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maio 05, 2006

Mission Impossible 3 - Ressuscitado

J. J. Abrams conseguiu o que era aparentemente impossível. Ressuscitou a saga Mission Impossible, que por culpa de John Woo desceu até à profundeza dos Infernos, ao mesmo tempo que conseguiu reabilitar Tom Cruise como um credivel action-hero, depois de War of the Worlds e Last Samurai não terem corrido como se previa. MI 3 levanta a fasquia alta e é claramente um forte candidato a blockbuster do ano!
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Em 1996 Brian De Palma fez o que parecia impossível. Reciclou a popular série televisiva Mission Impossible e fez dela um dos melhores filmes do ano. Intenso, cerebral, dinâmico, o primeiro MI era um filme bom, muito bom. Talvez por isso o segundo filme fosse esperado com grande expectativa. Mas John Woo mostrou não ter unhas para tocar esta guitarra. E Tom Cruise já não era o mesmo. A maior estrela de cinema do mundo desleixou-se, deixou-se levar numa versão infeliz de Ethan Hunt - a personagem que ele considera como o seu "bebé" em Hollywood - e ajudou a fazer deste um dos piores filmes de acção dos últimos anos. Por isso - e por Cruise estar ainda mais polémico, ainda mais irrascível - a expectativa à volta do terceiro filme era diferente. Havia um receio do filme não superar o anterior, ou de o fazer apenas ligeiramente. Todos os percalços nas filmagens (as mudanças de realizador, de elenco) eram um mau prenúncio.
Mas depois chegou J. J. Abrams. E nesta altura ele é o verdadeiro culpado pelo regresso em força de Ethan Hunt aos cinemas com um espantoso filme de acção a candidatar-se claramente ao rei dos blockbusters de 2006.
Não só pelas espantosas sequências de acção - com alguns exageros é certo - mas pela criação, ou melhor, recriação da personagem central da história: o agente Ethan Hunt.
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Para quem foi conquistado pelo jovem Hunt do primeiro filme a imagem estilizada e ultra-cool do segundo parecia completamente despropositada. E felizmente Abrams percebeu isso. Desde o filme de De Palma que era fácil entender que o agente da IMF (Impossible Mission Force) é acima de tudo um herói humano, com pontos fracos que, se pressionados, despoletam a sua raiva como acontece com qualquer um. Não há nele nada de Bond. Ele é um homem como qualquer outro. E o enfoque deste novo filme está no homem, não no agente. Hunt agora é casado, não com a profissão mas com uma bela mulher (Michelle Monaghan, em alta depois de Kiss Kiss Bang Bang) que nada sabe sobre o seu passado. Não desistindo da sua profissão no IMF, Hunt deixou o terreno passando a treinador de jovens recrutas. A idade já pesa e a ideia de formar uma familia suplanta o desejo de acção. Tudo muda no entanto quando a sua agente de eleição (Keri Russell), aquela que ele tinha designado como a sua sucessora natural, é capturada em Berlim. O medo e o sentimento de culpa tomam conta dele e num acesso de fúria, Hunt parte de novo para o terreno. Com ele está Luther (o sempre cool Ving Rhames) companheiro de todas as lutas, e uma nova equipa composta pela chinesa Zheng e pelo divertido Declan (a rising star Jonathan Rhys-Meyers). A missão corre mal e a partir desse momento Hunt esquece tudo numa procura incessante e obsessiva do homem responsável pelo falhanço do seu regresso. Mas Hunt não é omnisciente como tantos outros herois, e acaba por cair numa teia de corrupção dentro do próprio IMF que acabará por fazer dele a presa de um temivel e sádico traficante. O resto, como todo o filme, é simplesmente explosivo e digno de ser visto.
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Tom Cruise está de volta. Provavelmente não estamos perante um dos seus melhores papeis (exceptuando Jerry Maguire é a década de 80 ainda aquela que tem o melhor Cruise) mas podemos ver uma clara inversão dos seus mais recentes flops (War of the Worlds, Last Samurai, Minority Report, MI 2). Mais controlado, mais humano, mais intenso, Cruise recupera aqui a sua inocência juvenil com um toque claro de maturidade que dão a indicação clara: a estrela de Hollywood está a entrar possivelmente na sua melhor fase.
Mas este papel também diz muito ao actor. Um homem apaixonado, capaz de tudo pela mulher da sua vida, é uma imagem em tudo igual à do Cruise da vida real, capaz das maiores loucuras para provar o seu amor pela sua mais recente esposa (a 3º), a jovem Katie Holmes. Também por isso esta nova versão de Hunt é credivel. Porque sofre verdadeiramente. Porque passa por terriveis provações. E porque tem um objectivo que ao espectador comum cria uma ponte com a realidade. O herói mais cool da história do cinema de acção pode não ser Ethan Hunt, mas poucos actores conseguem criar uma dimensão bigger than life à sua personagem como Cruise faz com Hunt.
E se Cruise é a estrela omnipresente do filme - poucas são as cenas em que não aparece - Philiph Seymour-Hoffman é delicioso como vilão. Um papel pequeno mas intenso, numa transfiguração assombrosa do mais recente detentor do Óscar de Melhor Actor. Hoffman, tal como Cruise, vinga porque é credivel do primeiro ao último minuto. No momento de sofrimento como no momento de vingança. Possivelmente a mais interessante nemesis do agente do IMF, Hoffman é também um exemplo do Abrams touch no filme, essencialmente pela forma como constroi, modela e integra a sua personagem na história. Já o restante elenco exibe-se a bom nivel, vivendo bem na sombra da estrela maior da constelação de Hollywood. Billy Crudup denuncia-se muito facilmente, mas esse também não é o ponto alto do filme e por isso passa bem despercebido do público. Michelle Monaghan é sedutora e desejável q.b., começando a afirmar-se lentamente no meio, enquanto Rhys-Myers continua a afirmar-se como uma das maiores promessas do cinema britânico. E quando é assim, há pouco mais a dizer.
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Girando à volta de um whodnit (a expressão criada por Hitchcock para definir o nada que engana os espectadores ao longo do filme) que nunca conseguimos descodificar, Mission Impossible 3 tem todos os condimentos para ser um grande blockbuster. Acção de altissimo nivel, humor de qualidade e muita tensão dramática. Mas o que distingue este de outros filmes do genero é o toque de Abrams, que já é bem conhecido dos amantes de Alias e Lost, duas das mais populares séries televisivas dos últimos anos. Cenas como as que são filmadas inicialmente em Xangai são a prova de que é possivel fazer um cinema de acção diferente. Ficando já a expectativa para nova parceria entre Cruise e Abrams, uma dupla que pode tornar-se imbativel com mais um ou dois filmes em cima, Mission Impossible fica como uma recomendação obrigatória para este início de Verão. Não é mais do que pretende ser, mas consegue o notável feito de ser aquilo para que foi concebido. O que já não se pode dizer de tantos filmes que vão chegando ás salas ano após ano.

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O Melhor - A realização de J. J. Abrams é sublime e a forma como Tom Cruise encara este novo desafio prova o porquê de ele ser uma das grandes estrelas de Hollywood.

O Pior - Algumas das cenas de acção estão de facto exageradas, mesmo para um blockbuster de Verão.

Curiosidade - De 2003 para cá foram três longos anos a produzir MI 3. Primeiro David Fincher, depois Joe Carnach e só agora J. J. Abrams. Três realizadores cogitados para dirigir mais um filme da saga MI, produzida, supervisionada (até ao limite) por Cruise. E para trabalhar com ele estiveram primeiro na mesa os nomes de Kenneth Branagh, Scarlett Johansson e Carrie-Anne Moss. Os atrasos na produção e os problemas pessoais com Cruise fizeram com que o elenco final contasse não com eles mas com Seymour-Hoffman, Monaghan e Russell.

Site Oficial - www.missionimpossible.com/home.html

Realizador - J. J. Abrams
Elenco - Tom Cruise, Philiph Seymour-Hoffman, Michelle Monaghan, ...
Produtora - Paramount
Classificação - m/12
Duração - 126 m

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às maio 5, 2006 03:33 PM

Comentários

Luthien, quando falo em flops falo em termos de qualidade. Considero-o filmes menores em termos de valor, cada qual no seu género (e mesmo Minority é das obras menos conseguidas de Spielberg). Apontas bem o pormenor do intenso que realmente é fundamental na representação do Cruise.
Caro Diogo nunca vi um episódio completo de Lost ou de Alias e conheço a carreira televisiva do J.J. Abrams apenas de reputação. O trabalho dele no filme é notável e duvido que mudasse de nota tão cedo (mas eventualmente, acho que mudaria de nota, para cima ou para baixo, quase todos os filmes que vi) e de facto tenho pena que não tivesses gostado do filme. Eu achei-o muito bem feito.
um abraço

Publicado por: Miguel Lourenço Pereira às maio 10, 2006 10:55 PM

4 estrelas?? Ok, deves ser fã incondicional do Lost e tivesse MI 2 sido realizado por Abrams que seria um dos teus filmes favoritos. Abrams que criou um argumento realmente inovador, um agente infiltrado no IMF (que, por coincidência, é superior hierárquico de Ethan Hunt) é uma ideia totalmente distinta da do primeiro filme. Onde é que o homem irá buscar tanta inspiração?
Se o único mal deste filme são as “cenas de acção exageradas”, o que dizer da cena final, em que Hunt e noiva saem de mão dada pela porta do IMF aplaudidos pelos restantes agentes, director incluído (cena que me fez arrepender de não ter ficado em casa a ordenar por cores as t-shirts na gaveta); e da cena em que uma civil que até então nunca tinha pegado numa arma, consegue matar um assassino e o agente do IMF (que por razão nenhuma, transportava a bomba). Patético!

Temo que este filme tenha dado cabo de vez da missão impossível, este Tó Cruise fazia melhor se se dedicasse à sociologia, já mostrou que não tem capacidades para mais.
Para terminar, digo-te que eu que costumo gostar das tuas criticas, acho que esta foi escrita num momento de clara desinspiração, mas acredito que se visses o filme outra vez mudavas de opinião (devias estar com sono).

Classificação: 2 estrelas (era para dar uma mas gostei do arranque do filme)

Publicado por: Diogo Sousa às maio 10, 2006 06:52 PM

4 estrelas?? Ok, deves ser fã incondicional do Lost e tivesse MI 2 sido realizado por Abrams que seria um dos teus filmes favoritos. Abrams que criou um argumento realmente inovador, um agente infiltrado no IMF (que, por coincidência, é superior hierárquico de Ethan Hunt) é uma ideia totalmente distinta da do primeiro filme. Onde é que o homem irá buscar tanta inspiração?
Se o único mal deste filme são as “cenas de acção exageradas”, o que dizer da cena final, em que Hunt e noiva saem de mão dada pela porta do IMF aplaudidos pelos restantes agentes, director incluído (cena que me fez arrepender de não ter ficado em casa a ordenar por cores as t-shirts na gaveta); e da cena em que uma civil que até então nunca tinha pegado numa arma, consegue matar um assassino e o agente do IMF (que por razão nenhuma, transportava a bomba).
Patético!
Temo que este filme tenha dado cabo de vez da missão impossível, este Tó Cruise fazia melhor se se dedicasse à sociologia, já mostrou que não tem capacidades para mais.
Para terminar, digo-te que eu que costumo gostar das tuas criticas, acho que esta foi escrita num momento de clara desinspiração, mas acredito que se visses o filme outra vez mudavas de opinião (devias estar com sono).
Classificação: 2 estrelas (era para dar uma mas gostei do arranque do filme)

Publicado por: Diogo Sousa às maio 10, 2006 06:50 PM

"Minority Report" é um dos meus filmes preferidos de todos os tempos e o "Ultimo Samurai" era aposta de toda a gente (e bem) para ganhar oscar de melhor actor, não os consideraria flops de forma alguma... ainda n vi MI3, epa mas tou muito reticente depois de ter gasto dinheiro no MI2... logo se vê.

Publicado por: oz às maio 10, 2006 11:49 AM

"Minority Report" é um dos meus filmes preferidos de todos os tempos e o "Ultimo Samurai" era aposta de toda a gente (e bem) para ganhar oscar de melhor actor, não os consideraria flops de forma alguma... ainda n vi MI3, epa mas tou muito reticente depois de ter gasto dinheiro no MI2... logo se vê.

Publicado por: oz às maio 10, 2006 11:48 AM

acho o filme mt interessante e boe de fixe com as manobras da ponte e mt mais

Publicado por: Leandro às maio 9, 2006 03:54 PM

"War of the Worlds" e "Minority Report" flops? Vivemos no mesmo planeta? Eu nem gostei muito dos filmes, mas nunca diria que tinham sido tal coisa. o Cruise até foi bastante elogiado pelo papel do Minority Report.

Como um jornal americano apontou bem recentemente, Cruise está no seu melhor quando é intenso. Intensidade é a sua melhor imagem de marca e ele sabe sê-lo em filmes como "Jerry MacGuire", "Collateral" ou até "A Few Good Men".

Publicado por: Luthien às maio 6, 2006 05:35 PM

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