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março 08, 2006
Entrevista Anders Banke e Magnus Paulsoon II
Antes da vitória, houve uma primeira conversa com Anders Banke e Magnus Paulsoon. Uma entrevista que vamos dividir em três partes. A primeira é dedicada ao filme, a segunda aos projectos paralelos dos autores - que também estiveram em exibição no Fantas - e, por fim, na terceira parte fala-se sobre o estado actual do cinema sueco. Mais uma entrevista em parceria com Léccio Rocha do Take 2 com a dupla vencedora do Fantas.

- Quais foram as reacções do público sueco ao filme?
Magnus Paulsoon- Não fazemos a mínima ideia. O filme estreou há dois dias (24 de Fevereiro) e nós já á estávamos no Porto…
- E as primeiras impressões que receberam?
Magnus - Ainda não lemos nada sobre o que se passou mas a ideia que temos é que foi muito bem recebido pelo público. As únicas criticas foram de pessoas que estavam à espera de um filme hardcore de terror. E quando queremos atingir uma audiência maior que a do simples filme de terror, é natural que agrademos a mais público e não tanto aos fãs hardocre do cinema de terror..mas a verdade é que eles não são assim tantos, o que faz com quem não tenham tanta importância comercialmente. E nesse aspecto acho que nos temos saído bem e que vamos continuar a sair-nos bem nas bilheteiras.
Anders Banke- Muitas das pessoas que nunca viram de terror confessam que se assustaram um bocado com o Frostbitten, o que para nós é muito bom. Claro que quando se é um fã de filmes de terror e se viu centenas, é mais difícil agradar.
- Quais foram as vossas grandes influências para criar este filme?
Anders - Eu sempre fui um grande admirador do Peter Jackson…visualmente sempre quisemos jogar muito com a luz, com o contraste da escuridão e da luz. E para isso inspiramo-nos bastante em artistas plásticos suecos. Mas também não começamos o filme a dizer “queremos fazer esta cena como este fez aquela”.
Magnus - Eu sempre me senti inspira.do pelo Lobisomem em Londres…o nosso argumentista (Daniel Ojanlatva) é um grande fã de Lost Boys..e claro há o Polanski que tem um filme com muita neve, sangue e humor!
- Haverá uma sequela?
Anders - Sim, temos discutido essa ideia. O nosso argumentista diz que a sequela é uma óptima ideia, mas todos concordamos que íamos deixar passar algum tempo antes de voltar-mos a filmar na neve. O nosso próximo filme deverá ter lugar nas Bahamas (risos).
- Frostbitten vai ter distribuição no mercado europeu ou norte-americano?
Magnus - Estamos a apostar nisso. Mostramos o filme em Berlim, durante a mostra de filmes do Festival, e o público gostou muito. A nossa produtora está a apostar muito nessa divulgação e tenho praticamente a certeza que o filme vai sair em bastantes países. O que já sei é que vai estrear em Singapura e nas Filipinas. Achamos isso muito divertido, um filme sueco nas Filipinas…
- Os dois trabalhavam em documentários, esta é a vossa primeira longa-metragem, com elenco, e um elenco muito jovem ainda por cima. Como é que correu a direcção de actores?
Anders - Foi extremamente positivo. Tínhamos um período de filmagens muito restrito porque tinha a ver com a neve que tínhamos para filmar. Por isso acabamos por ter pouco tempo para ensaiar, mas correu bem. A jovem estrela do filme (Grete Havneskold) era a grande estrela juvenil do cinema sueco, e os outros também andavam pela casa dos 17-19, o que também ajudou a fazer de tudo isto algo muito divertido.
- O Magnus esteve de alguma forma envolvido no processo criativo de Frostbitten?
Magnus - Eu sou um produtor criativo. Tenho muitas ideias e discuto-as com o Anders, mas assim que começam as filmagens eu apago-me. Mas como costumamos trabalhar em publicidade, em conjunto, é natural que haja troca de ideias.
- Para além de Frostbitten, têm mais algum projecto em mãos?
Anders - Sim. Temos dois projectos. O principal, aquele que estamos a desenvolver agora, vamos filmar no próximo ano, e como se não tivéssemos tido problemas suficientes a rodar o Frostbitten este vai ser ainda mais difícil. É o dobro do orçamento e é algo que não é feito na Suécia desde os anos 20. É um projecto muito interessante e ainda não podemos revelar muita coisa, mas será um projecto mais internacional.
Miguel Lourenço Pereira e Léccio Rocha
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às março 8, 2006 11:01 PM