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dezembro 01, 2006

Dica de Sexta: Step Up

Não será propriamente o filme mais erudito do ano, mas tem duas coisas que se encaixam perfeitamente naquilo que é cinema: entretenimento...e arte. Afinal, que se pode pedir mais? Nem sempre vamos para uma sala escura em frente de uma tela gigante para ver o filme das nossas vidas ou para reflectir, pasmar, chocar. Às vezes, um filme ganha as suas estrelas pela sua capacidade de nos divertir, fazer o tempo passar rápida e agradavelmente. E este Step Up, tirando algumas excepções, tem o que se pede.

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Tyler é o rapaz do beco, com os amigos duvidosos e sem caminho. Não são os bad boys que vendem droga, estes são simplesmente um grupinho de teens que se diverte a jogar basketball e a destruir propriedade alheia - é mesmo esta a pior parte do filme, numa sessão de estupidez gratuita por parte do protagonista e dos seus amigalhaços. Era preciso uma desculpa para o miúdo que dançava hip-hop na rua ir parar a uma escola de artes a fazer serviço comunitário, e cá está ela. Mas podiam ter pensado um bocadinho mais em vez da saída fácil...

A partir daqui, é simples. Tyler (Channing Tatum, numa interpretação regular) conhece, por acaso, Nora (Jenna Dewan,numa interpretação interessante com uma carinha bonita) uma dançarina que precisa de apresentar um trabalho final de mas que acaba de perder o seu parceiro para essa dança. Depois de a conhecer, Tyler vai a custo tentar adaptar-se a esta nova e responsável vida enquanto deixa para trás, com dificuldade, o adolescente problemático que era. Aliás, ele não vai conseguir à primeira, mas o único twist (que apesar de não ser nada demais "salva" a história) do filme vai ajudá-lo a definir o seu caminho. Para o amparar estão os novos amigos que faz na Maryland School of Arts, sendo um deles Miles, interpretado pelo cantor Mario que até revela um certo acerto na representação.

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Por esta altura, alguns de vocês devem perguntar-se: sim, muito bem, mas nada de novo. Será que é realmente bom entretenimento ir ver uma história que já sabemos como acaba? E a resposta vem logo a seguir: o que realmente salva este filme é a arte. Não propriamente na arte de representação, mas sim na música e dança que ao longo de todo o filme são momentos deliciosos, realmente agradáveis de apreciar. Mesmo para os menos amantes do hip-hop, porque o ballet e dança contemporânea estão ainda mais presentes que esse estilo de dança que marca hoje as novas gerações. Não é fácil descrever dança, creio que haja mesmo poucos críticos dedicados a isso. Mas Step Up tem um misto de energia, irreverência, sensibilidade e graciosidade que não é fácil de encontrar. A mim, impressionou-me.

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Portanto, a história não é propriamente novidade mas desenrasca-se bem, a dança é muito boa e ampara a história. Um bom trabalho onde se deve dar crédio à tripla feminina que está por trás das câmaras.As guionistas Duane Adler e Melissa Rosengberg sabem o que fazem, conhecem bem o seu público. Para dar uma ideia, Adler escreveu o guião do tão semelhante Save the Last Dance, com Julia Stiles, e Melissa Rosenberg foi uma das principais responsáveis por escrever uma dezena de episódios da terceira série de O.C. Está visto que o sucesso que ninguém esperava deste filme é por aqui fácil de explicar. E depois, a cargo do já referido grande trabalho artistico, está a estreante na realizaçãoAnne Fletcher ... Mas que conta já muitos anos no mundo do cinema...a coreografar. Assim, se estiverem numa de relaxar, simplesmente curtir um cinema, ouvir um som e apreciar muita dança contemporânea de bom nível, então façam favor de dar um passo acertado e entrar no ritmo deste Step Up.

Publicado por Manuel António Martins às dezembro 1, 2006 03:05 AM

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