« Antevisão - Inside Man | Entrada | O Que Estreia Por Cá - Sequela por Instinto »

abril 04, 2006

Séries de TV - Desperate Housewives

Para esta semana estava planeado um clássico, mas como o tempo para isso começava a escassear, decidimos apontar mais uma vez baterias para um grande sucesso dos últimos dois anos nas nossas televisões. Principalmente junto de um público mais feminino, mas que acabou também por arrastar muita audiência masculina para ocupar aquele lugar especial no sofá, relaxem para viajarmos atéum pequeno bairro americano ou até qualquer outro em qualquer canto do mundo. Estamos a falar, claro está, de Desperate Housewives.
desperate%20housewives.jpg

Manuel António Martins

Não sendo um fã incondicional, ou um fã casual, deparei-me com esta série quando ela já andava nas bocas do mundo. Nesse momento, senti a necessidade de procurar a razão para tão rápido e abrangente fenómeno e vi aleatoriamente 3 ou 4 episódios. Seduziu-me especialmente? A resposta é não, mas a verdade é que também não me desagradou, de modo que comecei a vê-la com mais regularidade, e ficando cada vez mais preso a uma história que inicialmente não prendia mais que a novela das 10, mas que se veio progressivamente a revelar mais densa e completa, ao ponto de me por a fazer perguntas sobre o que tinha perdido e de no fim de cada episódio deixar a pensar que algo mais do que o óbvio se passava ali.
06dw.jpg
Mas vamos voltar ai início! Afinal, o que apela em Desperate Housewives? Em primeiro lugar, o look “soap opera”. E não, isto não é pejorativo, uma vez que o look “soap opera” tem algo que claramente joga a seu favor, que é o facto de prender qualquer espectador que queira relaxar um pouco a frente de conteúdo de fácil apreensão. Mas a partir daqui, é preciso fazer o espectador ficar sentado. O que se faz então? Arranja-se um cenário apelativo, restrito mas universal, belo na fachada mas não tão convencional quanto parece. Wisteria Lane é o palco perfeito. Depois, as personagens, dinâmicas, cada uma representando diferentes estratos, maneiras de pensar, de viver, de agir, de ser. As pequenas intrigas secundárias das suas vidinhas de vizinhança, os episódios com que o espectador se identifica, o humor simples do dia a dia e o humor possível que nos faz dizer “isto só em televisão”, mas não nos impede de rir. Já seria uma série aceitável, mas a trama adensa-se, e uma intriga principal muito maior, que envolve agentes secretos, vinganças e procura da verdade, esconde-se por detrás dos simpáticos sorrisinhos desse bairro de sonho, partindo do intrigante assassínio de Mary Alice, a omnisciente narradora da série.

hatcher2.jpg
Teri Hatcher é Susan Mayer
Susan é provavelmente a personagem mais “inocente” da série, e como tal é perita em se meter onde não devia, acabando enterrada até aos joelhos em histórias complicadas e que estão bem longe do seu ideal de sossego, que apenas contemplaria aventura se esta fosse – como é – nos braços de um namorado de sonho, como é o caso de Mike Delfino (James Denton). Vive com a sua filha de 14 anos, numa relação de grande cumplicidade após ter sido abandonada pelo seu primeiro marido.

huffman2.jpg<
Felicity Huffman é Lynette Scavo
Depois de ter sido uma esforçada trabalhador, o seu casamento com Tom (Doug Savant), mas essencialmente os seus 3 filhos, obrigaram-na a tomar a difícil decisão de se tornar uma mãe a tempo inteiro. Sempre preocupada com o bem estar dos seus filhos, por vezes acaba deprimida consigo mesma e com o seu casamento, mas invariavelmente acaba por se safar com sucesso destas situações. É a situação de vida mais honesta da série, e como tal a que menos arranja problemas.

cross2.jpg
Marcia Cross é Bree Van De Kamp
Bree é a imagem da imagem. Absolutamente certinha, é de todas a mais infeliz, aquela cuja família é mais disfuncional e distante. As aparências iludem, é certo, mas não podem resolver os problemas de ninguém, só que para os Van De Kamp é já demasiado tarde para ver isso. Os seus filhos não dependem dela, o marido é-lhe infiel, as suas amigas nunca entram em intimidades com ela, mas Bree mantém o sorriso até ao final...

longoria2.jpg
Eva Longoria é Gabrielle Solis
Gabrielle é a verdadeira nouveu riche da história. Bela, poderosa, ex-modelo, casou-se com um enriquecido sul-americano e leva uma vida pacata e regalada. Não por infelicidade, mas talvez por necessidade, não consegue resistir ao seu jardineiro adolescente. A partir daqui, a espiral de acontecimentos que abana a sua vida não vai parar de crescer.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às abril 4, 2006 11:47 PM

Comentários

não foi essa a ideia que quis passar ,manuel, de um comentário redutor, mas de uma análise que, sendo curta (mantendo o espírito da rúbrica) não abrangia muitos aspectos da série. queria apenas dar a minha opinião e ajudar/aconselhar as pessoas que tinham pensado ver esta obra. abraço luís

Publicado por: luís às abril 7, 2006 02:02 PM

Tens absoluta razão Luís, eu sou o primeiro a admitir que fui redutor na análise e podia ter explorado mais tudo o que ela nos oferece. Desta vez, um sincero mea culpa!
ABraço, e obrigado pelo post

Publicado por: Manuel António Martins às abril 6, 2006 09:49 PM

Luis...nada que pedir desculpa...excelente comment...quantos mais destes, melhor ;-)

Publicado por: Miguel Lourenço Pereira às abril 6, 2006 12:28 PM

os filhos de lynete são 4!

Publicado por: joão melo às abril 6, 2006 09:47 AM

novamente comento, e novamente ao manuel, mas não é, sinceramente, propositado. queria acrescentar umas coisas a esta análise, pois é uma série que conheço e reconheço como sendo uma das mais imaginativas dos útimos tempos. porquê? nesse aspecto o manuel tem muita razão quando diz ter sido prendido... é isso que acontece, variando os tempos. uns "agarram.se" mais depressa, mas penso que todos admitiram que é uma série que vicía. em relação ao resto da análise penso que o manuel não faz totalmente justiça à qualidade da série. tem aquela futilidade que prende que quer passar um bocado à frente da tv, mas tem muito mais. é um perspicaz retrato de uma américa suburbana. não só nos apresenta essa futilidade digna de uma mente simplista, como nos dá o que de mais negro pode ter o humor, a televisão e a sociedade americana. é uma lupa sobre vícios, defeitos e personagens tipos dessa sociedade. e é sempre, sempre, bem escrita. aliás, muitíssimo bem escrita. existe n série um extraordinário ritmo na narrativa, e um mistério que lhe dá um perfeito equilibrio. e tem no seu modo creativo um exemplo do que se anda a fazer na ficção americana: guiões trabalhados até à exaustão e alterados varias vezes, inclusivamente em alturas de rodagem. a mesma coisa acontece com lost, a outra grande série do momento na américa, e parece um método que está a pegar. isto permite a manutenção quase eterna do factor surpresa e a polivalência dos guiões, dada a mistura de estilos de escrita justificadas pela qualidade/quantidade de creativos. peço desculpa por utilizar tanto espaço no blog, e por mais uma vez contestar, ainda que amigavelmente, o seu post. a serio que não e por mal. abraço LF

Publicado por: luis às abril 6, 2006 02:00 AM

Parece que aqui os artigos brotam do nada. Até me dá arrepios, será bruxaria? Eu ouvi dizer que o Miguel andou com os cães e quem mo disse foi o Tito da Madalena. Estejam atentos pois nunca se sabe...


P.S. - Arranjem cura para a SIDA depressa se fazem o favor. Obrigado.

Publicado por: "A Pila Louca" às abril 5, 2006 02:35 AM

Comente




Recordar-me?