dezembro 30, 2005
2005 - E para o ano...
2006 será um ano marcante. Regressam nomes sonantes da história do cinema, chegam ás salas sequelas de sucessos recentes, e há ainda os novos e polémicos projectos de fim de ano de realizadores aclamados. Um ano que se prevê animado...
AS ESTREIAS
O ano vai, como é habitual, dividir-se em três estações. Uma primeira, até Abril onde estrerão todos os filmes de 2005 que só então chegarão ás salas nacionais. É o caso de Brokeback Mountain, Munich, Walk the Line, Good Night and Good Luck., Match Point, The New World, Capote, A History of Violence ou Memoirs of a Gueisha. Filmes aclamados que irão certamente marcar a temporada de prémios, que culminará a 5 de Março com a cerimónia dos óscares.
Entre Abril e Setembro teremos a habitual época dos blockbusters. Será a altura de vermos The Da Vinci Code, Superman Returns, X-Men 3, Sin City 2, 300 ou Pirates of the Caribbean : Dead Man´s Chest. Muitos filmes que têm criado expectativas junto do público e iremos seguir com atenção.
Por fim, como é habitual, o periodo Setembro-Dezembro será dividido entre os titulos de fim de ano - há o novo James Bond, mais um Harry Potter, Cars da Pixar - e os primeiros candidatos aos prémios de fim de ano, com destaque confirmado para Lady in the Water, All the King´s Men, The Departed ou Flags of Our Fathers.
OS EVENTOS
A cerimónia dos Globos de Ouro, a 17 de Janeiro, irá consolidar posições na corrida de prémios deste ano. Mas serão os óscares, a 5 de Março, que ditarão qual o filme do ano. Como é habitual, o Hollywood vai cobrir em directo tudo o que se passa nos Estados Unidos, mas também aqui, já que a 28 de Janeiro há a 2º Edição dos Lumiere.
Fevereiro é ainda a época do Fantasporto, tal como em Abril há o IndieLisboa. Maio levamo-nos até à Croisette, para mais um Festival de Cannes onde ainda não há titulos anunciados, mas onde se esperava ver o próximo filme de David Lynch. Por essa altura voltaremos ao CORTA, festival de curtas-metragens do Porto. Ao vazio do Verão sucedem-se os festivais de Veneza e Toronto, importantes para perceber o que o novo ano nos traz, e lá para o final de 2006 há mais prémios da critica americana, mais Felix e claro, os Hollywood Film Awards 2006 e a terceira edição dos Lumiere.
OS ACONTECIMENTOS
O regresso de 007 é um dos grandes destaques do próximo ano. Casino Royale começará a ser rodado em Janeiro em Praga e tem estreia agendada para Novembro. Antes disso teremos mais um filme polémico de Mel Gibson, agora dedicado à cultura maia: Apocalyptico.
Nomes de culto como M. Night Shyamalan, David Lynch, Clint Eastwood ou David Fincher estarão de regresso com novos trabalhos, e há também a seguir os próximos filmes de Sofia Copolla, Martin Scorsese, Spike Lee ou mais duas adaptações de Frank Miller ao cinema: 300 e a sequela de Sin City.
Em alta estará também o cinema de herois de banda desenhada americana com Superman Returns e X Men 3 a estrearem, enquanto que Spiderman3 e Batman Continues estarão em rodagem.
NOMES A SEGUIR
Depois da sua afirmação ou "explosão" nos últimos tempos, há nomes a quem convém estar atento em 2006. Poderão ser eles os cabeça-de-cartaz no final do próximo ano.
Daniel Craig tem o destaque obrigatório por ter nos ombros a responsabilidade de suceder a um dos mais amados 007´s da história, o irlandês Pierce Brosnan. Quem também tem de mostrar todo o seu valor é Brandon Routh, o novo Clark Kent, ou melhor, o novo Superman.
Gerard Butler será a estrela de 300 e de Boewful and Gretel, depois do bom trabalho em Phantom of the Opera, e Kirsten Dunst volta a trabalhar com Sofia Copolla em Marie Antoinette. O actor em destaque de 2005 tem agora em Denzel Washington um rival de peso. Resta saber como será Clive Owen nas mãos, tanto de Spike Lee, em Inside Man, como de Alfonso Cuaron, no filme The Descendent.
Bryce Dallas Howard, aclamada por The Village e Manderlay, volta a trabalhar com M. Night Shyamalan, e tem agora Paul Giamatti a seu lado. Martin Scorsese reuniu a tropa do costume - leia-se, Leonardo diCaprio - para o seu próximo filme, mas Paul Walker e Ryan Philiphe são alguns dos jovens em quem Clint Eastwood aposta para o seu próximo filme.
Entre os mais jovens actores há nomes a seguir com atenção.
Ryan Gosling estará em Che - o filme de Steven Soderbergh com Benicio del Toro e Javier Bardem sobre o mitico guerrilheiro argentino - e Zach Braff protagoniza The Last Kiss, filme com argumento do aclamado Paul Haggis.
Josh Hartnett e Scarlett Johansson são as estrelas de Black Dahlia de Brian de Palma, enquanto que Colin Farrell e Jamie Foxx estarão juntos na adaptação ao cinema do sucesso televisivo Miami Vice.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:46 PM | Comentários (5)
dezembro 29, 2005
2005 - Os acontecimentos do ano
Um ano cinematográfico não é só feito de filmes. É feito de histórias reais, de feitos e factos. Desde o fim do sonho da Dreamworks aos mais polémicos casamentos e noivados, castings e problemas nas filmagens, o ano de 2005 foi rico em acontecimentos.
A Indústria
O sonho de Steven Spielberg chegou ao fim. Os prejuizos financeiros da companhia eram demasiados e o flop de The Island não ajudou. A Dreamworks Animation manteve a sua independência mas a compra da Viacom, que assim liga a Paramount à Dreamworks, termina com o último grande estúdio indie do cinema norte-americano.
Depois de se ter tornado numa das mais poderosas empresas de Hollywood, a Miramax foi adquirada pela Disney, e os seus fundadores, os irmãos Weinstein sairam para fundarem uma nova companhia a Weinstein Co. Uma noticia esperada, face aos problemas que já existiam entre ambas as partes, mas que criaram um vazio de poder num dos estúdios com maior projecção em toda a indústria de Hollywood.
Castings
O mais polémico e noticiado casting do ano coube directamente ao filme The Da Vinci Code. Contra todas as expectativas, Ron Howard apostou em Tom Hanks para viver o criptólogo Robert Langdon. Ao seu lado vai estar Audrey Tatou, e nomes como Jean Reno, Alfred Molina, Paul Bettany e Ian McKellan fazem igualmente parte do elenco que para o ano adaptará o maior best-seller mundial ao cinema.
A escolha de Daniel Craig para suceder a Pierce Brosnan como James Bond foi igualmente polémica. O casting durou um ano, periodo onde se colocou mesmo a hipótese de Brosnan continuar. Face ás recusas de Clive Owen ou Jude Law, a lista final, reduzida a quatro nomes praticamente desconhecidos do grande público, acabou por destacar o nome de Craig, que se torna assim no sexto 007 da história do cinema. Casino Royale será o seu baptismo de fogo.
Amores e Desamores
O casal que andou durante todo o ano nas bocas do mundo foi sem dúvida Brad Pitt e Angelina Jolie. Para além de estrearem Mr and Mrs Smith, os dois actores apaixonaram-se, levando assim a uma histeria quando Pitt anunciou que se iria divorciar da popular Jennifer Anniston. O casal é agora um dos grandes atractivos da vida social de Hollywood.
Quem também passou o ano nas nuvens foi Tom Cruise. O agora polémico cientologista, conheceu, apaixonou-se, engravidou e está prestes a casar com a jovem Katie Holmes. No inicio todos apontavam para uma clara manobra de marketing por parte de Cruise, mas aparentemente o amor estava mesmo no ar, e o casal continua tão unido como antes.
Obituário
Robert Wise : 1914 - 2005
Anne Bancroft : 1932 - 2005
Teresa Wright : 1918 - 2005
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:24 AM | Comentários (1)
dezembro 28, 2005
2005 - O Pior do Ano
É sempre dificil, incómodo até, apontar o pior de um ano, seja ele cinematográfico ou qualquer outra coisa. Porque há muitos "piores". Há aquilo que é mau, mas que foi criado sem ambição de ser bom. Há o que foi criado com essa ambição, mas falhou, e revelou-se algo pior do que deveria ser. E há também aquilo que não é necessariamente mau - até porque tudo é subjectivo no cinema - mas, ao desiludir expectativas, torna-se parte da lista dos piores. A lista que se segue, é pessoal, tem razões de ser, e não deixa de ser polémica. Mas estes foram os piores de 2005...
O Hollywood viu cerca de 150 dos 257 filmes que estrearam em Portugal durante 2005. A esmagadora maiora no cinema, e outros em dvd´s. O ano dividiu-se claramente entre os filmes produzidos em 2004, de grande qualidade, e os filmes feitos e exibidos já neste ano, a um nivel muito superior. Ficando muita coisa má de fora (e talvez algumas boas surpresas), fica aqui o top5 do que pior se viu no ano que agora termina.
PIOR É IMPOSSIVEL
Constantine
Foi uma das primeiras grandes estreias de 2005 nas salas nacionais. Trazia Keanu Reeves como John Constantine, um homem que caminhava entre a terra e os infernos, uma aclamada personagem de banda desenhada, aqui numa versão monolitica. Também tinha Rachel Weisz, no seu primeiro papel do ano, ela que conseguiria no entanto redimir-se lá mais para o fim de 2005. O filme, fraco a todos os niveis possiveis e imaginários, foi criado com alguma ambição, mas sem grande talento. O resultado final nunca seria muito diferente do que acabou por ser, um dos piores do ano.

Bewitched
Nicole Kidman há muito que está fora de forma, e isso também se nota nos filmes em que vai entrando. Nem ao lado do divertido Will Ferrell ela consegue soltar-se, a ponto de viver uma das mais divertidas personagens da tv americana em Bewitched. O filme é uma versão fraquissima da serie televisiva e não há nada durante o seu periodo de exibição que demonstre o contrário. Um claro exemplo da total falta de ideias de Hollywood.

Se esta lista tivesse ordem, que não tem, The Legend of Zorro lutaria pelo primeiro lugar. Algo inimaginável depois do agradável entertenimento do primeiro, com um sóbrio Anthony Hopkins e um hilariante Antonio Banderas em estilo. A sequela, The Legend of Zorro, é provavelmente um dos filmes mais estupidos alguma vez feitos. E se há filmes estupidos com piada, este nem isso consegue. Uma total falta de ideias, de ambição assustadores para uma equipa que tinha, nem mais nem menos que Martin Campbell ao leme e Antonio Banderas e Catherina Zeta-Jones no elenco. Verdadeiramente para esquecer!

Arsene Lupin
Se lista houvesse, este seria o pior dos piores. O filme mais ridiculo, mais sem sentido, mais estupido de 2005. O facto de vir da Europa é uma mera curiosidade, porque por detrás da história de um dos maiores e mais sedutores ladrões da literatura europeia, está um filme tão mal feito, tão mal pensado, tão mal interpretado (exceptuando-se Roman Duris, sempre ele, no seu melhor) que dá vontade de sair da sala ao décimo minuto. Fica-se até ao fim, mas nunca se percebe porquê, já que o final consegue ser sempre, mil vezes pior que o inicio.

O Crime do Padre Amaro
O cinema português esteve em alta em 2005. Mas também esteve muito em baixo. Para isso contribuiu este Crime do Padre Amaro, que com a obra de Eça Queiroz só tem semelhanças no titulo. Uma desculpa para duas horas de sexo, acção, sexo, mais sexo e hip-hop, numa narrativa sem sentido, perdida, recheada de personagens superficialissimas, e onde se nota que a base é, pura e simplesmente, o corpo de Soraia Chaves. Quando se faz um filme, tendo por base o corpo nu de uma mulher, das duas uma: ou é um filme pornográfico, ou é um filme muito mau. O Crime do Padre Amaro, anda lá pelo meio!

MUITA AMBIÇÃO, FRACO RESULTADO
Andrew Nichols é o autor de argumentos espantosos como Truman Show. No entanto a sua passagem para realizador não foi certamente a que desejava. O filme Lord of War ambicionava ser um ataque, não ao negócio do tráfico de armas, mas a toda a sociedade e à forma como ela é conivente com este estado lastimável, principalmente no continente africano. Nicholas Cage até vai bem, mas as personagens secundárias são demasiado fracas, o argumento demasiado rebuscado e pretencioso, e a direcção demasiado arcaica para resultar. Esperava-se bem mais desta primeira obra, um dos filmes menos conseguidos do ano.

Michael Bay assumiu-se nos últimos dez anos como o rei dos blockbusters. Ao lado de Jerry Bruckheimer, esteve por trás de alguns dos maiores sucessos de Verão como Pearl Harbour ou Armageddon. Com The Island, agora sem o seu parceiro de produção, Bay esperava repetir a dose. Mas o fracasso foi gigantesco, contribuindo mesmo para o fim da Dreamworks, meses depois.
A história em si nem era má, mas a realização primitiva, sempre à procura da saida mais fácil, e um elenco cheio de estrelas mas sem qualquer quimica ditaram o futuro negro do filme, um dos maiores fracassos de 2005.

Quando se fala em Steven Spielberg, obviamente as expectativas estão sempre em alta. É dos poucos realizadores que recebe elogios antes mesmo de começar a trabalhar. E isso tem o seu reverso da medalha. A expectativa criada à volta de War of the Worlds era elevadissima. Era a segunda colaboração com Tom Cruise, reunia um elenco interessante, e explorava um dos grandes sucessos literários do século. Apesar da extravaganza visual e da competente banda sonora de John Williams, o filme é um fiasco. Em termos de ideias cinematográficas e em termos de história. Pela primeira vez em muito tempo, Spielberg não conseguiu contar uma história de forma convincente. E apesar das reacções mistas, War of the Worlds foi um fiasco!

Last Days
Gus van Sant é provavelmente um dos realizadores mais sobrevalorizados da história de sempre, desde My Own Private Idaho ao mais recente, e escabroso, Elephant. Exceptuando Good Will Hunting, que provou que em si, como realizador, van Sant não é assim tão rudimentar, a sua filmografia é de uma gigantesca pobreza. E no entanto é amado e adorado. Mesmo assim, o seu último Last Days, a obra post mortem a Kurt Cobain é de uma nulidade gigantesca. Candidato a vencer Cannes, o filme não tem um único plano que se aproveite. A pobreza é tal, que até assusta. À beira deste filme, Elephant é uma obra prima.

Outro "autor" altamente elogiado pela critica, sem filmografia a condizer com os elogios que lhe prestam, é Jim Jarmush. O seu último trabalho, a usar e abusar do sorumbático Bill Murray, é, em alguns momentos, um filme interessante, que dá mesmo a entender que, em outras circunstâncias, seria um filme aprazivel. Mas não é. Há um vazio de ideias, de talento em explorar situações com imensas potencialidades. Um filme em slow-motion como poucos. E isso não é um elogio!

ACIMA DE TUDO, DECEPCIONANTE!
Jonathan Glazer, homem dos videoclips, prova que ainda lhe falta muito para vingar no cinema. Há uma poesia na sua imagem, verdadeiramente deliciosa, uma serenidade imenso. Mas com isso vem um vazio que o realizador não consegue preencher devidamente. A ajudar, um argumento demasiado incongruente, e um leque de desempenhos demasiado fracos para conquistarem a audiência. Não se trata de um mau filme, mas podia ser imensamente melhor.

Uma das maiores obras de William Shakespeare, já várias vezes adaptada ao cinema, não teve feliz adaptação nas mãos de Michael Radford. O filme é pesado, lento e sem chama. As interpretações são excessivamente teatrais, isto apesar de Al Pacino ser porventura o maior de todos os Shylocks. Um filme mediano de qual se esperava muito mais.

Quase todos os desportos tem um filme que os honra. Faltava o desporto-rei. Depois de Goal!, continua a faltar. Com um orçamento gigantesco, o apoio da FIFA e as tecnologias de hoje, o filme falha em toda a linha no aspecto técnico. A história, com as suas falhas, nem está mal arquitectada. Mas as cenas dos desafios, a falta de realismo quase irritante e que não encontramos em filmes sobre outros desportos igualmente rápidos, provam que ainda não é desta que há um filme a sério sobre futebol.

Les Poupees Rousses
Quando estreou, L´Auberge Espagnole foi uma comédia refrescante no panorama europeu. Consagrou Audrey Tatou e Roman Duris, e lançou novas bases para uma forma ligeira de fazer cinema europeu. A sua sequela, é quase a antitese do filme original, muitos furos abaixo do que era esperado. Esperava-se muito mais de um filme que nunca se consegue soltar do passado do seu antecessor.

Oliver Twist
Todos sabem que há um bom Polanski e um mau Polanski. The Pianist foi o melhor de todos eles, mas já vimos muitas provas da intermitência deste cineasta. Oliver Twist junta-se a esse leque. Uma história notável, um Kinglsey a piscar o olho à Academia e pouco mais. Muito academismo e preguiça na camara de um cineasta notável, que há três anos atrás viu finalmente o mundo render-se ao seu talento. Oliver Twist não é um passo atrás. É apenas, um passo em falso.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:26 PM | Comentários (11)
dezembro 27, 2005
2005 - O Ano em Imagens
2005 foi um ano de imagens poderosas. Ao cinema coube uma grande quota parte de responsabilidade dessas imagens tão poderosas. Dentro e fora dos filmes. Aqui fica uma retrospectiva de algumas das grandes imagens cinematográficas do ano que finda...

Quando ninguem esperava, doze anos depois, Clint Eastwood voltou para casa recheado de estatuetas douradas. Foi a sua noite de consagração.

Hilary Swank repetiu a dose numa noite de estreantes. Morgan Freeman e Jamie Foxx repetiram o feito de 2001, com dois actores da comunidade negra a levarem para casa a estatueta dourada, e Blanchett foi a primeira actriz a ganhar um óscar por viver uma actriz que tinha ganho...quatro!

Foi uma noite dos oscares diferente, com novo modelo e apresentador. Chris Rock nem se saiu muito mal mas não deverá repetir a dose tão cedo. Os especatadores torceram o nariz a uma cerimónia olémica, com Beyoncé a cantar diversos temas que não eram dela, e com muitos vencedores que nem subiram ao palco.

Antes dos oscares houve os Globos de Ouro. Era a altura em que The Aviator estava em alta, sendo galardoado com dois prémios que não receberia nos óscares: Melhor Filme e Melhor Actor.

Venceu o Globo mas não o óscar. Mas Clive Owen foi o actor em destaque de 2005.

Quando ninguem imaginava, os irmãos Dardenne voltaram a arrecadar a Palma de Ouro em Cannes. O seu Les Enfants, bateu uma concorrência que se julgava favorita e levou de novo o galardão para a Bélgica.

É o filme que mais amor tem recebido neste final de ano. E o primeiro passo para a glória de Brokeback Mountain começou em Veneza. Onde todos imaginavam que o sucesso seria de outro filme americano, o de Clooney, acabou por ser Ang Lee a repetir o feito de um filme americano vencer em Veneza. Já não acontecia desde Atlantic City USA, em 1981.

O filme da critica de 2004 chegou este ano a Portugal e cumpriu tudo o que se esperava dele. Uma comédia negra deliciosa com um grande elenco e muita imaginação, e acima de tudo, com um Paul Giamatti em grande forma.

A fotografia em tons de negro. A banda sonora carregada de emotividade. Desempenhos do outro mundo. O dedo de um génio consagrado. Million Dollar Baby e 2005 serão sempre sinónimas por cá.

Tornar uma das mais horrendas personagens do Século XX num ser humano, parecia incomcebivel. Thomas Hirschbiegel e Bruno Ganz conseguiram recriar os últimos dias de Hitler de forma arrasadora em Der Untergang.

Por cá, Marco Martins assinou uma das maiores primeiras obras da história do cinema europeu. Alice é uma obra fabulosa a todos os niveis, de uma pureza genial, de um realismo assustador. Um filme de actores, um filme de realizador, um filme de compositor, um filme de editor. Um filme atipico em Portugal.

Foi o final de uma saga que durou quase trinta anos. De 1977 a 2005 foram seis os filmes que Lucas criou num universo distante e há muitos, muitos anos. Tudo para descobrir-mos que Anakin Skywalker é o heroi, não o vilão. Uma dupla trilogia que fica para a história como uma das mais importantes alguma vez criadas.

A inovação do ano. Robert Rodriguez e Frank Miller surpreenderam meio mundo com a adaptação perfeita de Sin City dos quadradinhos ao cinema. Com um elenco espantoso e uma concepção visual do outro mundo, o filme marca definitivamente um ponto de viragem em relação ás habituais adaptações de herois de animação.

Gollum já tinha sido um imenso avanço quando se falava em personagens criadas totalmente em CGI. Mas nada comparável a King Kong. Um gorila gigante que transmite com o olhar milhares de sentimentos. Uma personagem de um humanismo nunca vistos. E um filme inesquecivel.

Depois de um ano onde não faltaram candidatos ao lugar, a escolha sobre quem seria o novo 007 foi finalmente anunciada. Daniel Craig, britânico, ocupará o lugar de Pierce Brosnan no próximo filme, Casino Royale. Uma escolha polémica, é certo, mas que acaba assim com um dos grandes tabus do ano. O filme estreia em finais de 2006.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:27 AM | Comentários (4)
dezembro 26, 2005
2005 - O ano de A a Z
Tal como fizemos o ano passado, nada como começar o anuário de um ano com uma compilação de alguns dos nomes e feitos mais marcantes de 2005 numa pequena enciclopédia de A a Z. Porque vale a pena recordar o ano que fica para trás.
A - Alice
Há muito tempo que o cinema português não tinha um filme assim. Aliás, o cinema nacional nunca teve um filme com o dramatismo e a força de Alice. Para obra de estreia, Marco Martins exibe-se a um nivel espantoso e conta com um elenco muito bem ensaiado onde Nuno Lopes foi figura de proa. Assim vale a pena ver filmes made in Portugal.

B - Biopics
Foram variadissimos os biopics que invadiram as salas nacionais no último ano. Cada vez mais em voga, o filme biográfico é agora usado que de forma discriminada. Mas há casos e casos. Os mais bem conseguidos foram sem dúvida Mar Adentro, a história de Ramon Sampedro (com um fabuloso Bardem), Ray - que deu o óscar a Foxx - Kinsey, Beyond the Sea, Cinderella Man ou Vera Drake. Dois casos especiais: Der Untergang provou que se podem quebrar os maiores tabus com uma abordagem honesta de uma das mais odiadas personagens de sempre da história da Humanidade. The Aviator foi uma das obras mais sobrevalorizadas do ano, e provou que nem todos os biopics resultam quando a abordagem não é a mais apropriada.

C - Clive Owen
É de Clive Owen um dos desempenhos do ano. Em Closer o actor britânico é avassalador de uma forma como poucos suspeitavam ser possivel. Depois de King Arthur, o actor que esteve para ser o próximo Bond, Clive Owen brilhou, fez-se uma estrela e perdeu por pouco um óscar justissimo. Em Sin City confirmou tudo o que se dizia dele, sendo hoje claramente um dos maiores actores em actividade.

D - Dreamworks
O sonho acabou. Já nem Steven Spielberg consegue manter uma produtora independente dos grandes estúdios. Trinta anos depois das produtores indepententes terem desafiado o poder dos grandes estúdios, a Dreamworks é vendida à Paramount. Para trás ficaram obras inesqueciveis e um sonho desfeito.

E - Clint Eastwood
Com dedos de mestre e um olhar profundamente humano, Clint Eastwood mostrou mais uma vez porque é o melhor realizador em actividade. Criou do nada um dos maiores filmes dos últimos anos, surpreendeu tudo e todos, adiou a consagração de Scorsese, e foi o rei e senhor dos óscares, arrecandando mais dois para a sua conta pessoal que já vai em quatro estatuetas douradas. Eastwood é hoje o que muitos realizadores sonham ser e não conseguem: um mito vivo!

F -Jamie Foxx
Tinha uma carreira marcada por alguns trabalhos interessantes, mas pouco mais. E então surgiu Ray, o biopic do inesquecivel Ray Charles, e de repente Jamie Foxx passou a andar nas bocas do mundo. Galardoado com uma dezena de prémios, entre os quais o mais cintilante é o óscar de melhor actor, Jamie Foxx tornou-se no terceiro actor negro a vencer o óscar de melhor actor. Um feito histórico conseguido por um actor em quem poucos apostaram, mas que provou ter o que é preciso para triunfar na cidade dos anjos.

G - Gay Cinema
Ainda não chegou a Portugal, mas o ano de 2005 ficará marcado a nivel mundial como o ano em que o cinema gay finalmente saiu do armário. Brokeback Mountain, Capote ou Transamerica decidiram-se a quebrar tabus. Pela primeira vez em algum tempo filmesque exploram abertamente o amor homossexual ou a condição dos transexuais, é levada a sério em Hollywood. Os prémios demonstram o respeito por estas obras, que são também de afirmação de uma minoria. Resta saber se é apenas uma moda ou se é finalmente um tabu que se quebra.

H - Paul Haggis
Entre o argumento de Million Dollar Bay e Crash, este foi um ano de ouro para Paul Haggis. O argumentista escreveu a aclamada obra de Clint Eastwood mas falhou o óscar. No entanto este ano volta à carga com Crash, filme que marca a sua estreia como realizador. Uma estreia auspiciosa de um nome a reter para os próximos anos. Até porque o próximo 007 tem a sua marca.

I - Internacionalização
O cinema este ano esteve em grande estilo um pouco por todo o lado. Hollywood viveu dias dificeis com os sucessivos falhanços dos blockbusters de Verão e a falta em encontrar filmes de grande nivel capaz de captivar o público. Na América do Sul o ano foi igualmente fraco, mas o mesmo já não se pode dizer do cinema asiático que está bom e recomenda-se. Filmes como OldBoy ou House of the Flying Daggers são a prova viva. Em África o cinema continua a dar passos corajosos mas o impacto ainda é minimo. Na Europa, a Alemanha esteve em grande com três filmes muito bons (Der Untergang, Sophie Scholl e Der Edukators), em França viveu-se o ano Roman Duris, com De Tan Batre Mon Couer S´Arretê, Arsene Lupin e Les Poupees Rousses, e em Itália Roberto Begnini está de volta, agora numa viagem ao Iraque. Amenabar foi o rei da Peninsula Ibérica e o cinema nacional viveu um ao apagado. O sucesso de Alice não teve seguidores e acabou por ser O Crime do Padre Amaro a ser o sucesso comercial do ano nacional.

J - James Dean
Passaram cinquenta anos da morte de um dos maiores icones da história do cinema. Fez apenas três filmes mas mostrou ao mundo que poderia ter feito muitos mais ao nivel dos gigantes da época, Marlon Brando e Montgomery Clift. A verdade é que o mito criado à volta de Jimmy Dean imortalizou-o como nunca o cinema conseguiria faze-lo. Cinquenta anos depois, o mito vive.

K - King Kong
A cena final do filme é um epilogo perfeito para o que se tinha desenrolado nas três horas anteriores. Depois do sucesso da trilogia Lord of the Rings o realizador Peter Jackson voltou a superar-se, conseguindo com King Kong alguns dos momentos mais marcantes do ano. Dos filmes produzidos e estreados em 2005, é claramente o melhor. Simplesmente genial!

L - Lumiere
Foi o mais ambicioso e bem sucedido projecto da Academia de Blogs de Cinema. Coroou Eternal Sunhsine of the Spotless Mind como o grande filme de 2004 e foi a única associação portuguesa a premiar o que de melhor se fez no universo cinematográfico no ano passado. Este ano regresso. Com novas regras, novos juris, mas a ambição de sempre. Começa a tornar-se numa referência dos prémios nacionais de cinema.

M - Million Dollar Baby
Há poucos filmes assim. Murros no estomago dados de uma forma quase imperceptivel, um filme capaz de arrancar lágrimas ao mais carrancudo dos homens. Foi uma obra inesquecivel, a melhor que passou por cá em algum tempo, e que ajudou a confirmar Eastwood como um mito, Hilary Swank como uma actriz feita, e Morgan Freeman como um actor que agora pode finalmente ser anunciado como "Academy Award Winner". Um filme inesquecivel e que marca claramente o ano que fica para trás.

N - Nuno Lopes
Foi a grande figura do ano do cinema português. Um desempenho irrepresenvivel e emocionalmente arrasador levou-o a ser um dos embaixadores do cinema europeu na última cerimónia dos prémios da Academia de Cinema Europeia, os Felix. O seu desempenho em Alice está ao nivel dos melhores, e agora espera-se mais, muito mais deste excelente actor.

O - Original Soundtracks
Estão cada vez melhores as bandas sonoras dos filmes. Quer sejam pautas criada propositadamente para os filmes por génios como John Williams, Danny Elffma, Howard Shore, James Newton Howard entre tantos outros, quer sejam compostas por temas inesqueciveis como foram os casos de Closer, Garden State, Ray, Beyond the Sea ou Elizabethtown, o papel das bandas sonoras nos filmes é cada vez maior. Porque há filmes que quase que podem ser vistos de olhos fechados!

P - Alexander Payne
Finalmente o óscar. Ao lado de Jim Taylor, o jovem cineasta conquistou finalmente o merecido óscar para melhor argumentista. O seu mais recente filme, Sideways, foi o rei do cinema indie em 2004, e apesar de ter saído dos óscares com apenas uma estatueta, serviu para colocar Payne ao lado de Sofia Copolla e Wes Anderson na triade dos mais jovens e talentosos cineastas de Hollywood.

Q - Q´Orianka Kilcher
O filme The New World ainda não estreou mas ela já anda nas bocas do mundo. Cotada como uma das grandes revelações dos últimos anos, esta jovem de apenas quinze anos de idade nascida na Alemanha foi a escolhida por Terrence Malick para encarnar a popular Pocahontas no seu mais recente filme. O realizador teve de ter cuidado nas cenas mais quentes com Colin Farrell, mas o final o que conta é que o seu desempenho está cotado como um dos melhores do ano. Um nome a seguir com atenção.

R - Rachel McAdams & Rachel Weisz
Duas Rachels que deram muito que falar em 2005. A primeira é uma das novas meninas bonitas do cinema norte-americano. Foi a actriz revelação do ano, com três papeis interessantissimos. De Wedding Crashers a Family Stone passando obviamente por Red Eye, provou ser mais uma estrela para a constelação de jovens promessas de Hollywood.
Já Rachel Weisz confirmou em The Constant Gardener tudo o que se esperava dela. Segura, arrasadora, uma especie de Kate Winslet em crescimento, a talentosa Weisz é já um dos nomes seguros do cinema britânico da actualidade.


S - Star Wars
Tornou-se num marco da história do cinema e ao longo dos anos criou uma legião de fãs como quase nenhuma outra obra de ficção. Em 1997 George Lucas decidiu fazer uma nova trilogia, em forma de prequela. Foi criticado, os filmes não estavam ao nivel dos originais, mas mesmo assim venderam muitos bilhetes. Em Maio último a saga terminou de vez. Sob aplausos. The Revenge of the Sith foi o final que todos esperavam, o filme mais negro e mais bem conseguido da nova trilogia e a ponte necessária para perceber o que viria depois, mas que foi feito antes.

T - Tim Burton
O mago está de volta em grande estilo. Depois de Big Fish, uma obra-prima inesquecivel, esperava-se muito de Burton. E ele provou estar em óptima forma com dois filmes inesqueciveis em apenas um ano. Primeiro foi Charlie and the Chocolate Factory, onde recriou o mitico universo de Willy Wonka, vivido por um Johnny Depp inesquecivel. Depois decidiu-se por voltar ao cinema de animação e criou The Corpse Bride. Esqueletos dançantes, amor além tumulo e uma banda sonora portentosa e mais uma obra genial assinada pelo cineasta mágico que é Tim Burton.

U - UMD
É o futuro. Ainda o VHS estava a ser enterrado e o DVD a afirmar-se no mercado, e já uma nova tecnologia traz o cinema mais perto do público. O UMD é mais um avanço tecnologico, com a possibilidade de se verem filmes em pequenos aparelhos portáteis. Uma inovação ainda sem grande aceitação popular mas que a médio prazo promete revelar-se um sucesso.

V - Vince Vaughn
Começa a tornar-se num caso sério de talento mal aproveitado. Já se sabia que Vince Vaughn tinha talentos escondidos, mas tanto em Be Cool, como - e essencialmente - em Wedding Crashers, o actor norte-americano prova que é hoje um dos maiores comediantes do cinema norte-americano. O seu desempenho ao lado de Owen Wilson é dos mais interessantes do ano.

X - Xeque Mate
Considerado de forma unânime como um dos maiores realizadores europeus de sempre, o sueco Ingmar Bergman decidiu por um ponto final a uma carreira com mais de meio século. O seu ultimo filme, Saraband, uma pérola brilhante, ideal para o fim de carreira do autor de obras-primas como Morangos Silvestres, O Silêncio, Sétimo Selo ou Fanny e Alexandre. Um final de carreira anunciado que passou despercebido a muitos, mas que é um dos eventos cinematográficos mais importantes do ano!

Y - "You Shall not win!"
Parece a frase telegráfica que a Academia de Hollywood tem enviado, ano após ano, a Martin Scorsese. O talentoso realizador nova-iorquino tentou, com The Aviator, finalmente arrebatar o óscar de melhor actor, que já lhe é devido desde Raging Bull. E se Eastwood foi melhor - e é preciso ser-se honesto - a verdade é que Scorsese parece cada vez mais destinado a juntar-se a nomes como Hawks, Hitchcock, Lang ou Ray como realizadores miticos que nunca conquistaram uma estatueta dourada.

W - Wes Anderson
Depois de The Royal Teenenbaums esperava-se muito de Wes Anderson. E o cineasta cumpriu. O seu The Life Aquatic of Steve Zissou é um filme originalissimo e cheio de vida, num contraste imenso com a forma como é filmado. Com um grande elenco, capitaneado na perfeição por Bill Murray, e com uma banda sonora de grande nivel, onde Seu Jorge canta Bowie em português, é um dos filmes do ano.

Z - Zach Braff
Foi uma das mais agradáveis estreias de sempre de um jovem cineasta. Conhecido pelo seu papel em Scrubs, o actor agora tornado realizador Zach Braff fez de Garden State um filme belissimo, cheio de imaginação e sentimento. Uma das obras mais interessantes que por cá passou em 2005 e que ajudou a revelar mais um promissor cineasta.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:28 PM | Comentários (0)