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maio 01, 2006
Antevisão - Da Vinci Code
Dan Brown é provavelmente o mais popular romancista da actualidade. Não porque tenha aderido à última moda, mas mais precisamente por ter "criado" a última moda, de uma forma deveras cativante. O romance histórico não é novidade no mundo literário nem no mundo cinematográfico - The Name of the Rose é um bom exemplo disso. A verdadeira novidade que contagiou milhões de leitores a nível mundial foi o facto de incluir nesse estilo, já de si poderoso em suspense, uma componente de investigação e revelações cuja compreensão e interesse está ao alcance dum universo verdadeiramente abrangente de leitores. E agora, o universo expande-se para a tela.

Manuel António Martins
O ritmo frenético que Dan Brown imprime nos seus romances é uma das principais armas de que o escritor/historiador norte americano se serve para colar aos livros o seu fiel público. Capítulos pequenos e sintéticos, informação apetecível e um final quase sempre em suspense, que só é desvendado daí a três ou quatro capítulos fruto dos constantes saltos entre as paralelas intrigas que percorrem o seu caminho rumo a um afunilamento final, onde tudo se torna claro e brilhante.
Acção, história, humor, personagens fortes e uma coragem inabalável colocaram O Código nas bocas do mundo. Por desvendar segredos que apenas os mais eruditos conheciam, esta história juntou multidões, agradou a cépticos e desagradou a crentes, esclareceu alguns mais duvidosos, humanizou o mito do homem que - diz-se - morreu por nós.
Aborrecido? Não, porque o Código Da Vinci inclui uma fantástica componente de acção e suspense que quase parece ter sido escrita para cinema. Perseguições de automóveis, tiroteios, figuras que se movimentam na sombra e cujo aspecto nos prende a atenção e faz virar cada página com ansiedade. E agora, o desafio é fazer-nos agarrar à cadeira como se a nossa vida dependesse disso.

O elenco, como não podia deixar de ser, é constituido por nomes sonantes mas que não chegaram sem contestação a este almejado lugar. Tom Hanks, para começar. Oscarizado por duas vezes, provavelmente merecedor de outras duas, é um nome amado em Hollywood e em todo mundo. Mas a verdade é que em termos de características físicas e mesmo de fisionomia e presença os fãs de Brown não o consideravam o homem ideal para o papel. Ainda assim, a escolha de Hanks é uma aposta segura pois dele nunca se espera menos que uma actuação de corpo e alma que invariavelmente acaba por ganhar o papel. Ainda que defraude a imaginação dos leitores, é quase certo que não defraudará expectativas cinematográficas e é talvez por isso que nenhuma onda de protestos de proporções maiores se levantou até agora.
Audrey Tautou irá interpretar Sophie Nouveu, a companheira de Langdon nesta cruzada pela verdade escondida. Um nome querido do cinema francês com muito pouca projecção internacional -tirando, talvez, O Fabuloso Destino de Amélie e A Very Long Engagment, ambos de Jean-Pierre Jeunet- pelo que não se sabe realmente o que se esperar dela a não ser que dificilmente ofuscará Hanks, o que no fundo era o principal objectivo para esta personagem que é praticamente co-protagonista.
Duas personagens são ainda dignas de referência pela forma como não foram contestadas: O bispo Aringarosa será interpretado por Alfred Molina naquela que parece ser uma excelente aposta para o papel. Desde o ar hispânico, a postura poderosa e sombria de Molina adequa-se perfeitamente à personagem. Depois vem Teabing, o velho intelectual paralisado numa cadeira de rodas que exala calma, conhecimento e sobriedade por detrás dum ar paternal constantemente presente: Ian McKellen é também um nome que se adequa perfeitamente ao personagem que exige ainda uma certa intensidade dramática à medida que o final se precipita.
Finalmente, Paul Bettany fará de Silas, o albino assassino que deveria supostamente ser uma personagem de acção e pouca profundidade. Mas a escolha de Bettany sugere que será dado mais a esta personagem do que um simples papel homícida pois o talento do britânico não pode nem deverá ser desaproveitado.

Por detrás das cameras está Ron Howard. O oscarizado cineasta foi uma escolha surpreendente para adaptar o filme, mas a equipa de sucesso Goldsmith-Grazer-Howard promete estar à altura do desafio que é adaptar o grande best-seller deste início de século. As rodagens nos locais descritos por Brown e a polémica com a Opus Dei marcaram o periodo de filmagens. A mensagem do filme (e a do livro) não vão passar ao lado da polémica aquando da estreia mundial a 18 de Maio. Até lá a expectativa é muita. O elenco promete, o argumento tem todo o potencial para se tornar num grande sucesso. Mas o peso de ser uma obra polémica e complexa pode jogar contra o filme de Howard. Será preciso esperar pela abertura oficial do Festival de Cannes para saber afinal se Ron Howard e companhia conseguiram decifrar o código de Dan Brown.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às maio 1, 2006 03:58 PM
Comentários
alguem sabe quando sai o proximo livro do dan brown?e quando? abraços
Publicado por: joao sousa às outubro 3, 2006 03:17 PM
o nome dela é audrey TAUTOU nao?
td mundo aqui ta falando que é tatou ^^
eu só sei que codigo da vinci é D+ e é mesmo!!
mal espero pelo proximo livro do dan que tem o robert no meio -tomara!!!- !!!
visitem meu fotolog =*
Publicado por: beatriz às maio 28, 2006 10:01 PM
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Já li todos os livros de Dan Brown e aguardo ansiosamente a continuaçao da trilogia religiosa, The Solomon Key. Por isso é natural que esteja em pulgas para ver o filme, que me prenda como prendeu o livro!
Não conheço o trabalho da actriz, mas quanto a Tom Hanks, e apesar da sua excelente carreira, deixa muito a desejar em termos de associação mental a Robert Langdon. Seja como for... espero para ver! e parabéns pelo artigo!
Publicado por: Diana Santos às maio 3, 2006 05:56 PM
Só uma correcção Manuel, o Código Da Vinci foi o primeiro sucesso literário do Dan Brown. Os outros tinham tido venda pouco mais que modestas até este chegar. Só à conta do sucesso do Código Da Vinci é que os outros se tornaram best-sellers.
Quanto ao resto partilho as reservas quanto à Tatou (imaginava de caras a Delpy no papel) e quanto ao Tom Hanks (mas aí concordo que ele se costuma, no mínimo, safar bem de papéis improváveis).
Em relação ao filme, espero que seja melhor que o livro. Em princípio não será difícil, até um tarefeiro como Howard é melhor realizador que Brown escritor. Isto será tanto mais importante quanto a surpresa do livro (a única coisa que o suporta e o deixa suportável) está perdida.
Quanto a Brown como escritor, não posso deixar de alinhar com os críticos. Os livros são todos essencialmente iguais, com o mesmo tipo de personagens, com o mesmo tipo de twist final e com o mesmo tipo de asneiras (e erros factuais) ao longo das histórias.
Publicado por: João André às maio 3, 2006 09:25 AM
Gostei muito do livro, como gosto, confessamente, dos restantes 3 que li até agora de Dan Brown. Podem dizer que o modelo é sempre o mesmo, que a escrita é simples, que ele pega em temas polémicos porque sabe que vende, etc etc etc...mas a verdade é que é essa a profissão dele, e Brown tem uma imaginação prodigiosa e conhecimento profundo de tudo o que escreve. Admiro a maneira como o consegue transmitir e agradeço-lhe sinceramente o facto de me colar capitulo atrás de capitulo até altas horas da noite!
Quanto a Audrey, eu nao vi honestament o Very Long Engagment e vi distraidamente o Fabuloso Destino de Amélie (facto pelo qual fui repreendido por algumas fãs do filme) mas não me pareceu que Audrey seja de todo uma actriz banal. Claro que o papel é diferente da doçura e inocencia que ela demonstra em Amélie, mas quem sabe não vai ser uma boa surpresa...
abraços pra caverna!
(e outros que queiram abraços, eu hj estou assim solidario.)
Publicado por: Manuel António Martins às maio 2, 2006 10:54 AM
O Código da Vinci, de Ron Howard, é o filme que mais aguardo esse ano. Assim como esperei ansioso por Munique, de Steven Spielberg. Minha única restrição quanto à película é a escolha da atriz Audrey Tatou para viver o papel da companheira de Robert Langdon no filme. Esperava uma atriz de renome. Enfim, fico na expectativa de que seja pelo menos 10 % do que foi o livro para mim. Infelizmente, alguns engraçadinhos que só querem ganhar fama na sombra dos outros causaram todo esse rendez-vous por conta do tal plágio que não existiu. Espero que isso não esculhambe com o filme. Abraços do crítico da caverna.
Publicado por: Roberto Queiroz às maio 1, 2006 11:25 PM