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março 31, 2006
The New Casting - In a Lonely Place
Para começar esta nova rúbrica dedicada ao exercício supérfulo e básico da especulação pura, o Hollywood decidiu pegar numa série de filmes - grande filmes, pequenos filmes, filmes de culto - e imaginar como seriam esses filmes feitos agora. Ou seja, os remakes que Hollywood tanto gosta. Mais, qual seria o novo casting para papeis marcados pela história. A abrir um dos meus filmes de eleição, In a Lonely Place...

É altamente provável que alguém se lembre, algum dia, de fazer um remake de In a Lonely Place (Matar ou Não Matar). Um dos maiores filmes de sempre - rivaliza com Johny Guittar como a obra suprema de Nicholas Ray - fica para a história por ter Humphrey Bogart a fazer de Humphrey Bogart. Ou seja, o seu desempenho mais perfeito de sempre. E por ter Gloria Grahame, a afirmar-se como uma sex-symbol que acabaria por não vingar no star system de Hollywood, uma espécie de Kim Novak em antecipação. O filme é também sobre Hollywood, e acaba por ser um dos marcos dos filmes noir de segunda linha (para os estúdios claro). É de 1950.
Mas, e se fosse hoje, como seria feito In a Lonely Place? E com quem?
Especulemos...
Recriar o ambiente noir de In a Lonely Place, e a Los Angeles dos anos 40 não é tarefa fácil. Mas adaptar o filme aos dias de hoje também não faria muito sentido. Ficamos com a ideia que o remake iria respeitar a baliza temporal do original. Mas, vamos divagar sobre o novo elenco. Quem seria Bogey? E Grahame? E os outros?
RICHARD STEELE
(Humphrey Bogart)
É impossível encontrar um actor que faça de Bogart como ele próprio fazia. Isso é um facto e mais vale procurar um nome que se encaixe na personagem sarcástica e intensa, do que procurar um Bogie look alike. Nesse sentido haveria alguns actores capazes de fazer esse papel . Johnny Depp daria um Dix Steele muito original. Robert Downey Jnr faria uma personagem mais cómica. Mas faltava qualquer coisa. Faltava aquele olhar imensamente sério capaz de se desdobrar, de um momento para o outro, num homem apaixonado e num homem odioso. Apesar de ser novo para o papel (a personagem estaria no final da casa dos 40), e de ter o sempre curioso sotaque britânico, com a dose certa de "hollywoodismo" no sangue, Clive Owen seria uma boa escolha para o papel. Seria um Richard Steele intenso, com humor, e com o aspecto certo para nos convencer que é capaz de desafiar o mundo. A nossa aposta!

LAUREL GRAY
(Gloria Grahame)
Uma das mais bonitas e sensuais actrizes do início dos anos 50, Gloria Grahame tem neste papel uma performance quase icónica. Ela é Laurel Gray, tanto no seu arrojo e sensualidade, como no seu humor e sofrimento. Claro que quando foi escolhida para o papel, Grahame teve de corresponder a três arquétipos base de Hollywood: loira, voluptuosa e carismática. Ela era tudo isso, e talvez mais...não se pode descobrir já que a carreira acabou demasiado cedo.
Logo, a nova Laurel Gray teria de andar pelo mesmo comprimento de onda. A escolha aqui também está longe de ser fácil, já que a escolha acabaria por pender sempre para um dos pontos mais importantes. A nossa escolha vai para uma actriz de créditos feitos, que já mostrou ser capaz de aliar beleza, sensualidade e capacidade de sofrimento de uma maneira impressionante. Falta o voluptuosa, mas isso é o que menos importa. Falo claro de Charlize Theron, a sul-africana oscarizada que teria aqui mais uma personagem que lhe acentaria como uma luva.

MEL LIPMAN
(Art Smith)
O agente sofredor e amigo eterno de Steele foi um dos highlits do filme de Ray graças ao desempenho crédulo e divertido de Art Smith. Nessa época Hollywood era conhecida por ter o maior lote de actores secundários por metro quadrado. Hoje as coisas já não bem assim, e por isso há que recorrer à velha guarda. Apesar de ser um pouco mais velho do que Smith era, Martin Landau é o homem que qualquer um gostaria de ter como agente para nos livrar dos mais chatos sarilhos.

SARGENTO BRUB NICOLAI
(Frank Lovejoy)
Conheceu Dix Steel na tropa e desde aí ficaram amigos. Uma amizade à Steele, sem grandes confianças. Frank Lovejoy encarnou o personagem de forma segura, num desempenho tipico daqueles tempos. Para hoje seria preciso um pouco mais de fleuma na personagem. Talvez um bom actor para o papel fosse James Purefoy.

CAPITÃO LOCHNER
(Carl Benton Reid)
O capitão desconfiado que transforma a vida de Dix Steele num verdadeiro inferno é uma personagem muito tipica dos anos 50 e do cinema noir, uma especie de actor que hoje não se encontra com facilidade. Kenneth Cranham, actor escocês seria uma aposta interessante.

SYLVIA NICOLAI
(Jeff Donnell)
A mulher de Brub Nicolai, estilizada por Ray como a mulher com formação profissional que fica a cuidar da casa, mas que depois faz valer a sua superioridade intelectual ao marido por tudo e por nada, foi vivida à época por Jeff Donnell, actriz de segunda linha. Um pequeno papel que não justifica muito mais, ficando bem talvez uma Bridget Moynahan.

Pensando também um pouco no orçamento de um filme destes, tentamos apostar num elenco equilibrado, relativamente barato, e apesar de não ter-mos os livros das agências com os nomes das next big things em potência, temos a certeza que este elenco nas mãos do realizador certo, honraria o filme original.
Até ao próximo mês com mais um clássico revisto e projectado apra o futuro.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:38 PM | Comentários (5)
Spiderman 3 - Verdadeiro ou Falso?
O Aint it Cool News lançou a foto. Spiderman no uniforme preto era algo que já se suspeitava desde o primeiro poster. Isto é a confirmação de Venom? De mais um filme intenso com Tobey Maguire como o "aranhiço"? Ou será apenas photoshop? Fica à consideração de cada um!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:05 PM | Comentários (7)
março 30, 2006
Mais sobre Sin City 2
Frank Miller concedeu uma entrevista à MTV onde abordou de forma ligeira alguns contornos da sequela de Sin City, onde continuará o bom trabalho de realização junto de Robert Rodriguez, demonstrando exemplarmente que uma boa adaptação de banda-desenhada deve ser feita com o seu autor atrás das cameras, em full time.
Miller comentou essencialmente o formato em mosaico da história e as suas várias analepses e prolepses, pelo que não será de estranhar vermos de novo personagens que morreram no primeiro filme em algumas partes da acção. "A história salta um pouco, mas é basicamente uma grande história, que incorpora outras histórias mais curtas que depois intercalam aqui e ali", disse o americano. O argumento, baseado nas histórias "Dama Fatal" e "Olhos Azuis", vai já bem adiantado para começar as filmagens na cidade texana de Austin.
Quanto a casting, Angelina Jolie, Salma Hayek e Rose McGowan estão em disputa pelo papel da protagonista na primeira história referida, mas na segunda história há também uma apetecível assasina cuja actriz está ainda por definir.
A intriga acabará também por contemplar alguns finais que ficaram em aberto no primeiro filme, como por exemplo a história da jovem Nancy (Jessica Alba) depois do suícidio de Hartigan (Willis). O resto do elenco que conseguiu sair "com vida" deSin City 1 deve manter-se, incluindo portanto os nomes de Clive Owen, Brittany Murphy, Rosario Dawson e Mickey Rourke.

Manuel António Martins
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:35 PM | Comentários (1)
março 29, 2006
O Que Estreia Por Cá - A neve derreteu...salve-se quem puder!
A Idade do Gelo acabou. Não o filme. A era mesmo. E com o gelo a derreter rapidamente a ameaça de dilúvio é cada vez maior. Sid, Manny e Diego têm de ir agora ao vale avisar os outros animais que está na altura de fugir...outra vez!

Carlos Saldanha regressa para mais uma hilariante viagem à Idade do Gelo. Bem, agora que o gelo começa a derreter a era glaciar está perto do fim. Mas os sarilhos para Sid, Manny e Diego não. Eles são os primeiros a perceber a catástrofe que se avizinha. Um gigantesco dilúvio que ameaça todas as especies que se salvaram na primeirra aventura, refugiando-se num vale. Por isso os três decidem que têm de voltar para trás e avisar toda a gente que é preciso fugir de novo. Agora para as terras altas, antes que a água chegue.
John Leguizamo (Summer of Sam), Dennis Leary (Thomas Crown Affair) e Ray Romano (Everybody Loves Raymond) estão de volta a dar voz ás personagens principais. Queen Latifh, Jay Leno e Sean William Scott são as contrataçõe mais destacadas para este filme. Simplesmente imperdível. Fica a questão. Será que o esquilo dentes-de-sabre come a boleta?

Há mais cinco estreias esta semana nas salas portuguesas.
Neil Jordan volta aos dramas em tom de comédia com Breakfast on Pluto. É a história de um jovem irlandês que vai para Londres em plena década de 70, e é lá onde se torna travesti e vive as loucuras da juventude sobre o fantasma do IRA e da castradora sociedade britânica. Cilian Murphy num desempenho imperdível e Liam Neeson, Brendan Gleason e Stephen Rea a completar o elenco de um dos filmes mais aplaudidos de 2005.

La Tigre e la Neve marca o regresso do aclamado comediante Roberto Benigni depois do falhanço brutal que foi o seu Pinóquio. Agora Benigni - de novo na realização e à frente das camaras - vai para o Iraque. A sua amada está lá, junto de um poeta iraquiano sobre quem escrevia, e ele viaja para o hospital onde ela foi internada depois de um atentado. Mas ela não gosta dele, e tudo resulta numa série de situações a lembrar os melhores filmes do comediante. Com Nicholetta Braschi e Jean Reno.

Just Friends junta Amy Smart e Ryan Reynolds numa comédia ligeira sobre um jovem que se apaixona pela melhor amiga na juventude. Ele era gordo, ela era a beldade da escola e ele sabia que não tinha hipóteses. Mas anos depois, quando regressa a casa, ele está diferente. Ela está na mesma. O amor está no ar. Mas será que vai correr tudo pelo melhor? Realização de Roger Kumbel.

Dare Mo Shiranai / Nobody Knows chega directamente do Japão e conta a história de de quatro raparigas cuja mãe desaparece um dia sem deixar rasto, obrigando-as a sobreviverem sozinhas. Inspirado numa história real, o filme é realizado e escrito por Hirokazu Koreeda. Os desempenhos são de Yûya Yagira, Ayu Kitaura e Hiei Kimura.

Paulo Rocha regressa com Vanitas. O filme conta a história da ascensão de uma top-model, e dos homens que a rodeiam num ciclo misterioso e altamente dramático, que leva a um esgotamento emocional intenso. Com Isabel Ruth e Joana Bárcia. Com o filme é exibida também a curta-metragem A Piscina.

O Hollywood Recomenda - O desempenho de Cilian Murphy em Breakfast on Pluto. Dos melhores do ano.
O Hollywood Desaconselha - Just Friends. É por filmes como este que ás vezes não há pachorra para a indústria cinematográfica norte-americana.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:02 PM | Comentários (7)
Blockbuster: missão impossível?
Já está online o artigo escrito por mim e pelo Léccio Rocha para o espaço Neon da edição do Y, do jornal Público, da última semana. Para os mais curiosos vale a pena ler a antevisão que o Léccio Rocha faz dos blockbusters de 2006 e a análise que é desenvolvida por mim ao próprio futuro do modelo de blockbuster. O link é este.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:05 PM | Comentários (0)
março 28, 2006
Séries de TV - Prison Break
Seguindo a linha desta rubrica, que pretende alternar semanalmente um clássico com um hit recente, o Hollywood tem esta semana o prazer de apresentar uma série que está a dar os primeiros passos ainda nos States e que por conseguinte ainda não atingiu Portugal. Prison Break, com apenas 14 episódios transmitidos até agora, corre o sério risco de se tornar a série de culto mais rápida de sempre pela onde de fãs que já arrastou um pouco pelo mundo inteiro. Entrem meus senhores, e depois tentem fugir...

M.A.M.
Uma causa antiga embrenhada num enredo genial, personagens completas, complexas e coerentes, uma crescente espiral de revelações e twists inesperados mesmo para a melhor dos thrillers de TV. Esta é uma daquelas séries que cola, não é a “soap opera” com adaptação de qualidade, em que se perdermos um episódio, o pequeno resumo do episódio seguinte servirá para nos esclarecer. Prison Break é envolvente e não permite desatenções, mas mais do que isso, é uma série capaz de nos transportar tão rapidamente para aquela prisão, que tentamos ao máximo não nos mexer ou fazer um som quando algum dos fugitivos está a fazer algo que não devia. O suspense é levado ao máximo, explorado de forma inteligente pela música e o contexto, e todos os episódios sem excepção acabam num verdadeiro momento de sufoco.

A história parte de um móbil clássico: um irmão arrisca tudo para salvar o outro. Mas...será assim tão normal que esse “tudo” inclua uma ida propositada para a prisão?
Michael Scofield (Wentworth Miller) é um homem desesperado numa situação desesperante. O seu irmão, Lincoln Burrows ( Dominic Purcell) foi condenado por um crime que não cometeu, mas do qual foi considerado culpado duma forma astuciosa, baseada em provas irrefutáveis...mas falsas. A sentença: morte, após uma pena de 6 meses. E aqui começa o contra-relógio. Michael assalta um banco para ser preso na mesma penitenciária que o irmão, com um plano completamente louco e ao mesmo tempo brilhante para os tirar de lá. Entretanto, ao mesmo tempo que prepara a sua saída lá dentro, a ex-namoradaa de Lincoln está a tentar provar a inocência do homem que a deixou taão abruptamente. Uma acção contínua e com um ritmo intenso, que se estende por dois cenários tão diferentes é uma dinâmica que poucas séries se podem dar ao luxo de dizer que conseguiram. Lembrando o ambiente no interior da prisão evocado em Shawshank Redemption, Prison Brake procura ser um pouco mais súbtil, mas consegue ainda assim passar uma imagem verdadeira da tirania dos guardas prisionais, das lutas entre grupos de presidiários, dos suburnos, da violência física e psicológica...

Michael Scofield (Wentworth Miller)
Um improvável detido, Michael era um jovem recém formado, com uma vida e trabalho estáveis, até que decide assaltar um banco. Não precisava de dinheiro, nem tão pouco estava a perder a cabeça: simplesmente queria salvar o seu irmão a todo custo, e para isso teria de sacrificar uma parte da sua liberdade. Brilhante em raciocionio matemático, em conhecimentos de química e farmacologia, Michael é a verdadeira cabeça dum plano arrojado e engendrado ao segundo para conseguir chegar a verdade.
...E Wentworth Miller é um nome a fixar.
Lincoln Burrows ( Dominic Purcell)
Preso injustamente, Lincoln é um homem solitário e resignado com a morte...até que o seu irmão o encontra na prisão e lhe revela o seu plano. Paralelamente, ganha um novo folego de vida quando reencontra o amor do seu filho, conseguindo explicar-lhe a verdade, o mesmo acontecendo com a sua ex-namorada, a determinada advogada Veronica Donovan (Robin Tunney).
Purcell é um nome conhecido nas séries da FOX, personagem principal de “John Doe” que é transmitida diariamente por esse canal.

Dentro da prisão, os dois irmãos irão encontrar um pouco de tudo. Desde o valioso Sucre (Amaury Nolasco), companheiro de cela de Michael e fiel amigo, passando por T-Bag (Robert Knepper), um racista e problemático assasino que lhes dificulta várias vezes a vida, John Abruzzi (Peter Stormare), um mafioso que se torna peça chave do plano, e o velho Westmorland, que reza a história guardou uma avolutada soma de dinheiro para quando fugisse...E para que não faltasse a presença feminina, a Dra Sara Tancredi (Sarah Wayne Callie), responsável por tratar os diabetes de Michael enquanto médica da prisão, vai-se aos poucos tornando cúmplice deste plano. E é misturando estes ingredientes humanos que o passaporte para a liberdade se escreve, de forma lenta e perigosa, mas de tal forma genial que é impossível não torcer por um bando de criminosos...
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:29 PM | Comentários (87)
Mais imagens de Casino Royale
Os produtores de Casino Royale estão a fazer de tudo para tentar convencer os fãs de que Daniel Craig é o homem certo para o papel. Mas a tarefa não está nada fácil.
Por isso mesmo têm sido divulgadas uma quantidade pouco habitual de imagens do filme. Mas a cada nova foto que é divulgada, cada vez mais o efeito é o contrário. Craig não nasceu para Bond, dizem os fãs da saga. A galeria de fotos disponibilizadas pela CineEmpire fala por si.
Casino Royale estreia em Outubro e conta, para além de Craig, com Judi Dench, Eva Green e Mads Mikelsen. A história segue o primeiro livro escrito por Ian Fleming, onde descobrimos a origem de Bond como 007.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:11 PM | Comentários (6)
Oceans 13 confirmado
Entre rumores e suspeitas falou-se sempre num terceiro filme para Danny Ocean e os seus amigos. E a verdade é que a troupe de ladrões mais cool à face da Terra estará de volta em 2007 com o filme Oceans 13.
George Clooney, Brad Pitt, Matt Damon, Don Cheadle, Bernie Mac, Casey Affleck, Eddie Jeminson, Scott Caan, Shaobo Quin, Carl Reiner e Elliot Gould estão de regresso.
Mas Julia Roberts e Catherine Zeta-Jones não. Decisão dos argumentistas que querem dar novo fôlego à história. Ellen Barkin poderá ter um papel de destaque e ninguém exclui a hipótese de ver Angelina Jolie a aparecer nos créditos.
O filme vai ter nova direcção de Steven Soderbergh (será o sucessor de Guerrilla) e argumento de Brian Koppelman e David Levien.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:04 PM | Comentários (1)
março 27, 2006
Antevisão - Ice Age: The Meltdown
Tudo começa com uma bolota. É sempre uma bolota. Uma bolota e um tenaz esquilo dentes-de-sabre, que não desiste do seu alimento preferido. E por alguma causa que só o destino pode, de forma hilariante, definir, todos os desastres ecológicos da idade do gelo parecem motivados pela busca incessante desta criatura pela refeição perfeita. E desta vez, parece que vai tudo por àgua abaixo...

M.A.M.
Manny, Sid e Diego regressam ao grande ecrã depois da primeira e bem sucedida aventura na Idade do Gelo. Nessa primeira passagem conseguiram juntar-se em prol dum objectivo comum, ultrapassando as muitas e grandes diferenças que os separavam. E como tal, constituiram um grupo forte e unido, onde as fraquezas de uns eram supridas pelos pontos fortes de outros. Afinal, é mesmo assim que deve ser quando se junta um mamute, uma preguiça e um tigre dentes-de-sabre para salvar um pequeno humano.
Agora, as coisas estão estáveis. Os três vivem pacificamente num vale, junto de outras criaturas que aprendem a respeitar o estranho trio. Mas o mundo onde habitam está a mudar: a Idade do Gelo está a chegar ao fim. Contrariamente ao que se poderia pensar, isso não parece afectar nenhum dos habitantes deste frio vale, que se deliciam com o súbito paraíso que o degelo lhes trouxe, pleno de lagos, geisers e nova vegetação.
Só que este paraíso é mais efémero do que qualquer um deles esperara, e quando o trio descobre que as paredes de gelo que cercam o vale vão inevitavelmente acabar por inundá-lo, lançam-se numa corrida contra o tempo para avisar e tentar salvar todos os habitantes do iminente dilúvio.
Nesta nova aventura, como não poderia deixar de ser, surgem novos personagens para aumentar o nível de humor e tentar auxiliar os três caminhantes: Ellie, Crash e Eddie são os novos complementos para este período de crise.

A realização de Ice Age 2 continua a cargo do seu criador, o brasileiro Carlos Saldanha, que entre os dois filmes gelados foi ainda co-realizador de um outro filme de animação, Robots, que não teve o maior dos sucessos em Portugal. A verdade é que este parece ser o seu elemento, conseguindo de forma hilariante dar corpo ao guião do também repetente John Vitti, que no entanto tem um papel maior na escrita deste do que tivera no primeiro. Quanto a outras experiências do guionista, os vários episódios que escreveu para os Simpsons são sem qualquer dúvida um bom cartão de visita.
A música está ao cargo de John Powell que já colocou o seu nome em mais de uma dezena de bandas sonoras de animação, com destaque óbvio e merecido para Shrek. Mas a sua carreira engloba também filmes muito diversos em termos de género, desde I am Sam, passando por Alfie, Mr and Mrs Smith e o recente X-Men 3.

As vozes do trio, como não poderia deixar de ser numa boa sequela de animação, continuam a cargo dos seus iniciadores: John Leguizamo ( Dr. Victor Clemente, em E.R.) é Sid, Denis Leary ( criador e intérprete de Tommy Gavin da série Rescue Me) é Diego, Ray Romano (Ray, da série televisiva Everybody Loves Raymond) é Manny. Entre as novos entradas, destacam-se três nomes, com Queen Latifah a dar voz a Ellie e Seann William Scott , o impagável Stiffler de American Pie, a emprestar as suas cordas vocais a Crash, no que promete ser hilariante. Para finalizar, a contas com um papel menor, Jay Leno será Fast Tony, um tatu com muito estilo.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:30 AM | Comentários (8)
março 26, 2006
Aquelas Frases...
"Get busy living... or get busy dying. That's god damn right."

In Shawshank Redemption
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:38 PM | Comentários (3)
março 25, 2006
Steve Zaillian escreve guião de American Gangster
Depois de muitos problemas na pré-produção de um dos filmes mais esperados de 2007, Steve Zaillian aceitou a proposta da Universal para reescrever o guião de American Gangster.
O filme, que tem Ridley Scott na direcção e dois "monstros" como cabeças de cartaz - Denzel Washington e Russell Crowe - vai começar a ser filmado no Outono, assim que Zaillian acabe de retocar o argumento. Terry George tinha sido o preferido do estúdio para escrever o argumento - baseado numa ideia do próprio Zaillian - mas o novo director e elenco preferiram a visão do argumentista, agora realizador, e sendo assim a produção fica adiada por uns meses.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:18 PM | Comentários (0)
março 24, 2006
Sweetest Frame - Um doce começo
O Hollywood tem o prazer de inaugurar esta Sexta-feira a rubrica mais doce da blogosfera. Uma vez por mês, este espaço destina-se àqueles que amam as actrizes (e actores!) na sua verdadeira essência, captando o amâgo das suas figuras e deixando as imagens falar mais do que as palavras.
As escolhas, fruto da nossa parcialidade, são consoante os filmes estreados nas últimas semanas... Por isso, se tiverem alguma paixão especial para o mês que vem, estejam atentos ao cartaz...

M.A.M.
Natalie Portman e Siena Miller... Dura escolha tivemos nós para esta semana! Por isso ficámos com as duas, já que não era nada bonito deixar qualquer uma destas senhoras de fora...
Sensualidade, erotismo, numa doçura incapaz de descrever em palavras...até ao próximo mês!






Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:42 PM | Comentários (3)
Compõe-se o elenco de Nativity
Depois de Keisha Castle-Hughes ter sido confirmada como a Virgem Maria, agora foi a vez da iraniana Shohreh Aghdashloo viver a santa Isabel, mãe de Maria, no filme Nativity. Curiosamente ambas as actrizes foram nomeadas ao Óscar no mesmo ano, 2003. Castle-Hughes por The Whale Rider e Aghdashloo por House of Sand and Fog.
São confirmações no elenco de um projecto que promete ser uma abordagem muito simples - e exacta - do Advento, período biblico que vai desde o anúncio da gravidez de Maria ao nascimento de Jesus Cristo.
O filme está a ser produzido pela New Line Cinema e terá realização de Catherine Hardwicke tendo por base o guião de Mike Rich.
Espera-se polémica na altura da estreia do filme, que será, como não podia deixar de ser, nas vésperas de Natal deste ano.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:22 PM | Comentários (0)
março 23, 2006
Confirmações
Gary Oldman está contratado para Harry Potter and the Order of Phoenix. O actor esteve em divergência com a produtora, por questões ligadas ao seu salário, e durante algumas semanas a Warner adiantou que Oldman não estaria no quinto Harry Potter, apesar da morte da sua personagem, Sirius Black, ser o ponto alto do livro. Agora o acordo foi alcançado e Oldman voltará ao papel do padrinho de Harry Potter num filme agora dirigido por Peter Yates, e cuja estreia está marcada para o próximo ano.
Harry Shearer, uma das vozes da série The Simpsons, confirmou que está em marcha um projecto que irá levar a mais conhecida família amarela da América ao cinema. O homem que faz as vozes de Nell Flandres e do reverendo Lovejoy adiantou ao Aint it Cool News que o filme está a ser feito, que já foram gravados vários diálogos, e ainda que a produção do filme não entra em colisão com a série, que renovou agora contrato para mais duas temporadas.
Shrek The Third foi o título escolhido para o terceiro capitulos de aventura do mais popular ogre verde de Hollywood. A história mostra Shrek e Fionna como governantes do reino Far, Far Away, e a tentativa de golpe de estado do Principe Charmoso, quando Shrek procura com a ajuda dos insperáveis Gato das Botas e do Burro, um sucessor legitimo ao trono. Justin Timberlake está confirmado como a voz do rei Artur, e Mike Meyers, Cameron Diaz, Eddie Murphy e António Banderas também estão no elenco do filme que terá estreia a 18 de Maio de 2007.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:39 PM | Comentários (7)
março 22, 2006
O Que Estreia Por Cá - Sedução e Imaginação
Casanova é o mais famoso sedutor de todos os tempos, e, como seria de esperar, era uma personagem boa demais para deixar indiferentes os guionistas dos nossos dias. Caras novas para uma história conhecida, o que importa começar por saber é que durante toda a sua vida este italiano soube cativar, conquistar, ter e deixar todas as mulheres que quis. Até ao dia em que conhece Francesca...

M.A.M
Ela é uma jovem veneziana que parece diferente de todas as outras. Tão diferente que, na verdade, vai conseguir recusá-lo. O que o vai estimular ainda mais, provando assim todo o seu valor..
Filme sobre a vida do mais famoso conquistador da história, Casanova (Heath Ledger) era também um exímio espadachim e mestre na arte do disfarça e engano, que usava na perfeição no seu trabalho como espião para as várias cortes europeias do século XVII. É precisamente por isso que Casanova se vai transformar num novo homem, mas por meio de esquemas e mentiras com que põem a sua vida e reputação em perigo. No entanto o preço a pagar vale a pena o sacrificio, e inevitavelmente consegue de novo aproximar-se da bela Francesca (Sienna Miller), que desta vez não consegue resistir aos seus encantos.
Filmado com sumptuosidade, o filme é dirigido por Lasse Hallstrom, que vem de um falhanço (Unfinished Life) e que tenta recuperar o seu estatuto em Hollywood, que o tem bem cotado desde Chocolat. No elenco, para além de Ledger e Miller, há ainda o veteranissimo Jeremy Irons, em mais um papel à sua medida.
Casanova não é um grande filme, como reconstituição histórica, mas é uma aventura amorosa bastante interessante.

Há mais quatro estreias esta semana nas salas nacionais.
The Nun

Seis raparigas adolescentes vivem num colégio interno, onde o seu dia-a-dia é constantemente atormentado pela rígidez e inflexibilidade de uma das freiras. Quando uma destas raparigas engravida, esta mulher vai por em prática um ritual de purificação, ao qual as restantes raparigas assistem horrorizadas.
Dezassete anos passados, cada um delas deixando o passado onde ele pertence, uma das seis mulheres é brutalmente assassinada. A filha desta, Eve, vai reunir-se com as antigas amigas da sua mãe e voltar ao convento para tentar juntar as peças ao puzzle. A direcção é de Luis de La Madrid, num filme que passou pelo último Fantasporto.
Nanny McPhee

Mr Brown (Colin Firth), recente viúvo e pai de 7 filhos, é um homem desesperado pois nenhuma das amas que contrata para tomar conta dos seus pequenos resiste naquela casa por muito tempo. Mas tudo isso muda quando uma décima oitava senhora chega e bate à porta de Mr. Brown. A Ama McPhee (Emma Thompson), personagem estranha e honestamente feia e assustadora, revela-se rapidamente a personagem ideal para resistir a todas as artimanhas e partidas das crianças, lideradas pelo influente primogénito Simon. Mas à medida que o tempo passa, a Ama revela-se mais do que uma educadora. Vai-se tornando uma amiga constante, e uma presença que, de forma mágica, ajuda a resolver todos os pequenos e grandes problemas com que se depara esta família. Notável trabalho de maquilhagem num filme dirigido por Kirk Jones que conta ainda com um elenco secundário de luxo.
V for Vendetta

A história duma Inglaterra num futuro próximo, totalmente dominada por um regime totalitário, onde um solitário aristocrata cansado daquela letargia e silêncio decide por em prática os seus conhecimentos para agir como um justiceiro, planeando explodir o Parlamento e revolucionar Londres. O auto intitulado V (Hugo Weaving) procura fazer renascer a história de Guy Fawkes, mas com um final mais feliz. No caminho, liberta uma jovem, Evey(Natalie Portman), que vai ser sua companheira nessa demanda enquanto se descobre a si mesma. Adaptação da banda desenhada de Alan Moore escrita pelos irmãos Wachowski no seu primeiro trabalho pós-Matrix. Direcçao de James McTeigue.
3... Extremes

São três filmes num só. Takashie Miike, Fruit Chan e Chan Woo-Park, três dos nomes máximos do cinema de terror asiáticos, juntaram três histórias num único filme. Dumplings, Cut e Box são os três capitulos que têm encantado os admiradores do novo cinema japonês de terror, num filme que esteve em exibição no Fantas.
O Hollywood Recomenda - Para quem procura um divertimento relaxado, Casanova é o filme ideal.
O Hollywood Desaconselha - Aos fãs de V for Vendetta, na sua versão de banda desenhada, cuidado com o dia 23 de Março. O filme pode defraudar muitas expectativas.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:13 PM | Comentários (7)
Trailer de Little Miss Sunshine
Foi um dos filmes revelação da última edição do Festival de Sundance e, conhecendo bem a indústria norte-americana, não vai ser a última vez que vamos ouvir falar deste Little Miss Sunshine.
Comédia à volta de uma família completamente disfuncional, o filme é dirigido pela dupla Valerie Faris e Jonathan Dayton, e conta com um elenco de luxo para um filme indie. Steve Carrell, Toni Collette, Greg Kinnear e Alan Arkin protagonizam esta comédia negra, recheada de momentos hilariantes. A história segue uma jovem que quer entrar num concurso de beleza e que procura o apoio de uma família que parece estar muito céptica relativamente às suas hipóteses de vitória.
O primeiro trailer do filme já está online, aqui, e a estreia nos Estados Unidos vai acontecer só a 28 de Julho. Dependente do seu sucesso no mercado americano está a estreia do filme em Portugal.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:50 AM | Comentários (0)
Marie-Antoinette na luta pela Palma de Ouro
O novo filme de Sofia Copolla foi seleccionado para a competição do próximo festival de Cannes.
Marie-Antoinnette é uma história pouco convencional sobre a jovem Maria Antonieta, que aos 19 anos é forçada a casar com o futuro Luis XVI. Em Paris vamos acompanhando a adolescência de uma jovem normal que tinha a particularidade de ser também a rainha de França. Uma biografia muito feminina, onde a tónica está na jovem rainha e na forma como teve de lidar com os muitos problemas que se lhe foram atravessando à frente, e que, como se sabe, lhe custaram a vida.
Kirsten Dunst volta a trabalhar com Copolla, depois de Virgin Suicides, e junta-se Jason Schwartzmann, primo da realizadora, no elenco do filme.
Marie-Antoinette está em competição e é um dos mais sérios candidatos na luta pela Palma de Ouro da edição deste ano do certame francês.
Ainda sem confirmação mas com presenças prováveis no festival estão Volver, de Almodovar, INLAND EMPIRE de David Lynch, Il Caimano de Nanni Moretti, Babel de Alejandro Inarritu e Time de Kim Ki-Duk, numa pré-lista avançada pelo site c7nema que deixa antever um ano de 2006 recheado de filmes imperdíveis.
A abrir o festival no dia 17 de Maio vai estar Da Vinci Code de Ron Howard. A Palma de Ouro é entregue no dia 28.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:36 AM | Comentários (0)
março 21, 2006
Poster e trailers novos para MI: 3
A estreia de Mission Impossible 3 está agendada para 4 de Maio em Portugal mas a campanha de marketing da Paramount está a funcionar já a todo o gás.
Esta semana foram divulgados mais um poster para o filme - com Ethan Hunt/Tom Cruise em nota de destaque - e mais um trailer explosivo, ao som de uma das músicas mais marcantes da história do cinema, que terá agora direito a revisão por parte de Kayne West.
J. J. Abrams, o mago televisivo de séries como Alias e Lost, dá os primeiros passos no universo de Hollywood com a terceira missão impossível de Ethan Hunt no cinema. Depois do brilhante acto de abertura, da responsabilidade de Brian de Palma, e do detestável segundo filme de John Woo, a responsabilidade é muita. Algo a que Abrams está mais do que habituado. Para acompanhar Tom Cruise nesta aventura, estão Keri Russell, Michelle Monaghan, Ving Rhames, Laurence Fishburne e Jonathan Rhys-Meyers. O vilão de serviço é o recém-oscarizado Philiph Seymour-Hoffman.
É preciso mais para abrir o apetite? Então vejam o trailer, aqui.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:33 AM | Comentários (0)
M.Séries de TV - The Simpsons
Falar de séries de TV e não falar da família mais amarela do mundo é quase um crime. Deviam mesmo ter sido os primeiros a inaugurar este espaço, por tudo o que nos têm dado ao longo dos últimos dez anos, por todas as gargalhadas de humor físico e social e genial. Por apontarem sarcásticamente o dedo a todos os podres da América (e do Mundo, para não pecarmos por redutores!) e se rirem com gosto, ensinando-nos a rir com eles, os Simpsons nunca serão esquecidos.

M.A.M
Há muitos anos atrás, quando Matt Groening começou a esboçar aquela careta reguila de Bart, estava longe de imaginar o que estava a despoletar. O mundo nunca mais seria o mesmo depois dos Simpsons sairem à rua, e isto não é uma frase feita: francamente, tentem imaginar-se sem nunca terem visto um episódio sobre o dia a dia daquela cidadezinha “banal” que é Springfield? É impossível, eu sei. Porque naquele cantinho do mundo, moram todos os cidadãos do mundo duma forma tão óbvia e tão hilariante que a realidade com que contactamos é a mesma do telejornal que passara umas horas antes (ou depois, os Simpsons hoje passam a qualquer hora!), mas vista pelo seu lado mais cómico e positivo, que nos ensina a aceitar com boa disposição o que não podemos mudar.
Já são mais de 16 temporadas, ao longo das quais a série consegue manter-se fiel a si mesma. Claro que o estilo foi mudando, de forma mais ou menos paralela às questões mundiais mais relevantes. Ou seja, a dimensão política ou social de cada temporada vai variando ao sabor do mundo, e ver episódios da época do 11 de Setembro é totalmente diferente de ver episódios das primeiras 4, 5 temporadas. Mas aí é que está parte da mágica destes Simpsons: nunca perdem a graça, nunca se tornam um humor repetitivo nem politicamente correcto.
Entretanto, Groening retirou-se para a Produção Executiva, deixando no seu lugar dois fiéis seguidores, James L. Brooks e Al Jean, que até hoje nunca deixaram ninguém desiludido e que precisamente por trabalharem com ele há já tanto tempo não conseguem falhar.

Lisa Simpson
A menina mais velha dos Simpsons leva muito de ambos os pais: de Marge, a simpatia, o respeito, o carinho e a vontade de trabalhar. De Homer, leva o nome de família. A mais inteligente e consciente da casa, senão da cidade, Lisa sente-se muitas vezes num mundo à parte pois é a única que tem a consciência moral do que realmente se passa à sua volta, e tenta até ao último fôlego defender aquilo em que acredita. Invariavelmente, consegue não o fazer, mas acaba por ensinar qualquer coisa aos que estiverem perto dela. Apesar de todo o seu bom senso e calma, Lisa tem os seus momentos de explosão as quais ninguém consegue responder, nem mesmo a peste do seu irmão Bart. Toca saxofone ao velho estilo de Springfield e, como todos os Simpsons, prova a sua existência com um amor incondicional aos cartoons na TV.

Marge Simpson
Ela é a típica Dona do Lar, mãe dos meninos, feliz com o pouco que tem. Por vezes, como tantas vezes acontece no mundo real, tenta emancipar-se e dar um novo rumo à sua vida caseira, mas no fundo chega sempre à mesma conclusão: aquela família precisa do seu bom senso, calma e compreensão, e deixar por um segundo os seus filhos (e principalmente o seu marido) sozinhos pode levar a grandes distúrbios numa já de si nuclear cidadezinha.

Bart Simpson
A par de Homer, Bart é um verdadeiro ícone pop dos anos 90 e promete perpetuar-se por mais algumas décadas. O típico bad boy da escola primária, Bart é terrivelmente mal comportado, de pensamento ausente, irascível e irresponsável. Consequentemente, é brilhante em tudo o que faz e não menos hilariante. Como todos os Simpsons, consegue ser um génio quando é preciso. Só não lhe peçam que o faça na escola, pois isso é impossível para Bart. No fundo, apesar da sua família ser um “bunch of weirdos” – o facto das suas primeiras palavras terem sido “Aye Caramba” não prova em nada que seja ele weirdo e não eles – Bart adora todos os restantes Simpsons, e eles sabem-o. E claro que ele se aproveita disso para quando é preciso...

Homer Simpson
O pai de todos os Simpsons, o símbolo da América no seu lado mais ingénuo, louco, estranho, mal educado, mobilizador, infantil, influenciável, compulsivo, impulsivo, repulsivo. Adorável. Todos gostamos do velho Homer, porque ele é tão perfeito nas suas imperfeições que se torna verdadeiramente irresistível. Ele é a imagem de Springfield em tudo o que se deve ser e não ser. De adorado pelas suas ideias insanas e astronómicas, capazes de arrastar toda a cidade atrás de si, passa rapidamente a odiado e insultado quando no final tudo corre de forma desastrosa. Era de esperar que aprendesse alguma coisa com isso. Mas graças a Deus que não aprende nunca...E já lá vão 11 temporadas...!
M.A.M
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:48 AM | Comentários (7)
março 20, 2006
Novo Batman só em 2008
Acabaram os rumores que indicavam que o sucessor de Batman Begins iria estrear já em 2007.
O presidente da Warner Bros. - companhia produtora da serie - Alan Horn confessou na ShoWest, a convenção da indústria cinematográfica norte-americana que o filme é uma das prioridades dos estúdios para 2008.
Ate lá o estúdio vai pensar num argumento - que deverá incluir mais do que um vilão - e no elenco, sendo quase certo que Christian Bale deve voltar como Bruce Wayne.
O filme voltará a ser dirigido por Christopher Nolan - que está a rodar The Prestige - e Gary Oldman, Morgan Freeman, Michael Caine e Katie Holmes são nomes que provavelmente estarão também de regresso para mais um filme do Homem-Morcego.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:24 PM | Comentários (4)
Antevisão - V for Vendetta
Façam uma viagem até ao futuro, a uma Londres reconhecível, mas escura. Onde todos os vestígios de uma metrópole saudável e rica em pensadores livres e artistas e criadores e escritores não passa disso, exactamente: um vestígio, uma memória longínqua. Mas há sempre quem se lembre do passado melhor do que a maioria...e acabe por arrastar minorias. Querem entrar? Procurem o V na parede.

M.A.M.
Inspirado numa graphic novel dos anos 80, que num pequeno número de edições conquistou um nicho de culto e está nas prateleiras de história da DC Comics, V for Vendetta é uma adaptação bem trabalhada e rigorosa da história com o mesmo nome criada pelos autores Moore e Lyod.
Londres vive presa num espartilho totalitário, é uma sociedade totalmente controlada e onde a apatia da população parece alimentar-se a si mesma. É com este cenário como pano de fundo que conhecemos as duas principais personagens do filme. Evey (Natalie Portman) é salva numa situação de vida ou morte por um estranho indivíduo mascarado, que se auto-intitula V (Hugo Weaving). Como seria de esperar, o enredo gira em torno desta personagem, descrita como sendo realmente complexa, erudita, um intelectual tipicamente britânico, com conhecimento vasto nas artes de combate, estratégia, literatura, história... Mas com um lado negro não menos apurado onde põe em prática os seus conhecimentos. É um solitário à procura de vingança, violento e amargo, lançado nas ruas pela mão da sua vendetta pessoal. O seu objectivo: libertar todos os cidadãos que queiram ou precisem de ser libertados dos seus opressores e torná-los aliados para uma obra maior. V condena a tirania e a opressão com que os líderes de um governo podre e corrupto regem Inglaterra e convida todos aqueles que procuram fugir destas amarras a juntarem-se a ele num plano engenhoso para derrubar o Parlamento, evocando a história de Guy Fawkes, mas esperando um final diferente...
Entretanto, à medida que segue a história de V e o vai descobrindo, Evey vai-se tornando uma pessoa diferente. Conhecendo profundamente o estranho homem que a salvou, começa a aperceber-se de que o mundo à sua volta pode e deve mudar, mas isso tem que partir também de si mesma e da sua crença de que uma sociedade mais justa pode emergir das cinzas desta em que vive.

V for Vendetta é claramente um história de personagem, e como tal é normal que a maior parte dos minutos desta trama girem em torno de Hugo Weaving. Actor carismático e muito físico, Weaving parece perfeito para o papel. O lado de justiceiro mascarado de V, com uma acção física sublime e sóbria, mas eficiente e consciente do seu poder. É impossível não ligar estes dois lados de Weaving a personagens que o notabilizaram: em primeiro lugar, como Elrond, na sapiência em Lord of The Rings, e depois como Agent Smith em Matrix, onde todo ele era poder.
Portman é a luz no filme com um cenário de escuridão. Vítima e heroína em potencial, o seu lado emocional é forte e tocante, e o seu choro e desespero marcam qualquer espectador com um mínimo de coração. Que viu Closer sabe-o bem. Mas a jovem actriz não brilha só a partir das lágrimas, brilha também a partir da determinação que consegue impor a qualquer papel onde ela seja característica necessária, parecendo sempre concentradíssima consigo mesma e com os seus pensamentos, transparecendo para o mundo uma atmosfera carregada e determinada. Nada menos se espera dela.


A banda sonora fica inteiramente ao cargo de Dario Marianelli, um compositor que capta a essência britânica do que a música deve ser e é exímio em enquadrá-la na época e atmosfera pretendidos. Se dúvidas houver, aconselhamos Pride and Prejudice para as dissipar.
Por detrás das cameras, está um estreante na realização per se, mas não um estreante no que toca a este ambiente. James McTeigue é de facto tudo menos um rookie quando se fala de adaptações de obras de culto, já que esteve sempre com os irmãos Wachowski durante a produção da trilogia de Matrix. E isso tem que dar alguma experiência no que toca a dirigir cenas onde impera a imaginação e a acção. Como se esses anos de produção entre dois mundos não fossem suficientes, pelo meio foi ainda primeiro assistente de realização de Star Wars II...No mínimo, um currículo de side-kick invejável.
Depois, o guião. McTeigue não podia sentir-se mais confortável e a “trabalhar em casa”, não tivesse sido ele adaptado da BD pelos próprios irmãos Wachowski, que fizeram todo o trabalho de preparação cinematográfica da história.
A crítica não tem sido unânime com V for Vendetta, ora o considerando no máximo como uma boa adaptação mas sem nada de magistral, ora o considerando como uma história tão anárquica como a sociedade descrita. Veremos até que ponto esta vendetta se salva a si mesma.

O QUE ELES DISSERAM
Consegue ser, ao mesmo tempo, estranho e bizarro e enganador,mas duma forma completamente entediante. Vê-lo é como ter o fornecimento de oxigénio ao nosso cérebro asfixiar por mais de duas horas.
Peter Bradshaw, The Guardian
Como ícone pop, V for Vendetta prende o olhar ao ecrã, ainda que lhe falte a bravura de video-jogo que fez vender "Matrix".
Owen Gleiberman, Entertainment Weekly
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M.A.M.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:07 PM | Comentários (3)
março 19, 2006
O Hollywood apresenta...o Grande Ecran
Um bom programa de cinema na rádio não é fácil encontrar. Normalmente nem na rádio nem na televisão. A JPR.net, a recém-criada webrádio da Universidade do Porto, vai resolver esse problema.
O Grande Ecran é um programa semanal de cinco minutos que viaja pelos meandros da 7º arte, com notícias, cobertura de eventos e espaço para estreias e passatempos. Criado pela dupla criativa Miguel Lourenço Pereira-Cátia Castro, o Grande Ecran é uma especie de versão radiofónica do Hollywood.
O selo de qualidade está lá. A visita é obrigatória. A partir daqui...

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:34 AM | Comentários (1)
Aquelas Frases...
"I love the smell of napalm in the morning."

in Apocalypse Now
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:14 AM | Comentários (0)
março 18, 2006
CANTOS DO MUNDO - AMÉRICAS
É um dos maiores actores das Américas. Agora quer-se tornar realizador. Gael Garcia Bernal é o icone que espelha bem o novo folego do cinema da América latina. Um menino prodigio com um passado, presente e futuro.

A primeira vez que se reparou em Gael Garcia Bernal foi em Amorres Perros. O filme do talentoso Alejandro Inarritu, um cruzar de histórias de um humor negro crónico, lançou para a ribalta o mexicano. Na altura, com apenas 22 anos, Bernal já tinha uma longa carreira na televisão. Uma carreira que tinha começado quando tinha apenas 11 anos, nas novelas mexicanas mais populares, e que o consagrou como uma estrela juvenil. Pelo meio houve as viagens a Londres onde aprendeu a representar nos exigentes palcos britânicos. Quando voltou a casa era mais do que uma promessa. Tinha o estofo de um Marlon Brando em potência.
Foi ao lado do seu eterno amigo, Diego Luna, que Gael se consolidou definitivamente no cinema mexicano com Y Tu Mama Tambien, filme em formato de road trip de perdição, com dois jovens adolescentes e uma madura e sensual mulher em viagem pelo México. Desta vez o realizador era Alfonso Cuaron, outra promessa da nova vaga mexicana. O resultado foi um enorme sucesso que levou o seu nome para os quatro cantos do mundo. As ofertas começaram a chegar mas foi, ainda no México, e pelas mãos inevitáveis de Carlos Carrera, que surgiu El Crime del Padre Amaro. A adaptação da obra de Eça de Queiroz à realidade mexicana foi de uma brutalidade e de um erotismo imenso, e que fez de Bernal a next big thing do cinema mundial.

Gael já tinha sido o Che na televisão - uma serie sobre Fidel Castro - mas em Diarios de Motocicleta foi Ernesto Guevarra, naquele que é até hoje o seu maior desempenho. Um filme já assinado por um brasileiro, Walter Salles, com um grande orçamento, e um impacto internacional que mais nenhum dos seus trabalhos conseguiu. E se na América o seu estatuto estava consolidado, foi pelas mãos de Almodovar - para quem se despiu, se vestiu de mulher e utilizou toda a sua androgenia - que explodiu na Europa. O filme era La Mala Educacion, um dos mais negros retratos de Espanha alguma vez realizados. E The King, Babel, The Science of Sleep são apenas os seus próximos projectos, o que quer dizer, os filmes que o Mundo está ansioso para ver, não fosse Bernal o equivalente de Brando que o cinema espanhol nunca conseguiu ter. As expectativas são altas, mas com justificação. Afinal, de toda a nova geração do cinema latino - argentino, chileno, mexicano, espanhol - não há ninguém que se destaque tanto como Bernal.

Cuarón e Inarritu atrás das camaras definiram uma nova forma de fazer cinema no México. Mas o seu estilo relaxado, de histórias cruzadas, recheadas de sexualidade, só funcionam quando quem está à frente da camara tem o carisma necessário para nos convencer, que tudo aquilo poderia ser real.
O trunfo do novo cinema mexicano é Gael Garcia Bernal.
É ele o simbolo de uma geração de actores multi-talentosos, capaz de se projectar em papeis que muitos se recusariam a fazer. O seu jeito meio efeminado, que tanto sucesso fez em Espanha, entra em contra-senso se o imaginarmos como o Brando hispânico, visceral e carnal. E se Bernal consegue ser ambas as coisas, com igual sucesso, é porque é de facto, neste momento, o maior actor hispânico que vagueia pelas Américas.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:32 PM | Comentários (5)
Superman Returs com nova imagem
Saiu num artigo no USA Today e já está a circular na net.
A mais recente imagem retirada de Superman Returns - filme que tem estreia marcada para o Verão - mostra o herói a receber conselhos do seu pai, Jor El, durante o periodo em que esteve ausente do planeta Terra.
Quinto filme sobre o Homem de Aço, Superman Returns tem direcção de Bryan Singer e conta com o rookie Brandon Routh no papel que imortalizou Christopher Reeve.
No elenco estão ainda Kevin Spacey, Kate Bosworth e Julie Christie, bem como algumas imagens de Marlon Brando, capturadas aquando da sua passagem pelo primeiro filme, e que serão exibidas a titulo póstumo, numa homenagem a um dos maiores actores de sempre.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:24 PM | Comentários (0)
Cars tem novo póster
À medida que se aproxima a estreia, a Disney-Pixar vai destapando aos poucos mais detalhes do seu próximo projecto. Desta vez, destapou bastante, e publicou um poster com o cenário onde se desenrola a história e todas as personagens deste simpático Cars, um filme dos mesmos criadores que deram vida a Toy Story.
O filme tem estreia marcada para Junho deste Verão.

M.A.M.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:37 AM | Comentários (0)
março 17, 2006
Este Livro Dava um Filme - A Tábua de Flandres
Com esta nova rubrica o Hollywood vai procurar escolher livros que nunca foram adaptados ao cinema – ou que foram adaptados, mas de uma forma que não honra em nada o trabalho original – e que mereciam um filme.
De romances a biografias, de banda desenhada a teatro, esta é a oportunidade de descobrir como o livro da vida de alguém poderia tornar-se no filme da vida de muitos. A história, o elenco e realizador sugeridos, o porquê da adaptação. Afinal, quantos de nós não acabamos de ler um livro e dissemos para nós mesmos “este livro dava um filme”.

A TÁBUA DE FLANDRES
Arturo Pérez-Reverte é um dos mais conceituados autores espanhóis da actualidade. O seu livro Clube Dumas já foi adaptado por Roman Polanski ao cinema. Teve o titulo de The Ninth Gate e possibilitou mais um desempenho assombroso de Johnny Depp.
Neste livro o passado também assombra o presente, num verdadeiro thriller de suspense capaz de nos colar folha a folha.
O titulo do livro vem de uma pintura de um pintor flamengo do século XV. Cinco séculos depois, Júlia, uma avaliadora de obras de arte, fica obcecada pelo quadro. E com razão, já que descobre que o quadro inclui um enigma assustador, de um feito que poderia ter mudado a história da Europa renascentista. Com a ajuda de César, um antiquário homossexual, e de Muñoz, um jogador de xadrez perfeccionista, Júlia vai disputar uma partida contra o tempo, contra a morte, contra o mais insuspeito dos rivais.
No final a revelação será demasiado penosa para ser real, mas nem todos os jogos se disputam sem perdas.

A Tábua de Flandres já teve uma adaptação menor ao cinema, pelas mãos de Jim McBridge. Muito pouco para um argumento tão poderoso quanto este. Um verdadeiro filme de suspense, com todos os ingredientes para uma história apaixonante e única.
Se este livro fosse um filme, seria um filme assumidamente noir, com uma fotografia carrega de subtileza, com um claro contraste entre o preto e o branco, as cores do tabuleiro em que a partida se disputa.
E com tantos realizadores, seria fascinante descobrir A Tábua de Flandres adaptada por um cineasta mais do que habituado a lidar com thrillers repletos de fascínio. Um cineasta que bem podia ser Brian de Palma, que com Femme Fatalle, Mission Impossible I e The Untouchables já conseguiu o seu lugar na história, e provou que sabe, como poucos, trabalhar este tipo de filmes.
Um filme com a marca pessoal de De Palma, obrigatoriamente provocador, mas que manteria a subtileza e a sobriedade da narrativa do autor espanhol.

E como um filme não é filme sem o elenco, é fascinante ir imaginando as personagens, descobrindo os seus defeitos e virtudes, à medida que se vai lendo, e tentar encontrar actores que as encarnem na perfeição, mantendo da mesma forma a sua independência artística com intérpretes.
Os que leram o livro – recomendadíssimo pelo Hollywood – sabem que a trama se movimenta num triângulo composto por Júlia, César e Muñoz. Pelo meio há ainda outras personagens secundárias – Menchu, Max, D. Manuel, Álvaro, Montegrifo - mas são meras peças, pouco importantes para a história.
Júlia, jovem e ambiciosa, talentosa e sedutora, é a personagem central da história. Uma personagem que exige uma actriz que saiba misturar sensualidade com personalidade, e que apesar de não parecer, é bastante nova. Uma actriz assim não é fácil de encontrar, mas a nossa preferência iria para Jennifer Connelly.
Já César, o antiquário abertamente homossexual, descrito por Peréz-Reverte como tendo olhos azuis, boa figura e mais de cinquenta anos, é o contra-ponto do livro, e por isso mesmo o actor que o interpretasse teria obrigatoriamente de ter bastante carisma. Daí que Ciaran Hinds – britânico que já vimos em Munich e que é um dos protagonistas da série televisiva Rome – seja uma escolha apuradíssima.
E se Júlia é o motor da história e César é a alavanca, o volante e cérebro desta partida é Muñoz, o homem que nunca quis ganhar um encontro. Entre os quarenta anos, de média estatura e sem causar grande impacto à primeira vista, é ele com quem nos identificamos mais depressa, uma espécie de ás de trunfo. Mesmo arriscando todos os problemas que habitualmente causa, ver Robert Downey Jnr neste papel seria ouro sobre azul, o fecho perfeito de um elenco impecável.
Para os papéis secundários há uma série de nomes veteranos, de valor confirmado, mas que o público de hoje tem mais dificuldades em reconhecer, que se revelariam indicados. Sigourney Weaver como Menchu, Dylan McDermot como Álvaro ou o veteraníssimo Philiph Baker-Hall como D. Manuel Belmonte encaixariam facilmente como uma luva.



Claro que o Hollywood não pensa em limites de orçamento – apesar de evitar elencos all-stars – nem em problemas de agenda, direitos de autor e tudo o mais. O que nos move nesta rubrica mensal é descobrir livros fascinantes capazes de originar filmes verdadeiramente bons. Nas mãos certas, com os intérpretes certos, na atmosfera ideal, A Tábua de Flandres seria um filme eloquente e sedutor. A escolha indicada para abrir este espaço onde todos os filmes podem dar em filmes. E bons filmes!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:59 PM | Comentários (16)
A History of Violence - A Mitologia da América
O mais inconvencional dos cineastas convida-nos a uma viagem pelos mitos americanos. O sonho americano salpicado de sangue, sexo e violência num retrato cru e esquizofrénico de um anti-herói surpreendente. A History of Violence é isso e muito mais. É um dos mais perfeitos filmes do "cinema de olhares".
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A History of Violence é, antes de mais, uma history da mitologia norte-americana. É, ao mesmo tempo, um filme de gangsters, um western revivalista, uma comédia negra e um filme sobre a estrutura mais básica da cinematografia norte-americana: a família.
E o mais espantoso é como Cronenberg consegue juntar todos estes elementos num só filme, e mesmo assim manter uma total coerência narrativa. É algo que se nota, este pular de género para género. Mas isso é também uma virtude porque permite uma evolução na história de John Stall, herói e anti-herói americano.
O que é Stall, no fundo, senão a própria identidade da América: esquizofrénico, com um passado negro a esconder, obrigado a mentir para manter uma falsa identidade, e que resolve os seus problemas à lei da bala, ao mesmo tempo que prega o diálogo e o respeito pelos valores da comunidade.
É esta ironia subtil que é deliciosa na evolução de A History of Violence. O argumento genial – repito, genial – de Josh Olsen, é trabalhado ao mínimo detalhe por Cronenberg. Não há aqui muito da sua cinematográfica mais convencional – que é, bastante convencional – mas o que há é claro e fácil de ver. O início e o final são possivelmente os toques mais subtis do filme. No início, porque Cronenberg brinca connosco e graças a um engenhoso exercício de montagem nos dá uma pista errada que vamos seguir durante o primeiro quarto de hora do filme. O final, porque é o final inevitável retratado da forma menos convencional possível. Com o final, encerra-se um capitulo na vida de Tom Stall, mas ao contrário do que ele está habituado, aqui é a aceitação da família que o redime, e não a sua própria atitude. O passado é perdoado, mas provavelmente não será esquecido. Cronenberg não nos deixa saber, mas pelo que vimos é impossível imaginar um happy-ending completo. As marcas desta história de violência ficaram claramente lá.

Como já tinha dito, A History of Violence é talvez um dos melhores filmes para se perceber a importância que o rosto humano tem na forma como se conta uma história em cinema. Os diálogos são fundamentais, claro está, mas há diferentes maneiras de se contar uma história. Cronenberg usa os rostos. O de Viggo Mortensen é o mais perfeito de todos. Não só porque exprime todas as emoções possíveis e imaginárias com breves e singulares esgares, como é através das suas feições que percebemos a volta de 180º que o filme dá. Não é preciso ele dizer nada – aliás, quando o diz, não é ele mesmo – mas o olhar, o sorriso, não mentem. Há muito tempo que um actor não tinha a capacidade de ser duas personagens numa só com tanta sensibilidade. Não há ninguém que não se sinta atraída por Tom Stall, como também ninguém consegue existir ao seu alter-ego negro, um verdadeiro anjo exterminador. E sem grandes palavras, é esta mutação – sempre expressa no rosto – que é a verdadeira alavanca do filme.
Mas se o olhar de Mortensen é sublime, a verdade é que não há um único elemento do filme que não seja igualmente um exemplo perfeito deste “cinema de rostos”. Ed Harris é claramente o cowboy trocista e pronto a matar sem pestanejar, num registo que já não se via desde Unforgiven de Clint Eastwood. Por outro lado, William Hurt é um gangster perfeito, com traços de humor que o satirizam de uma forma impensável, mas que, no fundo, é essencial para perceber a sua personagem. E claro, Maria Bello é única. Uma mulher de sonho que acaba por se encontrar num dilema visceral, em que o corpo a empurra para um lado – uma cena crua de sexo como há muito não se via – mas o coração magoado a puxa para o outro. Um trabalho memorável de uma actriz cada vez mais matura, e que foi, escandalosamente – tal como Viggo – esquecido pela Academia.

Os que acusam Cronenberg de se ter afastado da sua cinematografia habitual são os mesmos que se queixam que o público não quer saber nada da obra do realizador canadiano. Preso por ter cão e por não ter, Cronenberg estaria sempre condenado a partir do momento que apostou num filme em que não há cassetes de vídeo a sair da barriga de nenhum dos seus actores. Mas não é preciso preocuparem-se. O realizador menos convencional é tão bom como realizador “convencional” como é como um cineasta radicalmente diferente da corrente mainstream. Se isso só não bastasse para recomendar A History of Violence, fica mais uma ideia. Nunca a violência que corre nas veias da América foi tão bem demonstrada como aqui. Um país esquizofrénico representado de forma nua e crua num filme irrepreensível.
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O Melhor – A forma como Cronenberg capta os olhares dos seus actores. É meia história que se conta desta forma.
O Pior – Cronenberg está o seu melhor e é difícil encontrar aspectos negativos no seu mais recente filme.
Curiosidade – Cronenberg nem leu a banda desenhada que inspirou Josh Olsen a escrever o guião do filme. Algo pouco habitual num realizador muito pouco convencional, que pela primeira vez em muito tempo abraçou um projecto encomendado por um estúdio.
Site Oficial – www.historyofviolence.com
Realizador – David Cronenberg
Elenco – Viggo Mortensen, Maria Bello, William Hurt, …
Produtora – New Line Cinema
Duração – 105 m
Classificação – m/16
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:59 AM | Comentários (5)
março 16, 2006
Kanye West e a América Profunda
É um dos maiores músicos da actualidade. Depois dos espantosos trabalhos nos álbuns The College Dropout e Late Registration - com os Grammys respectivos - Kanye West quer agora enveredar pelo mundo do cinema.
O filme reunirá dez realizadores e seis argumentistas e quer ser um filme mosaico, com pequenas histórias sobre a América profunda, utilizando a música de West como premissa. O filme será rodado este ano e deverá ter estreia em 2007 pelas mãos da New Line Cinema.
West, que esteve envolvido na banda sonora de Jarhead, está agora a preparar o novo tema de Mission Impossible III, sucedendo assim a Danny Elffman e aos Limp Bizkit na adaptação do aclamado tema inicial do filme que tem Tom Cruise como cabeça de cartaz.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:49 PM | Comentários (2)
Opinião - Filmar, mas com paixão!
O meu trabalho como jornalista tem-me levado a vários locais onde o cinema é religião. No entanto são espaços que o grande público não conhece, ou sequer suspeita da sua existência. É nesses lugares que moram alguns dos mais promissores jovens autores portugueses. E nesses locais que tenho a oportunidade de conhecer as pequenas pérolas que vou descobrindo. Uma delas é Utensílios do Amor.

Já há alguns meses falei de Telmo Martins. O jovem cineasta, já multi-premiado cá dentro e lá fora, foi o autor de Rupofobia, uma curta-metragem que aconselhei de imediato. Estreou com o filme Um Rio... e, sem surpresa, foi eleito para a selecção do Fantasporto. Não é preciso mais para ver que é material de qualidade. Utensilios de Amor é o seu mais recente trabalho. Uma curta-metragem (ainda) sobre a problemática das relações de casais. Dois casais, duas histórias, dois finais diferentes. Duas mulheres, dois homens, a dualidade inerente a uma relação. Não é Cassavettes mas podia ser. Não é Allen mas também podia ser. O que é então? É um novo sopro no cinema português. Para já no universo das curtas - o balão de ensaio ideal (a par da publicidade) para estes novos nomes - mas a piscar o olho ás longas-metragens.
De onde acham que apareceram os Marco Martins, Tiago Guedes e todas essas promessas que injectam sangue novo ao cinema em Portugal? A verdade é nua e crua. Ninguém quer saber. Ninguém está preocupado em divulgar o trabalho dos jovens cineastas, mesmo que eles sejam o futuro. Como também ninguém está interessado em mudar o sistema podre do ICAM. Ou melhor, há quem esteja, mas não tem o poder necessário para o conseguir. O que vai dar ao mesmo.

Utensilios de Amor é mais um caso de qualidade em português. Dirigido por Telmo Martins e escrito Jorge Vaz Nandes - com um elenco com caras conhecidas (Margarida Vila Nova, Maria João Pinho) e jovens promessas (Luís Dias, Raquel Carrilho, João Feitor) o filme é tudo aquilo que um filme de autor não é: feito pela paixão da cinéfilia.
Hoje em dia o cinema de autor é cada vez mais um exercicio de prepotência e autismo. O cinema feito pelos cinéfilos, o cinema puro, ainda imberbe na magia da 7º arte, ficou relegado para segundo, terceiro plano. E onde é que o encontramos? Em alguns autores irreverentes, claro, mas essencialmente nos jovens lobos que se vão afirmando. Chamem-se eles o que quer que seja, tenham os filmes os titulos que tenham. O que importa aqui é a corrente, ou melhor, a contra-corrente à podridão em que se instalou o cinema nacional.

Parece que Portugal não tem orgulho de nada que faça, a não ser que uma bola de futebol esteja envolvida. Há muitos anos que o português olha de lado para o seu cinema. E com razão porque o cinema português também olha de lado para o espectador português. A esperança que deposito, sempre que vejo um nome novo, um filme diferente, é que esteja aqui alguém que é diferente. A Nouvelle Vague nunca chegou a Portugal, e mesmo a Nouvelle Vague deixou facilmente de ser o que era. O cinema português não vai andar para a frente com os peitos da Soraia Chaves no Crime do Padre Amaro ou o humor brejeiro de Balas e Bolinhos. A indústria cinematográfica portuguesa tem de ser um objectivo. Para que os novos valores se afirmem. Para que haja mais e melhores filmes portugueses. Para que o cinéfilo português não tenha vergonha do seu cinema.
Acabo o artigo com um pequenissimo texto que não é meu. É de Telmo Martins, o tal realizador que ninguém conhece e devia pensar em começar a conhecer. Porque a paixão que ele demonstra pelo cinema, é a mesma paixão que falta ao cinema português para que todos se apaixonem por ele.
"Estou e fui, nada a fazer. Acaba quando o primeiro vai, e vai morrendo, devagar, a tristeza rápida nos rostos de quem fica. Está quase, estás sem forças mas tens de acabar, o que não queres que acabe. Mas é assim nada a fazer, tudo vai e em caixinhas fica. A vida condensada de quem está, por pouco tempo, que em muito se torna. O riso de quem chora, a saudade de quem ri. Mas é assim, estou mas fui, volto mas não sei quando. E... no fim... a tentativa desesperada de não perder, de voltar a ter a vida condensada de quem esteve mas foi..."
Miguel Lourenço Pereira
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:23 PM | Comentários (2)
março 15, 2006
Paul Haggis ataca a Casa Branca
O novo projecto do oscarizado Paul Haggis já está em marcha.
Depois do sucesso de Crash - o grande campeão da edição deste ano dos óscares - e dos retoques no argumento de Casino Royale, o argumentista-realizador Paul Haggis já tem preparado o seu próximo projecto.
Trata-se de Against all Enemies, filme que será inspirado no livro Enemies de Richard A. Clarke que relate o comportamento da administração Bush em relação ao 11 de Setembro, antes e depois dos ataques da Al-Qaeda às Torres Gémeas.
O filme será realizado por ele e escrito por James Vanderbilt. Neste momento Haggis está a terminar o argumento de Death and Dishoner, filme a ser produzido pela Warner Bros. com estreia marcada para este ano.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:13 PM | Comentários (0)
O Que Estreia Por Cá - O Homem Tranquilo
O filme foi de encomenda. Mas revelou-se o seu maior sucesso dos últimos vinte e anos. O canadiano David Cronenberg está em alta. O seu regresso traz a marca da violência psicológica de uma família desfeita por um segredo por contar. Porque havia um homem na América que dava tudo para nunca ter sido um herói.

Tom Stall era um tranquilo dono de um café numa cidade no meio do nada da América profunda. Um dia, três homens tentaram assaltar o café, e Stall abate-os tornando-se assim num improvável herói local. Só que as noticias correm depressa e pouco tempo depois a pequena cidade vai ser invadida por personagens estranhas, as únicas que conhecem o segredo bem guardado de um homem que só queria que o deixassem em paz.
David Cronenberg - um dos realizadores verdadeiramente irreverentes - não conhecia um grande sucesso de bilheteira desde The Fly, há vinte anos atrás. O seu último filme, Spider, brilhante exercício sobre a memória e os traumas de infância, passou ao lado de tudo e todos. Cronenberg precisava de um sucesso. A History of Violence era uma história que precisava de um realizador como ele.
Viggo Mortensen - a tentar recomeçar a carreira pós-Aragorn - Maria Bello, Ed Harris e William Hurt são as figuras de proa desta história familiar pouco convencional. Há violência, sim claro, mas o que há acima de tudo é a análise cirúrgica que Cronenberg faz de uma família convencional, que tem de enfrentar o último dos desafios à sua sobrevivência.
Desempenhos intensos, filme frenético, no Cronenberg mais convencional dos últimos anos. O que não quer dizer nada. Apesar de tudo, ainda há poucos cineastas capazes de fugirem das normas como o veterano canadiano. Ver para crer!

Mais cinco estreias nas salas portuguesas esta semana.
Falou-se muito deste drama da dupla criativa Ivory-Merchant (o último após a morte do produtor), mas a verdade é que, tão depressa como apareceu, também desapareceu dos radares. O filme desenrola-se na China dos anos 30, onde um diplomata britânico - mais um intenso desempenho de Ralph Fiennes - encontra e apaixona-se por uma condessa russa, fugida da revolução soviética. Elenco de luxo (Fiennes, Richardson, Redgrave), um realizador de elite (James Ivory), um guião mais do que dramática, The White Contessa tem tanto de low profile como de eloquente.

O mais recente sucesso do cinema africano. Galardoado nos óscares com o prémio de Melhor Filme Estrangeiro, o sul-africano Tsotsi leva-nos para uma semana na vida de um jovem, lider de um gang em Joanesburgo. Problemas com o crime, a S.I.D.A, a insegurança, aliados à problemática do crescimento destes adolescentes, sem tecto e sem esperança de vida, fazem de Tsotsi um filme com uma premissa similar a Cidade de Deus, mas com um registo intimistas bem mais trágico.

Colour Me Kubrick é baseado numa história veridica. Durante meses - o período da rodagem de Eyes Wide Shut - um homem fez-se passar pelo misterioso e sempre ausente cineasta, na altura às portas da morte. Utilizando os mais diversos esquemas, o homem assume a identidade do realizador e cria algumas situações que só seriam mesmo imaginaveis se as tivessemos antes visto num filme de Kubrick. John Malkovich é intenso neste filme de Brian Cook. Os dois lados do espelho!

Intriga Internacional à francesa é a premissa de Chevaliers du Ciel. Dois pilotos recebem ordem para recuperar um avião desaparecido, mas um deles é forçado a abater o avião quando este ataque o seu colega. Esse acto vai-lhes custar a carreira e só através de uma agência secreta vão conseguir perceber a dinàmica de uma verdadeira conspiração terrorista que vai acabar com um duelo nos céus como não se via desde Top Gun. Dirigido por Gérard Pirés, o filme conta com Benoît Magimel, Clovis Cornillac e Géraldine Pailhas. A prova que a indústria francesa ainda existe.

Pink Panther era um clássico que ajudou a celebrizar a figura de Peter Sellers como Inspector Closeau. Alguém na Fox lembrou-se de fazer um remake. E o disparate começou logo aí. Steve Martin, Kevin Kline, Jean Reno e até Beyoncé Knowles, são parte do elenco de um filme desastrado, sem grande sentido, e que longe de honrar as primeiras aventuras de Closeau, acaba por destruir a imagem de uma das mais hilariantes personagens da história do cinema. Shawn Levy é o realizador.

O Hollywood Recomenda - A History of Violence obviamente. Realizador de culto, história memorável, elenco inesquecivel. Pouco mais se pode pedir.
O Hollywood Desaconselha - Quem gosta do original não vai querer ver o novo. Quem não viu o original, devia vê-lo e poupar tempo em ver a nova versão de Pink Panther. Há limites!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:26 AM | Comentários (2)
Brad Bird de volta à Pixar
Um dos mais conceituados realizadores de animação vai voltar ao activo na Pixar.
Brad Bird - que planeava uma sequela de The Incredibles, o maior êxito dos estúdios de animação comprados à bem pouco tempo pela Disney - vai dirigir o novo filme da produtora, Ratatouille.
O projecto estava com alguns problemas na fase de arranque e foi necessário que Bird assumisse total controlo do filme, que estava nas mãos de Jan Pinkava.
O filme segue um grupo de ratos que habita um divertido restaurante parisiense. O projecto está agora em desenvolvimento, e é previsto que o primeiro trailer surja com o lançamento da próxima grande aposta da Pixar, Cars. A estreia de Ratatouille está agendada para 2007.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:06 AM | Comentários (0)
março 14, 2006
Séries de TV - House M.D.
Há já muitos anos que as séries de televisão têm vindo a ganhar o seu espaço, senão mesmo para muitas delas, o seu lugar de culto. Será que a TV deve ser vista como uma concorrente ao cinema, ou uma alternativa, tanto em termos de formação de actores, no lado mais técnico, como de continuidade de histórias e personagens a que nos afeiçoamos, pelo lado mais emocional?
E porque não, em vez de alternativa ou concorrência, lhe chamamos cooperação? Talvez seja o mais certo e menos ofensivo para qualquer um deles, tão diferentes e tão equivalentes, em relação ao qual cada um de nós deve saber conjugar com as medidas certas e de acordo com os nossos gostos.
Esta semana, começamos por um fenómeno da FOX que já conquistou o seu espaço nas casas portuguesas. Podem entrar já, não há ninguém na sala de espera...

Quantas vezes já não nos vimos obrigados a ir a um hospital ou a um consultório para diagnosticar rapidamente algo que dói de uma forma estranha, ou uma tosse que não nos abandona dias a fio, ou dores musculares que não passam, ou algo que provoca uma comichão irritante, ou um hematoma que em vez de diminuir continua a crescer...? A resposta deve ser “algumas”, “poucas”, “nenhumas”... Mas o que interessa aqui, não são as raras vezes que somos obrigados a fazer esta visita ao Sr. Doutor, quebrando a nossa rotina, mas sim todos esses “raramentes” que o Sr. Doutor tem de de ver todos os dias, a toda a hora, de forma mais ou menos importante – os nossos quase nunca são o seu sempre. E então?, perguntam vocês - É o trabalho dele, tratar gente, que há de tão especial nisso?
...Perguntem isso a Gregory House.

Se estão à espera de uma série de médicos como o E.R. de Clooney desenganem-se, porque este House Medical Department é um universo completamente diferente. Não há macas a entrar e a sair, enfermeiros ensanguentados, operações em grande estilo e decisões de um segundo a decidir a vida e a morte. Não, em House somos confrontados, acima de tudo, com o homem e só depois com as circunstâncias de uma vida hospitalar. Génio, louco, estranho, afável, desafiador, distante, consciente, pragmático, irresponsável. É provavelmente o médico com características mais bipolares da história da TV, e porque não ousar, da realidade?


Depois de um acidente cardio-vascular lhe ter retirado parte da musculatura da perna direita e de ter sido incapaz de tomar a decisão correcta para se salvar, o homem por detrás do médico transformou-se. Criou à sua volta um manto de profissionalismo e impessoalidade para se proteger dos outros, para esconder o seu complexo de inferioridade que é inversamente proporcional ao seu génio. Prova-o a cada episódio, vivendo sob a filosofia que todos os doentes mentem, porque mesmo no consultório médico o sigilo profissional é incapaz de libertar os doentes do sigilo da vergonha social. De onde vem a verdade então? Da mente, sempre da mente. É aqui que entra em acção o cenário médico da série: o Departamento de Diagnóstico depara-se regularmente com pacientes cujos sintomas são anormais, estranhos e desconexos. Para chegar à solução, House reúne-se com a sua equipa de jovens colaboradores, onde se contam Cameron, Chase e Foreman, cada um deles com as características necessárias para complementar o que por vezes escapa ao seu mentor.
Tentativa e erro é a técnica: se curar, então é porque estavam certos. Se falhar, é porque não estavam e os riscos são para correr. Viver está nas mãos e na cabeça destas personagens que elevam a medicina a arte, algures entre a certeza absoluta da matemática e as questões mais filosóficas.

O britânico Hugh Laurie empresta a Gregory House uns electrizantes olhos azuis e uma expressão que exala sempre loucura mas genialidade, um coxear genuíno e cansado, uma atitude altiva e segura se de si mesma, mas um semblante frágil e perdido quando é um momento de reflexão que se pede. Não foi com certeza por acaso que teve recentemente direito a uma nomeação para o Emmy de Outstanding Lead Actor.
Condimentada com um humor sarcástico fenomenal, ao longo de 24 episódios por season vamos conhecendo pouco a pouco o fabuloso Gregory House, o homem por detrás do médico, de alma e coração deixados em pedaços que cirurgia nenhuma poderia corrigir. Só a vida e a arte de salvar vidas o podem salvar a si mesmo.
Cameron ( Jennifer Morrison )

“You’re here because you’re pretty”
Foi a justificação de House quando a jovem o confrontou com a pergunta do porquê da sua escolha ter recaído sobre ela quando havia tantas alunas melhores no seu curso. A frieza de House contrasta com o calor que emana desta jovem interna, sempre a mais preocupada com os pacientes e com o que eles possam estar a sentir para além das dores físicas que os prendem à doença.
É graças a essa preocupação com os outros que Cameron é a única que se aproxima gradualmente de House, tentando percebê-lo e ajudá-lo. A ligação entre os dois é inevitável, mas as barreiras do médico são demasiado poderosas.
Chase ( Jesse Spencer )

O jovem australiano é provavelmente o mais parecido com House no que toca a chegar ao raciocínio certo, mas nunca tem a coragem suficiente para o formular e por em prática. Fica quase invariavelmente preso à dúvida, o que não o permite alcançar um estado ainda mais elevado enquanto médico. É também o mais ambicioso, o que o leva a cometer erros demasiado graves, tanto com os pacientes como com os colegas, chocando muitas vezes com os restantes elementos do trio e com o próprio House.
Foreman ( Omar Epps)

É calmo, pragmático, de raciocínio claro e inteligente, apesar de não ser brilhante. Quando a solução foge à vista dos outros, é ele quem mais regularmente lança uma luz sobre o assunto, ainda que não chegue logo à solução. House confia bastante no seu trabalho e na sua entrega, e sabe que Foreman é o tipo de pessoa que não desilude. É o seu ponto de segurança.
Dr Lisa Cuddy ( Lisa Edelstein )

A directora do Hospital é quem conhece House há mais tempo e a relação entre eles ultrapassa em muito o regular patrão/empregado. Ela sabe que esta é a peça mais preciosa do seu tesouro e permite-lhe quase tudo, apesar de não serem raras as vezes em que se zanga com ele. House respeita-a, apesar de todas as liberdades que tem, e tem com ela uma amizade forte, mas silenciosa. Os momentos de tensão sexual entre os dois são invariavelmente hilariantes.
Dr Wilson ( Robert Sean Leonard )

O companheiro inseparável, aquele a que House conta realmente quase tudo o que o seu Ego lhe permite contar. Nunca, em qualquer situação, mesmo pondo em perigo a sua reputação e lugar, Wilson cedeu ou se acobardou quando era preciso defender House e a sua controversa posição e atitude. É acessível e prático, apesar de não ser um médico exuberante. A competência e simpatia são o seu cartão de visita.
Onde e Quando?
Na FOX, para quem tem TV Cabo - diariamente às 23h
Na TVI - Quintas-feiras, às 24h
______
M.A.M
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:31 PM | Comentários (18)
Sin City 2 adiado por causa de...Angelina Jolie?
Rosario Dawson - uma das divas de Robert Rodriguez - lançou a bomba.
O segundo capítulo de Sin City, o filme da dupla criativa Frank Miller e Robert Rodriguez, cuja estreia estava prevista para este Verão, vai ser adiado.
A razão?
Angelina Jolie.
Rodriguez quer a actriz norte-americana no papel de Ava, a sensualissima personagem central da nova trama - que recuperará a maior parte do elenco do primeiro filme - mas o estado de gravidez avançada de Jolie impede-a de entrar no filme. A solucção? Adiar o filme até ao nascimento do primeiro filho de Jolie e Brad Pitt, e começar a filmar depois, já com a sex-bomb norte-americana no elenco.
Um rumor que tem ganho consistência e que pode significar que mais Sin City só em 2007. Mas com o bónus de uma Angelina Jolie mais sexy do que nunca!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:51 PM | Comentários (0)
Dallas com elenco de luxo
Depois de muitos avanços e recuos, o filme inspirado na série televisiva de maior suceso da década de 80 começa a tomar forma.
A Fox, produtora de Dallas, prepara-se para anunciar os principais nomes do elenco do filme dirigido por Robert Luketic.
John Travolta, como JR Ewing, Jennifer Lopez como Sue Ellen, Luke Wilson como Bobby e Shirley McLaine como Miss Ellen são os cabeças de cartaz de um projecto que, está previsto, começará a ser rodado em Outubro. O filme será um resumo das peripécias da família Ewing, uma das mais poderosas famílias da indústria petrolifera texana, e do suspense criado à volta de quem matou JR Ewing, que na televisão se tornou num dos episódios mais marcantes da história da televisão norte-americana.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:19 PM | Comentários (4)
Maureen Stapleton : 1925 - 2006

Faleceu no passado domingo a actriz norte-americana Maureen Stapleton.
Vencedora de um Óscar em 1981, pelo seu desempenho como secundária no filme Reds, a actriz foi dos poucos nomes do cinema norte-americano a coleccionar prémios nas áreas do teatro e da televisão, onde venceu um Tony e um Emmy, em 1951 e 1967.
Conhecida pelos seus papeis de mulher de armas, trabalhou durante mais de quarenta anos, tendo ficado célebre pelos papeis desempenhados em peças da autoria de Tenesse Williams ou Neil Simon. No cinema os seus papeis mais emblemáticos chegaram após os anos 70, com Cocoon ou Reds.
Actriz formada na mítica escola Actor´s Studio, Mauren Stapleton era uma referência em Hollywood pelo seu forte carácter e pela capacidade de resistir à fama fácil da indústria cinematográfica.
Segundo o filho, a actriz morreu de causas naturais. A morte, chegou aos 80 anos.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:44 AM | Comentários (0)
março 13, 2006
Antevisão - Basic Instint 2 : Risk Addiction
14 anos depois, ela voltou.
Michael Douglas era o tipo perfeito. Um policia com historial duvidoso de alcool e drogas, facilmente contactavel, profissionalmente presente e disponivel, durão, mas ingénuo e...seduzivel tanto quanto se pode ser. De principal suspeita, Miss Tramell passa a ser a principal protagonista de uma sequela aguardada ansiosamente daquele que já foi tantas vezes considerado o filme mais sexy de sempre. Preparem-se para a segunda dose de Instinto Fatal.

Mudou o realizador, os produtores, a banda sonora, o polícia e o psicólogo. Ficou Sharon Stone, que aos 48 anos foi a principal impulsionadora para que este projecto visse a luz do dia.
Passados vários anos desde que foi considerada suspeita do assasinio de Boz, a romancista Catherine Tramell (Stone) muda-se para Londres, deixando para trás uma América que já lhe ofereceu tudo o que tinha. O que não havia oferecido, a escritora tirara sub-repticiamente.
O seu percurso profissional continuava estável em terras de Sua Majestade, autora de mais um best-seller, quando lhe chega mais uma vez a noticia de que deverá comparecer perantes as autoridades, com objectivo de clarificar as circunstancias de uma estranha morte de um desportista de renome. É aqui que o Dr. Michael Glass (David Morrissey), um psiquiatra criminal de renome, é trazido à presença de Tramell, com o propósito de traçar o seu perfil psicologico. Mas, ignorando todos os avisos dos seus superiores que lhe dizem para tomar cuidado e ser paciente, o psiquiatra vai deixando que a sua curiosidade se sobreponha à razão, atraindo-se fortemente pela estranha personalidade de Tramell, ao principio. E depois, pelo seu jogo de sedução e mentiras, onde se vê completamente emaranhado.
Para sair dela, vai ter que travar uma batalha consigo mesmo e com o intelecto ardiloso da sua paciente, e chegar a um climax inesperado e onde uma escolha sua pode mudar as vidas de ambos para sempre.

O elenco certo para esta sequela foi dificil de juntar. Afinal, quem é que bate Michael Douglas a fazer de um detective perdido na vida, mas encontrado nos braços duma potencial assasina? E aquelas caras dos senhores da Policia de San Francisco quando Stone descruza as pernas? Por isso, só após muitas tentativas é que realizador, produtores e Stone conseguiram juntar um elenco positivo e capaz de não manchar o nome de Instinto Fatal. Aliás, a própria Stone foi quem mais adiou o inicio da produção do filme, uma vez que não encontrava o candidato ideal ao perfil do Dr. Michael Glass. A escolha recaiu finalmente sobre David Morrissey, um actor tipicamente britânico, com toda a escola do teatro Shakespeariano, mas sem grande visibilidade em Hollywood, apesar de ainda este ano ter tido um pequeno papel em Derailed. Calmo e seguro, mas de olhos e sobrancelhas expressivas, foi o seu ar quase ingénuo que levou à escolha definitiva da mulher fatal que o persegue.
Desta, espera-se um filme quase sem falhas em termos de interpretação. A verdade é que Stone pôs tanto de si, e do seu lado mais carnal e emocional no filme que vai ser díficil vê-la desconfortável ou desenquadrada em alguma cena, já que tanto partiu da sua cabeça. Muitas das cenas de nudez foram encorajadas pela própria actriz, que ainda recentemente se referiu sentir orgulhos por poder ter um corpo como seu aos 48 anos de idade, e poder exibi-lo no grande ecrã sem vergonha, pudor ou dúvida.
Quanto aos restantes nomes, David Thewlis interpreta Roy Washburn, o agente da Scotland Yard que acompanha Glass no processo, e a também britânica Charlotte Rampling é a mentora do psiquiatra, que tem por missão tentar avisa-lo que de que está em território perigoso. Em suma, o lote de actores secundários é maioritariamente britânico e sem nome feito nas grandes produções hollywoodescas, mas parece bem enquadrado para os papeis que lhes são atribuidos, já que o brilho de Stone facilmente disfarçará qualquer das suas pequenas lacunas.

A banda sonora é um dos poucos items que se mantém do originalInstinto. Jerry Goldsmith vai continuar a compor e escolher os temas principais, que tão bem enquadrados ficaram nas cenas de maior suspense e nas de maior climax do primeiro filme. Para complementar o seu trabalho, juntam-se dois nomes que já haviam trabalhado com o novo realizador em projectos anteriores: John Scott e John Murphy, mais um par de britânicos.
A realização, do escocês Michael Caton-Jones pode não ser exactamente o mesmo tipo de trabalho que Paul Verhoven fez em 92, com os seus fantásticos planos à chuva e dentro do carro, acompanhando Douglas, ou dos subtis movimentos de Stone. A seu favor abona o filme que estreou o ano passado, Shooting Dogs, e que não foi mal recebido pelos críticos, tendo tido passagem auspiciosa no último Fantasporto.
M. A. M.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:04 AM | Comentários (8)
março 12, 2006
North Country - Mulher de armas!
No ano de todos os temas políticos, só faltava mesmo o assédio sexual. Josey Ames, inspirada numa personagem real, fez história com a sua cruzada contra o machismo das corporações industriais norte-americanas. Mas Niki Caro não consegue captar bem a essência da sua luta, e perde-se entre o retrato da mulher e a mãe de família...
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O que irrita em North Country não tem nada a ver com o filme. Aliás, filme que foi muito mal recebido nos Estados Unidos, um verdadeiro flop de critica e de box-office que só se salvou porque o filme é, acima de tudo, Charlize Theron. Mas o que irrita em North Country - e em tantos outros filmes como este - é que continue a existir o preconceito que a beleza é um empecilho à qualidade de um actor. Ou seja, trocando por miudos, um actor ou actriz bonitos só sabem representar quando se despojam da sua beleza e se transformam. É quase como que uma inveja colectiva do mundo perante os Apolos e Afrodites de Hollywood. E se há actriz que tem sofrido esse estigma, ela é sem dúvida Charlize Theron.
A sul-africana - que venceu em 2003 o óscar pela sua transformação completa na serial-killer Ailen Wournoos em Monster - volta a dar um desempenho de grande qualidade. E volta a ter de colocar muito óleo, ferrugem e maquilhagem em cima, para esconder aquela que é uma das caras mais sedutoras de Hollywood. De facto North Country vale por Charlize, e pouco mais. Uma performance recheada de tours de force imensos, com uma profundidade dramática só ao alcance das grandes actrizes - e ela é, de facto, uma das grandes actrizes da actualidade - misturado com momentos de grande tensão interior, que só o seu olhar consegue exprimir com toda a exactidão.

O potencial de North Country era muito. A história de uma mulher, Josey Ames, vitima de violência doméstica, que volta para casa dos pais e decide começar a trabalhar numa mina, que é também o sustento da população local. Mas uma mulher a trabalhar num poiso de homens é, no final dos anos 80, assunto tabu, e tanto ela como todas as outras mulheres, são tratadas como lixo. O que lhes vale é o trabalho da sindicalista local, e a persistência em continuar. Pelo meio vamos conhecendo o passado sexual da personagem, que ostenta sempre uma imensa aura de libertinagem - que, convenhamos, não coincide com aquele olhar angelical de Theron - e as relações de desaprovação da sua cruzada pessoal pela igualdade de direitos no trabalho.
E se até aí o filme caminha bem, de forma segura e sem grande ambição, a verdade é que Niki Caro não consegue agarrar a história com as duas mãos. Entre seguir a cruzada da mulher, ou passar pelo sofrimento da mãe de família, Caro não ata nem desata. A cena final do tribunal, que supostamente seria para o culminar da luta pela igualdade de direitos, torna-se numa cena de vitimização da personagem central, que afinal não é libertina mas sim vitima de violação por um professor. Se a história é sobre a pioneira, é injustificável que o resultado da sentença - e consequências - fiquem para uma frase no genérico final. Se a obra é sobre a mulher, a mãe de familia, então não se percebe o ritmo que o filme vai levando, de tal forma que as personagens secundárias mais bem trabalhadas são as que estão ligadas à sua causa.

Frances McDormand, nomeada ao óscar de melhor actriz secundária, tem um desempenho sólido e agradável, mas a sua agonia final não pode servir como justificação para uma grande performance. São Woody Harrelson e Richard Jenkins que dão a melhor réplica a Theron, com trabalhos muito sóbrios e exactos, qual relógio suiço. E se a direcção do filme nem compromete, também não espanta pela originalidade ou frescura, como aconteceu com The Whale Rider, o filme que catapultou a realizadora para a fama. Trabalho técnico aceitável, filme com um ritmo nem muito lento, nem muito rápido, North Country é uma história interessante, trabalhada de maneira confusa, e que acaba por valer pela presença insubstituivel dessa diva que dá pelo nome de Charlize Theron.
Classificação - ![]()
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O Melhor - O desempenho de Charlize Theron. Não foi desta que levou o segundo óscar, mas ele deverá chegar. É uma questão de tempo.
O Pior - A confusão do guião na segunda metade do filme, corta um pouco as asas a uma história que até então estava a ser interesante de seguir.
Curiosidade - O titulo original do filme era Class Action.
Site Oficial - northcountrymovie.warnerbros.com
Realizadora - Niki Caro
Elenco - Charlize Theron, Frances McDormand, Woody Harrelson, ...
Produtora - Warner Bros.
Classificação - m/12
Duração - 126 m