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janeiro 31, 2006

Oscares2005 - Primeira análise

Para mais logo fica uma análise detalhada das consequências das nomeações desta manhã. Em termos de prognósticos, uma percentagem de 83% nas dez principais categorias ficou manchada pela razia nas categorias técnicas, onde os número desceram abaixo dos 50%. Muitas surpresas aí de facto.
Num ano onde a diferença entre o filme mais nomeado e o décimo é de apenas quatro nomeações, tudo pode acontecer. Aqui ficam alguns pontos de reflexão:

- Brokeback Mountain é um lider fragilizado. Oito nomeações não são nada, especialmente em categorias onde o filme dificilmente vencerá. A sua posição de força está ameaçada, e o melhor que tem neste momento é o facto do seu rival mais visivel, ter ficado de fora.

- Os fãs de Munich ficaram contentes mas é cedo para festejar. Um filme vencer sem qualquer nomeação entre os actores era bastante surpreendente, e Munich conseguiu nomeações cirúrgicas. Ninguém percebe o porquê da nomeação a melhor filme, até porque o apoio dado ao filme pelas Guilds foi praticamente nulo, e sem o apoio dos actores (não há nenhum de Munich nos vinte eleitos) dá a ideia de uma candidatura igualmente frágil.

- Good Night and Good Luck. é um dos grandes vencedores. Com apoios entre os técnicos e os actores, é o filme com uma das mais largas e sólidas bases de apoiantes. Um actor secundário nomeado e o filme estaria taco a taco com Brokeback. Mesmo assim, torna-se num dos favoritos.

- Crash era o favorito sentimenal e pode continuar a sê-lo. Esperavam-se mais actores secundários e essa ausência fragiliza um filme sem apoio técnico. De qualquer forma surpresas podem acontecer, mas será dificil vencer mais do que dois óscares.

- Capote só teve o apoio que se esperava, ou seja, por parte dos actores, argumentistas e realizadores. Dificilmente é filme para vencer, mas esse é um apoio sólido e no final poderá ser dos poucos filmes a tê-lo de facto.

- Walk the Line tem cinco nomeações, mas nenhuma em filme, argumento ou realização. Os dois últimos eram esperados, mas o primeiro é uma surpresa. Desde os anos 70 que nenhum filme com receitas superiores a 75 milhões fica de fora. Walk the Line era o único em contenda que estava nesses números. A nomeação de melhor filme fazia dele um favorito, já que o apoio dos técnicos e dos actores parece inegável. Um caso surpreendente, e bastante estranho.

- Keira Knightley como melhor actriz segue o caminho de surpresas dos últimos anos com Catalina S. Moreno e Keisha Castle-Hughes. Uma jovem e bonita actriz num papel diferente do que estamos habituados a ver. Mas dificilmente material para óscar, especialmente tendo em conta a concorrência.

- Terrence Howard bateu o favorito Russell Crowe, aguentou os ataques dos fãs de Munich e conseguiu a sua nomeação. É um triunfo pessoal de um actor que puxou muito pelo seu filme e que se vê agora na iminência de se tornar uma agradável surpresa.

- As ausências de Star Wars III (só nomeado em maquilhagem) e Charlie and the Chocolate Factory (só nomeado em guarda-roupa) são surpresas, pelo sucesso que tiveram, e pela qualidade do seu trabalho técnico. Mais um ano cheio de escolhas bem mais convencionais como as de Memoirs of a Gueisha, um dos filmes favoritos dos técnicos, mas que não passou disso mesmo.

- Apenas três temas originais. Uma surpresa e uma novidade. Uma licção também para a Academia que anualmente excluiu muitos candidatos sem se perceber bem o porquê. Desta vez em 42 nomes prefiriram escolher apenas 3 quando havia boas apostas deixadas de fora. Ninguém percebe.

- A escolha dos filmes animados merece aplausos. Nada de filmes por animação por computador, em três obras artisticamente muito bem conseguidas. Já a escolha dos documentários seguiu o caminho inverso, o dos grande êxitos. Os filmes estrangeiros foram o que se esperavam, com a surpresa italiana sobre a aposta brasileira.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às janeiro 31, 2006 03:03 PM

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