maio 01, 2006

Antevisão - Da Vinci Code

Dan Brown é provavelmente o mais popular romancista da actualidade. Não porque tenha aderido à última moda, mas mais precisamente por ter "criado" a última moda, de uma forma deveras cativante. O romance histórico não é novidade no mundo literário nem no mundo cinematográfico - The Name of the Rose é um bom exemplo disso. A verdadeira novidade que contagiou milhões de leitores a nível mundial foi o facto de incluir nesse estilo, já de si poderoso em suspense, uma componente de investigação e revelações cuja compreensão e interesse está ao alcance dum universo verdadeiramente abrangente de leitores. E agora, o universo expande-se para a tela.
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Manuel António Martins

O ritmo frenético que Dan Brown imprime nos seus romances é uma das principais armas de que o escritor/historiador norte americano se serve para colar aos livros o seu fiel público. Capítulos pequenos e sintéticos, informação apetecível e um final quase sempre em suspense, que só é desvendado daí a três ou quatro capítulos fruto dos constantes saltos entre as paralelas intrigas que percorrem o seu caminho rumo a um afunilamento final, onde tudo se torna claro e brilhante.
Acção, história, humor, personagens fortes e uma coragem inabalável colocaram O Código nas bocas do mundo. Por desvendar segredos que apenas os mais eruditos conheciam, esta história juntou multidões, agradou a cépticos e desagradou a crentes, esclareceu alguns mais duvidosos, humanizou o mito do homem que - diz-se - morreu por nós.
Aborrecido? Não, porque o Código Da Vinci inclui uma fantástica componente de acção e suspense que quase parece ter sido escrita para cinema. Perseguições de automóveis, tiroteios, figuras que se movimentam na sombra e cujo aspecto nos prende a atenção e faz virar cada página com ansiedade. E agora, o desafio é fazer-nos agarrar à cadeira como se a nossa vida dependesse disso.
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O elenco, como não podia deixar de ser, é constituido por nomes sonantes mas que não chegaram sem contestação a este almejado lugar. Tom Hanks, para começar. Oscarizado por duas vezes, provavelmente merecedor de outras duas, é um nome amado em Hollywood e em todo mundo. Mas a verdade é que em termos de características físicas e mesmo de fisionomia e presença os fãs de Brown não o consideravam o homem ideal para o papel. Ainda assim, a escolha de Hanks é uma aposta segura pois dele nunca se espera menos que uma actuação de corpo e alma que invariavelmente acaba por ganhar o papel. Ainda que defraude a imaginação dos leitores, é quase certo que não defraudará expectativas cinematográficas e é talvez por isso que nenhuma onda de protestos de proporções maiores se levantou até agora.
Audrey Tautou irá interpretar Sophie Nouveu, a companheira de Langdon nesta cruzada pela verdade escondida. Um nome querido do cinema francês com muito pouca projecção internacional -tirando, talvez, O Fabuloso Destino de Amélie e A Very Long Engagment, ambos de Jean-Pierre Jeunet- pelo que não se sabe realmente o que se esperar dela a não ser que dificilmente ofuscará Hanks, o que no fundo era o principal objectivo para esta personagem que é praticamente co-protagonista.
Duas personagens são ainda dignas de referência pela forma como não foram contestadas: O bispo Aringarosa será interpretado por Alfred Molina naquela que parece ser uma excelente aposta para o papel. Desde o ar hispânico, a postura poderosa e sombria de Molina adequa-se perfeitamente à personagem. Depois vem Teabing, o velho intelectual paralisado numa cadeira de rodas que exala calma, conhecimento e sobriedade por detrás dum ar paternal constantemente presente: Ian McKellen é também um nome que se adequa perfeitamente ao personagem que exige ainda uma certa intensidade dramática à medida que o final se precipita.
Finalmente, Paul Bettany fará de Silas, o albino assassino que deveria supostamente ser uma personagem de acção e pouca profundidade. Mas a escolha de Bettany sugere que será dado mais a esta personagem do que um simples papel homícida pois o talento do britânico não pode nem deverá ser desaproveitado.
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Por detrás das cameras está Ron Howard. O oscarizado cineasta foi uma escolha surpreendente para adaptar o filme, mas a equipa de sucesso Goldsmith-Grazer-Howard promete estar à altura do desafio que é adaptar o grande best-seller deste início de século. As rodagens nos locais descritos por Brown e a polémica com a Opus Dei marcaram o periodo de filmagens. A mensagem do filme (e a do livro) não vão passar ao lado da polémica aquando da estreia mundial a 18 de Maio. Até lá a expectativa é muita. O elenco promete, o argumento tem todo o potencial para se tornar num grande sucesso. Mas o peso de ser uma obra polémica e complexa pode jogar contra o filme de Howard. Será preciso esperar pela abertura oficial do Festival de Cannes para saber afinal se Ron Howard e companhia conseguiram decifrar o código de Dan Brown.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:58 PM | Comentários (11)

abril 24, 2006

Antevisão: Mission Impossible III

Quando Brian de Palma decidiu ressuscitar uma das mais populares séries televisivas dos anos 70 a expectativa era muita. E a aposta foi ganha. Mais tarde John Woo conseguiu em quinze minutos destruir o que De Palma conseguiu num só filme. Atenções viradas agora para J.J. Abrams. O home tem estilo e um passado de sucesso. Depois de MI e MI 2, Ethan Hunt está de volta. Mas a questão é esta: qual deles está de regresso?
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O filme estreia a 5 de Maio mas a expectativa é grande. Tom Cruise transformou-se no novo action hero, sucedendo a Harrison Ford. O actor mais promissor dos anos 80 (Risky Business, Born on the Forth of July, Rain Man) entrou numa espiral quase de auto-destruição de uma carreira que muitos auguravam como brilhante. Mesmo o seu fabuloso desempenho como Ethan Hunt em Mission Impossible foi ofuscado pelo tenebroso regresso do action-hero no segundo filme da franquia, provavelmente um dos piores filmes de acção dos últimos anos. Mas Cruise agora é um homem novo. Aderiu à nova mania de Hollywood, a Cientologia, casou-se e foi pai, finalmente, e mostra-se decidido a recuperar um pouco o prestigio que foi perdendo ao longo da última década. Por isso mesmo a sua terceira abordagem de Ethan Hunt será decisiva para descobrirmos que Cruise é que temos para os próximos anos. Um regresso à boa forma ou a confirmação do definhar da carreira do golden boy de Hollywood?
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Para ajudar Cruise está J. J. Abrams ao leme. O realizador ganhou um grupo de fãs de respeito graças à sua passagem pela televisão, onde criou a série Alias. Com boa noção do espaço e timing cinematográficos, a Abrams cabe a missão de gerir um argumento ambicioso, e ao mesmo tempo jogar com o vedetismo de Cruise, acusado de provocar a saída do primeiro nome ligado ao projecto, o cineasta Joe Carnahan. Abrams tem também à sua disposição um elenco de luxo, muito mais parecido com o do primeiro filme (havia Voight, Beárt, Reno, Rhames, Scott-Thomas, Redgrave) do que com a aventura falhada de John Woo. Acabado de chegar da noite dos Óscares, Philiph Seymour-Hoffman surge como o irrascível vilão, a nemesis de Hunt, num papel feito à medida para o intenso actor norte-americano. Como ajudante de Hunt vamos ter, para além do inevitável Ving Rhames, a jovem Keri Russell. Michelle Monaghan é a mulher do agente e Jonathan Rhys-Myers e Billy Crudup também estão presentes no elenco. Nomes sonantes mas que terão a responsabilidade de fazer esquecer Scarlett Johansson, Carie Ann-Moss e Keneth Branagh que sairam do projecto à medida que o longo período de pré-produção se ia arrastando.
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A história não anda propriamente no segredo dos deuses. Hunt agora é casado e está a treinar uma agente para o suceder na liderança da equipa MI. Mas um dia a sua mulher é raptada e o agente vai ter de começar uma corrida contra o tempo para salvar a mulher e ao mesmo fazer justiça pelas suas próprias mãos. Espantosas sequências de acção - a ver pelo trailer - e uma excelente composição sonora (espera-se muito da versão que Kanye West irá fazer do tema principal), são dois dos grandes atractivos do filme. Mas não só. Um elenco bem composto e um Cruise em forma irão certamente ajudar Mission Impossible a tornar-se num dos grandes sucessos de 2006. No entanto o fantasma do segundo filme não desapareceu por completo, e por isso mesmo, há quem prefira acautelar-se. Afinal, mesmo Abrams à frente nunca se sabe o que Cruise vai fazer.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:51 PM | Comentários (29)

abril 17, 2006

Antevisão...

Hoje não será públicada a rúbrica Antevisão. A falta de estreias apelativas para as próximas duas semanas e alguma falta de disponibilidade da equipa assim o obriga.
O espaço volta para a próxima semana com a antevisão do filme Missão Impossível III, que marca o regresso de Ethan Hunt ás salas de cinema. Até lá!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:46 PM | Comentários (4)

abril 03, 2006

Antevisão - Inside Man

O elenco é simplesmente fabuloso. De um lado um mestre do crime, frio e calculista. Do outro um polícia, que sabe que este não é um criminoso qualquer. Pelo meio uma misteriosa advogada. As peças do puzzle de Inside Man, a mais recente pérola de Spike Lee.
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Um assalto que ninguém estava à espera deixou a polícia de Nova Iorque sem saber bem o que fazer. Para o local vão dois especialistas a negociar refens. Mas o que eles vão encontrar é um hábil criminoso que controla a situação com subtileza, de tal forma que parece que não há maneira de ser capturado. Um duelo de titãs entre o chefe da polícia e a sua nemesis do crime numa história recheada de twists e surpresas perfeitamente brilhantes.
É o regresso de Spike Lee à sua boa forma depois de um mediano She Hate Me, filme que nunca conseguiu ser mais do que um três em um. Para este Inside Man - um genero onde nem é habitual encontrar Lee - a aposta da Universal foi de peso. Brian Gazer produzidou o filme, Lee sentou-se na cadeira de realizador e o elenco escolhidoé o sonho de qualquer cineasta. Denzel Washington - um dos habituais da troupe de Lee - é Keith Frazier, o detective de policia que tem sob os ombros a responsabilidade de salvar o dia. Mas do outro lado está Dalton Russell, interpretado de forma impecável por Clive Owen, a nova estrela do cinema britânico. Há ainda Jodie Foster, Willem Daffoe, Christopher Plummer e Chewitel Ejiofor na lista de personagens que vão desfilando à volta do local do crime, onde o aglomerado de pessoas transforma um assalto num acontecimento de proporções inimagináveis.
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Surpresa na estreia norte-americana foi a aceitação ao filme, que no primeiro fim de semana fez 20 milhões de dólares, numeros bem acima do esperado. A história, um misto de thriller policial e filme de suspense, com os inevitáveis twists, Inside Man é um filme que joga na ambiguidade e na incerteza do eterno jogo do gato e do rato entre policia e criminosos.
Russell Gewirtz, o argumentista, soube criar um jogo onde não se percebe o que se está a passar á nossa volta, o que nos deixa ainda mais apreensivos, e prontos para as brincadeiras que o grupo de assaltantes - que parece querer mais do que demonstra - vai preparando.
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Com estreia prevista para 13 de Abril, Inside Man é o regresso aos bons filmes de acção e suspense, misturados com uma boa dose de humor sarcástico e teorias da conspiração suficientes para inspirar Dan Brown a escrever um novo livro. Se isso não bastasse, basta olhar para o poster. Ver Denzel Washington num frente a frente com Clive Owen é simplesmente algo imperdível. Inside Man é mais do que um filme de assaltos a bancos. É uma lufada de ar fresco num género que tem andado pelas ruas da amargura.

O QUE SE DIZ

"Um elenco vistoso, guião inteligente e uma vibrante imagem de Nova Iorque como o derradeiro ponto de encontro de diferentes culturas são os pontos fortes da maior aventura de Spike Lee no mundo do cinema mainstream de estúdios."

Todd McCarthy, Variety

"Um filme de assalto com um elenco de luxo e uma série de grandes surpresas na manga, Inside Man está mais preocupado em entreter a audiência do que fazê-la pensar."

Ethan Alter, Premiere

"Aleluia! Spike Lee está de regresso ao seu velho estilo com Inside Man, a sua visão dos clássicos filmes de assaltos, completado com aquele estilo habitual da Big Apple!"

Kit Bowen, Hollywood.com

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:01 PM | Comentários (4)

março 27, 2006

Antevisão - Ice Age: The Meltdown

Tudo começa com uma bolota. É sempre uma bolota. Uma bolota e um tenaz esquilo dentes-de-sabre, que não desiste do seu alimento preferido. E por alguma causa que só o destino pode, de forma hilariante, definir, todos os desastres ecológicos da idade do gelo parecem motivados pela busca incessante desta criatura pela refeição perfeita. E desta vez, parece que vai tudo por àgua abaixo...
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M.A.M.

Manny, Sid e Diego regressam ao grande ecrã depois da primeira e bem sucedida aventura na Idade do Gelo. Nessa primeira passagem conseguiram juntar-se em prol dum objectivo comum, ultrapassando as muitas e grandes diferenças que os separavam. E como tal, constituiram um grupo forte e unido, onde as fraquezas de uns eram supridas pelos pontos fortes de outros. Afinal, é mesmo assim que deve ser quando se junta um mamute, uma preguiça e um tigre dentes-de-sabre para salvar um pequeno humano.
Agora, as coisas estão estáveis. Os três vivem pacificamente num vale, junto de outras criaturas que aprendem a respeitar o estranho trio. Mas o mundo onde habitam está a mudar: a Idade do Gelo está a chegar ao fim. Contrariamente ao que se poderia pensar, isso não parece afectar nenhum dos habitantes deste frio vale, que se deliciam com o súbito paraíso que o degelo lhes trouxe, pleno de lagos, geisers e nova vegetação.
Só que este paraíso é mais efémero do que qualquer um deles esperara, e quando o trio descobre que as paredes de gelo que cercam o vale vão inevitavelmente acabar por inundá-lo, lançam-se numa corrida contra o tempo para avisar e tentar salvar todos os habitantes do iminente dilúvio.
Nesta nova aventura, como não poderia deixar de ser, surgem novos personagens para aumentar o nível de humor e tentar auxiliar os três caminhantes: Ellie, Crash e Eddie são os novos complementos para este período de crise.
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A realização de Ice Age 2 continua a cargo do seu criador, o brasileiro Carlos Saldanha, que entre os dois filmes gelados foi ainda co-realizador de um outro filme de animação, Robots, que não teve o maior dos sucessos em Portugal. A verdade é que este parece ser o seu elemento, conseguindo de forma hilariante dar corpo ao guião do também repetente John Vitti, que no entanto tem um papel maior na escrita deste do que tivera no primeiro. Quanto a outras experiências do guionista, os vários episódios que escreveu para os Simpsons são sem qualquer dúvida um bom cartão de visita.
A música está ao cargo de John Powell que já colocou o seu nome em mais de uma dezena de bandas sonoras de animação, com destaque óbvio e merecido para Shrek. Mas a sua carreira engloba também filmes muito diversos em termos de género, desde I am Sam, passando por Alfie, Mr and Mrs Smith e o recente X-Men 3.
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As vozes do trio, como não poderia deixar de ser numa boa sequela de animação, continuam a cargo dos seus iniciadores: John Leguizamo ( Dr. Victor Clemente, em E.R.) é Sid, Denis Leary ( criador e intérprete de Tommy Gavin da série Rescue Me) é Diego, Ray Romano (Ray, da série televisiva Everybody Loves Raymond) é Manny. Entre as novos entradas, destacam-se três nomes, com Queen Latifah a dar voz a Ellie e Seann William Scott , o impagável Stiffler de American Pie, a emprestar as suas cordas vocais a Crash, no que promete ser hilariante. Para finalizar, a contas com um papel menor, Jay Leno será Fast Tony, um tatu com muito estilo.
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Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:30 AM | Comentários (8)

março 20, 2006

Antevisão - V for Vendetta

Façam uma viagem até ao futuro, a uma Londres reconhecível, mas escura. Onde todos os vestígios de uma metrópole saudável e rica em pensadores livres e artistas e criadores e escritores não passa disso, exactamente: um vestígio, uma memória longínqua. Mas há sempre quem se lembre do passado melhor do que a maioria...e acabe por arrastar minorias. Querem entrar? Procurem o V na parede.
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M.A.M.

Inspirado numa graphic novel dos anos 80, que num pequeno número de edições conquistou um nicho de culto e está nas prateleiras de história da DC Comics, V for Vendetta é uma adaptação bem trabalhada e rigorosa da história com o mesmo nome criada pelos autores Moore e Lyod.
Londres vive presa num espartilho totalitário, é uma sociedade totalmente controlada e onde a apatia da população parece alimentar-se a si mesma. É com este cenário como pano de fundo que conhecemos as duas principais personagens do filme. Evey (Natalie Portman) é salva numa situação de vida ou morte por um estranho indivíduo mascarado, que se auto-intitula V (Hugo Weaving). Como seria de esperar, o enredo gira em torno desta personagem, descrita como sendo realmente complexa, erudita, um intelectual tipicamente britânico, com conhecimento vasto nas artes de combate, estratégia, literatura, história... Mas com um lado negro não menos apurado onde põe em prática os seus conhecimentos. É um solitário à procura de vingança, violento e amargo, lançado nas ruas pela mão da sua vendetta pessoal. O seu objectivo: libertar todos os cidadãos que queiram ou precisem de ser libertados dos seus opressores e torná-los aliados para uma obra maior. V condena a tirania e a opressão com que os líderes de um governo podre e corrupto regem Inglaterra e convida todos aqueles que procuram fugir destas amarras a juntarem-se a ele num plano engenhoso para derrubar o Parlamento, evocando a história de Guy Fawkes, mas esperando um final diferente...
Entretanto, à medida que segue a história de V e o vai descobrindo, Evey vai-se tornando uma pessoa diferente. Conhecendo profundamente o estranho homem que a salvou, começa a aperceber-se de que o mundo à sua volta pode e deve mudar, mas isso tem que partir também de si mesma e da sua crença de que uma sociedade mais justa pode emergir das cinzas desta em que vive.
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V for Vendetta é claramente um história de personagem, e como tal é normal que a maior parte dos minutos desta trama girem em torno de Hugo Weaving. Actor carismático e muito físico, Weaving parece perfeito para o papel. O lado de justiceiro mascarado de V, com uma acção física sublime e sóbria, mas eficiente e consciente do seu poder. É impossível não ligar estes dois lados de Weaving a personagens que o notabilizaram: em primeiro lugar, como Elrond, na sapiência em Lord of The Rings, e depois como Agent Smith em Matrix, onde todo ele era poder.
Portman é a luz no filme com um cenário de escuridão. Vítima e heroína em potencial, o seu lado emocional é forte e tocante, e o seu choro e desespero marcam qualquer espectador com um mínimo de coração. Que viu Closer sabe-o bem. Mas a jovem actriz não brilha só a partir das lágrimas, brilha também a partir da determinação que consegue impor a qualquer papel onde ela seja característica necessária, parecendo sempre concentradíssima consigo mesma e com os seus pensamentos, transparecendo para o mundo uma atmosfera carregada e determinada. Nada menos se espera dela.
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A banda sonora fica inteiramente ao cargo de Dario Marianelli, um compositor que capta a essência britânica do que a música deve ser e é exímio em enquadrá-la na época e atmosfera pretendidos. Se dúvidas houver, aconselhamos Pride and Prejudice para as dissipar.
Por detrás das cameras, está um estreante na realização per se, mas não um estreante no que toca a este ambiente. James McTeigue é de facto tudo menos um rookie quando se fala de adaptações de obras de culto, já que esteve sempre com os irmãos Wachowski durante a produção da trilogia de Matrix. E isso tem que dar alguma experiência no que toca a dirigir cenas onde impera a imaginação e a acção. Como se esses anos de produção entre dois mundos não fossem suficientes, pelo meio foi ainda primeiro assistente de realização de Star Wars II...No mínimo, um currículo de side-kick invejável.
Depois, o guião. McTeigue não podia sentir-se mais confortável e a “trabalhar em casa”, não tivesse sido ele adaptado da BD pelos próprios irmãos Wachowski, que fizeram todo o trabalho de preparação cinematográfica da história.
A crítica não tem sido unânime com V for Vendetta, ora o considerando no máximo como uma boa adaptação mas sem nada de magistral, ora o considerando como uma história tão anárquica como a sociedade descrita. Veremos até que ponto esta vendetta se salva a si mesma.
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O QUE ELES DISSERAM

Completamente louco e capaz de motivar uma audiência jovem politicamente letárgica, V for Vendetta tropeça por vezes nas suas ambições. Mas quem se queixa? Pelo menos este filme tenta ter ambições no meio de tanta passavidade.E melhor ainda, V transmite uma energia que é capaz de nos colar ao assento.

Peter Travers, Rolling Stone

Consegue ser, ao mesmo tempo, estranho e bizarro e enganador,mas duma forma completamente entediante. Vê-lo é como ter o fornecimento de oxigénio ao nosso cérebro asfixiar por mais de duas horas.

Peter Bradshaw, The Guardian

Como ícone pop, V for Vendetta prende o olhar ao ecrã, ainda que lhe falte a bravura de video-jogo que fez vender "Matrix".

Owen Gleiberman, Entertainment Weekly

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M.A.M.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:07 PM | Comentários (3)

março 13, 2006

Antevisão - Basic Instint 2 : Risk Addiction

14 anos depois, ela voltou.
Michael Douglas era o tipo perfeito. Um policia com historial duvidoso de alcool e drogas, facilmente contactavel, profissionalmente presente e disponivel, durão, mas ingénuo e...seduzivel tanto quanto se pode ser. De principal suspeita, Miss Tramell passa a ser a principal protagonista de uma sequela aguardada ansiosamente daquele que já foi tantas vezes considerado o filme mais sexy de sempre. Preparem-se para a segunda dose de Instinto Fatal.
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Mudou o realizador, os produtores, a banda sonora, o polícia e o psicólogo. Ficou Sharon Stone, que aos 48 anos foi a principal impulsionadora para que este projecto visse a luz do dia.
Passados vários anos desde que foi considerada suspeita do assasinio de Boz, a romancista Catherine Tramell (Stone) muda-se para Londres, deixando para trás uma América que já lhe ofereceu tudo o que tinha. O que não havia oferecido, a escritora tirara sub-repticiamente.
O seu percurso profissional continuava estável em terras de Sua Majestade, autora de mais um best-seller, quando lhe chega mais uma vez a noticia de que deverá comparecer perantes as autoridades, com objectivo de clarificar as circunstancias de uma estranha morte de um desportista de renome. É aqui que o Dr. Michael Glass (David Morrissey), um psiquiatra criminal de renome, é trazido à presença de Tramell, com o propósito de traçar o seu perfil psicologico. Mas, ignorando todos os avisos dos seus superiores que lhe dizem para tomar cuidado e ser paciente, o psiquiatra vai deixando que a sua curiosidade se sobreponha à razão, atraindo-se fortemente pela estranha personalidade de Tramell, ao principio. E depois, pelo seu jogo de sedução e mentiras, onde se vê completamente emaranhado.
Para sair dela, vai ter que travar uma batalha consigo mesmo e com o intelecto ardiloso da sua paciente, e chegar a um climax inesperado e onde uma escolha sua pode mudar as vidas de ambos para sempre.
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O elenco certo para esta sequela foi dificil de juntar. Afinal, quem é que bate Michael Douglas a fazer de um detective perdido na vida, mas encontrado nos braços duma potencial assasina? E aquelas caras dos senhores da Policia de San Francisco quando Stone descruza as pernas? Por isso, só após muitas tentativas é que realizador, produtores e Stone conseguiram juntar um elenco positivo e capaz de não manchar o nome de Instinto Fatal. Aliás, a própria Stone foi quem mais adiou o inicio da produção do filme, uma vez que não encontrava o candidato ideal ao perfil do Dr. Michael Glass. A escolha recaiu finalmente sobre David Morrissey, um actor tipicamente britânico, com toda a escola do teatro Shakespeariano, mas sem grande visibilidade em Hollywood, apesar de ainda este ano ter tido um pequeno papel em Derailed. Calmo e seguro, mas de olhos e sobrancelhas expressivas, foi o seu ar quase ingénuo que levou à escolha definitiva da mulher fatal que o persegue.
Desta, espera-se um filme quase sem falhas em termos de interpretação. A verdade é que Stone pôs tanto de si, e do seu lado mais carnal e emocional no filme que vai ser díficil vê-la desconfortável ou desenquadrada em alguma cena, já que tanto partiu da sua cabeça. Muitas das cenas de nudez foram encorajadas pela própria actriz, que ainda recentemente se referiu sentir orgulhos por poder ter um corpo como seu aos 48 anos de idade, e poder exibi-lo no grande ecrã sem vergonha, pudor ou dúvida.
Quanto aos restantes nomes, David Thewlis interpreta Roy Washburn, o agente da Scotland Yard que acompanha Glass no processo, e a também britânica Charlotte Rampling é a mentora do psiquiatra, que tem por missão tentar avisa-lo que de que está em território perigoso. Em suma, o lote de actores secundários é maioritariamente britânico e sem nome feito nas grandes produções hollywoodescas, mas parece bem enquadrado para os papeis que lhes são atribuidos, já que o brilho de Stone facilmente disfarçará qualquer das suas pequenas lacunas.
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A banda sonora é um dos poucos items que se mantém do originalInstinto. Jerry Goldsmith vai continuar a compor e escolher os temas principais, que tão bem enquadrados ficaram nas cenas de maior suspense e nas de maior climax do primeiro filme. Para complementar o seu trabalho, juntam-se dois nomes que já haviam trabalhado com o novo realizador em projectos anteriores: John Scott e John Murphy, mais um par de britânicos.
A realização, do escocês Michael Caton-Jones pode não ser exactamente o mesmo tipo de trabalho que Paul Verhoven fez em 92, com os seus fantásticos planos à chuva e dentro do carro, acompanhando Douglas, ou dos subtis movimentos de Stone. A seu favor abona o filme que estreou o ano passado, Shooting Dogs, e que não foi mal recebido pelos críticos, tendo tido passagem auspiciosa no último Fantasporto.

M. A. M.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:04 AM | Comentários (8)

janeiro 16, 2006

ANTEVISÃO - The Squid and the Whale

O cinema indie norte-americano continua a mostrar uma vitalidade e uma originalidade que os grandes estúdios não conseguem desenvolver. Os últimos anos têm sido marcados por êxitos populares vindos directamente do cinema independente. Em 2005 o fenómeno não atingiu o mesmo nivel de popularidade, mas Noah Baumbach continua a provar que o talento existe. É preciso é procurá-lo...
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The Squid and the Whale, titulo improvável para qualquer filme, é mais um capitulo na saga do cinema indie norte-americano. Depois dos sucessos dos filmes de Wes Anderson, Sofia Copolla, Paul Thomas Anderson ou Alexander Payne, há mais um jovem autor a afirmar-se no meio, com extrema originalidade e com uma notável capacidade para contar uma história simples, mas extremamente sedutora.
Na década de 80 uma familia está a viver o caos em Nova Iorque. A separação é a única solução, mas como é que os filhos do casal vão enfrentar esta realidade?
Disfunção familiar numa familia que tem tudo de original como de mundano. Um pai, autor frustrado na América dos anos 80. A mãe, filha da Flower Power que não consegue encontrar-se neste mundo tão estranho para ela. Um filho mais velho, apaixonado pelos Pink Floyd e que tenta esconder o que as zangas entre os pais realmente lhe custam. E um filho mais novo, a descobrir a sua sexualidade e a tentar perceber como é que um grupo familiar aparentemente tão unido pode estar à beira do desmembramento.
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Noah Baumbach é um autor em ascensão. As várias nomeações e prémios que o filme tem recebido, quer pelo seu guião quer pelo seu trabalho atrás da camara, têm sido apenas uma pequena amostra do potencial deste cineasta, capaz de criar com enorme humanismo a dificil realidade do desmembramento familar.
Mas Baumbach, que é o ponto nuclear do projecto, teve a felicidade de contar com um elenco que representa de forma perfeita cada uma das personagens que o autor criou. Jeff Daniels, o homem que já fez de tudo um pouco, surge num visual ao estilo de Nick Nolte como o amargurado pai, o filho desencantado dos anos 60 que não encontra o seu espaço nos anos 80. Com nomeações e prémios, Daniels revitaliza a sua carreira com este papel, provando que a teoria de que o cinema indie faz bem aos actores é bem verdadeira. Já Laura Linney mantém o seu habitual registo, que tem a capacidade de se integrar bem com a sua personagem. Os filhos do casal, Jesse Eisenberg e Owen Kline são duas das grandes revelações do ano nos jovens actores norte-americanos, e têm algumas das melhores cenas de todo o filme.
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Em tom negro, como de recordação de um passado doloroso, Baumbach cria um filme semi-biografico, pautado com uma banda sonora que acompanha a própria época de forma singular. O que mais tem sido apreciado em The Squid and the Whale é a honestidade do guião, a mesma honestidade e naturalidade com que o cinema indie norte-americano se tem vindo, gradualmente, a impor ás grandes produções dos estúdios, como os melhores trabalhos do ano.
A ideia de que menos é mais, no que ao orçamento diz respeito, começa claramente a fazer sentido com filmes deste género. Hollywood continua a viver para as grandes produções, mas quem admira o cinema norte-americano encontra em filmes como este uma boa razão para ir até à sala do cinema. Porque quando se conta a vida como ela é, com a frontalidade e humanidade que são sempre necessárias, então estamos defronte de algo que vale mesmo a pena conhecer.

O QUE SE DIZ

"Sem as lágrimas habituais mas com um charme bem ácido, o filme extremamente humano de Baumbach toca bem fundo."

Peter Travers, Rolling Stone


"Trabalhando sobre a sua própria infância, Noah Baumbach junta um retrato surreal, mas divertido, de uma familia em crise e da forma como um jovem tenta entender os seus pais, bem como a ele próprio!"

A.O. Scott, New York Times

"Um retrato incisivo e intimista de uma familia de Brooklyn a desmoronar-se, contado pelos seus dois filhos!"

Claudia Puig, USA Today

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:54 PM | Comentários (0)

janeiro 09, 2006

ANTEVISÃO - Match Point

Chamaram-lhe o melhor Allen dos últimos anos, ignorando que Anything Else e Melinda and Melinda já eram um excelente progresse face aos seus filmes pós-Everybody Knows That I Love You. Foi o seu primeiro filme filmado longe da sua amada Nova Iorque. Talvez por isso a história seja mais crua. Woody Allen de regresso as origens?
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O eterno nova-iorquino mudou-se de armas e bagagens para Londres. Filmou Match Point, está a filmar Scoop, já deu uma vistas de olhos por Barcelona, onde pode ser o seu próximo filme...ou seja, estará Allen de costas voltadas para a América?
Dificilmente, mas a verdade é que muito mais maturidade e realismo nas suas personagens deste drama em terras de sua Majestado do que havia nos seus últimos trabalhos, há um bom tempo aliás. A critica, que elevou Woody ao paraiso e depois, de certa forma, deixou-o cair nos últimos anos, tem tentado colocar Allen de novo no trono de "autor entre os autores" do cinema norte-americano. As derivas comicas do cineasta nos últimos anos não agradaram nem a gregos nem a troianos, mas o realizador, já de si envolto em grande polémico (não é todos os dias que um homem casa com a sua filha adoptiva, de quem tem hoje uma filha), parecia pouco preocupado. Afinal, ele é Woody Allen, não Ingmar Bergman como gosta de dizer. Mas a verdade é que dele se espera sempre o melhor, e por isso, as expectativas para Match Point colocaram a fasquia bem alta. Um erro talvez!
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O filme, que conta a história de um homem, treinador de ténis, que casa com uma rica menina de familia, irmã de um amigo recente, e que assim vê um mundo inteiramente novo abrir-se diante dos seus olhos. Um mundo que não vai querer perder, mas que colocará em risco ao apaixonar-se pela noiva do seu amigo, a atrevida Nola que se torna, a pouco e pouco, numa obsessão. A escolha está entre uma vida de luxo como sempre sonhou ou uma vida ao lado de uma mulher sedutora, mas que a longo prazo poderá ser mais uma paixão passageira sem qualquer segurança financeira.
Um filme que é, acima de tudo, sobre a ganância e a traição, um tema bem ao estilo do Allen dos anos 80, aqui retratado com uma crueza há muito escondida na obra do nova-iorquina.
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Para este seu "comeback" ao drama, Allen decidiu trabalhar com um elenco maioritariamte inglês. Jonathan Rhys-Myers é uma personagem que não é muito comum nas suas obras, sempre mais obsessivas e compulsivas do que habitual. Uma revelação este jovem britânico de quem muitos falam há já bastante tempo. Tal como acontece com a actriz Emily Mortimer, um peão nas mãos de Rhys-Myers, que é manobrado com extrema delicadesa e que consegue alguns dos melhores momentos do filme, que tem ainda o veterano Brian Cox como chefe de familia.
Mas claro que a grande atração do filme é Scarlett Johansson.
A nova musa do realizador - já fez com ela Scoop e quer fazer mais, muito mais filmes - é a sedutora Nola, um papel que parece tirado a papel quimico da própria Johansson, que já confessou ter encontrado espantosas semelhanças entre ela e a sa personagem.
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O filme tem sido bem recebido pela critica. Não como um grande filme, mas como um venerável comeback. Ninguém vê ali um Annie Hall, Manhatan, Hannah and her Sisters ou Interiors, mas a verdade é que Match Point parece apontar o caminho certo para o futuro. Mesmo assim há as criticas do costume, ou dos que nunca entenderam o cineasta, ou então aqueles que cortaram relações com Woody há muito tempo. Para uns e para outros o filme falhou. As associações de prémios também pareceram pouco convencidas, mas isso deve-se essencialmente à estreia tardia do projecto que deixou Cannes apaixonada. Os outros aprovaram. Quando chegar a Portugal, Match Point será obviamente um filme obrigatório.


O QUE SE DIZ

"Allen evoca Dostoievsky e Dreiser, mas não esperem justiça num final chocante que consegue ser tanto demoniocamente engenhoso como moralmente repugnante. Há muito que um filme de Woody Allen não levantava um interessante debate. Aproveitem!"

Peter Travers, Rolling Stone

"Allen criou um dos seus filmes mais fortes em anos."

Richard Roeper, Ebert and Roeper

"Se alguma vez fosse preciso demonstrar o caso de um artista que encontra inspiração no estrangeiro, a primeira experiência de Allen fora de Nova Iorque é um óptimo exemplo."

Desson Thomson, Washington Post

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:53 AM | Comentários (2)

janeiro 07, 2006

ÁSIA - Referências dos novos clássicos (parte 2)

Continuando a dissertação sobre alguns dos realizadores e filmes que nos últimos 25 anos contribuíram para a ocidentalização e divulgação do cinema asiático, trata-se da segunda parte, que focará as obras e realizadores do cinema de Hong-Kong, da Coreia e de outros países com menor contribuição mas equivalente importância, como por exemplo, Tailândia, Filipinas ou Irão.

Hong-Kong

À parte de Bruce Lee e Jackie Chan, dois dos grandes impulsionadores da mediatização da indústria cinematográfica de Hong-Kong, outros dois nomes são incontornáveis, o dos realizadores John Woo e Tsui Hark. Tsui Hark (de quem falei no artigo anterior) e John Woo desenvolveram uma indústria de filmes de acção que tornaram Hong-Kong numa “nova Hollywood”, principalmente nos anos oitenta. Filmes como A Better Tomorrow, The Killer, ou Hard-boiled, não só representam o expoente máximo do cinema de acção de Hong Kong, como catapultaram para Hollywood o seu realizador (Woo) e respectivo protagonista, Chow Yun-Fat.

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No anos 90, surgem Wong Kar-Wai e Stanley Kwan como novos valores do cinema de Hong-Kong, desta vez mais direccionado para o cinema independente. Obras como Chungking Express, Happy Together e os fabulosos In The Mood For Love e 2046, todos de Wong Kar-Wai, são obras de visualização obrigatória do cinema asiático.

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No final da década de 90, paralelamente ao cinema mais independente, surgem os irmãos Pang com as obras de terror bastante eficazes The Eye e Abnormal Beauty e assiste-se a um renascimento do cinema de acção de qualidade com a trilogia Infernal Affairs, de Wai Keung Lau e Siu fai Mak, cujo remake americano da autoria de Martin Scorcese, estreia já este ano.

Coreia do Sul

É o país que na viragem do século XX para o século XXI atinge um boom de criatividade e qualidade. Desde logo, destacam-se três nomes, podendo mesmo afirmar-se que são três autores:

Kim Ji-Woon. A Tale of Two Sisters é um filme que roça a perfeição a todos os níveis. Provavelmente, seria o filme que recomendaria, como o primeiro a visionar, para quem quiser conhecer o cinema asiático recente. No ano de 2005 o cineasta apresenta o primeiro thriller de acção noir da Coreia, A Bittersweet Life, filme que tinha estreia agendada para Portugal, mas incompreensivelmente foi adiada até data indefinida. Porque é que estreia tanto filme mau em Portugal em detrimento de uma obra tão agradável como A Bittersweet Life? Sinceramente, custa-me a entender.

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Kim Ki-Duk. O realizador Coreano, considerado o Wong Kar-Wai da Coreia. Para Ki-Duk as imagens ditam a narrativa em detrimento dos diálogos. É um cineasta independente cada vez mais mainstream. Obras como Spring, Summer, Fall, Winter… and Spring e 3-Iron granjearam-lhe notoriedade a nível dos festivais de cinema e fama um pouco por todo o mundo.

Park Chan-Wook. É a coqueluche do cinema Coreano, admirado por Quentin Tarantino. A trilogia de vingança composta por Sympathy for Mr. Vengeance, Oldboy e Sympathy for Lady Vengeance, é simplesmente fabulosa, sendo o seu visionamento indispensável. Oldboy venceu mesmo o grande prémio do júri do festival de Cannes em 2004.

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Paralelamente a estes autores existem filmes recomendáveis de diversos géneros: O policial Memories of Murder, ou, por exemplo, os filmes com a temática da guerra Silmido, Welcome to Dongmakgol e Taegukgi (mais de 12 milhões de espectadores na Coreia!)

Peppermint Candy é um excelente drama e My Sassy Girl provavelmente a melhor comédia romântica alguma vez produzida (sem as lamechices americanas). Para quem gostar de um mesh-up de géneros, com uma narrativa alucinante e fora do normal e Save the green planet! são indispensáveis

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Note-se que esta lista do cinema Coreano poderia ser ainda mais completa, pois trata-se de um país onde os valores de produção e a qualidade das películas estão em constante crescendo de qualidade. Provavelmente, no instante em que escrevo este artigo, está a estrear mais um novo clássico instantâneo do cinema Coreano…

Outras cinematografias


Adicionalmente a este boom do cinema Coreano, outras cinematografias têm seguido o exemplo, criando obras com impacto internacional. Beautiful Boxer, da Tailândia, um biopic sobre o maior lutador de Muai-Thai do país, ou Shutter, seguramente um dos melhores filmes de terror de 2004. Turtles Can Fly, da cooperação Irão/Iraque é um excelente drama focando a invasão americana ao Iraque, o que prova que a Ásia se está a tornar numa fonte quase inesgotável de criatividade, ombreando pelo menos a nível de qualidade com a indústria americana.

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Nota Final: O artigo é baseado em pesquisa e visualização dos filmes que considero clássicos modernos do cinema asiático. Ressalve-se o facto de, por omissão, não falar em determinado filme, por isso, quem quiser, é livre de comentar, dar a sua opinião e eventualmente corrigir ou acrescentar algo, de forma a tornar este artigo uma referência para quem não conhecer o grande cinema asiático.

Pode ler a primeira parte do artigo Referências Dos Novos Clássicos Asiáticos AQUI


Sérgio Lopes

www.cineasia.blogspot.com

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:19 AM | Comentários (2)

dezembro 26, 2005

Antevisão - Munich

Há trinta e três anos, "terroristas" palestinianos atacaram a delegação israelita em Munique, provocando a morte de vários atletas olimpicos. O que se seguiu foi uma impiedosa caça ao homem, liderada por um agente especial da Mossad. Agora, Steven Spielberg conta-nos o que se passou. E o que aqueles homens sentiram...
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Há muito tempo que a ideia de fazer um filme sobre os atentados de Munique passava pela cabeça de Spielberg. Já quando rodava War of the Worlds, o realizador acompanhava o desenvolvimento do guião de Eric Roth e Tony Kurshner, baseado no livro Vengeance. Foi esse o titulo do filme quando Spielberg o começou a rodar, em Setembro, tinha acabado de estrear a sua adaptação da obra de H.G. Wells. Mais tarde, por questões de tacto, bem ao seu estilo, mudou o titulo para Munich, o local onde tudo começou.
O filme contava como um grupo de agentes da Mossad passou anos a tentar apanhar todos aqueles envolvidos nos atentados. A verdade é que muitos inocentes morreram, e o próprio lider do esquadrão questionou o seu papel na missão, abandonando no inicio dos anos 80 a própria agência secreta israelita. Era a ideia de Spielberg focar tanto a caça ao homem, como os motivos que levaram, primeiro aos atentados e depois á perseguição. Mas o drama do filme está no dilema do lider da equipa, que se questiona sucessivamente sobre se há justiça naquilo que o mandaram fazer.
E esse é talvez a grande valia do filme, a forma como Spielberg questiona o que é o terrorismo, o dito terrorismo oficial, mas o contra-terrorismo, também ele, na maior parte dos casos, composto por acções indignas de qualquer estado democrático.
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Spielberg escolheu Eric Bana para liderar o elenco do filme, que acaba por contar com poucos nomes conhecidos. O actor de Troy ou Hulk mostra-se a bom nivel, mas como sabemos, o cinema de Spielberg é sempre mais um cinema de argumento e realização do que propriamente de actores. A acompanhar o australiano estavam Daniel Craig - o novo Bond - Geoffrey Rush, Cirian Hinds ou Maria José-Crooze. Um filme com um trabalho técnico louvável, especialmente a fotografia, muito em tons escuros, como se a própria escuridão da alma estivesse em jogo, o que, acompanhado pela banda sonora de John Williams, ganha ainda mais sentido.
Um filme irrepreensivel tecnicamente, mas que tem sido questionado pela forma como a história é narrada. Há quem diga que Spielberg perdeu o dom. Depois de War of the Worlds, sai mais um filme pobre em narrativa. Há quem sugira que Spielberg se perde na imensidão politica do acontecimento. E depois há os extremistas que tanto o acusam de anti-semita, como de pró-israelita. Mas ignorando esses, o importante é perceber o enfoque deste Munich.
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Catalogado, mesmo antes de existir em pelicula, como o filme do ano, Munich apresentará certamente falhas. Caso contrário não teria sido quase esquecido por todas as associações de criticos e jornalistas dos Estados Unidos, mais depressa rendidos a pequenos indies como Brokeback Mountain, A History of Violence ou Good Night and Good Luck.
Mas, focando os aspectos positivos, há que realçar a coragem de Spielberg em se aventurar numa temática problemática, como é a questão do terrorismo. Especialmente quando o conflito de então ainda existe hoje, e qualquer tomada de posição, mesmo que simbólica, pode ser mal interpretada.
Mas em termos cinematográficos, é curiosa a ideia que tem acompanhado os últimos filmes de Spielberg, desde Minority Report, muito mais negros e intensos do que propriamente captivantes. Munich parece seguir um pouco dessa onda, o que acaba por ter pouco glamour, ao contrário do que era habitual no homem que praticamente inventou os blockbusters.
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Apesar de tudo, Munich continua a ser para muitos, o filme a abater. Porque a temática de Brokeback Mountain é muito mais complexa, e porque o filme é do realizador mais amado em actividade, capaz de gerar um grupo de defensores bem heterogéneo. Caberá ao público a última palavra, e essa é a última questão a ser respondida. Mas apesar de todas as criticas, o filme promete imenso. Emotividade, contenção dramática, trabalho de realização competentissimo e um leque de boas performances. Poderá não ser o maior Spielberg ou o maior do ano, mas Munich é certamente um filme de visionamento obrigatório.

O QUE SE DIZ

"Como thriller, Munich é um filme eficiente, captivante e bem conseguido. Como uma posição étnica, é perseguidor. E as questões que levanta não são apenas para Israel, mas para qualquer nação que acredite que tem de comprometer os seus valores para os defender."

Roger Ebert, Chicago Sun-Times

"É raro para um "enterteiner" como Spielberg, galhar em criar um interesse na sua história, ou, na sua falta, um ponto de ligação a outros dos seus filmes."

Todd McCarthy, Variety

"Este território é novo para Spielberg, e ele completa a sua jornada com distinção."

Peter Travers, Rolling Stone

"Sem alma, ideologia e um estimulante debate intelectual, Munich é uma grande desilusão, chegando mesmo a ser aborrecido."

Rex Reed, New York Observer

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:12 AM | Comentários (0)

dezembro 19, 2005

Antevisão - Syriana

Da máquina de escrever que lhe possibilitou argumentos poderosissimos como foi o caso de Traffic até saltar para trás da camara, passaram alguns anos. Mas parece ter valido a pena. Stephen Gagan estreia-se com uma obra pertinente no contexto politico-economico actual e faz de Syriana um dos filmes mais interessantes do ano.
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O Médio Oriente é o pano de fundo. As relações comerciais entre os magnatas do petroleo e as grandes potências ocidentais, quer pela mão de firmas, quer pelo contacto directo com a administração, transformaram o Médio Oriente num local para onde todas as sanguessugas do petróleo se dirigem. No meio do frenesim, um agente da CIA destacado para acompanhar um sheik local descobre uma gigantesca conspiração na terra do ouro negro. E apesar de já estar ás portas da reforma, vai fazer tudo para descobrir a verdade. O que ele não imaginava era o que iria descobrir.
Gaghan escreve e dirige o filme que conta com um elenco de luxo. Para além de George Clooney, que dá a cara ao poster mas que preferiu passar como secundário, há ainda Matt Damon, Amanda Peet, Jeffrey Wright, Christopher Plummer ou William Hurt. Um elenco estrelado, é certo, mas que se vai apagando ao longo do filme, para deixar todo o destaque ao que parece realmente importar para o cineasta: a critica dura à forma como os norte-americanos estão a transformar o Médio Oriente. Uma critica bem vincada nas posições defendidas por alguns dos personagens-chave, mas também pelo próprio realizador e elenco. Um filme critico de uma realidade a que não se pode fugir.
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Com uma montagem vertiginosa, um argumento sólido e um trabalho fotográfico de exclência, Syriana seduz nos mais variadissimos niveis. Pela sua espontaneidade, pela forma natural como conta uma história. Pelo virtuosismo de Gaghan, numa promissora estreia por detrás da camara, ele que mostra ter aprendido bem com Soderbergh, o cineasta com quem trabalhou em Traffic.
Um filme em desafio para o próprio público com um notável leque de desempenhos, onde se destaca claramente a figura de George Clooney que passou, inclusive, por um processo fisicio extremamente doloroso, tendo ganho mais de 20 quilos para se tornar no agente secreto da CIA, Bob Barnes. Um filme inspirado numa história real, o que se percebe bem ao longo da sua duração pela facilidade com que as peças se encaixam umas nas outras de forma aterradora. Um filme que arriscou filmar no próprio Médio Oriente, e colocar-se de um lado da barricada que habitualmente é deixado de lado quando se fala de petroleo. Um filme onde os escrupulos e o orgulho são substituidos pelos cifrões. Um filme critico de uma realidade a que não se pode fugir.
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Stephen Gaghan já foi por diversas vezes elogiado por esta sua estreia. Syriana está nos tops do que melhor se fez em 2005 e já arrecadou mesmo alguns prémios. Indicadores que este passo arriscado teve compensação. O meditismo de Clooney não ofusca uma história que é, acima de tudo, importante que se conheça. Para que os telejornais signifiquem algo mais quando se vêm noticias sobre o Médio Oriente. Porque Syriana é um filme critico. E esta realidade é a nossa. Não poderemos fugir. Por isso, mais vale tentar compreende-la.

O QUE SE DIZ

"Uma história complexa e intrigante sobre petróleo, terrorismo, dinheiro e poder."
A.O. Scott, New York Times
"Syriana é daqueles filmes que tem muitas coisas importantes para dizer sobre muitas coisasi mportantes, e fá-lo com um sentimento de urgência."
Lisa Schwarzbaum, Entertainment Weekly
"Este é um retrato cinico mas certeiro de jogadas de bastidores da politica internacional, onde advogados de alto nivel e executivos da indústria do petroleo são tão impiedosos como os rebeldes e os agentes da CIA."
Richard Roeper, Ebert and Roper

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:56 PM | Comentários (0)

dezembro 12, 2005

ANTEVISÃO - King Kong

Depois de ter transportado para a tela de forma inesquecivel o imaginário mundo da Terra Média que J.R.R. Tolkien criou com notável imaginação, Peter Jackson está de regresso. Os dias do gore já lá vão e agora o cinema fantástico, altamente dependente das animações CGI, é a sua especialidade. King Kong prova-o acima de tudo. Jackson está em alta. Quem é capaz de parar o gorila gigante?
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A critica norte-americana enlouqueceu ao ver King Kong. O filme do australiano Peter Jackson, é uma arrebatadora mistura do universo fantástico de um Lord of the Rings - salvo as devidas comparações - com o dramatismo romântico de um Titanic, feito na mesma escala. A ilha Skull, o combate entre o T-Rex e King Kong, a sua chegada a Nova Iorque, o mitico final, a troca de olhares com Naomi Watts, esse A Bela e o Monstro segundo Jackson, transformam o que poderia ser apenas mais um blockbuster, num filme poderosissimo em termos dramáticos e emocionais. E com a ajuda das imagens geradas por computador, Peter Jackson consegue tudo, e essa capacidade da-lhe redea solta para fazer o remake de um dos clássicos do cinema da forma como sempre quis: um verdadeiro épico de aventura, uma inesquecivel história de amor.
King Kong é um dos filmes do ano, a todoso os niveis. Aclamado pela critica, sempre suspeita quando se trata deste tipo de filmes, é já um dos favoritos para os óscares do próximo ano, confirmando a popularidade actual de Peter Jackson. Um titulo capaz de assombrar o mais destemido dos rivais.
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A história de King Kong é bem conhecida de todos, graças aos dois filmes que já se fizeram sobre o gigantesco gorila. Um realizador aventureiro decide filmar o filme da sua vida numa ilha que ninguém conhece em pleno Pacifico. Acompanhado da sua equipa de produção e do argumentista, está pronto para partir. Só falta uma actriz. É então que encontra, nas ruas de Nova Iorque, Anne Darrow, uma actriz de vaudeville que por causa da Grande Depressão se viu confinada ao desemprego. Convence-a a embarcar na viagem, mas quando chegam à ilha Skull descobrem que não estão sós. Anne é raptada e entregue de forma sacrificial ao gigante King Kong, um gorila de proporções épicas. A equipa decide resgatá-la, liderada pelo realizador e pelo argumentista, apaixonado já por Anne. Pelo meio vão-se deparar com um mundo pré-histórico, enquanto que Kong e Anne se vão apaixonando de uma forma bizarra mas irresistivel. Kong acaba capturado e é exibido em Nova Iorque como a 8º maravilha do mundo, até ao momento em que se liberta e decide fugir, contra tudo e contra todos.
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Para o filme, Peter Jackson escolheu a dedo o seu elenco. Naomi Watts é espantosa no papel de Anne Darrow que mitificou Fay Wray, recentemente falecida, e que também já foi vivido por Jessica Lange. Um desempenho cheio de emoção e dramatismo que lhe pode valer a sua segunda nomeação ao óscar. Jack Black e Adrien Brody completam o trio principal do filme, com performances menos intensas mas igualmente importantes. No entanto Peter Jackson deixou bem claro que a personagem central do filme não é feita de carne e osso, mas sim de uma notável animação computorizada. King Kong é sem dúvida uma das personagens do ano, já que toda a sua complexidade foi, pela primeira vez, explorada ao máximo. E essa acaba por ser uma das mais valias do filme.
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Conquistou a critica e prepara-se para se tornar num gigantesco sucesso de bilheteira. Peter Jackson, que começou a dar nas vistas no cinema gore e se afirmou como um nome de culto com a trilogia Lord of the Rings, prova mais uma vez o seu valor, assinando uma obra para toda a familia, inesquecivel e profundamente emocionante. Um verdadeiro marco da 7º arte.

O QUE SE DIZ

"Isto é o espectaculo de realização no seu melhor, quando um realizador está em sintonia com as emoções transmitidas nas entrelinhas pela história e pela sua imensa paixão, desde pequeno, pelo o universo das aventuras fantásticas."
Kirk Honeycutt, Hollywood Reporter
"Aqui está um filme de nos deixar de queixo caido, com os olhos a saltar e o coração a parar, o épico porque esperamos durante todo o ano!"
Peter Travers, Rolling Stone
"O King Kong de Peter Jackson é a mais excitante história de um monstro alguma vez feita. Pelo menos, posso dize-lo sem ironia - ri e chorei!"
Jami Bernard, New York Daily News

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:55 PM | Comentários (0)

dezembro 05, 2005

Antevisão - Mrs Henderson Presents

Os irmãos Weinsten sairam da Miramax e no seu primeiro já preparam o ataque aos prémios de fim de ano. Uma das suas principais armas é Mrs Henderson Presents. Uma comédia dramática que se desenrola em plena 2º Guerra Mundial, num teatro muito especial, onde uma mulher determinada está pronta a quebrar todos os tabus numa Londres constantemente bombardeada pelos alemães.
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Um filme de um veterano realizador - Stephen Frears - com um dueto espantoso de Judi Dench e Bob Hoskins, nudez e bastantes gargalhadas, é a proposta deste Mrs Hendersn Presents.
O filme é visto por muitos como apenas um "oscar-bait" dos Weinsten - celebres pela forma como jogam com esta coisa que é os óscares (basta ver Finding Neverland em 2004) - mas as criticas não saiem de forma alguma prejudicadas. Há um forte grupo de apoio a esta comédia ligeira mas cheia de subtilezas interessantes. Enquanto uma cidade é constantemente bombardeada, uma viuva herda um teatro e decide fazer o que ninguém ousaria: voltar a dar vida nocturna a uma cidade em estado de sitio. Juntando-se ao infame director teatral, Laura Henderson vai convencer a elite londrina a permitir um espectáculo que prima acima de tudo pelo divertimento...e pela nudez. Em tempos de guerra a moral é questionada de forma pertinente, bem ao estilo de Frears, sem nunca perder um tom cómico que acaba por se mexer com os sentimentos de uma cidade em desgraça. Longe do dramatismo de outros filmes de guerra, este Mrs Henderson Presents, utiliza o humor, o sarcasmo, a ironia, para mostrar uma realidade que não estamos habituados a conhecer quando se fala da Londres do inicio da década de 40.
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Escrito por Martin Sherman, o filme conta com um elenco onde pontifica Judi Dench, talvez dando aqui o grande papel da sua carreira. Um desempenho que transporta o filme ás suas costas sem grande dificuldade e que consegue igualmente criar uma grande empatia com o restante elenco. E aí destaca-se Bob Hoskins, em mais um notável desempenho, ele que está em grande forma.
A estes nomes de luxo juntam-se Kelly Reilly, Will Young - vindo directamente do programa televisivo Pop Star - Thelma Barrow e Christopher Guest, estes últimos a encarnarem na perfeição a alta sociedade londrina da época, um pouco no seguimento do notável Gosford Park de Robert Altman.
Um elenco de beldades femininas completa a equipa do filme, até porque umas das cenas mais ousadas do ano ocorrerão nos palcos do velho teatro de Laura Henderson.
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Entre as grandes criticas ao filme - que teve uma má estreia na temporada de prémios, ao ser humilhado por The Constant Gardener nos BIFA´s - está o facto de ser muito leve e esteriotipado, ou seja, para além de Judi Dench, que deve conquistar a sua segunda nomeação aos óscares (venceu a primeira em 1998 por Shakespeare in Love, como secundária), pouco mais sobra.
No entanto a verdade é que Stephen Frears é um veterano que sabe bem o que faz. Longe dos grandes sucessos há algum tempo, o cineasta está preparado para voltar aos seus melhores momentos. Com a ajuda de um grande elenco e da habilidade dos irmãos Weinstein, tudo é possivel. Baixem as cortinas porque o espectáculo está prestes a começar.


O QUE SE DIZ

"Delicioso do principio ao fim!"

Michael Rechtshaffen, Hollywood Reporter

"O sempre confiável Stephen Frear, um mestre na simetria e coerência narrativa, surge com mais uma pequena pérola!"

Rex Reed, New York Observer

"Apesar de mais pesado, o filme de época deste ano de Frears, acaba por ser Being Julia, que apesar de inocuo, consegue prestar melhor tributo ao teatro britânico do que este Mrs Henderson Presents."

Emanuel Levy, Emanuellevy.com

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:05 PM | Comentários (1)

novembro 28, 2005

Antevisão - The Libertine

É o regresso de Johhny Depp ás suas mais excêntricas personagens. Um Casanova com uma ponta de cinismo e ironia "deppiano", um heroi em dias de moralidade, um pervertido numa era onde o prazer era pecado. E mais um papelão de Depp, capaz sozinho de arrastar nas costas este aparentemente obscuro The Libertine....
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A critica norte-americana tem-se dividido. Para uns o filme é um imenso vazio, uma experiência falhada de uma adaptação que provavelmente nunca teria existido. Para outros há ali algo que merece ser visto com atenção. E um filme destes dificilmente será consensual, havendo acérrimos defensores de ambos os lados.
Mas quer os apologistas, quer os detractores de The Libertine concordam numa coisa: o filme é Johnny Depp.
Nada de novo, note-se. Estamos mais do que habituados a ver o actor norte-americano a carregar filmes ás costas. Mas este caso é especial. Depois da contenção de Finding Neverland e da loucura de Charlie and the Chocolate Factory, este papel volta a mostrar Depp nos terrenos onde se sente mais á vontade. Onde o seu charme, a sua ironia mordaz, a sua capacidade de improvisação, jogam em casa.
O actor está no pico da sua forma, desde há três ou quatro anos para cá, e ano após ano entrega uma das melhores performances do ano. Num ano tão confuso como este, Depp, em The Libertine, pode ser, acima de tudo, refrescante de ver.
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O filme conta a história de John Wilmot, conde de Rohcester e um dos homens mais pervertidos e debochantes da sua era. Conhecido pelas inúmeras amantes, pelos duelos que travava contra qualquer um, pelas cavalgadas nocturnas, a bebida e a sua própria arrogância - que será a sua queda.
Uma história recheada de episódios interessantes, que espelham bem a decadência da nobreza britânica da corte de Carlos II, da qual a vida de Wilmot é o exemplo perfeito. Para mote do filme está o caso tórrido que o conde teve com uma jovem e popular actriz, e a peça que escreveu contra o próprio rei, que faria com que acabasse por ser banido e abandonado por todos. Stephen Jeffreys escreve esta adaptação da sua própria peça sobre Wilmot e dá espaço para o espectador viajar para uma era que para nós é ainda dificil de entender.
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O filme é dirigido por Laurence Dunmore, um estreante, com uma pesada tarefa sob os ombros. Encontrar o registo certo entre o dramatismo da história e os delirios da sua personagem principal. Depp é o motor do filme mas não está só. John Malkovich como Carlos II e as belas Rosamund Pike e Samantha Morton como amantes de John Wilmot dão um tom mais estrelado a um elenco maioritariamente composto por actores britânicos.
Com várias nomeações aos prémios do cinema independente britânico, The Libertine prova que é um dos filmes que mais interesse despertará nos próximos meses. Centrado no trabalho de um actor como há poucos neste momento, com o ambiente histórico que tão bons resultados tem dado, o filme promete algo mais do que uma monótona viagem ao passado!

O QUE SE DIZ

"A beleza e o talento de Johnny Depp salvam este filme maçador sobre a vida e os dias de infamia do segundo conde de Rochester!"

Manohla Dargis, New York Times

"Para os que aguentarem, as recompensas são consideráveis!"

Sheri Linden, Hollywood Reporter

"Apesar do arrjo de Depp como o escandaloso poeta, esta adaptação desilude e tem mais em comum com Quills e Stage Beauty, tudo filmes com falhas sobre artistas "desviantes" que quebraram tabus!"

Emanuel Levy, EmanuelLevy.com

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:00 PM | Comentários (1)

novembro 21, 2005

Antevisão - Walk the Line

Depois de Ray Charles, Johnny Cash. Um amor antigo do realizador James Mangold que agora ganha contornos de fábula americana. O filme tem conquistado tanto a critica como o público, é um dos mais fortes candidatos a filme do ano, e traz Joaquin Phoenix e Reese Witherspoon como nunca os vimos antes...
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O imenso sucesso de Ray no ano passado relançou a ideia dos biopics de grandes nomes da música. Kevin Spacey já se tinha aventurado pelo mesmo caminho, mas o seu Beyond the Sea não conquistou o público, também porque Bobby Darin não tem o mesmo impacto que Ray Charles.
Para 2005 temos mais um capitulo destes biopics-musicais. Walk The Line conta a vida de Johnny Cash, o rei da country music, uma das figuras mais perturbadas e fascinantes da música norte-americana. O homem que vestia sempre de negro, amargurado pelo passado, inquieto em relação ao futuro, é o tema deste regresso ao passado, ao som de músicas vibrantes como Ring of Fire. Um filme que regressa ás origens de Cash, ao papel que teve em definir a música country nos anos 60, e ao seu imenso amor por June Carter, também ela cantora, que acabaria por se tornar numa das mais intensas relações da época.
Dirigido de forma competente por James Mangold, com notáveis desempenhos de Joaquin Phoenix e Reese Whiterspoon - que aproveitam o balanço e para além de representarem, também cantam - Walk the Line é uma das grandes estreias do Outono norte-americano, e um dos mais fortes candidatos a filme do ano. Porquê? Porque transpira a magia de um nome singular na jovem história dos Estados Unidos.
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O filme começa na juventude de Cash. Os pais queriam que fosse padre, mas era demasiado rebelde para seguir o caminhos do Senhor. A visão da morte do jovem irmão perturbou-o imenso e a sua juventude foi passada em pequenos trabalhos que iam dando para viver, mas também, para conhecer melhor a vida. Foi quando pegou numa guitarra e começou a cantar a América, de dentro para fora, que o Mundo parou e escutou, fazendo de Johnny Cash um icone nacional. Pelo meio fica a mente perturbada de Cash e a sua relação amorosa com June Carter, a verdadeira alma do filme. Walk the Line prima pela competência, pela sobriedade e pela magia do universo muito próprio do cantor e do mundo que o rodeava .Um filme que tem conquistado tudo por onde passa.
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E isso acontece também por culpa da dupla de actores que Mangold contratou. Phoenix é Cash, fisicamente quase sem tirar nem por, mas também por dentro. A sua alma doi-lhe com a mesma intensidade - há quem diga que ter visto o seu irmão River Phoenix morrer lhe deu o que precisava para encarnar Cash desta forma - e o seu talento como actor (que já conheciamos de Gladiator ou The Village) vem ao de cimea, criando assim uma composiçõ impar, falando-se já em prémios, entre os quais, o inevitável oscar. Mas para os criticos a alma do filme é Reese Whiterspoon. A sua June Carter Cash é sensual, enérgica e mágica. A sua performance suplanta Phoenix e serve como motor da narrativa, num ritmo cheio de garra e presença, ao contrário do introspectivo Phoenix/Cash. Tal como acontece com Phoenix, há muitos meses que se falam em prémios para a "namoradinha da América".
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Walk the Line é um ambicioso retrato de um cantor dificil de resumir num filme. Mas uma tarefa que Mangold terá conseguido levar a bom porto, a imaginar pelas entusiásticas reações ao filme. Cash era um icone da América, tal como Charles. Após Walk the Line voltará certamente aos ouvidos e corações do mundo. Phoenix e Whiterspoon podem ter finalmente encontrado a chave certa para uma carreira de grande sucesso. E Hollywood parece ter encontrado em mais uma figura norte-americana, matéria prima para elogiar e premiar. Walk the Line estreia em Janeiro em Portugal. Até lá, os mais ansiosos terão de se contenar com os mais vibrantes albuns de um músico que mudou a face da música na América dos anos 60.

O QUE SE DIZ

"Johnny Cash cantava como sentia...Walk the Line, com as suas notáveis performances de Joaquin Phoenix e Reese Witherspoon, ajudarvos-ão a compreender o porquê!"

Roger Ebert, Chicago Sun-Times

"O filme de James Mangold, também, tem as suas recompensas na forma como consegue evitar os perigos mais comuns de retratar uma lenda, especialmente, uma lenda da música."

Kirt Honeycutt, Hollywood Reporter

"Walk the Line é notavelmente representado, musicalmente vibrante e um biopic convencional bastante satisfatório?"

Todd McCarthy, Variety

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:18 PM | Comentários (0)

novembro 14, 2005

Antevisão - Memoirs of a Gueisha

Um drama profundo num país que caminha para o precipicio sem o saber. O Japão do pré-guerra é o cenário para a competição de duas gueishas pelo poder e amor de um homem. Atravessam tempos inesqueciveis mas ainda não o sabem. Quando o perceberem será tarde demais. Memórias de mulheres de outros tempos...
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Dirigido por Rob Marshall, este Memoirs of a Gueisha é a adaptaçõ do romance homónimo de Arthur Golden. O pano de fundo é o Japão da primeira metade do século passado e a acção segue uma jovem que é escolhida para se tornar numa gueisha. Vestigios de uma era que parece já distante, as gueishas eram as mulheres mais belas, cultas e sociáveis do Japão imperial. Acompanhantes, amantes dos grandes homens do reino, conseguiam transformar a sua influência em poder e eram por isso uma verdadeira elite. O processo de como uma dessas jovens se torna na mais requisitada gueisha do reino é o pano de gundo da primeira fase do filme. A segunda fase diz respeito à forma como a jovem se integra numa sociedade que, sem o saber, caminhava a passos largos para o precipicio que se revelou ser a 2º Guerra Mundial.
Dois dramas num só, num espaço criado com o minuciosismo dos japoneses num filme dirigido por um habituado a coreografias perfeitas, e produzido por um dos grandes perfeccionistas de Hollywood, o inevitável Steven Spielberg.
Memoirs of a Gueisha não deixa de ser uma incógnita. Ainda muito pouca gente viu o filme e por isso não há verdadeiramente ecos reais do que está por detrás desta adaptação. Os trailers são convincenes, os test-screenings também o foram, mas a incógnita mantem-se: o que é este Memoirs de facto?
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Uma das particularidades do filme, produzido e realizador por norte-americanos, é o facto do seu elenco ser oriental. Uma história contada à americana - o romance é de um norte-americano - mas que visa retratar na perfeição uma sociedade e uma cultura bem distantes da nossa. E curioso será ver como Hollywood vai receber um filme só com actores estrangeiros. Zhang Zihy, Michelle Yeoh, Gong Li e Ken Watanabe já são conhecidos doutros projectos, mas ainda não deram provas num drama falado em inglês e com um ritmo completamente diferente dos filmes chineses e japoneses. Aliás o facto de serem actrizes chineses a viver as miticas gueishas japonesas - dois mundos completamente diferentes - causou bastante polémica, algo que já parece estar ultrapassado mas que pode ter deixado as suas marcas.
A própria competição interna promete não ser pacifica. Zhang Zyhi é a estrela imergente do cinema asiático mas Michelle Yeoh e Gong Li já levam uns anos disto e vão querer o máximo protagonismo possivel no filme que será a afirmação - ou talvez não - do cinema asiático nos Estados Unidos. E só por isso a sua importância transcende a de um mero drama como poderia ser Memoirs of a Gueisha noutra conjuntura.
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O filme, que estreia a 9 de Dezembro nos Estados Unidos, é a grande aposta da Columbia aos óscares. E percebesse. Tem potencial para conquistar mais nomeações que qualquer outro projecto. É um dos filmes que pode ter melhor resultados no box-office. E pode ajudar a revelar um sem número de actores de uma indústria em expansão e com uma crescente penetração no mercado norte-americano. Mas as incógnitas continuam. O filme decidiu não aparecer em nenhum festival apesar de já estar pronto há algum tempo. Quer aproveitar o último dia de nomeação para os Globos para surpreender. O público norte-americano será o primeiro juiz do filme, mas o papel dos criticos será fundamental. Rob Marshall nunca conquistou a critica com o seu Chicago, apesar dos óscares. Mas com Spielberg ao leme e numa época em que as minorias se começam a impor, Memoirs of a Gueisha tem tudo para ser um dos filmes do ano.

O QUE SE DIZ

"Decidimos contar a história como uma fábula, uma história tão inatingivel como a própria gueisha o era. Espero que tenhamos feito justiça ao livro."

Rob Marshall

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:31 PM | Comentários (1)

novembro 07, 2005

Antevisão - Brokeback Mountain

Western-gay? Nem por sombras. Ang Lee vai muito para além das convenções sociais. Em Brokeback Mountain há amor, dor e uma beleza visual como dificilmente seria de imaginar com um realizador norte-americano. Não há aqui a exaltação da homossexualidade, como se tem querido fazer crer. Há simplesmente uma história de amor que merece ser cantada.
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Diz quem esteve em Toronto que não havia uma cara que não deixasse cair uma lágrima. O mesmo já tinha acontecido na sempre selectiva Veneza. Por onde passa, Brokeback Mountain quebra tabus e barreiras e conquista o seu público da forma mais antiga de sempre: contando uma história de amor.
A diferença - grande, apesar dos dias de estarmos em pleno século XXI - é que não há aqui um principe ou princesa. Quanto muito, haverá dois principes encantados. Mas nem isso. Brokeback Mountain começa por ser um filme sobre dois homens que são obrigados a cruzar o mesmo caminho. Um caminho longo, silencioso e imponente como são as montanhas Brokeback. E é nesse pano de fundo, que já vimos em filmes de Hawks, Ford ou Mann, que se começa a desenvolver uma forte amizade entre dois jovens cowboys. Da amizade ao amor a diferença revela-se pequena. E de repente um fantasma paira sobre as suas cabeças. A dor de saberem não poder ficar juntos leva-os a afastarem-se, acreditando que o tempo e a distância vão amenizar a dor da separação. Mas nem o casamento nem o nascimento de filhos serve para se esquecerem do seu amor mais primitivo. E quando se reencontram decidem enfrentar tudo e todos para voltarem a ser felizes.
Em traços gerais é esta a história de Brokeback Mountain, o filme que Ang Lee filmou com mestria e uma extrema sensibilidade. Utilizando a beleza natural do oeste americano, a rudeza dos homens que por lá vivem, que transformam as palavras vãs em olhares profundos e sentidos, que dão vida a este drama. O realizador asiático continua assim a mostrar ter dedo para adaptar profundas obras literárias, depois do sucesso de Sense and Sensibility.
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Annie Proulx assina um belissimo romance. Lee segue fielmente a história, explorando não só a dimensão de western na primeira fase do filme, com as paisagens, os rituais e comportamentos a que estamos habituados a ver num verdadeiro filme de cowboys na velha acepção da palavra, mas também a profundidade dramática de um amor proibido, no segundo acto do filme. O livro, vencedor de um Pulitzer, quebra tabus e barreiras. O filme faz o mesmo. E os prémios não se fizeram esperar. O Leão de Ouro em Veneza foi o mais significativo de todos eles. Pela primeira vez desde 1981 - ou seja, desde Atlantic City, USA - um filme de produção made in Hollywood vence a prestigiada festividade de Veneza. E muitos começaram já a apostar em Brokeback para conquistar muitos dos prémios da critica no mês de Dezembro. Talvez uma ideia arrojada, dirão outros. Afinal a homossexualidade ainda é um tema tabu para muito boa gente e um filme explicitamente gay terá dificuldade em conquistar o público mais conservador que preenche o grupo de criticos, argumentistas, produtores, actores, realizadores, enfim, os elementos nucleares da indústria. Os produtores esperam que o enfoque dado ao enredo amoroso e ao drama humano ultrapassa a questão gay. E essa será sempre uma das perguntas que ficará sem resposta até Março. Como é que Hollywood olhou para Brokeback Mountain?
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Para além de ser um filme brilhantemente trabalhado por Lee e pela sua equipa técnica - a banda sonora de Gustavo Santaollala e o brilhante trabalho de fotografia de Rodrigo Prieto - o filme fica marcado pelo excelente desempenho do seu elenco.
Jake Gyllenhall e Heath Ledger são autênticos rancheiros, quer na pose quer na forma como desenvolvem as suas personagem. Ledger - que diz quem por lá andou que esteve com a Copa Volpi nas mãos e só por pouco a perdeu para Straiharn - é poderosissimo num exercicio de contenção e de mágoa interior. É ele o elo mais frágil da relação, aquele que mais sofre com a descoberta do amor, mas também depois com a sua partida. É também a sua relação a mais explorada, por ser a mais frágil e "tipica" de acordo com a velha história de um casamento onde o amor corre apenas numa direcção. Já Jake Gyllenhall, num ano espantoso, é mais solto e dinâmico, mas consegue igualmente imprimir grande emotividade ás saus cenas, funcionando perfeitamente como contraponto a Ledger.
E há ainda o elenco feminino do filme. Michelle Williams, que curiosamente acabou de casar com Ledger, é a encanração perfeita da dona de casa sofredora, profundamente apaixonada pelo o único homem que conheceu, e ao mesmo tempo em constante sofrimento por saber que o seu coração não lhe pertence. E mais fica quando começa a perceber a verdade dos factos. Já Anne Hathaway é uma mulher mais moderna, mais dinâmica, emparelhando bem com Gyllenhall, mas é igualmente emotiva quando se depara com a relação tabu do seu marido.
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O que esperar de Brokeback Mountain? Certamente não um grande sucesso de bilheteira ou um filme consensual. O filme tem conquistado corações num circuito selectivo, mas quando chegar ao grande público, ás capas de revista - que vão explorar ao máximo o tema - e tocar na "América profunda", só ai se vão começar a perceber as verdadeiras implicações do filme na sociedade norte-americana. No entanto, em termos cinematográficos, que é o que mais nos interessa, ninguém duvida que aqui esteja um dos mais serios candidatos a filme do ano. Um titulo que poderá não lhe vir a pertencer de facto no final do ano. Mas muitos nunca mais voltarão a julgar sem pensar duas vezes, um amor tabu depois de verem Brokeback Mountain.

O QUE SE DIZ

"Este ostensivo western gay é marcado pelo forte peso de tacto e sensibilidade, bem como uma notável performance de Heath Ledger."

Todd McCarthy - Variety

"Brokeback Mountain vai conquistar aqueles que vão ao cinema e que gostam de grandes filmes e profundas histórias de amor, sejam elas gay, herexo ou qualquer outra coisa."

Ray Bennet - Hollywood Reporter

"O melhor filme de Ang Lee é não só um belissimo e bem conseguido western (no primeiro acto), mas uma intimista épica história de amor no sentida mais clássico da tradição de Hollywood."

Jim Emerson - RogerEbert.com

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:29 PM | Comentários (0)

outubro 31, 2005

Antevisão - Jarhead

Não é um filme de guerra. É um filme sobre a guerra. Sobre o impacto que ela tem num pelotão em plena Guerra do Golfo. Não esperem batalhas, cenas de um heroismo nunca antes visto. Neste pelotão não há herois, só homens vulgares. Para eles, estar ali não significa nada. E este é um filme sobre a monotonia de se ser soldado.
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O novo filme de Sam Mendes estreia na próxima sexta-feira nos Estados Unidos mas muito pouca gente sabe o que esperar. O critico David Poland, um dos mais respeitados criticos de cinema norte-americano, arrasa o filme de alto a baixo. Outro dos grandes nomes da critica americana, Emmanuel Levy, pelo contrário, exalta a coragem de Mendes em fazer um filme de guerra nada convencional. Em que ficamos?
O facto é que desde há muito que uma nuvem de incerteza paira sobre Jarhead. O livro escrito por Anthony "Swoff" Sworfford, marine norte-americano estacionado no Iraque durante a Guerra do Golfo, foi um sucesso de vendas e a história pareceu interessante o suficiente para conseguir convencer Mendes a voltar á realização, depois do fracasso que foi Road to Perdition. A verdade é que o jovem realizador inglês, depois do sucesso de American Beauty, não esperava uma reacção tão negativa ao seu trabalho seguinte, e desde então tem-se mantido afastado de Hollywood. Será que este seu regresso segue as linhas do seu primeiro filme, um trabalho de grande imaginação e irreverência, ou terão ficado sequelas da eperiência falhada que foi o filme de gangster com Tom Hanks, o mais improvável dos assassinos a sangue frio, a liderar o elenco?
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A história de Jarhead é bem diferente da que encontramos nos outros filmes de guerra que têm feito o mosaico da sociedade norte-americana dos últimos trinta anos. Semelhanças com Deer Hunter, Apocalipse Now, Platoon ou The Thin Red Line não devem surgir ao longo do filme. Aqui há mais um sentimento herdado directamente de Full Metal Jacket, mas com uma visão menos negra e mais divertida do que é ser um marine. O próprio titulo - alusivo ao corte raso dos soldados norte-americanos - indica que não estamos diante de uma história convencional. Seguimos o soldado Swoof, um jovem acabdo de chegar ao Iraque. Não interessa aqui a sua posição sobre legitimidade da guerra, dos mortos inocentes, das baixas entre os colegas ou nada que se lhe pareça. Em Swoof há uma imensa despreocupação por tudo á sua volta. E é para explorar esse vazio que existe nos soldados durante uma guerra - não as suas preocupações ou sentimentos sobre a guerra - que vive a suprema ironia de Mendes. Entre o dia a dia, a monotonia das mesmas caras e das mesmas paisagens, vão-se criando laços de amizade no pelotão, vivem-se situações embaraçosas, mas nunca se vive como um soldado. Ou, pelo menos, como o soldado que o cinema idealizou e que todos nós nos fartamos de ver, filme atrás de filme, onde só muda o actor. A personagem, essa é sempre a mesma.
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No elenco deste Jarhead destaca-se Jake Gyllenhal. O jovem actor está a ter o ano da sua vida. Para além de viver o protagonista do filme é ainda parte do elenco de Brokeback Mountain e Proof, dois titulos interessantes e a seguir com atenção. Com o seu ar masculo, o corte de cabelo á tropa, e uma imensa frieza, Gyllenhal consegue viver bem a sua personagem, com um enorme á vontade, e isso é meio caminho andado para seguir o espirito do Swoof original. Já á sua volta vive um imenso pelotão de figuras e figurões onde há o eterno instrutor durão - neste caso vivido com estilo pelo recém-oscarizado Jamie Foxx - o amigo insperável de Swoff - mais um papel inesquecivel de Peter Saasgard ao que se pensa - e um grupo de competentes actores, prontos a viver estes quase "não-soldados".
E a comandá-los está o talentoso Mendes, que continua a ser demasiado irreverente para muitos. Dono de uma ironia mordaz, o britânico encontra neste palco de guerra bem actual, a base perfeita para desenvolver uma teoria sobre o nada, com todo o peso simbólico que isso acarreta.
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Uma das cenas mais faladas do filme centra-se á volta de um grupo de soldados que decide ir ver um filme pornográfico. O entretenimento está garantido, mas, a meio da projecção, um dos recrutas descobre na actriz, a sua mulher. Poland critica a falta de emotividade da cena. Talvez a essência de Jarhead esteja nisso mesmo. Nem tudo tem de ser emotivo apenas porque o cinema assim o tem feito nos últimos 100 anos. Há momentos em que os sentimentos, sejam eles de compaixão, amizade, diversão, desaparecem num burraco. Fica um vazio. O vazio que uma bala deixa no corpo de um soldado. O vazio que uma retirada em pleno campo de batalha deixa na alma de um homem. O vazio que Sam Mendes nos quer mostrar em Jarhead.

O QUE SE DIZ

"Jarhead presta tributo a uma unidade militares, neste caso os snippers dos Marines, ao mostrar que o espirito de equipa e a natureza do grupo, ao mesmo tempo que nunca neglegencia as especificidades de cada um dos soldados."
Emmanuel Levy.com
"Jarhead é o Seinfeld da temporada...um filme sobre nada!"
David Poland - The Hot Button

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:25 PM | Comentários (0)

outubro 24, 2005

Antevisão - The Constant Gardener

John Le Carré escreveu sobre a presença inglesa em África. Fernando Meirelles decidiu filmar o continente negro na sua essência, deixando do lado os ideiais colonizadores europeus. A junção de ambos os planos é um magnifico tratado de amor. Por uma mulher, por uma causa, por um continente...
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Um dos mais brilhantes escritores da actualidade, John Le Carré fez questão de acomapanhar de perto a rodagem da adaptação de um dos seus maiores romances ao cinema. No final insistiu que esta adaptação está perto da perfeição e que o trabalho de realização e do elenco superou todas as suas expectativas. E aparantemente não foi só o escritor que ficou maravilhado. A critica apaixonou-se por The Constant Gardener em toda a sua essência. Pelo argumento fielmente adaptado do livro para o cinema, pelo trabalho de realização de Meirelles - com a ajuda de uma notável equipa técnica que soube captar a verdadeira essência do continente negro - mas em especial pelo desempenho da sua dupla de actores principais, Ralph Fiennes e Rachel Weisz.
The Constant Gardener conseguiu ainda passar o teste do público, aguentando-se bem no Box Office nas primeiras semanas de exibição, apesar da estreia inicial ter estado reduzida a poucas salas. E a critica não poupou elogios a este thriller politico que também é uma história de amor e devoção. A classificação de 81% no site Rotten Tomatoes indica isso mesmo, uma opinião praticamente generalizada que estamos diante de um dos filmes do ano. E temos todas as razões para acreditar.
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Em The Constant Gardener encontramos um casal britânico a viver no Quénia. Ele é diplomata, um ser passivo que tem uma imensa paixão por jardinagem e pouqissima preocupação com o que se passa á sua volta. Já a sua mulher - com quem ele casou antes de partir e de quem sabe muito pouco - é uma activista apaixonada que descobre nesta sua nova casa uma causa pela qual acredita que deve lutar. Á medida que a sua contestação aumenta, e a sua relação com um médico local se torna mais próxima, todos acreditam que Justin Quayle, o jovem diplomata, vai intervir. Mas ele deixa-se ficar, passivamente a cuidar do seu jardim. Até ao dia em que alguém assassina misteriosamente a sua mulher. A partir daí assistimos a uma espantosa transformação do pacifico jardineiro numa verdadeira máquina de fazer justiça, pronto a vingar o destino da mulher, apesar de desconhecer por completo o mundo em que ela tinha entrado e aqueles que atentaram contra a sua vida.
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O filme resulta num contraste imenso entre o corpo diplomático britânico, com todos os seus maneirismos, e a vida cruel de um país que teima em se libertar do espartilho que parece ter agrilhoado um continente inteiro. E onde um realizador europeu teria focado o primeiro aspecto, o brasileiro Meirelles aposta forte no segundo. E ganha essa aposta. Como se previa pela sua experiência em Cidade de Deus, o cineasta brasileiro não tem medo de filmar a realidade mais cruel, desde que o faça com um profundo sentido estético. Era isso que encontravamos no grande sucesso recente do cinema brasileiro, e é isso que podemos ver neste The Constant Gardener. Mas se o seu trabalho é elogiado por tudo e por todos, que dizer do seu leque de actores.
Do fabuloso Ralph Fiennes - indiscutivelmente o melhor actor britânico da sua geração - já se disse de tudo. Que este é o seu maior papel (ele que tem tantos bons papeis que é dificil escolher), que é uma transformação espantosa de um under-acting tão habitual nele para uma personagem completamente oposta á do inicio do filme. Um desempenho cativante, brilhantemente conseguido, e que pode mesmo vir a valer a Fiennes a nomeação ao óscar, uma nomeação que cada vez peca por tardia, tal como a pequena estatueta dourada.
Também Rachel Weisz não escapou aos muitos elogios da imprensa internacional. A jovem actriz britânica, até aqui dividida entre comédias e filmes de cariz imintentemente comercial, sabe explorar na savana africana toda a sua profundidade como actriz dramática, dando um tom mais sensual e mais feminino a uma história de vingança extremamente masculinizada. Weisz é uma das surpresas do ano e confirma aqui as boas indicações que vinha deixando nos últimos anos.
Também Bill Nighty e Danny Houston oferecem sólidos e interessantes desempenhos secundários no filme, ajudando a fortalecer a base da narrativa que é sem dúvida alguma a transformação da personagem interpretada por Fiennes, num autêntico tour de force.
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Mais do que um mero trilher politico - como foi por exemplo The Tailor of Panama, outro romance de Le Carré recentemente adaptado ao cinema - este The Constant Gardener sabe enquadrar a história no espaço. Não há aqui nada enfiado a murro e pontapé. Há uma sólida preparação de toda a equipa na realidade que se vive no Quénia e em muitos dos paises do Terceiro Mundo, que torna o retrato do filme extremamente realista e credivel. Não estamos aqui apenas a ver também uma história de amor post-mortem. Estamos a seguir uma personagem - a de Fiennes - que, enquanto procura vingar a morte da mulher, descobre um Continente que desconhecia por completo. E essa descoberta é também feita pelo espectador, lado a lado com a personagem. E se o fascinio de África não tem fim, então esse é sem dúvida um gigantesco trunfo deste The Constant Gardener. Um trunfo aliado a muitos outros ases que o filme guarda no bolso, e que fazem dele certamente, um dos filmes obrigatórios de 2005.

O QUE SE DIZ

"Este é sem dúvida um dos filmes do ano!"
Roger Ebert - Chigado Tribune

"The Constant Gardener é uma genial mistura de suspense, com perfume do Terceiro Mundo, e uma história de partir o coração, para todas as idades."

Kitt Bowen - Hollywood.com

"Este não é o filme que o vai chocar, entusiasma-lo ou abanar o seu mundo. Em vez disso vai mexer consigo, colar-se a si, vai faze-lo parar para pensar e deixar efeitos dificeis de descrever - o que é algo que os grandes filmes fazem sempre."

Tom Long - Detroit News

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:55 PM | Comentários (1)

outubro 17, 2005

Antevisão - Good Night and Good Luck.

É o segundo filme do galã convertido em realizador, George Clooney. E que filme! Os criticos elogiam a coragem com que Clooney descorre na sua defesa ao mundo do jornalismo durante o complexo periodo da "Caça ás Bruxas". Good Night and Good Luck. , filmado em tom de documentário, é mais do que um filme. É uma carta de amor de Clooney. Ao jornalismo. Ao cinema. Ao seu pai!
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E o filme mais amado pela critica neste final de ano. Um amor que está para lá das fronteiras norte-americanas, como ficou bem provada a dupla vitória no Festival de Veneza, onde só faltou o Leão de Ouro para juntar aos prémios ganhos pela dupla de argumentistas, composta pelo próprio Clooney e Grant Heslov, e para o actor David Straiharn.
Filmado a preto e branco, em registo praticamente documental, o filme segue a equipa de produção See It Now, na sua demanda por expor a campanha denunciadora que o senador Joseph McCarthy vinha a comandar contra os nucleos comunistas nos Estados Unidos. Foi o periodo conhecido como Caça ás Bruxas, onde muitos comunistas, mas mais do que isso, muitos não-comunistas, foram denunciados pelo comité do senador, impedidos de trabalhar, presos e totalmente colocados de lado pela sociedade norte-americana. É nessa altura que esta equipa de produção, fiel ao ideal jornalistico, decide expor a campanha de McCarthy em directo, num programa que ficaria para a história. Não só representaria o principio do fim do senador, mas acabaria por ser o golpe fatal para o próprio programa, entretanto completamente marcado junto do "establishement" norte-americano. Criando um claro paralelismo com o que se passa nos dias de hoje, George Clooney faz aqui uma verdadeira evocação do que deve ser o jornalismo, e como este deve funcionar em dias onde a verdade deixa de ser algo garantido a priori. O filme segue a equipa de produção, desde o pivot e figura central da narrativa, o jornalista - que se tornaria um icone - Edward Murrow, mas também toda a equipa de produção, incluindo o produtor Fred Friendly, que Clooney fez questão de interpretar.
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Apesar de ser um filme com um pequeno orçamento, a Warner Indepedent - uma subsidiária da Warner Bros - aposta forte em Good Night and Good Luck. (o titulo está ligado á frase de despedida de Murrow no final de cada programa), para este ano. E com razão.
O filme ainda não estreou nas salas de cinema, e por isso é dificil antever a reacção que o público poderá ter de um filme já classificado por alguns como demasiado "Intimista" ou "elitista" para o povo norte-americano. Mas ter 97% de criticas positivas no site Rotten Tomatoes é algo a que muitos poucos filmes, em toda a história do cinema, podem clamar ter conseguido. E se um filme conseguiu impressionar criticos tão heterogéneos da mesma forma (até agora só existem 3 criticas negativas ao filme), então a pespectiva para já é que o sucesso de bilheteira se venha a tornar uma realidade.
Um feito para um filme que é uma aposta pessoal de risco por parte de Clooney. Depois da sua excelente estreia como realizador em Confessions of a Dangerous Mind (outra aventura no universo do entertenimento), apostar em algo como Good Night and Good Luck. teria os seus riscos. Mais, Clooney não quis que mais ninguém, a não ser o próprio Joseph McCarthy, surgissem no grande ecrãn. Por isso as imagens de arquivo da mitica edição do See It Now completam o filme. Realidade e ficção juntas numa aventura que ainda tem tempo para criticar a politica das empresas jornalisticas da época em proibirem o casamento entre membros da mesma equipa, e que surge como um retrato mais duro e realista do universo jornalistico do que filmes como All the President´s Men, Network ou The Insider. Há aqui um sentido de realismo, mas pintado em tons românticos. Murrow era o idolo do pai de George Clooney, também ele um jornalista e pivot, que desde sempre ensinou ao filho os principios básicos do jornalismo. Talvez por isso o argumento alterne entre o facto, que foi a edição do See it Now com o senado McCarthy, com o romantismo da figura de Murrow, retratada aqui como o pioneiro do jornalismo televisivo nos Estados Unidos.
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E para dar vida a Murrow, a opinião é unânime. Clooney não poderia ter feito uma escolha melhor. Vindo do universo da Broadway e sem grande história em Hollywood, David Straiharn encarna com uma frieza e uma simplicidade avassaladoras a sua personagem, e funciona claramente como motor do filme. A critica já falou em prémios, em nomeação aos Globos e aos óscares, e a verdade é que a Copa Volpi em Veneza foi um bom sinal. Mas Straiharn tem aqui, acima de tudo, a possibilidade de mostrar todo o seu valor num projecto credivel em cinema, algo que nunca conseguiu em quase vinte anos de carreira.
Aliás, outro dos grandes trunfos deste Good Night and Good Luck. acaba por ser o seu elenco. O leque é imenso e as escolhas parecem todas perfeitas. Como produtor do programa, e paladino da verdade, está George Clooney, num despojamento das suas habituais personagens como galã (mas isso, Clooney faz ainda melhor em Syriana). Sóbrio, imerso na sua personagem, Clooney apaga-se para deixar brilhar tudo á sua volta, numa clara demonstração de amor pela sua obra.
Como "casal-segredo" da equipa de produção encontramos Patricia Clarkson e Robert Downey Jnr, dois actores altamente subavaliados que aqui provam ter uma quimica que, apesar de secundária, traz profundidade dramática á narrativa. E claro, por lá também passeiam Jeff Daniels e Frank Langella, para não falar de Joseph McCarthy, em versão de arquivo.
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Good Night and Good Luck. pode ser mais do que simplesmente o "queridinho da critica" de 2005, como Sideways foi no ano passado. Pode ajudar a passar uma imagem mais séria do mundo do jornalismo, e criar um importante paralelismo com o que se passa hoje nos Estados Unidos. Apesar de ser um filme para mexer com a consciência interna, quem conhece essa página negra da história norte-americana percebe a importância deste filme. Não só a sua importância como cinema, mas também como um falso-documentário sobre o papel da imprensa e a sua relação com o poder. E para aqueles que olham para o cinema apenas na sua vertente de entertenimento, Good Night and Good Luck. também pode ter algumas surpresas na manga. O tom sóbrio e imaginativo são captivantes, e não há grandes dúvidas de que aqui está um dos mais sérios candidatos a filme do ano, quando as contas se fizerem, lá para Janeiro. E nós por cá, continuamos á espera da definição de uma data de estreia, algo que pode esta para breve.

O QUE SE DIZ

"Um capitulo vital da história de meados do século, ganha vida de forma conscisa, com intimidade e uma clara marca artistica."
Variety
"O filme de George Clooney sobre o pivto da CBS Edward Murrow não podia ser mais apaixonado, um ensaio sobre o poder, a verdade e a responsabilidade."
New York Times
"Good Night and Good Luck não podia ser menos sui generis, menos out...ou mais captivante."
Los Angeles Times

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:57 PM | Comentários (0)

outubro 10, 2005

Antevisão - A History of Violence

Cronenberg sempre foi um cineasta de culto. As massas torciam o nariz ao ouvir o seu nome, que só por si já se podia estabelecer como elemento de comparação a titulos de obras suas. Mas desta vez o público - e a critica - rendeu-se por completo ao seu novo filme. Chama-se A History of Violence, é um retrato cru sobre um homem que é forçado a expor um passado que pensava bem enterrado e conta com um elenco de luxo!

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O Hollywood abre aqui uma nova rúbrica. O espaço Antevisão passará a funcionar regularmente ás segundas-feiras. Todas as semanas será feita uma antevisão sobre os grandes titulos a estrearem em Portugal nos tempos mais próximos. Numa primeira fase, a Antevisão será composta por uma análise aos 20 titulos mais importantes a estrearem por cá entre Outubro e Fevereiro. O filme de David Cronenberg abre este novo espaço!

O mito David Croneberg começou a desenhar-se nos anos 70 e consolidou-se na década seguinte com três obras fundamentais: DeadZone, The Fly e DeadRingers. A partir daí deixou de existir qualquer dúvida sobre o enorme talento do canadiano em passear por universos alternativos e obscuros, retirando deles a dose certo de magia para criar verdadeiras obras miticas. E se nos anos 90 a carreira do realizador continuou a seguir os mesmos moldes, aventuras mais intimistas como Spider não conseguiram o eco que mereciam e podiam ter tido. Talvez por ser um realizador demasiado conotado com o universo fantástico, foram poucos os que acreditaram que Cronenberg fosse capaz de trasnformar um filme mainstream num verdadeiro sucesso.
Mas foi isso que aconteceu!
Com uns espantosos 87% de reviews positivas no Rotten Tomatoes e com resultados espantosos no box office (o maior sucesso de sempre do realizador), que fazem com que o filme ainda esteja no top10 com um lucro acumulado de mais de 15 milhões de dólares, A History of Violence tornou-se num fenómeno raro. Pela primeira vez Cronenberg é popular. Não só entre os criticos que não poupam elogios ao seu trabalho contido nos efeitos e na camara, mas extremamente intenso na acção e nas personagens que desenvolve, como entre o público que parece ter elegido este como um dos grandes sucessos de Outono deste 2005. Será por isso natural perguntarmo-nos o porquê deste surpreendente sucesso.

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A History of Violence é a adaptação de uma comic book de sucesso de John Wagner e Vince Locke. O filme conta com uma duração de hora e meia - bem ao estilo do realizador - e leva-nos até a uma pequena vila no coração do estado do Indiana. É lá que encontramos Tom Stahl. O homem que parece o marido e o pai perfeitos, dono de um pequeno café local vai ser um dia colocado á prova, quando dois assaltantes decidem entrar no seu café, roubar e matar todas as testemunhas. Stahl vai reagir com uma frieza que ninguém conhecia, e com uma imensa habilidade, e o pacifista acabará por matar os assassinos, tornando-se no heroi da vila, que vê nele o exemplo de coragem e de moral a seguir. Daí até se tornar famo