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abril 25, 2006

25 de Abril no Cinema

Há 32 anos Portugal recuperou a liberdade. Inexplicavelmente só há um filme em Portugal sobre o dia 25 de Abrild e 1974. Fazem-se filmes sobre tudo e mais alguma coisa, mas ainda ninguém seguiu o exemplo de Maria de Medeiros e do seu Capitães de Abril. Uma tristeza que reflecte também o que é o cinema português...um imenso vazio!
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Publicado por Miguel Lourenço Pereira às abril 25, 2006 09:27 PM

Comentários

Gostei imenso do filme "A Hora da Liberdade" (mini serie), infelizmente nao o consigo encontrar a venda em lado nenhum...sera que alguem me consegue arranjar um copia...pago bem.

Publicado por: Miguel Nazario às janeiro 1, 2007 01:21 AM

Estava neste momento a passar a minha gravaçao vhs para dvd do filme "hora da liberdade"
chamem lhe o que quiserem, filme, documentario, reconstituição - a verdade é que é a melhor produçao que já vi a reconstituir historicamente este marco da nossa sociedade.

Publicado por: Pedro Oliveira às julho 13, 2006 06:13 PM

Filmar Abril no registo de ficção. Esta é outra questão, que não se centra apenas em Portugal mas no Cinema Mundial. Como filmar um acontecimento real? Pode-se pegar numa pessoa que não existiu ou inspirada em alguém. Pegar numa perspectiva do acontecimento e levá-lo por outros rumos. Só assim, julgo eu, se pode pegar num acontecimento como Abril. É difícil filmar revoluções e acontecimentos históricos do século XX. É a minha opinião. Ainda estamos muito ligados às imagens desse dia. O próprio filme da Maria de Medeiros, apesar de ter momentos brilhantes, falha no seu todo. É uma cabana de palha contruída em terrenos lamacentos e num ermo ventoso. Foi uma tentativa, como disse alguém, de fazer um "Outubro" do Eisenstein à portuguesa.
Apesar de tudo, há filmes portugueses que têm sinais de Abril. Dou um exemplo - "Non ou a vã glória de mandar". Um filme sobre Portugal. Um filme sobre nós. Passado no presente da narrativa em plensa guerra colonial, várias vezes o regime anterior é posto em causa. Para além disso, a última cena - morte do Furriel no dia 25 de Abril de 1974 - é toda uma explicação da revolução.
Não vale a pena, julgo eu, que se façam filmes sobre Abril. Difícil será o filme possível não ter uma mensagem política. Sobram documentários, como disse no comentário anterior. E alguns, garanto, são grandes momentos de cinema.

Publicado por: Duarte Sousadias às abril 27, 2006 04:33 PM

Duarte, estou mesmo a falar de filmes de ficção e não documentários. Claro que no registo documental a situação é diferente. Mas não é dificil filmar Abril. Não há é coragem para filmar Abril que é diferente.

Publicado por: Miguel Lourenço Pereira às abril 27, 2006 11:39 AM

Olá Miguel. Não percebi bem o que queres dizer com "Inexplicavelmente só há um filme em Portugal sobre o dia 25 de Abrild e 1974"? Nem percebi bem que tipo e filmes achas que devia haver em abundância sobre esta data histórica. De facto, só existe um filme que reconstitui os momentos da Revolução. Agora, acho que fazes mal em excluir documentários importantes que proliferaram depois do 25 de Abril. Casos do "Bom Povo Português", do "Torrebela", etc. Aliás, a seguir à Revolução o cinema e o documentarismo foram bastante utilizados para difundir mensagens ideológicas. E esses filmes, na minha opinião, tem bastante valor.
Também o certo é que fazer filmes sobre a revolução de Abril é bastante difícil. De tal modo que Maria de Medeiros falhou no "Capitães de Abril" em vários aspectos. Desde a teatralidade de certas cenas, em plena revolução, que têm pouca dinâmica, até à utilização de temáticas que não se adequam àquele dia.

Publicado por: Duarte Sousadias às abril 27, 2006 10:26 AM

Meus caros, quando temos uma sociedade que só agora, 32 anos depois, começa a contar a real história do 25 de Abril e pós-25 de Abril, deixando o lado romântico a um canto e fazendo perguntas incómodas, como é que poderíamos pedir filmes? Além disso temos ainda uma sociedade que não financia filmes sem a ajuda do estado. O processo de atribuição de dinheiro é feito preferencialmente com base nos argumentos, pelo que algum que esteja feito com base num livro (por exemplo) está à partida mais condicionado devido à existência de material anterior.

Quer dizer, creio serem estas algumas razões. Não concordo com elas, está claro, mas penso serem parte do problema.

Publicado por: João André às abril 27, 2006 09:44 AM

O facto de telefilme excluiu-o imediatamente do raciocinio que desenvolvi, mas como filme é interessante Pedro.

Publicado por: Miguel Lourenço Pereira às abril 27, 2006 03:13 AM

Eu gostei bastante d' "A Hora da Liberdade". Gravei-o até e de vez em quando vejo de novo. Claro que o intuito desse telefilme foi diferente do "Capitães de Abril", o objectivo era apenas fazer uma reconstituição histórica. Claro que se notam vários pormenores no filme em que se vê que as ruas são as de hoje e não as de 74. Mas gostei.
Quanto ao "Capitães de Abril", logo quando ouvi falar dele houve uma coisa que me desagradou, que foi o de ter actores estrangeiros para os quais tiveram que dobrar as falas. Só vi uma parte do filme há algum tempo, mas isto desagradou-me logo à partida.

Publicado por: Rui Brinquete às abril 27, 2006 03:07 AM

Eu gostei bastante d' "A Hora da Liberdade". Gravei-o até e de vez em quando vejo de novo. Claro que o intuito desse telefilme foi diferente do "Capitães de Abril", o objectivo era apenas fazer uma reconstituição histórica. Claro que se notam vários pormenores no filme em que se vê que as ruas são as de hoje e não as de 74. Mas gostei.
Quanto ao "Capitães de Abril", logo quando ouvi falar dele houve uma coisa que me desagradou, que foi o de ter actores estrangeiros para os quais tiveram que dobrar as falas. Só vi uma parte do filme há algum tempo, mas isto desagradou-me logo à partida.

Publicado por: Rui Brinquete às abril 27, 2006 03:06 AM

Miguel:

De facto, há poucos filmes sobre a matéria - infelizmente - mas não se poderá considerar "A Hora da Liberdade" como um filme sobre o 25 de Abril?

É que está muito bem feito apesar de ser um Telefilme.

Publicado por: Pedro Neto às abril 26, 2006 08:41 PM

Eis de facto um mistério que urge ser resolvido. No que toca ao 25 de Abril talvez seja devido a alguma falta de coragem...creio que muitos dos realizadores terão receio de receber o rótulo de "filme político". Algo que noutros hemisférios, apesar da polémica, não levou ao receio de assumir o tom "político" do filme. Veja-se "Viva Zapata!" de Elia Kazan ou "Z" de Costa-Gavras (segundo o romance de Vassilis Vassilikos), passando "1900", "il conformista" ou "prima della rivoluzione" de Bernardo Bertolucci. Será uma questão de atitude?

Aponto ainda outro mistério: porque é que não há muitas adaptações das obras do neo-realismo portugues? Excepção feita a "Uma abelha na Chuva" (do romance de Carlos de Oliveira) de Fernando Lopes ou ao tragicómico "A selva" (do romance de Ferreira de Castro) de Leonel Vieira, tão rico manancial tem sido completamente desaproveitado...e trata-se de algo tão ou mais tristem, porque estamos perante um manancial que se presta, facilmente, à adaptação cinematográfica, fruto dos seus particulares atributos estéticos (altamente visuais!). Pense-se no que não seria adaptar Alves Redol, Soeiro Pereira Gomes ou Manuel da Fonseca ao grande ecrã...

Enfim, é o cinema português no seu "melhor". Estaremos, também, a precisar de um 25 de Abril no cinema luso? Ou precisaremos de algo mais forte: um grito do Ipiranga?

Publicado por: Hugo Alves às abril 26, 2006 12:57 AM

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