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janeiro 13, 2006

Oscarwatching - Alguém os consegue parar?

Quando a temporada arrancou, falava-se insistentemente de dois nomes para os óscares de Melhor Actriz e Melhor Actriz. Isso foi em Setembro. Hoje, quase meio ano depois, os dois nomes são os mesmos. E parecem imbativeis. Venceram mais prémios que qualquer outro rival na sua categoria, e se os juntarmos ao igualmente "imbativel" Brokeback Mountain, os três têm mais vitórias juntos que todos os outros. Sinais do futuro? Afinal, quem consegue parar estes dois?
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Ele tem 17 vitórias até ao momento. Mais alguns - poucos - segundos lugares nas listas dos criticos. Nomeações ao SAG e Globos de Ouro. Ela tem 11 triunfos, igualmente nomeações no SAG e nos Globos de Ouro, e também alguns segundos lugares.
A questão agora é saber se estes dois cobiçados óscares serão entregues com tanta antecedência, ou se podemos esperar surpresas de última hora?

Philiph Seymour-Hoffman tinha um rival de peso. Após o Festival de Toronto só se falava de como Walk the Line ia sair da cerimónia com dois óscares de melhor actor e actriz, tais eram os elogios a Joaquin Phoenix. No entanto a maioria preferia Hoffman, acreditando no entanto que ele não chegaria lá. Mas chegou, e hoje já ninguém fala de Phoenix. Nomeações sim, lugares nos tops também, mas o actor não venceu um único prémio este ano e é improvável que o venha a conseguir. É um forte candidato mas neste momento limita-se a fechar o conjunto de nomeações garantidas, nada mais.
O grande rival do homem que encarnou na perfeição Truman Capote, é na verdade a estrela do filme de quem todos falam: Heath Ledger.
Não venceu por questões exta-concurso a copa Volpi em Veneza, e a verdade é que, face ao vendaval Seymour-Hoffman, ainda só triunfou por seis vezes na categoria de melhor actor. Mas num duelo mano a mano com o veterano actor secundário, em prémios como os Globos ou o SAG, divide com ele o favoritismo, e tudo pode acontecer.
David Straiharn (o vencedor em Veneza) também parece estar a caminho da nomeação e essa será sempre a sua vitória. Já a quinta vaga, muito longe de incomodar Hoffman, será disputada entre Russell Crowe, Terrence Howard, Ralph Fiennes e Jeff Daniels. Qualquer coisa para além disto (mesmo Eric Bana) será sempre uma surpresa.
E no meio de tudo isto ficamos a perceber que a recente popularidade de Capote - que lhe pode mesmo valer uma improvável nomeação para Melhor Filme - acenta em Philiph Seymour-Hoffman. E assim é dificil!
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Já no universo das actrizes a questão é mais complexa, até porque esta é uma das categorias mais concorridas do ano. E onde tudo pode acontecer.
No inicio - para além da inevitável Reese Whiterspoon, que desde sempre andou nas bocas do povo - todo o buzz estava num eventual segundo óscar para Charlize Theron. Depois veio Judi Dench e todos apostaram na veterana. Começaram a sair os prémios e passou a ser Felicity Huffman, com cinco vitórias, o nome a ter em conta. E houve ainda o apoio a Joan Allen, Keira Knightley e Zhang Ziyi, para não falar dos entusiastas de Gwyneth Paltrow, Naomi Watts ou Sarah Jessica Parker.
Mas como se costuam dizer, os cãos ladram e a caravana passa. Enquanto os criticos procuravam a next big thing, os jornalistas teorizavam sobre quem ficaria bem a receber a estatueta dourada, Reese Whiterspoon fez o que Joaquin Phoenix não conseguiu fazer: conquistou o Mundo.
Uma serie de galardões, elogios sem fim, nomeações garantidas com a maior das facilidades e o titulo praticamente atribuido, e pouco falta para a menina querida da América, a mesma que há dois anos atrás completava a serie de filmes Legally Blonde, ser a rainha da noite. Qualquer outra decisão terá pouco a ver com cinema e muito a ver com a habitual mania da Academia de premiar nomes e não performances. Caso contrário, esta categoria parece estar fechada.
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Capote, Walk the Line ou Munich?
Ao que parece haverá duas vagas para estes três filmes. Isto se não houver algum surpreendente comeback de trabalhos como King Kong, Cinderella Man, ou a surpresa chamada A History of Violence. Cenários improváveis que deixam a corrida reduzida a estes filmes.
Com Brokeback Mountain, Good Night and Godd Luck. e sim, Crash, como filmes praticamente assegurados, fica a dúvida no ar.
Walk the Line tinha muito apoio em Outubro, mas ele foi desaparecendo. Sempre é o filme que mais dinheiro amealhou, o mais popular de todos eles e tem a futura melhor actriz no elenco. Mas neste momento está tremido, muito tremido.
Munich tem os problemas que todos conhecem. Estrutura do filme, a polémica criada à volta da temática, fracas interpretações, problemas técnicos (Kaminski fora dos nomeados da sua guild?) podem colocar o favorito dos favoritos em risco de ficar de fora. Mas depois há o efeito Spielberg, e a balança volta a equilibrar. No final de contas, será por uma unha negra a decisão.
A grande surpresa do ano - mesmo tendo Crash em linha de conta - é Capote. Um filme de pequeno orçamento, acente no desempenho do seu actor (apesar de Catherine Keener estar a ser premiada), com um trabalho de realização competente para um estreante, Benneth Miller, e de repente o filme está nas bocas de toda a gente. Nomeação ao PGA, DGA, SAG, Globos de Ouro e tudo o mais. Está a subir claramente, e as nomeações nas Guilds provam que não é só um filme de actores. Poderá ser o carrasco de Munich. A ver vamos!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às janeiro 13, 2006 02:49 PM

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