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maio 28, 2006

Loach, a maior das surpresas de Kar-Wai

Wong Kar-Wai deixou a sua marca bem vincada como jurí, de uma forma muito particular. Os prémios de interpretação foram divididos pelo elenco de Indigénes e Volver. Os cineastas hispânicos estiveram em estado de graça. Iñarritu foi o melhor realizador e Almodovar levou para casa o melhor argumento. Mas no final foi Ken Loach quem ficou a rir. A Palma de Ouro vai para The Wind that Shakes the Barley.
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Falou-se em Volver. Insistiu-se em Babel. Tentou-se recuperar Marie Antoinette. Mas nenhum deles saiu a sorrir da Croisette. O júri liderado por Wong Kar-Wai esteve numa de surpresas e acabou por premiar The Wind that Shakes the Barley de Ken Loach.
Filme sobre a ocupação britânica da Irlanda e dos primeiros movimentos de resistência irlandeses, Ken Loach filma com grande intensidade emocional uma história de coragem. Cilian Murphy lidera o elenco de um filme que acaba por ser um vencedor surpresa, até porque entra num modelo narrativo bastante diferente do que Cannes habitualmente premeia. Para o realizador é o corolar de uma carreira ascedente que tem aqui o seu primeiro grande prémio internacional.
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Para o prémio de Melhor Actor desde cedo se percebeu que havia poucos concorrentes. De tal forma que rapidamente Gérard Depardieu saltou para a ribalta como o grande favorito. A vitória chegaria em francês mas de uma forma inédita com o jurí a premiar todo o elenco de Indigénes, composto por cinco actores: Jamel Debbouze, Samy Naceri, Sami Bouajila, Roschdy Zem e Bernard Blancan.
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Na luta pelo troféu para a Melhor Actriz chegou-se a falar na portuguesa Ana Moreira, mas foi sol de pouco dura. Kirsten Dunst perdeu o favoritismo a partir do momento em que Marie Antoinette se tornou no filme mal amado do certame e Penélope Cruz surgiu na linha da frente. Mas também aí Kar-Wai e companhia surpreenderam. Em vez de optaram pela actriz, decidiram premiar todas as seis mulheres que trabalharam com Almodovar em Volver - Penélope Cruz, Carmen Maura, Lola Dueñas, Lampreave, Yohana Cobo e Blanca Portillo. Mais um prémio colectivo numa jogada inteligente do jurí, premiando assim a essência de um filme espantoso do grande cineasta ibérico em vez de se concentrarem numa só actriz.
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Nos restantes prémios ainda se falou muito em Pedro Costa e Marie Antoinette (é verdade que nos últimos dias o filme começou um processo de reabilitação), mas acabou por ser Flandres de Bruno Dumont a vencer o Prémio do Júri e Pedro Almodovar ficou com o prémio de melhor argumento. Babel, favorito para muitos, teve apenas uma vitória, a de Alejandro Gonzalez Iñarritu na Realização.
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Publicado por Miguel Lourenço Pereira às maio 28, 2006 07:20 PM

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