbou-o imenso e a sua juventude foi passada em pequenos trabalhos que iam dando para viver, mas também, para conhecer melhor a vida. Foi quando pegou numa guitarra e começou a cantar a América, de dentro para fora, que o Mundo parou e escutou, fazendo de Johnny Cash um icone nacional. Pelo meio fica a mente perturbada de Cash e a sua relação amorosa com June Carter, a verdadeira alma do filme. Walk the Line prima pela competência, pela sobriedade e pela magia do universo muito próprio do cantor e do mundo que o rodeava .Um filme que tem conquistado tudo por onde passa.

E isso acontece também por culpa da dupla de actores que Mangold contratou. Phoenix é Cash, fisicamente quase sem tirar nem por, mas também por dentro. A sua alma doi-lhe com a mesma intensidade - há quem diga que ter visto o seu irmão River Phoenix morrer lhe deu o que precisava para encarnar Cash desta forma - e o seu talento como actor (que já conheciamos de Gladiator ou The Village) vem ao de cimea, criando assim uma composiçõ impar, falando-se já em prémios, entre os quais, o inevitável oscar. Mas para os criticos a alma do filme é Reese Whiterspoon. A sua June Carter Cash é sensual, enérgica e mágica. A sua performance suplanta Phoenix e serve como motor da narrativa, num ritmo cheio de garra e presença, ao contrário do introspectivo Phoenix/Cash. Tal como acontece com Phoenix, há muitos meses que se falam em prémios para a "namoradinha da América".

Walk the Line é um ambicioso retrato de um cantor dificil de resumir num filme. Mas uma tarefa que Mangold terá conseguido levar a bom porto, a imaginar pelas entusiásticas reações ao filme. Cash era um icone da América, tal como Charles. Após Walk the Line voltará certamente aos ouvidos e corações do mundo. Phoenix e Whiterspoon podem ter finalmente encontrado a chave certa para uma carreira de grande sucesso. E Hollywood parece ter encontrado em mais uma figura norte-americana, matéria prima para elogiar e premiar. Walk the Line estreia em Janeiro em Portugal. Até lá, os mais ansiosos terão de se contenar com os mais vibrantes albuns de um músico que mudou a face da música na América dos anos 60.
O QUE SE DIZ
"Johnny Cash cantava como sentia...Walk the Line, com as suas notáveis performances de Joaquin Phoenix e Reese Witherspoon, ajudarvos-ão a compreender o porquê!"
Roger Ebert, Chicago Sun-Times
"O filme de James Mangold, também, tem as suas recompensas na forma como consegue evitar os perigos mais comuns de retratar uma lenda, especialmente, uma lenda da música."
Kirt Honeycutt, Hollywood Reporter
"Walk the Line é notavelmente representado, musicalmente vibrante e um biopic convencional bastante satisfatório?"
Todd McCarthy, Variety
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às novembro 21, 2005 07:18 PM