« Ai vêm eles... | Entrada | Ciência vs Religião diz Spurlock »

dezembro 23, 2005

The Family Stone - Laços de Familia

Uma familia é, feitas as contas, o mais precioso que cada um de nós tem. Mesmo nos momentos de maior solidão, de dor, mas também nos momentos de alegria, podemos contar sempre que ela esteja lá. E amamo-la por isso, mesmo que dentro dela existam individuos completamente diferentes, muitas vezes de nós próprios.
The Family Stone é uma carta de amor à familia...
Filme de familystone.giffamilystone.giffamilystone.gif
thefamilystone_bigearlyposterss.jpg

Lá fora neva. É Natal. Poderia ser um Natal como qualquer outro. Mas não é. Falta alguém. Alguém que todos amam. Que todos respeitam. De quem todos sentem falta. Um Natal que poderia ser como qualquer outro. Mas que não é. Porque uma familia é um bloco. E quando um deles não está, todos o sentem. Está no olhar, mesmo disfarçado. Nos gestos, nas palavras. O sentimento de perda, mesmo escondido, está lá.
Rewind. Um ano atrás precisamente. Lá fora não neva, mas o chão está branco. É Natal. Poderia ser um Natal como qualquer outro. Mas não é. Há alguém novo a conhecer. Alguém que ninguém parece gostar. Alguém que acham que está a mais. Alguém que se sente a mais. Um Natal que poderia ser como qualquer outro. Mas que não é. Porque uma familia é um bloco e olha desconfiado para um novo "membro". E esse fantasma irá marcar este Natal de uma familia que poderia ser uma familia como as outras. Mas que não é. É a familia Stone, onde cada um é mais excêntrico que o outro. Uma familia que é fácil odiar, mas que é ainda mais fácil amar.
diane_keaton8.jpg

The Family Stone é a estreia de Thomas Bezucha atrás da camara numa grande produção. Antes disso tinha apenas um filme no curriculo. Algo que se nota, duplamente. Primeiro porque há ainda uma camara presa nas mãos de Bezucha. Há dificuldade em soltar-se e deixar-se ir com a cena, e algumas cenas são demasiado básicas para um filme ambicioso. No entanto nota-se a frescura da primeira vez (que não é bem a primeira, mas é como se fosse), alguns toques originais que indicam que há ali qualquer coisa a ter em atenção. O mesmo se passa com o guião, com muitas arestas por limar, mas que no fundo parte de uma boa premissa que é bem conduzida, de forma geral, pecando apenas pelo exagero de personagens, que acaba por ser interessante em termos de panorama, mas que prejudica o desenvolvimento de personagens já de si estimulantes de conhecer.
O filme pauta-se por um humor, muitas vezes demasiado fácil, mas sempre com uma mensagem por trás. A tolerância, o amor, o respeito pelo próximo, o seguir o sonho, são tudo coisas muito bonitas de se dizer, mesmo em filme de Natal, mas têm de fazer sentido. Neste filme fazem. Mesmo que por vezes não o pareça. E quando caminha por esse rumo, da mensagem de fraternidade, o filme torna-se mesmo delicioso. O pior são mesmo os risos forçados que o cineasta tenta arrancar, e que por vezes até resultam. Mas não há fórmula que falha. O pior é que aqui, falha vezes demais.
dermot_mulroney11.jpg

Quando falamos de elenco, há muito por onde se pegar já que Bezucha conseguiu reunir um excelente grupo de actores à sua volta. A começar pelos mais veteranos, é preciso dizer que Diane Keaton está em excelente forma. Desde Something´s Gotta Give que a actriz ressuscitou depois de quase duas décadas em que andou desaparecida, fora alguns trabalhos ocasionais. Este seu papel ajuda-a a explorar uma faceta cómica, que Keaton tem e nunca foi devidamente aproveitada, mas mantem o dramatismo habitual das mulheres que "encarna" com tanta genialidade. No entanto, falta-lhe tempo de cena, tal como acontece com Craig T. Nelson, que tem uma das mais fascinates e menos aproveitadas personagens da história. Ambos foram falados para o óscar secundário, mas é dificil com tão pouco tempo de cena concorrer com rivais temiveis como os há este ano (Bello, Keener, Weisz, Williams e Li para Keaton e Clooney, Giamatti, Harris, Dillon e Gyllenhall para Nelson). Quanto ao restante elenco, tanto Luke Wilson como Dermot Mulroney estão irrepreensiveis, ambos em papeis que lhes encaixam como uma luva. Claire Danes é um raio de luz num ambiente sempre pautado por cores muito escuras, e a sua chegada coincide com uma reviravolta muito bem conseguida por Bezucha.
Rachel McAdams continua a mostrar porque tem potencial para ser uma das actrizes da sua geração, parecendo, em traços e forma de representar, muitas vezes a própria Keaton, nos primórdios da década de 70. Depois de The Notebook, Wedding Crashers e Red Eye, este é mais um desempenho de alto nivel de uma actriz a ter em atenção. Para o fim fica Sarah Jessica Parker. A actriz celebrizada por Sex and the City tem tentado poucas incursões no cinema, mas a nomeação ao Globo deixava água na boca. No final a personagem era a mais dificil de viver e isso nota-se na sua performance, que não deixa de ser mediana, apesar de cumprir os requisitos minimos que se esperavam dela.
sarah_jessica_parker4.jpg

Natal. Época perfeita para pensarmos sobre a familia. Sobre o que ela representa. Para nós. Para o próximo. Um filme de época é sempre um filme de época. Diz-nos sempre mais alguma coisa, do que diria se estreasse em pleno Verão. Mas também é preciso encontrar estes filmes de vez em quando. Filmes que olhem para a vida sem cinismo, sem questões demasiado profundas. Filmes que nos ofereçam uma viagem para uma história que podia ser a de qualquer um. Com todo o humanismo que caracteriza cada um de nós. E com a dose certa de neve e de amor, suficiente para conquistar os nossos corações.

Classificação - familystone.giffamilystone.giffamilystone.gif

O Melhor - O leque de bons actores que Bezucha reuniu para a sua familia. Muita competência e bastante talento que fazem do filme algo bastante agradável.

O Pior - Alguns diálogos e cenas são demasiado forçadas, mais parecidos com uma screwball comedy, o que não acenta muito bem neste filme.

Curiosidade - No papel de Luke Wilson foram testados Billy Crudup, Johnny Knoxville e Aron Eckhart. A escolha acabou por ir para Wilson, que contracena aqui com Rachel McAdams, ela que já tinha trabalhado com o seu irmão, Owen Wilson, em The Wedding Crashers.

Site Oficial - www.thefamilystonemovie.com

Realizador - Thomas Bezucha
Elenco - Diane Keaton, Sarah Jessica Parker, Dermot Mulroney, ...
Produtora - 20th Century Fox
Classificação - m/12
Duração - 102 m

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às dezembro 23, 2005 03:18 AM

Comentários

Comente




Recordar-me?