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abril 07, 2006

La Tigre e la Neve - Amor em tempos de guerra

O humor de Roberto Benigni é de tal forma inocente e puro, que ás vezes parece vir directamente de um clássico de animação da Disney. Mas por detrás de tanta naturalidade, está um olhar crítica à guerra. A todas as guerras. Homenageando o mestre Almodovar e a sua obra-prima, La Tigre e la Neve é o regresso do maior comediante europeu ao seu melhor.
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Uma fábula. Um sonho. Um conto das Mil e Uma Noites. O seu jeito muito especial de contar histórias fez de Roberto Benigni uma das referências máximas do cinema europeu. Já antes da sua consagração mundial com o fabuloso La Vitta É Bella (que lhe valeu o Óscar de Melhor Actor em 1998), Benigni era um dos maiores comediantes do cinema europeu, e um dos mais inventivos e coerentes realizadores da nova vaga do cinema italiano. Il Monstro permanece uma obra-prima da comédia europeia e nem mesmo o fracasso de Pinochio (claramente uma aposta falhada) manchou uma carreira com muitos altos e pouquissimos baixos.
Daí que La Tigre e la Neve surja, de forma natural, como um dos filmes mais esperados do ano. Era o regresso de Benigni ao seu género mais habitual - a comédia tendo por base um tema sério - e voltava a reunir todos os condimentos obrigatórios na sua filmografia: uma personagem central atrapalhada, diálogos fabulosos de duplo sentido e uma atmosfera quase onírica.
Este filme é tudo isso e bastante mais. A Guerra do Iraque surge como pano de fundo de forma algo oportunista. Porque podia ser qualquer guerra em qualque lugar do mundo. Calhou ser na terra das Mil e Uma Noites. Terra de sonhos portanto. Os mesmos sonhos que o perseguem e que ele não consegue interpretar. Freud não parece ser (à primeira vista) a solução - está bem claro de se ver - mas o sonho é presença constante ao longo do filme. E afinal depois percebemos que se calhar Feud estava certo. Só que nem ele nem nos percebemos que o animal no sonho não era ela. Era ele. Ele era o tigre, o animal que estava destinado a tornar a magia do sonho, realidade, no belíssimo final deixado em aberto, mas que parece aos olhos de qualquer mortal, perfeitamente inevivável.
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Attilo é um poeta, professor de poesia, e um trapalhão por natureza. E isso faz dele uma personagem fascinante, capaz de conquistar tudo e todos pela sua prestabilidade e pela dedicação com que se entrega ás causas. O seu grande problema é Vittoria, a mulher da sua vida. A mulher que dia após dia comanda os seus sonhos e por quem ele abandona tudo para salvar. É ao saber que a sua amada entrou em coma, após um atentado terrorista em Bagdade, onde estava a escrever um livro sobre Fuad, o seu amigo poeta iraquiano, que Benigni explode para um desempenho de altíssimo nível. A sua personagem em solo italiano já era divertida e jogava bem com as situações, mas era uma personagem inocente que não trazia nada de novo ao que nos habituamos a ver em Benigni. No entanto a sua ida para o Iraque traz nova vida ao filme e lança-nos para uma aventura inesquecível que é, ao mesmo tempo, uma das mais belas histórias de amor que já foram contadas.
A recriação desta história de amor, na terra das fábulas e sonhos, é surpreendente pela sua dinâmica e frescura. Benigni não faz nenhum statemente politico pró ou contra a guerra. Limita-se a ser contra todas as guerras, contra tudo o que o possa manter afastado da mulher da sua vida. Mulher essa - interpretada como é habitual por Nicholetta Braschi, a própria mulher de Benigni - que desprezamos a príncipio, por não resistir ao nosso principe encantado, mas que nos surpreende no final mais inverosimel e belo que o cineasta poderia ter filmado. Tudo isto numa dimensão humoristica da mesma situação dramática e intensamente vivida por Javier Camara e Leonor Watling em Hablan con Ella de Almodovar.
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La Tigre e la Neve, que conta ainda com o sempre notável Jean Reno e ainda com um cameo de Tom Waits ao piano (que não gostaria de ter Tom Waits a cantar nos seus sonhos), é por isso uma fábula de encantar como todas deviam ser. É divertida, tem um herói que passa por mil e uma atribulações por amor à sua princesa e mexe connosco. A todos os niveis. Todos nós gostariamos de ter um pouco de poeta em nós. A coragem de um apaixonado. E o humor de um génio da comédia. Mas poucos conseguem ter estes três atributos. Para que todos se lembrem como a vida é bela - sim, a vida para este italiano é sempre bela - não há nada como ver La Tigre e La Neve. Um conto para a criança apaixonada que há dentro de cada um de nós!

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O Melhor - O humor físico de Benigni só tem equivalente aos grandes clássicos que foram Linder, Keaton e Chaplin.

O Pior - A maioria das vezes, o humor inocente de Benigni é mágico . Mas ás vezes a sua inocência limita algumas cenas.

Curiosidade - O nome da personagem de Benigni é uma homenagem ao poeta italiano Attilio Bertolucci, pai de Bernard e Giuseppe Bertolucci, que faleceu em 2000.

Site Oficial - ilmup.leonardo.it/sc_latigreelaneve.htm

Realizador - Roberto Benigni
Elenco - Roberto Benigni, Nicoletta Braschi, Jean Reno, ...
Produtora - Focus
Classificação - m/12
Duração - 114 m

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às abril 7, 2006 12:32 PM

Comentários

Adorei! Simplesmente adorei a opinião, visto que, antes disso, já adoro o filme em questão! Parabéns!

Publicado por: Margarida às janeiro 4, 2007 07:47 PM

Esta gente analisa demasiado os filmes... para mim O Tigre e a Neve é um filme belíssimo, que no arranca muitas gargalhadas e nos faz sair do cinema com um sorriso nos lábios, tudo o resto é acessório. Quanto à Vida é bela, é quase um crime considerar que é um filme sobrevalorizado...

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Repara que lembrar clássicos não torna um filme automaticamente bom. Aliás, nem sequer todos os clássicos são bons.

O problema de Benigni é não se saber dirigir a si próprio. Entra frequentemente em excessos e overacting. Tem momentos que são de grande qualidade humorística (o momento das instruções na barraca do campo de concentração é talvez o melhor momento do filme) mas também de excessos desnecessários e de humor fraquinho porque descontrolado (quando se faz passar por inspector na escola). Por outro lado contrói momentos de humor subtil fantásticos (quando com o médico do campo de concentração discute a adivinha). O problema vem nos excessos em que não sabe se há-de seguir pelo caminho do humor se pelo da magia delicodoce.

Ou seja. Gostaria de ver Benigni a ser dirigido em comédia por um bom realizador e a dirigir outros actores (em comédia ou fora delas) sem que entre como actor. Creio que aí sim, teríamos filmes verdadeiramente excelentes. Assim como estão, creio que os filmes são sobrevalorizados, em que excelentes momentos são vistos como compensando filmes geralmente medianos. Um pouco como avaliar uma floresta como magnífica devido a meia dúzia de árvores.

Publicado por: João André às abril 12, 2006 12:52 PM

Discordamos, como é hábito João ;-)
Eu acho a obra do Benigni genial porque é o único comediante que me faz lembrar os clássicos. Quanto à homenagem, também o escrevi porque li uma entrevista do Benigni no La Republica em que ele diz isso mesmo! E é Hable, tens toda a razão!

Publicado por: Miguel Lourenço Pereira às abril 10, 2006 07:24 PM

Hmmm... não acho O Monstro uma obra prima, sinceramente acho-o um filme brutalmente sobrevalorizado e em geral fraquinho. Já o A Vida é Bela entra no mesmo problema, sobrevalorizado em geral. Benigni é realmente um excelente cómico e bom realizador, além de ser, como dizes, bom a contar histórias, mas precisa de bons produtores, alguém que lhe diga "Não faças isso". Ele exagera claramente e nunca se decide sobre que caminho quer seguir nos filmes. Isso limita-lhe a qualidade.

PS - uma parte final a lembrar o Hable [e não "Hablan"] con Ella não é uma homenagem a Almodóvar, até porque Hable con Ella é um filme atípico em Almodóvar.

Publicado por: João André às abril 10, 2006 12:57 PM

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