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junho 30, 2006
Cars - A Nova Fábrica de sonhos
Quando a Disney se afirmou com a principal fábrica de sonhos de Hollywood, capaz de criar universos que estavam bem para lá do convencional filme para crianças, nunca ninguém pensou que essa situação mudasse. Mas há mais de uma década que a Disney não consegue estar ao nivel a que habituou o público. Felizmente o cinema de animação continuou a sua evolução natural. E agora tem uma nova fábrica de sonhos. Cars confirma o que os últimos filmes tinham antecipado. A Pixar é o estúdio número um de Hollywood!
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Não deixa de ser irónico que a Disney tenha acabado de comprar a Pixar num negócio que favorece mais o estúdio de Steven Jobs do que propriamente o grande gigante fundado nos anos 20 por Walt Disney, um dos maiores génios da história do cinema. Mas até ele ficaria orgulhoso da nova aquisição. Afinal, há sensivelmente uma década que a produção da Pixar se tem mostrado ao mesmo nivel do que acontecia com a Disney na sua era de ouro. Há a animação japonesa - a melhor para os puristas do traço do desenho na animação - há a animação em stop motion de que o delirante Wallace and Gromitt é o simbolo principal, a animação de autor como só Burton é capaz de fazer ou simplesmente a animação mais corriqueira e de traço simples que se faz um pouco por todo o mundo. Mas ninguém está ao nivel da Pixar. Em desenho, em imaginação, em humor, em personagens, momentos ou mesmo elencos. Hoje a Pixar é o estúdio mais imaginativo e produtivo de Hollywood. Numa era onde o cinema vive uma gritante falta de ideias com remakes e sequelas a torto e a direito, adaptação de tudo o que é herois de banda desenhada, são poucos os autores que sobressaem. E muito poucos os estúdios que se demarcam do marasmo geral. É dificil olhar para a Pixar e não ver ali um farol de ideias, de dinâmica, de imaginação como não há em qualquer estúdio norte-americano. E Cars é a prova. É o seguimento de uma tendência que começou com Toy Story há dez anos e que se tem afirmado, ano após ano. E como o cinema de animação não é um genero menor, longe disso, poucos poderão se orgulhar de apresentar - e basta dizer isto - um trio de pequenas grandes obras primas: Finding Nemo, The Incredibles e agora Cars. O maior filme de animação continua a ser Lion King, mas a este ritmo a Pixar um dia até isso rouba à Disney.

Mas falemos de Cars. Um filme que vive de pequenos e deliciosos detalhes que fazem logo a diferença. Nomes, vozes, situações, pormenores que provam que a equipa de John Lasseter, Brian Bird e Steven Jobs é absolutamente genial. Cars é a história de um carro de corrida novato que está à beira de fazer história. Mas o sucesso subiu-lhe à cabeça. Como qualquer jovem estrela (e isto acontece em qualquer desporto, basta olhar para um Cristiano Ronaldo por exemplo) tornou-se egocêntrico, vaidoso e só sabe pensar em si e no seu sucesso. Um dia, enquanto seguia para a Califórnia onde ia disputar o titulo do mundo com outros dois carros (duas personagens tipo, o "rei" à beira de se retirar e o eterno segundo arrogante capaz de fazer tudo por uma vitória) tem um acidente e fica retido numa pequena vila. Uma vila que já fora um local de passagem obrigatória quando a estrada 66 estava na moda. Mas que agora é habitada por uma dezena de curiosas personagens. E, como é previsivel, a principio ele só quer sair de lá, mas no final percebe que aquela semana no meio do nada se revelou mais importante para si do que qualquer prémio. Um filme com várias licções de moral - um apanágio do cinema de animação ainda - onde a amizade, a humildade, o espirito de sacrificio e, acima de tudo, uma valorização de uma vida tranquila longe do ritmo frenético dos grandes espaços urbanos, são os valores fulcrais.
Mas, como é habitual na Pixar, tudo isso surge com naturalidade. As situações hilariantes dão vida à história, as personagens estão longe de ser esteriótipos - há mesmo uma verdadeira profundidade dramática em algumas delas - e, e isso é que é o grande trunfo - tudo aquilo acontece com carros mas poderia acontecer com pessoas. E a magia do cinema de animação passa por aí, por transportar para outros mundos metáforas do próprio comportamento humano.

E se o cinema de animação não tem actores, a verdade é que os actores têm sido fulcrais para o sucesso da Pixar (e mesmo de outros filmes, basta lembrar-mo-nos do que faz a Dreamworks). Um filme com Paul Newman é sempre um filme com Paul Newman. Os olhos azuis mais famosos do cinema estão lá, a voz seca de um sábio que já passou por décadas de cinema e vida também. E a ironia de Newman ter sido um grande piloto e ser dono de uma das maiores equipas norte-americanas de corridas é sublime. Newman é a voz que dá realismo à história, como Owen Wilson é a voz que dá ritmo ao filme, até porque a escolha de casting é perfeita. Desde Mack, a carrinha de transporta, a Mate, o inseparável amigo, sem esquecer todos aqueles tiques e sotaques tipicos de um país que é mais do que isso, é um verdadeiro continente, fazem o filme ser mais humano do que se fosse realmente. E claro, detalhes deliciosos como um Michael Schumacher em forma de Ferrari, ou o nome repetido em unissono, McQueen, a lembrar outro apaixonado das corridas, Steve McQueen, não passa despercebido. Nada é feito ao acaso. Nem os pormenores das corridas que nos transportam para verdadeiras provas de velocidade, nem a recriação de um Monument Valley à John Ford...nada é deixado ao acaso. E é de material como este que os sonhos são feitos.
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O Melhor - Desde o guião ao desenho, das situações às personagens, sem esquecer as vozes, Cars é um filme impecável em toda a linha. Um verdadeiro topo de gama.
O Pior- A corrida não final não ser mais intensa, não haver uma ligação ainda mais forte entre Lightning e Doc no desenrolar da prova como acontecia, por exemplo, com Tom Cruise e Robert Duvall em Days of the Thunder.
Curiosidade - Várias são as vozes conhecidas que passam pelo filme de Tom Hanks a Jay Leno. Mas o toque mais genial é o aparecimento de dois campeões do Mundo de F1, Mário Andretti, um habitué do Nascar, e aquele que é muito provavelmente o maior corredor da história, Michael Schumacher, que dá voz ao belo Ferrari.
Site Oficial - disney.go.com/disneypictures/cars/
Realizador - John Lassater
Vozes - Owen Wilson, Paul Newman, Bonnie Hunt, ...
Produtora - Pixar
Classificação - m/6
Duração - 114 m
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às junho 30, 2006 12:37 AM
Comentários
faaaaaaaaaaaaaaaafadfdgfgdfgadf
Publicado por: lllllll às julho 17, 2006 11:54 PM
faaaaaaaaaaaaaaaafadfdgfgdfgadf
Publicado por: lllllll às julho 17, 2006 11:54 PM
Adorei a critica Miguel. Trabalhei no filme, e so tenho ouvido as reaccoes do filme em Portugal atraves de amigos ou de blogs como o teu.
Parabens pelo blog. Vou comecar a espreitar mais regularmente.
.: a
Publicado por: Afonso Salcedo às julho 13, 2006 04:06 AM
Como tive oportunidade de fizer num outro post. gostei do filme embora ás vezes á fórmula me pareça um pouco gasta...ou então são as espectativas sempre demasiado altas.
Mas o "cameo vocal" do Schumacher é realmente impagável e um dos momentos altos do filme...muito bem pensado e conseguido.
Publicado por: Jose Monteiro às junho 30, 2006 01:18 PM
Este site está muito bem concebido,puro jornalismo de cinema ,
Cumprimentos
Rogério
Publicado por: Poemas de amor e dor às junho 30, 2006 11:45 AM