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março 20, 2006
Antevisão - V for Vendetta
Façam uma viagem até ao futuro, a uma Londres reconhecível, mas escura. Onde todos os vestígios de uma metrópole saudável e rica em pensadores livres e artistas e criadores e escritores não passa disso, exactamente: um vestígio, uma memória longínqua. Mas há sempre quem se lembre do passado melhor do que a maioria...e acabe por arrastar minorias. Querem entrar? Procurem o V na parede.

M.A.M.
Inspirado numa graphic novel dos anos 80, que num pequeno número de edições conquistou um nicho de culto e está nas prateleiras de história da DC Comics, V for Vendetta é uma adaptação bem trabalhada e rigorosa da história com o mesmo nome criada pelos autores Moore e Lyod.
Londres vive presa num espartilho totalitário, é uma sociedade totalmente controlada e onde a apatia da população parece alimentar-se a si mesma. É com este cenário como pano de fundo que conhecemos as duas principais personagens do filme. Evey (Natalie Portman) é salva numa situação de vida ou morte por um estranho indivíduo mascarado, que se auto-intitula V (Hugo Weaving). Como seria de esperar, o enredo gira em torno desta personagem, descrita como sendo realmente complexa, erudita, um intelectual tipicamente britânico, com conhecimento vasto nas artes de combate, estratégia, literatura, história... Mas com um lado negro não menos apurado onde põe em prática os seus conhecimentos. É um solitário à procura de vingança, violento e amargo, lançado nas ruas pela mão da sua vendetta pessoal. O seu objectivo: libertar todos os cidadãos que queiram ou precisem de ser libertados dos seus opressores e torná-los aliados para uma obra maior. V condena a tirania e a opressão com que os líderes de um governo podre e corrupto regem Inglaterra e convida todos aqueles que procuram fugir destas amarras a juntarem-se a ele num plano engenhoso para derrubar o Parlamento, evocando a história de Guy Fawkes, mas esperando um final diferente...
Entretanto, à medida que segue a história de V e o vai descobrindo, Evey vai-se tornando uma pessoa diferente. Conhecendo profundamente o estranho homem que a salvou, começa a aperceber-se de que o mundo à sua volta pode e deve mudar, mas isso tem que partir também de si mesma e da sua crença de que uma sociedade mais justa pode emergir das cinzas desta em que vive.

V for Vendetta é claramente um história de personagem, e como tal é normal que a maior parte dos minutos desta trama girem em torno de Hugo Weaving. Actor carismático e muito físico, Weaving parece perfeito para o papel. O lado de justiceiro mascarado de V, com uma acção física sublime e sóbria, mas eficiente e consciente do seu poder. É impossível não ligar estes dois lados de Weaving a personagens que o notabilizaram: em primeiro lugar, como Elrond, na sapiência em Lord of The Rings, e depois como Agent Smith em Matrix, onde todo ele era poder.
Portman é a luz no filme com um cenário de escuridão. Vítima e heroína em potencial, o seu lado emocional é forte e tocante, e o seu choro e desespero marcam qualquer espectador com um mínimo de coração. Que viu Closer sabe-o bem. Mas a jovem actriz não brilha só a partir das lágrimas, brilha também a partir da determinação que consegue impor a qualquer papel onde ela seja característica necessária, parecendo sempre concentradíssima consigo mesma e com os seus pensamentos, transparecendo para o mundo uma atmosfera carregada e determinada. Nada menos se espera dela.


A banda sonora fica inteiramente ao cargo de Dario Marianelli, um compositor que capta a essência britânica do que a música deve ser e é exímio em enquadrá-la na época e atmosfera pretendidos. Se dúvidas houver, aconselhamos Pride and Prejudice para as dissipar.
Por detrás das cameras, está um estreante na realização per se, mas não um estreante no que toca a este ambiente. James McTeigue é de facto tudo menos um rookie quando se fala de adaptações de obras de culto, já que esteve sempre com os irmãos Wachowski durante a produção da trilogia de Matrix. E isso tem que dar alguma experiência no que toca a dirigir cenas onde impera a imaginação e a acção. Como se esses anos de produção entre dois mundos não fossem suficientes, pelo meio foi ainda primeiro assistente de realização de Star Wars II...No mínimo, um currículo de side-kick invejável.
Depois, o guião. McTeigue não podia sentir-se mais confortável e a “trabalhar em casa”, não tivesse sido ele adaptado da BD pelos próprios irmãos Wachowski, que fizeram todo o trabalho de preparação cinematográfica da história.
A crítica não tem sido unânime com V for Vendetta, ora o considerando no máximo como uma boa adaptação mas sem nada de magistral, ora o considerando como uma história tão anárquica como a sociedade descrita. Veremos até que ponto esta vendetta se salva a si mesma.

O QUE ELES DISSERAM
Consegue ser, ao mesmo tempo, estranho e bizarro e enganador,mas duma forma completamente entediante. Vê-lo é como ter o fornecimento de oxigénio ao nosso cérebro asfixiar por mais de duas horas.
Peter Bradshaw, The Guardian
Como ícone pop, V for Vendetta prende o olhar ao ecrã, ainda que lhe falte a bravura de video-jogo que fez vender "Matrix".
Owen Gleiberman, Entertainment Weekly
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M.A.M.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às março 20, 2006 03:07 PM
Comentários
DA VONTADE DE FAZER UMA REVOLUÇAO A ESTE MUNDO DE TIRANOS EM QUE SOMOS TODOS SUBMISSOS QUER QUEIRAMOS QUER NAO ........ O V TEM RAZAO NAO SAO OS GOVERNOS Q MANDAM MAS SIM NÓS O POVO.
Publicado por: MASZÉ às setembro 28, 2006 06:34 PM
gostei bastante de ver...ha muito tempo que nao via um filme de acçao (que é o genero mais acentuado) tao bom...
Publicado por: ze ricardo às setembro 22, 2006 06:00 PM
Ter os Matrix como referência não é bom cartão de visita. O primeiro ainda vá, mas os dois seguintes?...
Toda a crítica que li acerca do filme (após ser exibido em Berlim) o coloca abaixo de cão. O trailer que vi umas quantas vezes no cinema não augura absolutamente nada de bom. A escolha de Portman (de quem gosto muito como actriz) para britância é enervante. Acho que este é um filme pelo qual esperarei no mercado de vídeo, de preferência a preço baixinho.
Publicado por: João André às março 22, 2006 10:54 AM