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novembro 03, 2005
The Constant Gardener - O Continente Negro está de Luto
"This is how we fuck Africa!". É assim que o Mundo destroi um continente. A ganância do mundo é a perdição de um continente. A ganância do mundo provoca por ano a morte a milhares de inocentes. Dois deles eram ingleses que só queriam fazer algo. Le Carré escreveu a história. Meirelles pintou-a de negro. Até porque este filme mostra-nos que"This his how we fuck Africa!".
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The Constant Gardener pode ser analisado de três maneiras. Mas é injusto sermos forçados a escolher uma delas.
Um critico mais convencional ficar-se-ia certamente pela história de amor, pela dedicação de um diplomata amante de jardins - a imagem do corpo diplomático britânico romântico - à sua mulher, misteriosamente assassinada no Quénia, onde vivem. Daí passarão para a transformação operada no jardineiro, esse pacifico e "britânico tranquilo", obrigado a descer aos infernos para procurar perceber o porquê da morte da sua mulher. E para encontrar o seu próprio fim.
Neste filme dentro do filme, o destaque vai essencialmente para a interpretação fabulosa de Ralph Fiennes. Aliás, há papeis que associamos imediatamente a um actor quando ouvimos a sinopse de um filme, folheamos um livro ou vemos uma peça de teatro. Justin Quayle é Ralph Fiennes em todo o seu esplendor. Uma persoangem contida, algo timida e atrapalhada, mas extremamente nobre. John Le Carré sabe o que faz, sempre o soube. O seu Quayle está no meio de uma ponte entre o gentelman britânico, o herdeiro de uma longa tradição de Quayles, todos eles iguais, mas também entre o justiceiro, o homem que sabe que o mundo que o rodeia está cheio de mentiras e enganos. Não precisamos de seguir a sua transformação espantosa para o perceber. Basta estar atento á forma como ele sai da conferência com aquela que viria a ser a sua mulher. Se ouvirmos bem, ele próprio admite que tudo o que tinha acabado de dizer, o b.a.b.á da diplomacia, é uma grande mentira. E se no final do filme é esse o Quayle que se despede de nós, a verdade é que ele esteve sempre presente, mesmo quando recusou dar boleia a dois quenianos a pedido da mulher. Mesmo quando cuidava das suas plantas, enquanto a sua mulher tentatava salvar o mundo, ou pelo menos parte dele. A sua personagem é a mais fascinante do filme porque está longe do superficialismo das restantes. Temos os lobos econdidos em pele de cordeiro, os agentes de bom coração, os amigos traidores, e a mulher idealista. Se analisar-mos cada uma dessas personagens, não conseguiremos ir muito longe. Estariamos condenados á superficie. Mas não com Quayle. O seu fascinio advém da sua maneira de estar no mundo. E Ralph Fiennes - esse portentoso actor, a par de Daniel Day-Lewis o maior britânico dos últimos quinze anos - era o único actor no mundo capaz de perceber essa sensibilidade. Quando lhe contam a morte da mulher, a sua cara praticamente não se move. Não há lágrimas. Mas a dor de perda está toda lá. Ele demonstra-a? Nunca, isso não é digno de um cavalheiro. Antes agradece a gentileza ao amigo, e depois acaricia uma planta. Por dentro ele chora. Por fora, a sua imagem está imaculada. Só quando só, no mesmo jardim da casa que consagrou o seu amor - numa cena memorável - dá-se a famosa explosão. Nada ao estilo brandoniano ou algo que se pareça. A contenção continua lá, mas agora ele já pode soltar o outro Quayle que vivia dentro de si. Agora ele já pode ser ele mesmo. E se-lo-á assim, até ao final do filme, de uma forma arrebatadora e inesquecivel.

Esse seria o filme que um britânico realizaria. Foi assim que o livro foi escrito, à volta de personagens britânicas em África. A história de amor e a procura de justiça entre os europeus num continente estranho. Mas o filme está bem longe dessa fórmula algo simplista. Porque contar com Fernando Meirelles no leme do navio, é saber que o realizador brasileiro não se vai reduzir apenas ao espirito literário de um argumento. Respeita-o, mas explora todo o universo à sua volta, até para o tornar mais credivel.
A verdade é simples de descortinar. Colocar um habitante de um país do terceiro mundo - apesar de tudo, ainda é isso que o Brasil é, por muito que nos custe a todos - a filmar o centro do terceiro mundo, é a chave mágica deste filme. É o encantamento pefeito, a pedra filosofal. É magia pura. A camara de Meirelles suga o espirito de África bem até ao tutano. No seu tom trepidante, imparável, andamos pelo meio das gentes locais, com a sua tradição, os seus costumes, mas, acima de tudo, com a sua dor, a sua pobreza, o seu olhar triste, o seu futuro despedaçado. A fabulosa montagem - que já conheciamos bem de Cidade de Deus, um filme tão parecido com este, apesar de ser tão diferente - e a inesquecivel fotografia, mostram uma África como nunca vimos, longe da poesia de Out of Africa ou da dor de The English Patient. Lembramo-nos sim do que fez Clint Eastwood com o também inesquecivel White Hunter Black Heart. Um coração negro que parou de bater!
Aqui há contemplação, uma homenagem a um mundo em sofrimento, em dor. Talvez um pouco com Diarios de Motocicleta. Talvez seja uma sensibilidade sul-americana. Ou talvez seja pura coincidência. De qualquer das formas, The Constant Gardener é o que é essencialmente por Fernando Meirelles.
Um realizador que transmite a dor de um continente para o coração do espectador apenas com um genial plano, é dgno de ser admirado por todos. Quando Ralph Fiennes - esse Quayle inesquecivel - entra no campo de golfe para discutir com o chefe da farmaceutica, e a camara se afasta dele, sem se mexer, vai-se deslocando em travelling para a sua esquerda. De um momento para o outro, o verdejante e "civilizado" campo de golfe dá lugar á pobreza dos bairros de lata de Nairobi, com uma crueza assustadora. Poesia pura, simplesmente poesia pura!

No inicio falei em três filmes dentro de The Constant Gardener. É bem verdade. Para além da bela e trágica história de amor - expressões destinadas a caminhar lado a lado - e da belissima homenagem de um brasileiro a África, há ainda o leit motiv disto tudo. Neste filme são as farmacêuticas. Noutros filmes é o tráfico de armas, as catastrofes naturais, a loucura dos homens. No entanto todos os rios caminham para o mesmo oceano e o resultado é invariavelmente o mesmo. Estão a sangrar África. Estão a destruir um continente, talvez o primeiro continente habitado pelo homem, o ventre de todos nós. Meirelles aponta claramente as baterias nesse sentido, mas o livro original já ajudava. Tessa (ainda não dissemos nada da belissima e espantosa Rachel Weisz, mas também há poucs palavras, e as que há, parecem demasiado pequenas para serem ditas) e Justin Quayle morreram porque quiseram salvar um continente. Muitos desconhecidos passaram pelo mesmo, mas ninguém irá fazer um filme sobre eles. O drama imagiando por Le Carré é mais real que a realidade de muitos. A ineficácia da ONU está mais que provada. Os habitantes do mundo levam constantemente com pó nos olhos, porque na verdade, todo o Mundo está a fazer o melhor que pode. Ou pelo menos é preciso dize-lo por uns, para que outros o ouçam e possam dormir, sem o peso da consciência. Um continente inteiro não pode servir de cobaia para o resto do mundo experimentar os seus medicamentos, armas, recursos naturais...Um continente - e Meirelles mostra a sua beleza como só Polanski conseguiu - como África merece mais do que um filme. Merece que olhem para ele com outros olhos, olhos de ver. The Constant Gardener dá-nos - a nós, habitantes do Mundo - um par de óculos para conseguirmos ver bem o que se passa. A imagem que nos passa diante dos olhos é desoladora. E apesar de ser bom saber que ainda há o chamado cinema de denúncia - porque é isso mesmo de que se trata The Constant Gardener (também) - falta ainda muito para que todos possamos dormir em paz. Em Portugal como no Quénia ou em qualquer outro recanto do mundo! Porque é preciso fazer com que mais ninguém diga "this is how we fuck Africa!"
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O Melhor - É dificil escolher entre as soberbas interpretações e o pano de fundo montado à volta da história. Ficamo-nos por Fernando Meirelles, um realizador capaz de capturar a beleza das situações mais cruas da existência humana.
O Pior - É dificil escolher algo. Talvez o facto do filme demorar um pouco a arrancar verdadeiramente.
Curiosidade - Se muita da genialidade deste filme passa pelas mãos de Fernando Meirelles, imaginem o que seria se o realizador fosse aquele inicialmente previsto: nada mais nada menos que o britânico Mike Newell. O inglês preferiu realizar Harry Potter and the Goblet of Fire. Meirelles agradece. Nós também!
Site Oficial - www.theconstantgardener.com
Realizador - Fernando Meirelles
Elenco - Ralph Fiennes, Rachel Weisz, Danny Huston, ...
Produtora - Focus Features
Classificação - m/16
Duração - 129m
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às novembro 3, 2005 10:53 PM
Comentários
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