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dezembro 11, 2005
Oscarwatching2005 - Previsões - Melhor Filme
Um ano cheio de candidatos que se foram auto-desqualificando, por isto ou por aquilo, e que chega agora á fase final numa situação mais confusa do que se imaginava. Para já, o duelo final parece ser a três...





A estreia de Munich só vai acontecer dia 23 de Dezembro, mas muitos criticos já viram o filme.
O mesmo que desde Agosto é tido como o favorito indiscutivel a dominar a noite dos óscares, o mesmo que foi talhado para premiar pela 3º vez o cineasta. Mas as primeiras análises, apesar de elogiarem o filme, são unânimes em considerar que Munich não consegue viver á expectativa que criou. Não está aqui nada que se parece com um Schindler´s List. O filme é muito negro, com falhas, mas mesmo assim uma grande obra. E continua a liderar o trio de favoritos, apesar de tudo.
Foi o primeiro filme a surgir do nada e a questionar a hegemonia pré-anunciada de Munich. Tem tudo para triunfar. Uma profunda história de amor, sepração, dor, notáveis desempenhos, excelente realização, grande trabalho técnico numa paisagem avassaladoramente bela. Só tem um problema: ser uma história de amor sobre dois homens. Esse é o único calcanhar de Aquiles que Brokeback Mountain tem. Pode ser suficiente para arrasar o filme que triunfou em Veneza, logo à partida. Mas pode ser uma questão facilmente superada. No computo geral, o filme continua a poder sonhar com muitas estatuetas douradas.
Foi a surpresa de Dezembro. Quando ninguém esperava algo do genero, eis que King Kong surge do nada e arrebata tudo e todos. A critica, que não tem problemas em declará-lo o filme do ano, ainda este não acabou, com todas as publicações de joelhos diante do trabalho de Peter Jackson. Espera-se que o público vá pelo mesmo caminho, fazendo de Kong o rival de Titanic no box-office. E quem diz no box-office, diz na Academia. O filme, que a ínicio era só um blockbuster de Natal, ameaça tornar-se num sério candidato a conquistar quase uma dezena de nomeações, que fazem dele um dos maiores candidatos à vitória.
O mês de Novembro foi de Walk the Line. Desde o Festival de Toronto que todos falavam do imenso potencial deste biopic de James Mangold sobre a vida de Johnny Cash. O filme tem dois dos melhores desempenhos do ano, boa música, uma história sólida, e todas as condições para ser nomeado em inúmeras categorias. Mas é também um filme algo limitado em potencial. Com a afirmação definitiva deste trio de favoritos a Walk the Line resta-lhe ocupar o papel que Ray teve no ano passado, também ele remetido à quarta posição na lista de favoritos.
A quinta vaga é sempre alvo de algumas surpresas, já que tudo pode acontecer. Memoirs of a Gueisha pode não ter "morrido" antes do parto, The New World pode ser mais uma obra prima de Malick, os membros da Academia poderão ressuscitar Cinderella Man, ou Woody Allen pode fazer das dele com Match Point.
Mas se há filme que há quase quatro meses para cá tem estado sempre, solidamente, no top 5, ele é sem dúvida Good Night and Good Luck. Um filme pequeno, sem grandes ambições visuais, mas poderoso na forma como é filmado e na história que conta. Um trabalho intimista, que pode ser demasiado pequeno para a Academia, mas que poderá resultar em diferentes sectores, valendo assim a nomeação final para a segunda obra de George Clooney.
QUEM PODE SER NOMEADO
- Memoirs of a Gueisha
O filme era um dos favoritos à partida, mas de repente começaram as polémicas à volta do leque de actrizes escolhidas. Depois vieram as primeiras criticas duras ao filme, especialmente tendo em conta a superficialidade da história. No final, a subida de forma de Walk the Line e o aparecimento de King Kong podem fazer o resto. E de favorito, Memoirs of a Gueisha arrisca-se a ficar de fora.
- The New World
Ainda ninguém viu o filme de Terrence Malick, e talvez por isso, ningúem saiba o que fazer com ele. Se o filme for um digno sucessor de The Thin Red Line, então será um dos mais sérios candidatos a filme do ano, e acabará por ser nomeado de alguma forma. Mas se não for - e essa é a imensa dúvida - porquê arriscar nele já, até mesmo numa altura em que Munich, Brokeback e King Kong parecem decidir tudo entre eles. Um filme que pode pecar por chegar tarde demais.
- Cinderella Man
O filme foi um flop de bilheteira. Certo. Russell Crowe não é propriamente um dos homens mais amados de Hollywood. Certo. Todo o filme foi feito por nomes já premiados nos últimos cinco anos, e isso pode jogar contra si. Certo.
Mas Cinderella Man tem todos os condimentos de uma grande história. O falhanço no box-office não tem explicação, mas tudo o resto está lá. Neste momento é um dos filmes do ano e com a campanha certa, e aproveitando os erros dos outros, não é de excluir que o filme ainda esteja na corrida.
- Match Point
Woody Allen é um dos icones do cinema norte-americano. No entanto Annie Hall foi a sua única consagração máxima, há quase 30 anos. Hoje o cineasta atravessa uma nova fase da sua carreira, e Match Point é a prova disso mesmo. Um elenco jovem, um novo cenário (Londres), uma história bem montada, os aplausos em Cannes. Hollywood gostava de patrocinar o renascer de um "monstro" como Woody Allen. Resta saber, em detrimento de quem.
- Crash
Foi um dos filmes que mais tempo esteve em exibição este ano. Apaixonou tudo e todos. Critica e público, produtores e cineastas. Hollywood vibrou com a obra de estreia de Paul Haggis, que ainda hoje, a começar Dezembro, continuará certamente a ser o filme favorito de muitos. Resta saber se chega para conseguir ombrear com todos os outros gigantes que lutam por um lugar ao sol.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às dezembro 11, 2005 03:27 PM
Comentários
Minha lista de Janeiro provavelmente ficará parecida com a sua, tendo CRASH como azarão.
Cumps.
Publicado por: Gustavo H. Razera às dezembro 12, 2005 01:13 AM
O Kris Tapley, por exemplo, faz dele o pior filme do ano!
Publicado por: Miguel Lourenço Pereira às dezembro 11, 2005 07:29 PM
As (poucas) críticas ao The New World são muito boas. Se continuar assim deverá derrotar o Good Night and Good Luck na nomeação.
Publicado por: Miguel Galrinho às dezembro 11, 2005 02:58 PM