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janeiro 16, 2006

ANTEVISÃO - The Squid and the Whale

O cinema indie norte-americano continua a mostrar uma vitalidade e uma originalidade que os grandes estúdios não conseguem desenvolver. Os últimos anos têm sido marcados por êxitos populares vindos directamente do cinema independente. Em 2005 o fenómeno não atingiu o mesmo nivel de popularidade, mas Noah Baumbach continua a provar que o talento existe. É preciso é procurá-lo...
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The Squid and the Whale, titulo improvável para qualquer filme, é mais um capitulo na saga do cinema indie norte-americano. Depois dos sucessos dos filmes de Wes Anderson, Sofia Copolla, Paul Thomas Anderson ou Alexander Payne, há mais um jovem autor a afirmar-se no meio, com extrema originalidade e com uma notável capacidade para contar uma história simples, mas extremamente sedutora.
Na década de 80 uma familia está a viver o caos em Nova Iorque. A separação é a única solução, mas como é que os filhos do casal vão enfrentar esta realidade?
Disfunção familiar numa familia que tem tudo de original como de mundano. Um pai, autor frustrado na América dos anos 80. A mãe, filha da Flower Power que não consegue encontrar-se neste mundo tão estranho para ela. Um filho mais velho, apaixonado pelos Pink Floyd e que tenta esconder o que as zangas entre os pais realmente lhe custam. E um filho mais novo, a descobrir a sua sexualidade e a tentar perceber como é que um grupo familiar aparentemente tão unido pode estar à beira do desmembramento.
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Noah Baumbach é um autor em ascensão. As várias nomeações e prémios que o filme tem recebido, quer pelo seu guião quer pelo seu trabalho atrás da camara, têm sido apenas uma pequena amostra do potencial deste cineasta, capaz de criar com enorme humanismo a dificil realidade do desmembramento familar.
Mas Baumbach, que é o ponto nuclear do projecto, teve a felicidade de contar com um elenco que representa de forma perfeita cada uma das personagens que o autor criou. Jeff Daniels, o homem que já fez de tudo um pouco, surge num visual ao estilo de Nick Nolte como o amargurado pai, o filho desencantado dos anos 60 que não encontra o seu espaço nos anos 80. Com nomeações e prémios, Daniels revitaliza a sua carreira com este papel, provando que a teoria de que o cinema indie faz bem aos actores é bem verdadeira. Já Laura Linney mantém o seu habitual registo, que tem a capacidade de se integrar bem com a sua personagem. Os filhos do casal, Jesse Eisenberg e Owen Kline são duas das grandes revelações do ano nos jovens actores norte-americanos, e têm algumas das melhores cenas de todo o filme.
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Em tom negro, como de recordação de um passado doloroso, Baumbach cria um filme semi-biografico, pautado com uma banda sonora que acompanha a própria época de forma singular. O que mais tem sido apreciado em The Squid and the Whale é a honestidade do guião, a mesma honestidade e naturalidade com que o cinema indie norte-americano se tem vindo, gradualmente, a impor ás grandes produções dos estúdios, como os melhores trabalhos do ano.
A ideia de que menos é mais, no que ao orçamento diz respeito, começa claramente a fazer sentido com filmes deste género. Hollywood continua a viver para as grandes produções, mas quem admira o cinema norte-americano encontra em filmes como este uma boa razão para ir até à sala do cinema. Porque quando se conta a vida como ela é, com a frontalidade e humanidade que são sempre necessárias, então estamos defronte de algo que vale mesmo a pena conhecer.

O QUE SE DIZ

"Sem as lágrimas habituais mas com um charme bem ácido, o filme extremamente humano de Baumbach toca bem fundo."

Peter Travers, Rolling Stone


"Trabalhando sobre a sua própria infância, Noah Baumbach junta um retrato surreal, mas divertido, de uma familia em crise e da forma como um jovem tenta entender os seus pais, bem como a ele próprio!"

A.O. Scott, New York Times

"Um retrato incisivo e intimista de uma familia de Brooklyn a desmoronar-se, contado pelos seus dois filhos!"

Claudia Puig, USA Today

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às janeiro 16, 2006 03:54 PM

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