« Notável poster de Lady in the Water | Entrada | London Film Critics divulgam nomeados »
dezembro 15, 2005
King Kong - A Bela e o Monstro
Quando ele olha, não é apenas um gorila gigante. Quando ela olha, não é apenas mais uma actriz loira na louca Nova Iorque dos anos 30. Ambos são almas solitárias, perdidas, mesmo no seu próprio mundo. O destino vai juntá-las. E criar uma das maiores histórias de amor que o cinema já nos mostrou.
Filme de ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()

Jake Driscoll chega sempre atrasado. Atrasado quando o barco levanta amarras. Atrasado quando procura salvar, pela primeira vez, Ann. Atrasado quando a salva de facto, mas o seu olhar já está preso no de Kong. Atrasado quando chega ao teatro onde a besta gigante está em exposição. Atrasado quando atinge o cume do Empire State Building. E cada um dos seus atrasos é decisivo no desenrolar do filme. No primeiro caso, permite que faça parte da louca expedição criada por Carl Denham rumo à desconhecida ilha Skull. No seguinte, permite que se crie uma relação entre Anne e Kong. E a partir daí, cada um dos seus atrasos espelha o amor que existe entre a bela e o monstro, mais do que qualquer outra coisa. Ela ama-a, ela não. Talvez o tenha amado, antes mesmo de o ter conhecido. Mas Driscoll não é Kong. Não tem aquela chama imensa no olhar. Nem a sua coragem chega ao seu nivel. No final de contas, nunca Ann criou tanta afinadade com alguém como cria com o gigante King Kong. Dando assim, mais do que qualquer coisa, os primeiros passos para um amor proibido, impossível, mas um amor como poucos. Esqueçam Titanic e essas histórias de amor tão forçadas. Em King Kong o amor é genuino. O amor entre duas almas ostracizadas dentro do seu próprio mundo, e que se encontram, mas, como diz Ann no inicio, "as coisas boas não duram muito tempo". E o filme também é sobre isso. O filme de Denham não dura a expedição. A amizade de Jimmy com Hayes estava fadada a terminar. O amor de Jake e Anne não dura mais do que uns momentos. O comeback de Carl tem um final abrupto. E por fim, o imenso amor entre Kong e Ann, um amor construido na forma mais simples, mas também, mais humana possivel, também estava destinado a chegar ao fim, mesmo antes de ter começado.

Com King Kong, o realizador Peter Jackson confirma definitivamente o que se suspeitava. Ele é de facto, o maior cineasta de todos em tempos na área do cinema fantástico e de aventura, superando George Lucas, que com o seu Star Wars tinha ascendido ao trono, e mesmo as aventuras mais fantásticas de Spielberg (o seu Jurassik Park comparado com este filme é de uma enorme vulgaridade). Um trono que já tinha ameaçado conquistar com a sua adaptação do universo fantástico de J.R.R. Tolkien, mas que agora é seu. Por direito!
A forma como Jackson recria King Kong, o sucesso de 1933 de Merian C. Cooper, o filme que o fez tornar realizador, só podia ter sido alcançada se fosse feita por um génio. E é isso que Jackson é. Em cada plano do filme, em cada momento da história, em cada efeito especial adiccionado à narrativa, está lá o dedo de Jackson. E o filme é o que é por sua causa. Por ter sido feito com a devoção de um fã. O realizador tinha dito que gostaria que o filme tivesse o mesmo impacto para o público, como o filme original teve em 1933. Apesar de hoje se dizer que "já se viu tudo", este filme prova o contrário. Faltava ver algo assim.
Dos primeiros minutos do filme, onde a Grande Depressão é retratada com uma perfeição assustadora, até ao épico final, recuperando todo o simbolismo e magia do Empire State Building, o filme é uma aventura frenética. Nem por um instante se olha para o relógio, se sente o tempo passar. É impossivel, tal é a forma como se está colado ao ecrãn, à história. Estejamos na primeira hora, mais calma, mas absolutamente necessária para desenvolver o resto do filme, sentimo-nos entrar no próprio Venture, o navio que nos leva até ao centro das aventuras. E chegado aí, nunca mais paramos. Cada surpresa que Jackson reserva na manga é melhor que a anterior, superando-se consecutivamente e de forma avassaladora. Além do mais, os cenários criados, uma especie de "Mundo Perdido" são tão ou mais maravilhosos do que o próprio mundo de Lord of the Rings. E se falamos nos cenários, temos de falar em todos os efeitos, em todas as criaturas, momentos e imagens, desde o quase naufrágio do navio até ao ataque ao Empire State. E temos de falar de Kong.

Andy Serkis já tinha dado que falar com o seu Gollum. Agora o actor supera-se ao dar vida a este gigante gorila, por quem nos apaixonamos por completo. Os olhos de Kong são mais humanos do que muitos dos actores. As suas poses, os seus tiques, movimentos, desde a selva da ilha Skull ao gelo no Central Park são de tal forma perfeitos que quase nem estranhamos a inverosimilhança de tal personagem. E tal como Ann, apaixonamo-nos por aqueles olhos. E quando chega a altura, de tomar posição entre Jake, o improvável heroi humano - por quem seriamos sempre, noutras circusntancias - e entre ele, a escolha é óbvia. E por isso se chora no final, e por isso sentimos bem dentro de nós a profundidade dramática do filme, da sua aventura, do seu amor. King Kong é mais do que uma personagem animada num filme espantoso. É uma das maiores criações da história do cinema, tão tocante como era o E.T. de Spielberg, tão ternurento como era a Lassie nos anos 30 e 40, tão imponente como qualquer heroi da Antiguidade. É um marco na história do cinema, um humano que nunca o chegou a ser, mas que conseguiu exprimir toda a pureza, que devia ser encontrada, não nele, mas em cada um de nós.

Falando de Kong, temos também de falar de Ann. A sua personagem é de uma integridade excepcionais, mas com as falhas humanas do próximo, o que a faz mais realista. E além disso, pela primeira vez se percebe o porquê da história de amor entre ela e Kong. Nele, ela vê a tal pureza de que já falamos, a coragem e dedicação do gigante gorila. Ele vè nela, não o que Jake vè, a sua beleza espantosa, mas o seu lado mais afável. Quando ela o entretém, de forma enternecedora, cria-se ali um laço que não se voltará a quebrar. E apesar de sempre impotente, Ann está sempre lá, com o seu olhar cravejado de lágrimas, ao lado daquele que realmente conquistou o seu coração, o rei Kong, o senhor da selva. E certamente que nenhuma outra actriz seria Ann Darrow como Naomi Watts o foi. Mais do que Jessica Lange, mais do que a própria Fay Wray, ela é a perfeita encarnação da jovem actriz. Pela sua beleza esmagadora, pelo seu olhar profundamente arrebatador, mas pela pureza que consegue transmitir à sua personagem, e que só encontra par no próprio Kong, fazendo desta união, uma das mais perfeitas da história do cinema, mais do que muitos amores que parecem tão forçados, mas que são tão louvados.
E se Watts vai muito bem, controlando todas as suas cenas (que foram, ainda por cima, filmadas contra o tal ecrãn azul, cada vez mais popular), também não nos podemos esquecer do restante elenco. Adrien Brody caminha para ser o sucessor de Bill Murray, A sua expressão facial é sempre a mesma, queira transmitir dor, amor ou emoção. Gostava de saber se os amantes de Murray o são também de Brody, porque representam de forma igual e transmitem as suas emoções da mesma forma. Neste filme, Brody está muito bem na sua personagem mas pertence a um dos elos fracs da história. A sua "relação" com Ann não é explorada como poderia ter sido, surgindo aos olhos do espectador como insuficiente para justificar aquela "caça à mulher", primeiro na selva e mais tarde na própria Nova Iorque.
Já Jack Black, na primeira cena em que surge, é Peter Jackson. Semelhanças fisicas, o mesmo olhar apaixonado pelo seu filme. Mas depois transforma-se. O facto de ter feito a sua carreira atrás da comédia nota-se, na forma em como as suas cenas têm sempre um tom de humor subjancente. Um trunfo que Black usa muito bem. A sua personagem não é das mais favoráveis, e é fácil deixar de se gostar dela, mas Black faz ambos os lados de Carl Denham muito bem, e tem de ser louvado por isso.

Um filme quase sem falhas não deixa de ser um filme com falhas. No caso de King Kong elas estão não na camara de Jackson (pefeita), não nos aspectos técnicos (fotografia, cenários e montagem do outro mundo), nem na composição sonora de James Newton Howard (fabulosa). Os erros, ou falhas, estão no argumento. Essencialmente em três aspectos. Um deles, já foi aqui falado, e diz respeito à história de amor entre Jack e Ann, que surge um pouco frouxa em relação ao que poderia ter sido. A outra desenrola-se à volta da personagem Jimmy, encarnada por Jamie Bell, o miudo que já tinhamos admirado em Billy Eliiot. É criado um suspense à volta da sua personagem, das suas origens, que cria uma ideia de que será decisivo na história. A sua forte relação com o sub-comandante, Hayes, indica isso mesmo. Mas a história acaba por não dar em nada, e sentimo-nos um pouco defraudados nesse aspecto. O terceiro aspecto prende-se mais com um preciosismo, já criticavel nas anteriores versões. Como é que Kong, um gorila gigantesco, é transportado da ilha para Nova Iorque. Fica a dúvida, numa história que tinha sido impecável até entáo em todos os aspectos. Mas dizer que essa é uma das falhas de um filme, qualquer que ele seja, serve tanto como uma critica como um elogio a esta obra magnifica.

Comparando com as anteriores versões, não é dificil dizer que este é o melhor King Kong da história. Apesar do pioneirismo e genialidade do primeiro filme. O mesmo que fez de Peter Jackson um amante de cinema. O mesmo que fez com que se viesse a tornar num dos maiores realizadores em actividade (ao lado de Eastwood, Copolla, Scott, Spielberg, Shyamalan, Allen...entre outros). O mesmo que lhe deu a ideia de criar, de um argumento inverosimel, uma das maiores histórias de amor de sempre, da história do cinema. King Kong é um dos melhores filmes dos últimos anos. É certamente, entre os até agora estreados por cá, o melhor filme produzido em 2005. É um filme para todos. É uma ode à aventura, e também, ao amor. É mágico. É imperdível. É único!
Classificação - ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
O Melhor - A recriação feita por Andy Serkis da personagem King Kong. Nunca nenhum ser digital foi tão perfeito. Tão humano!
O Pior - Os três erros de argumento já explorados. Mesmo assim são falhas tão superficiais que não beliscam o filme.
Curiosidade - No diálogo inicial entre Jack Black e os dirigentes do estúdio, temos várias referências a algumas estrelas do cinema da época, incluindo os próprios estúdios Universal (produtor dos dois filmes) e da própria Fay Wray, a estrela do filme original. Em sua homenagem Naomi Watts usa um chapéu similar ao que ela tinha usado no primeiro filme.
Site Oficial - www.kingkongthemovie.com
Realizador - Peter Jackson
Elenco - Andy Serkis (King Kong), Naomi Watts, Adrien Brody, Jack Black, ...
Produtora - Universal
Duração - 187 m
Classificação - m/12
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às dezembro 15, 2005 10:22 PM
Comentários
eu acho isso muito engraçado e queria ver esse filme será que ainda há bilhetes
Publicado por: edvino pedro cordeiro melo às março 16, 2007 02:48 PM
eu gostei muito mas devia aparecer em filipe, porque kem nao ve podia ouvir mas se nao conseguirem podiam por mais imagens!!!!!
Publicado por: liliana tudosã às junho 28, 2006 11:46 AM
o filme e fantastico adorei.
Publicado por: ciomaris monteiro às abril 12, 2006 10:43 AM
hoje, 17-03-2006, assisti a primeira versão de king kong, e logo quase depois de seu lançamento eu assisti a versão dita pelo site......... DEMAIS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
nunca assisti filme melhor! loquei o dos anos 70.........uma bosta! mas este... king kong- melhor filme do mundo!!!
Publicado por: ramirez às março 18, 2006 11:46 PM
Absolutamente fantástico! ADOREI este filme! O Peter Jackson (o meu realizador preferido) voltou a fazer sucesso! Mais um filme incrivel para a sua lista. Muitos parabéns Pete!
Publicado por: Teresa Calado às janeiro 30, 2006 04:43 PM
E uma bela história de amor
Publicado por: fábio belmonte às janeiro 16, 2006 09:50 AM
e uma criaçao surpriedente e exelente
Publicado por: juliana às dezembro 20, 2005 03:29 AM
e uma criaçao surpriedente e exelente
Publicado por: juliana às dezembro 20, 2005 03:29 AM
amigo.. eu ainda reparei num quarto erro, lá no trailer (visto que ainda nao vi a grandiosa pelicula) durante a perseguição dos imensos saurópodes, o actor do pianista(adrien brody) consegue derrubar um velociraptor com mais de 3 metros de altura com um mero pontapé.. a sério.. é um erro escassissimo, mas a mania do hollywoodesco de dar uma importancia enorme aos herois da fita.. chega.. um humano não pode vencer um chimpazé, quanto mais uma criatura pré-histórica daquele "calibre".. fora isso, o filme em si parece me genial, os efeitos estão pura e simplesmente deslumbrantes e realmente aguardo uma oportunidade para ir ve-lo com os meus sobrinhos :P
Publicado por: carLos às dezembro 19, 2005 11:40 PM
Se reparares, o barco tem um enorme espaço, plano, à frente da cabine. Reparei nisso porque comenti com quem estava a ver o filme comigo que "já se estava a ver para que é que iria servir todo aquele espaço"... Infelizmente, esse pormenor não foi esclarecido e, ainda menos, como é que o ergueram para lá. Talvez com o recurso a guindastes, mas o barco não chegava perto de terra, pois não?
Se calhar, fica para a "extended version" em DVD. Isso e a cena que aparecia na apresentação da aproximação ao bote de um monstro subaquático.
Publicado por: Dupont às dezembro 19, 2005 06:50 PM
Belíssimo filme. A tudo isso junte-se o facto do Peter Jackson n ter perdido a capacidade de "enojar" a audiência. O crescendo de impressao nas pessoas da sala aquando da cena de Ann com as centopeias é incrível.
Publicado por: Léccio às dezembro 18, 2005 11:42 PM
Obrigado aos dois ;-) o filme é imperdivel!
Publicado por: Miguel Lourenço Pereira às dezembro 16, 2005 11:44 PM
Ainda não vi o filme e raramente aprovo remakes. Mas adorei o que Jackson fez com a adaptação da trilogia de Tolkien, bem como é de salutar a paixão que este senhor entrega nos projectos que se apodera. Existe algo de esquisito no imenso rol de dissecações que o filme produziu: algumas críticas menos positivas revelam implicâncias e uma atroz ausência argumental para justificar certos dissabores? Serão receios de que o filme de Jackson faça sombra a algo dos seus realizadores preferidos a estrear brevemente? Espero bem que não...
De referir ainda, que Fay Wray (a actriz do "King Kong" original) esteve para fazer um cameo, mas faleceu antes de tal possibilidade se concretizar.
Excelente análise Miguel, bem redigida e sustentada. Parabéns e continuação de óptimo trabalho.
Abraço!
Publicado por: Francisco Mendes às dezembro 16, 2005 06:58 PM
Absolutamente aprovado. King Kong não merecia só cinco estrelas mas bem mais do que isso. Sou um dos maiores fãs de Peter Jackson, e as palavras que escreveu são exactamente aquilo que penso. Frequento bastante o site kongisking.net e um realizador que já ganhou o dinheiro todo que se sabe com a trilogia do senhor dos anéis, podia ficar deitado à sombra da bananeira e ir produzindo uns filmeszitos. Mas Jackson chegou a trabalhar dezoito horas por dia, para concretizar o sonho de realizar este filme. A sua atitude é de louvar. Deixe-me tambem dizer-lhe que escreve muito bem, e que o seu site é um local de visita obrigatória, para pessoas, que como nós somos amantes da setima arte.
Publicado por: André Bento às dezembro 16, 2005 02:13 PM