« Aquelas Frases... | Entrada | Harry Potter and the Goblet of Fire - Acabou a idade da inocência! »

novembro 27, 2005

Proof - One Girl Show

Uma excelente peça de teatro transformada num filme claramente mediano. Seria essa a grande impressão final deste Proof de John Madden não fosse por um pequeno detalhe: Gwyneth Paltrow.
Num desempenho que deixa a anos luz aquele que lhe deu o óscar, Paltrow anda com o filme ás costas e consegue um dos melhores desempenhos femininos de 2005...
Filme de proof.gifproof.gifproof.gif
proof11.jpg

Há alguns anos atrás fez-se uma sondagem: a quem pertencia o óscar mais injusto de toda a história?
Os resultados não deixaram margem para dúvidas e a fava calhou á jovem Gwyneth Paltrow que em 1998 tinha conquistado o óscar de melhor actriz pelo seu desempenho como musa de William Shakespeare em Shakespeare in Love.
Quem escolheu Paltrow teria lá as suas razões (aqui só para nós que ninguém nos ouve, há bem piores vencedores que a senhora Chris Martin na história...bem piores) e de facto nesse ano havia outros grandes nomes por onde escolher. Mas a verdade é que desde o seu óscar até agora pouco se tem ouvido falar de Paltrow. Houve o fim do seu quase casamento com Brad Pitt, houve o seu casamento com Chris Martin, vocalista dos Coldplay, mas isso era para encher revistas e não para falar num site de cinema. Ou melhor, houve, mas a imprensa nunca prestou a devida atenção a Sylvia - notável encarnação da escritora Sylvia Platt - e mesmo em The Royal Teenembaus ela foi sempre deixada de lado nas estrondosas reviews.
Serve tudo isto para dizer que o desempenho de Paltrow só é novidade para quem tem estado a dormir. Desde há muito tempo que ali está uma actriz de valor, capaz de se valer mais pelo talento que pela beleza ou mediatismo. Uma actriz com a maturidade de arrastar um filme ás costas, coisa que nomes mais sonantes do que ela ainda têm dificuldades em conseguir.
gwyneth_paltrow51.jpg

Falamos de Paltrow e não de Proof. Porquê?
A verdade é que a actriz é muito mais interessante que o filme em si. Sem ela, Proof seria um imenso vazio. É a sua presença que dá carisma e garra a algumas cenas terrivelmente banais, algo que nem mesmo o grande elenco que a acompanha consegue. Até porque Jake Gyllenhall ainda é muito verde - nota-se - e Anthony Hopkins, se excluirmos duas ou três cenas, está manifestamente apagado. Sobra Hope Davis. E o que dizer dela? Davis teve a infelicidade de interpretar um papel que é fácil de odiar, porque, se fosse alguém que realmente conhecessemos, iriamos certamente odiá-la. Por isso, quem saiu da sala a odiar Hope Davis - como aconteceu comigo - , confirmou que o seu desempenho foi exactamente o que lhe era pedido. O que, por muito estranho que pareça, reflecte exactamente o bastante talento que esta actriz, habitualmente secundária, tem.
E quanto a Hopkins, o veterano actor está na melhor cena do filme - a mesma que o abre, onde o efeito surpresa ainda existe - e em alguns bons momentos, mas arrasta-se um pouco, tal como a sua personagem, ficando perdido num vazio que só ele saberá qual é.
E assim, depois desta pequena volta, lá voltamos, inevitavelmente, a Paltrow. Na primeira cena do filme, é melancólica e captivante. Ao longo do filme altera o seu registo - muito por culpa dos sucessivos flashbacks. Ora é explosiva, ora está em estado quase catatónico. Essa mudança de registo é fulcral para definir o seu próprio papel, e mostra a sua competência tanto no under-acting, como no over-acting. E uma das grandes virtudes da sua própria performance foi o de saber despojar-se da própria beleza fisica, vivendo num estado quase "zombie" durante grande parte do filme, carregada de emoção e energia, prontas a explodir no momento certo.
gwyneth_paltrow2.jpg

Quanto ao filme em si, talvez por culpa de John Madden, talvez por culpa do próprio David Auburn (actor da peça, e também do argumento), o filme nunca deixa de soar a peça de teatro - falhando a transposição cinematográfica - mas também perde alguns dos pontos positivos do que é uma peça de teatro, ficando num vazio dificil de entender.
O universo matemático (a banda, os cadernos, a demonstração) são feitos com algum interesse e uma manifesta vontade de aproximar o público a conceitos matemáticos que, numa dimensão de sobretados, estão demasiado simplificados. Falta aqui um pouco da sensibilidade de A Beautiful Mind, o filme que nos vem sempre á cabeça quando vemos Proof.
O espirito claustrofóbico, bem tipico de uma peça de teatro, não é explorado em toda a sua dimensão, como acontecia, por exemplo, com as adaptações de Richard Brooks ás peças de Tenesse Williams. Mas nem é tanto por aí que o filme peca. Há pontos por ligar, linhas que ficam perdidas, algo a que os sucessivos flahsbacks também não ajudam a superar. E depois há uma imensa banalidade que nunca é superada, nem totalmente explicada.
No final de contas, o filme vale por Paltrow. Nem por mais, nem por menos. Proof é mesmo, apenas e só, um one girl show.

Classificação - proof.gifproof.gifproof.gif

O Melhor - Obviamente, Gwyneth Paltrow. A nomeação ao óscar seria justa, pelo menos vista agora!

O Pior - A imensa banalidade que acompanha o filme.

Curiosidade - Este é o segundo filme que Paltrow faz com Madden. O primeiro valeu-lhe um óscar, em Shakespere in Love. O realizador viu o seu filme ser o grande vencedor da noite, mas perdeu na sua categoria para Spielberg.

Site Oficial - www.miramax.com/proof

Realizador - John Madden
Elenco - Gwyneth Paltrow, Jake Gyllenhall, Anthony Hopkins, ...
Produtora - Miramax
Classificação - m/12
Duração - 99 m

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às novembro 27, 2005 01:41 AM

Comentários

Um filme em que o tempo passa depressa e que vale pelas suas actuações mas não achoq ue seja material para Oscares ;).
Já agora fica um desabafo meu e peço desculpa pela falta de timing ;)...mas isto aconteceu me ontem quando fui ver o filme :)

Bons filmes e bom cinema ;)


"http://latourettesindrome.blogspot.com/
Se calhar fui má pessoa quando me sentei no cinema num dos 8 lugares que um "individuo" afirmou estarem "ocupados", apesar de se tratar da 4ª fila e do facto da sala estar praticamente cheia e já haver pessoas a sentar-se à frente. Se calhar é um mau hábito que já se enraizou tanto no nosso dia-a-dia que tal ultraje meu foi assim tão mal visto por essa mesma pessoa ao ponto de me dizer que eu estava a gozar com ele. Sinceramente fiquei mal com o que me acontece quase sempre que me deparo com uma sala quase cheia e umas quantas pessoas que se acham no direito de impedir quem chega a sala para se sentar de lhes negar esses lugares, nós que já nos precavemos de passar essa figura ridícula de guardar lugares para pessoas que, evidentemente, nada fizeram para evitar aquele embaraço. Nunca fiz algo que se parecesse e recuso-me a fazer o mesmo, a não ser que essa ou essas pessoas sejam pessoas com deficiências motoras evidentes."

Publicado por: Luigi Mario às novembro 28, 2005 09:24 AM

Quanto a Paltrow estamos de acordo, é realmente uma interpretação de tirar a respiração. Penso é que o filme não será assim tão banal quanto isso, tambem não é uma obra-prima, mas comparando este filme com muitos outros que nos têm chagado ultimamente, até que está bastante bom. Quanto aos outros dois actores e até a Davis, estão ao nivel que se esperaria, e eu esperava algo de bom. Como nota final devo dizer que não me desiludiu de todo.

Publicado por: Iluvatar às novembro 27, 2005 04:53 PM

Estive indeciso entre 3 e 4, mas acabei por me inclinar para cima, pois é claramente muito superior ao Shakespeare in Love. A interpretação da Gwyneth Paltrow é, na minha opinião, a 2ª melhor do ano (a seguir à de Hilary Swank).

Publicado por: Miguel Galrinho às novembro 27, 2005 12:10 PM

É verdade, Gwyneth Paltrow é uma actriz pouco valorizada. e, se é verdade que ela podia não merecer o Oscar por Shakespeare in Love, o justo é que ela merece um Oscar por cada actuação que faz. Em Proof volta a superar-se. Infelizmente, acho que a academia não se vai lembrar de a nomear.

Publicado por: not_alone às novembro 27, 2005 11:46 AM

Comente




Recordar-me?