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fevereiro 21, 2006
Fantas - Dia 1
A abertura oficial é só na próxima sexta-feira, mas o Fantas já rola no Rivoli.
A abrir o dia uma viagem à Hungria dos nossos dias. A fechar, o final da trilogia da vingança de Chan Woo Park. Bem vindos ao Fantasporto 2006.

Ainda estão a ser dados os últimos retoques na organização. Bancas a serem montadas, muita imprensa a levantar as acreditações e pouco público, minutos antes de abrir não-oficialmente a 26º edição do Fantas.
O primeiro filme, Pleasant Days, também não é chamativo. Filme hungaro com legendas em francês é uma isca pouco apetecivel e o resultado é uma plateia vazia, maioritariamente composta pela imprensa acreditada. No final do filme, reacções mistas naquela que foi a primeira experiência cinematográfica do Festival.
Continuando pela tarde dentro houve viagem à Nova Zelândia com Rain, mas estavam guardados para o final da noite os verdadeiros chamarizes.
Para os amantes do cinema oriental a Secção Oriente Express trazia o aclamado Simpathy for Lady Vengeance, o terceiro capitulo da trilogia da vingança de Chan Woo Park. Sucessor de Simpathy for Mr Vengance e Oldboy, o filme foi recebido com um coro de aplausos no final da projecção. Definitivamente os amantes do Fantas dão-se bem com a obra do cineasta sul-coreano.
Para os mais nostálgicos o pequeno auditório do Rivoli passou a primeira parte do épico de Fritz Lang, Die Niebelung. Escrito por Thea von Harbou, a polémica mulher do realizador, o primeiro capitulo desta saga, A Morte de Siegfried, foi o primeiro grande épico do cinema alemão dos anos 20, na altura a viver a sua era de ouro.
Um dia com um balanço positivo. O público respondeu positivamente na sessão da noite e a organização foi extremamente competente e atenciosa num primeiro dia onde é natural não haver uma rotina de "festival".
Para amanhã a emoção e os filmes continuam, ainda sem a secção competitiva. A retrospectiva do cinema alemão traz a obra maior de Lang na Alemanha, M, e ainda o capitulo final da saga dos Nibelungos. Há ainda no pequeno auditório o primeiro filme da retrospectiva de homenagem a Bill Plympton e a comédia de Hong Kong The House of the 72 Tenants.
No grande auditório o dia arranca com A Woman Called Abe Sada, a história que inspirou o aclamado e polémico Império dos Sentidos, e prolonga-se com os filmes Angel Guts, The Other Half - com Portugal durante o Euro 2004 como pano de fundo - e Spirit Trap a fechar a noite.
O Hollywood recomenda as duas obras do brilhante cineasta alemão Fritz Lang, bem como uma espreitadela ao irreverente Vinnie Jones em The Other Half. Para os amantes de um cinema mais hardcore uma sessão continua de A Woman Called Abe Sada e Angel Guts é a opção certa.
OS FILMES DO DIA
Pleasant Days
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A coqueluche do cinema magiar, Mundruczó, teve em Pleasant Days a sua consagração internacional, em 2002. Um dos grandes vencedores da edição desse ano do festival de Locarno, o filme conta a história de três jovens húngaros totalmente desadaptados, numa cidade perdida de um país sem rumo.
O filme é cru e despudorado, do principio ao fim. Inspirado directamente na obra O Estranho de Albert Camus, há uma constante alienação nos elementos deste triângulo de jovens perdidos. A rotina do dia a dia é retratado com imenso realismo, mas os seus sonhos, devaneios e pessimismos têm todos um quê de surreal. O corpo nu – e mais do que isso, o próprio sexo – é presença obrigatória na rotina do dia a dia destes jovens.
Tratado com imensa normalidade, sem vontade de chocar ou provocar, é o sexo o elo de ligação entre os jovens, cada qual à procura de um rumo. Entre insinuações de incesto, paixões ardentes e vontade de mudança, Pleasant Days traz uma imensa ironia no seu titulo, porque há muito que há algo de podre na Hungria. Mundruczó é, acima de tudo, um fascinante cineasta de rostos, captando toda a essência das personagens com planos tranquilos das suas faces perdidas no meio do nada.
Com um desempenho muito bom de Orsolya Tóth, o filme arranca bem e aguenta-se a bom nível, apesar da rotina do dia a dia ter o seu preço na rotina cinematográfica. O final, abrupto e imperdoável, é o recado de Mundruczó. Aqui não há dias, personagens ou momentos agradáveis. É o olhar perfeito do desencanto!
Realizador : Kornel Mundruczó
Elenco : Tamás Polgár, Orsolya Tóth e Kata Wéber
Duração : 99 m

Sympathy for Lady Vengeance
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Depois de ter apresentado com sucesso os dois primeiros capitulos da sua trilogia, Chan Woo Park fecha com chave de ouro esta sua saga sobre um dos sentimentos mais primários do ser humano: a vingança.
Acusada de um crime que não cometeu, Lee Geum-Ja quer vingar-se do homem que lhe retirou 13 anos da sua vida, e também a sua filha recém-nascida. Na prisão era conhecida por ser "terna de coração", mas o seu feitio é implacável e agora está disposta a tudo para se vingar. Um filme com todo o fascinio visual de Park, quer no tratamento da imagem (primorosa fotografia), quer no trabalho de edição e montagem, recheado de magia e arrojo, este Sympathy for Lady Vengeance vai agradar sobretudo ao fãs de Kill Bill que encontrarão aqui certamente muitas semelhanças com a história da Noiva criada por Tarantino e Uma Thurman.
Sem a mesma dose de violência visual a que fomos habituados, o filme é pautado essencialmente por um humor brilhante, capaz de fazer rir a audiência mesmo nos momentos de maior tensão dramática. Um truque habilidoso que retira carga emocional a esta vendetta pessoal, que acaba por não o ser, mas que não retira o fascinio de uma história que peca apenas por adormecer demasiadas vezes e durante demasiado tempo, ao longo do filme.
Yeong-ae Lee lidera um elenco muito contido e que vive mais do conjunto de personagens do que das interpretações individuais.
Em suma estamos diante de um filme bem orquestrada, com alguma originalidade, sem no entanto perder os elos de ligação com os outros filmes do autor. Uma lufada de ar fresco que nos chega do oriente e que é o final perfeito para uma primeira de um festival que promete muito mais.
Realizador : Chon Woo Park
Elenco : Yeong-ae Lee, Il-woo Nam e Min-sik Choi
Duração : 112 m

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às fevereiro 21, 2006 01:38 AM
Comentários
Viva Tiago
Eu estou lá todos os dias a ver dois filmes por dia, pelo menos, e a fazer a cobertura. Não tenho uma agenda completamente definida porque muda conforme a ocasião. Se me vires por lá, já sabes. E quanto ao filme, eu não vou citar todos os que passam lá, especialmente os que não conheço nem vi. Falo essencialmente dos destaques. As pérolas deixo para os outros descobrirem ;-)
Publicado por: Miguel Lourenço Pereira às fevereiro 21, 2006 01:12 PM
Vi um filme que nem sequer citaste: The Eight Diagram Pole Fighter. Achei a tela do auditório excessivamente pequena, de tal forma que tive de ir para a primeira fila. Eu tenho intenções de ver alguns clássicos do cinema alemão mas se a tela for a mesma...
Já te tinha perguntado que filmes ias ver mas não me deste nenhuma informação concreta. Se quiseres posso enviar-te um e-mail com os filmes que estão na minha lista.
Abraços.
Publicado por: Tiago Teixeira às fevereiro 21, 2006 01:02 PM