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março 15, 2006

O Que Estreia Por Cá - O Homem Tranquilo

O filme foi de encomenda. Mas revelou-se o seu maior sucesso dos últimos vinte e anos. O canadiano David Cronenberg está em alta. O seu regresso traz a marca da violência psicológica de uma família desfeita por um segredo por contar. Porque havia um homem na América que dava tudo para nunca ter sido um herói.
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Tom Stall era um tranquilo dono de um café numa cidade no meio do nada da América profunda. Um dia, três homens tentaram assaltar o café, e Stall abate-os tornando-se assim num improvável herói local. Só que as noticias correm depressa e pouco tempo depois a pequena cidade vai ser invadida por personagens estranhas, as únicas que conhecem o segredo bem guardado de um homem que só queria que o deixassem em paz.
David Cronenberg - um dos realizadores verdadeiramente irreverentes - não conhecia um grande sucesso de bilheteira desde The Fly, há vinte anos atrás. O seu último filme, Spider, brilhante exercício sobre a memória e os traumas de infância, passou ao lado de tudo e todos. Cronenberg precisava de um sucesso. A History of Violence era uma história que precisava de um realizador como ele.
Viggo Mortensen - a tentar recomeçar a carreira pós-Aragorn - Maria Bello, Ed Harris e William Hurt são as figuras de proa desta história familiar pouco convencional. Há violência, sim claro, mas o que há acima de tudo é a análise cirúrgica que Cronenberg faz de uma família convencional, que tem de enfrentar o último dos desafios à sua sobrevivência.
Desempenhos intensos, filme frenético, no Cronenberg mais convencional dos últimos anos. O que não quer dizer nada. Apesar de tudo, ainda há poucos cineastas capazes de fugirem das normas como o veterano canadiano. Ver para crer!
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Mais cinco estreias nas salas portuguesas esta semana.

Falou-se muito deste drama da dupla criativa Ivory-Merchant (o último após a morte do produtor), mas a verdade é que, tão depressa como apareceu, também desapareceu dos radares. O filme desenrola-se na China dos anos 30, onde um diplomata britânico - mais um intenso desempenho de Ralph Fiennes - encontra e apaixona-se por uma condessa russa, fugida da revolução soviética. Elenco de luxo (Fiennes, Richardson, Redgrave), um realizador de elite (James Ivory), um guião mais do que dramática, The White Contessa tem tanto de low profile como de eloquente.
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O mais recente sucesso do cinema africano. Galardoado nos óscares com o prémio de Melhor Filme Estrangeiro, o sul-africano Tsotsi leva-nos para uma semana na vida de um jovem, lider de um gang em Joanesburgo. Problemas com o crime, a S.I.D.A, a insegurança, aliados à problemática do crescimento destes adolescentes, sem tecto e sem esperança de vida, fazem de Tsotsi um filme com uma premissa similar a Cidade de Deus, mas com um registo intimistas bem mais trágico.
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Colour Me Kubrick é baseado numa história veridica. Durante meses - o período da rodagem de Eyes Wide Shut - um homem fez-se passar pelo misterioso e sempre ausente cineasta, na altura às portas da morte. Utilizando os mais diversos esquemas, o homem assume a identidade do realizador e cria algumas situações que só seriam mesmo imaginaveis se as tivessemos antes visto num filme de Kubrick. John Malkovich é intenso neste filme de Brian Cook. Os dois lados do espelho!
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Intriga Internacional à francesa é a premissa de Chevaliers du Ciel. Dois pilotos recebem ordem para recuperar um avião desaparecido, mas um deles é forçado a abater o avião quando este ataque o seu colega. Esse acto vai-lhes custar a carreira e só através de uma agência secreta vão conseguir perceber a dinàmica de uma verdadeira conspiração terrorista que vai acabar com um duelo nos céus como não se via desde Top Gun. Dirigido por Gérard Pirés, o filme conta com Benoît Magimel, Clovis Cornillac e Géraldine Pailhas. A prova que a indústria francesa ainda existe.
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Pink Panther era um clássico que ajudou a celebrizar a figura de Peter Sellers como Inspector Closeau. Alguém na Fox lembrou-se de fazer um remake. E o disparate começou logo aí. Steve Martin, Kevin Kline, Jean Reno e até Beyoncé Knowles, são parte do elenco de um filme desastrado, sem grande sentido, e que longe de honrar as primeiras aventuras de Closeau, acaba por destruir a imagem de uma das mais hilariantes personagens da história do cinema. Shawn Levy é o realizador.
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O Hollywood Recomenda - A History of Violence obviamente. Realizador de culto, história memorável, elenco inesquecivel. Pouco mais se pode pedir.

O Hollywood Desaconselha - Quem gosta do original não vai querer ver o novo. Quem não viu o original, devia vê-lo e poupar tempo em ver a nova versão de Pink Panther. Há limites!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às março 15, 2006 11:26 AM

Comentários

Miguel, o A History of Violence não tem nada de frenético, nem mesmo as próprias cenas de violência, cirurgicamente colocadas no filme, o são. O filme passa-se sempre numa toada calma, mas intensa, em que a principal violência acaba por ser psicológica.

Publicado por: João André às março 15, 2006 03:37 PM

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Publicado por: pixatuning às março 15, 2006 12:21 PM

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