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dezembro 23, 2005

Oscarwatching - Você é Munich positivo ou Munich negativo?

O facto de ser um dos realizadores mais amados da actualidade, permite a Spielberg ter, mesmo quando falha, uma legião de apoio. Munich está longe de ser um falhanço (estreou hoje apenas), mas é um caso bicudo, com algumas reviews positivas, outras negativas, e muitas a puxarem para cima num claro acto de campanha. Foi por isso que esta semana surgiu um novo conceito: ou se é a favor ou contra Munich. Porquê?
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O filme é pró-israelita ou anti-semita? Ninguém parece conseguir definir a essência de Munich, mas as criticas de ambos os lados minaram de imediato a reputação do mais recente filme de Steven Spielberg. A ausência de prémios e nomeações constrastaram com o lugar de Munich em alguns tops de criticos conceituados. Mesmo assim o unanimismo que havia à volta de Munich antes de estrear hoje já não existe. E há tantos detractores como apoiantes. Como sempre, a nata escolheu o seu "amor" este ano. Como já tinha acontecido com The Aviator no ano passado, Munich é o filme que luta contra a hegemonia do polémico Brokeback. É de um realizador altamente apreciado e é um filme muito artistico e profundo, diz-se. Razões para que muitos tenham escrito louvores dignos de uma obra-prima, quando na realidade o pensamento comum está bem longe de atingir este patamar. Os detractores acusam Spielberg de ter perdido a capacidader de contar histórias, de se ter envolvido em demasia na politica. Para eles um nome não faz um filme. E lá por ser de Spielberg, isso não faz de Munich um grande filme.
Ambos os lados têm razão. Ambos os lados têm nomes de peso a apoiá-los. Este confronto entre criticos e personalidades da indústria pode ser decisivo para ditar o sucesso final de Munich. Se os criticos triunfarem, Brokeback tem o caminho cada vez mais livre. Mas se acontecer o oposto, e o filme de Ang Lee cair em desgraça, a verdade é que Munich pode voltar a ser o filme do ano. Como se nada tivesse passado.
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A grande surpresa do ano parece ser Terrence Howard. O actor já tinha dado nas vistas em Crash, com um papel segurissimo, como todos os do filme aliás, mas é por Hustle and Flow, a história de um chulo que tenta tornar-se numa estrela de rap, que o actor tem recebido os maiores elogios. Um dos desempenhos do ano, com direito a prémios e menções honrosas. Se algum dos cinco nomes em destaque (Hoffman, Ledger, Phoenix, Straiharn, Bana) falhar, Terrence Howard poderá tornar-se no upset do ano.
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A possibilidade da BFCA premiar de forma especial Andy Serkis pelo seu desempenho em King Kong, numa personagem totalmente criada a computador, pode abrir um importante precedente. Quando a personagem principal de uma história não é um actor, mas sim uma personagem, animal ou criada por cgi (Babe, Who Framed Roger Rabitt, E.T...) a Academia normalmente torce o nariz e desvia o olhar. Com este prémio, King Kong pode ter quebrado um grande tabu. A questão é saber se o resto da aldeia vai na conversa.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às dezembro 23, 2005 11:20 PM

Comentários

Estou a matutar sobre a situação de MUNIQUE em relação às críticas há semanas. Mesmo as positivas acusam o filme de ser "frio", "distante" e "não-sentimental", fatores que podem desviar o interesse da Academia para BROKEBACK MOUNTAIN. As negativas atacam pelo mesmo lado - e ainda mais a posição política neutra do roteiro. Um beco sem saída? A luz no fim do túnel só virá se o filme de Ang Lee, como disse, cair em desgraça - mas parece que isso não irá ocorrer...

Publicado por: Gustavo H. Razera às dezembro 24, 2005 01:59 PM

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