« Se fosse vivo... | Entrada | Aquelas Frases... »
maio 20, 2006
Cannes - Dia 3
Almodovar está de regresso. À Mancha, ao cinema de mulheres, a Carmen Maura, a Penélope Cruz, às comédias, ao génio. O mais brilhante cineasta ibérico de sempre encantou Cannes com Volver, deixou água na boca e colocou-se na pole-position para a Palma de Ouro.

Depois do auto-biográfico La Mala Educácion (que quebrou uma corrente de três obras-primas consecutivas), Pedro Almodovar encantou Cannes com o seu mais recente filme, Volver.
A história de duas jovens que regressam às suas origens na Mancha onde são visitadas pelo fantasma da sua mãe, é uma comédia espantosa por reunir todos os condimentos habituais na obra do cineasta. O urbano Almodovar consegue recuperar a magia da Espanha rural e interior da Mancha - de onde ele é natural - criando assim um ambiente de conto de fadas surreal em tons modernos. E claro, há as mulheres, não fosse ele o realizador por excelência de mulheres. A regressada Carmen Maura (18 anos depois de Mujeres Al Borde de Un Ataque de Niervos) mas também - e essencialmente - Penélope Cruz, transformada da cabeça aos pés, com um traseiro e cabelo falsos de forma a transformar-se num simbolo sexual como o cinema não viu desde as bombas sexuais italianas da década de 60.
Volver é um misto de vivos e mortes, de comédia e drama, mas é acima de tudo um regresso à essência do cinema de Pedro Almodovar.

Richard Linklater também se exibiu em grande forma com o seu filme Fast Food Nation.
Ficção a roçar o documentário, o filme é um ataque cerrada à indústria da fast food, com os jovens como alvo preferencial. Um elenco de estrelas onde há espaço para Catalina Sandino Moreno, Ethan Hawke e uma série de outras figuras que se colocaram ao serviço do cineasta indie mais irreverente que tem passado por Cannes. Brilhante análise da realidade da comida rápida, Fast Food Nation é um filme panfletário bem ao estilo de Michael Moore.

Hoje há destaque para os clássics de Carol Reed e para os filmes da secção Un Certain Regard. As estrelas, essas, continuam a desfilar pela Croisette.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às maio 20, 2006 07:47 PM
Comentários
lol
Eu sei. Só não esperava essa opinião de ti.
Mas olha que as opiniões defendem-se mesmo com argumentos, não são apenas vontades despertadas aleatoriamente por ordem do espírito santo ;)
Publicado por: dermot às maio 23, 2006 10:27 AM
Dermot não utilizei qualquer argumento. Exprimi a minha opinião, o meu gosto pessoal, que é o que vale para mim. Esta é uma questão que não se defende com argumentos. São gostos pessoais e nada a mais. Para quem acha que o Bunuel é o maior ele será sempre o maior e vice-versa. Não vou gastar argumentos em questões pessoais..não faz sentido!
um abraço
Publicado por: Miguel Lourenço Pereira às maio 23, 2006 02:39 AM
Uau. Fiquei chocado com os teus argumentos, MLP, confesso.
Publicado por: dermot às maio 22, 2006 08:12 PM
É que nem pensar..conheço tão bem a obra de um como de outro e o Bunuel é um cineasta mediano..original, mas mediano..e nao é por ser contemporaneo que alguem é pior do que outros autores já mortos e enterrados. Isso é preconceito.
Pedro Almodovar é um dos maiores cineastas europeus de sempre e o maior da Peninsula Ibérica, sem margem para dúvidas!
abraços
Publicado por: Miguel Lourenço Pereira às maio 21, 2006 09:51 PM
Não terás exagerado nesse comentário Miguel?
Almodovar é de facto um dos realizadores mais importantes dos últimos 25 anos mas em termos de relevância histórica Bunuel está noutro patamar completamente diferente. Quem percebe de cinema sabe disso. E como tu não és ignorante acho que te excedeste.
Só pela originalidade e por ter sido o mestre do surrealismo Bunuel é um dos maiores realizadores de sempre.
Abraços.
Publicado por: Tiago Teixeira às maio 21, 2006 07:09 PM
Mil vezes inferior a Almodovar meu caro nome!
Publicado por: Miguel Lourenço Pereira às maio 21, 2006 02:20 PM
havia um cineasta ibérico chamado Luis Bunuel
Publicado por: nome às maio 20, 2006 10:34 PM