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março 11, 2006

Top of the Tops...Thrillers dos Anos 90

Os Anos 90 foram pródigos em grandes produções que rapidamente se imortalizaram por aquilo que são e pelo que provocam no espectador. Qualquer um destes filmes é um filme de culto, com fãs que resistem ao tempo e com um lugar de destaque na história do cinema.
Intensidade e suspense, acção e twists inesperados, personagens marcantes e imagens que se perpetuam na memória...Tudo isto, e muito da nossa subjectividade é o que define o thriller perfeito.
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5. Mission Impossible
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Baseada na série de TV dos anos 60/70, este filme apropria-se do espírito de equipa de um grupo de agentes de CIA que opera indiscriminadamente sob ordens governamentais, conseguindo atingir os seus objectivos de forma brilhante. Mas todas as parecenças com um filme de acção acabam aqui. Tom Cruise é o líder deste grupo de operações especiais, que conhecemos numa missão de natureza regular na cidade de Praga, mas que corre inexplicavelmente mal, e da qual Cruise é o único sobrevivente. Rapidamente se apercebe que algum agente infiltrado na CIA está a sabotar estas missões e o usou como bode expiatório. Deixado de fora das actividades da agência e sem ninguém que acredite nele, Cruise tem de encontrar a toupeira, perceber os seus objectivos e limpar o seu nome e o seu futuro.
Para isso, reúne uma equipa de espionagem junto dos seus contactos fora da agencia, e a partir daqui partimos para um thriller de suspense inesperado num filme deste tipo, onde a única saída é uma furtiva entrada no edifício da CIA, que nos levará a um labirinto de situações e revelações num timing de cortar a respiração.

4.Goodfellas
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É grande, é longo, é forte, é violento, é sarcástico e é deprimente. Claramente, não é para todos. Goodfellas conta a história da ascensão e queda de um senhor gangster, pelas palavras de dois narradores, que vão acompanhando de forma coloquial a sua vida por entre todos os episódios negros e impressionantes que são o pão nosso de cada dia para a família da mafia.
Uma acção sem falhas, um argumento brilhante, mas acima de tudo, um leque de actuações que nos levam a perguntar se aqueles actores alguma vez foram alguma coisa que não mafiosos. Joe Pesci é outro homem. A sua actuação como Tommy De Vito, violento, insensível, cáustico, é de tal forma credível que é impossível não ter uma atracção doentia pela sua personagem. Liotta tem também um desempenho marcante, e De Niro é o patrão subtil, poderoso e, apesar de não aparecer em cena tanto tempo quanto gostaríamos de vê-lo, cada vez que surge impõe respeito.
Scorcese desde aí tem reclamado o seu lugar nos rankings da Academia, mas a verdade é que depois de Goodfellas não lhe ter dado um Óscar parece improvável que algo que ainda possa fazer alguma vez venha a dar.

3.Se7en
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Desde realização, interpretações, imagens, e música, Seven é um filme que não nos abandona facilmente depois de o vermos. Tem aquele desfecho que, podendo não ser totalmente inesperado, é inesperadamente brilhante, fruto dos mind games a que nos vemos expostos durante perto de duas horas.
Brad Pitt e Morgan Freeman fazem uma dupla brilhante, no clássico conflito antagónico entre o novo e o velho, o optimista e o pessimista, o crente e o descrente. Ambos são detectives, e a sua mais recente missão é resolver a charada de estranhos crimes, aparentemente sem um móbil definido, que vão assombrando Nova Iorque. Quando se apercebem, andam à caça de um homem que reclamou para si a punição dos 7 pecados mortais. A forma com entramos nas suas vidas e nos seus sentimentos é difícil de encontrar, mesmo nos melhores thrillers que alguma vez foram feitos.
Há violência, sim, mas nunca directamente. Ao espectador, é apenas dado o momento final, a morte consumada. Mas essa imagem fala por si. Cada pecador proporciona uma atmosfera tão perturbadora que não conseguimos esquecer nenhum dos sete pecados por muito tempo, depois de nos desligarmos do ecrã.
A realização de David Fincher fala por si própria: não há no filme um momento de relaxamento, de pausa. A camera está em constante movimento, emprestando ao espectador a ilusão de que está sempre na sala onde os personagens estão. Mesmo nas cenas mais calmas, ele encontra forma de demonstrar que as vidas de Pitt e Morgan estão em desassossego, seja por causa do comboio que passa e abana a casa do jovem recém casado ou por todos os momentos de pausa do veterano serem acompanhados de uma chuva intensa.
Do criminoso, não se poderia esperar melhor interpretação em tão pouco tempo que está em cena. Spacey é fenomenal, exala uma loucura inocente dos seus olhos e apresenta-se com um sorriso de redenção... Marcante.

2.Pulp Fiction
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Controverso. Duro. Violento. Surreal. Tarantino.
Este filme cria a sua imagem como um senhor do cinema de suspense fantástico, e praticamente transforma o seu nome num adjectivo. Os seus planos de cinema surreal, as movimentações improváveis da camera, as ideias geniais de perpetuar o suspense para além dos poucos segundos que dura um cena e nos deixa a pensar nela até o momento em que a história volta para lá...E depois, o guião, todo ele. A Los Angeles dos nossos dias é o palco das personagens mais improváveis e das mais comuns, mas que entram numa espiral de acontecimentos e episódios em que é difícil acreditar, numa cela escura cheia de violência gratuita e num tiroteio rápido com twists inimagináveis... Mas será que a inovadora realização e escrita de Quentin capaz de lançar Pulp Fiction para a prateleira dos filmes de culto por si só?
É difícil responder, porque os pontos fortes desta história não ficam por aqui. As interpretações de John Travolta, Bruce Willis, Samuel L. Jackson, Uma Thurman, Harvey Keitel e Cristopher Walken juntam-se de uma forma sobrenatural, parecendo que este leque de actores nasceu para estar junto neste filme. A história, em formato de cinema mosaico, é composta por três intrigas que por si só dariam um filme, mas que depois de as vermos interligadas em Pulp Fiction não mais as poderíamos ver de outra maneira. Willis é um boxeur corrupto às voltas com um lampejo de honestidade e dúvidas sobre a sua vida, Travolta um assassino contratado, mas com a traiçoeira missão de ter que passar uns dias a tomar conta da mulher do seu implacável e irascível patrão. Keitel é o tipo que resolve os problemas dos outros, e é ele quem vai atar as pontas soltas duma história montada em analepses e prolepses, flashbacks estranhos e uma organização que por vezes nos faz pensar se não teremos perdido nada de uma forma inexplicável.
Mas não é o que acontece, já que à medida que caminhamos para o final o nevoeiro dissipa-se, a ordem sem sentido afinal era a mais lógica possível. E depois a violência gratuita que parece ser uma constante, mas que é aligeirada de forma fenomenal por um humor negro e precioso que se encaixa na perfeição em cada momento. Pulp Fiction marca uma viragem na história dos thrillers, na forma de abordagem do suspense e de mexer com as emoções do espectador mais impassível

1.LA Confidential
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O que é que falta a LA Confidential? Poderia ser uma pergunta complicada, mas a verdade é que o filme responde por si: nada. Não falta nada, e com isso vem o duro fardo de que provavelmente nunca mais veremos um thriller como este.
Polícias corruptos, alianças secretas, traições, amor, jogo duplo, morte, caos. Esta Hollywood dos anos 50 é palco de uma história de histórias, de personagens que se completam mas que se aguentam sozinhas, de intrigas secundárias de grande qualidade, onde Kim Besinger e Danny DeVito ganham o seu espaço, de twists completamente geniais e de lutas pelo poder duma forma subtil como se vê em poucos filmes.
A acção principal mantém-se a si mesma graças a três interpretações geniais, correspondentes a três personagens não menos bem conseguidas. Russel Crowe é o bad cop, o que faz os interrogatórios sem piedade, o que parte para a violência porque foi assim que cresceu e que sobreviveu. Como tal, a sua honestidade e ingenuidade fazem crescer o nosso apreço por tal personagem, que naturalmente é aquela que quando se apercebe que está metida em algo muito maior que ele fica meio perdida, mas consegue fazer as escolhas certas. Spacey é o polícia que sabe o que faz, e sabe como fazê-lo: o sistema tem falhas, a corrupção sai impune, o dinheiro e a fama são melhores do que o trabalho duro. A vida corre-lhe bem, e entrar em causas justas e certas é algo que não está nas suas prioridades. Mas os seus esquemas ardilosos já o haviam posto lá dentro sem ele dar por isso, e agora é tarde para sair. O último deste três homens é Guy Pearce, o polícia exemplo, aquele que quer deitar abaixo tudo e todos os corruptos do sistema e subir graças ao seu mérito próprio e justiça para os escalões mais elevados. Mas LA é muito grande para um homem só, e apesar das suas investigações estarem sempre no caminho certo, falta-lhe sempre uma peça para completar o puzzle. São estes três homens, tão diferentes entre si, mas tão iguais à sua cidade que vão conseguir escapar e desmontar a teia de corrupção e mentiras que mina todos os sistemas e esquinas da cidade onde vivem. São mais de duas horas e meia que passam a correr, porque não há um momento em que não se respire novidade, mais pistas, mais luz, mas ainda assim um suspense mantido de forma formidável até ao final, quando a verdade se abate sobre nós de forma chocante e inacreditável, mas ainda assim tão plausível de acontecer...

Por problemas técnicos com o servidor não nos foi possivel publicar esta rúbrica, como estava previsto, ontem. Por isso pedimos desculpa!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às março 11, 2006 04:14 PM

Comentários

Estou curiosa se o vosso site, gostou fo filme
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Publicado por: Carla às julho 17, 2006 11:40 PM

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O meu:

5 - Bound
4 - Fargo
3 - Miller's Crossing
2 - Goodfellas
1 - Pulp Fiction

Publicado por: Vítor às março 11, 2006 05:48 PM

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