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fevereiro 25, 2006

Fantas - Dia 5

O Rivoli vestiu-se de gala para a cerimónia oficial de abertura do 26º Fantasporto. Personalidades dos mais diferentes quadrantes da sociedade juntaram-se para verem Coisa Ruim, o primeiro filme português a abrir o Fantas. Isto tudo numa noite onde se pode ver o melhor e o pior da edição deste ano do festival.
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Camaras de televisão, imprensa e muito, muito público para o arranque oficial do festival.
O Rivoli esgotou por completo, num dia muito especial para o Fantas e para o cinema português. Pela primeira vez em 26 anos, era um filme português a ter honras de abertura.
Honras totalmente merecidas. Coisa Ruim é um filme brilhantemente concebido, cheio de boas ideias cinematográficas numa história fantástica, cheia de magia oculta. Um filme que vale mesmo a pena ver, e que nos mostra, mais uma vez, que o cinema português continua a ter qualidade, apesar de não ter muita expressão. Nem cá, nem lá fora...tal como Alice, se este fosse um filme norte-americano, teriamos aqui um dos filmes mais falados do ano...cá, e lá fora!
Beatriz Pacheco Pereira fez o discurso de abertura, a louvar o público, os patrocinadores e todos aqueles que fazem do Fantas uma realidade, e sob enorme aplauso a equipa de Coisa Ruim subiu ao palco principal, onde os nervosos Tiago Guedes e Frederico Serra não escondiam a emoção do momento.
Antes do filme houve tempo ainda para uma boa curta portuguesa, da autoria de Regina Pessoa, e com o apagar das luzes, começou a magia do filme de Guedes e Serra.
No final, como não podia deixar de ser, um enorme coro de aplausos, e uma aceitação enorme a um filme que se torna agora um fortissimo candidato a ser o vencedor do ano.

O pior veio depois. Com metade da imprensa e da organização a festejar o sucesso de Coisa Ruim, numa festa oferecida pela produção no Passos Manuel, os restantes espectadores ficaram com Sigaw. E não podiam ter ficado pior acompanhados, já que dificilmente haverá este ano (e noutros) um filme tão mau a passar pelo Rivoli. Risos, desistência e muito, muito sono, quebraram a magia que se tinha criado à volta da primeira grande "noitada". Para os mais resistentes ainda houve The Nun, filme de terror escrito por Jaime Balagueró (que vem fechar o festival) e dirigido por seu montador, Luis de La Madrid.

A tarde tinha sido mais calma, mas o ambiente já se começava a sentir. O grande auditório dividiu-se entre Desperate Remedies, drama neo-zelandês, A Tale of Two Sisters, um regresso ao Fantas, e Sword in the Moon, épico de artes marciais coreano. No pequeno auditório houve mais expressionismo alemão, com dois filmes magistrais - Fausto e Nosferatu - e Love, de Karóly Makk. A noite viu uma homenagem a Robert Wise, com The Day the Earth Stood Still, numa má escolha de hora - à mesma hora começava Coisa Ruim - e a noite acabou entre Zombie Kings e Masters of Horrors.
Nos outros palcos do festival, o cinema de Bollywood continuou a encantar os espectadores da Almeida Garrett, e no AMC houve Mundos Paralelos e o imperdivel Incautos. No Passos Manuel, a preparar-se para a festa de gala da noite, houve Rain a abrir.

Para hoje, sábado, há mais cinema de competição.
Agora que o festival arrancou, a sério, as expectativas aumentam.
No grande auditório a tarde começa com The Other Half, filme bem recebido na passada terça-feira, e seguem-se Adam´s Apple e Zulo, dois filmes que prometem dar que falar. Pela noite dentro há Edison, Forsbitten e Three...Extremes, mas três filmes imperdiveis no festival.
No pequeno auditório o destaque vai para a exibição de Triângulo Jota, a serie televisiva transmitida na RTP, e ainda para Master of Horrors. O resto do dia é praticamente da responsabilidade do talento criativo de Bill Plympton com The Tune e uma serie das suas curtas-metragens.
Main Hoon Na e Deewar são as obras de Bollywood em exibição na Almeida Garrett e no Passos Manuel há Street of Joy. Para terminar, no AMC, para além de Mundos Paralelos, há a exibição do épico russo The Rider Named Death.

O Hollywood recomenda uma tarde e noite bem passadas no grande auditório onde há, nada mais do que quatro filmes que vale a pena espreitar (cinco para quem perdeu The Other Half). De Adam´s Apple a Forsbitten, passando por Zulo e Edison, o dia promete ser bem passado.

OS FILMES DO DIA

Coisa Ruim

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É refrescante ver um filme português como Coisa Ruim.
Um filme que é capaz de utilizar uma estrutura cinematográfica definida - podemos dizer mesmo, uma fórmula de sucesso - mas que a consegue adaptar à nossa realidade. Todos os que conhecem o mundo rural português, conhecem terras como aquela misteriosa aldeia - da qual nunca sabemos o nome - onde "coisas ruins" aconteçaram no passado...e voltarão a acontecer.
O argumento de Rodrigo Guedes de Carvalho é delicioso, no sentido em que joga com os grandes medos do mundo rural português, e consegue estabelecer um elemento de ligação com o Portugal urbano, onde os problemas parecem ser outros. Mas na hora h, a fusão parece inevitável, e no fundo, são sempre os estranhos que trazem o mal...a não ser que ele já lá esteja, à espera da sua hora.
Arrumemos desde logo duas questões. Coisa Ruim tem tiques de cinema português. Apesar de muito bom, o argumento continua a ter falas que, ninguém diz em lado algum, e que fazem impressão ao ouvido. Mas o pior mesmo é que não consegue perder o problema do cinema nacional que é, o de se arrastar, sem ritmo, durante demasiado tempo. Um problema que parece ser impossivel de ultrapassar, por muito imaginativos que sejam os argumentistas nacionais. Com um ritmo em crescendo (a la Shyamalan, com quem o filme partilha muitas semelhanças), mas mais pausado, Coisa Ruim faz-nos entrar num mundo que existe de facto, recheado de crenças e folclore, desde o inicio dos tempos. Mas faz mais do que isso. Cria uma estrutura narrativa, recheada de pistas falsas e momentos de brilhante tensão dramática, capaz de prender o espectador e levá-lo até a um filme espantoso.
No final de contas, qualquer um percebe que, mais uma vez, "não se acredita em bruxas, mas que as há...há", mas o filme é mais do que isso. O dramatismo final - e temos um pouco de tudo, desde incesto a mortes, passando por exorcismos - não é exagerado. Há uma proporção dramática constante, que se vai mantendo, e que torna tudo ainda mais credivel. No final ajuda ter um belissimo elenco, um cenário belissimo e uma realização segurissima e extremamente imaginativa, para ter-mos aqui um dos grandes candidatos a filme português do ano. E quem sabe, a receber o grande prémio!

Realizador - Tiago Guedes e Frederico Serra
Elenco - Adriano Luz, Manuel Couto e José Afonso Pimentel
Duração - 97 m

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Sigaw

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Deste filme só se pode dizer que foi certamente dos piores filmes a passarem pelas 26 edições do Fantas. Montagem desastroso, efeitos sonoros do pior que já se viu, a somar a todos os clichés possiveis e imaginários num filme do genero, o pior de tudo neste Sigaw é que Yem Laranas nunca sabe para o que vai, como vai e como vai sair dali. Seguramente um dos piores filmes alguma vez a serem feitos, e uma boa razão para que poucas pessoas conheçam cinema de terror das Filipinas. Afinal, se este é um exemplo do que há de bom, ninguem vai querer imaginar como são os filmes maus.

Realizador - Yem Laranas
Elenco - Richard Guttierez, Angel Locsin e Jorami Yallana
Duração - 102 m

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Publicado por Miguel Lourenço Pereira às fevereiro 25, 2006 12:17 PM

Comentários

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Publicado por: funny ringtones às agosto 22, 2006 11:45 PM

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Publicado por: funny ringtones às agosto 18, 2006 01:31 PM

tirando todos os clichés, coisa ruim não passa de um filme razoavel. uma tentativa de cinema americano feito em portugal... a ver se não ganha nada no Fantas...

Publicado por: 18omin às fevereiro 28, 2006 01:39 PM

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