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março 08, 2006
Entrevista a Anders Banke e Magnus Paulsoon IV
Para terminar uma longa e agradável conversa com os dois cineastas suecos, falamos um pouco sobre o cinema da sua terra Natal. Desde a influência de Frostbitten no cinema sueco ao sonho de realizar os filmes de Hollywood...na Europa.

- Para nós, portugueses ,e para a generalidade dos cinéfilos, a Suécia ainda é muito conotada com o cinema de autor, com as obras de Ingmar Bergman e dos seus “discípulos”. O que é existe para além desse cinema na Suécia?
Anders - Sinceramente, para além de Frostbitten…nada. Frostbitten foi o primeiro filme de terror de sempre, e estou a falar num período maior que 100 anos. Apesar da imagem que passa para fora, de um país de liberdade, a Suécia é culturalmente muito reprimida. Ou se fazem comédias leves, ou filmes policiais ou filmes de autor. Não há espaço para mais nada.
- Porque é que isso acontece?
Anders - Não sei..não consigo explicar. Só sei que de repente, com o Frostbitten tudo parece ter mudado. Já estão a planear outro filme de vampiros para Novembro, uma série de televisão com zombies…de repente as pessoas chegaram à conclusão que podem fazer outras coisas, que podem apostar em produtos diferentes.
Magnus - Pessoalmente acho que nós abrimos a porta para esta nova geração de realizadores na Suécia. Provamos-lhe que é possível fazer coisas como esta. Muita gente nos pergunta porque é que não filmamos o Frostbitten em inglês, porque seria muito mais fácil exportar o filme. Mas nós queríamos mesmo mostrar ás pessoas na Suécia que é possível fazer este tipo de filmes, em sueco, e exibi-lo nos cinemas. Foi muito complicado devo dize-lo, mas conseguimos, já estreou na Suécia com 52 cópias, o que é inédito…normalmente os filmes estreiam com 22, 25 cópias..ainda estamos um pouco surpresos.
Anders - Sim, tivemos muitos problemas em arranjar distribuidores. Tivemos duas distribuidoras que nos disseram “ok, o vosso é filme é óptimo, mas como nunca foi feito nada assim na Suécia, não sabemos como o vamos publicitar. E por isso não o vamos fazer”.
- Como é que financiaram o filme?
Anders - Tivemos 11 co-produtoras, desde o Instituto de Cinema da Suécia a algumas produtoras locais, principalmente do sul que é de onde somos. E foi a primeira vez que produtoras locais se juntaram para financiar um filme. Além disso tivemos ajuda de uma empresa russa que nos ajudou com os efeitos especiais.
Magnus - E claro, o projecto Medeia. Aliás, acho que é a primeira vez na história da União Europeia que eles financiaram um filme de vampiros. O que é estranho porque andamos tanto tempo a lutar contra o sistema, e agora somos parte do sistema. Porque ficamos a pensar…e agora lutamos contra quem?
- É produtor mas também já foi realizador. Planeia voltar a realizar no futuro?
Magnus - Não, acho que me vou ficar pela produção. Eu prefiro ficar na sombra a trabalhar. O Anders é que gosta da fama (risos).
- Planeiam dar o salto para os Estados Unidos? É um objectivo pessoal?
Anders - Na realidade nunca foi. O que seria interessante é trabalhar com os orçamentos que existem lá. Eu já estive em Los Angeles e não gostava nada de lá viver. Mas se fosse para viver cá e ir lá filmar m filme de grande orçamento, isso já estava bom para mim. Eu gostava de fazer o mesmo que o Peter Jackson fez na Nova Zelândia. Gostava de trazer dinheiro para financiar filmes europeus, feitos aqui na Europa. E também, como eu já estudei em Moscovo, e para o ano foi filmar um remake russo de um filme de Hong Kong, também tenho a possibilidade de trabalhar a leste.
- Acreditam que poderão vir a realizar filmes de grande orçamento na Europa?
Anders - Se eles podem fazer na Nova Zelândia, que é mais pequeno que a Suécia ou Portugal, porque não?
Magnus - Aliás, depois de fazer o Frostbitten falei com alguns produtores norte-americanos que me disseram que a Ásia é o grande mercado do momento, mas que os estúdios estão já à procura da next big thing. E eles acreditam que o que vai dar a seguir é o cinema europeu, especialmente o da Europa do norte. Por isso temos a consciência que estamos no radar deles.
Miguel Lourenço Pereira e Léccio Rocha
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às março 8, 2006 11:05 PM