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novembro 17, 2005
As 50 Estrelas de Hollywood - 20º ao 11º lugar
Não entrar no top10 pode parecer uma frustração para quem chegou até aqui. Mas nem todos lá podem chegar. Estar nos primeiros vinte lugares é já um sinal de irrefutável importância no desenrolar daquilo a que chamam a magia do cinema. Mas não serão todos estes nomes partes importantes do nosso imaginário?
Aqui fica o penúltimo lote de estrelas, do 20º ao 11º lugar...
20 - SHIRLEY MACLAINE
(1934 - )

Ao longo da sua carreira trabalhou com alguns dos maiores realizadores de Hollywood. Foi essencialmente nas mãos de Billy Wilder que Shirley MacLaine provou porque é uma das melhores actrizes da história. A sua beleza não seguia os padrões dos sex-symbols da era, a sua frontalidade valeu-lhe muitos inimigos na indústria, mas ainda hoje, cinquenta anos depois de ter começado, Shirley MacLaine ainda dá provas do seu gigantesco talento.
A estreia não podia ter sido mais auspiciosa. Foi em 1955 no divertido Troubles With Harry de Alfred Hitchcock. O realizador reparou nela, lançou-a para a ribalta, e assim nasceu uma estrela. Em 1958 faz uma performance inesquecivel - uma das melhores de sempre certamente - em Some Came Running de Vincent Minelli. Um desempenho poderosissimo que lhe vale uma primeia nomeação ao óscar. Algo que repetirá dois anos depois pelo seu assombroso desempenho em The Apartment de Billy Wilder. O filme marcará a primeira colaboração entre ambos que conhecerá novo capitulo de sucesso em 1963 com Irma la Douce. Nova nomeação e nova derrota para McLaine que começa a mostrar o seu descontentamento com Hollywood. Os anos 60 e 70 passam a correr até que chega em 1975 o seu premiado documentário, The Other Half of the Sky, um trabalho sobre a China. Dois anos depois a quarta nomeação ao óscar pelo seu papel em Turning Point. O resultado final foi o mesmo. Foi preciso esperar até 1984 para que a já veterano actriz levasse de vencida as rivais e subisse ao palco para reclamar o óscar. Num dos mais espantosos discursos de sempre, MacLaine abre dizendo "I deserve this...i really deserve this!". Estava feita justiça. A carreira da meia-irmã de Warren Beatty continua calmamente, com alguns pontos altos como Stealing Magnolias ou Guarding Tess. O último ano foi bastante activo para MacLaine que regressa em estilo, primeiro em In Her Shoes, já por cá estreado, e também com Rumor Has It. A sua carreira mostra sinais de que não vai parar tão cedo. O mundo agradece!
19 - TOM HANKS
(1956 - )

É o porta-estandarte da sua geração. O mais completo actor a surgir nos últimos vinte ano, Tom Hanks começou por ser um improvável comediante. Foi quando encontrou o seu lugar certo no cinema dramático da década de 90 que se consagrou definitivamente junto do público e da critica.
Uma carreira que começou em 1980 no universo da comédia. No final da década, Tom Hanks já era um dos nomes consagrados de comédia com papeis em Splash e Big, este último valendo-lhe a primeira nomeação ao óscar. Em 1990 surge a primeira tentativa para Hanks entrar num projecto "sério" mas The Bonfire of Vanities é um tremendo fracaso. Depois de um breve regresso à comédia (Sleepless in Seatle) surge o primeiro grande papel dramático na sua carreira. Em Philadelphia, Hanks vive um homossexual infectado com SIDA que parte numa cruzada contra todos aqueles que o ostracizaram devido à sua doença. O desempenho é assombroso e o actor conquista o seu primeiro óscar. Mas em 1994 Hanks supera-se assinando o seu melhor desempenho de sempre em Forrest Gump. O americano mais idiota da história é também o papel que confirma definitivamente Hanks como um actor de excelência. Sem grandes surpresas, o recorde de Spencer Tracy é igualada e Hanks leva o seu segundo óscar. Há quem diga mesmo que uma dupla conquista tão cedo o impediu de ganhar mais prémios nos anos seguintes. Prémios esses que teriam sido merecidos.
No ano seguinte está no premiado Apollo 13, voltando a exibir-se a bom nivel e em 1998 volta a ser nomeado por Saving Private Ryan, filme que marca a sua primeira colaboração com Steven Spielberg. A derrota para Roberto Benigni prova que a Academia não estava preparada para fazer dele o actor com mais óscares da história, e depois de nova parceria com Meg Ryan em You´ve Got Mail, há Green Mile e Cast Away, dois aplaudidos trabalhos que provam que Hanks continua em excelene forma. Surge então Band of Brothers, a estreia de Hanks na produção televisiva e Road to Perdition, o seu maior flop de carreira. Ainda em 2002 é o secundário perfeito em Catch Me If You Can - terceira colaboração com Spielberg - que retoma em 2004 no magnifico The Terminal. Nesse ano trabalha ainda com os Coen em The Ladykillers e faz parte do projecto pioneiro de Robert Zemeckis The Polar Express. Entretanto assina contracto para viver uma das mais desejadas personagens dos últimos ano, Harry Langdon, estando prestes a estrear The Da Vinci Code, onde assina o seu segundo filme com Ron Howard. Como actor e produtor a sua carreira está repleta de sucessos e o céu é o limite para Tom Hanks, um actor para todas as geraçóes.
18 - GARY COOPER
(1901 - 18961)

Durante muitos anos os americanos sonharem em ser como ele. Dono de uma beleza dura mas contagiante, de uma pose humilde mas determinada, Gary Cooper foi o heroi de mais do que uma geração. Em trinta anos de carreira tornou-se num dos mais bem sucedidos e amados actores de sempre. E mesmo a polémica que envolveu a sua vida privada (a sua relação extra-matrimonial com Patricia Neal) nunca alterou a sua imagem de galã e cavalheiro.
A sua estreia no cinema data do periodo mudo e em 1927 é um dos actores de Wings, o primeiro filme oscarizado. Nos anos seguinte consagra-se em filmes como Morroco, A Farewell to Arms e Now and Forever. Em 1936 trabalha pela primeira vez com Frank Capra que o escolhe para iniciar a sua triloga sobre o comum americano. Em Mr Deeds Goes To Town faz o seu melhor papel até à data e é nomeado ao óscar .A sua cotação está em alta e dá-se ao luxo de rejeitar em 1939 papeis em Stagecoach e Gone With the Wind. Entre 1941 e 1943 os seus maiores desempenhos de cada ano são nomeados ao óscar. Vence na primeira tentativa por Sargeant York, mas está perto de repetir a façanha em The Pride of the Yankees e For Whom the Bell Tolls. A sua amizade com o escritor Ernst Hemingway (que cometerá suicidio um mês após a morte de Cooper), torna-o popular entre a comunidade intelectual. Para trás ficou o sucesso de The Westerner e Meet John Doe, o capitulo final da trilogia de Capra. Em 1949 trabalha com King Vidor em The Fountainhead e conhece Patricia Neal que será sua amante até à morte.Em 1951 está pela primeira vez em 15 anos fora do top 10 dos actores favoritos do público. É no entanto no ano seguinte que consegue o seu melhor desempenho em High Noon, fazendo um comeback triunfal que lhe dá o seu segundo óscar. A partir daí vai progressivamente abandonando o cinema. O cancro que o levará à morte em 1961 deixa-o apenas voltar a brilhar uma vez mais, em Man of the West de Antohny Mann. Com a morte de Cooper, Hollywood começava a encerrar um capitulo dourado da sua história.
17 - LAURENCE OLIVIER
(1907 - 1989)

Durante meio século foi considerado o maior actor inglês de sempre. Uma carreira sempre dividida entre o cinema e o teatro, um nome que todos aprenderam a respeitar e a amar. Atravessou gerações e criou um culto de admiração à sua volta que é dificil igualar.
Começou nos palcos londrinos e no inicio dos anos 30 salta para o cinema britânico. Assume-se como o maior actor shakesperiano, e em 1937 dá um ar da sua graça em Fire Over England. Conhece Vivien Leigh. O seu casamento será um dos mais badalados da época (e o seu final também) e ajuda-a a conquistar o lugar de Scarlett O´´Hara. Nesse mesmo ano faz o seu primeiro grande desempenho em Hollywood no filme Wuthering Heights. No ano seguinte trabalha com Hitchcock em Rebecca recebendo a sua segunda nomeação consecutiva ao óscar. Começa a adaptar em 1945 Shakespeare ao cinema. Primeiro com Henry V (terceira nomeação e prémio especial da Academia como actor, realizador e produtor) e em 1948 com Hamlet, filme que lhe irá dar o único óscar da carreira como melhor actor, mas também o óscar de Melhor Filme (falhou apenas o de realizador). Em 1955 continua com Shakespeare em Richard III (mais uma nomeação) e em 1957 está ao lado de Marilyn Monroe no admirável The Prince and the Showgirl. Em 1960 nova nomeação por The Enterteiner e regresso a Shakespeare cinco anos depois no filme Othello. O seu maior papel surge em 1972 ao lado de Michael Caine no filme Sleuth, que lhe dá a sua nona nomeação ao óscar. Mas não será a única. Passará os anos 70 a fazer pequenos papeis secundários, conseguindo novas nomeações por Marathon Man e Boys From Brazil, onde é o caçador de nazis Ezra Lieberman. Para trás tinham ficado inesqueciveis papeis em Spartacus, Khartoum e The Merchant of Venice. Morre em 1989 com 82 anos.
16 - PETER O´TOOLE
(1932 - )

No meio do inesquecivel deserto da Arábia, os seus olhos azuis eram um irradiar de energia como há muito o cinema não vi. Tomara a todos os actores poderem dizer que se estrearam como Peter O´Toole, que consegue o seu melhor papel de sempre naquele que foi também o seu primeiro filme.
Irlandes de temperamento agitado, tinha tido umas breves participações em três filmes na altura em que foi escolhido para ser T.E. Lawrence. Não era nem a primeira, nem a segunda escolha, mas a sua presença fizeram de Lawrence of Arabia um dos maiores filmes da história. Apesar de todos os prémios que o filme ganhou, O´Toole falhou em conquistar o óscar, uma maldição que o iria perseguir para a vida em sete diferentes tentativas.
Depois de três anos a viver á sombra do sucesso, mas um assombroso desempenho em Becket, onde contracena com Richard Burton, o seu maior rival, vivendo o rei Henrique II de Inglaterra. Será novamente como Henrique II, mas numa versão mais rude e brutal que O´Toole volta a alcançar a perfeição com que iniciara a carreira, em The Lion in Winter. Pelo meio tinham ficado Lord Jim, esse estrondoso e brilhante falhanço, What´s New Pussycat? e o inesquecivel anjo Gabriel de The Bible. Em 1969 consegue a sua quarta nomeação na mesma década ao protagonizar Goodbye Mister Chips!, filme que até já tinha dado um óscar a Robert Donat trinta anos antes.
The Ruling Class em 1972 é a sua quinta nomeação e o seu mais fascinante trabalho da década de 70. Seguem-se The Man From La Mancha, onde é um improvável Don Quixote, Caligula e The Stunt Man, penultima nomeação e um dos seus mais interessantes trabalhos. Em 1982 última nomeação, desta feita por My Favourite Year, mais um trabalho notável, e em 1987 encontramo-lo no multi-premiado The Last Emperor. No final dos anos 80 O´Toole desaparece. É recuperado por Wolfgan Peterson em Troy, no ano passado, e desde aí parece ter retomado a actividade regular de actor. O óscar honorário de 2002 serviu para fazer as pazes com a Academia, mas tal como o seu rival e amigo Burton, ele é um dos grandes injustiçados da história do cinema.
15 - RICHARD BURTON
(1925 - 1984)

Partilha com Peter O´Toole o trono de uma geração, mas a verdade é que a sua fleuma galesa, a sua voz inconfundivel e o seu leque de performances fazem dele o porta-estandarte desse magnifico grupo de actores que incluia ainda Michael Caine ou Albert Finney.
Burton começa a sua carreira em 1949 e a sua ascensão será praticamente imediata. Em 1952 é soberbo no final My Cousin Rachel. É nomeado para melhor actor secundário. Tal como O´Toole serão sete as nomeações sem qualquer vitória. No ano seguinte a nova estrela britânica chega á categoria principal pelo seu desempenho no aclamado The Robe. Continuando na época clássica, é um convincente Alexandre em Alexander the Great de Robert Rossen em 1956. No ano seguinte está numa das obras-primas de Nic Ray, Bitter Victory, onde é de uma intensidade dramática absolutamente notável. Chefia a geração dos young angry rebels em Look Back in Anger e depois de fazer Shakespeare e de ajudar a invadir a Normandia no épico The Longest Day, é escolhido para ser Marco António naquele que seria o mais ambicioso projecto de sempre. O seu desempenho é de altissimo nivel mas Cleopatra será um fracasso. Nem a relação amorosa que Burton começa com Elizabeth Taylor nas rodagens do filme, e que se tornará numa das relações mais conturbadas e famosas da história, salva o filme. A sua reputação continua imaculada e divide o ecrãn com Peter O´Toole em Becket, partilhando igualmente mais uma nomeação aos óscares. Seguem-se The Night of the Iguana, poderoso drama, e em 1965 o seu mais contido e aplaudido desempenho em The Spy Who Came From the Cold. Ao lado de Elizabeth Taylor brilha como poucos na obra de estreia de Mike Nichols, o inesquecivel Who´s Affraid Virginia Wolf. Mais uma vez o oscar vai para outro e Burton continua a trabalhar com Taylor, desta vez em The Taming of the Shrew. Acaba a década em alta no filme Anne of the Thousand Days e em 1974 divorcia-se de Liz Taylor após uma serie de conflitos matrimoniais. No entanto o casal volta a juntar-se no ano seguinte, para se separar finalmente em 1976. Estes foram os anos menos proliferos para Burton, que em 1977 regressa de novo em estilo no filme Equus. Em 1984 entra na adaptação homónima de George Orwell, ao lado de John Hurt, mas a sua saúde, minada pelo alcool e tabaco, não lhe permite voltar a filmar. Morre nesse mesmo ano deixando um imenso vazio que mais nenhum actor soube preencher.
14 - MERYL STREEP
(1949 - )

É a grande actriz dos últimos trinta anos. Nenhuma das que se lhe seguiram conseguiram alguma vez transmitir a sua sensibilidade dianta da camara, e, ao mesmo tempo, a sua força interior, que fazem dela um dos maiores "monstros" vivos da representação.
Meryl Streep começou a carreira em grande com o filme Julia. No ano seguinte já era nomeada aos óscares pelo seu desempenho em The Deer Hunter de Michael Cimino. Woody Allen repara nela e junta-a à sua troupe para fazer Manhatan mas é o seu desempenho em Kramer vs Kramer que a estabelece como mais uma estrela para a constelação de Hollywood. Vence o óscar de melhor actriz secundária e o seu filme seguinte, The French Lieutenent´s Woman, conquista a primeira nomeação para actriz principal. Em 1982 conquista o segundo óscar pelo filme Sophia´s Choice. Quatro nomeações e dois óscares em seis anos deixavam já antever que a jovem Streep não iria ficar por aí. E de facto a década de 80 é de ouro para a actriz. Depois do óscar vem Silkwood, o inesquecivel Out of Africa, Ironweed e A Cry In the Dark. Quatro papeis fabulosos, quatro nomeações, quatro sucessos da critica. Streep era já unanimemente considerada a melhor actriz em actividade.
Postcards From the Edge começa da melhor forma a década de 90 para Streep e ao lado de Clint Eastwood em The Bridges of Madison County volta a superar-se. O final dos anos 90 são espantosos para a actriz graças aos desempenhos em Marvin´s Room, One True Thing e Music From the Heart. Em 2002 entra em dois sucessos, The Hours e Adaptation, e pelo último consegue a sua 13º nomeação aos oscares, um recorde. Marca presença na popular serie Angels in America e dá vida ao filme The Manchurian Candidate. Este ano vamos poder vê-la em Prime mas a sua carreira está longe de abrandar. Para os próximos dois anos são já 10 os projectos em que Streep fará parte. Uma actriz verdadeiramente excepcional, e de incomparável talento nos dias que correm.
13 - HENRY FONDA
(1905 - 1982)

A familia Fonda está intimamente ligada à história do cinema nos últimos oitenta anos. Apesar de todas as polémicas que o envolveram ao longo da careira, Henry Fonda soube sempre manter-se igual a si mesmo. Antes de morrer teve a justiça que merecia.
"Hank" Fonda chega em 1935 a Hollywood. Partilhava um quarto com James Stewart enquanto tinha aulas de representação com a mãe daquele que viria a ser Marlon Brando. Pelo meio fica um passado cheio de casos, o mais famoso dos quais foi o polémico casamento com Margaret Sullavan. Teve o seu primeiro grande papel em 1937 no filme You Only Live Once de Fritz Lang. A sua carreia continuou a progredir nos anos seguintes, com presenças em filmes como Jezebel e Drums Along the Mohawk. Em 1939 é um inesquecivel Abraham Lincoln em Young Mr Lincoln. O filme marca o inicio da colaboração com John Ford que irá acabar abruptamente no set de Mister Roberts, em 1955, quando Ford soca Fonda após uma violenta discussão.
Em 1940 é Tom Joad na inesquecivel adaptação de The Grapes of Wrath de John Steinbeck. O filme foi altamente censurado à época o que impediu Fonda de vencer o seu primeiro óscar. Só voltará a ser nomeado quarenta e um anos depois.
Trabalha com Lang de novo em The Return of Frank James e com Wellman em The Box-Ow Incident. É perfeito no seu terceiro filme com Ford, My Darling Clementine, como Wyatt Earp e volta a trabalhar com o realizador em Forte Apache e Mister Roberts. Acabada a união com Ford, enveredra pelo drama em War and Peace, passa pelas mãos de Hitchock em The Wrong Man e produz e representa de forma sublime 12 Angry Men. A sua presença nos palcos é constante e apesar de regressos ao cinema em filmes como Warlock, The Longest Day ou How the West Was On será em 1968, como vilão em Once Upon a Time in the West que Fonda volta ao seu melhor. Por essa altura corta relações com a polémica filha, Jane Fonda, e começa a sentir-se doente. Passa os anos 70 na televisão e em 1980 recebe um óscar honorário. Em 1981 junta-se a Khatarine Hepburn e à filha Jane Fonda, com quem faz as pazes, em On a Golden Pond. O filme é um relativo sucesso e já ás portas da morte torna-se o mais velho vencedor de um óscar, com 75 anos. Não consegue receber o óscar em Hollywood porque já está acamado. Nunca mais se irá levantar, morrendo nesse ano para tristeza de muitos amantes de cinema.
12 - BETTE DAVIS
(1908 - 1989)

Começou a representar numa era que fazia ainda a ponte das divas do mudo para as primeiras estrelas do sonoro. Não tinha a beleza e charme natural das grandes rivais da época, Garbo e Dietrich, e alimentou durante décadas uma rivalidade com Joan Crawford. No final de contas acabou por se perceber que Bette Davis é de facto um nome único na história de cinema, uma autêntica diva de Hollywood.
Depois de pequenas participações em vários filmes do inicio dos anos 30, Bettie Davis faz-se notar pela primeira vez em Of Human Bondage, filme que lhe vale uma nomeação ao óscar em 1934. No ano seguinte sai vencedora da cerimónia graças ao monstruoso desempenho em Dangerous. Segue-se a parceira com Leslie Howard e Humphrey Bogart em Petrified Forrest e em 1938 o seu segundo óscar por Jezebel, onde interpreta uma jovem menina mimada do sul. Com a vitória Davis tornava-se a mais séria candidata a ser Scarlett O´Hara, mas para sua raiva o papel foge para Vivien Leigh. A sua carreira continua de vento em poupa nos anos seguintes com magnificos desempenhos em Dark Victory, The Private Life of Elizabeth and Essex, The Letter e Little Foxes. Em 1942 consegue a sua sétima nomeação em dez anos de carreira por Now Voyager. Em 1944 novo "papelão", desta feita em Mr. Skeffington.
O papel da sua vida surge em 1950 no filme All About Eve. Um filme que poderia ter consagrado Davis como a primeira actriz a vencer três óscares, mas que acabou por se revelar um falhanço pessoal para Davis. Anos mais tarde a história ficcional tornar-se-á realidade em 1982 quando a actriz doente será substituida por Anne Baxter numa serie televisiva). A sua carreira estava afectada pelos problemas legais que mantinha com a Warner, de quem se queixava que não lhe davam os filmes que merecia, e os anos 50 serão uma catastrofe completa. Regressa em grande estilo em Whatever Happned to Baby Jane?, filme onde contracena com a rival de sempre, Joan Crawford, e que lhe vale a sua oitava nomeação ao óscar. Passa então para a televisão, chegando mesmo a ganhar um Emmy. Morre em 1989 após uma carreira com mais de uma centena de filmes e um leque de inesqueciveis performances.
11 - JACK LEMMON
(1925 - 2001)

Provavelmente um dos maiores actores de comédia de sempre (apesar de não ser um cómico como o eram Chaplin, Keaton, Groucho, Lewis ou Sellers), mas também capaz de desempenhos dramáticos assombrosos, Jack Lemmon é um icone de uma forma de fazer cinema que já não existe. Sempre capaz de brincar com os seus próprios defeitos - um pouco desengonçado, picuinhas, sem grande sentido de humor, resmungão - fez com Billy Wilder e Walter Matthau uma das melhores triplas de todos os tempos.
Começou a sua carreira em 1949 mas foi em 1955 no polémico Mr Roberts - o tal filme que acabou com a amizade de Ford e Fonda - que Jack Lemmon se destaca, vencendo de forma surpreendente um óscar. Era apenas o seu décimo filme.
Durante quatro anos anda perdido em papeis com que não se identifica até que em 1959 conhece Billy Wilder. O realizador junta-o a Tony Curtis e Marilyn Monroe e juntos criam a maior comédia da história do cinema, o inesquecivel Some Like it Hot. O filme consagra Lemmon como um actor popular e bem recebido pelos criticos mas o "furacão" Ben-Hur rouba-lhe o segundo óscar. No ano seguinte a dupla Wilder-Lemmon volta a ser bem sucedida, com uma serie de óscares por The Apartment. Em 1962 Lemmon experiementa pela primeira vez com sucesso o registo dramático em Day of Wine and Roses, que lhe valem uma quarta nomeação e o aplauso da critica. Em 1963 mais um filme com Shirley MacLaine e Billy Wilder, o irresistivel Irma la Douce.
Em 1965 a sua carreira sofre uma reviravolta. Conhece Walter Matthau e juntamente com ele criam uma das maiores duplas de sempre da história do cinema, com Billy Wilder por trás da camara. O primeiro filme em conjunto, The Fortune Cookie, dá o óscar a Mathau e cria uma empatia que nunca mais desaparecerá. The Odd Couple, baseado numa peça de Neil Simon consagra as personagens de Felix Unger e Oscar Madisson que irão recuperar por diversas vezes ao longo da carreira. Ainda com Matthau e Wilder faz The Front Page em 1974 e Buddy Buddy em 1981. Por essa altura Jack Lemmon já é um consagrado actor dramático. Conquistara o seu óscar como actor principal em 1973 no drama Save the Tiger, e voltaria a ser nomeado por três vezes por The China Syndrome, Tribute e Missing.
Nos anos 90 volta aos filmes com Walter Matthau em Grumpy Old Men e Grumpier Old Men. Antes já tinha passado por JFK e Glengarry Glen Rose. Em 1998 faz o seu último filme com Walter Matthau, The Odd Couple II, recuperando as personagens que o tinham imortalizado. Dois anos depois morre Matthau deixando Lemmon destroçado. O seu cancro só lhe permitirá viver mais um ano. Com a sua morte, o mundo perdeu uma das pessoas que mais o fez rir durante meio século.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às novembro 17, 2005 06:15 AM
Comentários
Sobre Giant, acho q. o filme seria muito melhor se menos longo e se a história girasse em torno de Jett Rink, personagem de James Dean, ou seja, a única figura q. foge da rotina enfadonha do filme. Qto à atuação de Dean, penso q foi excelente, afinal ele, um camponês de Indiana, conseguiu incorporar um cowboy - personagem totalmente diferente de si - com maestria. Foi muita ousadia p/ele, um jovem ator de apenas 24 anos, encarar o desafio de viver Jett, principalmente na velhice. Se não me engano, foi uma experiência pioneira. A propósito, seria interessante consultar o q disse Brando, a respeito, no livro "As canções que minha mãe cantava para mim" (se não me engano, é esse o título).
Publicado por: ubiratan m.de sousa às janeiro 30, 2007 02:41 AM
Sobre Giant, acho q. o filme seria muito melhor se menos longo e se a história girasse em torno de Jett Rink, personagem de James Dean, ou seja, a única figura q. foge da rotina enfadonha do filme. Qto à atuação de Dean, penso q foi excelente, afinal ele, um camponês de Indiana, conseguiu incorporar um cowboy - personagem totalmente diferente de si - com maestria. Foi muita ousadia p/ele, um jovem ator de apenas 24 anos, encarar o desafio de viver Jett, principalmente na velhice. Se não me engano, foi uma experiência pioneira. A propósito, seria interessante consultar o q disse Brando, a respeito, no livro "As canções que minha mãe cantava para mim" (se não me engano, é esse o título).
Publicado por: ubiratan m.de sousa às janeiro 30, 2007 02:38 AM
A respeito do comentário acima, sobre James Dean, tenho a dizer que o próprio Brando, em uma biografia sua, afirmou que Dean tinha potencial para ser um grande ator, tinha tudo a seu favor. As maiores autoridades americanas sobre cinema o indicaram 2 vezes cosecutivas como candidato ao Oscar. Quanto à sua previsão sobre como estaria JD hoje, fica no terreno das suposições. Pessoalmente, penso que Anthony Quinn e Monty Clift e Peter O´Toole nada devem a Brando como atores. Uma coisa é certa: James Dean é um ícone incomparável para os jovens, dos anos 50 até hoje. Tenho dito.
Publicado por: ubiratan m.de sousa às setembro 1, 2006 03:36 PM
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Publicado por: ringtones free às agosto 22, 2006 03:05 PM
Pois, confirma-se que é a Elizabeth Taylor.
Publicado por: Vítor às novembro 17, 2005 11:58 PM
Realmente não são 50, são 60 anos...já nem sei a quantas ando...o primeiro filme é de 1943.
Publicado por: Miguel Lourenço Pereira às novembro 17, 2005 10:46 PM
Não, é a Elizabeth Taylor.
Publicado por: Vítor às novembro 17, 2005 09:56 PM
Se bem que é mais 60 anos, não 50... A não ser que seja outra...
Publicado por: João André às novembro 17, 2005 09:05 PM
Bom, se não é a Marylin, então é a Bacall...
Publicado por: João André às novembro 17, 2005 09:01 PM
Espanta-me como ninguem se lembra dessa actriz. Acho que não houve nenhuma igual, e melhor só uma, mas num registo completamente diferente. É uma escolha muito pessoal (considero-a a mais bela e mais talentosa actriz dos últimos 50 anos), mas que, se virmos bem os seus papeis e filmografia, tem todo o seu sentido...amanhã já vês ;-)
ps: gosto muito do Audrey Hepburn, mas faltaram-lhe os grandes papeis...tirando o Sabrina e o My Fair Lady, não há nada nela que me mexa comigo, que me faça dizer: eis uma grande actriz...nem mesmo o Roman Holiday e afins...menos uma ;-)
Publicado por: Miguel Lourenço Pereira às novembro 17, 2005 07:24 PM
E falhei na Grace Kelly, certo?
Publicado por: Vítor às novembro 17, 2005 06:30 PM
É a Audrey Hepburn então.
Publicado por: Vítor às novembro 17, 2005 06:29 PM
miguel deixei um extenso comentário no post da crítica ao elizabethtown, ao qual gostava que desses uma olhadela. obrigado e abraço,LF
Publicado por: luis figueiredo às novembro 17, 2005 04:07 PM
Listas são classificações e toda classificação é problemática.
Publicado por: rosângela maria às novembro 17, 2005 03:02 PM
João, não tens muito jeito para futurismo...a actriz que falta não é a Marilyn..não te esqueças que eu disse no inicio que a lista era de estrelas que também era grandes actores/actrizes..apesar de Bus Stop, Seven Years Itch, Some Like it Hot ou o The Misfits, não acho a Marilyn uma das 50 maiores actrizes de sempre..é uma estrela, tem muito glamour, mas há actrizes que prefiro e que ficaram também de fora..vai para o leque de..."se isto fosse uma lista de 100 nomes"...em relaçõ ao James Dean eu tenho um problema: The Giant...é o terceiro filme dele e indica claramente uma baixa de forma em termos de representação...os dois filmes são muito bons, dignos do óscar nesse ano e tudo o mais, mas continuo na minha...se não tivesse morrido, o James Dean não estaria ao nivel de um Newman ou de um Brando...mas lá está, morreu, há o mito, e temos de viver com isso!
um abraço
Publicado por: Miguel Lourenço Pereira às novembro 17, 2005 02:56 PM
P.S. Não é por acaso que preferes Clint Eastwood a Martin Scorsese e eu o contrário!
Publicado por: Ricardo às novembro 17, 2005 02:48 PM
Miguel,
Obviamente que eu ressalvei a subjectividade dum exercício destes e concordo que não há lugar para unanimismos na Sétima Arte.
Mas se eu fui mais influenciado pela década de 70 e inícios de 80 com o cinema sobre o controlo criativo de alguns realizadores que criaram uma enorme vaga de anti heróis tu aprecias mais um certo "classicismo" no cinema. A época de ouro de Hollywood com as actrizes a dominarem toda a atenção está muito presente na tua lista. Por isso Tom Hanks enquadra-se nesta lista, porque é um actor em vários sentidos "clássico". As minhas preferências, e isso é natural, divergem das tuas porque eu prefiro aquele tipo de cinema em que os actores fogem dos padrões e, nesse aspecto, Hanks não se enquadra nas minhas preferências.
Abraço,
Publicado por: Ricardo às novembro 17, 2005 02:42 PM
Vitor, Vitor, Vitor, por muito que o Miguel possa discordar de seja lá quem for em relação ao Tom Hanks, certamente que a Marylin não falhará. e se não for no top-3 muito me espantará, afinal ela é capaz de ser mesmo a maior estrela de sempre do cinema. Até a paixão do Miguel pelo Some Like it Hot o aponta claramente...
PS - pelo mito (mas não só), eu colocaria o James Dean sempre no top-10, mas "prontos"...
Publicado por: João André às novembro 17, 2005 02:29 PM
Ao fazer a lista já sabia que o Hanks estar no top20 ia dar nisto...lol...percebo que vocês achem que não tem lugar, mas como diz o João - e bem - estamos todos a ser subjectivos. O Ricardo ao dizer que nenhum dos filmes dele o tocou, está a ser subjectivo. Também o fui quando o escolhi certamente. Nenhum de nós é - ou tenta parecer - uma máquina isenta..e o cinema são também as emoções...
Já agora, também prefiro o Hoffman no Rain Man, e não o achei tão mau como isso no Cast Away. Em relação ao Forrest Gump, é como se dizia. Em 1994, ou se é pelo Forrest Gump, ou se é pelo Pulp Fiction...eu cá sou pelo Shawshank Redemption, mas confesso que fiquei siderado pela performance do rapaz.
Vitor, em relação aos nomes que ficam de fora, muitos dos que puseste aí estariam num top 100. Tirando o Poitier e o Gable, são actores de quem gosto e admiro muito. O problema em escolher 50 é que alguem tem sempre de ficar de fora. Em relação ao top10, só falhaste um nome (de uma actriz), mas não concordo quando dizes isso do Burton. Qualquer um dos seus desempenhos é melhor que qualquer uma das performances dos nomes que citaste.
ps: pode ser João!
Publicado por: Miguel Lourenço Pereira às novembro 17, 2005 01:39 PM
Viva Miguel,
É com alguma estranheza que vejo o nome de Tom Hanks nesta posição. Bem sei que foste claro ao avisar que uma lista deste género tem sempre muitos elementos de subjectividade mas mesmo assim... Tom Hanks?
Não é que eu o ache um péssimo actor - não é o caso - mas há tão pouca chama nas suas representações - excepção feita a Forrest Gump - que acho estranho colocá-lo acima de outros actores da sua geração como Robert DeNiro, Daniel Day-Lewis (que eu não concordo que esteja na lista mas que mesmo assim é muito mais completo como actor que Hanks), Sean Penn, entre outros. Confesso que Hanks não é para mim um daqueles actores que gosto de ver porque raramente corre riscos e nunca foge do politicamente correcto.
Olho para a carreira deste actor no teu resumo e estão lá filmes muito apreciáveis mas nem um - ou melhor, nem dois - que eu tenha realmente gostado e que tenha ficado na minha memória com destaque.
Abraço,
Publicado por: Ricardo às novembro 17, 2005 12:49 PM
Previsão do top10 (sem estar por ordem):
Marlon Brando
Ingrid Bergman
Humphrey Bogart
Al Pacino
Jack Nicholson
Dustin Hoffman
Katherine Hepburn
Grace Kelly
Paul Newman
James Stewart
Isto quer dizer que provavelmente nomes como o Alec Guinness, Kirk Douglas, Clint Eastwood, Walter Matthau, Steve McQueen, James Dean, Robert Mitchum, Gregory Peck, James Cagney, Clark Gable ou Sidney Poitier vão ficar de fora.
Acho que esta lista está muito influenciada pelos teus gostos pessoais, porque qualquer um destes actores foi maior estrela que o Richard Burton por exemplo.
Publicado por: Vítor às novembro 17, 2005 12:40 PM
Sempre ressalvando a subjectividade, tenho que discordar em absoluto do que dizes do Tom Hanks. Não é minimamente um actor à altura de de Niro, Pacino, Penn ou até de Russel Crowe e Depp (e confesso que nem gosto muito do primeiro). Talvez seja versátil, mas isso não o torna melhor que outros apenas mais... versátil. O seu trabalho de grande qualidade é sem dúvida o Philadelphia. O Forrest Gump é uma palhaçada enorme (o terceiro filme vencedor do óscar mais sobrevalorizado a seguir a Shakespeare in Love e Gladiator) que não mostra muito de talento. Compare-se o que ele fez com o trabalho de Dustin Hoffman em Rainman, por exemplo. A única nota mesmo positiva é o facto de manter o registo underacting ao longo do filme. O Cast Away é um desastre completo (a bola Wilson conseguiu o melhor desempenho no filme) e só com o Catch me if you can é que ele voltou aos grandes desempenhos. O The Terminal é o caso típico de um bom filme empoladíssimo por ser feito por Spielberg.
Já agora, a personagem dele no Da Vinci Code (má escolha de casting, quanto a mim) chama-se ROBERT e não Harry Langdon.
Publicado por: João André às novembro 17, 2005 10:39 AM