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fevereiro 12, 2006

CANTOS DO MUNDO - ÁFRICA

O início da produção cinematográfica em Angola tem como base a atracção pelo “exotismo” das paisagens, povos, costumes e culturas locais, bem como o registo do crescimento e desenvolvimento do império colonial português em África.
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O Caminho de Ferro de Benguela (1913), realizado por Artur Pereira, é o primeiro registo datado de cinema em Angola. Até ao final dos anos 40, a Agência Geral das Colónias e as “missões cinegráficas a Angola”, produzem uma série de documentários – Exposição Provincial, Agrícola, Pecuária e Industrial (1923); Chipinica, Soba do Dilolo, Preparação do Café, Riquezas do Amboim, Angola Económica (1929) – e a primeira longa metragem de ficção O Feitiço do Império (1940) de António Lopes Ribeiro. Durante as décadas de 50 e 60, merecem registo documentários como Ensino em Angola (1950) de Ricardo Malheiro, Angola em Marcha (1952) de Felipe de Solms, A Terra e os Povos (1954) de António Sousa, a série Actualidades de Angola (1957-1961) de João Silva e O Romance do Luachimo (1968) de Baptista Rosa. Entre outras entidades responsáveis pelo acervo fílmico sobre o território estão o Serviço Cartográfico do Exército, o Centro de Informação e Turismo de Angola (CITA ), a Telecine-Moro e a Cinangola Filmes. O documentário Angola, na Guerra e no Progresso (1971) do tenente Quirino Simões, foi o primeiro filme português em formato 70 mm. É no período da guerra colonial que se regista o maior número de produções de ficção, com destaque para A Voz do Sangue (1965) de Augusto Fraga, Capitão Singrid (1967) de Jean Leduc, Um Italiano em Angola (1968) de Ettore Scola, Esplendor Selvagem (1972) de António Sousa, Malteses, Burgueses e às Vezes... (1973) de Artur Semedo ou Enquanto há Guerra há Esperança (1974) de Alberto Sordi. Em simultâneo, desde finais dos anos 60, os registos sobre a guerrilha anti-colonial efectuados pelo Departamento de Informação e Propaganda do MPLA e os filmes Monangambê (1971), e Sambizanga (1972), de Sarah Maldoror, inspirados em obras de Luandino Vieira, antecipam um cinema de intervenção que se vem a consolidar com a independência do país.
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Com a formação intensiva de quadros na cooperativa de cinema Promocine e na Televisão Popular de Angola (TPA), o cinema começa por registar um país novo, acompanhando a mobilização popular, a condição laboral dos trabalhadores e as actividades político-militares em filmes como Sou Angolano, Trabalho com Força (1975) e Uma Festa para Viver (1976) de Ruy Duarte, Resistência Popular em Benguela (1976) de António Ole, A Luta Continua (1976) de Asdrubal Rebelo, as “Actualidades” de Sousa e Costa e os registos da equipa “Angola - Ano Zero”, formada pelos irmãos Victor, Francisco e Carlos Henriques, de grande importância para o início de uma cinematografia angolana. Dentro das estruturas estatais são criados o Instituto Angolano de Cinema (IAC) e o Laboratório Nacional de Cinema (LNC) que, em conjunto com a TPA eram os organismos responsáveis pela produção cinematográfica. Desta altura são os filmes Pamberi ne Zimbabwe (1981) de Carlos Henriques, Conceição Tchiambula (1982) de António Ole, Nelisita (1982) de Rui Duarte e Memória de um dia (1982) de Orlando Fortunato. Por motivos socio-económicos, que se reflectem na degradação das infra-estruturas e na desmotivação de realizadores e técnicos assiste-se, nos anos seguintes, a uma diminuição considerável da produção fílmica até à sua quase total paralização. Para além do filme Levanta, voa e vamos (1986) de Asdrubal Rebelo há a registar a co-produção com Cuba, Caravana (1990) de Rogélio Paris e a primeira co-produção luso-angolana, O Miradouro da Lua (1992) de Jorge António. Numa remodelação do aparelho estatal angolano em 1999, o LNC e o IAC são extintos e as suas funções integradas no Instituto Nacional das Indústrias Culturais. Em 2002 o estado angolano disponibiliza uma verba para a reabilitação do cinema. São incentivados os projectos de uma nova geração de realizadores – Maria João Ganga, Mariano Bartolomeu e Zézé Gamboa. Em 2003 é criado o Instituto Angolano de Cinema, Audiovisuais e Multimédia (IACAM) e traçado um plano para a recuperação, restauro e conservação do acervo fílmico de Angola.
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O IACAM, sob direcção de Miguel Hurst, actor (re)conhecido em Portugal, vai procurando, a todo o custo, juntar a gente das artes, em especial os da 7ª porque é necessário impulsionar toda essa máquina que é o Cinema.
Os incentivos dados pelo governo à Maria João Ganga e Zézé Gambôa resultaram nos filmes Na Cidade Vazia e O Héroi respectivamente. Quanto à obra de Mariano Bartolomeu ainda não foi vista nem se sabe para quando. O Comboio da Canhoca, depois de décadas e décadas, e de dinheiro conseguido, disponibilizado e gasto, resultou, em minha opinião, num filme fraco, de recursos, de matéria e até de direcção.
Estamos ainda assim esperançados que 2006 seja o ano de mais produções até porque vão surgindo parcerias quer com países de expressão portuguesa, quer com países francófonos o que de certa forma irá facilitar na produção e na distribuição das obras a serem por cá concebidas.
Oxalá que assim seja porque senão fica muito difícil escrever sobre cinema angolano, já que está muito difícil hoje, já no século XXI, fazermos parte deste mundo que todas as sextas-feiras recebe em estreia novos filmes porque aqui, salas de cinema só mesmo uma. Acreditem…

Edson Macedo

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às fevereiro 12, 2006 10:59 PM

Comentários

adorei , aprecio muito a cultura angolana e torço por angola.

Publicado por: luciana nazar às setembro 25, 2006 08:20 PM

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Tive conhecimento de uma cassete de video "Esta terra de Angola" produzida por Antonio de Sousa e distribuida por Edgar Ribeiro, já há alguns anos. Gostava de saber como posso adquirir essa cassete ou até em DVD.
Os meus agradecimentos
António Teixeira

Publicado por: Antonio Teixeira às agosto 11, 2006 10:30 AM

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hoje descobri o seu comentário sobre o filme angola na guerra e no progresso,em que fiz de actor..... será possível arranjar, comprar, alugar uma cópia?
Não tenho a mínima ideia onde procurar, agradeço ajuda
Atentamente
Roberto Alves

Publicado por: Roberto Alves às março 16, 2006 06:10 PM

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Atentamente
Roberto Alves

Publicado por: Roberto Alves às março 16, 2006 06:08 PM

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