« janeiro 2006 | Entrada | março 2006 »

fevereiro 28, 2006

Fantas - Dia 8

A entrar na sua última semana, o Fantas ficou marcado pelo documentarismo interventivo de Carlos Benpar e pela exibição do perturbador Shooting Dogs.
shooting_dogs.jpg

Segunda-feira de Carnaval atraiu pouca gente as sessões da tarde. E foi pena porque os dois documentários de Carlos Benpar - feitos como um só, exibidos em separado - eram imperdiveis. Cineastas vs Magnatas e Cineastas en Accion são dois trabalhos sobre a profissão "autor de cinema" e sob os problemas que esses autores encontram no exercicio do seu trabalho. Questões como os direitos de autor, as dobragens ou a exibição televisiva dos filmes foram os alvos que Benpar, cineasta catalão, atacou com toda a força. E para isso contou com a ajuda de uma serie de notáveis autores (Woody Allen, Frederico Fellini, Arthur Penn,...), de uma bela narração de Marta Belmonte e de um excelentre trabalho de composição.
Com o cineasta presente, foi mesmo pena a casa pouco cheia. Mas o pequeno auditório também estava longe de ser um local concorrido, já que a exibição de O Casamento de Romeu e Julieta e Crash Test Dummies também não encheu a sala.
A noite no pequeno auditório prosseguiu com Diary For My Father, F.A.Q., I.K.U e Dr Mabuse, e já benificiou bastante das mudanças da tarde. Mas perdeu muitos amantes do Carnaval, tal como o grande auditório que, depois da reposição de Sympathy for Lady Vengance, tentou cativar o público com filmes choque. Foi o caso de Shooting Dogs, o retrato de Michael Caton Jones do genocidio do Ruanda, e ainda One Missed Call 2, que recupera a história já premiada no Fantas. Para fechar a noite um thriller erótico com a sensual Kelly Brook, Three. Mas muitos já dançavam ao som da música carnavalesca.
Fora do Rivoli houve Angel Guts no Passos Manuel e mais duas obras de Bollywood, Khakee e Kuch Kuch Hota Hai, mas o dia não foi dos mais procurados pelos portuenses, mais interessados em explorar a tarde solarenga de Carnaval.

Para hoje, segunda feira há mas cinema indiano - Munna Bahi M.B.B.S e Deewar - e mais Love Conection - The Woman with the Red Hair. Mas o centro das atenções vai voltar a ser o Rivoli.
Para aproveitar o longo dia de feriado é Domino quem abre a contenda logo ás 14h35. Depois há filme vindo directamente da Singapura, com paragem anterior em Cannes, Be With Me, e para fechar a tarde a reposição do épico russo The Rider Named Death. A noite fica a cargo de A Quiet Love, filme onde podemos reencontrar uma das maiores actrizes alemãs de sempre, Hannah Schygulla. Já o pequeno auditório abre com uma serie de curtas-metragens hungaras antes de passar para Love Hotel, de Shinji Somai, e Cruel World, filme de Kelsey Howard. A noite termina com a homenagem a Imre Nagy, The Unburied Man.

O Hollywood recomenda Domino, de Tony Scott e ainda um reencontro com a inesquecivel Hannah Schygulla em A Quiet Love.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:25 PM | Comentários (0)

Óscares 2005 - Melhor Actor Secundário

GCpequeno.jpgMDillonpequeno.jpgPGiamattipequeno.jpgJGyllenhaalpequeno.jpgWHurtpequeno.jpg


Se há categoria imprevisível, essa é a de melhor actor secundário. Certezas não há, mas apenas uma coisa parece certa. A luta não inclui William Hurt. Fora isso, é um duelo a quatro, em que cada um tem trunfos a seu favor. O vencedor, um mistério!

GClargo.jpg

Este foi um ano de ouro para George Clooney. O actor interpretou Syriana – e conquistou a nomeação ao Óscar – e escreveu, produziu e dirigiu o aclamado Good Night and Good Luck. E esse é o seu grande trunfo. O seu desempenho não é um papel arrebatador, merecedor de uma estatueta dourada. Isso é certo. Mas Clooney está nomeado ainda como produtor, argumentista e realizador e muito dificilmente vencerá. A sua popularidade e carisma fizeram dele um dos actores mais amados do meio, e como se viu no Screen Actors Guild, isso só por si pode chegar para a vitória.

A Favor
É um dos homens mais amados de Hollywood e teve um ano de ouro que bem merece um prémio.

Contra
O desempenho é tudo menos oscarizável. Isso pode pesar contra num ano com quatro candidatos fortíssimos.

MDillonlargo.jpg

Matt Dillon foi um dos actores mais falados há quinze anos. Era uma grande promessa do cinema norte-americano, mas problemas pessoais, papeis errados e alguns azares impediram-no de ter a carreira que lhe vaticinavam. Crash marca o seu regresso aos bons desempenhos, e desde sempre ele foi visto como o actor – do enorme elenco do filme de Paul Haggis – que mais se destacava. E se Crash é o favorito sentimental de muitos, Dillon pode benificiar desta paixão pelo filme. A vitória no SAG do melhor elenco do filme, é o seu melhor cartão de visita.

A Favor
É o nome em destaque de Crash, o filme que os votantes mais amaram.

Contra
Apesar de popular, o seu desempenho não está ao nível de outros dos nomeados e na hora da escolha, isso pode pesar.

PGiamattilargo.jpg

Paul Giamatti é sem dúvida um dos maiores actores do cinema americano actual. E há dois anos que merecia estar no Kodak Theatre, mas só agora conseguiu a ambicionada nomeação. E claro, por um desempenho fabuloso pois claro. Em Cinderella Man, Paul Giamatti oferece uma performance avassaladora, capaz de ombrear directamente com o gigante que é Russell Crowe. A vitória nos Globos de Ouro indica claramente a aceitação que existe pelo seu desempenho, tal como meia dúzia de prémios da critica. Mas a Academia pode decidir a deixar o seu Óscar para mais tarde. Infelizmente.

A Favor
Tem o melhor desempenho de todos os nomeados.

Contra
Não é um actor consensual e já foi deixado de lado no passado.

jake_gyllenhaallargo.jpg

Se Heath Ledger é o menino querido dos críticos em Brokeback Mountain, Jake Gyllenhall dá o melhor desempenho como Jack Twist, o cowboy que percebe a inevitabilidade do amor por Ennis del Mar, e é ele o elo mais trágico de toda a história. Ledger leva as honras do underacting contido, mas Gyllenhall consegue ser o motor da maior parte das cenas entre os dois, e isso pode ser levado em conta, caso seja decididamente a noite de glória de Brokeback Mountain. Os BAFTA já avisaram que Gyllenhall podem ser uma das surpresas do ano.

A Favor
Brilhante desempenho no filme que mais provavelmente será o filme do ano.

Contra
Ofuscado por Ledger e por uma concorrência fortíssima.

WHurtlargo.jpg

Só apareceu nos minutos finais de A History of Violence, mas mesmo assim o veterano William Hurt conseguiu roubar a nomeação, possivelmente a Bob Hoskins. Se o elenco do filme de Cronenberg esteve sempre sob atenção (Mortensen, Bello ou Ed Harris), foi uma surpresa a nomeação de um actor que está meia dúzia de minutos em cena. Mas Hurt é um dos grandes nomes do cinema americano dos anos 80, e Hollywood adora recuperar velhas glórias da casa. Mas num ano como este, é mais do que improvável que Hurt junte mais uma estatueta à que já conquistou por The Kiss of the Spider Woman.

A Favor
O prestigio que tem em Hollywood.

Contra
Está em meia dúzia de minutos do filme e a concorrência é fortíssima.

O HOLLYWOOD PREVÊ
O Óscar vai para...George Clooney
O Óscar devia ir para...Paul Giamatti
O Grande Rival...Matt Dillon
A grande surpresa...Jake Gyllenhaal
O grande ausente...Bob Hoskins

OS ÚLTIMOS VENCEDORES
2004 - Morgan Freeman
2003 - Tim Robbins
2002 - Chris Cooper
2001 - Jim Broadbent
2000 - Benicio del Toro

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:56 PM | Comentários (2)

For Your Consideration...

matchpointFYC.jpg

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:31 PM | Comentários (0)

Vince Vaughn vai à Lapónia

Depois do sucesso de Wedding Crashers, a carreira de Vince Vaughn a solo parece ter arrancado definitivamente. O actor vai protagonizar o novo filme de David Dobkin - o realizador de Wedding Crashers.
A história mostra Fred Claus, o irmão mais novo do Pai Natal (Santa Claus), e a ovelha negra da familia. Para provar a todos o seu real valor, Fred - interpretado por Vaughn - regressa à Lapónia para ajudar na distribuição das prendas de Natal.
O filme chama-se Fred Claus e a estreia está prevista para o próximo Natal.
hartprel.jpg

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:13 PM | Comentários (0)

Good Night and Good Luck. – Cinema de Cruzada

Edward Murrow fazia jornalismo de cruzada. George Clooney faz cinema de cruzada. Dois homens, o mesmo ideal. E tal como o jornalismo de Murrow, também a forma de realizar de Clooney é sóbria, cívica e exacta. Um poema dedicado a todos os amantes da liberdade!
Filme de GOODLUCK.gifGOODLUCK.gifGOODLUCK.gifGOODLUCK.gifGOODLUCK.gif
GNGLposter1.jpg


Se há algo mais assustador que estar em guerra, isso é estar em guerra com nós mesmos. Os Estados Unidos viveram um clima de paranóia anti-comunista durante toda a Guerra Fria, mas os anos pós-2º Guerra Mundial foram os piores. O senador do Wisconsin, Joseph McCarthy começou uma autêntica “caça ás bruxas”, denunciando a presença de comunistas infiltrados no sistema norte-americano. Durante anos as audiências, feitas pela comissão liderada por McCarthy, causaram o terror diante de todos aqueles que se opunham aos seus métodos. E apesar de haver muitos que queriam denunciar McCarthy, o rótulo comunista era um fardo demasiado pesado para arcar sozinho. Foi então que a equipa de redacção do programa See It Now da CBS decidiu que estava na altura de alguém bater o pé aos atentados aos direitos cívicos dos norte-americanos. O apresentador do programa – e patrono dos jornalistas desde então – era Edward Murrow, um veterano desde a cobertura da guerra na Londres bombardeada. Murrow inspirou milhões com a sua coragem em fazer frente a um dos pesos pesados do Senado norte-americano. E uma dessas pessoas foi o pai de George Clooney, pivot de televisão à época. E foi também numa homenagem ao pai, que Clooney decidiu abraçar este projecto fascinante.
goodnight4l.jpg

Clooney já tinha dado traços de enorme potencial na sua primeira obra, Confessions of a Dangerous Mind (também com o universo televisivo como pano de fundo), e agora confirma tudo o que de bom se esperava dele.
Good Night and Good Luck. é um filme que nunca ambiciona mais do que ser um filme de mensagem politica e social, nos dias dificeis que correm – hoje, como ontem – mas que por isso mesmo é um filme brilhante. Tecnicamente muito simples e muito honesto – com uma montagem deliciosa, e uma fotografia a preto e branco do que melhor que já se viu – Good Night and Good Luck. acompanha a luta da equipa da CBS contra McCarthy. Essa é a premissa do filme. O que despoleta a narrativa e o que a fecha. Mas o filme é muito mais do que isso. É um retrato sobre os direitos individuais dos cidadãos, e sobre a liberdade de imprensa. As pressões económicas, politicas e sociais pautam sempre o ritmo de trabalho da equipa. E é aí que surge a figura, quase paternal, de Murrow, como o líder natural do grupo de descontentes. Um líder sempre sóbrio, consciencioso e justo, uma figura como certamente houve poucas.
david_strathairn3l.jpg

E nesse retrato, David Strathairn é impecável, ao mais ínfimo pormenor. Se o espírito do filme é a mensagem politica – Clooney é dos cineastas mais políticos da actualidade – sobre a liberdade de imprensa, o motor da história é o desempenho de Strathairn. Um desempenho de uma enorme contenção dramática, mas com uma revolta interior que não passa despercebida. Mas apesar de líder, Murrow hesita. Sempre que acaba uma emissão, o seu olhar treme levemente, como se estivesse sempre a medir as consequências dos seus actos. E isso torna-o mais humano, mais natural, e mais apaixonante. Mas se Murrow (ou Straitharn) é o líder, o sucesso da investida resulta também da equipa por detrás do líder. George Clooney é como actor o mesmo que é como realizador. Sóbrio e exacto, no papel do produtor televisivo Fred Friendley. Arrisco-me a dizer que há mais Clooney neste papel do que propriamente em Syriana, o filme que lhe valeu a nomeação ao Óscar de melhor actor secundário. Mas quem se destaca no elenco secundário (para além de Frank Langella ou Patrícia Clarkson) é sem dúvida Robert Downey Jnr. Um actor genial, que felizmente está a recuperar de dias difíceis. O seu génio é que permanece lá, e está tão brilhante como antes, quando fora uma rising star.
goodnight1ll.jpg

Num ano imensamente politico, Good Night and Good Luck. é talvez o mais politico de todos os filmes. Não porque Munich ou Syriana não o sejam, mas porque aqui é a mensagem politica o actor central da narrativa, e Murrow (ou melhor, Strathairn), a sua encarnação. Nesse sentido, o segundo filme de Clooney é um marco histórico importantíssimo, e um retrato perfeito de uma era difícil.
Há filmes que foram feitos para serem grandes filmes. Há filmes que foram feitos para ser um bom entretenimento. E há filmes que nasceram para defender uma causa, um valor, um ideal…Good Night and Good Luck. é um desses filmes. E apesar de não ser um filme muito ambicioso, Good Night and Good Luck. é um filme imperdivel!

Classificação GOODLUCK.gifGOODLUCK.gifGOODLUCK.gifGOODLUCK.gifGOODLUCK.gif

O Melhor – A sobriedade e subtileza de tudo no filme.

O Pior – Um filme destes não tem coisas negativas. Apenas facetas pouco exploradas.

Curiosidade – Todas as imagens do senador McCarthy são imagens de época. Clooney quis manter ao máximo o espírito do filme, e não quis substituir a figura tão real, por um actor.

Site Oficial wip.warnerbros.com/goodnightgoodluck

Realizador George Clooney
ElencoDavid Strathairn, George Clooney, Robert Downey Jnr,
ProdutoraWarner Independent
Duração93 m
Classificaçãom/12

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:44 PM | Comentários (1)

fevereiro 27, 2006

Óscares 2005 - Melhor Actriz Secundária

RWieszFOTO.jpgamyadams2.jpgmwilliamsgrand.jpgcatherinekkenerpequena.jpgfrancesmcdormandpequena.jpg

Num ano em que algumas das favoritas ficaram de fora, a luta parece estar reduzida a três nomes. Rachel Weisz é a favorita, Michelle Williams pode benificiar do efeito Brokeback, mas a favorita sentimental é Amy Adams.

RachelWeiszpanorama.jpg

Para os britânicos não há nada de secundário no desempenho de Rachel Weisz em The Constant Gardener. E com razão. Mas a sua performance não deixa de ser arrebatadora, e, na melhor das hipóteses, antes nomeada (e premiada) como secundária, do que ser esquecida, como aconteceu com Fiennes.
A actriz britânica está em clara ascensão em Hollywood e afirma-se já como uma das maiores promessas para os próximos anos. Resta saber se a - provável - vitória na cerimónia dos oscares vai ter alguma influência negativa na sua carreira. Com The Fountain a estrear no próximo ano - realizada pelo seu marido, o cultuado Daren Aranofsky - Rachel Weisz tem tudo para se tornar numa grande estrela.

A Favor
O seu desempenho tem sido lembrado como um dos mais brilhantes do ano, desde a estreia do filme já lá vão cinco meses. Foi ela o motor de The Constant Gardener na temporada de prémios, e é claramente a melhor performance de todas as que estão nomeados. O Globo de Ouro e o SAG são apenas uma amostra do que pode estar para vir.

Contra
Não há nada contra o desempenho ou a própria Rachel. O que pode haver é a tentação de premiar nomes do elenco de Brokeback Mountain (e Michelle Williams é a mais bem posicionada) ou então, a Academia pode render-se à inocência de Amy Adams e do seu tocante retrato em Junebug.

amyadamsgra.jpg

Poucos ouviram falar dela. A imprensa tem utilizado muito a frase "a rapariga com quem DiCaprio casa em Catch Me If You Can". À falta de melhor, tem de servir. Isto porque Amy Adams não tem o que se pode chamar, uma carreira fulgurante em Hollywood. Aliás, até Junebug, poucos deram conta da sua existência.
Mas a verdade é que o simpático filme indie, que pouquissima gente viu, catapultou o seu nome para a ribalta. Há quase meio ano que se fala no seu contagiante desempenho com jovem grávida de uma familia disfuncional, e desde aí que só se ouvem elogios. A nomeação pode ter constituido uma surpresa para muitos (basta ver os nomes que ficaram de fora), mas já era esperada em Hollywood. É que Amy Adams é uma nova menina bonita de Los Angeles, a favorita sentimental de muitos dos que votam no prémio. E isso poderá também significar uma surpresa.

A Favor
A critica rendeu-se ao desempenho em Junebug, e para muitos a nomeação já era uma vitória. Mas não se para de falar nela e no seu papel, e na hora de votar, se o coração falar mais alto, Amy Adams é uma fortissima candidata a surpresa da noite.

Contra
Pouca gente viu Junebug. Um indie muito modesto que passou bastante despercebido, sem o glamour habitual dos óscares. Além disso há a idade. Adams está lançada, mas muitos acham que é demasiado nova para ser premiada. Pelo menos, por agora.

michellewilliams3.jpg

A razia absoluta de prémios nos Globos e no SAG é uma má indicação para Brokeback Mountain. Mas se há algum dos actores do filme que pode sair do Kodak Theather com a estatueta, essa é Michelle Williams. Uma das queridas da critica, no inicio da temporada de prémios, Williams viu Weisz eclipsa-la, quando as coisas realmente interessavam.
Claro que o seu desempenho mal é merecedor de uma nomeação, quanto mais de um óscar, mas a jovem actriz é uma das rising stars de Hollywood, e o seu desempenho emocionou bastante o público indefectivel de Brokeback Mountain. Caso o filme arranque para uma noite inesquecivel, a paragem para o óscar de Williams parece ser obrigatória. Mas Williams já foi mais favorita.

A Favor
Está naquele que será provavelemente o filme do ano, e os seus colegas dificilmente conseguem superar a concorrência. Além do mais é uma das novas meninas bonitas, e a Academia adora histórias de amor como a sua e de Heath Ledger.

Contra
Um desempenho pouco merecedor de um óscar, a falta de emoção que há à volta de Amy Adams, e a força de Rachel Weisz, fazem de Michelle Williams uma candidata com muita parra, mas pouca uva.

catherinekeenergrande.jpg

Se há desempenho que passa perfeitamente despercebido, entre os cinco nomeados, esse é claramente o de Catherine Keener em Capote. Hollywood gosta dela, está visto, não fosse esta a sua terceira nomeação. Mas é preciso algo mais para se ter uma estatueta dourada na mão. E Keener não oferece nada em Capote. Um caso claro de simpatia pelo nome, mais do que propriamente, paixão pelo desempenho.

A Favor
Gostam dela em Hollywood e Capote foi um filme muito apreciado no meio.

Contra
Desempenho fraquissimo e nunca deixa de ser a sombra de Seymour Hoffman.

francesmcdormandgrande.jpg

Veteranissima e oscarizada, Frances McDormand continua a dar cartas em Hollywood. Já lá vão dez anos desde o óscar surpresa em Fargo, e continua a cair no goto da Academia, apesar de ser a sombra de Charlize Theron em North Country. Nomeação surpresa (havia Maria Bello, a dupla de actrizes de Memoirs of a Gueisha, Johansson, etc...), McDormand é a veterana do grupo e não deverá passar disso. Mais uma coroa de louros para um curriculum cada vez mais impressionante.

A Favor
Pouca coisa. A nomeação é já um triunfo.

Contra
Rivais, desempenho pouco notado, filme arrasado pela critica e pelo box-office. É preciso cair o Kodak Theather para McDormand vencer este óscar.

O HOLLYWOOD PREVÊ
O Óscar vai para...Rachel Weisz
O Óscar devia ir para...Rachel Weisz
O Grande Rival...Amy Adams
A grande surpresa...Michelle Williams
O grande ausente...Maria Bello

OS ÚLTIMOS VENCEDORES
2004 - Cate Blanchett
2003 - Renné Zellweger
2002 - Catherine Zeta-Jones
2001 - Jennifer Connelly
2000 - Marcia Gay Harden

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:45 PM | Comentários (5)

For Your Consideration...

RachelWeiszFYC.jpg

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:30 PM | Comentários (0)

Fantas - Dia 7

A peróla do dia estava guarda para a última sessão. Mas durante o dia o Rivoli esteve cheio de cinéfilos, sedentos por um fim de semana cheio de filmes com o selo de qualidade do Fantasporto. E não ficaram desiludidos.
murrowcrop123.jpg

O dia era de derby em Lisboa, e ao fim de tarde isso notou-se de alguma forma. Mas o principio da tarde foi a prova viva de que o festival está em força. Um Lobisomem na Amazónia, do brasileiro Ivan Cardoso, abriu a tarde, para logo de seguida voltar a passar Incautos, o fascinante thriller de Miguel Bardem de que já falamos aqui várias vezes.
Num festival que teve uma primeira semana com tardes em que o movimento era pouco, este fim de semana foi uma lufada de ar fresco com salas cheias e filas para comprar bilhetes. No pequeno auditório do Rivoli a manhão trouxe a serie televisiva Triângulo Jota, e a tarde priveligiou Masters of Horror e o cinema hungaro, com os filmes The Witness e Time Stands Still.
Já antes disso a biblioteca Almeida Garrett tinha passado um dos mais aplaudidos filmes de sempre de Bollywood, Devdas, e ainda Kal Ho Naa Ho.
Com a hora do jogo a aproximar-se, só os inevitáveis fãs de Park Chan Wook, Takeshi Miike e Fruit Chan ficaram para Dumplings, a continuação de Three Extremes que tinha fechado a noite de sábado. O inicio da noite fez-se sob os auspicios do maestro Kim Ki Duk, com Samaritan Girl, mas o choque estava guardado para mais tarde com a exibição de Johana. A ópera em tons cinematográficos de Kornel Mundruczó, sobre uma jovem que ganha poderes especiais para curar os enfermos, através do sexo, chocou muitos que cedo abandonaram a sala, mas os que aguentaram até ao fim juram a pé juntos que este é um dos filmes do festival. Veremos se chega aos prémios.
Entretanto o pequeno auditório também tinha as suas pequenas pérolas polémicas, de Death Tunnel ao disfuncional The Hamster Cage, onde desde incesto a abusos sexuais, há um pouco de tudo para alegrar uma familia completamente surreal.
Mas o prato forte da noite estava mesmo guardado para o final.
O filme surpresa da edição deste ano do Fantas, Good Night and Good Luck. conseguiu arrastar bastante gente para o grande auditório, apesar do adiantar da hora. E se muitos sairam da sala, certamente depois de terem olhado para o relógio, os que ficaram não deixaram de ovacionar o filme no final. De facto, Good Nighta and Good Luck., é seguramente um dos melhores exemplos do cinema de cruzada, e a confirmação absoluta do talento de George Clooney para a realização. Um filme que marca também esta edição do Fantas pelo seu statement politico, como a directora Beatriz Pacheco Pereira, tinha feito questão de salientar, no discurso de inauguração.

A partir de hoje o Fantas entra na sua semana decisiva. Muitos filmes em competição, muito suspense sobre quem será premiado.
O destaque da segunda-feira de Carnaval vai para os docuemntários Cineastas vs Magnatas e Cineastas en Accion, do espanhol Carlos Benpar. Seguem-se Simpathy for Lady Vengance - prato forte do primeiro dia - e Shooting Dogs. A noite fecha com One Missed Call 2, um regresso, e a reposição de Three..Extremes.
Já o pequeno auditório abre as portas ao cinema brasileiro com O Casamento de Romeu e Julieta. Seguem-se Crash Test Dumies - filme austriaco - e Diary for My Father and Mother, que continua a retrospectiva hungaro, 50 anos que se completam da chegada dos soviéticos a Budapeste. À noite há F.A.Q, filme espanhol em competição, e I.K.U, mais uma história provocante que chega do Japão na secção Love Connection. A noite longa acaba com mais uma obra máxima da filmografia alemã, Dr. Mabuse de Fritz Lang.
O AMC 20 continua com Mundos Paralelos e dedica uma sala a Spirit Trap, e o Passos Manuel continua a sua viagem pela Love Connection com Angel Guts. Por sua vez a retro Bollywood continua com Khakee e Kuch Kuch Hota Hai.

OS FILMES DO DIA

A review de Good Night and Good Luck. será apresentada à parte do resumo diário do Festival.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:44 AM | Comentários (0)

Mrs Henderson Presents - O espectáculo tem de continuar

Não é um filme pretencioso, mas isso não o impede de ter uma mensagem. É uma comédia ligeira, mas não deixa de funcionar como um testemunho histórico de uma época onde a coragem era tudo o que as pessoas tinham.
Filme de mrshenderson.gifmrshenderson.gifmrshenderson.gif
mshenderson.jpg


Estamos logo avisados, desde o genérico inicial, que Stephen Frears não vai filosofar, meditar ou tomar uma posição. Já conhecemos essa sua faceta de autor britânico de outras paragens, mas aqui o jogo é outro. E, apesar da ligeireza do filme - um verdadeiro balão de oxigénio num ano tão carregado de statements politico-sociais - aqui não há o riso pelo riso, ou o nu pelo nu.
Frears tem o cuidado de enquadrar tudo num contexto e sem nunca sair dessa esfera, consegue criar momentos maravilhosos.
Estamos na Londres do pré-2º Guerra Mundial quando Laura Henderson, uma recente viuva rica - decide ir contra as leis estabelecidas da viuvez, e compra um teatro abandonado do West End, o Windmill. Com a perspicácia de um director artistico autoritário, mas com um grande coração, o seu teatro revoluciona a produção tetral londrina. E quando todos o copiam, não há nada como ser original. É então que surgem os seios, os peitos ou as maminhas - depende da perspectiva, como defende a senhor aHenderson - que enchem o teatro e catapultam para fama seis belas jovens. Entretanto deflagra a guerra, e os teatros fecham. Mas não o Windmill. E os peitos que foram arte, para não ser uma indecência, passam agora a ser a tónica de coragem para aqueles que têm de ir combater.
050854h2.jpg

O retrato criado por Judi Dench de uma dama da alta sociedade britânica que não tem medo de ser genuina, e de pisar a linha, é um dos grandes atractivos do filme. Grande senhora do cinema britânico, Judi Dench é despudoramente snob e sedutoramente maternal, numa personagem que simboliza também a coragem britânica, em dias tão dificeis. A sua relação de cão e gato com Vivian van Damn, vivida na perfeição por Bob Hoskins (injusto esquecimento da Academia), é o motor da história, e um dos seus pontos de maior interesse. Não só pelo choque de classes - há a snob da nobreza imperial, e o burguês do meio artistico - mas pela semelhança de personalidades de ambos, que abre caminho a uma parceria inesquecivel.
E depois há claro as meninas estatuta, que numa época onde o que se fazia no Moulin Rouge ainda era visto como um pecado nas ruas de Londres, tiveram a coragem de mostrar tudo o que tinham para a mostrar. Nesse sentido o filme é extremamente artistico, já que não há um único plano do corpo das seis actrizes que seja minimamente erótico ou sensual. Não há essa exploração do corpo, como poderia ter havido, caso o filme tivesse noutras mãos. E claro, Mrs Henderson Presents serve ainda para nos convencer que Kelly Reilly é um nome a seguir com atenção nos próximos tempos, já que imenso potencial parece ter esta jovem britânica.
mrs-henderson-presents-1.jpg

Apesar de não ser um musical, a inevitablidade da história força uma montagem muito à base dos temas mais populares da época. Um registo que fica bem ao ritmo do filme e que mantem a ligeireza da história. Porque para além de ser uma comédia, Mrs Henderson Presents é igualmente um drama. Um drama em tempo de guerra. E se aposta em material documental é interessante, nunca deixamos de ter a sensação de que realmente tudo aquilo se passa debaixo de bombas e blitzkrieg. Mas também não nos esquecemos que o riso, o humor e a boa disposição podem imperar, mesmo nos dias mais turbulentos, como aliás defendia Ernst Lubitsch quando assinou a sua obra-prima, To Be or Not To Be.
Num dos mais patrióticos planos do filme, Kelly Reilly, despida em palco, faz o v de vitória com os dedos, depois do primeiro bombardeamento ao Windmill. Uma vitória que é também a vitória da moral do filme. Mesmo quando os dias mais negros se abatem sobre as nossas cabeças, faz sempre bem um pouco de boa distração. E Mrs Henderson Presents é isso mesmo. Um bom bocado de distração, em tempos cada vez mais dificeis.

Classificação - mrshenderson.gifmrshenderson.gifmrshenderson.gif

O Melhor - A dupla Judi Dench-Bob Hoskins é absolutamente impecável.

O Pior - Alguns problemas na edição do filme, desde os primeiros planos ao final feito um pouco à pressa.

Curiosidade - Para produzir o filme, a equipa de investigação entrevistou as bailarinas sobreviventes, que contaram inumeros episódios que são retratados no filme, como os subtfurgios de Laura Henderson para entrar no seu próprio teatro.

Site Oficial - www.mrshendersonpresentsmovie.co.uk

Realizador - Stephen Frears
Elenco - Judi Dench, Bob Hoskins, Kelly Reilly, ...
Produtora - Weinstein Co.
Classificação - m/16
Duração - 103 m

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:14 AM | Comentários (1)

fevereiro 26, 2006

Óscar 2005 - Melhor Argumento Original

CRASH8.jpgGNAGL5.jpgMP1.jpgTSAW1.jpgSYR1.jpg

A originalidade sempre fui uma das armas de sucesso de Hollywood, mas nos últimos anos a crise tem-se instalado no sistema. Este ano a oferta é boa e o vencedor previsivel.

CRASHARGUMENTO.jpg

O guião de Crash tem sido proclamado vencedor desde a estreia do filme, no festival de Toronto em...Outubro de 2004. Desde então ninguém se atreveu ainda a conquistar o guião de Paul Haggis, um dos grandes derrotados do ano passado com o genial Million Dollar Baby perdeu para o brilhante Sideways. Este ano parar Haggis é praticamente impossivel, o óscar está entregue.

GNAGLARGUMENTO.jpg

O grande rival parece ser Good Night and Good Luck. O segundo filme mais nomeado arrisca-se a sair da noite sem qualquer estatueta. O guião de Grant Heslov e George Clooney já foi premiado em Veneza, e em vários prémios da critica, mas dificilmente roubará um óscar quase certo a Crash.

MPARGUMENTO.jpg

Match Point é a obra-prima de Woody Allen quando já não se pensava que o cineasta nova-iorquino podia fazer obras-primas. Um retrato cruel de um jovem capaz de tudo para subir na vida, num misto de Dostoievsky, Bergman e A Place in the Sun. O óscar era o prémio mais justo para o filme mais ignorado do ano, mas a vitória é altissimamente improvável.~

TSAWARGUMENTO.jpg

Depois de uma gigantesca vaga de óscares para os filmes indies, a esperança do cinema independente este ano era The Squid and the Whale. Mas o filme de Noah Baumbach não conseguiu atingir o mesmo nivel dos seus antecessores, e apesar da nomeação - única - a vitória é improvável, e igualmente injusta!

SYRIANAARGUMENTO.jpg

Para fechar há Syriana. Publicitado como argumento adaptado, surgiu à última da hora como original, e mesmo assim foi nomeado. Um triunfo pessoal para o oscarizado Stephen Gaghan que assina aqui um brilhante retrato da podridão do sistema norte-americano que deriva no caos que se vive no Médio Oriente. Um filme politico com um argumento fabuloso.

O HOLLYWOOD PREVÊ
O Óscar vai para...Crash
O Óscar devia ir para...Match Point
O Grande Rival...Good Night and Good Luck.
A grande surpresa...Syriana
O grande ausente...Cinderella Man

OS ÚLTIMOS VENCEDORES
2004 - Eternal Sunshine of the Spotless Mind
2003 - Lost in Translation
2002 - Habla con Ella
2001 - Gosford Park
2000 - Almoust Famous

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:33 PM | Comentários (1)

Óscares 2005 - Melhor Argumento Adaptado

BBM8.jpgCAPOTE12.jpgMUNICH9.jpgTCG4.jpgAHOVARGUMENTO.jpg


Brokeback Mountain é mais do que um simples favorito. A sua vitória parece inevitável. Mas é dificil dizer se será uma vitória justa.

BBMARGUMENTO.jpg

O guião de Diana Ossama e Larry McMurty, inspirado no conto de Annie Proulx, foi a base de trabalho que captivou Ang Lee e o elenco de Brokeback Mountain. A históri de um amor impossivel entre dos cowboys, durante mais de quinze anos, tem conquistado o público e a critica e é mais do que favorito para vencer.

CAPOTEARGUMENTO.jpg

Dan Futterman criou um sólido argumento para Capote, baseando-se no periodo da vida do escritor em que este criou a sua mais polémica obra. Um filme lento, introspectivo, mas com um trabalho muito apreciado em Hollywood e que faz de Capote um sério rival para Brokeback.

MUNICHARGUMENTO.jpg

Tony Kuschner já foi apelidado de tudo, desde extremsita de esquerda a racista. Mas o seu guião para Munich é simplesmente fabuloso, e muita da magia do brilhante filme de Spielberg parte daí. Um trabalho demasiado polémico para ganhar, mas aquele que seria, de facto, o justo vencedor.

TCGARGUMENTO.jpg

The Constant Gardener é a adaptação de um romance de sucesso de John Le Carré. O trabalho de adaptação de Jeffrey Cane é muitissimo bom e dá ritmo e profundidade dramática ao filme de Meirelles. Um bom trabalho e uma nomeação mais do que merecida.

AHISTORYARGUMENTO.jpg

Um dos grandes ausentes do ano, noutras categorias, foi o aplaudido A History of Violence, a mais recente obra do conceituado David Cronenberg. O guião de John Olsen baseou-se na história aos quadradinhos que inspirou o filme, e recebeu inumeros elogios por parte da critica. Perde para a concorrência, mas ganha em ter sido uma das duas nomeações do filme.

O HOLLYWOOD PREVÊ
O Óscar vai para...Brokeback Mountain
O Óscar devia ir para...Munich
O Grande Rival...Capote
A grande surpresa...A History of Violence
O grande ausente...Jarhead

OS ÚLTIMOS VENCEDORES
2004 - Sideways
2003 - The Return of the King
2002 - The Pianist
2001 - A Beautiful Mind
2000 - Traffic

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:20 PM | Comentários (0)

For Your Consideration...

PaulGiamattiFYC.jpg

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:24 PM | Comentários (0)

Fantas - Dia 6

Dia recheado de candidatos a prémios, o Rivoli encheu à noite para a ante-estreia mundial de Edison e para o bom humor do cinema sueco de terror. Quase a chegar a meio, o festival começa a arrancar para a sua fase mais interessante.
b157091.jpg

A enchente do dia de abertura não foi superada, mas mesmo assim muita gente disse presente no Rivoli, apesar da chuva que teima em não abandonar a cidade do Porto.
Durante a tarde houve uma reposição de The Other Half, mas o destaque foi para os filmes em competição de quem se esperava muito.
Adam´s Apple e Zulo foram os filmes da tarde. O primeiro uma comédia dinamarquesa com neo-nazis e o segundo um filme de cortar a respiração vindo directamente de Espanha.
O público disse presente, mas os problemas da organização estavam na sala de imprensa onde a equipa de Coisa Ruim e Luis de La Madrid, que tinham previsto um encontro com a imprensa, acabaram por faltar, e os jornalistas que não foram às exibições para falarem com os autores, acabaram por perder a tarde.
No pequeno auditório a tarde tinha sido passada com Masters of Horror e Bill Plympton, que foi homenageado à noite pela organização, culminando uma retrospectiva da sua obra.
E se Street of Joy e Pleasent Days - no Passos Manuel - e Main Hoon Na e Deewar - na Almeida Garret - animaram a tarde, as atenções estavam voltadas para a noite no grande auditório.
Edison, estreava mundialmente, e tinha um elenco de luxo como chamariz. Kevin Spacey, Morgan Freeman, Justin Timberlake, LL Cool J e Dylan McDermott protagonizaram este filme de acção policial dirigido por David J. Burke. O filme pautou pela mediania mas o público não gostou, e ouviram-se alguns apupos e poucas palmas no final da sessão.
Seriam A Lenda do Espantalho - animação espanhola pré-candidata ao óscar - e Frostbitten, filme onde a comédia de adolescentes encontra o cinema de vampiros, a aquecer a sala, com os autores a serem aplaudidos em palco, e os filmes a serem recebidos de braços abertos por um público sedento de sangue.
A fechar a noite, ainda com casa cheia, houve Three...Extremes, onde três Takeshi Miike, Chan Woo Park e Fruit Chan se encontraram para um retrato cruel do horror.

Amanhã o dia começa cedo e acaba bem tarde.
Um Lobisomem na Amazónia, filme de Ivan Cardoso, abre a tarde no Rivoli que prossegue com Incautos - em reposição - Dumplings e Samaritan Girl, o segundo filme de Kim Ki Duk no festival. A noite prossegue com Johana, filme do hungaro Kornel Mundruczó, também ele com outro filme no festival, e termina com um filme que é uma estreia em Portugal, apesar de estar já prevista a sua chegada às salas na próxima quinta-feira. Trata-se de Good Night and Good Luck., filme nomeado a seis estatuetas douradas na edição deste ano dos óscares e que promete ser o statement politico que o Fantasporto quis fazer este ano.
No pequeno auditório o dia é devotado ao cinema hungaro, com dois filmes e a noite prossegue com Deat Tunnell e The Hamster Cage, filme de um dos homens que inspirou Cronenberg.
Para os mais alternativos há Devdas, um dos maiores filmes da história do cinema de Bollywood, na Almeida Garrett e três filmes no AMC - Mundos Paralelos, Hair High e Spirit Trap.

O Hollywood recomenda o obrigatório Good Night and Good Luck., de George Clooney, e ainda Samaritan Girl e The Hamster Cage. Resta saber se Dumplings e Samaritan Girl não vão sair prejudicados pela inevitável romaria a casa para assistir ao derby entre Porto e Benfica.

OS FILMES DO DIA

Frostbitten
fantasdia6.giffantasdia6.giffantasdia6.gif

O cinema sueco tem um historial impar no cinema europeu, desde nomes como Sjostrom ao inevitável Bergman. Mas felizmente há mais para além do cinema de autor no gelo da Suécia, e Anders Banke é a prova viva disso mesmo.
Forsbitten é tanto um filme de vampiros - com muitos litros de sangue (6, para ser mais exacto), como é uma comédia de adolescentes à americana, recheada das mesmas situações, do mesmo humor truculento e voraz, e do mesmo espirito de diversão.
Como o realizador fez questão de salientar, o filme prima por ser uma comédia, e é de facto aí que está o seu ponto alto. A história em si está carregada de falhas e a realização não é propriamente inesquecivel, numa produção que também não se pode dizer que tenha sido muito barata. Mas tudo isso desaparece quando as mais inverosimeis situações e falas vão surgindo no ecrãn. Apanhar os clichés dos filmes de vampiros e junta-los aos cliches dos filmes para adolescentes nem sempre é uma tarefa fácil. Mas Banke superou-se e constroi uma história engraçada, com um final a pedir uma sequela, e com a vontade de ver mais cinema sueco assim, e mais filmes com a promissora Grete Havnesköld.

Realizador - Anders Banke
Elenco - Petra Nielsen, Grete Havneskold e Emma Aberg
Duração - 98 m

b157094.jpg

Edison

fantasdia6.giffantasdia6.gifmeia_estrela212112.gif

Edison tem três graves problemas, que condenam à partida qualquer hipótese do filme se destacar dos demais no genero.
Em primeiro lugar recorre a demasiados clichés do filme de acção policial. Tenta copiar ideias a filmes como Training Day, mas o realizador parece ter sido apanhado com o copianço na mão, tal é a falta de originalidade em alguns momentos. A juntar a isso um fraco argumento, com pessimas falas, daquelas que nunca ninguem diz em situação alguma, e o desenvolvimento de uma história em hora e meia que já está contada nos primeiros dez minutos, arrasam qualquer filme.
Temia-se muito pela presença de Justin Timberlake no filme. Mas o menino bonito da pop não se safa mal, só que anda perdido, tal como os veteranos Kevin Spacey e Morgan Freeman, enchertados ali um pouco a esforço, e sem grande convição. Fica para Dylan McDermott e LL Cool J as honras do filme, apesar deste último protagonizar uma cena final de acção que, para além de ter pouco a ver com o resto do filme, acaba por lhe retirar a pouca credibilidade que a história vinha tendo.
Apesar de arrancar bem, o filme perde-se cedo e nunca se reencontra, nem sequer procura um atalho para se salvar. Cai na monotonia e na mediocridade narrativa, e acaba por ser o exemplo perfeito de que um elenco chamativo não faz por si um bom filme.

Realizador - David J. Burke
Elenco - Justin Timberlake, Kevin Spacey e Morgan Freeman
Duração - 97 m

edisonnew05.jpg

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:07 AM | Comentários (1)

Aquelas Frases...

"It's like finding a needle in a stack of needles."

a.jpg

in Saving Private Ryan

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:06 AM | Comentários (0)

fevereiro 25, 2006

Cantos do Mundo - Europa

Para gáudio dos cinéfilos portugueses, volta a estar em exibição – apesar de ser num circuito extremamente restrito - Il Gattopardo de Luchino Visconti. Este fresco histórico-romanesco de uma sumptuosidade nunca igualada representa o cume do cinema clássico europeu.
gattopardo123.jpg

Já antes, Visconti realizara Senso, passado na mesma época e igualmente um drama romanesco onde se encenam paixões individuais em conflito com o empenhamento histórico e colectivo das personagens.
Em Il Gattopardo Visconti um aristocrata comunista, estende-nos, de forma imponente e magnetizante, a sua leitura marxista de um momento decisivo da história italiana, onde a aristocracia passa o testemunho à burguesia ascendente. Foram precisos alguns anos para que o cinema europeu, com 1900, atingisse um momento de semelhante fulgor no reencontro com a história da Europa.
Gattopardo1231.jpg

Burt Lancaster é o único elemento não europeu neste filme, que deve muito ao seu trabalho na figura do príncipe de Salina, com uma interpretação cheia de vigor e de sensibilidade.
Afinal, Lancaster consegue ser a encarnação perfeita de um homem que sabe que a sua era está condenada, e que, apesar de não querer aceitar os tempos que se avizinham, é forçado a apadrinhar os novos actores da sociedade italiana.
Il Gattopardo tem a magia de ser um filme de três Príncipes.
O do Príncipe de Lampedusa, o autor do livro – só publicado após a sua morte. O do Príncipe de Visconti, o fabuloso cineasta de Rocco e Sui Fratelli que ao ler o livro jurou que não descansaria enquanto não o realizasse. E por fim, o Príncipe de Salina, que não é mais do que uma reencarnação dos dois homens anteriores, bem conscientes da limitação da sua classe social nos tempos que corriam à época. Mas é esse reconhecimento, de que a sua era está a acabar, que motiva estes três homens no que fazem, sem no entanto lhes retirar o vislumbre da única certeza que têm: a proximidade da morte.
bfi-00m-mv0123.jpg

Filme profundamente necrófilo, quase uma autêntica procissão até ao beijo da morte final, que não é apenas o despedir de um homem. É o despedir de uma classe social, de uma era. A impotência de Salina diante de Angélica existe, porque ela está destinada ao novo mundo, e como tal, aos homens do novo mundo. Nunca para ele, o príncipe do passado!
Verdadeira obra-prima, que tanta polémica levantou à época pelo choque de versões – a italiana, apadrinhada pelo realizador, e a norte-americana, distribuída pela Fox com menos uma hora de filme e sob o protesto de Visconti – o filme foi o grande campeão de Cannes em 1963.
Mas mais do que prémios e prestigio, Il Gattopardo é um filme imortal, acima de tudo, porque é um ensaio sobre fim. E não há nada tão eterno como a morte!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:58 PM | Comentários (0)

Óscares 2005 - Melhor Filme Animado

wallaceandgromit_finalbig1.jpgtimburtonscorpsebride_bigearly12.jpghowlscastleposterbig12.jpg

Só em 2001 foi criada uma categoria propositadamente para o cinema de animação. Este ano não há Pixar, o estúdio campeão em vitórias, mas há Wallace and Gromitt, que já venceu duas estatuetas douradas na categoria de curta de animação.

gromit6.jpg

Os estúdios Aardman são um dos expoentes máximos a nivel mundial na animação stop-motion. O sucesso da serie Wallace and Gromitt é a prova, e a sua primeira longa metragem, The Curse of the Where-Rabbitt, fui um sucesso retumbante. Para além dos prémios e do box-office acumulado, o filme de Nick Park prepara-se para vencer mais um óscar.

corpsebride121.jpg

Tim Burton nunca foi nomeado pela Academia. Até Corpse Bride. Ironia das ironias, ser nomeado pelo seu segundo filme de animação, mas a verdade é que Corpse Bride é um belissimo filme, cheio de imaginação e magia. Feito em stop motion, com alguns pozinhos mágicos de CGI, o filme encantou miudos e graúdos. O óscar é improvável, mas não impossivel.

christian_bale4.jpg

A grande surpresa entre os nomeados foi sem dúvida Howl´s Moving Castle. Ao repetir um pouco a fórmula de Spirited Away, o filme que valeu o óscar a Hayo Miazaki, pensava-se que a Academia iria preferir filmes de estúdio. Estavam todos enganados e num ano extremamente artistico, no que ao cinema de animação diz respeito está claro, este belissimo filme animado japonês não destoa em nada da concorrência.

O HOLLYWOOD PREVÊ
O Óscar vai para...Wallace and Gromitt
O Óscar devia ir para...Corpse Bride
O Grande Rival...Corpse Bride
A grande surpresa...Howl´s Moving Castle
O grande ausente...Madagascar

OS ÚLTIMOS VENCEDORES
2004 - The Incredibles
2003 - Finding Nemo
2002 - Spirited Away
2001 - Shrek

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:02 PM | Comentários (0)

Óscares 2005 - Melhor Filme Estrangeiro

paradisenow_bigposter123.jpgtsotsiposterbig133.jpgsophieschollthefinaldays_bigposter123.jpgjoyeuxnoel_bigreleaseposter123.jpglabestianelcuore123.jpg

Num ano onde o cinema europeu domina em nomeações, é o world cinema que tem mais probabilidades de sair vencedor. Mas a polémica à volta de Paradise Now pode retirar-lhe uma vitória que parecia mais do que certa.

ali_suliman312.jpg

Apresentdo como filme da Palestina, já há petições para retirar a designação de palestiniano ao filme. Esta foi uma das polémicas de Paradise Now, filme sobre os bombista suicidas palestinianos que tem feito furor, um pouco por todo o mundo, tendo já arrecadado o globo de ouro, e uma serie de prémios nos últimos meses. Mas o filme pode perder um óscar que parece certo, tudo por causa da complicada relação que Hollywood e os EUA têm com o Médio Oriente.

kenneth_nkosi3.jpg

Se Paradise Now falhar no último instante, então será provavelmente Tsotsi a sair vencedor.
O filme era o favorito até à chegada em força do filme palestiniano, e com a sua queda pode voltar a subir a uma posição de destaque. Tsotsi conta a vida de jovens na actual África do Sul, entre o perigo das balas e a ameaça da SIDA num dos maiores países do mundo.

sophie123.jpg

O mais forte candidato europeu é Sophie Scholl. A história da resistente ao regime hitleriano é a aposta certa para aqueles que acham que a Academia quer ser conservadora. Excelente trabalho de Julia Jentsch num filme poderoso e muito bem feito, que prova que o cinema alemão dá-se bem com a 2º Guerra Mundial.

b144483.jpg

De França surge o mais convencional de todos os noemados. Joyeux Noel conta a história da épica noite de Natal de 1914, quando a 1º guerra parou nas trincheiras e os exércitos confraternizaram. Apesar da presença das jovens promesss do cinema europeu, o filme é mornissimo, e a aposta errada da França para a edição deste ano. Basta dizer que havia De Battre Mon Coeur S´est arrete...

ylzw20050830-020-13bestianelcuore.jpg

De Itália chega um filme fantástico, La Besta en el Cuore, filme que valeu a Gioavanna Mezzogiorno o prémio de melhor actriz em Veneza. Uma jovem é forçada a confrontar-se com os seus fantasmas para se libertar de uma maldição, a premissa de um filme popular em Itália mas com poucas hipóteses em Hollywood.

O HOLLYWOOD PREVÊ
O Óscar vai para...Paradise Now
O Óscar devia ir para...Paradise Now
O Grande Rival...Tsotsi
A grande surpresa...Sophie Scholl
O grande ausente...Alice

OS ÚLTIMOS VENCEDORES
2004 - Mar Adentro
2003 - Les Invasions Barbares
2002 - Nowhere in Africa
2001 - No Man´s Land
2000 - Crouching Tigger, Hidden Dragon

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:42 PM | Comentários (2)

Óscares 2005 - Melhor Documentário

marchofthepenguins_bigposter123.jpgDarwin%20s%20Nightmare11.jpgenron_poster123.jpgmurderball_bigposter1231.jpgDVD_case_back_9_16_05%20small.jpg

O ano em que o cinema documental francês conquistou Hollywood será o ano da confirmação de um novo estilo documental, onde a realidade e ficção se fundem de uma maneira muito particular.

marchofthepenguins121.jpg

Le March de L´Empereur foi um dos filmes mais vistos nos Estados Unidos no verão de 2005. O documentário de Luc Jacquet sobre a épica viagem feita pelos pinguins imperadores, em busca de comida para a familia, era um filme familiar mas tornou-se num fenómeno de popularidade. Vencedor de quase todos os prémios do ano, para documentários, é o favorito indiscutivel ao óscar.

thumb-darwin_0521.jpg

Darwin´s Nightmare também já estreou em Portugal e lida com as questões da globalização na vida animal e na vida dos humanos da África abandona pela ocidente. Um retrato cru e real de Hubert Sauper que é, neste momento, o mais sério rival à hegemonia dos "pinguins" franceses.

enron11.jpg

Enron: The Smartest Guys in the Room continua a seguir o genero de documentário de denuncia que tanto sucesso tem feito nos últimos anos. Dirigido por Alex Gibney o filme segue o celebre caso da empresa multinacional Enron, e da sua falência estratégica que colocou a nu a podridão do sistema empresarial norte-americano.

murderball2123.jpg

Murderball é um documentário sobre a vontade de viver de um grupo de homens paraplégicos que forma uma equipa de basquetebol e está disposta a tudo para chegar aos Jogos Para-Olimpicos. Um retrato tocante da vida de homens que passaram pelo inferno, mas que conseguirem arranjar uma maneira de trepar até à vida.

33_300streetfight.jpg

Street Fight segue a campanha para presidente da camara de Newark em 2002. Um trabalho de Michael Curry que acabou por ser um nomeado surpresa face aos outros filmes que pertenciam à lista de pré-selecção.

O HOLLYWOOD PREVÊ
O Óscar vai para...Le Marche de L´Empereur
O Óscar devia ir para...Le Marche de L´Empereur
O Grande Rival...Darwins´s Nightmare
A grande surpresa...Enron: The Smartest Guys in the Room
O grande ausente...Grizzly Man

OS ÚLTIMOS VENCEDORES
2004 - Born into Brothels
2003 - Fog of War
2002 - Bowling for Columbine
2001 - Murder on the Sunday Morning
2000 - Into the Arms of Strangers

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:08 PM | Comentários (0)

Tarantino na Cena do Crime

Apesar de não ser hábito do Hollywood noticiar questões abrangentes às series de TV, desta vez pareceu-nos bem trazer uma boa notíciao aos fãs de Tarantino e de CSI. O conceituado realizador, também ele admirador confesso da séria de CBS, foi encarregue de escrever e filmar o último episódio da 5ª temporada de CSI Las Vegas, com a devida autorização do não menos conhecido produtor executivo dos restantes episódios, Jerry Bruckheimer.Grave Danger foi o nome escolhido por Tarantino para o grande final - mesmo grande, o episódio dura 2 horas-, que garante não se ter sentido retraído pelas condicionantes do formato televisivo: "Nesse sentido, não foi um desafio. Simplesmente quis fazer um episódio maior, como se fosse um filme CSI." E claro, a sua marca pessoal está lá, já que estas duas horas são marcadas por um intenso ritmo de thriller, num contra-relógio para encontrar um dos agentes da equipa de Grissom (Wlliam Peterson), que fora enterrado vivo.
O episódio já passou nos States onde foi assistido por mais de 30 milhões de telespectadores. Por cá, é o prato forte do AXN para a próxima Terça-feira as 21h30.
t.jpg

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:55 PM | Comentários (3)

Fantas - Dia 5

O Rivoli vestiu-se de gala para a cerimónia oficial de abertura do 26º Fantasporto. Personalidades dos mais diferentes quadrantes da sociedade juntaram-se para verem Coisa Ruim, o primeiro filme português a abrir o Fantas. Isto tudo numa noite onde se pode ver o melhor e o pior da edição deste ano do festival.
coisaruim01.jpg

Camaras de televisão, imprensa e muito, muito público para o arranque oficial do festival.
O Rivoli esgotou por completo, num dia muito especial para o Fantas e para o cinema português. Pela primeira vez em 26 anos, era um filme português a ter honras de abertura.
Honras totalmente merecidas. Coisa Ruim é um filme brilhantemente concebido, cheio de boas ideias cinematográficas numa história fantástica, cheia de magia oculta. Um filme que vale mesmo a pena ver, e que nos mostra, mais uma vez, que o cinema português continua a ter qualidade, apesar de não ter muita expressão. Nem cá, nem lá fora...tal como Alice, se este fosse um filme norte-americano, teriamos aqui um dos filmes mais falados do ano...cá, e lá fora!
Beatriz Pacheco Pereira fez o discurso de abertura, a louvar o público, os patrocinadores e todos aqueles que fazem do Fantas uma realidade, e sob enorme aplauso a equipa de Coisa Ruim subiu ao palco principal, onde os nervosos Tiago Guedes e Frederico Serra não escondiam a emoção do momento.
Antes do filme houve tempo ainda para uma boa curta portuguesa, da autoria de Regina Pessoa, e com o apagar das luzes, começou a magia do filme de Guedes e Serra.
No final, como não podia deixar de ser, um enorme coro de aplausos, e uma aceitação enorme a um filme que se torna agora um fortissimo candidato a ser o vencedor do ano.

O pior veio depois. Com metade da imprensa e da organização a festejar o sucesso de Coisa Ruim, numa festa oferecida pela produção no Passos Manuel, os restantes espectadores ficaram com Sigaw. E não podiam ter ficado pior acompanhados, já que dificilmente haverá este ano (e noutros) um filme tão mau a passar pelo Rivoli. Risos, desistência e muito, muito sono, quebraram a magia que se tinha criado à volta da primeira grande "noitada". Para os mais resistentes ainda houve The Nun, filme de terror escrito por Jaime Balagueró (que vem fechar o festival) e dirigido por seu montador, Luis de La Madrid.

A tarde tinha sido mais calma, mas o ambiente já se começava a sentir. O grande auditório dividiu-se entre Desperate Remedies, drama neo-zelandês, A Tale of Two Sisters, um regresso ao Fantas, e Sword in the Moon, épico de artes marciais coreano. No pequeno auditório houve mais expressionismo alemão, com dois filmes magistrais - Fausto e Nosferatu - e Love, de Karóly Makk. A noite viu uma homenagem a Robert Wise, com The Day the Earth Stood Still, numa má escolha de hora - à mesma hora começava Coisa Ruim - e a noite acabou entre Zombie Kings e Masters of Horrors.
Nos outros palcos do festival, o cinema de Bollywood continuou a encantar os espectadores da Almeida Garrett, e no AMC houve Mundos Paralelos e o imperdivel Incautos. No Passos Manuel, a preparar-se para a festa de gala da noite, houve Rain a abrir.

Para hoje, sábado, há mais cinema de competição.
Agora que o festival arrancou, a sério, as expectativas aumentam.
No grande auditório a tarde começa com The Other Half, filme bem recebido na passada terça-feira, e seguem-se Adam´s Apple e Zulo, dois filmes que prometem dar que falar. Pela noite dentro há Edison, Forsbitten e Three...Extremes, mas três filmes imperdiveis no festival.
No pequeno auditório o destaque vai para a exibição de Triângulo Jota, a serie televisiva transmitida na RTP, e ainda para Master of Horrors. O resto do dia é praticamente da responsabilidade do talento criativo de Bill Plympton com The Tune e uma serie das suas curtas-metragens.
Main Hoon Na e Deewar são as obras de Bollywood em exibição na Almeida Garrett e no Passos Manuel há Street of Joy. Para terminar, no AMC, para além de Mundos Paralelos, há a exibição do épico russo The Rider Named Death.

O Hollywood recomenda uma tarde e noite bem passadas no grande auditório onde há, nada mais do que quatro filmes que vale a pena espreitar (cinco para quem perdeu The Other Half). De Adam´s Apple a Forsbitten, passando por Zulo e Edison, o dia promete ser bem passado.

OS FILMES DO DIA

Coisa Ruim

fantasdia5.giffantasdia5.giffantasdia5.giffantasdia5.gifmeia_estrela21211.gif

É refrescante ver um filme português como Coisa Ruim.
Um filme que é capaz de utilizar uma estrutura cinematográfica definida - podemos dizer mesmo, uma fórmula de sucesso - mas que a consegue adaptar à nossa realidade. Todos os que conhecem o mundo rural português, conhecem terras como aquela misteriosa aldeia - da qual nunca sabemos o nome - onde "coisas ruins" aconteçaram no passado...e voltarão a acontecer.
O argumento de Rodrigo Guedes de Carvalho é delicioso, no sentido em que joga com os grandes medos do mundo rural português, e consegue estabelecer um elemento de ligação com o Portugal urbano, onde os problemas parecem ser outros. Mas na hora h, a fusão parece inevitável, e no fundo, são sempre os estranhos que trazem o mal...a não ser que ele já lá esteja, à espera da sua hora.
Arrumemos desde logo duas questões. Coisa Ruim tem tiques de cinema português. Apesar de muito bom, o argumento continua a ter falas que, ninguém diz em lado algum, e que fazem impressão ao ouvido. Mas o pior mesmo é que não consegue perder o problema do cinema nacional que é, o de se arrastar, sem ritmo, durante demasiado tempo. Um problema que parece ser impossivel de ultrapassar, por muito imaginativos que sejam os argumentistas nacionais. Com um ritmo em crescendo (a la Shyamalan, com quem o filme partilha muitas semelhanças), mas mais pausado, Coisa Ruim faz-nos entrar num mundo que existe de facto, recheado de crenças e folclore, desde o inicio dos tempos. Mas faz mais do que isso. Cria uma estrutura narrativa, recheada de pistas falsas e momentos de brilhante tensão dramática, capaz de prender o espectador e levá-lo até a um filme espantoso.
No final de contas, qualquer um percebe que, mais uma vez, "não se acredita em bruxas, mas que as há...há", mas o filme é mais do que isso. O dramatismo final - e temos um pouco de tudo, desde incesto a mortes, passando por exorcismos - não é exagerado. Há uma proporção dramática constante, que se vai mantendo, e que torna tudo ainda mais credivel. No final ajuda ter um belissimo elenco, um cenário belissimo e uma realização segurissima e extremamente imaginativa, para ter-mos aqui um dos grandes candidatos a filme português do ano. E quem sabe, a receber o grande prémio!

Realizador - Tiago Guedes e Frederico Serra
Elenco - Adriano Luz, Manuel Couto e José Afonso Pimentel
Duração - 97 m

coisaruim02.jpg

Sigaw

meia_estrela21211.gif

Deste filme só se pode dizer que foi certamente dos piores filmes a passarem pelas 26 edições do Fantas. Montagem desastroso, efeitos sonoros do pior que já se viu, a somar a todos os clichés possiveis e imaginários num filme do genero, o pior de tudo neste Sigaw é que Yem Laranas nunca sabe para o que vai, como vai e como vai sair dali. Seguramente um dos piores filmes alguma vez a serem feitos, e uma boa razão para que poucas pessoas conheçam cinema de terror das Filipinas. Afinal, se este é um exemplo do que há de bom, ninguem vai querer imaginar como são os filmes maus.

Realizador - Yem Laranas
Elenco - Richard Guttierez, Angel Locsin e Jorami Yallana
Duração - 102 m

the echo.jpg

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:17 PM | Comentários (3)

O Aranha Negro

Foi divulgada uma foto oficial de Spiderman3 em estilo de teaser poster pela Sony.
A imagem, com um Homem-Aranha vestido de negro, é espantosa - como o departamento de marketing da saga já nos tem habituado - e lança a hipótese, cada vez mais provável, de haver três vilões no próximo filme, a estrear em Maio do próximo ano.
Para além de Sandman (Thomas Haden Church) e de Half-Goblin (James Franco), há agora a fortissima hipótese de um dos mais apaixonantes vilões da saga entrar em cena. Para o seu lugar, a escolha é ainda um mistério, mas o nome de Topher Grace - já contratado - é insistentemente falado.
Quem também está no elenco é Bryce Dallas Howard, que vai viver a primeira paixão de Peter Parker, e ainda os habitués Kirsten Dunst e Tobey Maguire.
O filme estreia em Maio de 2005 e é dirigido por Sam Raimi.
spidey3smallll.jpg

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:52 AM | Comentários (1)

fevereiro 24, 2006

Óscares 2005 - Melhor Montagem

CRASH6.jpgMUNICH8.jpgTCG3.jpgCM2.jpgWTL7.jpg


Pela primeira vez desde 1980 o grande favorito a arrecadar o óscar não foi nomeado nesta categoria. O seu grande rival, Crash, é o favorito, mas os thrillers politicos não querem ficar atrás e estão prontos para lutar até ao final pela estatueta dourada.

CRASHMONTAGEM.jpg

Crash não é um primor em termos técnicos, mas é forçoso reconhecer o excelente trabalho de edição de Hughes Winborne é de altissimo nivel. Com a vitória nos Eddies, será dificil o óscar escapar ao filme, que assim corre o risco de partir com mais uma estatueta dourada que Brokeback, na entrada para os últimos dois prémios.

MUNICHMONTAGEM.jpg

Munich é o grande rival de Crash e é fácil perceber porque.
O trabalho de edição de Michael Kahn é sem dúvida o melhor do ano, capaz de nos manter colados ao filme, do principio ao fim. Sem falhas, pontos fracos ou quebras, Munich merecia sair do Kodak Theather com a estatueta. Mas mesmo que falhe o óscar, não será pela falta de qualidade.

TCGMONTAGEM.jpg

The Constant Gardener é o outro thriller politico que pode desafiar o reinado de Crash.
O filme de Fernando Meirelles acenta também num excelente trabalho técnico, com o seu expoente máximo na edição feita por Claire Simpson. Será dificil a vitoria, mas seria um prémio merecido para um dos filmes do ano.

CMMONTAGEM.jpg

Cinderella Man traz todas as caracteristicas dos filmes de boxe, com um ritmo avassalador nas cenas de combate, e uma grande sobriedade no resto do filme. O trabalho desenvolvido por Mike Hills e Dan Lanney é muito bom, mas longe dos restantes nomeados, e a nomeação é já uma vitória para um filme que passou por um verdadeiro purgatório e ainda não encontrou a redenção.

WTLMONTAGEM.jpg

Por fim há Walk the Line, o biopic de Johnny Cash. O trabalho de edição é uma das coisas boas e más do filme. A dicotomia explica-se pelo ritmo que cria, nas cenas onde Cash actua, e pelo ritmo pausado e sem garra, no desenvolvimento da relação amorosa entre Cash e Carter. O mais frágil dos nomeados e aquele com menos probabilidades de vencer.

O HOLLYWOOD PREVÊ
O Óscar vai para...Crash
O Óscar devia ir para...Munich
O Grande Rival...Munich
A grande surpresa...The Constant Gardener
O grande ausente...King Kong

OS ÚLTIMOS VENCEDORES
2004 - The Aviator
2003 - The Return of the King
2002 - Chicago
2001 - Black Hawk Down
2000 - Traffic

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:47 PM | Comentários (0)

Óscares 2005 - Melhor Fotografia

BBM7.jpgMOG4.jpgGNAGL4.jpgTNW1.jpgBBGINS3.jpg

Se há uma categoria técnica onde Brokeback Mountain deve prevalecer sobre a concorrência, essa é a de melhor fotografia. Numa categoria onde raramente o melhor trabalho ganha, a concorrência é de respeito, mas Brokeback parece imparável.

BBMFOTOGTAFIA.jpg

Rodrigo Prieto assinou um trabalho fotográfico do outro mundo. Conseguiu captar a beleza natural das montanhas Brokeback, da mesma forma como conseguiu inserir o casal apaixonado na própria Natureza, sem nunca um destoar em relação ao outro. Um trabalho que lhe pode valer, finalmente, o óscar.

MOAGCINEMATOGRAFIA.jpg

Igualmente notável é o trabalho fotográfico de Dion Beebe em Memoirs of a Gueisha. Um retrato exacto do universo das gueishas no Japão dos anos 30, com uma fotografia absolutamente primorosa. Não fosse a concorrência do favorito do ano, e este seria o grande candidato à vitória final.

GNAGLFOTOGRAFIA.jpg

Good Night and Good Luck. surge aqui como um potencial outsider. O trabalho fotográfico a preto e branco (desde Schindler´s List que não ganha nenhum filme a preto e branco) de Robert Elwsitt é brilhante e enquadra-se perfeitamente no espirito do filme. Um dos mais perfeitos trabalhos do ano.

TNWFOTOGRAFIA.jpg

Emanuel Lubzeki é o habitual colaborador de Terrence Malick, e isso já diz tudo. Os filmes de Malick estão sempre recheados de beleza por todos os poros, e o trabalho de fotografia é normalmente do melhor que há. Num ano em que se esperava muito mais de The New World, a única nomeação do filme era aquela que se esperaria, não fosse Malick um poeta visual.

BBFOTOGRAFIA.jpg

Batman Begins foi a agradável surpresa do ano.
O filme de Christopher Nolan foi um dos mais bem conseguidos filmes de 2005 e o trabalho técnico para recriar Gotham City foi levado ao minimo detalhe. No final, poucos esperavam uma nomeação, mas o trabalho de Wally Pfister merecia. E apesar de brilhante, Batman Begins deve contentar-se com a nomeação.

O HOLLYWOOD PREVÊ
O Óscar vai para...Brokeback Mountain
O Óscar devia ir para...Brokeback Mountain
O Grande Rival...Memoirs of a Gueisha
A grande surpresa...Good Night and Good Luck.
O grande ausente...Munich

OS ÚLTIMOS VENCEDORES
2004 - The Aviator
2003 - The Return of the King
2002 - Chicago
2001 - Moulin Rouge
2000 - Crouchign Tigger, Hidden Dragon

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:31 PM | Comentários (0)

Oscares 2005 - Melhor Direcção Artistica

MOG4.jpgKKONG4.jpgGNAGL4.jpgHPGOF1.jpgPAP5.jpg

Entre os filmes de época e o cinema fantástico, a luta promete ser equilibrada. Se Memoirs of a Gueisha destoa dos rivais, em sua perseguição estão quatro candidatos com legitimas expectativas.

MOAGDARTISTICA.jpg

Memoirs of a Gueisha é um dos filmes do ano em termos técnicos. Se a história se arrasta, se a direcção está longe de ser brilhante, o trabalho técnico é assombroso. E como em várias categorias, também na direcção artistica será quase impossivel bater Memoirs of a Gueisha. A cidade de Kyoto foi criada a partir do nada num vale da Califórnia, e foi recriada ao minimo detalhe. O trabalho de John Myhre dificilmente terá um rival à altura!

KINGKONGDIRECAOARTISTICA.jpg
Se há filme que pode bater o pé nas categorias técnicas a Memoirs, esse é sem dúvida alguma King Kong.
O épico fantástico de Peter Jackson foi recriado a partir do nada, mas é impossivel ficar indiferente ao trabalho de direcção artistica de Grant Major, o já oscarizado autor dos cenários de Lord of the RIngs.

GNAGLDIRECAOARTISTICA.jpg

Good Night and Good Luck. é o filme que pode desafiar o fantástico trabalho técnico de Memoirs e Kong.
Dirigido por George Clooney, a recriação dos estúdios da CBS por Jim Bissell é espantosa e um dos pontos altos do segundo filme com mais nomeações do ano. Não fosse a concorrência, e aqui estava um filme com potencial vencedor.

HARRYPOTTERDARTISTICA.jpg

Harry Potter and the Goblet of Fire tem sido nomeado desde o primeiro filme, mas o primeiro óscar tarda. Agora o trabalho de Stuart Craig volta a surgir como candidato, mas mais uma vez a concorrência parece ser muito forte para a recriação do universo mágico Hogwarts.

PAPDIRECAOARTISTICA.jpg

Pride and Prejudice foi uma surpresa, em termos cinematográficos, e no número de nomeações que arrecadou.
O trabalho de composição das casas e salões do século XVIII de Sarah Greenwood é extramemente interessante e confere credibilidade ao filme, mas a nomeação é já um triunfo.

O HOLLYWOOD PREVÊ
O Óscar vai para...Memoirs of a Gueisha
O Óscar devia ir para...Memoirs of a Gueisha
O Grande Rival...King Kong
A grande surpresa...Good Night and Good Luck.
O grande ausente...Kingdom of Heaven

OS ÚLTIMOS VENCEDORES
2004 - The Aviator
2003 - The Return of the King
2002 - Chicago
2001 - Moulin Rouge
2000 - Crouchign Tigger, Hidden Dragon

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:37 PM | Comentários (0)

Capote - O Preço da Vaidade

O homem que tudo quis, tudo perdeu. Capote não é a história do celebre escritor Truman Capote. É o relato da criação de In Cold Blood, o livro que o celebrizou definitivamente no panorama literário norte-americano, mas que foi o preço que o escritor teve de pagar pelo seu gigantesco egocentrismo. No final os assassinos são mortos. Mas muito de Capote seguiu para o outro mundo com eles.
Filme de fantasdia4.giffantasdia4.gifmeia_estrela2121.gif
capote_postersgh.jpg

Cinco nomeações aos óscares. Um registo impressionante para um filme tão mediano e sonolento. O trailer de Capote tinha ritmo, jogava bem entre o espaço urbano e o espaço rural, e mostrava um Capote intenso. O filme é o registo totalmente oposto.
Ritmo é algo que Capote não tem. O filme demora a arrancar, arrasta-se durante duas horas, e o final não poderia ter sido mais vazio. Pelo meio há uma notável encarnação de Seymour Hoffman na figura do polémico escritor. Mas aqui entra a dúvida que já existia o ano passado com Jamie Foxx em Ray, e que acontece sempre em filmes biográficos. Afinal, copiar os tiques, os maneirismos, as atitudes de uma personagem real é representar, na mesma medida em que criar uma personagem do zero é o verdadeiro mister de um actor?
Se for, então Seymour Hoffman faz realmente uma brutal interpretação como Truman Capote. E o melhor mesmo do seu desempenho é o jogo entre a contenção dramática do homem, com belos planos de olhares e reflexões do escritor, e o over acting exagerado - mas realista - da personagem que Capote criou para escandalizar a sociedade. Aqui vemos as duas facetas do homem. A primeira é facilmente irritante, a segunda consegue ser bastante sedutora. E no fundo, essa é mesmo a alma do filme.
capote3sh.jpg

Se Philiph Seymour Hoffman é o vertice central do filme, a grande surpresa é Clifton Collins Jnr. Um desempenho contido mas extremamente perturbante, é ele o único a dar troco à presença de Capote, que qual carvalho no centro de uma floresta, suga toda a água à sua volta. Talvez por isso Bruce Greenwood, Catherine Keener (inexplicável a sua nomeação) ou Chris Cooper passem o filme em piloto automático. A camara não quer saber deles, a história não quer saber deles. O filme alimenta-se de Capote como Capote se alimenta de todos à sua volta. E nesta centralidade à volta da personagem, o show de Seymour-Hoffman faz sentido. Um actor mediano, que tem aqui, literalmente, o papel da sua vida, teria dificuldades num registo em que tivesse alguém a dar réplica. Como não tem, o show é inevitável. Mas não chega para tirar Capote da imensa mediania em que está, desde o primeiro instante.
capote5sh.jpg

Benneth Miller, o estreante do ano na realização - a par de Paul Haggis - nunca toma pulso ao filme. Ou melhor, decide que o filme não deva ter ritmo. Tal como a história dos assassinatos do Kansas se arrastou durante mais de quatro anos, também o filme se arrasta, lentamente, com muitos fundos negros a servir de ponto de ligação, num autêntico vazio de emoções, onde até há tempo para sentir pena pelos assassinos, e sentir pena pelo homem que faz de tudo para ter o que quer - comprar a autoridade, usar os prisioneiros, usar a justiça...Esse retrato de auto-complacência de Capote, esse espelho do seu egocentrismo, é destroçado no final, quando se percebe que a ligação que se estabelece entre ele, e Perry Smith, um dos criminosos (aliás, o único dos assassinos entre os dois), é grande demais para ser quebrada de forma abrupta. Como o generico final conta - não era preciso - Capote nunca mais conseguiu escrever. O preço da vaidade foi demasiado alto.

Classificação - fantasdia4.giffantasdia4.gifmeia_estrela2121.gif

O Melhor - O desempenho de Philiph Seymour Hoffman, obviamente.

O Pior - A falta de ritmo do filme. Está morto na primeira hora!

Curiosidade - Pelo filme passam três conhecidos escritores. Para além do reputado Capote, há ainda Harper Lee (autora do celebre To Kil a Mocking Bird) e Jack Dunphy, que escreveu livros como John Fury.

Site Oficial - www.sonyclassics.com/capote

Realizador - Benneth Miller
Elenco - Philiph Seymour Hoffman, Clifton Collins Jnr, Catherine Keener, ...
Produtora - Sony Pictures
Classificação - m/12
Duração - 120 m

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:09 PM | Comentários (1)

Fantas - Dia 4

A noite do velho e o mar. Ao quarto dia o Fantas viu aquele que será provavelmente um dos grandes filmes do festival. Kim Ki-Duk regressou em grande com The Bow, um filme assustadoramente belo. O último dia, antes do arranque oficial da competião, ficou também marcado pela exibição de dois dos filmes mais miticos da história do cinema...
thebow12.jpg

Sunrise - que é a par de It´s a Wonderful Life o filme mais belo de sempre - abriu a tarde no pequeno auditório.
Um dos poucos filmes que se podem verdadeiramente considerar perfeitos, Sunrise é o expoente máximo da obra de F.W. Murnau.
Filmado nos EUA, aquando da sua passagem pela Fox, o filme é de uma poesia visual assombrosa, além de ser muitissimo avançado para a época (1927).
Logo de seguida, e ainda num pequeno auditório praticamente cheio, passou Metropolis.
O primeiro filme verdadeiramente futurista confirmou Fritz Lang como um dos maiores cineastas da história.
A história de uma cidade - Metrópolis - que vive dividida entre operários e pensadores, é o balão de ensaio para esta análise à luta de classes, a força do amor e sobre eventuais cenários do futuro.
No grande auditório o dia começou com Love Filme, obra apaixonada de Istvan Szabo. A fechar a tarde, nova viagem ao cinema erótico japonês com Professional Specialist.
O quarto dia de festival marcou também a chegada do Fantas ao AMC com a exibição de dois filmes, Mundos Paralelos e Um Lobisomem na Amazónia. A retrospectiva de Bollywood continua na biblioteca Almeida Garet com WAQT e Kal Ho Naa Ho.

A noite teve o grande atractivo com o regresso do brilhante cineasta coreano Kim Ki Duk.
Depois do aclmado Bin-Jip, Ki Duk voltou a superar-se com um verdadeiro poema sob o titulo de The Bow, o filme que mais público trouxe hoje ao grande auditório, ainda longe das enchentes previstas para a próxima semana.
Para fechar a noite houve uma viagem à Rússia czarista com The Rider Named Death, épico ambicioso e arrojado.
No pequeno auditório a noite fechou com dois filmes da retrospectiva dos irmãos Shaw: The Kingdom and the Beauty e One Armed Swordsman.

Hoje, sexta-feira, o Fantas arranca finalmente a todo o gás.
O ponto alto será a cerimónia de abertura, seguido da exibição do filme Coisa Ruim, o primeiro filme português com honras de abertura do festival.
Pela tarde passam Desperate Remedies, A Tale of Two Sisters e Sword on the Moon, e na primeira grande noitada à Fantas, há The Eco e The Nun.
O pequeno auditório continua a homenagem ao cinema alemão com a exibição do Fausto e Nosferatu. À noite há homenagem a Robert Wise com o popular The Day The Earth Stood Still, e para fechar há Zombie Kings e dois episódios de Masters of Horrors.
Na biblioteca Almeida Garrett há mais dois filmes de Bollywood: Mumma Bahi M.B.B.S e Dil Se.
No AMC continua Mundos Paralelos e é exibido o aclamado Incautos, isto no dia em que o Fantas chega ao Passos Manuel com Rain a abrir a sala ao festival.

As nossas recomendações para o dia passam obrigatoriamente por Coisa Ruim - já esgotado - e pelo visionamento obrigatório de dois filmes magistrais do cinema europeu, Fausto e Nosferatu. Para quem quer rever ou teve a infelicidade de não ter visto, Incautos é um filme a ver.

OS FILMES DO DIA


The Bow

fantasdia4.giffantasdia4.giffantasdia4.giffantasdia4.giffantasdia4.gif

Nunca se disse tanto em tão pouco.
Quando nos deparamos com um filme em que meras trocas de olhares, sorrisos e lágrimas são capazes de contar, só por si, uma grande história de amor, então temos de reconhecer que estamos diante de uma pérola rara. The Bow é isso mesmo, um filme rarissimo, tanto pela sua originalidade como pela sua beleza.
A história de amor de um velho pescador e de uma jovem de 16 anos, que ele resgatou há dez anos e com quem pretende casar no seu próximo aniversário, poderia ter sido tratado de mil e umas maneiras, cheias de diálogos punjantes e performances avassaladoras. Mas Kim Ki Duk é um cineasta-poeta e aqui só é permitido falar quem está fora da história. Os personagens principais não abrem a boca. Não precisam. Comunicam através do olhar, do silêncio e de um arco, que tanto serve para fazer música, ao som das águas, como para espantar todos aqueles que quiserem quebrar esta união insólita.
Só que há um dia em que tudo é questionado. Parece que o silêncio já não diz tudo, e que há mais para descobrir, a ver. De dos, o jogo passa a três, e com este novo jogador tudo se complica. Os sorrisos tornam-se lágrimas, a dor invade caras alegres. A jovem percebe a importância do sexo, o velho percebe a sua impotência diante o fulgor dos novos. E quando tudo podia acabar mal, de forma corriqueira e pouco interessante, Kim Ki Duk entra no universo mistico e fantástico e desenha um final como poucos poderiam imaginar. Um final tão belo que até custa a acreditar. No final, The Bow fica na memória como um filme inesquecivel, e Kim Ki Duk consolida a sua imagem de ave rara no universo cinematográfico.

Realizador : Kim Ki Duk
Elenco : Seong-hwang Jeon, Yeo-reum Han e Gook-hwan Jeon
Duração : 88 m

im3.jpg

Metropolis


fantasdia4.giffantasdia4.giffantasdia4.giffantasdia4.gifmeia_estrela2121.gif

Hoje Metropolis é um filme datado. Ao contrário de outros filmes de Lang, e outros filmes da época, o trabalho técnico de Metropolis - que à época era fabuloso - hoje cansa a vista. Não que a montagem não seja espantosa, especialmente ao nivel da narrativa visual, mas o filme ambiciona ser mais do que o que poderia ter sido. O tom épico fica-lhe bem, mas à medida que o filme vai avançando, nota-se que este se vai arrastando em algumas cenas. Os ante-titulos como "contadores" de partes importantes da história, sem imagem correspondente, também ajudam a quebrar o ritmo.
Mas de qualquer forma, Metropolis é um marco da sétima arte.
Da banda sonora ao trabalho de montagem, do simbolismo da história à dimensão prospectiva de Lang, tudo no filme é fascinante.
Lang não filme aqui apenas uma história de um amor impossivel. O que há aqui na verdade é uma analise à luta de classes, tipicamente num tom marxista, onde o operariado se cansa de esperar pela melhoria das condições de vida e parte à rebelião (ao som de La Marseillese), sendo depois confrontados com as consequências do seu acto. Da mesma forma o patronato (aqui sob o titulo dos "pensadores), despreza o operariado e vive à custa deles, acabando por ser o gatilho da revolução, apercebendo-se iguamente tarde da gravidade do seu acto. E apesar de pelo meio Metropolis, qual Babel, ter estado à beira da destruição total, a mensagem do filme é bem diferente. Lang é um conciliador, e a aposta do filme está no elo de ligação entre operários e patronato, na figura do filho perfeito, disposto a tudo para salvar a mulher que ama, os seus irmãos operários mas também o seu pai e a sua cidade.
A figura mais interessante do filme acaba por ser Maria, o robot criado por vingança e que acaba por funcionar com o elo de ligação entre as duas facções, sendo ela quem despoleta todos os confrontos. Mas à Maria demoniaca, queimada na fogueira, há a sua versão santa e imaculada, a jovem donzela Maria, numa especie de dicotimia biblica entre uma Maria Madalena, corruptora dos homens, e uma Virgem Maria, a sua santa protectora.
A religião é figura omnipresente em todo o filme, tal como a importância da ciência na evolução da especie humana.
No final - e apesar dos desempenhos exageradissimos, mesmo para a época - o filme convence os mais cépticos. Não é Sunrise - a obra máxima desse ano - nem M, essa obra-prima "Languiana", nem Fury, You Only Live Once e The Woman on the Window, as suas obras máximas do periodo americano, mas é um marco histórico fundamental e um filme inesquecivel.

Realizador : Fritz Lang
Elenco : Gustav Fröhlich, Brigitte Helm e Alfred Abel
Duração: 153 m

metropolis_001.jpg

Sunrise

fantasdia4.giffantasdia4.giffantasdia4.giffantasdia4.giffantasdia4.gif

Dele já se disse tudo.
Talvez tenha sido François Truffaut o melhor a defini-lo, ao catalogar Sunrise como "o filme mais belo de sempre". Há poucos filmes que se possam considerar verdadeiramente perfeitos. Não serão mais de uma dúzia em mais de cem anos de cinema. Mas Sunrise é um deles.
F. W. Murnau criou um filme que ainda hoje se vê normalmente, apesar da sua mudez crónica e dos seus oitenta anos. Aliás, não é preciso som em Sunrise. Os efeitos técnicos, da tempestade final ao rebuliço da cidade estão descritos de tal forma que não precisamos de ouvir nada. Basta ver que o som começa a ecoar, naturalmente, nos nossos ouvidos. E o mesmo se passa com os assombrosos desempenhos de Janet Gaynor - a primeira actriz a vencer o óscar, nesse mesmo ano - e de George O´Brien. Da inocência angelical da primeira opõe-se a natureza orgulhosa do segunda. Mas juntos formam uma dupla inesquecivel, que acompanhamos, para o bem e para o mal, como em todos os casamentos, ao longo da história.
Do filme já tudo se disse. Que tem alguns dos maiores planos da história do cinema. Que a cena final da tempestade ainda hoje não foi superada por nenhum filme. Que quando o filme parecia acabar de forma melodramática e leve, Murnau dá uma reviravolta e cola-nos à cadeira para um suspense final de cortar a respiração. Tudo. Já se disse tudo.
Mas o que não cansa é dizer que não há plano, sequência, instante, em que não nos deixemos contagiar pela beleza poética desta história de um amor sofrido, um amor que apesar dos altos e baixos, é maior que tudo e que todos.
Sunrise é ainda hoje a prova viva de que a perfeição existe!

Realizador : F. W. Murnau
Elenco : George O´Brien, Janet Gaynor e Margaret Livingstone
Duração : 95 m

sunrise2.jpg

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:27 AM | Comentários (0)

fevereiro 23, 2006

Duques e Cenas Tristes

As filmagens de Casino Royale pareciam na semana passada ter começado finalmente a entrar num ritmo estável e preciso. Mas mesmo com Bondgirl e vilão definidos, as filmagens e o ambiente em torno do novo Bond estão a piorar de dia para dia... E Daniel Craig não consegue escapar.
O azar começou no inicio da semana, numa cena de luta em que o realizador Martin Campbell pareceu querer levar o realismo ao extremo, colocando Craig a lutar puro e duro, o que resultou no actor a levar um directo e perder dois dentes. Garante quem viu que depois da intervenção do dentista ficou como novo, mas os fãs do charmoso agente não conseguem evitar ver a ironia de tudo isto.
É que, entretanto, os mais fervorosos adeptos do sublime 007 lançaram um site que expressa claramente a sua opinião sobre o casting: www.craignotbond.com, é o nome. O jornal Público noticiou hoje um excerto dessas declarações, onde além de se pedir um boicote ao filme por parte dos fãs se questiona "como é que um actor baixo, loiro, com cara de lutador de boxe profissional e uma queda para interpretar assasinos e gigolos pode desempenhar o papel de um agente secreto alto, moreno, charmoso e suave?".
Antevê-se um futuro difícil para o 007...
DanielCraig.jpg

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:34 PM | Comentários (1)

Óscares 2005 - Melhor Guarda Roupa

MOAG4.jpgMHPR1.jpgCATCF1.jpgWTL3.jpgPAP2.jpg

Algumas surpresas e a certeza de que os filmes de época estão definitivamente na moda. Pride and Prejudice e Walk the Line são os filmes com menos hipóteses, enquanto que a luta entre Mrs Henderson Presents, Charlie and the Chocolate Factory e Memoirs of a Gueisha promete ser até ao fim.

michelle_yeoh17.jpg

Como em quase todas as categorias para que está nomeado, Memoirs of a Gueisha parte na condição de favorito. Um filme tecnicamente exemplar e com um guarda roupa de época que, além de ser brilhante, ajuda a criar glamour à história narrada no filme de Rob Marshall. Um trabalho impecável da consagrada Collen Atwood que procura aqui o seu segundo óscar.

mshendersonpresents121.jpg

Sandy Powell é uma das designers mais queridas pela Academia e o seu trabalho em Mrs Henderson Presents mostra um imenso tacto com o guarda-roupa da época. Num filme onde a ideia é ter bailarianas a dançar nuas, o guarda-roupa é exacto, primoroso e acertadissimo. Num estilo low profile, como muitas vezes a Academia gosta, e com a possibilidade de Powell repetir a vitória do ano passado por The Aviator.

jordan_fry5.jpg

Gabrielle Pescucci criou um design arrojado e espantoso para o guarda-roupa de Charlie and the Chocolate Factory e foi compensada com uma nomeação, a única do filme do genial Burton. Já vencedora de uma estatueta dourada, Pescucci surge aqui como uma rival de respeito para a dupla preferida da Academia.

walktheline121.jpg

Ariane Philips faz do guarda-roupa de Walk the Line um verdadeiro achado em termos de low profile dentro do filme. Desde os habituais fatos negros do mitico Cash, ao guarda-roupa dos grandes músicos do final dos anos 50, o trabalho de Philips é bastante bom, mas será dificil concorrer contra os grandes favoritos.

matthew_macfadyen10.jpg

Pride and Prejudice tem o tipico guarda-roupa de época que Hollywood tanto gosta e isso explica bem a nomeação de Jacqueline Duran. Foi a sua primeira nomeação em quatro filmes e o bom trabalho pode não vir a ser premiado, mas o seu nome já ficou registado lá para os lados de Hollywood e o seu futuro é promissor.

O HOLLYWOOD PREVÊ

O Óscar vai para...Memoirs of a Gueisha
O Óscar devia ir para...Memoirs of a Gueisha
O Grande Rival...Mrs Henderson Presents
A Grande surpresa...Charlie and the Chocolate Factory
O Grande Ausente...Kingdom of Heaven

OS ÚLTIMOS VENCEDORES
2004 - The Aviator
2003 - The Return of the King
2002 - Chicago
2001 - Moulin Rouge
2000 - Gladiator

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:32 PM | Comentários (0)

Óscares 2005 - Melhor Efeitos Visuais

KK2.jpgWOTW3.jpgthechroniclesofnarnia2.jpg


Três fortes candidatos a arrebatar o óscar de melhor efeitos visuais. King Kong é o favorito, mas War of the Worlds e The Chronicles of Narnia são fortissimos candidatos numa categoria onde tudo pode acontecer.

kingkongefeitosvisuais.jpg

Peter Jackson demonstrou com a trilogia Lord of the Rings que é um dos maiores cineastas no que diz respeito ao trabalho visual. King Kong foi a confirmação do génio da sua equipa técnica composta por Richard Taylor, Joe Letteri, Brian Van’t Hul e Christian Rivers. Quer a recriação dos espaços, quer a animação da personagem central do filme, quer as brilhantes sequências de acção foi do melhor que se tem visto, e será extremamente dificil bater King Kong nesta categoria.

waroftheworldsefeitosvisuais.jpg

Dificil, mas não impossivel. A Academia tem tendência a distribuir óscares pelo máximo número de filmes possiveis, e, claro está, uma tripla de Kong nas categorias técnicas podia impedir esse cenário. Talvez por isso War of the Worlds tenha aqui a sua grande oportunidade de não ir com as mãos a abanar para casa. Arrebatadores efeitos, criados pela equipa liderada por Dennis Muren, Pablo Helman, Randal M. Dutra e Daniel Sudick, são uma das imagens de marca do filme de Spielberg. Um sério rival.

narniaefeitosvisuais.jpg

The Chronicles of Narnia surge aqui de forma surpreendente - afinal este era território sagrado para Star Wars - e talvez por isso parta em desvantagem. Mas Narnia tem sido uma surpresa pelos admiradores que foi conquistando ao longo dos últimos meses e um upset por parte de Dean Wright, Bill Westenhofer, Jim Berney e Scott Farrar, é bem possivel.

O HOLLYWOOD PREVÊ

O Óscar vai para...King Kong
O Óscar devia ir para...King Kong
O Grande Rival...War of the Worlds
A surpresa da noite...The Chronicles of Narnia
O Grande Ausente...Star Wars III - The Revenge of the Sith

OS ÚLTIMOS VENCEDORES
2004 - Spiderman 2
2003 - The Return of the King
2002 - The Two Towers
2001 - The Fellowship of the Ring
2000 - Gladiator

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:08 PM | Comentários (0)

Óscares 2005 - Melhor Maquilhagem

TCON1.jpgsw1.jpgCM1.jpg

De uma pré-lista de sete nomes sairam três finalistas. A ausência de Memoirs of a Gueisha foi uma surpresa numa categoria onde Star Wars III conseguiu a sua única nomeação. Mas o favorito é mesmo Chronicles of Narnia!

narniamaquilhagem.jpg

Chronicles of Narnia terá mais seis continuações, muito à semelhança do que acontece com a saga de Harry Potter. Mas a estreia foi promissora, tanto em receitas como em nomeações aos óscares. O filme é candidato em diferentes categorias, mas é aqui que provavelmente arrebatará a sua primeira estatueta. O trabalho de maquilhagem de Howard Berger e Tami Lane tem sido aplaudido pelos seus pares e será dificil parar a caminhada à vitória.

starwarsmaquilhagem1.jpg

Se há alguém que o pode fazer é Star Wars III - The Revenge of the Sith.
O filme que completa a dupla trilogia Star Wars teve aqui a sua única nomeação. Uma surpresa, tendo em conta as nomeações e prémios dos cinco episódios anteriores. Mas apesar desta ser a sua última oportunidade de subir ao palco, isso pode jogar a seu favor. Num arrojo de sentimentalismo, tão habitual na Academia, o trabalho de David Elsey e Annette Miles pode ser premiado, para fechar uma das mais importantes sagas da cultura pop, com chave de ouro.

paul_giamatti61.jpg

Cinderella Man corre literalmente por fora. Nomeado surpresa, o filme de Ron Howard não conseguiu convencer a critica, o público e a Academia, e nesta categoria a sua presença é já uma vitória. Aliás, apesar de bom, o trabalho de David Leroy Anderson e Lance Anderson não é melhor do que muitos que ficaram de fora dos nomeados.

O HOLLYWOOD PREVÊ

O Óscar vai para...The Chronicles of Narnia
O Óscar devia ir para...Star Wars III - The Revenge of the Sith
O Grande Rival...Star Wars III - The Revenge of the Sith
A surpresa da noite...Cinderella Man
O Grande Ausente...Memoirs of a Gueisha

OS ÚLTIMOS VENCEDORES
2004 - Lemony Snickets - A Series of Unfortunate Events
2003 - The Return of the King
2002 - Frida
2001 - The Fellowship of the Ring
2000 - Dr. Seuss' How the Grinch Stole Christmas

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:35 PM | Comentários (0)

Posters de Dead Man´s Chest

O verão traz o regresso de Jack Sparrow.
A genial personagem criada por Johnny Depp está de volta em Pirates of the Caribean : Dead Man´s Chest, o segundo capitulo das aventuras de Sparrow, Will e Elizabeth Turner nos mares das Caraibas.
O filme dirigido por Gore Verbinski estreia a 7 de Julho e traz no elenco novidades. Chon Yun Fat e Stellan Skaarsgard, para além do regressado Geoffrey Rush, serão as nemesis de Sparrow e amigos em mais uma aventura hilariante. A estreia é a 7 de Julho!

deppsparrow.jpgbloomsparrow.jpgkeirasparrow.jpg


Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:10 PM | Comentários (0)

Fantas - Dia 3

E ao terceiro dia chega a primeira grande obra do festival. Fortissimo candidato na secção Semana dos Realizadores, Miguel Bardem faz de Incautos um dos mais bem construidos thrillers da filmografia espanhol. Um filme cheio de ritmo, humor e emoção até ao fim.
01inca.jpg

E se a noite fechou de forma perfeita com o filme espanhol, a verdade é que a programação durante a tarde continua a não chamar multidões ao Rivoli. Espera-se que, com a abertura da competição cheguem mais filmes fantásticos, e com eles, mais público.
O dia de hoje ficou marcado pela estreia da retrospectiva de Bollywood na biblioteca Almeida Garrett. Dois filmes em exibição, Chori Chori Shupke Shupke e Mughal-e-Azam, este último um clássico da década de 60.
Para os amantes da cinematografia japonesa Akai kami no onna abriu o dia no grande auditório. Mais um softcore nipónico da secção Love Connection que tem vindo a despertar pouco entusiasmo junto do público e da critica, com filmes abaixo do nivel a que o festival habituou os seus fãs. The Midas Touch, parte da retrospectiva hungara - bem mais interessante - e Frau im Mond, filme fantástico de Fritz Lang, datado de 1929, fecharam a tarde no grande e pequeno auditório.
Hoje foi também mais um dia em cheio para os adeptos de Bill Plympton, um dos homenageados do ano pelo Fantas. No pequeno auditório o dia abriu com The Tune, filme de 1992, e a noite começou no espaço central do festival com o seu filme mais recente, o aplaudido Hair High. Para fechar o dia no pequeno auditório houve ainda um terceiro filme do cineasta, Mutant Aliens.
Mas claramente o grande evento da noite foi mesmo Incautos.
Com um notável leque de desempenhos e um guião magistral, a lembrar filmes como The Sting, The Usual Suspects ou Matchstick Man, o filme de Miguel Bardem levou um coro de aplausos e muitos sinais positivos de uma casa mais bem composta. É para já o grande nome a reter desta 26º edição do Fantasporto.

Amanhã é o último dia antes da abertura oficial, por isso espera-se a mesma rotina dos primeiros dias.
No Rivoli, o grande auditório apresenta Love Film, do consagrado István Szabo, e Professional Specialist, mais um porno japonês. The Bow do coreano Kim Ki-Duk (presença a confirmar no festival) e The Rider Named Death, vindo da Rússia, fecham o dia.
No pequeno auditório o dia é recheado de verdadeiras pérolas cinematográficas. Sunrise, uma das maiores obras-primas da história, e Metropolis, que também não lhe fica muito atrás, são as atracções da tarde. Pela noite há cinema de Hong Kong com The Kingdom and the Beauty e One Armed Swordsman.
A retrospectiva do cinema de Bollywood continua com WAQT e Kal No Haak Ho na biblioteca Almeida Garrett.

O Hollywood recomenda uma visita obrigatório a dois clássicos intemporais, Sunrise e Metropolis, e uma viagem ao cinema do fascinante Kim Ki Duk em The Bow.

O FILME DO DIA

Incautos
fantasdia3.giffantasdia3.giffantasdia3.giffantasdia3.gifmeia_estrela212.gif

Miguel Bardem é um dos cineastas mais promissores do cinema espanhol. Se La Mujer Mas Fea Del Mundo tinha sido um sinal, este Incautos é a confirmação absoluta do seu talento.
Filme de 2004, conta a história de um burlão, Ernesto, que em discurso directo nos vai contando a história da sua vida, desde a sua primeira mentira - quando estava num colégio católico - até ao maior golpe da sua vida. O filme é muito em registo de discurso directo, um pouco ao estilo do brilhante Kiss Kiss Bang Bang, que vimos há pouco tempo. E tal como o filme de Shane Black, aqui o ritmo é avassalador e o humor a nota dominante de um argumento extremamente imaginativo e sem pontas soltas.
A forma como o espectador é enganado, totalmente enganado, vezes sem conta, ao longo da história é apenas um dos exemplos que poderiam ser dados sobre a frescura deste filme. Os desempenhos do elenco - onde se destaca o trio principal composto por Ernesto Alterio, Vitoria Abril e Federico Luppi - encaixam que nem uma luva no espirito de um filme que nunca deixa de perder a sua mágia.
Com todo o romantismo do filme de burlões (alguém se lembrou de The Sting?) e com toda a virtude de um cineasta imaginativo, Incautos é até ao momento o maior filme a passar pelo festival, e a nossa primeira aposta para a Semana dos Realizadores. Ainda faltam muitos, e bons filmes, mas será dificil criar uma empatia tão forte com a audiência como conseguiu esta notável comédia em tons de thriller.

Realizador : Miguel Bardem
Elenco : Ernesto Alterio, Vitoria Abril e Federico Lupi
Duração : 110 m

349941299.jpg

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:58 AM | Comentários (0)

fevereiro 22, 2006

Óscares 2005 - Melhor Banda Sonora

MOG2.jpgBBM1.jpgMUNICH1.jpgTCG1.jpgPAP1.jpg

John Williams repete o feito de conseguir uma dupla-nomeação e é o grande favorito. O sucesso do ano, Brokeback Mountain, tem aqui o seu primeiro grande teste. É provável que reprove. A espreitar ficam Pride and Prejudice e The Constant Gardener.

memoirsofagueishabandasonora.jpg

Provavelmente um dos maiores compositores da história, John Williams teve um ano em cheio.
O seu trabalho em Memoirs of a Gueisha já foi premiado com um Globo de Ouro (entre outros prémios) e é o grande favorito para arrebatar a estatueta dourada. Seria a sexta estatueta em 47 nomeações. Impressionante!

brokebackbandasonora.jpg

O principal concorrente de Williams é Gustavo Santaollala. O autor da aclamada trilha sonora de Diarios de Motocicleta regressa este ano com uma banda sonora suave, melódica e repetitiva em Brokeback Mountain. O filme tem figurado como favorito em muitas categorias, mas dificilmente sairá vencedor nesta. A sua maior possibilidade é se os votos de Williams se dividirem entre os seus dois filmes, como já aconteceu.

munichbandasonora.jpg

Williams é também rival dele próprio com uma notável banda sonora em Munich. Um trabalho magistral de suspense em tons épicos, com temas lindissimos e um ritmo espantoso. Se a vitória de Memoirs parece certa, o mais provável é que Williams não se importasse nada em vencer por este seu notável trabalho.

constantgardeenrbandasonora.jpg

Sem grandes hipóteses de vitória está a banda sonora de The Constant Gardener.
A nomeação de Alberto Iglésias foi uma surpresa agradável. O habitual compositor de Pedro Almodovar estreia-se como nomeado, mas apesar do seu excelente trabalho, será dificil intrometer-se entre os favoritos.

prideandprejudicebandasonora.jpg

Surpresa absoluta foi a escolha de Dario Marinelli e do seu trabalho em Pride and Prejudice.
A banda sonora de época adequa-se bem ao espirito do filme, é certo, mas com tantos rivais à altura, poucos esperariam este golpe de teatro que valeu ao compositor a sua primeira nomeação aos óscares.

O HOLLYWODO PREVÊ

O Óscar vai para...Memoirs of a Gueisha
O Óscar devia ir para...Memoirs of a Gueisha
O grande rival...Brokeback Mountain
A grande surpresa...The Constant Gardener
O grande ausente...King Kong

OS ÚLTIMOS VENCEDORES
2004 - Finding Neverland
2003 - The Return of the King
2002 - Frida
2001 - The Fellowship of the Ring
2000 - Crounching Tigger, Hidden Dragon

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:44 PM | Comentários (0)

Óscares 2005 - Melhor Tema Original

CRASH1.jpgTRANS1.jpgHF1.jpg


Os candidatos eram mais de 40, mas a Academia preferiu ficar com três, em vez das habituais cinco canções originais. Com os interpretes a poderem subir de novo ao palco, depois do escândalo do ano passado, a luta é equilibrada entre Crash, Hustle and Flow e Transamerica.

Crashtema.jpg

In the Deep é o tema original de Crash, o filme que mais paixões despertou em Los Angeles no último ano.
Kathleen “Bird” York e Michael Becker compuseram a música que Kathleen York canta de forte segura e arrebatadora, permitindo alguns dos momentos mais poéticos do filme de Paul Haggis. Favorito sentimental para muitos, Crash é o favorito para arrebatar a estatueta.

Transamericatema.jpg

Mas Transamerica é concorrência de peso.
Travellin´g Tru de Dolly Parton ajuda a pautar o ritmo desta pequena road trip de um homem que se quer tornar mulher, mas que tem de levar um filho que não sabia ter consigo, até ao último ponto de paragem desta viagem na transexualidade. O filme vive essencialmente do desempenho de Felicity Huffman, mas têm sido muitos os aplausos para a voz de Parton, e se Crash precisava de um concorrente à altura, é este.

hustleflowtema.jpg

Hustle and Flow continua o espirito de 8 Mile. Um wannabee a rapper, que por acaso é chulo de profissão, tenta singrar no meio mas as coisas são dificeis. It´s Hard to Be a Pimp foi escrito e cantado por um trio composto por Jordan Houston, Cedric Coleman e Paul Beauregard, com a voz de Terrence Howard no filme. Tal como Transamerica, também Hustle and Flow conseguiu apenas duas nomeações: actor e tema original. É dificil repetir o sucesso de Eminem, mas o Kodak Theather promete vibrar ao som deste tema.

O HOLLYWOOD PREVÊ

O Óscar vai para...Crash
O Óscar devia ir para...In the Deep
O Grande Rival...Transamerica
A surpresa da noite...Hustle and Flow
O Grande Ausente...Elizabethtown

OS ÚLTIMOS VENCEDORES
2004 - Diarios de Motocicleta
2003 - The Return of the King
2002 - 8 Mile
2001 - Monster Inc.
2000 - Wonder Boys

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:30 PM | Comentários (0)

Oscares 2005 - Melhor Som

KK1.jpgWL1.jpgthechroniclesofnarnia1.jpgWOTW1.jpgMOG1.jpg

Luta a cinco onde todos têm os seus prós e contras. King Kong parece o favorito mas não se pode descartar o impacto do som de Walk the Line e Memoirs of a Gueisha. Os trabalhos mais fantásticos estão em Chronicles of Narnia e War of the Worlds. Um duelo de gigantes.

kingkongsom.jpg

Tal como na categoria de melhor efeitos sonoros, também aqui King Kong é o alvo a abateri.
Favorito para practicamente todos, o trabalho técnico de Christoper Boyes, Michael Semanick, Michael Hedges e Hammond Peek, equipa em que Peter Jackson confiou cegamente, e que entregou um trabalho de primeirissima classe. O problema desta nomeação é provavelmente o facto de ser raro o mesmo filme vencer as duas categorias técnicas de som. E isso pode ser um grande problema.

walkthelinesom1.jpg

Quem vai estar á espera de um deslize é Walk the Line.
O filme sobre Johnny Cash e June Carter tem todos os condimentos para vencer. Não tivesse Ray sido o vencedor no ano passado pelos mesmos motivos. Muita música, edição sonora trabalhada e um ritmo musical inebriante podem ajudar o filme de Mangold a conquistar aqui uma estatueta dourada, entre as cinco para que está nomeada.

memoirsofagueishasom.jpg

Memoirs of a Gueisa tem a dupla de nomeados mais infeliz da história desta categoria. Kevin O´Connell e Greg Russell foram nomeados 18 vezes sem nunca terem saido vencedores. No ano passado foram derrotados, quando tudo parecia que seria a hora da compensação. E apesar do trabalho técnico de Memoirs of a Gueisha ser fascinante, uma vitória acontecerá mais pelo desejo de compensar estes eternos perdedores, do que propriamente por serem melhores que a concorrência.

waroftheworldsom.jpg

War of the Worlds volta a carga nesta categoria, depois de ser um dos candidatos de peso ao óscar de melhor efeitos sonoros.
O trabalho de Andy Nelson, Anna Behlmer e Ron Judkins é habitualmente nomeável e premiável, e resta saber se este ano os nomes destes técnicos sonoros vão falar mais alto que o próprio filme em causa.

narniasom.jpg

The Chronicles of Narnia foi um dos campeões de bilheteira do ano e isso valeu-lhe nomeações para os óscares. Algo que certamente não passava pela cabeça de muitos quando os filmes foram lançados. Nesta categoria de melhor som a competição é talvez demasiado forte para Terry Porter e a sua equipa, que estão longe de poder ombrear com os favoritos.

O HOLLYWOOD PREVÊ

O Óscar vai para...King Kong
O Óscar devia ir para...King Kong
O Grande Rival...Walk the Line
A surpresa da noite...Memoirs of a Gueisha
O Grande Ausente...Star Wars III

OS ÚLTIMOS VENCEDORES
2004 - Ray
2003 - The Return of the Kin
2002 - Chicago
2001 - Black Hawk Down
2000 - Gladiator

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:02 PM | Comentários (1)

Óscares 2005 - Melhor Efeitos Sonoros

KK1.jpgWOTW1.jpgMOG1.jpg


São três nomeados para uma estatueta. Com a surpreendente ausência de Star Wars III - The Revenge of the Sith, a luta parece ter ficado reduzida a King Kong e War of the Worlds. Mas o espantoso trabalho técnico de Memoirs of a Gueisha tem uma forte base de apoio, e tudo pode acontecer.

kongesonoros1.jpg

O grande favorito não deixa de ser King Kong.
O notável filme de Peter Jackson, lamentavel ausência nas categorias principais, tem um trabalho técnico ao mesmo nivel que a trilogia Lord of the Rings, que já por si era um significativo salto em frente na construção técnica de um filme. Os efeitos sonoros de King Kong, da responsabilidade de Ethan Van der Ryn e Mike Hopkins são verdadeiras pérolas dentro do filme, e podem repetir a vitória de 2002, quando venceram pelo segundo capitulo da saga do anel, The Two Towers.

waroftheworldsefeitossonoros.jpg

A grande competição deve chegar de War of the Worlds.
Muito dinheiro no bolso, mas pouco entusiasmo depois, o filme de Steven Spielberg conseguiu algumas nomeações técnicas, mas mesmo assim dificilmente sairá da noite de dia 5 com alguma estatueta na mão. Na categoria de efeitos sonoros é, no entanto, um rival de respeito. O trabalho de Richard King, vencedor em 2003 por Master and Commander, é um primor técnico e um dos pontos altos do filme.

memoirsofagueishaefeitossonoros.jpg

Surpresa na altura das nomeações (esperava-se Star Wars, como era hábito nesta categoria), Memoirs of a Gueisha tem vindo a ganhar apoio entre os grupos técnicos da Academia, que se traduz bem pelas suas seis nomeações.
O filme não tem efeitos sonoros ao nivel dos rivais, mas uma surpresa não é de excluir. Wylie Statemen lidera uma equipa de respeito, e multi-premiada, e na hora H ás vezes isso pode ser suficiente para causar uma surpresa.

O HOLLYWOOD PREVÊ

O Óscar vai para... King Kong
O Óscar devia ir para...King Kong
O Grande Rival...Memoirs of a Gueisha
A surpresa da noite...War of the Worlds
O Grande Ausente...Star Wars III

Últimos Vencedores
2004 - The Incredibles
2003 - Master and Commander
2002 - The Two Towers
2001 - Pearl Harbour
2000 - U-571

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:29 PM | Comentários (0)

Spike Lee filma Joe Louis

Foi um dos maiores boxeurs dos anos 30 e agora vai ter direito a um biopic pelas mãos de Spike Lee.
Joe Louis, famoso pelos miticos combates que travou com o alemão Max Schemelling, foi um dos maiores combatentes de boxe da história dos Estados Unidos. E foi o primeiro negro a conquistar o povo americano, razão pela qual Spike Lee quer pegar no projecto, continuando a sua cruzada de defesa dos direitos dos afro-americanos nos EUA.
Terrence Howard, nomeado ao óscar este ano por Hustle and Flow, é o nome mais falado para ser a estrela deste novo filme do realizador que este ano estreia Inside Man, e que já prepara um documentário sobre os efeitos do furacão Katrina na comunidade negra do sul dos Estados Unidos.
spikelee1122.jpg

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:16 PM | Comentários (0)

Oscares 2006 - As últimas previsões

O Hollywood começa hoje a sua última ronda de previsões aos prémios da Academia.
Até dia 4 de Março, vespera da cerimónia, serão analisadas ao pormenor as vinte e uma categorias principais em competição. Os nomeados, os favoritos, as surpresas, tudo ao pormenor para que esteja preparado para acompanhar a cerimónia de dia 5. Cerimónia essa que o Hollywood vai transmitir, minuto a minuto, com todas as incidências do que se passa lá longe, em Los Angeles.
A abrir esta última ronda de previsões - a primeira começou há meio ano - estão as quatro categorias sonoras.

E para os mais curiosos aqui fica a primeira imagem de como será o palco de todos os sonhos, no próximo dia 5 no Kodak Theather. As previsões seguem dentro de momentos.
set_hires111kodaktheather.jpg

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:21 PM | Comentários (0)

O Que Estreia Por Cá - A Sangue Frio

Mais um drama baseado numa história de vida. Mais um sério e provável candidato ao Óscar de melhor actor. Começa a tornar-se um hábito, depois da fantástica transformação de Jamie Foxx em Ray Charles, é agora a vez de Philip Seymour Hoffman encarnar na vida do peculiar Truman Capote, escritor de um dos livros mais famosos do séc. XX. O seu principio: a realidade, nas mãos de um escritor capaz, pode ser tão entusiasmante e apaixonante como a ficção. Capote, o escritor, conseguiu-o. Agora resta saber se Capote, o filme, o consegue também...
capote1.jpg

Capote é um filme poderoso, um filme de choques. Começa na própria personagem de Truman, um indivíduo deslocado do seu tempo e duma América fortemente conservadora e anti-gay, onde ele se ergue e constrói uma vida em sociedade, indiferente a essa discriminação. As suas obras, onde sempre se encontra algo de autobiográfico ainda que disfarçado, vão marcando a sua acção literária enquanto vai passando os seus dias na redacção da "New Yorker". Certo dia, salta-lhe à vista a estranha história de um assasínio brutal no pacato estado do Kansas, onde os valores de Deus e família são supostamente invioláveis.
Com a autorização da revista, Capote desloca-se ao local para saber mais desta estranha história que certamente merece um artigo de destaque. A visita do Nova Iorquino ao Oeste conservador é marcada pelo signo do conflito. Os seus jeitos estranhos, a sua voz fininha, a sua indumentária colocam-o rapidamente numa rota hóstil com os locais, que ele sabe gerir e ir diminuindo. A interpretação de Philip Seymour Hoffman é aqui essencial, única, e vale-lhe a mais que provável estatueta.
O seu grande aliado é o agente do FBI destacado para o serviço, Alvin Dewey (interpretado por Chris Cooper) que rapidamente é conquistado pela perserverança de Capote e o ajuda com a construção da história. Entretanto, os dois assasinos, Perry Smith e Dick Hickock - interpretados respectivamente por Clifton Collins Jr e Mark Pellegrino - são presos e Truman vira a sua investigação para estes indivídiduos, entrevistando-os recorrentemente na prisão. Aqui, a sua relação com Perry cresce, e à medida que descortina a totalidade da história, Capote apercebe-se que esta não é digna de uma pequena reportagem, mas sim de um livro fabuloso que ele se sente capaz de escrever. A trama adensas-se com revelações e ascensão do escritor em paralelo com a caminhada para a morte do único homem capaz de iluminar o último capitulo. Uma vida por um livro. A sangue frio.
123capote.jpg

Ainda esta semana, estreia...

Do britânico Stephen Frears chega-nos este Mrs Henderson Presents. Uma comédia soft que conta a história de uma recente e abastada viúva que não se sente preparada para acabar a sua vida sozinha e recostada numa poltrona. Judy Dench, candidata ao Óscar de melhor actriz por este desempenho, encontra como solução para a sua solidão a compra de um duvidoso teatro no Soho. Bob Hoskins é Van Dam, o infame encenador que ela contrata para dirigir os espectáculos que idealizara mas que este acha ridiculos. Uma história que gira em torno da interacção destas duas personagens, num quente-frio, agridoce constante com a revolução do tipo de teatro inglês como pano de fundo.
mshendersonpresents_releaseposter.jpg

Transamerica é um filme denso, e mais um que vale uma nomeação para melhor actriz. Felicity Huffman (a grande revelação da aclamada série Desperate Housewives) é Bree Osbourne, uma transexual que vive sozinha e longe do seu passado instruído e politicamente correcto como homem, num bairro pobre de Los Angeles. Mantendo dois empregos para poder realizar a operação definitiva, é assombrada pelo surgimento de Toby, um rapaz que procura a todo custo o seu pai desconhecido. Bree compreende rapidamente que é ela o pai desse rapaz, e vai ao seu encontro, nunca revelando a sua verdadeira identidade.
transamerica_finalposter.jpg

Para todos os fãs do clássico Jumanji, eis que chega Zathura, uma sequela à escala planetária desse mágico jogo de tabuleiro que leva os seus destemidos ou desacautelados jogadores para uma outra dimensão. Nesta história, dois irmãos arriscam-se a lançar os dados num estranho jogo de tabuleiro para matar o tempo enquanto os pais estão fora. Mas esse lançamento rapidamente os lança para o espaço sideral junto do planeta negro Zathura onde têm que viver as situações do jogo para poderem sair e voltar a casa.
zathura_teaserposter.jpg

El Cielo Gira é um documentário sobre aquela que é uma realidade incontornável dos nossos dias, em Espanha, Portugal ou noutro pais qualquer. A morte lenta das nossas raízes familiares das pequenas aldeias remotas que cada ano se tornam mais desertas e mais perdidas no tempo. A narradora desta história é um desses intermináveis exemplos do êxodo rural, mas que vai regressar à procura da verdade dessa sua aldeia em melhores tempos e em busca duma infância há muito esquecida.
cielo.jpg

O Hollywood aconselha - O incontornável Capote, por todo o potencial que apresenta desde uma boa história até excelentes interpretações. Tembém pela história, Transamerica é um filme a explorar.

O Hollywood desaconselha - Zathura é um filme familiar, entretenimento básico. Melhor para um domingo à tarde na TV do que para o grande ecrã.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:52 PM | Comentários (1)

Fantas - Dia 2

Entre a genialidade de Fritz Lang e a provocação do cinema softcore japonês, o segundo dia do festival correu como esperado, sem grandes sobressaltos, mas também sem grandes pontos altos. O destaque vai para The Other Half, uma divertidissima comédia futebolistica com Portugal como pano de fundo...
1761212314.jpg

Ainda sem competiçao oficial - e nota-se no contingente de imprensa e nos espectadores - o Fantas decorre no Rivoli com toda a naturalidade de um festival que ainda está a dar os primeiros passos nesta sua 26º edição.
O dia de hoje foi consagrado ao cinema softcore japonês. O dia abriu no grande auditório com A Woman Called Abe Sada, a história que inspirou o aclamado Império dos Sentidos de Oshima. Um filme onde o sexo é um elemento da vida de uma mulher, uma gueisha, que para se vingar do amante lhe corta o pénis, matando-o em seguida.
De seguida passou, ainda no grande auditório, o filme Angel Guts, a segunda parte de uma serie de filmes softcore na década de 70 do Japão. Um filme desconcertante, até para a própria audiência que não parecia estar à espera de algo tão desapontante.
No pequeno auditório já tinha rolado M, a obra-prima alemã de Fritz Lang, que marcou o seu ponto alto nos estúdios da UFA, antes de viajar para Hollywood onde continuou uma brilhante carreira por mais vinte anos. Aind ano pequeno auditório houve retrospectivo dos irmãos Shaw, com The House of 72 Tenants e Bill Plympton com o filme, I Married a Strange Person. Já noite dentro fechou-se a saga dos Nibelungos com A Vingança de Cremilde, o segundo filme de Lang do dia, um fecho com chave de ouro para o pequeno auditório.
No espaço central do festival houve The Other Half, comédia em futebolês com um incrivel reportório de gags, que só perdem por se notar claramente que é um filme com poucos meios.
Para fechar o dia, ainda no grande auditório houve Spirit Trap, a trabalhar no modelo clássico do cinema de terror.

Amanhão o Fantas continua, com a abertura da retro Bollywood na biblioteca Almeida Garret. São exibidos os filmes Chori Chori Chupke e Mughal-E-Azham.
No pequeno auditório há The Tune, de Bill Plympton, e A Mulher na Lua de Fritz Lang. De noite The Love Etern continua a retro dos manos Shaw e Plympton regressa, desta feita com Mutant Aliens.
Para o espaço principal estão reservados quatro filmes. The Woman With Red Hair, um softcore japonês, The Midas Touch que chega da Hungria, Har High, o último filme de Plympton, e, para fechar, Incautos de Miguel Bardem.

As nossas recomendações vão para A Mulher na Lua, de Lang, o mais recente trabalho de Bill Plympton e para o filme de 2004 cineasta espanhol que realizou A Mulher Mais Feia do Mundo.


OS FILMES DO DIA

M
fantasdia2.giffantasdia2.giffantasdia2.giffantasdia2.giffantasdia2.gif

A grande obra-prima da filmografia de Fritz Lang na Alemanha.
O cineasta adaptada a história real do "vampiro de Dusseldorf", executado dois meses depois da estreia do filme, para fazer um verdadeiro retrato do terror, uma especie de antevisão do regime nazi que já espreitava na Alemanha.
Um suposto pedófilo - desempenho assombroso de Peter Lorre - rapta criançase e mata-as. A cidade vive em constante terror com a sua omnipresença, qual fantasma, e a policia é impotente nas suas buscas. Sempre que ele está perto, consegue escapar e diluir-se na multidão anónima. É então que os ladrões da cidade, impedidos de trabalhar pelas apertadas medidas policiais, decidem ser eles a capturar o pedófilo. Trabalham em grupo, descobrem-no e marcam-no com um M, desenhado a giz nas costas do seu casaco.
M é uma obra-prima em termos técnicos. O filme utiliza todo o potencial do sonoro, na altura ainda a dar os primeiros passos na Europa, misturando sequências de mudo com diálogos espantosos. É mesmo graças ao som do assobio que o criminoso faz, repetidamente, que os ladrões da cidade o conseguem descobrir e identificar. Montagem primorosa, decors espantosos e um ritmo frenético no filme que, não só um alerta ao aparecimento do regime nazi (convulsão social, justiça pelas próprias mãos), como acaba por ser o pai de todos os thrillers, desenvolvidos mais tarde por Lang nos Estados Unidos, mas também por nomes como Alfred Hitchcock ou John Carpenter.
A maior obra-prima do cinema alemão e o último filme de Lang na Alemanha. Os nazis não gostaram do retrato e o realizador decidiu exilar-se, apesar da argumentista Thea von Harbou - que era também a sua mulher - se ter tornado numa das maiores colaboracionistas do regime hitleriano.

Realizador : Fritz Lang
Elenco: Peter Lorre, Ellen Widmann e Inge Landgut
Duração: 117 m

m_lang.jpg

Angel Guts
fantasdia2.gif

O primeiro - e espera-se último - grande fiasco do festival este Angel Guts.
Dirigido por Chusei Sone, este é o segundo capitulo de uma serie de filmes que marcaram o cinema soft core japonês do final dos anos 70. Um filme datado, tanto no ritmo como na cor, e cheio de habilidades técnicas que não disfarçam o pobre argumento e desempenho dos seus actores.
Um pornógrafo, com pretensões a artista erótico, fica viciado numa actriz porno, Nami, que vê num filme. Um dia, encontra-a por acaso como recepcionista do hotel onde são feitos os ensaios fotográficos para a sua revista. Promete-lhe amor eterno, mas falta ao encontro do dia seguinte, depois de ter sido preso. A mulher desesperada entra numa espiral de masoquismo psicológico onde o sexo desempenho o motor da sua nova vida. E quando se reencontram, três anos depois, nada volta a ser o que foi.
Um filme provocante, mas timido no tratamento do sexo. Soft core quanto baste, Angel Guts tem provavelmente a mais longa e maçadora cena de sexo da história do cinema japonês, onde a obsessão aliada a uma jovem insaciável criam alguns momentos de humor, mas sem profundidade alguma.
O filme acaba por descarrilar no final, perdendo de vez todo o contacto com o real, e fazendo perder a paciência a uma plateia maioritariamente composta por jovens que, aparentemente, não sabiam ao que vinham.

Realizador : Chusei Sone
Elenco : Keizo Kanie, Yuuki Mizuhara e Jun Aki
Duração: 79 m

red%20classroom1.jpg

The Other Half

fantasdia2.giffantasdia2.giffantasdia2.gifmeia_estrela21.gif

Peguem em Portugal, colorido de bandeiras a tresandar a futebol e juntem um inglês fanático que esperou a vida toda para ver a selecção inglesa jogar. Agora juntem-lhe uma mulher norte-americana, que não vai à bola com o desporto-rei e que acha que veio para o nosso país passar a lua de mel. Estão aqui os ingredientes para este desafio inesquecivel, uma autêntica final com 98 minutos de muito humor e um estranho sentimento de proximidade.
Afinal o cenário é Portugal durante o 2004 e tudo nos parece familiar. O jogo tem todos os condimentos de uma grande partida. Há um treinador, versão consciência, sempre com uma táctica para cada situação de jogo. Dois comentadores excêntricos, como todo o comentador deve ser, e duas equipas equilibradas e com desejos diferentes.
O final, já se está a ver, é um empate, até porque no casamento ninguém ganha e ninguém perde. Mas o que fica pelo meio é hilariante, especialmente na primeira metade do filme, e nos minutos finais. O que fica a perder é a clara falta de meios que impediu a produção de conseguir imagens dos jogos em questão, substituindos por animações que apesar de terem o seu charme, fogem completamente ao espirito da história. Há pontos fracos no guião, as interpretações são divertidas, mas pouco mais, e o filme tem um ritmo muito próprio, que ora acelera, ora trava de repente.
Mesmo assim, depois dos 90 minutos (aqui são 98, somem-lhe os descontos), o empata agrada a gregos a troianos, e traz uma boa imagem de Portugal lá fora, e uma boa comédia para se ver, cá dentro.

Realizador: Marlowe Fawcett e Richard Nockles
Elenco: Danny Dyer, Gillian Kearney e Vinnie Jones
Duração : 98 m

1england_france1.jpg

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:20 AM | Comentários (0)

fevereiro 21, 2006

Oscares 2005 - O Oscar Honorário

Por várias vezes tentou a estatueta de melhor realizador. Falhou sempre. Agora, cumprido que está mais de meio século de carreira, a Academia decidiu homenagear Robert Altman com um óscar honorário. Um prémio para um cineasta de culto...
11altman.jpg

A Prairie Home Companion foi bem recebido em Berlim. O filme venceu um prémio especial e há quem lhe augure um bom ano. Noticias agradáveis para Robert Altman, o cineasta que completa esta ano 53 anos como realizador. Durante as filmagens do seu mais recente projecto Altman adoeceu, e consta que foi Paul Thomas Anderson, um admirador confesso do cineasta, que acabou as filmagens.
Esse foi o toque de aviso que a Academia precisava de ouvir. Como sempre, quando um grande nome está doente ou moribundo, a probabilidade de subir ao palco do Kodak Theather é sempre grande. E depois de já ter sido nomeado por cinco vezes - sempre com o mesmo resultado - tinha chegado a hora de premiar um cineasta que fez escola.
APHC0041.jpg

Robert Altman nasceu a 20 de Fevereiro de 1925 no Missouri, bem no interior dos Estados Unidos. Educação católica e passagem pela força aérea no final da 2º guerra mundial foram pilares da sua formação. Foi no pós-guerra, ao trabalhar para a Calvin Co. no departamento técnico de edição e efeitos sonoros que começou a perceber o fascinio do trabalho de cineasta. Rodou algumas curtas, documentários e programas televisivos e no final dos anos 50 era um dos realizadores do programa semanal de Alfred Hitchcock.
O salto na carreira aconteceu em 1970. Quinze realizadores tinham desistido do projecto mas Altman foi o único com visão para o aceitar. O resultado foi a sua primeira nomeação aos óscares por um filme que seria um icone da viragem de década. M.A.S.H, uma comédia satirica da guerra da Coreia, onde se seguiam as aventuras do departamento de enfermagem do exército, lançou definitivamente o nome de Altman para a ribalta.
00350px-RobertAltman.jpg

Os anos 70 foram bons para o cineasta. Numa época de crise, o cinema de autor do realizador tinha sucesso e filmes como The Long Goodbye - onde Elliot Gould é um improvável Marlowe - e California Split confirmaram o seu potencial. Em 1975 voltou à carga com Nashville, um filme muito bem recebido pela critica e que lhe valeu mais uma nomeação aos óscares. Um dos principais inspiradores do cinema mosaico, Nashville tornou-se no seu mais aclamado filme e as obras seguintes não conseguiram corresponder às expectativas. Os anos 80 foram longos e sem grandes sucessos, mas ao entrar na década de 90, Altman voltou em grande forma.
The Player e Short Cuts valeram-lhe mais duas nomeações consecutivas ao óscar que tanto cobiçava e voltaram a fazer de Altman um nome elogiado por todos. Pret-a-Porter, em 1994, e mais tarde Gosford Park (quinta nomeação, quinta derrota), confirmaram a melhor década de sempre do realizador, que desde então tem-se resguardado em pequenos e sólidos projectos.

Altman é premiado com o óscar honorário, sucedendo assim a Sidney Lumet, outro realizador de culto a quem a Academia premiou de forma tardia. A entrega do prémio será um dos pontos altos da próxima cerimónia dos óscares, a decorrer no Kodak Theather no próximo dia 5 de Março.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:16 PM | Comentários (1)

Indiana Jones IV - Regresso Anunciado

Parece que está mesmo tudo na mesa para o regresso do aventureiro mais cool da história, o inimitável Indiana Jones.
Depois de vários meses de silêncio, esta semana assistiu à primeira intervenção pública de um dos homens verdadeiramente embrenhados no projecto: nada mais nada menos do que o próprio Harrison Ford, que numa entrevista à Entertainment Weekly abordou com entusiasmo a pré-produção do quarto filme da saga, revelando que nesta altura é já impossível o projecto não se realizar.
Depois de Gerorge Lucas e Jeff Nathanson terem pegado no argumento, vem agora a confirmação que o galardoado Spielberg o tem nas suas mãos. "Estamos muito perto agora. Temos um guião que todos aprovaram e Steven está a tratar dele", disse Ford. Apesar de não se referir a Sean Connery, a sua participação no filme é também conhecida.
Dezoito anos depois, parece tudo bem encaminhado para o regresso de Indy.
indy.jpg

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:41 PM | Comentários (0)

Walk the Line - John e June

Uma personagem apaixonada. Uma história de amor apaixonante. A história de amor de Johnny Cash e June Carter é provavelmente a maior epopeia romântica da história da música ligeira. Walk the Line é por isso menos um biopic e mais um retrato da forma como este amor eterno fez parte da vida de dois grandes vultos da música norte-americana...
Filme de walktheline.gifwalktheline.gifwalktheline.gifwalktheline.gif
walktheline_bigearly111.jpg

Ele não gosta dele próprio. Culpa-se da morte do irmão - o filho perfeito - e é constantemente menosprezado pelo pai. Foi na música que encontrou o seu refúgio. A sua voz, constante como um comboio, aguçada como uma lâmina fez história. Os seus concertos eram inesqueciveis. Mas o que mais interessa na vida de Johnny Cash é a sua relação de amor-ódio-amor com June Carter, menina bonita da música country desde a meninice.
É a paixão que o move, é a paixão dela por ele que, eventualmente, o salva. E é essa a mensagem do filme. O amor salva pessoas, quando é genuino e quando vale a pena. Uma mensagem muito xaropeira para os mais irreverentes, de tal forma que nem conseguiu ser nomeado aos óscares. Uma falha imperdoável até porque há mais paixão e arrebatamento no olhar de Joaquin Phoenix do que em todo o Brokeback Mountain. Mas isso são contas de outro rosário.
Em Walk the Line é menos a obra e mais o homem que interessa. Ao contrário de Ray (as comparações acabam por ser inevitáveis) o filme não é feito em torno do músico-homem. É um facto que assistimos à ascensão do "Homem de Negro", desde o primeiro album gravado na Sun Record até à sua dependência de drogas que o levou à prisão. Mas esses detalhes da vida do artista estão lá porque contextualizam a história entre John e June. Conheceram-se na estrada, apaixonaram-se na estrada, afastaram-se na estrada e, como não podia deixar de ser, casaram na estada. Uma história cheia de altos e baixos - como uma boa história deve ser - onde os baixos nunca perdem a emotividade necessária para manterem uma réstia de esperança ao fundo do tunel.
joaquin_phoenix81.jpg

James Mangold não é propriamente um grande artesão e isso nota-se. Ao contrário de Ray, um filme tecnicamente impecável com um ritmo inebriante, este Walk the Line é um filme modesto. Apesar de começar de forma brilhante com o mitico concerto em Folson, para depois partir para um gigantesco flashback que dura até ao regresso à prisão para o concerto em si, o filme existe em dois planos distintos: em palco e fora dele.
Quando estamos em palco Joaquin Phoenix é fascinante como Johnny Cash, o músico. Cantando (ao contrário do que fez Jamie Foxx) e gesticulando tal e qual como o música, Phoenix convence-nos plenamente do que está a fazer. Não se pode pedir mais a um actor. A música de Cash - já sobejamente conhecida mas que vale sempre a pena rever - é igualmente estonteante, e entre Walk the Line e Ring of Fire dá para traulitar baixinho na sala de cinema. O filme de Mangold acaba igualmente por ser generoso, já que para além de Cash - e Carter - dá-nos a hipótese de ver em acção outros "monstros sagrados" da época como Elvis Presley, Jerry Lee Lewis e Roy Orbison num notável retrato de época.
Este é um filme, aquele que mais se assemelha a um biopic no genero de Ray. Mas Walk the Line consegue ser mais do que isso. Fora do palco a história é outra, o ritmo também e o resultado muito mais bem conseguido.
Aqui impera a imensa quimica entre Joaquin Phoenix - um desempenho assombroso e cheio de paixão - e a charmosa e contagiante Reese Whiterspoon. Uma quimica que aguenta o filme durante muito tempo e que resulta claramente, do principio ao fim. Aqui a história de Cash, o homem, é dura, realista e tratada sem falsos pudores. A dependência das drogas é um caso sério, a repressão familiar também e o melhor é que Mangold não deixa o filme perder fascinio apesar de perder ritmo.
joaquin_phoenix101.jpg

Walk the Line é acima de tudo um filme de amor, de um imenso amor que atravessou décadas e que marcou a história da música norte-americana. Criado com grande simplicidade narrativa, sem grande arrojo cinematográfico (montagem e trabalho visual de bom nivel, mas nada de excepcional) o que vale aqui é a história, a música e os fascinantes desempenhos de Phoenix e Whiterspoon. Ele é a alma do filme, ela é o fantasma que em vez de o atormentar, acaba por fazer dele uma pessoa melhor. Um filme fascinante e leve num ano onde Hollywood passou do 8 para o 80. Se é importante não esquecer o cinema de mensagem, o cinema de causas, também convém não ostracizar por completo o cinema onde as histórias do dia a dia, as histórias que marcam uma vida, são bem mais simples e acabam por ter um final feliz. O que vale é que, tal como a música, os prémios passam e as obras ficam. E Walk the Line promete ficar na memória exactamente o mesmo tempo que as fabulosas músicas de Johnny Cash.

Classificação - walktheline.gifwalktheline.gifwalktheline.gifwalktheline.gif

O Melhor - A quimica apaixonada entre Joaquin Phoenix e Reese Whiterspoon.

O Pior - A falta de arrojo em alguns planos que poderiam levar o filme a nivel ainda maior.

Curiosidade - Foram Johnny Cash e June Carter quem escolher Phoenix e Whiterspoon. Os actores foram apresentados aos músicos (faleceram ambos em 2003) que deram o seu aval para que fossem os seus representantes no biopic que mais do que o filme de Cash, é o filme de John e June.

Site Oficial - www.walkthelinethemovie.com

Realizador - James Mangold
Elenco - Joaquin Phoenix, Reese Whiterspoon, Ginnifer Godwin, ...
Produtora - 20th Century Fox
Duração - 136 m
Classificação - m/12

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:24 AM | Comentários (7)

Fantas - Dia 1

A abertura oficial é só na próxima sexta-feira, mas o Fantas já rola no Rivoli.
A abrir o dia uma viagem à Hungria dos nossos dias. A fechar, o final da trilogia da vingança de Chan Woo Park. Bem vindos ao Fantasporto 2006.
fantashollywoodposter11.jpg

Ainda estão a ser dados os últimos retoques na organização. Bancas a serem montadas, muita imprensa a levantar as acreditações e pouco público, minutos antes de abrir não-oficialmente a 26º edição do Fantas.
O primeiro filme, Pleasant Days, também não é chamativo. Filme hungaro com legendas em francês é uma isca pouco apetecivel e o resultado é uma plateia vazia, maioritariamente composta pela imprensa acreditada. No final do filme, reacções mistas naquela que foi a primeira experiência cinematográfica do Festival.
Continuando pela tarde dentro houve viagem à Nova Zelândia com Rain, mas estavam guardados para o final da noite os verdadeiros chamarizes.
Para os amantes do cinema oriental a Secção Oriente Express trazia o aclamado Simpathy for Lady Vengeance, o terceiro capitulo da trilogia da vingança de Chan Woo Park. Sucessor de Simpathy for Mr Vengance e Oldboy, o filme foi recebido com um coro de aplausos no final da projecção. Definitivamente os amantes do Fantas dão-se bem com a obra do cineasta sul-coreano.
Para os mais nostálgicos o pequeno auditório do Rivoli passou a primeira parte do épico de Fritz Lang, Die Niebelung. Escrito por Thea von Harbou, a polémica mulher do realizador, o primeiro capitulo desta saga, A Morte de Siegfried, foi o primeiro grande épico do cinema alemão dos anos 20, na altura a viver a sua era de ouro.
Um dia com um balanço positivo. O público respondeu positivamente na sessão da noite e a organização foi extremamente competente e atenciosa num primeiro dia onde é natural não haver uma rotina de "festival".

Para amanhã a emoção e os filmes continuam, ainda sem a secção competitiva. A retrospectiva do cinema alemão traz a obra maior de Lang na Alemanha, M, e ainda o capitulo final da saga dos Nibelungos. Há ainda no pequeno auditório o primeiro filme da retrospectiva de homenagem a Bill Plympton e a comédia de Hong Kong The House of the 72 Tenants.
No grande auditório o dia arranca com A Woman Called Abe Sada, a história que inspirou o aclamado e polémico Império dos Sentidos, e prolonga-se com os filmes Angel Guts, The Other Half - com Portugal durante o Euro 2004 como pano de fundo - e Spirit Trap a fechar a noite.

O Hollywood recomenda as duas obras do brilhante cineasta alemão Fritz Lang, bem como uma espreitadela ao irreverente Vinnie Jones em The Other Half. Para os amantes de um cinema mais hardcore uma sessão continua de A Woman Called Abe Sada e Angel Guts é a opção certa.

OS FILMES DO DIA


Pleasant Days
fantas1.giffantas1.giffantas1.gif

A coqueluche do cinema magiar, Mundruczó, teve em Pleasant Days a sua consagração internacional, em 2002. Um dos grandes vencedores da edição desse ano do festival de Locarno, o filme conta a história de três jovens húngaros totalmente desadaptados, numa cidade perdida de um país sem rumo.
O filme é cru e despudorado, do principio ao fim. Inspirado directamente na obra O Estranho de Albert Camus, há uma constante alienação nos elementos deste triângulo de jovens perdidos. A rotina do dia a dia é retratado com imenso realismo, mas os seus sonhos, devaneios e pessimismos têm todos um quê de surreal. O corpo nu – e mais do que isso, o próprio sexo – é presença obrigatória na rotina do dia a dia destes jovens.
Tratado com imensa normalidade, sem vontade de chocar ou provocar, é o sexo o elo de ligação entre os jovens, cada qual à procura de um rumo. Entre insinuações de incesto, paixões ardentes e vontade de mudança, Pleasant Days traz uma imensa ironia no seu titulo, porque há muito que há algo de podre na Hungria. Mundruczó é, acima de tudo, um fascinante cineasta de rostos, captando toda a essência das personagens com planos tranquilos das suas faces perdidas no meio do nada.
Com um desempenho muito bom de Orsolya Tóth, o filme arranca bem e aguenta-se a bom nível, apesar da rotina do dia a dia ter o seu preço na rotina cinematográfica. O final, abrupto e imperdoável, é o recado de Mundruczó. Aqui não há dias, personagens ou momentos agradáveis. É o olhar perfeito do desencanto!

Realizador : Kornel Mundruczó
Elenco : Tamás Polgár, Orsolya Tóth e Kata Wéber
Duração : 99 m

2176775152.jpg


Sympathy for Lady Vengeance
fantas1.giffantas1.giffantas1.giffantas1.gif

Depois de ter apresentado com sucesso os dois primeiros capitulos da sua trilogia, Chan Woo Park fecha com chave de ouro esta sua saga sobre um dos sentimentos mais primários do ser humano: a vingança.
Acusada de um crime que não cometeu, Lee Geum-Ja quer vingar-se do homem que lhe retirou 13 anos da sua vida, e também a sua filha recém-nascida. Na prisão era conhecida por ser "terna de coração", mas o seu feitio é implacável e agora está disposta a tudo para se vingar. Um filme com todo o fascinio visual de Park, quer no tratamento da imagem (primorosa fotografia), quer no trabalho de edição e montagem, recheado de magia e arrojo, este Sympathy for Lady Vengeance vai agradar sobretudo ao fãs de Kill Bill que encontrarão aqui certamente muitas semelhanças com a história da Noiva criada por Tarantino e Uma Thurman.
Sem a mesma dose de violência visual a que fomos habituados, o filme é pautado essencialmente por um humor brilhante, capaz de fazer rir a audiência mesmo nos momentos de maior tensão dramática. Um truque habilidoso que retira carga emocional a esta vendetta pessoal, que acaba por não o ser, mas que não retira o fascinio de uma história que peca apenas por adormecer demasiadas vezes e durante demasiado tempo, ao longo do filme.
Yeong-ae Lee lidera um elenco muito contido e que vive mais do conjunto de personagens do que das interpretações individuais.
Em suma estamos diante de um filme bem orquestrada, com alguma originalidade, sem no entanto perder os elos de ligação com os outros filmes do autor. Uma lufada de ar fresco que nos chega do oriente e que é o final perfeito para uma primeira de um festival que promete muito mais.

Realizador : Chon Woo Park
Elenco : Yeong-ae Lee, Il-woo Nam e Min-sik Choi
Duração : 112 m

200508191638331.jpg

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:38 AM | Comentários (2)

fevereiro 20, 2006

The Three Burrials of Melquiades Estrada - Penitência

Tommy Lee Jones decidiu tornar-se realizador. Escolheu uma história escrita pelo conceituado Guillermo Arriaga, arregaçou as mangas, pegou na camara e começou a filmar. O resultado é um dos filmes mais irritantes e sem sentido que já passaram por Portugal nos últimos anos. Um filme onde um homem tem de fazer penitência pelo crime que cometeu. Um filme em que temos de fazer penitência só por ter-mos comprado o bilhete.
Filme de burialsmelquiades.gif
3burials_poster1.jpg

Há muito pouco a dizer sobre este The Three Burrials of Melquiades Estrada. E o que há não é nada abonatório ao filme, ao seu argumentista e ao seu realizador.
Passar pelo Festival de Cannes e sair de lá com dois prémios importantes na mão (melhor actor e melhor argumento), era sinónimo de qualidade. Mas os detractores de Hollywood, que sempre se escudaram em Cannes como o bastião do cinema de altissimo nivel, têm de começar a analisar as suas escolhas. Porque se este filme merecia algum prémio era o de ter sido, não só o mais irritante, como o mais vazio filme feito por um actor com pretensões a realizador.
Tommy Lee Jones não é Clint Eastwood (ou Kevin Costner, ou Robert Redford, ...), e nem filma como se fosse. Mas pretende colar-se à aura dos talentosos actores-realizadores com este ensaio sobre a dor da perda e a penitência humana do crime.
tommy_lee_jones26.jpg

Em traços gerais - porque a confusão do filme, entre o primeiro e o último enterro, com uma montagem no minimo desastrosa, pelo meio, deixa perceber pouco - há um homem, guarda florestal, que mata um imigrante ilegal mexicano sem querer. As autoridades tentam esconder o crime, mas o melhor amigo do mexicano, um solitário cowboy que tinha criado, mais do que uma amizade, uma relação pai-filho com este Melquiades Estrada, decide fazer justiça pelas próprias mãos. Rapta o guarda, fá-lo desenterrar o corpo, já em estado avançado de decomposição (uma imagem que é repetida vezes sem conta ao longo do filme, sem qualquer sentido), e juntos, os três, lançam-se a cavalo até Jimenez, a aldeia natal de Melquiades. Era lá que ele devia ser enterrado, segundo uma promessa feita por Peter, o cowboy solitário. E para ele, promessas são para cumprir.
O filme demora imenso a arrancar, porque ora vive o presente ora viaja até ao passado, com algumas cenas que pretendiam ser irónicas mas que passam ao lado do filme (o facto do mexicano ter dormido com a mulher do guarda é deixada em aberto, mas nem é deenvolvida). Quando a viagem é anunciada - sim porque o realizador não conseguiu escapar á infantilidade de separadores para dividir o filme - ritmo continua lento, lentissimo, e sem qualquer plano ou imagem fascinante. Um exercicio de sado-masoquismo, de punição, sem meias palavras, antes de chegarmos ao final. Que não poderia ter sido pior. O guião - desastroso do principio ao fim - nem consegue explorar o facto do imigrante ilegal ter mentido ao seu "fiel" amigo, durante o tempo que esteve com ele. O filme, também ele em estado de decomposição desde o inicio, é enterrado sobre o olhar estupefacto do guarda que, tal como nós, não percebe o autêntico ensaio de loucura que se desenrolara diante dos seus olhos.
tommy_lee_jones12.jpg

O fantasma que é Tommy Lee Jones, numa interpretação tão morta como o próprio Melquiades Estrada, é compensado pela presença de Barry Pepper, mas nem este se afasta do imenso lodaçal que é o filme, do primeiro ao último minuto. Ensaio desastroso de Tommy Lee Jones, este The Three Burrials of Melquiades Estrada por ter enterrado, de vez, as suas pretensões a tornar-se um cineasta de qualidade. Por muitas Palmas de Ouro que tenha no seu curriculo.

Classificação - burialsmelquiades.gif


O Melhor - Um filme destes não tem melhor, tem menos mau: seria provavelmente Barry Pepper.

O Pior - O argumento, a montagem, a realização, Tommy Lee Jones....

Curiosidade - O elenco teve de ler O Estranho de Albert Camus, antes das rodagens, por exigência do próprio Tommy Lee Jones.

Site Oficial - www.sonyclassics.com/threeburials

Realizador - Tommy Lee Jones
Elenco - Tommy Lee Jones, Barry Pepper, January Jones, ...
Produtora - Europa
Duração - 121 m
Classificação - m/16

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:27 PM | Comentários (1)

Fantas 2006 arranca hoje...

E o Hollywood vai estar lá para vos trazer, diariamente, toda a informação sobre o maior festival do cinema português.
Criticas aos filmes em cartaz, testemunhos e textos de opinião sobre o Fantas 2006, aquele que a revista norte-americana Variety classificou com um "dos 25 mais importantes festivais de cinema do Mundo":
Mantenham-se ligados!
12311mmf1.jpg

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:24 PM | Comentários (1)

Brokeback limpa BAFTA´s

Quando se começa a questionar seriamente a possibilidade de Crash vencer o óscar de melhor filme, daqui a duas semanas, Brokeback Mountain continua calmamente a sua caminhada de "papa-trofeus". Ontem foram os BAFTA´s, os prémios da indústria cinematográfica britânica. O filme de Ang Lee levou para casa quatro estatuetas.
bbm1201.jpg

Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Actor Secundário para Jake Gyllenhall e Melhor Argumento Adaptado foram os quatro prémios que Brokeback Mountain arrecadou na edição deste ano dos BAFTA.
O filme estava ainda nomeado para mais categorias cinco categorias, mas mesmo assim acabou por ser o grande vencedor da noite, batendo o favorito local The Constant Gardener.
Wallace and Gromitt protagonizou a grande surpresa ao vencer o prémio para Melhor Filme Inglês, enquanto que Joe Wright, realizador de Pride and Prejudice, recebeu o prémio como melhor cineasta britânico.
Philiph Seymour-Hoffman e Reese Whiterspoon continuam a sua caminhada de glória rumo ao óscar, e a britânica Thandie Newton surpreendeu ao arrecadar a estatueta para melhor actriz secundária. Crash venceria ainda o prémio de melhor argumento original.
The Constant Gardener (montagem), Harry Potter and the Goblet of Fire (direcção artistica), Memoirs of a Gueisha (guarda-roupa, banda sonora e fotografia), The Chronicles of Narnia (maquilhagem), Walk the Line (som) e King Kong (efeitos visuais) sairam igualmente premiados.
De Batre Mon Couer S´est Arrete... foi o melhor filme estrangeiro, enquanto que o grande derrotado da noite foi George Clooney. Partiu com quatro nomeações, saiu da cerimónia sem qualquer prémio.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:06 PM | Comentários (0)

Oscares 2006 - O apresentador

Depois da polémica escolha de Chris Rock a Academia tentou voltar aos nomes gloriosos do passado como Billy Crystal ou Whoppi Goldberg. Mas face à recusa de todos, foi o popular apresentador Jon Stewart o escolhido para anfitrião da maior festa da indústria cinematográfica. Já com alguma experiência própria, o apresentador do Daily Show afirma-se definitivamente como um dos grandes enterteiners norte-americanos...
1oscarJon_Stewart_On_Couch.jpg

Foi uma escolha surpreendente, mas não deixa de ser um nome bastante consensual, especialmente entre o público mais novo, cada vez mais afastado das longas e maçadoras cerimónias de entrega das pequenas estatuetas douradas.
E foi também por isso que Stewart acabou por ser o escolhido. O seu programa diário Daily Show é um êxito fabuloso de audiências e de qualidade no canal cabo HBO, e o seu humor negro não perdoa ninguém, desde o presidente Bush - um dos seus alvos de estimação - ao Dalai Lama. Responsável por trazer um novo tipo de humor para os programas de entretenimento norte-americanos, Stewart ajudou igualmente a lançar uma serie de talentosos comediantes, como Steve Carrell que teve um ano brilhante em 2005.
dailyshow800x6009.png

E será a equipa que escreve diariamente para o Daily Show a escrever as piadas para cerimónia, isto apesar da falta de tempo - entre os óscares, o Daily Show e o nascimento da sua primeira filha - ter impedido o anfitrião de ter visto todos os filmes, ou ter tido o habitual mês e meio de tempo livre, exclusivamente para preparar-se para a grande noite.
Agora com 43 anos (nasceu em Brooklyn em 1962), Jon Stewart está no mesmo patamar de outros comediantes de sucesso como Johnny Carson, Billy Crystal ou Steve Martin. Mas apesar de prometer algum humor ácido para Brokeback Mountain ou Munich, será um Stewart bastante mais convencional, aquele que estará dia 5 no Kodak Theather. É normal. A audiência é diferente, o palco também. Logo o humor, como tudo, adapta-se ás circunstâncias. Para trás fica a carreira como comediante em bares, os pequenos cameos em filmes e o sucesso na Comedy Central.
Porque agora, Jon Stewart está num patamar completamente diferente. Cada vez mais perto das estrelas.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:47 AM | Comentários (0)

fevereiro 19, 2006

Grbavica vence Urso de Ouro em Berlim

Já se esperava que a vitória andasse perto das mãos de Jasmila Zbanic, mas a confirmação chegou hoje pela voz do juri presidido por Charlotte Rampling.
Grbavica, história da relação de uma mãe e filha na Sarajevo do pós-guerra da Bósnia, foi o eleito da edição deste ano do Festival de Cinema de Berlim para o Urso de Ouro. Segundo a porta-voz do grupo, Rampling, a escolha recaiu "no resultado que encontramos depois de reflectir, da forma mais profunda, no sentimento que se vive hoje no mundo".
Michael Winterbottom terá sido o grande derrotado já que o seu Road to Guantanamo tinha grandes esperanças na vitória. Ficou com o prémio de realização, depois do juri ter eleito o filme iraniano Offside e En Soap com o grande prémio do juri, em ex-aqueo.
Sandra Hueller e Moritz Bleibtreu triunfaram em casa nos prémios de melhor actriz e actor da edição deste ano.
O juri entregou ainda mais 22 prémios complementares, incluindo um prémio de consolação para outro dos favoritos, o filme A Prairie Home Companion do norte-americano Robert Altman.
gbravica1.bmp

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:47 AM | Comentários (2)

Aquelas Frases...

"That´ll be the day!"

0SearchersEthan4.jpg

in The Searchers

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:44 AM | Comentários (0)

fevereiro 18, 2006

Oscares 2005 - As apostas dos Estúdios

Há muitos anos que Hollywood não virava as costas as grandes estúdios. Dez anos para ser preciso. No final de contas, a Universal foi o único grande estúdio a conseguir incluir um dos seus filmes nos cinco favoritos. Muito pouco para quem tinha quatro ases no baralho. Em 2006, o que está a dar é ser pequeno...

0footerLogolf.gif

A Focus Features teve um ano em grande. Produtora de Brokeback Mountain e The Constant Gardener foram doze as nomeações no total, com oito para o grande candidato a vencedor da noite. A aposta dos estúdios numa campanha de marketing discreta, baseada na aclamação dos criticos e no enfase na história de amor, e não na história de amor "gay", resultou em pleno e o filme ultrapassou todos os obstáculos que se foram levantando. Já The Constant Gardener conseguiu valer-se por si, já que a campanha da Focus não conseguiu puxar Ralph Fiennes e Fernando Meirelles para a ribalta.

0wbros.jpg

A Warner Independent apostou forte em Good Night and Good Luck. e teve os ganhos. A pequena subsidiária da Warner Bros. - que teve um ano para esquecer - manteve o filme sempre á tona e deixo que a mensagem fala-se por si só. Num ano onde a campanha pouco interessou, o low profile do filme ajudou a publicitá-lo quando foi preciso.

0lgaste.bmp

A Lions Gate nunca tinha tido um filme como Crash nas mãos. Foi como um manã caído do céu. A publicidade ao filme começou bem antes de toda a gente e resultou em pleno. O filme arrastou-se durante 16 meses, desde o Festival de Toronto até ás nomeações em Janeiro, e durante esse periodo uma forte campanha de marketing, com idas ao programa de Oprah Winfrey incluidas ajudaram a que Crash fosse um dos filmes mais nomeados.

0univer.jpg

A Universal foi, dos grandes estúdios, a que se saiu melhor, tendo em conta que Munich foi o único filme feito num grande estúdio que conseguiu entrar na categoria principal. Mas a polémica entrada do filme de Spielberg tem mais a ver com o realizador e a mensagem do filme, do que propriamente com a fraca campanha (ou falta dela) dos estúdios. Já Jarhead, King Kong e Cinderella Man tinham tido pessimas campanhas que resultaram em falhanços na hora dos prémios. Com tantas cartas no baralho, a Universal não soube jogar e arrisca-se a sair com menos de uma mão cheia de prémios a 5 de Março.

0fox.jpg

A Fox tinha apostado tudo em Walk the Line e durante muito tempo surgiu como o estúdio com mais força para combater a surpresa da Focus. Mas na hora H o filme falhou a categoria principal, apesar das cinco nomeações. A juntar isso a única nomeação de outra estrela da companhia, Star Wars, e pode-se dizer que nada parece ter corrida bem para aqueles lados.

0columb.jpg

A Sony Pictures/Columbia não quis colocar All the Kings Men na luta deste ano. Mas Memoirs of a Gueisha não foi rival à altura e apesar das seis nomeações, todas técnicas, os estúdios têm em Capote a sua maior esperança de levar para casa, pelo menos uma estatueta dourada.

A Miramax, a Weinstein Co., New Line Cinema, Paramount ou Buena Vista vivem de pequenas e esporádicas nomeações. No caso da Miramax deve-se ás fracas apostas e no da Weinstein Co., pelo facto da nova companhia dos irmãos Weinstein ser exactamente isso, demasiado nova.
Já a New Line Cinema perdeu nas apostas artisticas que fez, enquanto que a Paramount e a Buena Vista tiveram mesmo um ano para esquecer.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:16 PM | Comentários (1)

CANTOS DO MUNDO - AMÉRICA DO SUL

Se na Europa foram os Cahiers o berço da Nouvelle Vague, e se nos Estados Unidos foi a UCLA a formar alguns dos mavericks dos anos 70, o cinema novo brasileiro cresceu á volta de uma figura que tinha tanto de genial como de desconhecida...
00gal6.jpg

Glauber Rocha é, ainda hoje, o maior cineasta brasileiro de sempre. Não pelos prémios que conquistou, nem pelos filmes que fez. Mas pelo sangue novo que injectou na cinematografia do gigante adormecido que é o Brasil.
Contrariamente ao que se passa com o resto do mundo, o cinema no Brasil surge apenas em terceiro plano quando se fala em indústrias artisticas de representação. O império Globo (e em menor escala, a rede Bandeirantes) consagrou a telenovela como a pérola maior brasileira. É desse produto, que exporta anualmente para todo o mundo imagens de um Brasil que não existe, que todos vivem. Produtores, realizadores e, essencialmente, actores. A escola de representação das novelas brasileiras tem provavelmente o maior leque de actores do mundo, logo a seguir á Broadway e Hollywood. Actores ao nivel dos maiores monstros da representação, que no entanto pouco tempo dedicam ao cinema. Entre o teatro - ainda com alguma expressão local - e as novelas, não há tempo. Nem dinheiro para contratar vultos como Lima Duarte, Tony Ramos, António Fagundes, Fernanda Montengro, Susana Vieira ou Regina Duarte. Se fossem norte-americanos já teriam todos óscares ou tonys. Mas são brasileiros, e pagam esse preço.
0glauber11.jpg

Foi esse Brasil, do teatro e das novelas, que Glauber Rocha abanou quando surgiu na década de 60. As produções cinematográficas, primeiro na era Getúlio Vargas e depois nos conturbados anos 50 e 60 era o equivalente ao chamado cinema de qualidade, que Truffaut tanto criticava em França. Não havia aventura, emoção, vontade de arriscar. Não se contava o que era o Brasil. Inventavam-se muitos e diferentes países, todos sobre a mesma bandeira. Em 1964, o jovem cineasta de 25 anos foi a Cannes. O Brasil tinha saido vencedor em 1959 com Orfeu, filmado por Marcel Camus, mas obra brasileira pura nunca tinha sido bem sucedida lá fora. A verdade é que Deus e o Diabo na Terra do Sol perdeu para o divertido Le Parapluis de Cherebourg. Mas não interessava. Tal como a Nouvelle Vague francesa, o Cinema Novo brasileiro fez-se notar diante do Mundo, e durante anos tornou-se no cinema mais respeitado da América Latina.
O baiano Glauber Rocha, era em todo semelhante aos cineastas da Nouvelle Vague. Começou como critico de cinema, fez várias curtas-metragens durante os anos 50, e era igualmente admirador confesso do cinema de serie B norte-americano. Também ele alterou a linguagem cinematográfica do cinema brasileiro, dando um outro destaque a aspectos sempre negligenciados como o som, a luz ou a montagem.
00terra_emtranse.jpg

Barravento tinha já mostrado o seu potencial, em 1961, e depois da sua presença em Cannes o seu valor tornou-se conhecido um pouco por todo o mundo. A sua obra seguinte, Terra em Transe venceu o prémio da critica no festival francês em 1967 e era já um prenuncio do que iria acontecer no seu Brasil natal. O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro valeu-lhe mais um prémio em Cannes, pela sua realização, mas o movimento que tinha começado era já maior que ele próprio. Rapidamente outros cineastas como Nelson Pereira dos Santos, Leon Hirzsman, Joaquim Pedro de Andrade, Carlos Diegues ou Rui Guerra seguiram a ideia de que para filmar só era preciso "uma camara na mão, uma ideia na cabeça".
A produção cinematográfica brasileira atingiu o seu expoente máximo em plena década de 60, altura em que, um pouco por todo o lado o cinema nacional de diferentes países, da França ao Brasil, da Alemanha a Portugal, ganhava nova vida.
00glauber9.jpg

Interessados em absorver o máximo de realismo possivel das realidades existentes á sua volta, especialmente no árido, pobre e abandonado nordeste brasileiro, os cineastas do cinema novo começaram por se deixar contagiar pelo combate ao fascismo que aos poucos conquistava o país. Mas tal como aconteceria um pouco com todo o "cinema novo", o filme para o público não conseguiu conquistar o público durante muito tempo. Aos fracassos de bilheteiro seguiu-se o exilio para muitos dos cineastas. O cinema marginal sucedia ao tropicalismo, a última fase do cinema novo brasileiro, e novos autores e os resistentes do cinema novo continuaram à procura de formas de fazerem passar a sua mensagem, afastando-se cada vez mais do intelectualismo inicial de Glauber Rocha e seus pares.
O cineasta que revolucionou o cinema brasileiro morreria em 1981, novo, demasiado novo, consciente de que, apesar do falhanço a curto prazo do movimento, o Cinema Novo tinha lançado as sementes para o desenvolvimento de cineastas e amantes de cinema no país do futebol e da telenovela.

Miguel Lourenço Pereira

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:15 PM | Comentários (2)

fevereiro 17, 2006

Fantas 2006 - Onde se pode ir!

Este ano o Fantasporto ganhou novas casas. Para além do Rivoli e do AMC Arrábida 20 agora também o cinema Passos Manuel e o cinema da biblioteca Almeida Garrett vão estar a exibir algumas das maiores pérolas do festival coordenado por Mário Dorminsky.
anfiteatro_p7.jpg

Depois de ter passado muitos anos no teatro Carlos Albertostrong>, o Fantas encontrou uma casa digna no Rivoli. Com duas salas, o grande e o pequeno auditório, o Rivoli é a base de operações para todos os amantes do Festival. E se este ano os filmes a concurso e a semana dos realizadores se mantêm no grande auditório, é no pequeno audiotório que vão passar algumas retrospectivas, como a do cinema expressionista alemão dos dias de Lang e Murnau.
fantasporto04-rivoli3.jpg

No Passos Manuel, cinema conhecido pelos filmes alternativos e reposições que vai passando, é a secção Love Connection, um conjunto de estranhos histórias de amor que prometem fazer as delicias dos mais irreverentes.
pm1.jpg

Na biblioteca Almeida Garrett é o cinema de Bollywood que está em destaque, enquanto que nos cinemas AMC passam alguns dos êxitos do cinema asiático.
Interior23.jpg

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:04 PM | Comentários (1)

Oscares 2005 - Os Precendentes

Os óscares são o último prémio da temporada cinematográfica. Até lá tudo acontece. Prémios da critica, prémios das Guilds, os afamados Globos de Ouro e BAFTAS. Todos eles têm o seu valor, mas em última análise, são sempre visto como os percurssores das aclamadas estatuetas douradas...
brokeback2112.jpg

A critica fecha o ano com os seus habituais prémios e este ano escolheram cedo os seus cavalos de corrida. Brokeback Mountain venceu mais prémios da critica que todos os outros filmes juntos, numa cavalgada gloriosa rumo à vitória que muitos esperam ser clara, no próximo dia 5.
Tal como o filme também Ang Lee foi galardoado multiplas vezes pelas associações de criticos pelo seu trabalho de realização. Nessa altura do inicio do ano só Good Night and Good Luck. de George Clooney era rival para Brokeback.
Entretanto estrearam King Kong e Munich e falou-se muito dum duelo a três mas o buzz não teve impacto na critica e no box-office e a caminhada dos cowboys Jack e Ennis continuou sem rival à altura.
Entre os actores Philiph Seymour-Hoffman e Reese Whiterspoon destacavam-se da concorrência, com Heath Ledger e Felicity Huffman em segundo plano. Nos secundários o duelo era entre Amy Adams e Michelle Williams nas senhoras, e George Clooney e Paul Giamatti entre os homens.
goodnight123.jpg

Chegaram então os nomeados aos Globos de Ouro e as ausências de Kong e Munich eliminaram-nos da corrida. Good Night and Good Luck. e Walk the Line eram agora os rivais a ter em conta, e os resultados dos Globos confirmaram Brokeback como o grande favorito e o biopic de Johnny Cash como o seu maior rival. Philiph-Seymour Hoffman e Reese Whiterspoon continuavam na mó de cima e Felicity Huffman e Joaquin Phoenix eram igualmente premiados. A vitória de Rachel Weisz relançou-a na corrida a melhor actriz secundária e George Clooney distanciava-se de Paul Giamatti.
crash1231.jpg

Os prémios das Guilds lançaram na corrida Crash e Capote, filmes pequenos e falados várias vezes, mas que se julgava que não poderiam ombrear com os grandes gigantes dos estúdios. Longe estavamos de saber que este era o "ano politico" de Hollywood. Quem também se revelou foi Batman Begins, e Memoirs of a Gueisha, caida cedo em desgraça, voltava á vida nas categorias técnicas.
munich123.jpg

E quando surgiram os nomeados, baldes de água fria por todos os lados. Walk the Line e todos os feel-good dramas de entretenimento ficaram de fora num ano em que as pequenas produções subiram a plano de destaque. Munich conseguiu boleia e arrecadou cinco nomeações, quando todos falavam entre 0 a 2. Memoirs of a Gueisha confirmou que as categorias técnicas eram o seu feudo, ao arrecadar só aí seis nomeações, e Star Wars desiludiu com apenas um voto. King Kong e Chronicles of Narnia tornaram-se nos filmes a ter em linha de conta nas categorias mais técnicas enquanto que Crash começou a construir o seu momentum, tanto que hoje é provavelmente o maior rival de Brokeback Mountain, claramente fragilizado e a perder gás.
Afinal, tudo está em aberto!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:35 PM | Comentários (0)

Rumor Has It - Segredos de Familia

Mais do que uma sequela de The Graduate, Rob Reiner está de regresso com um filme que retrato os danos colaterais da história que celebrizou uma tal de Mrs Robinson. Inspirado num rumor aparentemente verdadeiro, este filme é também um novo fôlego para Jennifer Anniston
Filme de rumorhasit.gifrumorhasit.gifrumorhasit.gif
shirley_maclaine412.jpg

A história que deu origem a The Graduate era um dos mais badalados rumores da Pasadena dos anos 60. O filme popularizou a história de uma sedutora Mrs Robinson, que acabou por se deitar com um jovem que era igualmente o namorado da filha, com quem ela fugia no fim. Verdade ou mentira, o rumor ficou e o filme mitificou a história.
Rob Reiner, homem de Hollywood, decidiu pegar nessa história mal contada, e tentar desvendar, não propriamente o que tinha acontecido, mas as consequências de tudo o que se tinha passado para uma jovem, filha da mulher que, supostamente, tinha sido vivida na tela pela deslumbrante Katherine Ross.
Essa mulher é Jennifer Anniston que depois do divórcio com Brad Pitt decidiu ressuscitar a carreira. E em boa hora o fez. A estrela da série Friends tinha vivido quase em reclusão matrimonial, e agora, liberta do espartilho, voltou ao seu melhor com um desempenho sentido e extremamente sólido.
kevin_costner14.jpg

A sua personagem, está de volta a casa para o casamento com a irmã, mas o que a preocupa é a sua própria vida. O facto de não se integrar com a própria família, o de ter uma carreira estagnada, e uma relação que, apesar de segura, não a entusiasma. E é nessa viagem que descobre um terrível segredo de família. O rumor que tinha celebrizado Mrs Robinson era verdadeiro. E a sedutora desbocada era, nem mais nem menos, que a mãe da sua mãe…isso mesmo, a sua avó. E para complicar ainda mais a história, já bem definitivamente afastada do registo cinematográfico original, a probabilidade de ela ser filha do jovem seduzido – e mais tarde sedutor da mãe – era muito grande. Em estado de choque, decide partir à descoberta desse infame personagem, e quando o descobre, ele convence-a de que não é pai dela, por razões biológicas. O que acaba é por conquista-la, completando um hat-trick de mulheres na mesma família. Depois de uma semana no paraíso, o céu cai-lhe em cima quando o noivo descobre a sua aventura, e no final a moral é simplificada num paralelismo de situações. Tal como a mãe, pouco tempo antes do casamento ela não resistiu a ter uma aventura (curiosamente, com o mesmo homem). Mas tal como a mãe, também essa aventura não foi um escape, mas o motivo que ela precisava para continuar a sua vida da mesma forma como ela estava antes de ter tudo começado.
rumorhasit1.jpg

Rob Reiner, especialista em comédias românticas como o inesquecível When Harry Meets Sally, não perdeu o seu tom humorístico, mas funciona num registo mais sério ao criar um drama real, que apesar de surreal, é uma desculpa para perceber o que pode atormentar uma mulher. Mulher essa vivida na perfeição por Jennifer Anniston, sempre segura de si e capaz do seu melhor desempenho de sempre no cinema. Mas o que mais impressiona no filme é a regularidade e o talento do elenco secundário (habitual em Reiner, hábil director de actores). Kevin Costner confirma que está de regresso, depois das boas indicações de The Upside of Anger. O homem que, supostamente, foi vivido por Dustin Hoffman, é um poço de charme e emoção contida, que nos ajudam a lembrar porque é que há vinte anos este era um dos nomes mais badalados de Hollywood. Já Mark Ruffallo continua a provar sem um belíssimo actor, apesar de acabar por cair sempre em papéis demasiado simplistas. Richard Jenkins é a agradável surpresa num registo cómico, que o filme perde em não explorar mais vezes. E por fim há Shirley McLaine, essa brilhante actriz capaz de nos convencer plenamente que a caracterização de Anne Bancroft em The Graduate segue piamente a personagem real. Se isto não fosse tudo um rumor, claro.
rumorhasit4.jpg

Rumor Has It é um filme ligeiro, sem grandes primores técnicos que vive como todas as comédias românticas de uma narrativa em crescendo, com um final a pique, e de um competente leque de actores. Aqui a troupe é mais do que competente e o argumento é mais drama que comédia, com alguns toques de pura cinéfilia (alguém reparou no Rick´s Café?), típicos de um homem da casa como é Reiner. Numa apreciação final, é um filme simpático, que não faz mal nenhum ver. Pelo menos, é o que se diz por aí…

Classificaçãorumorhasit.gifrumorhasit.gifrumorhasit.gif

O Melhor – O desempenho bastante sólido de Jennifer Anniston, num verdadeiro comeback.

O Pior – Alguma simplicidade narrativa, que rouba espaço à comédia para explorar, superficialmente, uma faceta mais dramática.

Curiosidade – É curioso traçar os paralelos entre os actores do filme The Graduate e as supostas personagens reais de Rumor Has It. Sendo assim Shirley McLaine é Anne Bancroft, Kevin Costner passa por Dustin Hoffman e Richard Jenkins é Brian Avery .

Site Oficial - rumorhasitmovie.warnerbros.com/

RealizadorRob Reiner
ElencoJennifer Anniston, Kevin Costner, Shirley McLaine,
ProdutoraWarner Bros.
Classificaçãom/12
Duração105 m

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:02 PM | Comentários (0)

Eva Green, a eleita

Depois de meses de especulação e recusas, foi finalmente contratada a bond girl de Casino Royale.
Eva Green foi a escolhida pela produtora, isto apesar das recusas de nomes mais sonantes como Charlize Theron, Angelina Jolie, Rachel McAdams ou Scarlett Johansson.
Green deu-se a conhecer em The Dreamers, pela mão de Bernardo Bertolucci. A sua primeira experiência fora do cinema francês foi em Kingdom of Heaven. Agora vai viver Vesper Lynd, a primeira bond girl a sair da pena de Ian Fleming.
Para fechar o elenco - onde há muito está confirmado Daniel Craig como próximo 007 - está Jeffrey Wright. O norte-americano será Felix Leiter, o agente da CIA e habitual parceiro de Bond.
Casino Royale está já em filmagens há algumas semanas em Praga e de seguida muda-se para as Bahamas. A estreia do filme será em Novembro, apesar de ainda não haver uma data avançada.
1evagreen1.jpg

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:55 PM | Comentários (0)

SYRIANA – Isto é Guerra!

Hollywood decidiu viajar no tempo e voltar ao cinema político dos anos 70. Depois de The Constant Gardener, Jarhead e Munich chega este cruzar de histórias chamado Syriana. No final de contas, a ideia que fica é sempre a mesma. O mundo está em guerra, e são os corruptos que estão a ganhar…
Filme de SYRIANA.gifSYRIANA.gifSYRIANA.gifmeia_estrela2.gif
syri1ana_revisedbigposter.jpg

Claramente filme de um argumentista que decidiu passar para trás da câmara, Syriana é acima de tudo a valorização do conteúdo sobre a forma. Ou seja, tecnicamente o filme não é um primor. Montagem apressada, confusa, e câmara pouco decidida, pode levar a que o espectador comum se deixe rapidamente adormecer. Até porque, é preciso concede-lo, o filme demora a arrancar. Mas quando finalmente arranca, o ritmo é vertiginoso. As peças do puzzle vão-se juntando e o retrato final é assustador. Apesar de previsível, não deixa de o ser. Porque traça um retrato negro do mundo. Só que, infelizmente, esse é mesmo o retrato dos nossos dias. Mas desta vez Hollywood decidiu abrir os olhos em vez de desviar o olhar, como tanta vez faz. E graças a isso, filmes como os já citados (e há ainda Good Night and Good Luck. a caminho) e como este Syriana têm uma dupla missão. Não só cumprem os requisitos de filmes de denúncia, como conseguem projecção e destaque suficiente para convencer o público de que o que se está a passar é realmente sério.
alexander_siddig8.jpg

Por ser um filme de argumentista, a realização fica claramente descurada. Por ser um filme de Stephen Gaghan, os actores têm pouco tempo para se exibirem. O argumentista de Traffic – pelo qual venceu o Óscar em 2000 – privilegia a história acima de tudo. E os actores lá vão desfilando, cumprindo o seu (pequeno) papel nesta narrativa sobre a podridão que controla os Estados Unidos, e por arrasto, o Médio Oriente e o resto do Mundo. George Clooney, nomeado para o Óscar de melhor actor secundário, é curiosamente o elo mais fraco. A sua personagem serve como elo de ligação, não tendo propriamente uma grande importância. E apesar dos quilos ganhos e da notável transformação física, Clooney nunca sai do piloto automático. O que, e é preciso não esquecer que estamos em Hollywood, o não deverá impedir de arrebatar a estatueta.
Muito bem estão Matt Damon, cada vez mais maturo, e Alexander Siddig, como o príncipe saudita a quem lhe roubam, primeiro o trono e depois a vida, por querer ser independente do jogo sujo das companhias (e do governo) norte-americanas. É essa dupla que representa o pólo da, chamemos-lhe, pureza de espírito. Aqueles que têm consciência da podridão do sistema, da fatalidade que é o fim do petróleo, e que querem realmente fazer algo. Do outro lado estão os que vivem o momento, o lucro do momento, sem qualquer preocupação com o resto do mundo, ou com o seu próprio futuro. Nesse pólo está Jeffrey Wright, extremamente sóbrio, e Chris Cooper no seu habitual registo.
Mas curiosamente, o aspecto mais cativante do filme é mesmo a forma como Gaghan recria a forma como as organizações terroristas recrutam jovens para a sua causa. Começa com um despedimento, vitima das politicas norte-americanas, passa pela obrigatoriedade de uma educação ligada directamente ao fundamentalismo islâmico (as madrassas) e acaba no engodo perfeito para o sacrifício, que eles acreditam ser puro, quando não passa de uma jogada, tão suja como as dos bastidores de Washington, dos fundamentalistas religiosos que levantaram os países muçulmanos a ferro e fogo contra a sociedade ocidental.
sonnell_dadral5.jpg

Face á guerra do Iraque, e mais recentemente, á polémica dos cartoons (esse ridículo ataque á liberdade de expressão, que só o fundamentalismo islâmico se lembraria, e que só os europeus condescenderiam) Syriana é um filme mais actual do que qualquer outro. E essa actualidade dá-lhe uma outra aura. Não é apenas uma história. Este filme é a história, aquela que se faz, diariamente, diante dos nossos olhos. Gaghan capta bem essa necessidade de provar que as teias de corrupção estão presentes hoje, que não param diante nada, e que hoje são as empresas, e não os governos, que realmente controlam o mundo. Uma mensagem politica, importante é preciso não esquece-lo, mas, mais do que isso, um trabalho quase de reportagem jornalística, tal é a forma como a denúncia do sistema é feita.
jeffrey_wright9.jpg

Ao contrário de The Constant Gardener, Jarhead ou Munich – para citar os exemplos mais recentes – Syriana não consegue ser um grande filme. Tem um argumento brilhante, e o filme é obrigatório só por isso mesmo, mas sem grande trabalho técnico e performances arrasadoras, o filme perde-se em alguns pontos, chegando mesmo a parecer monótono quando a história se afasta da mensagem central. Defeitos naturais num filme de estreia de uma argumentista que privilegia sempre a forma em relação ao conteúdo. Ao contrário de Crash, onde apesar da mensagem ser o aspecto central, tudo o resto é feito com extremo sentido poético, este Syriana é um filme cru na forma como é apresentado. Provavelmente porque Gaghan não acredita que se possa retirar algo de poético de tudo isto. E talvez tenha razão. Porque enquanto o mundo se anda a destruir nos bastidores, para uns ficarem mais ricos enquanto outros ficam mais pobres, mais vale apostar na denúncia do que procurar os aspectos positivos da situação. E essa é claramente a mensagem de Syriana. No final, os bons morrem, os maus ganham, e é assim que o Mundo é hoje. Um mundo em guerra. Uma guerra que provavelmente vamos perder!

ClassificaçãoSYRIANA.gifSYRIANA.gifSYRIANA.gifmeia_estrela2.gif

O Melhor – O argumento do filme. Entre este e Match Point venha o diabo e escolha. O pior é que a Academia já parece ter escolhido Crash.

O Pior – O arranque do filme é lento, lento….

Curiosidade – Como resultado da sua transformação para viver o agente da CIA Robert Barnes, Clooney teve graves problemas de saúde, tendo sido operado à coluna, e está agora restringido a entrar em filmes de acção.

Site Oficial syrianamovie.warnerbros.com

RealizadorStephen Gaghan
ElencoGeorge Clooney, Matt Damon, Jeffrey Wright,
ProdutoraWarner Bros.
Classificação m/12
Duração135 m

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:44 PM | Comentários (2)

Cronenberg a dobrar

Ainda está fresco o sucesso de A History of Violence (que estreia por cá em Março) e já David Cronenbeg prepara os seus dois próximos projectos.
A Map to the Stars é um drama sobre a própria Hollywood e sobre os agentes que se movimentam, sempre com uma sede de sucesso insaciável.
Eastern Promises segue uma mulher de meia idade que descobre que uma russa morta ao dar á luz estava ligada a uma rede de prostituição. A história segue a ideia de Dirty Pretty Things, de Stephen Frears, e Cronenberg estaria disposto a começar a filma-la já em Outubro.
Mas só as indefinições de produção e de elenco irão determinar qual dos dois projectos será o primeiro do canadiano neste ano de 2006.
00cronenberg00.jpg

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:24 AM | Comentários (0)

fevereiro 16, 2006

Fantas 2006 - A evolução do Festival

Começou por ser uma Mostra de Cinema Fantástico no inicio dos anos 80. Hoje é considerado um dos vinte e cinco maiores festivais de cinema do Mundo, segundo a prestigiada Variety. Até lá o Fantasporto percorreu um longo caminho, cheio de revelações, surpresas e obstáculos...
ilustracaop.jpg

Filho da Cooperativa Cinema Novo, o Festival Internacional de Cinema do Porto tornou-se no maior evento nacional na área do cinema. Todos anos estream mais de uma centenas de filmes inéditos em Portugal. Isto para não falar das presenças regulares de nomes marcantes, e não só do cinema fantástico, na cidade Invicta.
O Fantas projectou-se a si próprio e consigo levou o nome da cidade, á Europa e ao resto do Mundo, fazendo da Invicta uma das capitais obrigatórias para os amantes de cinema alternativo.
Da primeira edição, em 1981 até ao seu 26º aniversário, muita coisa aconteceu.
Foram revelados autores, uns já conhecidos por esse mundo fora (Cronenberg, Lynch, Raimi), outros, nomes que permaneceram nas sombras até que foi o mundo lá de fora que os (re)-descobriu. É o exemplo de Peter Jackson, o homem que antes de andar pela Terra Média, era um dos mais conceituados cineastas gore.
fantas81.bmpfantas06.bmp


Mário Dorminsky, e aqueles que com ele trabalham, viram o festival mudar de casa (do Carlos Alberto para o Rivoli), levaram o cinema fantástico a outros polos da cidade e do país. O Festival que começou por ser uma festa restrita, tornou-se num evento obrigatório, trazendo milhares de espectadores ao Porto.
Um Festival que é um sucesso, não só pelos nomes que projectou, pelos filmes que exibiu, mas pela dinâmica que foi alcançando. Poderia o Fantas ser de outra forma?
É desejável que Portugal, e o Porto, tivesse um grande festival de cinema. Seria desejável que fosse um festival de cinema aberto a todos, com filmes mais mainstream, mais indie e mais alternativos. O Fantas não agrada a todos. Apesar de estar cada vez mais heterogéneo, continua a ser um festival do fantástico. Mas apesar de não agradar a todos, agrada a muita gente. E são esses que vão em procissão ver as mais recentes reliquias do genero. E é para eles que o Festival continua.
O Fantas pode não ser o festival ideal de cinema, mas não deixa de ser o maior festival de cinema português.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:29 PM | Comentários (0)

We Own the Night com elenco de luxo

O novo projecto de James Gray vai começar a ser rodado em Abril na cidade de Nova Iorque e tem um elenco recheado de nomes sonantes.
Christopher Walken, Mark Whalberg, Joaquin Phoenix e Eva Mendes estão confirmados nesta história de uma familia de policias, onde o irmão mais novo é visto como a ovelha negra por ter preferido entrar nos obscuros negócios da noite. Mas ao saber que o irmão e o pai estão em perigo, será ele a fazer de tudo para provar o seu valor, mostrando que todos estão engandos.
We Own the Night deverá estrear em 2007.
00EvaMendes_Mazur_5162962_Max.jpg000whablerg.jpg000phoenix.jpg00christopher_walken.jpg

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:05 PM | Comentários (0)

Oscares 2005 - Os Ausentes

Não há vencedores sem vencidos. E quando todos gostam de dizer que ser-se nomeado já é uma vitória (e para muitos é mesmo), é preciso dizer-se que aqueles que esperavam a nomeação, e não a conseguiram, são os primeiros derrotados dos óscares. E entre esses há falhas que são dificeis de perceber. A sua presença impunha-se, em qualquer circunstância. São eles os grandes ausentes...
00King%20Kong%202005%201.jpg

Na categoria de melhor filme é impossivel passar ao lado de King Kong e Match Point.
Os dois filmes são material de primeirissima qualidade, filmes marcantes dentro do seu genero e verdadeiro exitos da critica. As bilheteiras não ecoaram o mesmo sucesso, mas também não o fizeram necessariamente em relação aos cinco filmes nomeados.
E se a ausência de Woody Allen era já esperada, até porque desde Annie Hall que a Academia não voltou a premiar o genial nova-iorquino, já o espantoso trabalho do recém-multi oscarizado Peter Jackson merecia uma diferente apreciação. Poucos filmes foram feitos com tanta precisão como King Kong.
00match-point-9.jpg

Houve no entanto outros filmes que teriam legitimas aspirações a estarem nos leques de nomeados, mas que, por isto e aquilo, ficaram de fora.
The Constant Gardener, Jarhead e Cinderella Man são os casos esperados. O primeiro conseguiu quatro nomeações, mas nem a admiração que Hollywood parece nutrir por Fernando Meirelles lhe valeu na hora H. Já Jarhead estava condenado á partida por más criticas e pior box-office. Mas o filme de Sam Mendes é dos melhores war movies dos últimos anos, e não merecia ter sido excluido por completo. Por fim ninguém percebe o porquê da ausência de Cinderella Man, filme tocante e extremamente bem feito, talvez o melhor do já oscarizado Ron Howard.
00walktheline2.jpg

Entre os filmes que se esperavam que pudessem vir a ser nomeados, Memoirs of a Gueisha foi vitima da falta de apoio dos actores, escribas e produtores, já que seis nomeações técnicas teriam sido suficientes, noutra situação, para ser o filme mais nomeado. E por fim Walk the Line. Vitima do efeito Ray e da politização que este ano foi decretada em Hollywood, o biopic de Johnny Cash tinha tudo para ser um rival de peso de Brokeback Mountain. Nem nomeado conseguiu ser.

Curiosamente, e visto que o DGA e os cinco nomeados ao óscar de melhor realizador ficaram perfeitamente compativeis, não se pode dizer que tenha havido surpresas nesta categoria. Os ausentes são os mesmos dos filmes já citados - Jackson, Allen, Meirelles, Mendes, Howard - mas essencialmente David Cronenberg, que apesar de conseguir o seu filme mais acessivel com A History of Violence, acabou por não receber o mesmo reconhecimento que um outro misterioso autor, David Lynch, conseguiu no passado.
00cronenberg.jpg

Se já se sabia que Hollywood não vai muito á bola com Russell Crowe (três nomeações, um óscar, mas mesmo assim...), e que a sua nomeação por Cinderella Man, apesar de merecida, era sempre questionada, já não se percebe o que os membros da Academia têm contra Ralph Fiennes. O brilhante actor britânico merecia ter tido mais reconhecimento do que tem recebido, e este era um bom ano para estar no leque de nomeados.
Johnny Depp também fica de fora, depois de duas presenças consecutivas. O fraco The Libertine e o irreverente Charlie and the Chocolate Factory não foram suficientes para convencer os membros. Para o ano volta Jack Sparrow - uma das mais brilhantes criações da história do cinema - mas é duvidoso que volte a ser nomeado pelo mesmo papel.
Cilian Murphy por Breakfast on Pluto´s, Eric Bana por Munich e Jeff Daniels em The Squid and the Whale foram nomes sempre falados, mas nunca conseguiram apoio suficiente para desafiar os mais fortes nomes na disputa.
00constant4.jpg

Entre as actrizes a surpresa foi realmente a nomeação de Keira Knightley. O seu desempenho contagiante em Pride and Prejudice bateu a favorita sentimental de muitos, Joan Allen, e a sedutora prodigio vinda do Oriente, Zhang Ziyi. Num ano pobre em actrizes, escolheu-se a mais jovem e promissora actriz britânica, face á veterana americana e á promessa asiática.
0041977db897331.jpg

Nas categorias secundárias os ausentes foram muitos, porque a concorrência o exigia.
Don Cheadle e Terrence Howard por Crash, Cirian Hinds por Munich, Peter Saasgard em Jarhead ou Bob Hoskins em Mrs Henderson Presents foram exemplos entre os actores. Já na categoria feminina é impossivel ignorar as ausências da dupla de Memoirs of a Gueisha Gong Li e Michelle Yeoh, e ainda Maria Bello e Scarlett Johansson, que pelo terceiro ano consecutivo fica de fora.
00AnakinSkywalker.jpg

No que diz respeito ás categorias técnicas, as notas de destaque são as ausências de Jarhead em fotografia, das multiplas nomeações que se esperavam para o último capitulo de Star Wars, e para a presença apenas de três temas originais, quando estavam previstos cinco.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:45 PM | Comentários (1)

Mikelsen é Le Chiffre

Depois de meses de suposições e enganos, a revista Variety garante que já foi contratado o actor que irá viver Le Chiffre, a primeira nemesis de James Bond em Casino Royale.
Segundo declarações do realizador, Martin Campbell, o nome escolhido foi o do actor Mads Mikkelsen.
O dinamarques, um dos mais bem sucedidos actores do seu país, já entrou em produções como King Arthur e Wilbur Wants to Kill Himself, e será assim o rival de Daniel Craig, que se estreia como 007.
Para o papel de Vesper Lynd, a primeira bond girl a sair da pena de Ian Fleming, ainda não há certezas. Isto apesar das filmagens em Praga já terem arrancado.
Fala-se insistentemente nos últimos dias em Eva Green ou Olivia Wilde, mas a porta ainda não se fechou por completo para um nome mais sonante, apesar das constantes recusas das estrelas de Hollywood.
mads_mikkelsen_011.jpg

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:24 AM | Comentários (0)

fevereiro 15, 2006

O Que Estreia Por Cá - O Homem de Negro

Icone da música country. Alma penada do espectro musical norte-americano, Johnny Cash atravessou gerações. Superou uma forte dependência de alcool e drogas, encontrou em June Carter o amor de uma vida, e acabou por se tornar numa estrela, quando tudo parecia jogar contra ele. Ao som de Phoenix e Whiterspoon, vamos ouvir Walk the Line...
joaquin_phoenix10.jpg

Dirigido por James Mangold, este biopic entra em comparação directa com Ray.
Tal como o filme sobre Ray Charles, este foi um longo projecto que só agora acabou por ser concretizado. Tal como a obra de Hackford, também Walk the Line segue um dos icones da música norte-americana. E as comparações ficam por aqui. Ao contrário de Jamie Foxx, tanto Joaquin Phoenix como Reese Whiterspoon dão voz ás suas personagens. E em vez de seguir a vida do músico, aqui há uma preocupação com os primeiros anos da carreira, e com a conturbada história de amor entre Cash e Carter.
Ao som de Walk the Line, Ring of Fire e tantos outros êxitos da música country, dentro de San Quentin ou nos Sun Studios, este filme é não só uma peça de entertenimento garantido, mas uma viagem á mente conturbada de um homem que poucos conseguiram entender. Desde o seu passado frustrado á sua incapacidade de lidar com as suas dependências, há muito mais do que a vida de um músico em Walk the Line. Há a forma como ele encara a vida, e como nessa viagem teve o apoio de uma mulher que o marcou mais do que qualquer outra.
Três Globos de Ouro não chegaram para convencer a Academia. Com cinco nomeações aos óscares, Walk the Line é vitima do efeito Ray. Hollywood não gosta de se repetir tão depressa e provavelmente só Reese Whiterspoon poderá sair feliz da noite de gala. Mas até lá encostem-se na cadeira, entrem no ritmo, e deixem-se levar por este Walk the Line.
walktheline_bigearly.jpg

Esta semana há ainda mais cinco estreias.

Syriana é o filme que marca a estreia na realização de Stephen Gaghan, o oscarizado argumentista de Traffic. Com um elenco de estrelas por onde passam George Clooney, Matt Damon, Jeffrey Wright ou Christopher Plummmer, o filme explora a cumplicidade que existe entre o governo e as empresas americanas e os sheiks detentores dos poços de petróleo. Retrato critico da presença norte-americana no Médio Oriente sob a perspectiva de um agente da CIA á beira da reforma.
3654.jpg

Tommy Lee Jones também abraçou a realização, tendo sido premiado pelo seu desempenho em Cannes no último festival. Daí para cá pouco se falou neste The Three Burrials of Melquiades Estrada, um western actual e intimista que coloca o actor na lista dos mais promissores debutantes na realização. A história de uma morte e da vingança por parte de um amigo de longa data da vitima é o pretexto para uma viagem até ao México, onde Melquiades Estrada deverá receber o seu terceiro enterro.
3746.jpg

Um filme de acção recheado de muita acção mas pouca narrativa. Charlize Theron - que iremos ver em Março no filme que lhe valeu a nomeação ao óscar - transforma-se numa super-mulher em Aeon Flux. A história passa-se no futuro, é realizada por Karyn Kusama e adaptada de uma serie criada para a MTV nos anos 90.
3587.jpg

Radu Mihaileanu filma o exodo de milhares de africanos do Sudão para Israel. Lá um jovem é obrigado a converter-se ao judaismo e acaba adoptado por uma familia sefardita francesa. Para trás ficou a sua mãe verdadeira que ele não esquece e que quer reencontrar. Va, Vis et Deviant conta com Yaël Abecassis, Roschdy Zem e Moshe Agazai num dos mais aclamados filmes franceses do ano.
3717.jpg

Para os mais novos Bambi está de regresso em Bambi 2. Brian Pimental filma a vida do jovem Bambi depois da morte da mãe, agora na companhia de outros animais da floresta. Filme para um público bastante mais novo.
3747.jpg

O Hollywood Recomenda - Uma triade de filmes muito interessantes. Walk the Line pelo espirito electrizante, Syriana pela complexidade da história, e The Three Burrials of Melquiades Estrada pelo ritmo pausado da narrativa.

O Hollywood Desaconselha - Apesar da bela Charlize, nada justifica uma viagem até ao mundo de Aeon Flux.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:07 PM | Comentários (2)

Fantas2006 - No ano passado foi assim..

Vincenzo Natali é já uma das maiores referências do Fantas. No ano em que se festejaram as bodas de prata, o grande vencedor do Fantasporto foi Nothing, o terceiro filme do canadiano premiado no certame, a concentrar as atenções. Mas houve mais. Chan-Woo Park seduziu o juri da Semana dos Realizadores, enquanto que Park Heung-shik foi o grande campeão no Orient Express...
nothingz1021.jpg

A mais bem sucedida edição de sempre do Fantas teve um palmarés marcado igualmente pelo cinema alternativo norte-americano. Bubba Ho-Tep de Don Coscarelli venceu o prémio do Jurí e Bruce Campbell foi eleito o melhor actor, ao interpretar um inesquecivel Elvis Presley. A também norte-americana Karen Black foi a melhor actriz por Firecracker.
Oldboy e Sideways dividiram as atenções da Semana dos Realizadores mas foi Chan-Woo Park a sair vencedor com a sua segunda obra da trilogia da vingança. Este ano completa a trilogia com Sympathy for Lady Vengance. Payne e Paul Giamatti foram também premiados pelo seu trabalho na comédia indie. Outro filme que depois faria sucesso junto do público foi Saw, premiado no festival pelo seu notável argumento.
Les Revenants foi igualmente premiado pelo juri e eleito a escolha do Fantas ao prémio Melies de Ouro. Para o Melies de Prata a vitória - que também se repetiu entre as curtas do festival - foi para Le Dernière Minute.
oldboy90.jpg

Naoto Kamazawa foi eleito o melhor realizador por Birthday, enquanto que Park Heung-Shik brilhou na secção Orient Express com o seu My Mother the Mermaid. O filme Vital foi outro dos premiados na secção que contribuiu para alargar ainda mais o conjunto de filmes fantástico vindos directamente da Ásia para o público português.
Mais alternativo do que propriamente voltado para o cinema gore ou de terror, a 25º edição do Fantas ficou ainda marcada pelos problemas financeiras que dificultaram a organização de um festival onde se viram mais de 200 filmes, muitos dos quais com lançamento posterior para o circuito comercial nos meses seguintes.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:35 PM | Comentários (0)

Oscares 2005 - No ano passado foi assim...

Quando todos coroavam Martin Scorsese pelo seu The Aviator, surgiu Clint Eastwood. Num autêntico k.o. técnico o realizador derrotou mais uma vez as ambições de Scorsese levar a estatueta dourada para casa. Million Dollar Baby foi o grande vencedor, numa noite emocionante que o Hollywood cobriu do primeiro ao último minuto...
2004222.jpg

The Aviator tinha vencido os Globos de Ouro. Mas Million Dollar Baby estava a crescer, demasiado depressa para o filme de Scorsese o apanhar. Apesar de ter chegado á cerimónia com menos nomeações (7 contra 11), o filme tinha mexido com os sentimentos dos membros da Academia. E não era por menos!
Ao contrário do biopic ligeiro, bastante afastado dos habituais retratos de Scorsese, que foi The Aviator, havia um dramatismo contido e uma beleza poética em Million Dollar Baby.
Para outros a surpresa poderia ter sido Sideways. O filme indie de Alexander Payne foi o campeão dos prémios da critica, mas a ausência de Paul Giamatti, pelo segundo ano consecutivo, tinha fragilizado o filme, que acabaria por recolher apenas uma estatueta, a de melhor argumento adaptado.
No final da noite The Aviator transformou as suas 11 nomeações em cinco óscares. Mas áparte a vitória de Cate Blanchett - esperada, mas injusta - todas as restantes vitórias foram em categorias técnicas. Scorsese acabou derrotado por Eastwood. O jovem Leonardo diCaprio não teve andamento para Jamie Foxx, e o prémio de Melhor Filme acabou por ir mesmo para MDB. Com quatro estatuetas, onde estavam ainda as vitórias de Hilary Swank - o seu segundo óscar - e de Morgan Freeman, com direito a uma grande ovação, o filme da Warner Bros não venceu mais óscares que a aposta da Miramax. Mas acabou por triunfar nas categorias mais importantes.
2004111.jpg

As vitórias de Foxx, Swank, Blanchett e Freeman eram esperadas, e pela primeira vez o SAG e os óscares ficaram em acordo, apesar do elenco de Closer ter merecido algo mais. Sideways foi apenas premiado no argumento e Finding Neverland venceu unicamente o óscar de melhor banda sonora. Ray, o outro filme nomeado na categoria principal, acabou por levar dois óscares para casa.
Quem também saiu premiado foi Charlie Kauffman. O wonderboy argumentista triunfou pelo trabalho original em Eternal Sunshine of the Spotless Mind, uma vitória que já tardava. Alejandro Amenabar viu também o seu Mar Adentro triunfar na categoria de Filme Estrangeiro, isto enquanto The Incredibles confirmava que a Pixar era uma máquina ganhadora, impossivel de travar.
2004333.jpg

Numa cerimónia polémica pela mudança do formato da entrega de alguns prémios (uns directamente no lugar, outros com todos os nomeados em palco), a apresentação do estreante Chris Rock não agradou a gregos e a troianos, e o humorista nem foi convidado para repetir a dose. Mesmo assim houve bons momentos de humor, e discursos emocionados, numa cerimónia que voltou a perder audiência, especialmente junto dos mais jovens. Estranho já que esta foi uma das mais imprevisiveis cerimónias dos últimos anos, apesar do Hollywood ter acertado em todas as doze principais categorias. Resultado de uma cobertura exaustiva que começou em Novembro e se prolongou diariamente até ao dia da entrega dos prémios, onde, minuto a minuto, o Hollywood foi cobrindo a cerimónia mais importante do ano cinematográfico. Como acontecerá igualmente este ano!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:41 PM | Comentários (0)

fevereiro 14, 2006

Brokeback Mountain - Coragem com limites!

Quando um filme tem como premissa uma história de amor entre dois homens, tem de se dizer que este é um filme corajoso. Pela oposião que certamente encontra em vários sectores da sociedade. Pela quase total falta de antecedentes na indústria cinematográfica. E também, pela dificuldade em arranjar quem se comprometa com o projecto, de corpo e alma. Brokeback Mountain é por isso um filme corajoso. Mas quando o filme começa, tudo isso desaparece. Até a própria coragem...
Filme de bback.gifbback.gifbback.gif
bbm120.jpg

O problema de Brokeback Mountain é exactamente esse.
Houve coragem - de louvar, registe-se - para avançar com um projecto inédito. Inspirado num conto de Annie Proulx, publicado na New Yorker, Brokeback Mountain é a história de um amor impossivel entre dois homens, que primeiro têm de viver com a dificuldade de aceitar o seu amor, e depois, com a impossibilidade de o assumirem. Esse é o conto, essa é a premissa do filme. Só que ainda não tinhamos chegado a metade do filme e já a história se tinha esgotado. A premissa desvanecia-se em lugares comuns e não havia capacidade de se desenvolver a ideia. Porquê, se a base era tão audaz e permitia sonhar tão alto? Simplesmente porque não houve coragem.
A realização de Ang Lee é poética, é certo. Planos belissimos, com uma fotografia estilo cartão postal (não andassem eles por lá, de um lado para o outro), e uma sucessão de imagens da natureza, intercaladas com um amor contido, que não pode ser expresso por palavras, sob pena de se tornar vulgar. E tudo isso, de forma repetitiva até aos limites da exaustão. E depois, o final apressa-se, sob um pretexto tão esperado como inócuo, para terminar de forma completamente despropositada.
Resumindo, a verdade é que poucos teriam a coragem de ser Ennis e Jack. Poucos teriam a sensibilidade de Ang Lee a dirigir um filme tão contido. Mas ninguém soube ir mais além, fazer desta história de amor o que ela devia ter sido...uma história de amor!
bbm130.jpg

Porque se o amor homossexual nunca foi tratado em lado algum como foi, vezes conta, o amor heterossexual, também é verdade que isso não acontece em Brokeback Mountain, o filme que mais além conseguiu ir, sem ser crucificado por isso. Mas a verdade é que não foi arrasado, como se esperava, por isso mesmo. Por ter tido a sensibilidade, face ao grande público, de ser o mais contido possivel.
Entre Jack e Ennis não há um amor visivel. Há silência, troca de olhares, frases secas, mas pouco mais. Não há paixão, arrebatamento e verdadeira emoção. Quem esperava um Romeu e Julieta gay, sai desiludido. Há quase que um medo em explorar o que deveria ser uma história de amor. Trágica, é certo, mas, apesar de tudo, uma história de amor. E foi essa falta de coragem, de vontade de chutar de vez contra todos os preconceitos, que fez com que o filme fosse o enorme sucesso que tem sido. Ao não pisar o risco, ao viver do bom senso de mostrar o quanto baste deste "amor", Brokeback Mountain conseguiu agradar a gregos e a troianos. Por um lado, á comunidade homossexual que finalmente se viu retratada no grande ecrãn, com o destaque que lhes é habitualmente vedado. Por outro lado, a razão dos prémios, nomeações, triunfos, deve-se a essa mesma sensibilidade, que permite que o público mainstream goste do filme, sem ter de se preocupar com o facto de em vez deste ser um filme boy meets girl, mas sim um boy meets boy.
bbm140.jpg

E se Jake Gyllenhall é mais do que se esperava dele, e Heath Ledger bem menos do que se dizia, isso funciona um pouco como reflexo do filme. Sendo Gyellnhall o galã sedutor, aquele que despoleta tudo, mas também aquele que cai em desgraça, vitima da sua diferença, seria natural que num filme como poderia ter sido Brokeback, ele ficasse em segundo plano. E nesse caso seria o amargurado Heath Ledger, o cowboy que não queria ser gay mas que descobriu que não vivia sem o amor de Jack, a figura central. Mas não é isso que vemos. Gyllenhall é sempre o elemento mais forte em cena, mais sincero, mais apaixonado. E Ledger esconde-se por detrás de um underacting levado ao extremo, chegando mesmo ao exagero em alguns pontos. E as pontuais explosões de raiva não funcionam como escape de uma personagem bem mais profunda.
Ambos os actores foram imensamente corajosos em abraçar o projecto, e ambos estão bem em cena. Mas tal como filme, o seu desempenho sabe a pouco. E o mesmo acontece com Michelle Williams e Anne Hathaway, as suas esposas enganadas, que são quase rotuladas de forma esteriótipada, sem quase nenhuma expressão emocional. Salva-se Michelle Williams, mas mesmo assim é muito pouco para quem tem sido um dos nomes mais elogiados do ano.
E fica Ang Lee como ponto perfeito de comparação com a história. Imensamente sóbrio, sem nunca arriscar uma cena - excepto a ida ao México de Jack Twist, que termina com uma caminhada rumo á penumbra memorável - o cineasta realiza de forma muito poética, bonita e limpa. Mas sem arrojo e inovação. E neste filme que se estende, muito para além do que seria aconselhável, a própria banda sonora a dois tons de Gustavo Santaollala acaba por espelhar a monotonia de uma história que nesse aspecto ainda deve muito a um Last Picture Show ou a um The Misfits, esses sim, filmes fulcrais para perceber o Oeste abandonado dos anos 60.
bbm150.jpg

No fundo Brokeback Mountain é uma imensa desilusão.
Porque parecia ter chegado a altura em que o cinema dizia basta aos preconceitos sociais, e abraçaria um filme completamente fora dos padrões mainstream. Quem não tinha visto o filme, acreditava que era isso mesmo que estava a acontecer, desde a vitória em Veneza até ás nomeações aos óscares. Mas não.
O filme é belissimo, na forma como a imagem e os cenários são enquadrados numa história simples, crua e directa. Demasiado crua, demasiado directa. A contenção/explosão dos amantes merecia mais, muito mais. As mulheres das suas vidas também não mereciam cair em estereótipos. No final de contas, é preciso ser-se intelectualmente honesto. Se este filme não fosse um filme sobre um amor homossexual, ninguém lhe prestaria atenção. Se fosse mais um melodrama romântico de Hollywood com duas jovens promessas, mas em modelo boy meets girl, o mais provável era ver-mos a critica e a indústria rotulararem o filme como se ele fosse apenas "mais do mesmo". E seria, porque a história não trás nada de novo. Brokeback Mountain será sempre mais do mesmo, porque quando chegou a altura de ser diferente, o filme preferiu ser igual a tantos outros. E só porque um filme narra o amor de dois homens, isso não faz dele um filme especial. E Brokeback Mountain poderia ter sido um marco histórico.
Mas não foi!

Classificação - bback.gifbback.gifbback.gif

O Melhor - A primeira hora do filme. A partir daí o modelo esgota-se, a monotonia instala-se e o filme perde-se!

O Pior - A cena final e a falta de coragem para aprofundar mais uma história com imenso potencial.

Curiosidade - Gus Van Sant esteve muito tempo ligado a este projecto, mas acabou por ser Ang Lee a ficar com a direcção do filme.

Site Oficial - www.brokebackmountainmovie.com

Realizador - Ang Lee
Elenco - Heath Ledger, Jake Gyllenhall, Michelle Williams, ...
Produtora - Focus
Classificação - m/16
Duração - 134 m

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:15 PM | Comentários (14)

Óscares 2005...a contagem decrescente

Depois dos nomeados terem sido conhecidos, o mundo dos óscares acalmou. Mas o rebuliço está de volta. A três semanas da cerimónia, o Hollywood vai começar a sua cobertura diária. Análise ás categorias, aos nomeados, á cerimónia vão ocupar as páginas do espaço português que cobre os prémios da Academia de Hollywood do primeiro ao último minuto.
Uma cobertura que começará amanhã e terminará dia 6, com a análise de tudo o que aconteceu na noite mágica do cinema.
Porque tudo o que querem saber sobre os mais importantes prémios de cinema no Mundo, encontram aqui!
00hollywoodnososcaresa2.jpg

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:10 PM | Comentários (0)

Scott+Washington+Crowe= American Gangster

Esta é uma equação que se pode tornar real no próximo ano.
Ridley Scott, de quem falamos há pouco dos seus próximos projectos, pode pegar em American Gangster. O filme andou nas mãos de Brian Gazer e procura agora um estúdio, isto depois da Universal ter desistido da ideia. Gazer, produtor habitual de Ron Howard, pode encontrar em Ridley Scott o realizador certo para dirigir a história da ascensão e queda de um dos reis do tráfico de drogas no Harleem dos anos 70.
No elenco poderão estar dois dos maiores gigantes da actualidade. Denzel Washington e Russell Crowe são os nomes mais falados para os papeis principais. E com um trio desta qualidade, é dificil ver alguém rejeitar o projecto.
1ridley+scott1.jpg1normal_Denzel%20Washington%20011111.jpg1russell1.jpg


Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:55 PM | Comentários (0)

O Hollywood no Fantasporto 2006

Considerado pela revista Variety como um dos 25 maiores festivais de cinema do Mundo, o Fantasporto arranca no próximo dia 20 de Fevereiro pronto a confirmar o seu mais recente estatuto.
São dez ante-estreias portuguesas, quatro ante-estreias mundiais, um cartaz de filmes que inclui os mais recentes êxitos do cinema fantástico asiático, europeu e norte-americano, e também uma maior atenção ao cinema português.
O Hollywood vai acompanhar a 26º edição do Fantasporto de dia 20 de Fevereiro a 5 de Março, com resumos dos dias do evento, análises a filmes, artigos de opinião, entrevistas, tudo num dossier completo para os adeptos do maior festival de cinema fantástico português, e um dos maiores do mundo.
fantashollywoodposter1.jpg


Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:11 PM | Comentários (1)

Bórgia cancelado

O sonho de Neil Jordan voltou a ser adiado.
Bórgia, o filme que o cineasta irlandês sempre quis fazer, foi cancelado por problemas de produção. Custos elevados e agendas complicadas por parte dos dois cabeça de cartaz do filme, Scarlett Johansson e Colin Farrell, cancelaram o projecto sobre uma das mais polémicas familias da história.
Esta foi a terceira vez que o projecto de Jordan foi cancelado. O realizador procura agora o sucessor de Breakfast on Pluto´s, o seu mais recente sucesso.
neiljordan2.jpg

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:29 PM | Comentários (0)

fevereiro 13, 2006

Primeiro poster de World Trade Center

É um dos filmes mais esperados do próximo ano, não fosse o primeiro a viajar até 11 de Setembro de 2001, altura dos ataques ao World Trade Center.
O titulo do novo filme de Oliver Stone é mesmo esse, e agora foi divulgado o primeiro poster oficial da produção que conta com Nicholas Cage no principal papel.
O filme conta com alguns bombeiros passarão as horas de terror, desde o primeiro ataque ás Torres Gémeas até ao desmoronar da segunda torre. Um filme poderoso e polémico, com estreia para o final do ano.
news-tease-worldtrade.jpg

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:01 PM | Comentários (0)

fevereiro 12, 2006

Aquelas Frases...

"King Kong ain´t got shit on me!"

Denzel-Washington---Training-Day--C10104195.jpg

in Training Day

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:31 PM | Comentários (0)

CANTOS DO MUNDO - ÁFRICA

O início da produção cinematográfica em Angola tem como base a atracção pelo “exotismo” das paisagens, povos, costumes e culturas locais, bem como o registo do crescimento e desenvolvimento do império colonial português em África.
f1220.jpg

O Caminho de Ferro de Benguela (1913), realizado por Artur Pereira, é o primeiro registo datado de cinema em Angola. Até ao final dos anos 40, a Agência Geral das Colónias e as “missões cinegráficas a Angola”, produzem uma série de documentários – Exposição Provincial, Agrícola, Pecuária e Industrial (1923); Chipinica, Soba do Dilolo, Preparação do Café, Riquezas do Amboim, Angola Económica (1929) – e a primeira longa metragem de ficção O Feitiço do Império (1940) de António Lopes Ribeiro. Durante as décadas de 50 e 60, merecem registo documentários como Ensino em Angola (1950) de Ricardo Malheiro, Angola em Marcha (1952) de Felipe de Solms, A Terra e os Povos (1954) de António Sousa, a série Actualidades de Angola (1957-1961) de João Silva e O Romance do Luachimo (1968) de Baptista Rosa. Entre outras entidades responsáveis pelo acervo fílmico sobre o território estão o Serviço Cartográfico do Exército, o Centro de Informação e Turismo de Angola (CITA ), a Telecine-Moro e a Cinangola Filmes. O documentário Angola, na Guerra e no Progresso (1971) do tenente Quirino Simões, foi o primeiro filme português em formato 70 mm. É no período da guerra colonial que se regista o maior número de produções de ficção, com destaque para A Voz do Sangue (1965) de Augusto Fraga, Capitão Singrid (1967) de Jean Leduc, Um Italiano em Angola (1968) de Ettore Scola, Esplendor Selvagem (1972) de António Sousa, Malteses, Burgueses e às Vezes... (1973) de Artur Semedo ou Enquanto há Guerra há Esperança (1974) de Alberto Sordi. Em simultâneo, desde finais dos anos 60, os registos sobre a guerrilha anti-colonial efectuados pelo Departamento de Informação e Propaganda do MPLA e os filmes Monangambê (1971), e Sambizanga (1972), de Sarah Maldoror, inspirados em obras de Luandino Vieira, antecipam um cinema de intervenção que se vem a consolidar com a independência do país.
feiticodoimperio_0b.jpg

Com a formação intensiva de quadros na cooperativa de cinema Promocine e na Televisão Popular de Angola (TPA), o cinema começa por registar um país novo, acompanhando a mobilização popular, a condição laboral dos trabalhadores e as actividades político-militares em filmes como Sou Angolano, Trabalho com Força (1975) e Uma Festa para Viver (1976) de Ruy Duarte, Resistência Popular em Benguela (1976) de António Ole, A Luta Continua (1976) de Asdrubal Rebelo, as “Actualidades” de Sousa e Costa e os registos da equipa “Angola - Ano Zero”, formada pelos irmãos Victor, Francisco e Carlos Henriques, de grande importância para o início de uma cinematografia angolana. Dentro das estruturas estatais são criados o Instituto Angolano de Cinema (IAC) e o Laboratório Nacional de Cinema (LNC) que, em conjunto com a TPA eram os organismos responsáveis pela produção cinematográfica. Desta altura são os filmes Pamberi ne Zimbabwe (1981) de Carlos Henriques, Conceição Tchiambula (1982) de António Ole, Nelisita (1982) de Rui Duarte e Memória de um dia (1982) de Orlando Fortunato. Por motivos socio-económicos, que se reflectem na degradação das infra-estruturas e na desmotivação de realizadores e técnicos assiste-se, nos anos seguintes, a uma diminuição considerável da produção fílmica até à sua quase total paralização. Para além do filme Levanta, voa e vamos (1986) de Asdrubal Rebelo há a registar a co-produção com Cuba, Caravana (1990) de Rogélio Paris e a primeira co-produção luso-angolana, O Miradouro da Lua (1992) de Jorge António. Numa remodelação do aparelho estatal angolano em 1999, o LNC e o IAC são extintos e as suas funções integradas no Instituto Nacional das Indústrias Culturais. Em 2002 o estado angolano disponibiliza uma verba para a reabilitação do cinema. São incentivados os projectos de uma nova geração de realizadores – Maria João Ganga, Mariano Bartolomeu e Zézé Gamboa. Em 2003 é criado o Instituto Angolano de Cinema, Audiovisuais e Multimédia (IACAM) e traçado um plano para a recuperação, restauro e conservação do acervo fílmico de Angola.
na-cidade-vaziad.jpg

O IACAM, sob direcção de Miguel Hurst, actor (re)conhecido em Portugal, vai procurando, a todo o custo, juntar a gente das artes, em especial os da 7ª porque é necessário impulsionar toda essa máquina que é o Cinema.
Os incentivos dados pelo governo à Maria João Ganga e Zézé Gambôa resultaram nos filmes Na Cidade Vazia e O Héroi respectivamente. Quanto à obra de Mariano Bartolomeu ainda não foi vista nem se sabe para quando. O Comboio da Canhoca, depois de décadas e décadas, e de dinheiro conseguido, disponibilizado e gasto, resultou, em minha opinião, num filme fraco, de recursos, de matéria e até de direcção.
Estamos ainda assim esperançados que 2006 seja o ano de mais produções até porque vão surgindo parcerias quer com países de expressão portuguesa, quer com países francófonos o que de certa forma irá facilitar na produção e na distribuição das obras a serem por cá concebidas.
Oxalá que assim seja porque senão fica muito difícil escrever sobre cinema angolano, já que está muito difícil hoje, já no século XXI, fazermos parte deste mundo que todas as sextas-feiras recebe em estreia novos filmes porque aqui, salas de cinema só mesmo uma. Acreditem…

Edson Macedo

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:59 PM | Comentários (14)

Freeman é Ellington

Duke Ellington, um dos maiores génios de sempre da música norte-americana, vai ter direito a um biopic.
O modelo bem sucedido vai repetir-se agora acompanhando a viagem de Duke Ellington ao Iraque dos anos 60, antes da chegada de Saddam Hussein ao poder.
Para viver o carismático músico de jazz foi escolhido Morgan Freeman e o realizador será Antoine Fuqua. O guião está a cargo de Jeremy Donner, e vai essencialmente analisar a forma como a digressão do músico foi uma manobra de fachada para a CIA ajudar Saddam a subir ao poder no país agora ocupado por tropas norte-americanas.
1MorganFreeman.jpg

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:52 PM | Comentários (0)

Criticos de Vancouver e Londres premeiam Brokeback

Calma e tranquilamente continua a caminhada de Brokeback Mountain aos óscares. O titulo de filme mais premiado do ano já não lhe parece escapar depois dos triunfos nas associações de criticos em Vancouver e Londres.
Em Vancouver à vitória de Melhor Filme para Brokeback, juntou-se mais um triunfo para Ang Lee como realizador do ano. Philiph Seymour-Hoffman e Felicity Huffman, nas categorias principais, e Terrence Howard e Amy Adams, nas categorias secundárias, foram os outros vencedores.
Em Londres Brokeback e Lee repetiram a vitória mas foram Bruno Ganz e Naomi Watts a vencerem entre os actores. Thandie Newton e Tom Hollander foram os secundários. Entre os britânicos Rachel Weisz foi a melhor actriz e Ralph Fiennes o melhor actor. Joe Wright foi o melhor realizador mas o melhor filme e produção foram para The Constant Gardener. Já o melhor guião coube a Crash e o melhor filme estrangeiro a Der Untergang.

brokeback4f.jpg

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:35 PM | Comentários (1)

fevereiro 10, 2006

Até já

O Hollywood vai tirar um fim de semana de férias alargado.
Voltamos no próximo domingo com todas as novidades do universo cinematográfico. E para a semana começam os especiais Óscares e Fantasporto. A não perder!
Até já!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:43 PM | Comentários (0)

fevereiro 09, 2006

Brokeback e Crash dominam WGA

Como se esperava, os vencedores antecipados sairam triunfantes.
Brockeback Mountain e Crash bateram a concorrência nas categorias de melhor argumento adaptado e melhor argumento original, respectivamente, confirmando o seu estatuto de favoritos para a próxima ediçao dos óscares.
O guiao de Larry McMurty e Diana Ossana bateu os rivais The Constant Gardener, Munich, Syriana e Capote enquanto que o aclamado trabalho de Paul Haggis venceu a dificil concorrência de The Squid and the Whale, Cinderella Man, Good Night and Good Luck. e ainda 40 Year Old Virgin.
Para muitos analistas os dois favoritos sentimentais para a próxima edição dos óscares são mesmo estes dois filmes. A cerimónia é a 5 de Março.
header_wga.jpg

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:44 AM | Comentários (0)

fevereiro 08, 2006

Novas imagens de Da Vinci Code

Promete ser uma das estreias mais polémicas de 2006.
A adaptação do best-seller de Dan Brown, que entre vários assuntos, fala sobre uma eventual descendência de Cristo na França da actualidade, estreia em Maio no Festival de Cannes.
O filme, realizador pelo norte-americano Ron Howard conta com Tom Hanks como Robert Langdon, o criptologista que acaba por descobrir toda a verdade sobre o Santo Graal. No elenco estão ainda Ian McKellan, Audrey Tatou, Jean Reno e Paul Bettany.
O filme terminou as filmagens e está agora em pós-produção. A estreia mundial é em Maio mas para os mais curiosos aqui fica uma nova galeria de imagens.
18473030davici.jpg

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:38 PM | Comentários (0)

O Que Estreia Por Cá - Dois Homens Apaixonados

Catalogou-se Brokeback Mountain de muita coisa. De melodrama a western gay. O filme já originou várias paródias e também já criou um movimento dentro da cultura pop. Há muito que uma frase não era tão copiada como a que Jake Gyllenhall diz a Heath Ledger, quando este o pede para o deixar. Porque apesar de tudo, Brokeback Mountain é apenas e só uma história de dois homens apaixonados...
heath_ledger13.jpg

Mais do que todos os prémios conseguidos até agora (e que não foram poucos), do bom dinheiro que o filme está a fazer, e das oito nomeações aos óscares, a importância de Brokeback Mountain reveste-se no plano social. Cinematograficamente o filme de Ang Lee é tudo o que se podia esperar de um cineasta conhecido pela sua imensa sensibilidade. Tecnicamente excelente e com uma profunda história de amor, desenvolvida por um notável elenco. Mas o facto da história de amor não ser o vulgar boy meets girls, mas sim um boy meets boy, e ainda por cima no Oeste norte-americano, traz-lhe um simbolismo que não se pode ignorar.
A questão está mesmo para além da comunidade homossexual. Está no facto de a América se ter de confrontar com mais um dos fantasmas que povoam o seu armário de temas tabus. Com este filme nada fica ao acaso. Não há elementos que tornam a história despudorada, na medida da sua particularidade. É uma história de amor como todas as outras. Só mudam os protagonistas. E Hollywood ama uma boa história de amor. Estará preparada para esta história de amor? DIa 5 de Março, a resposta oficial!
heath_ledger1lllkk.jpg

Estreiam esta semana mais quatro filmes.

E se a sua avó fosse a Mrs Robinson de The Graduate. Quando uma mulher descobre esse tenebroso segredo do passado da sua familia, e encontro o homem que fugiu com a mãe do altar, depois de ter sido amante da avó, ela entra num universo que acreditava que existia apenas nos filmes. Jennifer Anniston, Shirley McLaine, Kevin Costner e Mark Ruffalo juntam-se neste filme de Rob Reiner, Rumor Has It.
3631.jpg

Jennifer Anniston e Clive Owen encontram-se num bar, e vão para a cama. Eles são casado, e alguém soube do encontro e tirou fotos compremetedoras, capazes de destruir as suas vidas, a não ser que paguem o preço certo...vezes sem conta. Derailed é dirigido por Mikael Håfström.
3502.jpg

Two For the Money junta Al Pacino e Mathew McConaghey, num filme que passou completamente despercebido nos Estados Unidos. Filmado por D. J. Caruso, a história de um ex-jogador de futebol com um dom para adivinhar resultados, que é rapidamente explorado por um homem de negócios contratado pelas empresas de apostas. Quando o dom desaparece, começam os problemas.
3441.jpg

Dead Fish é o retrato do que pode acontecer a um individuo no pior dia da sua vida. Abandonado pela sua melhor, perseguido pelo homem a quem deve dinheiro, confundido com um assassino em serie, Abe vai ver a sua vida cair num verdadeiro inferno. Gary Oldman é o cabeça de cartaz deste filme de Charley Stadler.
g_DeadFish.jpg

La Boîte Noire é a história de um homem amnésico, que é ajudado por uma enfermeira a recuperar as recordações do acidente que o deixou vários meses num hospital. Dirigido por Richard Berry o filme conta com José Garcia e Marion Cottillard.
3667.jpg

O Hollywood Recomenda - Obviamente, Brokeback Mountain.

O Hollywood Desaconselha - O fracasso nos Estados Unidos de Two For the Money diz muito sobre o vazio narrativo do filme onde Al Pacino anda perdido.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:26 AM | Comentários (0)

fevereiro 07, 2006

O novo Bond em acção

O site Getty Images conseguiu as primeiras imagens da rodagem de Casino Royale, o 21º filme de aventuras do mais conhecido agente secreto do mundo.
Daniel Craig estreia-se como James Bond mas as filmagens começam com o pé esquerdo. Até ao momento nem o vilão principal nem a bond girl Vesper Lynd têm actores contratados. Depois de muitos rumores e recusas para ambos os papeis, a produtora está a ter dificuldade em arranjar nomes sonantes que aceitem embarcar em mais uma viagem repleta de aventuras e sensualidade para o popular 007.
O filme está a ser rodado em Praga e nos estúdios de Londres, e será dirigido por Martin Campbell.
55921496bond007.jpg

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:47 PM | Comentários (0)

fevereiro 06, 2006

Casting completo e filmagens prestes a começar para o Potter V

Depois do sucesso dos seus antecessores, muita expectativa está criada á volta de The Order of Phoenix, o quinto filme de aventuras de Harry Potter a ser adaptado para o grande ecrãn.
As filmagens começam hoje e o elenco mantem as caras de costume, mas com novidades. Imelda Staunton, Helen McCory, Natalia Tena são algumas das novidades. O destaque vai no entanto para a jovem de apenas 14 anos, Evanna Lynch. A pequena actriz bateu 15 mil rivais para o papel de Luna Lovegood e junta-se assim ao elenco juvenil composto por Daniel Radcliff, Emma Watson e Rupert Grint.
Com direcção de Peter Yates o quinto filme da saga conta as aventuras porque Harry e os seus companheiros passam, após a descoberta de que Lord Voldemort está vivo e a preparar o seu regresso. Com um final trágico e drama constante, este é um dos mais aclamados livros da autora J.K. Rowling e uma das estreias mais interessantes de 2007.
newspic249.jpg

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:55 PM | Comentários (0)

Sean Penn volta á realização

Depois do desastroso The Promisse, Sean Penn vai voltar a realizar.
O actor apaixonou-se pela história de Christopher McCandless, um jovem recém-formado que decide ir viver sozinho para o Alasca, para defender o mundo natural. Quatro meses depois morreu, sozinho, num autocarro abandonado. Jon Krakauer tinha já escrito um livro sobre esta história real e agora Penn adaptou o livro e prepara-se para começar a filmar.
Emile Hirsch está na calha para viver a personagem principal do filme que terá o titulo Into the Wild e cujos produtores são, curiosamente, os mesmos do sucesso Brokeback Mountain.
Sean_Penn_Chroniclesq.jpg

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:27 PM | Comentários (0)

fevereiro 05, 2006

Bardem e Lee Jones no próximo dos Coen

Chama-se No Country for Old Men, passa-se no Texas e é o próximo projecto dos irmãos Coen.
No elenco há dois pesos pesados. O espanhol Javier Bardem, que está prestes a terminar Goya, o filme de Milos Forman sobre o aclamado pintor, e ainda Tommy Lee Jones que este ano esteve em grande no Festival de Cannes com a sua estreia na realização, The Three Burrials of Melquiades Estrada.
Com guião escrito por Ethan Coen e realização a cabo do irmão Joel, a história segue um homem que foge com uma mala cheia de dinheiro, mas que é perseguido por dois assassinados, contratados para recuperar a mala e o homem que a levou sem autorização.
O filme estreará ainda em 2006.
coen_bros.jpg

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:13 PM | Comentários (0)

Aquelas Frases...

"I could've gotten more out. I could've gotten more people if I just tried harder. I threw away so much money. You have no idea. If I just... "

image002.jpg
in Schindlers List (1993)

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:09 AM | Comentários (0)

fevereiro 04, 2006

Memoirs of a Gueisha - Melodrama em terra alheia

Há em Memoirs of a Gueisha dois elementos semelhantes ao cinema dramático da Hollywood da década de 40 e 50. Por um lado o melodrama, baseado numa tocante história que tem lugar num ambiente exótico e profundamente cinematográfico. Por outro lado, é um filme sobre a ascensão a pulso de uma mulher contra todas as possibilidades. Para o filme ter tido sucesso bastava apenas que a história não se sustivesse durante mais de duas horas por um tenue fio condutor que deixa um travo amargo a desilusão no fim.
Filme de memoirs.gifmemoirs.gifmemoirs.gif
memoirsofageisha_teaser08909.jpg


A verdade é que a história de Sayuri é um verdadeiro épico humano. De uma pequena aldeia de pescadores ao titulo de mais disputada mulher do Japão, a sua ascensão social foi fulminante. Uma história dessas merece ser contado, ao contrário do que ela nos diz no inicio do filme. O problema é quando a história se desvia do interessante - o universo das gueishas, muito semelhante a All About Eve e o mundo dos palcos - para o comum melodrama, de um amor aparentemente impossivel, que depois se descobre, ser tão fácil que até nos espantam as voltas dadas para lá chegar.
Não fosse o interessante universo oriental suficiente para nos captivar, e o filme perdia todo o interesse tal a trivialidade desse romance. Mas felizmente há mais do que isso em Memoirs of a Gueisha.
O retrato do universo japonês dos anos 30 é feito com precisão geométrica, seguindo bem os moldes criados pelo romance de Arthur Golden. Não só no desenvolvimente das personagens, e no temivel tridente feminino de gueixas, mas também na própria sociedade de um Império que caminhava para o seu solsticio sem o saber.
memoirs5k.jpg

Tecnicamente o filme é impecável. O guarda-roupa criado por Coleen Attwood pode ser mais sensual do que era o original vestuário das gueishas, mas no filme ele encaixa como uma luva ás obras primas vivas da cultura japonesa. O trabalho de fotografia e direcçáo artistica é igualmente impar, tal como a banda sonora de John Williams.
A realização de Rob Marshall prima pela sobriedade. Não inova mas também não compromete, não fosse ele mais um enceador teatral do que propriamente um realizador de cinema.
Já o elenco é constituido por um excelente poker de asas, em que Ken Watanabe é de uma sobriedade impecável, Gong Li destoa um pouco pelo excesso do seu over-acting. Michelle Yeoh é a "mestre" perfeita, confirmando-se como a melhor actriz do cinema oriental enquanto que a rising star Ziyi Zhang ilumina o ecrãn com os seus olhos cor de água e os seus maneirismos apaixonantes. E é o elenco que consegue aguentar o filme, quando a narrativa descamba para o exagero melodramático.
memoirs3.jpg

No entanto a verdade é que este é um filme fadado a nunca ter sucesso.
Para os europeus será sempre um retrato mais de forma do que conteudo, modelo pouco apreciado por cá e que nem as performances de um elenco muito interessante salvam. Para os norte-americanos, como já tinha acontecido com The Last Samurai, há um claro desinteresse por um filme de uma civilização que não lhes diz absolutamente nada. Por sua vez, no Oriente, as guerras culturais condenam á partida um filme sobre o Japão com elenco chinês e malaio, uma das muitas liberdades "artisticas", toleradas cá mas imperdoáveis na terra do sol nascente.

Classificação - memoirs.gifmemoirs.gifmemoirs.gif

O Melhor - Tecnicamente é um dos melhores filmes do ano.

O Pior - O melodrama excessivo do argumento, À medida que vai tomando pulso ao filme, este vai perdendo interesse.

Curiosidade - Zhang Ziyi e Gong Li não conhecem o ingles e aprenderam as suas falas lendo os lábios dos interpretes. Só Ken Watanabe e Michele Yeoh, com experiência no cinema ocidental, nao tiveram problemas.

Site Oficial - www.sonypictures.com/movies/memoirsofageisha

Realizador - Rob Marshall
Elenco - Zhang Ziyi, Michelle Yeoh, Gong Li, ...
Produtora - Columbia
Duração - 150 m
Classificação - m/12

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:20 PM | Comentários (0)

Cantos do Mundo - ÁSIA

A história dos remakes de filmes estrangeiros de sucesso já é bastante antiga em Hollywood. Embora a maior parte dos remakes tenham sido de filmes europeus, os filmes asiáticos obtiveram também a atenção dos americanos, sendo o caso mais flagrante o da obra-prima de Akira Kurosawa, The Seven Samurai (1954) convertido num western à boa maneira americana, pelas mãos do realizador John Sturge, apenas seis anos depois, sob o título The Magnificent Seven. Todavia, nada se compara à moda actual dos remakes de filmes asiáticos, tanto em dimensão, como intensidade, publicidade ou lucro.
Untitled-TrueColor-01.jpg

Este particular interesse, que despertou um verdadeiro fenómeno à volta das películas asiáticas, teve origem em 2002, pelas mãos do produtor Roy Lee, quando apresentou Ringu, o sucesso japonês de terror de Hideo Nakata, à Dreamworks. Os direitos do filme de Nakata foram adquiridos por 1,2 milhões de dólares. A versão americana foi realizada por Gore Verbinski, sob o título The Ring e com um custo de produção na ordem dos 40 milhões de dólares. Um valor demasiado elevado para o mercado asiático, mas um custo muito menos significativo comparado com qualquer blockbuster de verão americano (entre 100 e 250 milhões de dólares).

O filme foi um sucesso fenomenal obtendo cerca de 130 milhões de dólares apenas em solo americano e mais de 230 milhões de dólares a nível mundial. Curiosamente, Ringu o original japonês que deu origem a The Ring, lucrou 6,6 milhões no país de origem, enquanto que o remake americano rendeu 8,3 milhões de dólares, apenas nas duas primeiras semanas de exibição em solo japonês (!).
Untitled-TrueColor-03.jpgUntitled-TrueColor-04.jpg

Após este sucesso estrondoso, Roy Lee granjeou credibilidade instantânea em Hollywood. Roy Lee que é um coreano-americano, residente na América, apercebendo-se do potencial que possuía entre mãos, fundou a companhia Vertigo Entertainment, juntamente com Doug Davison, que funciona como uma empresa intermediária que vende os direitos dos filmes asiáticos, em nome dos seus legítimos proprietários a estúdios americanos, para produzirem o respectivo remake.
Em 2004, Roy Lee, voltou a apresentar mais um sucesso asiático a um estúdio americano, desta vez o filme Ju-hon, de Takashi Shimizu, transformado na versão americana em The Grudge, com Sarah Michelle-Gellar como rosto principal. Apesar das críticas altamente negativas a The Grudge, o filme atingiu o primeiro lugar no boxoffice americano na primeira semana de exibição em Outubro de 2004 e curiosamente manteve-se como o filme mais lucrativo na semana seguinte, mesmo tendo em conta que estreava o aclamado Ray, de Taylor Hackford (!). Em apenas 4 semanas, The Grudge rendeu cerca de 99 milhões de dólares, ultrapassando largamente os 10 milhões de custo de produção. Co-produzido por Roy Lee, seguiu a mesma fórmula de sucesso iniciada com The Ring, ou seja, pegar num filme asiático de sucesso, manter praticamente tudo idêntico a nível de argumento e apenas substituir os actores asiáticos por caras conhecidas do grande público americano, tais como Naomi Watts em The Ring ou Sarah Michelle-Gellar em The Grudge.
Untitled-TrueColor-001.jpgUntitled-TrueColor-0211.jpg

Hideo Nakata, tal como Takashi Shimizu, acabou por lucrar através do produtor Roy Lee. Em 2005, não só viu outro dos seus filmes ser alvo de um remake, Dark Water, oferecido a Walter Salles e com Jennifer Connely no papel principal, como também teve o privilégio de ele próprio realizar em Hollywood a sequela The Ring Two, de novo com Naomi Watts e baseado no seu próprio filme japonês.
Untitled-TrueColor-031.jpgUntitled-TrueColor-04ll.jpg

De facto, em três anos, parece que nasceu uma nova forma de combater a falta de ideias reinante na 7ª arte em Hollywood, que é copiar o que de melhor é feito a nível do cinema oriental. Roy Lee, apercebendo-se do filão entre mãos, não perdeu tempo, havendo uma série de filmes que actualmente estão em produção, todos produzidos por Lee e baseados em sucessos asiáticos. Para além de The Ring, The Grudge, Dark Water e The Ring Two, já citados anteriormente, estão em marcha:
- The Lake House, com Keanu Reeves e Sandra Bullock, um drama baseado no original Coreano Il Mare. Encontra-se em pós-produção.
- The Departed, com Jack Nicholson, Martin Sheen, Matt Damon e Leonardo Di Caprio, realizado por Martin Scorcese e baseado no aclamado thriller Infernal Affairs de Hong Kong. Encontra-se em pós-produção.
- The Eye, baseado na película dos irmãos Pang, com o mesmo nome. Um dos melhores filmes de terror asiáticos recentes, cuja versão americana terá René Zellwegger no principal papel e realização a cargo de Hideo Nakata. Encontra-se em pré-produção.
- The Grudge 2, a sequela de The Grudge, mantendo-se o realizador original Takashi Shimizu e Sarah Michelle-Gellar como protagonista. Encontra-se em pré-produção.
- Oldboy, a pérola do realizador Coreano Park Chan-Wook, vencedor do grande prémio do júri no festival de Cannes, irá ser alvo de um remake homónimo americano, anunciado para 2006 e eoferecido ao realizador de Orange County, Justin Lin. My GOD!!!!
- My Sassy Girl, a comédia Coreana mais aclamada de sempre, também terá remake com o mesmo nome e realizador desconhecido. Anunciado para 2006.
- Adicted, remake do filme de terror coreano Jungdok, de 2002. Anunciado para 2006.
- Chaos, mais um flme de Hideo Nakata adaptado ao cenário americano. Desta vez é Kaosu, um thriller japonês, de 1999, que vai ser alvo da versão americana realizada por Jonathan Glazer (Birth) e com Robert De Niro no principal papel. Anunciado para 2006.
- Shutter, remake do filme de terror tailandês, com o mesmo título, uma das belas surpresas do cinema asiático recente. Anunciado para 2007.
- In-Utero, remake do filme The Eye 2 dos irmãos Pang. Anunciado para 2007.
Untitled-TrueColor-0599.jpgUntitled-TrueColor-0699.jpg


Podemos facilmente concluir que Roy Lee tem uma série de remakes para produzir que perspectivam igual ou maior sucesso no box-office americano nos próximos dois anos. De facto, Lee rapidamente se apercebeu que sendo uma fonte vasta de criatividade, o cinema asiático não vive só de películas de terror, por isso, os remakes previstos abrangem comédias, thrillers, dramas, romances, etc, ou seja praticamente todos os géneros. Aliás, para os menos atentos, o filme Shall we dance? (uma lamechice terrível com Richard Gere e Jennifer Lopez nos principais papeis) é um remake do filme homónimo japonês de 1996, tendo sido igualmente um sucesso em terras americanas. Só por curiosidade, Roy Lee, neste momento, é apelidado de “Rei dos Remakes” em Hollywood.
Resta questionar o porquê do mercado asiático ser tão apelativo para os americanos. Na 2ª parte do artigo colocarei as possíveis explicações para este fenómeno, dadas pelo próprio Roy Lee e por alguns críticos de cinema americanos e explanarei igualmente a minha opinião sobre o assunto. Todos sabemos que o cinema mundial vive uma crise e o cinema americano, em particular, sofre de uma gritante falta de ideias, o que explica de certa forma os remakes. A questão principal aqui é: Mas porquê os remakes de filmes asiáticos? Que características tornam os filmes apelativos para a audiência ocidental? Será que é possível ter o mesmo impacto transformando o filme asiático num produto ocidental?
Gostaria que manifestassem a vossa opinião, para que no próximo artigo seja contraposta com a do próprio Roy Lee e tentarmos perceber o fenómeno dos remakes de filmes asiáticos.

Sérgio Lopes
www.cineasia.blogspot.com

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:28 AM | Comentários (8)

fevereiro 03, 2006

Pride and Prejudice - Tipicamente britânico

Adaptando um dos melhores romances britânicos, este Pride and Prejudice é mais do que um filme muito agradável de se ver. É uma história de encantar, filmada com imensa simplicidade e com grande sentimento. A prova de que Jane Austen é uma das escritoras mais cinematográficas de sempre. Não acreditam? Vão conhecer Elizabeth Bennett...
FIlme de pride.gifpride.gifpride.gifpride.gif
pride_posterq.jpg

No final de contas não se sabe o que há mais em Pride and Prejudice. Se orgulho, se preconceito.
Em termos dramáticos o filme é impecável na forma como segue uma jovem, demasiado liberal para o seu tempo, na descoberta de que o amor da sua vida, é, ao mesmo tempo, a encarnação de tudo o que ela odeia. O seu preconceito mistura-se com o orgulho ferido e o resultado é uma das maiores histórias de amor da literatura, que transportada para o cinema encontra aqui um filme à sua altura.
Mr. Darcy, o homem mais impenetrável á face da terra, é na verdade um resumo de todos os homens de sonho. A sua integridade, postura, aparência e caracter não saltam á vista, mas estão lá. Ao contrário de Liz Bennett, que deita cá para fora tu o que é seu, esquecendo-se que nem todos são assim. O seu Mr. Darcy saberá conquistá-la, mas a verdade é que é ela quem percebe que o orgulho e preconceito nunca fizeram bem a ninguem, emendando a tempo, tão desventurada existência.
pride5.jpg

Keira Knightley, que consegue aqui uma surpreendente nomeação ao óscar, dá uma performance verdadeiramente luminosa, acente essencialmente no seu contagiante sorriso. Á volta dela gravita um mundo de excêntricas personagens, com destaque para os pais, interpretados muito bem por Brenda Blethyn e Donald Sutherland. Mas a grande revelação do filme é mesmo Mathew McFaydden. O papel que lançou Colin Firth, que fez a fama de Laurence Olivier, ajuda agora a lançar mais um promissor talento vindo dos palcos britânicos. Um desempenho seguirissimo e cheio de contenção, capaz de conquistar qualquer um.
Joe Wright, igualmente um rookie, vai muito bem, num filme com uma camara muito segura de si. Explorando bem o campo inglês, elemento fulcral na obra de Austen e na própria cultura inglesa, com paisagem avassadoramente belas, o filme consegue ser um perfeito retrato de época. As cenas dos bailes, com a camara em movimento, como se fosse um dos convidados mais curiosos, dá uma dinâmica que dificilmente o filme teria de outra forma. A imensa simetria de espaços é igualmente um achado, num paralelismo que se estende ao titulo e ás próprias personagens, ou seja, um verdadeiro mecanismo de complementaridade perfeita.
pride2.jpg

Pride and Prejudice é uma história

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:31 AM

fevereiro 02, 2006

Munich - Sem perdão...

Steven Spielberg encheu-se de coragem e montou uma história magistral. Não sobre os atentados de Munique ou sobre a caça ao homem que se lhe seguiu. Mas sobre as implicações que essa vendetta tiveram na vida de um individuo. Um homem que obedecia sem questionar, até ao dia em que percebeu que não há bons e maus. O dia em que tomou consciência de que o terrorismo não existe. A verdade é que é apenas um novo termo, para um outro, bem mais antigo: a guerra...
Filme de muich.gifmuich.gifmuich.gifmuich.gifmuich.gif
munich_bigearlyposterll.jpg


Cinco israelitas dormem num quarto em Atenas. Tinham acabado de cumprir mais uma etapa do seu contracto, ajudando á morte de três mentores dos ataques de Munique. Dormem, mas de olho aberto. Um barulho desperta-os. Pegam nas armas, colocam-se em posição e esperam. A porta abre. Quem quer que seja, tem a chave. O silêncio dentro do quarto contrasta com a alegre de convers de quem está lá fora. E depois, pistolas no ar. De um lado grita-se OLP...do outro ETA. Nenhum tiro silva o ar, ninguém morre. Durante uma noite, israelitas e palestinianos vivem sob o mesmo tecto. Arranjam mesmo maneira de se entender. Conversam sobre o mundo, sobre a justiça das suas causas. Mas sem saberem quem são. E quando descobrem, mais tarde, as armas voltam a estar prontas a disparar. A paz deixa de fazer sentido, quando o nome das nações fala mais alto que os próprios individuos.
Este é o ponto alto de Munich, o mais recente filme de Steven Spielberg. O filme, um dos seus melhores até à data, tem sido alvo de intensa polémica. Sem o ter visto não o podiamos ter percebido. Agora, sabemos porquê.
Mais do a questão israelo-palestiniana, Spielberg filmou esta história com dois pontos fortes. Cada qual resulta do anterior, e juntos formam a trágica epopeia de um homem que não existe, e que é pago por uma caixa de um banco da Suiça.
Porque mais do que a vendetta pessoal que Israel patrocinou após os atentados de Munique, Spielberg coloca em causa a própria ideia que hoje se tem do terrorismo.
ayelet_july_zurer6.jpg

A verdade é que vamos percebendo ao longo do filme que o terrorismo não existe. Chamar aos palestinianos terroristas é um abuso. Não chamar terroristas a israelitas, norte-americanos, soviéticos ou quem quer que seja, é uma imprecisão. A questão é que a expressão terrorista ganhou contornos muito próprios. Terrorista é aquele que desafia a ordem estabelecida. Mas o que acontece quando a ordem estabelecida riposta? Isso mesmo, terrorismo.
Ao longo do filme os agentes envolvidos percebem que o que estão a fazer é apenas matar aqueles que mataram, que por sua vez mataram porque antes alguém já os tinha morto, e assim sucesivamente até ao inicio do tempos. E para sua desgraça pessoal, percebem que ao entrar nesta espiral de violência - que no inicio aceitam por acharem justa, mas que depressa percebem que tem tudo menos de justiça - estão a fazer parte desse ciclo de violência que não tem fim. E ao perceber o seu destino trágico, de estarem sempre ligados a rios de sangue, que não conhecem país, credo ou raça, tomam finalmente consciênca de que nunca o ódio entre nações pode suplantar o próprio individuo. E é no final, quando o personagem central, o centro de todo este pathos interno, se apercebe dessa situação, que acaba por ser renegado, por aqueles para quem trabalhou. Porquê?
Porque, para eles, nada está acima da pátria. Sejam israelitas ou palestinianos, a diferença e a semelhança está aqui. Ambos lutam povo contra povo, sem pensar nos seus próprios individuos. Matam-se indiscriminadamente, porque os mandam, porque é justo, porque faz tudo parte de uma causa maior. Mas por outro lado, os individuos, tomam consciência de que são peões, e que na verdade a causa maior nunca pode ser o ódio, a guerra, a morte, porque nada disso faz sentido, quando ambos estão lado a lado a ouvir um belo tema na rádio.
munich_car.jpg
eric_bana7.jpg

E se Munich é sobre a vingança, sobre a vingança de um povo sobre um povo - os atentados - e a resposta a essa vingança com mais uma vingança - a vendetta, o interessante é ver que a espiral de violência torna os primeiros caçadores (os palestinianos), em presas ás mãos do esquadrão. E este por sua vez, passado algum tempo, acaba igualmente por ser presa fácil, porque não há herois imortais, e o assassino de hoje corre o risco de ser o assassinado de amanhã. Essa espiral faz com que o individuo - o elemento central da narrativa - entre num plano de tortura pessoal, de suspeição constante, de verdadeira paranoia. Porque a partir do momento em que se joga o jogo, começa-se a perceber as regras. Só que tomar conhecimento dessa realidade é um processo complexo que Eric Bana, o actor principal do filme vindo directamente de Troy, encarna com uma angústia extremamente convincente. E se ao longo do filme o seu caracter está em contraste com tudo o que vamos vendo surgir diante dos nossos olhos, no final ele também acorda para a realidade e entra no nosso comprimento de onda.
Bana que lidera um elenco muito low-profile mas extremamente competente, onde se destacam Cirian Hinds, Mathieu Kassovitz e Daniel Craig. Mas como em qualquer filme de Shakespeare os actores não estão para brilhar, mas para enquadrar a narrativa num perfil mais humano e individual.
munich_meetl.jpg

Mas não se pense que este Munich é um filme panfletário, anti-israelita, como se disse. Spielberg não é homem de tomar partidos. Sabe deixar aberta as portas à ambiguidade, a ambos os lados da questão. E a montagem, espaçada ao longo do filme, da morte brutal dos atletas olimpicos, deixa-nos sempre a lembrança que a falta de integridade de Israel - uma das frases mais fortes do ano cinematográfico - também existe porque do outro lado há um inimigo pronto a morrer pela terra que consideram sua.
Mas daí a comprometer os valores de toda a civilização, como diz Golda Meier e como o filme critica, do principio ao fim, vai um passo muito grande que ainda hoje o mundo não conseguiu perceber. E o próprio 11 de Setembro, a quem Spielberg pisca o olho no plano final, é um resultado dessa dicotomia. A Al Qaeda faz terrorismo...e os Estados Unidos não?

Classificação - muich.gifmuich.gifmuich.gifmuich.gifmuich.gif

O Melhor - A mensagem do filme. Não entretem mas torna-nos mais humanos.

O Pior - A montagem feita á pressa em algumas cenas e as personagens secundárias demasiado superficiais.

Curiosidade - O titulo original deste filme era Vengance.

Site Oficial - www.munichmovie.com/splash.html

Realizador - Steven Spielberg
Elenco - Eric Bana, Cirian Hinds, Daniel Craig, ...
Produtora - Universal
Duração - 175 m
Classificação - m/16

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:17 PM | Comentários (2)

Scott no Médio Oriente

Depois do bem conseguido mas impopular Kingdom of Heaven, o realizador Ridley Scott já terminou o seu projecto seguinte. Trata-se de A Good Year, filme em que Russell Crowe toma conta de uma propriedade vinicola em França.
Mas o cineasta não pára e já tem dois projectos agendados para 2007. E ambos localizados no Médio Oriente.
Penetration é um romance de David Ignatius, e conta a história de um agente da CIA que faz de tudo para capturar um alto operativo de um dos países do Médio Oriente.
O outro projecto, The Invisible World, é igualmente uma ideia de David Ignatius, e segue a história de um jornalista raptado durante a Guerra do Iraque.
ridley_scott_2.jpg

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:52 PM | Comentários (0)

fevereiro 01, 2006

Opinião - Óscares com Consciência

O orçamento não contou. As receitas do box-office muito menos. O apoio dos criticos não foi fundamental e as nomeações pelas Guilds foram mesmo secundárias. No final de contas, o que aconteceu com a Academia? Num ano fraco, a colheita final foi a mais selectiva possivel. Numa viagem aos anos 70, a Academia decidiu que 2005 seria o ano em que os óscares voltariam a ter consciência...
murrowcrop.jpg

Nem o bem sucedido Walk the Line conseguiu. Nem pensar em filmes como Memoirs of a Gueisha ou King Kong. Não. Este ano o requisito para ser nomeado para melhor filme não foi ter muitas nomeações, ou as "nomeações certas". Foi ser um filme que fizesse as pessoas pensar. Um filme de conteudo. Um filme de debate, de consciencialização.
É esse o elo de ligação entre os cinco filmes escolhidos. Brokeback Mountain, Good Night and Good Luck., Crash, Capote e Munich contam histórias. Não histórias simples, fáceis de digerir, feitas de maneira profissional mas sem alma e chama. Contam histórias sérias, sobre assuntos importantes. Histórias com sentido e significado. Da luta contra o comunismo ao amor entre homossexuais, do racismo ao terrorismo, passando pela eterna problemática da inocência, os cinco nomeados deste ano são filmes que têm algo a dizer. O que há muito não acontecia.
É preciso recuar aos anos 70 para encontrar alinhamentos tão politizados. E mesmo assim nunca nenhum ano conseguiu escolher filmes tão low-profile, tão afastados da indústria que normalmente utiliza os óscares para se auto-glorificar com grandes produções.
Ganhe quem ganhar - e apesar das oito nomeações, Brokeback tem menos vantagem do que se possa pensar - é o cinema norte-americano que vai benificiar desta escolha. Está aberta a temporada do pensamento politico no cinema, deriva natural da extremização da sociedade norte-americana após o segundo mandato de George Bush.
Como Munich e Capote conseguiram apoio para serem o melhor filme sem qualquer base entre os actores, no primeiro caso, ou nos técnicos, no segundo, é a prova de que, mesmo esses souberam distinguir, pela primeira vez em muito tempo, o importante do acessório. Para as nomeações técnicas havia filmes mais indicados do que os cinco principais. Daí as nomeações de Walk the Line, Memoirs of a Gueisha ou The Chronicles of Narnia. Mas mesmo esses membros perceberam que, apesar de na sua área estes serem as escolhas certas, no top5 final era preciso algo mais. E daí as nomeações de filmes que, num qualquer outro ano, dificilmente passariam das duas ou três centenas de votos.
untitledbbmm.bmp

Num ano extremamente politico, a Academia ignorou os money-making films. Walk the Line era visto como um Ray II, para quem não percebeu. Memoirs of a Gueisha, um dramalhão de época, muito bem feitinho mas sem alma. E King Kong, Jarhead ou The New World nunca pegaram muito no goto dos membros, não se espantando a sua ausência.
Uma tendência que dificilmente será para continuar, já que, ano após ano, a Academia tem tentado questionar a sua postura, acabando sempre por repetir os mesmos anos do passado. Apesar dos filmes profundamente politicos que 2006 nos reserva (World Trade Center, All the King´s Men), provavelmente haverá um maior sentido de escape, um sentimento de dever cumprido, que permitirá que tudo volte á habitual rotina. Até lá, as nomeações de The Constant Gardener, Capote, Crash, Munich, Good Night and Good Luck. e de Brokeback Mountain são uma vitória para aqueles que defendem que o cinema é algo mais que entertenimento. Hollywood pode não se converter a esse pensamento nunca, seria aliás uma própria antitese da sua natureza. Mas pode perceber que esse é um mundo que convém não ignorar. Depois do que aconteceu este ano, certamente que os estúdios, e os próprios profissionais da indústria, perceberam que por vezes, é preciso saber arriscar!
capotephoto1.jpg

Mais uma vez a Academia cometeu as habituais injustiças no dia das nomeações.
Scarlett Johansson ficou de fora, pelo terceiro ano consecutivo, no que parece ser um sinal da Academia de que será dificil á promissora actriz conseguir a sua primeira nomeação. Nem mesmo por um filme de Woody Allen, o realizador que mais óscares secundários femininos "ofereceu". A ausência do cineasta é também uma questão interessante. Num ano tão politico, onde pela primeira vez desde 1981 o DGA foi igual aos óscares, haveria certamente espaço para um trabalho tão provocador como foi Match Point. Uma ausência que é dificil de perdoar.
As ausências quase absolutas de Star Wars III e de temas são igualmente temas de discussão.
Depois de ter idolatrado até ao limite (só faltou o óscar principal, que esteve quase para acontecer), a primeira trilogia, a segunda foi praticamente ignorada. Esperava-se mais para o último capitulo da saga mais marcante da história do cinema nos últimos quarenta anos.
Quanto á questão dos temas, não se percebe as limitações que a Academia levanta, ano após ano, reduzindo sempre ao máximo os potenciais nomeados. A ausências de temas de Brokeback Mountain ou Walk the Line são exemplos. Com apenas três nomeados, fica a ideia de que esta categoria tem de ser repensada, rapidamente.
history-of-violence-a-20050228024728908-002.jpg

Jarhead e King Kong, e também Cinderella Man, á sua maneira, foram ausências pré-anunciadas, mas que se lamentam, tal como os desempenhos de Maria Bello, Viggo Mortensen, Robert Downey Jnr, Joan Allen, Ralph Fiennes e Peter Sasgaard. Nomes com quem, claramente, a Academia não vai á bola, como a história nos tem dado a entender.
De salutar a nomeação de Paul Giamatti. Depois de dois anos de ausência forçada, com dois soberbos desempenhos, o actor foi finalmente nomeado. Receberá o óscar? É dificil, mas possivel. Ao menos essa injustiça, a Academia soube emendar a tempo e horas!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:59 PM | Comentários (1)

O Que Estreia Por Cá - A Vingança de Munich

Vengance era o titulo original do mais recente filme de Steven Spielberg. Por razões de marketings o realizador preferiu Munich. Depois de ter sido super-favorito a filme do ano, ter descido aos infernos, e agora ter conseguido ressuscitar miraculosamente, este filme ganha contornos de vingança. Porque nem todas as guerras se travam na Terra Santa...
lllllmunivh.jpg

O lado judeu de Steven Spielberg tem destas coisas. Depois de ter feito Schindler´s List, o realizador voltou a pegar numa temática que ainda hoje mexe profundamente com Israel. Foi em Setembro de 1972 que uma unidade de soldados palestinianos capturou sete elementos da equipa olimpica de Israel. O que se seguiu foi um autêntico massacre que não deixou sobreviventes. Israel prometeu vingança e recrutou na Mossad, os seus serviços secretos, uma equipa pronta a fazer justiça pelas próprias mãos.
Munique ficou para trás, mas estaria sempre na sua memória à medida que os israelitas fossem executando os mentores dos ataques á aldeia olimpica. Mas, o que faz Spielberg? Por um lado omite eventos históricos, como as mortes acidentais perpetradas pela Mossad. Por outro, tenta viver no limbo, entre um e outro lado da barricada. Sem tomar uma posição firme, Spielberg dá razão a ambas as partes. Qual rei Salomão!
O resultado é um filme extremamente polémico, pelas suas ideias, pela orientação da história, pela própria indefinição do genero.
Eric Bana protagoniza o filme, com Cirian Hinds, Geoffrey Rush e Daniel Craig atrás de si. Mas não é no elenco que está o interesse deste filme. É na mensagem. Spielberg pede para que deixem o filme falar por si. Nada melhor que ver o filme para perceber melhor o que passa na sua cabeça...
munich_bigearlyposter000999000.jpg

Há mais três estreias nas salas nacionais esta semana.

Rent é um musical urbano de Chris Columbus, que segue o sucesso que o show teve na Broadway. Rosario Dawson, Wilson Jermaine Heredia e Taye Diggs fazem parte de um grupo de jovens em Nova Iorque que procuram afirmar-se no meio do espectáculo. Ópera-rock ao estilo de Hair, sem grande sucesso junto do público.
3694.jpg

Wolf Creek deambula entre os filmes de terror e os thrillers de suspense. Três jovens perdem-se numa visita ao Parque Nacional de Wolf Creek. Quando descobrem o homem que os pode salvar, percebem que ele quer tudo menos isso. Filme australiano de sucesso da autoria de Greg McLean.
wolfcreek.jpg

The Dark é mais um filme de terror que nos leva até dimensões parelalas. Uma jovem tem de salvar a sua filha, enquanto luta contra os seus próprios medos. O elenco tem Sean Bean e Maria Bello e a direcção está a cargo de John Fawcett. Para os admiradores do genero.
3565.jpg

O Hollywood Recomenda - Nomeado para cinco óscares da Academia, apesar de toda a polémica, Steven Spielberg é um dos mais interessantes cineastas no activo. Munich pode ser o mea culpa após o descalabro que foi War of the Worlds.

O Hollywood Desaconselha - Há shows que não cabem no grande ecrãn. A Broadway tem o seu encanto mas nem tudo o que resulta nos teatros nova-iorquinos, resulta no cinema. Rent é disso um perfeito exemplo.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:26 PM | Comentários (0)