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janeiro 18, 2006
O Que Estreia Por Cá - Mr. Allen goes to London
O que faz Woody Allen fora de Nova Iorque? O mais improvável dos cenários aconteceu, e o mais nova-iorquino de todos os cineastas partiu para Londres. Mais amargo, cinico e mordaz, o seu novo filme traz de volta o Woody Allen que desapareceu há mais de dez anos. Porque por ele, a espera vale sempre a pena...

O ritmo do novo Woody Allen distancia-se imenso dos seus últimos trabalhos. Desde Everybody Says That I Love You, a brilhante comédia musical de 1996 que o cineasta se tem perdido pelo mundo das comédias. Entre elas estão algumas pérolas, é certo, mas a verdade é que o nivel a que um dos mais amados realizadores do mundo habitou os seus fãs, desceu bastante. Esperava-se que Match Point fosse o momento da viragem.
Tudo indica isso mesmo. Com um argumento mais realista e critico que qualquer um dos seus antecessores, Woody Allen volta a trabalhar os amores e desamores dos casais contemporâneos, sempre sob o pano da traição, do desencanto e do estrato social. Desta vez é um jovem treinador de ténis que alcança o que nunca tinha pensado conseguir, mas apenas por via do casamento. Quando o coração o empurra para uma jovem sensual norte-americana, namorada do cunhado, mas a razão lhe diz que um estilo de vida como o que ele tem é melhor que qualquer tipo de amor, passageiro ou não, então estamos definitivamente sobre um território que Allen é mestre em explorar.
Depois de encantar Cannes, de quatro nomeações aos Globos de Ouro, do muito que se fala na quimica entre Scarlett Johansson - a nova musa do autor - e da promesa Jonathan Rhys-Myers, a expectativa é alta.
Tal como o titulo - e já agora, o trailer - tudo pode acontecer, tanto na primeira como na segunda opção. Que opção escolher, isso já cabe a cada um de nós. No mundo de Woody Allen as suas personagens estão mais sombrios, mais egocêntricas e mais cinicas. E se não há esperança para elas, haverá para nós?

Há mais quatro filmes a estrear esta semana recheada de regressos.
Jane Austen está efectivamente de regresso ao cinema. A adaptação de uma das suas mais populares obras, Pride and Prejudice, faz-se desta vez pela mão do pouco conhecido Joe Wright. A história da liberal e ousada Elizabeth Bennet, e da sua relação de amor ódio com Mr. Darcy, sob o cenário da austera Inglaterra georgiana. Keira Knightley aproveita para se consolidar como actriz a ter em linha de conta num elenco cheio de veteranos (Brenda Blethyn, Donald Sutherland, Judi Dench...) e com a revelação Mathew McFaydden.

Um cineasta de culto que também está de regresso é Atom Egoyan. O canadiano traz Where The Truth Lies, um filme que deu que falar em Cannes, e também nos Estados Unidos, demasiado puritano para o filme que conta como dois artistas extremamente populares na década de 50 viram as suas carreiras postas em causa quando um jornalista decide descobrir um estranho facto que tinha ficado escondido durante muito tempo. Um ambiente de cinema noir onde predomina o suspense e um imenso erotismo. Colin Firth, Kevin Bacon, Alison Lohmann e Kristin Adams estão no elenco.

Jigsaw é outro nome que está de volta. Depois do sucesso estrondante de Saw, há mais uma dose de masoquismo, neurose e suspense em Saw II. Desta vez Jigsaw é preso facilmente, mas o seu jogo desenrola-se noutro tabuleiro. Sete pessoas estão ás portas da morte se não conseguirem resolver os puzzles complexos que o temivel homem criou como presente de despedida. Donnie Whalberg, Shawnee Smith e Tobin Bell marcam presença no filme realizado por Darren Lynn Boussman.

Primer esteve no último Fantasporto e estreia agora nas salas comerciais. O filme de Shane Carruth, onde o próprio entra ao lado de David Sullivan, conta a história de dois engenheiros que descobrem um aparelho que reduz a massa aparente de qualquer objecto. Agora têm de perceber como utilizar esta brilhante descoberta, e mais ainda, como viver as consequências dos seus actos.

O Hollywood Recomenda - Um filme de Woody Allen fala por si só. Mesmo o pior filme do cineasta é um filme melhor que muita da concorrência. Os sinais de Match Point têm sido positivos, a ida ao cinema é inevitável.
O Hollywood Desaconselha - Entre os amantes do cinema fantástico, os fãs de Woody Allen e Etom Egoyan ou os apreciadores da obra de Jane Austen, há um pouco de tudo. E nada é de se deitar fora.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às janeiro 18, 2006 12:56 AM
Comentários
Jonathan Rhys-Myers uma promessa?! Não concordo. É mais uma confirmação do que uma promessa ou revelação. Na altura em que participou no Velvet Goldmine (1998) aí sim foi uma promessa...
Passa pelo meu blog. Fiz umas alterações no template. ;)
Abraços.
Publicado por: Tiago Teixeira às janeiro 18, 2006 12:50 PM
O Primer é um bom bocado mais complexo que aquilo que o descreves Miguel. Já o vi e posso garantir que nem à segunda vez o entendi perfeitamente, mesmo com uma explicação quase "play-by-play" no final. É interessante e perturbador, exemplo de como se pode fazer um excelente filme com uma boa dose de amadorismo.
Já o Saw II anuncia algo de preocupante: o espremer de um limão agradável à primeira degustação mas que amarga a boca se continuado a ser bebido. Parece mais do mesmo e a surpresa/novidade já se foi.
Publicado por: João André às janeiro 18, 2006 09:31 AM