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fevereiro 20, 2006
The Three Burrials of Melquiades Estrada - Penitência
Tommy Lee Jones decidiu tornar-se realizador. Escolheu uma história escrita pelo conceituado Guillermo Arriaga, arregaçou as mangas, pegou na camara e começou a filmar. O resultado é um dos filmes mais irritantes e sem sentido que já passaram por Portugal nos últimos anos. Um filme onde um homem tem de fazer penitência pelo crime que cometeu. Um filme em que temos de fazer penitência só por ter-mos comprado o bilhete.
Filme de ![]()

Há muito pouco a dizer sobre este The Three Burrials of Melquiades Estrada. E o que há não é nada abonatório ao filme, ao seu argumentista e ao seu realizador.
Passar pelo Festival de Cannes e sair de lá com dois prémios importantes na mão (melhor actor e melhor argumento), era sinónimo de qualidade. Mas os detractores de Hollywood, que sempre se escudaram em Cannes como o bastião do cinema de altissimo nivel, têm de começar a analisar as suas escolhas. Porque se este filme merecia algum prémio era o de ter sido, não só o mais irritante, como o mais vazio filme feito por um actor com pretensões a realizador.
Tommy Lee Jones não é Clint Eastwood (ou Kevin Costner, ou Robert Redford, ...), e nem filma como se fosse. Mas pretende colar-se à aura dos talentosos actores-realizadores com este ensaio sobre a dor da perda e a penitência humana do crime.

Em traços gerais - porque a confusão do filme, entre o primeiro e o último enterro, com uma montagem no minimo desastrosa, pelo meio, deixa perceber pouco - há um homem, guarda florestal, que mata um imigrante ilegal mexicano sem querer. As autoridades tentam esconder o crime, mas o melhor amigo do mexicano, um solitário cowboy que tinha criado, mais do que uma amizade, uma relação pai-filho com este Melquiades Estrada, decide fazer justiça pelas próprias mãos. Rapta o guarda, fá-lo desenterrar o corpo, já em estado avançado de decomposição (uma imagem que é repetida vezes sem conta ao longo do filme, sem qualquer sentido), e juntos, os três, lançam-se a cavalo até Jimenez, a aldeia natal de Melquiades. Era lá que ele devia ser enterrado, segundo uma promessa feita por Peter, o cowboy solitário. E para ele, promessas são para cumprir.
O filme demora imenso a arrancar, porque ora vive o presente ora viaja até ao passado, com algumas cenas que pretendiam ser irónicas mas que passam ao lado do filme (o facto do mexicano ter dormido com a mulher do guarda é deixada em aberto, mas nem é deenvolvida). Quando a viagem é anunciada - sim porque o realizador não conseguiu escapar á infantilidade de separadores para dividir o filme - ritmo continua lento, lentissimo, e sem qualquer plano ou imagem fascinante. Um exercicio de sado-masoquismo, de punição, sem meias palavras, antes de chegarmos ao final. Que não poderia ter sido pior. O guião - desastroso do principio ao fim - nem consegue explorar o facto do imigrante ilegal ter mentido ao seu "fiel" amigo, durante o tempo que esteve com ele. O filme, também ele em estado de decomposição desde o inicio, é enterrado sobre o olhar estupefacto do guarda que, tal como nós, não percebe o autêntico ensaio de loucura que se desenrolara diante dos seus olhos.

O fantasma que é Tommy Lee Jones, numa interpretação tão morta como o próprio Melquiades Estrada, é compensado pela presença de Barry Pepper, mas nem este se afasta do imenso lodaçal que é o filme, do primeiro ao último minuto. Ensaio desastroso de Tommy Lee Jones, este The Three Burrials of Melquiades Estrada por ter enterrado, de vez, as suas pretensões a tornar-se um cineasta de qualidade. Por muitas Palmas de Ouro que tenha no seu curriculo.
Classificação - ![]()
O Melhor - Um filme destes não tem melhor, tem menos mau: seria provavelmente Barry Pepper.
O Pior - O argumento, a montagem, a realização, Tommy Lee Jones....
Curiosidade - O elenco teve de ler O Estranho de Albert Camus, antes das rodagens, por exigência do próprio Tommy Lee Jones.
Site Oficial - www.sonyclassics.com/threeburials
Realizador - Tommy Lee Jones
Elenco - Tommy Lee Jones, Barry Pepper, January Jones, ...
Produtora - Europa
Duração - 121 m
Classificação - m/16
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às fevereiro 20, 2006 12:27 PM
Comentários
Pelo jeito você não compreendeu nada do filme. Mas esperar o que de alguém que sequer sabe que o nome do romance de Camus é "L'Etranger", que significa "O Estrangeiro", não o "O Estranho". Se conhecesse um pouco da filosofia de Camus, Sartre e do existencialismo como um todo teria compreendido que o filme é muito mais profundo do que sua vã percepção pôde alcançar.
Publicado por: Lucas às outubro 12, 2006 10:09 PM