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janeiro 09, 2006

ANTEVISÃO - Match Point

Chamaram-lhe o melhor Allen dos últimos anos, ignorando que Anything Else e Melinda and Melinda já eram um excelente progresse face aos seus filmes pós-Everybody Knows That I Love You. Foi o seu primeiro filme filmado longe da sua amada Nova Iorque. Talvez por isso a história seja mais crua. Woody Allen de regresso as origens?
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O eterno nova-iorquino mudou-se de armas e bagagens para Londres. Filmou Match Point, está a filmar Scoop, já deu uma vistas de olhos por Barcelona, onde pode ser o seu próximo filme...ou seja, estará Allen de costas voltadas para a América?
Dificilmente, mas a verdade é que muito mais maturidade e realismo nas suas personagens deste drama em terras de sua Majestado do que havia nos seus últimos trabalhos, há um bom tempo aliás. A critica, que elevou Woody ao paraiso e depois, de certa forma, deixou-o cair nos últimos anos, tem tentado colocar Allen de novo no trono de "autor entre os autores" do cinema norte-americano. As derivas comicas do cineasta nos últimos anos não agradaram nem a gregos nem a troianos, mas o realizador, já de si envolto em grande polémico (não é todos os dias que um homem casa com a sua filha adoptiva, de quem tem hoje uma filha), parecia pouco preocupado. Afinal, ele é Woody Allen, não Ingmar Bergman como gosta de dizer. Mas a verdade é que dele se espera sempre o melhor, e por isso, as expectativas para Match Point colocaram a fasquia bem alta. Um erro talvez!
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O filme, que conta a história de um homem, treinador de ténis, que casa com uma rica menina de familia, irmã de um amigo recente, e que assim vê um mundo inteiramente novo abrir-se diante dos seus olhos. Um mundo que não vai querer perder, mas que colocará em risco ao apaixonar-se pela noiva do seu amigo, a atrevida Nola que se torna, a pouco e pouco, numa obsessão. A escolha está entre uma vida de luxo como sempre sonhou ou uma vida ao lado de uma mulher sedutora, mas que a longo prazo poderá ser mais uma paixão passageira sem qualquer segurança financeira.
Um filme que é, acima de tudo, sobre a ganância e a traição, um tema bem ao estilo do Allen dos anos 80, aqui retratado com uma crueza há muito escondida na obra do nova-iorquina.
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Para este seu "comeback" ao drama, Allen decidiu trabalhar com um elenco maioritariamte inglês. Jonathan Rhys-Myers é uma personagem que não é muito comum nas suas obras, sempre mais obsessivas e compulsivas do que habitual. Uma revelação este jovem britânico de quem muitos falam há já bastante tempo. Tal como acontece com a actriz Emily Mortimer, um peão nas mãos de Rhys-Myers, que é manobrado com extrema delicadesa e que consegue alguns dos melhores momentos do filme, que tem ainda o veterano Brian Cox como chefe de familia.
Mas claro que a grande atração do filme é Scarlett Johansson.
A nova musa do realizador - já fez com ela Scoop e quer fazer mais, muito mais filmes - é a sedutora Nola, um papel que parece tirado a papel quimico da própria Johansson, que já confessou ter encontrado espantosas semelhanças entre ela e a sa personagem.
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O filme tem sido bem recebido pela critica. Não como um grande filme, mas como um venerável comeback. Ninguém vê ali um Annie Hall, Manhatan, Hannah and her Sisters ou Interiors, mas a verdade é que Match Point parece apontar o caminho certo para o futuro. Mesmo assim há as criticas do costume, ou dos que nunca entenderam o cineasta, ou então aqueles que cortaram relações com Woody há muito tempo. Para uns e para outros o filme falhou. As associações de prémios também pareceram pouco convencidas, mas isso deve-se essencialmente à estreia tardia do projecto que deixou Cannes apaixonada. Os outros aprovaram. Quando chegar a Portugal, Match Point será obviamente um filme obrigatório.


O QUE SE DIZ

"Allen evoca Dostoievsky e Dreiser, mas não esperem justiça num final chocante que consegue ser tanto demoniocamente engenhoso como moralmente repugnante. Há muito que um filme de Woody Allen não levantava um interessante debate. Aproveitem!"

Peter Travers, Rolling Stone

"Allen criou um dos seus filmes mais fortes em anos."

Richard Roeper, Ebert and Roeper

"Se alguma vez fosse preciso demonstrar o caso de um artista que encontra inspiração no estrangeiro, a primeira experiência de Allen fora de Nova Iorque é um óptimo exemplo."

Desson Thomson, Washington Post

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às janeiro 9, 2006 12:53 AM

Comentários

Gracias ;-)

Publicado por: Miguel Lourenço Pereira às janeiro 10, 2006 01:08 PM

off topic: fantástico weblog sobre cine. Opiniones ajustadas, conocimientos cinematográficos, curiosidades y actualidad unidas. Lo he encontrado por casualidad buscando documentación sobre algunas películas y me ha enganchado. Recomendaré su lectura a mis alumnos de comunicación audiovisual. Enhorabuena

Publicado por: patronus às janeiro 9, 2006 11:37 PM

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