novembro 18, 2005
As 50 Estrelas de Hollywood - 10º ao 1º lugar
E cá estão elas, as 10 estrelas mais cintilantes do nosso imaginário. Resistiram aos anos, aos concorrentes, ao mudar das modas. Mas estão cá para toda a eternidade. Não devem nada a ninguém. Aliás, nós é que lhes devemos tudo. Foram eles que criaram a magia daquilo a que conhecemos por Cinema...
10 - DUSTIN HOFFMAN
(1937 - )

É sempre dificil escolher a ordem entre três dos mais proeminenes actores de sempre que são, ao mesmo tempo, da mesma geração. E como quanto mais depressa caminhamos para o fim, menos a ordem faz sentido, calhou a fava a Dustin Hoffman ficar em 10º lugar. Mas para chegar a este lugar fica desde logo a prova de que Hoffman é um actor e pêras.
Nascido em 1937, teve uns pequenos papeis antes de surgir pela primeira vez em estilo no filme The Graduate. Ao lado de Anne Bancroft criou uma quimica intensa e ao terceiro filme era já um dos mais fortes candidatos a vencer o óscar. Assumindo-se como o actor do momento, em 1969 vive um chulo tuberculoso em Midnight Cowboy. O filme é o primeiro a ter classificação restrita a vencer óscares, mas a sua segunda nomeação resultou como a primeira. Hoffman começa então a criticiar a Academia por colocar actor contra actores. Não aparece nas cerimónias seguintes, apesar de continuar em forma em filmes como Little Big Man, Straw Dogs ou Papillon. Em 1974 é de novo nomeado pela sua encarnação fabulosa de Lenny Bruce no biopic Lenny. Estavamos no ano da afirmação da geração dos movie-brats e isso também se via no irromper de grandes actores. Nos nomeados desse ano estavam também Pacino e Nicholson, e de Niro iria vencer o óscar de secundário. Um ano que serviria de base para o que se seguiria.
Em 1976 tem dois brilhantes desempenhos, em The Marathon Man e All the President´s Men, mas é 1979 o ano da sua consagração. No filme Kramer vs Kramer vive um pai angustiado pela possivel perda da custódia do filho. Um papel cheio de energia e sensibilidade que lhe valeram o óscar, doze anos depois da primeira nomeação. Já oficialmente consagrado, Hoffman faz em 1982 um dos mais espantosos papeis de sempre, desdobrando-se entre Dorothy Michael e Michael Dorsey no inesquecivel Tootsie. A derrota na cerimónia soube-lhe mal e durante uns anos afastou-se de Hollywood. Em 1987 está no gigantesco falhanço que foi Ishtar, mas regressa com o seu maior papel de sempre em 1988 no filme Rain Man. É a altura do segundo óscar e da sua confirmação com actor sem igual. Não abrandando o ritmo entra em Family Business, Dick Tracy, Billy Bathgate e Hero. Para trás tinha ficado o flop Hook que o levará a aceitar um papel doze anos depois em Finding Neverland, como maneira de se redimir perante o criador de Peter Pan. Em 1997 consegue mais um papel assombroso em Wag the Dog que lhe vale a sua sétima, e última, nomeação aos óscares, num filme onde partilha o ecrán com De Niro. A partir daí passa a ter pequenos papeis em diversos filmes, de Jean D´Arc a I Heart Huckbees, passando por Finding Neverland e Meet the Fockers. A sua carreira tem abrandado significativamente mas está longe de ter terminado. E Hoffman poderá assim tornar ainda mais dourada a sua brilhante vida como estrela de cinema.
9 - INGRID BERGMAN
(1915 - 1982)

Quando chegou a Hollywood, rotulada de futura estrela, a verdadeira estrela sueca do momento, Greta Garbo, dizia adeus ao cinema. Rainha morta, rainha posta! Na altura era dificil de prever, mas Ingrid Bergman superou a Garbo, e ainda hoje é a maior actriz sueca da história, apesar da "rivalidade" com as mulheres de Bergman e com a diva da década de 30.
Depois de uma passagem pelo teatro sueco e pela ascendente industria erótica daquele país nórdico, Bergman deu nas vistas no filme Intermezzo em 1936. David Selznick comprou os direitos do filme e fez uma versão para Hollywood, insistindo em Bergman para o papel que fizera dela uma estrela na Suécia. Depois do enorme sucesso da versão americana de Intermezzo, Bergman volta a casa para fazer mais três filmes, mas em 1942 está em Hollywood. Acreditava-se que para sempre, mas o destino iria pregar-lhe uma partida.
No ano seguinte protagoniza algumas das mais icónicas cenas da história do cinema com Bogart em Casablanca. O filme torna-se num dos maiores sucessos de sempre, confirmando o estatuto de estrela da bela sueca. No ano seguinte é pela primeira vez nomeada aos óscares, por For Whom the Bell Tolls, onde divide o ecrãn com Gary Cooper. Em 1944 a sua consagração é consumada em Gaslight, filme que lhe vale os prémios da critica e da Academia. No ano seguinte tornava-s numa das "Loiras" de Hitchcock em Spellbound . Volta a trabalhar com o realizador em Notorious e Under Capricorn, mas são os seus papeis em The Bells of St. Mary´s e Joan of Arc que lhe valem mais duas nomeações aos óscares.
Em 1949 viaja até Itália para filmar Stromboli com o realizador Roberto Rossellini. Acabam por se apaixonar, e Bergman, que era casada e tinha uma filha, deixa a familia para ir viver com o realizador italiano, de quem terá duas filhas, a mais conhecida, a também actriz Isabella Rossellini. Banida pelos americanos, que com a sua moral se sentiram de alguma forma traidos, Bergman fica seis anos fora da América. Aproveita para entrar nalguns dos melhores filmes de Rossellini, Europa 51, Viaggio in Italia e La Paura, e trabalha com Renoir em Heléne et les Hommes.
O seu regresso a Hollywood não poderia ser mais triunfal. Em 1956 vence o seu segundo óscar por Anastasia e faz as pazes com o seu país adoptivo. A partir daí a sua carreira abranda claramente, mas há ainda papeis merecedores de atenção. Em 1974 conquista o seu terceiro óscar, como secundária desta feita, por Murder on the Orient Express, tornando-se na segunda actriz com mais triunfos, logo atrás de Hepburn. O cancro acabará por ser a sua perdição. Bergman morre em 1982 deixando o mundo do cinema sem uma das suas maiores estrelas.
8 - AL PACINO
(1940 - )

Consegue explodir de raiva em poucos segundos, de uma forma que nem o "Método" ensinava. Duro entre os duros, nunca perdendo o seu charme muito próprio, Al Pacino é uma referência eterna para quem vive o cinema.
Começou a carreira em 1969, numa serie de pequenos papeis, e é a escolha surpresa para ser Michael Corleone em The Godfather. O seu assombroso desempenho vale uma nomeação e o aplauso generalizado da critica. No ano seguinte está no aclamado Serpico e em 1974 volta ao universo da familia Corleone, superando-se mais uma vez. Segue-se Dog Day Afternoon naquele que é o seu periodo de maior produtividade. Em 1979 é a estrela de And Justice For All, sexta nomeação em dez anos de carreira. Em 1983 está no remake que Brian de Palma faz ao clássico de Howard Hawks, o filme Scarface, onde volta a assumir-se como um dos mais completos actores da história, misturando cenas de grande violència com momentos de profunda sensibilidade.
Os anos 80 são infelizes e Revolution, uma grande aposta, é um gigantesco fracasso. Em Dick Tracy trabalha com Hoffman e Beatty e volta a ser nomeado, desta feita para melhor actor secundário.
Nesse mesmo ano volta a viver pela última vez a personagem de Michael Corleone em The Godfather III, algo que estava relutante em fazer, sendo persuadido pelo amigo Copolla, que, cheio de dividas, precisava de um sucesso para manter viva a sua produtora.
O inicio dos anos 90 são o periodo do comeback de Pacino. Depois de deixar Michael Corleone, é fabuloso em Frankie and Johnny ao lado de Michelle Pfeiffer. Já com cinquenta e dois anos, 1992 é o ano da sua consagração. É duplamente nomeado aos óscares, pelo seu papel secundário em Glengarry Glenn Rose, e pelo papel principal em Scent of a Woman. É nesse filme, onde brilha como há muito não se lhe via, que Pacino vence finalmente o óscar que os rivais Nicholson e Hoffman já tinham a dobrar. Mostrando que ainda está em forma, no ano seguinte protagoniza Carlito´s Way, e divide o ecrán com Robert de Niro em Heat. Em 1997 está em Devil´s Advocate e Donnie Brasco, continuando a explorar o seu lado infernal, e 1999 volta a mostrar um soberbo Pacino, quer em Any Givem Sunday, quer em The Insider. Em 2002 volta com Insomnia e Simone e no ano seguinte é o instrutor de Colin Farrell em The Recruit. Passa por Angels in America e regressa ao cinema para ser um inesquecivel Shylock em The Merchant of Venice.
Al Pacino continua a ter projectos para o futuro. Teve mais falhanços que os seus "rivais"; mas a verdade é que tem um estilo único e que, quando desaparecer, dificilmente encontrará um digno sucessor.
7 - ELIZABETH TAYLOR
(1932 - )

A mais bem sucedida menina-prodigio de Hollywood. Começou a fazer filmes quando tinha apenas 11 anos, no mitico filme Lassie Come Home. A partir daí foi-se estabelecendo como uma das mais talentosas, carismáticas e sensuais actrizes de sempre. Manteve sempre o seu estilo próprio, mesmo na era onde as loiras voluptuosas dominavam. Teve uma vida cheia de precalços mas destacou-se sempre pela fidelidade aos seus amigos, desde Rock Hudson a Montgomery Clift, passando também por Michael Jackson, que ajudou até ás últimas consequências. É um dos últimos mitos vivos da idade de ouro de Hollywood.
Poucos imaginavam que a simpática rapariga dos filmes da cadela Lassie crescesse tão depressa. National Velvet, onde contracenava com Mickey Rooney, fez dela uma estrela aos 13 anos de idade. Seguiram-se novas aventuras com Lassie mas entretanto os estúdios MGM não sabiam o que fazer com ela. Aos 14 anos já tinha um corpo de mulher muitissimo bem definido e os papeis em filmes infantis começaram a parecer impróprios. A inicio ainda tentaram disfarçar a voluptuosidade da jovem com camisolas largas, mas apenas com 16 Elizabeth Taylor começa a interpretar papeis de adulta. Em 1950 tem o seu primeiro grande sucesso nesta segunda fase da sua carreira no filme Father of the Bride, com Spencer Tracy. No ano seguinte divide o ecrãn com o seu grande amigo Montgomery Clift em A Place in the Sun. A sua sensualidade é avassaladora e Hollywood cai imediatamente aos seus pés. Tinha apenas 19 anos.
A primeira metade dos anos 50 é pouco prolifera em grandes papeis, mas em 1956 a actriz entra em The Giant, ao lado dos amigos Dean e Hudson, voltando a afirmar-se como a actriz de uma geração. No ano seguinte é nomeada ao óscar pela primeira vez no épico sulista Raintree Country. Começa aí a brilhante sucessão de papeis de Taylor que terminará apenas em 1968. Nos anos seguintes entra em Cat on a Hot Thin Roof, Suddenly Last Summer e Butterfield 8. Pelo terceiro filme vencerá o seu primeiro óscar, à quarta nomeação. No entanto esse foi um prémio de simpatia. O seu terceiro marido, Michael Tood, tinha morrido semanas antes num desastre de aviação e a própria Taylor estava ás portas da morte. O óscar para uma moribunda acabou por ser apenas o primeiro de uma carreira que ainda tinha muito para dar.
Três anos depois a actriz é a estrela de Cleopatra. O filme foi um fracasso mas esteve cheio de histórias no elenco. Taylor exigiu que fosse Burton a interpretar Marco António e na rodagem do filme apaixonaram-se e casaram-se de seguida, tornando-se no mais badalado casal do mundo. Ainda nas rodagens do filme Taylor volta a estar ás portas da morte, tendo mesmo sido declarado morta por alguns jornais. Nesse mesmo ano faria ainda V.I.P.´s o segundo de doze filmes que fará com Burton. Entre esses o mais espantoso é seguramente Who´s Affraid Virginia Wolf?, o seu melhor desempenho coroado com o segundo óscar em oito anos. Elizabeth Taylor, ja mãe e ainda doente, era com 36 anos a maior estrela de Hollywood, superando mesmo o apagado Brando, e as rising stars Newman, O´Toole e o próprio Burton.
No entanto os seus insistentes problemas de saúde, a relação tempestuosa com Burton que levou a dois divórcios e um segundo casamento em três anos, acompanhados pela forte dependência do alcool, terminaram com a carreira da actriz ainda aos 40 anos. Hoje, Taylor mostra ter desejo de um comeback, mas a sua frágil doença dificilmente o permitirá. Ficam no entanto algumas das melhores cenas da história do cinema, protagonizadas por esta verdadeira deusa de Hollywood. Se Hollywood fosse o Olimpo, Elizabeth Taylor seria Afrodite.
6 - JACK NICHOLSON
(1937 - )

É um dos mais premiados actores de sempre. Detem o record de vitórias dos Globos de Ouro, prémios da critica de Nova Iorque, Los Angeles, San Francisco e é o actor com mais óscares na história. Ou seja, o seu gigantesco talento, provado por mais de uma dezena de obras-primas, foi amplamente recompensado fazendo dele o mais bem sucedido actor da sua geração.
Começa a sua carreira nos filmes de terror, onde é aproveitada a sua figura bem diferente da que estavamos habituar a ver nas grandes estrelas. O seu passado sombrio - foi educado pela avó julgando-a sua mãe, com a mãe fazendo-se passar por irmã - conferia-lhe uma aura inesquecivel. Em 1969 junta-se a Peter Fonda e Dennis Hopper na louca viagem de Easy Rider, e é nomeado pela primeira vez ao óscar. Em 1970 é nomeado pela segunda vez pelo seu notável papel em Five Easy Pieces. Em 1973 a sua carreira arranca de uma forma notável. Primeiro por The Last Detail, depois em Chinatown e por fim em One Flew Over the Cuckoo´s Nest, chega o óscar que já perseguia insistentemente. Altamente alternativo, provocador e cabotino, fez uma parceria histórica com Brando em Missouri Breaks, e em 1980 é um dos vilões mais assustadores do cinema em Shinning. É Eugene O´Neill em Reds, e continua como secundário de luxo em Tearms of Endearment, onde ganha o segundo óscar. Volta de novo á sua melhor forma na segunda metade dos anos 80 em The Witches of Eastwick, Prizzis Honor, Ironweed e Batman. Em A Few Good Man protagoniza uma das cenas icónicas dos anos 90 ao lado do jovem Tom Cruise. Depois de uns anos 90 de menor produtividade, chega magnifico em As Good As It Gets açambarcando o seu terceiro óscar, tornando-se nesse ano o actor mais premiado da história. Volta a brilhar para o jovem Alexander Payne em About Schmidt, mas em Something´s Gotta Give mostra continuar igual a si mesmo. The Departed é uma incógnita mas saber que o sempre alucinado Nicholson anda por aí, deixa-nos dormir melhor. Para bem do cinema!
5 - PAUL NEWMAN
(1925 - )

O mais belo actor da história, dono do mais famoso par de olhos azuis de toda a história. Dono de um charme, um fragilidade e uma força sem limites, Paul Newman viveu entre estrelas mas soube sempre superar-se durante cinquenta anos de carreira. Foi também um dos primeiros actores com sensibilidade para se tornar realizador, com o suceso que se lhe conhece.
A carreira de Newman deriva do fim da de James Dean. É lenda, mas é verdade. Herdou o papel de Dean em Somebody Up There Likes Me e afirmou-se de imediato. Depois de contracenar com a mulher da sua vida, com quem se casará no final da rodagem de The Long, Hot Summer, é um inesquecivel Billy the Kid em The Left Handed Gun. Nesse mesmo ano é um poço de emoções contidas em Cat on a Hot Thin Roof, a sua primeira nomeação ao óscar. Em 1960 começa uma serie de papeis inesqueciveis. Primeiro em Exodus, drama sobre a criação de Israel. Em 1961 é inesquecivel em The Hustler, onde joga bilhar como ninguem, e em 1962 é inadjectivável no filme Sweet Bird of Youth. Em Hud, estavamos em 64, completa uma serie de quatro papeis que, na iminência do afastamento de Brando, o tornam na maior estrela de cinema do mundo. Trabalha para Hitchock em Torn Curtain e junta-se a Robert Redford, primeiro em Butch Cassidy and the Sundance Kid e mais tarde em The Sting. Em 1981 Absence of Malice marca o seu regresso em grande, amplamente confirmado por The Veredict no ano seguinte. Em 1985 vence um óscar honorário para, à nona tentativa, conquistar finalmente o ambiciado prémio por The Colour of Money em 1986. Volta em grande estilo em Mr and Mrs Bridges, ao lado da mulher, e consegue um dos seus melhores papeis de sempre em 1994 no filme Nobody´s Fool. A sua última nomeação aos óscares chega como secundário em Road To Perdition. Newman decide então desistir da carreira de actor, dedicando-se á sua indústria de produtos alimentares e à sua equipa de corridas, paixão que alimenta desde jovem. Como realizador estreou-se em 1968 com Rachel, Rachel e é com The Effect of Gamma Rays on Man-in-the-Moon Marigolds e The Glass Menagerie que recebe os aplausos da critica. Continua vivo, e ameaça um comeback com Robert Redford, sabendo-se já que vai dar a voz a um carro de corridas em Cars. Ou seja, o mito continuará vivo!
4 - KATHARINE HEPBURN
(1907 - 2003)

Chamaram-lhe "veneno de bilheteiras". Durante décadas foi altamente subvalorizada. Mas soube sempre dar a volta por cima conseguindo alguns dos seus mais brilhantes desempenhos quando muitos pensavam que já nem sequer representava. Dos anos 30 à década de 80 não houve actriz tão espantosa como Katharine Hepburn. Quatro óscares provam-no facilmente! Afinal, se algum dia houve uma actriz "monstruosa", foi ela.
Dividiu-se sempre entre o cinema e o teatro. Em cinquenta anos fez cinquenta filmes, conquistou quatro óscares, 12 nomeações, múltiplos prémios e a admiração de todos, uns mais tardiamente que outros. Teve o seu primeiro grande papel em Morning Glory, o seu terceiro filme, pelo qual venceu de imediato o óscar. Little Women, Sylvia Scarlett, Mary of Scotland e Bringing Up Baby confirmaram-na como uma das grandes actrizes dos anos 30. No entanto as suas polémicas relações - Howard Hughes, John Ford, Spencer Tracy - o seu cariz altamente feminista e liberal, não lhe eram favoráveis em Hollywood. Não atraia o público comum e muitos dos seus melhores papeis nos anos 40 e 50 vieram em filmes fracassados nas bilheteiras. Foi o que aconteceu com Woman of the Year ou Adam´s Rib. Em Philadelphia Story supera-se e em The African Queen, ao lado de Bogart, consegue a sua quinta nomeação aos óscares. Os anos cinquenta ficam marcados ainda por três papeis: em Summertime, The Rainmaker e, acima de tudo, Suddenly Last Summer. Confirmando-se definitivamente como a maior actriz do mundo nos anos 60, Hepburn conseguiu um inesperado comeback. Primeiro em Long Day´s Journey Into Night, em 1962, e em 1967 no filme Guess Who´s Coming to Dinner. Quando ninguém pensava, Hepburn vence um segundo óscar. É no entanto em 1968 que consegue a maior performance de toda a sua carreira no filme The Lion in Winter. Vence o óscar em ex-aqueo com Barbra Streisand e afirma-se como a mais bem sucedida actriz de sempre. E quando ninguém o esperava, depois de uns anos 70 mais virados para a televisão, conquista o seu 4º e último óscar no filme On a Golden Pond. Hepburn estará anos sem fazer um filme, aparecendo em Love Affair de Warren Beatty num registo de despedida. Morre com a bela idade de 96 anos em 2003, perdendo o mundo a maior actriz que alguma vez conheceu.
3 - MARLON BRANDO
(1924 - 2004)

Foi o icone de gerações. Depois de surgir de camisola justa rasgada, suado, gritando "Stellaaa!!!" em A Streetcar Named Desire, o cinema nunca mais seria o mesmo. Criou uma escola, mais tarde imitada por todos. Misturou a carnalidade masculina com a sensibilidade humana como nunca tinha sido feito. Foi o primeiro actor a explorar o próprio corpo, criando uma imagem icónica que o acompanharia, e que eventualmente, acabaria por transcende-lo.
E no entanto não fez muitos filmes ao longo de uma carreira que durou mais de quarenta anos. Mas quando entrava em cena, transcendia-se sempre de uma forma inimitável.
Formado nas escolas do Actor´s Studio, exemplo perfeito da aplicação do "Método", essa cartilha da arte de representar, a sua estreia em A Streetcar Named Desire, foi das mais furiosas e intensas da história. A sua performance ultrapassou limites e barreiras, exibindo-se a um nivel nunca visto num rookie de 27 anos. Naturalmente foi nomeado ao oscar, acabando por perder injustamente para o veterano Bogart.
Os anos 50 foram os da ascensão, confirmação e glorificação de Brando. Em 1952 era único como Emiliano Zapata em Viva Zapata! e no ano seguinte dá um dos melhores discursos da história, superando mesmos os mais shakesperianos dos actores, em Julius Caeser. E antes de Dean foi o perfeito "Rebel without a Cause" em The Wild One.
Naturalmente em 1954 surge a consagração em On the Waterfront, filme onde todo o espirito do Actor´s Studio se resume na perfeição. No ano seguinte está ao lado de Jean Simmons em Guys and Dolls! e Sayonarra e The Young Lions definem-no como um actor único. Era já declaradamente um dos maiores actores do mundo, rivalizando com os clássicos Stewart, Bogart, Cooper, e liderando uma vaga ascendente que tinha Newman, Clift - e durante um ano - Dean, na sua peugada.
Os anos 60 começam com o falhanço do remake de The Mutiny on the Bounty, filme que apresenta o Pacifico a Brando. É lá que conhece a mulher e onde viverá durante largos anos numa ilha que adquire a peso de ouro. Depois de uns anos de apagamento surge no seu melhor em 1966 no filme The Chase. Mas a aura que o acompanha vai-se lentamente desvanecendo. Problemas com as produtoras, o falhanço do seu primeiro filme como realizador, One-Eyed Jacks, o seu activismo pró-indios e o facto da critica e do público o acusarem de não estar a viver de acordo com o mito que o próprio tinha criado fez com que Brando fosse afastado de Hollywood. Muitos acusaram-no de estar a destruir a sua própria carreira.
Mas então surge Francis Ford Copolla, apaixonado por Brando desde sempre, que vê nele o candidato perfeito para viver Vitto Corleone em The Godfather. Os produtores rejeitam e Copolla faz com que Brando vá ao casting completamente transformado. O actor engorda, enche as bochechas com algodão, cria maneirismos totalmente novos e espanta os produtores que após o casting querem saber quem é aquele actor que é tão perfeito para o papel: "é Brando", diz-lhes Copolla. O acordo fica fechado. O resto - The Godfather, o óscar rejeitado, o papel de uma vida - é história.
No ano seguinte despe-se de todos os pudores para Bertolucci no aclamado The Last Tango in Paris, e em 1979 regressa sorumbático para um papel inesquecivel em Apocalypse Now, também de Copolla. E depois o "Monstro" retira-se para a sua ilha. Vive problemas familiares com a prisão do filho e acaba por voltar apenas duas vezes mais. A primeira, que lhe vale a oitava e última nomeação ao óscar, em A Dry White Season. A segunda para fazer D. Juan de Marco com Johnny Depp, que elogia, declarando que é mais parecido consigo do que Clift ou Dean alguma vez foram, e para quem faz The Brave, o filme de estreia na realização do jovem actor. Quando morreu, em 2004, o mundo ficou definitivamente um lugar mais pobre.
2 - HUMPHREY BOGART
(1899 - 1957)

Quando Jean-Luc Godard coloca Jean-Paul Belmondo a imitir Bogart em A Bout de Soufle, o mito ganhava dimensões inimagináveis. Durante anos Bogart tinha sido actor de filmes considerados de segunda linha. Mas os cinéfilos, primeiro na Europa e só mais tarde nos Estados Unidos, viam nele algo que nunca viram, nem voltariam a ver: um actor explosivo, dono de um cinismo sem fim, mas com um coração gigantesco, capaz de encaixar o soco mais duro e manter-se de pé. Sem ser alto ou forte, Bogart foi o maior de todos os duros. Nunca nenhum outro actor conseguiu roubar uma cena da mesma forma que "Bogie" fazia.
Humphrey Bogart era filho de gente muito ilustre e estava destinado a ser um menino rico de Wall Street, não fosse a sua imensa paixão pelo cinema desviá-lo do consultório médico do pai para a Broadway. Foi aí que começou a representar, divindo os palcos com o cinema, onde nos anos 30 começou a aventurar-se progressivamente. Depois de uns papeis menores a Fox dispensa-o do contrato e Bogart volta á Broadway onde se junta a Leslie Howard na peça The Petrified Forrest. A Warner compra os direitos da peça e quer adaptá-la ao cinema com Robinson no papel de Bogart mas Leslie Howard exige a presença do actor. Bogart fica com o papel e é explosivo como o vilão Duke Mantee. O seu nome estava feito.
Durante cinco anos vai ser presença assidua em três dezenas de filmes de gangster, sempre em papeis secundários. É em 1941 que tem o seu primeiro grande papel principal em High Sierra de Raoul Walsh. O filme é um sucesso, tal como The Maltese Falcon, e a Warner - depois de várias recusas - acaba por escolher Bogart para o papel de Rick Blaine em Casablanca. O seu desempenho é histórico e Bogart é nomeado ao óscar - que perde para Ronald Colman - afirmando-se definitivamente como um actor de respeito. Segue-se To Have and Have Not de Howard Hawks onde contracena pela primeira com uma jovem modelo de 18 anos, Lauren Bacall. A quimica entre ambos é explosiva e os actores casam no final das rodagens. Em 1946 vive pela primeira vez a mitica personagem de Chandler, Philiph Marlowe em The Big Sleep, também com Bacall no elenco. Dois anos depois Key Largo - de novo com Bacall - coloca-o frente a frente com Edward G. Robinson. Mas agora a estrela é ele, e o filme é dele também! Por essa altura tinha marcado presença em The Treasure of Sierra Madre, mais uma parceria com o amigo e realizador John Huston, mas nessa altura o seu nome esteve perto de entrar na lista negra após a marcha que promove com Bacall em Washington para protestar contra a "Caça ás Bruxas" que iria levar a que vários argumentistas de Hollywood fossem colocados na lista-negra.
Em 1950 assina o seu melhor papel de sempre em In a Lonely Place, onde é explosivo como nunca o tinha sido, mas o óscar só chega no ano seguinte em mais um brilhante papel para Huston no filme The African Queen. A sua saúde já não é a melhor - Bogart era altamente dependente do alcool - mas ainda deu para entrar em Sabrina, de Billy Wilder, e The Caine Mutiny, que lhe valeria a terceira e última nomeação ao óscar. Fez três filmes nos seus últimos anos de vida (The Left Hand of God, Desperate Hours e The Harder They Fall), morrendo com um terrivel cancro que o manteve o último ano na cama, onde recebeu a visita da nata de Hollywood. Vieram prestar homenagem ao amigo, mas também à lenda, a um dos nomes mais inesqueciveis, não só da história do cinema, mas da história do próprio Homem.
1 - JAMES STEWART
(1908 - 1997)

Ninguém consegue encontrar na carreira de Jimmy Stewart um mau papel. Muitas vezes passou por filmes menores, mas soube sempre fazer a sua parte, indo além do que achavam possivel. Trabalhou com quase todos os grandes realizadores de Hollywood (Ford, Hitchcok, Capra, Hawks, Wilder, Cuckor, Mann, Preminger, ...) e fez de todas as suas personagens pérolas inesqueciveis. Está nos dois maiores papeis de sempre da história do cinema, conseguindo trabalhar em registos completamente diferentes, sem nunca perder o seu estilo muito próprio. Sempre bom rapaz - na tela e na vida real - com um estilo de representação muito fisico para um "clássico", e muito "under acting" para um jovem turco, Stewart passou gerações, ás vezes despercebido. Mas o tempo ajuda a perceber as coisas, e olhando em retrospectiva é impossivel não olhar para James Stewart, e não ver nele o que foi: o maior actor de todos os tempos.
Nascido no Indiana, Stewart vai para a Broadway muito cedo. Faz musicais e é por aí que chega ao cinema, em filmes de pouca projeção. Amigo intimo de Henry Fonda, estudam juntos representação, e é em 1938 que ambos se começam a fazer notar. Stewart fê-lo em You Can´t Take It With You, uma alegre comédia de costumes com um elenco de luxo que acabaria por vencer uma serie de óscares. Mais importante que isso, era também a sua primeira parceria com Frank Capra, realizador que marcaria a primeira fase da sua carreira. No ano seguinte Stewart consegue uma das maiores performances de todos os tempos em Mr Smith Goes to Washington. Perde o óscar - por razões politicas diz-se - e é compensado no ano seguinte, vencendo-o por Philadelphia Story. Stewart nem era o actor principal do filme (Cary Grant tinha mais protagonismo), e venceu por simpatia pela derrota do ano seguinte e pelo bloqueio anti-Grapes of Wrath que faz com que Fonda não vença. Mas por muito estranho que pareça, este será o seu único prémio numa carreira de quarenta e cinco anos.
Nesse mesmo ano trabalha com Lubitsch no admirável The Shop Around the Corner e no ano seguinte parte para a guerra, deixando a Gary Cooper o papel em Meet John Doe que lhe estava destinado. É um dos herois da guerra e volta em 1946 para assinar a maior obra-prima da história do cinema, de novo com Frank Capra: It´s a Wonderful Life. O seu George Bailey é a mais pura e bela personagem da história do cinema, granjeando-lhe de imediato o estatuto de estrela. No entanto o filme não foi o sucesso que se previa (Capra disse dele que era "o mais belo filme feito até hoje"..e era!). O público tinha mudado e Stewart irá perceber essa mudança melhor que Capra.
Vira-se para os westers e para os thrillers, pelas mãos de Anthonny Mann e Alfred Hitchcock. Em 1948 faz o seu primeiro papel para o "mestre do suspense" em The Rope. Em 1950 é assombroso em Winchester 73, mas acaba por ser nomeado por Harvey. Bend of the River e o espantoso The Naked Spur continuam a provar o sucesso da dupla Stewart-Mann, e The Rear Window torna-se numa das obras-primas de Hitchock, com um Stewart nunca visto.
O final dos anos 50 traz o melhor de Jimmy Stewart. The Man From Laramie, The Man Who Knew To Much, The Spirit of Saint Louis, Vertigo e Anatomy of a Murder são do melhor que se podia encontrar nos dias em que o mundo ainda estava rendido ao "método". Vertigo! Nunca um actor foi tão intenso, tão hipnotizante, tão avassalador com James Stewart em Vertigo. Se George Bailey é a sua obra-prima, Scottie Fergusson é o seu irmão gémeo, tal é a perfeição do seu registo, naquele que para muitos é o melhor filme de todos os tempos.
Os anos 60 juntam Stewart com John Ford, outro realizador icónico, primeiro em Two Road Together e depois no inesquecivel The Man Who Shot Liberty Valance que está para Mr Smith na filmografia de Stewart como Vertigo está para It´s a Wonderful Life. E é assim que no inicio dos anos 60, Stewart decide retirar-se. Com quase 60 anos, e com as suas referências (Mann, Capra, Preminger, Ford, Hitchcock) a deixarem Hollywood, sente também que a sua hora chegou. Ainda faz pequenos papeis, com principal destaque para o reencontro com John Wayne em The Shootist, uma bela despedida para dois heróis do Oeste.
Um icone americano, um exemplo de vida, um actor sem comparação - nem Bogart, nem Brando, nem Newman, Nicholson ou tantos outros se lhe comparam - James Stewart é mais do que um mito.
Deixou-nos em 1997. Mentira. Ainda cá está. Em todos os papeis que representou. E estará para sempre!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:18 AM | Comentários (6)
novembro 17, 2005
As 50 Estrelas de Hollywood - 20º ao 11º lugar
Não entrar no top10 pode parecer uma frustração para quem chegou até aqui. Mas nem todos lá podem chegar. Estar nos primeiros vinte lugares é já um sinal de irrefutável importância no desenrolar daquilo a que chamam a magia do cinema. Mas não serão todos estes nomes partes importantes do nosso imaginário?
Aqui fica o penúltimo lote de estrelas, do 20º ao 11º lugar...
20 - SHIRLEY MACLAINE
(1934 - )

Ao longo da sua carreira trabalhou com alguns dos maiores realizadores de Hollywood. Foi essencialmente nas mãos de Billy Wilder que Shirley MacLaine provou porque é uma das melhores actrizes da história. A sua beleza não seguia os padrões dos sex-symbols da era, a sua frontalidade valeu-lhe muitos inimigos na indústria, mas ainda hoje, cinquenta anos depois de ter começado, Shirley MacLaine ainda dá provas do seu gigantesco talento.
A estreia não podia ter sido mais auspiciosa. Foi em 1955 no divertido Troubles With Harry de Alfred Hitchcock. O realizador reparou nela, lançou-a para a ribalta, e assim nasceu uma estrela. Em 1958 faz uma performance inesquecivel - uma das melhores de sempre certamente - em Some Came Running de Vincent Minelli. Um desempenho poderosissimo que lhe vale uma primeia nomeação ao óscar. Algo que repetirá dois anos depois pelo seu assombroso desempenho em The Apartment de Billy Wilder. O filme marcará a primeira colaboração entre ambos que conhecerá novo capitulo de sucesso em 1963 com Irma la Douce. Nova nomeação e nova derrota para McLaine que começa a mostrar o seu descontentamento com Hollywood. Os anos 60 e 70 passam a correr até que chega em 1975 o seu premiado documentário, The Other Half of the Sky, um trabalho sobre a China. Dois anos depois a quarta nomeação ao óscar pelo seu papel em Turning Point. O resultado final foi o mesmo. Foi preciso esperar até 1984 para que a já veterano actriz levasse de vencida as rivais e subisse ao palco para reclamar o óscar. Num dos mais espantosos discursos de sempre, MacLaine abre dizendo "I deserve this...i really deserve this!". Estava feita justiça. A carreira da meia-irmã de Warren Beatty continua calmamente, com alguns pontos altos como Stealing Magnolias ou Guarding Tess. O último ano foi bastante activo para MacLaine que regressa em estilo, primeiro em In Her Shoes, já por cá estreado, e também com Rumor Has It. A sua carreira mostra sinais de que não vai parar tão cedo. O mundo agradece!
19 - TOM HANKS
(1956 - )

É o porta-estandarte da sua geração. O mais completo actor a surgir nos últimos vinte ano, Tom Hanks começou por ser um improvável comediante. Foi quando encontrou o seu lugar certo no cinema dramático da década de 90 que se consagrou definitivamente junto do público e da critica.
Uma carreira que começou em 1980 no universo da comédia. No final da década, Tom Hanks já era um dos nomes consagrados de comédia com papeis em Splash e Big, este último valendo-lhe a primeira nomeação ao óscar. Em 1990 surge a primeira tentativa para Hanks entrar num projecto "sério" mas The Bonfire of Vanities é um tremendo fracaso. Depois de um breve regresso à comédia (Sleepless in Seatle) surge o primeiro grande papel dramático na sua carreira. Em Philadelphia, Hanks vive um homossexual infectado com SIDA que parte numa cruzada contra todos aqueles que o ostracizaram devido à sua doença. O desempenho é assombroso e o actor conquista o seu primeiro óscar. Mas em 1994 Hanks supera-se assinando o seu melhor desempenho de sempre em Forrest Gump. O americano mais idiota da história é também o papel que confirma definitivamente Hanks como um actor de excelência. Sem grandes surpresas, o recorde de Spencer Tracy é igualada e Hanks leva o seu segundo óscar. Há quem diga mesmo que uma dupla conquista tão cedo o impediu de ganhar mais prémios nos anos seguintes. Prémios esses que teriam sido merecidos.
No ano seguinte está no premiado Apollo 13, voltando a exibir-se a bom nivel e em 1998 volta a ser nomeado por Saving Private Ryan, filme que marca a sua primeira colaboração com Steven Spielberg. A derrota para Roberto Benigni prova que a Academia não estava preparada para fazer dele o actor com mais óscares da história, e depois de nova parceria com Meg Ryan em You´ve Got Mail, há Green Mile e Cast Away, dois aplaudidos trabalhos que provam que Hanks continua em excelene forma. Surge então Band of Brothers, a estreia de Hanks na produção televisiva e Road to Perdition, o seu maior flop de carreira. Ainda em 2002 é o secundário perfeito em Catch Me If You Can - terceira colaboração com Spielberg - que retoma em 2004 no magnifico The Terminal. Nesse ano trabalha ainda com os Coen em The Ladykillers e faz parte do projecto pioneiro de Robert Zemeckis The Polar Express. Entretanto assina contracto para viver uma das mais desejadas personagens dos últimos ano, Harry Langdon, estando prestes a estrear The Da Vinci Code, onde assina o seu segundo filme com Ron Howard. Como actor e produtor a sua carreira está repleta de sucessos e o céu é o limite para Tom Hanks, um actor para todas as geraçóes.
18 - GARY COOPER
(1901 - 18961)

Durante muitos anos os americanos sonharem em ser como ele. Dono de uma beleza dura mas contagiante, de uma pose humilde mas determinada, Gary Cooper foi o heroi de mais do que uma geração. Em trinta anos de carreira tornou-se num dos mais bem sucedidos e amados actores de sempre. E mesmo a polémica que envolveu a sua vida privada (a sua relação extra-matrimonial com Patricia Neal) nunca alterou a sua imagem de galã e cavalheiro.
A sua estreia no cinema data do periodo mudo e em 1927 é um dos actores de Wings, o primeiro filme oscarizado. Nos anos seguinte consagra-se em filmes como Morroco, A Farewell to Arms e Now and Forever. Em 1936 trabalha pela primeira vez com Frank Capra que o escolhe para iniciar a sua triloga sobre o comum americano. Em Mr Deeds Goes To Town faz o seu melhor papel até à data e é nomeado ao óscar .A sua cotação está em alta e dá-se ao luxo de rejeitar em 1939 papeis em Stagecoach e Gone With the Wind. Entre 1941 e 1943 os seus maiores desempenhos de cada ano são nomeados ao óscar. Vence na primeira tentativa por Sargeant York, mas está perto de repetir a façanha em The Pride of the Yankees e For Whom the Bell Tolls. A sua amizade com o escritor Ernst Hemingway (que cometerá suicidio um mês após a morte de Cooper), torna-o popular entre a comunidade intelectual. Para trás ficou o sucesso de The Westerner e Meet John Doe, o capitulo final da trilogia de Capra. Em 1949 trabalha com King Vidor em The Fountainhead e conhece Patricia Neal que será sua amante até à morte.Em 1951 está pela primeira vez em 15 anos fora do top 10 dos actores favoritos do público. É no entanto no ano seguinte que consegue o seu melhor desempenho em High Noon, fazendo um comeback triunfal que lhe dá o seu segundo óscar. A partir daí vai progressivamente abandonando o cinema. O cancro que o levará à morte em 1961 deixa-o apenas voltar a brilhar uma vez mais, em Man of the West de Antohny Mann. Com a morte de Cooper, Hollywood começava a encerrar um capitulo dourado da sua história.
17 - LAURENCE OLIVIER
(1907 - 1989)

Durante meio século foi considerado o maior actor inglês de sempre. Uma carreira sempre dividida entre o cinema e o teatro, um nome que todos aprenderam a respeitar e a amar. Atravessou gerações e criou um culto de admiração à sua volta que é dificil igualar.
Começou nos palcos londrinos e no inicio dos anos 30 salta para o cinema britânico. Assume-se como o maior actor shakesperiano, e em 1937 dá um ar da sua graça em Fire Over England. Conhece Vivien Leigh. O seu casamento será um dos mais badalados da época (e o seu final também) e ajuda-a a conquistar o lugar de Scarlett O´´Hara. Nesse mesmo ano faz o seu primeiro grande desempenho em Hollywood no filme Wuthering Heights. No ano seguinte trabalha com Hitchcock em Rebecca recebendo a sua segunda nomeação consecutiva ao óscar. Começa a adaptar em 1945 Shakespeare ao cinema. Primeiro com Henry V (terceira nomeação e prémio especial da Academia como actor, realizador e produtor) e em 1948 com Hamlet, filme que lhe irá dar o único óscar da carreira como melhor actor, mas também o óscar de Melhor Filme (falhou apenas o de realizador). Em 1955 continua com Shakespeare em Richard III (mais uma nomeação) e em 1957 está ao lado de Marilyn Monroe no admirável The Prince and the Showgirl. Em 1960 nova nomeação por The Enterteiner e regresso a Shakespeare cinco anos depois no filme Othello. O seu maior papel surge em 1972 ao lado de Michael Caine no filme Sleuth, que lhe dá a sua nona nomeação ao óscar. Mas não será a única. Passará os anos 70 a fazer pequenos papeis secundários, conseguindo novas nomeações por Marathon Man e Boys From Brazil, onde é o caçador de nazis Ezra Lieberman. Para trás tinham ficado inesqueciveis papeis em Spartacus, Khartoum e The Merchant of Venice. Morre em 1989 com 82 anos.
16 - PETER O´TOOLE
(1932 - )

No meio do inesquecivel deserto da Arábia, os seus olhos azuis eram um irradiar de energia como há muito o cinema não vi. Tomara a todos os actores poderem dizer que se estrearam como Peter O´Toole, que consegue o seu melhor papel de sempre naquele que foi também o seu primeiro filme.
Irlandes de temperamento agitado, tinha tido umas breves participações em três filmes na altura em que foi escolhido para ser T.E. Lawrence. Não era nem a primeira, nem a segunda escolha, mas a sua presença fizeram de Lawrence of Arabia um dos maiores filmes da história. Apesar de todos os prémios que o filme ganhou, O´Toole falhou em conquistar o óscar, uma maldição que o iria perseguir para a vida em sete diferentes tentativas.
Depois de três anos a viver á sombra do sucesso, mas um assombroso desempenho em Becket, onde contracena com Richard Burton, o seu maior rival, vivendo o rei Henrique II de Inglaterra. Será novamente como Henrique II, mas numa versão mais rude e brutal que O´Toole volta a alcançar a perfeição com que iniciara a carreira, em The Lion in Winter. Pelo meio tinham ficado Lord Jim, esse estrondoso e brilhante falhanço, What´s New Pussycat? e o inesquecivel anjo Gabriel de The Bible. Em 1969 consegue a sua quarta nomeação na mesma década ao protagonizar Goodbye Mister Chips!, filme que até já tinha dado um óscar a Robert Donat trinta anos antes.
The Ruling Class em 1972 é a sua quinta nomeação e o seu mais fascinante trabalho da década de 70. Seguem-se The Man From La Mancha, onde é um improvável Don Quixote, Caligula e The Stunt Man, penultima nomeação e um dos seus mais interessantes trabalhos. Em 1982 última nomeação, desta feita por My Favourite Year, mais um trabalho notável, e em 1987 encontramo-lo no multi-premiado The Last Emperor. No final dos anos 80 O´Toole desaparece. É recuperado por Wolfgan Peterson em Troy, no ano passado, e desde aí parece ter retomado a actividade regular de actor. O óscar honorário de 2002 serviu para fazer as pazes com a Academia, mas tal como o seu rival e amigo Burton, ele é um dos grandes injustiçados da história do cinema.
15 - RICHARD BURTON
(1925 - 1984)

Partilha com Peter O´Toole o trono de uma geração, mas a verdade é que a sua fleuma galesa, a sua voz inconfundivel e o seu leque de performances fazem dele o porta-estandarte desse magnifico grupo de actores que incluia ainda Michael Caine ou Albert Finney.
Burton começa a sua carreira em 1949 e a sua ascensão será praticamente imediata. Em 1952 é soberbo no final My Cousin Rachel. É nomeado para melhor actor secundário. Tal como O´Toole serão sete as nomeações sem qualquer vitória. No ano seguinte a nova estrela britânica chega á categoria principal pelo seu desempenho no aclamado The Robe. Continuando na época clássica, é um convincente Alexandre em Alexander the Great de Robert Rossen em 1956. No ano seguinte está numa das obras-primas de Nic Ray, Bitter Victory, onde é de uma intensidade dramática absolutamente notável. Chefia a geração dos young angry rebels em Look Back in Anger e depois de fazer Shakespeare e de ajudar a invadir a Normandia no épico The Longest Day, é escolhido para ser Marco António naquele que seria o mais ambicioso projecto de sempre. O seu desempenho é de altissimo nivel mas Cleopatra será um fracasso. Nem a relação amorosa que Burton começa com Elizabeth Taylor nas rodagens do filme, e que se tornará numa das relações mais conturbadas e famosas da história, salva o filme. A sua reputação continua imaculada e divide o ecrãn com Peter O´Toole em Becket, partilhando igualmente mais uma nomeação aos óscares. Seguem-se The Night of the Iguana, poderoso drama, e em 1965 o seu mais contido e aplaudido desempenho em The Spy Who Came From the Cold. Ao lado de Elizabeth Taylor brilha como poucos na obra de estreia de Mike Nichols, o inesquecivel Who´s Affraid Virginia Wolf. Mais uma vez o oscar vai para outro e Burton continua a trabalhar com Taylor, desta vez em The Taming of the Shrew. Acaba a década em alta no filme Anne of the Thousand Days e em 1974 divorcia-se de Liz Taylor após uma serie de conflitos matrimoniais. No entanto o casal volta a juntar-se no ano seguinte, para se separar finalmente em 1976. Estes foram os anos menos proliferos para Burton, que em 1977 regressa de novo em estilo no filme Equus. Em 1984 entra na adaptação homónima de George Orwell, ao lado de John Hurt, mas a sua saúde, minada pelo alcool e tabaco, não lhe permite voltar a filmar. Morre nesse mesmo ano deixando um imenso vazio que mais nenhum actor soube preencher.
14 - MERYL STREEP
(1949 - )

É a grande actriz dos últimos trinta anos. Nenhuma das que se lhe seguiram conseguiram alguma vez transmitir a sua sensibilidade dianta da camara, e, ao mesmo tempo, a sua força interior, que fazem dela um dos maiores "monstros" vivos da representação.
Meryl Streep começou a carreira em grande com o filme Julia. No ano seguinte já era nomeada aos óscares pelo seu desempenho em The Deer Hunter de Michael Cimino. Woody Allen repara nela e junta-a à sua troupe para fazer Manhatan mas é o seu desempenho em Kramer vs Kramer que a estabelece como mais uma estrela para a constelação de Hollywood. Vence o óscar de melhor actriz secundária e o seu filme seguinte, The French Lieutenent´s Woman, conquista a primeira nomeação para actriz principal. Em 1982 conquista o segundo óscar pelo filme Sophia´s Choice. Quatro nomeações e dois óscares em seis anos deixavam já antever que a jovem Streep não iria ficar por aí. E de facto a década de 80 é de ouro para a actriz. Depois do óscar vem Silkwood, o inesquecivel Out of Africa, Ironweed e A Cry In the Dark. Quatro papeis fabulosos, quatro nomeações, quatro sucessos da critica. Streep era já unanimemente considerada a melhor actriz em actividade.
Postcards From the Edge começa da melhor forma a década de 90 para Streep e ao lado de Clint Eastwood em The Bridges of Madison County volta a superar-se. O final dos anos 90 são espantosos para a actriz graças aos desempenhos em Marvin´s Room, One True Thing e Music From the Heart. Em 2002 entra em dois sucessos, The Hours e Adaptation, e pelo último consegue a sua 13º nomeação aos oscares, um recorde. Marca presença na popular serie Angels in America e dá vida ao filme The Manchurian Candidate. Este ano vamos poder vê-la em Prime mas a sua carreira está longe de abrandar. Para os próximos dois anos são já 10 os projectos em que Streep fará parte. Uma actriz verdadeiramente excepcional, e de incomparável talento nos dias que correm.
13 - HENRY FONDA
(1905 - 1982)

A familia Fonda está intimamente ligada à história do cinema nos últimos oitenta anos. Apesar de todas as polémicas que o envolveram ao longo da careira, Henry Fonda soube sempre manter-se igual a si mesmo. Antes de morrer teve a justiça que merecia.
"Hank" Fonda chega em 1935 a Hollywood. Partilhava um quarto com James Stewart enquanto tinha aulas de representação com a mãe daquele que viria a ser Marlon Brando. Pelo meio fica um passado cheio de casos, o mais famoso dos quais foi o polémico casamento com Margaret Sullavan. Teve o seu primeiro grande papel em 1937 no filme You Only Live Once de Fritz Lang. A sua carreia continuou a progredir nos anos seguintes, com presenças em filmes como Jezebel e Drums Along the Mohawk. Em 1939 é um inesquecivel Abraham Lincoln em Young Mr Lincoln. O filme marca o inicio da colaboração com John Ford que irá acabar abruptamente no set de Mister Roberts, em 1955, quando Ford soca Fonda após uma violenta discussão.
Em 1940 é Tom Joad na inesquecivel adaptação de The Grapes of Wrath de John Steinbeck. O filme foi altamente censurado à época o que impediu Fonda de vencer o seu primeiro óscar. Só voltará a ser nomeado quarenta e um anos depois.
Trabalha com Lang de novo em The Return of Frank James e com Wellman em The Box-Ow Incident. É perfeito no seu terceiro filme com Ford, My Darling Clementine, como Wyatt Earp e volta a trabalhar com o realizador em Forte Apache e Mister Roberts. Acabada a união com Ford, enveredra pelo drama em War and Peace, passa pelas mãos de Hitchock em The Wrong Man e produz e representa de forma sublime 12 Angry Men. A sua presença nos palcos é constante e apesar de regressos ao cinema em filmes como Warlock, The Longest Day ou How the West Was On será em 1968, como vilão em Once Upon a Time in the West que Fonda volta ao seu melhor. Por essa altura corta relações com a polémica filha, Jane Fonda, e começa a sentir-se doente. Passa os anos 70 na televisão e em 1980 recebe um óscar honorário. Em 1981 junta-se a Khatarine Hepburn e à filha Jane Fonda, com quem faz as pazes, em On a Golden Pond. O filme é um relativo sucesso e já ás portas da morte torna-se o mais velho vencedor de um óscar, com 75 anos. Não consegue receber o óscar em Hollywood porque já está acamado. Nunca mais se irá levantar, morrendo nesse ano para tristeza de muitos amantes de cinema.
12 - BETTE DAVIS
(1908 - 1989)

Começou a representar numa era que fazia ainda a ponte das divas do mudo para as primeiras estrelas do sonoro. Não tinha a beleza e charme natural das grandes rivais da época, Garbo e Dietrich, e alimentou durante décadas uma rivalidade com Joan Crawford. No final de contas acabou por se perceber que Bette Davis é de facto um nome único na história de cinema, uma autêntica diva de Hollywood.
Depois de pequenas participações em vários filmes do inicio dos anos 30, Bettie Davis faz-se notar pela primeira vez em Of Human Bondage, filme que lhe vale uma nomeação ao óscar em 1934. No ano seguinte sai vencedora da cerimónia graças ao monstruoso desempenho em Dangerous. Segue-se a parceira com Leslie Howard e Humphrey Bogart em Petrified Forrest e em 1938 o seu segundo óscar por Jezebel, onde interpreta uma jovem menina mimada do sul. Com a vitória Davis tornava-se a mais séria candidata a ser Scarlett O´Hara, mas para sua raiva o papel foge para Vivien Leigh. A sua carreira continua de vento em poupa nos anos seguintes com magnificos desempenhos em Dark Victory, The Private Life of Elizabeth and Essex, The Letter e Little Foxes. Em 1942 consegue a sua sétima nomeação em dez anos de carreira por Now Voyager. Em 1944 novo "papelão", desta feita em Mr. Skeffington.
O papel da sua vida surge em 1950 no filme All About Eve. Um filme que poderia ter consagrado Davis como a primeira actriz a vencer três óscares, mas que acabou por se revelar um falhanço pessoal para Davis. Anos mais tarde a história ficcional tornar-se-á realidade em 1982 quando a actriz doente será substituida por Anne Baxter numa serie televisiva). A sua carreira estava afectada pelos problemas legais que mantinha com a Warner, de quem se queixava que não lhe davam os filmes que merecia, e os anos 50 serão uma catastrofe completa. Regressa em grande estilo em Whatever Happned to Baby Jane?, filme onde contracena com a rival de sempre, Joan Crawford, e que lhe vale a sua oitava nomeação ao óscar. Passa então para a televisão, chegando mesmo a ganhar um Emmy. Morre em 1989 após uma carreira com mais de uma centena de filmes e um leque de inesqueciveis performances.
11 - JACK LEMMON
(1925 - 2001)

Provavelmente um dos maiores actores de comédia de sempre (apesar de não ser um cómico como o eram Chaplin, Keaton, Groucho, Lewis ou Sellers), mas também capaz de desempenhos dramáticos assombrosos, Jack Lemmon é um icone de uma forma de fazer cinema que já não existe. Sempre capaz de brincar com os seus próprios defeitos - um pouco desengonçado, picuinhas, sem grande sentido de humor, resmungão - fez com Billy Wilder e Walter Matthau uma das melhores triplas de todos os tempos.
Começou a sua carreira em 1949 mas foi em 1955 no polémico Mr Roberts - o tal filme que acabou com a amizade de Ford e Fonda - que Jack Lemmon se destaca, vencendo de forma surpreendente um óscar. Era apenas o seu décimo filme.
Durante quatro anos anda perdido em papeis com que não se identifica até que em 1959 conhece Billy Wilder. O realizador junta-o a Tony Curtis e Marilyn Monroe e juntos criam a maior comédia da história do cinema, o inesquecivel Some Like it Hot. O filme consagra Lemmon como um actor popular e bem recebido pelos criticos mas o "furacão" Ben-Hur rouba-lhe o segundo óscar. No ano seguinte a dupla Wilder-Lemmon volta a ser bem sucedida, com uma serie de óscares por The Apartment. Em 1962 Lemmon experiementa pela primeira vez com sucesso o registo dramático em Day of Wine and Roses, que lhe valem uma quarta nomeação e o aplauso da critica. Em 1963 mais um filme com Shirley MacLaine e Billy Wilder, o irresistivel Irma la Douce.
Em 1965 a sua carreira sofre uma reviravolta. Conhece Walter Matthau e juntamente com ele criam uma das maiores duplas de sempre da história do cinema, com Billy Wilder por trás da camara. O primeiro filme em conjunto, The Fortune Cookie, dá o óscar a Mathau e cria uma empatia que nunca mais desaparecerá. The Odd Couple, baseado numa peça de Neil Simon consagra as personagens de Felix Unger e Oscar Madisson que irão recuperar por diversas vezes ao longo da carreira. Ainda com Matthau e Wilder faz The Front Page em 1974 e Buddy Buddy em 1981. Por essa altura Jack Lemmon já é um consagrado actor dramático. Conquistara o seu óscar como actor principal em 1973 no drama Save the Tiger, e voltaria a ser nomeado por três vezes por The China Syndrome, Tribute e Missing.
Nos anos 90 volta aos filmes com Walter Matthau em Grumpy Old Men e Grumpier Old Men. Antes já tinha passado por JFK e Glengarry Glen Rose. Em 1998 faz o seu último filme com Walter Matthau, The Odd Couple II, recuperando as personagens que o tinham imortalizado. Dois anos depois morre Matthau deixando Lemmon destroçado. O seu cancro só lhe permitirá viver mais um ano. Com a sua morte, o mundo perdeu uma das pessoas que mais o fez rir durante meio século.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:15 AM | Comentários (22)
novembro 16, 2005
As 50 Estrelas de Hollywood - 30º ao 21º lugar
Chegamos a meio da lista. Alguns dos grandes nomes já ficaram para trás. Muitos injustamente talvez, mas fica ainda por se saber o que a segunda metade da tabela nos reserva. As grandes "injustiças" começam a perceber-se aqui, para quem as encontra. Os outros, vai seguindo a lógica do raciocinio de escolhas. Aqui têm as estrelas do 30º ao 21º lugar...
30 - CHARLES CHAPLIN
(1889 - 1977)

A maior estrela do cinema mudo sem qualquer discussão. Chaplin foi um visionário. Soube aprender os truques do oficio com a estrela Max Linder mas utilizou-os de forma a atingir todos os públicos. A sua mais famosa criação, Charlot, ainda hoje é um icone inesquecivel.
O orfão britânico chegou a Hollywood em 1914. Meia dúzia de anos depois já era uma estrela. Ajuda a fundar o estúdio United Artits e populariza a comédia em Hollywood, tendo como rival directo o popular Buster Keaton. A sua vida intima torna-o num dos maiores colunáveis da época. Casa-se várias vezes, uma das quais com uma menor com 14 anos o que provoca imensa polémica. A sua passagem para detrás das camaras não tem o sucesso previsto e apesar da popularidade de Charlot, a verdade é que Chaplin se torna persona non grata em Hollywood. Com a chegada do sonoro não abandona a mudez da sua personagem e retira-se de Hollywood. Parte para a Europa depois de fazer de rajada quatro obras-primas. The Gold Rush, The Circus, City Lights e Modern Times. É em 1940 que se ouve pela primeira vez Chaplin em The Great Dictator. O filme é nomeado para os óscares mas há muito que o actor está em ruptura com a Academia depois desta lhe ter entregue um óscar honorário após retirar de competição as suas múltiplas nomeações por The Circus, que era o mais forte candidato a vencer a primeira edição dos óscares. Em 1847 volta a ser nomeado como argumentista por Monsieur Verdoux, aquele que é talvez o seu mais espantoso desempenho e é em 1952 que no filme Limelight Chaplin atinge a sua total maturidade como artista. O filme é espantoso, como seriam os dois últimos, A King in New York e The Contess of Hong Kong, ambos dirigidos por ele. Em 1971 Chaplin suspense o seu exilio voluntário na Suiça para receber um óscar honorário. No ano seguinte vence um óscar pela melhor banda sonora de...Limelight, um filme com vinte anos. A morte encontra-o em 1977, levando assim um dos maiores mitos da história da 7º Arte.
29 - BARBARA STANWYCK
(1907-1990)

Descoberta por Frank Capra com vinte anos, Barbara Stanwyck será sempre uma das grandes actrizes da era dourada de Hollywood. Não teve o prestigio e prémios de Joan Crawford ou Bette Davis, mas as suas performnces nunca estiveram longe das realizadas pelas suas rivais.
Em 1937 salta definitivamente para a ribalta em Stella Dallas, pelo qual é pela primeira nomeada aos óscares. Volta a trabalhar com Capra em Meet John Doe e nos anos 40 entrega-se ao cinema de Serie B onde brilha em filmes como Double Indemnity (terceira nomeação) de Billy Wilder que também tinha escrito o argumento de Ball of Fire que lhe dá um segunda nomeação em 1941.
O final de década é em alta com Sorry, Wrong Number, a sua última nomeação e um dos seus mais brilhantes desempenhos, e no inicio dos anos 50 encontramo-la em Clash By Night e Jeopardy. Hollywood ignora o seu talento e os anos 50 são passados em produções de segunda como Catlle Queen Montana. Em Forty Guns é reabilitada por Samuel Fuller - num majestoso primeiro plano - mas esse será o seu último grande papel. Troca o cinema pela televisão e acaba por falacer em 1990, vitima de uma falha cardiaca.
28 - MONTGOMERY CLIFT
(1920 - 1966)

Um dos mais belos actores de sempre, foi também um dos mais trágicos. Tinha a sensibilidade dos clássicos mas era capaz de transmitir com o olhar a mesma frustração e raiva que a geração dos jovens rebeldes que surgiu poucos anos depois da sua auspiciosa estreia em Red River. Nesse mesmo ano de 1948 consegue a sua primeira nomeação pelo seu desempenho em The Search.
No ano seguinte encontramo-lo em The Heiress mas é em 1951 que Montgomery Clift é definitivamente consagrado. Foi o ano do inesquecivel A Place in the Sun de George Stevens, um trabalho fabuloso que lhe valeu a sua segunda nomeação em três anos. Os três anos seguintes ficariam marcados pelo trabalho desenvolvido com dois "monstros" da realização, Vittoria de Sica (Stazione Termini) e Alfred Hitchcock (I Confess). Em 1953 é de novo nomeado aos óscares pelo papel de soldado amargurado em From Here to Eternity. Era a consagração final do seu talento. No entanto os anos 50 foram dificieis. O problema com o alcoolismo e as sucessivas doenças marcaram-no imenso, exteriormente mas também na sua cabeça. Talvez por isso a sua amargura em Suddenly Last Summer pareça tão real, naquele que é um dos seus mais espantosos desempenhos. Em 1961 entra ainda no gigantesco elenco de Judgment of Nuremberga e juntamente com Marilyn Monroe e Clark Gable é um dos inadaptados de John Houston em The Misfits. A sua beleza etérea começava a ser destruida, primeiro pela doença e depois por um acidente de automóvel que o desfigurou parcialmente. A sua homossexualidade marcava-o junto dos seus pares, e a sua dependência de alcool e drogas tornou-se cada vez maior. Foi encontrado morto no seu quarto a 23 de Julho de 1966.
27 - WILLIAM HOLDEN
(1918 - 1981)

Afirmou-se sempre como um duro, e os seus papeis eram coroados sempre com uma dose de cinismo que fazia de William Holden um actor único.
Estreou-se no cinema nos anos 30 mas foi a década de 50 que o confirmou como um actor de excepção. Em 1950 trabalha em Born Yeasterday como secundário, mas, essencialmente, protagoniza uma das obras-primas de Billy Wilder, o inesquecivel Sunset Boulevard. A partir desse filme o seu nome passa a ser respeitado e três anos depois, de novo com Wilder, conquista o óscar à segunda tentativa. O filme era Stalag 17, um cruel retrato sobre um campo de prisioneiros da 2º Guerra, e o papel de Holden é perfeito. Continuando com Wilder, o realizador que melhor o compreende, faz com Bogart a corte a Audrey Hepburn em Sabrina. Continuará a viver papeis mais românticos em Love is a Many Splendored Thing e Picnic. Em 1957 é o irreverente Shears em The Bridge over the River Kwai e no final da década trabalha com Wayne e Ford em The Horse Soldiers. Praticamente desaparece de circulação durante uma década, voltando em 1969 em estilo no filme Wild Bunch. Anda pelos filmes catastrofe em Towering Inferno e é nomeado mais uma vez ao óscar pelo seu papel como impiedoso executivo em Network. A sua irritação por ter perdido para o seu colega, o já falecido Peter Finch, marcam bem a sua imagem de irreverente. Fará ainda mais um filme com Wilder, Fedora, antes de se despedir com pouco brio em algumas produções menores. A morte encontrou-o em 1981 como resultado de uma queda. Inglória partida para um homem tão duro!
26 - JOHN WAYNE
(1907 - 1979)

The Duke, como ficou conhecido, é hoje um autêntico icone da América. Durante quarenta anos foi um dos homens mais duros e valentes do Mundo, admirado por tudo e por todos, desde Roosevelt a Stalin. A sua fibra, o seu caracter quase impoluto, a determinação e a forma como defendia os seus valores fizeram dele um homem altamente respeitado. Para além disso, foi o "rei" do genero western durante quase quatro décadas, atravessando gerações, mas mantendo sempre o mesmo estilo.
Começou como jogador de futebol americano mas John Ford convenceu-o a entrar nos seus filmes. Acabou por ser o sucessor de Tom Mix. Em 1939 no filme Stagecoach, com 32 anos, assume-se como uma verdadeira estrela. Já tinha 92 filmes no curriculo. Tornou-se imediatamente o actor oficial de Ford, o lider da sua troupe. Com ele faria alguns dos seus maiores papeis em filmes como Forte Apache ou Three Godfathers. Ainda nos anos 40 começou também a trabalhar com Howard Hawks, outro dos realizadores que melhor o soube utilizar. Foi para ele que em 1948 fez Red River.
Os anos 50 ficaram marcados pela trilogia da cavalaria de Ford (She Whore a Yellow Ribow, The Horse Soldiers e Rio Grande) e pelo gigantesco papel como Ethan Edwards na obra-prima de Ford The Searchers. Pelo meio ficam ainda filmes como The Quiet Man, The Wings of the Eagle ou Hondo. Antes tinha chegado a primeira nomeação ao óscar no filme The Sands of Iwo Jima, ele que sempre se dividiu entre o Velho Oeste e os cenários de guerra. Em 1959 mais um papel inesquecivel, desta feita para Hawks, em Rio Bravo. E três anos depois, agora de novo com Ford, vem The Man Who Shoot Liberty Valance. O óscar só chegará em 1969, quando ninguém esperava, por um papel, que no meio de todos estes, parece bem menor, em True Grit. Pelo meio tinha ficado a experiência fracassada como realizador em The Alamo. Em 1977 John Wayne dá o seu último show no filme The Shootist, encerrando a sua carreira com chave de ouro. Morrerá dois anos mais tarde, vitima de um cancro no estomago.
25 - ROBERT DE NIRO
(1943 - )

Se Wayne se tornou o rei do western, é dificil não olhar para Robert de Niro como o actor que melhor soube encarnar o espirito da máfia, essa organização criminal tão cinematográfica. Apesar de já ter mostrado o seu valor noutros papeis, é sempre a essa imagem de durão sem piedade que associamos de Niro.
Lançada por Scorsese - de quem será actor fetiche durante mais de vinte anos - em Mean Streats, é consagrado no ano seguinte ao viver Vitto Corleone, a mesma personagem que Brando criara de forma única dois anos antes, em The Godfather II. Apesar de só falar italiano durante o filme, recebeu o óscar de melhor actor secundário à primeira tentativa. Dois anos depois e nova nomeação pelo seu desempenho explosivo como Travis Bickle em Taxi Driver. O seu ecletismo começa a evidenciar-se nesse mesmo ano ao trabalhar com Gerard Depardieu no épico de Bertolucci, 1900. Volta a Scorsese para fazer New York, New York e trabalha com outro movie-brat, Michael Cimino, em The Deer Hunter. Passa depois dois anos a preparar-se para encarnar o complexo Jack La Motta e dá um dos mais fortes desempenhos de sempre em Raging Bull. O óscar surge com naturalidade fazendo do jovem de Brooklyn o mais bem sucedido actor da sua geração (a mesma de Nicholson, Pacino e Hoffman é preciso não esquecer). Continua fiel a Scorsese e entra no flop que acaba por ser The King of Comedy onde contracena com Jerry Lewis e volta ao cinema europeu para fazer The Mission. Pelo meio tinha ficado Once Upon a Time In America de Leone. Foi um inesqucivel Al Capone em The Untouchables e a fechar os anos 80 filma Goodfellas e Awekenings. Pelo primeiro consagrar-se-á definitivamente como actor de filmes sobre a Máfia. Com o segundo ganha a sua sexta nomeação ao óscar. Nomeação que repete no ano seguinte ao revisitar o papel já vivido por Robert Mitchum em Cape Fear.
A partir daí a sua carreira acalma. Volta a brilhar com Scorsese em Casino já em 1995 e trabalha com Tarantino em Jackie Brown. Pelo meio ficam Wag the Dog e Heat. Com uma filmografia impar, de Niro começa a satirizar-se e entra no universo da comédia, primeiro com Billy Cristal e depois com Ben Stiller. Prepara-se agora para dirigir o seu terceiro filme, The Good Shepard.
24 - SPENCER TRACY
(1900 - 1967)

Foi um dos nomes mais populares dos anos 30, conseguindo um feito que demoraria cinquenta e cinco anos a ser quebrado. A sua carreira ficou ainda marcada pela relação extra-matrimonial que teve com Katharine Hepburn, ele que era um ferveroso católico, mas que encontrou nela a sua alma gémea.
A sua estreia no cinema surgiu aos 30 anos com uma serie de pequenos papeis em produções dos inicios dos anos 30. Em Up the River começa a fazer o seu nome brilhar mas é em 1936 que se confirma como um actor de excelência em Fury de Fritz Lang. Nesse mesmo ano é nomeado ao óscar pelo seu papel em San Francisco.
Os dois anos seguintes seriam os melhores da sua carreira. Venceria dois óscares consecutivos - algo que só Tom Hanks conseguiu igualar em 1994 - por Captain Courageus e Boy´s Town - e conheceu Katharine Hepburn, sua companheira até à morte.
Em 1940 trabalha com King Vidor em Northwest Passage, um filme violentissimo onde todo o seu talento vem ao de cima, e os anos 40 ficam marcados pela dupla Spencer-Hepburn em Woman of the Year, Pat and Mike, mas acima de tudo, em Adam´s Rib. No ano seguinte nova nomeação por Father of the Bride, e os anos 50 mostraram-se altamente benéficos para a sua carreira com mais duas nomeações, pelos desempenhos em Bad Day at the Black Rock e The Old Man and the Sea. Longe das grandes produções, Tracy fazia do mais pequeno filme uma verdadeira obra imperdivel. É o que acontece em 1960 com Inherit the Wind. Nomeado por The Judgement of Nuremberga, os anos 60 são já de despedida. Velho, cansado, bastante doente, Tracy tem apenas forças para mais uma aventura ao lado de Hepburn e Sidney Poitier. Guess Who´s Coming to Dinner ajudou a quebrar tabus e valeu-lhe a nona nomeação. Mas Tracy não chegou a ver o filme. Morreu nas vesperas de acabarem as rodagens do filmem, vitima de mesma doença que o vinha atormentado à anos, a diabetes.
23 - JOAN CRAWFORD
(1904 - 1977)

De temperamento facilmente irritável, capaz do melhor e do pior, rival eterna de Bettie Davis, a carreira de Joan Crawford teve tanto de polémica como de cinema. Acusada de ir para os castings com os produtores e realizadores vestida com um casaco e nada mais por baixo, de ter tido uma rápida mas fulgurante carreira na indústria porno underground, Joan Crawford está longe de ser uma estrela consensual. Mas é uma actriz de altissimo nivel.
Começou a sua carreira na época do mudo e foi das poucas actrizes que conseguiu sobreviver ao dificil teste do "sonoro". Em Grand Hotel faz parte de um elenco de estrelas, mas uma guerra com a vedeta Garbo quase faz com que seja substituida. Como vingança, toca bem alto os discos de Dietrich no seu camarim para Garbo ouvir. Passa os anos 30 em pequenos papeis e tenta ser - como toda a gente - Scarlett O´Hara, mas sem sucesso. Em 1945 arranca uma performance explosiva em Mildried Pierce e vence o óscar. Nessa altura já existia uma rivalidade quase mortal com Bettie Davis. Em 1950, quando Davis estava nomeada pelo seu papel em All About Eve, era a Joan Crawford que cabia receber a estatueta por qualquer uma das quatro outras nomeadas ausentes, se Davis não ganhasse. Foi o que aconteceu e em palco o sorriso de Crawford era triunfal. Antes disso já tinha falhado o segundo óscar em 1947 pelo seu papel em Possessed. Sudden Fear é a sua terceira nomeação mas é como Vienna no inesquecivel Johnny Guittar que o seu nome ganha contornos de verdadeira estrela.
Em 1962 as duas eternas rivais, Davis e Crawford, dividem o ecrãn no inesquecivel Whatever Happened to Babby Jane. Com ambas as actrizes a tentarem constantemente superar-se, o filme é um marco histórico e uma verdadeira reliquia. Será também o último grande papel de Crawford que passa o resto da sua carreira despercebida, antes de falecer em 1977, vitima de cancro.
22 - BURT LANCASTER
(1913-1994)

Tentaram catalogá-lo apenas como "mais um duro" no inicio da sua carreira. Custou livrar-se do rótulo, mas assim que o conseguiu, Burt Lancaster provou ao mundo que era de facto um dos maiores e mais majestosos actores da história do cinema.
A sua fama de duro vem dos seus primeiros papeis nos anos 40. Repara-se nele pela primeira vez em Come Back Little Sheba, drama que valeu o óscar a Shirley Both, mas onde Lancaster é soberbo como um alcoolico a tentar superar o vicio. No ano seguinte a consagração no grande vencedor do ano, From Here to Eternity, que lhe vale igualmente a primeira nomeação ao óscar. Em The Rose Tattoo divide o ecrãn com a diva italiana Sophia Loren. A sua presença em filmes europeus ou filmes com estrelas europeias será uma constante, fazendo dele um actor altamente apreciado na Europa. The Rainmaker, Gunfith at the O.K. Corral e Sweet Smell of Sucess marcam o final dos anos 50. No primeiro ano da década seguinte chega o seu mais aclamado desempenho no filme Elmer Gantry de Richard Brooks. Papel que lhe permite arrecadar o óscar e confirmar os seus dotes de actor dramático. Como todos os actores na moda, entra em The Judgement of Nuremberga, mas é no filme The Birdman of Alcatraz que volta a encantar tudo e todos, conseguindo a terceira nomeação. Em 1965 faz o papel de uma vida no filme de Luchino Visconti Il Gattopardo, onde contracena com Claudia Cardinalli e Alain Delon. Voltará a encontrar o actor francês no notável Scorpio, já nos anos 70, onde volta também à Europa para fazer 1900. O inicio dos anos 80 ficam marcado por Atlantic City USA, o seu último papel premiado, a sua quarta nomeação ao óscar, e a última vez em que se exibiu ao seu melhor nivel. Até falecer, em 1993 continuará a trabalhar, na Europa e em Hollywood, em pequenas produções.
21 - CARY GRANT
(1904-1986)

É provavelmente o actor mais charmoso da história do cinema. Não é por acaso que foi nele em que Ian Fleming pensou ao escrever James Bond. O actor esteve mesmo para viver a personagem, não fosse já a sua avançada idade. Um charme e um talento impares, que ao serviço de alguns dos maiores realizadores de sempre, fizeram dele uma estrela de altissimo nivel.
Britânico, como não podia deixar de ser, começou a carreira no inicio dos anos 30. Foi no universo das screwballs que vieram os seus primeiros grandes sucessos. Em 1936 contracena pela primeira vez com Katherine Hepburn em Sylvia Scarlett. Em sete anos voltará a faze-lo em Bringing Up Baby e The Philadelphia Story, dois dos seus melhores trabalhos. Pelo meio fica The Awful Truth - filme de Leo McCarrey - e Only Angels Have Wings de Howard Hawks. Em 1941 é a vez de trabalhar com Frank Capra em Arsenic and Old Laces. Nesse mesmo ano inaugura a sua longa parceria com Hitchcock - a par de James Stewart, é o seu actor preferido - no filme Suspicion. O seu lado mais negro é visto pela primeira vez em None But the Lonely Heart, notável desempenho num filme pequeno mas cheio de magia que lhe valeu a segunda e última nomeação ao óscar. Entretanto já tinha chegado a primeira nomeação ao óscar por Penny Serenade, filme de George Stevens onde volta a contracenar com Irene Dunne, sua parceira de muitos screwballs dos anos 30. Em Notorious, volta a reunir-se com Hitchcock, filmando com Bergman um dos beijos mais conhecidos da história do cinema.
I Was a Male War Bride fecha os anos 40 com chave de ouro para Grant que entra na década de 50 como um actor veterano e consagrado. Em 1952 volta ás comédias com Ginger Rogers no filme Monkey Business e três anos depois faz o seu terceiro filme com "o mestre do suspense"; To Catch a Thief. Em 1959 é o heroi de Hitchcock pela última vez em North By Northwest, consagrando-se agora como actor de acção. Durante os anos 60 decide retirar-se. Rejeita o papel de 007 e faz uma última aparição em estilo no filme Charade. Morrerá em 1986, depois de vinte anos sem fazer um único filme, mas continuando a estar na memória de todos os amantes de cinema.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:10 AM | Comentários (7)
novembro 15, 2005
As 50 Estrelas de Hollywood - 40º ao 31º lugar
Depois da lista começar é quase impossivel parar. A partir do momento em que se define o limite da lista, os nomes que compõem a sua base, fica mais fácil saber os nomes que estão à sua frente. O problema a partir de agora começa a ser a ordem desses nomes, sempre criticável, mas justificável pelo facto de serem nomes de épocas diferentes, com impactos diferentes na história do cinema. Os senhores e senhoras do 40º ao 31º posto seguem dentro de momentos...
40 - NATALIE WOOD
(1938-1981)

Foi a menina bonita dos anos 60. Entrou em alguns dos mais emblemáticos filmes da década e afirmou-se imediatamente como uma grande actriz em potência, isto apesar de já ser presença assidua nos filmes desde os sete anos de idade.
Foi em 1961 que o talento de Natalie Wood saltou à vista. A jovem já tinha surgido ao lado de James Dean em Rebel Without a Cause ou em The Searchers, causando grande impressão, mas foi graças a dois desempenhos nesse ano que o seu nome se elevou para as estrelas. Primeiro no poderoso drama Splendor in the Grass e por fim no grande campeão de prémios do ano, o musical West Side Story, onde curiosamente era dobrada pela também actriz Rita Moreno. Com o sucesso dos seus desempenhos Wood tornou-se na queridinha de muitos realizadores. Até ao final dos anos 60 entrou em filmes como em Love With a Proper Stranger, This Property is Condemned ou ainda em Inside Daisy Clover. Os anos 70 foram quase um oásis para a rebelde actriz e a morte iria encontrá-la demasiado cedo. Um acidente misterioso em 1981 - Natalie Wood caiu ao mar e morreu afogada quando passava uns dias em alto mar com o marido, Robert Wagner, e Christopher Walken - roubou-nos uma notável actriz e uma das grandes estrelas de Hollywood.
39 - JODIE FOSTER
(1962 - )

É um dos casos mais gritantes de talento precoce. Foster aos três anos já entrava em filmes e foi como uma jovem "lolita" que se foi afirmando na indústria. Foi em 1974 que Martin Scorsese a escolheu para ser a "Musa" de Robert de Niro em Taxi Driver. A partir daí a sua carreira entrou numa espiral ascendente, tornando-a na jovem actriz mais bem sucedida de Hollywood. Até aos 20 anos entrou ainda em filmes de sucesso como Bugsy Malone ou Foxes. De repente Foster deixa o cinema. Talento precoce, a jovem era também uma sobredotada na escola e decidiu primeiro acabar o seu doutoramento e só depois voltar ao mundo da sétima arte. E quando regressou, foi em grande.
Estavamos em 1988 e o seu papel explosivo em The Accused, onde encarna uma mulher violada que procura justiça, deixou meio mundo do boca aberta. E o óscar foi-lhe entregue. Depois de uma segunda pausa, Foster voltou num thriller ambicioso. Inesperadamente voltou a conquistar o óscar, o segundo da sua carreira, ainda não tinha 30 anos. O filme era The Silence of the Lambs e confirmou-a como uma poderosissima actriz dramática. Algo que foi rapidamente confirmado nos seus papeis seguintes em Nell, Summersby ou Contact. Foi então que surgiu a polémica à volta da sua homossexualidade e uma terceira pausa na carreira. Foster está a regressar aos poucos agora, mas sem o sucesso dos seus anteriores come-backs. Mas mesmo assim é uma das grandes actrizes da história de Hollywood.
38 - DENZEL WASHINGTON
(1954 - )

É o mais bem sucedido actor de raça negra de sempre. Um feito que Washington estaria longe de imaginar quando deu os seus primeiros passos no cinema. Hoje, com dois óscares da Academia - o único membro de uma minoria étnica a consegui-lo - é uma verdadeira instituição, um actor respeitado não só na sua comunidade como em todo o Mundo.
Apesar dos primeiros passos no cinema terem chegado no inicio dos anos 80, foi no final da década que duas nomeações ao óscar de melhor actor secundário lançaram o alerta para o seu talento. Em Cry Freedom foi Steven Bicko, um dos herois da resistência ao Apartheid. Em Glory viveu algumas das cenas mais intensas de um filme sobre racismo, guerra e libertação pessoal. E chegou o primeiro óscar e com ele abriram-se as portas de Hollywood. Foi então que Washington encontra Spike Lee, realizador com quem irá trabalhar em Mo´Better Blues, mais um notável desempenho. Os anos 90 são de altissimo nivel. Malcolm X, The Pelican Brief, Philadelphia e The Hurricane são apenas os melhores exemplos do seu gigantesco talento. Será no entanto como o policia mais politicamente incorrecto desde os dias de Dirty Harry que Washington finalmente vence o óscar de melhor actor principal. Depois do triunfo em Training Day uma breve pausa na carreira para filmes menos ambiciosos e agora o regresso de Denzel está a ser de novo orquestrado por Spike Lee no filme The Insider.
37 - DANIEL DAY-LEWIS
(1957 - )

O cinema corre nas veias de Day-Lewis mas a verdade é que ele não nasceu para ser um actor profissional. Prova-o o seu caracter e a sua vida errante, um verdadeiro alternativo a sistema de produção. Mas como esquecer os seus papeis mais miticos, verdadeiras pérolas cinematográficas?
Foi com dois jovens realizadores britânicos em ascensão, em 1985, que Daniel Day-Lewis começou a dar nas vistas. Em My Beautifful Laundrette, filme de Frears, a personagem homossexual de Day-Lewis era verdadeiramente espantosa. Tal como o actor o foi no filme de James Ivory A Room With a View. Quando quatro anos depois conquista o óscar pelo filme My Left Foot, estava confirmado que ali estava um dos maiores actores britânicos dos últimos anos.
No entanto o seu estilo de vida errante vai mante-lo parado durante largos periodos de temp. Em 1993 regressa brilhantemente com In the Name of the Father e The Age of Innocence mas só em 1997 é que o actor volta em estilo no filme The Boxeur. Nova ausência até que Scorsese o convida para Gangs of New York. Desempenho soberbo mas a Academia nega-lhe o segundo óscar. Day-Lewis diz que deixa definitivamente Hollywood e de lá para cá tem sido visto em pequenas produções, mas com o carisma que se lhe conhece.
36 - JEREMY IRONS
(1948 - )

Pouco habituado a grandes produções, o nome de Jeremy Irons é imediatamente associado a personagens complexas e altamente cativantes. Um talento que é melhor explorado por realizadores fora da corrente do mainstream, como prova bem a sua carreira.
Irons começa nos palcos londrinos e daí salta para o grande ecrãn nos anos 70. É no filme The Mission de 1985 que se consagra definitivamente como um dos mais interessantes actores do momento, algo que vai confirmar por inteiro em 1988 no seu duplo desempenho em Dead Ringers de David Cronenberg. Em 1990 chega o óscar, de forma repentina mas inteiramente merecida, pelo seu desempenho em Reversal of Fortune. A carreira está consagrada e os anos seguintes são dedicados a projectos menos sucedidos como Kafka ou The House of Spirits.
Depois de filmes mais alternativos como Stealing Beauty ou o remake de Lolita, Irons afasta-se progressivamente de Hollywood, tendo pequenos papeis secundários em filmes britânicos como The Merchant of Venice ou Being Julia. Com Kingdom of Heaven testemunhamos o seu regresso à ribalta ele que já tem vários projectos anunciados para os próximos anos, uma noticia que certamente agradará aos imensos admiradores que o seu talento foi conquistando em meias de trinta anos de carreira.
35 - MORGAN FREEMAN
(1937 - )

O mundo demorou a reparar em Morgan Freeman. Antes tarde do que nunca. Nos últimos vinte e cinco anos o actor afirmou-se como um dos maiores nomes da sua geração, um verdadeiro gigante da arte de representar. Só este ano a confirmação foi "oficializada" com o óscar, mas de Freeman já se ouve falar há algum tempo.
Nos anos 60 começa a trabalhar no cinema e na televisão mas é a década de 80 que o confirma definitivamente. Em 1987 no filme Street Smart consegue uma surpreendente e merecida nomeação aos óscares e afirma-se como o actor negro de maior projecção. Imediatamente a seguir entra em Glory - filme que consagra o seu amigo Washington - e em Driving Miss Daisy, onde perde o óscar de principal para Day-Lewis.
Os anos 90 ficam marcados por desempenhos memoráveis. Em 1992 está ao lado de Clint Eastwood no multi-premiado The Unforgiven. Seguem-se The Shawshank Redemption e Se7en que o tornam um dos actores mais populares do mundo. Entretanto passo os anos seguintes em produções menores e regressa em 2004 no filme Million Dollar Baby em grande estilo, conquistando o já merecido óscar. A sua voz é de tal forma espantosa que foi contratado para a narração do documentário March of the Emperor e é hoje um dos rostos e vozes mais facilmente reconheciveis em todo o Mundo.
34 - MICHAEL CAINE
(1933 - )

Teve dificuldades em se impor aos nomes maiores da sua geração. Não era nenhum Richard Burton, Peter O´Toole ou Albert Finney e por isso foi dificil impor-se como um working class hero no cinema britânico dos anos 50 e 60. Seria no entanto ao encarnar uma dessas personagens tão comuns em Alfie que o seu nome saltaria para a ribalta. O desempenho valeu-lhe uma nomeação ao óscar e o seu nome ficou definitivament estabelecido. Caine seria mesmo um dos poucos actores a conseguir uma nomeação por cada década de trabalho, algo ao alcance de muito poucos.
Depois de se afirmar no cinema britânico com o seu inesquecivel desempenho em Sleuth, ao lado do gigante Laurence Olivier, o jovem Caine tenta a sua sorte em Hollywood. Vai ter dificuldade em entrar em grandes produções e será em California Suite que volta a destacar-se, já no final da década. Os anos 80 trazem um Caine amadurecido e multi-premiado pelo seu desempenho em Hannah and Her Sisters, o mais melodramático filme e Woody Allen. Nova nomeação por Educating Rita e a sua carreira entra num periodo de estagnação. É já como veterano no final dos anos 90 que voltam os papeis de destaque e o segundo óscar em Cider House Rules. Habituado agora a papeis secundários, é com surpresa que consegue a sua terceira nomeação como principal em The Quiet American, três anos depois. Hoje Michael Caine é uma referência para todos os amantes do cinema. Nunca chegou ao nivel dos dois nomes maiores da sua geração, mas acabou por ir bem mais longe do que se prespectivava no inicio da sua carreira.
33 - SEAN PENN
(1960 - )

O seu feitio irritante para muitos, as suas posições politicas e o seu low profile tornaram-no numa especie de "anti-estrela". Mas o seu talento é indesmentivel, sendo provavelmente o segundo maior actor de toda a sua geração, o que já é dizer bem do seu valor.
Sean Penn começou a surgir em comédias nos anos 80, mas não era esse definitivamente o seu meio. É no drama policial State of Grace que consegue o seu primeiro grande desempenho, tornando-o num nome a seguir atentamente pelos estúdios. Trabalha com Al Pacino em Carlito´s Way e salta para a ribalta definitivamente em Dead Man Walking. A sua nomeação ao óscar foi polémica, mas a vitória não chegou a acontecer. Seria a primeira de quatro até hoje. Ao longo dos anos 90 o actor vai-se estabelecendo definitivamente como um dos maiores, trabalhando com Malick em The Thin Red Line ou Woody Allen em Sweet and Lowdown, filme que lhe vale uma segunda nomeação. É já neste século que Penn se afirma definitivamente com uma mão cheia de notáveis desempenhos. Em I Am Sam fica perto de conquistar o ansiado óscar mas será 2003 o seu maior ano de sempre com dois desempenhos dignos da vitória. Seria por Mystic River e não por 21 Grams que o óscar iria parar ás suas mãos. Depois do triunfo continuou a trabalhar ao seu melhor nivel como o provam bem The Assassination of Richard Nixon, The Interpreter e All the Kings Man. Apesar da polémica que o seu nome levanta, o seu valor é inquestionável. Sean Penn é uma das grandes estrelas de Hollywood.
32 - VIVEN LEIGH
(1913 - 1967)

O seu ar frágil mas de caracter determinado fizeram dela uma das mais fascinantes actrizes de sempre. O seu casamento com Laurence Olivier ajudaram a criar um dos casais mais emblemáticos da história do cinema e os seus mais famosos desempenhos tornaram-na numa "Musa" para muitas jovens actrizes.
Vivien Leigh começou a sua carreira nos anos 30 e o seu quarto filme, Fire Over England, fez dela um dos nomes mais aplaudidos do ano. No casting para se tornar Scarlett O´Hara de Gone With the Wind ultrapassou as maiores actrizes do seu tempo e deu ao mundo um desempenho memorável, vencendo o óscar com toda a justiça. No entanto, problemas de saude e o azedar da sua relação com Olivier foram-na afastando do grande ecrãn, onde voltou pontualmente durante os anos 40 para papeis que nunca tiveram o impacto esperado. Foi em 1951 que a actriz consegue o seu mais brilhante come back, ao ser Blanche de Bouis em A Streetcar Named Desire. O sucesso do seu papel praticamente ofoscou a rising star Marlon Brando e valeu-lhe o segundo óscar, tornando-a numa das poucas actrizes a deter o registo perfeito de duas nomeações e duas vitórias.
Até ao final da sua carreira Leigh só entrará em mais três filmes, mas o último, Ship of Fools é inesquecivel graças ao seu autêntico tour de force, que confirmaram até para os mais cépticos, que ela era uma das grandes actrizes da história do cinema. Faleceu em 1967, vitima de uma tuberculose crónica, ela que tinha sido sempre perseguida por uma frágil saúde que a impediram muitas vezes de voar ainda mais alto.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:55 PM | Comentários (8)
novembro 14, 2005
As 50 Estrelas de Hollywood - 50º ao 41º lugar
Todas as listas são conhecidas pelo seu inicio, pelos nomes que ficaram no topo. Mas qualquer lista que se faça começa sempre pelo fim. Não se trata apenas de arrumar a casa. Por vezes esta é a parte mais dificil de fazer numa lista, já que estamos no limbo entre aqueles que entraram no top e os muitos gigantes que ficaram de fora.
Escolhas que têm de ser feitas. Senhoras e senhores, os dez nomes que abrem a lista As 50 Estrelas de Hollywood são...
50 - GENE TIERNEY
(1920-1991)

Uma das grandes divas dos anos 40 e 50, Gene Tierney foi uma actriz que marcou a geração de ouro do cinema de Hollywood. Começou a despontar em Heavan Can Wait de Ernst Lubitsch, mas seria com Otto Preminger que conseguiria o seu mais famoso desempenho em Laura. Estavamos em 1944. A sua beleza e pose dianta da camara transformaram-na numa das actrizes mais populares da época e depois dos seus papeis em Leave Her to Heaven e The Ghost and Mrs Muir foi igualmente aclamada pela critica. Com uma conturbada vida romantica, Tierney nunca foi feliz fora do seu habitat natural, o estúdio, e quando a sua carreira entrou em declineo a actriz deixou-se derrotar por múltiplas depressões. Viria a falecer em 1991, vitima de um enfisema, mas já há 26 anos que não fazia um filme.
49 - SEAN CONNERY
(1930 - )

Foi o primeiro James Bond e isso já chegava para o colocar num lugar de destaque da história do cinema. O actor escocês popularizou o sedutor 007 de tal forma que ainda hoje é considerado como o mais perfeito dos Bonds. Com medo de ficar demasiado preso à personagem abandonou-a nos anos 70 para se dedicar a papeis mais dramáticos. The Who Would Be King e The Name of the Rose consagraram-no como um dos mais talentosos actores da sua geração. Venceria o seu único óscar até hoje em 1987 como secundário no filme The Untouchables. A partir daí tornou-se num dos actores mais respeitados do Mundo. Apesar de praticamente ter deixado os papeis principais, teve participações de alto nivel em filmes como The Rock ou Finding Forrest, filmes que também produziu. É ainda hoje considerado um dos homens mais sexys do mundo e vai ser premiado em 2006 pela American Film Institute pelos serviços prestados à indústria cinematográfica.
48 - MARLENE DIETRICH
(1901-1992)

Uma das primeiras grandes estrelas do cinema. Chegou aos Estados Unidos nos anos 30 depois de uma década de 20 onde despontou como a grande diva do cinema alemão. Consagrada no filme Der Blaue Engel, a jovem actriz explode verdadeiramente no filme Morroco. Estavamos em 1930. Nos anos seguintes papeis em filmes como Blond Venus, The Scarlett Empress ou Shangai Express tornaram-na num caso de grande sucesso. A sua rivalidade com Greta Garbo era histórica. Com a actriz sueca a abandonar o cinema, Dietrich também passou nos anos 40 por dificuldades. Outros tempos onde a outrara grandiosa alemã já parecia não ter lugar. A Foreign Affair, Ranch Notorius e Witness For the Prosecution trataram de provar que a grandeza de Marlene ainda se mantinha, e o seu pequeno papel em The Touch of Evil de Orson Welles funcionou como um coroar perfeito de uma grande carreira. Nos anos 60 deixou o cinema e veria a falacer em 1992.
47 - JOHNNY DEPP
(1963 - )

Com 42 anos Johnny Depp é já uma das maiores estrelas da história do cinema. Uma carreira de mais de vinte e cinco anos coroada com desempenhos absolutamente notáveis, fizeram deste jovem "parte-corações" da serie 21st Jump Street num verdadeiro icone.
Depp explode verdadeiramente em Edward Schissorhands. Seria aliás com Tim Burton que o actor conseguiria os mais espantosos desempenhos, repetindo a parceria mais três vezes: Ed Wood, Sleepy Hollow e Charlie and the Chocolate Factory.
Os anos 90 serviram para Depp se consagrar como um idolo para os mais jovens com papeis em filmes como D. Juan, Blow ou ainda Donnie Brasco, ou ainda como menino bonito da critica graças o seu poder de "transformação" nos filmes Fear and Loathing in Las Vegas ou The Brave, que também realizou e onde voltou a contracenar com o seu idolo e amigo, Marlon Brando.
Os últimos anos têm servido para consagrar definitivamente a imagem de Depp. Duas nomeações consecutivas aos óscares, pelos notáveis desempenhos em The Pirates of the Caribean e Finding Neverland e um estatuto invejável, fazem dele uma autêntica lenda viva.
46 - WALTER BRENNAN
(1894-1974)

É o maior actor secundário na história do cinema e só isso já é digno de lhe valer um lugar nesta lista. Mas mais do que as suas inesqueciveis personagens, Walter Brennan fica para a história como um actor como já não se faz. De vilão a herói, de velho resmungão a "tio perfeito", Brennan fazia todo o tipo de papeis.
Começou a sua carreira como actor em 1925 e fez mais de 200 filmes. O primeiro a fazer dele um nome a reter foi Fury de Fritz Lang. Mas seria com Howard Hawks que o actor conseguiria os seus mais inesqueciveis desempenhos. To Have and Have Not ou Rio Bravo são apenas os exemplos mais faceis de encontrar. Pelo meio ficaram os três óscares como melhor actor secundário entre 1936 e 1940 nos filmes em Kentucky, Come and Get It e The Westerner. O actor seria ainda nomeado por Sargeant York em 1941 mas não voltaria a ganhar. Mas durante mais vinte anos encheu as salas com personagens inesqueciveis que fizeram dele um nome hoje escrito a letras de ouro.
45 - MAGGIE SMITH
(1934 - )

Começou a brilhar como actriz de teatro e a verdade é que demorou a despontar como uma das maiores actrizes britânicas de sempre no grande ecrãn. The V.I.P.´s abriu a sua estreia na 7º arte, estavamos em 1963, e dois anos depois Maggie Smith já era nomeada aos óscares pela sua interpretação como Desdémona em Othelo. Não venceu dessa vez mas quatro anos depois, em The Prime of Miss Jean Brody, a experiente actriz consegue a sua primeira vitória. Smith voltará a ser nomeada quatro vezes e em 1978 chega o segundo óscar no filme California Suite. Pelo meio ficou o inesquecivel Travels With My Aunt.
Os anos 80 ficaram marcados por filmes como A Room With a View. Seria já no final dos anos 90 que o seu nome voltaria à ribalta. Primeiro em Gosford Park, onde consegue a última nomeação aos óscares, e depois pelo seu papel como McGonagall na saga cinematográfica de Harry Potter.
44 - GRETA GARBO
(1905-1990)

Uma cara inesquecivel. Uma maneira de sofrer que seria imitada até à exaustão pelas gerações vindouras. "Estou farta!" dizia durante Grand Hotel. E a verdade é que sempre esteve. Garbo não nasceu para o cinema apesar de ter sido durante quinze anos uma das suas maiores estrelas.
Começou a sua carreira na Suécia em filmes menores e no final dos anos 20 o seu papel em Anna Christie foi suficiente para a levar até Hollywood. Tratada como uma autêntica divindade, Garbo nunca se habituou ao star-system de Hollywood. A sua polémica relação com John Gilbert também não ajudava e os papeis pareciam estar sempre abaixo das suas reais potencialidades. Mesmo assim houve Mata Hari, Grand Hotel, Camille, Anna Karenina e Ninotchka. Este último seria a sua última grande presença em cena. Com apenas 35 anos, na flor da idade, ainda detentora de toda a sua invejável beleza e talento, Garbo retira-se. Ficou o mito e a dúvida sobre o que teria sido o seu futuro se continuasse a representar. Mas nos anos em que se dedicou ao cinema, Garbo foi uma das mais cintilantes estrelas de Hollywood.
43 - RUSSELL CROWE
(1964 - )

De temperamento intempestivo, talvez demasiado rebelde para os dias que correm, Russell Crowe é um homem fora do sistema que este recruta constantemente, conseguindo retirar o melhor que há dentro deste actor australiano. E de facto os últimos dez anos provaram que Crowe é uma das estrelas da sua geração.
Depois de uma passagem pelo cinema australiano, Crowe partiu em 1992 para Hollywood. Eram os dias de Romper Stoomper e The Quick and the Death, filmes que já davam bem a noção do estilo da futura estrela.
É no entanto em 1997 que Crowe explode verdadeiramente no filme L.A. Confidential. A partir daí a sua carreira sob vertiginosamente. Dois anos depois é nomeado ao óscar pelo seu contido papel em The Insider, transformando por completo a sua imagem de briguento. É no entanto como general romano transformado em escravo no filme The Gladiator que Crowe conquista o óscar, afirmando-se como um dos nomes maiores dos nossos dias. O terceiro ano consecutivo como nomeado chega com A Beautiful Mind. A vitória do filme em várias categorias não foi suficiente para Crowe bisar no óscar. Chateado com o sistema, o actor afasta-se para a Austrália. Mas será por pouco tempo. Volta em Master and Commander e Cinderella Man e continua a exibir todos os dotes que o consagraram. Resta saber se o seu caracter intempestivo poderá vir a prejudicar (mais) a sua carreira, ou se o melhor de Crowe ainda está para vir.
42 - JAMES MASON
(1909-1984)

O mais popular actor britânico da sua geração hoje, mas extremamente subvalorizado à época. A Mason faltou muito do carisma que Laurence Olivier tinha fora de cena para se consagrar como aconteceu com Alec Guiness, seu contemporâneo.
A sua estreia no cinema britânico sucede à sua vasta experiência nos palcos londrinos. É nos anos 40 que chega a Hollywood mas o filme que o vai afirmar definitivamente data de 1953. Depois do sucesso de Five Fingers, Mason passa a ter mais papeis de destaque. É aí que surgem A Star is Born ou Bigger than Life, papeis inesqueciveis que o confirmaram como um dos grandes da sua geração. Antes disso tinha em Julius Caeser conseguido um dos mais inesqueciveis desempenhos como actor shakesperiano no grande ecrãn. Mostrando bem a sua versatilidade, foi o vilão com mais glamour da filmografia hitchockiana em North By Northwest. Em Lolita voltou a explorar a sua capacidade para viver personagens perturbadas e acabou por entrar na maior parte dos épicos falhados dos anos 60. Continuaria a estar presente como actor secundário em diversas produções sendo nomeado aos óscares pela terceira vez em 1982 no filme The Veredict. Morria dois anos depois depois de quase 150 filmes em cinquenta anos de carreira.
41 - GROUCHO MARX
(1980-1977)

Os irmãos até eram 5, mas nenhum deles atingiu o nivel e o talento de Groucho Marx.
Com o seu inesquecivel bigode, o charuto sempre perto dos lábios, um movimento de corpo impressionante e um sentido de humor negro como nunca se tinha visto até então, Groucho está ao nivel de outros gigantes do cinema de comédia da primeira metade do século. Aliás, talvez seja apenas superado por Chaplin, ele que preferia as suas falas corrosivas aos sapateados do britânico. Nunca arriscou uma carreira a solo, por perceber que o seu potencial estava intimamente ligado ao estilo de filmes que desenvolveu com os irmãos. The Cocconaut, A Night at the Opera, In the Circus ou A Day at the Races foram talvez as maiores obras-primas que protagonizou, assumindo-se como uma estrela mordaz e sem igual. Com o final dos Irmãos Marx os seus poucos projectos "solitários" falharam em protagonismo mas confirmaram todo o seu talento. Percebendo que o seu tempo tinha passado, Groucho retira-se nos anos 50, vindo a morrer em 1977, numa altura em que todos os comediantes viviam para o imitar, a ele e não aos seus rivais dos anos 30. Uma ironia digna de Groucho.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:00 AM | Comentários (10)
novembro 13, 2005
As 50 Estrelas do Cinema de Hollywood
Uma lista vale sempre pelo que vale. São normalmente resultado do cruzar de opiniões, de ideias, de momentos. Definir um top qualquer é sempre dificil. Fica sempre alguém de fora, há sempre alguém mais sobrevalorizado e outros que ficam lá para trás sem muitos perceberem bem porquê. São os riscos das listas, já diria Nick Hornby.
Definir as 50 Estrelas do cinema feito em Hollywood - incluindo os actores de lingua inglesa e não apenas os norte-americanos - é voltar ao passado e olhar para cem anos de história do cinema. É lembrar os momentosm mais marcantes e mágicos da história. É rever Brando em Streetcar Named Desire, lembrar Stewart em It´s a Wonderful Life ou imaginar mais um gag de Charles Chaplin. Porque apesar das estrelas terem o seu próprio glamour, não há estrelas sem talento. Esta definição de "estrelas" para muitos pode passar apenas pelo "showbiz". Aqui no Hollywood os cinquenta nomes são, antes de mais, os cinquenta maiores actores da história de Hollywood. Porque não há dúvida nenhuma que todos eles são estrelas.
Vai haver surpresas, vai haver contestação, vamos ouvir apupos e aplausos. Porque as listas são assim mesmo. Valem o que valem. Mas para nós, esta lista vale muito. Significa resumir a paixão do cinema em cinquenta nomes. Significa ordenar nomes que são também as estrelas do céu cintilante de todos os cinéfilos.
É por isso um exercicio apaixonante. Está por isso aberta a contagem. Abram alas, o hall of fame vai começar a encher. Vêm ai as grandes estrelas!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:48 AM | Comentários (2)