« Novo Trailer para X-Men III | Entrada | Woody em Paris »
março 11, 2006
Entrevista a John Howe
É reconhecido mundialmente por ser o ilustrador da obra de J.R.R. Tolkien. Quando os realizadores Anders Banke e François Boetschi decidiram avançar com um documentário sobre, John Howe, o criador de desenhos que têm fascinado adultos e graúdos, desde há muitos anos, o título só poderia ser There And Back Again. E o Hollywood - em parceria com o Take2 - tinha de estar lá...

- Quando olha para o documentário John Howe: The And Back Again, deixa-o orgulhoso?
Sim. Claro que sim. Acho que eles fizeram um trabalho genial em tornar a minha vida interessante. Porque ela não é!
- Quando cria as ilustrações do "universo Tolkien" a sua única inspiração são os textos escritos pelo autor, ou há algo mais do que isso no decorrer do processo criativo?
É uma boa questão. Acho que qualquer ilustração tem de ir mais além do que está escrita no papel. O texto é um ponto de partida para a informação que queremos transmitir, e que não está necessariamente escrita. E isso implica sempre grande pesquisa. É um processo de duas partes que acontecem ao mesmo tempo. Procurar a informação, e depois esquece-la e deixar a inspiração trabalhar.
- Tenta então jogar com o que Tolkien escreve e o que sente em relação ao que lê?
Sim, acho que é uma sensação mista. Não nos podemos contradizer, mas o que está escrito não é suficiente. Temos de estar atentos à atmosfera e ao detalhe. E já vi ilustrações que são iguais ao que está no papel, e não fazem sentidos. E por isso acho que a criação do trabalho tem muito mais para além do que está escrito. Aliás acho os textos do Tolkien mais interessantes do que o próprio livro. Ele não inventou nada. A maioria dos nomes existem nas sagas escandinávias. Basta ver os nomes do Gandalf, dos elfos, anões...ele não inventou muito na verdade!
- Ilustrar o universo de Tolkien é um dos pontos altos da carreira de um ilustrador?
Estou tentado a dizer que sim. É muito raro encontrar um trabalho de ficção em que estamos completamente de acordo com o que foi escrito. Acho que não há nada no Lord of the Rings que não goste. E isso é muito dificil de encontrar. É um dos universos que mais nos realiza, em termos de ilustração!
- Todos nós vimos os filmes, em que o John trabalhou como ilustrador. Quando olha para uma cena do filme, e faz pausa, e observa bem a cena, os detalhes, as personagens...sente que era assim que criaria a cena se a estivesse a ilustrar no papel?
Não. Seria muito raro. Há algumas cenas que acho fabulosas, e que adoraria desenhar. Mas não todas. É simplesmente uma questão de gosto. Mas acho que o filme fez um trabalho fabuloso em não destruir a imagem que já existia do universo Lord of the Rings. É curioso porque o Peter Jackson fez um filme para um público devoto dos livros, que já tinha uma ideia de como tudo devia parecer, e ao mesmo tempo ele queria algo pessoal no trabalho que fez. E conseguiu uma mistura perfeita. Mas é preciso ter-se sorte. E ele teve-a!
- Magnus (produtor) e François (co-realizador). Vocês são ambos criadores. Como foi fazer um trabalho criativo sobre alguém cujo trabalho também é criar?
François Boetschi - É um encontro de três mundos, o meu e do Anders como cineastas, o do Magnus como produtor e o do John criador. Como ele disse os textos do J.R.R. Tolkien são também para ler nas entrelinhas, e acho que tentamos filmar o que está nas entrelinhas do trabalho do John. Menos o Senhor dos Aneis e mais o criador das ilustrações. A ideia da criação perseguiu-nos sempre durante este trabalho, sim.
- Estamos num periodo em que os documentários com mais sucesso são documentários politicos ou de intervenção social. Mas vocês trabalharam a perspectiva de um criador. Acham que o documentarismo devia ser mais assim, mas voltados para as pessoas e para o que elas fazem?
François Boetschi - Não acreditamos muito na ideia do "cinema-verite", mas claro, quando começamos a filmar é uma pessoa que tamos a seguir. Mas queremos fazer isso de uma forma sensitiva. Não vamos dizer, isto é a vida do John Howe, porque não é. São pedaços da sua vida, pedaços muito pequenos. E não queremos fazer o todo passar pela parte. Há muito que não sabemos sobre ele.
John Howe - É curioso falarem nisso porque há outro documentário sobre o meu trabalho, que eu já vi, e são completamente diferentes estes dois filmes. E no entanto o objecto da camara é o mesmo, eu. Acho que o valor de um filme como estes está mais no trabalho que eles fizeram, do que no meu!
- E como é que alguém como o John Howe se sente quando fazem um documentário sobre si, sobre a sua vida, o seu trabalho?
Acho que fazer um documentário destes é muito dificil. O trabalho de criação é muito maçador de se ver. Não se pode filmar uma pessoa a fazer o mesmo durante 3 semanas. Não dá. É algo muito solitário. Por isso gostei muito do trabalho criativo deles, não só o meu trabalho mas tudo o que o possibilita. Para mim, acho que foi uma experiência fascinante.
- O John Howe é um ilustrador de renome, mais conhecido pelo seu trabalho no Lord of the Rings, mas não só. Dos universos literários, dos mundos de ficção criados pelos mais diversos autores, há ainda contos, livros, personagens que gostasse de ilustrar e que ainda não o tenha feito?
Sim, muitos. Mesmo muitos.
- Quem, por exemplo?
Não consigo...são centenas, não consigo dizer só um nome!
- Quando olha para as suas ilustrações do Senhor dos Aneis pensa que, se tivesse de fazer tudo outra vez, fazia de forma diferente?
Sim, sem dúvida. Eu acho que tudo o que fiz na semana passada é o que fiz na semana passada. Não há nada definitivo nem permanente. Não é possivel fazer algo definitivo de nada. Porque se fizermos algo definitivo, isso significa que acabou. E por isso o trabalho mais interessante, é sempre o próximo, para mim.
- Teve liberdade criativa quando fez o trabalho de ilustrador da trilogia Lord of the Rings?
Sim, tivemos muita sorte. Tivemos em pré-produção durante um ano e meio. Foi muito tempo. Mas não houve pressão, não tinhamos datas de entrega, e nós sabiamos o ritmo que era necessário. A equipa de design de pré-produção tem sempre sorte, porque está tudo a começar lentamente. E eu tive esse prazer de trabalhar sem pressões.
- Trabalhou com outro grande ilustrador, Alan Lee, quando fez o Lord of the Rings. Como foi trabalhar com outro grande nome do meio para alguém que está habituado a trabalhar sozinho? Houve colisão ou cooperação total?
Sou um grande admirador dele. Um grande ilustrador, uma grande pessoa. A cooperação foi total. Ele é mais velho que eu, dez anos, e quando ainda estava a começar já ele era um grande nome. Foi óptimo conhece-lo, e a melhor coisa possivel que pode acontecer a um criativo é poder trabalhar com alguém que se admira. Foi mesmo estimulante trabalhar com ele. Tinhamos um pequeno escritório, que partilhavamos, na Nova Zelândia, e eu trabalhava nos meus desenhos, e vira-me, olhava para o que ele estava a fazer, e via desenhos fabulosos, que me inspiravam e ajudavam. Foi óptimo!
Miguel Lourenço Pereira/Manuel António Martins e Léccio Rocha
Por problemas com o servidor, foi impossível publicar a entrevista na noite de ontem. Por isso, pedimos as nossas desculpas!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às março 11, 2006 12:37 PM
Comentários
http://www.ringtones-dir.com/get/ ringtones site. Best free samsung ringtones, Cingular ringtones and more, Ringtones for free. From website .
Publicado por: ringtones free às setembro 11, 2006 05:41 AM