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dezembro 31, 2005

O HOLLYWOOD DESEJA...

UM ÓPTIMO 2006....

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Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:59 PM | Comentários (2)

Hollywood Film Awards 2005 - Melhor Filme

E chegamos ao fim. Tudo se resume a isto. Afinal, de tantos e tantos filmes que estrearam em Portugal no ano que acaba daqui a alguns minutos, qual foi o melhor. E porquê? Por ter mexido connosco. Por ser tecnicamente perfeito? Por contar uma história inesquecivel. Por ter actores como mais nenhum outro filme teve? Sim, por tudo isto e muito mais, o Melhor Filme de 2005 é...

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MILLION DOLLAR BABY

Era evidente que só este filme poderia levar os louros de melhor filme do ano. Porque mais do que melhor filme do ano, Million Dollar Baby é um filme para toda a eternidade. Uma pequena mas inesquecivel história de amor, sacrificio, amizade e perda, filmada de uma forma absolutamente genial por Clint Eastwood, e com desempenhos de luxo de um trio de actores que ficará para sempre na memória de quem assistiu o filme.
Mais do que os óscares, prémios da critica ou bilhetes vendidos, Million Dollar Baby destaca-se de todos os outros filmes deste ano por ter entrado directamente no Olimpo das obras-primas, um lugar onde será adorado para todo o sempre por todos aqueles que vivem a 7º Arte.

2º - King Kong

O filme original foi um marco numa era onde o cinema fantástico nunca tinha visto nada igual. Este King Kong é igualmente uma obra-prima, mesmo para uma era habituada a CGI e personagens animadas. King Kong é genial, acima de tudo porque é humano, emotivo e espantosamente criado do sonho de infância de um cinéfilo chamado Peter Jackson. Uma história de amor de um homem por um filme, de um gorila gigante por uma jovem, uma história de amor que nos toca a todos, e que tem alguns dos maiores planos dos últimos anos. Porque King Kong é uma obra inesquecivel!

3º - Closer

O cinema de actores não é uma especie em vias de extinção, mas cada vez mais os realizadores trocam os truques com a camara, os cenários exóticos ou gerados a computador, por um filme onde cabe aos actores tomarem conta das operações. Closer é um filme de actores. Um filme onde os actores brilham como há muito não se via. Um filme que se vê, vezes sem conta, e que nos continua a surpreender. Uma experiência como não houve outra igual em 2005. Uma obra intemporal!

4º - Sideways

O cinema independente é o melhor que os Estados Unidos podem mostrar ao mundo, face à decadência progressiva da indústria. E ainda bem que há um "Plano B" com esta qualidade. A geração de jovens autores, da qual Alexander Payne faz parte, é talentosa, imaginativa e faz filmes de uma maneira original e extremamente interessantes. Sideways é a última prova deste novo sopro do cinema da terra do Tio Sam. Um filme que todos deviam ver, pelo menos uma vez na vida!

5º - Alice

O cinema português está em crise desde que nasceu. É dos mais atrasados da Europa e no entanto ninguém se parece preocupar. Felizmente há jovens autores que escapam ao marasmo nacional e que de vez em quando surpreendem. Mas nenhum conseguiu surpreender tanto como Marco Martins.
O seu Alice é uma história brutal, pincelada em traços reais, vivida com uma paixão avassaladora, um retrato negro de um mundo onde todos se cruzam com todos, mas onde ninguém conhece ninguém. Alice não é a salvação do cinema português, até porque o público acaba sempre por preferir filmes como O Crime do Padre Amaro. Mas é a prova de que não é por falta de talento que Portugal tem cinema com "C" grande.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:10 PM | Comentários (0)

Hollywood Film Awards 2005 - Melhor Realizador

Há o argumentista que prepara o terreno. Os actores que dão vida à história. Os técnicos que ultimam os últimos pormenores. Mas o lider da equipa, o responsável máximo, quer corra bem quer corra mal, é o realizador. E em muitos dos casos, é ele também a alma do projecto. Em 2005 houve muitos cineastas que se destacaram pela positiva. Estes foram os cinco mais do ano...

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CLINT EASTWOOD

O titulo "último dos clássicos" acenta-lhe que nem uma luva porque, acima de tudo, Clint Eastwood é o único realizador em actividade que se pode dar ao luxo de se comparar aos clássicos, aos maiores de sempre. Hoje Eastwood é um nome ao nivel de um Ford, Wilder, Capra, Hitchcock, Murnau, Lang, Rossellini ou Renoir, um verdadeiro mito vivo. Os seus filmes são verdadeiras obras de arte, tal é a sua beleza e a sua profundidade humana.
Million Dollar Baby é apenas o último exemplo, talvez o melhor, da genialidade deste autor norte-americano capaz de criar com uma sensibilidade que muitos outros conceituados realizadores em actividade nem sonham em conseguir. Eastwood é o maior realizador em actividade e a última ponte para um mundo que não voltará!

2º - Peter Jackson

Quando começou a carreira no cinema gore, poucos davam alguma coisa por este cineasta australiano. Heavanly Creatures já era um passo na direcção certa, mas foi a trilogia Lord of the Rings - a mais espantosa trilogia da história do cinema - que o consagrou como um dos maiores realizadores em actividade. Faltava o teste seguinte, fora da Terra Média como seria Jackson?
King Kong tirou todas as dúvidas que pudessem existir sobre a genialidade de Jackson. Um filme bigger than life, um verdadeiro épico dos tempos modernos, talvez o melhor remake da história do cinema. E Jackson subiu definitivamente ao Olimpo dos grandes realizadores do cinema fantástico, ao lado de gigantes como George Lucas.

3º - Alexander Payne

É o representante do cinema indie em ascensão, graças a jovens autores como ele, Sofia Copolla, Wes Anderson ou Paul Thomas Anderson.
O seu Sideways é a prova viva de que a ainda há muita imaginação no cinema norte-americano. É preciso é procurar nos locais certos. Payne é um realizador extremamente competente e inventivo, e o seu futuro parece estar definitivamente assegurado.

4º - Fernando Meirelles

O seu Cidade de Deus foi um murro no estomago há três anos atrás. Fez o mundo perceber que havia cinema na terra das telenovelas de uma forma que poucos imaginavam poder ser real. E Fernando Meirelles tornou-se numa estrela. Daí terem pegado nele, enviando-o para África onde teria de filmar uma história de amor post-mortem de de vingança, escrita por um dos mais aclamados escritores britânicos. Meirelles manteve a fleuma britânica, acrescentou-lhe pózinhos de terceiro mundo e fez de The Constant Gardener um dos filmes do ano. E confirmou assim tudo o que se esperava dele. Meirelles pode muito bem ser o futuro!

5º - Marco Martins

Um dos principais problemas do cinema português é a falta de ideias. Outro é o facto de serem sempre as mesmas caras, sempre com os mesmos probelmas, a filmarem em Portugal. Marco Martins remou contra a corrente. Fez de Alice uma obra admirada em meio mundo, uma verdadeira obra-prima do cinema nacional, e fe-lo de forma despretenciosa, mas com enorme talento. Mais do que uma promessa do cinema português, Martins é uma promessa do cinema mundial!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:50 PM | Comentários (0)

Hollywood Film Awards 2005 - Melhor Actor

Suceder a Johnny Depp não é tarefa fácil, mas num ano como 2005 o dificil está na escolha. Foi acima de tudo um ano recheado de desempenhos memoráveis dos mais diversos actores. Seria dificil fazer um top15, quando mais escolher os cinco melhores. Entre filmes inesqueciveis e performances que dificilmente voltaremos a encontrar, aqui ficam os cinco melhores actores de 2005.

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CLINT EASTWOOD

Não se pode comparar o talento de Eastwood atrás e à frente da camara. Como realizador é um dos melhores de todos os tempos. Como actor é muito bom, mas sem nunca ter atingido a genialidade. No entanto, em Million Dollar Baby ele está quase lá. O seu desempenho no filme que dirige é fulcral para entender a história, para entender o próprio Eastwood. Mais do que perpetuar o mito do "Eastwood-durão", o seu desempenho mostra-nos um outro Clint, como há muito não viamos. Sem tiques, sem exageros, com a sobriedade do costume, não houve melhor desempenho em 2005.

2º - Javier Bardem

Alexander Payne chamou-o de "maior actor do mundo". Apesar do exagero (ou talvez não), a verdade é que Javier Bardem é um actor fabuloso, capaz de se superar a cada ano que passa. Foi o que aconteceu com Mar Adentro, filme onde está 95% do tempo deitado, mas onde, mesmo assim, tem mais expressão, mais garra, mais presença do que muitos actores em constante movimento. Se o filme de Amenabar é um dos grandes filmes dos últimos tempos, é-o muito por causa do talento inesgotável de Bardem, seguramente, um dos maiores actores do mundo!

3º - Jamie Foxx

Venceu o óscar e quase todos os prémios que foram atribuidos no final do ano passado. E tudo isto pelo seu desempenho memorável como Ray Charles no biopic Ray. O grande trunfo de Foxx foi o de ter imitado Charles na perfeição, em todo os tiques, expressões, movimentos e pormenores, de forma a tornar-se realmente no próprio musica que encantou gerações. Entre o representar e o imitar está uma fronteira muito ténue que Jamie Foxx soube explorar de forma soberba, conseguindo um desempenho de uma vida e seguramente, um dos melhores papeis do ano.

4º - Paul Giamatti

2005 é realmente o ano da confirmação - se é que era preciso qualquer confirmação - do enorme talento deste actor, que teima em não querer ser confundido com uma estrela. E ainda bem, porque Giamatti está completamente fora do sistema. Dentro e fora dos filmes. Em Sideways é um neurótico quarentão em plena crise de meia idade, mas é também um profundo conhecedor de vinhos e um homem à procua do verdadeiro amor. Um papel cheio de explosões e com grande carga emotiva, mas também comica, que faz de Sideways um filme delicioso, e de Giamatti, um nome cada vez mais obrigatório!

5º - Nuno Lopes

O cinema português está finalmente de parabens. O desempenho de Nuno Lopes em Alice está ao nivel do melhor que se faz lá fora. Aliás, fosse Nuno Lopes norte-americano e Marco Martins, sei lá, inglês, e certamente que já se estaria a falar em óscares para o actor de 26 anos. A sua contenção dramática é assustadoramente convincente, e Nuno Lopes é mais do que uma das grandes revelações do ano. É igualmente um dos actores em maior destaque no panorama cinematográfico europeu. Para ele Portugal já é demasiado pequeno!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:35 PM | Comentários (0)

Hollywood Film Awards 2005 - Melhor Actriz

Divas do cinema, veteranas actrizes do teatro, jovens lobas, mulheres guerreiras ou donas de casa desesperadas. É entre este leque que encontramos os melhores desempenhos de actrizes no ano que agora termina. Um ano que pode ter sido pobre, para muitos, mas que mesmo assim conseguiu ter as suas pérolas. E a melhor actriz de 2005 foi...

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ANNETTE BENNING

Poucos viram Being Julia, mas aqueles que o foram ver, sairam certamente da sala com a ideia de que desempenhos como aquele que Annette Benning exibe, já não há muitos. São desempenhos de outras eras, cheios de garra, força e muita imaginação, a lembrar as grandes divas do passado. Sem qualquer ponto fraco, com uma presença capaz de suster aos ombros o peso do filme, Benning é sem dúvida, a actriz de 2005.

2º - Hillary Swank

Se Benning foi a actriz de 2005, Swank foi certamente uma segunda classificada melhor que muitas primeiras classificadas noutras listas, noutros anos. Depois de ter-se revelado ao mundo em Boys Don´t Cry, e de alguns anos de interregno, Hilary Swank volta a mostrar o porquê de ser uma das mais talentosas actrizes do momento. Em Million Dollar Baby tem um desempenho de total despojamento, grande garra, digna de uma verdadeira guerreira como não há mais no cinema actual.

3º - Imelda Staunton

Os mais distraidos lembram-se dela como uma cariacata actriz secundária nas produções dos anos 90. Os amantes do teatro britânico conhecem-na bem. Mike Leigh fez o favor de a apresentar ao mundo e o mundo agradece. Imelda Staunton é Vera Drake. Não só a personagem mas o próprio filme. Um desempenho cheio de naturalidade e contenção, como poucas actrizes conseguem. Depois do overacting de Blythe Danner, o cineasta britânico dá a conhecer ao mundo o under acting da talentosa Imelda Stauton.

4º - Joan Allen

Uma das mais talentosas e mal-amadas actrizes do cinema norte-americano. Desde há muitos anos que se assume claramente como uma actriz diferente da maioria, com uma enorme garra na forma como encara as suas personagem. Em The Contender foi do melhor que se viu nos últimos anos. Em The Upside of Anger é uma dona de casa desesperada, vivida na perfeição. Um desempenho que mistura humor e drama de uma forma bem combinada por uma actriz que tem de ser levada mais a sério. Para já, fica a performance. O resto, virá depois!

5º - Kirsten Dunst

Houve muitos desempenhos de actriz dignos de serem falados em 2005. De Watts a Paltrow, de Kidman a Johanson. Mas a verdade é que nenhum deles teve a originalidade e a frescura do trabalho de Kirsten Dunst em Elizabethtown.
Ela é como um anjo caido do céu, num papel que poderia ter sido extremamente irritante nas mãos de uma outra actriz qualquer, ela consegue tornar-se numa autêntica mulher de sonho, sem no entanto perder a sua própria identidade. Um trabalho que se destaca dos demais no filme de Crowe, e que ajuda a relançar a carreira de Dunst, que desde The Suicide Virgins andava um pouco por baixo.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:20 PM | Comentários (0)

Hollywood Film Awards 2005 - Melhor Actor Secundário

O cinema norte-americano especializou-se em ter um conjunto de actores secundários de um talento que muitas vezes superava o das próprias estrelas. Essa cultura nunca existiu muito na Europa ou no continente asiático, mas a verdade é que há desempenhos secundários, todos os anos, que nos fazem questionar o porquê deste ou aquele nome não serem já estrelas do tamanho do mundo. Em 2005 o top5 dos melhores papeis secundários por um actor foram...

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CLIVE OWEN

É o actor de 2005. Depois de ter dado nas vistas num anuncio publicitário, mas também em filmes como Gosford Park, a verdade é que o desempenho de Clive Owen em Closer (e também, mas numa escala infinitamente menor, em Sin City), fizeram dele um dos maiores actores em actividade. Recusou o papel de 007, tem uma serie de projectos para os próximos anos, e tem tudo para vir a ser um dos "grandes". Para nós, fica a memória de um desempenho a todos os titulos inesqueciveis no filme de Nichols.

2º - Paul Giamatti

Teve este ano dois papeis inesqueciveis, mas que não são novidade para quem acompanha a sua carreira há meia dúzia de anos para cá. Em Cinderella Man, esse notável filme de Ron Howard que o público preferiu não ver, o seu desempenho como agente e treinador do boxeaur James Bradocck é verdadeiramente capriano. Por momentos, Giamatti convence-nos que é uma personagem real, e que se o encontrassemos nas ruas de Nova Iorque em 1933, ele seria exactamente igual. Nunca um ano em que o boxe reinou na 7º arte, Paul Giamatti foi o valete de honra.

3º - Morgan Freeman

Quinze anos depois, o óscar. Foi o culminar da carreira de um dos maiores actores de sempre do cinema norte-americano, uma autêntica lenda viva de Hollywood. Morgan Freeman é espantoso, como sempre, mas de uma forma tranquila e muito própria de brilhar em Million Dollar Baby. A sua voz de narrador é única, o seu desempenho também, o último lugar do pódio, totalmente merecido!

4º - Thomas Haden Church

Foi uma das mais agradáveis surpresas do ano. Um actor praticamente desconhecido que, de repente, coloca meio mundo a rir com as suas loucuras. Tudo por um rabo de saios diria Haden Church que é o contraponto perfeito para Giamatti em Sideways. Um excelente desempenho, num grande filme, e a confirmação de que este é um dos claros casos de valor do cinema de Hollywood.

5º - Vince Vaughn

Neste último lugar poderia estar muita gente. Mas fugindo aos lugares comuns, ao premiar aos mesmas performances ou as mesmas caras, ano após ano, o lugar vai direitinho para as mãos de Vince Vaughn, provavelmente um dos maiores comediantes do cinema norte-americano da actualidade, um actor com um talento gigantesco, à espera dos papeis certos para o confirmar. Em Be Cool deu um ar de sua graça, mas é em Wedding Crashers que rouba o filme, a tudo e a todos, assinando uma performance memorável!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:06 PM | Comentários (0)

Hollywood Film Awards 2005 - Melhor Actriz Secundária

Porque um filme só com estrelas não resulta. Porque muitas vezes os papeis secundários são fulcrais para se compreender uma história. Porque há momentos inesqueciveis, que não cabe ás grandes vedetas encarnar, os actores secundários são peça fulcral na concepção de um filme. As cinco melhores actrizes secundários deste ano foram...

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NATALIE PORTMAN

Surgiu como uma autêntica lolita em Leon, já lá vão mais de dez anos. Pelo meio já esteve no mundo de George Lucas. Agora é uma das grandes actrizes norte-americanas. Tudo isto, com apenas 24 anos.
O ano de 2005 não lhe poderia ter corrido melhor. Os seus desempenhos em Garden State, e, essencialmente, em Closer, valeram-lhe as maiores distinções da critica, prémios, e uma gigantesca legião de fãs. Quem a conhecia, certamente que não está surpreendido com o valor de Portman. Afinal, o futuro é dela!

2º - Rachel Weisz

É uma das rising stars do cinema britânico. Sem o glamour ou beleza cosmética de muitas das suas concidadãs que começam a dar cartas, o desempenho de Rachel Weisz em The Constant Gardener provou que ela é uma das melhores actrizes do momento. A critica já se rendeu, os prémios poderão vir a caminho, mas o que fica aqui é a certeza de que o futuro será extremamente risonho para uma actriz que já deu provas do seu enorme talento.

3º - Cate Blanchett

Venceu o óscar, de forma injusta é certo, mas isso já quis dizer que o mundo esteve atento à forma como encarnou Katherine Hepburn. A maior actriz de sempre da história do cinema foi representada com alguns tiques, é certo, com pouco à vontade, mas em traços gerais o desempenho de Blanchett foi de uma enorme competência. Um dos melhores trabalhos de suporte no ano que agora finda.

4º - Diane Keaton

Continua a ser uma das grandes actrizes da actualidade, mesmo quase trinta anos depois do óscar em Annie Hall. O seu papel em The Family Stone é pequeno - talvez pequeno de mais para alguém tão grande - mas acima de tudo, é de um savoir faire a toda a prova. Competência, talento, à vontade e genialidade, tudo isto condensado deu uma das performances mais arrebatadoras de 2005.

5º - Kerry Washington

Ray é um filme de um só homem. Errado! Ray, é um show de Jamie Foxx, mas entre os nomes secundários por detrás do actor multi-galardoado, destaca-se claramente o de Kerry Washington, como sua acompanhante musical e também sua amante. Um desempenho cheio de garra, emoção e dor, do melhor que se viu este ano, e que é a prova que, se espreitarmos bem para lá da superficie, encontramos algumas pérolas preciosas onde menos esperavamos.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:55 PM | Comentários (0)

Hollywood Film Awards 2005 - Melhor Elenco

Um filme não é só um desempenho. É um conjunto de várias performances, entre actores secundários e principais, entre veteranos e inexperientes. Num cinema que privilegia os actores, o elenco é a chave para o sucesso. Em 2005 tivemos vários exemplos disso mesmo. E o melhor elenco do ano pertence a...

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CLOSER

Quatro actores. Um filme. Natalie Portman, Clive Owen, Jude Law e Julia Roberts brilham como nunca o fizeram nas suas carreiras neste filme inesquecivel de Mike Nichols. E neste caso, são eles quem faz o filme numa sucessão avassaladora de diálogos arrasadores, com personagens encarnadas na perfeição. Há muito tempo que não se via um elenco assim!

2º - Million Dollar Baby

Clint Eastwood gosta de cinema de actor porque ele próprio já foi um dos grandes actores do cinema norte-americano. A sua mais recente pérola conta com uma trindade inesquecivel, com Eastwood entre Hilary Swank e Morgan Freeman. O filme tem mais actores é certo, mas entre estes três há uma quimica que ajudam a fazer de Million Dollar Baby um filme para todo o sempre!

3º - Sideways

Se About Schmidt era um one-man-show, Sideways é um filme de equipa onde a estrela mais cintilante, Paul Giamatti, não existe sem os restantes elementos do elenco. Thomas Haden Church, Virginia Madsen e Lucy Liu estão em notável forma, e juntos, os quatro actores ajudam a fazer desta tragicomédia de Alexander Payne um filme obrigatório.

4º - The Life Aquatic of Steve Zissou

Os filmes de Wes Anderson são geniais, porque o cineasta adora trabalhar com actores talentosos, capazes de desaparecerem e aparecerem conforme a história o exija. De Royal Teenembauns para The Life Aquatic of Steve Zissou, o realizador promoveu Bill Murray - mantendo o seu registo de Lost in Translation - e manteve Owen Wilson e Anjelica Houston. Juntou-lhes William Dafoe, Jeff Goldblum, Cate Blanchett e Seu Jorge, e fez do filme uma história única, que só ele saberia contar.

5º - Sin City

O filme é um espanto em termos visuais, provavelmente uma das obras mais marcantes dos últimos tempos. Mas ajuda ter um elenco recheado de estrelas, em grande forma. De Bruce Willis a Mickey Rourke, de Clive Owen a Benicio del Toro, sem esquecer as senhoras Jessica Alba, Rosario Dawson, Jaime King ou Brittany Murphy, metade do sucesso de Sin City deve-se ao seu elenco, capaz de nos convencer que o universo criado por Frank Miller, e transportado para o cinema por Robert Rodriguez, é realmente do outro mundo.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:43 AM | Comentários (0)

Hollywood Film Awards 2005 - Actor Mais Promissor

Se com as actrizes ás vezes basta ter uma cara bonita ou um corpo interessante para dar nas vistas, os jovens actores têm de se afirmar de outra forma. Pela sua postura, pela forma como olham a camara, pelo método de interpretação que utilizam. Do minimalismo underacting até a alguns momentos verdadeiramente explosivos, é nestes registos que encontramos as grandes revelações masculinas de 2005. Entre elas, a que mais se destacou foi a de...

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NUNO LOPES

O seu desempenho é Alice é verdadeiramente algo do outro mundo. De um minimalismo estarrecedor a alguns momentos de explosão emocionais como há muito não se via, o actor português é hoje um claro exemplo de talento puro no cinema europeu. Jovens actores europeus de talento há muitos (Brulh, Duris, Garrell, ..). Agora, há um nome português na constelação.

2º - Cillian Murphy

Em Red Eye, este irlandês consegue ser um vilão inesquecivel. Já tinha "treinado" para o trabalho em Batman Begins, e estamos todos curiosos para o ver em versão feminina no filme Breakfast on Pluto´s. É a next big thing em clara ascensão, um actor imenso, cheio de potencial e de talento. Um nome revelado agora, mas que depressa se tornará num actor obrigatório!

3º - Topher Grace

Já o conheciamos da televisão, mas no cinema tem muito mais presença e carisma. O seu desempenho no filme In a Good Company diz tudo sobre o seu futuro: um actor com enorme à vontade, sentido de humor e presença em cena é um actor a seguir. P.S. também ajudou a confirmar tudo o que se suspeitava. Spiderman3 irá mostrar o outro lado de Topher Grace e as expectativas estão em alta. Veremos o que faz o novo menino-prodigio!

4º - Zach Braff

Outro jovem talento que vem da televisão, mas que este ano se destacou mais pelo seu talento como realizador e argumentista. No entanto o seu desempenho em Garden State é igualmente ilustrador de que este é um homem dos sete oficios claramente. Um pouco de underacting, misturados com grande sentido de presença, e muita imaginação, e aqui temos a combinação perfeita para que Zach Braff seja uma das figuras de 2005.

5º - Anthonny Mackie

Spike Lee sempre teve um talento especial para encontrar jovens talentosos. O jovem Antohnny Mackie parece ser mais um caso de sucesso nesta pesquisa de jovens pepitas douradas. A sua performance em She Hate Me é de um actor com uma maturidade incrivel. Também o vimos em Million Dollar Baby e ao que tudo indica vamos vê-lo mais vezes nos próximos anos.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:32 AM | Comentários (0)

Hollywood Film Awards - Actriz Mais Promissora

Porque escolher os melhores é algo relativo, vale a pena pensar nos "melhores" do futuro e tentar perceber que jovens promessas nos trouxe 2005. Entre actrizes já com alguns filmes no curriculum mas que só agora aparecem ou nomes que começam mesmo agora a dar os primeiros passos, 2005 foi um ano fértil em estrelas promissoras. A actriz mais promissora de 2005 é...

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RACHEL McADAMS

É a mais recente aquisição da cintilante constelação de estrelas de Hollywood. Já a tinhamos visto em pequenos papeis em Mean Girls ou em The Notebook no ano passado, mas 2005 é definitivamente o ano Rachel McAdams. Com excelentes desempenhos em três filmes completamente distintos: Wedding Crashers, Red Eye e The Family Stone, a jovem beldade canadiana afirma-se definitivamente como um diamante em bruto que certamente dará muito que falar nos próximos tempos. É sem dúvida alguma uma das mais talentosas jovens actrizes a surgir nos últimos anos.

2º - Kerry Washington

Já tem 28 anos, mas só agora é começamos a perceber o real valor desta excelente actriz. Entre Ray, She Hate Me, Mr and Mrs Smith ou Fantastic Four, este foi um ano onde Kerry Washington parecia estar em todo o lado. Sempre em grande estilo. A actriz nascida no Bronx afirma-se definitivamente como um valor a ter em conta, e depois de um ano como este será dificil não imaginá-la em papeis mais exigentes.

3º - Catalina Sandino Moreno

24 anos e estreia absoluta na 7º arte, e logo com um papel que lhe valeu a nomeação ao óscar. Não podia ter começado melhor a carreira desta jovem actriz colombiana. O seu papel em Maria Full of Grace já tinha conquistado Sundance, acabando depois por impressionar todo o mundo, fazendo dela uma clara rising star. Para os próximos anos já há projectos, e o seu nome começará a ser um habitué de alguns dos realizadores mais desejados de Hollywood. Wait and see!

4º - Lynn Collins

Com 26 anos e um curriculum sem grandes titulos, foi o desempenho em The Merchant of Venice que chamou a atenção para esta jovem actriz do Texas. Um notável desempenho aliás, dos melhores que se viram este ano, e que deixam antever que Lynn Collins será certamente um nome a ter em atenção para o futuro.

5º - Alexis Dziena

Com apenas 21 anos esta jovem actriz nova-iorquina já mostrou que é capaz de tudo para impressionar. Que o diga Bill Murray que a encontrou de forma despudorada em Broken Flowers. Um papel pequeno, extremamente hardocore mas que deixou a impressão de ser uma mina por explorar no futuro. A sua filmografia não é das mais impressionantes..agora, porque mais tarde talvez seja!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:18 AM | Comentários (0)

Hollywood Film Awards 2005 - Melhor Argumento

A base de um filme é o seu argumento, a história que se propõe contar. Pode ser um drama, uma comédia, um filme minimalista ou uma tomada de posição, mas sem argumento não haveria cinema. A sua importância é fulcral, cada vez mais numa época onde as ideias começam a faltar. O melhor argumento de 2005 é...

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MILLION DOLLAR BABY

Escrito por Paul Haggis, adaptado de um pequeno conto descoberto por acaso, Million Dollar Baby é uma das mais espantosas histórias que o cinema contou. O drama de uma jovem norte-americana que faz tudo para conseguir alcançar o seu sonho, ser boxeur, e que acaba por perder tudo o que tinha, incluindo a vida, foi a base para a mais recente obra prima de Clint Eastwood. Um argumento absolutamente sem falhas, digno de uma tragédia grega, mas contado como se fosse uma história de embalar. Soberbo!

2º - Closer

Patrick Marber escreveu a peça que durante alguns meses encantou os palcos londrinos. Mike Nichols levou-a para o grande ecrãn, fazendo de Closer um filme inesquecivel. Quatro personagens vão-se cruzando, mexendo na vida uns dos outros, em busca de amor, sexo e traição. Com frases fortissimas e diálogos inesqueciveis, esta é uma das melhores adaptações de sempre de teatro ao cinema.

3º - Sideways

Jim Taylor e Alexander Payne continuam a ser uma das duplas mais originais e inventivas entre os escribas norte-americanos. O seu último filme - que lhes valeu mesmo o óscar - Sideways, é uma brilhante comédia negra sobre a forma como a crise de meia idade afecta, de maneira diferente, dois homens. Um prestes a casar-se e outro perdido na vida. Entre vinho, conversas e sexo, Sideways é uma pérola inesquecivel deste ano que termina.

4º - The Life Aquatic of Steve Zissou

Foi o primeiro argumento que Wes Anderson escreveu sem Owen Wilson, mas é provavelmente o seu melhor até hoje. O jovem autor faz uma homenagem a Jacques Costeau neste The Life Aquatic of Steve Zissou com um Bill Murray inesquecivel, Bowie à portuguesa e alguns dos melhores planos do ano. Uma história que parece não ter sentido até que ganha sentido. Um filme memorável.

5º - Crash

Paul Haggis abre e fecha a lista dos cinco melhores argumentos de 2005. É de facto um dos argumentistas em melhor momento de carreira por esta altura. Crash - filme que realiza também - é um cruzar de pessoas no melting pot que é Los Angeles, onde o racismo é o pano de fundo para se conhecer melhor os individuos que estão por detrás das mascaras que cada um tem, ou seja, por detrás de cada raça. Uma obra profundamente humana!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:05 AM | Comentários (0)

Hollywood Film Awards - Melhor Banda Sonora

Longe vão os dias do cinema sem música. Hoje era impossivel ver muitos filmes sem o acompanhamento sonoro. Mais, há filmes que quase se podem ver de olhos fechados, tal é a qualidade da banda sonora. Seja ela feita por compositores ou resulte da compilação de temas inesqueciveis, as bandas sonoras são hoje fundamentais. Em 2005, a melhor banda sonora foi a do filme...

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ELIZABETHTOWN

Cameron Crowe é um wonderboy e todos sabem isso. Mas quem começa a sua carreira a escrever para a Rolling Stone com 14 anos, tem claramente um "ouvido" muito especial. Em Elizabethtown isso nota-se mais do que em qualquer outro filme seu. Ao som de Tim e Jeff Buckley, mas essencialmente, de Ryan Adams, Elizabethtown tem uma das melhores bandas sonoras dos últimos anos. Absolutamente genial!

2º - King Kong

O filme de Peter Jackson é um espectáculo visual a todos os niveis, mas a banda sonora que James Newton Howard compôs para Jackson é igualmente avassaladora. Não sabemos como seria a que Howard Shore estava a planear, mas seria dificil ombrear com uma composição sonora deste nivel. Com todos os ingredientes certos, na hora certa, ajuda a fazer deste filme, um filme verdadeiramente inesquecivel.

3º - Mar Adentro

É um grande filme este Mar Adentro de Alejandro Amenabar. Alicerçado numa história veridica e numa performance inesquecivel por Javier Bardem, o filme tem também uma banda sonora de sonho. Composta pelo próprio Amenabar, qual menino prodigio, é de uma beleza que só encontra paralelo na força de viver de Ramon Sampedro. Inesquecivel!

4º - Million Dollar Baby

Sempre cuidadoso em todos os detalhes, Clint Eastwood não deixa nada por menos e é o responsável - a par do filho Kyle Eastwood - da banda sonora de Million Dollar Baby. Tal como o filme, a composição sonora é delicosa no detalhe, na perfeição e harmonia que estabelece com as imagens. Um dos melhores trabalhos da carreira de Eastwood.

5º - Alice

Bernardo Sassetti compôs para Alice aquela que é, talvez, a melhor banda sonora de sempe da história do cinema português. Cada nota doi na alma, cada momento é uma fusão perfeita do desespero dos personagens com a própria musica, melancólica, intimsita, mas avassaladora. Trabalho perfeito de um notável compositor, e a prova de que por cá também se faz do bom e do melhor!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:22 AM | Comentários (1)

Hollywood Film Awards 2005 - Melhor Filme Animado

O cinema de animação é cada vez mais amado pelo público e apreciado pela critica. Saiu dum gueto onde se encontrava há muitos anos, tem hoje categorias próprias para premiar o que de melhor se faz no cinema de animação. E não para de nos surpreender. O filme animado de 2005 é...

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CORPSE BRIDE

Doze anos depois de Nightmare Before Christmas, o cineasta Tim Burton voltou ao cinema de animação. Num registo stop-motion, onde a ajuda por computador é pontual, Burton criou uma obra notável, com uma perfeição no desenho e um humor negro absolutamente deliciosos. Sob o som fantasmagórico de Danny Ellfman e com Depp, Bonham-Carter e Watson em excelente nivel, Corpse Bride é sem dúvida o filme de animação mais impressionante dos últimos tempos, e, claramente, o melhor de 2005.

2º - Wallace and Gromitt - The Where Rabit Curse

Os estúdios Aardman habituaram-nos ao sucesso com as curtas de animação de Wallace and Gromitt. Agora em longa-metragem, o estilo inconfundivel mantem-se, tal como a qualidade a que estavamos habituados. Nick Park faz um notável trabalho dirigindo esta animação stop-motion, e o resto é pura magia. Para todas as idades.

3º - Howl´s Moving Castle

Depois do notável Spirited Away, o nome de Hayo Miazaki tornou-se conhecido do grande público. Esperava-se muito do trabalho seguinte. Mas este Howl´s Moving Castle é quase um Spirited Away II, tal é a semelhança com o trabalho anterior. Não tira valor ao desenho e à forma como a animação é construida, mas metade da magia perde-se.

4 º - Madagascar

Seguindo o exemplo de antigos sucessos de animação, a Dreamworks tentou com Madagascar recuperar terreno para a Pixar. Não conseguiu, porque os filmes dos estúdios mais inventivos da actualidade não têm comparação, mas mesmo assim este filme é um bom ensaio. Bastante divertido, apontado declaradamente aos mais novos, é um entertenimento bem conseguido!

5º - Chicken Litlle

A Disney tem vindo a recuperar um pouco do atraso que cedeu nestes últimos anos. Chicken Little foi um passo nesse sentido. Um filme em alta, após experiências anteriores totalmente falhadas, que é divertido e consegue funcinar com diferentes públicos. Uma agradável experiência cinematográfica.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:10 AM | Comentários (0)

Hollywood Film Awards 2005 - Melhor Documentário

Foi um ano onde o documentário esteve em grande estilo. Vários titulos a estrear nas salas nacionaias, diferentes autores e formas de olhar o mundo. Dos documentários sobre a natureza aos trabalhos mais intimistas, 2005 foi um ano importante para o cinema documental. Entre eles o "grande campeão" é...

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LA MARCHE DE L´EMPEREUR

O filme que derrubou os blockbusters no Verão norte-americano, foi um simples documentário francês sobre uma saga natural, uma das maiores historias de amor criadas pela Natureza. A história dos pinguins imperador, contada de forma magistral por Luc Jacquet, com um notável trabalho fotográfico e uma banda sonora inesquecivel, a que se junta a narração quase "divinal" de Morgan Freeman, fizeram deste documentário um sério caso de sucesso.

2º - Grizzly Man

Werner Herzog consegue com este Grizzly Man provar mais uma vez toda a sua excelência como documentarista. Um filme que é mais um filme sobre o Homem do que sobre a Natureza, aborda uma história real de um activista que passou a vida a proteger uma população de ursos selvagens, acabando, tragicamente, por morrer ás suas mãos. A tragédia humana descrita de forma extremamente subtil num dos bons filmes de 2005.

3º - Inside Deep Troath

Deep Troath foi um grande sucesso nos anos 70. Inside Deep Troath quis saber o porquê do maior êxito pornográfico da história ter mexido tanto com a sociedade norte-americana. Um trabalho de retrospectiva, com paralelismos nos dias de hoje, e um bom exercicio sociológico, digno de uma menção honrosa neste final de ano!

4º - Tarnation

Jonathan Cauoette quis retratar a sua vida em filme. Desde a sua infância até hoje acompanhamos a formação da sua personalidade, com todos os condicionalismo que teve, desde muito novo, até aos problemas que encontrou, já na idade adulta. Um filme extremamente intimista de uma grande humanidade.

5º - Rize

David La Chapelle, o fotógrafo das estrelas, ficou apaixonado pelo clowning quando filmava um videoclip. Decidiu pegar na camara e fazer um documentário sobre o dia a dia de jovens de bairros degrados em Los Angeles, onde a dança e a musica conseguem substituir os gangs e o crime junto das comunidades mais pobres. Cheio de cores, musica e dinamismo, este é um filme que mostra que nem tudo é o que parece!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:00 AM | Comentários (0)

Hollywood Film Awards 2005 - Prémios do Público

Pela primeira vez os Hollywood Film Awards abriram as portas ao público. Coube a cada um de vocês votar nos favoritos do ano que hoje termina. A votação procurava saber o filme, realizador, actor e actriz do ano para os leitores do Hollywood. A votação foi concorrida e bastante renhida, mas com algumas surpresas. Aqui ficam então os vossos eleitos para 2005...

MELHOR FILME

MILLION DOLLAR BABY
(King Kong)

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O filme de Clint Eastwood conquistou os leitores do Hollywood este ano. Uma bilhante história de amor, amizade e sacrificio, feito de forma admirável por um cineasta cada vez mais reverenciado. Um filme tecnicamente perfeito, dramaticamente admirável e com um elenco de sonho. Uma escolha que ultrapassou por dois votos o mais recente trabalho de Peter Jackson, o filme King Kong.


MELHOR REALIZADOR

PETER JACKSON
(Tim Burton)

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O genial australiano voltou a fazer das dele. O seu mais recente filme - o primeiro pós a mitica trilogia Lord of the Rings - conseguiu superar expectativas, igualar a qualidade dos anteriores e conquistar mesmo uma audiência de cépticos. Os leitores do Hollywood votaram Jackson como o melhor realizador de 2005, curiosamente não à frente de Clint Eastwood, mas sim de Tim Burton, que pelas suas duas obras - Charlie and the Chocolate Factory e Corpse Bride - ficou apenas a um voto do australiano.

MELHOR ACTOR

JOHNNY DEPP
(Leonardo di Caprio)

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O actor que venceu em 2004 o prémio de Melhor Actor nos Hollywood Film Awards, pelo seu desempenho em Finding Neverland, e o actor eleito pelo público em 2005.
O seu desempenho como Willy Wonka em Charlie and the Chocolate Factory, e a sua voz em Corpse Bride, foram mais do que motivos para ter sido um vencedor praticamente unânime entre todos os que participaram. Popular, bem parecido e extremamente talentoso, Depp é hoje um dos actores mais amados do público. Atrás de si, a muitos votos de distância ficou o também popular Leonardo di Caprio, com os votos dos mais acérrimos amantes do seu desempenho em The Aviator.

MELHOR ACTRIZ

HILARY SWANK
(Jessica Alba)

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É a segunda vitória de Million Dollar Baby para o público do Hollywood, tal como tinha, curiosamente, acontecido com os últimos óscares. Também Hilary Swank foi considerada a alma do filme. O seu desempenho como Maggie Fitzgerald é um dos mais honestos e enternecedores dos últimos tempos, e Swank consolida-se assim como uma das grandes actrizes em actividade.
Face à grande lista de actrizes votadas, o segundo lugar acabou por parar, surpeendentemente -ou talvez não - nas mãos de Jessica Alba. Os seus desempenhos - e atributos - em Sin City, Into the Blue e Fantastic Four, valeram-lhe um lugar de honra, ela que é um dos nomes a ter em atenção para o futuro!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:54 AM | Comentários (0)

dezembro 30, 2005

2005 - E para o ano...

2006 será um ano marcante. Regressam nomes sonantes da história do cinema, chegam ás salas sequelas de sucessos recentes, e há ainda os novos e polémicos projectos de fim de ano de realizadores aclamados. Um ano que se prevê animado...

AS ESTREIAS

O ano vai, como é habitual, dividir-se em três estações. Uma primeira, até Abril onde estrerão todos os filmes de 2005 que só então chegarão ás salas nacionais. É o caso de Brokeback Mountain, Munich, Walk the Line, Good Night and Good Luck., Match Point, The New World, Capote, A History of Violence ou Memoirs of a Gueisha. Filmes aclamados que irão certamente marcar a temporada de prémios, que culminará a 5 de Março com a cerimónia dos óscares.
Entre Abril e Setembro teremos a habitual época dos blockbusters. Será a altura de vermos The Da Vinci Code, Superman Returns, X-Men 3, Sin City 2, 300 ou Pirates of the Caribbean : Dead Man´s Chest. Muitos filmes que têm criado expectativas junto do público e iremos seguir com atenção.
Por fim, como é habitual, o periodo Setembro-Dezembro será dividido entre os titulos de fim de ano - há o novo James Bond, mais um Harry Potter, Cars da Pixar - e os primeiros candidatos aos prémios de fim de ano, com destaque confirmado para Lady in the Water, All the King´s Men, The Departed ou Flags of Our Fathers.

OS EVENTOS

A cerimónia dos Globos de Ouro, a 17 de Janeiro, irá consolidar posições na corrida de prémios deste ano. Mas serão os óscares, a 5 de Março, que ditarão qual o filme do ano. Como é habitual, o Hollywood vai cobrir em directo tudo o que se passa nos Estados Unidos, mas também aqui, já que a 28 de Janeiro há a 2º Edição dos Lumiere.
Fevereiro é ainda a época do Fantasporto, tal como em Abril há o IndieLisboa. Maio levamo-nos até à Croisette, para mais um Festival de Cannes onde ainda não há titulos anunciados, mas onde se esperava ver o próximo filme de David Lynch. Por essa altura voltaremos ao CORTA, festival de curtas-metragens do Porto. Ao vazio do Verão sucedem-se os festivais de Veneza e Toronto, importantes para perceber o que o novo ano nos traz, e lá para o final de 2006 há mais prémios da critica americana, mais Felix e claro, os Hollywood Film Awards 2006 e a terceira edição dos Lumiere.

OS ACONTECIMENTOS

O regresso de 007 é um dos grandes destaques do próximo ano. Casino Royale começará a ser rodado em Janeiro em Praga e tem estreia agendada para Novembro. Antes disso teremos mais um filme polémico de Mel Gibson, agora dedicado à cultura maia: Apocalyptico.
Nomes de culto como M. Night Shyamalan, David Lynch, Clint Eastwood ou David Fincher estarão de regresso com novos trabalhos, e há também a seguir os próximos filmes de Sofia Copolla, Martin Scorsese, Spike Lee ou mais duas adaptações de Frank Miller ao cinema: 300 e a sequela de Sin City.
Em alta estará também o cinema de herois de banda desenhada americana com Superman Returns e X Men 3 a estrearem, enquanto que Spiderman3 e Batman Continues estarão em rodagem.

NOMES A SEGUIR

Depois da sua afirmação ou "explosão" nos últimos tempos, há nomes a quem convém estar atento em 2006. Poderão ser eles os cabeça-de-cartaz no final do próximo ano.
Daniel Craig tem o destaque obrigatório por ter nos ombros a responsabilidade de suceder a um dos mais amados 007´s da história, o irlandês Pierce Brosnan. Quem também tem de mostrar todo o seu valor é Brandon Routh, o novo Clark Kent, ou melhor, o novo Superman.
Gerard Butler será a estrela de 300 e de Boewful and Gretel, depois do bom trabalho em Phantom of the Opera, e Kirsten Dunst volta a trabalhar com Sofia Copolla em Marie Antoinette. O actor em destaque de 2005 tem agora em Denzel Washington um rival de peso. Resta saber como será Clive Owen nas mãos, tanto de Spike Lee, em Inside Man, como de Alfonso Cuaron, no filme The Descendent.
Bryce Dallas Howard, aclamada por The Village e Manderlay, volta a trabalhar com M. Night Shyamalan, e tem agora Paul Giamatti a seu lado. Martin Scorsese reuniu a tropa do costume - leia-se, Leonardo diCaprio - para o seu próximo filme, mas Paul Walker e Ryan Philiphe são alguns dos jovens em quem Clint Eastwood aposta para o seu próximo filme.
Entre os mais jovens actores há nomes a seguir com atenção.
Ryan Gosling estará em Che - o filme de Steven Soderbergh com Benicio del Toro e Javier Bardem sobre o mitico guerrilheiro argentino - e Zach Braff protagoniza The Last Kiss, filme com argumento do aclamado Paul Haggis.
Josh Hartnett e Scarlett Johansson são as estrelas de Black Dahlia de Brian de Palma, enquanto que Colin Farrell e Jamie Foxx estarão juntos na adaptação ao cinema do sucesso televisivo Miami Vice.


Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:46 PM | Comentários (5)

Cage no World Trade Center

Oliver Stone é claramente um realizador que gosta de correr riscos. A sua filmografia prova-o bem. Depois da hecatombe que foi Alexander, o polémico cineasta não quis jogar pelo seguro e apostou num projecto temerário que mexe com uma das maiores feridas do povo norte-americano: os ataques de 11 de Setembro.
World Trade Center, é este o sugestivo nome do filme, é a história de uma equipa de bombeiros que no dia do atentados entrou nas Torres Gemeas, colocando a própria vida em risco, para salvar o máximo de vidas possiveis.
A estrela do filme é Nicholas Cage, e o polémico filme, produzido pela Paramount, chegará no final do ano ás salas. Esta é a primeira imagem oficial de World Trade Center.
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Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:35 AM | Comentários (0)

dezembro 29, 2005

Crowe tem um bom ano!

A Good Year é o titulo de novo filme de Ridley Scott, com Russell Crowe no principal papel. O actor australiano será Max Skinner, um homem que vive a vida tranquilamente num castelo medieval francês, herdado do seu tio, onde cuida de uma vinha. A sua vida irá mudar quando a filha desaparecida do seu tio regressa, pronta a reclamar a sua herança, virando por completo a sua vida pacifica.
Adaptando o livro Peter Mayle, o filme estreará este ano, e marca a segunda colaboração entre Crowe e Scott. Esta é a primeira imagem oficial do filme.
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Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:27 PM | Comentários (0)

2005 - Os acontecimentos do ano

Um ano cinematográfico não é só feito de filmes. É feito de histórias reais, de feitos e factos. Desde o fim do sonho da Dreamworks aos mais polémicos casamentos e noivados, castings e problemas nas filmagens, o ano de 2005 foi rico em acontecimentos.

A Indústria

O sonho de Steven Spielberg chegou ao fim. Os prejuizos financeiros da companhia eram demasiados e o flop de The Island não ajudou. A Dreamworks Animation manteve a sua independência mas a compra da Viacom, que assim liga a Paramount à Dreamworks, termina com o último grande estúdio indie do cinema norte-americano.

Depois de se ter tornado numa das mais poderosas empresas de Hollywood, a Miramax foi adquirada pela Disney, e os seus fundadores, os irmãos Weinstein sairam para fundarem uma nova companhia a Weinstein Co. Uma noticia esperada, face aos problemas que já existiam entre ambas as partes, mas que criaram um vazio de poder num dos estúdios com maior projecção em toda a indústria de Hollywood.

Castings

O mais polémico e noticiado casting do ano coube directamente ao filme The Da Vinci Code. Contra todas as expectativas, Ron Howard apostou em Tom Hanks para viver o criptólogo Robert Langdon. Ao seu lado vai estar Audrey Tatou, e nomes como Jean Reno, Alfred Molina, Paul Bettany e Ian McKellan fazem igualmente parte do elenco que para o ano adaptará o maior best-seller mundial ao cinema.

A escolha de Daniel Craig para suceder a Pierce Brosnan como James Bond foi igualmente polémica. O casting durou um ano, periodo onde se colocou mesmo a hipótese de Brosnan continuar. Face ás recusas de Clive Owen ou Jude Law, a lista final, reduzida a quatro nomes praticamente desconhecidos do grande público, acabou por destacar o nome de Craig, que se torna assim no sexto 007 da história do cinema. Casino Royale será o seu baptismo de fogo.

Amores e Desamores

O casal que andou durante todo o ano nas bocas do mundo foi sem dúvida Brad Pitt e Angelina Jolie. Para além de estrearem Mr and Mrs Smith, os dois actores apaixonaram-se, levando assim a uma histeria quando Pitt anunciou que se iria divorciar da popular Jennifer Anniston. O casal é agora um dos grandes atractivos da vida social de Hollywood.

Quem também passou o ano nas nuvens foi Tom Cruise. O agora polémico cientologista, conheceu, apaixonou-se, engravidou e está prestes a casar com a jovem Katie Holmes. No inicio todos apontavam para uma clara manobra de marketing por parte de Cruise, mas aparentemente o amor estava mesmo no ar, e o casal continua tão unido como antes.

Obituário

Robert Wise : 1914 - 2005
Anne Bancroft : 1932 - 2005
Teresa Wright : 1918 - 2005

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:24 AM | Comentários (1)

dezembro 28, 2005

2005 - O Pior do Ano

É sempre dificil, incómodo até, apontar o pior de um ano, seja ele cinematográfico ou qualquer outra coisa. Porque há muitos "piores". Há aquilo que é mau, mas que foi criado sem ambição de ser bom. Há o que foi criado com essa ambição, mas falhou, e revelou-se algo pior do que deveria ser. E há também aquilo que não é necessariamente mau - até porque tudo é subjectivo no cinema - mas, ao desiludir expectativas, torna-se parte da lista dos piores. A lista que se segue, é pessoal, tem razões de ser, e não deixa de ser polémica. Mas estes foram os piores de 2005...

O Hollywood viu cerca de 150 dos 257 filmes que estrearam em Portugal durante 2005. A esmagadora maiora no cinema, e outros em dvd´s. O ano dividiu-se claramente entre os filmes produzidos em 2004, de grande qualidade, e os filmes feitos e exibidos já neste ano, a um nivel muito superior. Ficando muita coisa má de fora (e talvez algumas boas surpresas), fica aqui o top5 do que pior se viu no ano que agora termina.

PIOR É IMPOSSIVEL

Constantine
Foi uma das primeiras grandes estreias de 2005 nas salas nacionais. Trazia Keanu Reeves como John Constantine, um homem que caminhava entre a terra e os infernos, uma aclamada personagem de banda desenhada, aqui numa versão monolitica. Também tinha Rachel Weisz, no seu primeiro papel do ano, ela que conseguiria no entanto redimir-se lá mais para o fim de 2005. O filme, fraco a todos os niveis possiveis e imaginários, foi criado com alguma ambição, mas sem grande talento. O resultado final nunca seria muito diferente do que acabou por ser, um dos piores do ano.
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Bewitched

Nicole Kidman há muito que está fora de forma, e isso também se nota nos filmes em que vai entrando. Nem ao lado do divertido Will Ferrell ela consegue soltar-se, a ponto de viver uma das mais divertidas personagens da tv americana em Bewitched. O filme é uma versão fraquissima da serie televisiva e não há nada durante o seu periodo de exibição que demonstre o contrário. Um claro exemplo da total falta de ideias de Hollywood.
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The Legend of Zorro

Se esta lista tivesse ordem, que não tem, The Legend of Zorro lutaria pelo primeiro lugar. Algo inimaginável depois do agradável entertenimento do primeiro, com um sóbrio Anthony Hopkins e um hilariante Antonio Banderas em estilo. A sequela, The Legend of Zorro, é provavelmente um dos filmes mais estupidos alguma vez feitos. E se há filmes estupidos com piada, este nem isso consegue. Uma total falta de ideias, de ambição assustadores para uma equipa que tinha, nem mais nem menos que Martin Campbell ao leme e Antonio Banderas e Catherina Zeta-Jones no elenco. Verdadeiramente para esquecer!
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Arsene Lupin

Se lista houvesse, este seria o pior dos piores. O filme mais ridiculo, mais sem sentido, mais estupido de 2005. O facto de vir da Europa é uma mera curiosidade, porque por detrás da história de um dos maiores e mais sedutores ladrões da literatura europeia, está um filme tão mal feito, tão mal pensado, tão mal interpretado (exceptuando-se Roman Duris, sempre ele, no seu melhor) que dá vontade de sair da sala ao décimo minuto. Fica-se até ao fim, mas nunca se percebe porquê, já que o final consegue ser sempre, mil vezes pior que o inicio.
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O Crime do Padre Amaro

O cinema português esteve em alta em 2005. Mas também esteve muito em baixo. Para isso contribuiu este Crime do Padre Amaro, que com a obra de Eça Queiroz só tem semelhanças no titulo. Uma desculpa para duas horas de sexo, acção, sexo, mais sexo e hip-hop, numa narrativa sem sentido, perdida, recheada de personagens superficialissimas, e onde se nota que a base é, pura e simplesmente, o corpo de Soraia Chaves. Quando se faz um filme, tendo por base o corpo nu de uma mulher, das duas uma: ou é um filme pornográfico, ou é um filme muito mau. O Crime do Padre Amaro, anda lá pelo meio!
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MUITA AMBIÇÃO, FRACO RESULTADO

Lord of War

Andrew Nichols é o autor de argumentos espantosos como Truman Show. No entanto a sua passagem para realizador não foi certamente a que desejava. O filme Lord of War ambicionava ser um ataque, não ao negócio do tráfico de armas, mas a toda a sociedade e à forma como ela é conivente com este estado lastimável, principalmente no continente africano. Nicholas Cage até vai bem, mas as personagens secundárias são demasiado fracas, o argumento demasiado rebuscado e pretencioso, e a direcção demasiado arcaica para resultar. Esperava-se bem mais desta primeira obra, um dos filmes menos conseguidos do ano.
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The Island

Michael Bay assumiu-se nos últimos dez anos como o rei dos blockbusters. Ao lado de Jerry Bruckheimer, esteve por trás de alguns dos maiores sucessos de Verão como Pearl Harbour ou Armageddon. Com The Island, agora sem o seu parceiro de produção, Bay esperava repetir a dose. Mas o fracasso foi gigantesco, contribuindo mesmo para o fim da Dreamworks, meses depois.
A história em si nem era má, mas a realização primitiva, sempre à procura da saida mais fácil, e um elenco cheio de estrelas mas sem qualquer quimica ditaram o futuro negro do filme, um dos maiores fracassos de 2005.
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War of the Worlds

Quando se fala em Steven Spielberg, obviamente as expectativas estão sempre em alta. É dos poucos realizadores que recebe elogios antes mesmo de começar a trabalhar. E isso tem o seu reverso da medalha. A expectativa criada à volta de War of the Worlds era elevadissima. Era a segunda colaboração com Tom Cruise, reunia um elenco interessante, e explorava um dos grandes sucessos literários do século. Apesar da extravaganza visual e da competente banda sonora de John Williams, o filme é um fiasco. Em termos de ideias cinematográficas e em termos de história. Pela primeira vez em muito tempo, Spielberg não conseguiu contar uma história de forma convincente. E apesar das reacções mistas, War of the Worlds foi um fiasco!
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Last Days

Gus van Sant é provavelmente um dos realizadores mais sobrevalorizados da história de sempre, desde My Own Private Idaho ao mais recente, e escabroso, Elephant. Exceptuando Good Will Hunting, que provou que em si, como realizador, van Sant não é assim tão rudimentar, a sua filmografia é de uma gigantesca pobreza. E no entanto é amado e adorado. Mesmo assim, o seu último Last Days, a obra post mortem a Kurt Cobain é de uma nulidade gigantesca. Candidato a vencer Cannes, o filme não tem um único plano que se aproveite. A pobreza é tal, que até assusta. À beira deste filme, Elephant é uma obra prima.
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Broken Flowers

Outro "autor" altamente elogiado pela critica, sem filmografia a condizer com os elogios que lhe prestam, é Jim Jarmush. O seu último trabalho, a usar e abusar do sorumbático Bill Murray, é, em alguns momentos, um filme interessante, que dá mesmo a entender que, em outras circunstâncias, seria um filme aprazivel. Mas não é. Há um vazio de ideias, de talento em explorar situações com imensas potencialidades. Um filme em slow-motion como poucos. E isso não é um elogio!
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ACIMA DE TUDO, DECEPCIONANTE!

Birth

Jonathan Glazer, homem dos videoclips, prova que ainda lhe falta muito para vingar no cinema. Há uma poesia na sua imagem, verdadeiramente deliciosa, uma serenidade imenso. Mas com isso vem um vazio que o realizador não consegue preencher devidamente. A ajudar, um argumento demasiado incongruente, e um leque de desempenhos demasiado fracos para conquistarem a audiência. Não se trata de um mau filme, mas podia ser imensamente melhor.
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The Merchant of Venice

Uma das maiores obras de William Shakespeare, já várias vezes adaptada ao cinema, não teve feliz adaptação nas mãos de Michael Radford. O filme é pesado, lento e sem chama. As interpretações são excessivamente teatrais, isto apesar de Al Pacino ser porventura o maior de todos os Shylocks. Um filme mediano de qual se esperava muito mais.
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Goal!

Quase todos os desportos tem um filme que os honra. Faltava o desporto-rei. Depois de Goal!, continua a faltar. Com um orçamento gigantesco, o apoio da FIFA e as tecnologias de hoje, o filme falha em toda a linha no aspecto técnico. A história, com as suas falhas, nem está mal arquitectada. Mas as cenas dos desafios, a falta de realismo quase irritante e que não encontramos em filmes sobre outros desportos igualmente rápidos, provam que ainda não é desta que há um filme a sério sobre futebol.
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Les Poupees Rousses

Quando estreou, L´Auberge Espagnole foi uma comédia refrescante no panorama europeu. Consagrou Audrey Tatou e Roman Duris, e lançou novas bases para uma forma ligeira de fazer cinema europeu. A sua sequela, é quase a antitese do filme original, muitos furos abaixo do que era esperado. Esperava-se muito mais de um filme que nunca se consegue soltar do passado do seu antecessor.
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Oliver Twist

Todos sabem que há um bom Polanski e um mau Polanski. The Pianist foi o melhor de todos eles, mas já vimos muitas provas da intermitência deste cineasta. Oliver Twist junta-se a esse leque. Uma história notável, um Kinglsey a piscar o olho à Academia e pouco mais. Muito academismo e preguiça na camara de um cineasta notável, que há três anos atrás viu finalmente o mundo render-se ao seu talento. Oliver Twist não é um passo atrás. É apenas, um passo em falso.
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Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:26 PM | Comentários (11)

O Que Estreia Por Cá - Um pobre adeus a 2005

2005 divide-se claramente em dois. Os filmes do inicio do ano, e os restantes. Os do inicio vinham de 2004, uma das melhores colheitas dos últimos anos. Os restantes provam a crise porque passa o cinema, nos Estados Unidos e no Mundo, salvando-se algumas honrosas excepções. Nesta última semana de estreias em Portugal, são 9 os novos filmes chegados ás salas. A qualidade, essa, não parece ser muita. O destaque vai para o regresso de Guy Ritchie, num filme praticamente amaldiçoado...
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Snatch era uma obra espantosa e lançou definitivamente o nome de Guy Ritchie para a lista dos mais irreverentes e frescos realizadores da actualidade. Depois veio o casamento com a "Material Girl" e o filme seguinte, Swept Away, foi uma hecatombe. Esperava-se que o regresso ás origens do cinema noir britânico fosse o balsamo que Ritchie precisava. Mas a critica recebeu Revolver friamente, e o público também. Apesar da prenseça de Jason Statham, o seu actor fetiche, o filme está a anos luz de Snatch. É aliás um filme que se perde muito a questionar-se, em vez de explodir realmente. O elenco - onde estão Ray Liotta ou Benjamin Andre - é interessante, mas não vibra como a situação exigia. Um come-back em falso para o cineasta britânico, no filme que, ainda assim, é a estreia em destaque nesta última semana do ano.
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Há oito novos filmes a fechar a temporada cinematográfica em Portugal.

The Descent foi uma das surpresas do ano em Inglaterra. Cinema de terror em estado puro, com algumas surpreendentes nomeações em prémios da indústria britânica, o filme de Neil Marshall tem tudo para conquistar os fãs do genero.
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Darwin´s Nightmare é um documentário sobre o desaparecimento da fauna indigena na Tanzânia. Uma história que envolve uma conspiração à escala global que ameaça a própria vida na terra, dirigida por Hubert Sauper e realizado em 1996.
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My Date With Drew é o último documentário do ano. Brian Herzlinger traz para o ecrãn a sua paixão louca pela actriz Drew Barrymore, por quem se apaixonou quando a viu no filme E.T. Vinte anos depois decide ir à sua procura, para finalmente conhecer a mulher dos seus sonhos. A meio caminho entre a obsessão e o sonho tornado realidade.
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The Man junta um par extremamente inverosimel: Samuel L. Jackson e Eugene Levy, o caricato actor popularizado por American Pie. Uma dupla insuspeita que jogam com os cliches dos filmes de espionagem, sempre em tom bastante divertido. A realização é de Les Mayfield.
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As comédias continuam em alta com o filme Waiting. Dirigido por Rob McKittrick, esta é a história de um jovem que se começa a questionar se servir à mesa é o que realmente quer fazer da sua vida. Anna Faris, Luiz Guzman e Ryan Reynolds são os cabeça de cartaz.
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Um dos mais espantosos acontecimentos da história é retratado por Christian Carion em Jouyex Noel. No Natal de 1914, em plena 1º Guerra Mundial, os soldados alemães, franceses e britânicos abandonam as trincheiras para confraternizarem numa noite muito especial. Uma noite de paz num mundo em guerra. Guilleume Canot, Diane Kruger e Daniel Bruhl são as estrelas deste belo filme.
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Vagnillia e Chocolato é um drama romântico dirigido por Ciro Ippolito com Maria Grazia Cucinotta e Alessandro Preziosi. A história de uma mulher que abandona o marido com os seus três filhos, quando descobre mais uma facada no casamento, mas que percebe que ele é o único homem que ama. Juntos vão tentar resolver as diferenças que o separam, percebendo que a quimica que têm um com o outro é única.
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O cinema nacional fecha 2005 com Odete, a segunda obra de José Pedro Rodrigues, o autor de O Fantasma.
Ana Cristina Oliveira, Nuno Gil, e João Carreira protagonizam esta história de amores cruzados, dor, afastamento, solidão e de assombração. Há uma clara associação com a obra anterior do cineasta, sendo que aqui são explorados temas tabus como a homossexualidade, de uma forma bastante natural.
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O Hollywood Recomenda - Nesta semana tão fraca em qualidade cinematográfica, não há qualquer filme recomendável pelo Hollywood. O seu a seu dono, e cada um está por sua conta!

O Hollywood Desaconselha - A não ser que sejam fãs deste ou aquele autor, actor ou argumento, ficar em casa pode ser a melhor opção. Afinal, para que é que existem os dvd´s?

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:45 AM | Comentários (4)

Hollywood Film Awards 2005 - Prémios do Público

É já amanhão que termina a votação para os prémios do Público da segunda edição dos Hollywood Film Awards. A votação está bastante equilibrada nas quatro categorias - filme, realizador, actor e actriz - e o vosso voto ainda pode fazer a diferença.
A contagem termina amanhã, e dia 31 serão divulgados os vencedores, assim como os escolhidos pelo Hollywood nas restantes treze categorias.
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Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:35 AM | Comentários (0)

dezembro 27, 2005

2005 - O Ano em Imagens

2005 foi um ano de imagens poderosas. Ao cinema coube uma grande quota parte de responsabilidade dessas imagens tão poderosas. Dentro e fora dos filmes. Aqui fica uma retrospectiva de algumas das grandes imagens cinematográficas do ano que finda...

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Quando ninguem esperava, doze anos depois, Clint Eastwood voltou para casa recheado de estatuetas douradas. Foi a sua noite de consagração.

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Hilary Swank repetiu a dose numa noite de estreantes. Morgan Freeman e Jamie Foxx repetiram o feito de 2001, com dois actores da comunidade negra a levarem para casa a estatueta dourada, e Blanchett foi a primeira actriz a ganhar um óscar por viver uma actriz que tinha ganho...quatro!

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Foi uma noite dos oscares diferente, com novo modelo e apresentador. Chris Rock nem se saiu muito mal mas não deverá repetir a dose tão cedo. Os especatadores torceram o nariz a uma cerimónia olémica, com Beyoncé a cantar diversos temas que não eram dela, e com muitos vencedores que nem subiram ao palco.

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Antes dos oscares houve os Globos de Ouro. Era a altura em que The Aviator estava em alta, sendo galardoado com dois prémios que não receberia nos óscares: Melhor Filme e Melhor Actor.

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Venceu o Globo mas não o óscar. Mas Clive Owen foi o actor em destaque de 2005.

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Quando ninguem imaginava, os irmãos Dardenne voltaram a arrecadar a Palma de Ouro em Cannes. O seu Les Enfants, bateu uma concorrência que se julgava favorita e levou de novo o galardão para a Bélgica.

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É o filme que mais amor tem recebido neste final de ano. E o primeiro passo para a glória de Brokeback Mountain começou em Veneza. Onde todos imaginavam que o sucesso seria de outro filme americano, o de Clooney, acabou por ser Ang Lee a repetir o feito de um filme americano vencer em Veneza. Já não acontecia desde Atlantic City USA, em 1981.

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O filme da critica de 2004 chegou este ano a Portugal e cumpriu tudo o que se esperava dele. Uma comédia negra deliciosa com um grande elenco e muita imaginação, e acima de tudo, com um Paul Giamatti em grande forma.

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A fotografia em tons de negro. A banda sonora carregada de emotividade. Desempenhos do outro mundo. O dedo de um génio consagrado. Million Dollar Baby e 2005 serão sempre sinónimas por cá.

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Tornar uma das mais horrendas personagens do Século XX num ser humano, parecia incomcebivel. Thomas Hirschbiegel e Bruno Ganz conseguiram recriar os últimos dias de Hitler de forma arrasadora em Der Untergang.

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Por cá, Marco Martins assinou uma das maiores primeiras obras da história do cinema europeu. Alice é uma obra fabulosa a todos os niveis, de uma pureza genial, de um realismo assustador. Um filme de actores, um filme de realizador, um filme de compositor, um filme de editor. Um filme atipico em Portugal.

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Foi o final de uma saga que durou quase trinta anos. De 1977 a 2005 foram seis os filmes que Lucas criou num universo distante e há muitos, muitos anos. Tudo para descobrir-mos que Anakin Skywalker é o heroi, não o vilão. Uma dupla trilogia que fica para a história como uma das mais importantes alguma vez criadas.

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A inovação do ano. Robert Rodriguez e Frank Miller surpreenderam meio mundo com a adaptação perfeita de Sin City dos quadradinhos ao cinema. Com um elenco espantoso e uma concepção visual do outro mundo, o filme marca definitivamente um ponto de viragem em relação ás habituais adaptações de herois de animação.

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Gollum já tinha sido um imenso avanço quando se falava em personagens criadas totalmente em CGI. Mas nada comparável a King Kong. Um gorila gigante que transmite com o olhar milhares de sentimentos. Uma personagem de um humanismo nunca vistos. E um filme inesquecivel.

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Depois de um ano onde não faltaram candidatos ao lugar, a escolha sobre quem seria o novo 007 foi finalmente anunciada. Daniel Craig, britânico, ocupará o lugar de Pierce Brosnan no próximo filme, Casino Royale. Uma escolha polémica, é certo, mas que acaba assim com um dos grandes tabus do ano. O filme estreia em finais de 2006.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:27 AM | Comentários (4)

Recusas

Não está fácil a vida para a Academia de Hollywood e para os produtores do próximo 007.
A actriz Charlize Theron recusou o convite que lhe foi feito para ser a nova bond-girl. A sul-africana era uma das eleitas dos produtores, mas preferiu distanciar-se de um papel que acreditava que acabaria por rotulá-la. Também Angelina Jolie e Scarlett Johansson recusaram contracenar com Daniel Craig em Casino Royale. A poucas semanas de começar as rodagens em Praga, saber quem será o grande interesse amoroso do novo James Bond é uma questão dificil de responder. A aposta em nomes de peso, que teve sucesso com casos como Sophie Marceau ou Halle Berry, parece não estar a resultar, e há sempre a hipótese dos produtores da saga apostarem numa desconhecida.
Quem também está em sarilhos é a Academia de Hollywood.
Chris Rock, o anfitrião da cerimónia do ano passado, já fez saber que não pretende repetir tão cedo a experiência. Billy Crystal, o mais apreciado nome para o lugar, também recusou apresentar a cerimónia, escudando-se numa peça que estará em exibição na mesma altura, e em projectos paralelos que pretende desenvolver. A cerimónia é a 5 de Março e nunca a Academia demorou tanto em encontrar um anfitrião. Já correm por isso apostas que falam em nomes como Steve Martin, Whopi Goldberg, mas também em Paris Hilton ou Britney Spears.
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Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:27 AM | Comentários (1)

dezembro 26, 2005

2005 - O ano de A a Z

Tal como fizemos o ano passado, nada como começar o anuário de um ano com uma compilação de alguns dos nomes e feitos mais marcantes de 2005 numa pequena enciclopédia de A a Z. Porque vale a pena recordar o ano que fica para trás.

A - Alice
Há muito tempo que o cinema português não tinha um filme assim. Aliás, o cinema nacional nunca teve um filme com o dramatismo e a força de Alice. Para obra de estreia, Marco Martins exibe-se a um nivel espantoso e conta com um elenco muito bem ensaiado onde Nuno Lopes foi figura de proa. Assim vale a pena ver filmes made in Portugal.
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B - Biopics
Foram variadissimos os biopics que invadiram as salas nacionais no último ano. Cada vez mais em voga, o filme biográfico é agora usado que de forma discriminada. Mas há casos e casos. Os mais bem conseguidos foram sem dúvida Mar Adentro, a história de Ramon Sampedro (com um fabuloso Bardem), Ray - que deu o óscar a Foxx - Kinsey, Beyond the Sea, Cinderella Man ou Vera Drake. Dois casos especiais: Der Untergang provou que se podem quebrar os maiores tabus com uma abordagem honesta de uma das mais odiadas personagens de sempre da história da Humanidade. The Aviator foi uma das obras mais sobrevalorizadas do ano, e provou que nem todos os biopics resultam quando a abordagem não é a mais apropriada.
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C - Clive Owen
É de Clive Owen um dos desempenhos do ano. Em Closer o actor britânico é avassalador de uma forma como poucos suspeitavam ser possivel. Depois de King Arthur, o actor que esteve para ser o próximo Bond, Clive Owen brilhou, fez-se uma estrela e perdeu por pouco um óscar justissimo. Em Sin City confirmou tudo o que se dizia dele, sendo hoje claramente um dos maiores actores em actividade.
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D - Dreamworks
O sonho acabou. Já nem Steven Spielberg consegue manter uma produtora independente dos grandes estúdios. Trinta anos depois das produtores indepententes terem desafiado o poder dos grandes estúdios, a Dreamworks é vendida à Paramount. Para trás ficaram obras inesqueciveis e um sonho desfeito.
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E - Clint Eastwood
Com dedos de mestre e um olhar profundamente humano, Clint Eastwood mostrou mais uma vez porque é o melhor realizador em actividade. Criou do nada um dos maiores filmes dos últimos anos, surpreendeu tudo e todos, adiou a consagração de Scorsese, e foi o rei e senhor dos óscares, arrecandando mais dois para a sua conta pessoal que já vai em quatro estatuetas douradas. Eastwood é hoje o que muitos realizadores sonham ser e não conseguem: um mito vivo!
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F -Jamie Foxx
Tinha uma carreira marcada por alguns trabalhos interessantes, mas pouco mais. E então surgiu Ray, o biopic do inesquecivel Ray Charles, e de repente Jamie Foxx passou a andar nas bocas do mundo. Galardoado com uma dezena de prémios, entre os quais o mais cintilante é o óscar de melhor actor, Jamie Foxx tornou-se no terceiro actor negro a vencer o óscar de melhor actor. Um feito histórico conseguido por um actor em quem poucos apostaram, mas que provou ter o que é preciso para triunfar na cidade dos anjos.
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G - Gay Cinema
Ainda não chegou a Portugal, mas o ano de 2005 ficará marcado a nivel mundial como o ano em que o cinema gay finalmente saiu do armário. Brokeback Mountain, Capote ou Transamerica decidiram-se a quebrar tabus. Pela primeira vez em algum tempo filmesque exploram abertamente o amor homossexual ou a condição dos transexuais, é levada a sério em Hollywood. Os prémios demonstram o respeito por estas obras, que são também de afirmação de uma minoria. Resta saber se é apenas uma moda ou se é finalmente um tabu que se quebra.
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H - Paul Haggis
Entre o argumento de Million Dollar Bay e Crash, este foi um ano de ouro para Paul Haggis. O argumentista escreveu a aclamada obra de Clint Eastwood mas falhou o óscar. No entanto este ano volta à carga com Crash, filme que marca a sua estreia como realizador. Uma estreia auspiciosa de um nome a reter para os próximos anos. Até porque o próximo 007 tem a sua marca.
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I - Internacionalização
O cinema este ano esteve em grande estilo um pouco por todo o lado. Hollywood viveu dias dificeis com os sucessivos falhanços dos blockbusters de Verão e a falta em encontrar filmes de grande nivel capaz de captivar o público. Na América do Sul o ano foi igualmente fraco, mas o mesmo já não se pode dizer do cinema asiático que está bom e recomenda-se. Filmes como OldBoy ou House of the Flying Daggers são a prova viva. Em África o cinema continua a dar passos corajosos mas o impacto ainda é minimo. Na Europa, a Alemanha esteve em grande com três filmes muito bons (Der Untergang, Sophie Scholl e Der Edukators), em França viveu-se o ano Roman Duris, com De Tan Batre Mon Couer S´Arretê, Arsene Lupin e Les Poupees Rousses, e em Itália Roberto Begnini está de volta, agora numa viagem ao Iraque. Amenabar foi o rei da Peninsula Ibérica e o cinema nacional viveu um ao apagado. O sucesso de Alice não teve seguidores e acabou por ser O Crime do Padre Amaro a ser o sucesso comercial do ano nacional.
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J - James Dean
Passaram cinquenta anos da morte de um dos maiores icones da história do cinema. Fez apenas três filmes mas mostrou ao mundo que poderia ter feito muitos mais ao nivel dos gigantes da época, Marlon Brando e Montgomery Clift. A verdade é que o mito criado à volta de Jimmy Dean imortalizou-o como nunca o cinema conseguiria faze-lo. Cinquenta anos depois, o mito vive.
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K - King Kong
A cena final do filme é um epilogo perfeito para o que se tinha desenrolado nas três horas anteriores. Depois do sucesso da trilogia Lord of the Rings o realizador Peter Jackson voltou a superar-se, conseguindo com King Kong alguns dos momentos mais marcantes do ano. Dos filmes produzidos e estreados em 2005, é claramente o melhor. Simplesmente genial!
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L - Lumiere
Foi o mais ambicioso e bem sucedido projecto da Academia de Blogs de Cinema. Coroou Eternal Sunhsine of the Spotless Mind como o grande filme de 2004 e foi a única associação portuguesa a premiar o que de melhor se fez no universo cinematográfico no ano passado. Este ano regresso. Com novas regras, novos juris, mas a ambição de sempre. Começa a tornar-se numa referência dos prémios nacionais de cinema.
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M - Million Dollar Baby
Há poucos filmes assim. Murros no estomago dados de uma forma quase imperceptivel, um filme capaz de arrancar lágrimas ao mais carrancudo dos homens. Foi uma obra inesquecivel, a melhor que passou por cá em algum tempo, e que ajudou a confirmar Eastwood como um mito, Hilary Swank como uma actriz feita, e Morgan Freeman como um actor que agora pode finalmente ser anunciado como "Academy Award Winner". Um filme inesquecivel e que marca claramente o ano que fica para trás.
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N - Nuno Lopes
Foi a grande figura do ano do cinema português. Um desempenho irrepresenvivel e emocionalmente arrasador levou-o a ser um dos embaixadores do cinema europeu na última cerimónia dos prémios da Academia de Cinema Europeia, os Felix. O seu desempenho em Alice está ao nivel dos melhores, e agora espera-se mais, muito mais deste excelente actor.
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O - Original Soundtracks
Estão cada vez melhores as bandas sonoras dos filmes. Quer sejam pautas criada propositadamente para os filmes por génios como John Williams, Danny Elffma, Howard Shore, James Newton Howard entre tantos outros, quer sejam compostas por temas inesqueciveis como foram os casos de Closer, Garden State, Ray, Beyond the Sea ou Elizabethtown, o papel das bandas sonoras nos filmes é cada vez maior. Porque há filmes que quase que podem ser vistos de olhos fechados!
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P - Alexander Payne
Finalmente o óscar. Ao lado de Jim Taylor, o jovem cineasta conquistou finalmente o merecido óscar para melhor argumentista. O seu mais recente filme, Sideways, foi o rei do cinema indie em 2004, e apesar de ter saído dos óscares com apenas uma estatueta, serviu para colocar Payne ao lado de Sofia Copolla e Wes Anderson na triade dos mais jovens e talentosos cineastas de Hollywood.
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Q - Q´Orianka Kilcher
O filme The New World ainda não estreou mas ela já anda nas bocas do mundo. Cotada como uma das grandes revelações dos últimos anos, esta jovem de apenas quinze anos de idade nascida na Alemanha foi a escolhida por Terrence Malick para encarnar a popular Pocahontas no seu mais recente filme. O realizador teve de ter cuidado nas cenas mais quentes com Colin Farrell, mas o final o que conta é que o seu desempenho está cotado como um dos melhores do ano. Um nome a seguir com atenção.
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R - Rachel McAdams & Rachel Weisz
Duas Rachels que deram muito que falar em 2005. A primeira é uma das novas meninas bonitas do cinema norte-americano. Foi a actriz revelação do ano, com três papeis interessantissimos. De Wedding Crashers a Family Stone passando obviamente por Red Eye, provou ser mais uma estrela para a constelação de jovens promessas de Hollywood.
Rachel Weisz confirmou em The Constant Gardener tudo o que se esperava dela. Segura, arrasadora, uma especie de Kate Winslet em crescimento, a talentosa Weisz é já um dos nomes seguros do cinema britânico da actualidade.
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S - Star Wars
Tornou-se num marco da história do cinema e ao longo dos anos criou uma legião de fãs como quase nenhuma outra obra de ficção. Em 1997 George Lucas decidiu fazer uma nova trilogia, em forma de prequela. Foi criticado, os filmes não estavam ao nivel dos originais, mas mesmo assim venderam muitos bilhetes. Em Maio último a saga terminou de vez. Sob aplausos. The Revenge of the Sith foi o final que todos esperavam, o filme mais negro e mais bem conseguido da nova trilogia e a ponte necessária para perceber o que viria depois, mas que foi feito antes.
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T - Tim Burton
O mago está de volta em grande estilo. Depois de Big Fish, uma obra-prima inesquecivel, esperava-se muito de Burton. E ele provou estar em óptima forma com dois filmes inesqueciveis em apenas um ano. Primeiro foi Charlie and the Chocolate Factory, onde recriou o mitico universo de Willy Wonka, vivido por um Johnny Depp inesquecivel. Depois decidiu-se por voltar ao cinema de animação e criou The Corpse Bride. Esqueletos dançantes, amor além tumulo e uma banda sonora portentosa e mais uma obra genial assinada pelo cineasta mágico que é Tim Burton.
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U - UMD
É o futuro. Ainda o VHS estava a ser enterrado e o DVD a afirmar-se no mercado, e já uma nova tecnologia traz o cinema mais perto do público. O UMD é mais um avanço tecnologico, com a possibilidade de se verem filmes em pequenos aparelhos portáteis. Uma inovação ainda sem grande aceitação popular mas que a médio prazo promete revelar-se um sucesso.
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V - Vince Vaughn
Começa a tornar-se num caso sério de talento mal aproveitado. Já se sabia que Vince Vaughn tinha talentos escondidos, mas tanto em Be Cool, como - e essencialmente - em Wedding Crashers, o actor norte-americano prova que é hoje um dos maiores comediantes do cinema norte-americano. O seu desempenho ao lado de Owen Wilson é dos mais interessantes do ano.
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X - Xeque Mate
Considerado de forma unânime como um dos maiores realizadores europeus de sempre, o sueco Ingmar Bergman decidiu por um ponto final a uma carreira com mais de meio século. O seu ultimo filme, Saraband, uma pérola brilhante, ideal para o fim de carreira do autor de obras-primas como Morangos Silvestres, O Silêncio, Sétimo Selo ou Fanny e Alexandre. Um final de carreira anunciado que passou despercebido a muitos, mas que é um dos eventos cinematográficos mais importantes do ano!
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Y - "You Shall not win!"
Parece a frase telegráfica que a Academia de Hollywood tem enviado, ano após ano, a Martin Scorsese. O talentoso realizador nova-iorquino tentou, com The Aviator, finalmente arrebatar o óscar de melhor actor, que já lhe é devido desde Raging Bull. E se Eastwood foi melhor - e é preciso ser-se honesto - a verdade é que Scorsese parece cada vez mais destinado a juntar-se a nomes como Hawks, Hitchcock, Lang ou Ray como realizadores miticos que nunca conquistaram uma estatueta dourada.
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W - Wes Anderson
Depois de The Royal Teenenbaums esperava-se muito de Wes Anderson. E o cineasta cumpriu. O seu The Life Aquatic of Steve Zissou é um filme originalissimo e cheio de vida, num contraste imenso com a forma como é filmado. Com um grande elenco, capitaneado na perfeição por Bill Murray, e com uma banda sonora de grande nivel, onde Seu Jorge canta Bowie em português, é um dos filmes do ano.
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Z - Zach Braff
Foi uma das mais agradáveis estreias de sempre de um jovem cineasta. Conhecido pelo seu papel em Scrubs, o actor agora tornado realizador Zach Braff fez de Garden State um filme belissimo, cheio de imaginação e sentimento. Uma das obras mais interessantes que por cá passou em 2005 e que ajudou a revelar mais um promissor cineasta.
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Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:28 PM | Comentários (0)

Antevisão - Munich

Há trinta e três anos, "terroristas" palestinianos atacaram a delegação israelita em Munique, provocando a morte de vários atletas olimpicos. O que se seguiu foi uma impiedosa caça ao homem, liderada por um agente especial da Mossad. Agora, Steven Spielberg conta-nos o que se passou. E o que aqueles homens sentiram...
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Há muito tempo que a ideia de fazer um filme sobre os atentados de Munique passava pela cabeça de Spielberg. Já quando rodava War of the Worlds, o realizador acompanhava o desenvolvimento do guião de Eric Roth e Tony Kurshner, baseado no livro Vengeance. Foi esse o titulo do filme quando Spielberg o começou a rodar, em Setembro, tinha acabado de estrear a sua adaptação da obra de H.G. Wells. Mais tarde, por questões de tacto, bem ao seu estilo, mudou o titulo para Munich, o local onde tudo começou.
O filme contava como um grupo de agentes da Mossad passou anos a tentar apanhar todos aqueles envolvidos nos atentados. A verdade é que muitos inocentes morreram, e o próprio lider do esquadrão questionou o seu papel na missão, abandonando no inicio dos anos 80 a própria agência secreta israelita. Era a ideia de Spielberg focar tanto a caça ao homem, como os motivos que levaram, primeiro aos atentados e depois á perseguição. Mas o drama do filme está no dilema do lider da equipa, que se questiona sucessivamente sobre se há justiça naquilo que o mandaram fazer.
E esse é talvez a grande valia do filme, a forma como Spielberg questiona o que é o terrorismo, o dito terrorismo oficial, mas o contra-terrorismo, também ele, na maior parte dos casos, composto por acções indignas de qualquer estado democrático.
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Spielberg escolheu Eric Bana para liderar o elenco do filme, que acaba por contar com poucos nomes conhecidos. O actor de Troy ou Hulk mostra-se a bom nivel, mas como sabemos, o cinema de Spielberg é sempre mais um cinema de argumento e realização do que propriamente de actores. A acompanhar o australiano estavam Daniel Craig - o novo Bond - Geoffrey Rush, Cirian Hinds ou Maria José-Crooze. Um filme com um trabalho técnico louvável, especialmente a fotografia, muito em tons escuros, como se a própria escuridão da alma estivesse em jogo, o que, acompanhado pela banda sonora de John Williams, ganha ainda mais sentido.
Um filme irrepreensivel tecnicamente, mas que tem sido questionado pela forma como a história é narrada. Há quem diga que Spielberg perdeu o dom. Depois de War of the Worlds, sai mais um filme pobre em narrativa. Há quem sugira que Spielberg se perde na imensidão politica do acontecimento. E depois há os extremistas que tanto o acusam de anti-semita, como de pró-israelita. Mas ignorando esses, o importante é perceber o enfoque deste Munich.
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Catalogado, mesmo antes de existir em pelicula, como o filme do ano, Munich apresentará certamente falhas. Caso contrário não teria sido quase esquecido por todas as associações de criticos e jornalistas dos Estados Unidos, mais depressa rendidos a pequenos indies como Brokeback Mountain, A History of Violence ou Good Night and Good Luck.
Mas, focando os aspectos positivos, há que realçar a coragem de Spielberg em se aventurar numa temática problemática, como é a questão do terrorismo. Especialmente quando o conflito de então ainda existe hoje, e qualquer tomada de posição, mesmo que simbólica, pode ser mal interpretada.
Mas em termos cinematográficos, é curiosa a ideia que tem acompanhado os últimos filmes de Spielberg, desde Minority Report, muito mais negros e intensos do que propriamente captivantes. Munich parece seguir um pouco dessa onda, o que acaba por ter pouco glamour, ao contrário do que era habitual no homem que praticamente inventou os blockbusters.
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Apesar de tudo, Munich continua a ser para muitos, o filme a abater. Porque a temática de Brokeback Mountain é muito mais complexa, e porque o filme é do realizador mais amado em actividade, capaz de gerar um grupo de defensores bem heterogéneo. Caberá ao público a última palavra, e essa é a última questão a ser respondida. Mas apesar de todas as criticas, o filme promete imenso. Emotividade, contenção dramática, trabalho de realização competentissimo e um leque de boas performances. Poderá não ser o maior Spielberg ou o maior do ano, mas Munich é certamente um filme de visionamento obrigatório.

O QUE SE DIZ

"Como thriller, Munich é um filme eficiente, captivante e bem conseguido. Como uma posição étnica, é perseguidor. E as questões que levanta não são apenas para Israel, mas para qualquer nação que acredite que tem de comprometer os seus valores para os defender."

Roger Ebert, Chicago Sun-Times

"É raro para um "enterteiner" como Spielberg, galhar em criar um interesse na sua história, ou, na sua falta, um ponto de ligação a outros dos seus filmes."

Todd McCarthy, Variety

"Este território é novo para Spielberg, e ele completa a sua jornada com distinção."

Peter Travers, Rolling Stone

"Sem alma, ideologia e um estimulante debate intelectual, Munich é uma grande desilusão, chegando mesmo a ser aborrecido."

Rex Reed, New York Observer

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:12 AM | Comentários (0)

dezembro 25, 2005

Aquelas Frases...

"My mouth's bleeding, Bert! My mouth's bleed... (He reaches in his pocket) - Zuzu's petals! Zuzu's...There they are! Bert! What do you know about that! Merry Christmas!"

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in It´s a Wonderful Life

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:27 AM | Comentários (0)

dezembro 24, 2005

O Hollywood Deseja a Todos Um Feliz Natal

Até segunda o Hollywood tira umas pequenas férias para gozar as festividades. Entretanto, desejo a todos um excelente Natal na companhia daqueles que mais gostam. A programação regular regressa na próxima segunda-feira, com o especial Anuário a marcar toda a semana que encerra 2005.
Até lá, boas festas a todos!
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Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:49 AM | Comentários (7)

dezembro 23, 2005

Oscarwatching - Você é Munich positivo ou Munich negativo?

O facto de ser um dos realizadores mais amados da actualidade, permite a Spielberg ter, mesmo quando falha, uma legião de apoio. Munich está longe de ser um falhanço (estreou hoje apenas), mas é um caso bicudo, com algumas reviews positivas, outras negativas, e muitas a puxarem para cima num claro acto de campanha. Foi por isso que esta semana surgiu um novo conceito: ou se é a favor ou contra Munich. Porquê?
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O filme é pró-israelita ou anti-semita? Ninguém parece conseguir definir a essência de Munich, mas as criticas de ambos os lados minaram de imediato a reputação do mais recente filme de Steven Spielberg. A ausência de prémios e nomeações constrastaram com o lugar de Munich em alguns tops de criticos conceituados. Mesmo assim o unanimismo que havia à volta de Munich antes de estrear hoje já não existe. E há tantos detractores como apoiantes. Como sempre, a nata escolheu o seu "amor" este ano. Como já tinha acontecido com The Aviator no ano passado, Munich é o filme que luta contra a hegemonia do polémico Brokeback. É de um realizador altamente apreciado e é um filme muito artistico e profundo, diz-se. Razões para que muitos tenham escrito louvores dignos de uma obra-prima, quando na realidade o pensamento comum está bem longe de atingir este patamar. Os detractores acusam Spielberg de ter perdido a capacidader de contar histórias, de se ter envolvido em demasia na politica. Para eles um nome não faz um filme. E lá por ser de Spielberg, isso não faz de Munich um grande filme.
Ambos os lados têm razão. Ambos os lados têm nomes de peso a apoiá-los. Este confronto entre criticos e personalidades da indústria pode ser decisivo para ditar o sucesso final de Munich. Se os criticos triunfarem, Brokeback tem o caminho cada vez mais livre. Mas se acontecer o oposto, e o filme de Ang Lee cair em desgraça, a verdade é que Munich pode voltar a ser o filme do ano. Como se nada tivesse passado.
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A grande surpresa do ano parece ser Terrence Howard. O actor já tinha dado nas vistas em Crash, com um papel segurissimo, como todos os do filme aliás, mas é por Hustle and Flow, a história de um chulo que tenta tornar-se numa estrela de rap, que o actor tem recebido os maiores elogios. Um dos desempenhos do ano, com direito a prémios e menções honrosas. Se algum dos cinco nomes em destaque (Hoffman, Ledger, Phoenix, Straiharn, Bana) falhar, Terrence Howard poderá tornar-se no upset do ano.
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A possibilidade da BFCA premiar de forma especial Andy Serkis pelo seu desempenho em King Kong, numa personagem totalmente criada a computador, pode abrir um importante precedente. Quando a personagem principal de uma história não é um actor, mas sim uma personagem, animal ou criada por cgi (Babe, Who Framed Roger Rabitt, E.T...) a Academia normalmente torce o nariz e desvia o olhar. Com este prémio, King Kong pode ter quebrado um grande tabu. A questão é saber se o resto da aldeia vai na conversa.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:20 PM | Comentários (1)

300 em acção

É mais uma adaptação de uma banda desenhada mitica de Frank Miller. Depois do sucesso de Sin City, que tem sequelas anunciadas, o desenhista juntou-se a Zack Snyder para adaptar ao cinema o seu popular livro sobre um grupo de 300 soldados espartanos que combateu a invasão persa na batalha de Termópolis.
300 conta com o talentoso Gerard Butler a chefiar um elenco que tem ainda Dominic West, David Wenham e Rodrigo Santoro, e terá estreia no final do ano.
O filme trabalha os mesmos moldes que levaram Sin City ao cinema, com uma adaptação fiel da