« For Your Consideration | Entrada | Óscares 2005 - Melhor Actriz »
março 01, 2006
Fantas - Dia 9
Domino marcou o dia. O estilo visual arrojado de Tony Scott agradou ao público que escolheu o Fantas para passar a tarde de Carnaval. Com o regresso a The Rider Named Death já pela noite, a verdade é que a terça-feira carnavalesca foi morna, isto quando estamos a três dias de conhecer os vencedores.

O público continua a dizer presente à noite e a picar pouco o ponto durante o dia. Ao nono dia de Festival ainda não houve o filme que deixasse todos de boca aberta. É natural. A competição deste ano aposta menos em primeiras obras de "jovens turcos", e mais em filmes de consagração de autores já premiados no Festival.
O filme Domino de Tony Scott abriu o dia. Uma estreia pouco auspiciosa nos Estados Unidos faziam muitos temer o pior. Mas para os amantes do arrojo visual de Scott, o filme não desilude. A forma sobre o conteudo, a montagem rápida, as cores garridas e a cara de anjo-demónio de Keira Knightley foram mais do que suficientes para ajudar a encher o grande auditório do Rivoli.
Já o poético Be With Me foi menos visto, mas deixou também boa imagem junto do público, confirmando o bom momento do cinema asiático no festival. Dead Meat, o primeiro filme irlandês de zombies, mexeu com o público mais gore, que até hoje ainda não teve muitos motivos para festejar. Afinal este ano o Fantas afirma-se cada vez menos pelo fantástico, uma tendência antiga, mas que é cada vez mais evidente.
A noite repetiu o épico russo The Rider Named Death, e depois seguiu-se uma viagem ao cinema fantástico de Till Franzen em A Quiet Love.
Se o grande auditório esteve longe da enchente, o pequeno auditório passou pelo mesmo problema. A mostra de curtas hungaras e a viagem - mais uma - ao mundo animado de Bill Plympton cativaram pouco. Já Love Hotel e Cruel World, dois filmes interessantes, o primeiro sobre o poder da sexualidade e da morte numa relação amorosa no Japão entre um suicida e uma prostituta, e o segundo num jogo de vingança inspirado nos efeitos colaterais dos reality show, foram mais aplaudidos. A noite foi longa e fechou com The Unburied Man de Marta Mészaros, mas a ressaca do Carnaval foi mais forte que o cinema.
Para hoje o destaque vai para a re-exibição de The Bow, o genial filme de Kim Ki Duk, e Saints-Martyres des Damnés, filme de terror da autoria do actor canadiano Robin Aubert. Pela tarde do grande auditório vão ainda rolar Cazuza - biopic de um popular músico brasileiro - El Desenlace e Voice. A anteceder o filme de Aubert há a curta-metragem portuguesa As Sombras de Thule.
No pequeno auditório o dia é das curtas nacionais com as curtas animadas, numa parceria Fantas/Casa da Animação. Há ainda um remake do clássico The Gabinet of Doctour Caligari e a comédia escocesa Gamerz. A noite acaba com mais uma serie de curtas de Bill Plympton.
Mughal-E-Azam e WAQT continuam a retro Bollywood na Almeida Garrett e Desperate Remedies é o sumpstuoso filme neo-zelandês que rola em Love Connection no Passos Manuel. Já o AMC continua com Mundos Paralelos e passa Hamster Cage, o perturbador filme de Larry Kent.
O Hollywood recomenda uma visita a The Bow - para quem perdeu o poema visual de Kim Ki Duk - e uma espreitadela a Saints-Martyres des Damnés, para aqueles que acham que há pouco terror na edição deste ano do Fantas.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às março 1, 2006 03:13 PM