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abril 24, 2006
Antevisão: Mission Impossible III
Quando Brian de Palma decidiu ressuscitar uma das mais populares séries televisivas dos anos 70 a expectativa era muita. E a aposta foi ganha. Mais tarde John Woo conseguiu em quinze minutos destruir o que De Palma conseguiu num só filme. Atenções viradas agora para J.J. Abrams. O home tem estilo e um passado de sucesso. Depois de MI e MI 2, Ethan Hunt está de volta. Mas a questão é esta: qual deles está de regresso?

O filme estreia a 5 de Maio mas a expectativa é grande. Tom Cruise transformou-se no novo action hero, sucedendo a Harrison Ford. O actor mais promissor dos anos 80 (Risky Business, Born on the Forth of July, Rain Man) entrou numa espiral quase de auto-destruição de uma carreira que muitos auguravam como brilhante. Mesmo o seu fabuloso desempenho como Ethan Hunt em Mission Impossible foi ofuscado pelo tenebroso regresso do action-hero no segundo filme da franquia, provavelmente um dos piores filmes de acção dos últimos anos. Mas Cruise agora é um homem novo. Aderiu à nova mania de Hollywood, a Cientologia, casou-se e foi pai, finalmente, e mostra-se decidido a recuperar um pouco o prestigio que foi perdendo ao longo da última década. Por isso mesmo a sua terceira abordagem de Ethan Hunt será decisiva para descobrirmos que Cruise é que temos para os próximos anos. Um regresso à boa forma ou a confirmação do definhar da carreira do golden boy de Hollywood?

Para ajudar Cruise está J. J. Abrams ao leme. O realizador ganhou um grupo de fãs de respeito graças à sua passagem pela televisão, onde criou a série Alias. Com boa noção do espaço e timing cinematográficos, a Abrams cabe a missão de gerir um argumento ambicioso, e ao mesmo tempo jogar com o vedetismo de Cruise, acusado de provocar a saída do primeiro nome ligado ao projecto, o cineasta Joe Carnahan. Abrams tem também à sua disposição um elenco de luxo, muito mais parecido com o do primeiro filme (havia Voight, Beárt, Reno, Rhames, Scott-Thomas, Redgrave) do que com a aventura falhada de John Woo. Acabado de chegar da noite dos Óscares, Philiph Seymour-Hoffman surge como o irrascível vilão, a nemesis de Hunt, num papel feito à medida para o intenso actor norte-americano. Como ajudante de Hunt vamos ter, para além do inevitável Ving Rhames, a jovem Keri Russell. Michelle Monaghan é a mulher do agente e Jonathan Rhys-Myers e Billy Crudup também estão presentes no elenco. Nomes sonantes mas que terão a responsabilidade de fazer esquecer Scarlett Johansson, Carie Ann-Moss e Keneth Branagh que sairam do projecto à medida que o longo período de pré-produção se ia arrastando.

A história não anda propriamente no segredo dos deuses. Hunt agora é casado e está a treinar uma agente para o suceder na liderança da equipa MI. Mas um dia a sua mulher é raptada e o agente vai ter de começar uma corrida contra o tempo para salvar a mulher e ao mesmo fazer justiça pelas suas próprias mãos. Espantosas sequências de acção - a ver pelo trailer - e uma excelente composição sonora (espera-se muito da versão que Kanye West irá fazer do tema principal), são dois dos grandes atractivos do filme. Mas não só. Um elenco bem composto e um Cruise em forma irão certamente ajudar Mission Impossible a tornar-se num dos grandes sucessos de 2006. No entanto o fantasma do segundo filme não desapareceu por completo, e por isso mesmo, há quem prefira acautelar-se. Afinal, mesmo Abrams à frente nunca se sabe o que Cruise vai fazer.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às abril 24, 2006 07:51 PM
Comentários
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Publicado por: funny ringtones às setembro 9, 2006 10:34 AM
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Publicado por: ringtones free às agosto 9, 2006 02:17 AM
" Se isso é assim, o máximo a que a série pode aspirar é a homenagear/copiar/plagiar técnicas cinematográficas"
Homenagear, copiar, plagiar? Mas então agora há um registo de patentes de técnicas de filmagem? Vamos la ver uma coisa, estamos a falar de técnicas audiovisuais ao dispôr de qualquer realizador que lide com som e imagem.
Francamente começo a achar essa compartimentação lingaugem cinematografica/inguagem televisiva cada vez mais desnecessária.
Publicado por: Léccio às abril 28, 2006 11:50 AM
luís f, vamos a ver se nos entendemos de uma vez por todas. O facto de eu não ver de uma forma geral televisão não quer dizer que não o tenha feito no passado ou não o faça ocasionalmente no presente. O olhar de reconhecimento de qualquer outro espectador que esteja comigo (ou com quem eu esteja) quando vejo, por exemplo, o 24 explica bem que as personagens estão definidas. Mas estamos sei lá em que série. Antes disso as personagens foram definidas ao longo de vários episódios. Acreditar que se define uma personagem em um ou dois episódios numa série televisiva é ridículo. Ou, se isso realmente suceder, então nada de bom augura para a série, apenas que é aborrecidíssima por nada de novo existir.
Se os métodos de produção são diferentes (lá está, tempos de produção, equipamento, etc), a linguagem tem que ser necessariamente diferente. Um travelling de 2 minutos torna-se essencialmente impraticável. Até mesmo um único plano de 1 minuto focando uma única personagem. Se isso é assim, o máximo a que a série pode aspirar é a homenagear/copiar/plagiar técnicas cinematográficas. Mais que isso é ridículo.
Claro que nada disto impede que a televisão tenha qualidade. Não tenho dúvidas de existir mais qualidade (não necessariamente cinematográfica) num único episódio d'Os Sopranos que em 90% dos filmes de gangsters. Só que isso não tem a ver com técnicas. É como comprar fruta. Uma laranja pode ser melhor que uma banana. Não porque seja também "abananada", mas porque pura e simplesmente é mais saborosa.
PS - e ainda fica a tal questão dos realizadores de televisão que tenham singrado no cinema...
Publicado por: João André às abril 27, 2006 09:27 AM
joão a partir de certa altura ja conhecemos o personagem. uma série é isso: são-nos apresentadas diferentes situações a uma pessoa/personagem que já conhecemos. agora se não vê como pode dizer uma coisa com tanta certeza? está lá para quem quiser ver: os sopranos são um filme, dividido em episódios e séries. é a minha opinião e a de muita gente. com efeito os tempos de realização são diferentes, se quer saber penso que esse argumento é um pouco rídiculo. estamos a falar de meios, de custo, de tempos completamente diferentes. as técnicas e recursos não são os mesmo, obviamente. estando a discutir séries de televisão, parece-me lógico que sejam utilizados recursos e timings televisivos. na minha opinião, e os sopranos são um caso flagrante, continua a existir televisão com niveis cinematográficos muito superiores a vários filmes. e repito, não sobreponho tv a cinema ou vice-versa, mas o facto é que há series muitíssimo cinematográficas, quer queira ver ou não. abraço LF
Publicado por: luís f às abril 27, 2006 04:22 AM
joão a partir de certa altura ja conhecemos o personagem. uma série é isso: são-nos apresentadas diferentes situações a uma pessoa/personagem que já conhecemos. agora se não vê como pode dizer uma coisa com tanta certeza? está lá para quem quiser ver: os sopranos são um filme, dividido em episódios e séries. é a minha opinião e a de muita gente. com efeito os tempos de realização são diferentes, se quer saber penso que esse argumento é um pouco rídiculo. estamos a falar de meios, de custo, de tempos completamente diferentes. as técnicas e recursos não são os mesmo, obviamente. estando a discutir séries de televisão, parece-me lógico que sejam utilizados recursos e timings televisivos. na minha opinião, e os sopranos são um caso flagrante, continua a existir televisão com niveis cinematográficos muito superiores a vários filmes. e repito, não sobreponho tv a cinema ou vice-versa, mas o facto é que há series muitíssimo cinematográficas, quer queira ver ou não. abraço LF
Publicado por: luís f às abril 27, 2006 04:22 AM
joão a partir de certa altura ja conhecemos o personagem. uma série é isso: são-nos apresentadas diferentes situações a uma pessoa/personagem que já conhecemos. agora se não vê como pode dizer uma coisa com tanta certeza? está lá para quem quiser ver: os sopranos são um filme, dividido em episódios e séries. é a minha opinião e a de muita gente. com efeito os tempos de realização são diferentes, se quer saber penso que esse argumento é um pouco rídiculo. estamos a falar de meios, de custo, de tempos completamente diferentes. as técnicas e recursos não são os mesmo, obviamente. estando a discutir séries de televisão, parece-me lógico que sejam utilizados recursos e timings televisivos. na minha opinião, e os sopranos são um caso flagrante, continua a existir televisão com niveis cinematográficos muito superiores a vários filmes. e repito, não sobreponho tv a cinema ou vice-versa, mas o facto é que há series muitíssimo cinematográficas, quer queira ver ou não. abraço LF
Publicado por: luís f às abril 27, 2006 03:59 AM
joão a partir de certa altura ja conhecemos o personagem, são-nos apresentadas diferentes situações a uma pessoa que já conhecemos. agora se não vê como pode dizer uma coisa com tanta certeza? está lá para quem quiser ver: os sopranos são um filme, divididos em episódios e séries. é a minha opinião e a de muita gente. com efeito os tempos de realização são diferentes, se quer saber penso que esse argumento é um pouco rídiculo. estamos a falar de meios, de custo, de tempos completamente diferentes. as técnicas e recursos não são os mesmo, obviamente. estando a discutir séries de televisão, parece-me lógico que sejam utilizados recursos e timings televisivos. na minha opinião, e os sopranos são um caso flagrante, continua a existir televisão com niveis cinematográficos muito superiores a vários filmes. e repito, não sobreponho tv a cinema ou vice-versa, mas o facto é que há series muitíssimo cinematográficas, quer queira ver ou não. abraço LF
Publicado por: luís f às abril 27, 2006 03:53 AM
joão a partir de certa altura ja conhecemos o personagem, são-nos apresentadas diferentes situações a uma pessoa que já conhecemos. agora se não vê como pode dizer uma coisa com tanta certeza? está lá para quem quiser ver: os sopranos são um filme, divididos em episódios e séries. é a minha opinião e a de muita gente. com efeito os tempos de realização são diferentes, se quer saber penso que esse argumento é um pouco rídiculo. estamos a falar de meios, de custo, de tempos completamente diferentes. as técnicas e recursos não são os mesmo, obviamente. estando a discutir séries de televisão, parece-me lógico que sejam utilizados recursos e timings televisivos. na minha opinião, e os sopranos são um caso flagrante, continua a existir televisão com niveis cinematográficos muito superiores a vários filmes. e repito, não sobreponho tv a cinema ou vice-versa, mas o facto é que há series muitíssimo cinematográficas, quer queira ver ou não. abraço LF
Publicado por: luís f às abril 27, 2006 03:51 AM
Miguel nós não estavamos a pedir para fazeres um diario do Indie. Mas talvez o que se passa era agradavel... Tens de compreender que damos valor a tua opiniao e gostamos muito da maneira que cobre os oscar, o fantas e ate mesmo cannes, por isso mesmo sentimos falta do Indie... ;)
Mas se é por falta de tempo compreendo, pensavamos que não gostavas e querias saber o porquê, porque a pensar de nao termos nada a ver com isso, temos sempre alguma intimidade escritor-leitor.
Bom trabalho
Publicado por: Luis Santos às abril 26, 2006 11:14 PM
Eu às vezes penso que não escrevi em português, dada a forma como me põem a dizer coisas que nunca afirmei. Mas não, escrevi mesmo em português, se calhar há mas é quem não saiba ler o português.
luis f: desafio-o a encontrar no meu comentário um espaço onde eu diga que «uma personagem se constrói num espaço reduzido num episódio». Eu digo, e vá lá ver que está ali bem explicado, «As séries, no seu melhor, constroem as personagens ao longo dos seus apisódio». Isto significa, para quem queira ler, que a personagem de, por exemplo, Tony Soprano, nos vai sendo desvendada através dos diferentes episódios e das diferentes situações que enfrenta. Creio que isto é bem diferente de dizer que é durante um único episódio que se constrói a personagem. Ainda assim, e para personagens de episódio, que não existem apenas nas comédias, a revelação da sua personalidade (pelo menos do relevante para a acção) é feita ao longo do episódio. Não preciso de ser um viciado em TV para o saber.
Quanto ao ser cinematograficamente, que a TV tente utilizar alguns códigos cinematográficos é normal. Mas dizer que uma série é cinematográfica é um exagero. Até por um ponto fundamental: o tempo de filmagem. Um filme realizado por Spielberg (um realizador considerado rápido) demora, em média, 6 a 8 semanas a ser rodado (se não me falha a memória). Isso implica 3 a 4 semanas para cada hora. Com esse método, uma série televisiva demoraria um ano a ser completada. Uma série como o "24", com 24 episódios, demoraria ano e meio a dois anos. Isto implica que as técnicas são diferentes. Não piores ou melhores, apenas diferentes. Com recurso ao vídeo, por exemplo.
O que temos mais tarde é a inclusão destas técnicas, como o vídeo, no cinema. Nalguns casos resulta bem. Noutros é um convite ao facilitismo. Depende do realizador, como sempre. Isso não significa, contudo, que a TV seja mais ou menos cinematográfica.
Luís Santos, eu até posso imaginar aquilo que queres dizer. Fiz quase isso com o Sexo e a Cidade e com as 3 primeiras séries do Alias. Só que depois cansei-me e prefiro andar a caçar bons filmes para comprar e ver nessas alturas. Ou a ler um bom livro. Ou a fazer desporto. Ou a conversar com amigos, ou... São opções, obviamente, mas prefiro fazer muitas outras coisas a ver séries televisivas, mesmo que às vezes até o faça.
Publicado por: João André às abril 26, 2006 09:33 AM
Meu caro Luis e todos os defensores do Indie
Eu gosto do IndieLisboa. É um facto que passa excelente cinema, ao estilo do Sundance portugues. Apesar do Hollywood ser mainstream, como diz o João André, para mim neste momento o cinema americano vale essencialmente pelos autores indie (e alguns nomes consagrados que se mantêm em grande forma). O Indie é fundamental para o cinema português e espero que tenha muito sucesso, nesta edição e nas próximas.
Porque é que o Hollywood não cobre o Indie e cobre o Fantas? Não é uma questão de "Mouros" meu caro Luis. É mais fácil cobrir o Fantas porque estou a dez minutos do Rivoli e não a 3 horas do King. E cobrir in loco e à distância é bem diferente. O Hollywood também não cobre Veneza, Cannes, Berlim e Sundance como gostaria por ser à distância. Se me ofereceres estadia em Lisboa, terei muito gosto em cobrir diariamente o Indie. O habitual é o povo de Lisboa estar habituado a que tudo seja aí, e que todos tenham de prestar atenção ao que aí se passa. Isso é macrocefalia, e nesses jogos não alinho.
Mas a principal razão, nem é essa. Como já aqui referi várias vezes, o Hollywood sofreu um pequeno abalo na disponibilidade para estes extras a partir do momento em que comecei a trabalhar no jornal Público, na rádio JPR e na criação do CineGuia.
Agora diz-me sinceramente. Eras capaz de fazer estas três coisas, manteres o Hollywood e ainda cobrires diariamente o Indie Lisboa? Se fores, tu ou qualquer um que venha para aqui mandar bitaites disto ou aquilo, estás à vontade. Contrato-te na hora. Como sei que ninguém é capaz de o fazer, deixo-te só a ideia de que já é bem complicado fazer o que estou a fazer. Não há Indie, nem sei se vai haver CORTA e não vou a Cannes...paciência...não é por isso que o Hollywood deixa de ser o Hollywood, e não é por isso que esses festivais deixam de ser o que são!
um abraço
Publicado por: Miguel Lourenço Pereira às abril 26, 2006 02:20 AM
vamos lá ver uma coisa: eu não digo que a televisão é superior ao cinema. gosto muito de ambos, mas claro que são coisas muito diferentes. posto isto, vamos à discussão. não seria preciso dizer, j andré, que não vê séries televisivas. dizer que uma personagem se constrói num espaço reduzido num episódio é errado. a não ser que pensemos em séries cómicas, cuja natureza é mesmo essa, introduzir elementos novos à acção dos personagens conhecidos. se pensarmos num seinfeld, ou sex and the city, todos os episódios apresenta personagens novos, explorando as suas interacções com o grupo de personagens conhecidos. agora vamos pensar noutro tipo de séries. se pensarmos nos sopranos, não há personagem que não conheçamos, e saibamos os seus comportamentos nas diversas situações da vida. quem ve regularmente sabe o que o tony pensa, sente,etc..., e há muitos personagens em tv. quem diz os sopranos diz uma de várias. como vê, nesse aspecto, e segundo até o que diz, a série criada por david chase é muito cinematográfica. mas não era tanto por este aspecto que fiz a comparação. ´com efeito parece.me lógico o recurso a técnicas televisivas, talvez por estarmos a flar de televisão. quando eu digo cinematográfico não é pequenos filmes de 40 e poucos minuto, são planos , sequências, técnicas de filmagem,etc... a televisão reeinventa-se constentemente, de um modo mais apressado e mais vezes que o cinema, por o meio é obviamente diferente. e quando digo que o cinema vem muitas vezes à tv buscar elementos, é impossivel negar. o joão até disse a certo ponto que "o cinema está a copiar a tv". obvio, acontece pontualmente. o copiar claro que é relativo, mas se o cinema utiliza a tv, será que a tv. não pode utilizar o cinema de vez em quando?
bom fico por aqui mas espero que esta agradável discussão continue, pois gosto tanto duns como doutros, referindo obviamente a cinema e tv. abraço LF
Publicado por: luís f às abril 26, 2006 01:16 AM
João André já pensei como tu... Que é uma seca estar 17 horas para ver uma temporada ou assim... Mas hoje em dia discordo... Adoro cinema e vou pelo menos uma vez por semana no minimo ao cinema... Mas ando completamente viciado em series de televisao.
O que é mau, pois tenho de levar na cabeça em casa por estar sempre a olhar para um computador o dia inteiro viciado a ver uma série!!
Publicado por: Luis Santos às abril 25, 2006 10:52 PM
Para o pessoal do Indi Lisboa: caso não tenham notado, o blogue recebe o nome de Hollywood. Mais que um nome, é um programa. No caso, o Miguel aponta baterias (e atenções) essencialmente (mesmo que não exclusivamente) ao cinema mainstream. Isso justifica a aposta no Fantas e a ausência do Indie Lisboa. Pessoalmente tenho pena e parece-me que é errado negligenciar tal vertente, mas essa é a minha opinião e já a dei várias vezes ao Miguel em discussões interessantes (e bem acaloradas). Portanto, se querem mais atenção a outras áreas, criem o vosso blogue ou vão a outro lado. Certamente que concordarão que é de mau tom dizer a alguém como se deve portar na sua casa quando lá estão por convite.
TV e Cinema: que confusão, francamente. Há que separar águas. Há algumas influências da televisão no cinema. Por outro lado há influências infinitamente maiores no sentido oposto. Não costumo ver o Lost como não costumo ver qualquer série televisiva. Por uma razão simples: não tenho paciência para seguir os episódios todas as semanas. Prefiro uma história com rincípio meio e fim, sem que tenha de esperar pela semana seguinte para ver o que sucede. Dizer que uma série como o 24, que vai contando os acontecimentos e termina com uma situação de tensão para aguçar o apetite para o episódio seguinte é cinematográfico é disparate. É um simples recurso às técnicas mais banais de televisão. Não as critico: funcionam, isso é óbvio, mas estão nos antípodas do cinema. Aliás, toda a lógica televisiva actual, com sequências curtas para prender a atenção, não devem nada ao cinema. O cinema é que parece copiar essa mania (que pessoalmente - sublinhe-se o pessoalmente - detesto). As séries, no seu melhor, constroem as personagens ao longo dos seus apisódios, desenrolando a meada aos poucos e ao sabor da acção. No seu pior não "dão" personagens a conhecer, antes caricaturas mal amanhadas. O cinema viaja pelo problema intermédio, com as personagens centrais a terem de ser explanadas em 20 minutos (com eventuais novidades ao longo da acção) e as secundárias a verem os seus traços gerais explicados ainda mais rapidamente. Um filme dura 90 a 120 minutos, uma série uns 12 blocos de 50. Há uma enorme diferença.
PS - aliás, há uma pergunta curiosa: posso estar esquecido ou preguiçoso (de memória), mas quantos realizadores de cinema de qualidade conhecemos que tenham primeiro deixado marca na televisão? (e já agora deixemos de lado quaisquer realizadores que tenham feito um ou outro trabalho para a televisão ou que tenham feito videoclips, estou a falar de realizadores que se tenham iniciado na televisão, feito nome e seguido para o cinema).
Publicado por: João André às abril 25, 2006 10:12 PM
Eu acho que não falares chama-se egoismo... É em LISBOA!!
É mesmo a norte... Como é pa MOUROS não escreves... Pois a meu ver o Indielisboa é um bom festival e ao contrário do Fantas, está sempre cheio... ;)
TEMOS PENA...
Publicado por: Luis Santos às abril 25, 2006 09:39 PM
Nome..não gostas, não venhas. Agora não me vais ensinar a gerir o maior blog de cinema em Portugal pois não?
Publicado por: Miguel Lourenço Pereira às abril 25, 2006 09:25 PM
não sou advogado de defesa de ninguém, até porque o miguel não precisa certamente que ninguém o defenda. venho apenas dar a minha opinião.
nome, claramente não percebe o sentido deespaço de cinema. falar e discutir cinema não é só colocar umas notícias, criticar uns filmes e falar de eventos da especialidade. dizer num tom irónico que "então mas há espaço para séries de tv e fotos de acrtizes" chega a ser rídiculo. primeiras as séries de tv: vejo várias vezes melhor cinema na televisão que numa sala com um grande ecrã. é, e sempre foi necessário, o cinema esteja atento às revoluções e inovações televisivas para se reeinventar. séries como "os sopranos" e "24" tem mais cinema na sua concepção que muitos filmes que vão estreando hoje em dia. tanto a nivel técnico como a nivel creativo. logo, tentar separar cinema de tv, afirmando num blog/espaço de cinema não faz sentido haver espaço para a análise de series televisivas, é rídiculo. as fotos de actrizes, às quais vêm anexadas biografias, caso não tenha reparado, fazem sentido no contexto de rúbrica sobre actrizes belas. acho que concorda comigo se eu disser que faz sentido existir análises de actrizes e das suas carreiras, sendo este um espaço de cinema. agora em relação ao indie, é bom não esquecer que a vida do miguel não passa só por aqui, por um blog. escreve sobre e cinema para outros meios. penso que será fácil de perceber porque não são coisas escritas sobre tudo o que se passa no cinema aqui. em relação ao cavalheiro do "cavalheiro do lost" penso que a série respira cinema, desde o mais elementar plano até à mais complexa sequência. mas obvio que não sou o dono da verdade, e portanto o que o cavalheiro acha, acha muito bem. escusado será dizer que também sou um grande apreciador da série.
e pronto é isto. abraço LF
Publicado por: luís f às abril 25, 2006 05:41 PM
sim, mas há lugar para séries de TV e fotos de actrizes
Publicado por: nome às abril 25, 2006 04:18 PM
Meu caro Downstream, é claramente um blog de cinema, não se equivocou. Não se fala do Indie Lisboa como não se fala de muitas outras coisas. Chama-se "gatekeeping" em jornalismo.
Publicado por: Miguel Lourenço Pereira às abril 25, 2006 04:01 PM
Já agora, porque é que não se fala aqui do Indie Lisboa?
Não é este um blog acerca de cinema?
Publicado por: Downstream às abril 25, 2006 02:10 PM
Os MI foram ambos filmes execráveis. O pobre Brian de Palma tinha provávelmente sofrido uma gastroentrite durante toda a produção da monstruosidade. O John Woo devia estar a rir-se a rodos nos bastidores a pensar no dinheiro fácil que ele ia fazer com semelhante inanidade. Quanto ao Tom Cruise, é dos poucos actores que detém o toque de Midas invertido. Enfim, recordo-me da série televisiva e acho inenarrável a forma como assassinaram o concept original apenas para darem relevo ao sr. cruise. Quanto ao cavalheiro do Lost, embora aprecie a série, acho óbvia a falta do mais elementar sentido cinematográfico.
Publicado por: Upstream às abril 25, 2006 02:07 PM
bem não sei se alguem se esqueceu da obra fantástica que é lost, até agora. a inovadora série criada por abrams é a melhor série desde os sopranos, e com uma qualidade cinematográfica raramente vista em tv. na minha opinião muito superior ao alias, em todos os aspectos. é claro que para a sua performance na realização deste thriller a qualidade da(s) sua(s) série(s) terá muito pouco a ver, mas pode ser um prenúncio bom. o hoffman so acrescenta qualidade e credebilidade ao filme e vamos ver se o cruise se porta bem. mas atenção em chamar o war of the worlds mau... não acho nada, apesar de não ser dos melhores filmes de spielberg, não e um filme mau, na minha opinião. eu tenho boas perspectivas para este mi3, não sendo um fã dos dois anteriores nem da serie. abraço LF
Publicado por: luís f às abril 25, 2006 02:52 AM
Os episódios pilotos das séries têm normalmente 90 mins, mas as regras por que se regem continuam a ser as da televisão, em que as histórias ficam em aberto. Era isso que acontecia (brilhantemente) no do Alias.
Quanto a isso de as explosões serem estratégia concordo, apenas lamento que existam. Vamos a ver se o filme vai mesmo ser com trabalho de equipa ou se isso é para enganar os espectadores que depois levam com o Cruise em 99,9% das cenas (é preciso tempo para os créditos finais).
Publicado por: João André às abril 24, 2006 11:53 PM
realise o sonho
Publicado por: zaratrusta às abril 24, 2006 11:31 PM
O episódio piloto de Alias tem 90 min e é melhor q muito filme de espeionagem q ha por aí. Para mim será a bitola pela qual vou medir MI3.
Quanto às explosões do trailer suponho q seja a forma natural de vender o filme, mas também da para ver que o filme vai ter muito mais trabalho de equipa (como acontecia na serie) do q anterior.
Publicado por: Léccio às abril 24, 2006 10:21 PM
desculpa a repetição, coisa esquisita com o weblog...
Publicado por: João André às abril 24, 2006 09:04 PM
Pareces ter-te esquecido do Fishburne. Já agora, o Cruise aderiu à cientologia ainda antes desta se tornar mania. O que se passa é que anda agora a tentar "evangelizar" os outros.
Quanto aos outros filmes, acho que o único momento mesmo mau do primeiro foi a sequência no TGV. Péssima e a estragar todo o resto do filme, cerebral. No segundo, a opção do Woo não me pareceu má, uma vez que tive a sensação que ele quereria fazer uma paródia, à maneira do que fez com o Face Off. O problema poderá ter sido a mania controladora do Cruise que quis ser um verdadeiro herói de acção.
Neste filme, para já os trailers não auguram nada de bom. Demasiadas explosões que nada têm a ver com o espírito da série. O Seymour-Hoffman é boa notícia, mesmo em filmes maus tem conseguido salvar todas as cenas em que entra (Talented Mr. Ripley, Cold Mountain).
Já o Abrams pode ou não ter uma «boa noção do espaço e timing cinematográficos», mas isso ainda está para ver, visto que ainda não realizou nada para cinema. Tem-nos para televisão, mas isso não é a mesma coisa.
Muitas incógnitas, mas desde que vi o Cruise transformar o War of the Worlds no pior filme de Spielberg (e provavelmente o único que se pode aproximar da classificação de "mau" na carreira dele, passada, presente e futura), fico desconfiado de qualquer projecto em que entre. Não é do Cruise actor que tenho medo, é do Cruise produtor.
Publicado por: João André às abril 24, 2006 09:02 PM
Pareces ter-te esquecido do Fishburne. Já agora, o Cruise aderiu à cientologia ainda antes desta se tornar mania. O que se passa é que anda agora a tentar "evangelizar" os outros.
Quanto aos outros filmes, acho que o único momento mesmo mau do primeiro foi a sequência no TGV. Péssima e a estragar todo o resto do filme, cerebral. No segundo, a opção do Woo não me pareceu má, uma vez que tive a sensação que ele quereria fazer uma paródia, à maneira do que fez com o Face Off. O problema poderá ter sido a mania controladora do Cruise que quis ser um verdadeiro herói de acção.
Neste filme, para já os trailers não auguram nada de bom. Demasiadas explosões que nada têm a ver com o espírito da série. O Seymour-Hoffman é boa notícia, mesmo em filmes maus tem conseguido salvar todas as cenas em que entra (Talented Mr. Ripley, Cold Mountain).
Já o Abrams pode ou não ter uma «boa noção do espaço e timing cinematográficos», mas isso ainda está para ver, visto que ainda não realizou nada para cinema. Tem-nos para televisão, mas isso não é a mesma coisa.
Muitas incógnitas, mas desde que vi o Cruise transformar o War of the Worlds no pior filme de Spielberg (e provavelmente o único que se pode aproximar da classificação de "mau" na carreira dele, passada, presente e futura), fico desconfiado de qualquer projecto em que entre. Não é do Cruise actor que tenho medo, é do Cruise produtor.
Publicado por: João André às abril 24, 2006 08:58 PM