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maio 03, 2006
O Que Estreia Por Cá - Espírito e Acção
Ethan Hunt regressa ao grande ecrã, elevando Mission Impossible ao estatuto de Trilogia. Infelizmente, até aqui, é impossível dizer se é uma boa trilogia. Acção e suspense não são propriamente as categorias de maior profundidade que o bom cinema pode oferecer, mas têm a sua legião de fãs e marcaram uma época. E porque cinema é entretenimento e não apenas educação, merece destaque. Mas bom entretenimento, entenda-se. Não basta por um carro a explodir e umas motas a voar.

Manuel António Martins
Cruise volta a encarnar o agente secreto Ethan Hunt na sua terceira Missão Impossível e tem desta vez o objectivo de encontrar e deter Owen Davian (o oscarizado Philip Seymour Hoffman) um traficante de armas e informação conhecido por não ter qualquer tipo de escrupulos ou remorsos. Desta vez, o seu plano pode apenas ser travado por uma equipa de espionagem de alto nível reunida à volta do seu carismático líder, Hunt.
A promessa para este MI III é que, apesar da grande componente de cenas de acção, o filme voltará ao estilo cerebral e de trabalho de equipa da série que lhe deu origem - e mesmo do primeiro filme. A grande esperança para que isto seja verdade é o nome de J.J.Abrams, co-escritor e realizador do filme, ele que criou e dirigiu as populares e muito aclamadas séries televisivas Lost e Alias.

Mais Estreias...
The New World
Um filme sobre o encontro entre os nativos americanos e os europeus que partiram à conquista do novo mundo, que tem como fundo a apaixonante história já adaptada pela Disney da índia Pocahontas e do aventureiro John Smith (Colin Farrel). A expedição aventura-se para o interior do continente americana mas a desgraça abate-se sobre ela. Apenas sobrevive Smith, que é levado para junto da tribo índia em que conhecerá Pocahontas, nascendo uma história de amor capaz de unir os dois povos. O Novo Mundo é o último filme do realizador Terrence Malick.

Mary
Filme inspirado na mítica Maria Madalena, discípula de Jesus e a mulher da sua vida. Não é no entanto um filme de época: é um filme sobre três vidas que se unem sob a sua luz. A actriz Mary Palesi (Juliette Binoche) encarna a personagem no cinema e fica obcecada com ela. Tony Childress, o realizador, interpreta Jesus Cristo no seu próprio filme. Ted Younger, célebre jornalista, apresenta um programa sobre a fé. Guiados por algo que não conhecem mas que procuram compreender, serão unidos pelo destino nesta demanda.
Dirigido por Abel Ferrara.

Pele
Fernando Vendrell dirige uma história sobre uma jovem aristocrata da Lisboa da década de 70. Tudo o que o dinheiro pode comprar, de amigos a divertimento, instrução a lazer, Olga tem e vive bem com isso. Mas um dia apercebe-se que não é igual a todas as outras meninas de Lisboa na sua condição: Olga não é branca. Depois do seu pai regressar de Angola, a jovem deixa de se sentir confortável no seu mundo perfeito e parte em busca de novas pessoas e novas experiências, bem como da sua identidade.

DR9
Depois do sucesso do ciclo Cremaster, Matthew Barney está de volta com DR9, com música composta e interpretada pela islandesa Björk. Esta é uma história de amor de dois ocidentais envolvida pelos sempre singulares rituais de casamento japoneses a bordo dum baleeiro que transporta uma estranha estátua de vaselina. Mas durante uma tempestade, inevitavelmente, a estátua sofre um forte choque e perde a sua forma. Misteriosamente, os dois ocidentais a bordo do navio começam a transfigurar-se...Um filme onde o campo do fantástico e a imaginação reinam.

Shooting Dogs
Caton-Jones realizou este filme e depois passou para Basic Instinct 2. Temas, no mínimo, bastante diferentes. Esta é a história de um jovem professor que vai para o Ruanda na esperança de ajudar uma pequena comunidade, mas quando as mílicas extremistas galgam o território matando indiscriminadamente Joe Connor vê-se na dúvida: ficar e proteger as crianças ou sair rapidamente daquela zona de perigo que nada lhe diz respeito?

The Aristocrats
Um documentário onde se louvam e desafiam os mestres do "stand-up comedy" norte americano a dar o melhor de si na arte do improviso.

O Hollywood aconselha - Com todo risco que isso possa significar, talvez não seja mau de todo espreitar MI3, pelo menos pelo trabalho de JJ Abrams até aqui.
O Hollywood desaconselha - DR9 parece francamente mau.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às maio 3, 2006 06:05 PM
Comentários
ESSE FILME É UMA DROGA.
estou totalmente dessepsionado
o elenco é um lixo, e Eu odeio
o Tom Cruise.na minha opinião
é um fracasso total!!!
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Vindo de Terrence Malick, realizador do sublime Thin Red Line (para mim um dos grandes filmes da década passada), só podia esperar que The New World, com uma abordagem semelhante, fosse no mínimo um grande filme. Já estava a desesperar com os sucessivos adiamentos do filme, e felizmente (que depois se tornou em infelizmente) consegui vê-lo já há algumas semanas. Mas não só foi uma desilusão tremenda como é um objecto cinematográfico absolutamente falhado. Após um início competente, Malick deixa de se interessar nas suas personagens, e limita-se a filmar uma banal relação romântica, com belas paisagens de fundo, mas desprovida de qualquer contexto dramático. Depois, recicla frases da voz-off do Thin Red Line e insere-as para as personagende de The New World, de forma completamente deslocada da narrativa e das personagens.
O Mission Impossible 3 vi ontem, e também desiludiu. Não sendo pior que o segundo, é um falhanço completo que nunca sabe qual o registo que há-de adoptar, e oscila entre o espectaculo de acção que se vai tornando mais inconsequente e chato à medida que as ideias de realização de Abrams escasseiam; o cómico voluntário e involuntário; os momentos climáticos perdem a intensidade pela idiotice como Abrams filma alguns deles; e não tem qualquer tensão porque Abrams simplesmente não se preocupa com isso.
Publicado por: Miguel Galrinho às maio 5, 2006 12:37 PM
Como sempre a tal diferença de opiniões Miguel :). Mas confesso que tenho dificuldades em aconselhar de caras o The New World. Achei-o (já o vi, como se nota) algo menos cheio. Continua a ser lindíssimo (quase que reabilita o Colin Farrel aos meus olhos), mas falta-lhe substância. A minha razão para ficar com pé atrás em relação ao MI3 é mesmo a incógnita. Não gosto.
Em relação a DR9 ou The Aristocrats, deixemo-nos por aqui que finalmente está bom tempo por aqui e não me apetece discutir estética :)
Abraço para vocês
Publicado por: João André às maio 4, 2006 03:50 PM
João, tens toda a razão em relação à sinopse do The New World, o problema foi do site onde estava a informação, e meu que não fiz a devida revisão.
Em relação ao aconselhar, desaconselhar, já sabes que são sempres escolhas pessoais. O MI3 parece-me ser uma versão melhor que o 2 e abre a temporada de blockbusters. O New World parece-me um filme demasiado vazio, mesmo para o Malick, e por isso é natural que esse seja o destaque.
Quanto ao desaconselhar, o Aristocrats é claramente a desaconselhar, e originalmente foi a nossa 1º escolha. Mas pessoalmente não vejo muito talento ao Barney, por muitos fãs que o estilo alternativo dele tenha. São dois filmes que eu não aconselharia e no final de contas ficou o DR9. Mas já se sabe, em relação aos filmes dele quem ia ver não vai deixar de ver porque nós o desaconselhamos.
um abraço
Publicado por: Miguel Lourenço Pereira às maio 4, 2006 03:10 PM
Manuel, não sei de onde veio a sinopse sobre o the New World, mas está bastante errada. Smith não é o único sobrevivente, antes é capturado por indíos. Entre ele e Pocahontas (nome nunca referido no filme) surge realmente uma história de amor. Mais tarde, Smith parte e Pocahontas casa com um inglês e viaja para Inglaterra. No fim morre. Esta é essencialmente a história do filme. Mas não é o filme. O filme é feito de silêncios e de imagens. imagens de inocência pintalgadas de Natureza. Muito à semelhança do The Thin Red Line. Fica algo aquém dos filmes de Mallick, mas é muito bom.
Adenda ao The Aristocrats: o improviso é feito sobre a mesma piada. Ou seja, os comediantes improvisam sobre a mesma piada.
Quanto ao Aconselhar/Desaconselhar. Pessoalmente não aconselharia o MI3, mas são escolhas. Agora dizer que o »DR9 parece francamente mau» é um pouco ridículo. Porquê? Por o argumento ser estranho? Isso é normal em Barney. E se fosse motivo para desaconselhar filmes não teríamos visto mais de metade da obra de Cronenberg ou Lynch, por exemplo. Se há filme que me parece a apontar como pouco aconselhável é o The Aristocrats, que segundo tenho lido não passa de um desfilar de grosserias e de variações escatológicas sobre a mesma (fraca) piada.
Claro que são critérios, mas pronto... opiniões.
Publicado por: João André às maio 4, 2006 10:30 AM
oh iluvatar..que grande cócó me saiste!
Publicado por: vatarilu às maio 4, 2006 10:16 AM
Mais que entretenimento, mais que educação... o cinema é arte.
Publicado por: Iluvatar às maio 4, 2006 02:37 AM