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março 02, 2006
Fantas - Dia 10
A poesia de Kim Ki Duk marcou o décimo dia de Festival. A reposição confirmou The Bow como o grande filme do Fantas, quando estamos a apenas três dias do fim. Hoje é o dia de Manoel de Oliveira.

Já tinha passado, voltou a passar. Os amantes de cinema agradecem. The Bow é indiscutivelmente o melhor filme do Festival, e um mais que justo vencedor do prémio da Semana dos Realizadores (ou do Orient Express). A bela história de amor entre um velho pescador e uma jovem de dezassete anos é o ponto de partida para esta viagem mágica e cheia de pormenores deliciosos. O público respondeu positivamente e a noite foi animado. A seguir houve, mais na onda do cinema fantástico que os amantes do Fantas tanto gostam, o filme Saints-Martys-des-Damnés, um terror vindo directamente do Canadá que teve prelúdio em português, com a apresentação da curta-metragem A Sombra de Thule.
A noite foi um sucesso, a tarde nem por isso. Nem Inconscientes (comédia no universo freudiano do próprio Freud), nem El Desenlace, filme sobre o final do Dogma95 de von Trier e Vinterberg, conseguiram estar à altura de Incautos, o filme espanhol do festival. The Voice fez a transição tarde/noite de forma tranquila, com um leve toque de terror.
No pequeno auditório houve curtas da casa da Animação e mais Bill Plympton. Pelo meio ainda houve Hellevator, o porno japonês e Gamerz, uma comédia escocesa. Desperate Remedies esteve de novo em exibição no Passos Manuel e o cinema de Bollywood, tão popular na década de 70, continuou sem convencer na Almeida Garrett.
Hoje o dia é de Manoel de Oliveira. Patrono da Semana dos Realizadores há quinze anos, o Fantas vai marcar a ante-estreia nacional do seu mais recente filme, O Espelho Mágico, depois deste ter aberto o Festival de Veneza. Oliveira será homenageado - com direito a discurso de apresentação pela amiga e autora do livro que inspirou o seu mais recente filme, Agustina Bessa Luis - e depois da apresentação do seu filme há mais cinema português, numa co-produção com a França sob o titulo Animal. Diogo Infante é a estrela deste filme futurista.
O pequeno auditório passa a tarde a mostrar curtas-metragens belgas e acaba a noite com o mais recente filme do premiado Julian Richards, que dá pelo nome The Last Horror Movie.
The Passion of Life, no Passos Manuel, e Dil Se e Chori Chori Chupke Chupke, na Almeida Garrett, completam a programação do dia.
O Hollywood lembra a oportunidade única de ver ao vivo Oliveira, já com 97 anos, a apresentar o seu mais recente filme. Um dos mais acessiveis dos últimos anos, diz quem viu.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às março 2, 2006 05:42 PM