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março 31, 2006
The New Casting - In a Lonely Place
Para começar esta nova rúbrica dedicada ao exercício supérfulo e básico da especulação pura, o Hollywood decidiu pegar numa série de filmes - grande filmes, pequenos filmes, filmes de culto - e imaginar como seriam esses filmes feitos agora. Ou seja, os remakes que Hollywood tanto gosta. Mais, qual seria o novo casting para papeis marcados pela história. A abrir um dos meus filmes de eleição, In a Lonely Place...

É altamente provável que alguém se lembre, algum dia, de fazer um remake de In a Lonely Place (Matar ou Não Matar). Um dos maiores filmes de sempre - rivaliza com Johny Guittar como a obra suprema de Nicholas Ray - fica para a história por ter Humphrey Bogart a fazer de Humphrey Bogart. Ou seja, o seu desempenho mais perfeito de sempre. E por ter Gloria Grahame, a afirmar-se como uma sex-symbol que acabaria por não vingar no star system de Hollywood, uma espécie de Kim Novak em antecipação. O filme é também sobre Hollywood, e acaba por ser um dos marcos dos filmes noir de segunda linha (para os estúdios claro). É de 1950.
Mas, e se fosse hoje, como seria feito In a Lonely Place? E com quem?
Especulemos...
Recriar o ambiente noir de In a Lonely Place, e a Los Angeles dos anos 40 não é tarefa fácil. Mas adaptar o filme aos dias de hoje também não faria muito sentido. Ficamos com a ideia que o remake iria respeitar a baliza temporal do original. Mas, vamos divagar sobre o novo elenco. Quem seria Bogey? E Grahame? E os outros?
RICHARD STEELE
(Humphrey Bogart)
É impossível encontrar um actor que faça de Bogart como ele próprio fazia. Isso é um facto e mais vale procurar um nome que se encaixe na personagem sarcástica e intensa, do que procurar um Bogie look alike. Nesse sentido haveria alguns actores capazes de fazer esse papel . Johnny Depp daria um Dix Steele muito original. Robert Downey Jnr faria uma personagem mais cómica. Mas faltava qualquer coisa. Faltava aquele olhar imensamente sério capaz de se desdobrar, de um momento para o outro, num homem apaixonado e num homem odioso. Apesar de ser novo para o papel (a personagem estaria no final da casa dos 40), e de ter o sempre curioso sotaque britânico, com a dose certa de "hollywoodismo" no sangue, Clive Owen seria uma boa escolha para o papel. Seria um Richard Steele intenso, com humor, e com o aspecto certo para nos convencer que é capaz de desafiar o mundo. A nossa aposta!

LAUREL GRAY
(Gloria Grahame)
Uma das mais bonitas e sensuais actrizes do início dos anos 50, Gloria Grahame tem neste papel uma performance quase icónica. Ela é Laurel Gray, tanto no seu arrojo e sensualidade, como no seu humor e sofrimento. Claro que quando foi escolhida para o papel, Grahame teve de corresponder a três arquétipos base de Hollywood: loira, voluptuosa e carismática. Ela era tudo isso, e talvez mais...não se pode descobrir já que a carreira acabou demasiado cedo.
Logo, a nova Laurel Gray teria de andar pelo mesmo comprimento de onda. A escolha aqui também está longe de ser fácil, já que a escolha acabaria por pender sempre para um dos pontos mais importantes. A nossa escolha vai para uma actriz de créditos feitos, que já mostrou ser capaz de aliar beleza, sensualidade e capacidade de sofrimento de uma maneira impressionante. Falta o voluptuosa, mas isso é o que menos importa. Falo claro de Charlize Theron, a sul-africana oscarizada que teria aqui mais uma personagem que lhe acentaria como uma luva.

MEL LIPMAN
(Art Smith)
O agente sofredor e amigo eterno de Steele foi um dos highlits do filme de Ray graças ao desempenho crédulo e divertido de Art Smith. Nessa época Hollywood era conhecida por ter o maior lote de actores secundários por metro quadrado. Hoje as coisas já não bem assim, e por isso há que recorrer à velha guarda. Apesar de ser um pouco mais velho do que Smith era, Martin Landau é o homem que qualquer um gostaria de ter como agente para nos livrar dos mais chatos sarilhos.

SARGENTO BRUB NICOLAI
(Frank Lovejoy)
Conheceu Dix Steel na tropa e desde aí ficaram amigos. Uma amizade à Steele, sem grandes confianças. Frank Lovejoy encarnou o personagem de forma segura, num desempenho tipico daqueles tempos. Para hoje seria preciso um pouco mais de fleuma na personagem. Talvez um bom actor para o papel fosse James Purefoy.

CAPITÃO LOCHNER
(Carl Benton Reid)
O capitão desconfiado que transforma a vida de Dix Steele num verdadeiro inferno é uma personagem muito tipica dos anos 50 e do cinema noir, uma especie de actor que hoje não se encontra com facilidade. Kenneth Cranham, actor escocês seria uma aposta interessante.

SYLVIA NICOLAI
(Jeff Donnell)
A mulher de Brub Nicolai, estilizada por Ray como a mulher com formação profissional que fica a cuidar da casa, mas que depois faz valer a sua superioridade intelectual ao marido por tudo e por nada, foi vivida à época por Jeff Donnell, actriz de segunda linha. Um pequeno papel que não justifica muito mais, ficando bem talvez uma Bridget Moynahan.

Pensando também um pouco no orçamento de um filme destes, tentamos apostar num elenco equilibrado, relativamente barato, e apesar de não ter-mos os livros das agências com os nomes das next big things em potência, temos a certeza que este elenco nas mãos do realizador certo, honraria o filme original.
Até ao próximo mês com mais um clássico revisto e projectado apra o futuro.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:38 PM | Comentários (5)
Spiderman 3 - Verdadeiro ou Falso?
O Aint it Cool News lançou a foto. Spiderman no uniforme preto era algo que já se suspeitava desde o primeiro poster. Isto é a confirmação de Venom? De mais um filme intenso com Tobey Maguire como o "aranhiço"? Ou será apenas photoshop? Fica à consideração de cada um!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:05 PM | Comentários (7)
março 30, 2006
Mais sobre Sin City 2
Frank Miller concedeu uma entrevista à MTV onde abordou de forma ligeira alguns contornos da sequela de Sin City, onde continuará o bom trabalho de realização junto de Robert Rodriguez, demonstrando exemplarmente que uma boa adaptação de banda-desenhada deve ser feita com o seu autor atrás das cameras, em full time.
Miller comentou essencialmente o formato em mosaico da história e as suas várias analepses e prolepses, pelo que não será de estranhar vermos de novo personagens que morreram no primeiro filme em algumas partes da acção. "A história salta um pouco, mas é basicamente uma grande história, que incorpora outras histórias mais curtas que depois intercalam aqui e ali", disse o americano. O argumento, baseado nas histórias "Dama Fatal" e "Olhos Azuis", vai já bem adiantado para começar as filmagens na cidade texana de Austin.
Quanto a casting, Angelina Jolie, Salma Hayek e Rose McGowan estão em disputa pelo papel da protagonista na primeira história referida, mas na segunda história há também uma apetecível assasina cuja actriz está ainda por definir.
A intriga acabará também por contemplar alguns finais que ficaram em aberto no primeiro filme, como por exemplo a história da jovem Nancy (Jessica Alba) depois do suícidio de Hartigan (Willis). O resto do elenco que conseguiu sair "com vida" deSin City 1 deve manter-se, incluindo portanto os nomes de Clive Owen, Brittany Murphy, Rosario Dawson e Mickey Rourke.

Manuel António Martins
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:35 PM | Comentários (1)
março 29, 2006
O Que Estreia Por Cá - A neve derreteu...salve-se quem puder!
A Idade do Gelo acabou. Não o filme. A era mesmo. E com o gelo a derreter rapidamente a ameaça de dilúvio é cada vez maior. Sid, Manny e Diego têm de ir agora ao vale avisar os outros animais que está na altura de fugir...outra vez!

Carlos Saldanha regressa para mais uma hilariante viagem à Idade do Gelo. Bem, agora que o gelo começa a derreter a era glaciar está perto do fim. Mas os sarilhos para Sid, Manny e Diego não. Eles são os primeiros a perceber a catástrofe que se avizinha. Um gigantesco dilúvio que ameaça todas as especies que se salvaram na primeirra aventura, refugiando-se num vale. Por isso os três decidem que têm de voltar para trás e avisar toda a gente que é preciso fugir de novo. Agora para as terras altas, antes que a água chegue.
John Leguizamo (Summer of Sam), Dennis Leary (Thomas Crown Affair) e Ray Romano (Everybody Loves Raymond) estão de volta a dar voz ás personagens principais. Queen Latifh, Jay Leno e Sean William Scott são as contrataçõe mais destacadas para este filme. Simplesmente imperdível. Fica a questão. Será que o esquilo dentes-de-sabre come a boleta?

Há mais cinco estreias esta semana nas salas portuguesas.
Neil Jordan volta aos dramas em tom de comédia com Breakfast on Pluto. É a história de um jovem irlandês que vai para Londres em plena década de 70, e é lá onde se torna travesti e vive as loucuras da juventude sobre o fantasma do IRA e da castradora sociedade britânica. Cilian Murphy num desempenho imperdível e Liam Neeson, Brendan Gleason e Stephen Rea a completar o elenco de um dos filmes mais aplaudidos de 2005.

La Tigre e la Neve marca o regresso do aclamado comediante Roberto Benigni depois do falhanço brutal que foi o seu Pinóquio. Agora Benigni - de novo na realização e à frente das camaras - vai para o Iraque. A sua amada está lá, junto de um poeta iraquiano sobre quem escrevia, e ele viaja para o hospital onde ela foi internada depois de um atentado. Mas ela não gosta dele, e tudo resulta numa série de situações a lembrar os melhores filmes do comediante. Com Nicholetta Braschi e Jean Reno.

Just Friends junta Amy Smart e Ryan Reynolds numa comédia ligeira sobre um jovem que se apaixona pela melhor amiga na juventude. Ele era gordo, ela era a beldade da escola e ele sabia que não tinha hipóteses. Mas anos depois, quando regressa a casa, ele está diferente. Ela está na mesma. O amor está no ar. Mas será que vai correr tudo pelo melhor? Realização de Roger Kumbel.

Dare Mo Shiranai / Nobody Knows chega directamente do Japão e conta a história de de quatro raparigas cuja mãe desaparece um dia sem deixar rasto, obrigando-as a sobreviverem sozinhas. Inspirado numa história real, o filme é realizado e escrito por Hirokazu Koreeda. Os desempenhos são de Yûya Yagira, Ayu Kitaura e Hiei Kimura.

Paulo Rocha regressa com Vanitas. O filme conta a história da ascensão de uma top-model, e dos homens que a rodeiam num ciclo misterioso e altamente dramático, que leva a um esgotamento emocional intenso. Com Isabel Ruth e Joana Bárcia. Com o filme é exibida também a curta-metragem A Piscina.

O Hollywood Recomenda - O desempenho de Cilian Murphy em Breakfast on Pluto. Dos melhores do ano.
O Hollywood Desaconselha - Just Friends. É por filmes como este que ás vezes não há pachorra para a indústria cinematográfica norte-americana.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:02 PM | Comentários (7)
Blockbuster: missão impossível?
Já está online o artigo escrito por mim e pelo Léccio Rocha para o espaço Neon da edição do Y, do jornal Público, da última semana. Para os mais curiosos vale a pena ler a antevisão que o Léccio Rocha faz dos blockbusters de 2006 e a análise que é desenvolvida por mim ao próprio futuro do modelo de blockbuster. O link é este.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:05 PM | Comentários (0)
março 28, 2006
Séries de TV - Prison Break
Seguindo a linha desta rubrica, que pretende alternar semanalmente um clássico com um hit recente, o Hollywood tem esta semana o prazer de apresentar uma série que está a dar os primeiros passos ainda nos States e que por conseguinte ainda não atingiu Portugal. Prison Break, com apenas 14 episódios transmitidos até agora, corre o sério risco de se tornar a série de culto mais rápida de sempre pela onde de fãs que já arrastou um pouco pelo mundo inteiro. Entrem meus senhores, e depois tentem fugir...

M.A.M.
Uma causa antiga embrenhada num enredo genial, personagens completas, complexas e coerentes, uma crescente espiral de revelações e twists inesperados mesmo para a melhor dos thrillers de TV. Esta é uma daquelas séries que cola, não é a “soap opera” com adaptação de qualidade, em que se perdermos um episódio, o pequeno resumo do episódio seguinte servirá para nos esclarecer. Prison Break é envolvente e não permite desatenções, mas mais do que isso, é uma série capaz de nos transportar tão rapidamente para aquela prisão, que tentamos ao máximo não nos mexer ou fazer um som quando algum dos fugitivos está a fazer algo que não devia. O suspense é levado ao máximo, explorado de forma inteligente pela música e o contexto, e todos os episódios sem excepção acabam num verdadeiro momento de sufoco.

A história parte de um móbil clássico: um irmão arrisca tudo para salvar o outro. Mas...será assim tão normal que esse “tudo” inclua uma ida propositada para a prisão?
Michael Scofield (Wentworth Miller) é um homem desesperado numa situação desesperante. O seu irmão, Lincoln Burrows ( Dominic Purcell) foi condenado por um crime que não cometeu, mas do qual foi considerado culpado duma forma astuciosa, baseada em provas irrefutáveis...mas falsas. A sentença: morte, após uma pena de 6 meses. E aqui começa o contra-relógio. Michael assalta um banco para ser preso na mesma penitenciária que o irmão, com um plano completamente louco e ao mesmo tempo brilhante para os tirar de lá. Entretanto, ao mesmo tempo que prepara a sua saída lá dentro, a ex-namoradaa de Lincoln está a tentar provar a inocência do homem que a deixou taão abruptamente. Uma acção contínua e com um ritmo intenso, que se estende por dois cenários tão diferentes é uma dinâmica que poucas séries se podem dar ao luxo de dizer que conseguiram. Lembrando o ambiente no interior da prisão evocado em Shawshank Redemption, Prison Brake procura ser um pouco mais súbtil, mas consegue ainda assim passar uma imagem verdadeira da tirania dos guardas prisionais, das lutas entre grupos de presidiários, dos suburnos, da violência física e psicológica...

Michael Scofield (Wentworth Miller)
Um improvável detido, Michael era um jovem recém formado, com uma vida e trabalho estáveis, até que decide assaltar um banco. Não precisava de dinheiro, nem tão pouco estava a perder a cabeça: simplesmente queria salvar o seu irmão a todo custo, e para isso teria de sacrificar uma parte da sua liberdade. Brilhante em raciocionio matemático, em conhecimentos de química e farmacologia, Michael é a verdadeira cabeça dum plano arrojado e engendrado ao segundo para conseguir chegar a verdade.
...E Wentworth Miller é um nome a fixar.
Lincoln Burrows ( Dominic Purcell)
Preso injustamente, Lincoln é um homem solitário e resignado com a morte...até que o seu irmão o encontra na prisão e lhe revela o seu plano. Paralelamente, ganha um novo folego de vida quando reencontra o amor do seu filho, conseguindo explicar-lhe a verdade, o mesmo acontecendo com a sua ex-namorada, a determinada advogada Veronica Donovan (Robin Tunney).
Purcell é um nome conhecido nas séries da FOX, personagem principal de “John Doe” que é transmitida diariamente por esse canal.

Dentro da prisão, os dois irmãos irão encontrar um pouco de tudo. Desde o valioso Sucre (Amaury Nolasco), companheiro de cela de Michael e fiel amigo, passando por T-Bag (Robert Knepper), um racista e problemático assasino que lhes dificulta várias vezes a vida, John Abruzzi (Peter Stormare), um mafioso que se torna peça chave do plano, e o velho Westmorland, que reza a história guardou uma avolutada soma de dinheiro para quando fugisse...E para que não faltasse a presença feminina, a Dra Sara Tancredi (Sarah Wayne Callie), responsável por tratar os diabetes de Michael enquanto médica da prisão, vai-se aos poucos tornando cúmplice deste plano. E é misturando estes ingredientes humanos que o passaporte para a liberdade se escreve, de forma lenta e perigosa, mas de tal forma genial que é impossível não torcer por um bando de criminosos...
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:29 PM | Comentários (87)
Mais imagens de Casino Royale
Os produtores de Casino Royale estão a fazer de tudo para tentar convencer os fãs de que Daniel Craig é o homem certo para o papel. Mas a tarefa não está nada fácil.
Por isso mesmo têm sido divulgadas uma quantidade pouco habitual de imagens do filme. Mas a cada nova foto que é divulgada, cada vez mais o efeito é o contrário. Craig não nasceu para Bond, dizem os fãs da saga. A galeria de fotos disponibilizadas pela CineEmpire fala por si.
Casino Royale estreia em Outubro e conta, para além de Craig, com Judi Dench, Eva Green e Mads Mikelsen. A história segue o primeiro livro escrito por Ian Fleming, onde descobrimos a origem de Bond como 007.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:11 PM | Comentários (6)
Oceans 13 confirmado
Entre rumores e suspeitas falou-se sempre num terceiro filme para Danny Ocean e os seus amigos. E a verdade é que a troupe de ladrões mais cool à face da Terra estará de volta em 2007 com o filme Oceans 13.
George Clooney, Brad Pitt, Matt Damon, Don Cheadle, Bernie Mac, Casey Affleck, Eddie Jeminson, Scott Caan, Shaobo Quin, Carl Reiner e Elliot Gould estão de regresso.
Mas Julia Roberts e Catherine Zeta-Jones não. Decisão dos argumentistas que querem dar novo fôlego à história. Ellen Barkin poderá ter um papel de destaque e ninguém exclui a hipótese de ver Angelina Jolie a aparecer nos créditos.
O filme vai ter nova direcção de Steven Soderbergh (será o sucessor de Guerrilla) e argumento de Brian Koppelman e David Levien.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:04 PM | Comentários (1)
março 27, 2006
Antevisão - Ice Age: The Meltdown
Tudo começa com uma bolota. É sempre uma bolota. Uma bolota e um tenaz esquilo dentes-de-sabre, que não desiste do seu alimento preferido. E por alguma causa que só o destino pode, de forma hilariante, definir, todos os desastres ecológicos da idade do gelo parecem motivados pela busca incessante desta criatura pela refeição perfeita. E desta vez, parece que vai tudo por àgua abaixo...

M.A.M.
Manny, Sid e Diego regressam ao grande ecrã depois da primeira e bem sucedida aventura na Idade do Gelo. Nessa primeira passagem conseguiram juntar-se em prol dum objectivo comum, ultrapassando as muitas e grandes diferenças que os separavam. E como tal, constituiram um grupo forte e unido, onde as fraquezas de uns eram supridas pelos pontos fortes de outros. Afinal, é mesmo assim que deve ser quando se junta um mamute, uma preguiça e um tigre dentes-de-sabre para salvar um pequeno humano.
Agora, as coisas estão estáveis. Os três vivem pacificamente num vale, junto de outras criaturas que aprendem a respeitar o estranho trio. Mas o mundo onde habitam está a mudar: a Idade do Gelo está a chegar ao fim. Contrariamente ao que se poderia pensar, isso não parece afectar nenhum dos habitantes deste frio vale, que se deliciam com o súbito paraíso que o degelo lhes trouxe, pleno de lagos, geisers e nova vegetação.
Só que este paraíso é mais efémero do que qualquer um deles esperara, e quando o trio descobre que as paredes de gelo que cercam o vale vão inevitavelmente acabar por inundá-lo, lançam-se numa corrida contra o tempo para avisar e tentar salvar todos os habitantes do iminente dilúvio.
Nesta nova aventura, como não poderia deixar de ser, surgem novos personagens para aumentar o nível de humor e tentar auxiliar os três caminhantes: Ellie, Crash e Eddie são os novos complementos para este período de crise.

A realização de Ice Age 2 continua a cargo do seu criador, o brasileiro Carlos Saldanha, que entre os dois filmes gelados foi ainda co-realizador de um outro filme de animação, Robots, que não teve o maior dos sucessos em Portugal. A verdade é que este parece ser o seu elemento, conseguindo de forma hilariante dar corpo ao guião do também repetente John Vitti, que no entanto tem um papel maior na escrita deste do que tivera no primeiro. Quanto a outras experiências do guionista, os vários episódios que escreveu para os Simpsons são sem qualquer dúvida um bom cartão de visita.
A música está ao cargo de John Powell que já colocou o seu nome em mais de uma dezena de bandas sonoras de animação, com destaque óbvio e merecido para Shrek. Mas a sua carreira engloba também filmes muito diversos em termos de género, desde I am Sam, passando por Alfie, Mr and Mrs Smith e o recente X-Men 3.

As vozes do trio, como não poderia deixar de ser numa boa sequela de animação, continuam a cargo dos seus iniciadores: John Leguizamo ( Dr. Victor Clemente, em E.R.) é Sid, Denis Leary ( criador e intérprete de Tommy Gavin da série Rescue Me) é Diego, Ray Romano (Ray, da série televisiva Everybody Loves Raymond) é Manny. Entre as novos entradas, destacam-se três nomes, com Queen Latifah a dar voz a Ellie e Seann William Scott , o impagável Stiffler de American Pie, a emprestar as suas cordas vocais a Crash, no que promete ser hilariante. Para finalizar, a contas com um papel menor, Jay Leno será Fast Tony, um tatu com muito estilo.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:30 AM | Comentários (8)
março 26, 2006
Aquelas Frases...
"Get busy living... or get busy dying. That's god damn right."

In Shawshank Redemption
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:38 PM | Comentários (3)
março 25, 2006
Steve Zaillian escreve guião de American Gangster
Depois de muitos problemas na pré-produção de um dos filmes mais esperados de 2007, Steve Zaillian aceitou a proposta da Universal para reescrever o guião de American Gangster.
O filme, que tem Ridley Scott na direcção e dois "monstros" como cabeças de cartaz - Denzel Washington e Russell Crowe - vai começar a ser filmado no Outono, assim que Zaillian acabe de retocar o argumento. Terry George tinha sido o preferido do estúdio para escrever o argumento - baseado numa ideia do próprio Zaillian - mas o novo director e elenco preferiram a visão do argumentista, agora realizador, e sendo assim a produção fica adiada por uns meses.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:18 PM | Comentários (0)
março 24, 2006
Sweetest Frame - Um doce começo
O Hollywood tem o prazer de inaugurar esta Sexta-feira a rubrica mais doce da blogosfera. Uma vez por mês, este espaço destina-se àqueles que amam as actrizes (e actores!) na sua verdadeira essência, captando o amâgo das suas figuras e deixando as imagens falar mais do que as palavras.
As escolhas, fruto da nossa parcialidade, são consoante os filmes estreados nas últimas semanas... Por isso, se tiverem alguma paixão especial para o mês que vem, estejam atentos ao cartaz...

M.A.M.
Natalie Portman e Siena Miller... Dura escolha tivemos nós para esta semana! Por isso ficámos com as duas, já que não era nada bonito deixar qualquer uma destas senhoras de fora...
Sensualidade, erotismo, numa doçura incapaz de descrever em palavras...até ao próximo mês!






Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:42 PM | Comentários (3)
Compõe-se o elenco de Nativity
Depois de Keisha Castle-Hughes ter sido confirmada como a Virgem Maria, agora foi a vez da iraniana Shohreh Aghdashloo viver a santa Isabel, mãe de Maria, no filme Nativity. Curiosamente ambas as actrizes foram nomeadas ao Óscar no mesmo ano, 2003. Castle-Hughes por The Whale Rider e Aghdashloo por House of Sand and Fog.
São confirmações no elenco de um projecto que promete ser uma abordagem muito simples - e exacta - do Advento, período biblico que vai desde o anúncio da gravidez de Maria ao nascimento de Jesus Cristo.
O filme está a ser produzido pela New Line Cinema e terá realização de Catherine Hardwicke tendo por base o guião de Mike Rich.
Espera-se polémica na altura da estreia do filme, que será, como não podia deixar de ser, nas vésperas de Natal deste ano.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:22 PM | Comentários (0)
março 23, 2006
Confirmações
Gary Oldman está contratado para Harry Potter and the Order of Phoenix. O actor esteve em divergência com a produtora, por questões ligadas ao seu salário, e durante algumas semanas a Warner adiantou que Oldman não estaria no quinto Harry Potter, apesar da morte da sua personagem, Sirius Black, ser o ponto alto do livro. Agora o acordo foi alcançado e Oldman voltará ao papel do padrinho de Harry Potter num filme agora dirigido por Peter Yates, e cuja estreia está marcada para o próximo ano.
Harry Shearer, uma das vozes da série The Simpsons, confirmou que está em marcha um projecto que irá levar a mais conhecida família amarela da América ao cinema. O homem que faz as vozes de Nell Flandres e do reverendo Lovejoy adiantou ao Aint it Cool News que o filme está a ser feito, que já foram gravados vários diálogos, e ainda que a produção do filme não entra em colisão com a série, que renovou agora contrato para mais duas temporadas.
Shrek The Third foi o título escolhido para o terceiro capitulos de aventura do mais popular ogre verde de Hollywood. A história mostra Shrek e Fionna como governantes do reino Far, Far Away, e a tentativa de golpe de estado do Principe Charmoso, quando Shrek procura com a ajuda dos insperáveis Gato das Botas e do Burro, um sucessor legitimo ao trono. Justin Timberlake está confirmado como a voz do rei Artur, e Mike Meyers, Cameron Diaz, Eddie Murphy e António Banderas também estão no elenco do filme que terá estreia a 18 de Maio de 2007.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:39 PM | Comentários (7)
março 22, 2006
O Que Estreia Por Cá - Sedução e Imaginação
Casanova é o mais famoso sedutor de todos os tempos, e, como seria de esperar, era uma personagem boa demais para deixar indiferentes os guionistas dos nossos dias. Caras novas para uma história conhecida, o que importa começar por saber é que durante toda a sua vida este italiano soube cativar, conquistar, ter e deixar todas as mulheres que quis. Até ao dia em que conhece Francesca...

M.A.M
Ela é uma jovem veneziana que parece diferente de todas as outras. Tão diferente que, na verdade, vai conseguir recusá-lo. O que o vai estimular ainda mais, provando assim todo o seu valor..
Filme sobre a vida do mais famoso conquistador da história, Casanova (Heath Ledger) era também um exímio espadachim e mestre na arte do disfarça e engano, que usava na perfeição no seu trabalho como espião para as várias cortes europeias do século XVII. É precisamente por isso que Casanova se vai transformar num novo homem, mas por meio de esquemas e mentiras com que põem a sua vida e reputação em perigo. No entanto o preço a pagar vale a pena o sacrificio, e inevitavelmente consegue de novo aproximar-se da bela Francesca (Sienna Miller), que desta vez não consegue resistir aos seus encantos.
Filmado com sumptuosidade, o filme é dirigido por Lasse Hallstrom, que vem de um falhanço (Unfinished Life) e que tenta recuperar o seu estatuto em Hollywood, que o tem bem cotado desde Chocolat. No elenco, para além de Ledger e Miller, há ainda o veteranissimo Jeremy Irons, em mais um papel à sua medida.
Casanova não é um grande filme, como reconstituição histórica, mas é uma aventura amorosa bastante interessante.

Há mais quatro estreias esta semana nas salas nacionais.
The Nun

Seis raparigas adolescentes vivem num colégio interno, onde o seu dia-a-dia é constantemente atormentado pela rígidez e inflexibilidade de uma das freiras. Quando uma destas raparigas engravida, esta mulher vai por em prática um ritual de purificação, ao qual as restantes raparigas assistem horrorizadas.
Dezassete anos passados, cada um delas deixando o passado onde ele pertence, uma das seis mulheres é brutalmente assassinada. A filha desta, Eve, vai reunir-se com as antigas amigas da sua mãe e voltar ao convento para tentar juntar as peças ao puzzle. A direcção é de Luis de La Madrid, num filme que passou pelo último Fantasporto.
Nanny McPhee

Mr Brown (Colin Firth), recente viúvo e pai de 7 filhos, é um homem desesperado pois nenhuma das amas que contrata para tomar conta dos seus pequenos resiste naquela casa por muito tempo. Mas tudo isso muda quando uma décima oitava senhora chega e bate à porta de Mr. Brown. A Ama McPhee (Emma Thompson), personagem estranha e honestamente feia e assustadora, revela-se rapidamente a personagem ideal para resistir a todas as artimanhas e partidas das crianças, lideradas pelo influente primogénito Simon. Mas à medida que o tempo passa, a Ama revela-se mais do que uma educadora. Vai-se tornando uma amiga constante, e uma presença que, de forma mágica, ajuda a resolver todos os pequenos e grandes problemas com que se depara esta família. Notável trabalho de maquilhagem num filme dirigido por Kirk Jones que conta ainda com um elenco secundário de luxo.
V for Vendetta

A história duma Inglaterra num futuro próximo, totalmente dominada por um regime totalitário, onde um solitário aristocrata cansado daquela letargia e silêncio decide por em prática os seus conhecimentos para agir como um justiceiro, planeando explodir o Parlamento e revolucionar Londres. O auto intitulado V (Hugo Weaving) procura fazer renascer a história de Guy Fawkes, mas com um final mais feliz. No caminho, liberta uma jovem, Evey(Natalie Portman), que vai ser sua companheira nessa demanda enquanto se descobre a si mesma. Adaptação da banda desenhada de Alan Moore escrita pelos irmãos Wachowski no seu primeiro trabalho pós-Matrix. Direcçao de James McTeigue.
3... Extremes

São três filmes num só. Takashie Miike, Fruit Chan e Chan Woo-Park, três dos nomes máximos do cinema de terror asiáticos, juntaram três histórias num único filme. Dumplings, Cut e Box são os três capitulos que têm encantado os admiradores do novo cinema japonês de terror, num filme que esteve em exibição no Fantas.
O Hollywood Recomenda - Para quem procura um divertimento relaxado, Casanova é o filme ideal.
O Hollywood Desaconselha - Aos fãs de V for Vendetta, na sua versão de banda desenhada, cuidado com o dia 23 de Março. O filme pode defraudar muitas expectativas.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:13 PM | Comentários (7)
Trailer de Little Miss Sunshine
Foi um dos filmes revelação da última edição do Festival de Sundance e, conhecendo bem a indústria norte-americana, não vai ser a última vez que vamos ouvir falar deste Little Miss Sunshine.
Comédia à volta de uma família completamente disfuncional, o filme é dirigido pela dupla Valerie Faris e Jonathan Dayton, e conta com um elenco de luxo para um filme indie. Steve Carrell, Toni Collette, Greg Kinnear e Alan Arkin protagonizam esta comédia negra, recheada de momentos hilariantes. A história segue uma jovem que quer entrar num concurso de beleza e que procura o apoio de uma família que parece estar muito céptica relativamente às suas hipóteses de vitória.
O primeiro trailer do filme já está online, aqui, e a estreia nos Estados Unidos vai acontecer só a 28 de Julho. Dependente do seu sucesso no mercado americano está a estreia do filme em Portugal.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:50 AM | Comentários (0)
Marie-Antoinette na luta pela Palma de Ouro
O novo filme de Sofia Copolla foi seleccionado para a competição do próximo festival de Cannes.
Marie-Antoinnette é uma história pouco convencional sobre a jovem Maria Antonieta, que aos 19 anos é forçada a casar com o futuro Luis XVI. Em Paris vamos acompanhando a adolescência de uma jovem normal que tinha a particularidade de ser também a rainha de França. Uma biografia muito feminina, onde a tónica está na jovem rainha e na forma como teve de lidar com os muitos problemas que se lhe foram atravessando à frente, e que, como se sabe, lhe custaram a vida.
Kirsten Dunst volta a trabalhar com Copolla, depois de Virgin Suicides, e junta-se Jason Schwartzmann, primo da realizadora, no elenco do filme.
Marie-Antoinette está em competição e é um dos mais sérios candidatos na luta pela Palma de Ouro da edição deste ano do certame francês.
Ainda sem confirmação mas com presenças prováveis no festival estão Volver, de Almodovar, INLAND EMPIRE de David Lynch, Il Caimano de Nanni Moretti, Babel de Alejandro Inarritu e Time de Kim Ki-Duk, numa pré-lista avançada pelo site c7nema que deixa antever um ano de 2006 recheado de filmes imperdíveis.
A abrir o festival no dia 17 de Maio vai estar Da Vinci Code de Ron Howard. A Palma de Ouro é entregue no dia 28.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:36 AM | Comentários (0)
março 21, 2006
Poster e trailers novos para MI: 3
A estreia de Mission Impossible 3 está agendada para 4 de Maio em Portugal mas a campanha de marketing da Paramount está a funcionar já a todo o gás.
Esta semana foram divulgados mais um poster para o filme - com Ethan Hunt/Tom Cruise em nota de destaque - e mais um trailer explosivo, ao som de uma das músicas mais marcantes da história do cinema, que terá agora direito a revisão por parte de Kayne West.
J. J. Abrams, o mago televisivo de séries como Alias e Lost, dá os primeiros passos no universo de Hollywood com a terceira missão impossível de Ethan Hunt no cinema. Depois do brilhante acto de abertura, da responsabilidade de Brian de Palma, e do detestável segundo filme de John Woo, a responsabilidade é muita. Algo a que Abrams está mais do que habituado. Para acompanhar Tom Cruise nesta aventura, estão Keri Russell, Michelle Monaghan, Ving Rhames, Laurence Fishburne e Jonathan Rhys-Meyers. O vilão de serviço é o recém-oscarizado Philiph Seymour-Hoffman.
É preciso mais para abrir o apetite? Então vejam o trailer, aqui.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:33 AM | Comentários (0)
M.Séries de TV - The Simpsons
Falar de séries de TV e não falar da família mais amarela do mundo é quase um crime. Deviam mesmo ter sido os primeiros a inaugurar este espaço, por tudo o que nos têm dado ao longo dos últimos dez anos, por todas as gargalhadas de humor físico e social e genial. Por apontarem sarcásticamente o dedo a todos os podres da América (e do Mundo, para não pecarmos por redutores!) e se rirem com gosto, ensinando-nos a rir com eles, os Simpsons nunca serão esquecidos.

M.A.M
Há muitos anos atrás, quando Matt Groening começou a esboçar aquela careta reguila de Bart, estava longe de imaginar o que estava a despoletar. O mundo nunca mais seria o mesmo depois dos Simpsons sairem à rua, e isto não é uma frase feita: francamente, tentem imaginar-se sem nunca terem visto um episódio sobre o dia a dia daquela cidadezinha “banal” que é Springfield? É impossível, eu sei. Porque naquele cantinho do mundo, moram todos os cidadãos do mundo duma forma tão óbvia e tão hilariante que a realidade com que contactamos é a mesma do telejornal que passara umas horas antes (ou depois, os Simpsons hoje passam a qualquer hora!), mas vista pelo seu lado mais cómico e positivo, que nos ensina a aceitar com boa disposição o que não podemos mudar.
Já são mais de 16 temporadas, ao longo das quais a série consegue manter-se fiel a si mesma. Claro que o estilo foi mudando, de forma mais ou menos paralela às questões mundiais mais relevantes. Ou seja, a dimensão política ou social de cada temporada vai variando ao sabor do mundo, e ver episódios da época do 11 de Setembro é totalmente diferente de ver episódios das primeiras 4, 5 temporadas. Mas aí é que está parte da mágica destes Simpsons: nunca perdem a graça, nunca se tornam um humor repetitivo nem politicamente correcto.
Entretanto, Groening retirou-se para a Produção Executiva, deixando no seu lugar dois fiéis seguidores, James L. Brooks e Al Jean, que até hoje nunca deixaram ninguém desiludido e que precisamente por trabalharem com ele há já tanto tempo não conseguem falhar.

Lisa Simpson
A menina mais velha dos Simpsons leva muito de ambos os pais: de Marge, a simpatia, o respeito, o carinho e a vontade de trabalhar. De Homer, leva o nome de família. A mais inteligente e consciente da casa, senão da cidade, Lisa sente-se muitas vezes num mundo à parte pois é a única que tem a consciência moral do que realmente se passa à sua volta, e tenta até ao último fôlego defender aquilo em que acredita. Invariavelmente, consegue não o fazer, mas acaba por ensinar qualquer coisa aos que estiverem perto dela. Apesar de todo o seu bom senso e calma, Lisa tem os seus momentos de explosão as quais ninguém consegue responder, nem mesmo a peste do seu irmão Bart. Toca saxofone ao velho estilo de Springfield e, como todos os Simpsons, prova a sua existência com um amor incondicional aos cartoons na TV.

Marge Simpson
Ela é a típica Dona do Lar, mãe dos meninos, feliz com o pouco que tem. Por vezes, como tantas vezes acontece no mundo real, tenta emancipar-se e dar um novo rumo à sua vida caseira, mas no fundo chega sempre à mesma conclusão: aquela família precisa do seu bom senso, calma e compreensão, e deixar por um segundo os seus filhos (e principalmente o seu marido) sozinhos pode levar a grandes distúrbios numa já de si nuclear cidadezinha.

Bart Simpson
A par de Homer, Bart é um verdadeiro ícone pop dos anos 90 e promete perpetuar-se por mais algumas décadas. O típico bad boy da escola primária, Bart é terrivelmente mal comportado, de pensamento ausente, irascível e irresponsável. Consequentemente, é brilhante em tudo o que faz e não menos hilariante. Como todos os Simpsons, consegue ser um génio quando é preciso. Só não lhe peçam que o faça na escola, pois isso é impossível para Bart. No fundo, apesar da sua família ser um “bunch of weirdos” – o facto das suas primeiras palavras terem sido “Aye Caramba” não prova em nada que seja ele weirdo e não eles – Bart adora todos os restantes Simpsons, e eles sabem-o. E claro que ele se aproveita disso para quando é preciso...

Homer Simpson
O pai de todos os Simpsons, o símbolo da América no seu lado mais ingénuo, louco, estranho, mal educado, mobilizador, infantil, influenciável, compulsivo, impulsivo, repulsivo. Adorável. Todos gostamos do velho Homer, porque ele é tão perfeito nas suas imperfeições que se torna verdadeiramente irresistível. Ele é a imagem de Springfield em tudo o que se deve ser e não ser. De adorado pelas suas ideias insanas e astronómicas, capazes de arrastar toda a cidade atrás de si, passa rapidamente a odiado e insultado quando no final tudo corre de forma desastrosa. Era de esperar que aprendesse alguma coisa com isso. Mas graças a Deus que não aprende nunca...E já lá vão 11 temporadas...!
M.A.M
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:48 AM | Comentários (7)
março 20, 2006
Novo Batman só em 2008
Acabaram os rumores que indicavam que o sucessor de Batman Begins iria estrear já em 2007.
O presidente da Warner Bros. - companhia produtora da serie - Alan Horn confessou na ShoWest, a convenção da indústria cinematográfica norte-americana que o filme é uma das prioridades dos estúdios para 2008.
Ate lá o estúdio vai pensar num argumento - que deverá incluir mais do que um vilão - e no elenco, sendo quase certo que Christian Bale deve voltar como Bruce Wayne.
O filme voltará a ser dirigido por Christopher Nolan - que está a rodar The Prestige - e Gary Oldman, Morgan Freeman, Michael Caine e Katie Holmes são nomes que provavelmente estarão também de regresso para mais um filme do Homem-Morcego.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:24 PM | Comentários (4)
Antevisão - V for Vendetta
Façam uma viagem até ao futuro, a uma Londres reconhecível, mas escura. Onde todos os vestígios de uma metrópole saudável e rica em pensadores livres e artistas e criadores e escritores não passa disso, exactamente: um vestígio, uma memória longínqua. Mas há sempre quem se lembre do passado melhor do que a maioria...e acabe por arrastar minorias. Querem entrar? Procurem o V na parede.

M.A.M.
Inspirado numa graphic novel dos anos 80, que num pequeno número de edições conquistou um nicho de culto e está nas prateleiras de história da DC Comics, V for Vendetta é uma adaptação bem trabalhada e rigorosa da história com o mesmo nome criada pelos autores Moore e Lyod.
Londres vive presa num espartilho totalitário, é uma sociedade totalmente controlada e onde a apatia da população parece alimentar-se a si mesma. É com este cenário como pano de fundo que conhecemos as duas principais personagens do filme. Evey (Natalie Portman) é salva numa situação de vida ou morte por um estranho indivíduo mascarado, que se auto-intitula V (Hugo Weaving). Como seria de esperar, o enredo gira em torno desta personagem, descrita como sendo realmente complexa, erudita, um intelectual tipicamente britânico, com conhecimento vasto nas artes de combate, estratégia, literatura, história... Mas com um lado negro não menos apurado onde põe em prática os seus conhecimentos. É um solitário à procura de vingança, violento e amargo, lançado nas ruas pela mão da sua vendetta pessoal. O seu objectivo: libertar todos os cidadãos que queiram ou precisem de ser libertados dos seus opressores e torná-los aliados para uma obra maior. V condena a tirania e a opressão com que os líderes de um governo podre e corrupto regem Inglaterra e convida todos aqueles que procuram fugir destas amarras a juntarem-se a ele num plano engenhoso para derrubar o Parlamento, evocando a história de Guy Fawkes, mas esperando um final diferente...
Entretanto, à medida que segue a história de V e o vai descobrindo, Evey vai-se tornando uma pessoa diferente. Conhecendo profundamente o estranho homem que a salvou, começa a aperceber-se de que o mundo à sua volta pode e deve mudar, mas isso tem que partir também de si mesma e da sua crença de que uma sociedade mais justa pode emergir das cinzas desta em que vive.

V for Vendetta é claramente um história de personagem, e como tal é normal que a maior parte dos minutos desta trama girem em torno de Hugo Weaving. Actor carismático e muito físico, Weaving parece perfeito para o papel. O lado de justiceiro mascarado de V, com uma acção física sublime e sóbria, mas eficiente e consciente do seu poder. É impossível não ligar estes dois lados de Weaving a personagens que o notabilizaram: em primeiro lugar, como Elrond, na sapiência em Lord of The Rings, e depois como Agent Smith em Matrix, onde todo ele era poder.
Portman é a luz no filme com um cenário de escuridão. Vítima e heroína em potencial, o seu lado emocional é forte e tocante, e o seu choro e desespero marcam qualquer espectador com um mínimo de coração. Que viu Closer sabe-o bem. Mas a jovem actriz não brilha só a partir das lágrimas, brilha também a partir da determinação que consegue impor a qualquer papel onde ela seja característica necessária, parecendo sempre concentradíssima consigo mesma e com os seus pensamentos, transparecendo para o mundo uma atmosfera carregada e determinada. Nada menos se espera dela.


A banda sonora fica inteiramente ao cargo de Dario Marianelli, um compositor que capta a essência britânica do que a música deve ser e é exímio em enquadrá-la na época e atmosfera pretendidos. Se dúvidas houver, aconselhamos Pride and Prejudice para as dissipar.
Por detrás das cameras, está um estreante na realização per se, mas não um estreante no que toca a este ambiente. James McTeigue é de facto tudo menos um rookie quando se fala de adaptações de obras de culto, já que esteve sempre com os irmãos Wachowski durante a produção da trilogia de Matrix. E isso tem que dar alguma experiência no que toca a dirigir cenas onde impera a imaginação e a acção. Como se esses anos de produção entre dois mundos não fossem suficientes, pelo meio foi ainda primeiro assistente de realização de Star Wars II...No mínimo, um currículo de side-kick invejável.
Depois, o guião. McTeigue não podia sentir-se mais confortável e a “trabalhar em casa”, não tivesse sido ele adaptado da BD pelos próprios irmãos Wachowski, que fizeram todo o trabalho de preparação cinematográfica da história.
A crítica não tem sido unânime com V for Vendetta, ora o considerando no máximo como uma boa adaptação mas sem nada de magistral, ora o considerando como uma história tão anárquica como a sociedade descrita. Veremos até que ponto esta vendetta se salva a si mesma.

O QUE ELES DISSERAM
Consegue ser, ao mesmo tempo, estranho e bizarro e enganador,mas duma forma completamente entediante. Vê-lo é como ter o fornecimento de oxigénio ao nosso cérebro asfixiar por mais de duas horas.
Peter Bradshaw, The Guardian
Como ícone pop, V for Vendetta prende o olhar ao ecrã, ainda que lhe falte a bravura de video-jogo que fez vender "Matrix".
Owen Gleiberman, Entertainment Weekly
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M.A.M.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:07 PM | Comentários (3)
março 19, 2006
O Hollywood apresenta...o Grande Ecran
Um bom programa de cinema na rádio não é fácil encontrar. Normalmente nem na rádio nem na televisão. A JPR.net, a recém-criada webrádio da Universidade do Porto, vai resolver esse problema.
O Grande Ecran é um programa semanal de cinco minutos que viaja pelos meandros da 7º arte, com notícias, cobertura de eventos e espaço para estreias e passatempos. Criado pela dupla criativa Miguel Lourenço Pereira-Cátia Castro, o Grande Ecran é uma especie de versão radiofónica do Hollywood.
O selo de qualidade está lá. A visita é obrigatória. A partir daqui...

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:34 AM | Comentários (1)
Aquelas Frases...
"I love the smell of napalm in the morning."

in Apocalypse Now
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:14 AM | Comentários (0)
março 18, 2006
CANTOS DO MUNDO - AMÉRICAS
É um dos maiores actores das Américas. Agora quer-se tornar realizador. Gael Garcia Bernal é o icone que espelha bem o novo folego do cinema da América latina. Um menino prodigio com um passado, presente e futuro.

A primeira vez que se reparou em Gael Garcia Bernal foi em Amorres Perros. O filme do talentoso Alejandro Inarritu, um cruzar de histórias de um humor negro crónico, lançou para a ribalta o mexicano. Na altura, com apenas 22 anos, Bernal já tinha uma longa carreira na televisão. Uma carreira que tinha começado quando tinha apenas 11 anos, nas novelas mexicanas mais populares, e que o consagrou como uma estrela juvenil. Pelo meio houve as viagens a Londres onde aprendeu a representar nos exigentes palcos britânicos. Quando voltou a casa era mais do que uma promessa. Tinha o estofo de um Marlon Brando em potência.
Foi ao lado do seu eterno amigo, Diego Luna, que Gael se consolidou definitivamente no cinema mexicano com Y Tu Mama Tambien, filme em formato de road trip de perdição, com dois jovens adolescentes e uma madura e sensual mulher em viagem pelo México. Desta vez o realizador era Alfonso Cuaron, outra promessa da nova vaga mexicana. O resultado foi um enorme sucesso que levou o seu nome para os quatro cantos do mundo. As ofertas começaram a chegar mas foi, ainda no México, e pelas mãos inevitáveis de Carlos Carrera, que surgiu El Crime del Padre Amaro. A adaptação da obra de Eça de Queiroz à realidade mexicana foi de uma brutalidade e de um erotismo imenso, e que fez de Bernal a next big thing do cinema mundial.

Gael já tinha sido o Che na televisão - uma serie sobre Fidel Castro - mas em Diarios de Motocicleta foi Ernesto Guevarra, naquele que é até hoje o seu maior desempenho. Um filme já assinado por um brasileiro, Walter Salles, com um grande orçamento, e um impacto internacional que mais nenhum dos seus trabalhos conseguiu. E se na América o seu estatuto estava consolidado, foi pelas mãos de Almodovar - para quem se despiu, se vestiu de mulher e utilizou toda a sua androgenia - que explodiu na Europa. O filme era La Mala Educacion, um dos mais negros retratos de Espanha alguma vez realizados. E The King, Babel, The Science of Sleep são apenas os seus próximos projectos, o que quer dizer, os filmes que o Mundo está ansioso para ver, não fosse Bernal o equivalente de Brando que o cinema espanhol nunca conseguiu ter. As expectativas são altas, mas com justificação. Afinal, de toda a nova geração do cinema latino - argentino, chileno, mexicano, espanhol - não há ninguém que se destaque tanto como Bernal.

Cuarón e Inarritu atrás das camaras definiram uma nova forma de fazer cinema no México. Mas o seu estilo relaxado, de histórias cruzadas, recheadas de sexualidade, só funcionam quando quem está à frente da camara tem o carisma necessário para nos convencer, que tudo aquilo poderia ser real.
O trunfo do novo cinema mexicano é Gael Garcia Bernal.
É ele o simbolo de uma geração de actores multi-talentosos, capaz de se projectar em papeis que muitos se recusariam a fazer. O seu jeito meio efeminado, que tanto sucesso fez em Espanha, entra em contra-senso se o imaginarmos como o Brando hispânico, visceral e carnal. E se Bernal consegue ser ambas as coisas, com igual sucesso, é porque é de facto, neste momento, o maior actor hispânico que vagueia pelas Américas.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:32 PM | Comentários (5)
Superman Returs com nova imagem
Saiu num artigo no USA Today e já está a circular na net.
A mais recente imagem retirada de Superman Returns - filme que tem estreia marcada para o Verão - mostra o herói a receber conselhos do seu pai, Jor El, durante o periodo em que esteve ausente do planeta Terra.
Quinto filme sobre o Homem de Aço, Superman Returns tem direcção de Bryan Singer e conta com o rookie Brandon Routh no papel que imortalizou Christopher Reeve.
No elenco estão ainda Kevin Spacey, Kate Bosworth e Julie Christie, bem como algumas imagens de Marlon Brando, capturadas aquando da sua passagem pelo primeiro filme, e que serão exibidas a titulo póstumo, numa homenagem a um dos maiores actores de sempre.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:24 PM | Comentários (0)
Cars tem novo póster
À medida que se aproxima a estreia, a Disney-Pixar vai destapando aos poucos mais detalhes do seu próximo projecto. Desta vez, destapou bastante, e publicou um poster com o cenário onde se desenrola a história e todas as personagens deste simpático Cars, um filme dos mesmos criadores que deram vida a Toy Story.
O filme tem estreia marcada para Junho deste Verão.

M.A.M.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:37 AM | Comentários (0)
março 17, 2006
Este Livro Dava um Filme - A Tábua de Flandres
Com esta nova rubrica o Hollywood vai procurar escolher livros que nunca foram adaptados ao cinema – ou que foram adaptados, mas de uma forma que não honra em nada o trabalho original – e que mereciam um filme.
De romances a biografias, de banda desenhada a teatro, esta é a oportunidade de descobrir como o livro da vida de alguém poderia tornar-se no filme da vida de muitos. A história, o elenco e realizador sugeridos, o porquê da adaptação. Afinal, quantos de nós não acabamos de ler um livro e dissemos para nós mesmos “este livro dava um filme”.

A TÁBUA DE FLANDRES
Arturo Pérez-Reverte é um dos mais conceituados autores espanhóis da actualidade. O seu livro Clube Dumas já foi adaptado por Roman Polanski ao cinema. Teve o titulo de The Ninth Gate e possibilitou mais um desempenho assombroso de Johnny Depp.
Neste livro o passado também assombra o presente, num verdadeiro thriller de suspense capaz de nos colar folha a folha.
O titulo do livro vem de uma pintura de um pintor flamengo do século XV. Cinco séculos depois, Júlia, uma avaliadora de obras de arte, fica obcecada pelo quadro. E com razão, já que descobre que o quadro inclui um enigma assustador, de um feito que poderia ter mudado a história da Europa renascentista. Com a ajuda de César, um antiquário homossexual, e de Muñoz, um jogador de xadrez perfeccionista, Júlia vai disputar uma partida contra o tempo, contra a morte, contra o mais insuspeito dos rivais.
No final a revelação será demasiado penosa para ser real, mas nem todos os jogos se disputam sem perdas.

A Tábua de Flandres já teve uma adaptação menor ao cinema, pelas mãos de Jim McBridge. Muito pouco para um argumento tão poderoso quanto este. Um verdadeiro filme de suspense, com todos os ingredientes para uma história apaixonante e única.
Se este livro fosse um filme, seria um filme assumidamente noir, com uma fotografia carrega de subtileza, com um claro contraste entre o preto e o branco, as cores do tabuleiro em que a partida se disputa.
E com tantos realizadores, seria fascinante descobrir A Tábua de Flandres adaptada por um cineasta mais do que habituado a lidar com thrillers repletos de fascínio. Um cineasta que bem podia ser Brian de Palma, que com Femme Fatalle, Mission Impossible I e The Untouchables já conseguiu o seu lugar na história, e provou que sabe, como poucos, trabalhar este tipo de filmes.
Um filme com a marca pessoal de De Palma, obrigatoriamente provocador, mas que manteria a subtileza e a sobriedade da narrativa do autor espanhol.

E como um filme não é filme sem o elenco, é fascinante ir imaginando as personagens, descobrindo os seus defeitos e virtudes, à medida que se vai lendo, e tentar encontrar actores que as encarnem na perfeição, mantendo da mesma forma a sua independência artística com intérpretes.
Os que leram o livro – recomendadíssimo pelo Hollywood – sabem que a trama se movimenta num triângulo composto por Júlia, César e Muñoz. Pelo meio há ainda outras personagens secundárias – Menchu, Max, D. Manuel, Álvaro, Montegrifo - mas são meras peças, pouco importantes para a história.
Júlia, jovem e ambiciosa, talentosa e sedutora, é a personagem central da história. Uma personagem que exige uma actriz que saiba misturar sensualidade com personalidade, e que apesar de não parecer, é bastante nova. Uma actriz assim não é fácil de encontrar, mas a nossa preferência iria para Jennifer Connelly.
Já César, o antiquário abertamente homossexual, descrito por Peréz-Reverte como tendo olhos azuis, boa figura e mais de cinquenta anos, é o contra-ponto do livro, e por isso mesmo o actor que o interpretasse teria obrigatoriamente de ter bastante carisma. Daí que Ciaran Hinds – britânico que já vimos em Munich e que é um dos protagonistas da série televisiva Rome – seja uma escolha apuradíssima.
E se Júlia é o motor da história e César é a alavanca, o volante e cérebro desta partida é Muñoz, o homem que nunca quis ganhar um encontro. Entre os quarenta anos, de média estatura e sem causar grande impacto à primeira vista, é ele com quem nos identificamos mais depressa, uma espécie de ás de trunfo. Mesmo arriscando todos os problemas que habitualmente causa, ver Robert Downey Jnr neste papel seria ouro sobre azul, o fecho perfeito de um elenco impecável.
Para os papéis secundários há uma série de nomes veteranos, de valor confirmado, mas que o público de hoje tem mais dificuldades em reconhecer, que se revelariam indicados. Sigourney Weaver como Menchu, Dylan McDermot como Álvaro ou o veteraníssimo Philiph Baker-Hall como D. Manuel Belmonte encaixariam facilmente como uma luva.



Claro que o Hollywood não pensa em limites de orçamento – apesar de evitar elencos all-stars – nem em problemas de agenda, direitos de autor e tudo o mais. O que nos move nesta rubrica mensal é descobrir livros fascinantes capazes de originar filmes verdadeiramente bons. Nas mãos certas, com os intérpretes certos, na atmosfera ideal, A Tábua de Flandres seria um filme eloquente e sedutor. A escolha indicada para abrir este espaço onde todos os filmes podem dar em filmes. E bons filmes!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:59 PM | Comentários (16)
A History of Violence - A Mitologia da América
O mais inconvencional dos cineastas convida-nos a uma viagem pelos mitos americanos. O sonho americano salpicado de sangue, sexo e violência num retrato cru e esquizofrénico de um anti-herói surpreendente. A History of Violence é isso e muito mais. É um dos mais perfeitos filmes do "cinema de olhares".
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A History of Violence é, antes de mais, uma history da mitologia norte-americana. É, ao mesmo tempo, um filme de gangsters, um western revivalista, uma comédia negra e um filme sobre a estrutura mais básica da cinematografia norte-americana: a família.
E o mais espantoso é como Cronenberg consegue juntar todos estes elementos num só filme, e mesmo assim manter uma total coerência narrativa. É algo que se nota, este pular de género para género. Mas isso é também uma virtude porque permite uma evolução na história de John Stall, herói e anti-herói americano.
O que é Stall, no fundo, senão a própria identidade da América: esquizofrénico, com um passado negro a esconder, obrigado a mentir para manter uma falsa identidade, e que resolve os seus problemas à lei da bala, ao mesmo tempo que prega o diálogo e o respeito pelos valores da comunidade.
É esta ironia subtil que é deliciosa na evolução de A History of Violence. O argumento genial – repito, genial – de Josh Olsen, é trabalhado ao mínimo detalhe por Cronenberg. Não há aqui muito da sua cinematográfica mais convencional – que é, bastante convencional – mas o que há é claro e fácil de ver. O início e o final são possivelmente os toques mais subtis do filme. No início, porque Cronenberg brinca connosco e graças a um engenhoso exercício de montagem nos dá uma pista errada que vamos seguir durante o primeiro quarto de hora do filme. O final, porque é o final inevitável retratado da forma menos convencional possível. Com o final, encerra-se um capitulo na vida de Tom Stall, mas ao contrário do que ele está habituado, aqui é a aceitação da família que o redime, e não a sua própria atitude. O passado é perdoado, mas provavelmente não será esquecido. Cronenberg não nos deixa saber, mas pelo que vimos é impossível imaginar um happy-ending completo. As marcas desta história de violência ficaram claramente lá.

Como já tinha dito, A History of Violence é talvez um dos melhores filmes para se perceber a importância que o rosto humano tem na forma como se conta uma história em cinema. Os diálogos são fundamentais, claro está, mas há diferentes maneiras de se contar uma história. Cronenberg usa os rostos. O de Viggo Mortensen é o mais perfeito de todos. Não só porque exprime todas as emoções possíveis e imaginárias com breves e singulares esgares, como é através das suas feições que percebemos a volta de 180º que o filme dá. Não é preciso ele dizer nada – aliás, quando o diz, não é ele mesmo – mas o olhar, o sorriso, não mentem. Há muito tempo que um actor não tinha a capacidade de ser duas personagens numa só com tanta sensibilidade. Não há ninguém que não se sinta atraída por Tom Stall, como também ninguém consegue existir ao seu alter-ego negro, um verdadeiro anjo exterminador. E sem grandes palavras, é esta mutação – sempre expressa no rosto – que é a verdadeira alavanca do filme.
Mas se o olhar de Mortensen é sublime, a verdade é que não há um único elemento do filme que não seja igualmente um exemplo perfeito deste “cinema de rostos”. Ed Harris é claramente o cowboy trocista e pronto a matar sem pestanejar, num registo que já não se via desde Unforgiven de Clint Eastwood. Por outro lado, William Hurt é um gangster perfeito, com traços de humor que o satirizam de uma forma impensável, mas que, no fundo, é essencial para perceber a sua personagem. E claro, Maria Bello é única. Uma mulher de sonho que acaba por se encontrar num dilema visceral, em que o corpo a empurra para um lado – uma cena crua de sexo como há muito não se via – mas o coração magoado a puxa para o outro. Um trabalho memorável de uma actriz cada vez mais matura, e que foi, escandalosamente – tal como Viggo – esquecido pela Academia.

Os que acusam Cronenberg de se ter afastado da sua cinematografia habitual são os mesmos que se queixam que o público não quer saber nada da obra do realizador canadiano. Preso por ter cão e por não ter, Cronenberg estaria sempre condenado a partir do momento que apostou num filme em que não há cassetes de vídeo a sair da barriga de nenhum dos seus actores. Mas não é preciso preocuparem-se. O realizador menos convencional é tão bom como realizador “convencional” como é como um cineasta radicalmente diferente da corrente mainstream. Se isso só não bastasse para recomendar A History of Violence, fica mais uma ideia. Nunca a violência que corre nas veias da América foi tão bem demonstrada como aqui. Um país esquizofrénico representado de forma nua e crua num filme irrepreensível.
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O Melhor – A forma como Cronenberg capta os olhares dos seus actores. É meia história que se conta desta forma.
O Pior – Cronenberg está o seu melhor e é difícil encontrar aspectos negativos no seu mais recente filme.
Curiosidade – Cronenberg nem leu a banda desenhada que inspirou Josh Olsen a escrever o guião do filme. Algo pouco habitual num realizador muito pouco convencional, que pela primeira vez em muito tempo abraçou um projecto encomendado por um estúdio.
Site Oficial – www.historyofviolence.com
Realizador – David Cronenberg
Elenco – Viggo Mortensen, Maria Bello, William Hurt, …
Produtora – New Line Cinema
Duração – 105 m
Classificação – m/16
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:59 AM | Comentários (5)
março 16, 2006
Kanye West e a América Profunda
É um dos maiores músicos da actualidade. Depois dos espantosos trabalhos nos álbuns The College Dropout e Late Registration - com os Grammys respectivos - Kanye West quer agora enveredar pelo mundo do cinema.
O filme reunirá dez realizadores e seis argumentistas e quer ser um filme mosaico, com pequenas histórias sobre a América profunda, utilizando a música de West como premissa. O filme será rodado este ano e deverá ter estreia em 2007 pelas mãos da New Line Cinema.
West, que esteve envolvido na banda sonora de Jarhead, está agora a preparar o novo tema de Mission Impossible III, sucedendo assim a Danny Elffman e aos Limp Bizkit na adaptação do aclamado tema inicial do filme que tem Tom Cruise como cabeça de cartaz.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:49 PM | Comentários (2)
Opinião - Filmar, mas com paixão!
O meu trabalho como jornalista tem-me levado a vários locais onde o cinema é religião. No entanto são espaços que o grande público não conhece, ou sequer suspeita da sua existência. É nesses lugares que moram alguns dos mais promissores jovens autores portugueses. E nesses locais que tenho a oportunidade de conhecer as pequenas pérolas que vou descobrindo. Uma delas é Utensílios do Amor.

Já há alguns meses falei de Telmo Martins. O jovem cineasta, já multi-premiado cá dentro e lá fora, foi o autor de Rupofobia, uma curta-metragem que aconselhei de imediato. Estreou com o filme Um Rio... e, sem surpresa, foi eleito para a selecção do Fantasporto. Não é preciso mais para ver que é material de qualidade. Utensilios de Amor é o seu mais recente trabalho. Uma curta-metragem (ainda) sobre a problemática das relações de casais. Dois casais, duas histórias, dois finais diferentes. Duas mulheres, dois homens, a dualidade inerente a uma relação. Não é Cassavettes mas podia ser. Não é Allen mas também podia ser. O que é então? É um novo sopro no cinema português. Para já no universo das curtas - o balão de ensaio ideal (a par da publicidade) para estes novos nomes - mas a piscar o olho ás longas-metragens.
De onde acham que apareceram os Marco Martins, Tiago Guedes e todas essas promessas que injectam sangue novo ao cinema em Portugal? A verdade é nua e crua. Ninguém quer saber. Ninguém está preocupado em divulgar o trabalho dos jovens cineastas, mesmo que eles sejam o futuro. Como também ninguém está interessado em mudar o sistema podre do ICAM. Ou melhor, há quem esteja, mas não tem o poder necessário para o conseguir. O que vai dar ao mesmo.

Utensilios de Amor é mais um caso de qualidade em português. Dirigido por Telmo Martins e escrito Jorge Vaz Nandes - com um elenco com caras conhecidas (Margarida Vila Nova, Maria João Pinho) e jovens promessas (Luís Dias, Raquel Carrilho, João Feitor) o filme é tudo aquilo que um filme de autor não é: feito pela paixão da cinéfilia.
Hoje em dia o cinema de autor é cada vez mais um exercicio de prepotência e autismo. O cinema feito pelos cinéfilos, o cinema puro, ainda imberbe na magia da 7º arte, ficou relegado para segundo, terceiro plano. E onde é que o encontramos? Em alguns autores irreverentes, claro, mas essencialmente nos jovens lobos que se vão afirmando. Chamem-se eles o que quer que seja, tenham os filmes os titulos que tenham. O que importa aqui é a corrente, ou melhor, a contra-corrente à podridão em que se instalou o cinema nacional.

Parece que Portugal não tem orgulho de nada que faça, a não ser que uma bola de futebol esteja envolvida. Há muitos anos que o português olha de lado para o seu cinema. E com razão porque o cinema português também olha de lado para o espectador português. A esperança que deposito, sempre que vejo um nome novo, um filme diferente, é que esteja aqui alguém que é diferente. A Nouvelle Vague nunca chegou a Portugal, e mesmo a Nouvelle Vague deixou facilmente de ser o que era. O cinema português não vai andar para a frente com os peitos da Soraia Chaves no Crime do Padre Amaro ou o humor brejeiro de Balas e Bolinhos. A indústria cinematográfica portuguesa tem de ser um objectivo. Para que os novos valores se afirmem. Para que haja mais e melhores filmes portugueses. Para que o cinéfilo português não tenha vergonha do seu cinema.
Acabo o artigo com um pequenissimo texto que não é meu. É de Telmo Martins, o tal realizador que ninguém conhece e devia pensar em começar a conhecer. Porque a paixão que ele demonstra pelo cinema, é a mesma paixão que falta ao cinema português para que todos se apaixonem por ele.
"Estou e fui, nada a fazer. Acaba quando o primeiro vai, e vai morrendo, devagar, a tristeza rápida nos rostos de quem fica. Está quase, estás sem forças mas tens de acabar, o que não queres que acabe. Mas é assim nada a fazer, tudo vai e em caixinhas fica. A vida condensada de quem está, por pouco tempo, que em muito se torna. O riso de quem chora, a saudade de quem ri. Mas é assim, estou mas fui, volto mas não sei quando. E... no fim... a tentativa desesperada de não perder, de voltar a ter a vida condensada de quem esteve mas foi..."
Miguel Lourenço Pereira
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:23 PM | Comentários (2)
março 15, 2006
Paul Haggis ataca a Casa Branca
O novo projecto do oscarizado Paul Haggis já está em marcha.
Depois do sucesso de Crash - o grande campeão da edição deste ano dos óscares - e dos retoques no argumento de Casino Royale, o argumentista-realizador Paul Haggis já tem preparado o seu próximo projecto.
Trata-se de Against all Enemies, filme que será inspirado no livro Enemies de Richard A. Clarke que relate o comportamento da administração Bush em relação ao 11 de Setembro, antes e depois dos ataques da Al-Qaeda às Torres Gémeas.
O filme será realizado por ele e escrito por James Vanderbilt. Neste momento Haggis está a terminar o argumento de Death and Dishoner, filme a ser produzido pela Warner Bros. com estreia marcada para este ano.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:13 PM | Comentários (0)
O Que Estreia Por Cá - O Homem Tranquilo
O filme foi de encomenda. Mas revelou-se o seu maior sucesso dos últimos vinte e anos. O canadiano David Cronenberg está em alta. O seu regresso traz a marca da violência psicológica de uma família desfeita por um segredo por contar. Porque havia um homem na América que dava tudo para nunca ter sido um herói.

Tom Stall era um tranquilo dono de um café numa cidade no meio do nada da América profunda. Um dia, três homens tentaram assaltar o café, e Stall abate-os tornando-se assim num improvável herói local. Só que as noticias correm depressa e pouco tempo depois a pequena cidade vai ser invadida por personagens estranhas, as únicas que conhecem o segredo bem guardado de um homem que só queria que o deixassem em paz.
David Cronenberg - um dos realizadores verdadeiramente irreverentes - não conhecia um grande sucesso de bilheteira desde The Fly, há vinte anos atrás. O seu último filme, Spider, brilhante exercício sobre a memória e os traumas de infância, passou ao lado de tudo e todos. Cronenberg precisava de um sucesso. A History of Violence era uma história que precisava de um realizador como ele.
Viggo Mortensen - a tentar recomeçar a carreira pós-Aragorn - Maria Bello, Ed Harris e William Hurt são as figuras de proa desta história familiar pouco convencional. Há violência, sim claro, mas o que há acima de tudo é a análise cirúrgica que Cronenberg faz de uma família convencional, que tem de enfrentar o último dos desafios à sua sobrevivência.
Desempenhos intensos, filme frenético, no Cronenberg mais convencional dos últimos anos. O que não quer dizer nada. Apesar de tudo, ainda há poucos cineastas capazes de fugirem das normas como o veterano canadiano. Ver para crer!

Mais cinco estreias nas salas portuguesas esta semana.
Falou-se muito deste drama da dupla criativa Ivory-Merchant (o último após a morte do produtor), mas a verdade é que, tão depressa como apareceu, também desapareceu dos radares. O filme desenrola-se na China dos anos 30, onde um diplomata britânico - mais um intenso desempenho de Ralph Fiennes - encontra e apaixona-se por uma condessa russa, fugida da revolução soviética. Elenco de luxo (Fiennes, Richardson, Redgrave), um realizador de elite (James Ivory), um guião mais do que dramática, The White Contessa tem tanto de low profile como de eloquente.

O mais recente sucesso do cinema africano. Galardoado nos óscares com o prémio de Melhor Filme Estrangeiro, o sul-africano Tsotsi leva-nos para uma semana na vida de um jovem, lider de um gang em Joanesburgo. Problemas com o crime, a S.I.D.A, a insegurança, aliados à problemática do crescimento destes adolescentes, sem tecto e sem esperança de vida, fazem de Tsotsi um filme com uma premissa similar a Cidade de Deus, mas com um registo intimistas bem mais trágico.

Colour Me Kubrick é baseado numa história veridica. Durante meses - o período da rodagem de Eyes Wide Shut - um homem fez-se passar pelo misterioso e sempre ausente cineasta, na altura às portas da morte. Utilizando os mais diversos esquemas, o homem assume a identidade do realizador e cria algumas situações que só seriam mesmo imaginaveis se as tivessemos antes visto num filme de Kubrick. John Malkovich é intenso neste filme de Brian Cook. Os dois lados do espelho!

Intriga Internacional à francesa é a premissa de Chevaliers du Ciel. Dois pilotos recebem ordem para recuperar um avião desaparecido, mas um deles é forçado a abater o avião quando este ataque o seu colega. Esse acto vai-lhes custar a carreira e só através de uma agência secreta vão conseguir perceber a dinàmica de uma verdadeira conspiração terrorista que vai acabar com um duelo nos céus como não se via desde Top Gun. Dirigido por Gérard Pirés, o filme conta com Benoît Magimel, Clovis Cornillac e Géraldine Pailhas. A prova que a indústria francesa ainda existe.

Pink Panther era um clássico que ajudou a celebrizar a figura de Peter Sellers como Inspector Closeau. Alguém na Fox lembrou-se de fazer um remake. E o disparate começou logo aí. Steve Martin, Kevin Kline, Jean Reno e até Beyoncé Knowles, são parte do elenco de um filme desastrado, sem grande sentido, e que longe de honrar as primeiras aventuras de Closeau, acaba por destruir a imagem de uma das mais hilariantes personagens da história do cinema. Shawn Levy é o realizador.

O Hollywood Recomenda - A History of Violence obviamente. Realizador de culto, história memorável, elenco inesquecivel. Pouco mais se pode pedir.
O Hollywood Desaconselha - Quem gosta do original não vai querer ver o novo. Quem não viu o original, devia vê-lo e poupar tempo em ver a nova versão de Pink Panther. Há limites!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:26 AM | Comentários (2)
Brad Bird de volta à Pixar
Um dos mais conceituados realizadores de animação vai voltar ao activo na Pixar.
Brad Bird - que planeava uma sequela de The Incredibles, o maior êxito dos estúdios de animação comprados à bem pouco tempo pela Disney - vai dirigir o novo filme da produtora, Ratatouille.
O projecto estava com alguns problemas na fase de arranque e foi necessário que Bird assumisse total controlo do filme, que estava nas mãos de Jan Pinkava.
O filme segue um grupo de ratos que habita um divertido restaurante parisiense. O projecto está agora em desenvolvimento, e é previsto que o primeiro trailer surja com o lançamento da próxima grande aposta da Pixar, Cars. A estreia de Ratatouille está agendada para 2007.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:06 AM | Comentários (0)
março 14, 2006
Séries de TV - House M.D.
Há já muitos anos que as séries de televisão têm vindo a ganhar o seu espaço, senão mesmo para muitas delas, o seu lugar de culto. Será que a TV deve ser vista como uma concorrente ao cinema, ou uma alternativa, tanto em termos de formação de actores, no lado mais técnico, como de continuidade de histórias e personagens a que nos afeiçoamos, pelo lado mais emocional?
E porque não, em vez de alternativa ou concorrência, lhe chamamos cooperação? Talvez seja o mais certo e menos ofensivo para qualquer um deles, tão diferentes e tão equivalentes, em relação ao qual cada um de nós deve saber conjugar com as medidas certas e de acordo com os nossos gostos.
Esta semana, começamos por um fenómeno da FOX que já conquistou o seu espaço nas casas portuguesas. Podem entrar já, não há ninguém na sala de espera...

Quantas vezes já não nos vimos obrigados a ir a um hospital ou a um consultório para diagnosticar rapidamente algo que dói de uma forma estranha, ou uma tosse que não nos abandona dias a fio, ou dores musculares que não passam, ou algo que provoca uma comichão irritante, ou um hematoma que em vez de diminuir continua a crescer...? A resposta deve ser “algumas”, “poucas”, “nenhumas”... Mas o que interessa aqui, não são as raras vezes que somos obrigados a fazer esta visita ao Sr. Doutor, quebrando a nossa rotina, mas sim todos esses “raramentes” que o Sr. Doutor tem de de ver todos os dias, a toda a hora, de forma mais ou menos importante – os nossos quase nunca são o seu sempre. E então?, perguntam vocês - É o trabalho dele, tratar gente, que há de tão especial nisso?
...Perguntem isso a Gregory House.

Se estão à espera de uma série de médicos como o E.R. de Clooney desenganem-se, porque este House Medical Department é um universo completamente diferente. Não há macas a entrar e a sair, enfermeiros ensanguentados, operações em grande estilo e decisões de um segundo a decidir a vida e a morte. Não, em House somos confrontados, acima de tudo, com o homem e só depois com as circunstâncias de uma vida hospitalar. Génio, louco, estranho, afável, desafiador, distante, consciente, pragmático, irresponsável. É provavelmente o médico com características mais bipolares da história da TV, e porque não ousar, da realidade?


Depois de um acidente cardio-vascular lhe ter retirado parte da musculatura da perna direita e de ter sido incapaz de tomar a decisão correcta para se salvar, o homem por detrás do médico transformou-se. Criou à sua volta um manto de profissionalismo e impessoalidade para se proteger dos outros, para esconder o seu complexo de inferioridade que é inversamente proporcional ao seu génio. Prova-o a cada episódio, vivendo sob a filosofia que todos os doentes mentem, porque mesmo no consultório médico o sigilo profissional é incapaz de libertar os doentes do sigilo da vergonha social. De onde vem a verdade então? Da mente, sempre da mente. É aqui que entra em acção o cenário médico da série: o Departamento de Diagnóstico depara-se regularmente com pacientes cujos sintomas são anormais, estranhos e desconexos. Para chegar à solução, House reúne-se com a sua equipa de jovens colaboradores, onde se contam Cameron, Chase e Foreman, cada um deles com as características necessárias para complementar o que por vezes escapa ao seu mentor.
Tentativa e erro é a técnica: se curar, então é porque estavam certos. Se falhar, é porque não estavam e os riscos são para correr. Viver está nas mãos e na cabeça destas personagens que elevam a medicina a arte, algures entre a certeza absoluta da matemática e as questões mais filosóficas.

O britânico Hugh Laurie empresta a Gregory House uns electrizantes olhos azuis e uma expressão que exala sempre loucura mas genialidade, um coxear genuíno e cansado, uma atitude altiva e segura se de si mesma, mas um semblante frágil e perdido quando é um momento de reflexão que se pede. Não foi com certeza por acaso que teve recentemente direito a uma nomeação para o Emmy de Outstanding Lead Actor.
Condimentada com um humor sarcástico fenomenal, ao longo de 24 episódios por season vamos conhecendo pouco a pouco o fabuloso Gregory House, o homem por detrás do médico, de alma e coração deixados em pedaços que cirurgia nenhuma poderia corrigir. Só a vida e a arte de salvar vidas o podem salvar a si mesmo.
Cameron ( Jennifer Morrison )

“You’re here because you’re pretty”
Foi a justificação de House quando a jovem o confrontou com a pergunta do porquê da sua escolha ter recaído sobre ela quando havia tantas alunas melhores no seu curso. A frieza de House contrasta com o calor que emana desta jovem interna, sempre a mais preocupada com os pacientes e com o que eles possam estar a sentir para além das dores físicas que os prendem à doença.
É graças a essa preocupação com os outros que Cameron é a única que se aproxima gradualmente de House, tentando percebê-lo e ajudá-lo. A ligação entre os dois é inevitável, mas as barreiras do médico são demasiado poderosas.
Chase ( Jesse Spencer )

O jovem australiano é provavelmente o mais parecido com House no que toca a chegar ao raciocínio certo, mas nunca tem a coragem suficiente para o formular e por em prática. Fica quase invariavelmente preso à dúvida, o que não o permite alcançar um estado ainda mais elevado enquanto médico. É também o mais ambicioso, o que o leva a cometer erros demasiado graves, tanto com os pacientes como com os colegas, chocando muitas vezes com os restantes elementos do trio e com o próprio House.
Foreman ( Omar Epps)

É calmo, pragmático, de raciocínio claro e inteligente, apesar de não ser brilhante. Quando a solução foge à vista dos outros, é ele quem mais regularmente lança uma luz sobre o assunto, ainda que não chegue logo à solução. House confia bastante no seu trabalho e na sua entrega, e sabe que Foreman é o tipo de pessoa que não desilude. É o seu ponto de segurança.
Dr Lisa Cuddy ( Lisa Edelstein )

A directora do Hospital é quem conhece House há mais tempo e a relação entre eles ultrapassa em muito o regular patrão/empregado. Ela sabe que esta é a peça mais preciosa do seu tesouro e permite-lhe quase tudo, apesar de não serem raras as vezes em que se zanga com ele. House respeita-a, apesar de todas as liberdades que tem, e tem com ela uma amizade forte, mas silenciosa. Os momentos de tensão sexual entre os dois são invariavelmente hilariantes.
Dr Wilson ( Robert Sean Leonard )

O companheiro inseparável, aquele a que House conta realmente quase tudo o que o seu Ego lhe permite contar. Nunca, em qualquer situação, mesmo pondo em perigo a sua reputação e lugar, Wilson cedeu ou se acobardou quando era preciso defender House e a sua controversa posição e atitude. É acessível e prático, apesar de não ser um médico exuberante. A competência e simpatia são o seu cartão de visita.
Onde e Quando?
Na FOX, para quem tem TV Cabo - diariamente às 23h
Na TVI - Quintas-feiras, às 24h
______
M.A.M
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:31 PM | Comentários (18)
Sin City 2 adiado por causa de...Angelina Jolie?
Rosario Dawson - uma das divas de Robert Rodriguez - lançou a bomba.
O segundo capítulo de Sin City, o filme da dupla criativa Frank Miller e Robert Rodriguez, cuja estreia estava prevista para este Verão, vai ser adiado.
A razão?
Angelina Jolie.
Rodriguez quer a actriz norte-americana no papel de Ava, a sensualissima personagem central da nova trama - que recuperará a maior parte do elenco do primeiro filme - mas o estado de gravidez avançada de Jolie impede-a de entrar no filme. A solucção? Adiar o filme até ao nascimento do primeiro filho de Jolie e Brad Pitt, e começar a filmar depois, já com a sex-bomb norte-americana no elenco.
Um rumor que tem ganho consistência e que pode significar que mais Sin City só em 2007. Mas com o bónus de uma Angelina Jolie mais sexy do que nunca!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:51 PM | Comentários (0)
Dallas com elenco de luxo
Depois de muitos avanços e recuos, o filme inspirado na série televisiva de maior suceso da década de 80 começa a tomar forma.
A Fox, produtora de Dallas, prepara-se para anunciar os principais nomes do elenco do filme dirigido por Robert Luketic.
John Travolta, como JR Ewing, Jennifer Lopez como Sue Ellen, Luke Wilson como Bobby e Shirley McLaine como Miss Ellen são os cabeças de cartaz de um projecto que, está previsto, começará a ser rodado em Outubro. O filme será um resumo das peripécias da família Ewing, uma das mais poderosas famílias da indústria petrolifera texana, e do suspense criado à volta de quem matou JR Ewing, que na televisão se tornou num dos episódios mais marcantes da história da televisão norte-americana.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:19 PM | Comentários (4)
Maureen Stapleton : 1925 - 2006

Faleceu no passado domingo a actriz norte-americana Maureen Stapleton.
Vencedora de um Óscar em 1981, pelo seu desempenho como secundária no filme Reds, a actriz foi dos poucos nomes do cinema norte-americano a coleccionar prémios nas áreas do teatro e da televisão, onde venceu um Tony e um Emmy, em 1951 e 1967.
Conhecida pelos seus papeis de mulher de armas, trabalhou durante mais de quarenta anos, tendo ficado célebre pelos papeis desempenhados em peças da autoria de Tenesse Williams ou Neil Simon. No cinema os seus papeis mais emblemáticos chegaram após os anos 70, com Cocoon ou Reds.
Actriz formada na mítica escola Actor´s Studio, Mauren Stapleton era uma referência em Hollywood pelo seu forte carácter e pela capacidade de resistir à fama fácil da indústria cinematográfica.
Segundo o filho, a actriz morreu de causas naturais. A morte, chegou aos 80 anos.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:44 AM | Comentários (0)
março 13, 2006
Antevisão - Basic Instint 2 : Risk Addiction
14 anos depois, ela voltou.
Michael Douglas era o tipo perfeito. Um policia com historial duvidoso de alcool e drogas, facilmente contactavel, profissionalmente presente e disponivel, durão, mas ingénuo e...seduzivel tanto quanto se pode ser. De principal suspeita, Miss Tramell passa a ser a principal protagonista de uma sequela aguardada ansiosamente daquele que já foi tantas vezes considerado o filme mais sexy de sempre. Preparem-se para a segunda dose de Instinto Fatal.

Mudou o realizador, os produtores, a banda sonora, o polícia e o psicólogo. Ficou Sharon Stone, que aos 48 anos foi a principal impulsionadora para que este projecto visse a luz do dia.
Passados vários anos desde que foi considerada suspeita do assasinio de Boz, a romancista Catherine Tramell (Stone) muda-se para Londres, deixando para trás uma América que já lhe ofereceu tudo o que tinha. O que não havia oferecido, a escritora tirara sub-repticiamente.
O seu percurso profissional continuava estável em terras de Sua Majestade, autora de mais um best-seller, quando lhe chega mais uma vez a noticia de que deverá comparecer perantes as autoridades, com objectivo de clarificar as circunstancias de uma estranha morte de um desportista de renome. É aqui que o Dr. Michael Glass (David Morrissey), um psiquiatra criminal de renome, é trazido à presença de Tramell, com o propósito de traçar o seu perfil psicologico. Mas, ignorando todos os avisos dos seus superiores que lhe dizem para tomar cuidado e ser paciente, o psiquiatra vai deixando que a sua curiosidade se sobreponha à razão, atraindo-se fortemente pela estranha personalidade de Tramell, ao principio. E depois, pelo seu jogo de sedução e mentiras, onde se vê completamente emaranhado.
Para sair dela, vai ter que travar uma batalha consigo mesmo e com o intelecto ardiloso da sua paciente, e chegar a um climax inesperado e onde uma escolha sua pode mudar as vidas de ambos para sempre.

O elenco certo para esta sequela foi dificil de juntar. Afinal, quem é que bate Michael Douglas a fazer de um detective perdido na vida, mas encontrado nos braços duma potencial assasina? E aquelas caras dos senhores da Policia de San Francisco quando Stone descruza as pernas? Por isso, só após muitas tentativas é que realizador, produtores e Stone conseguiram juntar um elenco positivo e capaz de não manchar o nome de Instinto Fatal. Aliás, a própria Stone foi quem mais adiou o inicio da produção do filme, uma vez que não encontrava o candidato ideal ao perfil do Dr. Michael Glass. A escolha recaiu finalmente sobre David Morrissey, um actor tipicamente britânico, com toda a escola do teatro Shakespeariano, mas sem grande visibilidade em Hollywood, apesar de ainda este ano ter tido um pequeno papel em Derailed. Calmo e seguro, mas de olhos e sobrancelhas expressivas, foi o seu ar quase ingénuo que levou à escolha definitiva da mulher fatal que o persegue.
Desta, espera-se um filme quase sem falhas em termos de interpretação. A verdade é que Stone pôs tanto de si, e do seu lado mais carnal e emocional no filme que vai ser díficil vê-la desconfortável ou desenquadrada em alguma cena, já que tanto partiu da sua cabeça. Muitas das cenas de nudez foram encorajadas pela própria actriz, que ainda recentemente se referiu sentir orgulhos por poder ter um corpo como seu aos 48 anos de idade, e poder exibi-lo no grande ecrã sem vergonha, pudor ou dúvida.
Quanto aos restantes nomes, David Thewlis interpreta Roy Washburn, o agente da Scotland Yard que acompanha Glass no processo, e a também britânica Charlotte Rampling é a mentora do psiquiatra, que tem por missão tentar avisa-lo que de que está em território perigoso. Em suma, o lote de actores secundários é maioritariamente britânico e sem nome feito nas grandes produções hollywoodescas, mas parece bem enquadrado para os papeis que lhes são atribuidos, já que o brilho de Stone facilmente disfarçará qualquer das suas pequenas lacunas.

A banda sonora é um dos poucos items que se mantém do originalInstinto. Jerry Goldsmith vai continuar a compor e escolher os temas principais, que tão bem enquadrados ficaram nas cenas de maior suspense e nas de maior climax do primeiro filme. Para complementar o seu trabalho, juntam-se dois nomes que já haviam trabalhado com o novo realizador em projectos anteriores: John Scott e John Murphy, mais um par de britânicos.
A realização, do escocês Michael Caton-Jones pode não ser exactamente o mesmo tipo de trabalho que Paul Verhoven fez em 92, com os seus fantásticos planos à chuva e dentro do carro, acompanhando Douglas, ou dos subtis movimentos de Stone. A seu favor abona o filme que estreou o ano passado, Shooting Dogs, e que não foi mal recebido pelos críticos, tendo tido passagem auspiciosa no último Fantasporto.
M. A. M.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:04 AM | Comentários (8)
março 12, 2006
North Country - Mulher de armas!
No ano de todos os temas políticos, só faltava mesmo o assédio sexual. Josey Ames, inspirada numa personagem real, fez história com a sua cruzada contra o machismo das corporações industriais norte-americanas. Mas Niki Caro não consegue captar bem a essência da sua luta, e perde-se entre o retrato da mulher e a mãe de família...
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O que irrita em North Country não tem nada a ver com o filme. Aliás, filme que foi muito mal recebido nos Estados Unidos, um verdadeiro flop de critica e de box-office que só se salvou porque o filme é, acima de tudo, Charlize Theron. Mas o que irrita em North Country - e em tantos outros filmes como este - é que continue a existir o preconceito que a beleza é um empecilho à qualidade de um actor. Ou seja, trocando por miudos, um actor ou actriz bonitos só sabem representar quando se despojam da sua beleza e se transformam. É quase como que uma inveja colectiva do mundo perante os Apolos e Afrodites de Hollywood. E se há actriz que tem sofrido esse estigma, ela é sem dúvida Charlize Theron.
A sul-africana - que venceu em 2003 o óscar pela sua transformação completa na serial-killer Ailen Wournoos em Monster - volta a dar um desempenho de grande qualidade. E volta a ter de colocar muito óleo, ferrugem e maquilhagem em cima, para esconder aquela que é uma das caras mais sedutoras de Hollywood. De facto North Country vale por Charlize, e pouco mais. Uma performance recheada de tours de force imensos, com uma profundidade dramática só ao alcance das grandes actrizes - e ela é, de facto, uma das grandes actrizes da actualidade - misturado com momentos de grande tensão interior, que só o seu olhar consegue exprimir com toda a exactidão.

O potencial de North Country era muito. A história de uma mulher, Josey Ames, vitima de violência doméstica, que volta para casa dos pais e decide começar a trabalhar numa mina, que é também o sustento da população local. Mas uma mulher a trabalhar num poiso de homens é, no final dos anos 80, assunto tabu, e tanto ela como todas as outras mulheres, são tratadas como lixo. O que lhes vale é o trabalho da sindicalista local, e a persistência em continuar. Pelo meio vamos conhecendo o passado sexual da personagem, que ostenta sempre uma imensa aura de libertinagem - que, convenhamos, não coincide com aquele olhar angelical de Theron - e as relações de desaprovação da sua cruzada pessoal pela igualdade de direitos no trabalho.
E se até aí o filme caminha bem, de forma segura e sem grande ambição, a verdade é que Niki Caro não consegue agarrar a história com as duas mãos. Entre seguir a cruzada da mulher, ou passar pelo sofrimento da mãe de família, Caro não ata nem desata. A cena final do tribunal, que supostamente seria para o culminar da luta pela igualdade de direitos, torna-se numa cena de vitimização da personagem central, que afinal não é libertina mas sim vitima de violação por um professor. Se a história é sobre a pioneira, é injustificável que o resultado da sentença - e consequências - fiquem para uma frase no genérico final. Se a obra é sobre a mulher, a mãe de familia, então não se percebe o ritmo que o filme vai levando, de tal forma que as personagens secundárias mais bem trabalhadas são as que estão ligadas à sua causa.

Frances McDormand, nomeada ao óscar de melhor actriz secundária, tem um desempenho sólido e agradável, mas a sua agonia final não pode servir como justificação para uma grande performance. São Woody Harrelson e Richard Jenkins que dão a melhor réplica a Theron, com trabalhos muito sóbrios e exactos, qual relógio suiço. E se a direcção do filme nem compromete, também não espanta pela originalidade ou frescura, como aconteceu com The Whale Rider, o filme que catapultou a realizadora para a fama. Trabalho técnico aceitável, filme com um ritmo nem muito lento, nem muito rápido, North Country é uma história interessante, trabalhada de maneira confusa, e que acaba por valer pela presença insubstituivel dessa diva que dá pelo nome de Charlize Theron.
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O Melhor - O desempenho de Charlize Theron. Não foi desta que levou o segundo óscar, mas ele deverá chegar. É uma questão de tempo.
O Pior - A confusão do guião na segunda metade do filme, corta um pouco as asas a uma história que até então estava a ser interesante de seguir.
Curiosidade - O titulo original do filme era Class Action.
Site Oficial - northcountrymovie.warnerbros.com
Realizadora - Niki Caro
Elenco - Charlize Theron, Frances McDormand, Woody Harrelson, ...
Produtora - Warner Bros.
Classificação - m/12
Duração - 126 m
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:32 PM | Comentários (1)
Aquelas Frases...
"I never wanted to be anybody else"!

in Easy Rider
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:52 AM | Comentários (0)
março 11, 2006
Entrevista a Mário Dorminsy II
Segunda parte de uma entrevista realizada em parceria entre o Hollywood e o Take 2 a Mário Dorminsky, o mentor e organizador do maior festival de cinema em Portugal.

- O Fantasporto tem funcionado sempre como um espaço de revelação de nomes, não só cá em Portugal mas também a nível mundial. Houve Sam Raimi, Peter Jackson, Guillermo del Toro…Qual é a grande revelação que poderá sair daqui este ano?
É difícil de dizer. Há vários nomes. É evidente que eu sei quais são os bons, mas dizer quais vão ser os que vão dar o salto, é diferente. A questão é esta: como normalmente os nomes que as pessoas retêm, são nomes muito ligados ao cinema americano, este ano, pegamos em nomes fortes do cinema asiático, e nos restantes casos acho que só o futuro o dirá porque não vai existir a máquina norte-americana por trás. E por isso tenho dúvidas em dizer que o senhor A, B ou C, que têm grandes filmes, vão conseguir projectar-se. Tanto revelamos nomes como um James Mangold, que agora leva filmes aos Óscares, como um cineasta como o Michael Haneke, que é conhecido por um núcleo duro de cinéfilos. Os europeus, só por sorte, é que acabam por explodir realmente.
- Este ano há mais cinema europeu, e há mais cinema português. Acha que se pode falar numa “Geração Fantas”?
Há uma “Geração Fantas”. Uma geração que está aí com o Alice, o Odete, o Coisa Ruim, o All See You in My Dreams. Há muitos cineastas que emergiram do Fantas. E aí tem havido apoio do ICAM que tem permitido o apoio a alguns filmes para que possam ir a concurso. O problema é que há autores, como o próprio Filipe Melo, que está à espera de apoios para avançar com o seu novo filme, Dog Mendonça e Pizza Boy, que tem um argumento, fabuloso, fabuloso, que não arranjam financiamento. Sabemos que estão a arranjar investidores privados, mas mesmo assim ainda faltam verbas, que todos esperamos que venham do ICAM ainda este ano.
- A Cinema Novo vai ser um desses investidores?
De alguma forma sim. Mas não temos capacidade financeira para entrar com 400 mil euros no projecto. Já tem actores – Nicolau Breyner e Bruce Campbell – e vai ser rodado em inglês, o que tem levantado problemas com o ICAM, apesar de já se ter decidido em apostar paralelamente numa versão portuguesa. Vamos ver como é que vamos trabalhar isso!
- Há uma situação que é um dos grandes problemas do cinema português. Em Espanha os espanhóis vão ao cinema ver filmes espanhóis, os franceses vêm filmes franceses…em Portugal as pessoas não vêm filmes portugueses…
Falta a nova geração. Em Espanha apostaram na nova geração, conquistaram o público. E aí a comunicação social tem culpa. Critica-se e faz-se coberturas falando-se no filme A, B ou C, esquecendo-se do contexto em que o projecto foi feito. Em Portugal não se faz divulga-se de eventos, criticam-se os eventos. O exemplo mais claro foi que no sábado, dia após o início do Fantas, não saiu uma única notícia. Tivemos de por páginas pagas de publicidade para garantir que as pessoas soubessem o que se passou. E isso acontece por preguiça, por falta de vontade em divulgar o que se vai passar em cada dia.
A Comunicação Social bloqueia a cultura nacional. Só a manda abaixo. Em Espanha, França, Itália, Alemanha, seja quem for, defende os seus cineastas, cria nomes para as estrelas, faz dos actores estrelas, cria um “star system” apoiado pelas revistas, jornais, televisões. Em Portugal é bota abaixo. Por isso é perfeitamente natural que nos jornais digam que a Maria de Medeiros é francesa.
- Quem é que o Mário gostava de ver na próxima edição do Fantas?
Eu gosto de ver os meus amigos todos. Mas gostava especialmente de ter quatro gordos, apesar de um deles estar magro. Um é o Guillermo del Toro que esteve cá o ano passado. O Peter Jackson, que agora está magríssimo. E gostava de ver cá o Santiago Segura e o Alex la Iglésia. Somos todos gordos, temos todos barba, temos todos um cabelo esquisito, somos todos amigos, por isso se estivéssemos cá ao mesmo tempo seria fantástico.
- E já há algum filme que tenha visto ou ouvido falar que gostasse de exibir aqui no Fantas do próximo ano?
É muito difícil. Nós trabalhamos com material extremamente recentes. Este ano temos várias estreias mundiais e europeias, o que faz com que só possamos ter a certeza que vamos ter os filmes pouco tempo antes do festival. É quase impossível nesta altura do campeonato antecipar os filmes que estarão no Fantas do próximo ano. O que estamos a fazer é testes em novos formatos. Sem ninguém reparar, estamos já a passar filmes em alta-definição no grande auditório. E no próximo ano vai haver uma fusão total dos modelos de exibição dos filmes.
- Como é que fazem a selecção dos filmes?
Nós acompanhamos a produção de um filme desde a sua origem. Há dois meios de comunicação essenciais, o Variety e o Scrren Internacional, que tem áreas dedicadas ao lançamento das produções internacionais. Quando vemos o nome do produtor – que já conhecemos e tem qualidade – o filme que tem o realizador x – que já sabemos que pode dar alguma coisa – e tem o actor a ou b – que dá o enquadramento ao filme – a partir daí acompanhamos o filme. Por isso agora temos listas e listas e filmes em Cannes e no American Film Market. E é aí que vamos ver e falar, pedir promos, desses filmes. Daí que a programação do próximo ano, e de 2008, já está a rodar.
1º Parte
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:01 PM | Comentários (1)
Entrevista a Mário Dorminsky
Há mais de 25 anos que Mário Dorminsky é um nome incontornável no cinema português. Organizador do maior festival de cinema nacional, Dorminsky é também a voz da contestação ao estado actual do cinema português e à forma como as entidades e os órgãos de comunicação social impedem o crescimento de um indústria nacional.
O director do Fantasporto em discurso directo, numa entrevista em duas partes, feita durante o festival pelo Hollywood e Take2.

- O que é que leva o Mário Dorminsky a sair de casa e a ir ao cinema?
Bem, desde que foi convidado para o lugar de vereador da Cultura, na Câmara Municipal de Gaia, que a minha vida mudou radicalmente. Por isso há um antes e um depois. Normalmente eu vou ao cinema por gozo. Gosto de estar com pessoas, com o público em geral, a ver os filmes. Não gosto das pipocas, dos barulhos dos telefones e das pessoas falarem na sala como se estivessem em casa, e por isso tenho tendência a ir ás primeiras sessões da tarde, especialmente no AMC que tem das salas que eu considero ser das melhores de Portugal e da Europa. E dá-me muito gozo ver o cinema em grande ecrã e mantenho-me acompanhado em relação ao que sai cá, até porque muitos dos filmes eu já vi, ou em festivais ou mostras de cinema. O que me acontece é que, nos últimos quatro cinco meses, com a dificuldade que foi em gerir o cargo de vereador, com a preparação do Fantas, tive dificuldades em ir ao cinema, onde só vi dois filmes, o Brothers Grimm e o King Kong.
- Como é que acha que está a oferta nas salas de cinema nacionais?
O mercado está neste momento numa crise muito grande, provocada essencialmente pela falta de critério dos exibidores, em relação às propostas que são feitas pelos distribuidores. Isto é, cada vez mais passam no circuito comercial filmes que, no meu ponto de vista, deviam ir directamente para vídeo, ou dvd como se diz agora. E isso leva a uma quebra da ida ao cinema do espectador normal, que procura um filme que não está a conseguir encontrar, nos últimos tempos, numa sala de cinema.
- O que é que há nesta edição do Fantasporto que pode fazer as pessoas a saírem de casa e a virem ao cinema?
O Fantas…o Fantas em si é uma marca. Ainda há bocado vi ali na bilheteira um homem que pedia um bilhete para a sessão e nem sabia os filmes que iam estar, só queria mesmo ver um filme que estava no Fantas. Nós não temos só o público cinéfilo, temos também as pessoas que vêm ao Fantas e que eu comparo ás pessoas que vão aos supermercados de cinema, aos fast-foods que são os multiplex, e que chegam à bilheteira e nem sabem bem o nome do filme. Só pedem bilhetes para ir ver o Tom Cruise ou a Nicole Kidman, ou seja lá quem for. O Fantas é, pela sua promoção, pelo seu nome, um fenómeno de imagem, de atracção em termos dos mais diversos públicos, e atrai públicos de uma forma transversal, dos mais novos – que às vezes querem vir ao Fantas e não pode, para quem incluímos a exibição das séries Triângulo Jota. Este ano não pensamos muito nos mais jovens, até porque se vai criar um programa chamado Fantaskids, que vai girar pelo país todo ao longo do ano, e que é uma forma de complementar o trabalho de criar o gosto pelo cinema junto dos mais novos, com filmes que eles gostem e que os tirem para fora da realidade, sem ser necessariamente os filmes da Disney.
- O que é que nos pode dizer mais do Fantaskids?
O Fantaskids é um projecto que deve arrancar para Maio que deve circular pelo país, e que, em principio é um projecto que vai funcionar de uma forma paralela ás “semanas Fantasporto”, que fazemos em parceria com várias câmaras municipais. Queremos atrair mais miúdos a ver cinema. E como tudo indica que para o ano também vamos ter uma sala de cinema Fantasporto em Lisboa e no Porto, isso dá-nos possibilidades de mostrar os filmes que nós queremos ao longo do ano. A ideia é também por o Fantasporto a ser falado durante todo o ano através de um trabalho a ser desenvolvido pela empresa Realizar, que já tem trabalhado connosco e que nos vai permitir prestar mais atenção ao conteúdo do festival e menos ao aspecto de organização e preparação das diferentes iniciativas que pretendemos realizar.
Mas, e na edição deste ano. Quais são os grandes atractivos?
Temos um ambiente cosmopolita, isto é, um ambiente em que as pessoas podem conversar umas com as outras, nos intervalos, quando não vão aos filmes, e fala-se sobre cinema que é uma coisa que existia há muito tempo, e que deixou de existir. E o Fantas trouxe de novo glamour à ida ao cinema no Porto. Por outro lado há um tipo de filme Fantas, mais ou menos caracterizado por ser um filme que está na corda bamba entre o cinema de autor tradicional e o cinema comercial. Está no ponto de equilíbrio, que tanto pode pender para um lado como para o outro. E isso garante a descoberta de novos cineastas, novas cinematografias, o que é também a função de um festival de cinema. Trazer estas novidades ao público. É o único ponto do país onde as salas enchem para ver filmes coreanos, suecos ou espanhóis, por exemplo. Para nós a grande vitória é ter salas cheias com cinematografias que em Portugal pura e simplesmente não funcionam.
Que balanço há para já desta 26º edição do Fantas?
Bem, primeiro houve o pré-fantas, que nos permitiu olear a máquina, exibir os primeiros filmes para a Imprensa, transformar o Rivoli. Tudo isso que é necessário para se criar o ambiente para a altura em que o festival arranca mesmo.
Mas desde o primeiro dia temos tido noites muito boas, tardes mais fracas, o que é normal, e o arranque foi fortíssimo. E espero que assim seja até ao fim. Os filmes são suficientemente atractivos e está na onda dos últimos anos. Temos 32 países representados com filmes de todos os continentes, o que demonstra bem a importância que damos ao cinema feito em todo o mundo.
- O Fantas começou por ser um Festival ligado muito ao cinema fantástico…
Só nos primeiros dois anos. A partir do terceiro ano mudamos imediatamente o conceito. Abrimos a porta ao thriller, depois criamos a primeira semana dos realizadores, e isso também se percebe porque a meio dos anos 80 houve a primeira quebra grande do cinema fantástico. E curioso é que ninguém da estrutura é fã de filmes de terror. Por isso, a partir de determinada altura pensamos que a programação fantástica exclusiva começava a ser perigoso, porque estávamos na altura das sequelas. E decidimos abrir o festival a outras cinematografias, a ser um festival mais generalista. E depois seguimos a ordem natural das coisas, com a descoberta do cinema asiático, criamos o Orient Express, com uma tónica muito significativa de temáticas pouco convencionais. E vamos fazendo experiências. Este ano estamos a fazer uma viagem ao cinema de Bollywood, também para ver no que vai dar. E estamos a homenagear o cinema húngaro, até porque se celebram 50 anos da entrada dos soviéticos em Budapeste. No fundo a lógica do festival tem sido esta ao longo dos anos, e tem sido um sucesso, em todas as áreas do festival.
- Então porque é que ainda hoje a imagem que se passa do Fantas é que é um festival quase exclusivamente virado para o fantástico, para o terror?
Em relação a isso, eu acho que há uma grande dificuldade em conseguir através da comunicação social que o festival é um festival de monstros e monstrengos. E em relação a isso não podemos fazer nada. Mesmo quem cá vem, continua a transmitir a imagem da área do fantástico. E acho que, quanto a isso, não há volta a dar-lhe.
2º Parte
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:00 PM | Comentários (2)
Cantos do Mundo - África
A vitória de Tsotsi foi polémica. Mas serviu também para mostrar ao mundo o cinema que é feito no "continente negro". Um lado também ele trágico, aquele que ninguém quer ver, mas que sabem que existe...

Nos últimos anos o cinema norte-americano tem viajado até África para filmar histórias trágicas. Hotel Rwanda, Shooting Dogs ou The Constant Gardener são exemplos de crimes cometidos contra um continente, que diz a ciência, foi a origem de todos nós.
Mas o problema é que estas questões são vistas sempre por quem está de fora. Ou brancos, que são deslocados para África e encontram lá situações que nunca imaginaram ser possiveis. Ou brancos, que já estão em África, mas não perdem o olhar ocidental sobre o que se passa. Ou então, negros que são mais europeus do que alguns brancos que já lá estão, e que não deixam de ter um olhar que não é o olhar de rua.
Tsotsi nao é assim. O filme de Gavin Hood é - com as devidas diferenças - uma especie de Cidade de Deus africano. Ou melhor, sul-africano.
O país com maior indice de criminalidade urbana em África tem de viver diariamente com o problema da SIDA e o fantasma - sempre presente - do Aparthaid. E é ao captar essa essência, sob o ponto de vista de um pequeno grau de areia em todo este oceano de marginalidade, que Tsotsi impressiona.

Seguimos o lider de um gang infantil durante seis dias. Um lider, que tem de se comportar como tal perante o seu grupo. É ele quem coordena, é ele quem dirige, é ele quem tem a última palavra. Mas um lider que não passa de um miudo, e como tal, com os problemas habituais dos miudos da sua cidade. O sexo, as namoradas, o medo do futuro. Está tudo lá, numa salada de emoções dificil de ignorar. Sem desculpar o crime e os criminosos, Tsotsi dá outra visão sobre o problema dos jovens negros na África do século XXI. Cercados pelo crime, pela exploração das grandes companhias ocidentais dos seus recursos, pela omnipresença da SIDA é dificil sobreviver.

Um filme que foi feito na África do Sul, mas que não é só um retrato da África do Sul. É uma imagem do que se passa com muitos jovens, em muitas cidades de um sem número de nações africanas. Os problemas não se resolvem sozinhos, e a ajuda que há é pouca. Para estes jovens há poucas solucções à vista. E dessas, quase nenhuma é digna. Certamente que não o futuro dos seus sonhos, mas o único futuro que podem alcançar. O que para muitos que nem lá conseguem chegar, é um sonho perdido. Como tantos outros.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:21 PM | Comentários (0)
Top of the Tops...Thrillers dos Anos 90
Os Anos 90 foram pródigos em grandes produções que rapidamente se imortalizaram por aquilo que são e pelo que provocam no espectador. Qualquer um destes filmes é um filme de culto, com fãs que resistem ao tempo e com um lugar de destaque na história do cinema.
Intensidade e suspense, acção e twists inesperados, personagens marcantes e imagens que se perpetuam na memória...Tudo isto, e muito da nossa subjectividade é o que define o thriller perfeito.

5. Mission Impossible

Baseada na série de TV dos anos 60/70, este filme apropria-se do espírito de equipa de um grupo de agentes de CIA que opera indiscriminadamente sob ordens governamentais, conseguindo atingir os seus objectivos de forma brilhante. Mas todas as parecenças com um filme de acção acabam aqui. Tom Cruise é o líder deste grupo de operações especiais, que conhecemos numa missão de natureza regular na cidade de Praga, mas que corre inexplicavelmente mal, e da qual Cruise é o único sobrevivente. Rapidamente se apercebe que algum agente infiltrado na CIA está a sabotar estas missões e o usou como bode expiatório. Deixado de fora das actividades da agência e sem ninguém que acredite nele, Cruise tem de encontrar a toupeira, perceber os seus objectivos e limpar o seu nome e o seu futuro.
Para isso, reúne uma equipa de espionagem junto dos seus contactos fora da agencia, e a partir daqui partimos para um thriller de suspense inesperado num filme deste tipo, onde a única saída é uma furtiva entrada no edifício da CIA, que nos levará a um labirinto de situações e revelações num timing de cortar a respiração.
4.Goodfellas

É grande, é longo, é forte, é violento, é sarcástico e é deprimente. Claramente, não é para todos. Goodfellas conta a história da ascensão e queda de um senhor gangster, pelas palavras de dois narradores, que vão acompanhando de forma coloquial a sua vida por entre todos os episódios negros e impressionantes que são o pão nosso de cada dia para a família da mafia.
Uma acção sem falhas, um argumento brilhante, mas acima de tudo, um leque de actuações que nos levam a perguntar se aqueles actores alguma vez foram alguma coisa que não mafiosos. Joe Pesci é outro homem. A sua actuação como Tommy De Vito, violento, insensível, cáustico, é de tal forma credível que é impossível não ter uma atracção doentia pela sua personagem. Liotta tem também um desempenho marcante, e De Niro é o patrão subtil, poderoso e, apesar de não aparecer em cena tanto tempo quanto gostaríamos de vê-lo, cada vez que surge impõe respeito.
Scorcese desde aí tem reclamado o seu lugar nos rankings da Academia, mas a verdade é que depois de Goodfellas não lhe ter dado um Óscar parece improvável que algo que ainda possa fazer alguma vez venha a dar.
3.Se7en

Desde realização, interpretações, imagens, e música, Seven é um filme que não nos abandona facilmente depois de o vermos. Tem aquele desfecho que, podendo não ser totalmente inesperado, é inesperadamente brilhante, fruto dos mind games a que nos vemos expostos durante perto de duas horas.
Brad Pitt e Morgan Freeman fazem uma dupla brilhante, no clássico conflito antagónico entre o novo e o velho, o optimista e o pessimista, o crente e o descrente. Ambos são detectives, e a sua mais recente missão é resolver a charada de estranhos crimes, aparentemente sem um móbil definido, que vão assombrando Nova Iorque. Quando se apercebem, andam à caça de um homem que reclamou para si a punição dos 7 pecados mortais. A forma com entramos nas suas vidas e nos seus sentimentos é difícil de encontrar, mesmo nos melhores thrillers que alguma vez foram feitos.
Há violência, sim, mas nunca directamente. Ao espectador, é apenas dado o momento final, a morte consumada. Mas essa imagem fala por si. Cada pecador proporciona uma atmosfera tão perturbadora que não conseguimos esquecer nenhum dos sete pecados por muito tempo, depois de nos desligarmos do ecrã.
A realização de David Fincher fala por si própria: não há no filme um momento de relaxamento, de pausa. A camera está em constante movimento, emprestando ao espectador a ilusão de que está sempre na sala onde os personagens estão. Mesmo nas cenas mais calmas, ele encontra forma de demonstrar que as vidas de Pitt e Morgan estão em desassossego, seja por causa do comboio que passa e abana a casa do jovem recém casado ou por todos os momentos de pausa do veterano serem acompanhados de uma chuva intensa.
Do criminoso, não se poderia esperar melhor interpretação em tão pouco tempo que está em cena. Spacey é fenomenal, exala uma loucura inocente dos seus olhos e apresenta-se com um sorriso de redenção... Marcante.
2.Pulp Fiction

Controverso. Duro. Violento. Surreal. Tarantino.
Este filme cria a sua imagem como um senhor do cinema de suspense fantástico, e praticamente transforma o seu nome num adjectivo. Os seus planos de cinema surreal, as movimentações improváveis da camera, as ideias geniais de perpetuar o suspense para além dos poucos segundos que dura um cena e nos deixa a pensar nela até o momento em que a história volta para lá...E depois, o guião, todo ele. A Los Angeles dos nossos dias é o palco das personagens mais improváveis e das mais comuns, mas que entram numa espiral de acontecimentos e episódios em que é difícil acreditar, numa cela escura cheia de violência gratuita e num tiroteio rápido com twists inimagináveis... Mas será que a inovadora realização e escrita de Quentin capaz de lançar Pulp Fiction para a prateleira dos filmes de culto por si só?
É difícil responder, porque os pontos fortes desta história não ficam por aqui. As interpretações de John Travolta, Bruce Willis, Samuel L. Jackson, Uma Thurman, Harvey Keitel e Cristopher Walken juntam-se de uma forma sobrenatural, parecendo que este leque de actores nasceu para estar junto neste filme. A história, em formato de cinema mosaico, é composta por três intrigas que por si só dariam um filme, mas que depois de as vermos interligadas em Pulp Fiction não mais as poderíamos ver de outra maneira. Willis é um boxeur corrupto às voltas com um lampejo de honestidade e dúvidas sobre a sua vida, Travolta um assassino contratado, mas com a traiçoeira missão de ter que passar uns dias a tomar conta da mulher do seu implacável e irascível patrão. Keitel é o tipo que resolve os problemas dos outros, e é ele quem vai atar as pontas soltas duma história montada em analepses e prolepses, flashbacks estranhos e uma organização que por vezes nos faz pensar se não teremos perdido nada de uma forma inexplicável.
Mas não é o que acontece, já que à medida que caminhamos para o final o nevoeiro dissipa-se, a ordem sem sentido afinal era a mais lógica possível. E depois a violência gratuita que parece ser uma constante, mas que é aligeirada de forma fenomenal por um humor negro e precioso que se encaixa na perfeição em cada momento. Pulp Fiction marca uma viragem na história dos thrillers, na forma de abordagem do suspense e de mexer com as emoções do espectador mais impassível
1.LA Confidential

O que é que falta a LA Confidential? Poderia ser uma pergunta complicada, mas a verdade é que o filme responde por si: nada. Não falta nada, e com isso vem o duro fardo de que provavelmente nunca mais veremos um thriller como este.
Polícias corruptos, alianças secretas, traições, amor, jogo duplo, morte, caos. Esta Hollywood dos anos 50 é palco de uma história de histórias, de personagens que se completam mas que se aguentam sozinhas, de intrigas secundárias de grande qualidade, onde Kim Besinger e Danny DeVito ganham o seu espaço, de twists completamente geniais e de lutas pelo poder duma forma subtil como se vê em poucos filmes.
A acção principal mantém-se a si mesma graças a três interpretações geniais, correspondentes a três personagens não menos bem conseguidas. Russel Crowe é o bad cop, o que faz os interrogatórios sem piedade, o que parte para a violência porque foi assim que cresceu e que sobreviveu. Como tal, a sua honestidade e ingenuidade fazem crescer o nosso apreço por tal personagem, que naturalmente é aquela que quando se apercebe que está metida em algo muito maior que ele fica meio perdida, mas consegue fazer as escolhas certas. Spacey é o polícia que sabe o que faz, e sabe como fazê-lo: o sistema tem falhas, a corrupção sai impune, o dinheiro e a fama são melhores do que o trabalho duro. A vida corre-lhe bem, e entrar em causas justas e certas é algo que não está nas suas prioridades. Mas os seus esquemas ardilosos já o haviam posto lá dentro sem ele dar por isso, e agora é tarde para sair. O último deste três homens é Guy Pearce, o polícia exemplo, aquele que quer deitar abaixo tudo e todos os corruptos do sistema e subir graças ao seu mérito próprio e justiça para os escalões mais elevados. Mas LA é muito grande para um homem só, e apesar das suas investigações estarem sempre no caminho certo, falta-lhe sempre uma peça para completar o puzzle. São estes três homens, tão diferentes entre si, mas tão iguais à sua cidade que vão conseguir escapar e desmontar a teia de corrupção e mentiras que mina todos os sistemas e esquinas da cidade onde vivem. São mais de duas horas e meia que passam a correr, porque não há um momento em que não se respire novidade, mais pistas, mais luz, mas ainda assim um suspense mantido de forma formidável até ao final, quando a verdade se abate sobre nós de forma chocante e inacreditável, mas ainda assim tão plausível de acontecer...
Por problemas técnicos com o servidor não nos foi possivel publicar esta rúbrica, como estava previsto, ontem. Por isso pedimos desculpa!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:14 PM | Comentários (12)
Whiterspoon distribui pizzas
Depois de Philiph Seymour Hoffman ter anunciado o seu primeiro projecto pós-óscar, agora é a vez de se conhecer o novo filme de Reese Whiterspoon.
A actriz, galardoada com o óscar pelo seu desempenho em Walk the Line, vai viajar até Londres onde contracenará ao lado de Christina Ricci no filme Penélope.
Trata-se da história de uma distribuidora de pizzas, que vai fazer tudo para se livrar de uma amaldição que se abateu sobre ela quando nasceu. Ao contrário do que se esperava, é Ricci a actriz principal do filme e não a recém-oscarizada. As filmagens já começaram e o filme deverá estrear no Outono.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:56 PM | Comentários (0)
Woody em Paris
Woody Allen não pára. Depois do sucesso de Match Point, e de ainda recentemente ter finalizado Scoop, filme que tem estreia marcada para este ano, o cineasta já está a pensar no seu próximo trabalho.
Apesar de ainda não ter revelado o enredo ou o nome do filme - e de se ter falado na sua passagem por Espanha - Allen confessou que gostava de continuar a filmar em Londres. Mas a entrada de financiamente francês nesta nova produção veio acompanhada da sugestão de que o filme poderia ter Paris como cenário. O realizador não se opôs à ideia - Paris era, até à bem pouco tempo a sua cidade europeia fetiche - re-ambientando a história que existe já na sua cabeça para a cidade das Luzes.
Segundo a Variety, o filme contará com Letty Aronson, Stephen Tenenbaum e Gareth Wiley na produção e tem tudo preparado para começar a ser rodado no segundo semestre deste ano.
M.A.M.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:54 PM | Comentários (0)
Entrevista a John Howe
É reconhecido mundialmente por ser o ilustrador da obra de J.R.R. Tolkien. Quando os realizadores Anders Banke e François Boetschi decidiram avançar com um documentário sobre, John Howe, o criador de desenhos que têm fascinado adultos e graúdos, desde há muitos anos, o título só poderia ser There And Back Again. E o Hollywood - em parceria com o Take2 - tinha de estar lá...

- Quando olha para o documentário John Howe: The And Back Again, deixa-o orgulhoso?
Sim. Claro que sim. Acho que eles fizeram um trabalho genial em tornar a minha vida interessante. Porque ela não é!
- Quando cria as ilustrações do "universo Tolkien" a sua única inspiração são os textos escritos pelo autor, ou há algo mais do que isso no decorrer do processo criativo?
É uma boa questão. Acho que qualquer ilustração tem de ir mais além do que está escrita no papel. O texto é um ponto de partida para a informação que queremos transmitir, e que não está necessariamente escrita. E isso implica sempre grande pesquisa. É um processo de duas partes que acontecem ao mesmo tempo. Procurar a informação, e depois esquece-la e deixar a inspiração trabalhar.
- Tenta então jogar com o que Tolkien escreve e o que sente em relação ao que lê?
Sim, acho que é uma sensação mista. Não nos podemos contradizer, mas o que está escrito não é suficiente. Temos de estar atentos à atmosfera e ao detalhe. E já vi ilustrações que são iguais ao que está no papel, e não fazem sentidos. E por isso acho que a criação do trabalho tem muito mais para além do que está escrito. Aliás acho os textos do Tolkien mais interessantes do que o próprio livro. Ele não inventou nada. A maioria dos nomes existem nas sagas escandinávias. Basta ver os nomes do Gandalf, dos elfos, anões...ele não inventou muito na verdade!
- Ilustrar o universo de Tolkien é um dos pontos altos da carreira de um ilustrador?
Estou tentado a dizer que sim. É muito raro encontrar um trabalho de ficção em que estamos completamente de acordo com o que foi escrito. Acho que não há nada no Lord of the Rings que não goste. E isso é muito dificil de encontrar. É um dos universos que mais nos realiza, em termos de ilustração!
- Todos nós vimos os filmes, em que o John trabalhou como ilustrador. Quando olha para uma cena do filme, e faz pausa, e observa bem a cena, os detalhes, as personagens...sente que era assim que criaria a cena se a estivesse a ilustrar no papel?
Não. Seria muito raro. Há algumas cenas que acho fabulosas, e que adoraria desenhar. Mas não todas. É simplesmente uma questão de gosto. Mas acho que o filme fez um trabalho fabuloso em não destruir a imagem que já existia do universo Lord of the Rings. É curioso porque o Peter Jackson fez um filme para um público devoto dos livros, que já tinha uma ideia de como tudo devia parecer, e ao mesmo tempo ele queria algo pessoal no trabalho que fez. E conseguiu uma mistura perfeita. Mas é preciso ter-se sorte. E ele teve-a!
- Magnus (produtor) e François (co-realizador). Vocês são ambos criadores. Como foi fazer um trabalho criativo sobre alguém cujo trabalho também é criar?
François Boetschi - É um encontro de três mundos, o meu e do Anders como cineastas, o do Magnus como produtor e o do John criador. Como ele disse os textos do J.R.R. Tolkien são também para ler nas entrelinhas, e acho que tentamos filmar o que está nas entrelinhas do trabalho do John. Menos o Senhor dos Aneis e mais o criador das ilustrações. A ideia da criação perseguiu-nos sempre durante este trabalho, sim.
- Estamos num periodo em que os documentários com mais sucesso são documentários politicos ou de intervenção social. Mas vocês trabalharam a perspectiva de um criador. Acham que o documentarismo devia ser mais assim, mas voltados para as pessoas e para o que elas fazem?
François Boetschi - Não acreditamos muito na ideia do "cinema-verite", mas claro, quando começamos a filmar é uma pessoa que tamos a seguir. Mas queremos fazer isso de uma forma sensitiva. Não vamos dizer, isto é a vida do John Howe, porque não é. São pedaços da sua vida, pedaços muito pequenos. E não queremos fazer o todo passar pela parte. Há muito que não sabemos sobre ele.
John Howe - É curioso falarem nisso porque há outro documentário sobre o meu trabalho, que eu já vi, e são completamente diferentes estes dois filmes. E no entanto o objecto da camara é o mesmo, eu. Acho que o valor de um filme como estes está mais no trabalho que eles fizeram, do que no meu!
- E como é que alguém como o John Howe se sente quando fazem um documentário sobre si, sobre a sua vida, o seu trabalho?
Acho que fazer um documentário destes é muito dificil. O trabalho de criação é muito maçador de se ver. Não se pode filmar uma pessoa a fazer o mesmo durante 3 semanas. Não dá. É algo muito solitário. Por isso gostei muito do trabalho criativo deles, não só o meu trabalho mas tudo o que o possibilita. Para mim, acho que foi uma experiência fascinante.
- O John Howe é um ilustrador de renome, mais conhecido pelo seu trabalho no Lord of the Rings, mas não só. Dos universos literários, dos mundos de ficção criados pelos mais diversos autores, há ainda contos, livros, personagens que gostasse de ilustrar e que ainda não o tenha feito?
Sim, muitos. Mesmo muitos.
- Quem, por exemplo?
Não consigo...são centenas, não consigo dizer só um nome!
- Quando olha para as suas ilustrações do Senhor dos Aneis pensa que, se tivesse de fazer tudo outra vez, fazia de forma diferente?
Sim, sem dúvida. Eu acho que tudo o que fiz na semana passada é o que fiz na semana passada. Não há nada definitivo nem permanente. Não é possivel fazer algo definitivo de nada. Porque se fizermos algo definitivo, isso significa que acabou. E por isso o trabalho mais interessante, é sempre o próximo, para mim.
- Teve liberdade criativa quando fez o trabalho de ilustrador da trilogia Lord of the Rings?
Sim, tivemos muita sorte. Tivemos em pré-produção durante um ano e meio. Foi muito tempo. Mas não houve pressão, não tinhamos datas de entrega, e nós sabiamos o ritmo que era necessário. A equipa de design de pré-produção tem sempre sorte, porque está tudo a começar lentamente. E eu tive esse prazer de trabalhar sem pressões.
- Trabalhou com outro grande ilustrador, Alan Lee, quando fez o Lord of the Rings. Como foi trabalhar com outro grande nome do meio para alguém que está habituado a trabalhar sozinho? Houve colisão ou cooperação total?
Sou um grande admirador dele. Um grande ilustrador, uma grande pessoa. A cooperação foi total. Ele é mais velho que eu, dez anos, e quando ainda estava a começar já ele era um grande nome. Foi óptimo conhece-lo, e a melhor coisa possivel que pode acontecer a um criativo é poder trabalhar com alguém que se admira. Foi mesmo estimulante trabalhar com ele. Tinhamos um pequeno escritório, que partilhavamos, na Nova Zelândia, e eu trabalhava nos meus desenhos, e vira-me, olhava para o que ele estava a fazer, e via desenhos fabulosos, que me inspiravam e ajudavam. Foi óptimo!
Miguel Lourenço Pereira/Manuel António Martins e Léccio Rocha
Por problemas com o servidor, foi impossível publicar a entrevista na noite de ontem. Por isso, pedimos as nossas desculpas!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:37 PM | Comentários (1)
março 10, 2006
Novo Trailer para X-Men III

Depois dos dois primeiros filmes, a saga dos X-Men no cinema continua em crescendo, fruto de uma reacção maioritariamente positiva por parte dos fãs.
O trailer que saiu esta semana mostra um pouco mais das personagens novas e cenas de combate em massa que parecem de grande qualidade. O enredo é para este Last Stand bastante mais denso do que nos filmes anteriores, já que é baseado em A Fénix Negra e nalguns textos da autoria de Josh Wedhon sobre a serie. Resta saber se a articulação dos dois temas vai estar à medida dos leitores da BD. Para já, fica o trailer, vindo directamente do site oficial.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:31 PM | Comentários (1)
It's on the horizon!
Continuam a chegar novidades das Caraíbas!
Estes novos promo pics de Dead Man's Chest dão-nos um cheirinho dos posters que vão estar em anúncios, um pouco por todas as salas de cinema do país até ao Verão, altura em que o pirata mais procurado dos sete mares voltará para fugir a uma nova maldição... Desta vez, Jack Sparrow (Depp) terá de pagar uma dívida de sangue ao lendário comandante do Holandês Voador, Davy Jones (Billy Nighy)... Mas os primeiros a pagar por isso vão ser Will Turner (Bloom) e Elizabeth (Knightley) que mais uma vez veêm o seu casamento adiado graças às asneiras do velho pirata...



M.A.M.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:00 AM | Comentários (0)
março 09, 2006
Seymour Hoffman para a consagração...

...ou para mais do mesmo?
O recentemente oscarizado já começou a definir as suas linhas de trabalho a médio prazo, com vista a continuar na àrea que recentemente o imortalizou na história do cinema. O seu próximo trabalho é também um drama e dá pelo nome The Savages, onde interpretará, ao lado de Laura Linney (Love Actually, Kinsey), um par de irmãos forçado a reunir-se e tratar do seu moribundo, idoso e problemático pai. O drama vai ser rodado em Nova Iorque a partir do próximo mês.
A equipa por detrás da sobriedade aparente deste filme dá-lhe no entanto alguma credibilidade: A produtora This is That teve um trabalho muito bom em Brokeback Mountain e a companhia dos realizadores Alexander Payne e Jim Taylor tem um passado recente que fala por si.
M.A.M.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:27 PM | Comentários (0)
Entrevista a Marc Besas
Cineasta espanhol, Marc Besas esteve em destaque no último Fantasporto. A sua curta-metragem A Lenda do Espantalho venceu o prémio de melhor curta e agora prepara-se para concorrer ao Meliés D´Ouro. Falamos com o realizador no dia da sua consagração, e ficamos a saber mais sobre as origens da curta-metragem e o futuro do seu criador. Mais uma entrevista realizada em parceria com Léccio Rocha do Take2.

- De onde nasceu a ideia para a curta A Legenda do Espantalho?
É uma história curiosa. Há cinco anos atrás queria oferecer uma pequena história à minha namorada, para lhe dar nos anos. No dia anterior disse a mim mesmo que tinha de acabar aquilo depressa, e escrevi a história em pequenos cartões ilustrados. No dia seguinte dei-lhe o conjunto dos cartões como prenda. E toda a gente gostou muito da história...menos ela.
- E a história foi original ou houve a inspiração em alguma lenda?
Não, é original.
- Qual foi a sua grande inspiração para o conceito visual da curta-metragem?
Acho que todos sabem quem é que me inspirou...o nome dele é Tim Burton...e isto nem sequer é uma homenagem de um admirador, é uma cópia deliberada, porque eu simplesmente adoro o Tim Burton, adoro-o!
- Para fazer a curta utilizou stop-motion e animação por computador. Porque juntar as duas técnicas de animação no mesmo filme?
Na verdade nós só queriamos trabalhar com animação tradicional, mas era demasiado complicado. Por isso acabamos por precisar de trabalhar um pouco em computador, mas acho que a mistura das duas técnicas torna o filme ainda mais interessante, dá-lhe um estilo muito próprio.
- Fazer A Legenda do Espantalha custou muito dinheiro?
Foi uma produção baratissima. Fizemos o filme num mês, e depois trabalhamos na música e som, mas a rodagem foi muito rápida e acabou por sair muito barata.
- Depois do sucesso desta curta quais são as apostas para o futuro?
Estou a trabalhar num esboço para um próximo filme animado chamado El Sacamantejas, que é sobre um conto de folclore espanhol sobre o "Papão". O "Papão" arranca o estomago das crianças e usa-o para fazer sopa. Como podem ver é um argumento pesado, muito pesado!
- E como foi saber que está na competição directa para o Mélies D´Ouro?
Eu nem sabia o que era o Meliés. Foi o Jaume Balagueró (realizador de Fragile) que me explicou tudo à bocado. É óptimo. Para mim esse prémio tem um valor muito superior do que simplesmente ser eleito a "melhor curta-metragem" porque no fundo é uma oportunidade para tentar ganhar outros trofeus, e para ajudar a estabelecer o meu nome no meio.
Miguel Lourenço Pereira e Léccio Rocha
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:00 PM | Comentários (0)
Opinião - É a Academia estúpido!
Esqueçam as questões de que filme é melhor. Esqueçam a problemática da arte da compensação, a que Hollywood já nos habituou. Esqueçam os prémios acumulados por um filme, e os não acumulados por outro. Esqueçam tudo isso. O que os óscares deste ano nos ensinaram, é que a Academia continua igual a si mesma. E isso não vai mudar!

O mundo queria que ela mudasse. Os amantes do cinema queriam que ela mudasse. Raios, eu queria que ela mudasse. Mas a Academia continua igual a si própria, fechada sobre si mesma, fazendo orelhas moucas ao que se passa lá fora.
A vitória de Crash foi uma surpresa para aqueles que achavam e queriam que a Academia mudasse. Ou seja, foi uma surpresa para todos. Todos os que se deixaram guiar pelo coração e pela lógica. Patetas. Deviamos ter-nos deixado levar pela tradição, muito mais simples de entender e mais dificil de contornar.
Pessoalmente - e isso acontece com muitos cinéfilos, de um e do outro lado da barricada - Crash é um filme melhor. É um filme mosaico muito bom, dentro do genero de cinema mosaico (daí as 4 estrelas e meia que o Hollywood deu), com um bom elenco, muito competente, e um argumento belissimo. Tecnicamente impressiona pouco, e no fundo acaba por cair na Biblia do sociologicamente correcto, o que, ver o filme num dia mau, pode levar a que o odiemos do principio ao fim. Já Brokeback Mountain é um filme assumidamente mediano, tecnicamente muito bem conseguido, com alguns bons momentos do grupo de actores, mas sem ambições ou coragem para ir mais além.
E cinematograficamente estamos conversados.
Claro que isso para a Academia de Hollywood é a coisa mais irrelevante do mundo. Como se eles alguma vez tivessem pensado na qualidade dos filmes quando votam. Se assim fosse, filmes como Citizen Kane, It´s a Wonderful Life, Some Like it Hot ou Vertigo - apenas para citar os mais escandalosos - tinham tido o seu quinhão de óscares. Mas claro, a Academia está-se a marimbar para isso. A Academia é a face com glamour de uma indústria poderosissima que está em conflito com ela mesma. E isso é que interessa focar.
Num ano em que a indústria continuou a perder dinheiro (e ideias, e talentos, e tudo), o cinema independente liberal ganhou o seu espaço. Na falta de filmes entertenimento capazes de atrair multidões (a la Titanic, diga-mos) a Academia teve de abraçar este braço irreverente de Hollywood. Mas se muitos acham que este braço quer-se separar do corpo, e tentar viver por si, enganam-se. Os George Clooneys deste mundo cinematográfico sabem que não conseguem viver sem a poderosa indústria por detrás deles. Senão não seriam mais do que autores europeus. E todos nós sabemos que ninguém quer isso (nem nós, meros mortais espectadores, quanto mais eles).
Sendo assim há sempre o habitual compromisso. Uns protestam, a Academia finge abraçar as ovelhas negras da família, perdoa-os com prémios, e eles voltam para a familia. Todos ficam a ganhar, ninguém fica a perder.
Ninguém? Bem, não é bem assim.
Perdemos nós, que acreditamos que se devem premiar os melhores. Ou pelo menos, que se devem premiar os movimentos cinematográficos que apontem para o futuro. Aqueles que em 1968 preferiam que vencesse 2001, Space Odity, eram aqueles que queriam o futuro. Os membros da Academia votaram em Oliver,. Percebem agora a diferença?
Brokeback Mountain - mesmo tendo ganho tudo, mas mesmo tudo o que havia para ganhar - nunca iria vencer o óscar. É fácil dize-lo agora, mas é a conclusão mais lógica de todas. E o mais curioso é que, no ano de toda a polémica, tenha ganho o filme menos polémico de todos. Munich e Good Night and Good Luck., infinitamente superiores, nem um óscar levaram. Lógicamente, está claro. Ninguém cospe no prato onde come, e a Academia não ia passar a fazer isso, apenas porque os filmes são melhores. Que preciosismo!
Crash venceu, não por mérito (não é o melhor dos filmes, não venceu nenhum prémio até agora, não é filme que fique para a posteridade), mas por tradição. Na dúvida entre um filme polémico e um filme consensual, votem no consensual. Taxi Driver perdeu para Rocky. All the Presidents Man perdeu para Rocky. Network perdeu para Rocky. Agoram substituam Rocky por Crash, e os outros filmes pelos três polémicos nomeados deste ano, e cheguem a uma conclusão. Como suprema das ironias, no ano em que Hollywod celebrou a sua abertura ao mundo, mais não fez que se fechar sobre si mesma. Crash é um filme sobre Los Angeles para quem vive em Los Angeles. É quase um filme sobre as pessoas que votam para os óscares, para as pessoas que votam para os óscares. Está tudo aí. Estúpidos fomos nós, que continuamos a achar que a Academia vai mudar!
Miguel Lourenço Pereira
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:30 PM | Comentários (2)
março 08, 2006
O Que Estreia Por Cá - Consultas para a boa disposição
Uma psiquiatra faz de tudo para dar alento à sua paciente. Incentiva-a a procurar um parceiro, a procurar o amor. Mas na verdade, estava longe de imaginar o que se iria seguir. Porque o amor tem algumas barreiras que são dificeis de ultrapassar, e nem todas as confissões são faceis de engolir.

Uma Thurman está de novo fresca e cheia de vida - agora que passou a fase The Bride. Meryl Streep está divertida e espontânea. E Ben Younger aproveita-se disso ao máximo para dar um ritmo de comédia de situações a Prime, a estreia em destaque esta semana.
O filme esteve longe de ter sido um grande sucesso, mas após a semana dos óscares-politicos, um pouco de divertimento é a dose ideal para descompressar de um ano extremamente intenso em causas e emoções. Streep é a psiquiatra de Thurman. Thurman é a namorada de Greensberg. Ele tem menos dez anos que ela. E é filho de Streep. A partir daí é fácil perceber onde a história vai parar, cheia de momentos hilariantes e, acima de tudo, confrontos frente a frente com uma das maiores actrizes de sempre de Hollywood, e uma das grandes promessas do cinema actual (há dez anos que se diz esta frase, mas falta a confirmação a Thurman).
Prime traz romance e humor ao grande ecran, e faz com que se deseje que a Primavera chegue depressa para soltar os corações apaixonados.

Na ressaca do Fantas e dos Óscares, há muitas estreias. Mas entra elas, poucas que mereçam grande destaque.
Bandidas junta Salma Hayek e Penélope Cruz, as duas mais populares actriz hispânicas, num filme cheio de acção, humor e sensualidade. Sob a direcção da dupla Joachin Roening e Espen Sandberg o filme utiliza o simbolismo sexual das protagonistas e o humor de Steven Zahn para explorar situações hilariantes no faroeste mexicano de meados do século XIX.

Kate Beckinsale está de regresso para continuar a sua luta contra a sua própria raça de vampiros. Underworld Evolution chega pela mão de Len Wiseman - que por acaso é o marido da actriz - e continua recheado de muita acção. Nesta continuação Beckinsale conta com a ajuda de Michael, uma personagem hibrida, para destruir o mais temivel de todas as criaturas vampirescas.

Yours, Mine, Ours é uma comédia sem qualquer sentido onde a abundância é a nota dominante. Ela tem dez filhos. Ele tem oito. Eles decidem casar. Mas os 18 filhos não se entendem, va-se lá saber porquê. A partir daí, é a risada total. Dirigido por Raja Gosnell o filme coloca lado a lado Dennis Quaid e René Russo.

Fragile fechou a última edição do Fantasporto. Filme de Jaume Balagueró, conta a história de um hospital no meio da ilha Wight assombrado por uma personagem misteriosa que não quer deixar que as crianças que lá estão saiam. E quando chega uma enfermeira, com um passado suspeito, a situação entra em estado de alerta máximo. Calista Flockhart num papel intenso num filme que é um misto de Shining e The Others, mas que fica a anos luz desses clássicos!

Ghost in the Shell 2 também chega directamente do Fantas. É a continuação do suceso anime de 1997, dirigido de novo por Mamuro Oshi que nos faz acompanhar um detective num universo onde os robots e os humanos já mal se distinguem. Um filme para amantes de animação japonesa.

Shinje chega da China e é dirigido por Jia Zhang Ke. O filme narra a história de um grupo de jovens amigos que vivem num parque temático em Pequim que contém exemplares de todos os grandes monumentos mundiais. E é nestes pequenos micro-cosmos que vão vivendo as suas aventuras, os seus amores e as suas desilusões. Uma bela história que conta com Taisheng Chen, Zhong-wei Jiang e Jue Jing no elenco.

O Espelho Mágico marca mais uma aventura pelo cinema de Manoel de Oliveira, o decano de todos os realizadores. Filme com honras de exibição no Fantasporto, O Espelho Mágico é um resumo da obra recente do realizador, um exemplo do seu teatro-filmado sem qualquer preocupação com a edição, o trabalho de actores e a adaptação do argumento. Uma penosa viagem ao universo criado por Agustina Bessa-Luis e que conta com desempenhos de Leonor Silveira, Ricardo Trepa e o resta da habitual troupe do realizador.

O Hollywood Recomenda - Para descontrair, marque uma consulta com Prime.
O Hollywood Desaconselha - Yours, Ours, Mine pela fraqueza absoluta em todos os aspectos. O Espelho Mágico, pela sua incapacidade de ser um filme merecedor dessa designação.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:58 PM | Comentários (0)
Entrevista a Anders Banke e Magnus Paulsoon IV
Para terminar uma longa e agradável conversa com os dois cineastas suecos, falamos um pouco sobre o cinema da sua terra Natal. Desde a influência de Frostbitten no cinema sueco ao sonho de realizar os filmes de Hollywood...na Europa.

- Para nós, portugueses ,e para a generalidade dos cinéfilos, a Suécia ainda é muito conotada com o cinema de autor, com as obras de Ingmar Bergman e dos seus “discípulos”. O que é existe para além desse cinema na Suécia?
Anders - Sinceramente, para além de Frostbitten…nada. Frostbitten foi o primeiro filme de terror de sempre, e estou a falar num período maior que 100 anos. Apesar da imagem que passa para fora, de um país de liberdade, a Suécia é culturalmente muito reprimida. Ou se fazem comédias leves, ou filmes policiais ou filmes de autor. Não há espaço para mais nada.
- Porque é que isso acontece?
Anders - Não sei..não consigo explicar. Só sei que de repente, com o Frostbitten tudo parece ter mudado. Já estão a planear outro filme de vampiros para Novembro, uma série de televisão com zombies…de repente as pessoas chegaram à conclusão que podem fazer outras coisas, que podem apostar em produtos diferentes.
Magnus - Pessoalmente acho que nós abrimos a porta para esta nova geração de realizadores na Suécia. Provamos-lhe que é possível fazer coisas como esta. Muita gente nos pergunta porque é que não filmamos o Frostbitten em inglês, porque seria muito mais fácil exportar o filme. Mas nós queríamos mesmo mostrar ás pessoas na Suécia que é possível fazer este tipo de filmes, em sueco, e exibi-lo nos cinemas. Foi muito complicado devo dize-lo, mas conseguimos, já estreou na Suécia com 52 cópias, o que é inédito…normalmente os filmes estreiam com 22, 25 cópias..ainda estamos um pouco surpresos.
Anders - Sim, tivemos muitos problemas em arranjar distribuidores. Tivemos duas distribuidoras que nos disseram “ok, o vosso é filme é óptimo, mas como nunca foi feito nada assim na Suécia, não sabemos como o vamos publicitar. E por isso não o vamos fazer”.
- Como é que financiaram o filme?
Anders - Tivemos 11 co-produtoras, desde o Instituto de Cinema da Suécia a algumas produtoras locais, principalmente do sul que é de onde somos. E foi a primeira vez que produtoras locais se juntaram para financiar um filme. Além disso tivemos ajuda de uma empresa russa que nos ajudou com os efeitos especiais.
Magnus - E claro, o projecto Medeia. Aliás, acho que é a primeira vez na história da União Europeia que eles financiaram um filme de vampiros. O que é estranho porque andamos tanto tempo a lutar contra o sistema, e agora somos parte do sistema. Porque ficamos a pensar…e agora lutamos contra quem?
- É produtor mas também já foi realizador. Planeia voltar a realizar no futuro?
Magnus - Não, acho que me vou ficar pela produção. Eu prefiro ficar na sombra a trabalhar. O Anders é que gosta da fama (risos).
- Planeiam dar o salto para os Estados Unidos? É um objectivo pessoal?
Anders - Na realidade nunca foi. O que seria interessante é trabalhar com os orçamentos que existem lá. Eu já estive em Los Angeles e não gostava nada de lá viver. Mas se fosse para viver cá e ir lá filmar m filme de grande orçamento, isso já estava bom para mim. Eu gostava de fazer o mesmo que o Peter Jackson fez na Nova Zelândia. Gostava de trazer dinheiro para financiar filmes europeus, feitos aqui na Europa. E também, como eu já estudei em Moscovo, e para o ano foi filmar um remake russo de um filme de Hong Kong, também tenho a possibilidade de trabalhar a leste.
- Acreditam que poderão vir a realizar filmes de grande orçamento na Europa?
Anders - Se eles podem fazer na Nova Zelândia, que é mais pequeno que a Suécia ou Portugal, porque não?
Magnus - Aliás, depois de fazer o Frostbitten falei com alguns produtores norte-americanos que me disseram que a Ásia é o grande mercado do momento, mas que os estúdios estão já à procura da next big thing. E eles acreditam que o que vai dar a seguir é o cinema europeu, especialmente o da Europa do norte. Por isso temos a consciência que estamos no radar deles.
Miguel Lourenço Pereira e Léccio Rocha
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:05 PM | Comentários (0)
Entrevista a Anders Banke e Magnus Paulsoon III
Da admiração de Anders Banke por Peter Jackson e John Howe ao documentário sobre uma estrela porno sueca dos anos 70, Anders Banke e Magnus Paulsoon têm já créditos firmados na área do cinema documental. Falamos um pouco sobre os seus projectos anteriores ao sucesso Frostbitten.

- Falando de Peter Jackson, o vosso trabalho anterior foi um documentário, intitulado John Howe : There and Back Again. O que é que vos levou a fazer esse documentário?
Anders - O meu realizador preferido de sempre é o Peter Jackson, eu adoro o universo do Senhor dos Anéis e acho que o John Howe é o maior artista de sempre, por isso o documentário quase que se tornou inevitável. Não tínhamos muito dinheiro, mas foi muito interessante e deu-nos muito prazer fazer este filme.
- Peter Jackson viu o documentário?
Anders - Eu acho que sim. Enviamos-lhe uma cópia e ainda não recebemos qualquer resposta, mas ele também tem andado ocupado com o King Kong.
- Magnus, e quanto ao filme Desperetly Seeking Seeka. Foi a sua faceta de realizador que o levou a fazer o filme? Porquê fazer um documentário sobre uma estrela porno dos anos 70?
Magnus - O sexo para começar….(risos) A verdade é que poderia ter sido qualquer um, qualquer tipo de ícone, seja da música, cinema, desporto. O que nos queríamos era saber o que acontece a alguém que foi famoso, que atingiu o cume da fama, e o que lhe acontece depois, quando a fama desaparece. Quando começamos não tínhamos a mínima ideia de como é que ela estava, onde é que ela morava, o que é que fazia…e acabou por resultar muito bem. Descobrimo-la em Chicago a viver uma vida bastante confortável. Aliás, depois do filme ela decidiu a voltar a esta em forma e está a preparar um comeback. Até posso dizer que nos ligou há pouco tempo a perguntar se não queríamos fazer uma sequela.
- E aceitaram?
Magnus - Bem, não…quer dizer, já fizemos isto, já sabemos tudo o que precisamos sobre esta indústria e agora queremos continuar a investigar outras pessoas, outras áreas.
Miguel Lourenço Pereira e Léccio Rocha
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:03 PM | Comentários (0)
Entrevista Anders Banke e Magnus Paulsoon II
Antes da vitória, houve uma primeira conversa com Anders Banke e Magnus Paulsoon. Uma entrevista que vamos dividir em três partes. A primeira é dedicada ao filme, a segunda aos projectos paralelos dos autores - que também estiveram em exibição no Fantas - e, por fim, na terceira parte fala-se sobre o estado actual do cinema sueco. Mais uma entrevista em parceria com Léccio Rocha do Take 2 com a dupla vencedora do Fantas.

- Quais foram as reacções do público sueco ao filme?
Magnus Paulsoon- Não fazemos a mínima ideia. O filme estreou há dois dias (24 de Fevereiro) e nós já á estávamos no Porto…
- E as primeiras impressões que receberam?
Magnus - Ainda não lemos nada sobre o que se passou mas a ideia que temos é que foi muito bem recebido pelo público. As únicas criticas foram de pessoas que estavam à espera de um filme hardcore de terror. E quando queremos atingir uma audiência maior que a do simples filme de terror, é natural que agrademos a mais público e não tanto aos fãs hardocre do cinema de terror..mas a verdade é que eles não são assim tantos, o que faz com quem não tenham tanta importância comercialmente. E nesse aspecto acho que nos temos saído bem e que vamos continuar a sair-nos bem nas bilheteiras.
Anders Banke- Muitas das pessoas que nunca viram de terror confessam que se assustaram um bocado com o Frostbitten, o que para nós é muito bom. Claro que quando se é um fã de filmes de terror e se viu centenas, é mais difícil agradar.
- Quais foram as vossas grandes influências para criar este filme?
Anders - Eu sempre fui um grande admirador do Peter Jackson…visualmente sempre quisemos jogar muito com a luz, com o contraste da escuridão e da luz. E para isso inspiramo-nos bastante em artistas plásticos suecos. Mas também não começamos o filme a dizer “queremos fazer esta cena como este fez aquela”.
Magnus - Eu sempre me senti inspira.do pelo Lobisomem em Londres…o nosso argumentista (Daniel Ojanlatva) é um grande fã de Lost Boys..e claro há o Polanski que tem um filme com muita neve, sangue e humor!
- Haverá uma sequela?
Anders - Sim, temos discutido essa ideia. O nosso argumentista diz que a sequela é uma óptima ideia, mas todos concordamos que íamos deixar passar algum tempo antes de voltar-mos a filmar na neve. O nosso próximo filme deverá ter lugar nas Bahamas (risos).
- Frostbitten vai ter distribuição no mercado europeu ou norte-americano?
Magnus - Estamos a apostar nisso. Mostramos o filme em Berlim, durante a mostra de filmes do Festival, e o público gostou muito. A nossa produtora está a apostar muito nessa divulgação e tenho praticamente a certeza que o filme vai sair em bastantes países. O que já sei é que vai estrear em Singapura e nas Filipinas. Achamos isso muito divertido, um filme sueco nas Filipinas…
- Os dois trabalhavam em documentários, esta é a vossa primeira longa-metragem, com elenco, e um elenco muito jovem ainda por cima. Como é que correu a direcção de actores?
Anders - Foi extremamente positivo. Tínhamos um período de filmagens muito restrito porque tinha a ver com a neve que tínhamos para filmar. Por isso acabamos por ter pouco tempo para ensaiar, mas correu bem. A jovem estrela do filme (Grete Havneskold) era a grande estrela juvenil do cinema sueco, e os outros também andavam pela casa dos 17-19, o que também ajudou a fazer de tudo isto algo muito divertido.
- O Magnus esteve de alguma forma envolvido no processo criativo de Frostbitten?
Magnus - Eu sou um produtor criativo. Tenho muitas ideias e discuto-as com o Anders, mas assim que começam as filmagens eu apago-me. Mas como costumamos trabalhar em publicidade, em conjunto, é natural que haja troca de ideias.
- Para além de Frostbitten, têm mais algum projecto em mãos?
Anders - Sim. Temos dois projectos. O principal, aquele que estamos a desenvolver agora, vamos filmar no próximo ano, e como se não tivéssemos tido problemas suficientes a rodar o Frostbitten este vai ser ainda mais difícil. É o dobro do orçamento e é algo que não é feito na Suécia desde os anos 20. É um projecto muito interessante e ainda não podemos revelar muita coisa, mas será um projecto mais internacional.
Miguel Lourenço Pereira e Léccio Rocha
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:01 PM | Comentários (0)
Entrevista - Anders Banke e Magnus Paulsoon
No decorrer do último Fantasporto, o Hollywood esteve à conversa com algumas das personalidades que marcaram o festival deste ano. De hoje a sexta-feira iremos publicar quatro entrevistas feitas no decorrer do festival, em parceria com Léccio Rocha, do Take2.
Para abrir temos Anders Banke e Magnus Paulsoon, a dupla criativa por detrás de Frostbitten, o filme vencedor do prémio da Secção de Cinema Fantástico da edição deste ano. Uma entrevista dividida em duas partes. Antes e depois do triunfo do divertido filme sueco de vampiros que conquistou o Fantas.

Foi uma vitória surpreendente. O Hollywood já tinha falado com Anders Banke e Magnus Paulsoon depois da estreia do filme, mas mal foram divulgados os vencedores, tornou-se obrigatório voltar à conversa com os autores de Frostbitten. Só cá estava Magnus Paulsoon, e foi com ele que falemos um pouco da vitória e das repercursões deste sucesso imediato do filme.
Frostbitten venceu, contra a expectativa de muitos. Como é que se sente o produtor vencedor do Fantas deste ano?
- Estou nas nuvens. É o primeiro Festival a que concorremos com o Frostbitten...é incrivel! Acabei de falar com o Anders (Banke, o realizador) e ele acabou de chegar a casa, à Suécia, e está a festejar com champagne na cozinha. Desconfio que aqui vai ser a mesma coisa.
- Agora que venceram um Festival, a possibilidade de lançar o filme noutros paises é maior?
Sim. Os números do box-office na Suécia acabaram de chegar e são surpreendentes. Estamos em quinto lugar, e somos o filme sueco mais visto do ano. Estou felicissimo, e ganhar aqui ainda me deixa mais feliz.
- O Fantas tem o hábito de premiar realizadores que já foram galardoados em edições anteriores. Esperam voltar nos próximos anos com filmes prontos a disputar o Festival?
Claro. Temos de manter o ritmo de vitória não é?
- Agora há planos para o lançamento do dvd?
Sim claro. Temos muitas cenas extra, que não apareceram no filme mas vão estar no dvd. Temos também 20 horas de bastidores e por isso vamos trabalhar no desenvolvimento do projecto em dvd.
Miguel Lourenço Pereira e Léccio Rocha
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:00 PM | Comentários (1)
março 07, 2006
A Equipa do Hollywood
O Hollywood está prestes a fazer dois anos. Dois anos de muito trabalho a solo para criar um espaço que é diariamente visitado por mais de quinze mil pessoas de todos os cantos do Mundo. Um espaço que é já referência na divulgação e produção de conteúdos sobre essa grande arte que é o cinema.
Estava na altura de dar o passo seguinte.
Há alguns meses que o Hollywood contava com a colaboração regular de Sérgio Lopes, Edson Macedo e Filipe Carneiro (Diego Almeida do CineNews também foi nosso colaborador) em artigos sobre o que se passava noutros "Cantos do Mundo".
Mas agora o Hollywood vai abrir espaço na sua equipa para a entrada de um novo elemento.
Manuel António Martins, 18 anos, estudante de Jornalismo, é o novo elemento desta equipa, que passará a dois elementos, por agora. Não se exclui ainda o alargamento a mais nomes para a equipa de redação, num processo que acompanha o próprio crescimento do Hollywood.
Apesar de ficar com o cargo de director do espaço, não se preocupem os visitantes habituais.
Continuarei a escrever as reviews, artigos de opiniões, noticias e artigos das novas secções deste espaço. Mas já não estarei sozinho. As minhas obrigações profissionais (jornal Público e a rádio Jornalismo Porto Rádio.Net) deixam-me com menos tempo livre para continuar a oferecer, sozinho, o mesmo ritmo de programação a que habituei os leitores deste espaço. E por isso esta contratação chegar também no momento certo.
O que é que isso permite?
Mais material por dia. Mais qualidade. Mais inovação. Mais ideias. E talvez, a revelação de mais um talento na escrita sobre cinema. Apesar da assinatura continuar com o meu nome, por ser o fundador do espaço, os artigos da sua autoria serão sempre assinados, para que o leitor saiba quem escreveu o quê. Faz parte do código de conduta deste espaço a responsabilização pelo que se escreve, e agora isso faz cada vez mais sentido.
Para todos, o Hollywood continuará a ser a minha imagem. É um espaço criado por mim, dinamizado por mim, e assim continuará a ser, até porque como director (e dono, sendo que este weblog é um espaço pago), vou velar sempre pela qualidade e excelência que o Hollywood tem sabido manter em quase dois anos de vida. Mas peço-vos para abraçarem com entusiasmo este novo elemento da equipa, da mesma forma que fariam como se tratasse de mim próprio.
Ao Hollywood, para que continue a crescer e a trazer, a todos vós, o que de melhor se escreve sobre cinema em Portugal!
Miguel Lourenço Pereira
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:25 PM | Comentários (7)
A Nova Grelha de Programação
A partir de amanhã entra no ar a nova grelha de programação do Hollywood.
Continuando a politica da casa de apostar em colunas diárias fixas, para que os leitores saibam que há sempre algo novo todos os dias, o Hollywood quis ir mais além e a partir de agora haverá 10 secções, a que se juntam as criticas a filmes, noticias e entrevistas. Agora que a programação especial Fantas e Óscares chegou ao fim - com o sucesso a superar todas as expectativas - está na altura do Hollywood abrir as janelas e deixar entrar uma lufada de ar fresco!



Sendo assim as segundas-feiras mantêm a coluna Antevisão, que tanto sucesso fez até ao mês passado, altura em que foi suspensa devido à cobertura do Fantas e dos Óscares de Hollywood. Antevisão dos filmes a estrear até ao Verão, antevisão dos nomes que vão fazer as capas dos jornais, antevisão das vossas próximas idas ao cinema. Para saber hoje o que vai estrear depois de amanhã!
Terça-Feira é o dia dedicado às series televisivas com a nova secção Series de TV. Porque o fenómeno é cada vez maior, e porque os nomes saltam da TV para o cinema e do cinema para a TV com imensa facilidade, o Hollywood vai viajar semanalmente pelo universo das series televisivas de sucesso, antecipando nomes, futuros projectos e eventuais adaptações ao grande ecran.
Como não podia deixar de ser O Que Estreia Por Cá é a grande atracção da quarta-feira. As estreias de Quinta analisadas à lupa no dia anterior. Para que saibam o que ver nas salas de cinema em Portugal, as análises aos filmes vão ser mais completas e detalhadas.
Depois de um periodo errático à quarta-feira, a coluna de Opinião vai passar para as quintas-feiras. A oportunidade de discorrer sobre os assuntos que fazem noticia, ou para viajar um pouco pela história do cinema, pelos seus feitos, factos e nomes, é a desculpa perfeita para ler a opinião made in Hollywood.
A sexta-feira vai ser um dia especialissimo, pronto a captar a atenção dos leitores do Hollywood todas as semanas, pelos mais diversos motivos.
Na primeira sexta-feira do mês há o Top of the Tops. Os melhores actores de sempre, as melhores cenas de acção, as melhores comédias românticas, enfim, o melhor de tudo um pouco, numa análise divertida e despretenciosa para começar bem o fim de semana.
Na segunda sexta-feira do mês o destaque vai para a rubrica Livros de Filmes. Nem tudo o que foi escrito já foi filmado, e o Hollywood vai viajar pelos livros ainda não adaptados, e defender a utilidade de uma versão cinematográfica. Ideias para o elenco, realizador, argumento...tudo isso com o à vontade de quem não tem um orçamento limitado ou datas de entregas.
The Sweetest Frame é a rubrica da terceira sexta-feira do mês. Uma rúbrica mais arrojada, em que, mensalmente, são exibidas no Hollywood algumas das imagens mais sensuais que pudemos ver nos mais diversos filmes. Actores, actrizes, momentos únicos, tudo isso sobre uma perspectiva sem complexos e sem tabus.
Para fechar o mês há a rúbrica O Novo Casting. A ideia é pegar num filme já feito - agora que os remakes estão tão na moda - e propor os nomes perfeitos de agora, para viver os papeis desempenhados pelos actores de outrora. Mais uma vez espera-se polémica, divertimento e muita animação.
O sabado continuará a ser o dia de Cantos do Mundo. Mensalmente uma viagem ao cinema que se faz na Ásia, África, Américas e Europa, com relatos especializados dos nossos colaboradores Sérgio Lopes, Edson Macedo e Filipe Carneiro. Para saber mais do que está para além de Hollywood.
E para terminar a semana, não esquecer, há Aquelas Frases. Um pequeno exercicio de memória, para recordar algumas das frases mais belas e emblemáticas da história do cinema. Simplesmente, imperdivel!
Para além das rúbricas diários o Hollywood continuará a trazer-vos noticias, criticas aos filmes em sala, análises aos grandes prémios da indústria cinematográfica e Especiais. Nos próximos meses há entrevistas, coberturas de eventos e a eleição dos 50 maiores nomes da história do cinema europeu. Mais do que boas razões para continuar ligado ao mais visitado espaço de cinema na blogosfera em português!
Miguel Lourenço Pereira
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:42 PM | Comentários (6)
Estrelas cadentes de luxo!
Stardust - o novo projecto do realizador Mathew Vaughn - estreia este ano, produzido pela Fox, que confirmou o elenco de luxo que irá protagonizar esta história fantástica.
Robert de Niro, Michelle Pfeifer, Siena Miller, Claire Danes e Charlie Cox fazem parte da história de um homem que, ao ver passar uma estrela cadente, decide capturá-la para dar à amada. Mas a estrela era uma fada em queda do céu, e o homem vai dar por si a entrar num universo cheio de fantasia.
As rodagens do filme, em Londres e na Irlanda, começam em Abril e a estreia do filme está agendada para o final do ano.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:20 PM | Comentários (0)
Jack Black e Nicole Kidman no novo de Baumbach
Depois do sucesso de The Squid and The Whale (ofuscado pelo ano indie de Hollywood e ainda sem estreia em Portugal), Noah Bambauch está a desenvolver um novo projecto. O titulo original era Nicole in the Country, mas a escolha de Nicole Kidman para o principal papel vai levar a produtora a mudar o titulo. No elenco estão ainda Jack Black e Jennifer Jason Leigh, como um casal que acaba por receber uma longa e inesperada visita de uma mulher (Kidman) e do seu filho de 12 anos.
Segundo a Variety, o filme começará a ser rodado na Primavera e pode estrear ainda este ano nos Estados Unidos.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:48 PM | Comentários (0)
março 06, 2006
Óscares 2005 - A imagem do ano

Ang Lee vai receber o Óscar de Melhor Realizador. Paul Haggis aplaude. Mal ele sabe o que vai acontecer a seguir. A prova de que nem tudo o que parece é!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:40 PM | Comentários (3)
Óscares 2005 - A cerimónia em imagens












Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:19 PM | Comentários (0)
Óscares 2005 - Os Justiçados
King Kong
A Academia achou que o filme não merecia honras de categorias principais. Mas das quatro que recebeu nas cates técnicas, venceu três. Justissimo para um dos filmes do ano, um dos melhores a nivel técnico da história do cinema.
Memoirs of a Gueisha
Ao contrário de Kong, o filme de Rob Marshall não merecia honras "superiores". Mas o seu trabalho técnico foi brilhante, e bem recompensado. Ficou a faltar o prémio para John Williams.
George Clooney
O embaixador do liberalismo de Hollywood não podia deixar uma noite tão simbólica como esta, de mãos a abanar. O prémio, não o merecia, mas pelo seu trabalho e pelo seu papel na sociedade norte-americana dos nossos dias, George Clooney é uma figura impar que merece todo o reconhecimento.
Rachel Weisz
Ralph Fiennes devia ter estado lá. Não esteve. Ficou Rachel Weisz a defender a honra de Constant Gardener. Uma vitória mais do que justa da actriz britânica, que assim se confirma como um dos nomes a seguir nos próximos anos. Pode ser que volte um dia para buscar mais qualquer coisa.
Le Marche de L´Empereur
Um belissimo e corajoso documentário que nem todos têm estofo para fazer. Uma vitória que era previsivel mas que também é completamente justa. O lado mais poético da vida animal, como poucas vezes se viu.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:36 AM | Comentários (2)
Óscares 2005 - Os Injustiçados
Steven Spielberg
O seu Munich era o melhor dos cinco filmes a concurso e saiu do Kodak Theatre sem qualquer estatueta. Tal como War of the Worlds. Um ano para esquecer!
Joaquin Phoenix
O seu Johnny Cash bate aos pontos o Capote de Seymour Hoffman, e é claramente a alma do filme, e não Reese como pareceu. Mas na noite em que Walk the Line só subiu uma vez ao palco, Phoenix teve de ficar sentado a ouvir o discurso da colega. Uma derrota que não merecia!
Good Night and Good Luck.
É um dos melhores filmes do ano e saiu do Kodak Theatre sem qualquer estatueta das seis para que estava nomeado. Clooney levou a sua "prenda", mas o seu filme não merecia esta razia!
Woody Allen
Havia algum argumento melhor que Match Point entre os nomeados? Obviamente a resposta é "Não!"
Paul Giamatti
Clooney foi compensado pela razia do seu filme. Com isso, pelo terceiro ano seguido, Paul Giamatti ficou a olhar para os outros no palco. Va lá, ao menos desta vez deixaram-no ir à cerimónia. Pode ser que, a este ritmo, daqui a uns anos saia vencedor!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:30 AM | Comentários (0)
Óscares 2005 - Notas sobre a cerimónia
Uma cerimónia que começou muito bem, foi adormecendo lentamente face à previsibilidade da maioria das categorias, e que acabou de forma surpreendente. Uma noite bem passado com os seus altos e baixos.
Apresentação
Chris Rock foi polémico e não voltou. Jon Stewart teve a dificil missão de gerir um ano extremamente politizado. Mas isso é o que ele sabe fazer melhor e provou que tem nivel para apresentar os Óscares. Um começo brilhante, com gags e momentos de altissima qualidade, e uma imensa sobriedade para controlar a cerimónia, mesmo nos seus momentos mais maçadores. Num ano marcado por muitos clips, notou-se o dedo da sua equipa do Daily Show, que desde a genial abertura até às "campanhas ficticias" provou ser a equipa certa para o trabalho. Sem a genialidade de um Billy Crystal, mesmo assim Jon Stewart ganhou o direito de voltar para o ano!
Cerimónia
A polémico do ano passado resultou e voltou todo ao modelo anterior. Todos os vencedores puderam subir ao palco, só o discurso final teve de ser interrompido pela banda, e foi tudo muito calmo e ordeiro. Os clips da Academia foram pautando o ritmo, os discursos foram muito contidos (tirando, claro está Reese e Paul Haggis), e as três horas passaram-se bem. Mesmo assim continua a ser uma cerimónia demasiado longa para quem não é propriamente um "viciado" nas estatuetas douradas.
Surpresas
Até ao final, a ideia era que a única grande surpresa era a vitória de Hustle and Flow em melhor tema. Um verdadeiro balão de ar fresco na cerimónia e uma vitória bem merecida. Até porque as trocas entre Brokeback e Memoirs, em fotografia e banda sonora, pareciam nem incomodar.
Mas 2005 ficará marcado obviamente pelo gigantesco upset que foi a vitória de Crash, mesmo depois de Ang Lee ter subido ao palco, confiante que a noite era toda dele. Não foi, e a história tratará de escrever o resto!
Três
É o número mágico da edição deste ano.
Ninguém levou mais do que três óscares para casa. Crash, Brokeback Mountain, King Kong e Memoirs of a Gueisha foram os filmes mais premiados, com as tais 3 estatuetas. Com 1 prémio cada houve Capote, Walk the Line, Syriana, The Constant Gardener, Narnia e Hustle and Flow.
Munich e Good Night and Good Luck. ficaram a zero!
Melhores Discursos
Num ano muito maçador em termos de discursos, George Clooney até que abriu bem a contenda, mas depois foi preciso esperar pelos Three 6 Mafia para voltar-mos a vibrar com uma aceitação. Reese Whiterspoon e Paul Haggis estiveram a bom nivel, mas a monotonia foi geral.
Melhores Apresentadores
Ben Stiller abriu muito bem e Will Ferrell e Steve Carrell também se mostraram a bom nivel. Lilly Tomlin e Meryl Streep deram show na homenagem a Altman. Mas Jack Nicholson, com o sorriso cumplice de quem já sabia que ali havia coisa, foi a escolha perfeita para encerrar.
Previsões do Hollywood
Quatro categorias falhados. Melhor Banda Sonora (Brokeback venceu a aposta, Memoirs of a Gueisha), Fotografia (aqui a situação foi a inversa, com Memoirs a bater Brokeback), Melhor Tema (Hustle and Flow bateu Crash) e claro, Melhor Filme (pessoalmente, a primeira vez que falho desde que comecei a fazer "oscarwatching").
Um registo superior ao do ano passado (seis falhas) mas superior ao melhor registo de sempre (2003, um erro apenas).
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:12 AM | Comentários (2)
Um pensamento...
Em 2003 o grande vencedor da noite foi The Return of the King. Em 2004 o grande campeão foi Million Dollar Baby.
Dois filmes que caminham tranquilamente para o titulo de obras-primas.
E daqui a dez anos, o que vai acontecer a Crash? Provavelmente estará no topo das listas dos piores filmes de sempre a vencerem o óscar de melhor filme...apenas uma ideia para se ter a noção do que aconteceu no Kodak Theatre!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:09 AM | Comentários (7)
O Grande Vencedor - A Consagração do Cinema Mosaico

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:07 AM | Comentários (4)
O Grande Derrotado - It´s Hard Out There For A Gay Film

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:05 AM | Comentários (2)
Óscares 2005 - O Preconceito de Hollywood
Ainda Jack Nicholson estava a anunciar os nomeados e já se escrevia certamente, um pouco por todo o lado, que este seria o ano em que Hollywood teria a coragem de acabar com um dos seus maiores tabus. Não foi. Por isso, a edição deste ano dos óscares será menos a da vitória de Crash, e mais a da derrota de Brokeback Mountain. Afinal, o preconceito na Academia é bem mais forte do que se pensava.


Tudo bem que Crash foi o filme que mexeu com a Academia, desde a sua estreia. Mas nem é um filme do outro mundo, nem venceu praticamente nenhum prémio este ano (nem nomeação para os Globos teve). Era um filme de uma cidade, e os óscares nunca foram apenas Los Angeles. Por outro lado, este foi o ano em que Hollywood se politizou, e em vez de apostar em nomeações de filmes como King Kong ou Walk the Line, optou por abordagens mais politico-sociais.
No final de contas, todos achavam que eram favas contadas para Brokeback Mountain. Tinha ganho tudo o que havia para ganhar com tal facilidade, que só aqueles que temiam o preconceito da Academia se mostravam nervosos. Mas "nervosos com quê?" perguntavam aqueles que acreditavam que, no ano em que se assumia definitivamente como um meio liberal, Hollywood estaria disposta para premiar um filme ousado (e nem tão ousado como isso se for-mos a ver bem) como Brokeback Mountain.
Não teve. Preconceito? Certamente que sim. Crash não ganhou porque apaixonou Hollywood. Se assim fosse não tinha saido do Kodak Theather com três estatuetas douradas, perdendo inclusive a de melhor música para Hustle and Flow.
Crash pode ter sido um filme que mexeu com os membros da Academia, mas com outros nomeados (Munich era muito débil, Good Night muito politico e Capote muito inócuo) isso dificilmente teria acontecido. Aliás, Crash entra para a galeria como um dos filmes de menor valor a conquistar o prémio máximo da indústria. Não que não fosse melhor que Brokeback. É-o, claramente! Mas no final de contas, nem é tanto isso que está em causa.
A vitória de Crash é a derrota de Brokeback. E a derrota de Brokeback é a derrota da liberdade de expressão, do cinema de coragem, capaz de abraçar os tópicos mais polémicos.
Crash não é polémico. É socialmente correcto. Tudo o que ali está é uma utopia sociológica muito interessante, mas que no final de contas, não acrescenta nada ao mundo em que vivemos. Brokeback tinha tocado as pessoas (e as instituições de cinema) porque trazia esse arrojo, essa vontade de marcar a diferença. Mas como deu para ver, mesmo em pleno século XXI, o conservadorismo continua a reinar em Hollywood.
Curiosa foi também a divisão de prémios. Nenhum filme venceu mais do que três estatuetas, algo que, se não é inédito, é de uma raridade imensa. E porquê?
A divisão que Hollywood quis fazer entre politica e entertenimento causou esta separação. Tecnicamente os dois melhores filmes, Memoirs of a Gueisha e King Kong, ficaram com os prémios do seu meio. Socialmente, Crash e Brokeback, ficaram com os três do seu. E se Crash tivesse realmente mexido com as pessoas, como se falou tanto, Ang Lee teria perdido. Mas não. Eles perceberam a sua coragem e sensibilidade e premiaram um cineasta estrangeiro que é também o exemplo da integração em Hollywood. Como premiaram o guião de Larry McMurty e Diana Ossana. Mas na hora H, voltaram com o pé atrás e provocaram um dos maiores upsets da história da Academia.
Há muito, muito tempo, que os óscares não ofereciam uma surpresa no último minuto! Pena é que tenha sido uma surpresa assim.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:40 AM | Comentários (19)
Óscares 2005 - Os Vencedores
Melhor Filme - Crash
Melhor Realizador - Ang Lee (Brokeback Mountain)
Melhor Actor - Philiph Seymour Hoffman (Capote)
Melhor Actriz - Reese Whiterspoon (Walk the Line)
Melhor Actor Secundário - George Clooney (Syriana)
Melhor Actriz Secundária - Rachel Weisz (The Constant Gardener)
Melhor Argumento Original - Crash
Melhor Argumento Adaptado - Brokeback Mountain
Melhor Filme Estrangeiro - Tsotsi
Melhor Documentário - Le Marche de L´Empereur
Melhor Filme Animado - Wallace and Gromitt : The Curse of the WhereRabitt
Melhor Banda Sonora - Brokeback Mountain
Melhor Tema - It´s Hard Out There For a Pimp
Melhor Som - King Kong
Melhor Efeitos Sonoros - King Kong
Melhor Fotografia - Memoirs of a Gueisha
Melhor Direcção Artistica - Memoirs of a Gueisha
Melhor Guarda Roupa - Memoirs of a Gueisha
Melhor Maquilhagem - Chronicles of Narnia

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:28 AM | Comentários (1)
Óscares 2005 - Melhor Filme
A surpresa absoluta!
A Academia não ganhou coragem para premiar a história de amor homossexual de Brokeback Mountain e quem saiu a ganhar foi Crash.
O filme que Hollywood amou e continuou a amar, mesmo passado um ano da sua estreia, bateu a história de amor de Jack e Ennis que parecia imparável.
Uma vitória surpresa - não que os sinais não estivessem lá - mas porque se pensava que num ano de coragem, a Academia iria ter estomago para premiar um filme como Brokeback Mountain. Não teve e Crash saiu a ganhar. Não era o melhor filme do ano, não era o melhor filme dos nomeados, mas foi o filme que mexeu com o coração dos membros da Academia. E como a história o prova, isso conta. E muito!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:26 AM | Comentários (6)
Óscares 2005 - Melhor Realizador
Desde que se começou a falar em Brokeback Mountain, automaticamente começou a desenhar-se a vitória de Ang Lee.
Depois de duas derrotas (Sense and Sensibility e Crounching Tigger Hidden Dragon), foi a vitória esperada na noite da consagração do seu cinema emotivo e extremamente poético. Uma vitória altamente festejada pela equipa de Brokeback Mountain e pelo realizador natural de Taiwan.
Um discurso emocionado, como se esperava, mas sempre controlado. Tipico de um talentoso realizador como é Ang Lee!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:21 AM | Comentários (0)
Óscares 2005 - Melhor Argumento Original
Crash favorito. Crash vencedor!
O trabalho de Paul Haggis (e de Bobby Moresco) neste filme mosaico sobre o conflito racial em Los Angeles convenceu tudo e todos desde a sua primeira exibição. A vitória nos óscares era mesmo inevitável. E assim se compensou o falhanço do ano passado, em que o argumentista - agora também realizador - perdeu o óscar para Jim Taylor e Alexander Payne.
Quem ficou a perder (injustamente) foram os fabulosos guiões de Match Point e Good Night and Good Luck.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:15 AM | Comentários (2)
Óscares 2005 - Melhor Argumento Adaptado
Diana Ossana e Larry McMurty criaram o universo de Brokeback Mountain a partir do conto de Annie Proulx.
A vitória na categoria de melhor argumento adaptado era mais do que provável e inevitável. O trabalho de argumento é uma das bases do filme de Ang Lee, e McMurty desforra das derrotas nos filmes com Peter Bogdanovich.
Uma vitória que coloca Brokeback Mountain como o inevitável vencedor. A não ser que Hollywood nos queira mesmo surpreender!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:11 AM | Comentários (0)
Óscares 2005 - Melhor Actriz
Duelo entre Felicity Huffman e Reese Whiterspoon desde que a temporada começou. Mas a "namoradinha da América" era a alma de Walk the Line para os norte-americanos e estava escrito que iria subir ao palco para receber o óscar de melhor actriz.
E o facto é que a vitória de Reese Whiterspoon confirma a previsibilidade dos prémios de actuação da edição deste ano. O discurso da actriz foi igualmente o que se esperava, emotivo, com a lágrima no canto do olho. Um dos melhores momentos da noite!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:03 AM | Comentários (1)
Óscares 2005 - Melhor Fotografia
Mais um duelo entre Brockeback Mountain e Memoirs of a Gueisha. O filme de Rob Marshall parecia levar vantagem antes da cerimónia, mas perdeu o primeiro round.
E aqui o óscar foi para Memoirs of a Gueisha, trabalho de Dion Beebe, que bateu o belissimo trabalho de Rodrigo Prieto. Mais uma pequena surpresa, desta vez ao contrário, mas a verdade é que Brokeback está talhado para os grandes prémios.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:57 AM | Comentários (1)
Óscares 2005 - Melhor Actor
Um dos prémios mais cobiçados, a verdade é que há muito que o prémio de melhor actor parecia ter dono.
E ás vezes o que parece é, e Philiph Seymour Hoffman deu o salto de uma carreira recheada de pequenos papeis secundários, com um desempenho de uma vida no filme Capote.
Uma vitória previsivel - atrevo-me a dizer, injusta - mas que segue um espirito habitual na Academia. O de premiar um actor popular na indústria, que por um papel especial ganha contornos de autêntica estrela de cinema. A nova estrela chama-se Seymour Hoffman. Um discurso verdadeiramente emotivo, bem ao seu estilo!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:45 AM | Comentários (3)
Óscares 2005 - Melhor Montagem
Sem Brokeback Mountain a lutar pela estatueta, a luta ficou entre Crash, Munich e Constant Gardener.
A vitória coube ao filme de Paul Haggis, Crash, como já era esperado desde a sua vitória nos Eddies.
É a primeira vitória de Crash na noite, depois da surpreendente derrota em Melhor Tema. Primeira de duas vitórias que se perfilam esta noite para o filme que todos gostaram, mas que poucos acabaram por premiar.

Isto depois da melhor piada da noite de Jon Stewart, à volta de Scorsese e do seu "azar" aos óscares.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:42 AM | Comentários (1)
Óscares 2005 - Melhor Filme Estrangeiro
Categoria polémica, muito por causa do efeito que Paradise Now teve na comunidade judaica norte-americana que apresentou uma petição contra o filme palestiniano.
No final de contas a polémica resultou, e Tsotsi saiu vencedor.
Uma vitória de um filme que é um pouco do Cidade de Deus sul-africano, mas que benificia directamente do affair Paradise Now.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:40 AM | Comentários (1)
Óscares 2005 - In Memoriam
Teresa Wright!
Pat Morita!
Robert Newmyer
Dan O´Herlihy
Vincent Schiavelli
Joe Ranft
Moira Shearer
Fayard Nichols
Joel Hirschorn
Sandra Dee
John Fiedler
Antohny Franciosa
Stu Linder
Barbara Bel Gedes
Moustapha Akkad
Chris Penn
John Mills
Robert Knudson
Simone Simon
Debra Hill
Onna White
Robert Schiffer
Guy Green
Brock Peters
Ernest Lehman
Shelley Winters
Anne Bancroft
John Box
Eddie Albert
Ismaeil Merchant
Robert Wise
Richard Pryor
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:33 AM | Comentários (0)
Óscares 2005 - Melhor Efeitos Sonoros
Com mais um clip, ao estilo do Daily Show de Jon Stewat, a abrir, foi anunciado o grande vencedor em edição sonora.
King Kong partia como o favorito e confirmou todo o seu favoritismo. O terceiro óscar da noite para o filme de Peter Jackson, o brilhante épico fantástico que a Academia relegou para as categorias técnicas.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:29 AM | Comentários (1)
Óscares 2005 - Melhor Tema
Três nomeados apenas e vitória surpresa para Hustle and Flow. A exibição dos Three 6 Mafia foi brilhante, injectando vida à cerimónia que estava a adormecer levemente.
Um emotivo discurso de agradecimento dos compositores de It´s Hard Out There for A Pimp, um dos grandes momentos da noite.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:24 AM | Comentários (3)
Óscares 2005 - A Homenagem a Altman
Um dos maiores realizadores dos últimos trinta anos do cinema norte-americano. Recebeu várias nomeações, mas nunca venceu. Agora a Academia presta-lhe homenagem!
O cineasta subiu ao palco comovido, depois de uma brilhante apresentação de Meryl Streep e Lilly Tomlin, e de um clip com os seus melhores filmes.
Uma grande ovação, e um discurso marcado por nostalgia do passado, e por um profundo agradecimento à Academia (que nunca o premiou em competição), à familia e ao mundo do cinema. Com uma nota de humor a fechar, Altman conquistou a plateia.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:14 AM | Comentários (1)
Óscares 2005 - Melhor Som
Uma categoria complexa, tal era o equilibrio.
No final de contas a vitória de King Kong surge de forma natural. Não é por acaso a escolha da Academia, já que o filme de Peter Jackson é um dos filmes técnicos mais perfeitos da história do cinema.

Jake Gyllenhall apresentou antes uma homenagem aos épicos da história do cinema. A Academia preparou vários clips brilhantes sobre a sua história numa cerimónia com um ritmo muito bom, e uma aura quase bigger than life!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:02 AM | Comentários (1)
Óscares 2005 - Melhor Banda Sonora
Uma duelo entre John Williams e Gustavo Santaolalla, antecipado há varias semanas, fez desta categoria uma das mais disputadas do ano.
O vencedor do duelo foi Gustavo Santaolalla, o primeiro prémio da noite para Brokeback Mountain. Uma vitória que não é inesperada, mas que no fundo é uma das grandes injustiças da noite. Começa-se a desenhar o final, e o efeito surpresa de Crash começou a deixar de fazer sentido. Tudo indica uma vitória expressiva do filme de Ang Lee.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:51 AM | Comentários (2)
Óscares 2005 - O discurso do Presidente da Academia
Sid Ganis, novo presidente da Academia, fez o seu primeiro discurso à comunidade.
A mensagem liberal, o elogio ao avanço tecnologico, e a ode ao valor do cinema como arte, foram a tónica dominante do seu discuro. O elogio a New Orleans, e à ajuda da indústria cinematográfica a combater o efeito do furacão Katrina, foram a cereja no topo do bolo!

Antes, Samuel L. Jackson fez critica social e politica, num discurso especial que a Academia preparou no ano em que Hollywood decidiu politizar-se ao máximo. Isto na apresentação de um clip que demonstra isso mesmo, a longa história que Hollywood tem em defender causas e ideais. O curioso é contar quantos filmes foram realmente galardoados com estatuetas douradas!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:44 AM | Comentários (2)
Óscares 2005 - Melhor Direcção Artistica
Memoirs of a Gueisha!
Favorito e vencedor. Recriando uma cidade clássica do Japão num vale da Califórnia, o trabalho de direcção artistica de Memoirs é fabuloso. O óscar, justo!

In the Deep, cantado por Kathleen "Bird" York, do filme Crash, foi o segundo tema a ser ouvido no Kodak Theather. O favorito sentimental para levar o óscar para casa!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:35 AM | Comentários (2)
Óscares 2005 - Melhor Documentário
Le Marche de L´Empereur foi um dos maiores sucessos do ano nos Estados Unidos, o filme francês mais bem sucedido da história na América.
O óscar era uma inevitabilidade. Um dos óscares mais fáceis de prever. Quem consegue parar a história de amor entre os pinguins? A noite de glória de Luc Jacquet!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:23 AM | Comentários (3)
Óscares 2005 - Melhor Documentário de Curta-Metragem
A vitória na categoria de melhor documentário no formato de curta-metragem foi para A Note of Triumph, um documentário sobre o final da 2º Guerra Mundial, sob a perspectiva de Norman Coen, realizado por Eric Simonson e Corinne Marrinan.
A homenagem ao cinema noir, feito pela sempre encantadora Lauren Bacall, marcaram a ideia de que Hollywood quis este ano marcar uma posição em relação ao mundo, mas também em relação à sua própria história ao homenagear um genero que era a antitese do cinema de estúdio. É o ano do cinema independente, das ideias livres, e dos autores em Hollywood.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:21 AM | Comentários (0)
Óscares 2005 - Balanço da primeira hora
Grande abertura de Jon Stewart, e óscares mais do que previsiveis.
George Clooney, Rachel Weisz, Wallace and Gromitt, Memoirs of a Gueisha e King Kong eram vencedores esperados, e as expectativas confirmaram-se.
A noite tem sido bem disposta, tanto por parte de um sóbrio e mordaz Stewart, como por parte dos restantes apresentadores. Esperam-se poucas surpresas para as próximas duas horas, mas a primeira nota é que das oito nomeações que tinha, Brokeback já perdeu duas. Nada de surpreendente, é certo, mas que prova que o filme não teve o apoio que outros filmes vencedores acabaram por encontrar na Academia.
Continuem ligados!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:10 AM | Comentários (0)
Óscares 2005 - Melhor Actriz Secundária
Outra categoria disputadissima, apesar de tudo indicar que Rachel Weisz estava na frente da corrida desde fins de Janeiro, ou seja, desde os Globos.
Grávida de sete meses, e prestes a comemorar o seu 35º aniversário, Rachel Weisz subiu ao pódio para agradecer, de forma emocionada, a vitória na sua primeira nomeação. Palavras para Fiennes e Meirelles, e de coragem para todos os que lutam contra adversidades. Bonito!

Já antes foram apresentados clips da entrega dos prémios cientificos e técnicos de Hollywood, que na semana passada foram entregues em Beverly Hills. A apresentação ficou a cargo da nova beldade de Hollywood, Rachel McAdams.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:07 AM | Comentários (0)
Óscares 2005 - Melhor Maquilhagem
Na categoria de melhor maquilhagem apenas três nomeados. Depois de Memoirs of a Gueisha ter ficado surpreendente de fora, o favorito passou a ser Chronicles of Narnia.
E a vitória confirmou-se, e Star Wars III sai do Kodak Theather de mãos vazias.

Já antes Russell Crowe tinha anunciado um clip de elogio aos biopics, o genero mais em moda na indústria americana nos últimos tempos. E é sempre reconfortante ver um dos maiores actores do mundo presente na cerimónia, apesar de não ter (de forma surpreendente) qualquer nomeação este ano.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:59 AM | Comentários (4)
Óscares 2005 - Melhor Guarda Roupa
Memoirs of a Gueisha tinha um guarda-roupa notável e a Academia não ficou indiferente ao trabalho de Colleen Atwood.
Mais uma estatueta dourada para uma das maiores designers de Hollywood. E o primeiro para Memoirs esta noite.
O prémio foi apresentado por Jennifer Anniston, a actriz do comeback do ano.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:50 AM | Comentários (0)
Óscares 2005 - Melhor Curtas Metragens
As curtas-metragens são um prémio pouco reconhecido, até porque nem todos costumam ver as escolhas da Academia. E só podem votar aqueles que vêm todas.
O vencedor em melhor curta-metragem foi Six Shooter do irlandês Martin McDonagh. Na categoria de curtas de animação o escolhido foi The Moon and the Son.
Antes da entrega do prémio, Dolly Parton abriu o palco para cantar Travellin´ Thru do filme Transamerica. É uma favorita sentimental para muitos, depois de ter perdido em 1981 o mesmo óscar.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:47 AM | Comentários (1)
Óscares 2005 - Melhor Filme Animado
Não havia um favorito tão grande hoje à noite como Wallace and Gromitt: The Curse of the Whererabitt.
E claro, o filme dos estúdios Aardman, dirigido por Nick Park, arrecadou o seu terceiro óscar - depois de duas vitórias em curtas de animação. Pena que Burton continue sem uma estatueta dourada em casa!
O óscar foi apresentado por Reese Whiterspoon, que se esperava que volte a subir ao palco mais tarde.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:33 AM | Comentários (0)
Óscares 2005 - Melhor Efeitos Especiais
Esperava-se a vitória de King Kong e assim foi.
O primeiro óscar da noite para um trabalho absolutamente genial do filme de Peter Jackson. E uma vitória justissima!
O discurso de Ben Stiller, esse foi delicioso.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:29 AM | Comentários (0)
Óscares 2005 - Melhor Actor Secundário
Na categoria mais dificil de todas, a vitória foi, como se esperava, para George Clooney.
Uma vitória esperada, e numa noite de ouro para o mais liberal dos actores, Clooney ergue a sua primeira estatueta dourada.
Um discurso politico mas bem disposto de um dos maiores galãs e estrelas de Hollywood. Uma vitória mais pelo que fez, pelo que defende, e pela transformação que sofreu, do que pelo desempenho. Mas se alguém merecia hoje um óscar, era Clooney.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:20 AM | Comentários (3)
Óscares 2005 - Começou...
Nas próximas três horas o Mundo vai parar...todos os olhos estão no Kodak Theather!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:58 AM | Comentários (0)
Óscares 2005 - A abertura de Stewart
Stewart prometeu polémica no ano dos óscares politicos.
O inicio foi absolutamente genial com a ideia de que Stewart não foi a primeira escolha da Academia, com cameos de todos os últimos apresentadores e de Berry e Clooney.
Piadas fortes à comunidade gay, à indústria cinematográfica, ao jornalismo actual, a Dick Cheney (seu alvo de estimação no último mês), e claro, aos cinco filmes nomeados, com o particular destaque para Brokeback, com um genial flashback histórico dos westerns clássicos.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:57 AM | Comentários (0)
Óscares 2005 - O Anfitrião

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:45 AM | Comentários (0)
Óscares 2005 - O Homenageado

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:41 AM | Comentários (0)
Óscares 2005 - Os Duelos
Brokeback vs Crash
Hoffman vs Ledger
Whiterspoon vs Huffman
Clooney vs Giamatti vs Dillon vs Gyllenhaal
Weisz vs Williams vs Adams
Memoirs of a Gueisha vs Brokeback
King Kong vs War of the Worlds
Tsotsi vs Paradise Now
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:34 AM | Comentários (0)
Óscares 2005 - Expectativas
Jon Stewart igual a si próprio?
A Academia vai ganhar coragem para ultrapassar um dos seus tabus?
Algum filme vai passar das quatro categorias?
Haverá coragem para premiar Paradise Now?
George Clooney leva um prémio pelo ano brilhante?
Crash consegue ultrapassar o furacão Brokeback?
A performance dos 6 Mafia vai electrizar o Kodak Theather?
O discurso mais emocionado da noite...Reese? Weisz? Hoffman?
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:08 AM | Comentários (0)
março 05, 2006
Vamos começar...
A transmissão televisiva já começou. A passadeira da fama já rola há muito. A cerimónia começa daqui a cinquenta minutos. O Hollywood já está em directo!
Vamos começar...

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:44 PM | Comentários (0)
Óscares 2005 - Hollywood em directo a partir da meia noite
Hoje é a madrugada de todas as emoções.
Num ano em que todas as certezas podem passar a incertezas num piscar de olhos, o Hollywood trouxe-vos a mais completa cobertura feita em Portugal à edição deste ano dos óscares da Academia. E como o prometido é devido, hoje é dia de emissão especial.
A cobertura em directo começará por volta da meia noite, com uma breve antevisão ao que pode acontecer, e as grandes apostas para as categorias principais. Quando a cerimónia começar, já sabem, os vencedores serão divulgados no mesmo minuto em que são anunciados. Tudo para que possam acompanhar na hora, as grandes emoções do festival.
Podem escolher acompanhar pela rádio ou pela televisão, mas já sabem que a cobertura especializada nos mais prestigiados prémios da indústria cinematográfica, só encontram aqui.
Vemo-nos na próxima madrugada. Torçam pelos vossos favoritos, e deixem-se levar pelo glamour de Hollywood.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:07 AM | Comentários (3)
Aquelas Frases...
It's a really good cloak...

In Crash
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:00 AM | Comentários (4)
Fantas - Dia 13
Frostbitten dominou todas as conversas do 13º dia de Fantasporto. Pela manhã foi anunciado como o grande vencedor da edição deste ano. Pela noite voltou ao grande auditório para a consagração oficial.

Para muitos foi uma total surpresa. Mas a verdade é que o equilíbrio entre os filmes a concurso era tal que haveria sempre quem achasse surpreendente, qualquer que tivessem sido as escolhas do juri.
Foi Frosbitten, o primeiro filme de vampiros made in Suécia, a triunfar. Um filme simpático, bem feito, e que se enquadra no espírito do Fantas, cada vez mais longe do cinema hardcore de terror, e cada vez mais aberto a filmes de grandes audiências.
O filme fechou a noite no grande auditório, depois de Fragile de Jaime Balagueró ter funcionado como o grande atractivo da noite. O cineasta espanhol regressa com mais um filme de arrepios, com Calista Flockhart (que por pouco não esteve no Fantas, juntamente com Harrison Ford), no principal papel.
Antes tinha havido a cerimónia de entrega de prémios com um Rivoli a rebentar pelas costuras, muito humor, e recados a um secretário de estado em noite negra. O público disse presente, confirmando a ideia de que os números previstos pela organização foram alcançados, senão mesmo superados.
A tarde passou-se entre conferências de imprensa – o destaque foi para a presença de John Howe, o ilustrado do Senhor dos Anéis com quem o Hollywood falou numa entrevista a publicar quinta-feira – e filmes no grande e pequeno auditório. Super Nova abriu a tarde no espaço central do Fantas, e depois seguiram-se Hair High, a animação premiada de Bill Plympton, e Pleasant Dreams, o filme que abriu o Fantas deste ano.
Já o pequeno auditório esteve com algumas das melhores curtas-metragens nacionais. Para fechar a exibição do pequeno auditório houve ainda The Battle of Planets, animação japonesa de culto, e ainda The Toybox, fime à volta de um mágico imaginário infantil na Grã-Bretanha rural.
Pela noite dentro, o Fantas cumpre uma das suas habituais tradições, com os cinéfilos a transformarem-se em melómanos e a mudarem-se de armas e bagagens do Rivoli para o Teatro Sá da Bandeira, onde terá lugar o Baile dos Vampiros.
Para amanhã estão reservadas as sessões dos filmes premiados.
O grande auditório abre as portas ás 15.00 com The Other Half, prémio do público, seguindo-se Sympathy for Lady Vengance (17.00), Saint-Martys-des Damnés (19.00), Frostbitten (21.15) e Animal (23.15). Já o pequeno auditório exibe os restantes premiados. A Quiet Love, Incautos, Offscreen, The Bow e Be With Me marcam a despedida do festival da cidade do Porto.
A edição do próximo ano está já marcada para o período que vai de 23 de Fevereiro a 3 de Março.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:58 AM | Comentários (0)
For Your Consideration

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:36 AM | Comentários (0)
março 04, 2006
Óscares 2005 - Melhor Filme





Quando o ano começou, ninguém podia imaginar que este seria o ano politico-social de Hollywood. O divertimento e os dramas foram substituidos por histórias inspiradas em problemas reais. No final de contas, este ainda parece ser o ano de Brokeback Mountain. Mas já não há certezas...

Foi o Leão de Ouro em Veneza que despertou o mundo para um fenómeno estranho. A história de amor entre dois cowboys na América profunda dos anos 60 era o filme mais improvável do mundo para sair do Kodak Theatre com os bolsos recheados de óscares.
Mas os criticos renderam-se ao filme, os Globos, os BAFTA e as Guilds também. Até o público não quis perder a história de amor de Jack e Ennis.
A verdade, pura e dura, é que este não é um filme de óscares. Nem pelo seu valor, nem pelos gostos habituais da Academia. E também é verdade que já houvemais certezas à volta da sua vitória.
Mas depois de dois meses a ganhar tudo o que havia para ganhar, como é que a Academia pode escapar ao furacão Brokeback?
A Favor
Tem todos os prémios da temporada, foi o filme mais visto dos nomeados e já é um icone cultural na América.
Contra
O preconceito da Academia e a paixão que Crash desperta.

Se Hollywood quiser ser igual a si própria, Crash vence!
Los Angeles ficou derretida pelo cruzar de histórias sobre o racismo e a sociedade da "cidade dos anjos". De nomeado improvável, Crash tornou-se no favorito sentimental.
Seria o coroar do cinema mosaico e do cinema de argumento, e a confirmação de que Hollywood continua a gostar de jogar pelo seguro.
A Favor
Toda a gente gostou do filme.
Contra
Toda a gente preferiu premiar Brokeback Mountain.

Com seis nomeações, parecia que Good Night and Good Luck. era o rival natural do filme de Ang Lee. Mas o segundo filme de Clooney corre o risco de ir para casa de mãos vazias.
Good Night and Good Luck. enquadra-se perfeitamente no epsirito dos filmes nomeados ese ano, mas ao contrário de Brokeback ou Crash, não desperta paixões. Um calcanhar de Aquiles que poderá ser a sua perdição num ano onde o coração é um importante ponto de decisão na hora de votar.
A Favor
É um dos melhores filmes do ano e um exemplo da faceta politica de Hollywood.
Contra
Não mexeu com as pessoas como os restantes nomeados.

Para muitos Munich estava fora da corrida antes de ela ter realmente começado. Mas isso foi antes. Bem longe do titulo de "vencedor por antecipação", com que foi rotulado durante meses a fio, Munich receberá os votos dos amantes de Spielberg, e pouco mais. Isto apesar de ser, provavelmente, o melhor filme do ano entre os nomeados. É curioso ver que a Academia até pode estar disposta a quebrar o seu tabu gay, mas não consegue aguentar ainda um filme que mexe bem fundo nas feridas do terrorismo.
A Favor
É o melhor dos filmes a concurso e tem o selo de qualidade de Spielberg.
Contra
É demasiado polémico, mesmo para o ano de todas as polémicas.

De todos os filmes nomeados, Capote é a grande surpresa.
Está longe de ser um grande filme, e não é necessariamente um filme de mensagem. É antes a viagem ao drama interior de um autor egocêntrico que usa um crime - e os criminosos - para escrever o livro da sua vida. Uma nomeação surpresa, um vencedor totalmente improvável e uma licção preciosa para as produtoras. Afinal, podem-se fazer filmes simples e concisos, e mesmo assim marcar presença na cerimónia anual da Academia.
A Favor
Tem alguns admiradores, especialmente por culpa de Seymour Hoffman.
Contra
É um filme sem estofo para ombrear com os restantes nomeados.
O HOLLYWOOD PREVÊ
O Óscar vai para...Brokeback Mountain
O Óscar devia ir para...Munich
O Grande Rival...Crash
A grande surpresa...Good Night and Good Luck.
O grande ausente...Match Point/King Kong
OS ÚLTIMOS VENCEDORES
2004 - Million Dollar Baby
2003 - The Return of the King
2002 - Chicago
2001 - A Beautiful Mind
2000 - Gladiator
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:21 PM | Comentários (3)
Fantas - Dorminsky declara "guerra aberta" à Comunicação Social
Na conferência de imprensa que serviu para anunciar os vencedores da 26º edição do Fantasporto, Mário Dorminsky fez duras criticas à comunicação social e anunciou medidas para a edição do próximo ano.

36 conferências de imprensa agendadas. Uma por filme. Só uma é que foi oficialmente realizada.
Números estranhos para um Festival da envergadura do Fantasporto, mas uma realidade que Mário Dorminsky fez questão de referir no encerramento da conferência de imprensa de hoje.
"Isto é lamentável e provoca uma imagem miserável de Portugal lá fora" desabafou o director do Festival, que aproveitou para anunciar que, "por uma questão de ética", deixa todos os cargos na cooperativa Cinema Novo e confirma que a direcção do Festival passa (se é que já não o era) a um triunviarato, que conta ainda com António Reis e Beatriz Pacheco Pereira.
Acusando a Comunicação Social de falta de cobertura, nivelando o Fantas com outros eventos de menor projecção, Dorminsky anunciou que " a partir do próximo ano, o Fantas vai ter uma cobertura diária nos jornais própria, no formato de publicidade paga". Visivelmente irritado - e perante uma sala que espelhava as suas criticas, ou seja quase sem jornalistas - rematou "isto é a guerra aberta à Comunicação Social."
Protocolo com a Realizar
Antes do anúncio dos vencedores, a organização do Fantasporto - pela mão de Beatriz Pacheco Pereira - assinou um protocolo com a empresa Realizar, que assim passa a gerir a parte comercial do festival.
"Isto é muito importante para nós" disse Dorminsky, "porque permite-nos apostar exclusivamente na produção artistica do certame." Manuel Vaz, o representante da Realizar, mostrou-se satisfeito pelo acordo alcançado e garantiu que o objectivo da empresa é colocar a marca Fantasporto - uma das cinquenta maiores do país - "a respirar durante todo o ano".
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:57 PM | Comentários (0)
Fantas 2006 - O ano dos Nórdicos
Entre algumas surpresas e inevitabilidades, o palmarés do Fantasporto não andou muito longe do que se esperava. Ainda não foi desta que um filme português levou o Grande Prémio para casa. 2006, foi o ano dos vikings.

Frostbitten, o divertido filme de vampiros vindo da Suécia, foi o grande vencedor da edição deste ano Fantas.
Realizado com Anders Banke - com quem o Hollywood falou numa entrevista a publicar amanhã - este filme é também a primeira aposta do cinema sueco num universo fantástico. A qualidade do filme não escapou ao juri que lhe atribuiu o prémio principal da 26º edição do Fantasporto.
Outro grande vencedor foi o dinamarquês Adam´s Apple. O filme de Anders Jensen levou para casa três prémios na secção da Semana dos Realizadores. Para além de ter sido o melhor filme, também venceu em argumento e melhor actor, graças ao desempenho de Ulrich Thomensen. Depois de Green Butchers, este é mais um prémio "fantástico" para Jensen.
Coisa Ruim ficou a ver navios - houve sempre no ar a ideia de que era desta que um filme português saía vencedor - e foi Animal (co-produção luso-francesa integralmente filmada em Portugal) a vencer na categoria de Melhor Filme Europeu de cinema Fantástico. Por arrasto, é o candidato do Fantas ao prémio Mélies de Ouro.
A secção Orient Express viveu uma decisão salomónica. The Bow - o melhor filme que passou pelo festival - levou o prémio do juri e Sympathy for Lady Vengance ficou com o grande prémio.
Johana, operata polémica do hungaro Kornel Mundruczó, leva para casa dois prémios: o Prémio Especial do juri na secção de competição e o prémio para a melhor actriz, Orsi Toth. Jaume Garcia Arijo, em Zulo foi o melhor actor do ano.
Robin Aubert venceu na realização pelo seu aclamado Saints-Martys-des-Damnés.
Na semana dos realizadores Victoria Abril (Incautos, filme que não podia passar sem um prémio) foi a melhor actriz no meio dos prémios conquistados por Adams Apple.
A Lenda do Espantalho, do espanhol Marc Besas, e Home Delivery, de Elio Quiroga, foram as curtas-metragens premiadas na edição deste ano.
Entre os restantes prémios, A Quiet Love venceu como melhor fotografia e como prémio do juri da critica. The Other Half levou para casa o prémio do público e Bill Plympton, Christiane Torloni e Manoel de Oliveira estiveram entre os nomes homenageados pela organização do Festival.
Hoje há Fragile a fechar os filmes em exibição e depois há a mostra de Frostbitten, o grande campeão e 2006. De seguida mais uma inevitabilidade: o baile dos Vampiros.
Palmarés completo:
Secção Oficial Cinema Fantástico
GRANDE PRÉMIO: Frostbiten de Anders Banke (Sue/Swe)
PRÉMIO ESPECIAL DO JURI: Johanna de Kornél Mundruczó (Hung)
MELHOR REALIZAÇÃO: Robin Aubert por Saints Martyrs des Damnés (Can)
MELHOR ACTOR: Jaume Garcia Arija em Zulo (Esp/Spa)
MELHOR ACTRIZ: Orsi Tóth em Johanna (Hun)
MELHOR ARGUMENTO: Roselyne Bosch por Animal (Por, Fra,GB/Por, Fra, UK)
MELHOR FOTOGRAFIA: Manuel Mack em A Quiet Love (Ale/Ger)
MELHOR CURTA-METRAGEM: Home Delivery de Elio Quiroga (Esp/Spa)
MENÇÃO HONROSA: Shadow Man de David Benullo (EUA)
16ª Semana dos Realizadores
PRÉMIO SEMANA DOS REALIZADORES FANTASPORTO 2006: Adam's Apple de Anders Thomas Jensen (Din)
PRÉMIO ESPECIAL DO JÚRI: Be With Me de Eric Khoo (Sing)
MELHOR REALIZADOR: Pieter Kuijpers por Offscreen (Hol)
MELHOR ACTOR: Ulrich Thomensen em Adam's Apple (Din)
MELHOR ACTRIZ: Victoria Abril em Incautos (Esp/Spa)
MELHOR ARGUMENTO: Anders Thomas Jensen por Adam's Apple (Din)
Secção Oficial Orient Express
GRANDE PRÉMIO ORIENT EXPRESS: Simpathy for Lady Vengeance de Chan Wook Park (Cor Sul/South Korea)
PRÉMIO ESPECIAL DO JÚRI: The Bow de Kim Ki Duk (Cor Sul,Jap/South Korea/Jap)
Méliès D'Argent
MÉLIÈS DE PRATA: Animal de Roselyne Bosch (Por, Fra,GB/Por, Fra, UK)
MÉLIÈS DE PRATA CURTA-METRAGEM: A Lenda do Espantalho de Marc Besas (Esp/Spa)
O Júri da Crítica do Fantasporto 2006 decidiu atribuir o prémio a:
A Quiet Love de Till Franzen (Ale/Ger)
O Júri do Público/Premio Jornal Público do Fantasporto 2006 :
The Other Half de Marlowe Fawcett e Richard Nockels
Prémio Norteshopping A Tua Curta no Fantasporto:
Estranhos Casos Ocorrem
de Luis Pato, Fernando Braga, João Marques e Daniel Marques
Prémios Carreira:
Manoel de Oliveira
Christiane Torloni
Bill Plympton
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:39 PM | Comentários (3)
For Your Consideration...

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:35 PM | Comentários (0)
Fantas - Dia 12
O grande auditório foi pequeno demais para acolher o público de Hostel. Casa mais do que lotada num dos filmes mais aplaudidos da edição deste ano. E não foi por acaso que este se tornou no grande favorito do ano dos espectadores do Fantas...

Pessoas sentadas no chão. Pessoas encostadas às paredes. Cadeiras vazias, nem vê-las. O grande auditório esgotou por completo para a exibição da 1h15 da manhã. O motivo? A produção dava pelo nome de Hostel e trazia o rótulo de Quentin Tarantino e Eli Roth. Nem era preciso dizer mais nada. O público hardcore do Fantas, que este ano esteve um pouco de costas voltadas com a programação, entrou em delirio. Aplaudiu várias vezes durante o filme, aplaudiu antes do filme começar, e deu a maior ovação do festival quando tudo terminou. Para trás ficou hora e meia de puro gore, salpicado sempre com muito humor e erotismo. O favorito do público está encontrado, mas como o filme não está em competição, certamente que amanhã haverá falatório quando os prémios forem anunciados.
E se o público delirou com Hostel, também não se pode dizer que não tenho adorado os outros dois filmes da noite. Ghost in the Shell 2 recuperou o espirito anime do Japão, depois do sucesso do filme original em 1997, enquanto que o segundo, Sars Wars - já com direito a exibição no AMC e no pequeno auditório - converteu um público céptico com uma história que não lembra ao diabo. Pela tarde já tinha havido três horas de Angelopoulos, que trouxe a primeira parte do seu novo épico The Weeping Meedow, onde se pretende abordar as diferentes etapas dos últimos 100 anos da Grécia, e claro, o festival Sick and Twist Animation.
Pelo pequeno auditório tinham passado várias curtas portuguesas, incluindo Rupofobia, de que aqui já se falou, e vários filmes da série Ginger Snaps.
O público disse mais do que presente hoje e amanhã espera-se um dia em grande para fechar em beleza. Domingo é dia de reposições.
E se o destaque de amanhã vai todinho para a conferência de imprensa que anunciará os vencedores, isso não quer dizer que o Festival pare. No grande auditório há Super Nova, Hair High (pela quinta vez) e Pleasant Days, filme que abriu o festival. A noite fica marcada pela sessão de encerramento, seguida da exibição do filme Fragile, de Jaime Balegueró e do filme vencedor da competição de cinema fantástico.
No pequeno auditório há mais curtas portuguesas para ver e Battle of Planets, uma serie de animação de culto. Pela noite poderão ver The Toybox, o filme que encerra o Festival na segunda sala do Rivoli.
O Hollywood recomenda uma presença nocturna que passa por Fragile - já esgotado - e pelo filme vencedor da competição. Aceitam-se apostas.
A preferência do Hollywood vai para Coisa Ruim, mas Frostbitten, Johanna, Zulo e Cruel World são favoritas. Nas restantes secções The Bow e Sympathy For Lady Vengance são favoritos, mas é um crime Incautos passar sem qualquer prémio. Amanhã se saberá!
O FILME DO DIA
Hostel
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Eli Roth já tinha explorado as fronteiras do cinema gore com Cabin Fever. Foi premiado no Fantas e prometeu voltar com mais e melhor. Cumpriu. Com Tarantino na produção, este Hostel é um filme deliciosamente macabro e masoquista.
Roth sabe agarrar o público. Divide o filme em duas partes. Na primeira seduz o público com um registo muito leve, mas captivante. O humor - ao estilo das comédias de adolescentes tão em voga - e os corpos nus de algumas das mais belas actrizes que já passaram pelo Fantas, vão-nos hipnotizando, como se Roth não quisesse que nos apercebessemos que estavamos no universo gore. E depois de muitos seios nus e muitas piadas capazes de arrancar aplausos, eis que começa o festival de sangue, tripas e sadismo. São cerca de quarenta minutos trepidantes, onde se mostra um pouco de tudo, sem qualquer despudor, mas com muito engenho. Para terminar o pack faltava a indispensável vingança pessoal, que é conduzida com grande estilo, aqui mais com o dedo de QT certamente.
Apesar de acentar numa narrativa altamente previsivel - tudo o que acontece, a ordem dos mortos, os motivos, ... - Roth sabe jogar com as emoções. Sabe que o ecrãn negro é para o cinema de terror o que o silêncio é para a comédia, e usa-o de forma eficaz. Tanto é capaz de relaxar o espectador como uma escaldante cena de sexo, como logo a seguir o deixa a espreitar por cima do ombro.
Com Jay Hernandez e Derek Richardson num registo interessante (se bem que aqui o que importa mesmo são as actrizes eslovacas), o filme aguenta-se sempre bastante bem, sem altos e baixos, e com um final violentissimo, capaz de saciar o verdadeiro amante do cinema gore. Com o bónus da presença de Takeshi Miike (descubram-no) o filme agrada ao espectador comum. Mas para os amantes do género, é uma pérola a não perder.
Realizador - Eli Roth
Elenco - Jay Hernandez, Derek Richardson e Eythor Gudjonson
Duração - 95 m
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:55 AM | Comentários (10)
Transamerica - Pai e Filho
Transamerica é como ua coleção de cromos de todas as disfunções da sociedade norte-americana. Mas também consegue ser uma comovente história de uma relação complexa entre pai e filho.
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Transexualidade. Homossexualidade. Incesto. Prostituição. Consumo de droga. Alcoolismo. Roubo.
Um autêntico catálogo de disfunções sociais que vão aparecendo, aqui e ali, e que fazem de Transamerica um filme "anormal". Mas de uma "anormalidade" muito simples e honesta. Afinal, todas estas as questões não caem do céu. Há sempre um contexto que pauta o ritmo da história, sempre num tom muito, mas muito sonolento. No entanto a verdade é que tudo isso importa pouco em Transamerica. São elementos que definem as personagem, e mais do que isso, que as transformam em "misfits" da sociedade. É este elo comum que tanto liga Bree (ou Stanley se preferirem), um/uma transexual, a Calvin, um indio com problemas de alcoolismo, ou a Toby, um jovem prostituto, drogado e com tendências homossexuais. Todos estes retratos, todas estas personagens existem também porque são o espelho de uma América profunda que não se vê. Uma América rural, uma América marginal, mas também, uma América genuina.

O que acaba por funcionar em Transamerica - mais do que este retrato social de um grupo de outsiders - é a road trip de um pai (a aprender a ser mãe) e de um filho.
É a sua relação, primeiro oportunista (um quer o ok do psiquiatra para a operação, o outro quer boleia para a Califórnia, terra dos filmes e do pai que idealiza), que os une. Mas cedo se percebe os fortes laços que os ligam, e que chegam mesmo a um momento de pré-incesto que tem tanto de dramático como de cómico.
Nomeada (e possivel vencedora para uns) para um óscar pelo seu desempenho, Felicity Huffman está num constante underacting do principio ao fim. A transformação fisica (como a próprio diz, não foi algo muito dificil porque ela não é propriamente uma Charlize Theron), tem o condão de a fazer parecer mais com um homem do que com uma mulher, o que dá credibilidade à personagem. Mas apesar dos pequenos maneirismos e de um desempenho sempre num tom seguro, Huffman está longe de ser o motor que o filme precisava para chegar a outro patamar. Já Kevin Zeegers, um Leonardo diCaprio wannabee (há uma dúzia de anos seria impensável outro actor que não ele neste papel) é interessante como o jovem delinquente de bom coração, confuso pela vida que foi obrigado a viver desde novo. A quimica entre Zeegers e Huffman demora a acontecer, mas quando finalmente surge, lá para meio do filme, convence e aguenta o filme, que se perde em episódios que acabam por funcionar mais como altos e baixos do que como uma viagem constante.

O desconhecido Duncan Tucker não tem pulso para o filme, mas também não compromete. Deixa a história correr num "ver no que dá" que resulta até a fórmula se esgotar. Mas o interesse em Transamerica é menos a história e mais as pessoas deste universo quase paralelo. E quando filme deixa estas personagens respirar à vontade, até que se vê bastante bem.
Classificação - ![]()
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O Melhor - A relação entre Huffman e Zeeger quando funciona.
O Pior - A total falta de imaginação do realizador.
Curiosidade - O produtor do filme é William H. Macey, popular actor e marido de Felicity Huffman que aposto forte num papel que pudesse funcionar como a rampa de lançamento da estrela televisiva em Hollywood.
Site Oficial - www.transamerica-movie.com
Realizador - Duncan Tucker
Elenco - Felicity Huffman, Kevin Zeegers, Graham Greene, ...
Produtora - Lions Gate
Classificação - m/16
Duração - 115 m
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:32 AM | Comentários (10)
março 03, 2006
Óscar 2005 - Melhor Realizador





Pela primeira vez em muitos, muitos anos, os óscares seguiram os mesmos nomeados do Director´s Guild. Tudo aponta para que Ang Lee saia finalmente com o óscar nos braços, mas tudo pode acontecer num ano demasiado confuso para prever com clareza.

Depois de já ter estado por três vezes perto da estatueta dourada, parece que é desta que a Academia vai mesmo oscarizar Ang Lee. A sua imensa sensibilidade e bom senso ajudaram Brokeback Mountain a ser o campeão da temporada de prémios. E Ang Lee não fugiu à febre de vitórias junto da critica, Globos, BAFTA ou o DGA. O cenário mais natural é que Lee tenha de encontrar um espaço no seu armário recheado, para colocar este óscar.
A Favor
Tudo. Será praticamente impossivel verificar-se o provérbio "não há duas sem três".
Contra
A febre de apoio a Crash é o único perigo para Lee.

Paul Haggis teve um ano de 2005 inesquecivel. Ainda estava o mundo a elogiar o seu fabuloso argumento para Million Dollar Baby e já Crash brilhava nas salas de cinema. Desde aí até Março o seu nome tornou-se cada vez mais respeitado. Afinal, dirigir o filme que conquistou o coração de Hollywood não é para todos.
A Favor
Crash é o favorito sentimental.
Contra
Será dificil - senão impossivel - travar o furacão Brokeback.

O seu carisma e coragem são altamente admirados em Hollywood e 2005 foi o seu ano de ouro. Good Night and Good Luck. é um filem que não desperta grandes paixões, mas a sua sobriedade e a importância da sua mensagem não passaram despercebidos. Afinal, Clooney é mais um nome bem sucedido da escola dos actores tornados realizadores.
A Favor
Pode benificar de uma eventual divisão entre Crash e Brokeback.
Contra
A certeza que, mais tarde ou mais cedo, vencerá este óscar.

Coragem é o adjectivo acertado para resumir a grande aposta de Steven Spielberg em Munich. O filme foi um dos seus melhores de sempre, mas revelou-se muito controverso para Hollywood. No entanto, a verdade é que Spielberg continua a ser dos poucos realizadores capazes de poderem exibir o seu nome "above the tittle".
A Favor
A legião de admiradores que tem na Academia.
Contra
Um terceiro óscar por um filme polémico, num ano tão concorrido é altamente improvável.

Bennett Miller é o rookie do ano. O seu Capote aguentou as criticas de ser um filme de um actor só, e conseguiu cinco impressionantes nomeações. Miller sabe que este não é o seu ano, mas ser nomeado logo à primeira tentativa como realizador é o seu melhor cartão de visita para o futuro.
A Favor
Nada. Este não é o seu ano!
Contra
Tudo. O prémio é mesmo a nomeação.
O HOLLYWOOD PREVÊ
O Óscar vai para...Ang Lee
O Óscar devia ir para...George Clooney
O Grande Rival...Paul Haggis
A grande surpresa...George Clooney
O grande ausente...Woody Allen
OS ÚLTIMOS VENCEDORES
2004 - Clint Eastwood
2003 - Peter Jackson
2002 - Roman Polanski
2001 - Ron Howard
2000 - Steven Soderbergh
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:02 PM | Comentários (0)
Fantas - Dia 11
"Oliveira não faz cinema. Oliveira é o cinema". Palavras de Beatriz Pacheco Pereira, directora do festival que expressa bem a homenagem que o Fantas preparou este ano para o patrono da Semana dos Realizadores. A completar a festa houve exibição de Espelho Mágico.

Agustina Bessa-Luis não apareceu, mas a festa continuou como planeado. Discursos emocionados e reverenciais, perante o cineasta de maior renome em Portugal, e um discurso modesto por parte de um realizador que já conta com 97 anos, mas que na manhã de ontem estava em Paris a filmar as últimas cenas de Belle Toujour, o seu mais recente trabalho.
E foi essa paixão pelo cinema que o Fantas quis homenagear perante uma plateia onde encontrar uma cara mais nova era como encontrar uma agulha num palheiro. A velha guarda juntou-se para aplaudir o decano dos realizadores, mas o aplauso final a Espelho Mágico esteve longe da apeteose de Coisa Ruim. Um facto que se explica bem pelo falhanço que é o filme do realizador a que muitos apelidam de "Mestre". Sem capacidade de passar do texto original de Agustina para uma linguagem cinematográfica, e num estilo de teatro-filmado, castrador de emoções e desempenhos, Espelho Mágico é o exemplo perfeito de um cinema que só Oliveira sabe fazer, e que só muito poucos conseguem gostar.
Depois da exibição arrastada e longa, houve ainda Animal, filme franco-canadiano com Diogo Infante como protagonista. De tarde já tinha havido
Looking for Alexander, Off Screen e Spirit Trap - todos já exibidos previamente - marcaram a tarde fantástica, num dia em que o auditório encheu pela noite, mas continuou sem conseguir esgotar pela tarde.
O pequeno auditório viajou pelo universo das curtas-metragens chegadas da Bélgica, mas o destaque foi para a exibição da noite de The Last Horror Movie, onde os fãs hardcore do Fantas se refugiaram. No Passos Manuel a tarde foi de Passion for Life e continuou a retro de Bollywood na Almeida Garrett com a exibição de mais duas peliculas: Dil Se e Chori Chori Chupke Chupke.
Hoje é dia de reflexão. Os filmes em competição acabaram e amanhã de manhã são divulgados os grandes vencedores deste 26º Fantas.
Talvez por isso esta seja a noite que mais vai agradar aos fãs tradicionais do Festival. O grande auditório passa a tarde entre Sick and Twisted Animation Festival e The Weeping Meedow, o primeiro capitulo de uma trilogia épica que Theo Angelopoulos quer fazer sobre a Grécia no século XX.
Pela noite há anime japonês com A Ghost in the Shell 2 e The Hamster Cage, em reposição depois de já ter passado pelo pequeno auditório e o AMC. A noite fecha em grande, já na madrugada do dia seguinte, com Hostel, produzido por Quentin Tarantino e realizado pelo premiado Eli Roth.
No pequeno auditório o dia está reservado ás curtas metragens nacionais e a três filmes da série Ginger Snaps. Por fim há ainda Main Ho Nahh e Khabi Kushi Khabie Gham a fechar o ciclo Bollywood na Almeida Garrett.
O Hollywood recomenda aos fãs do cinema gore a paragem obrigatória em Hostel. Os fãs da anime made in Japan vão certamente querer ver Ghost in the Shell 2.
FILME DO DIA
Espelho Mágico
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Manoel de Oliveira é o maior nome do cinema português. E convenhamos que, quem realiza aos 97 anos com a mesma naturalidade com que realizava aos trinta, merece todo o respeito do mundo. Mas se Oliveira já foi capaz de filmes muito interessantes (Francisca, Non ou a Vã Glória de Mandar, Vale Abraão), nunca esteve ao nivel dos grandes realizadores europeus como Bergman, Renoir, Rossellini, Truffaut, Godard, Fassbinder, Wenders, Almodavar...Mas eles foram passando, e ele foi ficando, sempre com o seu estilo de teatro-filmado. Se no inicio da carreira Oliveira defendeu a importância da montagem na criação de um filme, hoje o cineasta usa cada vez menos esse artificio. A ligação entre planos é do mais básico e rudimentar possivel, e se exceptuar-mos o plano em que Benard da Costa (um excelente escritor de cinema, um péssimo actor) narra a viagem a Itália e Jerusálem, é seco e sem alma.
Oliveira é para muitos um "mestre" e ninguém se atreve a contestar tal titulo. Faz um cinema que muitos poucos gostam, mas como esses muito poucos têm uma palavra mais importante que muitos outros, o epiteto foi ficando. No entanto Espelho Mágico é a prova que Manoel de Oliveira está completamente desfazado de três aspectos fundamentais da criação cinematográfica.
Por um lado, os planos longos e arrastados - qual peça de teatro - são filmados sempre a uma relativa distância dos actores, para possibilitar um plano de conjunto. Um erro crasso que impede que vamos vendo as mudanças de expressão nas faces dos actores, essa ferramente fundamental para perceber o que vai na alma das personagens. E claro, uma direcção de actores em que uns não se olham nos olhos dos outros, é do mais castrador possivel para uma profissão que vive do choque intenso entre personagens. Dos desempenhos Leonor Silveira continua ao seu bom nivel e Ricardo Trêpa alterna o bom com o muito mau. Sobra um elenco cheio de nomes com pouco tempo para fazerem das suas, como nos têm habituado tão bem.
Por outro lado há o problema do espaço. Os planos em Oliveira são normalmente bidimensionais e não exploram a profundidade do campo que envolve a acção. Perdem-se os pequenos pormenores, a utilização fundamental do espaço na criação da história, e com isso o filme perde vive. Ninguém gosta de cinema a duas dimensões, estático e sem pingo de emoção. Falta de emoção essa que deriva da aposta de Oliveira em, não adaptar o romance de Agustina Bessa-Luis, A Alma dos Ricos, mas transcrever os diálogos. Passagens que fazem todo o sentido num livro, já não o fazem no teatro e muito menos num filme. Ouvir coisas que nunca ninguém diz, expressões que nem se quer são narráveis, é um verdadeiro desperdicio de tempo e talento.
Feitas as contas, Oliveira continua igual a si próprio, a realizar como quer, quando quer e com quem quer. E o país, ávido de nomes celebres, dá-lhe redea solta. A critica adora, o público não. Ambos têm as suas razões, e no final do dia, Espelho Mágico tem muito de espelho de uma obra de décadas, mas muito pouco de mágico.
Realizador - Manoel de Oliveira
Elenco - Leonor Silveira, Ricardo Trepa e João Benard da Costa/Duarte de Almeida
Duração - 135 m
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:08 PM | Comentários (0)
For Your Consideration...

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:31 AM | Comentários (0)
Hollywood tem novidades!
A partir de segunda-feira o Hollywood inicia mais uma etapa no seu crescimento. Perto de completar os dois anos de actividade ininterrupa, o Hollywood vai reformular a sua programação, de forma a estar cada vez mais perto dos seus leitores. A nova grelha estará activa já na próxima segunda-feira, dia 6 de Março, quando os especiais Oscares 2005 e Fantas chegarem ao fim.
Passará a haver uma rúbrica diária, todos os dias da semana, e várias rúbricas mensais que poderão acompanhar, sempre a tempo e horas. Entre elas estão muitas novidades mas também alguns espaços já existentes que serão revitalizados. Para além dos espaços diários vamos reforçar a publicação de noticias, reviews e especiais que fazem do Hollywood um dos espaços mais completos em Portugal sobre o universo cinematográfico.
Para além destas melhorias na programação o Hollywood promete mais interactividade com os leitores e está já a trabalhar num novo design visual para comemorar o segundo aniversário.
Outra grande novidade é a entrada de um novo colaborador para a equipa editorial. O nome e habilitações serão revelados também na próxima segunda-feira, mas a sua presença será uma mais valia para este espaço que já contava com as colaborações mensais de Sérgio Lopes, Edson Macedo e Filipe Pereira.
Aproveito para relembrar que o próximo domingo é dia de óscares no Hollywood. A emissão em directo - como tem vindo a acontecer - começa pouco depois da meia noite, numa forma de antevisão da cerimónia, e acompanhará, minuto a minuto, a entrega das estatuetas e todos os factos e incidências da grande noite da indústria cinematográfica norte-americana. A transmissão televisiva é na TVI, mas os amantes do cinema sabem que o Hollywood também estará "em cima do acontecimento".
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:00 AM | Comentários (0)
março 02, 2006
Óscares 2005 - Melhor Actor





Há um nome que parece imbatível em 2005. Philiph Seymour-Hoffman conquistou mais prémios que toda a concorrência junta e a sua vitória é uma inevitabilidade da próxima edição dos Óscares. Só se o céu cair sobre o Kodak Theatre é que não há um Óscar para Capote.

Philiph Seymour Hoffman produziu e representou um filme feito de raiz para si. Escrito e realizado pelos seus amigos, Futterman e Miller, Capote foi o veiculo que Hoffman precisava para sair dos papeis secundários a que parecia confinado. Uma interpretação que anda entre o underacting de emoções contidas e o apanhar de todos os tiques de uma das figuras mais peculiares do século norte-americano.
A Favor
Tudo. Se há um óscar já atribuído, é o dele.
Contra
Só se Heath Ledger mexer muito com os corações dos membros da Academia é que Hoffman pode perder. E mesmo assim, pode nem chegar.

O australiano Heath Ledger surgiu como um arrebatador de corações nos finais dos anos 90, mas a sua carreira foi pelo o cano abaixo com papeis pouco dignificantes. Para dar uma volta de 180º aceitou sem reservas o papel de Ennis del Mar em Brokeback Mountain. E de repente todos se apaixonaram pelo contido e vibrante Ledger. Vários prémios da critica não foram suficientes para fazer sombra a Hoffman, mas se alguém tem hipóteses de fazer concorrência, é ele.
A Favor
Um desempenho vibrante num filme que por quem Hollywood se apaixonou.
Contra
Um rival como Philiph Seymour Hoffman é praticamente impossível de bater.

A voz rouca e vibrante, o olhar apaixonado e terno, fazem de Joaquin Phoenix mais do que uma simples imitação de Johnny Cash. O seu papel é a alma do filme de James Mangold, e provavelmente o mais perfeito desempenho do ano. Não fosse o fantasma de Jamie Foxx, e a concorrência de dois pesos pesados num ano já por si carregado, e poucos poderiam travar este inesquecível retrato de Cash em Walk the Line.
A Favor
Phoenix, canta, toca guitarra, está apaixonado, e é o desempenho mais fascinante do ano.
ContraWalk the Line é um filme demasiado leve, e dificilmente Hoffman e Ledger se anulam.

David Strathairn é um actor relativamente desconhecido do grande público, mas as suas passagens pela Broadway e as presenças em filmes menos quotados não deixaram de lhe fazer um nome que é bastante respeitado. Mas o seu grande trunfo é mesmo o seu trabalho como Edward Murrow em Good Night and Good Luck. A sua encarnação do jornalista é metódica e perfeita, e o desempenho, um dos pilares de um dos filmes mais nomeados de 2005.
A Favor
Desempenho fabuloso num filme bastante apreciado.
Contra
Concorrência demasiado forte.

A grande surpresa do ano – ou talvez não – foi o fenómeno Terrence Howard. Quer como secundário em Crash, quer como principal em Hustle and Flow, os críticos entraram em delírio com o desempenho refrescante como um chulo que pretende ser cantor de rap. Um desempenho que eliminou da corrida os mais consagrados (Crowe, Fiennes, Depp, Daniels ou Bana) e que lhe vale o rótulo merecido de revelação do ano.
A Favor
A frescura do seu desempenho pode cativar alguns membros da Academia.
Contra
Demasiado cedo, num filme demasiado pequeno num ano com demasiada concorrência.
O HOLLYWOOD PREVÊ
O Óscar vai para...Philiph Seymour Hoffman
O Óscar devia ir para...Joaquin Phoenix
O Grande Rival...Heath Ledger
A grande surpresa...David Strathairn
O grande ausente...Ralph Fiennes
OS ÚLTIMOS VENCEDORES
2004 - Jamie Foxx
2003 - Sean Penn
2002 - Adrien Brody
2001 - Denzel Washington
2000 - Russell Crowe
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:58 PM | Comentários (2)
Fantas - Dia 10
A poesia de Kim Ki Duk marcou o décimo dia de Festival. A reposição confirmou The Bow como o grande filme do Fantas, quando estamos a apenas três dias do fim. Hoje é o dia de Manoel de Oliveira.

Já tinha passado, voltou a passar. Os amantes de cinema agradecem. The Bow é indiscutivelmente o melhor filme do Festival, e um mais que justo vencedor do prémio da Semana dos Realizadores (ou do Orient Express). A bela história de amor entre um velho pescador e uma jovem de dezassete anos é o ponto de partida para esta viagem mágica e cheia de pormenores deliciosos. O público respondeu positivamente e a noite foi animado. A seguir houve, mais na onda do cinema fantástico que os amantes do Fantas tanto gostam, o filme Saints-Martys-des-Damnés, um terror vindo directamente do Canadá que teve prelúdio em português, com a apresentação da curta-metragem A Sombra de Thule.
A noite foi um sucesso, a tarde nem por isso. Nem Inconscientes (comédia no universo freudiano do próprio Freud), nem El Desenlace, filme sobre o final do Dogma95 de von Trier e Vinterberg, conseguiram estar à altura de Incautos, o filme espanhol do festival. The Voice fez a transição tarde/noite de forma tranquila, com um leve toque de terror.
No pequeno auditório houve curtas da casa da Animação e mais Bill Plympton. Pelo meio ainda houve Hellevator, o porno japonês e Gamerz, uma comédia escocesa. Desperate Remedies esteve de novo em exibição no Passos Manuel e o cinema de Bollywood, tão popular na década de 70, continuou sem convencer na Almeida Garrett.
Hoje o dia é de Manoel de Oliveira. Patrono da Semana dos Realizadores há quinze anos, o Fantas vai marcar a ante-estreia nacional do seu mais recente filme, O Espelho Mágico, depois deste ter aberto o Festival de Veneza. Oliveira será homenageado - com direito a discurso de apresentação pela amiga e autora do livro que inspirou o seu mais recente filme, Agustina Bessa Luis - e depois da apresentação do seu filme há mais cinema português, numa co-produção com a França sob o titulo Animal. Diogo Infante é a estrela deste filme futurista.
O pequeno auditório passa a tarde a mostrar curtas-metragens belgas e acaba a noite com o mais recente filme do premiado Julian Richards, que dá pelo nome The Last Horror Movie.
The Passion of Life, no Passos Manuel, e Dil Se e Chori Chori Chupke Chupke, na Almeida Garrett, completam a programação do dia.
O Hollywood lembra a oportunidade única de ver ao vivo Oliveira, já com 97 anos, a apresentar o seu mais recente filme. Um dos mais acessiveis dos últimos anos, diz quem viu.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:42 PM | Comentários (0)
For Your Consideration

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:34 PM | Comentários (0)
março 01, 2006
O Que Estreia Por Cá - Boa Noite, e Boa Semana
Faz falta. Ao fim de um certo tempo, o nosso lado mais lírico e ético grita-nos lá do fundo que precisamos de ver um daqueles filmes em que um homem move multidões e atira-se de peito aberto para a frente de batalha, gritando a plenos pulmões pela liberdade e verdade. E é exactamente isso que Clooney nos traz de uma forma poética mas arrebatadora.
Vão ao cinema esta semana, senhoras e senhores...Boa noite, e bons filmes...

Apesar de só esta semana chegar às salas em geral, o filme de Clooney já passou pelas noites do Fantas. Para quem prefere um pouco de suspense antes do filme, deixamos esta pequena introdução. Para os que preferem saber tudo de ante-mão, cliquem no link ao fundo para continuar a ler. O mesmo se passa com Coisa Ruim.
Os Estados Unidos viveram um clima de paranóia anti-comunista durante toda a Guerra Fria, mas os anos pós-2º Guerra Mundial foram os piores. O senador do Wisconsin, Joseph McCarthy começou uma autêntica “caça ás bruxas”, denunciando a presença de comunistas infiltrados no sistema norte-americano. Durante anos as audiências, feitas pela comissão liderada por McCarthy, causaram o terror diante de todos aqueles que se opunham aos seus métodos. E apesar de haver muitos que queriam denunciar McCarthy, o rótulo comunista era um fardo demasiado pesado para arcar sozinho. Foi então que a equipa de redacção do programa See It Now da CBS decidiu que estava na altura de alguém bater o pé aos atentados aos direitos cívicos dos norte-americanos. O apresentador do programa – e patrono dos jornalistas desde então – era Edward Murrow, um veterano desde a cobertura da guerra na Londres bombardeada. Murrow inspirou milhões com a sua coragem em fazer frente a um dos pesos pesados do Senado norte-americano, pondo em risco a sua vida e a vida do seu programa. Mas acreditou na liberdade de expressão e marcou o seu lugar na história por isso. Continuar.

Mais Estreias...
Coisa Ruim
Não é fácil encontrar hoje em dia um filme português realmente aclamado e bem feito. Torna-se também cada vez mais díficil encontrar um filme de horror/suspense fantástico que não tenha um enredo demasiado rebuscado... Ou seja, Coisa Ruim é duplamente bom, porque reúne esse dois campos de forma realmente apetecível tanto na realização de Guedes e Serra, como no argumento de Rodrigo Guedes de Carvalho.
O cenário é o interior rural portugês - mas podia ser dequalquer país mais ou menos civilizado pelo Mundo fora - onde o tempo parece ter parado e a cor é cinzentona e pesada. Altamente desapropriado para uma família urbana, habituada ao conforto e a normalidade do quotidiano. Mas a verdade é que a herança de uma casa é sempre irresístivel, e esta família não foge a regra. Estranhos num lugar estranho. Capazes de despertar uma maldição adormecida que os lacónicos habitantes prefereririam manter escondida para sempre...
Saiba mais

North Country
História baseada no primeiro caso de asédio sexual nos Estados Unidos que foi a tribunal e ganhou a sua causa, North Country retrata a dificil emancipação da mulher no mundo de trabalho, principalmente nas profissões tipicamente masculinas. Josey Aimes (Charlize Theron, candidata ao Óscar de Melhor Actriz por este desempenho) é uma recente-divorciada que ficou com os seus dois filhos para criar, voltando por isso à sua cidade natal à procura de estabilidade e sustento. O único emprego que encontrou foi nas minas, mas a recepção dos trabalhadores locais foi longe de calorosa. Rapidamente começa uma espiral de maus tratos, insultos e humilhações contra as quais vai ter de lutar.

A Bittersweet Life
Produção Coreano/Americana, onde manda o enredo dos States e a acção e actuação dos Orientais. É a história de um jovem perito em artes marciais, braço direito de um poderoso chefe da Mafia. Quando este descobre que a sua namorada lhe é infiel, encarrega o jovem Sun-Woo de acabar com ela. Mas quando este conhece o seu "trabalho" recusa a ordem e vê-se o novo alvo preferencial do seu ex-chefe.

Big Momma's House 2
Martin Lawrence volta a disfarçar-se de "Big Momma", a típica avozinha chuby e assustadoramente afectuosa que assombra qualquer um mas provoca gargalhadas nos espectadores. Desta vez o seu papel é o de babysitter de 3 crianças na casa do principal suspeito dum crime que o Agente Disfarçado vai tentar solucionar...

O Hollywood aconselha - Goodnight and Good Luck., pela entrega. Coisa Ruim, pela produção portuguesa de qualidade. North Country, por Charlize e o seu desempenho arrebatador.
O Hollywood Desaconselha - Nenhum filme em especial, esta semana. Apesar da menor expressão, Big Momma's House e Bittersweet Life têm um público alvo muito definido e deverão agradar.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:21 PM | Comentários (0)
Óscares 2005 - Melhor Actriz





Num ano muito pobre em desempenhos femininos, houve ainda espaço para surpresas com a nomeação de Keira Knightley, num lugar que parecia destinado à veterana Joan Allen.

Desde Setembro que não se fala noutra coisa. Reese Whiterspoon, namoradinha da América desde os dias de Legally Blonde, é uma inesquecível June Carter em Walk the Line. Terna, sedutora e cativante como a cantora, Whiterspoon é o complemento ideal ao desempenho contido e apaixonado de Joaquin Phoenix. Se no inicio era para os lados de Phoenix que pendiam os votos, agora é difícil prever outra vencedora que não a sorridente Whiterspoon. Uma vitória anunciada.
A Favor
Um desempenho amado por todos, de uma actriz adorada pela América.
Contra
Só se Hollywood decidir fazer de 2005 o ano dos homossexuais, é que há hipótese de Felicity Huffman roubar a estatueta à loirinha do sul dos Estados Unidos.

A única rival a sério que Whiterspoon tem é Felicity Huffman. O filme Transamerica é ela, e desde o Verão que se fala nisso. Um desempenho popular no circuito indie, e que lhe valeu a nomeação também porque Huffman é uma das caras mais populares e conhecidas da América, desde que protagonizou a série televisiva Desperate Housewives. É verdade que os desempenhos das “white trash girls” têm sido os mais premiados dos últimos anos, mas 2005 dificilmente seguirá os mesmos passos do passado.
A Favor
Felicity Huffman é uma das caras mais famosas e populares da América.
Contra
Filme pequeno e uma rival praticamente impossível de apanhar na corrida ao óscar.

Uma das maiores actrizes dos nossos tempos, Judi Dench, é diabolicamente sedutora e maternal em Mrs Henderson Presents. Num outro ano e poderia ser desta que a dama do Império poderia vencer o Óscar principal – já venceu o de secundária, por dez minutos em Shakespeare in Love – que há muito já lhe é devido. O desempenho é fabuloso, é certo, mas o ano é também complicado para as ambições de Dench. Mas que seria um corolário perfeito para uma carreira inesquecível, lá isso seria.
A Favor
Um brilhante desempenho de uma das maiores actrizes de sempre do cinema britânico.
Contra
Filme demasiado ligeiro num ano carregado, e rivais demasiado fortes nesta altura da corrida.

Foi a grande surpresa das nomeações, mas cada vez mais Keira Knightley se afirma no meio de Hollywood pelo seu sorriso contagiante, e o seu talento que está cada vez mais à mostra. Uma carreira que tem meia dúzia de anos mas que já serviu para alguns papeis de renome. A menina bonita do cinema britânico é impecável em Pride and Prejudice, e de nomeada surpresa, Keira é cada vez mais um nome a ter em linha de conta. Uma primeira nomeação que antevêem novas nomeações e prémios para o futuro.
A Favor
O seu sorriso contagiante!
Contra
Esta primeira nomeação é isso mesmo, uma primeira nomeação. Nada mais.

Foi uma vitória indiscutível em 2003 pelo seu desempenho em Monster, e agora a sul-africana está de regresso em grande em North Country. A história da primeira mulher a processar uma empresa por abuso sexual, é o pretexto para mais um papel arrebatador por Charlize Theron, uma das grandes actrizes da actualidade. Mas as suas semelhanças de papel para papel, e a concorrência deste ano invalidam qualquer sonho de arrebatar uma segunda estatueta em tão pouco tempo. Mas ela acabará por chegar, inevitavelmente.
A Favor
Uma das grandes actrizes da actualidade.
Contra
O filme, o papel white trash girl, a concorrência. Ainda não é desta que há mais um Óscar para a África do Sul.
O HOLLYWOOD PREVÊ
O Óscar vai para...Reese Whiterspoon
O Óscar devia ir para...Judi Dench
O Grande Rival...Felicity Huffman
A grande surpresa...Keira Knightley
O grande ausente...Joan Allen
OS ÚLTIMOS VENCEDORES
2004 - Hilary Swank
2003 - Charlize Theron
2002 - Halle Berry
2001 - Nicole Kidman
2000 - Julia Roberts
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:46 PM | Comentários (7)
Fantas - Dia 9
Domino marcou o dia. O estilo visual arrojado de Tony Scott agradou ao público que escolheu o Fantas para passar a tarde de Carnaval. Com o regresso a The Rider Named Death já pela noite, a verdade é que a terça-feira carnavalesca foi morna, isto quando estamos a três dias de conhecer os vencedores.

O público continua a dizer presente à noite e a picar pouco o ponto durante o dia. Ao nono dia de Festival ainda não houve o filme que deixasse todos de boca aberta. É natural. A competição deste ano aposta menos em primeiras obras de "jovens turcos", e mais em filmes de consagração de autores já premiados no Festival.
O filme Domino de Tony Scott abriu o dia. Uma estreia pouco auspiciosa nos Estados Unidos faziam muitos temer o pior. Mas para os amantes do arrojo visual de Scott, o filme não desilude. A forma sobre o conteudo, a montagem rápida, as cores garridas e a cara de anjo-demónio de Keira Knightley foram mais do que suficientes para ajudar a encher o grande auditório do Rivoli.
Já o poético Be With Me foi menos visto, mas deixou também boa imagem junto do público, confirmando o bom momento do cinema asiático no festival. Dead Meat, o primeiro filme irlandês de zombies, mexeu com o público mais gore, que até hoje ainda não teve muitos motivos para festejar. Afinal este ano o Fantas afirma-se cada vez menos pelo fantástico, uma tendência antiga, mas que é cada vez mais evidente.
A noite repetiu o épico russo The Rider Named Death, e depois seguiu-se uma viagem ao cinema fantástico de Till Franzen em A Quiet Love.
Se o grande auditório esteve longe da enchente, o pequeno auditório passou pelo mesmo problema. A mostra de curtas hungaras e a viagem - mais uma - ao mundo animado de Bill Plympton cativaram pouco. Já Love Hotel e Cruel World, dois filmes interessantes, o primeiro sobre o poder da sexualidade e da morte numa relação amorosa no Japão entre um suicida e uma prostituta, e o segundo num jogo de vingança inspirado nos efeitos colaterais dos reality show, foram mais aplaudidos. A noite foi longa e fechou com The Unburied Man de Marta Mészaros, mas a ressaca do Carnaval foi mais forte que o cinema.
Para hoje o destaque vai para a re-exibição de The Bow, o genial filme de Kim Ki Duk, e Saints-Martyres des Damnés, filme de terror da autoria do actor canadiano Robin Aubert. Pela tarde do grande auditório vão ainda rolar Cazuza - biopic de um popular músico brasileiro - El Desenlace e Voice. A anteceder o filme de Aubert há a curta-metragem portuguesa As Sombras de Thule.
No pequeno auditório o dia é das curtas nacionais com as curtas animadas, numa parceria Fantas/Casa da Animação. Há ainda um remake do clássico The Gabinet of Doctour Caligari e a comédia escocesa Gamerz. A noite acaba com mais uma serie de curtas de Bill Plympton.
Mughal-E-Azam e WAQT continuam a retro Bollywood na Almeida Garrett e Desperate Remedies é o sumpstuoso filme neo-zelandês que rola em Love Connection no Passos Manuel. Já o AMC continua com Mundos Paralelos e passa Hamster Cage, o perturbador filme de Larry Kent.
O Hollywood recomenda uma visita a The Bow - para quem perdeu o poema visual de Kim Ki Duk - e uma espreitadela a Saints-Martyres des Damnés, para aqueles que acham que há pouco terror na edição deste ano do Fantas.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:13 PM | Comentários (0)
For Your Consideration

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:33 PM | Comentários (0)