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fevereiro 22, 2006
O Que Estreia Por Cá - A Sangue Frio
Mais um drama baseado numa história de vida. Mais um sério e provável candidato ao Óscar de melhor actor. Começa a tornar-se um hábito, depois da fantástica transformação de Jamie Foxx em Ray Charles, é agora a vez de Philip Seymour Hoffman encarnar na vida do peculiar Truman Capote, escritor de um dos livros mais famosos do séc. XX. O seu principio: a realidade, nas mãos de um escritor capaz, pode ser tão entusiasmante e apaixonante como a ficção. Capote, o escritor, conseguiu-o. Agora resta saber se Capote, o filme, o consegue também...

Capote é um filme poderoso, um filme de choques. Começa na própria personagem de Truman, um indivíduo deslocado do seu tempo e duma América fortemente conservadora e anti-gay, onde ele se ergue e constrói uma vida em sociedade, indiferente a essa discriminação. As suas obras, onde sempre se encontra algo de autobiográfico ainda que disfarçado, vão marcando a sua acção literária enquanto vai passando os seus dias na redacção da "New Yorker". Certo dia, salta-lhe à vista a estranha história de um assasínio brutal no pacato estado do Kansas, onde os valores de Deus e família são supostamente invioláveis.
Com a autorização da revista, Capote desloca-se ao local para saber mais desta estranha história que certamente merece um artigo de destaque. A visita do Nova Iorquino ao Oeste conservador é marcada pelo signo do conflito. Os seus jeitos estranhos, a sua voz fininha, a sua indumentária colocam-o rapidamente numa rota hóstil com os locais, que ele sabe gerir e ir diminuindo. A interpretação de Philip Seymour Hoffman é aqui essencial, única, e vale-lhe a mais que provável estatueta.
O seu grande aliado é o agente do FBI destacado para o serviço, Alvin Dewey (interpretado por Chris Cooper) que rapidamente é conquistado pela perserverança de Capote e o ajuda com a construção da história. Entretanto, os dois assasinos, Perry Smith e Dick Hickock - interpretados respectivamente por Clifton Collins Jr e Mark Pellegrino - são presos e Truman vira a sua investigação para estes indivídiduos, entrevistando-os recorrentemente na prisão. Aqui, a sua relação com Perry cresce, e à medida que descortina a totalidade da história, Capote apercebe-se que esta não é digna de uma pequena reportagem, mas sim de um livro fabuloso que ele se sente capaz de escrever. A trama adensas-se com revelações e ascensão do escritor em paralelo com a caminhada para a morte do único homem capaz de iluminar o último capitulo. Uma vida por um livro. A sangue frio.

Ainda esta semana, estreia...
Do britânico Stephen Frears chega-nos este Mrs Henderson Presents. Uma comédia soft que conta a história de uma recente e abastada viúva que não se sente preparada para acabar a sua vida sozinha e recostada numa poltrona. Judy Dench, candidata ao Óscar de melhor actriz por este desempenho, encontra como solução para a sua solidão a compra de um duvidoso teatro no Soho. Bob Hoskins é Van Dam, o infame encenador que ela contrata para dirigir os espectáculos que idealizara mas que este acha ridiculos. Uma história que gira em torno da interacção destas duas personagens, num quente-frio, agridoce constante com a revolução do tipo de teatro inglês como pano de fundo.

Transamerica é um filme denso, e mais um que vale uma nomeação para melhor actriz. Felicity Huffman (a grande revelação da aclamada série Desperate Housewives) é Bree Osbourne, uma transexual que vive sozinha e longe do seu passado instruído e politicamente correcto como homem, num bairro pobre de Los Angeles. Mantendo dois empregos para poder realizar a operação definitiva, é assombrada pelo surgimento de Toby, um rapaz que procura a todo custo o seu pai desconhecido. Bree compreende rapidamente que é ela o pai desse rapaz, e vai ao seu encontro, nunca revelando a sua verdadeira identidade.

Para todos os fãs do clássico Jumanji, eis que chega Zathura, uma sequela à escala planetária desse mágico jogo de tabuleiro que leva os seus destemidos ou desacautelados jogadores para uma outra dimensão. Nesta história, dois irmãos arriscam-se a lançar os dados num estranho jogo de tabuleiro para matar o tempo enquanto os pais estão fora. Mas esse lançamento rapidamente os lança para o espaço sideral junto do planeta negro Zathura onde têm que viver as situações do jogo para poderem sair e voltar a casa.

El Cielo Gira é um documentário sobre aquela que é uma realidade incontornável dos nossos dias, em Espanha, Portugal ou noutro pais qualquer. A morte lenta das nossas raízes familiares das pequenas aldeias remotas que cada ano se tornam mais desertas e mais perdidas no tempo. A narradora desta história é um desses intermináveis exemplos do êxodo rural, mas que vai regressar à procura da verdade dessa sua aldeia em melhores tempos e em busca duma infância há muito esquecida.

O Hollywood aconselha - O incontornável Capote, por todo o potencial que apresenta desde uma boa história até excelentes interpretações. Tembém pela história, Transamerica é um filme a explorar.
O Hollywood desaconselha - Zathura é um filme familiar, entretenimento básico. Melhor para um domingo à tarde na TV do que para o grande ecrã.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às fevereiro 22, 2006 12:52 PM
Comentários
Gosto da maneira como fazes as sinopses, continua assim! ^^
Publicado por: Manuel Martins às fevereiro 22, 2006 07:06 PM