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dezembro 28, 2005

2005 - O Pior do Ano

É sempre dificil, incómodo até, apontar o pior de um ano, seja ele cinematográfico ou qualquer outra coisa. Porque há muitos "piores". Há aquilo que é mau, mas que foi criado sem ambição de ser bom. Há o que foi criado com essa ambição, mas falhou, e revelou-se algo pior do que deveria ser. E há também aquilo que não é necessariamente mau - até porque tudo é subjectivo no cinema - mas, ao desiludir expectativas, torna-se parte da lista dos piores. A lista que se segue, é pessoal, tem razões de ser, e não deixa de ser polémica. Mas estes foram os piores de 2005...

O Hollywood viu cerca de 150 dos 257 filmes que estrearam em Portugal durante 2005. A esmagadora maiora no cinema, e outros em dvd´s. O ano dividiu-se claramente entre os filmes produzidos em 2004, de grande qualidade, e os filmes feitos e exibidos já neste ano, a um nivel muito superior. Ficando muita coisa má de fora (e talvez algumas boas surpresas), fica aqui o top5 do que pior se viu no ano que agora termina.

PIOR É IMPOSSIVEL

Constantine
Foi uma das primeiras grandes estreias de 2005 nas salas nacionais. Trazia Keanu Reeves como John Constantine, um homem que caminhava entre a terra e os infernos, uma aclamada personagem de banda desenhada, aqui numa versão monolitica. Também tinha Rachel Weisz, no seu primeiro papel do ano, ela que conseguiria no entanto redimir-se lá mais para o fim de 2005. O filme, fraco a todos os niveis possiveis e imaginários, foi criado com alguma ambição, mas sem grande talento. O resultado final nunca seria muito diferente do que acabou por ser, um dos piores do ano.
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Bewitched

Nicole Kidman há muito que está fora de forma, e isso também se nota nos filmes em que vai entrando. Nem ao lado do divertido Will Ferrell ela consegue soltar-se, a ponto de viver uma das mais divertidas personagens da tv americana em Bewitched. O filme é uma versão fraquissima da serie televisiva e não há nada durante o seu periodo de exibição que demonstre o contrário. Um claro exemplo da total falta de ideias de Hollywood.
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The Legend of Zorro

Se esta lista tivesse ordem, que não tem, The Legend of Zorro lutaria pelo primeiro lugar. Algo inimaginável depois do agradável entertenimento do primeiro, com um sóbrio Anthony Hopkins e um hilariante Antonio Banderas em estilo. A sequela, The Legend of Zorro, é provavelmente um dos filmes mais estupidos alguma vez feitos. E se há filmes estupidos com piada, este nem isso consegue. Uma total falta de ideias, de ambição assustadores para uma equipa que tinha, nem mais nem menos que Martin Campbell ao leme e Antonio Banderas e Catherina Zeta-Jones no elenco. Verdadeiramente para esquecer!
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Arsene Lupin

Se lista houvesse, este seria o pior dos piores. O filme mais ridiculo, mais sem sentido, mais estupido de 2005. O facto de vir da Europa é uma mera curiosidade, porque por detrás da história de um dos maiores e mais sedutores ladrões da literatura europeia, está um filme tão mal feito, tão mal pensado, tão mal interpretado (exceptuando-se Roman Duris, sempre ele, no seu melhor) que dá vontade de sair da sala ao décimo minuto. Fica-se até ao fim, mas nunca se percebe porquê, já que o final consegue ser sempre, mil vezes pior que o inicio.
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O Crime do Padre Amaro

O cinema português esteve em alta em 2005. Mas também esteve muito em baixo. Para isso contribuiu este Crime do Padre Amaro, que com a obra de Eça Queiroz só tem semelhanças no titulo. Uma desculpa para duas horas de sexo, acção, sexo, mais sexo e hip-hop, numa narrativa sem sentido, perdida, recheada de personagens superficialissimas, e onde se nota que a base é, pura e simplesmente, o corpo de Soraia Chaves. Quando se faz um filme, tendo por base o corpo nu de uma mulher, das duas uma: ou é um filme pornográfico, ou é um filme muito mau. O Crime do Padre Amaro, anda lá pelo meio!
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MUITA AMBIÇÃO, FRACO RESULTADO

Lord of War

Andrew Nichols é o autor de argumentos espantosos como Truman Show. No entanto a sua passagem para realizador não foi certamente a que desejava. O filme Lord of War ambicionava ser um ataque, não ao negócio do tráfico de armas, mas a toda a sociedade e à forma como ela é conivente com este estado lastimável, principalmente no continente africano. Nicholas Cage até vai bem, mas as personagens secundárias são demasiado fracas, o argumento demasiado rebuscado e pretencioso, e a direcção demasiado arcaica para resultar. Esperava-se bem mais desta primeira obra, um dos filmes menos conseguidos do ano.
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The Island

Michael Bay assumiu-se nos últimos dez anos como o rei dos blockbusters. Ao lado de Jerry Bruckheimer, esteve por trás de alguns dos maiores sucessos de Verão como Pearl Harbour ou Armageddon. Com The Island, agora sem o seu parceiro de produção, Bay esperava repetir a dose. Mas o fracasso foi gigantesco, contribuindo mesmo para o fim da Dreamworks, meses depois.
A história em si nem era má, mas a realização primitiva, sempre à procura da saida mais fácil, e um elenco cheio de estrelas mas sem qualquer quimica ditaram o futuro negro do filme, um dos maiores fracassos de 2005.
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War of the Worlds

Quando se fala em Steven Spielberg, obviamente as expectativas estão sempre em alta. É dos poucos realizadores que recebe elogios antes mesmo de começar a trabalhar. E isso tem o seu reverso da medalha. A expectativa criada à volta de War of the Worlds era elevadissima. Era a segunda colaboração com Tom Cruise, reunia um elenco interessante, e explorava um dos grandes sucessos literários do século. Apesar da extravaganza visual e da competente banda sonora de John Williams, o filme é um fiasco. Em termos de ideias cinematográficas e em termos de história. Pela primeira vez em muito tempo, Spielberg não conseguiu contar uma história de forma convincente. E apesar das reacções mistas, War of the Worlds foi um fiasco!
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Last Days

Gus van Sant é provavelmente um dos realizadores mais sobrevalorizados da história de sempre, desde My Own Private Idaho ao mais recente, e escabroso, Elephant. Exceptuando Good Will Hunting, que provou que em si, como realizador, van Sant não é assim tão rudimentar, a sua filmografia é de uma gigantesca pobreza. E no entanto é amado e adorado. Mesmo assim, o seu último Last Days, a obra post mortem a Kurt Cobain é de uma nulidade gigantesca. Candidato a vencer Cannes, o filme não tem um único plano que se aproveite. A pobreza é tal, que até assusta. À beira deste filme, Elephant é uma obra prima.
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Broken Flowers

Outro "autor" altamente elogiado pela critica, sem filmografia a condizer com os elogios que lhe prestam, é Jim Jarmush. O seu último trabalho, a usar e abusar do sorumbático Bill Murray, é, em alguns momentos, um filme interessante, que dá mesmo a entender que, em outras circunstâncias, seria um filme aprazivel. Mas não é. Há um vazio de ideias, de talento em explorar situações com imensas potencialidades. Um filme em slow-motion como poucos. E isso não é um elogio!
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ACIMA DE TUDO, DECEPCIONANTE!

Birth

Jonathan Glazer, homem dos videoclips, prova que ainda lhe falta muito para vingar no cinema. Há uma poesia na sua imagem, verdadeiramente deliciosa, uma serenidade imenso. Mas com isso vem um vazio que o realizador não consegue preencher devidamente. A ajudar, um argumento demasiado incongruente, e um leque de desempenhos demasiado fracos para conquistarem a audiência. Não se trata de um mau filme, mas podia ser imensamente melhor.
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The Merchant of Venice

Uma das maiores obras de William Shakespeare, já várias vezes adaptada ao cinema, não teve feliz adaptação nas mãos de Michael Radford. O filme é pesado, lento e sem chama. As interpretações são excessivamente teatrais, isto apesar de Al Pacino ser porventura o maior de todos os Shylocks. Um filme mediano de qual se esperava muito mais.
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Goal!

Quase todos os desportos tem um filme que os honra. Faltava o desporto-rei. Depois de Goal!, continua a faltar. Com um orçamento gigantesco, o apoio da FIFA e as tecnologias de hoje, o filme falha em toda a linha no aspecto técnico. A história, com as suas falhas, nem está mal arquitectada. Mas as cenas dos desafios, a falta de realismo quase irritante e que não encontramos em filmes sobre outros desportos igualmente rápidos, provam que ainda não é desta que há um filme a sério sobre futebol.
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Les Poupees Rousses

Quando estreou, L´Auberge Espagnole foi uma comédia refrescante no panorama europeu. Consagrou Audrey Tatou e Roman Duris, e lançou novas bases para uma forma ligeira de fazer cinema europeu. A sua sequela, é quase a antitese do filme original, muitos furos abaixo do que era esperado. Esperava-se muito mais de um filme que nunca se consegue soltar do passado do seu antecessor.
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Oliver Twist

Todos sabem que há um bom Polanski e um mau Polanski. The Pianist foi o melhor de todos eles, mas já vimos muitas provas da intermitência deste cineasta. Oliver Twist junta-se a esse leque. Uma história notável, um Kinglsey a piscar o olho à Academia e pouco mais. Muito academismo e preguiça na camara de um cineasta notável, que há três anos atrás viu finalmente o mundo render-se ao seu talento. Oliver Twist não é um passo atrás. É apenas, um passo em falso.
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Publicado por Miguel Lourenço Pereira às dezembro 28, 2005 03:26 PM

Comentários

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Publicado por: ringtones free às agosto 20, 2006 05:47 PM

Apenas não concordo com os teus comentários em relação a Les Poupees Rousses, Broken Flowers e Lord of War. E podias ter poupado o Elephant também, mas pronto cada um tem as suas opiniões...

Publicado por: Elemental às maio 18, 2006 05:55 PM

AEEEEEEEEEEEEE ACHEI A MÚSICA :>:>:> ONDE DISPUTAM UM RAP NO POSTO DE GASOLINA :>:>:> UHaUHAUhuaHuHauHuHuaHAUha AI VAI :>:>:>

ME ADD NU MSN Q EU PASSO PRA V6 A MÚSICA.. HEHE (ELA TEM VÁRIOS NOMES)


FLOWW............ ME ADD AI GALERA

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Publicado por: Peeter às abril 15, 2006 08:08 PM

gostaria de saber se alguem sabe o nome da musica do filme pior é impossivel! quando os dois estão em um posto de gasolina e disputam um rap , gostaria de baixar mas ninguem sabe ne quem canta!

Publicado por: harlison às março 19, 2006 12:38 PM

Olá, parei por acaso neste blog e gostei. Por isso não podia de manifestar o meu contentamento. Um grande abraço e espero uma visita no nosso!

Publicado por: w às dezembro 29, 2005 01:30 AM

De que forma uma obra bem recebida pela crítica, e ainda o terceiro filme mais visto do ano, pode ser tachado de fiasco a esmo?

Publicado por: Gustavo H. Razera às dezembro 29, 2005 01:25 AM

A lista até estava a ir mais ou menos correcta, até que me deparo com estes dois filmes : "The Island" e "War of the worlds". Os dois filmes 4 estrelas. Esperava-se mais, nisso concordo, bastante mais! Mas a ponto de dizerem que são dos PIORES DO ANO, por favor... A ilha tem uma historia fantastica, e a guerra dos mundos igualmente. Este ultimo tem ainda uns efeitos especiais do melhor. Acho k KING KONG conseguiu decepcionar-me mais, que war of the worlds, pois nesse sim, tinha expectativas altissimas!!!!!!!!!

Publicado por: André Figueiredo às dezembro 29, 2005 12:23 AM

Se Constantine para ti foi mau, para quem conhece a BD é ainda pior. Em comum quase só o nome mesmo e o potencial era imenso:\

Acho que A Ilha foi um pouco injustiçado. Não é monumento à 7ª arte mas tb n é isso que pretende ser. Pretende isso sim ser um blockbuster de acção mas com um pouco mais de história e acho que a explicação para o seu fiasco começa aí, a primeira hora de filme é lenta demais para quem ia à procura de um Bad Boys. Discordo que a realização de Bay procure a saída mais fácil, acho q ás vezes até é o contrário ao procurar ser muito estilizada. Cabia perfeitamente nesta lista por troca com The Island o Stealth.

Publicado por: Léccio às dezembro 29, 2005 12:12 AM

A verdade é que só vi metade dos filmes que aqui apresentas, porque há filmes que me basta apenas ver o trailer e mais nada! Sou muito selectivo, até porque olho para o cinema simplesmente como consumidor (não faço críticas nem coisas do género), por isso, para que o filme me faça deslocar até a uma sala de cinema, ou ele chega-me ao ouvido por imensas pessoas, ou é porque no trailer a história cativou-me. É certo que muitos enganam, mas lá temos de dar esse desconto! Relativamente aos que vi desta lista dos piores, concordo sinceramente com todos eles. Aliás, ao contrário do que se disse, a Guerra dos Mundos é sem dúvida um filme mau! Eu arrependi-me muito de ter ido ver esse filme. Ainda bem que tenho desconto estudante! Respeito quem goste muito deste filme, mas para mim, nao vale nada! As tantas, tinha muitas expectativas...demasiadas portanto.

Publicado por: DaniloFernandes às dezembro 28, 2005 08:16 PM

O Filme Birth é para mim a prova em contrário de uma Nicole Kidman fora de forma. Indiferente aos méritos que não lhe foram concedidos com este filme, considero o plano do rosto de kidman, no concerto de Wagner como um dos grandes momentos do cinema de 2005.

Publicado por: Jorge Rocha às dezembro 28, 2005 07:10 PM

Até tava a concordar com as tuas escolhas, mas depois meteste no meio o Senhor da Guerra... e esse é um grande filme que aconselho a toda a gente.
Também acabo por não concordar com o war of the worlds, inspirado num livro muito bom com extrema imaginação os realizadores do filme quiseram fazer justiça ao mesmo e manter-se perto da sua história original. Penso que o conseguiram e que o filme acaba por entreter e contar a historia. Quanto aos outros concordo.

Publicado por: Américo Santos às dezembro 28, 2005 03:52 PM

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