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janeiro 21, 2006
Where The Truth Lies - Menage a trois...
A presença constante de uma narração em off a três vozes quase que faz desta história um falso documentário, apimentado com sexo, mentira e sedução. Mas em Where the Truth Lies não há nada de documental, senão um piscar de olhos à dupla Jerry Lewis-Dean Martin. O que há é um argumento colado à pressa e com pouco jeito, e um imenso pretenciosismo que destroi três bons desempenhos.
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Há um sentimento de copy paste que vai percorrendo todo o filme, e que certamente não seria o objectivo de Atom Egoyan. O realizador egipcio que despontou com o interessante Exotica, consegue fazer do seu mais recente filme um misto de filmes noirs dos anos 40 com um ambiente a la L.A. Confidential, misturado com uma falsa história de uma dupla que parece claramente inspirada em Dean Martin e Jerry Lewis. O resulto, esse, é desastroso.
Não há nada de original que mova o filme. Tudo soa a falso, a algo que já foi feito - e feito mil vezes melhor do que aqui vemos. Nem a história - onde se levanta demasiada poeira para um final claramente previsivel - nem o ambiente criado são convincentes. O filme tem mais narração em off do que propriamente diálogos, numa especie de contemplação eterea por algo perfeitamente vulgar.
O desmembramento de uma popular dupla de cómicos que é desvendada, quinze anos depois, por uma jovem que, convenientemente, estava lá nesse mesmo dia. Do principio ao fim, nada convence. Nem as personagens, nem o argumento e muito menos uma realização demasiado repetitiva, pouco imaginativa e assumidamente maçadora.

Em Where The Truth Lies pouco se salva senão o trio de actores que dão vida ás personagens centrais da narrativa. Tanto Kevin Bacon como Colin Firth encarnam as suas personagens de forma admirável. Tanto a personagem como a personagem dentro da personagem, o que, como o filme explicita, não é bem a mesma coisa. O amargurado Firth e o estouvado, mas sofredor, Bacon movimentam-se com genica e graciosidade numa história que lhes dava pouco espaço de manobra. Terem sobrevivido a um filme como este, é já por si um milagre tais os disparates acumulados pela ideia de copiar filmes como Laura, Double Indemnity ou mesmo L.A. Confidential.
Por sua vez Alisson Lohman é a luz que vai percorrendo o filme, do principio ao fim. Apesar da sua personagem ser uma desgraça total e absoluta, não são poucas as vezes que nos deixamos levar na conversa pelo desempenho emocianalmente bem conseguido da jovem actriz. A sua beleza, natural mas ajustada ao ambiente, completa a dose perfeita, ficando claramente no ar a ideia de que um desempenho como este merecia uma personagem bem mais interessante do que a altamente esteriótipada jornalista que Egoyan reservou para a actriz.

E tal como num filme sobre um monumental escandalo, não podia faltar o escandalo em si. Ou seja, o sexo. Atom Egoyan não joga com o forte erotismo que rodeia a história na maneira certa. Pelo contrário. Expõe-no em demasia. Apesar do sexo ser o motivo de tanto barulho, há momentos em que, mais uma vez, o realizador não aprendeu com os clássicos, que ensinaram há mais de cinquenta anos que insinuar é, por vezes, muito melhor do que mostrar. A cena homossexual entre Alisson Lohman e Kristin Adams é um dos mais claros exemplos de como o deboche e o vouyerismo de um cineasta pode estragar uma cena.
Se há casos que devem ficar obscurecidos pela memória, também há filmes que nunca deveriam ter sido feitos. Ou pelo menos, feitos da forma que foram. Este é um desses casos.
Classificação - ![]()
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O Melhor - O desempenho do trio de actores. Uma excepção num oceano de mediocridade.
O Pior - O argumento é dos mais inverosimeis que se possam imaginar. O próprio final chega a ser anedótico.
Curiosidade - No meio de tanto deboche, o realizador foi obrigado a cortar uma cena de orgia pela MPAAA, sob o risco de ser exibido como um filme com a mais alta classificação, e praticamente sem distribuição comercial.
Site Oficial - wheretruthlies.tripod.com/TruthLies.html
Realizador - Atom Egoyan
Elenco - Alisson Lohman, Colin Firth, Kevin Bacon, ...
Produtora - SerendipityClassificação - m/16
Duração - 109 m
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às janeiro 21, 2006 01:33 AM