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março 11, 2006

Entrevista a Mário Dorminsy II

Segunda parte de uma entrevista realizada em parceria entre o Hollywood e o Take 2 a Mário Dorminsky, o mentor e organizador do maior festival de cinema em Portugal.
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- O Fantasporto tem funcionado sempre como um espaço de revelação de nomes, não só cá em Portugal mas também a nível mundial. Houve Sam Raimi, Peter Jackson, Guillermo del Toro…Qual é a grande revelação que poderá sair daqui este ano?

É difícil de dizer. Há vários nomes. É evidente que eu sei quais são os bons, mas dizer quais vão ser os que vão dar o salto, é diferente. A questão é esta: como normalmente os nomes que as pessoas retêm, são nomes muito ligados ao cinema americano, este ano, pegamos em nomes fortes do cinema asiático, e nos restantes casos acho que só o futuro o dirá porque não vai existir a máquina norte-americana por trás. E por isso tenho dúvidas em dizer que o senhor A, B ou C, que têm grandes filmes, vão conseguir projectar-se. Tanto revelamos nomes como um James Mangold, que agora leva filmes aos Óscares, como um cineasta como o Michael Haneke, que é conhecido por um núcleo duro de cinéfilos. Os europeus, só por sorte, é que acabam por explodir realmente.

- Este ano há mais cinema europeu, e há mais cinema português. Acha que se pode falar numa “Geração Fantas”?

Há uma “Geração Fantas”. Uma geração que está aí com o Alice, o Odete, o Coisa Ruim, o All See You in My Dreams. Há muitos cineastas que emergiram do Fantas. E aí tem havido apoio do ICAM que tem permitido o apoio a alguns filmes para que possam ir a concurso. O problema é que há autores, como o próprio Filipe Melo, que está à espera de apoios para avançar com o seu novo filme, Dog Mendonça e Pizza Boy, que tem um argumento, fabuloso, fabuloso, que não arranjam financiamento. Sabemos que estão a arranjar investidores privados, mas mesmo assim ainda faltam verbas, que todos esperamos que venham do ICAM ainda este ano.

- A Cinema Novo vai ser um desses investidores?

De alguma forma sim. Mas não temos capacidade financeira para entrar com 400 mil euros no projecto. Já tem actores – Nicolau Breyner e Bruce Campbell – e vai ser rodado em inglês, o que tem levantado problemas com o ICAM, apesar de já se ter decidido em apostar paralelamente numa versão portuguesa. Vamos ver como é que vamos trabalhar isso!

- Há uma situação que é um dos grandes problemas do cinema português. Em Espanha os espanhóis vão ao cinema ver filmes espanhóis, os franceses vêm filmes franceses…em Portugal as pessoas não vêm filmes portugueses…

Falta a nova geração. Em Espanha apostaram na nova geração, conquistaram o público. E aí a comunicação social tem culpa. Critica-se e faz-se coberturas falando-se no filme A, B ou C, esquecendo-se do contexto em que o projecto foi feito. Em Portugal não se faz divulga-se de eventos, criticam-se os eventos. O exemplo mais claro foi que no sábado, dia após o início do Fantas, não saiu uma única notícia. Tivemos de por páginas pagas de publicidade para garantir que as pessoas soubessem o que se passou. E isso acontece por preguiça, por falta de vontade em divulgar o que se vai passar em cada dia.
A Comunicação Social bloqueia a cultura nacional. Só a manda abaixo. Em Espanha, França, Itália, Alemanha, seja quem for, defende os seus cineastas, cria nomes para as estrelas, faz dos actores estrelas, cria um “star system” apoiado pelas revistas, jornais, televisões. Em Portugal é bota abaixo. Por isso é perfeitamente natural que nos jornais digam que a Maria de Medeiros é francesa.

- Quem é que o Mário gostava de ver na próxima edição do Fantas?

Eu gosto de ver os meus amigos todos. Mas gostava especialmente de ter quatro gordos, apesar de um deles estar magro. Um é o Guillermo del Toro que esteve cá o ano passado. O Peter Jackson, que agora está magríssimo. E gostava de ver cá o Santiago Segura e o Alex la Iglésia. Somos todos gordos, temos todos barba, temos todos um cabelo esquisito, somos todos amigos, por isso se estivéssemos cá ao mesmo tempo seria fantástico.

- E já há algum filme que tenha visto ou ouvido falar que gostasse de exibir aqui no Fantas do próximo ano?

É muito difícil. Nós trabalhamos com material extremamente recentes. Este ano temos várias estreias mundiais e europeias, o que faz com que só possamos ter a certeza que vamos ter os filmes pouco tempo antes do festival. É quase impossível nesta altura do campeonato antecipar os filmes que estarão no Fantas do próximo ano. O que estamos a fazer é testes em novos formatos. Sem ninguém reparar, estamos já a passar filmes em alta-definição no grande auditório. E no próximo ano vai haver uma fusão total dos modelos de exibição dos filmes.

- Como é que fazem a selecção dos filmes?

Nós acompanhamos a produção de um filme desde a sua origem. Há dois meios de comunicação essenciais, o Variety e o Scrren Internacional, que tem áreas dedicadas ao lançamento das produções internacionais. Quando vemos o nome do produtor – que já conhecemos e tem qualidade – o filme que tem o realizador x – que já sabemos que pode dar alguma coisa – e tem o actor a ou b – que dá o enquadramento ao filme – a partir daí acompanhamos o filme. Por isso agora temos listas e listas e filmes em Cannes e no American Film Market. E é aí que vamos ver e falar, pedir promos, desses filmes. Daí que a programação do próximo ano, e de 2008, já está a rodar.

1º Parte

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às março 11, 2006 11:01 PM

Comentários

Ó gaijo, as fotos eram desnecessárias. ou então punhas só o marito :p

beijokas e boa sorte****

Publicado por: Karin às março 15, 2006 03:50 PM

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