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dezembro 31, 2005
O HOLLYWOOD DESEJA...
UM ÓPTIMO 2006....
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Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:59 PM | Comentários (2)
Hollywood Film Awards 2005 - Melhor Filme
E chegamos ao fim. Tudo se resume a isto. Afinal, de tantos e tantos filmes que estrearam em Portugal no ano que acaba daqui a alguns minutos, qual foi o melhor. E porquê? Por ter mexido connosco. Por ser tecnicamente perfeito? Por contar uma história inesquecivel. Por ter actores como mais nenhum outro filme teve? Sim, por tudo isto e muito mais, o Melhor Filme de 2005 é...

MILLION DOLLAR BABY
Era evidente que só este filme poderia levar os louros de melhor filme do ano. Porque mais do que melhor filme do ano, Million Dollar Baby é um filme para toda a eternidade. Uma pequena mas inesquecivel história de amor, sacrificio, amizade e perda, filmada de uma forma absolutamente genial por Clint Eastwood, e com desempenhos de luxo de um trio de actores que ficará para sempre na memória de quem assistiu o filme.
Mais do que os óscares, prémios da critica ou bilhetes vendidos, Million Dollar Baby destaca-se de todos os outros filmes deste ano por ter entrado directamente no Olimpo das obras-primas, um lugar onde será adorado para todo o sempre por todos aqueles que vivem a 7º Arte.
2º - King Kong
O filme original foi um marco numa era onde o cinema fantástico nunca tinha visto nada igual. Este King Kong é igualmente uma obra-prima, mesmo para uma era habituada a CGI e personagens animadas. King Kong é genial, acima de tudo porque é humano, emotivo e espantosamente criado do sonho de infância de um cinéfilo chamado Peter Jackson. Uma história de amor de um homem por um filme, de um gorila gigante por uma jovem, uma história de amor que nos toca a todos, e que tem alguns dos maiores planos dos últimos anos. Porque King Kong é uma obra inesquecivel!
3º - Closer
O cinema de actores não é uma especie em vias de extinção, mas cada vez mais os realizadores trocam os truques com a camara, os cenários exóticos ou gerados a computador, por um filme onde cabe aos actores tomarem conta das operações. Closer é um filme de actores. Um filme onde os actores brilham como há muito não se via. Um filme que se vê, vezes sem conta, e que nos continua a surpreender. Uma experiência como não houve outra igual em 2005. Uma obra intemporal!
4º - Sideways
O cinema independente é o melhor que os Estados Unidos podem mostrar ao mundo, face à decadência progressiva da indústria. E ainda bem que há um "Plano B" com esta qualidade. A geração de jovens autores, da qual Alexander Payne faz parte, é talentosa, imaginativa e faz filmes de uma maneira original e extremamente interessantes. Sideways é a última prova deste novo sopro do cinema da terra do Tio Sam. Um filme que todos deviam ver, pelo menos uma vez na vida!
5º - Alice
O cinema português está em crise desde que nasceu. É dos mais atrasados da Europa e no entanto ninguém se parece preocupar. Felizmente há jovens autores que escapam ao marasmo nacional e que de vez em quando surpreendem. Mas nenhum conseguiu surpreender tanto como Marco Martins.
O seu Alice é uma história brutal, pincelada em traços reais, vivida com uma paixão avassaladora, um retrato negro de um mundo onde todos se cruzam com todos, mas onde ninguém conhece ninguém. Alice não é a salvação do cinema português, até porque o público acaba sempre por preferir filmes como O Crime do Padre Amaro. Mas é a prova de que não é por falta de talento que Portugal tem cinema com "C" grande.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:10 PM | Comentários (0)
Hollywood Film Awards 2005 - Melhor Realizador
Há o argumentista que prepara o terreno. Os actores que dão vida à história. Os técnicos que ultimam os últimos pormenores. Mas o lider da equipa, o responsável máximo, quer corra bem quer corra mal, é o realizador. E em muitos dos casos, é ele também a alma do projecto. Em 2005 houve muitos cineastas que se destacaram pela positiva. Estes foram os cinco mais do ano...

CLINT EASTWOOD
O titulo "último dos clássicos" acenta-lhe que nem uma luva porque, acima de tudo, Clint Eastwood é o único realizador em actividade que se pode dar ao luxo de se comparar aos clássicos, aos maiores de sempre. Hoje Eastwood é um nome ao nivel de um Ford, Wilder, Capra, Hitchcock, Murnau, Lang, Rossellini ou Renoir, um verdadeiro mito vivo. Os seus filmes são verdadeiras obras de arte, tal é a sua beleza e a sua profundidade humana.
Million Dollar Baby é apenas o último exemplo, talvez o melhor, da genialidade deste autor norte-americano capaz de criar com uma sensibilidade que muitos outros conceituados realizadores em actividade nem sonham em conseguir. Eastwood é o maior realizador em actividade e a última ponte para um mundo que não voltará!
2º - Peter Jackson
Quando começou a carreira no cinema gore, poucos davam alguma coisa por este cineasta australiano. Heavanly Creatures já era um passo na direcção certa, mas foi a trilogia Lord of the Rings - a mais espantosa trilogia da história do cinema - que o consagrou como um dos maiores realizadores em actividade. Faltava o teste seguinte, fora da Terra Média como seria Jackson?
King Kong tirou todas as dúvidas que pudessem existir sobre a genialidade de Jackson. Um filme bigger than life, um verdadeiro épico dos tempos modernos, talvez o melhor remake da história do cinema. E Jackson subiu definitivamente ao Olimpo dos grandes realizadores do cinema fantástico, ao lado de gigantes como George Lucas.
3º - Alexander Payne
É o representante do cinema indie em ascensão, graças a jovens autores como ele, Sofia Copolla, Wes Anderson ou Paul Thomas Anderson.
O seu Sideways é a prova viva de que a ainda há muita imaginação no cinema norte-americano. É preciso é procurar nos locais certos. Payne é um realizador extremamente competente e inventivo, e o seu futuro parece estar definitivamente assegurado.
4º - Fernando Meirelles
O seu Cidade de Deus foi um murro no estomago há três anos atrás. Fez o mundo perceber que havia cinema na terra das telenovelas de uma forma que poucos imaginavam poder ser real. E Fernando Meirelles tornou-se numa estrela. Daí terem pegado nele, enviando-o para África onde teria de filmar uma história de amor post-mortem de de vingança, escrita por um dos mais aclamados escritores britânicos. Meirelles manteve a fleuma britânica, acrescentou-lhe pózinhos de terceiro mundo e fez de The Constant Gardener um dos filmes do ano. E confirmou assim tudo o que se esperava dele. Meirelles pode muito bem ser o futuro!
5º - Marco Martins
Um dos principais problemas do cinema português é a falta de ideias. Outro é o facto de serem sempre as mesmas caras, sempre com os mesmos probelmas, a filmarem em Portugal. Marco Martins remou contra a corrente. Fez de Alice uma obra admirada em meio mundo, uma verdadeira obra-prima do cinema nacional, e fe-lo de forma despretenciosa, mas com enorme talento. Mais do que uma promessa do cinema português, Martins é uma promessa do cinema mundial!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:50 PM | Comentários (0)
Hollywood Film Awards 2005 - Melhor Actor
Suceder a Johnny Depp não é tarefa fácil, mas num ano como 2005 o dificil está na escolha. Foi acima de tudo um ano recheado de desempenhos memoráveis dos mais diversos actores. Seria dificil fazer um top15, quando mais escolher os cinco melhores. Entre filmes inesqueciveis e performances que dificilmente voltaremos a encontrar, aqui ficam os cinco melhores actores de 2005.

CLINT EASTWOOD
Não se pode comparar o talento de Eastwood atrás e à frente da camara. Como realizador é um dos melhores de todos os tempos. Como actor é muito bom, mas sem nunca ter atingido a genialidade. No entanto, em Million Dollar Baby ele está quase lá. O seu desempenho no filme que dirige é fulcral para entender a história, para entender o próprio Eastwood. Mais do que perpetuar o mito do "Eastwood-durão", o seu desempenho mostra-nos um outro Clint, como há muito não viamos. Sem tiques, sem exageros, com a sobriedade do costume, não houve melhor desempenho em 2005.
2º - Javier Bardem
Alexander Payne chamou-o de "maior actor do mundo". Apesar do exagero (ou talvez não), a verdade é que Javier Bardem é um actor fabuloso, capaz de se superar a cada ano que passa. Foi o que aconteceu com Mar Adentro, filme onde está 95% do tempo deitado, mas onde, mesmo assim, tem mais expressão, mais garra, mais presença do que muitos actores em constante movimento. Se o filme de Amenabar é um dos grandes filmes dos últimos tempos, é-o muito por causa do talento inesgotável de Bardem, seguramente, um dos maiores actores do mundo!
3º - Jamie Foxx
Venceu o óscar e quase todos os prémios que foram atribuidos no final do ano passado. E tudo isto pelo seu desempenho memorável como Ray Charles no biopic Ray. O grande trunfo de Foxx foi o de ter imitado Charles na perfeição, em todo os tiques, expressões, movimentos e pormenores, de forma a tornar-se realmente no próprio musica que encantou gerações. Entre o representar e o imitar está uma fronteira muito ténue que Jamie Foxx soube explorar de forma soberba, conseguindo um desempenho de uma vida e seguramente, um dos melhores papeis do ano.
4º - Paul Giamatti
2005 é realmente o ano da confirmação - se é que era preciso qualquer confirmação - do enorme talento deste actor, que teima em não querer ser confundido com uma estrela. E ainda bem, porque Giamatti está completamente fora do sistema. Dentro e fora dos filmes. Em Sideways é um neurótico quarentão em plena crise de meia idade, mas é também um profundo conhecedor de vinhos e um homem à procua do verdadeiro amor. Um papel cheio de explosões e com grande carga emotiva, mas também comica, que faz de Sideways um filme delicioso, e de Giamatti, um nome cada vez mais obrigatório!
5º - Nuno Lopes
O cinema português está finalmente de parabens. O desempenho de Nuno Lopes em Alice está ao nivel do melhor que se faz lá fora. Aliás, fosse Nuno Lopes norte-americano e Marco Martins, sei lá, inglês, e certamente que já se estaria a falar em óscares para o actor de 26 anos. A sua contenção dramática é assustadoramente convincente, e Nuno Lopes é mais do que uma das grandes revelações do ano. É igualmente um dos actores em maior destaque no panorama cinematográfico europeu. Para ele Portugal já é demasiado pequeno!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:35 PM | Comentários (0)
Hollywood Film Awards 2005 - Melhor Actriz
Divas do cinema, veteranas actrizes do teatro, jovens lobas, mulheres guerreiras ou donas de casa desesperadas. É entre este leque que encontramos os melhores desempenhos de actrizes no ano que agora termina. Um ano que pode ter sido pobre, para muitos, mas que mesmo assim conseguiu ter as suas pérolas. E a melhor actriz de 2005 foi...

ANNETTE BENNING
Poucos viram Being Julia, mas aqueles que o foram ver, sairam certamente da sala com a ideia de que desempenhos como aquele que Annette Benning exibe, já não há muitos. São desempenhos de outras eras, cheios de garra, força e muita imaginação, a lembrar as grandes divas do passado. Sem qualquer ponto fraco, com uma presença capaz de suster aos ombros o peso do filme, Benning é sem dúvida, a actriz de 2005.
2º - Hillary Swank
Se Benning foi a actriz de 2005, Swank foi certamente uma segunda classificada melhor que muitas primeiras classificadas noutras listas, noutros anos. Depois de ter-se revelado ao mundo em Boys Don´t Cry, e de alguns anos de interregno, Hilary Swank volta a mostrar o porquê de ser uma das mais talentosas actrizes do momento. Em Million Dollar Baby tem um desempenho de total despojamento, grande garra, digna de uma verdadeira guerreira como não há mais no cinema actual.
3º - Imelda Staunton
Os mais distraidos lembram-se dela como uma cariacata actriz secundária nas produções dos anos 90. Os amantes do teatro britânico conhecem-na bem. Mike Leigh fez o favor de a apresentar ao mundo e o mundo agradece. Imelda Staunton é Vera Drake. Não só a personagem mas o próprio filme. Um desempenho cheio de naturalidade e contenção, como poucas actrizes conseguem. Depois do overacting de Blythe Danner, o cineasta britânico dá a conhecer ao mundo o under acting da talentosa Imelda Stauton.
4º - Joan Allen
Uma das mais talentosas e mal-amadas actrizes do cinema norte-americano. Desde há muitos anos que se assume claramente como uma actriz diferente da maioria, com uma enorme garra na forma como encara as suas personagem. Em The Contender foi do melhor que se viu nos últimos anos. Em The Upside of Anger é uma dona de casa desesperada, vivida na perfeição. Um desempenho que mistura humor e drama de uma forma bem combinada por uma actriz que tem de ser levada mais a sério. Para já, fica a performance. O resto, virá depois!
5º - Kirsten Dunst
Houve muitos desempenhos de actriz dignos de serem falados em 2005. De Watts a Paltrow, de Kidman a Johanson. Mas a verdade é que nenhum deles teve a originalidade e a frescura do trabalho de Kirsten Dunst em Elizabethtown.
Ela é como um anjo caido do céu, num papel que poderia ter sido extremamente irritante nas mãos de uma outra actriz qualquer, ela consegue tornar-se numa autêntica mulher de sonho, sem no entanto perder a sua própria identidade. Um trabalho que se destaca dos demais no filme de Crowe, e que ajuda a relançar a carreira de Dunst, que desde The Suicide Virgins andava um pouco por baixo.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:20 PM | Comentários (0)
Hollywood Film Awards 2005 - Melhor Actor Secundário
O cinema norte-americano especializou-se em ter um conjunto de actores secundários de um talento que muitas vezes superava o das próprias estrelas. Essa cultura nunca existiu muito na Europa ou no continente asiático, mas a verdade é que há desempenhos secundários, todos os anos, que nos fazem questionar o porquê deste ou aquele nome não serem já estrelas do tamanho do mundo. Em 2005 o top5 dos melhores papeis secundários por um actor foram...

CLIVE OWEN
É o actor de 2005. Depois de ter dado nas vistas num anuncio publicitário, mas também em filmes como Gosford Park, a verdade é que o desempenho de Clive Owen em Closer (e também, mas numa escala infinitamente menor, em Sin City), fizeram dele um dos maiores actores em actividade. Recusou o papel de 007, tem uma serie de projectos para os próximos anos, e tem tudo para vir a ser um dos "grandes". Para nós, fica a memória de um desempenho a todos os titulos inesqueciveis no filme de Nichols.
2º - Paul Giamatti
Teve este ano dois papeis inesqueciveis, mas que não são novidade para quem acompanha a sua carreira há meia dúzia de anos para cá. Em Cinderella Man, esse notável filme de Ron Howard que o público preferiu não ver, o seu desempenho como agente e treinador do boxeaur James Bradocck é verdadeiramente capriano. Por momentos, Giamatti convence-nos que é uma personagem real, e que se o encontrassemos nas ruas de Nova Iorque em 1933, ele seria exactamente igual. Nunca um ano em que o boxe reinou na 7º arte, Paul Giamatti foi o valete de honra.
3º - Morgan Freeman
Quinze anos depois, o óscar. Foi o culminar da carreira de um dos maiores actores de sempre do cinema norte-americano, uma autêntica lenda viva de Hollywood. Morgan Freeman é espantoso, como sempre, mas de uma forma tranquila e muito própria de brilhar em Million Dollar Baby. A sua voz de narrador é única, o seu desempenho também, o último lugar do pódio, totalmente merecido!
4º - Thomas Haden Church
Foi uma das mais agradáveis surpresas do ano. Um actor praticamente desconhecido que, de repente, coloca meio mundo a rir com as suas loucuras. Tudo por um rabo de saios diria Haden Church que é o contraponto perfeito para Giamatti em Sideways. Um excelente desempenho, num grande filme, e a confirmação de que este é um dos claros casos de valor do cinema de Hollywood.
5º - Vince Vaughn
Neste último lugar poderia estar muita gente. Mas fugindo aos lugares comuns, ao premiar aos mesmas performances ou as mesmas caras, ano após ano, o lugar vai direitinho para as mãos de Vince Vaughn, provavelmente um dos maiores comediantes do cinema norte-americano da actualidade, um actor com um talento gigantesco, à espera dos papeis certos para o confirmar. Em Be Cool deu um ar de sua graça, mas é em Wedding Crashers que rouba o filme, a tudo e a todos, assinando uma performance memorável!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:06 PM | Comentários (0)
Hollywood Film Awards 2005 - Melhor Actriz Secundária
Porque um filme só com estrelas não resulta. Porque muitas vezes os papeis secundários são fulcrais para se compreender uma história. Porque há momentos inesqueciveis, que não cabe ás grandes vedetas encarnar, os actores secundários são peça fulcral na concepção de um filme. As cinco melhores actrizes secundários deste ano foram...

NATALIE PORTMAN
Surgiu como uma autêntica lolita em Leon, já lá vão mais de dez anos. Pelo meio já esteve no mundo de George Lucas. Agora é uma das grandes actrizes norte-americanas. Tudo isto, com apenas 24 anos.
O ano de 2005 não lhe poderia ter corrido melhor. Os seus desempenhos em Garden State, e, essencialmente, em Closer, valeram-lhe as maiores distinções da critica, prémios, e uma gigantesca legião de fãs. Quem a conhecia, certamente que não está surpreendido com o valor de Portman. Afinal, o futuro é dela!
2º - Rachel Weisz
É uma das rising stars do cinema britânico. Sem o glamour ou beleza cosmética de muitas das suas concidadãs que começam a dar cartas, o desempenho de Rachel Weisz em The Constant Gardener provou que ela é uma das melhores actrizes do momento. A critica já se rendeu, os prémios poderão vir a caminho, mas o que fica aqui é a certeza de que o futuro será extremamente risonho para uma actriz que já deu provas do seu enorme talento.
3º - Cate Blanchett
Venceu o óscar, de forma injusta é certo, mas isso já quis dizer que o mundo esteve atento à forma como encarnou Katherine Hepburn. A maior actriz de sempre da história do cinema foi representada com alguns tiques, é certo, com pouco à vontade, mas em traços gerais o desempenho de Blanchett foi de uma enorme competência. Um dos melhores trabalhos de suporte no ano que agora finda.
4º - Diane Keaton
Continua a ser uma das grandes actrizes da actualidade, mesmo quase trinta anos depois do óscar em Annie Hall. O seu papel em The Family Stone é pequeno - talvez pequeno de mais para alguém tão grande - mas acima de tudo, é de um savoir faire a toda a prova. Competência, talento, à vontade e genialidade, tudo isto condensado deu uma das performances mais arrebatadoras de 2005.
5º - Kerry Washington
Ray é um filme de um só homem. Errado! Ray, é um show de Jamie Foxx, mas entre os nomes secundários por detrás do actor multi-galardoado, destaca-se claramente o de Kerry Washington, como sua acompanhante musical e também sua amante. Um desempenho cheio de garra, emoção e dor, do melhor que se viu este ano, e que é a prova que, se espreitarmos bem para lá da superficie, encontramos algumas pérolas preciosas onde menos esperavamos.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:55 PM | Comentários (0)
Hollywood Film Awards 2005 - Melhor Elenco
Um filme não é só um desempenho. É um conjunto de várias performances, entre actores secundários e principais, entre veteranos e inexperientes. Num cinema que privilegia os actores, o elenco é a chave para o sucesso. Em 2005 tivemos vários exemplos disso mesmo. E o melhor elenco do ano pertence a...

CLOSER
Quatro actores. Um filme. Natalie Portman, Clive Owen, Jude Law e Julia Roberts brilham como nunca o fizeram nas suas carreiras neste filme inesquecivel de Mike Nichols. E neste caso, são eles quem faz o filme numa sucessão avassaladora de diálogos arrasadores, com personagens encarnadas na perfeição. Há muito tempo que não se via um elenco assim!
2º - Million Dollar Baby
Clint Eastwood gosta de cinema de actor porque ele próprio já foi um dos grandes actores do cinema norte-americano. A sua mais recente pérola conta com uma trindade inesquecivel, com Eastwood entre Hilary Swank e Morgan Freeman. O filme tem mais actores é certo, mas entre estes três há uma quimica que ajudam a fazer de Million Dollar Baby um filme para todo o sempre!
3º - Sideways
Se About Schmidt era um one-man-show, Sideways é um filme de equipa onde a estrela mais cintilante, Paul Giamatti, não existe sem os restantes elementos do elenco. Thomas Haden Church, Virginia Madsen e Lucy Liu estão em notável forma, e juntos, os quatro actores ajudam a fazer desta tragicomédia de Alexander Payne um filme obrigatório.
4º - The Life Aquatic of Steve Zissou
Os filmes de Wes Anderson são geniais, porque o cineasta adora trabalhar com actores talentosos, capazes de desaparecerem e aparecerem conforme a história o exija. De Royal Teenembauns para The Life Aquatic of Steve Zissou, o realizador promoveu Bill Murray - mantendo o seu registo de Lost in Translation - e manteve Owen Wilson e Anjelica Houston. Juntou-lhes William Dafoe, Jeff Goldblum, Cate Blanchett e Seu Jorge, e fez do filme uma história única, que só ele saberia contar.
5º - Sin City
O filme é um espanto em termos visuais, provavelmente uma das obras mais marcantes dos últimos tempos. Mas ajuda ter um elenco recheado de estrelas, em grande forma. De Bruce Willis a Mickey Rourke, de Clive Owen a Benicio del Toro, sem esquecer as senhoras Jessica Alba, Rosario Dawson, Jaime King ou Brittany Murphy, metade do sucesso de Sin City deve-se ao seu elenco, capaz de nos convencer que o universo criado por Frank Miller, e transportado para o cinema por Robert Rodriguez, é realmente do outro mundo.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:43 AM | Comentários (0)
Hollywood Film Awards 2005 - Actor Mais Promissor
Se com as actrizes ás vezes basta ter uma cara bonita ou um corpo interessante para dar nas vistas, os jovens actores têm de se afirmar de outra forma. Pela sua postura, pela forma como olham a camara, pelo método de interpretação que utilizam. Do minimalismo underacting até a alguns momentos verdadeiramente explosivos, é nestes registos que encontramos as grandes revelações masculinas de 2005. Entre elas, a que mais se destacou foi a de...

NUNO LOPES
O seu desempenho é Alice é verdadeiramente algo do outro mundo. De um minimalismo estarrecedor a alguns momentos de explosão emocionais como há muito não se via, o actor português é hoje um claro exemplo de talento puro no cinema europeu. Jovens actores europeus de talento há muitos (Brulh, Duris, Garrell, ..). Agora, há um nome português na constelação.
2º - Cillian Murphy
Em Red Eye, este irlandês consegue ser um vilão inesquecivel. Já tinha "treinado" para o trabalho em Batman Begins, e estamos todos curiosos para o ver em versão feminina no filme Breakfast on Pluto´s. É a next big thing em clara ascensão, um actor imenso, cheio de potencial e de talento. Um nome revelado agora, mas que depressa se tornará num actor obrigatório!
3º - Topher Grace
Já o conheciamos da televisão, mas no cinema tem muito mais presença e carisma. O seu desempenho no filme In a Good Company diz tudo sobre o seu futuro: um actor com enorme à vontade, sentido de humor e presença em cena é um actor a seguir. P.S. também ajudou a confirmar tudo o que se suspeitava. Spiderman3 irá mostrar o outro lado de Topher Grace e as expectativas estão em alta. Veremos o que faz o novo menino-prodigio!
4º - Zach Braff
Outro jovem talento que vem da televisão, mas que este ano se destacou mais pelo seu talento como realizador e argumentista. No entanto o seu desempenho em Garden State é igualmente ilustrador de que este é um homem dos sete oficios claramente. Um pouco de underacting, misturados com grande sentido de presença, e muita imaginação, e aqui temos a combinação perfeita para que Zach Braff seja uma das figuras de 2005.
5º - Anthonny Mackie
Spike Lee sempre teve um talento especial para encontrar jovens talentosos. O jovem Antohnny Mackie parece ser mais um caso de sucesso nesta pesquisa de jovens pepitas douradas. A sua performance em She Hate Me é de um actor com uma maturidade incrivel. Também o vimos em Million Dollar Baby e ao que tudo indica vamos vê-lo mais vezes nos próximos anos.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:32 AM | Comentários (0)
Hollywood Film Awards - Actriz Mais Promissora
Porque escolher os melhores é algo relativo, vale a pena pensar nos "melhores" do futuro e tentar perceber que jovens promessas nos trouxe 2005. Entre actrizes já com alguns filmes no curriculum mas que só agora aparecem ou nomes que começam mesmo agora a dar os primeiros passos, 2005 foi um ano fértil em estrelas promissoras. A actriz mais promissora de 2005 é...

RACHEL McADAMS
É a mais recente aquisição da cintilante constelação de estrelas de Hollywood. Já a tinhamos visto em pequenos papeis em Mean Girls ou em The Notebook no ano passado, mas 2005 é definitivamente o ano Rachel McAdams. Com excelentes desempenhos em três filmes completamente distintos: Wedding Crashers, Red Eye e The Family Stone, a jovem beldade canadiana afirma-se definitivamente como um diamante em bruto que certamente dará muito que falar nos próximos tempos. É sem dúvida alguma uma das mais talentosas jovens actrizes a surgir nos últimos anos.
2º - Kerry Washington
Já tem 28 anos, mas só agora é começamos a perceber o real valor desta excelente actriz. Entre Ray, She Hate Me, Mr and Mrs Smith ou Fantastic Four, este foi um ano onde Kerry Washington parecia estar em todo o lado. Sempre em grande estilo. A actriz nascida no Bronx afirma-se definitivamente como um valor a ter em conta, e depois de um ano como este será dificil não imaginá-la em papeis mais exigentes.
3º - Catalina Sandino Moreno
24 anos e estreia absoluta na 7º arte, e logo com um papel que lhe valeu a nomeação ao óscar. Não podia ter começado melhor a carreira desta jovem actriz colombiana. O seu papel em Maria Full of Grace já tinha conquistado Sundance, acabando depois por impressionar todo o mundo, fazendo dela uma clara rising star. Para os próximos anos já há projectos, e o seu nome começará a ser um habitué de alguns dos realizadores mais desejados de Hollywood. Wait and see!
4º - Lynn Collins
Com 26 anos e um curriculum sem grandes titulos, foi o desempenho em The Merchant of Venice que chamou a atenção para esta jovem actriz do Texas. Um notável desempenho aliás, dos melhores que se viram este ano, e que deixam antever que Lynn Collins será certamente um nome a ter em atenção para o futuro.
5º - Alexis Dziena
Com apenas 21 anos esta jovem actriz nova-iorquina já mostrou que é capaz de tudo para impressionar. Que o diga Bill Murray que a encontrou de forma despudorada em Broken Flowers. Um papel pequeno, extremamente hardocore mas que deixou a impressão de ser uma mina por explorar no futuro. A sua filmografia não é das mais impressionantes..agora, porque mais tarde talvez seja!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:18 AM | Comentários (0)
Hollywood Film Awards 2005 - Melhor Argumento
A base de um filme é o seu argumento, a história que se propõe contar. Pode ser um drama, uma comédia, um filme minimalista ou uma tomada de posição, mas sem argumento não haveria cinema. A sua importância é fulcral, cada vez mais numa época onde as ideias começam a faltar. O melhor argumento de 2005 é...

MILLION DOLLAR BABY
Escrito por Paul Haggis, adaptado de um pequeno conto descoberto por acaso, Million Dollar Baby é uma das mais espantosas histórias que o cinema contou. O drama de uma jovem norte-americana que faz tudo para conseguir alcançar o seu sonho, ser boxeur, e que acaba por perder tudo o que tinha, incluindo a vida, foi a base para a mais recente obra prima de Clint Eastwood. Um argumento absolutamente sem falhas, digno de uma tragédia grega, mas contado como se fosse uma história de embalar. Soberbo!
2º - Closer
Patrick Marber escreveu a peça que durante alguns meses encantou os palcos londrinos. Mike Nichols levou-a para o grande ecrãn, fazendo de Closer um filme inesquecivel. Quatro personagens vão-se cruzando, mexendo na vida uns dos outros, em busca de amor, sexo e traição. Com frases fortissimas e diálogos inesqueciveis, esta é uma das melhores adaptações de sempre de teatro ao cinema.
3º - Sideways
Jim Taylor e Alexander Payne continuam a ser uma das duplas mais originais e inventivas entre os escribas norte-americanos. O seu último filme - que lhes valeu mesmo o óscar - Sideways, é uma brilhante comédia negra sobre a forma como a crise de meia idade afecta, de maneira diferente, dois homens. Um prestes a casar-se e outro perdido na vida. Entre vinho, conversas e sexo, Sideways é uma pérola inesquecivel deste ano que termina.
4º - The Life Aquatic of Steve Zissou
Foi o primeiro argumento que Wes Anderson escreveu sem Owen Wilson, mas é provavelmente o seu melhor até hoje. O jovem autor faz uma homenagem a Jacques Costeau neste The Life Aquatic of Steve Zissou com um Bill Murray inesquecivel, Bowie à portuguesa e alguns dos melhores planos do ano. Uma história que parece não ter sentido até que ganha sentido. Um filme memorável.
5º - Crash
Paul Haggis abre e fecha a lista dos cinco melhores argumentos de 2005. É de facto um dos argumentistas em melhor momento de carreira por esta altura. Crash - filme que realiza também - é um cruzar de pessoas no melting pot que é Los Angeles, onde o racismo é o pano de fundo para se conhecer melhor os individuos que estão por detrás das mascaras que cada um tem, ou seja, por detrás de cada raça. Uma obra profundamente humana!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:05 AM | Comentários (0)
Hollywood Film Awards - Melhor Banda Sonora
Longe vão os dias do cinema sem música. Hoje era impossivel ver muitos filmes sem o acompanhamento sonoro. Mais, há filmes que quase se podem ver de olhos fechados, tal é a qualidade da banda sonora. Seja ela feita por compositores ou resulte da compilação de temas inesqueciveis, as bandas sonoras são hoje fundamentais. Em 2005, a melhor banda sonora foi a do filme...

ELIZABETHTOWN
Cameron Crowe é um wonderboy e todos sabem isso. Mas quem começa a sua carreira a escrever para a Rolling Stone com 14 anos, tem claramente um "ouvido" muito especial. Em Elizabethtown isso nota-se mais do que em qualquer outro filme seu. Ao som de Tim e Jeff Buckley, mas essencialmente, de Ryan Adams, Elizabethtown tem uma das melhores bandas sonoras dos últimos anos. Absolutamente genial!
2º - King Kong
O filme de Peter Jackson é um espectáculo visual a todos os niveis, mas a banda sonora que James Newton Howard compôs para Jackson é igualmente avassaladora. Não sabemos como seria a que Howard Shore estava a planear, mas seria dificil ombrear com uma composição sonora deste nivel. Com todos os ingredientes certos, na hora certa, ajuda a fazer deste filme, um filme verdadeiramente inesquecivel.
3º - Mar Adentro
É um grande filme este Mar Adentro de Alejandro Amenabar. Alicerçado numa história veridica e numa performance inesquecivel por Javier Bardem, o filme tem também uma banda sonora de sonho. Composta pelo próprio Amenabar, qual menino prodigio, é de uma beleza que só encontra paralelo na força de viver de Ramon Sampedro. Inesquecivel!
4º - Million Dollar Baby
Sempre cuidadoso em todos os detalhes, Clint Eastwood não deixa nada por menos e é o responsável - a par do filho Kyle Eastwood - da banda sonora de Million Dollar Baby. Tal como o filme, a composição sonora é delicosa no detalhe, na perfeição e harmonia que estabelece com as imagens. Um dos melhores trabalhos da carreira de Eastwood.
5º - Alice
Bernardo Sassetti compôs para Alice aquela que é, talvez, a melhor banda sonora de sempe da história do cinema português. Cada nota doi na alma, cada momento é uma fusão perfeita do desespero dos personagens com a própria musica, melancólica, intimsita, mas avassaladora. Trabalho perfeito de um notável compositor, e a prova de que por cá também se faz do bom e do melhor!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:22 AM | Comentários (1)
Hollywood Film Awards 2005 - Melhor Filme Animado
O cinema de animação é cada vez mais amado pelo público e apreciado pela critica. Saiu dum gueto onde se encontrava há muitos anos, tem hoje categorias próprias para premiar o que de melhor se faz no cinema de animação. E não para de nos surpreender. O filme animado de 2005 é...

CORPSE BRIDE
Doze anos depois de Nightmare Before Christmas, o cineasta Tim Burton voltou ao cinema de animação. Num registo stop-motion, onde a ajuda por computador é pontual, Burton criou uma obra notável, com uma perfeição no desenho e um humor negro absolutamente deliciosos. Sob o som fantasmagórico de Danny Ellfman e com Depp, Bonham-Carter e Watson em excelente nivel, Corpse Bride é sem dúvida o filme de animação mais impressionante dos últimos tempos, e, claramente, o melhor de 2005.
2º - Wallace and Gromitt - The Where Rabit Curse
Os estúdios Aardman habituaram-nos ao sucesso com as curtas de animação de Wallace and Gromitt. Agora em longa-metragem, o estilo inconfundivel mantem-se, tal como a qualidade a que estavamos habituados. Nick Park faz um notável trabalho dirigindo esta animação stop-motion, e o resto é pura magia. Para todas as idades.
3º - Howl´s Moving Castle
Depois do notável Spirited Away, o nome de Hayo Miazaki tornou-se conhecido do grande público. Esperava-se muito do trabalho seguinte. Mas este Howl´s Moving Castle é quase um Spirited Away II, tal é a semelhança com o trabalho anterior. Não tira valor ao desenho e à forma como a animação é construida, mas metade da magia perde-se.
4 º - Madagascar
Seguindo o exemplo de antigos sucessos de animação, a Dreamworks tentou com Madagascar recuperar terreno para a Pixar. Não conseguiu, porque os filmes dos estúdios mais inventivos da actualidade não têm comparação, mas mesmo assim este filme é um bom ensaio. Bastante divertido, apontado declaradamente aos mais novos, é um entertenimento bem conseguido!
5º - Chicken Litlle
A Disney tem vindo a recuperar um pouco do atraso que cedeu nestes últimos anos. Chicken Little foi um passo nesse sentido. Um filme em alta, após experiências anteriores totalmente falhadas, que é divertido e consegue funcinar com diferentes públicos. Uma agradável experiência cinematográfica.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:10 AM | Comentários (0)
Hollywood Film Awards 2005 - Melhor Documentário
Foi um ano onde o documentário esteve em grande estilo. Vários titulos a estrear nas salas nacionaias, diferentes autores e formas de olhar o mundo. Dos documentários sobre a natureza aos trabalhos mais intimistas, 2005 foi um ano importante para o cinema documental. Entre eles o "grande campeão" é...

LA MARCHE DE L´EMPEREUR
O filme que derrubou os blockbusters no Verão norte-americano, foi um simples documentário francês sobre uma saga natural, uma das maiores historias de amor criadas pela Natureza. A história dos pinguins imperador, contada de forma magistral por Luc Jacquet, com um notável trabalho fotográfico e uma banda sonora inesquecivel, a que se junta a narração quase "divinal" de Morgan Freeman, fizeram deste documentário um sério caso de sucesso.
2º - Grizzly Man
Werner Herzog consegue com este Grizzly Man provar mais uma vez toda a sua excelência como documentarista. Um filme que é mais um filme sobre o Homem do que sobre a Natureza, aborda uma história real de um activista que passou a vida a proteger uma população de ursos selvagens, acabando, tragicamente, por morrer ás suas mãos. A tragédia humana descrita de forma extremamente subtil num dos bons filmes de 2005.
3º - Inside Deep Troath
Deep Troath foi um grande sucesso nos anos 70. Inside Deep Troath quis saber o porquê do maior êxito pornográfico da história ter mexido tanto com a sociedade norte-americana. Um trabalho de retrospectiva, com paralelismos nos dias de hoje, e um bom exercicio sociológico, digno de uma menção honrosa neste final de ano!
4º - Tarnation
Jonathan Cauoette quis retratar a sua vida em filme. Desde a sua infância até hoje acompanhamos a formação da sua personalidade, com todos os condicionalismo que teve, desde muito novo, até aos problemas que encontrou, já na idade adulta. Um filme extremamente intimista de uma grande humanidade.
5º - Rize
David La Chapelle, o fotógrafo das estrelas, ficou apaixonado pelo clowning quando filmava um videoclip. Decidiu pegar na camara e fazer um documentário sobre o dia a dia de jovens de bairros degrados em Los Angeles, onde a dança e a musica conseguem substituir os gangs e o crime junto das comunidades mais pobres. Cheio de cores, musica e dinamismo, este é um filme que mostra que nem tudo é o que parece!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:00 AM | Comentários (0)
Hollywood Film Awards 2005 - Prémios do Público
Pela primeira vez os Hollywood Film Awards abriram as portas ao público. Coube a cada um de vocês votar nos favoritos do ano que hoje termina. A votação procurava saber o filme, realizador, actor e actriz do ano para os leitores do Hollywood. A votação foi concorrida e bastante renhida, mas com algumas surpresas. Aqui ficam então os vossos eleitos para 2005...
MELHOR FILME
MILLION DOLLAR BABY
(King Kong)

O filme de Clint Eastwood conquistou os leitores do Hollywood este ano. Uma bilhante história de amor, amizade e sacrificio, feito de forma admirável por um cineasta cada vez mais reverenciado. Um filme tecnicamente perfeito, dramaticamente admirável e com um elenco de sonho. Uma escolha que ultrapassou por dois votos o mais recente trabalho de Peter Jackson, o filme King Kong.
MELHOR REALIZADOR
PETER JACKSON
(Tim Burton)

O genial australiano voltou a fazer das dele. O seu mais recente filme - o primeiro pós a mitica trilogia Lord of the Rings - conseguiu superar expectativas, igualar a qualidade dos anteriores e conquistar mesmo uma audiência de cépticos. Os leitores do Hollywood votaram Jackson como o melhor realizador de 2005, curiosamente não à frente de Clint Eastwood, mas sim de Tim Burton, que pelas suas duas obras - Charlie and the Chocolate Factory e Corpse Bride - ficou apenas a um voto do australiano.
MELHOR ACTOR
JOHNNY DEPP
(Leonardo di Caprio)

O actor que venceu em 2004 o prémio de Melhor Actor nos Hollywood Film Awards, pelo seu desempenho em Finding Neverland, e o actor eleito pelo público em 2005.
O seu desempenho como Willy Wonka em Charlie and the Chocolate Factory, e a sua voz em Corpse Bride, foram mais do que motivos para ter sido um vencedor praticamente unânime entre todos os que participaram. Popular, bem parecido e extremamente talentoso, Depp é hoje um dos actores mais amados do público. Atrás de si, a muitos votos de distância ficou o também popular Leonardo di Caprio, com os votos dos mais acérrimos amantes do seu desempenho em The Aviator.
MELHOR ACTRIZ
HILARY SWANK
(Jessica Alba)

É a segunda vitória de Million Dollar Baby para o público do Hollywood, tal como tinha, curiosamente, acontecido com os últimos óscares. Também Hilary Swank foi considerada a alma do filme. O seu desempenho como Maggie Fitzgerald é um dos mais honestos e enternecedores dos últimos tempos, e Swank consolida-se assim como uma das grandes actrizes em actividade.
Face à grande lista de actrizes votadas, o segundo lugar acabou por parar, surpeendentemente -ou talvez não - nas mãos de Jessica Alba. Os seus desempenhos - e atributos - em Sin City, Into the Blue e Fantastic Four, valeram-lhe um lugar de honra, ela que é um dos nomes a ter em atenção para o futuro!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:54 AM | Comentários (0)
dezembro 30, 2005
2005 - E para o ano...
2006 será um ano marcante. Regressam nomes sonantes da história do cinema, chegam ás salas sequelas de sucessos recentes, e há ainda os novos e polémicos projectos de fim de ano de realizadores aclamados. Um ano que se prevê animado...
AS ESTREIAS
O ano vai, como é habitual, dividir-se em três estações. Uma primeira, até Abril onde estrerão todos os filmes de 2005 que só então chegarão ás salas nacionais. É o caso de Brokeback Mountain, Munich, Walk the Line, Good Night and Good Luck., Match Point, The New World, Capote, A History of Violence ou Memoirs of a Gueisha. Filmes aclamados que irão certamente marcar a temporada de prémios, que culminará a 5 de Março com a cerimónia dos óscares.
Entre Abril e Setembro teremos a habitual época dos blockbusters. Será a altura de vermos The Da Vinci Code, Superman Returns, X-Men 3, Sin City 2, 300 ou Pirates of the Caribbean : Dead Man´s Chest. Muitos filmes que têm criado expectativas junto do público e iremos seguir com atenção.
Por fim, como é habitual, o periodo Setembro-Dezembro será dividido entre os titulos de fim de ano - há o novo James Bond, mais um Harry Potter, Cars da Pixar - e os primeiros candidatos aos prémios de fim de ano, com destaque confirmado para Lady in the Water, All the King´s Men, The Departed ou Flags of Our Fathers.
OS EVENTOS
A cerimónia dos Globos de Ouro, a 17 de Janeiro, irá consolidar posições na corrida de prémios deste ano. Mas serão os óscares, a 5 de Março, que ditarão qual o filme do ano. Como é habitual, o Hollywood vai cobrir em directo tudo o que se passa nos Estados Unidos, mas também aqui, já que a 28 de Janeiro há a 2º Edição dos Lumiere.
Fevereiro é ainda a época do Fantasporto, tal como em Abril há o IndieLisboa. Maio levamo-nos até à Croisette, para mais um Festival de Cannes onde ainda não há titulos anunciados, mas onde se esperava ver o próximo filme de David Lynch. Por essa altura voltaremos ao CORTA, festival de curtas-metragens do Porto. Ao vazio do Verão sucedem-se os festivais de Veneza e Toronto, importantes para perceber o que o novo ano nos traz, e lá para o final de 2006 há mais prémios da critica americana, mais Felix e claro, os Hollywood Film Awards 2006 e a terceira edição dos Lumiere.
OS ACONTECIMENTOS
O regresso de 007 é um dos grandes destaques do próximo ano. Casino Royale começará a ser rodado em Janeiro em Praga e tem estreia agendada para Novembro. Antes disso teremos mais um filme polémico de Mel Gibson, agora dedicado à cultura maia: Apocalyptico.
Nomes de culto como M. Night Shyamalan, David Lynch, Clint Eastwood ou David Fincher estarão de regresso com novos trabalhos, e há também a seguir os próximos filmes de Sofia Copolla, Martin Scorsese, Spike Lee ou mais duas adaptações de Frank Miller ao cinema: 300 e a sequela de Sin City.
Em alta estará também o cinema de herois de banda desenhada americana com Superman Returns e X Men 3 a estrearem, enquanto que Spiderman3 e Batman Continues estarão em rodagem.
NOMES A SEGUIR
Depois da sua afirmação ou "explosão" nos últimos tempos, há nomes a quem convém estar atento em 2006. Poderão ser eles os cabeça-de-cartaz no final do próximo ano.
Daniel Craig tem o destaque obrigatório por ter nos ombros a responsabilidade de suceder a um dos mais amados 007´s da história, o irlandês Pierce Brosnan. Quem também tem de mostrar todo o seu valor é Brandon Routh, o novo Clark Kent, ou melhor, o novo Superman.
Gerard Butler será a estrela de 300 e de Boewful and Gretel, depois do bom trabalho em Phantom of the Opera, e Kirsten Dunst volta a trabalhar com Sofia Copolla em Marie Antoinette. O actor em destaque de 2005 tem agora em Denzel Washington um rival de peso. Resta saber como será Clive Owen nas mãos, tanto de Spike Lee, em Inside Man, como de Alfonso Cuaron, no filme The Descendent.
Bryce Dallas Howard, aclamada por The Village e Manderlay, volta a trabalhar com M. Night Shyamalan, e tem agora Paul Giamatti a seu lado. Martin Scorsese reuniu a tropa do costume - leia-se, Leonardo diCaprio - para o seu próximo filme, mas Paul Walker e Ryan Philiphe são alguns dos jovens em quem Clint Eastwood aposta para o seu próximo filme.
Entre os mais jovens actores há nomes a seguir com atenção.
Ryan Gosling estará em Che - o filme de Steven Soderbergh com Benicio del Toro e Javier Bardem sobre o mitico guerrilheiro argentino - e Zach Braff protagoniza The Last Kiss, filme com argumento do aclamado Paul Haggis.
Josh Hartnett e Scarlett Johansson são as estrelas de Black Dahlia de Brian de Palma, enquanto que Colin Farrell e Jamie Foxx estarão juntos na adaptação ao cinema do sucesso televisivo Miami Vice.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:46 PM | Comentários (5)
Cage no World Trade Center
Oliver Stone é claramente um realizador que gosta de correr riscos. A sua filmografia prova-o bem. Depois da hecatombe que foi Alexander, o polémico cineasta não quis jogar pelo seguro e apostou num projecto temerário que mexe com uma das maiores feridas do povo norte-americano: os ataques de 11 de Setembro.
World Trade Center, é este o sugestivo nome do filme, é a história de uma equipa de bombeiros que no dia do atentados entrou nas Torres Gemeas, colocando a própria vida em risco, para salvar o máximo de vidas possiveis.
A estrela do filme é Nicholas Cage, e o polémico filme, produzido pela Paramount, chegará no final do ano ás salas. Esta é a primeira imagem oficial de World Trade Center.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:35 AM | Comentários (0)
dezembro 29, 2005
Crowe tem um bom ano!
A Good Year é o titulo de novo filme de Ridley Scott, com Russell Crowe no principal papel. O actor australiano será Max Skinner, um homem que vive a vida tranquilamente num castelo medieval francês, herdado do seu tio, onde cuida de uma vinha. A sua vida irá mudar quando a filha desaparecida do seu tio regressa, pronta a reclamar a sua herança, virando por completo a sua vida pacifica.
Adaptando o livro Peter Mayle, o filme estreará este ano, e marca a segunda colaboração entre Crowe e Scott. Esta é a primeira imagem oficial do filme.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:27 PM | Comentários (0)
2005 - Os acontecimentos do ano
Um ano cinematográfico não é só feito de filmes. É feito de histórias reais, de feitos e factos. Desde o fim do sonho da Dreamworks aos mais polémicos casamentos e noivados, castings e problemas nas filmagens, o ano de 2005 foi rico em acontecimentos.
A Indústria
O sonho de Steven Spielberg chegou ao fim. Os prejuizos financeiros da companhia eram demasiados e o flop de The Island não ajudou. A Dreamworks Animation manteve a sua independência mas a compra da Viacom, que assim liga a Paramount à Dreamworks, termina com o último grande estúdio indie do cinema norte-americano.
Depois de se ter tornado numa das mais poderosas empresas de Hollywood, a Miramax foi adquirada pela Disney, e os seus fundadores, os irmãos Weinstein sairam para fundarem uma nova companhia a Weinstein Co. Uma noticia esperada, face aos problemas que já existiam entre ambas as partes, mas que criaram um vazio de poder num dos estúdios com maior projecção em toda a indústria de Hollywood.
Castings
O mais polémico e noticiado casting do ano coube directamente ao filme The Da Vinci Code. Contra todas as expectativas, Ron Howard apostou em Tom Hanks para viver o criptólogo Robert Langdon. Ao seu lado vai estar Audrey Tatou, e nomes como Jean Reno, Alfred Molina, Paul Bettany e Ian McKellan fazem igualmente parte do elenco que para o ano adaptará o maior best-seller mundial ao cinema.
A escolha de Daniel Craig para suceder a Pierce Brosnan como James Bond foi igualmente polémica. O casting durou um ano, periodo onde se colocou mesmo a hipótese de Brosnan continuar. Face ás recusas de Clive Owen ou Jude Law, a lista final, reduzida a quatro nomes praticamente desconhecidos do grande público, acabou por destacar o nome de Craig, que se torna assim no sexto 007 da história do cinema. Casino Royale será o seu baptismo de fogo.
Amores e Desamores
O casal que andou durante todo o ano nas bocas do mundo foi sem dúvida Brad Pitt e Angelina Jolie. Para além de estrearem Mr and Mrs Smith, os dois actores apaixonaram-se, levando assim a uma histeria quando Pitt anunciou que se iria divorciar da popular Jennifer Anniston. O casal é agora um dos grandes atractivos da vida social de Hollywood.
Quem também passou o ano nas nuvens foi Tom Cruise. O agora polémico cientologista, conheceu, apaixonou-se, engravidou e está prestes a casar com a jovem Katie Holmes. No inicio todos apontavam para uma clara manobra de marketing por parte de Cruise, mas aparentemente o amor estava mesmo no ar, e o casal continua tão unido como antes.
Obituário
Robert Wise : 1914 - 2005
Anne Bancroft : 1932 - 2005
Teresa Wright : 1918 - 2005
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:24 AM | Comentários (1)
dezembro 28, 2005
2005 - O Pior do Ano
É sempre dificil, incómodo até, apontar o pior de um ano, seja ele cinematográfico ou qualquer outra coisa. Porque há muitos "piores". Há aquilo que é mau, mas que foi criado sem ambição de ser bom. Há o que foi criado com essa ambição, mas falhou, e revelou-se algo pior do que deveria ser. E há também aquilo que não é necessariamente mau - até porque tudo é subjectivo no cinema - mas, ao desiludir expectativas, torna-se parte da lista dos piores. A lista que se segue, é pessoal, tem razões de ser, e não deixa de ser polémica. Mas estes foram os piores de 2005...
O Hollywood viu cerca de 150 dos 257 filmes que estrearam em Portugal durante 2005. A esmagadora maiora no cinema, e outros em dvd´s. O ano dividiu-se claramente entre os filmes produzidos em 2004, de grande qualidade, e os filmes feitos e exibidos já neste ano, a um nivel muito superior. Ficando muita coisa má de fora (e talvez algumas boas surpresas), fica aqui o top5 do que pior se viu no ano que agora termina.
PIOR É IMPOSSIVEL
Constantine
Foi uma das primeiras grandes estreias de 2005 nas salas nacionais. Trazia Keanu Reeves como John Constantine, um homem que caminhava entre a terra e os infernos, uma aclamada personagem de banda desenhada, aqui numa versão monolitica. Também tinha Rachel Weisz, no seu primeiro papel do ano, ela que conseguiria no entanto redimir-se lá mais para o fim de 2005. O filme, fraco a todos os niveis possiveis e imaginários, foi criado com alguma ambição, mas sem grande talento. O resultado final nunca seria muito diferente do que acabou por ser, um dos piores do ano.

Bewitched
Nicole Kidman há muito que está fora de forma, e isso também se nota nos filmes em que vai entrando. Nem ao lado do divertido Will Ferrell ela consegue soltar-se, a ponto de viver uma das mais divertidas personagens da tv americana em Bewitched. O filme é uma versão fraquissima da serie televisiva e não há nada durante o seu periodo de exibição que demonstre o contrário. Um claro exemplo da total falta de ideias de Hollywood.

Se esta lista tivesse ordem, que não tem, The Legend of Zorro lutaria pelo primeiro lugar. Algo inimaginável depois do agradável entertenimento do primeiro, com um sóbrio Anthony Hopkins e um hilariante Antonio Banderas em estilo. A sequela, The Legend of Zorro, é provavelmente um dos filmes mais estupidos alguma vez feitos. E se há filmes estupidos com piada, este nem isso consegue. Uma total falta de ideias, de ambição assustadores para uma equipa que tinha, nem mais nem menos que Martin Campbell ao leme e Antonio Banderas e Catherina Zeta-Jones no elenco. Verdadeiramente para esquecer!

Arsene Lupin
Se lista houvesse, este seria o pior dos piores. O filme mais ridiculo, mais sem sentido, mais estupido de 2005. O facto de vir da Europa é uma mera curiosidade, porque por detrás da história de um dos maiores e mais sedutores ladrões da literatura europeia, está um filme tão mal feito, tão mal pensado, tão mal interpretado (exceptuando-se Roman Duris, sempre ele, no seu melhor) que dá vontade de sair da sala ao décimo minuto. Fica-se até ao fim, mas nunca se percebe porquê, já que o final consegue ser sempre, mil vezes pior que o inicio.

O Crime do Padre Amaro
O cinema português esteve em alta em 2005. Mas também esteve muito em baixo. Para isso contribuiu este Crime do Padre Amaro, que com a obra de Eça Queiroz só tem semelhanças no titulo. Uma desculpa para duas horas de sexo, acção, sexo, mais sexo e hip-hop, numa narrativa sem sentido, perdida, recheada de personagens superficialissimas, e onde se nota que a base é, pura e simplesmente, o corpo de Soraia Chaves. Quando se faz um filme, tendo por base o corpo nu de uma mulher, das duas uma: ou é um filme pornográfico, ou é um filme muito mau. O Crime do Padre Amaro, anda lá pelo meio!

MUITA AMBIÇÃO, FRACO RESULTADO
Andrew Nichols é o autor de argumentos espantosos como Truman Show. No entanto a sua passagem para realizador não foi certamente a que desejava. O filme Lord of War ambicionava ser um ataque, não ao negócio do tráfico de armas, mas a toda a sociedade e à forma como ela é conivente com este estado lastimável, principalmente no continente africano. Nicholas Cage até vai bem, mas as personagens secundárias são demasiado fracas, o argumento demasiado rebuscado e pretencioso, e a direcção demasiado arcaica para resultar. Esperava-se bem mais desta primeira obra, um dos filmes menos conseguidos do ano.

Michael Bay assumiu-se nos últimos dez anos como o rei dos blockbusters. Ao lado de Jerry Bruckheimer, esteve por trás de alguns dos maiores sucessos de Verão como Pearl Harbour ou Armageddon. Com The Island, agora sem o seu parceiro de produção, Bay esperava repetir a dose. Mas o fracasso foi gigantesco, contribuindo mesmo para o fim da Dreamworks, meses depois.
A história em si nem era má, mas a realização primitiva, sempre à procura da saida mais fácil, e um elenco cheio de estrelas mas sem qualquer quimica ditaram o futuro negro do filme, um dos maiores fracassos de 2005.

Quando se fala em Steven Spielberg, obviamente as expectativas estão sempre em alta. É dos poucos realizadores que recebe elogios antes mesmo de começar a trabalhar. E isso tem o seu reverso da medalha. A expectativa criada à volta de War of the Worlds era elevadissima. Era a segunda colaboração com Tom Cruise, reunia um elenco interessante, e explorava um dos grandes sucessos literários do século. Apesar da extravaganza visual e da competente banda sonora de John Williams, o filme é um fiasco. Em termos de ideias cinematográficas e em termos de história. Pela primeira vez em muito tempo, Spielberg não conseguiu contar uma história de forma convincente. E apesar das reacções mistas, War of the Worlds foi um fiasco!

Last Days
Gus van Sant é provavelmente um dos realizadores mais sobrevalorizados da história de sempre, desde My Own Private Idaho ao mais recente, e escabroso, Elephant. Exceptuando Good Will Hunting, que provou que em si, como realizador, van Sant não é assim tão rudimentar, a sua filmografia é de uma gigantesca pobreza. E no entanto é amado e adorado. Mesmo assim, o seu último Last Days, a obra post mortem a Kurt Cobain é de uma nulidade gigantesca. Candidato a vencer Cannes, o filme não tem um único plano que se aproveite. A pobreza é tal, que até assusta. À beira deste filme, Elephant é uma obra prima.

Outro "autor" altamente elogiado pela critica, sem filmografia a condizer com os elogios que lhe prestam, é Jim Jarmush. O seu último trabalho, a usar e abusar do sorumbático Bill Murray, é, em alguns momentos, um filme interessante, que dá mesmo a entender que, em outras circunstâncias, seria um filme aprazivel. Mas não é. Há um vazio de ideias, de talento em explorar situações com imensas potencialidades. Um filme em slow-motion como poucos. E isso não é um elogio!

ACIMA DE TUDO, DECEPCIONANTE!
Jonathan Glazer, homem dos videoclips, prova que ainda lhe falta muito para vingar no cinema. Há uma poesia na sua imagem, verdadeiramente deliciosa, uma serenidade imenso. Mas com isso vem um vazio que o realizador não consegue preencher devidamente. A ajudar, um argumento demasiado incongruente, e um leque de desempenhos demasiado fracos para conquistarem a audiência. Não se trata de um mau filme, mas podia ser imensamente melhor.

Uma das maiores obras de William Shakespeare, já várias vezes adaptada ao cinema, não teve feliz adaptação nas mãos de Michael Radford. O filme é pesado, lento e sem chama. As interpretações são excessivamente teatrais, isto apesar de Al Pacino ser porventura o maior de todos os Shylocks. Um filme mediano de qual se esperava muito mais.

Quase todos os desportos tem um filme que os honra. Faltava o desporto-rei. Depois de Goal!, continua a faltar. Com um orçamento gigantesco, o apoio da FIFA e as tecnologias de hoje, o filme falha em toda a linha no aspecto técnico. A história, com as suas falhas, nem está mal arquitectada. Mas as cenas dos desafios, a falta de realismo quase irritante e que não encontramos em filmes sobre outros desportos igualmente rápidos, provam que ainda não é desta que há um filme a sério sobre futebol.

Les Poupees Rousses
Quando estreou, L´Auberge Espagnole foi uma comédia refrescante no panorama europeu. Consagrou Audrey Tatou e Roman Duris, e lançou novas bases para uma forma ligeira de fazer cinema europeu. A sua sequela, é quase a antitese do filme original, muitos furos abaixo do que era esperado. Esperava-se muito mais de um filme que nunca se consegue soltar do passado do seu antecessor.

Oliver Twist
Todos sabem que há um bom Polanski e um mau Polanski. The Pianist foi o melhor de todos eles, mas já vimos muitas provas da intermitência deste cineasta. Oliver Twist junta-se a esse leque. Uma história notável, um Kinglsey a piscar o olho à Academia e pouco mais. Muito academismo e preguiça na camara de um cineasta notável, que há três anos atrás viu finalmente o mundo render-se ao seu talento. Oliver Twist não é um passo atrás. É apenas, um passo em falso.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:26 PM | Comentários (11)
O Que Estreia Por Cá - Um pobre adeus a 2005
2005 divide-se claramente em dois. Os filmes do inicio do ano, e os restantes. Os do inicio vinham de 2004, uma das melhores colheitas dos últimos anos. Os restantes provam a crise porque passa o cinema, nos Estados Unidos e no Mundo, salvando-se algumas honrosas excepções. Nesta última semana de estreias em Portugal, são 9 os novos filmes chegados ás salas. A qualidade, essa, não parece ser muita. O destaque vai para o regresso de Guy Ritchie, num filme praticamente amaldiçoado...

Snatch era uma obra espantosa e lançou definitivamente o nome de Guy Ritchie para a lista dos mais irreverentes e frescos realizadores da actualidade. Depois veio o casamento com a "Material Girl" e o filme seguinte, Swept Away, foi uma hecatombe. Esperava-se que o regresso ás origens do cinema noir britânico fosse o balsamo que Ritchie precisava. Mas a critica recebeu Revolver friamente, e o público também. Apesar da prenseça de Jason Statham, o seu actor fetiche, o filme está a anos luz de Snatch. É aliás um filme que se perde muito a questionar-se, em vez de explodir realmente. O elenco - onde estão Ray Liotta ou Benjamin Andre - é interessante, mas não vibra como a situação exigia. Um come-back em falso para o cineasta britânico, no filme que, ainda assim, é a estreia em destaque nesta última semana do ano.

Há oito novos filmes a fechar a temporada cinematográfica em Portugal.
The Descent foi uma das surpresas do ano em Inglaterra. Cinema de terror em estado puro, com algumas surpreendentes nomeações em prémios da indústria britânica, o filme de Neil Marshall tem tudo para conquistar os fãs do genero.

Darwin´s Nightmare é um documentário sobre o desaparecimento da fauna indigena na Tanzânia. Uma história que envolve uma conspiração à escala global que ameaça a própria vida na terra, dirigida por Hubert Sauper e realizado em 1996.

My Date With Drew é o último documentário do ano. Brian Herzlinger traz para o ecrãn a sua paixão louca pela actriz Drew Barrymore, por quem se apaixonou quando a viu no filme E.T. Vinte anos depois decide ir à sua procura, para finalmente conhecer a mulher dos seus sonhos. A meio caminho entre a obsessão e o sonho tornado realidade.

The Man junta um par extremamente inverosimel: Samuel L. Jackson e Eugene Levy, o caricato actor popularizado por American Pie. Uma dupla insuspeita que jogam com os cliches dos filmes de espionagem, sempre em tom bastante divertido. A realização é de Les Mayfield.

As comédias continuam em alta com o filme Waiting. Dirigido por Rob McKittrick, esta é a história de um jovem que se começa a questionar se servir à mesa é o que realmente quer fazer da sua vida. Anna Faris, Luiz Guzman e Ryan Reynolds são os cabeça de cartaz.

Um dos mais espantosos acontecimentos da história é retratado por Christian Carion em Jouyex Noel. No Natal de 1914, em plena 1º Guerra Mundial, os soldados alemães, franceses e britânicos abandonam as trincheiras para confraternizarem numa noite muito especial. Uma noite de paz num mundo em guerra. Guilleume Canot, Diane Kruger e Daniel Bruhl são as estrelas deste belo filme.

Vagnillia e Chocolato é um drama romântico dirigido por Ciro Ippolito com Maria Grazia Cucinotta e Alessandro Preziosi. A história de uma mulher que abandona o marido com os seus três filhos, quando descobre mais uma facada no casamento, mas que percebe que ele é o único homem que ama. Juntos vão tentar resolver as diferenças que o separam, percebendo que a quimica que têm um com o outro é única.

O cinema nacional fecha 2005 com Odete, a segunda obra de José Pedro Rodrigues, o autor de O Fantasma.
Ana Cristina Oliveira, Nuno Gil, e João Carreira protagonizam esta história de amores cruzados, dor, afastamento, solidão e de assombração. Há uma clara associação com a obra anterior do cineasta, sendo que aqui são explorados temas tabus como a homossexualidade, de uma forma bastante natural.

O Hollywood Recomenda - Nesta semana tão fraca em qualidade cinematográfica, não há qualquer filme recomendável pelo Hollywood. O seu a seu dono, e cada um está por sua conta!
O Hollywood Desaconselha - A não ser que sejam fãs deste ou aquele autor, actor ou argumento, ficar em casa pode ser a melhor opção. Afinal, para que é que existem os dvd´s?
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:45 AM | Comentários (4)
Hollywood Film Awards 2005 - Prémios do Público
É já amanhão que termina a votação para os prémios do Público da segunda edição dos Hollywood Film Awards. A votação está bastante equilibrada nas quatro categorias - filme, realizador, actor e actriz - e o vosso voto ainda pode fazer a diferença.
A contagem termina amanhã, e dia 31 serão divulgados os vencedores, assim como os escolhidos pelo Hollywood nas restantes treze categorias.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:35 AM | Comentários (0)
dezembro 27, 2005
2005 - O Ano em Imagens
2005 foi um ano de imagens poderosas. Ao cinema coube uma grande quota parte de responsabilidade dessas imagens tão poderosas. Dentro e fora dos filmes. Aqui fica uma retrospectiva de algumas das grandes imagens cinematográficas do ano que finda...

Quando ninguem esperava, doze anos depois, Clint Eastwood voltou para casa recheado de estatuetas douradas. Foi a sua noite de consagração.

Hilary Swank repetiu a dose numa noite de estreantes. Morgan Freeman e Jamie Foxx repetiram o feito de 2001, com dois actores da comunidade negra a levarem para casa a estatueta dourada, e Blanchett foi a primeira actriz a ganhar um óscar por viver uma actriz que tinha ganho...quatro!

Foi uma noite dos oscares diferente, com novo modelo e apresentador. Chris Rock nem se saiu muito mal mas não deverá repetir a dose tão cedo. Os especatadores torceram o nariz a uma cerimónia olémica, com Beyoncé a cantar diversos temas que não eram dela, e com muitos vencedores que nem subiram ao palco.

Antes dos oscares houve os Globos de Ouro. Era a altura em que The Aviator estava em alta, sendo galardoado com dois prémios que não receberia nos óscares: Melhor Filme e Melhor Actor.

Venceu o Globo mas não o óscar. Mas Clive Owen foi o actor em destaque de 2005.

Quando ninguem imaginava, os irmãos Dardenne voltaram a arrecadar a Palma de Ouro em Cannes. O seu Les Enfants, bateu uma concorrência que se julgava favorita e levou de novo o galardão para a Bélgica.

É o filme que mais amor tem recebido neste final de ano. E o primeiro passo para a glória de Brokeback Mountain começou em Veneza. Onde todos imaginavam que o sucesso seria de outro filme americano, o de Clooney, acabou por ser Ang Lee a repetir o feito de um filme americano vencer em Veneza. Já não acontecia desde Atlantic City USA, em 1981.

O filme da critica de 2004 chegou este ano a Portugal e cumpriu tudo o que se esperava dele. Uma comédia negra deliciosa com um grande elenco e muita imaginação, e acima de tudo, com um Paul Giamatti em grande forma.

A fotografia em tons de negro. A banda sonora carregada de emotividade. Desempenhos do outro mundo. O dedo de um génio consagrado. Million Dollar Baby e 2005 serão sempre sinónimas por cá.

Tornar uma das mais horrendas personagens do Século XX num ser humano, parecia incomcebivel. Thomas Hirschbiegel e Bruno Ganz conseguiram recriar os últimos dias de Hitler de forma arrasadora em Der Untergang.

Por cá, Marco Martins assinou uma das maiores primeiras obras da história do cinema europeu. Alice é uma obra fabulosa a todos os niveis, de uma pureza genial, de um realismo assustador. Um filme de actores, um filme de realizador, um filme de compositor, um filme de editor. Um filme atipico em Portugal.

Foi o final de uma saga que durou quase trinta anos. De 1977 a 2005 foram seis os filmes que Lucas criou num universo distante e há muitos, muitos anos. Tudo para descobrir-mos que Anakin Skywalker é o heroi, não o vilão. Uma dupla trilogia que fica para a história como uma das mais importantes alguma vez criadas.

A inovação do ano. Robert Rodriguez e Frank Miller surpreenderam meio mundo com a adaptação perfeita de Sin City dos quadradinhos ao cinema. Com um elenco espantoso e uma concepção visual do outro mundo, o filme marca definitivamente um ponto de viragem em relação ás habituais adaptações de herois de animação.

Gollum já tinha sido um imenso avanço quando se falava em personagens criadas totalmente em CGI. Mas nada comparável a King Kong. Um gorila gigante que transmite com o olhar milhares de sentimentos. Uma personagem de um humanismo nunca vistos. E um filme inesquecivel.

Depois de um ano onde não faltaram candidatos ao lugar, a escolha sobre quem seria o novo 007 foi finalmente anunciada. Daniel Craig, britânico, ocupará o lugar de Pierce Brosnan no próximo filme, Casino Royale. Uma escolha polémica, é certo, mas que acaba assim com um dos grandes tabus do ano. O filme estreia em finais de 2006.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:27 AM | Comentários (4)
Recusas
Não está fácil a vida para a Academia de Hollywood e para os produtores do próximo 007.
A actriz Charlize Theron recusou o convite que lhe foi feito para ser a nova bond-girl. A sul-africana era uma das eleitas dos produtores, mas preferiu distanciar-se de um papel que acreditava que acabaria por rotulá-la. Também Angelina Jolie e Scarlett Johansson recusaram contracenar com Daniel Craig em Casino Royale. A poucas semanas de começar as rodagens em Praga, saber quem será o grande interesse amoroso do novo James Bond é uma questão dificil de responder. A aposta em nomes de peso, que teve sucesso com casos como Sophie Marceau ou Halle Berry, parece não estar a resultar, e há sempre a hipótese dos produtores da saga apostarem numa desconhecida.
Quem também está em sarilhos é a Academia de Hollywood.
Chris Rock, o anfitrião da cerimónia do ano passado, já fez saber que não pretende repetir tão cedo a experiência. Billy Crystal, o mais apreciado nome para o lugar, também recusou apresentar a cerimónia, escudando-se numa peça que estará em exibição na mesma altura, e em projectos paralelos que pretende desenvolver. A cerimónia é a 5 de Março e nunca a Academia demorou tanto em encontrar um anfitrião. Já correm por isso apostas que falam em nomes como Steve Martin, Whopi Goldberg, mas também em Paris Hilton ou Britney Spears.


Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:27 AM | Comentários (1)
dezembro 26, 2005
2005 - O ano de A a Z
Tal como fizemos o ano passado, nada como começar o anuário de um ano com uma compilação de alguns dos nomes e feitos mais marcantes de 2005 numa pequena enciclopédia de A a Z. Porque vale a pena recordar o ano que fica para trás.
A - Alice
Há muito tempo que o cinema português não tinha um filme assim. Aliás, o cinema nacional nunca teve um filme com o dramatismo e a força de Alice. Para obra de estreia, Marco Martins exibe-se a um nivel espantoso e conta com um elenco muito bem ensaiado onde Nuno Lopes foi figura de proa. Assim vale a pena ver filmes made in Portugal.

B - Biopics
Foram variadissimos os biopics que invadiram as salas nacionais no último ano. Cada vez mais em voga, o filme biográfico é agora usado que de forma discriminada. Mas há casos e casos. Os mais bem conseguidos foram sem dúvida Mar Adentro, a história de Ramon Sampedro (com um fabuloso Bardem), Ray - que deu o óscar a Foxx - Kinsey, Beyond the Sea, Cinderella Man ou Vera Drake. Dois casos especiais: Der Untergang provou que se podem quebrar os maiores tabus com uma abordagem honesta de uma das mais odiadas personagens de sempre da história da Humanidade. The Aviator foi uma das obras mais sobrevalorizadas do ano, e provou que nem todos os biopics resultam quando a abordagem não é a mais apropriada.

C - Clive Owen
É de Clive Owen um dos desempenhos do ano. Em Closer o actor britânico é avassalador de uma forma como poucos suspeitavam ser possivel. Depois de King Arthur, o actor que esteve para ser o próximo Bond, Clive Owen brilhou, fez-se uma estrela e perdeu por pouco um óscar justissimo. Em Sin City confirmou tudo o que se dizia dele, sendo hoje claramente um dos maiores actores em actividade.

D - Dreamworks
O sonho acabou. Já nem Steven Spielberg consegue manter uma produtora independente dos grandes estúdios. Trinta anos depois das produtores indepententes terem desafiado o poder dos grandes estúdios, a Dreamworks é vendida à Paramount. Para trás ficaram obras inesqueciveis e um sonho desfeito.

E - Clint Eastwood
Com dedos de mestre e um olhar profundamente humano, Clint Eastwood mostrou mais uma vez porque é o melhor realizador em actividade. Criou do nada um dos maiores filmes dos últimos anos, surpreendeu tudo e todos, adiou a consagração de Scorsese, e foi o rei e senhor dos óscares, arrecandando mais dois para a sua conta pessoal que já vai em quatro estatuetas douradas. Eastwood é hoje o que muitos realizadores sonham ser e não conseguem: um mito vivo!

F -Jamie Foxx
Tinha uma carreira marcada por alguns trabalhos interessantes, mas pouco mais. E então surgiu Ray, o biopic do inesquecivel Ray Charles, e de repente Jamie Foxx passou a andar nas bocas do mundo. Galardoado com uma dezena de prémios, entre os quais o mais cintilante é o óscar de melhor actor, Jamie Foxx tornou-se no terceiro actor negro a vencer o óscar de melhor actor. Um feito histórico conseguido por um actor em quem poucos apostaram, mas que provou ter o que é preciso para triunfar na cidade dos anjos.

G - Gay Cinema
Ainda não chegou a Portugal, mas o ano de 2005 ficará marcado a nivel mundial como o ano em que o cinema gay finalmente saiu do armário. Brokeback Mountain, Capote ou Transamerica decidiram-se a quebrar tabus. Pela primeira vez em algum tempo filmesque exploram abertamente o amor homossexual ou a condição dos transexuais, é levada a sério em Hollywood. Os prémios demonstram o respeito por estas obras, que são também de afirmação de uma minoria. Resta saber se é apenas uma moda ou se é finalmente um tabu que se quebra.

H - Paul Haggis
Entre o argumento de Million Dollar Bay e Crash, este foi um ano de ouro para Paul Haggis. O argumentista escreveu a aclamada obra de Clint Eastwood mas falhou o óscar. No entanto este ano volta à carga com Crash, filme que marca a sua estreia como realizador. Uma estreia auspiciosa de um nome a reter para os próximos anos. Até porque o próximo 007 tem a sua marca.

I - Internacionalização
O cinema este ano esteve em grande estilo um pouco por todo o lado. Hollywood viveu dias dificeis com os sucessivos falhanços dos blockbusters de Verão e a falta em encontrar filmes de grande nivel capaz de captivar o público. Na América do Sul o ano foi igualmente fraco, mas o mesmo já não se pode dizer do cinema asiático que está bom e recomenda-se. Filmes como OldBoy ou House of the Flying Daggers são a prova viva. Em África o cinema continua a dar passos corajosos mas o impacto ainda é minimo. Na Europa, a Alemanha esteve em grande com três filmes muito bons (Der Untergang, Sophie Scholl e Der Edukators), em França viveu-se o ano Roman Duris, com De Tan Batre Mon Couer S´Arretê, Arsene Lupin e Les Poupees Rousses, e em Itália Roberto Begnini está de volta, agora numa viagem ao Iraque. Amenabar foi o rei da Peninsula Ibérica e o cinema nacional viveu um ao apagado. O sucesso de Alice não teve seguidores e acabou por ser O Crime do Padre Amaro a ser o sucesso comercial do ano nacional.

J - James Dean
Passaram cinquenta anos da morte de um dos maiores icones da história do cinema. Fez apenas três filmes mas mostrou ao mundo que poderia ter feito muitos mais ao nivel dos gigantes da época, Marlon Brando e Montgomery Clift. A verdade é que o mito criado à volta de Jimmy Dean imortalizou-o como nunca o cinema conseguiria faze-lo. Cinquenta anos depois, o mito vive.

K - King Kong
A cena final do filme é um epilogo perfeito para o que se tinha desenrolado nas três horas anteriores. Depois do sucesso da trilogia Lord of the Rings o realizador Peter Jackson voltou a superar-se, conseguindo com King Kong alguns dos momentos mais marcantes do ano. Dos filmes produzidos e estreados em 2005, é claramente o melhor. Simplesmente genial!

L - Lumiere
Foi o mais ambicioso e bem sucedido projecto da Academia de Blogs de Cinema. Coroou Eternal Sunhsine of the Spotless Mind como o grande filme de 2004 e foi a única associação portuguesa a premiar o que de melhor se fez no universo cinematográfico no ano passado. Este ano regresso. Com novas regras, novos juris, mas a ambição de sempre. Começa a tornar-se numa referência dos prémios nacionais de cinema.

M - Million Dollar Baby
Há poucos filmes assim. Murros no estomago dados de uma forma quase imperceptivel, um filme capaz de arrancar lágrimas ao mais carrancudo dos homens. Foi uma obra inesquecivel, a melhor que passou por cá em algum tempo, e que ajudou a confirmar Eastwood como um mito, Hilary Swank como uma actriz feita, e Morgan Freeman como um actor que agora pode finalmente ser anunciado como "Academy Award Winner". Um filme inesquecivel e que marca claramente o ano que fica para trás.

N - Nuno Lopes
Foi a grande figura do ano do cinema português. Um desempenho irrepresenvivel e emocionalmente arrasador levou-o a ser um dos embaixadores do cinema europeu na última cerimónia dos prémios da Academia de Cinema Europeia, os Felix. O seu desempenho em Alice está ao nivel dos melhores, e agora espera-se mais, muito mais deste excelente actor.

O - Original Soundtracks
Estão cada vez melhores as bandas sonoras dos filmes. Quer sejam pautas criada propositadamente para os filmes por génios como John Williams, Danny Elffma, Howard Shore, James Newton Howard entre tantos outros, quer sejam compostas por temas inesqueciveis como foram os casos de Closer, Garden State, Ray, Beyond the Sea ou Elizabethtown, o papel das bandas sonoras nos filmes é cada vez maior. Porque há filmes que quase que podem ser vistos de olhos fechados!

P - Alexander Payne
Finalmente o óscar. Ao lado de Jim Taylor, o jovem cineasta conquistou finalmente o merecido óscar para melhor argumentista. O seu mais recente filme, Sideways, foi o rei do cinema indie em 2004, e apesar de ter saído dos óscares com apenas uma estatueta, serviu para colocar Payne ao lado de Sofia Copolla e Wes Anderson na triade dos mais jovens e talentosos cineastas de Hollywood.

Q - Q´Orianka Kilcher
O filme The New World ainda não estreou mas ela já anda nas bocas do mundo. Cotada como uma das grandes revelações dos últimos anos, esta jovem de apenas quinze anos de idade nascida na Alemanha foi a escolhida por Terrence Malick para encarnar a popular Pocahontas no seu mais recente filme. O realizador teve de ter cuidado nas cenas mais quentes com Colin Farrell, mas o final o que conta é que o seu desempenho está cotado como um dos melhores do ano. Um nome a seguir com atenção.

R - Rachel McAdams & Rachel Weisz
Duas Rachels que deram muito que falar em 2005. A primeira é uma das novas meninas bonitas do cinema norte-americano. Foi a actriz revelação do ano, com três papeis interessantissimos. De Wedding Crashers a Family Stone passando obviamente por Red Eye, provou ser mais uma estrela para a constelação de jovens promessas de Hollywood.
Já Rachel Weisz confirmou em The Constant Gardener tudo o que se esperava dela. Segura, arrasadora, uma especie de Kate Winslet em crescimento, a talentosa Weisz é já um dos nomes seguros do cinema britânico da actualidade.


S - Star Wars
Tornou-se num marco da história do cinema e ao longo dos anos criou uma legião de fãs como quase nenhuma outra obra de ficção. Em 1997 George Lucas decidiu fazer uma nova trilogia, em forma de prequela. Foi criticado, os filmes não estavam ao nivel dos originais, mas mesmo assim venderam muitos bilhetes. Em Maio último a saga terminou de vez. Sob aplausos. The Revenge of the Sith foi o final que todos esperavam, o filme mais negro e mais bem conseguido da nova trilogia e a ponte necessária para perceber o que viria depois, mas que foi feito antes.

T - Tim Burton
O mago está de volta em grande estilo. Depois de Big Fish, uma obra-prima inesquecivel, esperava-se muito de Burton. E ele provou estar em óptima forma com dois filmes inesqueciveis em apenas um ano. Primeiro foi Charlie and the Chocolate Factory, onde recriou o mitico universo de Willy Wonka, vivido por um Johnny Depp inesquecivel. Depois decidiu-se por voltar ao cinema de animação e criou The Corpse Bride. Esqueletos dançantes, amor além tumulo e uma banda sonora portentosa e mais uma obra genial assinada pelo cineasta mágico que é Tim Burton.

U - UMD
É o futuro. Ainda o VHS estava a ser enterrado e o DVD a afirmar-se no mercado, e já uma nova tecnologia traz o cinema mais perto do público. O UMD é mais um avanço tecnologico, com a possibilidade de se verem filmes em pequenos aparelhos portáteis. Uma inovação ainda sem grande aceitação popular mas que a médio prazo promete revelar-se um sucesso.

V - Vince Vaughn
Começa a tornar-se num caso sério de talento mal aproveitado. Já se sabia que Vince Vaughn tinha talentos escondidos, mas tanto em Be Cool, como - e essencialmente - em Wedding Crashers, o actor norte-americano prova que é hoje um dos maiores comediantes do cinema norte-americano. O seu desempenho ao lado de Owen Wilson é dos mais interessantes do ano.

X - Xeque Mate
Considerado de forma unânime como um dos maiores realizadores europeus de sempre, o sueco Ingmar Bergman decidiu por um ponto final a uma carreira com mais de meio século. O seu ultimo filme, Saraband, uma pérola brilhante, ideal para o fim de carreira do autor de obras-primas como Morangos Silvestres, O Silêncio, Sétimo Selo ou Fanny e Alexandre. Um final de carreira anunciado que passou despercebido a muitos, mas que é um dos eventos cinematográficos mais importantes do ano!

Y - "You Shall not win!"
Parece a frase telegráfica que a Academia de Hollywood tem enviado, ano após ano, a Martin Scorsese. O talentoso realizador nova-iorquino tentou, com The Aviator, finalmente arrebatar o óscar de melhor actor, que já lhe é devido desde Raging Bull. E se Eastwood foi melhor - e é preciso ser-se honesto - a verdade é que Scorsese parece cada vez mais destinado a juntar-se a nomes como Hawks, Hitchcock, Lang ou Ray como realizadores miticos que nunca conquistaram uma estatueta dourada.

W - Wes Anderson
Depois de The Royal Teenenbaums esperava-se muito de Wes Anderson. E o cineasta cumpriu. O seu The Life Aquatic of Steve Zissou é um filme originalissimo e cheio de vida, num contraste imenso com a forma como é filmado. Com um grande elenco, capitaneado na perfeição por Bill Murray, e com uma banda sonora de grande nivel, onde Seu Jorge canta Bowie em português, é um dos filmes do ano.

Z - Zach Braff
Foi uma das mais agradáveis estreias de sempre de um jovem cineasta. Conhecido pelo seu papel em Scrubs, o actor agora tornado realizador Zach Braff fez de Garden State um filme belissimo, cheio de imaginação e sentimento. Uma das obras mais interessantes que por cá passou em 2005 e que ajudou a revelar mais um promissor cineasta.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:28 PM | Comentários (0)
Antevisão - Munich
Há trinta e três anos, "terroristas" palestinianos atacaram a delegação israelita em Munique, provocando a morte de vários atletas olimpicos. O que se seguiu foi uma impiedosa caça ao homem, liderada por um agente especial da Mossad. Agora, Steven Spielberg conta-nos o que se passou. E o que aqueles homens sentiram...

Há muito tempo que a ideia de fazer um filme sobre os atentados de Munique passava pela cabeça de Spielberg. Já quando rodava War of the Worlds, o realizador acompanhava o desenvolvimento do guião de Eric Roth e Tony Kurshner, baseado no livro Vengeance. Foi esse o titulo do filme quando Spielberg o começou a rodar, em Setembro, tinha acabado de estrear a sua adaptação da obra de H.G. Wells. Mais tarde, por questões de tacto, bem ao seu estilo, mudou o titulo para Munich, o local onde tudo começou.
O filme contava como um grupo de agentes da Mossad passou anos a tentar apanhar todos aqueles envolvidos nos atentados. A verdade é que muitos inocentes morreram, e o próprio lider do esquadrão questionou o seu papel na missão, abandonando no inicio dos anos 80 a própria agência secreta israelita. Era a ideia de Spielberg focar tanto a caça ao homem, como os motivos que levaram, primeiro aos atentados e depois á perseguição. Mas o drama do filme está no dilema do lider da equipa, que se questiona sucessivamente sobre se há justiça naquilo que o mandaram fazer.
E esse é talvez a grande valia do filme, a forma como Spielberg questiona o que é o terrorismo, o dito terrorismo oficial, mas o contra-terrorismo, também ele, na maior parte dos casos, composto por acções indignas de qualquer estado democrático.

Spielberg escolheu Eric Bana para liderar o elenco do filme, que acaba por contar com poucos nomes conhecidos. O actor de Troy ou Hulk mostra-se a bom nivel, mas como sabemos, o cinema de Spielberg é sempre mais um cinema de argumento e realização do que propriamente de actores. A acompanhar o australiano estavam Daniel Craig - o novo Bond - Geoffrey Rush, Cirian Hinds ou Maria José-Crooze. Um filme com um trabalho técnico louvável, especialmente a fotografia, muito em tons escuros, como se a própria escuridão da alma estivesse em jogo, o que, acompanhado pela banda sonora de John Williams, ganha ainda mais sentido.
Um filme irrepreensivel tecnicamente, mas que tem sido questionado pela forma como a história é narrada. Há quem diga que Spielberg perdeu o dom. Depois de War of the Worlds, sai mais um filme pobre em narrativa. Há quem sugira que Spielberg se perde na imensidão politica do acontecimento. E depois há os extremistas que tanto o acusam de anti-semita, como de pró-israelita. Mas ignorando esses, o importante é perceber o enfoque deste Munich.

Catalogado, mesmo antes de existir em pelicula, como o filme do ano, Munich apresentará certamente falhas. Caso contrário não teria sido quase esquecido por todas as associações de criticos e jornalistas dos Estados Unidos, mais depressa rendidos a pequenos indies como Brokeback Mountain, A History of Violence ou Good Night and Good Luck.
Mas, focando os aspectos positivos, há que realçar a coragem de Spielberg em se aventurar numa temática problemática, como é a questão do terrorismo. Especialmente quando o conflito de então ainda existe hoje, e qualquer tomada de posição, mesmo que simbólica, pode ser mal interpretada.
Mas em termos cinematográficos, é curiosa a ideia que tem acompanhado os últimos filmes de Spielberg, desde Minority Report, muito mais negros e intensos do que propriamente captivantes. Munich parece seguir um pouco dessa onda, o que acaba por ter pouco glamour, ao contrário do que era habitual no homem que praticamente inventou os blockbusters.

Apesar de tudo, Munich continua a ser para muitos, o filme a abater. Porque a temática de Brokeback Mountain é muito mais complexa, e porque o filme é do realizador mais amado em actividade, capaz de gerar um grupo de defensores bem heterogéneo. Caberá ao público a última palavra, e essa é a última questão a ser respondida. Mas apesar de todas as criticas, o filme promete imenso. Emotividade, contenção dramática, trabalho de realização competentissimo e um leque de boas performances. Poderá não ser o maior Spielberg ou o maior do ano, mas Munich é certamente um filme de visionamento obrigatório.
O QUE SE DIZ
"Como thriller, Munich é um filme eficiente, captivante e bem conseguido. Como uma posição étnica, é perseguidor. E as questões que levanta não são apenas para Israel, mas para qualquer nação que acredite que tem de comprometer os seus valores para os defender."
Roger Ebert, Chicago Sun-Times
"É raro para um "enterteiner" como Spielberg, galhar em criar um interesse na sua história, ou, na sua falta, um ponto de ligação a outros dos seus filmes."
Todd McCarthy, Variety
"Este território é novo para Spielberg, e ele completa a sua jornada com distinção."
Peter Travers, Rolling Stone
"Sem alma, ideologia e um estimulante debate intelectual, Munich é uma grande desilusão, chegando mesmo a ser aborrecido."
Rex Reed, New York Observer
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:12 AM | Comentários (0)
dezembro 25, 2005
Aquelas Frases...
"My mouth's bleeding, Bert! My mouth's bleed... (He reaches in his pocket) - Zuzu's petals! Zuzu's...There they are! Bert! What do you know about that! Merry Christmas!"

in It´s a Wonderful Life
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:27 AM | Comentários (0)
dezembro 24, 2005
O Hollywood Deseja a Todos Um Feliz Natal
Até segunda o Hollywood tira umas pequenas férias para gozar as festividades. Entretanto, desejo a todos um excelente Natal na companhia daqueles que mais gostam. A programação regular regressa na próxima segunda-feira, com o especial Anuário a marcar toda a semana que encerra 2005.
Até lá, boas festas a todos!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:49 AM | Comentários (7)
dezembro 23, 2005
Oscarwatching - Você é Munich positivo ou Munich negativo?
O facto de ser um dos realizadores mais amados da actualidade, permite a Spielberg ter, mesmo quando falha, uma legião de apoio. Munich está longe de ser um falhanço (estreou hoje apenas), mas é um caso bicudo, com algumas reviews positivas, outras negativas, e muitas a puxarem para cima num claro acto de campanha. Foi por isso que esta semana surgiu um novo conceito: ou se é a favor ou contra Munich. Porquê?

O filme é pró-israelita ou anti-semita? Ninguém parece conseguir definir a essência de Munich, mas as criticas de ambos os lados minaram de imediato a reputação do mais recente filme de Steven Spielberg. A ausência de prémios e nomeações constrastaram com o lugar de Munich em alguns tops de criticos conceituados. Mesmo assim o unanimismo que havia à volta de Munich antes de estrear hoje já não existe. E há tantos detractores como apoiantes. Como sempre, a nata escolheu o seu "amor" este ano. Como já tinha acontecido com The Aviator no ano passado, Munich é o filme que luta contra a hegemonia do polémico Brokeback. É de um realizador altamente apreciado e é um filme muito artistico e profundo, diz-se. Razões para que muitos tenham escrito louvores dignos de uma obra-prima, quando na realidade o pensamento comum está bem longe de atingir este patamar. Os detractores acusam Spielberg de ter perdido a capacidader de contar histórias, de se ter envolvido em demasia na politica. Para eles um nome não faz um filme. E lá por ser de Spielberg, isso não faz de Munich um grande filme.
Ambos os lados têm razão. Ambos os lados têm nomes de peso a apoiá-los. Este confronto entre criticos e personalidades da indústria pode ser decisivo para ditar o sucesso final de Munich. Se os criticos triunfarem, Brokeback tem o caminho cada vez mais livre. Mas se acontecer o oposto, e o filme de Ang Lee cair em desgraça, a verdade é que Munich pode voltar a ser o filme do ano. Como se nada tivesse passado.

A grande surpresa do ano parece ser Terrence Howard. O actor já tinha dado nas vistas em Crash, com um papel segurissimo, como todos os do filme aliás, mas é por Hustle and Flow, a história de um chulo que tenta tornar-se numa estrela de rap, que o actor tem recebido os maiores elogios. Um dos desempenhos do ano, com direito a prémios e menções honrosas. Se algum dos cinco nomes em destaque (Hoffman, Ledger, Phoenix, Straiharn, Bana) falhar, Terrence Howard poderá tornar-se no upset do ano.

A possibilidade da BFCA premiar de forma especial Andy Serkis pelo seu desempenho em King Kong, numa personagem totalmente criada a computador, pode abrir um importante precedente. Quando a personagem principal de uma história não é um actor, mas sim uma personagem, animal ou criada por cgi (Babe, Who Framed Roger Rabitt, E.T...) a Academia normalmente torce o nariz e desvia o olhar. Com este prémio, King Kong pode ter quebrado um grande tabu. A questão é saber se o resto da aldeia vai na conversa.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:20 PM | Comentários (1)
300 em acção
É mais uma adaptação de uma banda desenhada mitica de Frank Miller. Depois do sucesso de Sin City, que tem sequelas anunciadas, o desenhista juntou-se a Zack Snyder para adaptar ao cinema o seu popular livro sobre um grupo de 300 soldados espartanos que combateu a invasão persa na batalha de Termópolis.
300 conta com o talentoso Gerard Butler a chefiar um elenco que tem ainda Dominic West, David Wenham e Rodrigo Santoro, e terá estreia no final do ano.
O filme trabalha os mesmos moldes que levaram Sin City ao cinema, com uma adaptação fiel da banda desenhada, quadradinho por quadradinho, com um perfeccionismo impressionantes. Com a divulgação do site oficial do filme foi possivel ver essa adaptação pormenorizada, como podem comprovar pelas imagens divulgadas no Omelete.




Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:37 PM | Comentários (1)
Ciência vs Religião diz Spurlock
Depois do polémico Super Size Me, o documentarisma Morgan Spurlock está de novo ao ataque. Agora o tema do seu próximo documentário é a guerra que se vive no ensino americano, entre as posições cientificas e religiosas tanto no ensino como na própria sociedade. O actual governo republicano tem patrocinado uma serie de investidas de grupos conservadores que pretendem contestar o darwinismo e as posições cientificas em detrimento do pensamento da Biblia em questões como o aborto, clonagem, creacionsmo, educação sexual ou o estudo de células humanas.
The Republican War on Science, que é também o titulo do livro de Chris Mooney que Spurlock irá adaptar, será produzido pela Warrior Poets, a própria produtora do cineasta que neste momento roda Class Act, também ele uma critica à administração Bush pela sua politica nas escolas em relação ás cadeiras ligadas às artes.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:29 PM | Comentários (0)
The Family Stone - Laços de Familia
Uma familia é, feitas as contas, o mais precioso que cada um de nós tem. Mesmo nos momentos de maior solidão, de dor, mas também nos momentos de alegria, podemos contar sempre que ela esteja lá. E amamo-la por isso, mesmo que dentro dela existam individuos completamente diferentes, muitas vezes de nós próprios.
The Family Stone é uma carta de amor à familia...
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Lá fora neva. É Natal. Poderia ser um Natal como qualquer outro. Mas não é. Falta alguém. Alguém que todos amam. Que todos respeitam. De quem todos sentem falta. Um Natal que poderia ser como qualquer outro. Mas que não é. Porque uma familia é um bloco. E quando um deles não está, todos o sentem. Está no olhar, mesmo disfarçado. Nos gestos, nas palavras. O sentimento de perda, mesmo escondido, está lá.
Rewind. Um ano atrás precisamente. Lá fora não neva, mas o chão está branco. É Natal. Poderia ser um Natal como qualquer outro. Mas não é. Há alguém novo a conhecer. Alguém que ninguém parece gostar. Alguém que acham que está a mais. Alguém que se sente a mais. Um Natal que poderia ser como qualquer outro. Mas que não é. Porque uma familia é um bloco e olha desconfiado para um novo "membro". E esse fantasma irá marcar este Natal de uma familia que poderia ser uma familia como as outras. Mas que não é. É a familia Stone, onde cada um é mais excêntrico que o outro. Uma familia que é fácil odiar, mas que é ainda mais fácil amar.

The Family Stone é a estreia de Thomas Bezucha atrás da camara numa grande produção. Antes disso tinha apenas um filme no curriculo. Algo que se nota, duplamente. Primeiro porque há ainda uma camara presa nas mãos de Bezucha. Há dificuldade em soltar-se e deixar-se ir com a cena, e algumas cenas são demasiado básicas para um filme ambicioso. No entanto nota-se a frescura da primeira vez (que não é bem a primeira, mas é como se fosse), alguns toques originais que indicam que há ali qualquer coisa a ter em atenção. O mesmo se passa com o guião, com muitas arestas por limar, mas que no fundo parte de uma boa premissa que é bem conduzida, de forma geral, pecando apenas pelo exagero de personagens, que acaba por ser interessante em termos de panorama, mas que prejudica o desenvolvimento de personagens já de si estimulantes de conhecer.
O filme pauta-se por um humor, muitas vezes demasiado fácil, mas sempre com uma mensagem por trás. A tolerância, o amor, o respeito pelo próximo, o seguir o sonho, são tudo coisas muito bonitas de se dizer, mesmo em filme de Natal, mas têm de fazer sentido. Neste filme fazem. Mesmo que por vezes não o pareça. E quando caminha por esse rumo, da mensagem de fraternidade, o filme torna-se mesmo delicioso. O pior são mesmo os risos forçados que o cineasta tenta arrancar, e que por vezes até resultam. Mas não há fórmula que falha. O pior é que aqui, falha vezes demais.

Quando falamos de elenco, há muito por onde se pegar já que Bezucha conseguiu reunir um excelente grupo de actores à sua volta. A começar pelos mais veteranos, é preciso dizer que Diane Keaton está em excelente forma. Desde Something´s Gotta Give que a actriz ressuscitou depois de quase duas décadas em que andou desaparecida, fora alguns trabalhos ocasionais. Este seu papel ajuda-a a explorar uma faceta cómica, que Keaton tem e nunca foi devidamente aproveitada, mas mantem o dramatismo habitual das mulheres que "encarna" com tanta genialidade. No entanto, falta-lhe tempo de cena, tal como acontece com Craig T. Nelson, que tem uma das mais fascinates e menos aproveitadas personagens da história. Ambos foram falados para o óscar secundário, mas é dificil com tão pouco tempo de cena concorrer com rivais temiveis como os há este ano (Bello, Keener, Weisz, Williams e Li para Keaton e Clooney, Giamatti, Harris, Dillon e Gyllenhall para Nelson). Quanto ao restante elenco, tanto Luke Wilson como Dermot Mulroney estão irrepreensiveis, ambos em papeis que lhes encaixam como uma luva. Claire Danes é um raio de luz num ambiente sempre pautado por cores muito escuras, e a sua chegada coincide com uma reviravolta muito bem conseguida por Bezucha.
Já Rachel McAdams continua a mostrar porque tem potencial para ser uma das actrizes da sua geração, parecendo, em traços e forma de representar, muitas vezes a própria Keaton, nos primórdios da década de 70. Depois de The Notebook, Wedding Crashers e Red Eye, este é mais um desempenho de alto nivel de uma actriz a ter em atenção. Para o fim fica Sarah Jessica Parker. A actriz celebrizada por Sex and the City tem tentado poucas incursões no cinema, mas a nomeação ao Globo deixava água na boca. No final a personagem era a mais dificil de viver e isso nota-se na sua performance, que não deixa de ser mediana, apesar de cumprir os requisitos minimos que se esperavam dela.

Natal. Época perfeita para pensarmos sobre a familia. Sobre o que ela representa. Para nós. Para o próximo. Um filme de época é sempre um filme de época. Diz-nos sempre mais alguma coisa, do que diria se estreasse em pleno Verão. Mas também é preciso encontrar estes filmes de vez em quando. Filmes que olhem para a vida sem cinismo, sem questões demasiado profundas. Filmes que nos ofereçam uma viagem para uma história que podia ser a de qualquer um. Com todo o humanismo que caracteriza cada um de nós. E com a dose certa de neve e de amor, suficiente para conquistar os nossos corações.
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O Melhor - O leque de bons actores que Bezucha reuniu para a sua familia. Muita competência e bastante talento que fazem do filme algo bastante agradável.
O Pior - Alguns diálogos e cenas são demasiado forçadas, mais parecidos com uma screwball comedy, o que não acenta muito bem neste filme.
Curiosidade - No papel de Luke Wilson foram testados Billy Crudup, Johnny Knoxville e Aron Eckhart. A escolha acabou por ir para Wilson, que contracena aqui com Rachel McAdams, ela que já tinha trabalhado com o seu irmão, Owen Wilson, em The Wedding Crashers.
Site Oficial - www.thefamilystonemovie.com
Realizador - Thomas Bezucha
Elenco - Diane Keaton, Sarah Jessica Parker, Dermot Mulroney, ...
Produtora - 20th Century Fox
Classificação - m/12
Duração - 102 m
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:18 AM | Comentários (0)
dezembro 22, 2005
Ai vêm eles...
Se há prémio mais importante que Cannes, Veneza, os óscares e mesmo os Hollywood Film Awards juntos, esse é claro, o prémio Lobos de Ouro. O mitico prémio criado pelo JB Martins vai na sua terceira edição e desta vez vocês podem votar. Basta irem até ao Cineblog e fazerem um top3 para quatorze categorias bem irreverentes. Vale a pena dar uma espreitadela aqui...

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:44 PM | Comentários (1)
Prémio para a dupla Serkis-Kong
A Broadcast Film Critics Association decidiu quebrar um dos maiores tabus da indústria cinematográfica norte-americana.
Depois da personagem Gollum ter falhado nomeações ao óscar de melhor actor secundário, a BFCA decidiu premiar a personagem King Kong e o actor que lhe deu vida de forma animada, o inevitável Andy Serkis. O actor, juntamente com Christian River e Joe Literi, outros dois técnicos de animação da produção de Peter Jackson. O filme King Kong está nomeado para vários prémios, mas a estatueta de Melhor Actuação na Arte de Performance está garantida para uma dupla que tem arrasado no final deste ano. E com King Kong a abrir um precedente, quem sabe como será o futuro!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:53 PM | Comentários (1)
dezembro 21, 2005
Hollywood Film Awards 2005
Depois de no ano passado o Hollywood ter promovido a primeira edição dos Hollywood Film Awards, este ano o formato surge alterado, mas o objectivo continua a ser o mesmo, premiar os melhores de 2005.
Se o formato dos HFA 2004 era feito num top 10 em cada uma de onze categorias, com os nomes escolhidos pelo Hollywood, o novo formato traz novidades.
De dez nomes passam a ser cinco. Uma lista mais restrita, mas mais exigente e interessante. As categorias também não são as mesmas. Agora há treze categorias principais, com as novidades a passarem pelos prémios de melhor revelação masculina e feminina, mas o grande atractivo será a participação do público.
Com efeito, tendo em linha de conta que a opinião dos visitantes do Hollywood é sempre importante, foram criadas quatro categorias à parte, onde será o público a eleger os seus favoritos do ano. A eleição de Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Actor e Melhor Actriz, segundo o público, será feita por email. Quem quiser participar tem apenas de enviar um email com um top 5 para cada uma das categorias. A votação começa hoje e fecha no próximo dia 29 de Dezembro. A contagem dos votos determinará os vencedores.
Os Hollywood Film Awards 2005 serão divulgados no próximo dia 31 de Janeiro, culminando assim a semana de flashback do que de melhor e pior foi acontecendo no panorama cinematográfico em Portugal e no Mundo. São elegiveis todos os filmes estreados em Portugal durante o ano de 2005, mesmo que apenas em edição de dvd. Em baixo têm o endereço de email onde poderão votar nas categorias do público. Dia 31 destapamos a cortina sobre os vencedores.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:15 PM | Comentários (1)
Os Lumiere estão de regresso!
No final do ano passado a Academia de Blogs de Cinema promoveu entre os seus membros a votação dos melhores filmes do ano. Os prémios foram baptizados com os nomes dos pioneiros cinematográficos franceses, os irmãos Lumiere, e o grande vencedor da primeira edição foi o filme Eternal Sunshine of the Spotless Mind, com quatro estatuetas (Filme, Actriz, Argumento e Tema). Este ano os Lumiere vão voltar, mas num novo formato.
O objectivo inicia, de continuar a premiar o que de melhor se faz de cinema a nivel mundial, continua bem vivo no espirito dos Lumiere. Mas agora há um outro motivo para prestar atenção a estes prémios. Longe de estar restringido ao leque dos membros da ABCine, a nova edição dos Lumiere conta com trinta membros do juri. E esses trinta nomes, não são apenas nomes. Da politica ao jornalismo, da música ao cinema, passando pela sociedade civil, são trinta personalidades altamente apreciadas e respeitadas na blogosfera nacional. Porque os Lumiere agora são mais do que simples prémios de cinema. São também uma forma de aproximar a grande famila dos blogs portugueses, que teima em não viver como uma comunidade. Este primeiro passo pode ser pequeno, mas é feito com determinação e vontade de aproximar pessoas (e blogs), que aparentemente, pouco teriam a ver uns com os outros.
O aspecto cinematográfico foi resguardado. Há 15 membros ligados ao cinema e 15 membros pertencentes à "sociedade civil" da blogosfera. E o próprio sistema de votação foi alterado. O modelo do ano passado apresentava-se com uma primeira fase com nomeações por parte de cada membro, e posteriormente, uma votação nos nomes que mais nomeações tinham coleccionado. Agora cada blog - cada membro do juri - apresenta um top5, por ordem de preferência, em cada uma das treze categorias escolhidas. Ao primeiro de cada lista serão aribuidos cinco pontos, quatro ao segundo, três ao terceiro, dois ao quarto e um ao quinto e último nome. Os vencedores serão os que tiverem mais pontos, sob o ponto de terem sido, pelo menos uma vez, a primeira escolha de um dos membros. No caso de impedimento, os membros poderão apresentar menos de cinco nomes, desde qua apresentem pelo menos um. O que irá certamente acontecer!
As categorias da 2º Edição dos Lumiere, votadas pelos 30 membros do juri, são:
Melhor Realizador
Melhor Actor
Melhor Actriz
Melhor Actor Secundário
Melhor Actriz Secundária
Melhor Argumento
Jovem Promessa Masculina
Jovem Promessa Feminina
Melhor Filme Animado
Melhor Banda Sonora
Melhor Fotografia
Melhor Montagem
Quanto aos trinta elementos do juri, esse distinto grupo de represenantes dos mais diferentes quadrantes da blogosfera, lista onde o Hollywood se sente orgulho por poder fazer parte, representam o que há de melhor no universo dos weblogs em Portugal. Espaços de visita obrigatória que serão a verdadeira alma deste prémios. São les:
A Origem do Amor
Afixe
Antestreia
Atrium
Blackspot
Blogotinha
Blog dos Marretas
Cineblog
Coexist
Cineasia
Duas Rosas
Dvd
Ensaio Geral
Filho do 25 de Abril
Gonn1000
Gatas QB
Hollywood
Miguel Galrinho
Mise en Abyme
Movies Universe
Mas Certamente Que Sim
Memória Virtual
Os Intocaveis
O Vilacondense
Pipoca Rasca
Pasmos Filtrados
O Panteonesco
Royale With Cheese
Troll Urbano
É com estes trinta nomes e com estas treze categorias que se vão desenhar os grandes vencedores da 2º Edição dos Prémios Lumiere. Nomes que sairão da lista de todas as estreias em Portugal ao longo do último ano. E falando em datas, podem apontar nos vossos calendários. O dia 15 de Janeiro será o último dia de votação. Os vencedores serão anunciados simultaneamente em cada um destes trinta espaços no dia 28 de Janeiro de 2006.
Até lá fiquem na expectativa!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:49 PM | Comentários (4)
O Que Estreia Por Cá - Nem a morte os separa!
Doze anos depois de Nightmare Before Christmas, o realizador Tim Burton regressa ao mundo do cinema animado em stop-motion. Se a primeira experiência consagrou o génio de Burton, fora do seu habitual registo - apesar de todos os seus filmes serem sempre profundamente "negros" - este The Corpse Bride coloca o realizador ao mesmo nivel dos maiores génios da história do cinema de animação.

Não é Johnny Depp. É Victor van Doort. Não é Emily Watson. É Victoria Everglot. Não é Helena Bonham-Carter. É a noiva cadáver. Mas o mais distraido poderá até nem notar tal são as gigantescas semelhanças entre os actores escolhidos por Burton para dar a voz ás personagens centrais da sua nova animação. Demorou quase um ano a fazer, foi filmado frame a frame, e prova que o cinema de stop-motion não está assim tão datado como os amantes das novas tecnologias apregoavam. Pelo contrário. A magia de Corpse Bride está entre o argumento com um humor negro e tortuoso de Burton, e todo o universo recriado ao pormenor pela sua equipa técnica, desde a direção artistica ao guarda-roupa feito à medida. E claro, ás electrizantes vozes de Depp, Carter, Watson e companhia.
Um filme que apesar de bem soturno, é para todos. E por ser de Burton, o divertimento e a animação estão garantidos. The Corpse Bride é o improvável filme de Natal de 2005.

Mais dois filmes nesta semana natalicia a estrear por cá.
Um filme de quem se falou muito nos Estados Unidos, mas que não foi assim tão convincente, acabou por ser The Family Stone. Dirigido por Tom Bezucha, o filme conta com um elenco recheado de estrelas, de Diane Keaton a Sarah Jessica Parker, de Dermot Mulroney a Craig T. Nelson, passando pelas meninas bonitas Rachel McAdams e Claire Danes. A história de um jovem que vem apresentar a sua noiva a uma familia excêntrica não é nova, mas o que conta aqui é o ambiente criado num lar bastante improvável. Uma comédia perfeita para a temporada.

E se vos dissessem que o Pai Natal afinal era o filho do Diabo, que o Natal era o resultado de uma tregua de mil anos entre o Bem e o Mal, e que essa trégua acabava este ano? É essa a original premissa de Santa´s Slay, o filme que procura desmistificar todas as coisas boas da época natalicia. Com Bill Goldberg, Douglas Smith e Emille de Raven, o filme de David Steiman é uma comédia muito improvável, mas altamente original.

O Hollywood Recomenda - Obviamente, a segunda dose de Tim Burton este ano. Se Charlie já era o que era, então a expectativa à volta de Corpse Bride não podia estar mais em alta.
O Hollywood Desaconselha - É Natal, não se desaconselha nada. Aproveitem o fim de semana natalicio, e boas festas.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:58 AM | Comentários (0)
dezembro 20, 2005
King Kong é "o filme do ano" diz San Diego
A associação de criticos de San Diego premiou o mais recente filme de Peter Jackson, o fabuloso King Kong, como melhor filme do ano. Esse seria no entanto o único triunfo de Kong. ´
Já Capote venceu em três categorias. Benetth Miller foi o melhor realizador, Philiph Seymour-Hoffman o melhor actor e o filme venceu ainda o Melhor Argumento Adaptado. Já Kiss Kiss Bang Bang foi eleito o melhor argumento original.
Joan Allen venceu na categoria de melhor actriz, enquanto que os prémios para actores secundários foram para Jeffrey Wright (Broken Flowers) e Rachel Weisz (The Constant Gardener).
Grizzly Man foi o melhor documentário, Innocent Voices o melhor filme estrangeiro e Howl´s Moving Castle o filme animado do ano.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:18 PM | Comentários (1)
Brokeback domina Las Vegas
Vitória em toda a linha de Brokeback Mountain em Las Vegas. A associação de criticos locais premiaram o polémico filme - e grande campeão da temporada de prémios - mas também o seu realizador, Ang Lee, e Heath Ledger, o actor principal deste brilhante drama.
Reese Whiterspoon coleccionou mais uma vitória pelo seu desempenho em Walk the Line, enquanto que Frances McDormand e Matt Dillon foram os actores secundários mais votados. Crash seria ainda votado o melhor argumento.
Wallace and Gromitt em filme animado, Le March de L´Empereur em documentário e Kung Fu Hustle na categoria de melhor filme estrangeiro foram os outros premiados pela Las Vegas Film Critics.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:13 PM | Comentários (0)
Cinderella estreia-se a vencer em Phoenix
Foi a primeira vitória este ano do filme de Ron Howard,, mas só mesmo o filme é que saiu premiado já que em mais nenhuma categoria a vitória coube a Cinderella Man.
Heath Ledger, Michelle Williams, Jake Gyllenahll, nas categorias de representação, e os prémios de melhor fotografia e argumento adaptado foram para Brokeback Mountain, num total de cinco.
George Clooney venceu o prémio de melhor realizador, o único triunfo de Good Night and Good Luck. Crash venceu melhor argumento original e elenco, tendo Felicity Huffman vencido o prémio para melhor actriz.
Destaques ainda para Sin City (maquilhagem e montagem), Memoirs of a Gueisha (guarda-roupa), King Kong (trailer, direcção artistica e efeitos visuais) ou Batman Begins (melhor equipa de duplos).
Charlie and the Chocolate Factory foi a melhor banda sonora e Walk the Line venceu um prémio especial de som. Kung Fu Hustle foi o filme estrangeiro do ano, enquanto que Le March de L´Empereur e Wallace and Gromitt foram os melhores em documentário e animação.
Terrence Howard e Paul Haggis foram consideradas as grandes revelações do ano pelos criticos de Phoenix que criaram ainda um top 10 onde, para além destes filmes, estão In Her Shoes, Capote e A History of Violence.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:44 PM | Comentários (0)
Dallas rende-se a Brokeback
Como tem sido habitual este mês, Brokeback Mountain voltou a triunfar numa associação de criticos. O filme de Ang Lee venceu o prémio de Melhor Filme da associação de criticos de Dallas e Fort Worth, e ficou à frente de um top10 onde estão também Capote, Good Night, And Good Luck., Crash, Cinderella Man, Syriana, Pride & Prejudice, A History of Violence, King Kong e Three Burials of Melquiades Estrada.
Ang Lee foi o realizador do ano com Philiph Seymour-Hoffman, Felicity Huffman, Catherine Keener e Matt Dillon a triunfar nas categorias de representação. Brokeback ainda venceu o prémio de Melhor Fotografia. Paradise Now foi o filme estrangeiro do ano enquanto que Wallace and Gromitt e Murderball foram o melhor filme animado e documentário respectivamente.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:39 PM | Comentários (0)
Novo projecto de Linklater no meio de hamburguers
Inspirado no popular livro de Eric Schlosser, Fast Food Nation, o próximo projecto do popular realizador Richard Linkater será um drama sobre uma serie de personagens da sociedade norte-americana, utilizando como pano de fundo a presença tranversal do fast-food na sociedade dos Estados Unidos.
O filme reune um elenco cheio de nomes conhecidos como Luiz Guzman, Ethan Hawke, Catalina Sandino Moreno, Patricia Arquette, Greg Kiener e Kris Kristofersen e ainda apadrinhará a estreia cinematográfica da estrela pop Avril Lavigne.
Este é o projecto de Linklater que sucede a Before Sunset e será financiado pela Fox Searchlight. A estreia está agendada para o final do próximo ano.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:20 PM | Comentários (0)
dezembro 19, 2005
Antevisão - Syriana
Da máquina de escrever que lhe possibilitou argumentos poderosissimos como foi o caso de Traffic até saltar para trás da camara, passaram alguns anos. Mas parece ter valido a pena. Stephen Gagan estreia-se com uma obra pertinente no contexto politico-economico actual e faz de Syriana um dos filmes mais interessantes do ano.

O Médio Oriente é o pano de fundo. As relações comerciais entre os magnatas do petroleo e as grandes potências ocidentais, quer pela mão de firmas, quer pelo contacto directo com a administração, transformaram o Médio Oriente num local para onde todas as sanguessugas do petróleo se dirigem. No meio do frenesim, um agente da CIA destacado para acompanhar um sheik local descobre uma gigantesca conspiração na terra do ouro negro. E apesar de já estar ás portas da reforma, vai fazer tudo para descobrir a verdade. O que ele não imaginava era o que iria descobrir.
Gaghan escreve e dirige o filme que conta com um elenco de luxo. Para além de George Clooney, que dá a cara ao poster mas que preferiu passar como secundário, há ainda Matt Damon, Amanda Peet, Jeffrey Wright, Christopher Plummer ou William Hurt. Um elenco estrelado, é certo, mas que se vai apagando ao longo do filme, para deixar todo o destaque ao que parece realmente importar para o cineasta: a critica dura à forma como os norte-americanos estão a transformar o Médio Oriente. Uma critica bem vincada nas posições defendidas por alguns dos personagens-chave, mas também pelo próprio realizador e elenco. Um filme critico de uma realidade a que não se pode fugir.

Com uma montagem vertiginosa, um argumento sólido e um trabalho fotográfico de exclência, Syriana seduz nos mais variadissimos niveis. Pela sua espontaneidade, pela forma natural como conta uma história. Pelo virtuosismo de Gaghan, numa promissora estreia por detrás da camara, ele que mostra ter aprendido bem com Soderbergh, o cineasta com quem trabalhou em Traffic.
Um filme em desafio para o próprio público com um notável leque de desempenhos, onde se destaca claramente a figura de George Clooney que passou, inclusive, por um processo fisicio extremamente doloroso, tendo ganho mais de 20 quilos para se tornar no agente secreto da CIA, Bob Barnes. Um filme inspirado numa história real, o que se percebe bem ao longo da sua duração pela facilidade com que as peças se encaixam umas nas outras de forma aterradora. Um filme que arriscou filmar no próprio Médio Oriente, e colocar-se de um lado da barricada que habitualmente é deixado de lado quando se fala de petroleo. Um filme onde os escrupulos e o orgulho são substituidos pelos cifrões. Um filme critico de uma realidade a que não se pode fugir.

Stephen Gaghan já foi por diversas vezes elogiado por esta sua estreia. Syriana está nos tops do que melhor se fez em 2005 e já arrecadou mesmo alguns prémios. Indicadores que este passo arriscado teve compensação. O meditismo de Clooney não ofusca uma história que é, acima de tudo, importante que se conheça. Para que os telejornais signifiquem algo mais quando se vêm noticias sobre o Médio Oriente. Porque Syriana é um filme critico. E esta realidade é a nossa. Não poderemos fugir. Por isso, mais vale tentar compreende-la.
O QUE SE DIZ
"Uma história complexa e intrigante sobre petróleo, terrorismo, dinheiro e poder."A.O. Scott, New York Times
"Syriana é daqueles filmes que tem muitas coisas importantes para dizer sobre muitas coisasi mportantes, e fá-lo com um sentimento de urgência."Lisa Schwarzbaum, Entertainment Weekly
"Este é um retrato cinico mas certeiro de jogadas de bastidores da politica internacional, onde advogados de alto nivel e executivos da indústria do petroleo são tão impiedosos como os rebeldes e os agentes da CIA."Richard Roeper, Ebert and Roper
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:56 PM | Comentários (0)
Óscar para...o Hollywood!
Seguindo o espirito de final de ano, onde tudo e todos (incluindo o Hollywood pois claro) desatam a dar prémios a torto e a direito na blogosfera, a Real Academia Anjos e Demónios decidiu premiar os melhores blogs do ano.
E o Hollywood acabou por sair premiado na categoria de Melhor Blog de Cinema 2005. O que muito me honra, obviamente, querendo aproveitar para agradecer ao Patrick Bleese pela simpática distinção. Gosto acima de tudo da suave ironia deste ser o primeiro óscar do espaço que mais fala de óscares na blogosfera.
A programação habitual segue dentro de momentos.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:01 PM | Comentários (5)
Mais uma para Brokeback...
Directamente do sudeste norte-americano, a Southeastern Film Critics Association declarou Brokeback Mountain como o filme do ano. A obra de Ang Lee - que venceu o prémio de realizador - liderou um top dez onde seguiam por ordem, Good Night and Good Luck., Capote, Crash, A History of Violence, The Constant Gardener, Syriana, Cinderella Man, King Kong e Walk the Line.
Philiph Seymour Hoffman e Felicity Huffman bateram Heath Ledger e Reese Whiterspoon, enquanto que Paul Giamatti e Amy Adams ficaram à frente de George Clooney e Michelle Williams.
Caché foi o melhor filme estrangeiro, Le March de L´Empereur o melhor documentário e Wallace and Gromitt o melhor filme de animação. O melhor argumento foi para Crash.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:20 PM | Comentários (1)
dezembro 18, 2005
Aquelas Frases...
"Your eyes are full of hate, forty-one. That's good. Hate keeps a man alive."

in Ben-Hur
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:24 AM | Comentários (0)
dezembro 17, 2005
CANTOS DO MUNDO - AMÉRICA DO SUL
Amigos de infância, Deco (Lázaro Ramos) e Naldinho (Wagner Moura) estão acostumados a dividir tudo. Com a posse de um barco a motor, os rapazes transportam todo o tipo de mercadoria, inclusive as ilegais. Mas a trajetória começa a mudar quando os companheiros oferecem carona para Karinna, uma stripper que quer arrumar emprego em Salvador.

Quando chegam à capital baiana, o trio inicia uma relação de atração e disputa. À medida que a história avança, cresce o desejo e eles se deparam com a possibilidade de uma vida a três. Mas o ciúme aumenta e acaba abalando a amizade de Deco e Naldinho. Ao perceberem que não querem mais viver sem Karinna, os amigos passam a visitá-la separadamente. O relacionamento entre eles vai se desintegrando até que se separam. Deco volta a lutar boxe, Karinna continua trabalhando na boate e Naldinho assalta farmácias. Sem conseguir continuar um sem o outro, o trio se une novamente. Essa reaproximação os leva a um caminho sem volta.
Produzido por Walter Salles, que dirigiu Dark Water e Diarios de Motocicleta, Cidade Baixa foi ovacionado na última edição do Festival de Cannes e escolhido pelo júri oficial do Festival do Rio como melhor filme. O longa marca a estréia da sobrinha de Sônia Braga nos cinemas. Alice Braga foi eleita a melhor atriz no mesmo festival. Além da jovem atriz, a produção conta com Wagner Moura e Lázaro Ramos no elenco.
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A crítica do filme na revista Hollywood Reporter destaca a violência e o sexo presentes no filme. Mas Sérgio Machado, o realizador, explica que não começou com a idéia de fazer um filme violento ou sobre sexo, apenas sobre três pessoas que encontram uma forma de viver por meio de uma paixão mais forte.
-" Eu queria fazer um filme que falasse destas pessoas de classe baixa no Brasil, que lutam muito para sobreviver. Não é um filme passado em favela, mas os personagens não são de classe alta. Eu queria falar dessas pessoas através de um aspecto muito específico que é a ligação amorosa". O filme é, antes de tudo, uma história de amor, afirmou.
- "Quando fui falar sobre esta história de amor, me pareceu muito importante ser fiel ao que era real. Então antes de começar a fazer o roteiro eu passei três meses de fato neste universo, conversando com pessoas, ouvindo coisas, fiz amigos verdadeiros neste universo". E me pareceu que era muito importante falar disso, dessas pessoas, do jeito que elas são, completou o cineasta.
Sem dúvida, é mais um clássico nacional oriundo da vigorosa safra de filmes vindos do Nordeste.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:06 PM | Comentários (0)
dezembro 16, 2005
Oscarwatching - Três filmes, três casos
São neste momento os grandes candidatos a filme do ano, segundo a Academia pois claro. Brokeback Mountain tem arrasado nos prémios da critica, mas o conteudo do filme pode prejudicar as suas pretensões. Já Munich teve uma recepção fria, e politicamente encontrou alguns percalços. A decisão de Spielberg de não publicitar o filme tem igualmente levantado questões e de super favorito, o filme passou a aposta arriscada. E por fim King Kong. Previa-se o dominio esmagador do box-office, mas a estreia deixou um pouco a desejar. O filme está ao nivel dos melhores, mas a Academia costuma desconfiar deste genero de filmes quando chega a época dos óscares. Qual será o seu destino?



Munich era o super-favorito, mesmo antes de ter sido feito. Num ano manifestamente fraco em termos de oferta de grandes candidatos, só o nome de Steven Spielberg, aliado a um drama histórico que envolvia a temática do terrorismo (agora na moda) e que estabelecia relaçóes directas com uma das comunidades mais importantes da sociedade norte-americana, a judaica, criou logo altas expectativas. O filme foi feito em enorme secretismo e Spielberg garantiu que não faria campanha, que deixaria o filme a falar por si. No entanto, desde esse dia, tudo mudou.
O facto de até agora só ter vencido um prémio da critica (Washington) e de só ter tido duas nomeações aos Globos de Ouro, onde o filme e o elenco ficaram de fora, não foram as noticias que Spielberg esperaria. Além dos mais as primeiras criticas não foram tão positivas quanto se esperavam. E se bem que agora há um reiquilibrio, com alguns criticos a colocarem-no no topo dos filmes do ano, a verdade é que o amor dos criticos Munich dificilmente terá por completo. No entanto um dos grandes problemas com que o filme se deparou foi com a própria comunidade judaica, com um peso brutal na Academia, que acusou Spielberg de ter feito um filme anti-semita. Afirmações muito duras que podem comprometer as ambições de um filme que depende agora da adesão do público. Mas o facto de ser um filme atipico, na filmografia de Spielberg, pode ser suficiente para afastar também o público. A única sorte de Munich é o dos seus rivais terem igualmente calcanhares de Aquiles visveis e de não ter, à partida, muitos rivais que possam lutar pelo trono de filme do ano nos óscares.

Já de Brokeback Mountain muito se tinha vindo a falar, desde que o projecto começou a ser desenvolvido. Uma história de amor homossexual no Oeste americano de meados do século passado parecia ser a base de um filme completamente fora do mainstream. Mas a genialidade de Ang Lee e os notáveis desempenhos do elenco, aliados a um excelente trabalho técnico, valeram ao filme o Leão de Ouro em Veneza, de forma surpreendente. Desde aí o filme tem conquistado tudo por onde passa. Primeiro foi a critica a render-se, declarando-o um filme sem comparações no panorama cinematográfico deste ano. Depois foram as associações de criticos a fazerem eco disso mesmo, premiando o filme já por seis vezes neste final de ano. E por fim chegaram os Globos de Ouro, e a confirmação de um amor generalizado pelo filme com sete nomeações, onde só terá faltado mesmo a de Jake Gyllenhall.
A verdade é que muitos dos analistas declararam a corrida fechada, e ganha á partida por Brokeback Mountain, especialmente depois das primeiras sessões terem tido lotação esgotada a ponto de estabelecer um novo recorde para filmes com estreia limitada. Mas não é bem assim.
A noticia de que a Academia vetou todas as canções do filme para a próxima edição dos óscares, onde se encontrava a super-favorita, começa a levantar medos antigos. Será que a Academia está preparada para premiar um filme apologista do amor homossexual, ou os velhos tabus e o conservadorismo dos veteranos membros irá ser determinante em afastar o filme da vitória? São questões que só serão respondidas a 31 de Janeiro. Até lá Brokeback precisa de continuar a ganhar prémios, e precisa que o público americano vá ver o filme, de forma a ter um lucro minimo de 50 milhões, tido pelos analistas como o minimo exigido para se ser o grande vencedor dos óscares.

Por fim, quando todos tinham resumido a corrida a dois, mesmo com Munich em queda, agora em Dezembro, e Brokeback com uma queda anunciada para Janeiro/Fevereiro, eis que surgiu um terceiro candidato. E que candidato.
Dois anos depois de ter atingido a perfeição com o fecho, a chave de ouro, da trilogia Lord of the Rings, que arrecadou uns impressionantes 11 óscares, Peter Jackson está de regresso com o remake do seu filme preferido, e um dos maiores marcos da cinematografia norte-americana: King Kong.
O filme supera o original em tudo e afirma-se desde logo como um dos melhores filmes dos últimos anos. Aliás, foi quando a critica viu a ante-estreia, que de repente o nome de King Kong passou a ser sinónimo de candidato. Lágrimas, titulos de filme do ano, elogios sem igual, apesar da duração gigantesca do filme, foram a imagem de marca no inicio de Dezembro. Naomi Watts era elogiada como quase nenhuma actriz tinha sido este ano, Jackson era catalogado como um dos maiores cineastas vivos, e King Kong, dizia-se, ia ser o novo Titanic. Quem não se lembra, no entanto, que Titanic esteve tão perto da tragédia como acabou por estar da glória?
Apesar das reviews fenomenais (onde há sempre, lá pelo meio, os detractores do cinema comercial, como em Brokeback havia os anti-homossexuais, que fazem os filmes parecerem menos unanimes do que são, comparando com outros como Munich) a estreia de King Kong esteve abaixo do previsto, que era igualar os numeros do primeiro Lord of the Rings. No entanto, uma estreia numa quarta-feira pode ter sido uma jogada, e só no final do fim de semana, onde se espera que o filme já tenha feito entre 70 a 100 milhões de dólares, se poderá ver a dimensão do impacto do box-office nas esperanças do filme. Porque se Brokeback depende da critica, Munich da comunidade judaica e das Guilds, o filme de Jackson depende essencialmente do público, de forma a tornar-se um sucesso de bilheteira sem igual. Com duas nomeações cirurgicas nos Globos de Ouro, o perigo poderá vir do grupo de actores, a maioria da Academia, que pode não gostar de se ver substituido por um gigante macaco criado digitalmente. Mas a obra de Jackson é hoje consensual, e a qualidade do filme está à vista de todos. Se não houver grandes uspsets (Good Night and Good Luck, Walk the Line, Match Point ou Crash) a verdade é que o duelo final será a três. Três filmes, cada qual com os seus calcanhares de Aquiles. Mas Million Dollar Baby também tinhas os seus e triunfou. Por isso, está tudo em aberto na corrida aos óscares.

O Oscarwatching esteve ausente do Hollywood nas duas últimas semanas, por ter sido a temporada de previsões da próxima edição dos óscares. A partir desta semana regressa de forma regular, com o habitual resumo semanal do que se vai passando na corrida aos óscares. Para além desta análise, convém salientar a confirmação da queda em desgraça de Memoirs of a Gueisha e The New World, e da recuperação de Match Point e A History of Violence. Filmes como Capote, Crash e The Constant Gardener têm igualmente tido excelente recepção, com The Squid and the Whale a surpreender igualmente.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:42 PM | Comentários (5)
London Film Critics divulgam nomeados
Foram divulgados os nomeados aos prémios da critica londrina. Brokeback Mountain e King Kong são os filmes em destaque, com A History of Violence a confirmar também o seu bom momento. Realce para a ausência de Munich e Match Point de Woody Allen. Nos filmes ingleses, o destaque vai para Pride and Prejudice e The Constant Gardener.
A lista dos nomeados diz respeito aos filmes estreados em 2005 em território britânico, havendo por isso referência a filmes produzidos em 2004. A entrega dos prémios é a 8 de Fevereiro.

MELHOR FILME BRITÂNICO
Pride and Prejudice
Wallace and Gromit: The Curse of the Were-Rabbit
The Constant Gardener
The Descent
Mrs Henderson Presents
MELHOR FILME
Crash
A History of Violence
Brokeback Mountain
King Kong
The Constant Gardener
MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Downfall
Hidden
The Sea Inside
The Beat My Heart Skipped
The Chorus
MELHOR ESTREANTE BRITÂNICO
Joe Wright (realizador de Pride and Prejudice)
Kelly Reilly (actriz de Mrs Henderson Presents)
Annie Griffin (argumentista e realizadora de Festival)
Julian Fellowes (realizador de Separate Lies)
Matthew MacFadyen (actor de Pride and Prejudice)
MELHOR ARGUMENTISTA
Larry McMurtry e Diana Ossana ( Brokeback Mountain)
Paul Haggis e Bobby Moresco (Crash)
Jeffrey Caine (The Constant Gardener)
Shane Black (Kiss Kiss, Bang Bang)
Bernd Eichinger (Downfall)
MELHOR PRODUTOR
Peter Lord (Wallace & Gromit:The Curse of the Were-Rabbit)
Simon Channing-Williams (The Constant Gardener)
Andrew Eaton e Michael Winterbottom (A Cock and Bull Story)
Christian Colson (The Descent – Pathe and Separate Lies)
Mark Boothe e Ruth Caleb (Bullet Boy)
MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA BRITÂNICA
Thandie Newton (Crash)
Sophie Okenedo (Hotel Rwanda)
Tilda Swinton (The Chronicles of Narnia: The Lion, the Witch and the Wardrobe)
Rosamund Pike (Pride and Prejudice)
Brenda Blethyn (Pride and Prejudice)
MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO BRITÂNICO
Brenda Gleeson (Harry Potter and the Goblet of Fire)
James McAvoy (The Chronicles of Narnia: The Lion, the Witch and the Wardrobe)
Paddy Considine (Cinderella Man)
Tom Hollander (Pride and Prejudice)
Cillian Murphy (Batman Begins)
MELHOR ACTRIZ BRITÂNICA
Rachel Weisz (The Constant Gardener)
Judi Dench (Mrs Henderson Presents)
Keira Knightley (Pride and Prejudice)
Emily Watson (Separate Lies)
Kirstin Scott Thomas (Keeping Mum)
MELHOR ACTOR BRITÂNICO
Ralph Fiennes (The Constant Gardener)
Christian Bale (The Machinist)
Liam Neeson (Kinsey)
Chiwetl Ejiofor (Kinky Boots)
Tom Wilkinson (Separate Lies)
MELHOR REALIZADOR BRITÂNICO
Joe Wright – (Pride and Prejudic)
Terry George – (Hotel Rwanda)
Neil Marshall – (The Descent)
Christopher Nolan (Batman Begins)
Stephen Frears (Mrs Henderson Presents)
MELHOR ACTRIZ
Juliette Binoche (Hidden)
Naomi Watts (King Kong)
Catalina Sandino Moreno (Maria Full of Grace)
Laura Linney (Kinsey)
Maria Bello (A History of Violence)
MELHOR ACTOR
Bruno Ganz (Downfall)
Heath Ledger ( Brokeback Mountain)
Don Cheadle (Hotel Rwanda; Crash)
Viggo Mortensen (A History of Violence)
Johnny Depp (Charlie and the Chocolate Factory)-
MELHOR REALIZADOR
Fernando Meirelles (The Constant Gardener)
Ang Lee (Brokeback Mountain)
Paul Haggis (Crash)
Peter Jackson (King Kong)
David Cronenberg (A History of Violence
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:21 AM | Comentários (0)
dezembro 15, 2005
King Kong - A Bela e o Monstro
Quando ele olha, não é apenas um gorila gigante. Quando ela olha, não é apenas mais uma actriz loira na louca Nova Iorque dos anos 30. Ambos são almas solitárias, perdidas, mesmo no seu próprio mundo. O destino vai juntá-las. E criar uma das maiores histórias de amor que o cinema já nos mostrou.
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Jake Driscoll chega sempre atrasado. Atrasado quando o barco levanta amarras. Atrasado quando procura salvar, pela primeira vez, Ann. Atrasado quando a salva de facto, mas o seu olhar já está preso no de Kong. Atrasado quando chega ao teatro onde a besta gigante está em exposição. Atrasado quando atinge o cume do Empire State Building. E cada um dos seus atrasos é decisivo no desenrolar do filme. No primeiro caso, permite que faça parte da louca expedição criada por Carl Denham rumo à desconhecida ilha Skull. No seguinte, permite que se crie uma relação entre Anne e Kong. E a partir daí, cada um dos seus atrasos espelha o amor que existe entre a bela e o monstro, mais do que qualquer outra coisa. Ela ama-a, ela não. Talvez o tenha amado, antes mesmo de o ter conhecido. Mas Driscoll não é Kong. Não tem aquela chama imensa no olhar. Nem a sua coragem chega ao seu nivel. No final de contas, nunca Ann criou tanta afinadade com alguém como cria com o gigante King Kong. Dando assim, mais do que qualquer coisa, os primeiros passos para um amor proibido, impossível, mas um amor como poucos. Esqueçam Titanic e essas histórias de amor tão forçadas. Em King Kong o amor é genuino. O amor entre duas almas ostracizadas dentro do seu próprio mundo, e que se encontram, mas, como diz Ann no inicio, "as coisas boas não duram muito tempo". E o filme também é sobre isso. O filme de Denham não dura a expedição. A amizade de Jimmy com Hayes estava fadada a terminar. O amor de Jake e Anne não dura mais do que uns momentos. O comeback de Carl tem um final abrupto. E por fim, o imenso amor entre Kong e Ann, um amor construido na forma mais simples, mas também, mais humana possivel, também estava destinado a chegar ao fim, mesmo antes de ter começado.

Com King Kong, o realizador Peter Jackson confirma definitivamente o que se suspeitava. Ele é de facto, o maior cineasta de todos em tempos na área do cinema fantástico e de aventura, superando George Lucas, que com o seu Star Wars tinha ascendido ao trono, e mesmo as aventuras mais fantásticas de Spielberg (o seu Jurassik Park comparado com este filme é de uma enorme vulgaridade). Um trono que já tinha ameaçado conquistar com a sua adaptação do universo fantástico de J.R.R. Tolkien, mas que agora é seu. Por direito!
A forma como Jackson recria King Kong, o sucesso de 1933 de Merian C. Cooper, o filme que o fez tornar realizador, só podia ter sido alcançada se fosse feita por um génio. E é isso que Jackson é. Em cada plano do filme, em cada momento da história, em cada efeito especial adiccionado à narrativa, está lá o dedo de Jackson. E o filme é o que é por sua causa. Por ter sido feito com a devoção de um fã. O realizador tinha dito que gostaria que o filme tivesse o mesmo impacto para o público, como o filme original teve em 1933. Apesar de hoje se dizer que "já se viu tudo", este filme prova o contrário. Faltava ver algo assim.
Dos primeiros minutos do filme, onde a Grande Depressão é retratada com uma perfeição assustadora, até ao épico final, recuperando todo o simbolismo e magia do Empire State Building, o filme é uma aventura frenética. Nem por um instante se olha para o relógio, se sente o tempo passar. É impossivel, tal é a forma como se está colado ao ecrãn, à história. Estejamos na primeira hora, mais calma, mas absolutamente necessária para desenvolver o resto do filme, sentimo-nos entrar no próprio Venture, o navio que nos leva até ao centro das aventuras. E chegado aí, nunca mais paramos. Cada surpresa que Jackson reserva na manga é melhor que a anterior, superando-se consecutivamente e de forma avassaladora. Além do mais, os cenários criados, uma especie de "Mundo Perdido" são tão ou mais maravilhosos do que o próprio mundo de Lord of the Rings. E se falamos nos cenários, temos de falar em todos os efeitos, em todas as criaturas, momentos e imagens, desde o quase naufrágio do navio até ao ataque ao Empire State. E temos de falar de Kong.

Andy Serkis já tinha dado que falar com o seu Gollum. Agora o actor supera-se ao dar vida a este gigante gorila, por quem nos apaixonamos por completo. Os olhos de Kong são mais humanos do que muitos dos actores. As suas poses, os seus tiques, movimentos, desde a selva da ilha Skull ao gelo no Central Park são de tal forma perfeitos que quase nem estranhamos a inverosimilhança de tal personagem. E tal como Ann, apaixonamo-nos por aqueles olhos. E quando chega a altura, de tomar posição entre Jake, o improvável heroi humano - por quem seriamos sempre, noutras circusntancias - e entre ele, a escolha é óbvia. E por isso se chora no final, e por isso sentimos bem dentro de nós a profundidade dramática do filme, da sua aventura, do seu amor. King Kong é mais do que uma personagem animada num filme espantoso. É uma das maiores criações da história do cinema, tão tocante como era o E.T. de Spielberg, tão ternurento como era a Lassie nos anos 30 e 40, tão imponente como qualquer heroi da Antiguidade. É um marco na história do cinema, um humano que nunca o chegou a ser, mas que conseguiu exprimir toda a pureza, que devia ser encontrada, não nele, mas em cada um de nós.

Falando de Kong, temos também de falar de Ann. A sua personagem é de uma integridade excepcionais, mas com as falhas humanas do próximo, o que a faz mais realista. E além disso, pela primeira vez se percebe o porquê da história de amor entre ela e Kong. Nele, ela vê a tal pureza de que já falamos, a coragem e dedicação do gigante gorila. Ele vè nela, não o que Jake vè, a sua beleza espantosa, mas o seu lado mais afável. Quando ela o entretém, de forma enternecedora, cria-se ali um laço que não se voltará a quebrar. E apesar de sempre impotente, Ann está sempre lá, com o seu olhar cravejado de lágrimas, ao lado daquele que realmente conquistou o seu coração, o rei Kong, o senhor da selva. E certamente que nenhuma outra actriz seria Ann Darrow como Naomi Watts o foi. Mais do que Jessica Lange, mais do que a própria Fay Wray, ela é a perfeita encarnação da jovem actriz. Pela sua beleza esmagadora, pelo seu olhar profundamente arrebatador, mas pela pureza que consegue transmitir à sua personagem, e que só encontra par no próprio Kong, fazendo desta união, uma das mais perfeitas da história do cinema, mais do que muitos amores que parecem tão forçados, mas que são tão louvados.
E se Watts vai muito bem, controlando todas as suas cenas (que foram, ainda por cima, filmadas contra o tal ecrãn azul, cada vez mais popular), também não nos podemos esquecer do restante elenco. Adrien Brody caminha para ser o sucessor de Bill Murray, A sua expressão facial é sempre a mesma, queira transmitir dor, amor ou emoção. Gostava de saber se os amantes de Murray o são também de Brody, porque representam de forma igual e transmitem as suas emoções da mesma forma. Neste filme, Brody está muito bem na sua personagem mas pertence a um dos elos fracs da história. A sua "relação" com Ann não é explorada como poderia ter sido, surgindo aos olhos do espectador como insuficiente para justificar aquela "caça à mulher", primeiro na selva e mais tarde na própria Nova Iorque.
Já Jack Black, na primeira cena em que surge, é Peter Jackson. Semelhanças fisicas, o mesmo olhar apaixonado pelo seu filme. Mas depois transforma-se. O facto de ter feito a sua carreira atrás da comédia nota-se, na forma em como as suas cenas têm sempre um tom de humor subjancente. Um trunfo que Black usa muito bem. A sua personagem não é das mais favoráveis, e é fácil deixar de se gostar dela, mas Black faz ambos os lados de Carl Denham muito bem, e tem de ser louvado por isso.

Um filme quase sem falhas não deixa de ser um filme com falhas. No caso de King Kong elas estão não na camara de Jackson (pefeita), não nos aspectos técnicos (fotografia, cenários e montagem do outro mundo), nem na composição sonora de James Newton Howard (fabulosa). Os erros, ou falhas, estão no argumento. Essencialmente em três aspectos. Um deles, já foi aqui falado, e diz respeito à história de amor entre Jack e Ann, que surge um pouco frouxa em relação ao que poderia ter sido. A outra desenrola-se à volta da personagem Jimmy, encarnada por Jamie Bell, o miudo que já tinhamos admirado em Billy Eliiot. É criado um suspense à volta da sua personagem, das suas origens, que cria uma ideia de que será decisivo na história. A sua forte relação com o sub-comandante, Hayes, indica isso mesmo. Mas a história acaba por não dar em nada, e sentimo-nos um pouco defraudados nesse aspecto. O terceiro aspecto prende-se mais com um preciosismo, já criticavel nas anteriores versões. Como é que Kong, um gorila gigantesco, é transportado da ilha para Nova Iorque. Fica a dúvida, numa história que tinha sido impecável até entáo em todos os aspectos. Mas dizer que essa é uma das falhas de um filme, qualquer que ele seja, serve tanto como uma critica como um elogio a esta obra magnifica.

Comparando com as anteriores versões, não é dificil dizer que este é o melhor King Kong da história. Apesar do pioneirismo e genialidade do primeiro filme. O mesmo que fez de Peter Jackson um amante de cinema. O mesmo que fez com que se viesse a tornar num dos maiores realizadores em actividade (ao lado de Eastwood, Copolla, Scott, Spielberg, Shyamalan, Allen...entre outros). O mesmo que lhe deu a ideia de criar, de um argumento inverosimel, uma das maiores histórias de amor de sempre, da história do cinema. King Kong é um dos melhores filmes dos últimos anos. É certamente, entre os até agora estreados por cá, o melhor filme produzido em 2005. É um filme para todos. É uma ode à aventura, e também, ao amor. É mágico. É imperdível. É único!
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O Melhor - A recriação feita por Andy Serkis da personagem King Kong. Nunca nenhum ser digital foi tão perfeito. Tão humano!
O Pior - Os três erros de argumento já explorados. Mesmo assim são falhas tão superficiais que não beliscam o filme.
Curiosidade - No diálogo inicial entre Jack Black e os dirigentes do estúdio, temos várias referências a algumas estrelas do cinema da época, incluindo os próprios estúdios Universal (produtor dos dois filmes) e da própria Fay Wray, a estrela do filme original. Em sua homenagem Naomi Watts usa um chapéu similar ao que ela tinha usado no primeiro filme.
Site Oficial - www.kingkongthemovie.com
Realizador - Peter Jackson
Elenco - Andy Serkis (King Kong), Naomi Watts, Adrien Brody, Jack Black, ...
Produtora - Universal
Duração - 187 m
Classificação - m/12
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:22 PM | Comentários (14)
Notável poster de Lady in the Water
M. Night Shyamalan é um artista não só na concepção dos seus filmes, mas também, na forma como os apresenta ao público. O primeiro poster de Lady in the Water, o seu novo filme a estrear no próximo ano, é um exemplo perfeito da sua habitual forma de criar suspense. A história de um continuo de um prédio que descobre uma ninfa na sua piscina, e que procura ajuda-la a voltar ao seu mundo, surge, tal como acontecia com os seus outros filmes, como um enredo surreal. Mas o cineasta tem provado que consegue transformar cada um desses enredos em filmes extraordinários. Paul Giamatti e Bryce Dallas Howard são os cabeça-de-cartaz do filme que estreia no próximo Verão.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:35 PM | Comentários (3)
E esta hem...!
Depois de ter escrito no último artigo de opinião, "A Encruzilhada da Americana" que o novo filme de Steven Spielberg, o badalado Munich, era pró-israelita (informação que tinha das criticas que fui lendo), agora começam a surgir noticias contrárias. Ou seja, a comunidade judaica acusa Spielberg de ser um "anti-semitico". Isso mesmo, o autor de Schindler´s List, o mais reputado cineasta judeu dos nossos dias foi acusado pelos seus pares, incluindo o embaixador israelita em Washington, de ter feito dos agentes israelitas em Munich, "carniceiros" e de tomar partido ao lado dos "terroristas" palestinianos ao longo do filme. Spielberg é acusado de estar a faltar à verdade, de desrespeitar o povo judeu e de se colocar ao lado dos palestinianos neste luta contra o "terrorismo".
O realizador foi totalmente apanhado de surpresa e só comentou dizendo que o seu filme é sobre "a liberdade". De quem não especificou, mas não é dificil perceber que Munich não foi criado para criticar o estado de Israel. Basta conhecer os ideias do cineasta.
A critica norte-americana acusa os israelitas de terem tido a esperança de usar Munich contra os palestinianos, numa especie de Schindler´s Munich List, ou seja, colocar o mundo do seu lado, mas aparentemente o filme deixa inúmeras questões em aberto. A comunidade judaica não gostou, declarou guerra a Spielberg e a Munich.
Se as hipóteses do filme ser bem sucedido já estavam problemáticas, esta questão pode ter dado o golpe definitivo nas suas aspirações. Se a comunidade e o realizador não se entenderem brevemente, Munich é uma carta fora do baralho.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:30 AM | Comentários (4)
dezembro 14, 2005
Opinião - A encruzilhada americana...
Entre um filme de um realizador altamete popular, directamente feito como mais uma apologia da comunidade israelita em Hollywood, sob a bandeira do combate ao terrorismo, e uma história de amor homossexual filmada no coração da América, parecia fácil perceber qual seria o favorito dos americanos. Mas o inicio do mês de Dezembro veio confirmar uma súbita paixão por Brokeback Mountain, e um progressivo afastamento em relação a Munich. O primeiro já conquistou vários prémios e lidera as nomeações aos Globos. O segundo conquistou apenas um prémio e nenhuma menção honrosa, e viu-se humilhantemente restringido a duas nomeações nos Globos. É verdade que ainda não estreou e que o público pode ser a sua salvação, mas mesmo aí Brokeback já leva vantagem.
Entre uma história de amor homossexual e mais um filme "pró-Israel" de Spielberg, qual será a escolha da América. Um país que vive uma encruzilhada moral!

Os Estados Unidos são o país quesão. Para umas coisas, o bastião da liberdade, dos direitos humanos, uma pérola democrática que vale a pena admirar. Mas também podem ser o país mais conservador, ditatorial e mais odiável à face da terra. Essa dictomia americana está sempre presente quando se fala em prémios de cinema. Porque os prémios de uma das maiores indústrias de cinema espelham muitas vezes a própria sociedade. Quando o medo do comunismo surgiu, filmes como The Grapes of Wrath foram vetados propositadamente. Quando a alta-finança se viu atacada, trabalhos como Citizen Kane foram deixados de lado. Homens como Sidney Poitier venceram óscares não pelo talento mas pela conjuntura social. Atacar os ideias e a estrtura da América equivale a ser ostracizado. Elogiar o modelo americano é habitualmente premiado. Mexer com questões polémicas da sociedade é entrar num labirinto de onde não se sabe muito bem por onde se vai sair. Pode ser-se arrasado quando se fala em pedófilia (Lolita), escravatura (Amistad) ou quando se atacam comunidades importantes (The Passion of the Christ e os judeus, White Dog de Samuel Fuller e os negros). E ser-se elogiado quando se fala no all-american hero (a obra de Capra) os quando se elogiam incapacitados, fisicos e mentais, ou as mesmas comunidades: os judeus e a comunidade negra, casos de The Schindler´s List ou In the Heat of the Night.

Por isso este ano parece estar tudo louco. Quando a critica, os Globos de Ouro, e - parece cada vez mais provável - os sindicatos, aclamam de pé, repetidamente, Brokeback Mountain, uma história de amor entre dois cowboys, que são obrigados a seguir a vida como homens "normais", para não serem perseguidos pela sociedade, mas que não querem desistir do seu amor, todo este racicionio que é fundamentado por décadas de história, perde sentido.
Mais ainda, num ano em que um filme tipicamente americano, Cinderella Man, é totalmente ignorado pelo público e pela critica em prémios de final de ano, e quando o filme "que antes de ter sido sequer feito já era o melhor filme de sempre de Spielberg" - o que demonstra bem o facciosismo de alguns dos amantes deste realizador...e de outros - é excluido dos principais prémios do ano, começamos a questionar-mos: para onde está a ir o cinema americano?
Cinderella Man é um caso particular, sem explicação plausivel. Um filme de muita qualidade, muito melhor que o filme que a anterior parceria Howard-Gazer-Crowe, A Beautiful Mind, mas que o público não quis ver, a critica não quer premiar, e que provavelmente, a Academia irá ignorar. Já Munich é outra coisa. Apontado directamente para agradar à comunidade judaica, pegando nos herois que abateram os "terroristas" palestinianos que perpetraram os ataques de Setembro de 1972, esperava-se que o filme fosse arrasador. Entre a critica, público e Academia. Estando o filme ainda por estrear, e a Academia por divulgar os seus nomeados, fica a critica para analisar. As reviews ao filme nem sempre são as melhores. Experimentalismo, pretensiosismo, falta de estrutura, falta de garra, são alguns dos adjectivos menos simpáticos para caracterizar o mais recente trabalho de Spielberg. Isto num filme que fala sobre uma questão actual (o terrorismo) e numa questão intemporal (a vitimização da comunidade judaica). Como os judeus são, como se sabe, um dos mais fortes blocos dentro da Academia, é provavel que o filme recebe as nomeações previstas, e que até ganhe algumas - até mesmo, não se pode excluir, a de melhor filme. Não vi ainda o filme, não vou fazer o contrário do que fazem os seus defensores, ou seja, arrasar o filme ainda antes de o ver, como eles o elogiam da mesma forma. Como também ainda não vi Brokeback Mountain não posso comparar, apesar de ser claramente o filme com melhores reviews do ano, bem melhores das que Munich ou qualquer outro terá.
Pergunto-me apenas, se a América está preparada para isto?


Outro dos grandes sucessos do ano nos Estados Unidos, junto do público e da critica, foi o filme Crash. Lida muito bem com o multiculturalismo de Los Angeles - microcosmos da América de hoje - e com o racismo. É um filme politicamente correcto, bem ao estilo americano. Mas é um filme honesto e cheio de alma. Brokeback Mountain parece seguir pelo mesmo caminho. Um filme honesto, um filme com alma. Com dois homossexuais como personagens principais. Isso importa?
Em termos cinematográficos não, em termos sociais, sim. A América ainda não resolveu bem os seus assuntos com a comunidade homossexual. Sucessos televisivos como Queer Eye for the Straight Guy foram abrindo aos poucos o cobertor colocado por cima dessa comunidade de opção sexual alternativa. Já este ano temos o mais forte candidato ao óscar de melhor actor, Philiph Seymour-Hoffman, a viver Truman Capote, um autor popularissimo, mas homossexual. E se vencesse não seria o primeiro caso. Joel Grey em Cabaret, William Hurt em The Kiss of the Spider Woman, Tom Hanks em Philadelphia são apenas exemplos de que isso seria possivel. Mas quando a questão mexe com o prémio mais alto, a história já é outra.

A América vive muito de esteriótipos e a Academia de Hollywood também. Para eles será sempre mais fácil premiar Munich, um filme apontada para agradar a quem pode decidir, do que votar num filme arrojado, que aposta em trazer cá para fora uma questão que está escondida há demasiado tempo. Uma história de amor, será sempre uma história de amor, sejam lá quem forem os seus protagonistas. Ang Lee filmou-a e conseguiu catapultar esse sentimento cá para fora. Os prémios que o filme tem vindo a conquistar dão-lhe razão. A vitória nos Globos de Ouro é mais do que provável.
Mas, e a Academia? Estará pronta para dar esse passo final, e começar ela própria - que tem inúmeros membros homossexuais - a quebrar esse tabu? Ou cairá no prémio fácil, no prémio das minorias influentes (Munich), do dinheiro popular (King Kong), do cinema de autor (Match Point, Good Night and Good Luck.) ou da escolha mais familiar (Walk the Line)?
Este ano é, como já não acontecia há muito, uma boa hipótese da América mandar um sinal ao mundo. Mas até dia 5 de Março, ela vive numa encruzilhada.
Miguel Lourenço Pereira
PS - Estava, como sempre, prevista para a quarta-feira passada o habitual artigo de opinião. Imprevistos pessoais impediram-no de ser publicado a tempo e horas. Por isso peço desculpas.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:35 PM | Comentários (9)
Trailer de The Da Vinci Code
Depois da polémica escolha do casting, dos lugares de filmagens, a Columbia vai preparando a massiva campanha de marketing de The Da Vinci Code.
Adaptado ao cinema por Ron Howard, a história de Robert Langdon em busca de um segredo escondido no retrato da Última Ceia de Leonardo da Vinci, conta com Tom Hanks, Audrey Tatou, Jean Reno, Paul Bettany e Alfred Molina no elenco principal, entre outros nomes ilustres. O livro de maior sucesso dos últmos anos tem agora a ambição de se tornar num filme à altura. Tarefa dificil. O resultado pode ser conferido a 19 de Maio do próximo ano. Para os mais ansiosos, aqui fica o trailer.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:26 PM | Comentários (1)
O Que Estreia Por Cá - Um rei chamado Kong
Depois de ter sido coroado nos óscares com o filme The Return of the King, o australiano Peter Jackson está de regresso com um novo rei, um rei de um mundo fantástico que poucos acreditariam ser verdade. Um rei chamado Kong...King Kong.

Já apresentado aqui no Hollywood na passada segunda-feira, este King Kong é uma das maiores estreias de 2005 em território nacional. Aliás, é para já o único candidato a filme do ano que estreia por cá. Dirigido por PeterJackson, que continua no universo fantástico que o popularizou, com Naomi Watts, Adrian Brody e Jack Black no elenco, o filme é um remake do grande clássico de 1933.
A história de uma equipa de filmagens que encontra uma ilha que ninguém conhece e que é habitada por criaturas pré-históricas, entre as quais está um gigantesco gorila, que é levado para Nova Iorque, onde é exibido como trofeu, volta ao cinema, desta vez mais focada na relação amorosa entre Anne Darrow e o gigantesco King Kong. Um filme que não precisa e apresentações. Teve algumas das melhores reviews do ano nos Estados Unidos, conquistou duas nomeações aos Globos de Ouro e é um dos grandes candidatos a subir ao pódio dos maiores sucessos de sempre de bilheteira.

Estreiam em Portugal mais três filmes esta semana.
Steve Martin escreve e protagoniza Shopgirl, filme realizado por Anand Tucker. A história de uma jovem recepcionista que se vê confrontada entre dois homens, um jovem mas sem ambições, e um veterano empresário de excelentes maneiras. Ambos se apaixonam por ela, e caberá à jovem escolher o que quer para a sua vida. Claire Danes e Jason Schwartzzman completam o elenco.

Inspirado em filmes como The Bridge over the River Kwai, este The Great Raid passou despercebido por completo. Dirigido por John Dahl, protagonizado por Joseph Fiennes, Benjamin Bratt e James Franco. O salvamento de um grupo de prisioneiros de guerra na Ásia da 2º Guerra Mundial é o motivo para uma serie de aventuras em cena´rio de guerra.

Renart the Fox é um filme animado inspirado numa velha lenda medieval, onde uma raposa salteadora luta contra um lobo, que o quer capturar a todo o custo. Filme francês de Thierry Schiel.

O Hollywood Recomenda - Para os amantes de Lord of the Rings, do King Kong original ou do cinema fantástico de forma mais geral, o novo filme de Peter Jackson é imperdivel.
O Hollywood Desaconselha - Sem grande estrutura por onde se apoiar, misturando lugares comuns de outros filmes de guerra, The Great Raid não é uma grande experiência.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:52 PM | Comentários (0)
dezembro 13, 2005
Brokeback lidera nomeações aos Globos. Munique de fora!
Surpreendentemente a Hollywood Foreign Press Association excluiu Munich de categorias chave na edição deste ano dos Globos de Ouro. Nomeados estão Spielberg e Kushtner, realizador e argumentista. Muito pouco para quem era, há umas semanas atrás, o auto-proclamado filme do ano.
Quem continua imparável é Brokeback Mountain. Bateu um recorde de bilheteira no dia de estreia e arrebatou o maior número de nomeações, 7. Além do mais, a HFPA ainda teve mais surpresas na manga.

Sete nomeações confirmam o favoritismo de Brokeback Mountain. A única ausência foi de Jake Gyllenhall na categoria de melhor actor secundário já que Ang Lee, Heath Ledger, Michelle Williams, o argumento de Larry McMurtry e Diana Ossana, bem como o tema original, a banda sonora e o filme conseguiram as nomeações previstas.
Quem passa por um mau bocado é Munich. Se de King Kong (2 nomeações, com o surpreendente Peter Jackson incluido) já se sabia que não era estilo de filme da imprensa estrangeira em Hollywood, já Munich era um super-favorito. Fica-se pela nomeação de Spielberg e do argumento adaptado. Muito pouco para quem sonhou tão alto. O filme de Spielberg praticamente estatela-se no chão, na corrida ao óscar, e precisa agora de um gigantesco box-office, de prémios da critica e dos sindicatos, para se manter no lote de favoritos.
As nomeações confirmaram igualmente o potencial de Good Night and Good Luck. e A History of Violence. Os filmes de George Clooney e David Cronenberg, conquistaram quatro e duas nomeações, respectivamente. Também The Constant Gardener e Match Point conseguiram uma vaga na categoria de Melhor Filme Dramático. O filme de Meirelles foi ainda nomeado em melhor actriz secundária (Rachel Weisz) e realizador. Quanto a Woody Allen também foi nomeado, tal como o seu argumento e ainda Scarlett Johansson como actriz secundária.
Nos actores surpresas para Maria Bello, vista como principal, a que se juntou Felicity Huffman, Charlize Theron, Gwyneth Paltrow e Zhang Ziyi, numa luta equilibradissima, e Russell Crowe e Terrence Howard, que se junta aos favoritos Ledger, Straiharn e Seymour-Hoffman.
Na secção de comédia/musical, o destaque para Walk the Line. O filme de James Mangold viu os seus dois actores nomeados, mas falhou qualquer outra nomeação, exceptuando a de Melhor Filme. The Squid and the Whale conquistou igualmente três nomeações (filme e melhor actor e actriz comédia/musical) e The Producers acabou com quatro (filme, actor, actor secundário e tema).
Destaques para a luta entre actrizes, onde Judi Dench e Reese Whiterspoon são acompanhados por Keira Knightly, Laura Linney e Sarah Jessica Parker, e para os actores, com seis nomeados: Lane, Phoenix, Cilian Murphy, Jeff Daniels, Johnny Depp e Pierce Brosnan por The Matador.
Crash foi nomeado em argumento e viu Matt Dillon estar nos eleitos para melhor actor secundário, ao lado de Bob Hoskins, George Clooney, Will Ferrell e Paul Giamatti. Nas actrizes, Johansson terá a companhia de Rachel Weisz, Michelle Williams, Shirley McLaine e Frances McDormand.
Os grandes ausentes foram Munich, The New World e Memoirs of a Gueisha, todos em queda livre, e nomes como Eric Bana, Diane Keaton, William Hurt, Craig T. Nelson e Ralph Fiennes. A cerimónia terá lugar a 16 de Janeiro.
NOMEADOS
MELHOR FILME DRAMA
Brokeback Mountain
The Constant Gardener
Good Night, and Good Luck.
A History of Violence
Match Point
MELHOR ACTRIZ DE DRAMA
Maria Bello - A History of Violence
Felicity Huffman - Transamerica
Gwyneth Paltrow - Proof
Charlize Theron - North Country
Ziyi Zhang - Memoirs of a Geisha
MELHOR ACTOR DE DRAMA
Russell Crowe - Cinderella Man
Philip Seymour Hoffman - Capote
Terrence Howard - Hustle & Flow
Heath Ledger - Brokeback Mountain
David Strathairn - Good Night, and Good Luck.
MELHOR FILME DE COMÉDIA/MUSICAL
Mrs. Henderson Presents
Pride & Prejudice
The Producers
The Squid and the Whale
Walk the Line
MELHOR ACTRIZ DE COMÉDIA/MUSICAL
Judi Dench - Mrs. Henderson Presents
Keira Knightly - Pride & Prejudice
Laura Linney - The Squid and the Whale
Sarah Jessica Parker - The Family Stone
Reese Witherspoon - Walk the Line
MELHOR ACTOR DE COMÉDIA/MUSICAL
Pierce Brosnan - The Matador
Jeff Daniels - The Squid and the Whale
Johnny Depp - Charlie and the Chocolate Factory
Nathan Lane - The Producers
Cillian Murphy - Breakfast on Pluto
Joaquin Phoenix - Walk the Line
MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA
Scarlett Johansson - Match Point
Shirley MacLaine - In Her Shoes
Frances McDormand - North Country
Rachel Weisz - The Constant Gardener
Michelle Williams - Brokeback Mountain
MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO
George Clooney - Syriana
Matt Dillon - Crash
Will Ferrell - The Producers
Paul Giamatti - Cinderella Man
Bob Hoskins - Mrs. Henderson Presents
MELHOR REALIZADOR
Woody Allen - Match Point
George Clooney - Good Night, and Good Luck.
Peter Jackson - King Kong
Ang Lee - Brokeback Mountain
Fernando Meirelles - The Constant Gardener
Steven Spielberg - Munich
MELHOR ARGUMENTO
Woody Allen - Match Point
George Clooney e Grant Heslov - Good Night, And Good Luck.
Paul Haggis e Bobby Moresco - Crash
Tony Kushner e Eric Roth - Munich
Larry McMurtry e Diana Ossana - Brokeback Mountain
MELHOR BANDA SONORA
Alexandre Desplat - Syriana
James Newton Howard - King Kong
Gustavo Santaolalla - Brokeback Mountain
Harry Gregson-Williams - The Chronicles of Narnia: The Lion, the Witch and the Wardrobe
John Williams - Memoirs of a Geisha
MELHOR TEMA
A Love That Will Never Grow Old - Brokeback Mountain
Christmas in Love - Christmas in Love
There's Nothing Like a Show on Broadway - The Producers
Travelin' Thru - Transamerica
Wunderkind - The Chronicles of Narnia: The Lion, the Witch and the Wardrobe
MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Kung Fu Hustle
Master of the Crimson Armor
Merry Christmas
Paradise Now
Tsotsi
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:14 PM | Comentários (7)
Brokeback limpa San Francisco
Já se esperava. A cidade norte-americana onde a comunidade homossexual tem mais peso deu uma vitória clara a Brokeback Mountain nos prémios da sua associação de criticos. Melhor Filme, Melhor Realizador e Melhor Actor, uma tripla que parece imparável por esta altura.
Reese Whiterspoon venceu o prémio de melhor actriz, Amy Adams voltou a triunfar por Junebug e surpreendentemente Kevin Costner foi eleito o actor secundário do ano, por The Upside of Anger.
O melhor argumento foi para Good Night, and Good Luck. e o melhor filme estrangeiro foi Caché. Werner Herzog levou para casa o trofeu de melhor documentário com o seu Grizzly Man.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:47 PM | Comentários (1)
Broken Flowers - Jarmush em slow-motion
Jim Jarmush é um nome amado pela critica internacional, isto apesar de possuir uma filmografia bastante pequena para o prestigio que tem. Broken Flowers é um filme que não contribui em nada para valorizar Jarmush, não tanto pela história em si, mas pela forma como é contada. Um filme alicerçado no rosto inexpressivo de Bill Murray, um registo que começa a soar a falso.
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Criticar filmes de realizadores altamente sobre-avaliados pela critica é sempre uma tarefa árdua. Mas alguém tem de a fazer. Isto porque o cinema não pode alimentar "vacas sagradas", como Jarmush. Cineastas que se auto-proclamam auters, e que podem se-lo na sua acepção da palavra, mas que constroem um nome sem terem provas que o sustentem. É o caso deste cineasta autor, completamente fora do mainstream, capaz de filmar de uma maneira muito sui generis, mas que acaba por estragar um filme que, noutras mãos, se poderia vir a revelar bastante interessante.
Se Broken Flowers soubesse aproveitar todas as suas potencialidades, seria um thriller bastante interessante. Assim, é um filme que nem sabe a peixe nem sabe a carne. É algo pastelento lá pelo meio, sem cor nem cheiro, ou seja, sem alma. Um filme que nunca arranca, que tem apenas quinze minutos dignos de nota - curiosamente na primeira metade do filme, divididos em dois capitulos - e que de resto, vive numa imensa monotonia. Claro que há criticos que elogiam essa própria negação do dinamismo narrativo. Afinal Broken Flowers foi um dos meninos bonitos da última edição do Festival de Cannes. Pobres franceses!

Analisemos então a história de Don Johnston (porquê o humor fácil com a alegoria a Miami Vice ou a Don Juan?), o homem que vive num marasmo completo, que é deixado mais uma vez pela companheira, e que descobre, numa carta anónima, que tem um filho de 19 anos que anda á sua procura. Com a ajuda do vizinho, consegue descobrir onde estão as possiveis mães do rapaz. Parte então, num misto de relutância e entusiasmo, à procura da mãe do filho mistério. São quatro as mulheres com quem se vai cruzar, cada um com o seu pequeno episódio.
No primeiro, o melhor e mais interessante de todo o filme, depara-se com uma carnal ex-namorado com quem não resiste em passar a noite, isto depois de ter sido assediado pela filha da mesma, que ostenta o sugestivo nome de Lolita. Num rasgo de luz num marasmo imenso, uma das melhores cenas do filme surge quando a jovem adolescente irrompe nua pela sala. Este nu naturalissimo é chocante tanto para nós como para o próprio personagemm, e por isso resulta melhor que qualquer outra cena do filme. Aqui a história começa a encarrilar, a ganhar vida. Será sol de pouco dura.
Os dois capitulos seguintes da viagem - tão monotona como o rosto inexpressivo de Bill Murray - não têm qualquer ponta de chama, são um vazio assustador, um autentico precepicio cinematográfico. E mesmo o quarto capitulo, que marca a viagem de regresso, e basilar para entender o final do filme, é tão fraco, que por culpa disso mesmo o final é interpretado de forma diferente pelo públic na mesma sala. Afinal teria Don realmente um filho ou não. É óbvio que sim, e podemos perceber isso nos momentos finais, mas a custo, muito custo, já que parece que o próprio Jarmush tudo faz para que não possamos entender o seu próprio final. Muito fraco para um "auteur".

Então que salvaria este filme?
Em primeiro lugar uma definição narrativa. Estão lá todas as pistas para um bom thriller ao jeito de The Game de David Fincher. Um amigo e uma namorada preparados para mexer com a vida amorfa de um don Juan decrépito colocam-no em busca do seu passado, para perceber que a vida está no presente. As pistas - o rosa constante, os nomes - está tudo lá. Mas não são aproveitados. Jarmush prefere mostrar uma dona de casa frigida, uma comunicadora de animais ou uma intempestiva mulher que lhe irá causar mais agruras do que pensa. Ou seja, o filme passa ao lado do que poderia ter sido. E isso é o seu pecado capital. Mas não é o único.
Bill Murray recuperou a carreira em Lost in Translation. O seu Bob Harris, inexpressivo, perdido num mundo que não era o dele, fazia todo o sentido. Como o seu capitão Steve Zissou em The Life Aquatic of Steve Zissou. Em ambos os casos, os talentosos Sofia Copolla e Wes Anderson perceberam que o melhor de Murray está no seu intenso underacting, na sua inexpressividade. Jarmush não entendeu isso. Limitou-se a copiar, para ver se dava. Mas neste filme não dá. O registo soa a falso, a deja vu sem sentido. E isso faz com que a personagem e o filme percam credibilidade. E sem uma personagem principal sólida - como poderia e deveria ter sido - mais dificil é aguentar o filme.
E se Murray está em baixa, há dois destaques obrigatórios a fazer. Jeffrey Wright tem um registo delicioso, como o amigo sempre presente de Don que é igualmente detective nas horas vagas. Ao lado de um actor do calibre de Murray, as cenas são dele com uma segurança notável. E claro, Sharon Stone. Está em cena pouco mais de cinco minutos, mas só isso ajuda a fazer a diferença e a dar uma ideia de como poderia ser o filme se fosse, um outro filme.
Quanto ás consagradas Delpy, Swinton e Jessica Lange, pouco há a dizer. Têm tempo para umas frases, um pouco forçadas e secas, que se coadunam com o espirito do realizador.
Mas nem tudo é mau. Há de realçar duas jovens que poderão vir a dar que falar. Pell James tem apenas um minuto e meio em cena, mas a sua beleza e o seu à vontade indicam que dali poderá sair uma actriz muito interessante. David Fincher já a pescou para o seu Zodiac. E depois há a inesquecivel Lolita, vivida sem preconceitos (e sem nada, literalmente) pela bela Alexis Dzenia, uma actriz que, com o à vontade demonstrado e os momentos que partilhou com dois pesos pesados como são Stone e Murray deu imediatamente a entender que pode ter um futuro, muito, muito interessante.

Broken Flowers é um mau filme porque nunca se afirma como um filme com cabeça, tronco e membros. Andar de um lado para o outro, ao som de uma horrivel e repetitiva banda sonora (em Broken Flowers tudo é repetitivo), é demasiado vago para ser um filme a merecer atenção. Nisto Jarmush teria imenso a aprender com Elizabethtown, que dá um sentido a tudo que este filme não consegue dar. E com um Murray forçado, no seu tom que parece cada vez mais uma imagem de marca, apesar de descontextualizada, e sem personagens secundárias sólidas, o desastre era iminente. Um auteur pode ser um auteur. Mas os verdadeiros têm obra feita e traços identificativos da sua genialidade. Jim Jarmush não é um desses casos.
Classificação - ![]()
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O Melhor - O capitulo passado na primeira casa, com Don, Laura e Lolita. A audácia que Jarmush teve aqui não voltou a ser repetida.
O Pior - A narrativa sem sentido, contada em slow-motion.
Curiosidade - O filho de Don foi vivido pelo próprio filho de Bill Murray. Uma ideia do realizador.
Site Oficial - www.brokenflowersmovie.com
Realizador - Jim Jarmush
Elenco - Bill Murray, Jeffrey Wright, Sharon Stone, ...
Produtora - Focus Features
Classificação - m/16
Duração - 105 m
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:59 AM | Comentários (8)
Washington relança Munich na corrida
Quando já se começava a pensar numa vitória em larga escala de Brokeback Mountain neste inicio de temporada de prémios, que termina a 5 de Março com os óscares, eis que Washington dá nova reviravolta e premeia Munich como filme do ano.
Munich venceu o duelo com Brokeback Mountain, Crash, Capote e Good Night and Good Luck. e conseguiu a sua primeira vitória da temporada no Washington Area Film Critics. Também Steven Spielberg acabou com a hegemonia de Ang Lee vencendo o prémio para melhor realizador.
Imparáveis continuam Philiph Seymour-Hoffman e Reese Whiterspoon, os actores do ano, enquanto que Paul Giamatti voltou a vencer na categoria de melhor actor secundário. Amy Adams venceu na categoria feminina por Junebug.
Capote foi o melhor argumento adaptado e Crash o melhor argumento original, vencendo igualmente o melhor elenco. Kung Fu Hustle foi o filme estrangeiro do ano e Enron o melhor documentário.
Terrence Howard foi o actor revelação de 2005, Narnia venceu o prémio de direcção artistica e Wallice and Gromitt o trofeu de melhor filme de animação.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:31 AM | Comentários (0)
dezembro 12, 2005
Teaser de M.I. - 3
Para alivar um pouco a corrente informativa dedicada à temporada de prémios de cinema nos Estados Unidos, aqui fica uma noticia mais comercial.
Foi hoje divulgado o primeiro teaser trailer de Mission Impossible III. Um teaser que vive acima de tudo da mitica música que acompanha Ethan Hunt desde a serie televisiva, nos anos 70, até à sua incursão no cinema. O filme conta com Tom Cruise no principal papel e Philiph Seymour-Hoffman como vilão. Keri Russell, Vingh Rames e Michelle Monaghan estão igualmente no elenco de um filme liderado por J.J. Abrahams.
Depois dos atrasos nas filmagens, o filme está na sala de montagem e tem estreia marcada para 5 de Maio do próximo ano. O trailer pode ser visto aqui.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:40 PM | Comentários (3)
ANTEVISÃO - King Kong
Depois de ter transportado para a tela de forma inesquecivel o imaginário mundo da Terra Média que J.R.R. Tolkien criou com notável imaginação, Peter Jackson está de regresso. Os dias do gore já lá vão e agora o cinema fantástico, altamente dependente das animações CGI, é a sua especialidade. King Kong prova-o acima de tudo. Jackson está em alta. Quem é capaz de parar o gorila gigante?

A critica norte-americana enlouqueceu ao ver King Kong. O filme do australiano Peter Jackson, é uma arrebatadora mistura do universo fantástico de um Lord of the Rings - salvo as devidas comparações - com o dramatismo romântico de um Titanic, feito na mesma escala. A ilha Skull, o combate entre o T-Rex e King Kong, a sua chegada a Nova Iorque, o mitico final, a troca de olhares com Naomi Watts, esse A Bela e o Monstro segundo Jackson, transformam o que poderia ser apenas mais um blockbuster, num filme poderosissimo em termos dramáticos e emocionais. E com a ajuda das imagens geradas por computador, Peter Jackson consegue tudo, e essa capacidade da-lhe redea solta para fazer o remake de um dos clássicos do cinema da forma como sempre quis: um verdadeiro épico de aventura, uma inesquecivel história de amor.
King Kong é um dos filmes do ano, a todoso os niveis. Aclamado pela critica, sempre suspeita quando se trata deste tipo de filmes, é já um dos favoritos para os óscares do próximo ano, confirmando a popularidade actual de Peter Jackson. Um titulo capaz de assombrar o mais destemido dos rivais.

A história de King Kong é bem conhecida de todos, graças aos dois filmes que já se fizeram sobre o gigantesco gorila. Um realizador aventureiro decide filmar o filme da sua vida numa ilha que ninguém conhece em pleno Pacifico. Acompanhado da sua equipa de produção e do argumentista, está pronto para partir. Só falta uma actriz. É então que encontra, nas ruas de Nova Iorque, Anne Darrow, uma actriz de vaudeville que por causa da Grande Depressão se viu confinada ao desemprego. Convence-a a embarcar na viagem, mas quando chegam à ilha Skull descobrem que não estão sós. Anne é raptada e entregue de forma sacrificial ao gigante King Kong, um gorila de proporções épicas. A equipa decide resgatá-la, liderada pelo realizador e pelo argumentista, apaixonado já por Anne. Pelo meio vão-se deparar com um mundo pré-histórico, enquanto que Kong e Anne se vão apaixonando de uma forma bizarra mas irresistivel. Kong acaba capturado e é exibido em Nova Iorque como a 8º maravilha do mundo, até ao momento em que se liberta e decide fugir, contra tudo e contra todos.

Para o filme, Peter Jackson escolheu a dedo o seu elenco. Naomi Watts é espantosa no papel de Anne Darrow que mitificou Fay Wray, recentemente falecida, e que também já foi vivido por Jessica Lange. Um desempenho cheio de emoção e dramatismo que lhe pode valer a sua segunda nomeação ao óscar. Jack Black e Adrien Brody completam o trio principal do filme, com performances menos intensas mas igualmente importantes. No entanto Peter Jackson deixou bem claro que a personagem central do filme não é feita de carne e osso, mas sim de uma notável animação computorizada. King Kong é sem dúvida uma das personagens do ano, já que toda a sua complexidade foi, pela primeira vez, explorada ao máximo. E essa acaba por ser uma das mais valias do filme.

Conquistou a critica e prepara-se para se tornar num gigantesco sucesso de bilheteira. Peter Jackson, que começou a dar nas vistas no cinema gore e se afirmou como um nome de culto com a trilogia Lord of the Rings, prova mais uma vez o seu valor, assinando uma obra para toda a familia, inesquecivel e profundamente emocionante. Um verdadeiro marco da 7º arte.
O QUE SE DIZ
"Isto é o espectaculo de realização no seu melhor, quando um realizador está em sintonia com as emoções transmitidas nas entrelinhas pela história e pela sua imensa paixão, desde pequeno, pelo o universo das aventuras fantásticas."Kirk Honeycutt, Hollywood Reporter
"Aqui está um filme de nos deixar de queixo caido, com os olhos a saltar e o coração a parar, o épico porque esperamos durante todo o ano!"Peter Travers, Rolling Stone
"O King Kong de Peter Jackson é a mais excitante história de um monstro alguma vez feita. Pelo menos, posso dize-lo sem ironia - ri e chorei!"Jami Bernard, New York Daily News
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:55 PM | Comentários (0)
Amanhã são divulgados os nomeados aos Globos de Ouro
Será amanhã de madrugada em Los Angeles que a Hollywood Foreign Press Association vai divulgar os nomeados à edição deste ano dos Globos de Ouro. Um rápido anúncio, feito pelo presidente da HFPA e pelo comediante Steve Carrell e por Mark Whalberg e Kate Beckinsale, que poderá ajudar a confirmar algumas das tendências dos prémios da critica norte-americana, mas também a recuperar filmes até agora um pouco esquecidos.
Nas categorias de drama o destaque irá certamente para Brokeback Mountain, Good Night and Good Luck., Munich e talvez Crash, Capote, A History of Violence, Cinderella Man ou Match Point. Outras hipóteses são Memoirs of a Gueisha, The New World, The Constant Gardener ou mesmo King Kong.
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Quanto aos actores espera-se mais um duelo Heath Ledger-Philiph Seymour-Hoffman, com David Straiharn, Russell Crowe, Ralph Fiennes ou Eric Bana na corrida. Quanto ás actrizes, a Charlize Theron e Felicity Huffman devem juntar-se Zhang Ziyi, Gwyneth Paltrow ou Q´Orianka Kilcher.
Nas categorias de melhor comédia/musical, o destaque irá para Walk the Line com The Family Stone, The Squid and the Whale, Mrs Henderson Presents, 40 Year Old Virgin, In Her Shoes, Rumour Has It, The Producers ou Pride and Prejudice na corrida. Entre as actrizes Reese Whiterspoon, Judi Dench, Joan Allen e Keira Knightley devem liderar a corrida, enquanto que Jeff Daniels, Joaquin Phoenix, Steve Carrell ou Jim Carrey podem estar entre os nomeados.
Quanto aos actores secundários, a luta é entre os mais veteranos (Bob Hoskins, Christopher Plummer, Craig T. Nelson, Frank Langella, Geoffrey Rush, William Hurt) com os mais jovens Paul Giamatti, Jake Gyllenhall, Matt Dillon ou Terrence Howard. O mesmo se passa com as actrizes, com Maria Bello, Rachel Weisz, Scarlett Johansson, Michelle Williams, Gong Li, Diane Keaton e Catherine Keener a liderar a corrida.
Amanhã tudo ficará esclarecido, e com isso, a corrida começará a ficar apertada. Quem ficar de fora terá dificuldades em recuperar o atraso, salvo raras excepções (King Kong). Quem conseguir uma nomeação pode capitalizar ao máximo o seu momento, apesar de isso não ser um garante de sucesso futuro. Os Globos de Ouro tanto acertam como falham a linha seguida pela Academia. Mas ainda são um verdadeiro peso pesado na indústria cinematográfica em Hollywood.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:40 PM | Comentários (0)
National Board of Review elege Good Night and Good Luck. filme do ano
Depois do atraso na divulgação dos vencedores, o National Board of Review voltou a remar contra a corrente. Depois de no ano passado ter sido a única associação a premiar Finding Neverland, contra a hegemonia de Sideways, e mais tarde, de The Aviator e Million Dollar Baby, este ano o cenário parece repetir-se. Brokeback Mountain tem arrecadado todos os prémios mas foi o segundo filme de George Clooney, Good Night and Good Luck., que acabou eleito como filme do ano...

No top 10 dos melhores filmes de 2005 para o NBR não faltam surpresas. King Kong e The Constant Gardener são nomes ausentes, enquanto que Match Point dá finalmente um ar da sua graça. Pequenos filmes como Capote, Crash ou A History of Violence continuam a dar que falar, tal como Syriana, a aguentar-se bem. Memoirs of a Gueisha sobreviveu ás criticas e conseguiu um lugar no top, onde também estão Munich, Walk the Line e o inevitável Brokeback Mountain.
Mas se já tinha surpreendido no melhor filme, mais surpresas ficaram reservadas para o resto das categorias.
Felicity Huffman continua a subir no ranking ao triunfar pela segunda vez este ano como melhor actriz pelo seu papel em Transamerica. Por outro lado, Philiph Seymour-Hoffman continua a ser o alvo a abater, isto numa altura em que o seu maior rival, Joaquin Phoenix, ainda não venceu um único prémio.
Nas categorias de secundários destaque para Jake Gyellnhall e Gong Li, de Memoirs of a Gueisha. O realizador do ano foi o unânime Ang Lee e o realizador de estreia acabou por ser Julian Fellows de Separete Lies.
Terrence Howard e Q´Orianka Kilcher continuam a ser os actores revelação de 2005, e Mrs Henderson Presents teve o prémio para melhor elenco. The Squid and the Whale ficou com argumento original e Syriana com argumento adaptado. Curiosamente Good Night and Good Luck. foi apenas premiado como melhor filme do ano, sendo de novo Brokeback Mountain o filme com mais triunfos (2).
The March of the Penguins foi o documentário do ano, à frente de Murderball, Mad Hot Ballroom, Grizzly Man e Ballets Russes.
Paradise Now foi o filme estrangeiro de 2005, batendo 2046, Der Untergang, Walk on Water e Balzac and the Little Chinese Seamstres. Por fim Tim Burton venceu o prémio de melhor filme animado com o seu Corpse Bride.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:26 PM | Comentários (2)
Brokeback arrasa Boston
Depois de Los Angeles e Nova Iorque, agora Boston junta-se ao "clube de fãs" de Brokeback Mountain. Quase repetindo o feito de Sideways no ano transacto, o filme de Ang Lee triunfou sob os rivais de forma clara no Boston Film Critics, com vitória ainda para Ang Lee como realizador do ano.
Philiph Seymour-Hoffman e Reese Whiterspoon confirmaram a sua boa forma, vencendo as categorias de melhor actor e actriz, respectivamente. Capote foi igualmente premiado em melhor actriz secundária, com vitória para Catherine Keener, enquanto que Paul Giamatti foi o actor secundário do ano, numa corrida cada vez mais equilibrada.
Capote foi ainda o melhor argumento, Syriana o melhor elenco e Good Night and Good Luck. o melhor trabalho fotográfico. Murderball venceu em documentário e Kung Fu Hustle em filme estrangeiro.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:21 PM | Comentários (0)
New York Film Critics Circle rende-se a Brokeback
Mais uma vitória no que parece ser uma corrida a sós de Brokeback Mountain neste temporada de prémios.
O filme de Ang Lee venceu o prestigiado New York Film Critics Circle, e elevou para três o número de vitórias em prémios nos circulos de criticos.
O filme foi ainda premiado em mais duas categorias. Ang Lee foi eleito o realizador do ano e Heath Ledger venceu o prémio para melhor actor.
Quem também tem estado em destaque é A History of Violence. William Hurt confirma o seu bom momento, vencendo pela segunda vez esta semana o prémio de melhor actor secundário, isto enquanto Maria Bello se estreia com um triunfo como melhor actriz secundária.
Reese Whiterspoon, por Walk the Line, foi a actriz do ano para o NYFCC que ainda premiaram o arguemento de Noah Baumbach por The Squid and the Whale.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:14 PM | Comentários (0)
The Squid and the Whale é o filme do ano para o New York Film Critics Online
Uma organização recente (criada em 2000), onde o destaque vai para criticos online na área da Nova Iorque, o NYFCO atribuiu o prémio de filme do ano a The Squid and the Whale. O drama de Noah Baumbach derrotou oito filmes onde se encontravam Brokeback Mountain, Munich, Crash ou Good Night and Good Luck...

Mas esse foi o único prémio do filme.
Philiph Seymour-Hoffman voltou a triunfar esta semana, sendo eleito o actor do ano, e Keira Knightley fez as honras na categoria feminina. Destaque para os secundários Oliver Platt e Amy Adams, e para um nome que começa a dar que falar: Terrence Howard foi o actor revelação do ano enquanto que o director revelação de 2005 acabou por ser Paul Haggis pelo seu Crash.
Fernando Meirelles foi o realizador votado, por The Constant Gardener, e Grizzly Man, Der Untergang e Wallace and Gromit venceram como melhor documentário, filme estrangeiro e filme animado respectivamente.
Os nove filmes do ano, para o New York Film Critics Online foram então, The Squid and the Whale, e depois, sem qualquer ordem, The Best of Youth, Brokeback Mountain, Capote, Crash, Good Night and Good Luck, Munich, Syriana e The Constant Gardener.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:00 AM | Comentários (0)
dezembro 11, 2005
Top 10 do Ano do American Film Institute
Sem The New World, Match Point, The Three Burrials of Melquiades Estrada ou Memoirs of a Gueisha, mas com a surpresa The 40 Year Old Virgin, e as confirmações de Brokeback Mountain, Crash e Capote, eis o top 10 dos melhores do ano do American Film Institute.
Sem qualquer ordem de preferência o AFI escolheu os dez melhores filmes do ano, de acordo com os criticos e directores da organização mais prestigiada do estudo cinematográfico nos Estados Unidos. Está confirmado Capote como um filme a levar a sério - tal como Crash, mas num outro nivel - e The Squid and the Whale como o filme indie do ano. Good Night and Good Luck., Syriana e A History of Violence continuam a mostrar ser nomes fortes e os dois "gigantes", Munich e King Kong conseguiram um lugar entre os dez mais.
Aqui fica o top 10:
Brokeback Mountain
Capote
Crash
The 40-Year-Old Virgin
Good Night and Good Luck
A History of Violence
King Kong
Munich
The Squid and the Whale
Syriana

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:37 PM | Comentários (0)
Brokeback lidera nomeações ao Broadcast Film Critics Award
Continua a boa forma de Brokeback Mountain junto da critica norte-americana. Depois do triunfo inagural da temporada em Los Angeles, o filme de Ang Lee lidera com 8 nomeações o Broadcast Film Critics Awards, seguido de Crash com 6.
Terrence Howard com três nomeações está em destaque, e os destaques vão para a ausência de Munich nas categorias chave e do pouco impacto que King Kong está a ter junto da critica nesta primeira semana de prémios.

Como se esperava, Brokeback Mountain é nesta altura do campeonato, o filme a abater.
Com oito nomeações (Filme, Realizador, Melhor Actor, Melhor Actriz Secundária, Melhor Actor Secundário, Argumento, Tema e Banda Sonora) o filme parte como o grande favorito a arrecadar a maioria dos prémios.
Crash e Capote estão igualmente em destaque, com o primeiro filme a conquistar seis nomeações (Filme, Realizador, dois actores secundários (Dillon e Howard), Elenco e Argumento) e o segundo a confirmar a boa forma de Seymour-Hoffman.
De fora ficou o elenco de Munich - a perder força claramente - e de King Kong. Quem aproveitou para recuperar terreno foi Cinderella Man com quatro nomeações.
MELHOR FILME
Brokeback Mountain
Capote
Cinderella Man
The Constant Gardener
Crash
Good Night, and Good Luck.
King Kong
Memoirs of a Geisha
Munich
Walk the Line
MELHOR ACTOR
Russell Crowe – Cinderella Man
Philip Seymour Hoffman – Capote
Terrence Howard – Hustle & Flow
Heath Ledger – Brokeback Mountain
Joaquin Phoenix – Walk the Line
David Strathairn – Good Night, and Good Luck.
MELHOR ACTRIZ
Joan Allen – The Upside of Anger
Judi Dench - Mrs. Henderson Presents
Felicity Huffman – Transamerica
Keira Knightley – Pride & Prejudice
Charlize Theron – North Country
Reese Witherspoon – Walk the Line
MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO
George Clooney – Syriana
Kevin Costner – The Upside of Anger
Matt Dillon – Crash
Paul Giamatti – Cinderella Man
Jake Gyllenhaal – Brokeback Mountain”
Terrence Howard – Crash
MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA
Amy Adams – Junebug
Maria Bello – A History of Violence
Catherine Keener – Capote
Frances McDormand – North Country
Rachel Weisz – The Constant Gardener
Michelle Williams – Brokeback Mountain
MELHOR ELENCO
Crash
Good Night, and Good Luck.
Rent
Syriana
Sin City
MELHOR REALIZADOR
George Clooney – Good Night, and Good Luck.
Paul Haggis – Crash
Ron Howard – Cinderella Man
Peter Jackson – King Kong
Ang Lee – Brokeback Mountain
Steven Spielberg – Munich
MELHOR ARGUMENTO
Noah Baumbach – The Squid and the Whale
George Clooney e Grant Heslov – Good Night, and Good Luck.
Dan Futterman – Capote
Paul Haggis e Bobby Moresco – Crash
Larry McMurtry e Diana Ossana – Brokeback Mountain
MELHOR FILME ANIMADO
Chicken Little
Corpse Bride
Howl’s Moving Castle
Madagascar
Wallace & Gromit: The Curse of the Were-Rabbit
MELHOR JOVEM ACTOR
Jesse Eisenberg – The Squid and the Whale
Alex Etel – Millions
Freddie Highmore – Charlie and the Chocolate Factory
Owen Kline – The Squid and the Whale”
Daniel Radcliffe – Harry Potter and Goblet of Fire
MELHOR JOVEM ACTRIZ
Flora Cross – Bee Season”
Dakota Fanning – War of the Worlds”
Georgie Henley – The Chronicles of Narnia: The Lion, The Witch and the
Wardrobe
Q'Orianka Kilcher – The New World
Emily Watson – Harry Potter and the Goblet of Fire
MELHOR COMÉDIA
The 40 Year-Old Virgin
Kiss Kiss, Bang Bang
Mrs. Henderson Presents
The Producers
The Wedding Crashers
MELHOR FILME FAMILIAR
Charlie and the Chocolate Factory
Dreamer
Harry Potter and the Goblet of Fire
The Chronicles of Narnia: The Lion, The Witch and the Wardrobe
MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Cache
Kung Fu Hustle
Oldboy
Paradise Now
2046
MELHOR TEMA
“Hustle & Flow” – Terrence Howard – Hustle & Flow
“A Love That Will Never Grow Old” – Emmylou Harris – Brokeback Mountain”
“Same in Any Language” – I Nine – Elizabethtown
“Seasons of Love” – Tracie Thoms, Jesse L. Martin and Cast – Rent
“Travelin’ Thru” – Dolly Parton – Transamerica
MELHOR BANDA SONORA
Elizabethtown
Memoirs of a Geisha
The Producers
Rent
Walk the Line
MELHOR COMPOSITOR
James Horner – The New World
Gustavo Santaolalla – Brokeback Mountain
John Williams – Memoirs of a Geisha
Nancy Wilson – Elizabethtown”
MELHOR DOCUMENTÁRIO
Enron – The Smartest Guys in the Room
Grizzly Man
Mad Hot Ballroom
March of the Penguins
Murderball
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:20 PM | Comentários (1)
Hollywood volta a bater recordes
Domingos sem grandes noticias dá em noticias que não são bem noticias!
O Hollywood continua a bater todos os recordes de audiência na blogosfera nacional.
Segundo números do Weblog.PT, este weblog tem recebido em média cerca de 25 mil visitas por dia - que chegam não só de Portugal, mas do Brasil e de portugueses no estrangeiro, localizados em todos os continentes.
No último mês de Novembro foram 700 mil as visitas recebidas pelo Hollywood, o que faz dele um dos weblogs mais lidos de sempre num só mês. Ainda vendo os números, o Hollywood é de longe o blog mais lido dos que estão alojados no Weblog.Pt, e ainda uma presença assidua no top5 dos weblogs mais lidos de sempre em Portugal, sendo já há muito o weblog de cinema mais lido em lingua portuguesa, alcançando números que muitos websites não conseguem atingir.
Claro que isto tudo não teria acontecido se não fossem três coisas: o apoio incondicional de quem visita este espaço, que faz com que ele seja melhor a cada dia que passa. As recentes colaborações de Sérgio Lopes, Edson Macedo, Diego Almeida e FIlipe Careiro também são uma mais valia que gostaria de destacar. E claro, vocês, os tais 25 mil que vêm aqui, em muitos casos diariamente. Seja para verem fotografias, trailers, criticas, artigos de opinião ou lerem as noticias. São vocês quem faz deste espaço um dos mais completos weblogs portugueses, uma comunidade de que tenho imenso orgulho em pertencer.
Por isso já sabem, o Hollywood tem sempre as portas abertas a cada um de vocês.
E como disse no inicio, isto é o que dá não ter noticias a sério para publicar num domingo!
Miguel Lourenço Pereira
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:26 PM | Comentários (9)
Oscarwatching2005 - Previsões - Contagem Final
Pecando por não colocar King Kong como nomeável em quatro categorias (Melhor Actriz, Argumento, Maquilhagem e Banda Sonora), e por valorizar em demasia um filme que está em clara queda-livre (Memoirs of a Gueisha), aqui fica a contagem final das previsões de Novembro-Dezembro do Hollywood.
A nossa opinião - isto antes de começarem os prémios de fim de ano - é que o cenário não irá mudar muito até Janeiro, altura em que faremos a última ronda de previsões, mesmo antes do anúncio dos nomeados. Uns nomes irão ser confirmados ao longo do próximo mês, outros irão cair em desgraça. São as regras do jogo. Mas por agora, a situação está assim:
9 nomeações
Munich, Brokeback Mountain Memoirs of a Gueisha (pode perder 4)
7 nomeações
King Kong (pode ir até 11), Walk the Line
6 nomeações
The New World (pode ir até 9)
5 nomeações
Good Night and Good Luck.
4 nomeações
Mrs Henderson Presents
3 nomeações
War of the Worlds
2 nomeações
Cinderella Man, The Producers, Star Wars III - The Revenge of the Sith, Capote, Match Point e The Family Stone
1 nomeação
Pride and Prejudice, North County, Transamerica, The Chronicles of Narnia, Charlie and the Chocolate Factory, The Constant Gardener, The Squid and the Whale, Wallace and Gromitt, Corpse Bride, Chcicken Little

Última ronda de previsões - 24 a 30 de Janeiro
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:51 PM | Comentários (0)
Oscarwatching2005 - Previsões - Melhor Filme
Um ano cheio de candidatos que se foram auto-desqualificando, por isto ou por aquilo, e que chega agora á fase final numa situação mais confusa do que se imaginava. Para já, o duelo final parece ser a três...





A estreia de Munich só vai acontecer dia 23 de Dezembro, mas muitos criticos já viram o filme.
O mesmo que desde Agosto é tido como o favorito indiscutivel a dominar a noite dos óscares, o mesmo que foi talhado para premiar pela 3º vez o cineasta. Mas as primeiras análises, apesar de elogiarem o filme, são unânimes em considerar que Munich não consegue viver á expectativa que criou. Não está aqui nada que se parece com um Schindler´s List. O filme é muito negro, com falhas, mas mesmo assim uma grande obra. E continua a liderar o trio de favoritos, apesar de tudo.
Foi o primeiro filme a surgir do nada e a questionar a hegemonia pré-anunciada de Munich. Tem tudo para triunfar. Uma profunda história de amor, sepração, dor, notáveis desempenhos, excelente realização, grande trabalho técnico numa paisagem avassaladoramente bela. Só tem um problema: ser uma história de amor sobre dois homens. Esse é o único calcanhar de Aquiles que Brokeback Mountain tem. Pode ser suficiente para arrasar o filme que triunfou em Veneza, logo à partida. Mas pode ser uma questão facilmente superada. No computo geral, o filme continua a poder sonhar com muitas estatuetas douradas.
Foi a surpresa de Dezembro. Quando ninguém esperava algo do genero, eis que King Kong surge do nada e arrebata tudo e todos. A critica, que não tem problemas em declará-lo o filme do ano, ainda este não acabou, com todas as publicações de joelhos diante do trabalho de Peter Jackson. Espera-se que o público vá pelo mesmo caminho, fazendo de Kong o rival de Titanic no box-office. E quem diz no box-office, diz na Academia. O filme, que a ínicio era só um blockbuster de Natal, ameaça tornar-se num sério candidato a conquistar quase uma dezena de nomeações, que fazem dele um dos maiores candidatos à vitória.
O mês de Novembro foi de Walk the Line. Desde o Festival de Toronto que todos falavam do imenso potencial deste biopic de James Mangold sobre a vida de Johnny Cash. O filme tem dois dos melhores desempenhos do ano, boa música, uma história sólida, e todas as condições para ser nomeado em inúmeras categorias. Mas é também um filme algo limitado em potencial. Com a afirmação definitiva deste trio de favoritos a Walk the Line resta-lhe ocupar o papel que Ray teve no ano passado, também ele remetido à quarta posição na lista de favoritos.
A quinta vaga é sempre alvo de algumas surpresas, já que tudo pode acontecer. Memoirs of a Gueisha pode não ter "morrido" antes do parto, The New World pode ser mais uma obra prima de Malick, os membros da Academia poderão ressuscitar Cinderella Man, ou Woody Allen pode fazer das dele com Match Point.
Mas se há filme que há quase quatro meses para cá tem estado sempre, solidamente, no top 5, ele é sem dúvida Good Night and Good Luck. Um filme pequeno, sem grandes ambições visuais, mas poderoso na forma como é filmado e na história que conta. Um trabalho intimista, que pode ser demasiado pequeno para a Academia, mas que poderá resultar em diferentes sectores, valendo assim a nomeação final para a segunda obra de George Clooney.
QUEM PODE SER NOMEADO
- Memoirs of a Gueisha
O filme era um dos favoritos à partida, mas de repente começaram as polémicas à volta do leque de actrizes escolhidas. Depois vieram as primeiras criticas duras ao filme, especialmente tendo em conta a superficialidade da história. No final, a subida de forma de Walk the Line e o aparecimento de King Kong podem fazer o resto. E de favorito, Memoirs of a Gueisha arrisca-se a ficar de fora.
- The New World
Ainda ninguém viu o filme de Terrence Malick, e talvez por isso, ningúem saiba o que fazer com ele. Se o filme for um digno sucessor de The Thin Red Line, então será um dos mais sérios candidatos a filme do ano, e acabará por ser nomeado de alguma forma. Mas se não for - e essa é a imensa dúvida - porquê arriscar nele já, até mesmo numa altura em que Munich, Brokeback e King Kong parecem decidir tudo entre eles. Um filme que pode pecar por chegar tarde demais.
- Cinderella Man
O filme foi um flop de bilheteira. Certo. Russell Crowe não é propriamente um dos homens mais amados de Hollywood. Certo. Todo o filme foi feito por nomes já premiados nos últimos cinco anos, e isso pode jogar contra si. Certo.
Mas Cinderella Man tem todos os condimentos de uma grande história. O falhanço no box-office não tem explicação, mas tudo o resto está lá. Neste momento é um dos filmes do ano e com a campanha certa, e aproveitando os erros dos outros, não é de excluir que o filme ainda esteja na corrida.
- Match Point
Woody Allen é um dos icones do cinema norte-americano. No entanto Annie Hall foi a sua única consagração máxima, há quase 30 anos. Hoje o cineasta atravessa uma nova fase da sua carreira, e Match Point é a prova disso mesmo. Um elenco jovem, um novo cenário (Londres), uma história bem montada, os aplausos em Cannes. Hollywood gostava de patrocinar o renascer de um "monstro" como Woody Allen. Resta saber, em detrimento de quem.
- Crash
Foi um dos filmes que mais tempo esteve em exibição este ano. Apaixonou tudo e todos. Critica e público, produtores e cineastas. Hollywood vibrou com a obra de estreia de Paul Haggis, que ainda hoje, a começar Dezembro, continuará certamente a ser o filme favorito de muitos. Resta saber se chega para conseguir ombrear com todos os outros gigantes que lutam por um lugar ao sol.
EM SETEMBRO O CENÁRIO ERA ESTE
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:27 PM | Comentários (3)
Aquelas Frases...
"You can´t handle the truth!"

in A Few Good Men
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:20 AM | Comentários (1)
Cantos do Mundo - África..em suspenso
Como sabem a rúbrica Cantos do Mundo do Hollywood é feita com a colaboração de quatro elementos que discorrem as penas para escrever sobre o que se passa na Ásia, África, América Latina e Europa. A edição desta semana, referente ao cinema no continente africano, não teve lugar apenas porque o seu responsável, Edson Macedo, não teve possibilidade até hoje de enviar o seu artigo de opinião. Assim que o artigo chegue, será imediatamente publicado, continuando a rúbrica a seguir o seu ritmo habitual.
Para já, fica o pedido de desculpas!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:49 AM | Comentários (0)
Dreamworks vendida à Viacom
Depois da grave crise financeira em que se viu envolvida - a que flops como The Island estão directamente ligados - a Dreamworks, tudo indica, será vendida esta semana à Viacom.
A Viacom é detentora do capital dos estúdios Paramount que assim parecem ter ganho a corrida à Universal para adquirir os direitos da companhia co-fundada por Steven Spielberg, Jeffrey Katzenberg e David Geffen na década de 80.
O grande interesse da Viacom está no espólio de titulos da Dreamworks - onde se encontra grande parte da obra de Spielberg - para capitalizar no mercado de dvd, e também a secção de cinema animado, com os titulos Shrek a serem os mais valorizados. À Paramount, subsidirária da Viacom, caberá a co-gestão da Dreamworks, em termos de produção cinematográfica. Para o próximo ano a grande aposta dos estúdios será a produção dos próximos dois filmes de Clint Eastwood, a primeira vez em muitos anos que o realizador saiu da Warner Bros.
O negócio envolverá cerca de 1.5 mil milhões de dólares e será concretizado, tudo indica, no inicio da próxima semana.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:11 AM | Comentários (0)
E começa...Brokeback ganha em Los Angeles
Brokeback Mountain é o primeiro filme a ser premiado o melhor do ano nos Estados Unidos.
O filme de Ang Lee venceu hoje o prémio dos Los Angeles Film Critics, ficando à frente de A History of Violence na votação. Também Lee superou David Cronenberg na eleição do realizador do ano.
Quanto aos actores, vitória de Philiph Seymour-Hoffman sobre Heath Ledger e grande surpresa nas actrizes onde Vera Farmiga (Down to the Bone) derrotou Judi Dench.
Catherine Keener e William Hurt foram os actores secundários escolhidos, e Terrence Howard ficou com o prémio revelação do ano.
Dan Futterman viu o seu guião de Capote vencer Noah Baumbach em The Squid and the Whale e Good Night and Good Luck triunfou e fotografria, ficando atrás de 2046 na categoria de direcção artistica. A melhor música veio do filme Howl´s Moving Castle mas foi Wallace and Gromit que triunfou na categoria de filme animado. Grizzly Man foi o documentário do ano, batendo Enron: The Smartest Guys in the Room. Caché, de Michael Haneke, foi o filme estrangeiro de 2005.
Com esta vitória o polémico Brokeback Mountain consegue o primeiro prémio do ano e solifica a sua posição de grande candidato aos óscares.
Destaque para as confirmações de Seymour-Hoffman e Wallace and Gromit, e para as surpresas Vera Farmiga, Catherine Keener e William Hurt, com rivais fortissimos. Munich, King Kong e Walk the Line ficaram a 0.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:59 AM | Comentários (0)
dezembro 10, 2005
Washington divulga nomeados aos melhores do ano
E como se esperava, começa tudo hoje com os Washington Film Critics Awards a divulgarem os seus nomeados aos melhores do ano, e os Los Angeles Film Critics a divulgarem a sua lista de melhores para 2005.
Nos WFCA o destaque vai para Crash que consegue uma vaga nos cinco melhores do ano, onde também encontramos o filme Capote. A esses juntam-se os já favoritos Munich, Brokeback Mountain e Good Night and Good Luck.
Poucas surpresas nas categorias de representação. No que aos actores diz respeito, Philiph Seymour-Hoffman, David Straiharn, Joaquin Phoenix e Heath Ledger estão nomeados, a que se junta a surpresa Terrence Howard. Nas senhoras a surpresa é Joan Allen, que vê o seu nome figurar na lista lado a lado com Reese Whiterspoon, Charlize Theron, Keira Knightley e Felicity Huffman. Surpeendente é a escolha das actrizes secundárias one só Michelle Williams conseguiu valer o estatuto de favorita. Catherine Keener, Brenda Blethyn, Amy Adams e a surpresa Taraji Henson são as outras nomeadas.
Nas categorias secundárias, Terrence Howard consegue uma segunda nomeação, por Crash - que também nomeia Matt Dillon - e é acompanhado por Paul Giamatti, Peter Saarsgard e Geoffrey Rush.
Para melhor realizador a luta vai ser entre Spielberg, Lee, Clooney e as surpresas Ron Howard e Fernando Meirelles.
O Washignton Film Critics Award anuncia na próxima segunda-feira os vencedores.

MELHOR FILME
Crash
Good Night and Good Luck.
Capote
Munich
Brokeback Mountain
MELHOR REALIZADOR
George Clooney Good Night, and Good Luck
Fernandeo Meirelles The Constant Gardener
Steven Spielberg Munich
Ang Lee Brokeback Mountain
Ron Howard Cinderella Man
MELHOR ACTOR
Phillip Seymor Hoffman Capote
David Strathairn Good Night, and Good Luck
Terrence Howard Hustle & Flow
Joaquin Phoenix Walk the Line
Heath Ledger Brokeback Mountain
MELHOR ACTRIZ
Joan Allen Upside of Anger
Felicity Huffman Transamerica
Reese Witherspoon Walk the Line
Keira Knightley Pride and Prejudice
Charlize Theron North Country
MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO
Paul Giamatti Cinderella Man
Peter Sarsgaard Jarhead
Matt Dillon Crash
Geoffrey Rush Munich
Terrence Howard Crash
MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA
Catherine Keener Capote
Michelle Williams Brokeback Mountain
Brenda Blethyn Pride & Prejudice
Taraji Henson Hustle & Flow
Amy Adams Junebug
MELHOR ELENCO
Good Night and Good Luck.
Pride & Prejudice
Sin City
Crash
Rent
MELHOR REVELAÇÃO DO ANO
Terrence Howard Hustle & Flow
Amy Adams Junebug
QOrianka Kilcher The New World
Taryn Manning Hustle & Flow
Aishwarya Rai Bride & Prejudice
MELHOR ARGUMENTO ORIGINAL
Paul Haggis e Bobby Moresco Crash
Noah Baumbach - The Squid and the Whale
George Clooney e Grant Heslov Good Night, and Good Luck
Craig Brewer Hustle & Flow
Angus MacLachlan Junebug
MELHOR ARGUMENTO ADAPTADO
Dan Futterman Capote
Larry McMurty e Diana Ossana Brokeback Mountain
Arthur Golden, Robin Swicord e Doug Wright Memoirs of a Geisha
Deborah Moggach- Pride & Prejudice
Tony Kushner Munich
MELHOR DIREÇÃO ARTISTICA
Memoirs of A Geisha
Charlie and the Chocolate Factory
Harry Potter and the Goblet of Fire.
Star Wars: Episode III-Revenge of the Sith
The Chronicles of Narnia: The Lion, the Witch and the Wardrobe
MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Kung Fu Hustle
Paradise Now
Turtles Can Fly
Schultze Gets the Blues
Innocent Voices
MELHOR FILME ANIMADO
Chicken Little
Madagascar
Robots
Corpse Bride
Wallace & Gromit in The Curse of the Were-Rabbit
MELHOR DOCUMENTÁRIO
March of the Penguins
Grizzly Man
Mad Hot Ballroom
Murderball
Enron: The Smartest Guys in the Room
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:06 PM | Comentários (3)
Mais dois projectos para Johansson
É simplesmente a actriz mais requisitada do momento. Depois da fama pós-Lost in Translation, em 2004, Scarlett Johansson já fez mais seis filmes. Agora tem outros seis projectos nas mãos, com duas novidades.
Em Napoleon and Betsy, a jovem actriz vai ser o interesse amoroso de um moribundo Napoleão Bonaparte na longinqua ilha de Santa Helena no sul do Atlântico. O filme contará a forma como o imperador francês e uma simples criada se foram aproximando, até ao momento em que a morte levou Bonaparte, deixando a jovem destroçada. O projecto ainda não tem realizador ou elenco adicional.
Entretanto Scarlett Johansson juntou--se igualmente ao elenco de The Prestige, o novo filme de Christopher Nolan onde dois mágicos competem pelo titulo de melhor do mundo, enquanto partilham o mesmo interesse amoroso. Hugh Jackman, Christian Bale, Michael Caine e David Bowie também estão no elenco.
Para além destes dois filmes, Johansson está ainda ligada a mais meia dúzia de filmes: The Nanny Diaries, Borgia, Amazon, A View from the Bridge, Forget About it e ainda Scoop, o seu segundo filme com Woody Allen.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:49 PM | Comentários (0)
The Inside Man está aí
Terminaram as rodagens de Inside Man, o novo filme do realizador Spike Lee, e logo saltaram cá para fora as últimas novidades, sob a forma de um primeiro poster e trailer.
Inside Man conta com Denzel Washington, Jodie Foster e Clive Owen nos principais papeis, e conta a história de um homem que tenta dar o golpe da sua vida. A policia cerca o local do assalto, mas o homem mantem refens sob a sua guarda, e trava um interessante duelo com um policia que se encontra do outro lado da barricada. Pelo meio surge uma misteriosa advogada que promete servir de mediadora da questão.
Elenco de luxo, argumento intenso, o talento de Lee atrás da camara, sáo tudo boas razões para estar atento a este projecto que vai estrear no próximo ano. Até lá vejam o primeiro poster e cliquem na imagem para darem uma vista de olhos ao trailer.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:39 PM | Comentários (0)
Oscarwatching2005 - Previsões - Melhor Realizador
Habitualmente a Academia tem a particularidade de escolher uma surpresa, junto dos mesmos realizadores que irão ver o seu filme nomeado na categoria principal. Este ano, mais do que nunca, coloca-se essa mesma questão: quem fica de fora, e quem entra para o seu lugar...





Desde o primeiro minuto que se percebe que Steven Spielberg comandava as hostes. No entanto muitos já viram o seu Munich, e acharam-no demasiado sombrio, demasido politico, do que seria de esperar. Não é um filme tipico de Spielberg, mas continua a mostrar todo o talento do cineasta. O filme já teve mais hipóteses de ganhar, mas continua a ser um adversário temivel.
A sua imensa sensibilidade atrás da camara já lhe possibilitou fazer verdadeiras obras de arte. Agora Ang Lee vai atrás da estatueta dourada. O seu Brokeback Mountain continua a ser um dos filmes favoritos para muitos este ano, e se conseguir superar o perigoso lobby anti-gay, então é um rival de peso.
Face à estreia do filme e aos aplausos que tem recebido, de forma entusiástica, tivemos de mexer na lista preparada há sensivelmente duas semanas, e começar a analisar o fenómeno King Kong. Ou seja, PeterJackson voltou a superar-se. O cineasta conquistou a mais dificil critica norte-americana como um espectáculo visual de um Lord of the Rings, com a emotividade de um Titanic. Um épico em todo o seu esplendor que poderá valer ao australiano a sua terceira nomeação como melhor realizador.
Os actores tornados realizadores são um dos grandes fenómenos dos últimos vinte e cinco anos de Hollywood. De Redford a Eastwood, passando por Costner ou Gibson, são vários os exemplos de sucesso. Este ano cabe a George Clooney suceder a estes nomes já consagrados. O seu segundo filme, Good Night and Good Luck. continua a ser um dos mais amados do ano, e poderá ser o representante natural dos filmes de pequena produção, no lote final.
Partindo do principio que neste cenário, há um realizador que fica de fora, se tivermos em consideração os cinco nomeados para melhor filme, começa aqui a luta dos outros cineastas que parecem ter menos probabilidade de conseguir ver o seu filme eleito.
A nossa aposta vai para Terrence Malick, autor de The New World. O facto de ninguém ter visto ainda o filme, joga contra si. Mas como as nomeações são apenas anunciadas no último dia de Janeiro, haverá tempo para se analisar o impacto do épico histórico do texano. Malick é um nome consagrado, um verdadeiro autor, e caso falhe a nomeação, poderá dar lugar a Woody Allen ou Fernando Meireles, também eles nomes de luxo.
QUEM PODE SER NOMEADO
- James Mangold (Walk the Line)
- Woody Allen (Match Point)
- Fernando Meirelles (The Constant Gardener)
- Rob Marshall (Memoirs of a Gueisha)
- Stephen Frears (Mrs Henderson Presents)
EM SETEMBRO O CENÁRIO ERA ESTE
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:00 PM | Comentários (0)
dezembro 09, 2005
Oscarwatching2005 - Previsões - Melhor Actor e Actriz Principal
As duas categorias com mais glamour. Aqui são coroadas as estrelas do ano. Podem ser nomeas consagrados, estrelas em ascensão, caras bonitas, perfeitas surpresas. Já houve de tudo. Este ano a indefinição é grande, e o mais provável é haver dois estreantes a levaram a estatueta dourada para casa...
MELHOR ACTOR





A critica apaixonou-se pelo seu desempenho de imediato. Apesar de já ter sido nomeado, por uma vez, ao óscar de melhor actor secundário, Joaquin Phoenix não é um nome mediático. Passou um pouco ao lado o seu desempenho em The Village, mas agora parece renascido das cinzas ao reencarnar Johnny Cash em Walk the Line. Um desempenho soberbo que lhe vale desde já uma nomeação, com a estatueta á espera. A não ser que o fantasma de Jamie Foxx seja demasiado para ele.
Passou a vida a fazer papeis secundários atipicos, e poucos reparavam nele. De há alguns anos para cá tornou-se num nome bastante respeitado na comunidade indie, mas pouco mais. Agora o seu Truman Capote impõe respeito por onde quer que passa. Philip Seymour-Hoffman é o favorito da critica e o grande rival de Phoenix à partida. A não ser que seja um novo Giamatti, e tudo esteja perdido, antes mesmo de ter começado.
Esteve para ganhar a Copa Volpi, mas as novas regras impediram a sua vitória, que foi para as mãos de outro nome em grande este ano. Mas Heath Ledger dá o desempenho da sua carreia em Brokeback Mountain. Depois de ter sido um dos meninos bonitos do cinema australiano, Ledger reinventou-se este ano e está pronto a marcar pontos. O filme de Ang Lee pode ser o seu passaorte para a glória.
Depois de ter dado nas vistas em Troy, o australiano Eric Bana volta a mostrar porque é uma das grandes promessas do cinema actual. O seu desempenho contido e cheio de emoção efervescente em Munich é meio caminho andado para a nomeação. O sucesso do filme fará certamente o resto.
Venceu a Copa Volpi em Veneza, e foi uma das revelações de 2005 apesar da já longa carreira, tanto nos palcos como no cinema. David Straiharn é Edward Murrow em Good Night and Good Luck. onde a sua sobriedade e carisma conduzem o filme com mestria. No entanto pode ser um nome demasiado fraco, em termos mediáticos, para conseguir uma nomeação que confirmaria o peso das personagens reais na lista de candidatos ao óscar. O ano passado havia quatro. Este ano poderá acontecer o mesmo.
QUEM PODE SER NOMEADO
- Ralph Fiennes (The Constant Gardener/The White Contessa)
- Russel Crowe (Cinderella Man)
- Terrence Howard (Hustle and Flow)
- Nathan Lane (The Producers)
- Colin Farrell (The New World)
EM SETEMBRO O CENÁRIO ERA ESTE
MELHOR ACTRIZ





Tal como o seu parceiro, Reese Whiterspoon é electrizante em Walk the Line. A critica apaixonou-se por ela a partir do primeiro instate, e a estreia positiva do filme ajudou a consagrar o seu estatuto. Neste momento, ela é o nome a abater no rol de candidatas a suceder a Hilary Swank.
Quem também se encontra em óptima posição, é Judi Dench. A veterana actriz inglesa, já detentora de um óscar de melhor actriz secundária, é soberba em Mrs Henderson Presents, e neste momento parece ser o único nome capaz de ombrear com Whiterspoon. Uma grande senhora da 7º arte, extremamente popular, que pode levar o óscar mais britânico de todos, de volta para terras de sua majestade.
Se o sucesso de Memoirs of a Gueisha contrariar a corrente actual, em que o filme parece estar em queda livre, a actriz chinesa Zhang Ziyi poderá ser a primeira actriz oriental a ser nomeada nesta categoria. Um feito digno de registo mas que depende em muito do filme. Caso contrário, poderá vir a ser substituida por Naomi Watts no surpeendente King Kong (á data da publicação das previsões, um dos grandes favoritos, o que não era na altura da sua elaboração).
A partir daqui tudo se complica. Há uma grande proximidade entre quatro actrizes, com outras três a terem legitimas aspirações.
Poderá a critica fazer de Felicity Huffman a sua estrela este ano? A popular actriz da serie televisiva Desperate Housewives é o nome "indie" mais forte do ano, e a grande favorito a vencer os Indies. Curiosamente as últimas duas vencedoras foram nomeadas ao óscar, por isso as esperanças da actriz de Transamerica mantêm-se intactas.
Já pareceu mais favorita do que é actualmente. O fracasso de bilheteira de North County pode ter acabado com as esperanças de Charlize Theron. A sul-africana que já foi galardoada por Monster, tem aqui uma boa hipótese de conseguir a sua segunda nomeação, mas precisará de vencer prémios da critica para se manter na corrida.
QUEM PODE SER NOMEADA
- Naomi Watts (King Kong)
- Gwyneth Paltrow (Proof)
- Q´Orianka Kilcher (The New World)
- Keira Knightley (Pride and Prejudice)
- Joan Allen (The Upside of Anger)
EM SETEMBRO O CENÁRIO ERA ESTE
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:53 AM | Comentários (4)
Imagens de Pirates of the Caribbean II e titulo do III avançado
Depois de ter sido lançado o primeiro teaser trailer de Pirates of the Caribbean : Dead Man´s Chest, foram agora divulgadas as primeiras imagens do filme que tem estreia agendada para o próximo Verão. Como já se podia ver pelo trailer, o Captain Jack Sparrow e amigos estão de novo em sarilhos, nada que uma boa dose de aventura e humor não resolva.
Entretanto foi lançado o titulo do 3º e último filme das aventuras de Sparrow e amigos. Trata-se de Pirates of the Caribbean: Uncharted Waters, e será lançado no inico de 2008.
Em ambos os filmes voltamos a encontrar Johnny Depp, Orlando Bloom e Keira Knightley, sendo que o realizador de serviço continua a ser Gore Verbinski.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:35 AM | Comentários (6)
Trailer de Marie Antoinette
Chegou à internet o primeiro teaser trailer do esperado Marie Antoinette, o terceiro filme de Sofia Copolla.
Muitos julgaram surpreendente ver a cineasta norte-america dedicar-se a uma figura histórica tão polémica como Maria Antonieta, mas o trailer começa a desfazer as dúvidas. Com música de fundo dos New Order, o filme parece ser um diário de adolescente versã Século XVIII, um estilo de filme mais parecido com o que estamos habituados a ver na mais jovem do clã Copolla.
Kirsten Dunst, Jason Schwartzmann e Asia Argento são os nomes de destaque do elenco deste filme muito pop passado nas véspera da Revolução Francesa. O filme estreia no próximo Outono. O trailer pode ser visto aqui.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:19 AM | Comentários (0)
dezembro 08, 2005
Oscarwatching2005 - Previsões - Melhor Actor e Actriz Secundários
Duas das categorias mais sobrelotadas. O que não é surpresa. Entre a indefinição de quem é realmente a aposta dos estúdios para cada filme, ou quem se realmente acaba por destacar, os nomes vão-se amontoando. Este ano, enquanto que a categoria masculina caminha pelos veteranos, a sangue novo no que diz respeito ás actrizes secundárias de 2005...
MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO





Se Munich for o que todos esperam que seja - ou ainda mais - será dificil o filme não conseguir uma nomeação nesta categoria (há quem sugira mesmo mais do que uma). Nesse caso a escolha pode recair em quatro actores, já que o filme ainda nem estreou. A nossa aposta é o veterano e já oscarizado Geoffrey Rush. No entanto é preciso estar-se atento a nomes como Daniel Craig (o próximo Bond), Mathieu Kassovitz e Cirian Hinds.
Até ao momento o melhor desempenho secundário do ano é de Paul Giamatti. Apesar do fracasso - ainda por perceber - de Cinderella Man, será dificil à Academia fugir a este notável trabalho do actor que já viu os seus desempenhos em American Splendor e Sideways serem completamente esquecidos.
Outro dos actores que tem sido sucessivamente aclamado é Bob Hoskins. Capaz de desempenhos inesqueciveis (Mona Lisa) o veterano actor está de regresso e em grande forma em Mrs Henderson Presents. A nomeação parece certa e o actor é mesmo um dos favoritos à vitória final.
Depois do falhanço de Jarhead - que parece ter comprometido as suas aspirações na categoria principal - o destaque de Jake Gyllenhall é como secundário em Brokeback Mountain. Um filme que tudo indica estar entre os melhores do ano, e que se tudo correr bem (leia-se, ausência de bloqueio por parte de alguns sectores da Academia), terá inumeras nomeações, incluindo esta.
Ao lado de Diane Keaton ele é o suporte moral da louca Family Stone. O seu desempenho foi altamente elogiado pela critica, e Craig T. Nelson pode capitalizar isso mesmo para vir a ser nomeado. Se Clooney se apagar em Syriana - para apostar na nomeação como realizador - e Christopher Plummer não convecer a Academia a voltar a nomea-lo, a sua nomeação surge como a mais natural.
QUEM PODE SER NOMEADO
- George Clooney (Syriana)
- Christopher Plummer (The New World)
- Matt Dillon/Don Cheadle/Terrence Howard (Crash)
- Frank Langella (Good Nigh and Good Luck.)
- William Hurt (A History of Violence)
EM SETEMBRO O CENÁRIO ERA ESTE
MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA





A partir do momento em que declarou que iria concorrer como secundária e não como principal (onde tinha boas hipóteses), a actriz DIane Keaton saltou para a lista de favoritas à vitória. A nomeação parece estar garantida, o triunfo está perto. Este pode ser o único óscar de The Family Stone.
Como é habitual uma actriz secundária num filme de Woody Allen levar para casa o óscar, o nome de Scarlett Johansson saltou directamente para o top de favoritas à vitória. A menina bonita de Hollywood, já com razões de queixa da Academia por dois anos consecutivos, surge transformada em mulher fatal no filme Match Point e será uma rival temivel para Keaton.
No elenco secundário de Brokeback Mountain talvez nenhum nome seja tão resplandecente como o de Michelle WIlliams. A jovem actriz está a progredir a olhos vistos na sua carreira e o seu notável desempenho como mulher um cowboy homossexual é portentoso. A nomeação surge de forma natural.
Se Memoirs of a Gueisha se aguentar, o filme terá certamente uma actriz secundária nomeada. Mesmo que não se aguente - como aconteceu com Cold Mountain - poderá ter essa actriz nomeada. Dito isso, a ideia é que tanto Gong Li como Michelle Yeoh - ainda não se sabe por quem a critica vai - são ainda fortes candidatas a uma vaga na lista de nomeações nesta categoria.
Para além destas eventuais nomeadas, há um leque de três nomes que lutará claramente por uma nomeação. Desse leque (onde estão ainda Maria Bello e Catherine Keener) o destaque vai para Rachel Weisz em The Constant Gardener. Um papel que poderia ter sido visto como principal pela Focus, mas que com uma campanha no tom certo pode valer à actriz britânica a nomeação.
QUEM PODE SER NOMEADO
- Catherine Keener (Capote)
- Maria Bello (A History of Violence)
- Uma Thurman (The Producers)
- Ayalet Zoren (Munich)
- Toni Collete/Shirley McLaine (In Her Shoes)
EM SETEMBRO O CENÁRIO ERA ESTE
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:20 PM | Comentários (0)
Este macaco vai aos óscares...
A critica declara-o o filme do ano, o sucessor de Titanic, de Lord of the Rings. Peter Jackson coroado em glória, Naomi Watts louvada até aos limites. E a festa de Steven Spielberg, agendada há muito para 5 de Março, parece estar estragada.
King Kong chegou à cidade como a 8º Maravilha do Mundo...agora, prepara-se para fazer estragos!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:30 PM | Comentários (3)
Clint premiado pelo DGA e pelo PGA
É a consagração de uma carreira notável.
Depois de 2004 ter servido para consagrar definitivamente Clint Eastwood como um dos maiores realizadores de sempre do cinema norte-americano, com os vários triunfos do seu Million Dollar Baby, o cineasta vai voltar a ver a sua carreira premiada.
Tanto a Director´s Guild of America como a Producer´s Guild of America vão entregar um prémio carreira ao cineasta no próximo mês de Janeiro. Clint Eastwood, já por duas vezes vencedor do DGA enquanto realizador, vê assim os seus mais de trinta filmes premiados no seu todo, ele que em 2006 vai estrear mais duas obras, Lampons in the Wind e Flags of Our Fathers, as duas faces da mesma batalha, em Iwo Jima na 2º Guerra Mundial.
Também a Producers Guild, assoiação composta pelos produtores de Hollywood, decidiu homenagear Eastwood na sua edição deste ano.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:45 AM | Comentários (0)
Primeira imagem de The Departed
É o novo filme de Martin Scorsese, esta adaptação do sucesso chinês Wu Jian Dao (The Internal Affairs). O filme foca agora a máfia irlandesa, liderada por Jack Nicholson, que pretende introduzir na politica de Boston um operacional seu que deverá servir como espião. Entretanto, sem o saberem, a policia de Boston pretende fazer exactamente o mesmo, estando assim os dois braços direitos do chefe da policia e da máfia a trabalharem para o campo contrário.
O elenco tem Leonardo diCaprio e Matt Damon como os agentes duplos, e Jack Nicholson como lider da máfia local. O argumento foi escrito por Wiliam Monahan e a direcção é de Scorsese. A produção foi feita pela Warner Bros, que divulgou hoje a primeira imagem do filme, que ainda não tem data de estreia, mas que é já um dos titulos a seguir em 2006.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:34 AM | Comentários (0)
dezembro 07, 2005
Oscarwatching2005 - Previsões - Melhor Argumento Original e Adaptado
E assim chegamos ás oito principais categorias. Para muitos a Academia resume-se aos seus cineastas, actores e argumentistas, e com algum sentido porque são eles quem habitualmente são noticia.
No caso dos argumentistas, é curioso que a sua importância se torne cada vez maior, à medida que a crise de criatividade tome conta da Meca do Cinema.
Este ano, tantos os argumentos Originais como os Adaptados serão decididos após uma grande luta. Porque a crise não afecta todos e há nomes que não se podem ignorar...
MELHOR ARGUMENTO ORIGINAL





Depois do sucesso do seu Million Dollar Baby no ano passado - apesar de não ter conquistado a estatueta - Paul Haggis voltou ao ataque. O argumento do seu próprio filme, Crash, é um dos trabalhos mais elogiados do ano. Cheio de profundidade dramática e arrojo narrativa, Crash é uma pérola preciosa a quem poucos dão o devido impacto. No final de contas, é um dos mais fortes candidatos da edição deste ano.
Premiado em Veneza, o argumento original de George Clooney e Grant Heslov para Good Night and Good Luck. foi por diversas vezes aclamado pela critica. Graças ao peso que o filme foi conseguindo, é sem duvida um dos candidatos mais importantes do ano, com um trabalho recheado de idealismo e contenção dramática ao nivel dos melhores.
Woody Allen divide com Neil Simon o recorde de mais nomeações na categoria de melhor argumento original. Um génio criativo sem limites que parece voltar agora à sua melhor forma, pelo menos a ver a reacção de Cannes ao seu mais recente filme Match Point. Será que Woody vai voltar a levar uma estatueta dourada para casa?
É habitual encontrar-mos aqui um filme indie simpático e com um argumento que mexe com a audiência. A grande aposta deste ano para essa vaga é The Squid and the Whale. Escrito e dirigido por Noam Baumbach, o filme que mais nomeações recebeu aos Independent Spirit Awards é um belo conto moderno bem ao estilo de Sundance, mas que nos últimos anos tem cativado Hollywood de uma maneira surpreendente.
Se o filme for o sucesso que Malick conseguiu com Days of Heaven e The Thin Red Line, então o mais natural é que The New World seja o quinto argumento original nomeado pelos membros da Academia. Mas se o filme for visto como demasiado artistico, incapaz de mexer com os sentimentos dos votantes, então será facilmente substituido, ou por Cinderella Man, ou então por The Family Stone.
QUEM PODE SER NOMEADO
- The Family Stone
- Wallace and Gromit
- The Three Burrials of Melquiades Estrada
- Junebug
- Cinderella Man
EM SETEMBRO O CENÁRIO ERA ESTE
MELHOR ARGUMENTO ADAPTADO





Originalmente apresentado como um trabalho original, o argumento de Munich passou a ser um dos favoritos na categoria de melhor argumento adaptado. O trabalho de Tony Kushner sobre a vingança movida pelos agentes da Mossad após os atentados de Setembro de 1972, será provavelmente um dos mais sombrios e intensos filmes de Spielberg. Favorito antes mesmo de o ser.
Também captivante, intenso e muito mais dramático é a adaptação de Diana Ossana e Larry McMurty do pequeno conto de Anne Peroulx, Brokeback Mountain. A história do amor proibido entre dois homens no Oeste americano, e a forma como ambos reagem a esse amor e à separação a que foram forçados fazem do filme de Ang Lee um dos favoritos do ano.
Outro dos filmes mais aclamados do ano - que também já teve um argumento "original" - é Walk the Line. Dirigido por James Mangold e escrito por Gill Dennis e pelo próprio Mangold, a história da vida de Johnny Cash e o seu amor por June Carter são a premissa para um dos filmes mais populares do ano.
Depois do grande sucesso da critica, Capote ganhou outra dimensão. O argumento de Dan Futterman está entre os aspectos mais louvados do filme de Beneth Miller. Uma história intensa sobre o trabalho criativo de Truman Capote, e da forma como a escrita de um dos seus mais celebres livros descende directamente de um crime terrivel.
Se o filme sobreviver à crise em que parece ter entrado (relembro que as previsões foram feitas antes das reações mistas ao filme) é natural que o argumento de Akiva Goldsmith seja nomeado. Memoirs of a Gueisha, a história da ascensão de uma jovem japonesa tornada numa das mais celebres gueishas do seu tempo, é a base para um trabalho visualmente ousado mas recentemente bastante polémico. Caso o filme caía mesmo em desgraça, a sua substituição natural é The Constant Gardener ou Syriana.
QUEM PODE SER NOMEADO
- The Constant Gardener
- A History of Violence
- Shopgirl
- Jarhead
- Syriana
EM SETEMBRO O CENÁRIO ERA ESTE
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:42 PM | Comentários (0)
NBR adiado para dia 12
Depois de ter anunciado que ia divulgar a lista dos melhores do ano na segunda feira passada, transferindo depois a data do anúncio para hoje, dia 7 de Dezembro, um comunicado oficial do National Board of Review confirmou os problemas logisticos que se vivem dentro da associação, adiando a entrega dos prémios dos melhores do ano para o dia 12.
Assim sendo o National Board of Review, que ganhou importância por ser o primeiro prémio a ser entregue, passa para terceiro na lista, atrás dos criticos de Los Angeles e Nova Iorque, outras duas associações de renome. Quanto ao NBR, que vive dias dificeis, continuam a surgir rumores sobre a verdade de uma associação que não é constituida por jornalistas ou produtores cinematográficos, mas sim um misto de influentes amantes de cinema que conseguiram criar nome à volta de um prémio que para muitos ainda é uma verdadeira incógnita.
A temporada de prémios abre agora oficialmente no próximo sábado, dia 10 de Dezembro com os criticos de Los Angeles a anunciarem os seus favoritos do ano.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:13 PM | Comentários (0)
O Que Estreia Por Cá - O universo encantado de Narnia
Durante a segunda guerra mundial quatro jovens entra num mundo alternativo, um mundo cheio de magia e de emoções fortes. O mundo de Narnia. Um mundo que agora a Disney traz ao cinema num registo fantástico que procura a ponte entre Harry Potter e Lord of the Rings...

The Chronicles of Narnia : The Lion, the Witch and the Wardrobe, é o primeiro de sete aventuras criadas por C.S. Lewis que agora encontram o caminho das salas de cinema. Quatro irmãos, em plena 2º Guerra Mundial, entram num universo alternativo através de um portal localizado na casa de um dos seus professores.
Um mundo repleto de magia, governado por uma feiticeira branca, que amaldiçoa todo o tipo de criaturas. É ao lado de um majestoso leão, Aslan, que os jovens vão lutar para devolver Narnia aos seus habitantes, acabando assim com o poder da temivel bruxa.
Produzido pela Disney Pictures, o filme é realizado por Andrew Adamson que chega directamente de outro mundo mágico, o de Shrek. Um filme recheado de efeitos especiais e brilhante trabalho técnico, com participações de jovens actores - Georgie Henley, William Moesley - mas também de veteranos tais como Rupert Everret, Liam Neeson ou Tilda Swinton.
Um filme para um público mais jovem, pronto a deliciar-se com o mundo de Narnia, mas também para todos aqueles que ainda acreditam no poder mágico do cinema.

Há mais quatro estreias esta semana nas salas portuguesas.
Broken Flowers marca o regresso de Bill Murray e Jim Jarmush, dois nomes do culto do cinema norte-americano. A história de um homem que faz uma verdadeira viagem pela América profunda para descobrir qual das muitas mulheres da sua vida é a mãe de um filho que não sabia ter, é a premissa do flme que conta com um elenco que ainda inclui Jeffrey Wright, Julie Delpy, Jessica Lange e Sharon Stone.

The Fog - remake de um dos clássicos de Carpenter - recupera a história de um grupo de mortos que decide matar os descendentes daqueles que os mataram há anos atrás, e que para isso usam o nevoeiro onde se escondem. Filme de terror com todos os clichés do genero, dirigido por Rupert Wainwrigth com Selma Blair e Tom Welling.

Chazz Palmentieri senta-se na cadeira de realizador e cria Noel, um drama natalicio com um elenco cheio de nomes sonantes - Susan Sarandon, Penelope Cruz, Don Ameche e Paul Walker - onde o espirito natalicio é a premissa para unir as vidas de quatro pessoas. Filme da época!

Depois da presença em Veneza, estreia em Portugal O Fatalista, novo trabalho de João Botelho. Filme inspirado na obra de Diderot onde duas personagens, em viagem pelo Portugal profundo, debatem a forma como a vida está escrita à partida. Com Rogério Samora e André Gomes.

O Hollywood Recomenda - Ao lado de Bill Murray e conduzidos por Jim Jarmush, visitemos a América em Broken Flowers.
O Hollywood Desaconselha - Remakes já por si pecam por falta de ideias. Quando usam e abusam dos clichés do genero, tanto pior. É o caso de The Fog.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:46 AM | Comentários (1)
dezembro 06, 2005
Oscarwatching2005 - Previsões - Melhor Montagem
Não é por acaso que gigantes como Ingmar Bergman, Sergei Eisenstein ou Jean-Luc Godard afirmaram que a montagem é a base da linguagem cinematográfica. Um filme antes e depois de sair das mãos do editor nunca é o mesmo. Ás vezes fazem-se autênticas maravilhas, noutros casos destroem-se projectos promissores. Este ano a luta vai ser, como habitual, até ao fim...





O trabalho de montagem na obra de Steven Spielberg é habitualmente fabulosa. As mãos de Spielberg, aliadas ao trabalho cirúrgico de Michael Kahn, prometem uma edição final de Munich perfeitamente imaculada, e pronta a atacar os prémios da especialidade. Porque Spielberg não brinca em serviço.
Com Ang Lee é sempre de esperar genialidade em todos os aspectos técnicos das suas obras. A edição não foge à regra. Lee é um perfeccionista metódico e pelas amostras que já saltaram cá para fora, e pela reacção de quem já viu o filme, o trabalho de montagem de Brokeback Mountain é do outro mundo.
Também Memoirs of a Gueisha mostra uma imensa competência nas inumeras categorias técnicas que a Academia premeia. O trabalho de montagem da dupla Marshall-Pietro Scalia demonstra bastante competência e se o filme conquistar nomeações cirúrgicas, será dificil esta não ser uma delas.
Walk the Line surge em destaque na imprensa por outros motivos, mas o trabalho de edição do filme de James Mangold não deve ser menosprezado. Já Ray no ano passado mostrou como se faz uma edição de um biopic musical, e Michael McCusker não costuma deixar os seus créditos por mãos alheias.
A monumentalidade de King Kong vai depender muito da edição de Jamie Selkirk, o companheiro de Peter Jackson nestas lides. Pelas amostras, a expectativa é alta e o filme está em alta nas cotações da especialidade, o que leva a indicar que uma nomeação é bastante provável.
QUEM PODE SER NOMEADO
- Cinderella Man
- The New World
- Jarhead
- Good Night and Good Luck.
- Syriana
EM SETEMBRO O CENÁRIO ERA ESTE
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:18 PM | Comentários (1)
Angelina vs Charlize
Correm os rumores na imprensa britânica que o duelo para a próxima bond girl de Casino Royale será entre duas das mais belas e aclamadas actrizes dos últimos anos: a norte-americana Angelina Jolie e a sul-africana Charlize Theron.
O The Mirror afiança que Theron foi convidada para o papel de Vesper Lynd, sendo a favorita de Martin Campbell para o papel. O mesmo jornal diz que o papel foi recusado por Jolie, pela sua personagem ser demasiado superficial para o que a estrela queria. Mas a imprensa norte-americana continua a insistir em Jolie para bond girl, reafirmando a parceria já existente entre Jolie e Craig no segundo Tomb Rider como uma boa razão para a sua reedição.
As filmagens de Casino Royale arrancam em Janeiro. O próximo 007 já tem confirmados os nomes de Daniel Craig e Judi Dench, sendo que até ao final do mês o resto dos papeis deve estar já distribuido. A estreia do filme é a 19 de Outubro de 2006.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:15 PM | Comentários (4)
dezembro 05, 2005
Oscarwatching2005 - Previsões - Melhor Direção Artistica
Cenários são a base de um filme. Sejam minimalistas ou em tom épico, naturais ou criados dentro de um estúdio, um filme vive muito graças ao espaço que ocupa. Este ano, como é habitual, o confronto será de verdadeiros titãs...





Desde a Nova Iorque dos anos 30 até a uma misteriosa ilha no Pacifico, o novo filme de Peter Jackson tem de tudo. Cenários espantosos, trabalhados em CGI evidentemente pela sua equipa WETA, mas capazes de levantar qualquer um da cadeira. Depois de se ter mostrado especialista em cenários monumentais com a trilogia Lord of the Rings, o novo filme do australiano, King Kong, promete não ficar atrás da representação da Terra Média.
Palcos são sempre interessantes, porque apesar de pequenos, estão recheados de pequenos pormenores deliciosos. É o caso dos palcos de The Producers, adaptação do grande sucesso da Broadway Springtime for Hitler. Porque não importa apenas a história e o hilariante elenco deste filme de Susan Storman. O cenário também conta.
Continuando no universo dos palcos, mas agora numa versão oriental, Memoirs of a Gueisha é um must em termos técnicos a diferentes niveis. Os cenários do Japão dos anos 30 eram um dos grandes desafios da equipa de Rob Marshall. Um desafio que parece ter sido superado com louvor.
O delirante universo de Willie Wonka, um misto de expressionismo alemão com post-modern art, prova que a imaginação de Tim Burton está melhor do que nunca. A fábrica de chocolate de Wonka é um espectáculo visual, verdadeiramente arrebatador, bem capaz de ser nomeado a um óscar pelos seus pares.
Mrs Henderson Presents recupera a ideia dos palcos de teatro londrinos dos anos 30, mas traz uma novidade: uma cidade bombardeada, cheio de espaços destruidos, onde o teatro de Laura Henderson parece ser um refugio natural. A concorrência dos cenários em palco pode levar a que seja substituido por algo mais convencional.
QUEM PODE SER NOMEADO
- Munich
- Brokeback Mountain
- Walk the Line
- Cinderella Man
- Good Night and Good Luck.
EM SETEMBRO O CENÁRIO ERA ESTE
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:57 PM | Comentários (1)
Antevisão - Mrs Henderson Presents
Os irmãos Weinsten sairam da Miramax e no seu primeiro já preparam o ataque aos prémios de fim de ano. Uma das suas principais armas é Mrs Henderson Presents. Uma comédia dramática que se desenrola em plena 2º Guerra Mundial, num teatro muito especial, onde uma mulher determinada está pronta a quebrar todos os tabus numa Londres constantemente bombardeada pelos alemães.

Um filme de um veterano realizador - Stephen Frears - com um dueto espantoso de Judi Dench e Bob Hoskins, nudez e bastantes gargalhadas, é a proposta deste Mrs Hendersn Presents.
O filme é visto por muitos como apenas um "oscar-bait" dos Weinsten - celebres pela forma como jogam com esta coisa que é os óscares (basta ver Finding Neverland em 2004) - mas as criticas não saiem de forma alguma prejudicadas. Há um forte grupo de apoio a esta comédia ligeira mas cheia de subtilezas interessantes. Enquanto uma cidade é constantemente bombardeada, uma viuva herda um teatro e decide fazer o que ninguém ousaria: voltar a dar vida nocturna a uma cidade em estado de sitio. Juntando-se ao infame director teatral, Laura Henderson vai convencer a elite londrina a permitir um espectáculo que prima acima de tudo pelo divertimento...e pela nudez. Em tempos de guerra a moral é questionada de forma pertinente, bem ao estilo de Frears, sem nunca perder um tom cómico que acaba por se mexer com os sentimentos de uma cidade em desgraça. Longe do dramatismo de outros filmes de guerra, este Mrs Henderson Presents, utiliza o humor, o sarcasmo, a ironia, para mostrar uma realidade que não estamos habituados a conhecer quando se fala da Londres do inicio da década de 40.

Escrito por Martin Sherman, o filme conta com um elenco onde pontifica Judi Dench, talvez dando aqui o grande papel da sua carreira. Um desempenho que transporta o filme ás suas costas sem grande dificuldade e que consegue igualmente criar uma grande empatia com o restante elenco. E aí destaca-se Bob Hoskins, em mais um notável desempenho, ele que está em grande forma.
A estes nomes de luxo juntam-se Kelly Reilly, Will Young - vindo directamente do programa televisivo Pop Star - Thelma Barrow e Christopher Guest, estes últimos a encarnarem na perfeição a alta sociedade londrina da época, um pouco no seguimento do notável Gosford Park de Robert Altman.
Um elenco de beldades femininas completa a equipa do filme, até porque umas das cenas mais ousadas do ano ocorrerão nos palcos do velho teatro de Laura Henderson.

Entre as grandes criticas ao filme - que teve uma má estreia na temporada de prémios, ao ser humilhado por The Constant Gardener nos BIFA´s - está o facto de ser muito leve e esteriotipado, ou seja, para além de Judi Dench, que deve conquistar a sua segunda nomeação aos óscares (venceu a primeira em 1998 por Shakespeare in Love, como secundária), pouco mais sobra.
No entanto a verdade é que Stephen Frears é um veterano que sabe bem o que faz. Longe dos grandes sucessos há algum tempo, o cineasta está preparado para voltar aos seus melhores momentos. Com a ajuda de um grande elenco e da habilidade dos irmãos Weinstein, tudo é possivel. Baixem as cortinas porque o espectáculo está prestes a começar.
O QUE SE DIZ
"Delicioso do principio ao fim!"
Michael Rechtshaffen, Hollywood Reporter
"O sempre confiável Stephen Frear, um mestre na simetria e coerência narrativa, surge com mais uma pequena pérola!"
Rex Reed, New York Observer
"Apesar de mais pesado, o filme de época deste ano de Frears, acaba por ser Being Julia, que apesar de inocuo, consegue prestar melhor tributo ao teatro britânico do que este Mrs Henderson Presents."
Emanuel Levy, Emanuellevy.com
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:05 PM | Comentários (1)
Primeiras imagens de X-Men3
O jornal USA Today publicou hoje as primeiras imagens do próximo X-Men. Será o terceiro filme da saga, desta vez sem Bryan Singer ao leme.
Brett Ratner é o director do novo filme que conta com novos mutantes, que se juntam assim a uma galeria de estrelas do mundo animado onde já encontramos Wolverine ou Storm.
Hugh Jackman, Rebeca-Romjin, Patrick Stewart, Ian McKellan e Halle Berry estão de regresso. O filme vai ter também hoje o seu primeiro trailer. A estreia está agendada para o próximo ano. Em 2007 está igualmente anunciado um spnioff de X-Men, onde o destaque estará todo na personagem Wolverine, a ex-libris da saga.
Cliquem na imagem para ver a restante galeria.

UPDATE - O trailer já está online aqui!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:35 PM | Comentários (47)
dezembro 04, 2005
Oscarwatching2005 - Previsões - Melhor Fotografia
Uma categoria sempre dificil mas que nos ajuda a lembrar alguns dos mais belos momentos do ano cinematográfico. Há pelo menos oito candidatos fortissimos mas os cinco lugares não dão para todos. Quem ficará bem na fotografia?





Um filme de Terrence Malick é igualmente um tratado de fotografia. Parece um lugar comum mas é mais do que um simples facto. É uma verdade absoluta. The New World promete não ser diferente do que estamos habituados a ver dos filmes do cineasta texano e por isso a nomeação parece mais do que certa.
Outro cineasta que faz do trabalho de fotografia algo fundamental nos seus filmes é o oriental Ang Lee. Em Brokeback Mountain isso é perfeitamente visivel e a forma como o cineasta capta na lente toda a magia do Oeste norte-americano lembra os dias de Anthonny Mann e John Ford. Também aqui a nomeação é algo mais que provável.
O filme de Rob Marshall tem a virtude de poder ser elegivel em diversas categorias técnicas, tal é o aprumo com que foi trabalhado ao longo do último ano. A fotografia de Memoirs of a Gueisha parece fabulosa e se o filme descolar para uma serie de nomeações, esta será certamente uma delas.
Da escuridão à luz. Munich vive em ambientes claustrofóbicos mas também em pleno dia a dia. Um filme todo o terreno com o habitual trabalho de fotografia perfeito que Spielberg sempre exige para os seus filmes. Será certamente mais uma nomeação para o "saco" de Munich.
Com muitos candidatos para apenas cinco vagas, a fava terá de calhar a alguém. Depois de no ano passado o trabalho quase a preto e branco de Million Dollar Baby ter ficado de fora, este ano a Academia pode optar pelo oposto, ou seja, nomear um filme que seja mesmo a preto e branco. Nesse caso Good Night and Good Luck. de George Clooney conquistaria uma das poucas nomeações técnicas que provavelmente irá arrecadar.
QUEM PODE SER NOMEADO
- Cinderella Man
- The Constant Gardener
- Crash
- The Three Burrials of Melquiades Estrada
- Jarhead
EM SETEMBRO O CENÁRIO ERA ESTE
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:01 PM | Comentários (2)
Caché domina Felix2005
Os prémios da Academia de Cinema Europeu, simpaticamente conhecidos como Felix, foram ontem atribuidos numa gala em Berlim que coroou Michel Haneke.
O realizador austriaco foi eleito o melhor realizador do ano e o seu filme Caché, que já lhe tinha valido um prémio em Cannes, foi considerado o melhor filme europeu do ano. Também Daniel Auteil, a estrela do filme, suplantou os demais actores, e foi coroado como o melhor do ano. As vitórias na categoria de melhor montagem e de filme da critica levaram a um total de cinco prémios numa noite de glória para Haneke.
Julia Jentsch foi a vencedora na categoria de melhor actriz, pelo seu desempenho no filme Sophie Scholl, e Hany Abu-Assad venceu o prémio para argumentista por Paradise Now.
O filme português Alice estava nomeado para o prémio Fassbinder - o filme de estreia do ano - mas acabou por sair derrotado. Coube a Anklaget o triunfo na categoria.
Un Long Dimanche de Fiançailles (guarda-roupa), Hotel Rwanda (banda sonora), Don´t Come Knocking (fotografia) e Good Night and Good Luck. (filme não-europeu) também foram premiados nesta cerimónia que teve lugar em Berlim.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:13 PM | Comentários (0)
Aquelas Frases...
"A census taker once tried to test me. I ate his liver with some fava beans and a nice chianti!"

in Silence of the Lambs
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:16 AM | Comentários (0)
Weir dirige Shantaram
Um dos próximos projectos de Johnny Depp vai ter Peter Weir no leme. O realizador australiano de sucessos como Dead Poet´s Society, Truman Show ou Master and Commander aceitou o desafio de trabalhar no guião de Eric Roth e dirigir Shantaram.
O filme conta a atribulada vida de um homem, viciado em heroina que consegue escapar de uma prisão na Austrália, vivendo na India como um falso-médico. É aí onde se apaixona por uma bela enfermeira, e para a salvar, aceita trabalhar para a máfia de Bombaim.
O filme será produzido pela Warner Bros, e Depp é, até ao momento, o único nome do elenco confirmado. O filme começará a ser rodado no final do próximo ano.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:12 AM | Comentários (0)
dezembro 03, 2005
Academia divulga posters da próxima edição dos Óscares
A Academia de Hollywood divulgou este fim-de-semana os posters oficiais da 78º ediçãos dos Óscares. A grande novidade deste ano é o facto de serem dois, e não um, os posters representativos da cerimónia. O modelo clássico retorna, ultrapassando assim um pouco o vanguardismo dos últimos anos, isto numa cerimónia que vai ser de novo dirigida por Gill Cates.
A edição deste ano dos óscaes terá lugar a 5 de Março. Os nomeados serão conhecidos a 31 de Janeiro, e como é habitual, de 1 de Fevereiro a 5 de Março o Hollywood fará a sua cobertura especial com tudo o que precisará de saber sobre mais uma edição do mais prestigiado prémio do mundo do cinema.


Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:06 PM | Comentários (3)
Oscarwatching2005 - Previsões - Melhor Maquilhagem
Mais uma vez, apenas três vagas para vários candidatos. Desde o universo do cinema fantástico aos épicos históricos, sem esquecer os dramas e o cinema de vanguarda, há mais nomes que lugares vagos. Quem os vai preencher?



Chronicles of Narnia herda o espirito do cinema fantástico de Lord of the Rings e Harry Potter. O filme estreia em Dezembro e tem despertado muita curiosidade, até porque já estão prometidas várias sequelas. O visual de alguns personagens é muitissimo original, trabalho de uma apuradissima maquilhagem que deve valer a única nomeação do filme.
As celebres pinturas de guerra dos indios norte-americanos nunca fizeram tanto sentido como em The New World. Um cenário muito propocio a um excelente trabalho de maquilhagem. Pelo que os trailers e imagens têm revelado, o filme continua a ser um fortissimo concorrente.
Uma gueisha não é verdadeiramente uma gueisha se não estiver maquilhada à altura. O mesmo parece acontecer ás actrizes de Memoirs of a Gueisha, com faces magistralmente trabalhadas. A nomeação parece ser certa e só o arrojo visual de Sin City pode despojar a nomeação ao filme de Rob Marshall.
QUEM PODE SER NOMEADO
- Sin City
- Oliver Twist
- Charlie and the Chocolate Factory
EM SETEMBRO O CENÁRIO ERA ESTE
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:32 AM | Comentários (2)
CANTOS DO MUNDO - ÁSIA
Tomando como ponto de partida o comentário de um dos frequentadores do meu blog, Cine-Ásia, o Nuno António, resolvi, neste artigo debruçar-me sobre quais os filmes, realizadores e tendências que nos últimos 25 anos contribuíram para a ocidentalização e divulgação do cinema asiático. Tentarei, portanto fazer referência às películas que quer pela sua singularidade, quer pela sua qualidade, são consideradas quase por unanimidade novos clássicos do cinema asiático, passíveis de serem recomendados para quem se vier a interessar pela bela cinematografia oriental.

China
Após um centenário de filmografia, a China continua a produzir algumas obras marcantes no universo cinematográfico asiático. Em 1992, o filme Farewell my concubine de Kaige Chen, venceu a palma de ouro do festival de Cannes. Em 1994 e 1995, Zhang Yimou atingiu igualmente visibilidade em Cannes, com os seus filmes, o que lhe permitiu obter maior notoriedade, atingindo mesmo o estrelato com Hero de 2002, com Jet Li, nomeado para o Óscar da academia de Hollywod para melhor filme de língua estrangeira. A película seguinte de Zhang Yimou House of flying daggers consolidou o seu estatuto como um dos nomes mais conceituados do cinema chinês.
Tsui Hark é outro dos nomes incontornáveis do cinema chinês. Este realizador natural do Vietname e produtor de sucesso em Hong-Kong, divulgou a cultura chinesa um pouco por todo o mundo. Com a série de filmes Swordsman e Once upon a time in China, criou e popularizou o género Wuxia (artes marciais épicas). Este ano regressa em boa forma com mais um épico de artes marciais, Seven Sword, uma espécie de homenagem a Seven Samurai de Akira Kurosawa.
Japão
A partir dos anos 90 uma nova geração de cineastas, emergiram em diversos géneros e com diversos estilos de realização. Takeshi Kitano é mundialmente conhecido graças ao seu estilo muito próprio criando obras sublimes, das quais se destacam os thrillers sobre a máfia Yakuza Boiling Point, Hanna-Bi ou Brother ou mais recentemente num registo mais intimista mas igualmente de qualidade, Dolls e O verão de Kikujiro.
Para os amantes de violência gráfica e de um gore quase anime, Takashi Miike é o realizador recomendado. Obras como Gozu, Ichi the Killer ou o fabuloso Audition – Anjo ou demónio? não vão deixar ninguém indiferente ao estilo muito próprio de ultra-violência preconizado por Miike. Curiosamente, chegou este ano às salas portuguesas a incursão de Miike no cinema mais comercial com One Missed Call, de 2003.
O Japão é também a pátria do mais conceituado realizador de filmes de animação, Hayao Miyasaki. Princesa Mononoke, A viagem de Chihiro (vencedor do Óscar de Hollywood para melhor filme de animação) e o recente O castelo Andante são todos geniais.
O terror mainstream atingiu igualmente uma ascensão nos últimos 20 anos, vinda do Japão. Hideo Nakata com Ringu e Dark Water (ambos foram alvo de remakes americanos) foi o pioneiro do terror oriental. Takashi Shimizu com Ju-Hon (também alvo do remake americano The Grudge) e Kiyoshi Kurosawa com Kairo e Cure, são igualmente recomendações do cinema de horror japonês. (note-se que o realizador não tem qualquer grau de parentesco com o mestre Akira Kurosawa).
Igualmente recomendáveis são Taboo de Nagisa Oshima e A Sombra do Samurai de Yoji Yamada, para os apreciadores dos códigos de honra e hierarquização dos guerreiros samurais. Posso garantir que a abordagem nada tem a ver com o sofrível O Último Samurai com Tom Cruise.
Taiwan
O sucesso sem precedentes de Crouching Tiger Hidden Dragon de Ang Lee, catapultou-o para Hollywod e deu uma maior notoriedade ao cinema deste país. Yi-Yi de Edward Yang contribuiu igualmente para que o mundo colocasse os olhos no cinema de Taiwan neste virar de século.
Nota final: Trata-se da primeira parte de um artigo, focando as cinematografias de China, Japão e Taiwan. Na segunda parte do artigo falarei da Coreia do Sul, de Hong-Kong e de países com menos peso ao nível do cinema asiático, mas que ainda assim contribuem com películas recomendáveis. O artigo é baseado em pesquisa e visualização dos filmes que considero clássicos modernos do cinema asiático. Ressalve-se o facto de, por omissão, não falar em determinado filme, por isso, quem quiser, é livre de comentar, dar a sua opinião e eventualmente corrigir ou acrescentar algo, de forma a tornar este artigo uma referência para quem não conhecer o grande cinema asiático.
Sérgio Lopes
www.cineasia.blogspot.com
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:04 AM | Comentários (7)
dezembro 02, 2005
Oscarwatching2005 - Previsões - Melhor Efeitos Visuais
Uma categoria com muitos candidatos mas apenas três vagas. Num ano onde há épicos históricos, filmes de aventuras, blockbusters e aventuras com seres do espaço, parece que ninguém é favorito. O tempo irá determinar quem vai até ao Kodak Theater...



O universo que George Lucas criou em 1977 terminou este ano em grande estilo. Toda a solenidade do evento e espectacularidade visual de The Revenge of the Sith deve valer mais uma nomeação (a sexta, uma por episódio) e talvez mais uma vitória para Star Wars.
A concorrência este ano é de peso. Que o diga War of the Worlds que se afirma como um dos mais sérios candidatos nas categorias técnicas. O filme de maior sucesso de bilheteira do ano pode não ter convencido os criticos mais exigentes, mas o espectáculo visual que Spielberg montou vale bem a esperada nomeação.
Quem também parece que se vai juntar facilmente ao grupo é King Kong. O filme de Peter Jackson está prestes a estrear e os trailers têm dado boas indicações. O único problema pode passar pela Academia querer nomear Harry Potter ou Narnia, pelo menos uma vez na edição deste ano. Se assim fosse, a nomeação poderia estar em risco.
QUEM TAMBÉM PODE SER NOMEADO
- Chronicles of Narnia
- Harry Potter and the Goblet of Fire
- Sin City
EM SETEMBRO O CENÁRIO ERA ESTE
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:16 AM | Comentários (0)
dezembro 01, 2005
The Constant Gardener domina BIFA´s
O filme de Fernando Meirelles foi o grande vencedor da noite.
The Constant Gardener venceu três prémios (Melhor Filme, Melhor Actor e Melhor Actriz) derrotando em todos os duelos os seus maiores rivais, Mrs Henderson´s Presents e The Libertine. A surpresa foi a vitória do britânico Neil Marshall sobre o realizador brasileiro. Marshall dirigiu o filme de terror The Descendent e nem estava no lote de favoritos à vitória.
Na luta pelo prémio de melhor actriz/actor secundário, a vitória coube à jovem Rosamund Pike (The Libertine), enquanto que Emily Barclay (My Fathers Den) e Annie Griffin (The Festival) foram consagrados como as promessas do ano, a primeira na representação, a segunda na realização.
Der Untergang foi o filme estrangeiro do ano, Liberace of Bagdah foi o melhor documentário e a personalidade de 2005, como já tinha sido anunciado, foi a jovem Keira Knightley.
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Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:49 PM | Comentários (2)
Oscarcarwatching2005 - Previsões - Categorias Sonoras
São três as categorias ligadas ao universo do som. Categorias técnicas, muito próprias, mas que ajudam a perceber o potencial de alguns filmes, especialmente quando falamos da banda sonora. E este ano, com tantos blockbusters e filmes de alta intensidade, candidatos não faltam ás estatuetas douradas da Academia...
MELHOR BANDA SONORA





O trabalho de John Williams é legendário em Hollywood. Já foi nomeado por 42 vezes, tendo levado para casa cinco estatuetas douradas. Este ano está de novo em grande, apesar de ter sido substituido em Harry Potter and the Goblet of Fire. No entanto, apesar da histórica banda sonora de Star Wars e de Munich, o seu favoritismo está centrado em Memoirs of a Gueisha, o drama de Rob Marshall que se desenrola no Japão pós-depressão. Uma trilha sonora que lhe tem valido elogios suficientes para garantir mais uma nomeação.
O seu trabalho em Diarios de Motocicleta foi absolutamente fabuloso mas não lhe valeu a nomeação. No entanto em Brokeback Mountain, o compositor Gustavo Santaolalla pode conseguir uma merecida primeira nomeação. O filme promete ser um dos que mais nomeações irá arrecadar em Janeiro e a categoria de banda sonora é provavelmente uma das mais fortes para os lados do filme de Ang Lee. A nomeação parece ser mais do que certa, apesar de, se se verificar o lobby anti-Brokeback devido à polémica questão da homossexualidade do argumento, o trabalho de Santaolalla pode sair prejudicado.
James Horner está igualmente em grande forma, sendo dele a trilha sonora de The New World, um filme que até agora tem vivido em mistério, mas que, curiosamente, nunca despertou dúvidas nesta categoria à volta da sua eventual nomeação. O duas vezes vencedor Horner é bem conhecido destas andanças e a sua nomeação está igualmente no leque das mais prováveis da edição deste ano.
Se John Williams será certamente nomeado por Memoirs of a Gueisha, pode acontecer que o compositor tenha uma dupla nomeação. É que o filme Munich é mesmo o rival a bater em muitas categorias e a composição sonora de Williams, aliado ao seu estatuto de mito vivo na Academia, pode mesmo fazer com que consiga duas nomeações de uma vez só. Não seria a primeira vez aliás, apesar de não ser algo muito usual!
Se a trilha sonora de The Producers for considerada inelegivel - como aconteceu com várias no ano passado - a quinta vaga será imensamente disputada por três compositores: Danny Ellfman, Thomas Newton e James Newton Howard.
Neste momento Thomas Newton parece levar vantagem. A sua banda-sonora em Cinderella Man é das mais interessantes do ano e ele é igualmente um nome consagrado em Hollywood. Claro que também dependerá sempre do momento porque cada filme atravessará lá para Janeiro, mas sendo esta uma vaga em aberto, o favoritismo parece estar ainda em Cinderella Man.
QUEM TAMBÉM PODE SER NOMEADO
- Charlie and the Chocolate Factory
- King Kong
- The Corpse Bride
- Mrs Henderson´s Presents
- Syriana
MELHOR SOM





O som vibrante de Johnny Cash é a melhor desculpa para a Academia nomear Walk the Line. O filme gravita à volta do universo musical dos anos 60, com riffs de guitarra e solos inesqueciveis. No final do filme o som continua a vibrar nos ouvidos. E a nomeação parece mais que certa.
Dinossauros, gorilas gigantes, Naomi Watts aos gritos? Ondas do Oceano, carros destruidos no centro de Nova Iorque. É preciso mais para King Kong se perfilar entre os nomeados? Dificilmente!
O filme não é nada por aí além, mas em termos visuais é espantoso. O mesmo se passa na área sonora. Um excelente trabalho da equipa ás ordens de Steven Spielberg que deve dar a War of the Worlds uma das suas três prováveis nomeações.
Os sons da Natureza de uma América primitava ou de uma batalha de há séculos atrás. É a base do trabalho sonoro de The New World que se perfila como um forte candidato a ser nomeado. No entanto, a concorrência começa a apertar fora do leque dos três favoritos.
Munich continua a passar a ideia que é um rival a abater em todas as categorias. Esta última vaga irá disputá-la, taco a taco, com Memoirs of a Gueisha e The Producers. Mas para já, Spielberg parece imbativel.
QUEM TAMBÉM PODE SER NOMEADO
- Memoirs of a Gueisha
- The Producers
- Chronicles of Narnia
- Harry Potter and the Goblet of Fire
- Jarhead
MELHOR EFEITOS SONOROS



Numa corrida a três, é habitual encontrar aqui reunidos os blockbusters do ano. Mas em 2005 houve filmes a mais para tão poucas vagas. Mesmo assim o capitulo final de Star Wars - The Revenge of the Sith, parece certo na lista de nomeados. Uma despedida em grande numa categoria que já valeu a George Lucas três nomeações, mas nenhuma vitória.
King Kong continua a ser um dos mais fortes candidatos a arrecadar o prémio, na medida em que Peter Jackson é já um habitué nesta categoria. No entanto, apesar do seu aparente favoristismo, tem um forte rival em Narnia.
Entre War of the Worlds e Batman Begins decide-se a terceira e última vaga. Se a Academia estiver numa de distribuir os males pelas aldeias, o filme de Christopher Nolan pode conseguir aqui a sua única nomeação. Se tudo correr como o previsto, é War of the Worlds quem fica com a vaga.
QUEM TAMBÉM PODE SER NOMEADO
- Batman Begins
- Chronicles of Narnia
- Harry Potter and the Goblet of Fire
EM SETEMBRO O CENÁRIO ERA ESTE
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:42 AM | Comentários (0)