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fevereiro 28, 2006
Fantas - Dia 8
A entrar na sua última semana, o Fantas ficou marcado pelo documentarismo interventivo de Carlos Benpar e pela exibição do perturbador Shooting Dogs.

Segunda-feira de Carnaval atraiu pouca gente as sessões da tarde. E foi pena porque os dois documentários de Carlos Benpar - feitos como um só, exibidos em separado - eram imperdiveis. Cineastas vs Magnatas e Cineastas en Accion são dois trabalhos sobre a profissão "autor de cinema" e sob os problemas que esses autores encontram no exercicio do seu trabalho. Questões como os direitos de autor, as dobragens ou a exibição televisiva dos filmes foram os alvos que Benpar, cineasta catalão, atacou com toda a força. E para isso contou com a ajuda de uma serie de notáveis autores (Woody Allen, Frederico Fellini, Arthur Penn,...), de uma bela narração de Marta Belmonte e de um excelentre trabalho de composição.
Com o cineasta presente, foi mesmo pena a casa pouco cheia. Mas o pequeno auditório também estava longe de ser um local concorrido, já que a exibição de O Casamento de Romeu e Julieta e Crash Test Dummies também não encheu a sala.
A noite no pequeno auditório prosseguiu com Diary For My Father, F.A.Q., I.K.U e Dr Mabuse, e já benificiou bastante das mudanças da tarde. Mas perdeu muitos amantes do Carnaval, tal como o grande auditório que, depois da reposição de Sympathy for Lady Vengance, tentou cativar o público com filmes choque. Foi o caso de Shooting Dogs, o retrato de Michael Caton Jones do genocidio do Ruanda, e ainda One Missed Call 2, que recupera a história já premiada no Fantas. Para fechar a noite um thriller erótico com a sensual Kelly Brook, Three. Mas muitos já dançavam ao som da música carnavalesca.
Fora do Rivoli houve Angel Guts no Passos Manuel e mais duas obras de Bollywood, Khakee e Kuch Kuch Hota Hai, mas o dia não foi dos mais procurados pelos portuenses, mais interessados em explorar a tarde solarenga de Carnaval.
Para hoje, segunda feira há mas cinema indiano - Munna Bahi M.B.B.S e Deewar - e mais Love Conection - The Woman with the Red Hair. Mas o centro das atenções vai voltar a ser o Rivoli.
Para aproveitar o longo dia de feriado é Domino quem abre a contenda logo ás 14h35. Depois há filme vindo directamente da Singapura, com paragem anterior em Cannes, Be With Me, e para fechar a tarde a reposição do épico russo The Rider Named Death. A noite fica a cargo de A Quiet Love, filme onde podemos reencontrar uma das maiores actrizes alemãs de sempre, Hannah Schygulla. Já o pequeno auditório abre com uma serie de curtas-metragens hungaras antes de passar para Love Hotel, de Shinji Somai, e Cruel World, filme de Kelsey Howard. A noite termina com a homenagem a Imre Nagy, The Unburied Man.
O Hollywood recomenda Domino, de Tony Scott e ainda um reencontro com a inesquecivel Hannah Schygulla em A Quiet Love.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:25 PM | Comentários (0)
Óscares 2005 - Melhor Actor Secundário





Se há categoria imprevisível, essa é a de melhor actor secundário. Certezas não há, mas apenas uma coisa parece certa. A luta não inclui William Hurt. Fora isso, é um duelo a quatro, em que cada um tem trunfos a seu favor. O vencedor, um mistério!

Este foi um ano de ouro para George Clooney. O actor interpretou Syriana – e conquistou a nomeação ao Óscar – e escreveu, produziu e dirigiu o aclamado Good Night and Good Luck. E esse é o seu grande trunfo. O seu desempenho não é um papel arrebatador, merecedor de uma estatueta dourada. Isso é certo. Mas Clooney está nomeado ainda como produtor, argumentista e realizador e muito dificilmente vencerá. A sua popularidade e carisma fizeram dele um dos actores mais amados do meio, e como se viu no Screen Actors Guild, isso só por si pode chegar para a vitória.
A Favor
É um dos homens mais amados de Hollywood e teve um ano de ouro que bem merece um prémio.
Contra
O desempenho é tudo menos oscarizável. Isso pode pesar contra num ano com quatro candidatos fortíssimos.

Matt Dillon foi um dos actores mais falados há quinze anos. Era uma grande promessa do cinema norte-americano, mas problemas pessoais, papeis errados e alguns azares impediram-no de ter a carreira que lhe vaticinavam. Crash marca o seu regresso aos bons desempenhos, e desde sempre ele foi visto como o actor – do enorme elenco do filme de Paul Haggis – que mais se destacava. E se Crash é o favorito sentimental de muitos, Dillon pode benificiar desta paixão pelo filme. A vitória no SAG do melhor elenco do filme, é o seu melhor cartão de visita.
A Favor
É o nome em destaque de Crash, o filme que os votantes mais amaram.
Contra
Apesar de popular, o seu desempenho não está ao nível de outros dos nomeados e na hora da escolha, isso pode pesar.

Paul Giamatti é sem dúvida um dos maiores actores do cinema americano actual. E há dois anos que merecia estar no Kodak Theatre, mas só agora conseguiu a ambicionada nomeação. E claro, por um desempenho fabuloso pois claro. Em Cinderella Man, Paul Giamatti oferece uma performance avassaladora, capaz de ombrear directamente com o gigante que é Russell Crowe. A vitória nos Globos de Ouro indica claramente a aceitação que existe pelo seu desempenho, tal como meia dúzia de prémios da critica. Mas a Academia pode decidir a deixar o seu Óscar para mais tarde. Infelizmente.
A Favor
Tem o melhor desempenho de todos os nomeados.
Contra
Não é um actor consensual e já foi deixado de lado no passado.

Se Heath Ledger é o menino querido dos críticos em Brokeback Mountain, Jake Gyllenhall dá o melhor desempenho como Jack Twist, o cowboy que percebe a inevitabilidade do amor por Ennis del Mar, e é ele o elo mais trágico de toda a história. Ledger leva as honras do underacting contido, mas Gyllenhall consegue ser o motor da maior parte das cenas entre os dois, e isso pode ser levado em conta, caso seja decididamente a noite de glória de Brokeback Mountain. Os BAFTA já avisaram que Gyllenhall podem ser uma das surpresas do ano.
A Favor
Brilhante desempenho no filme que mais provavelmente será o filme do ano.
Contra
Ofuscado por Ledger e por uma concorrência fortíssima.

Só apareceu nos minutos finais de A History of Violence, mas mesmo assim o veterano William Hurt conseguiu roubar a nomeação, possivelmente a Bob Hoskins. Se o elenco do filme de Cronenberg esteve sempre sob atenção (Mortensen, Bello ou Ed Harris), foi uma surpresa a nomeação de um actor que está meia dúzia de minutos em cena. Mas Hurt é um dos grandes nomes do cinema americano dos anos 80, e Hollywood adora recuperar velhas glórias da casa. Mas num ano como este, é mais do que improvável que Hurt junte mais uma estatueta à que já conquistou por The Kiss of the Spider Woman.
A Favor
O prestigio que tem em Hollywood.
Contra
Está em meia dúzia de minutos do filme e a concorrência é fortíssima.
O HOLLYWOOD PREVÊ
O Óscar vai para...George Clooney
O Óscar devia ir para...Paul Giamatti
O Grande Rival...Matt Dillon
A grande surpresa...Jake Gyllenhaal
O grande ausente...Bob Hoskins
OS ÚLTIMOS VENCEDORES
2004 - Morgan Freeman
2003 - Tim Robbins
2002 - Chris Cooper
2001 - Jim Broadbent
2000 - Benicio del Toro
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:56 PM | Comentários (2)
For Your Consideration...

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:31 PM | Comentários (0)
Vince Vaughn vai à Lapónia
Depois do sucesso de Wedding Crashers, a carreira de Vince Vaughn a solo parece ter arrancado definitivamente. O actor vai protagonizar o novo filme de David Dobkin - o realizador de Wedding Crashers.
A história mostra Fred Claus, o irmão mais novo do Pai Natal (Santa Claus), e a ovelha negra da familia. Para provar a todos o seu real valor, Fred - interpretado por Vaughn - regressa à Lapónia para ajudar na distribuição das prendas de Natal.
O filme chama-se Fred Claus e a estreia está prevista para o próximo Natal.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:13 PM | Comentários (0)
Good Night and Good Luck. – Cinema de Cruzada
Edward Murrow fazia jornalismo de cruzada. George Clooney faz cinema de cruzada. Dois homens, o mesmo ideal. E tal como o jornalismo de Murrow, também a forma de realizar de Clooney é sóbria, cívica e exacta. Um poema dedicado a todos os amantes da liberdade!
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Se há algo mais assustador que estar em guerra, isso é estar em guerra com nós mesmos. Os Estados Unidos viveram um clima de paranóia anti-comunista durante toda a Guerra Fria, mas os anos pós-2º Guerra Mundial foram os piores. O senador do Wisconsin, Joseph McCarthy começou uma autêntica “caça ás bruxas”, denunciando a presença de comunistas infiltrados no sistema norte-americano. Durante anos as audiências, feitas pela comissão liderada por McCarthy, causaram o terror diante de todos aqueles que se opunham aos seus métodos. E apesar de haver muitos que queriam denunciar McCarthy, o rótulo comunista era um fardo demasiado pesado para arcar sozinho. Foi então que a equipa de redacção do programa See It Now da CBS decidiu que estava na altura de alguém bater o pé aos atentados aos direitos cívicos dos norte-americanos. O apresentador do programa – e patrono dos jornalistas desde então – era Edward Murrow, um veterano desde a cobertura da guerra na Londres bombardeada. Murrow inspirou milhões com a sua coragem em fazer frente a um dos pesos pesados do Senado norte-americano. E uma dessas pessoas foi o pai de George Clooney, pivot de televisão à época. E foi também numa homenagem ao pai, que Clooney decidiu abraçar este projecto fascinante.

Clooney já tinha dado traços de enorme potencial na sua primeira obra, Confessions of a Dangerous Mind (também com o universo televisivo como pano de fundo), e agora confirma tudo o que de bom se esperava dele.
Good Night and Good Luck. é um filme que nunca ambiciona mais do que ser um filme de mensagem politica e social, nos dias dificeis que correm – hoje, como ontem – mas que por isso mesmo é um filme brilhante. Tecnicamente muito simples e muito honesto – com uma montagem deliciosa, e uma fotografia a preto e branco do que melhor que já se viu – Good Night and Good Luck. acompanha a luta da equipa da CBS contra McCarthy. Essa é a premissa do filme. O que despoleta a narrativa e o que a fecha. Mas o filme é muito mais do que isso. É um retrato sobre os direitos individuais dos cidadãos, e sobre a liberdade de imprensa. As pressões económicas, politicas e sociais pautam sempre o ritmo de trabalho da equipa. E é aí que surge a figura, quase paternal, de Murrow, como o líder natural do grupo de descontentes. Um líder sempre sóbrio, consciencioso e justo, uma figura como certamente houve poucas.

E nesse retrato, David Strathairn é impecável, ao mais ínfimo pormenor. Se o espírito do filme é a mensagem politica – Clooney é dos cineastas mais políticos da actualidade – sobre a liberdade de imprensa, o motor da história é o desempenho de Strathairn. Um desempenho de uma enorme contenção dramática, mas com uma revolta interior que não passa despercebida. Mas apesar de líder, Murrow hesita. Sempre que acaba uma emissão, o seu olhar treme levemente, como se estivesse sempre a medir as consequências dos seus actos. E isso torna-o mais humano, mais natural, e mais apaixonante. Mas se Murrow (ou Straitharn) é o líder, o sucesso da investida resulta também da equipa por detrás do líder. George Clooney é como actor o mesmo que é como realizador. Sóbrio e exacto, no papel do produtor televisivo Fred Friendley. Arrisco-me a dizer que há mais Clooney neste papel do que propriamente em Syriana, o filme que lhe valeu a nomeação ao Óscar de melhor actor secundário. Mas quem se destaca no elenco secundário (para além de Frank Langella ou Patrícia Clarkson) é sem dúvida Robert Downey Jnr. Um actor genial, que felizmente está a recuperar de dias difíceis. O seu génio é que permanece lá, e está tão brilhante como antes, quando fora uma rising star.

Num ano imensamente politico, Good Night and Good Luck. é talvez o mais politico de todos os filmes. Não porque Munich ou Syriana não o sejam, mas porque aqui é a mensagem politica o actor central da narrativa, e Murrow (ou melhor, Strathairn), a sua encarnação. Nesse sentido, o segundo filme de Clooney é um marco histórico importantíssimo, e um retrato perfeito de uma era difícil.
Há filmes que foram feitos para serem grandes filmes. Há filmes que foram feitos para ser um bom entretenimento. E há filmes que nasceram para defender uma causa, um valor, um ideal…Good Night and Good Luck. é um desses filmes. E apesar de não ser um filme muito ambicioso, Good Night and Good Luck. é um filme imperdivel!
Classificação – ![]()
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O Melhor – A sobriedade e subtileza de tudo no filme.
O Pior – Um filme destes não tem coisas negativas. Apenas facetas pouco exploradas.
Curiosidade – Todas as imagens do senador McCarthy são imagens de época. Clooney quis manter ao máximo o espírito do filme, e não quis substituir a figura tão real, por um actor.
Site Oficial – wip.warnerbros.com/goodnightgoodluck
Realizador – George Clooney
Elenco – David Strathairn, George Clooney, Robert Downey Jnr, …
Produtora – Warner Independent
Duração – 93 m
Classificação – m/12
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:44 PM | Comentários (1)
fevereiro 27, 2006
Óscares 2005 - Melhor Actriz Secundária





Num ano em que algumas das favoritas ficaram de fora, a luta parece estar reduzida a três nomes. Rachel Weisz é a favorita, Michelle Williams pode benificiar do efeito Brokeback, mas a favorita sentimental é Amy Adams.

Para os britânicos não há nada de secundário no desempenho de Rachel Weisz em The Constant Gardener. E com razão. Mas a sua performance não deixa de ser arrebatadora, e, na melhor das hipóteses, antes nomeada (e premiada) como secundária, do que ser esquecida, como aconteceu com Fiennes.
A actriz britânica está em clara ascensão em Hollywood e afirma-se já como uma das maiores promessas para os próximos anos. Resta saber se a - provável - vitória na cerimónia dos oscares vai ter alguma influência negativa na sua carreira. Com The Fountain a estrear no próximo ano - realizada pelo seu marido, o cultuado Daren Aranofsky - Rachel Weisz tem tudo para se tornar numa grande estrela.
A Favor
O seu desempenho tem sido lembrado como um dos mais brilhantes do ano, desde a estreia do filme já lá vão cinco meses. Foi ela o motor de The Constant Gardener na temporada de prémios, e é claramente a melhor performance de todas as que estão nomeados. O Globo de Ouro e o SAG são apenas uma amostra do que pode estar para vir.
Contra
Não há nada contra o desempenho ou a própria Rachel. O que pode haver é a tentação de premiar nomes do elenco de Brokeback Mountain (e Michelle Williams é a mais bem posicionada) ou então, a Academia pode render-se à inocência de Amy Adams e do seu tocante retrato em Junebug.

Poucos ouviram falar dela. A imprensa tem utilizado muito a frase "a rapariga com quem DiCaprio casa em Catch Me If You Can". À falta de melhor, tem de servir. Isto porque Amy Adams não tem o que se pode chamar, uma carreira fulgurante em Hollywood. Aliás, até Junebug, poucos deram conta da sua existência.
Mas a verdade é que o simpático filme indie, que pouquissima gente viu, catapultou o seu nome para a ribalta. Há quase meio ano que se fala no seu contagiante desempenho com jovem grávida de uma familia disfuncional, e desde aí que só se ouvem elogios. A nomeação pode ter constituido uma surpresa para muitos (basta ver os nomes que ficaram de fora), mas já era esperada em Hollywood. É que Amy Adams é uma nova menina bonita de Los Angeles, a favorita sentimental de muitos dos que votam no prémio. E isso poderá também significar uma surpresa.
A Favor
A critica rendeu-se ao desempenho em Junebug, e para muitos a nomeação já era uma vitória. Mas não se para de falar nela e no seu papel, e na hora de votar, se o coração falar mais alto, Amy Adams é uma fortissima candidata a surpresa da noite.
Contra
Pouca gente viu Junebug. Um indie muito modesto que passou bastante despercebido, sem o glamour habitual dos óscares. Além disso há a idade. Adams está lançada, mas muitos acham que é demasiado nova para ser premiada. Pelo menos, por agora.

A razia absoluta de prémios nos Globos e no SAG é uma má indicação para Brokeback Mountain. Mas se há algum dos actores do filme que pode sair do Kodak Theather com a estatueta, essa é Michelle Williams. Uma das queridas da critica, no inicio da temporada de prémios, Williams viu Weisz eclipsa-la, quando as coisas realmente interessavam.
Claro que o seu desempenho mal é merecedor de uma nomeação, quanto mais de um óscar, mas a jovem actriz é uma das rising stars de Hollywood, e o seu desempenho emocionou bastante o público indefectivel de Brokeback Mountain. Caso o filme arranque para uma noite inesquecivel, a paragem para o óscar de Williams parece ser obrigatória. Mas Williams já foi mais favorita.
A Favor
Está naquele que será provavelemente o filme do ano, e os seus colegas dificilmente conseguem superar a concorrência. Além do mais é uma das novas meninas bonitas, e a Academia adora histórias de amor como a sua e de Heath Ledger.
Contra
Um desempenho pouco merecedor de um óscar, a falta de emoção que há à volta de Amy Adams, e a força de Rachel Weisz, fazem de Michelle Williams uma candidata com muita parra, mas pouca uva.

Se há desempenho que passa perfeitamente despercebido, entre os cinco nomeados, esse é claramente o de Catherine Keener em Capote. Hollywood gosta dela, está visto, não fosse esta a sua terceira nomeação. Mas é preciso algo mais para se ter uma estatueta dourada na mão. E Keener não oferece nada em Capote. Um caso claro de simpatia pelo nome, mais do que propriamente, paixão pelo desempenho.
A Favor
Gostam dela em Hollywood e Capote foi um filme muito apreciado no meio.
Contra
Desempenho fraquissimo e nunca deixa de ser a sombra de Seymour Hoffman.

Veteranissima e oscarizada, Frances McDormand continua a dar cartas em Hollywood. Já lá vão dez anos desde o óscar surpresa em Fargo, e continua a cair no goto da Academia, apesar de ser a sombra de Charlize Theron em North Country. Nomeação surpresa (havia Maria Bello, a dupla de actrizes de Memoirs of a Gueisha, Johansson, etc...), McDormand é a veterana do grupo e não deverá passar disso. Mais uma coroa de louros para um curriculum cada vez mais impressionante.
A Favor
Pouca coisa. A nomeação é já um triunfo.
Contra
Rivais, desempenho pouco notado, filme arrasado pela critica e pelo box-office. É preciso cair o Kodak Theather para McDormand vencer este óscar.
O HOLLYWOOD PREVÊ
O Óscar vai para...Rachel Weisz
O Óscar devia ir para...Rachel Weisz
O Grande Rival...Amy Adams
A grande surpresa...Michelle Williams
O grande ausente...Maria Bello
OS ÚLTIMOS VENCEDORES
2004 - Cate Blanchett
2003 - Renné Zellweger
2002 - Catherine Zeta-Jones
2001 - Jennifer Connelly
2000 - Marcia Gay Harden
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:45 PM | Comentários (5)
For Your Consideration...

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:30 PM | Comentários (0)
Fantas - Dia 7
A peróla do dia estava guarda para a última sessão. Mas durante o dia o Rivoli esteve cheio de cinéfilos, sedentos por um fim de semana cheio de filmes com o selo de qualidade do Fantasporto. E não ficaram desiludidos.

O dia era de derby em Lisboa, e ao fim de tarde isso notou-se de alguma forma. Mas o principio da tarde foi a prova viva de que o festival está em força. Um Lobisomem na Amazónia, do brasileiro Ivan Cardoso, abriu a tarde, para logo de seguida voltar a passar Incautos, o fascinante thriller de Miguel Bardem de que já falamos aqui várias vezes.
Num festival que teve uma primeira semana com tardes em que o movimento era pouco, este fim de semana foi uma lufada de ar fresco com salas cheias e filas para comprar bilhetes. No pequeno auditório do Rivoli a manhão trouxe a serie televisiva Triângulo Jota, e a tarde priveligiou Masters of Horror e o cinema hungaro, com os filmes The Witness e Time Stands Still.
Já antes disso a biblioteca Almeida Garrett tinha passado um dos mais aplaudidos filmes de sempre de Bollywood, Devdas, e ainda Kal Ho Naa Ho.
Com a hora do jogo a aproximar-se, só os inevitáveis fãs de Park Chan Wook, Takeshi Miike e Fruit Chan ficaram para Dumplings, a continuação de Three Extremes que tinha fechado a noite de sábado. O inicio da noite fez-se sob os auspicios do maestro Kim Ki Duk, com Samaritan Girl, mas o choque estava guardado para mais tarde com a exibição de Johana. A ópera em tons cinematográficos de Kornel Mundruczó, sobre uma jovem que ganha poderes especiais para curar os enfermos, através do sexo, chocou muitos que cedo abandonaram a sala, mas os que aguentaram até ao fim juram a pé juntos que este é um dos filmes do festival. Veremos se chega aos prémios.
Entretanto o pequeno auditório também tinha as suas pequenas pérolas polémicas, de Death Tunnel ao disfuncional The Hamster Cage, onde desde incesto a abusos sexuais, há um pouco de tudo para alegrar uma familia completamente surreal.
Mas o prato forte da noite estava mesmo guardado para o final.
O filme surpresa da edição deste ano do Fantas, Good Night and Good Luck. conseguiu arrastar bastante gente para o grande auditório, apesar do adiantar da hora. E se muitos sairam da sala, certamente depois de terem olhado para o relógio, os que ficaram não deixaram de ovacionar o filme no final. De facto, Good Nighta and Good Luck., é seguramente um dos melhores exemplos do cinema de cruzada, e a confirmação absoluta do talento de George Clooney para a realização. Um filme que marca também esta edição do Fantas pelo seu statement politico, como a directora Beatriz Pacheco Pereira, tinha feito questão de salientar, no discurso de inauguração.
A partir de hoje o Fantas entra na sua semana decisiva. Muitos filmes em competição, muito suspense sobre quem será premiado.
O destaque da segunda-feira de Carnaval vai para os docuemntários Cineastas vs Magnatas e Cineastas en Accion, do espanhol Carlos Benpar. Seguem-se Simpathy for Lady Vengance - prato forte do primeiro dia - e Shooting Dogs. A noite fecha com One Missed Call 2, um regresso, e a reposição de Three..Extremes.
Já o pequeno auditório abre as portas ao cinema brasileiro com O Casamento de Romeu e Julieta. Seguem-se Crash Test Dumies - filme austriaco - e Diary for My Father and Mother, que continua a retrospectiva hungaro, 50 anos que se completam da chegada dos soviéticos a Budapeste. À noite há F.A.Q, filme espanhol em competição, e I.K.U, mais uma história provocante que chega do Japão na secção Love Connection. A noite longa acaba com mais uma obra máxima da filmografia alemã, Dr. Mabuse de Fritz Lang.
O AMC 20 continua com Mundos Paralelos e dedica uma sala a Spirit Trap, e o Passos Manuel continua a sua viagem pela Love Connection com Angel Guts. Por sua vez a retro Bollywood continua com Khakee e Kuch Kuch Hota Hai.
OS FILMES DO DIA
A review de Good Night and Good Luck. será apresentada à parte do resumo diário do Festival.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:44 AM | Comentários (0)
Mrs Henderson Presents - O espectáculo tem de continuar
Não é um filme pretencioso, mas isso não o impede de ter uma mensagem. É uma comédia ligeira, mas não deixa de funcionar como um testemunho histórico de uma época onde a coragem era tudo o que as pessoas tinham.
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Estamos logo avisados, desde o genérico inicial, que Stephen Frears não vai filosofar, meditar ou tomar uma posição. Já conhecemos essa sua faceta de autor britânico de outras paragens, mas aqui o jogo é outro. E, apesar da ligeireza do filme - um verdadeiro balão de oxigénio num ano tão carregado de statements politico-sociais - aqui não há o riso pelo riso, ou o nu pelo nu.
Frears tem o cuidado de enquadrar tudo num contexto e sem nunca sair dessa esfera, consegue criar momentos maravilhosos.
Estamos na Londres do pré-2º Guerra Mundial quando Laura Henderson, uma recente viuva rica - decide ir contra as leis estabelecidas da viuvez, e compra um teatro abandonado do West End, o Windmill. Com a perspicácia de um director artistico autoritário, mas com um grande coração, o seu teatro revoluciona a produção tetral londrina. E quando todos o copiam, não há nada como ser original. É então que surgem os seios, os peitos ou as maminhas - depende da perspectiva, como defende a senhor aHenderson - que enchem o teatro e catapultam para fama seis belas jovens. Entretanto deflagra a guerra, e os teatros fecham. Mas não o Windmill. E os peitos que foram arte, para não ser uma indecência, passam agora a ser a tónica de coragem para aqueles que têm de ir combater.

O retrato criado por Judi Dench de uma dama da alta sociedade britânica que não tem medo de ser genuina, e de pisar a linha, é um dos grandes atractivos do filme. Grande senhora do cinema britânico, Judi Dench é despudoramente snob e sedutoramente maternal, numa personagem que simboliza também a coragem britânica, em dias tão dificeis. A sua relação de cão e gato com Vivian van Damn, vivida na perfeição por Bob Hoskins (injusto esquecimento da Academia), é o motor da história, e um dos seus pontos de maior interesse. Não só pelo choque de classes - há a snob da nobreza imperial, e o burguês do meio artistico - mas pela semelhança de personalidades de ambos, que abre caminho a uma parceria inesquecivel.
E depois há claro as meninas estatuta, que numa época onde o que se fazia no Moulin Rouge ainda era visto como um pecado nas ruas de Londres, tiveram a coragem de mostrar tudo o que tinham para a mostrar. Nesse sentido o filme é extremamente artistico, já que não há um único plano do corpo das seis actrizes que seja minimamente erótico ou sensual. Não há essa exploração do corpo, como poderia ter havido, caso o filme tivesse noutras mãos. E claro, Mrs Henderson Presents serve ainda para nos convencer que Kelly Reilly é um nome a seguir com atenção nos próximos tempos, já que imenso potencial parece ter esta jovem britânica.

Apesar de não ser um musical, a inevitablidade da história força uma montagem muito à base dos temas mais populares da época. Um registo que fica bem ao ritmo do filme e que mantem a ligeireza da história. Porque para além de ser uma comédia, Mrs Henderson Presents é igualmente um drama. Um drama em tempo de guerra. E se aposta em material documental é interessante, nunca deixamos de ter a sensação de que realmente tudo aquilo se passa debaixo de bombas e blitzkrieg. Mas também não nos esquecemos que o riso, o humor e a boa disposição podem imperar, mesmo nos dias mais turbulentos, como aliás defendia Ernst Lubitsch quando assinou a sua obra-prima, To Be or Not To Be.
Num dos mais patrióticos planos do filme, Kelly Reilly, despida em palco, faz o v de vitória com os dedos, depois do primeiro bombardeamento ao Windmill. Uma vitória que é também a vitória da moral do filme. Mesmo quando os dias mais negros se abatem sobre as nossas cabeças, faz sempre bem um pouco de boa distração. E Mrs Henderson Presents é isso mesmo. Um bom bocado de distração, em tempos cada vez mais dificeis.
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O Melhor - A dupla Judi Dench-Bob Hoskins é absolutamente impecável.
O Pior - Alguns problemas na edição do filme, desde os primeiros planos ao final feito um pouco à pressa.
Curiosidade - Para produzir o filme, a equipa de investigação entrevistou as bailarinas sobreviventes, que contaram inumeros episódios que são retratados no filme, como os subtfurgios de Laura Henderson para entrar no seu próprio teatro.
Site Oficial - www.mrshendersonpresentsmovie.co.uk
Realizador - Stephen Frears
Elenco - Judi Dench, Bob Hoskins, Kelly Reilly, ...
Produtora - Weinstein Co.
Classificação - m/16
Duração - 103 m
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:14 AM | Comentários (1)
fevereiro 26, 2006
Óscar 2005 - Melhor Argumento Original





A originalidade sempre fui uma das armas de sucesso de Hollywood, mas nos últimos anos a crise tem-se instalado no sistema. Este ano a oferta é boa e o vencedor previsivel.

O guião de Crash tem sido proclamado vencedor desde a estreia do filme, no festival de Toronto em...Outubro de 2004. Desde então ninguém se atreveu ainda a conquistar o guião de Paul Haggis, um dos grandes derrotados do ano passado com o genial Million Dollar Baby perdeu para o brilhante Sideways. Este ano parar Haggis é praticamente impossivel, o óscar está entregue.

O grande rival parece ser Good Night and Good Luck. O segundo filme mais nomeado arrisca-se a sair da noite sem qualquer estatueta. O guião de Grant Heslov e George Clooney já foi premiado em Veneza, e em vários prémios da critica, mas dificilmente roubará um óscar quase certo a Crash.

Match Point é a obra-prima de Woody Allen quando já não se pensava que o cineasta nova-iorquino podia fazer obras-primas. Um retrato cruel de um jovem capaz de tudo para subir na vida, num misto de Dostoievsky, Bergman e A Place in the Sun. O óscar era o prémio mais justo para o filme mais ignorado do ano, mas a vitória é altissimamente improvável.~

Depois de uma gigantesca vaga de óscares para os filmes indies, a esperança do cinema independente este ano era The Squid and the Whale. Mas o filme de Noah Baumbach não conseguiu atingir o mesmo nivel dos seus antecessores, e apesar da nomeação - única - a vitória é improvável, e igualmente injusta!

Para fechar há Syriana. Publicitado como argumento adaptado, surgiu à última da hora como original, e mesmo assim foi nomeado. Um triunfo pessoal para o oscarizado Stephen Gaghan que assina aqui um brilhante retrato da podridão do sistema norte-americano que deriva no caos que se vive no Médio Oriente. Um filme politico com um argumento fabuloso.
O HOLLYWOOD PREVÊ
O Óscar vai para...Crash
O Óscar devia ir para...Match Point
O Grande Rival...Good Night and Good Luck.
A grande surpresa...Syriana
O grande ausente...Cinderella Man
OS ÚLTIMOS VENCEDORES
2004 - Eternal Sunshine of the Spotless Mind
2003 - Lost in Translation
2002 - Habla con Ella
2001 - Gosford Park
2000 - Almoust Famous
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:33 PM | Comentários (1)
Óscares 2005 - Melhor Argumento Adaptado





Brokeback Mountain é mais do que um simples favorito. A sua vitória parece inevitável. Mas é dificil dizer se será uma vitória justa.

O guião de Diana Ossama e Larry McMurty, inspirado no conto de Annie Proulx, foi a base de trabalho que captivou Ang Lee e o elenco de Brokeback Mountain. A históri de um amor impossivel entre dos cowboys, durante mais de quinze anos, tem conquistado o público e a critica e é mais do que favorito para vencer.

Dan Futterman criou um sólido argumento para Capote, baseando-se no periodo da vida do escritor em que este criou a sua mais polémica obra. Um filme lento, introspectivo, mas com um trabalho muito apreciado em Hollywood e que faz de Capote um sério rival para Brokeback.

Tony Kuschner já foi apelidado de tudo, desde extremsita de esquerda a racista. Mas o seu guião para Munich é simplesmente fabuloso, e muita da magia do brilhante filme de Spielberg parte daí. Um trabalho demasiado polémico para ganhar, mas aquele que seria, de facto, o justo vencedor.

The Constant Gardener é a adaptação de um romance de sucesso de John Le Carré. O trabalho de adaptação de Jeffrey Cane é muitissimo bom e dá ritmo e profundidade dramática ao filme de Meirelles. Um bom trabalho e uma nomeação mais do que merecida.

Um dos grandes ausentes do ano, noutras categorias, foi o aplaudido A History of Violence, a mais recente obra do conceituado David Cronenberg. O guião de John Olsen baseou-se na história aos quadradinhos que inspirou o filme, e recebeu inumeros elogios por parte da critica. Perde para a concorrência, mas ganha em ter sido uma das duas nomeações do filme.
O HOLLYWOOD PREVÊ
O Óscar vai para...Brokeback Mountain
O Óscar devia ir para...Munich
O Grande Rival...Capote
A grande surpresa...A History of Violence
O grande ausente...Jarhead
OS ÚLTIMOS VENCEDORES
2004 - Sideways
2003 - The Return of the King
2002 - The Pianist
2001 - A Beautiful Mind
2000 - Traffic
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:20 PM | Comentários (0)
For Your Consideration...

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:24 PM | Comentários (0)
Fantas - Dia 6
Dia recheado de candidatos a prémios, o Rivoli encheu à noite para a ante-estreia mundial de Edison e para o bom humor do cinema sueco de terror. Quase a chegar a meio, o festival começa a arrancar para a sua fase mais interessante.

A enchente do dia de abertura não foi superada, mas mesmo assim muita gente disse presente no Rivoli, apesar da chuva que teima em não abandonar a cidade do Porto.
Durante a tarde houve uma reposição de The Other Half, mas o destaque foi para os filmes em competição de quem se esperava muito.
Adam´s Apple e Zulo foram os filmes da tarde. O primeiro uma comédia dinamarquesa com neo-nazis e o segundo um filme de cortar a respiração vindo directamente de Espanha.
O público disse presente, mas os problemas da organização estavam na sala de imprensa onde a equipa de Coisa Ruim e Luis de La Madrid, que tinham previsto um encontro com a imprensa, acabaram por faltar, e os jornalistas que não foram às exibições para falarem com os autores, acabaram por perder a tarde.
No pequeno auditório a tarde tinha sido passada com Masters of Horror e Bill Plympton, que foi homenageado à noite pela organização, culminando uma retrospectiva da sua obra.
E se Street of Joy e Pleasent Days - no Passos Manuel - e Main Hoon Na e Deewar - na Almeida Garret - animaram a tarde, as atenções estavam voltadas para a noite no grande auditório.
Edison, estreava mundialmente, e tinha um elenco de luxo como chamariz. Kevin Spacey, Morgan Freeman, Justin Timberlake, LL Cool J e Dylan McDermott protagonizaram este filme de acção policial dirigido por David J. Burke. O filme pautou pela mediania mas o público não gostou, e ouviram-se alguns apupos e poucas palmas no final da sessão.
Seriam A Lenda do Espantalho - animação espanhola pré-candidata ao óscar - e Frostbitten, filme onde a comédia de adolescentes encontra o cinema de vampiros, a aquecer a sala, com os autores a serem aplaudidos em palco, e os filmes a serem recebidos de braços abertos por um público sedento de sangue.
A fechar a noite, ainda com casa cheia, houve Three...Extremes, onde três Takeshi Miike, Chan Woo Park e Fruit Chan se encontraram para um retrato cruel do horror.
Amanhã o dia começa cedo e acaba bem tarde.
Um Lobisomem na Amazónia, filme de Ivan Cardoso, abre a tarde no Rivoli que prossegue com Incautos - em reposição - Dumplings e Samaritan Girl, o segundo filme de Kim Ki Duk no festival. A noite prossegue com Johana, filme do hungaro Kornel Mundruczó, também ele com outro filme no festival, e termina com um filme que é uma estreia em Portugal, apesar de estar já prevista a sua chegada às salas na próxima quinta-feira. Trata-se de Good Night and Good Luck., filme nomeado a seis estatuetas douradas na edição deste ano dos óscares e que promete ser o statement politico que o Fantasporto quis fazer este ano.
No pequeno auditório o dia é devotado ao cinema hungaro, com dois filmes e a noite prossegue com Deat Tunnell e The Hamster Cage, filme de um dos homens que inspirou Cronenberg.
Para os mais alternativos há Devdas, um dos maiores filmes da história do cinema de Bollywood, na Almeida Garrett e três filmes no AMC - Mundos Paralelos, Hair High e Spirit Trap.
O Hollywood recomenda o obrigatório Good Night and Good Luck., de George Clooney, e ainda Samaritan Girl e The Hamster Cage. Resta saber se Dumplings e Samaritan Girl não vão sair prejudicados pela inevitável romaria a casa para assistir ao derby entre Porto e Benfica.
OS FILMES DO DIA
Frostbitten
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O cinema sueco tem um historial impar no cinema europeu, desde nomes como Sjostrom ao inevitável Bergman. Mas felizmente há mais para além do cinema de autor no gelo da Suécia, e Anders Banke é a prova viva disso mesmo.
Forsbitten é tanto um filme de vampiros - com muitos litros de sangue (6, para ser mais exacto), como é uma comédia de adolescentes à americana, recheada das mesmas situações, do mesmo humor truculento e voraz, e do mesmo espirito de diversão.
Como o realizador fez questão de salientar, o filme prima por ser uma comédia, e é de facto aí que está o seu ponto alto. A história em si está carregada de falhas e a realização não é propriamente inesquecivel, numa produção que também não se pode dizer que tenha sido muito barata. Mas tudo isso desaparece quando as mais inverosimeis situações e falas vão surgindo no ecrãn. Apanhar os clichés dos filmes de vampiros e junta-los aos cliches dos filmes para adolescentes nem sempre é uma tarefa fácil. Mas Banke superou-se e constroi uma história engraçada, com um final a pedir uma sequela, e com a vontade de ver mais cinema sueco assim, e mais filmes com a promissora Grete Havnesköld.
Realizador - Anders Banke
Elenco - Petra Nielsen, Grete Havneskold e Emma Aberg
Duração - 98 m

Edison
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Edison tem três graves problemas, que condenam à partida qualquer hipótese do filme se destacar dos demais no genero.
Em primeiro lugar recorre a demasiados clichés do filme de acção policial. Tenta copiar ideias a filmes como Training Day, mas o realizador parece ter sido apanhado com o copianço na mão, tal é a falta de originalidade em alguns momentos. A juntar a isso um fraco argumento, com pessimas falas, daquelas que nunca ninguem diz em situação alguma, e o desenvolvimento de uma história em hora e meia que já está contada nos primeiros dez minutos, arrasam qualquer filme.
Temia-se muito pela presença de Justin Timberlake no filme. Mas o menino bonito da pop não se safa mal, só que anda perdido, tal como os veteranos Kevin Spacey e Morgan Freeman, enchertados ali um pouco a esforço, e sem grande convição. Fica para Dylan McDermott e LL Cool J as honras do filme, apesar deste último protagonizar uma cena final de acção que, para além de ter pouco a ver com o resto do filme, acaba por lhe retirar a pouca credibilidade que a história vinha tendo.
Apesar de arrancar bem, o filme perde-se cedo e nunca se reencontra, nem sequer procura um atalho para se salvar. Cai na monotonia e na mediocridade narrativa, e acaba por ser o exemplo perfeito de que um elenco chamativo não faz por si um bom filme.
Realizador - David J. Burke
Elenco - Justin Timberlake, Kevin Spacey e Morgan Freeman
Duração - 97 m

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:07 AM | Comentários (1)
Aquelas Frases...
"It's like finding a needle in a stack of needles."

in Saving Private Ryan
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:06 AM | Comentários (0)
fevereiro 25, 2006
Cantos do Mundo - Europa
Para gáudio dos cinéfilos portugueses, volta a estar em exibição – apesar de ser num circuito extremamente restrito - Il Gattopardo de Luchino Visconti. Este fresco histórico-romanesco de uma sumptuosidade nunca igualada representa o cume do cinema clássico europeu.

Já antes, Visconti realizara Senso, passado na mesma época e igualmente um drama romanesco onde se encenam paixões individuais em conflito com o empenhamento histórico e colectivo das personagens.
Em Il Gattopardo Visconti um aristocrata comunista, estende-nos, de forma imponente e magnetizante, a sua leitura marxista de um momento decisivo da história italiana, onde a aristocracia passa o testemunho à burguesia ascendente. Foram precisos alguns anos para que o cinema europeu, com 1900, atingisse um momento de semelhante fulgor no reencontro com a história da Europa.

Burt Lancaster é o único elemento não europeu neste filme, que deve muito ao seu trabalho na figura do príncipe de Salina, com uma interpretação cheia de vigor e de sensibilidade.
Afinal, Lancaster consegue ser a encarnação perfeita de um homem que sabe que a sua era está condenada, e que, apesar de não querer aceitar os tempos que se avizinham, é forçado a apadrinhar os novos actores da sociedade italiana.
Il Gattopardo tem a magia de ser um filme de três Príncipes.
O do Príncipe de Lampedusa, o autor do livro – só publicado após a sua morte. O do Príncipe de Visconti, o fabuloso cineasta de Rocco e Sui Fratelli que ao ler o livro jurou que não descansaria enquanto não o realizasse. E por fim, o Príncipe de Salina, que não é mais do que uma reencarnação dos dois homens anteriores, bem conscientes da limitação da sua classe social nos tempos que corriam à época. Mas é esse reconhecimento, de que a sua era está a acabar, que motiva estes três homens no que fazem, sem no entanto lhes retirar o vislumbre da única certeza que têm: a proximidade da morte.

Filme profundamente necrófilo, quase uma autêntica procissão até ao beijo da morte final, que não é apenas o despedir de um homem. É o despedir de uma classe social, de uma era. A impotência de Salina diante de Angélica existe, porque ela está destinada ao novo mundo, e como tal, aos homens do novo mundo. Nunca para ele, o príncipe do passado!
Verdadeira obra-prima, que tanta polémica levantou à época pelo choque de versões – a italiana, apadrinhada pelo realizador, e a norte-americana, distribuída pela Fox com menos uma hora de filme e sob o protesto de Visconti – o filme foi o grande campeão de Cannes em 1963.
Mas mais do que prémios e prestigio, Il Gattopardo é um filme imortal, acima de tudo, porque é um ensaio sobre fim. E não há nada tão eterno como a morte!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:58 PM | Comentários (0)
Óscares 2005 - Melhor Filme Animado



Só em 2001 foi criada uma categoria propositadamente para o cinema de animação. Este ano não há Pixar, o estúdio campeão em vitórias, mas há Wallace and Gromitt, que já venceu duas estatuetas douradas na categoria de curta de animação.

Os estúdios Aardman são um dos expoentes máximos a nivel mundial na animação stop-motion. O sucesso da serie Wallace and Gromitt é a prova, e a sua primeira longa metragem, The Curse of the Where-Rabbitt, fui um sucesso retumbante. Para além dos prémios e do box-office acumulado, o filme de Nick Park prepara-se para vencer mais um óscar.

Tim Burton nunca foi nomeado pela Academia. Até Corpse Bride. Ironia das ironias, ser nomeado pelo seu segundo filme de animação, mas a verdade é que Corpse Bride é um belissimo filme, cheio de imaginação e magia. Feito em stop motion, com alguns pozinhos mágicos de CGI, o filme encantou miudos e graúdos. O óscar é improvável, mas não impossivel.

A grande surpresa entre os nomeados foi sem dúvida Howl´s Moving Castle. Ao repetir um pouco a fórmula de Spirited Away, o filme que valeu o óscar a Hayo Miazaki, pensava-se que a Academia iria preferir filmes de estúdio. Estavam todos enganados e num ano extremamente artistico, no que ao cinema de animação diz respeito está claro, este belissimo filme animado japonês não destoa em nada da concorrência.
O HOLLYWOOD PREVÊ
O Óscar vai para...Wallace and Gromitt
O Óscar devia ir para...Corpse Bride
O Grande Rival...Corpse Bride
A grande surpresa...Howl´s Moving Castle
O grande ausente...Madagascar
OS ÚLTIMOS VENCEDORES
2004 - The Incredibles
2003 - Finding Nemo
2002 - Spirited Away
2001 - Shrek
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:02 PM | Comentários (0)
Óscares 2005 - Melhor Filme Estrangeiro





Num ano onde o cinema europeu domina em nomeações, é o world cinema que tem mais probabilidades de sair vencedor. Mas a polémica à volta de Paradise Now pode retirar-lhe uma vitória que parecia mais do que certa.

Apresentdo como filme da Palestina, já há petições para retirar a designação de palestiniano ao filme. Esta foi uma das polémicas de Paradise Now, filme sobre os bombista suicidas palestinianos que tem feito furor, um pouco por todo o mundo, tendo já arrecadado o globo de ouro, e uma serie de prémios nos últimos meses. Mas o filme pode perder um óscar que parece certo, tudo por causa da complicada relação que Hollywood e os EUA têm com o Médio Oriente.

Se Paradise Now falhar no último instante, então será provavelmente Tsotsi a sair vencedor.
O filme era o favorito até à chegada em força do filme palestiniano, e com a sua queda pode voltar a subir a uma posição de destaque. Tsotsi conta a vida de jovens na actual África do Sul, entre o perigo das balas e a ameaça da SIDA num dos maiores países do mundo.

O mais forte candidato europeu é Sophie Scholl. A história da resistente ao regime hitleriano é a aposta certa para aqueles que acham que a Academia quer ser conservadora. Excelente trabalho de Julia Jentsch num filme poderoso e muito bem feito, que prova que o cinema alemão dá-se bem com a 2º Guerra Mundial.

De França surge o mais convencional de todos os noemados. Joyeux Noel conta a história da épica noite de Natal de 1914, quando a 1º guerra parou nas trincheiras e os exércitos confraternizaram. Apesar da presença das jovens promesss do cinema europeu, o filme é mornissimo, e a aposta errada da França para a edição deste ano. Basta dizer que havia De Battre Mon Coeur S´est arrete...

De Itália chega um filme fantástico, La Besta en el Cuore, filme que valeu a Gioavanna Mezzogiorno o prémio de melhor actriz em Veneza. Uma jovem é forçada a confrontar-se com os seus fantasmas para se libertar de uma maldição, a premissa de um filme popular em Itália mas com poucas hipóteses em Hollywood.
O HOLLYWOOD PREVÊ
O Óscar vai para...Paradise Now
O Óscar devia ir para...Paradise Now
O Grande Rival...Tsotsi
A grande surpresa...Sophie Scholl
O grande ausente...Alice
OS ÚLTIMOS VENCEDORES
2004 - Mar Adentro
2003 - Les Invasions Barbares
2002 - Nowhere in Africa
2001 - No Man´s Land
2000 - Crouching Tigger, Hidden Dragon
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:42 PM | Comentários (2)
Óscares 2005 - Melhor Documentário





O ano em que o cinema documental francês conquistou Hollywood será o ano da confirmação de um novo estilo documental, onde a realidade e ficção se fundem de uma maneira muito particular.

Le March de L´Empereur foi um dos filmes mais vistos nos Estados Unidos no verão de 2005. O documentário de Luc Jacquet sobre a épica viagem feita pelos pinguins imperadores, em busca de comida para a familia, era um filme familiar mas tornou-se num fenómeno de popularidade. Vencedor de quase todos os prémios do ano, para documentários, é o favorito indiscutivel ao óscar.
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Darwin´s Nightmare também já estreou em Portugal e lida com as questões da globalização na vida animal e na vida dos humanos da África abandona pela ocidente. Um retrato cru e real de Hubert Sauper que é, neste momento, o mais sério rival à hegemonia dos "pinguins" franceses.

Enron: The Smartest Guys in the Room continua a seguir o genero de documentário de denuncia que tanto sucesso tem feito nos últimos anos. Dirigido por Alex Gibney o filme segue o celebre caso da empresa multinacional Enron, e da sua falência estratégica que colocou a nu a podridão do sistema empresarial norte-americano.

Murderball é um documentário sobre a vontade de viver de um grupo de homens paraplégicos que forma uma equipa de basquetebol e está disposta a tudo para chegar aos Jogos Para-Olimpicos. Um retrato tocante da vida de homens que passaram pelo inferno, mas que conseguirem arranjar uma maneira de trepar até à vida.

Street Fight segue a campanha para presidente da camara de Newark em 2002. Um trabalho de Michael Curry que acabou por ser um nomeado surpresa face aos outros filmes que pertenciam à lista de pré-selecção.
O HOLLYWOOD PREVÊ
O Óscar vai para...Le Marche de L´Empereur
O Óscar devia ir para...Le Marche de L´Empereur
O Grande Rival...Darwins´s Nightmare
A grande surpresa...Enron: The Smartest Guys in the Room
O grande ausente...Grizzly Man
OS ÚLTIMOS VENCEDORES
2004 - Born into Brothels
2003 - Fog of War
2002 - Bowling for Columbine
2001 - Murder on the Sunday Morning
2000 - Into the Arms of Strangers
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:08 PM | Comentários (0)
Tarantino na Cena do Crime
Apesar de não ser hábito do Hollywood noticiar questões abrangentes às series de TV, desta vez pareceu-nos bem trazer uma boa notíciao aos fãs de Tarantino e de CSI. O conceituado realizador, também ele admirador confesso da séria de CBS, foi encarregue de escrever e filmar o último episódio da 5ª temporada de CSI Las Vegas, com a devida autorização do não menos conhecido produtor executivo dos restantes episódios, Jerry Bruckheimer.Grave Danger foi o nome escolhido por Tarantino para o grande final - mesmo grande, o episódio dura 2 horas-, que garante não se ter sentido retraído pelas condicionantes do formato televisivo: "Nesse sentido, não foi um desafio. Simplesmente quis fazer um episódio maior, como se fosse um filme CSI." E claro, a sua marca pessoal está lá, já que estas duas horas são marcadas por um intenso ritmo de thriller, num contra-relógio para encontrar um dos agentes da equipa de Grissom (Wlliam Peterson), que fora enterrado vivo.
O episódio já passou nos States onde foi assistido por mais de 30 milhões de telespectadores. Por cá, é o prato forte do AXN para a próxima Terça-feira as 21h30.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:55 PM | Comentários (3)
Fantas - Dia 5
O Rivoli vestiu-se de gala para a cerimónia oficial de abertura do 26º Fantasporto. Personalidades dos mais diferentes quadrantes da sociedade juntaram-se para verem Coisa Ruim, o primeiro filme português a abrir o Fantas. Isto tudo numa noite onde se pode ver o melhor e o pior da edição deste ano do festival.

Camaras de televisão, imprensa e muito, muito público para o arranque oficial do festival.
O Rivoli esgotou por completo, num dia muito especial para o Fantas e para o cinema português. Pela primeira vez em 26 anos, era um filme português a ter honras de abertura.
Honras totalmente merecidas. Coisa Ruim é um filme brilhantemente concebido, cheio de boas ideias cinematográficas numa história fantástica, cheia de magia oculta. Um filme que vale mesmo a pena ver, e que nos mostra, mais uma vez, que o cinema português continua a ter qualidade, apesar de não ter muita expressão. Nem cá, nem lá fora...tal como Alice, se este fosse um filme norte-americano, teriamos aqui um dos filmes mais falados do ano...cá, e lá fora!
Beatriz Pacheco Pereira fez o discurso de abertura, a louvar o público, os patrocinadores e todos aqueles que fazem do Fantas uma realidade, e sob enorme aplauso a equipa de Coisa Ruim subiu ao palco principal, onde os nervosos Tiago Guedes e Frederico Serra não escondiam a emoção do momento.
Antes do filme houve tempo ainda para uma boa curta portuguesa, da autoria de Regina Pessoa, e com o apagar das luzes, começou a magia do filme de Guedes e Serra.
No final, como não podia deixar de ser, um enorme coro de aplausos, e uma aceitação enorme a um filme que se torna agora um fortissimo candidato a ser o vencedor do ano.
O pior veio depois. Com metade da imprensa e da organização a festejar o sucesso de Coisa Ruim, numa festa oferecida pela produção no Passos Manuel, os restantes espectadores ficaram com Sigaw. E não podiam ter ficado pior acompanhados, já que dificilmente haverá este ano (e noutros) um filme tão mau a passar pelo Rivoli. Risos, desistência e muito, muito sono, quebraram a magia que se tinha criado à volta da primeira grande "noitada". Para os mais resistentes ainda houve The Nun, filme de terror escrito por Jaime Balagueró (que vem fechar o festival) e dirigido por seu montador, Luis de La Madrid.
A tarde tinha sido mais calma, mas o ambiente já se começava a sentir. O grande auditório dividiu-se entre Desperate Remedies, drama neo-zelandês, A Tale of Two Sisters, um regresso ao Fantas, e Sword in the Moon, épico de artes marciais coreano. No pequeno auditório houve mais expressionismo alemão, com dois filmes magistrais - Fausto e Nosferatu - e Love, de Karóly Makk. A noite viu uma homenagem a Robert Wise, com The Day the Earth Stood Still, numa má escolha de hora - à mesma hora começava Coisa Ruim - e a noite acabou entre Zombie Kings e Masters of Horrors.
Nos outros palcos do festival, o cinema de Bollywood continuou a encantar os espectadores da Almeida Garrett, e no AMC houve Mundos Paralelos e o imperdivel Incautos. No Passos Manuel, a preparar-se para a festa de gala da noite, houve Rain a abrir.
Para hoje, sábado, há mais cinema de competição.
Agora que o festival arrancou, a sério, as expectativas aumentam.
No grande auditório a tarde começa com The Other Half, filme bem recebido na passada terça-feira, e seguem-se Adam´s Apple e Zulo, dois filmes que prometem dar que falar. Pela noite dentro há Edison, Forsbitten e Three...Extremes, mas três filmes imperdiveis no festival.
No pequeno auditório o destaque vai para a exibição de Triângulo Jota, a serie televisiva transmitida na RTP, e ainda para Master of Horrors. O resto do dia é praticamente da responsabilidade do talento criativo de Bill Plympton com The Tune e uma serie das suas curtas-metragens.
Main Hoon Na e Deewar são as obras de Bollywood em exibição na Almeida Garrett e no Passos Manuel há Street of Joy. Para terminar, no AMC, para além de Mundos Paralelos, há a exibição do épico russo The Rider Named Death.
O Hollywood recomenda uma tarde e noite bem passadas no grande auditório onde há, nada mais do que quatro filmes que vale a pena espreitar (cinco para quem perdeu The Other Half). De Adam´s Apple a Forsbitten, passando por Zulo e Edison, o dia promete ser bem passado.
OS FILMES DO DIA
Coisa Ruim
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É refrescante ver um filme português como Coisa Ruim.
Um filme que é capaz de utilizar uma estrutura cinematográfica definida - podemos dizer mesmo, uma fórmula de sucesso - mas que a consegue adaptar à nossa realidade. Todos os que conhecem o mundo rural português, conhecem terras como aquela misteriosa aldeia - da qual nunca sabemos o nome - onde "coisas ruins" aconteçaram no passado...e voltarão a acontecer.
O argumento de Rodrigo Guedes de Carvalho é delicioso, no sentido em que joga com os grandes medos do mundo rural português, e consegue estabelecer um elemento de ligação com o Portugal urbano, onde os problemas parecem ser outros. Mas na hora h, a fusão parece inevitável, e no fundo, são sempre os estranhos que trazem o mal...a não ser que ele já lá esteja, à espera da sua hora.
Arrumemos desde logo duas questões. Coisa Ruim tem tiques de cinema português. Apesar de muito bom, o argumento continua a ter falas que, ninguém diz em lado algum, e que fazem impressão ao ouvido. Mas o pior mesmo é que não consegue perder o problema do cinema nacional que é, o de se arrastar, sem ritmo, durante demasiado tempo. Um problema que parece ser impossivel de ultrapassar, por muito imaginativos que sejam os argumentistas nacionais. Com um ritmo em crescendo (a la Shyamalan, com quem o filme partilha muitas semelhanças), mas mais pausado, Coisa Ruim faz-nos entrar num mundo que existe de facto, recheado de crenças e folclore, desde o inicio dos tempos. Mas faz mais do que isso. Cria uma estrutura narrativa, recheada de pistas falsas e momentos de brilhante tensão dramática, capaz de prender o espectador e levá-lo até a um filme espantoso.
No final de contas, qualquer um percebe que, mais uma vez, "não se acredita em bruxas, mas que as há...há", mas o filme é mais do que isso. O dramatismo final - e temos um pouco de tudo, desde incesto a mortes, passando por exorcismos - não é exagerado. Há uma proporção dramática constante, que se vai mantendo, e que torna tudo ainda mais credivel. No final ajuda ter um belissimo elenco, um cenário belissimo e uma realização segurissima e extremamente imaginativa, para ter-mos aqui um dos grandes candidatos a filme português do ano. E quem sabe, a receber o grande prémio!
Realizador - Tiago Guedes e Frederico Serra
Elenco - Adriano Luz, Manuel Couto e José Afonso Pimentel
Duração - 97 m

Sigaw
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Deste filme só se pode dizer que foi certamente dos piores filmes a passarem pelas 26 edições do Fantas. Montagem desastroso, efeitos sonoros do pior que já se viu, a somar a todos os clichés possiveis e imaginários num filme do genero, o pior de tudo neste Sigaw é que Yem Laranas nunca sabe para o que vai, como vai e como vai sair dali. Seguramente um dos piores filmes alguma vez a serem feitos, e uma boa razão para que poucas pessoas conheçam cinema de terror das Filipinas. Afinal, se este é um exemplo do que há de bom, ninguem vai querer imaginar como são os filmes maus.
Realizador - Yem Laranas
Elenco - Richard Guttierez, Angel Locsin e Jorami Yallana
Duração - 102 m

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:17 PM | Comentários (3)
O Aranha Negro
Foi divulgada uma foto oficial de Spiderman3 em estilo de teaser poster pela Sony.
A imagem, com um Homem-Aranha vestido de negro, é espantosa - como o departamento de marketing da saga já nos tem habituado - e lança a hipótese, cada vez mais provável, de haver três vilões no próximo filme, a estrear em Maio do próximo ano.
Para além de Sandman (Thomas Haden Church) e de Half-Goblin (James Franco), há agora a fortissima hipótese de um dos mais apaixonantes vilões da saga entrar em cena. Para o seu lugar, a escolha é ainda um mistério, mas o nome de Topher Grace - já contratado - é insistentemente falado.
Quem também está no elenco é Bryce Dallas Howard, que vai viver a primeira paixão de Peter Parker, e ainda os habitués Kirsten Dunst e Tobey Maguire.
O filme estreia em Maio de 2005 e é dirigido por Sam Raimi.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:52 AM | Comentários (1)
fevereiro 24, 2006
Óscares 2005 - Melhor Montagem





Pela primeira vez desde 1980 o grande favorito a arrecadar o óscar não foi nomeado nesta categoria. O seu grande rival, Crash, é o favorito, mas os thrillers politicos não querem ficar atrás e estão prontos para lutar até ao final pela estatueta dourada.

Crash não é um primor em termos técnicos, mas é forçoso reconhecer o excelente trabalho de edição de Hughes Winborne é de altissimo nivel. Com a vitória nos Eddies, será dificil o óscar escapar ao filme, que assim corre o risco de partir com mais uma estatueta dourada que Brokeback, na entrada para os últimos dois prémios.

Munich é o grande rival de Crash e é fácil perceber porque.
O trabalho de edição de Michael Kahn é sem dúvida o melhor do ano, capaz de nos manter colados ao filme, do principio ao fim. Sem falhas, pontos fracos ou quebras, Munich merecia sair do Kodak Theather com a estatueta. Mas mesmo que falhe o óscar, não será pela falta de qualidade.

The Constant Gardener é o outro thriller politico que pode desafiar o reinado de Crash.
O filme de Fernando Meirelles acenta também num excelente trabalho técnico, com o seu expoente máximo na edição feita por Claire Simpson. Será dificil a vitoria, mas seria um prémio merecido para um dos filmes do ano.

Cinderella Man traz todas as caracteristicas dos filmes de boxe, com um ritmo avassalador nas cenas de combate, e uma grande sobriedade no resto do filme. O trabalho desenvolvido por Mike Hills e Dan Lanney é muito bom, mas longe dos restantes nomeados, e a nomeação é já uma vitória para um filme que passou por um verdadeiro purgatório e ainda não encontrou a redenção.

Por fim há Walk the Line, o biopic de Johnny Cash. O trabalho de edição é uma das coisas boas e más do filme. A dicotomia explica-se pelo ritmo que cria, nas cenas onde Cash actua, e pelo ritmo pausado e sem garra, no desenvolvimento da relação amorosa entre Cash e Carter. O mais frágil dos nomeados e aquele com menos probabilidades de vencer.
O HOLLYWOOD PREVÊ
O Óscar vai para...Crash
O Óscar devia ir para...Munich
O Grande Rival...Munich
A grande surpresa...The Constant Gardener
O grande ausente...King Kong
OS ÚLTIMOS VENCEDORES
2004 - The Aviator
2003 - The Return of the King
2002 - Chicago
2001 - Black Hawk Down
2000 - Traffic
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:47 PM | Comentários (0)
Óscares 2005 - Melhor Fotografia





Se há uma categoria técnica onde Brokeback Mountain deve prevalecer sobre a concorrência, essa é a de melhor fotografia. Numa categoria onde raramente o melhor trabalho ganha, a concorrência é de respeito, mas Brokeback parece imparável.

Rodrigo Prieto assinou um trabalho fotográfico do outro mundo. Conseguiu captar a beleza natural das montanhas Brokeback, da mesma forma como conseguiu inserir o casal apaixonado na própria Natureza, sem nunca um destoar em relação ao outro. Um trabalho que lhe pode valer, finalmente, o óscar.

Igualmente notável é o trabalho fotográfico de Dion Beebe em Memoirs of a Gueisha. Um retrato exacto do universo das gueishas no Japão dos anos 30, com uma fotografia absolutamente primorosa. Não fosse a concorrência do favorito do ano, e este seria o grande candidato à vitória final.

Good Night and Good Luck. surge aqui como um potencial outsider. O trabalho fotográfico a preto e branco (desde Schindler´s List que não ganha nenhum filme a preto e branco) de Robert Elwsitt é brilhante e enquadra-se perfeitamente no espirito do filme. Um dos mais perfeitos trabalhos do ano.

Emanuel Lubzeki é o habitual colaborador de Terrence Malick, e isso já diz tudo. Os filmes de Malick estão sempre recheados de beleza por todos os poros, e o trabalho de fotografia é normalmente do melhor que há. Num ano em que se esperava muito mais de The New World, a única nomeação do filme era aquela que se esperaria, não fosse Malick um poeta visual.

Batman Begins foi a agradável surpresa do ano.
O filme de Christopher Nolan foi um dos mais bem conseguidos filmes de 2005 e o trabalho técnico para recriar Gotham City foi levado ao minimo detalhe. No final, poucos esperavam uma nomeação, mas o trabalho de Wally Pfister merecia. E apesar de brilhante, Batman Begins deve contentar-se com a nomeação.
O HOLLYWOOD PREVÊ
O Óscar vai para...Brokeback Mountain
O Óscar devia ir para...Brokeback Mountain
O Grande Rival...Memoirs of a Gueisha
A grande surpresa...Good Night and Good Luck.
O grande ausente...Munich
OS ÚLTIMOS VENCEDORES
2004 - The Aviator
2003 - The Return of the King
2002 - Chicago
2001 - Moulin Rouge
2000 - Crouchign Tigger, Hidden Dragon
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:31 PM | Comentários (0)
Oscares 2005 - Melhor Direcção Artistica





Entre os filmes de época e o cinema fantástico, a luta promete ser equilibrada. Se Memoirs of a Gueisha destoa dos rivais, em sua perseguição estão quatro candidatos com legitimas expectativas.

Memoirs of a Gueisha é um dos filmes do ano em termos técnicos. Se a história se arrasta, se a direcção está longe de ser brilhante, o trabalho técnico é assombroso. E como em várias categorias, também na direcção artistica será quase impossivel bater Memoirs of a Gueisha. A cidade de Kyoto foi criada a partir do nada num vale da Califórnia, e foi recriada ao minimo detalhe. O trabalho de John Myhre dificilmente terá um rival à altura!

Se há filme que pode bater o pé nas categorias técnicas a Memoirs, esse é sem dúvida alguma King Kong.
O épico fantástico de Peter Jackson foi recriado a partir do nada, mas é impossivel ficar indiferente ao trabalho de direcção artistica de Grant Major, o já oscarizado autor dos cenários de Lord of the RIngs.

Good Night and Good Luck. é o filme que pode desafiar o fantástico trabalho técnico de Memoirs e Kong.
Dirigido por George Clooney, a recriação dos estúdios da CBS por Jim Bissell é espantosa e um dos pontos altos do segundo filme com mais nomeações do ano. Não fosse a concorrência, e aqui estava um filme com potencial vencedor.

Harry Potter and the Goblet of Fire tem sido nomeado desde o primeiro filme, mas o primeiro óscar tarda. Agora o trabalho de Stuart Craig volta a surgir como candidato, mas mais uma vez a concorrência parece ser muito forte para a recriação do universo mágico Hogwarts.

Pride and Prejudice foi uma surpresa, em termos cinematográficos, e no número de nomeações que arrecadou.
O trabalho de composição das casas e salões do século XVIII de Sarah Greenwood é extramemente interessante e confere credibilidade ao filme, mas a nomeação é já um triunfo.
O HOLLYWOOD PREVÊ
O Óscar vai para...Memoirs of a Gueisha
O Óscar devia ir para...Memoirs of a Gueisha
O Grande Rival...King Kong
A grande surpresa...Good Night and Good Luck.
O grande ausente...Kingdom of Heaven
OS ÚLTIMOS VENCEDORES
2004 - The Aviator
2003 - The Return of the King
2002 - Chicago
2001 - Moulin Rouge
2000 - Crouchign Tigger, Hidden Dragon
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:37 PM | Comentários (0)
Capote - O Preço da Vaidade
O homem que tudo quis, tudo perdeu. Capote não é a história do celebre escritor Truman Capote. É o relato da criação de In Cold Blood, o livro que o celebrizou definitivamente no panorama literário norte-americano, mas que foi o preço que o escritor teve de pagar pelo seu gigantesco egocentrismo. No final os assassinos são mortos. Mas muito de Capote seguiu para o outro mundo com eles.
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Cinco nomeações aos óscares. Um registo impressionante para um filme tão mediano e sonolento. O trailer de Capote tinha ritmo, jogava bem entre o espaço urbano e o espaço rural, e mostrava um Capote intenso. O filme é o registo totalmente oposto.
Ritmo é algo que Capote não tem. O filme demora a arrancar, arrasta-se durante duas horas, e o final não poderia ter sido mais vazio. Pelo meio há uma notável encarnação de Seymour Hoffman na figura do polémico escritor. Mas aqui entra a dúvida que já existia o ano passado com Jamie Foxx em Ray, e que acontece sempre em filmes biográficos. Afinal, copiar os tiques, os maneirismos, as atitudes de uma personagem real é representar, na mesma medida em que criar uma personagem do zero é o verdadeiro mister de um actor?
Se for, então Seymour Hoffman faz realmente uma brutal interpretação como Truman Capote. E o melhor mesmo do seu desempenho é o jogo entre a contenção dramática do homem, com belos planos de olhares e reflexões do escritor, e o over acting exagerado - mas realista - da personagem que Capote criou para escandalizar a sociedade. Aqui vemos as duas facetas do homem. A primeira é facilmente irritante, a segunda consegue ser bastante sedutora. E no fundo, essa é mesmo a alma do filme.

Se Philiph Seymour Hoffman é o vertice central do filme, a grande surpresa é Clifton Collins Jnr. Um desempenho contido mas extremamente perturbante, é ele o único a dar troco à presença de Capote, que qual carvalho no centro de uma floresta, suga toda a água à sua volta. Talvez por isso Bruce Greenwood, Catherine Keener (inexplicável a sua nomeação) ou Chris Cooper passem o filme em piloto automático. A camara não quer saber deles, a história não quer saber deles. O filme alimenta-se de Capote como Capote se alimenta de todos à sua volta. E nesta centralidade à volta da personagem, o show de Seymour-Hoffman faz sentido. Um actor mediano, que tem aqui, literalmente, o papel da sua vida, teria dificuldades num registo em que tivesse alguém a dar réplica. Como não tem, o show é inevitável. Mas não chega para tirar Capote da imensa mediania em que está, desde o primeiro instante.

Benneth Miller, o estreante do ano na realização - a par de Paul Haggis - nunca toma pulso ao filme. Ou melhor, decide que o filme não deva ter ritmo. Tal como a história dos assassinatos do Kansas se arrastou durante mais de quatro anos, também o filme se arrasta, lentamente, com muitos fundos negros a servir de ponto de ligação, num autêntico vazio de emoções, onde até há tempo para sentir pena pelos assassinos, e sentir pena pelo homem que faz de tudo para ter o que quer - comprar a autoridade, usar os prisioneiros, usar a justiça...Esse retrato de auto-complacência de Capote, esse espelho do seu egocentrismo, é destroçado no final, quando se percebe que a ligação que se estabelece entre ele, e Perry Smith, um dos criminosos (aliás, o único dos assassinos entre os dois), é grande demais para ser quebrada de forma abrupta. Como o generico final conta - não era preciso - Capote nunca mais conseguiu escrever. O preço da vaidade foi demasiado alto.
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O Melhor - O desempenho de Philiph Seymour Hoffman, obviamente.
O Pior - A falta de ritmo do filme. Está morto na primeira hora!
Curiosidade - Pelo filme passam três conhecidos escritores. Para além do reputado Capote, há ainda Harper Lee (autora do celebre To Kil a Mocking Bird) e Jack Dunphy, que escreveu livros como John Fury.
Site Oficial - www.sonyclassics.com/capote
Realizador - Benneth Miller
Elenco - Philiph Seymour Hoffman, Clifton Collins Jnr, Catherine Keener, ...
Produtora - Sony Pictures
Classificação - m/12
Duração - 120 m
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:09 PM | Comentários (1)
Fantas - Dia 4
A noite do velho e o mar. Ao quarto dia o Fantas viu aquele que será provavelmente um dos grandes filmes do festival. Kim Ki-Duk regressou em grande com The Bow, um filme assustadoramente belo. O último dia, antes do arranque oficial da competião, ficou também marcado pela exibição de dois dos filmes mais miticos da história do cinema...

Sunrise - que é a par de It´s a Wonderful Life o filme mais belo de sempre - abriu a tarde no pequeno auditório.
Um dos poucos filmes que se podem verdadeiramente considerar perfeitos, Sunrise é o expoente máximo da obra de F.W. Murnau.
Filmado nos EUA, aquando da sua passagem pela Fox, o filme é de uma poesia visual assombrosa, além de ser muitissimo avançado para a época (1927).
Logo de seguida, e ainda num pequeno auditório praticamente cheio, passou Metropolis.
O primeiro filme verdadeiramente futurista confirmou Fritz Lang como um dos maiores cineastas da história.
A história de uma cidade - Metrópolis - que vive dividida entre operários e pensadores, é o balão de ensaio para esta análise à luta de classes, a força do amor e sobre eventuais cenários do futuro.
No grande auditório o dia começou com Love Filme, obra apaixonada de Istvan Szabo. A fechar a tarde, nova viagem ao cinema erótico japonês com Professional Specialist.
O quarto dia de festival marcou também a chegada do Fantas ao AMC com a exibição de dois filmes, Mundos Paralelos e Um Lobisomem na Amazónia. A retrospectiva de Bollywood continua na biblioteca Almeida Garet com WAQT e Kal Ho Naa Ho.
A noite teve o grande atractivo com o regresso do brilhante cineasta coreano Kim Ki Duk.
Depois do aclmado Bin-Jip, Ki Duk voltou a superar-se com um verdadeiro poema sob o titulo de The Bow, o filme que mais público trouxe hoje ao grande auditório, ainda longe das enchentes previstas para a próxima semana.
Para fechar a noite houve uma viagem à Rússia czarista com The Rider Named Death, épico ambicioso e arrojado.
No pequeno auditório a noite fechou com dois filmes da retrospectiva dos irmãos Shaw: The Kingdom and the Beauty e One Armed Swordsman.
Hoje, sexta-feira, o Fantas arranca finalmente a todo o gás.
O ponto alto será a cerimónia de abertura, seguido da exibição do filme Coisa Ruim, o primeiro filme português com honras de abertura do festival.
Pela tarde passam Desperate Remedies, A Tale of Two Sisters e Sword on the Moon, e na primeira grande noitada à Fantas, há The Eco e The Nun.
O pequeno auditório continua a homenagem ao cinema alemão com a exibição do Fausto e Nosferatu. À noite há homenagem a Robert Wise com o popular The Day The Earth Stood Still, e para fechar há Zombie Kings e dois episódios de Masters of Horrors.
Na biblioteca Almeida Garrett há mais dois filmes de Bollywood: Mumma Bahi M.B.B.S e Dil Se.
No AMC continua Mundos Paralelos e é exibido o aclamado Incautos, isto no dia em que o Fantas chega ao Passos Manuel com Rain a abrir a sala ao festival.
As nossas recomendações para o dia passam obrigatoriamente por Coisa Ruim - já esgotado - e pelo visionamento obrigatório de dois filmes magistrais do cinema europeu, Fausto e Nosferatu. Para quem quer rever ou teve a infelicidade de não ter visto, Incautos é um filme a ver.
OS FILMES DO DIA
The Bow
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Nunca se disse tanto em tão pouco.
Quando nos deparamos com um filme em que meras trocas de olhares, sorrisos e lágrimas são capazes de contar, só por si, uma grande história de amor, então temos de reconhecer que estamos diante de uma pérola rara. The Bow é isso mesmo, um filme rarissimo, tanto pela sua originalidade como pela sua beleza.
A história de amor de um velho pescador e de uma jovem de 16 anos, que ele resgatou há dez anos e com quem pretende casar no seu próximo aniversário, poderia ter sido tratado de mil e umas maneiras, cheias de diálogos punjantes e performances avassaladoras. Mas Kim Ki Duk é um cineasta-poeta e aqui só é permitido falar quem está fora da história. Os personagens principais não abrem a boca. Não precisam. Comunicam através do olhar, do silêncio e de um arco, que tanto serve para fazer música, ao som das águas, como para espantar todos aqueles que quiserem quebrar esta união insólita.
Só que há um dia em que tudo é questionado. Parece que o silêncio já não diz tudo, e que há mais para descobrir, a ver. De dos, o jogo passa a três, e com este novo jogador tudo se complica. Os sorrisos tornam-se lágrimas, a dor invade caras alegres. A jovem percebe a importância do sexo, o velho percebe a sua impotência diante o fulgor dos novos. E quando tudo podia acabar mal, de forma corriqueira e pouco interessante, Kim Ki Duk entra no universo mistico e fantástico e desenha um final como poucos poderiam imaginar. Um final tão belo que até custa a acreditar. No final, The Bow fica na memória como um filme inesquecivel, e Kim Ki Duk consolida a sua imagem de ave rara no universo cinematográfico.
Realizador : Kim Ki Duk
Elenco : Seong-hwang Jeon, Yeo-reum Han e Gook-hwan Jeon
Duração : 88 m

Metropolis
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Hoje Metropolis é um filme datado. Ao contrário de outros filmes de Lang, e outros filmes da época, o trabalho técnico de Metropolis - que à época era fabuloso - hoje cansa a vista. Não que a montagem não seja espantosa, especialmente ao nivel da narrativa visual, mas o filme ambiciona ser mais do que o que poderia ter sido. O tom épico fica-lhe bem, mas à medida que o filme vai avançando, nota-se que este se vai arrastando em algumas cenas. Os ante-titulos como "contadores" de partes importantes da história, sem imagem correspondente, também ajudam a quebrar o ritmo.
Mas de qualquer forma, Metropolis é um marco da sétima arte.
Da banda sonora ao trabalho de montagem, do simbolismo da história à dimensão prospectiva de Lang, tudo no filme é fascinante.
Lang não filme aqui apenas uma história de um amor impossivel. O que há aqui na verdade é uma analise à luta de classes, tipicamente num tom marxista, onde o operariado se cansa de esperar pela melhoria das condições de vida e parte à rebelião (ao som de La Marseillese), sendo depois confrontados com as consequências do seu acto. Da mesma forma o patronato (aqui sob o titulo dos "pensadores), despreza o operariado e vive à custa deles, acabando por ser o gatilho da revolução, apercebendo-se iguamente tarde da gravidade do seu acto. E apesar de pelo meio Metropolis, qual Babel, ter estado à beira da destruição total, a mensagem do filme é bem diferente. Lang é um conciliador, e a aposta do filme está no elo de ligação entre operários e patronato, na figura do filho perfeito, disposto a tudo para salvar a mulher que ama, os seus irmãos operários mas também o seu pai e a sua cidade.
A figura mais interessante do filme acaba por ser Maria, o robot criado por vingança e que acaba por funcionar com o elo de ligação entre as duas facções, sendo ela quem despoleta todos os confrontos. Mas à Maria demoniaca, queimada na fogueira, há a sua versão santa e imaculada, a jovem donzela Maria, numa especie de dicotimia biblica entre uma Maria Madalena, corruptora dos homens, e uma Virgem Maria, a sua santa protectora.
A religião é figura omnipresente em todo o filme, tal como a importância da ciência na evolução da especie humana.
No final - e apesar dos desempenhos exageradissimos, mesmo para a época - o filme convence os mais cépticos. Não é Sunrise - a obra máxima desse ano - nem M, essa obra-prima "Languiana", nem Fury, You Only Live Once e The Woman on the Window, as suas obras máximas do periodo americano, mas é um marco histórico fundamental e um filme inesquecivel.
Realizador : Fritz Lang
Elenco : Gustav Fröhlich, Brigitte Helm e Alfred Abel
Duração: 153 m

Sunrise
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Dele já se disse tudo.
Talvez tenha sido François Truffaut o melhor a defini-lo, ao catalogar Sunrise como "o filme mais belo de sempre". Há poucos filmes que se possam considerar verdadeiramente perfeitos. Não serão mais de uma dúzia em mais de cem anos de cinema. Mas Sunrise é um deles.
F. W. Murnau criou um filme que ainda hoje se vê normalmente, apesar da sua mudez crónica e dos seus oitenta anos. Aliás, não é preciso som em Sunrise. Os efeitos técnicos, da tempestade final ao rebuliço da cidade estão descritos de tal forma que não precisamos de ouvir nada. Basta ver que o som começa a ecoar, naturalmente, nos nossos ouvidos. E o mesmo se passa com os assombrosos desempenhos de Janet Gaynor - a primeira actriz a vencer o óscar, nesse mesmo ano - e de George O´Brien. Da inocência angelical da primeira opõe-se a natureza orgulhosa do segunda. Mas juntos formam uma dupla inesquecivel, que acompanhamos, para o bem e para o mal, como em todos os casamentos, ao longo da história.
Do filme já tudo se disse. Que tem alguns dos maiores planos da história do cinema. Que a cena final da tempestade ainda hoje não foi superada por nenhum filme. Que quando o filme parecia acabar de forma melodramática e leve, Murnau dá uma reviravolta e cola-nos à cadeira para um suspense final de cortar a respiração. Tudo. Já se disse tudo.
Mas o que não cansa é dizer que não há plano, sequência, instante, em que não nos deixemos contagiar pela beleza poética desta história de um amor sofrido, um amor que apesar dos altos e baixos, é maior que tudo e que todos.
Sunrise é ainda hoje a prova viva de que a perfeição existe!
Realizador : F. W. Murnau
Elenco : George O´Brien, Janet Gaynor e Margaret Livingstone
Duração : 95 m

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:27 AM | Comentários (0)
fevereiro 23, 2006
Duques e Cenas Tristes
As filmagens de Casino Royale pareciam na semana passada ter começado finalmente a entrar num ritmo estável e preciso. Mas mesmo com Bondgirl e vilão definidos, as filmagens e o ambiente em torno do novo Bond estão a piorar de dia para dia... E Daniel Craig não consegue escapar.
O azar começou no inicio da semana, numa cena de luta em que o realizador Martin Campbell pareceu querer levar o realismo ao extremo, colocando Craig a lutar puro e duro, o que resultou no actor a levar um directo e perder dois dentes. Garante quem viu que depois da intervenção do dentista ficou como novo, mas os fãs do charmoso agente não conseguem evitar ver a ironia de tudo isto.
É que, entretanto, os mais fervorosos adeptos do sublime 007 lançaram um site que expressa claramente a sua opinião sobre o casting: www.craignotbond.com, é o nome. O jornal Público noticiou hoje um excerto dessas declarações, onde além de se pedir um boicote ao filme por parte dos fãs se questiona "como é que um actor baixo, loiro, com cara de lutador de boxe profissional e uma queda para interpretar assasinos e gigolos pode desempenhar o papel de um agente secreto alto, moreno, charmoso e suave?".
Antevê-se um futuro difícil para o 007...

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:34 PM | Comentários (1)
Óscares 2005 - Melhor Guarda Roupa





Algumas surpresas e a certeza de que os filmes de época estão definitivamente na moda. Pride and Prejudice e Walk the Line são os filmes com menos hipóteses, enquanto que a luta entre Mrs Henderson Presents, Charlie and the Chocolate Factory e Memoirs of a Gueisha promete ser até ao fim.

Como em quase todas as categorias para que está nomeado, Memoirs of a Gueisha parte na condição de favorito. Um filme tecnicamente exemplar e com um guarda roupa de época que, além de ser brilhante, ajuda a criar glamour à história narrada no filme de Rob Marshall. Um trabalho impecável da consagrada Collen Atwood que procura aqui o seu segundo óscar.

Sandy Powell é uma das designers mais queridas pela Academia e o seu trabalho em Mrs Henderson Presents mostra um imenso tacto com o guarda-roupa da época. Num filme onde a ideia é ter bailarianas a dançar nuas, o guarda-roupa é exacto, primoroso e acertadissimo. Num estilo low profile, como muitas vezes a Academia gosta, e com a possibilidade de Powell repetir a vitória do ano passado por The Aviator.

Gabrielle Pescucci criou um design arrojado e espantoso para o guarda-roupa de Charlie and the Chocolate Factory e foi compensada com uma nomeação, a única do filme do genial Burton. Já vencedora de uma estatueta dourada, Pescucci surge aqui como uma rival de respeito para a dupla preferida da Academia.

Ariane Philips faz do guarda-roupa de Walk the Line um verdadeiro achado em termos de low profile dentro do filme. Desde os habituais fatos negros do mitico Cash, ao guarda-roupa dos grandes músicos do final dos anos 50, o trabalho de Philips é bastante bom, mas será dificil concorrer contra os grandes favoritos.

Pride and Prejudice tem o tipico guarda-roupa de época que Hollywood tanto gosta e isso explica bem a nomeação de Jacqueline Duran. Foi a sua primeira nomeação em quatro filmes e o bom trabalho pode não vir a ser premiado, mas o seu nome já ficou registado lá para os lados de Hollywood e o seu futuro é promissor.
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