abril 01, 2006

Cantos do Mundo em suspenso

A rúbrica de sábado dedicada ao cinema dos quatro cantos do Mundo vai ser suspena até Junho. Depois de Diego Almeida ter cancelado a sua parceria com o Hollywood, agora foi Sérgio Lopes, administrador do CineAsia, que, por motivos profissionais, foi obrigado a suspender a sua colaboração.
O Hollywood vai procurar novos colaboradores para a secção - que permanece viva - de forma a reabri-la em Junho com uma equipa de colaboradores rejuvenescida.
Em suspenso fica também uma grande revelação para Junho, de um projecto que promete ser um dos grandes acontecimentos do ano cinematográfico em Portugal, onde o Hollywood vai ter um papel de destaque. Mas a revelação oficial só mesmo em Junho. Não se vão arrepender, disso garanto-vos eu!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:20 PM | Comentários (1)

março 18, 2006

CANTOS DO MUNDO - AMÉRICAS

É um dos maiores actores das Américas. Agora quer-se tornar realizador. Gael Garcia Bernal é o icone que espelha bem o novo folego do cinema da América latina. Um menino prodigio com um passado, presente e futuro.
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A primeira vez que se reparou em Gael Garcia Bernal foi em Amorres Perros. O filme do talentoso Alejandro Inarritu, um cruzar de histórias de um humor negro crónico, lançou para a ribalta o mexicano. Na altura, com apenas 22 anos, Bernal já tinha uma longa carreira na televisão. Uma carreira que tinha começado quando tinha apenas 11 anos, nas novelas mexicanas mais populares, e que o consagrou como uma estrela juvenil. Pelo meio houve as viagens a Londres onde aprendeu a representar nos exigentes palcos britânicos. Quando voltou a casa era mais do que uma promessa. Tinha o estofo de um Marlon Brando em potência.
Foi ao lado do seu eterno amigo, Diego Luna, que Gael se consolidou definitivamente no cinema mexicano com Y Tu Mama Tambien, filme em formato de road trip de perdição, com dois jovens adolescentes e uma madura e sensual mulher em viagem pelo México. Desta vez o realizador era Alfonso Cuaron, outra promessa da nova vaga mexicana. O resultado foi um enorme sucesso que levou o seu nome para os quatro cantos do mundo. As ofertas começaram a chegar mas foi, ainda no México, e pelas mãos inevitáveis de Carlos Carrera, que surgiu El Crime del Padre Amaro. A adaptação da obra de Eça de Queiroz à realidade mexicana foi de uma brutalidade e de um erotismo imenso, e que fez de Bernal a next big thing do cinema mundial.
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Gael já tinha sido o Che na televisão - uma serie sobre Fidel Castro - mas em Diarios de Motocicleta foi Ernesto Guevarra, naquele que é até hoje o seu maior desempenho. Um filme já assinado por um brasileiro, Walter Salles, com um grande orçamento, e um impacto internacional que mais nenhum dos seus trabalhos conseguiu. E se na América o seu estatuto estava consolidado, foi pelas mãos de Almodovar - para quem se despiu, se vestiu de mulher e utilizou toda a sua androgenia - que explodiu na Europa. O filme era La Mala Educacion, um dos mais negros retratos de Espanha alguma vez realizados. E The King, Babel, The Science of Sleep são apenas os seus próximos projectos, o que quer dizer, os filmes que o Mundo está ansioso para ver, não fosse Bernal o equivalente de Brando que o cinema espanhol nunca conseguiu ter. As expectativas são altas, mas com justificação. Afinal, de toda a nova geração do cinema latino - argentino, chileno, mexicano, espanhol - não há ninguém que se destaque tanto como Bernal.
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Cuarón e Inarritu atrás das camaras definiram uma nova forma de fazer cinema no México. Mas o seu estilo relaxado, de histórias cruzadas, recheadas de sexualidade, só funcionam quando quem está à frente da camara tem o carisma necessário para nos convencer, que tudo aquilo poderia ser real.
O trunfo do novo cinema mexicano é Gael Garcia Bernal.
É ele o simbolo de uma geração de actores multi-talentosos, capaz de se projectar em papeis que muitos se recusariam a fazer. O seu jeito meio efeminado, que tanto sucesso fez em Espanha, entra em contra-senso se o imaginarmos como o Brando hispânico, visceral e carnal. E se Bernal consegue ser ambas as coisas, com igual sucesso, é porque é de facto, neste momento, o maior actor hispânico que vagueia pelas Américas.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:32 PM | Comentários (5)

março 11, 2006

Cantos do Mundo - África

A vitória de Tsotsi foi polémica. Mas serviu também para mostrar ao mundo o cinema que é feito no "continente negro". Um lado também ele trágico, aquele que ninguém quer ver, mas que sabem que existe...
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Nos últimos anos o cinema norte-americano tem viajado até África para filmar histórias trágicas. Hotel Rwanda, Shooting Dogs ou The Constant Gardener são exemplos de crimes cometidos contra um continente, que diz a ciência, foi a origem de todos nós.
Mas o problema é que estas questões são vistas sempre por quem está de fora. Ou brancos, que são deslocados para África e encontram lá situações que nunca imaginaram ser possiveis. Ou brancos, que já estão em África, mas não perdem o olhar ocidental sobre o que se passa. Ou então, negros que são mais europeus do que alguns brancos que já lá estão, e que não deixam de ter um olhar que não é o olhar de rua.
Tsotsi nao é assim. O filme de Gavin Hood é - com as devidas diferenças - uma especie de Cidade de Deus africano. Ou melhor, sul-africano.
O país com maior indice de criminalidade urbana em África tem de viver diariamente com o problema da SIDA e o fantasma - sempre presente - do Aparthaid. E é ao captar essa essência, sob o ponto de vista de um pequeno grau de areia em todo este oceano de marginalidade, que Tsotsi impressiona.
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Seguimos o lider de um gang infantil durante seis dias. Um lider, que tem de se comportar como tal perante o seu grupo. É ele quem coordena, é ele quem dirige, é ele quem tem a última palavra. Mas um lider que não passa de um miudo, e como tal, com os problemas habituais dos miudos da sua cidade. O sexo, as namoradas, o medo do futuro. Está tudo lá, numa salada de emoções dificil de ignorar. Sem desculpar o crime e os criminosos, Tsotsi dá outra visão sobre o problema dos jovens negros na África do século XXI. Cercados pelo crime, pela exploração das grandes companhias ocidentais dos seus recursos, pela omnipresença da SIDA é dificil sobreviver.
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Um filme que foi feito na África do Sul, mas que não é só um retrato da África do Sul. É uma imagem do que se passa com muitos jovens, em muitas cidades de um sem número de nações africanas. Os problemas não se resolvem sozinhos, e a ajuda que há é pouca. Para estes jovens há poucas solucções à vista. E dessas, quase nenhuma é digna. Certamente que não o futuro dos seus sonhos, mas o único futuro que podem alcançar. O que para muitos que nem lá conseguem chegar, é um sonho perdido. Como tantos outros.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:21 PM | Comentários (0)

fevereiro 25, 2006

Cantos do Mundo - Europa

Para gáudio dos cinéfilos portugueses, volta a estar em exibição – apesar de ser num circuito extremamente restrito - Il Gattopardo de Luchino Visconti. Este fresco histórico-romanesco de uma sumptuosidade nunca igualada representa o cume do cinema clássico europeu.
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Já antes, Visconti realizara Senso, passado na mesma época e igualmente um drama romanesco onde se encenam paixões individuais em conflito com o empenhamento histórico e colectivo das personagens.
Em Il Gattopardo Visconti um aristocrata comunista, estende-nos, de forma imponente e magnetizante, a sua leitura marxista de um momento decisivo da história italiana, onde a aristocracia passa o testemunho à burguesia ascendente. Foram precisos alguns anos para que o cinema europeu, com 1900, atingisse um momento de semelhante fulgor no reencontro com a história da Europa.
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Burt Lancaster é o único elemento não europeu neste filme, que deve muito ao seu trabalho na figura do príncipe de Salina, com uma interpretação cheia de vigor e de sensibilidade.
Afinal, Lancaster consegue ser a encarnação perfeita de um homem que sabe que a sua era está condenada, e que, apesar de não querer aceitar os tempos que se avizinham, é forçado a apadrinhar os novos actores da sociedade italiana.
Il Gattopardo tem a magia de ser um filme de três Príncipes.
O do Príncipe de Lampedusa, o autor do livro – só publicado após a sua morte. O do Príncipe de Visconti, o fabuloso cineasta de Rocco e Sui Fratelli que ao ler o livro jurou que não descansaria enquanto não o realizasse. E por fim, o Príncipe de Salina, que não é mais do que uma reencarnação dos dois homens anteriores, bem conscientes da limitação da sua classe social nos tempos que corriam à época. Mas é esse reconhecimento, de que a sua era está a acabar, que motiva estes três homens no que fazem, sem no entanto lhes retirar o vislumbre da única certeza que têm: a proximidade da morte.
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Filme profundamente necrófilo, quase uma autêntica procissão até ao beijo da morte final, que não é apenas o despedir de um homem. É o despedir de uma classe social, de uma era. A impotência de Salina diante de Angélica existe, porque ela está destinada ao novo mundo, e como tal, aos homens do novo mundo. Nunca para ele, o príncipe do passado!
Verdadeira obra-prima, que tanta polémica levantou à época pelo choque de versões – a italiana, apadrinhada pelo realizador, e a norte-americana, distribuída pela Fox com menos uma hora de filme e sob o protesto de Visconti – o filme foi o grande campeão de Cannes em 1963.
Mas mais do que prémios e prestigio, Il Gattopardo é um filme imortal, acima de tudo, porque é um ensaio sobre fim. E não há nada tão eterno como a morte!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:58 PM | Comentários (0)

fevereiro 18, 2006

CANTOS DO MUNDO - AMÉRICA DO SUL

Se na Europa foram os Cahiers o berço da Nouvelle Vague, e se nos Estados Unidos foi a UCLA a formar alguns dos mavericks dos anos 70, o cinema novo brasileiro cresceu á volta de uma figura que tinha tanto de genial como de desconhecida...
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Glauber Rocha é, ainda hoje, o maior cineasta brasileiro de sempre. Não pelos prémios que conquistou, nem pelos filmes que fez. Mas pelo sangue novo que injectou na cinematografia do gigante adormecido que é o Brasil.
Contrariamente ao que se passa com o resto do mundo, o cinema no Brasil surge apenas em terceiro plano quando se fala em indústrias artisticas de representação. O império Globo (e em menor escala, a rede Bandeirantes) consagrou a telenovela como a pérola maior brasileira. É desse produto, que exporta anualmente para todo o mundo imagens de um Brasil que não existe, que todos vivem. Produtores, realizadores e, essencialmente, actores. A escola de representação das novelas brasileiras tem provavelmente o maior leque de actores do mundo, logo a seguir á Broadway e Hollywood. Actores ao nivel dos maiores monstros da representação, que no entanto pouco tempo dedicam ao cinema. Entre o teatro - ainda com alguma expressão local - e as novelas, não há tempo. Nem dinheiro para contratar vultos como Lima Duarte, Tony Ramos, António Fagundes, Fernanda Montengro, Susana Vieira ou Regina Duarte. Se fossem norte-americanos já teriam todos óscares ou tonys. Mas são brasileiros, e pagam esse preço.
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Foi esse Brasil, do teatro e das novelas, que Glauber Rocha abanou quando surgiu na década de 60. As produções cinematográficas, primeiro na era Getúlio Vargas e depois nos conturbados anos 50 e 60 era o equivalente ao chamado cinema de qualidade, que Truffaut tanto criticava em França. Não havia aventura, emoção, vontade de arriscar. Não se contava o que era o Brasil. Inventavam-se muitos e diferentes países, todos sobre a mesma bandeira. Em 1964, o jovem cineasta de 25 anos foi a Cannes. O Brasil tinha saido vencedor em 1959 com Orfeu, filmado por Marcel Camus, mas obra brasileira pura nunca tinha sido bem sucedida lá fora. A verdade é que Deus e o Diabo na Terra do Sol perdeu para o divertido Le Parapluis de Cherebourg. Mas não interessava. Tal como a Nouvelle Vague francesa, o Cinema Novo brasileiro fez-se notar diante do Mundo, e durante anos tornou-se no cinema mais respeitado da América Latina.
O baiano Glauber Rocha, era em todo semelhante aos cineastas da Nouvelle Vague. Começou como critico de cinema, fez várias curtas-metragens durante os anos 50, e era igualmente admirador confesso do cinema de serie B norte-americano. Também ele alterou a linguagem cinematográfica do cinema brasileiro, dando um outro destaque a aspectos sempre negligenciados como o som, a luz ou a montagem.
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Barravento tinha já mostrado o seu potencial, em 1961, e depois da sua presença em Cannes o seu valor tornou-se conhecido um pouco por todo o mundo. A sua obra seguinte, Terra em Transe venceu o prémio da critica no festival francês em 1967 e era já um prenuncio do que iria acontecer no seu Brasil natal. O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro valeu-lhe mais um prémio em Cannes, pela sua realização, mas o movimento que tinha começado era já maior que ele próprio. Rapidamente outros cineastas como Nelson Pereira dos Santos, Leon Hirzsman, Joaquim Pedro de Andrade, Carlos Diegues ou Rui Guerra seguiram a ideia de que para filmar só era preciso "uma camara na mão, uma ideia na cabeça".
A produção cinematográfica brasileira atingiu o seu expoente máximo em plena década de 60, altura em que, um pouco por todo o lado o cinema nacional de diferentes países, da França ao Brasil, da Alemanha a Portugal, ganhava nova vida.
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Interessados em absorver o máximo de realismo possivel das realidades existentes á sua volta, especialmente no árido, pobre e abandonado nordeste brasileiro, os cineastas do cinema novo começaram por se deixar contagiar pelo combate ao fascismo que aos poucos conquistava o país. Mas tal como aconteceria um pouco com todo o "cinema novo", o filme para o público não conseguiu conquistar o público durante muito tempo. Aos fracassos de bilheteiro seguiu-se o exilio para muitos dos cineastas. O cinema marginal sucedia ao tropicalismo, a última fase do cinema novo brasileiro, e novos autores e os resistentes do cinema novo continuaram à procura de formas de fazerem passar a sua mensagem, afastando-se cada vez mais do intelectualismo inicial de Glauber Rocha e seus pares.
O cineasta que revolucionou o cinema brasileiro morreria em 1981, novo, demasiado novo, consciente de que, apesar do falhanço a curto prazo do movimento, o Cinema Novo tinha lançado as sementes para o desenvolvimento de cineastas e amantes de cinema no país do futebol e da telenovela.

Miguel Lourenço Pereira

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:15 PM | Comentários (2)

fevereiro 12, 2006

CANTOS DO MUNDO - ÁFRICA

O início da produção cinematográfica em Angola tem como base a atracção pelo “exotismo” das paisagens, povos, costumes e culturas locais, bem como o registo do crescimento e desenvolvimento do império colonial português em África.
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O Caminho de Ferro de Benguela (1913), realizado por Artur Pereira, é o primeiro registo datado de cinema em Angola. Até ao final dos anos 40, a Agência Geral das Colónias e as “missões cinegráficas a Angola”, produzem uma série de documentários – Exposição Provincial, Agrícola, Pecuária e Industrial (1923); Chipinica, Soba do Dilolo, Preparação do Café, Riquezas do Amboim, Angola Económica (1929) – e a primeira longa metragem de ficção O Feitiço do Império (1940) de António Lopes Ribeiro. Durante as décadas de 50 e 60, merecem registo documentários como Ensino em Angola (1950) de Ricardo Malheiro, Angola em Marcha (1952) de Felipe de Solms, A Terra e os Povos (1954) de António Sousa, a série Actualidades de Angola (1957-1961) de João Silva e O Romance do Luachimo (1968) de Baptista Rosa. Entre outras entidades responsáveis pelo acervo fílmico sobre o território estão o Serviço Cartográfico do Exército, o Centro de Informação e Turismo de Angola (CITA ), a Telecine-Moro e a Cinangola Filmes. O documentário Angola, na Guerra e no Progresso (1971) do tenente Quirino Simões, foi o primeiro filme português em formato 70 mm. É no período da guerra colonial que se regista o maior número de produções de ficção, com destaque para A Voz do Sangue (1965) de Augusto Fraga, Capitão Singrid (1967) de Jean Leduc, Um Italiano em Angola (1968) de Ettore Scola, Esplendor Selvagem (1972) de António Sousa, Malteses, Burgueses e às Vezes... (1973) de Artur Semedo ou Enquanto há Guerra há Esperança (1974) de Alberto Sordi. Em simultâneo, desde finais dos anos 60, os registos sobre a guerrilha anti-colonial efectuados pelo Departamento de Informação e Propaganda do MPLA e os filmes Monangambê (1971), e Sambizanga (1972), de Sarah Maldoror, inspirados em obras de Luandino Vieira, antecipam um cinema de intervenção que se vem a consolidar com a independência do país.
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Com a formação intensiva de quadros na cooperativa de cinema Promocine e na Televisão Popular de Angola (TPA), o cinema começa por registar um país novo, acompanhando a mobilização popular, a condição laboral dos trabalhadores e as actividades político-militares em filmes como Sou Angolano, Trabalho com Força (1975) e Uma Festa para Viver (1976) de Ruy Duarte, Resistência Popular em Benguela (1976) de António Ole, A Luta Continua (1976) de Asdrubal Rebelo, as “Actualidades” de Sousa e Costa e os registos da equipa “Angola - Ano Zero”, formada pelos irmãos Victor, Francisco e Carlos Henriques, de grande importância para o início de uma cinematografia angolana. Dentro das estruturas estatais são criados o Instituto Angolano de Cinema (IAC) e o Laboratório Nacional de Cinema (LNC) que, em conjunto com a TPA eram os organismos responsáveis pela produção cinematográfica. Desta altura são os filmes Pamberi ne Zimbabwe (1981) de Carlos Henriques, Conceição Tchiambula (1982) de António Ole, Nelisita (1982) de Rui Duarte e Memória de um dia (1982) de Orlando Fortunato. Por motivos socio-económicos, que se reflectem na degradação das infra-estruturas e na desmotivação de realizadores e técnicos assiste-se, nos anos seguintes, a uma diminuição considerável da produção fílmica até à sua quase total paralização. Para além do filme Levanta, voa e vamos (1986) de Asdrubal Rebelo há a registar a co-produção com Cuba, Caravana (1990) de Rogélio Paris e a primeira co-produção luso-angolana, O Miradouro da Lua (1992) de Jorge António. Numa remodelação do aparelho estatal angolano em 1999, o LNC e o IAC são extintos e as suas funções integradas no Instituto Nacional das Indústrias Culturais. Em 2002 o estado angolano disponibiliza uma verba para a reabilitação do cinema. São incentivados os projectos de uma nova geração de realizadores – Maria João Ganga, Mariano Bartolomeu e Zézé Gamboa. Em 2003 é criado o Instituto Angolano de Cinema, Audiovisuais e Multimédia (IACAM) e traçado um plano para a recuperação, restauro e conservação do acervo fílmico de Angola.
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O IACAM, sob direcção de Miguel Hurst, actor (re)conhecido em Portugal, vai procurando, a todo o custo, juntar a gente das artes, em especial os da 7ª porque é necessário impulsionar toda essa máquina que é o Cinema.
Os incentivos dados pelo governo à Maria João Ganga e Zézé Gambôa resultaram nos filmes Na Cidade Vazia e O Héroi respectivamente. Quanto à obra de Mariano Bartolomeu ainda não foi vista nem se sabe para quando. O Comboio da Canhoca, depois de décadas e décadas, e de dinheiro conseguido, disponibilizado e gasto, resultou, em minha opinião, num filme fraco, de recursos, de matéria e até de direcção.
Estamos ainda assim esperançados que 2006 seja o ano de mais produções até porque vão surgindo parcerias quer com países de expressão portuguesa, quer com países francófonos o que de certa forma irá facilitar na produção e na distribuição das obras a serem por cá concebidas.
Oxalá que assim seja porque senão fica muito difícil escrever sobre cinema angolano, já que está muito difícil hoje, já no século XXI, fazermos parte deste mundo que todas as sextas-feiras recebe em estreia novos filmes porque aqui, salas de cinema só mesmo uma. Acreditem…

Edson Macedo

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:59 PM | Comentários (14)

fevereiro 04, 2006

Cantos do Mundo - ÁSIA

A história dos remakes de filmes estrangeiros de sucesso já é bastante antiga em Hollywood. Embora a maior parte dos remakes tenham sido de filmes europeus, os filmes asiáticos obtiveram também a atenção dos americanos, sendo o caso mais flagrante o da obra-prima de Akira Kurosawa, The Seven Samurai (1954) convertido num western à boa maneira americana, pelas mãos do realizador John Sturge, apenas seis anos depois, sob o título The Magnificent Seven. Todavia, nada se compara à moda actual dos remakes de filmes asiáticos, tanto em dimensão, como intensidade, publicidade ou lucro.
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Este particular interesse, que despertou um verdadeiro fenómeno à volta das películas asiáticas, teve origem em 2002, pelas mãos do produtor Roy Lee, quando apresentou Ringu, o sucesso japonês de terror de Hideo Nakata, à Dreamworks. Os direitos do filme de Nakata foram adquiridos por 1,2 milhões de dólares. A versão americana foi realizada por Gore Verbinski, sob o título The Ring e com um custo de produção na ordem dos 40 milhões de dólares. Um valor demasiado elevado para o mercado asiático, mas um custo muito menos significativo comparado com qualquer blockbuster de verão americano (entre 100 e 250 milhões de dólares).

O filme foi um sucesso fenomenal obtendo cerca de 130 milhões de dólares apenas em solo americano e mais de 230 milhões de dólares a nível mundial. Curiosamente, Ringu o original japonês que deu origem a The Ring, lucrou 6,6 milhões no país de origem, enquanto que o remake americano rendeu 8,3 milhões de dólares, apenas nas duas primeiras semanas de exibição em solo japonês (!).
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Após este sucesso estrondoso, Roy Lee granjeou credibilidade instantânea em Hollywood. Roy Lee que é um coreano-americano, residente na América, apercebendo-se do potencial que possuía entre mãos, fundou a companhia Vertigo Entertainment, juntamente com Doug Davison, que funciona como uma empresa intermediária que vende os direitos dos filmes asiáticos, em nome dos seus legítimos proprietários a estúdios americanos, para produzirem o respectivo remake.
Em 2004, Roy Lee, voltou a apresentar mais um sucesso asiático a um estúdio americano, desta vez o filme Ju-hon, de Takashi Shimizu, transformado na versão americana em The Grudge, com Sarah Michelle-Gellar como rosto principal. Apesar das críticas altamente negativas a The Grudge, o filme atingiu o primeiro lugar no boxoffice americano na primeira semana de exibição em Outubro de 2004 e curiosamente manteve-se como o filme mais lucrativo na semana seguinte, mesmo tendo em conta que estreava o aclamado Ray, de Taylor Hackford (!). Em apenas 4 semanas, The Grudge rendeu cerca de 99 milhões de dólares, ultrapassando largamente os 10 milhões de custo de produção. Co-produzido por Roy Lee, seguiu a mesma fórmula de sucesso iniciada com The Ring, ou seja, pegar num filme asiático de sucesso, manter praticamente tudo idêntico a nível de argumento e apenas substituir os actores asiáticos por caras conhecidas do grande público americano, tais como Naomi Watts em The Ring ou Sarah Michelle-Gellar em The Grudge.
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Hideo Nakata, tal como Takashi Shimizu, acabou por lucrar através do produtor Roy Lee. Em 2005, não só viu outro dos seus filmes ser alvo de um remake, Dark Water, oferecido a Walter Salles e com Jennifer Connely no papel principal, como também teve o privilégio de ele próprio realizar em Hollywood a sequela The Ring Two, de novo com Naomi Watts e baseado no seu próprio filme japonês.
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De facto, em três anos, parece que nasceu uma nova forma de combater a falta de ideias reinante na 7ª arte em Hollywood, que é copiar o que de melhor é feito a nível do cinema oriental. Roy Lee, apercebendo-se do filão entre mãos, não perdeu tempo, havendo uma série de filmes que actualmente estão em produção, todos produzidos por Lee e baseados em sucessos asiáticos. Para além de The Ring, The Grudge, Dark Water e The Ring Two, já citados anteriormente, estão em marcha:
- The Lake House, com Keanu Reeves e Sandra Bullock, um drama baseado no original Coreano Il Mare. Encontra-se em pós-produção.
- The Departed, com Jack Nicholson, Martin Sheen, Matt Damon e Leonardo Di Caprio, realizado por Martin Scorcese e baseado no aclamado thriller Infernal Affairs de Hong Kong. Encontra-se em pós-produção.
- The Eye, baseado na película dos irmãos Pang, com o mesmo nome. Um dos melhores filmes de terror asiáticos recentes, cuja versão americana terá René Zellwegger no principal papel e realização a cargo de Hideo Nakata. Encontra-se em pré-produção.
- The Grudge 2, a sequela de The Grudge, mantendo-se o realizador original Takashi Shimizu e Sarah Michelle-Gellar como protagonista. Encontra-se em pré-produção.
- Oldboy, a pérola do realizador Coreano Park Chan-Wook, vencedor do grande prémio do júri no festival de Cannes, irá ser alvo de um remake homónimo americano, anunciado para 2006 e eoferecido ao realizador de Orange County, Justin Lin. My GOD!!!!
- My Sassy Girl, a comédia Coreana mais aclamada de sempre, também terá remake com o mesmo nome e realizador desconhecido. Anunciado para 2006.
- Adicted, remake do filme de terror coreano Jungdok, de 2002. Anunciado para 2006.
- Chaos, mais um flme de Hideo Nakata adaptado ao cenário americano. Desta vez é Kaosu, um thriller japonês, de 1999, que vai ser alvo da versão americana realizada por Jonathan Glazer (Birth) e com Robert De Niro no principal papel. Anunciado para 2006.
- Shutter, remake do filme de terror tailandês, com o mesmo título, uma das belas surpresas do cinema asiático recente. Anunciado para 2007.
- In-Utero, remake do filme The Eye 2 dos irmãos Pang. Anunciado para 2007.
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Podemos facilmente concluir que Roy Lee tem uma série de remakes para produzir que perspectivam igual ou maior sucesso no box-office americano nos próximos dois anos. De facto, Lee rapidamente se apercebeu que sendo uma fonte vasta de criatividade, o cinema asiático não vive só de películas de terror, por isso, os remakes previstos abrangem comédias, thrillers, dramas, romances, etc, ou seja praticamente todos os géneros. Aliás, para os menos atentos, o filme Shall we dance? (uma lamechice terrível com Richard Gere e Jennifer Lopez nos principais papeis) é um remake do filme homónimo japonês de 1996, tendo sido igualmente um sucesso em terras americanas. Só por curiosidade, Roy Lee, neste momento, é apelidado de “Rei dos Remakes” em Hollywood.
Resta questionar o porquê do mercado asiático ser tão apelativo para os americanos. Na 2ª parte do artigo colocarei as possíveis explicações para este fenómeno, dadas pelo próprio Roy Lee e por alguns críticos de cinema americanos e explanarei igualmente a minha opinião sobre o assunto. Todos sabemos que o cinema mundial vive uma crise e o cinema americano, em particular, sofre de uma gritante falta de ideias, o que explica de certa forma os remakes. A questão principal aqui é: Mas porquê os remakes de filmes asiáticos? Que características tornam os filmes apelativos para a audiência ocidental? Será que é possível ter o mesmo impacto transformando o filme asiático num produto ocidental?
Gostaria que manifestassem a vossa opinião, para que no próximo artigo seja contraposta com a do próprio Roy Lee e tentarmos perceber o fenómeno dos remakes de filmes asiáticos.

Sérgio Lopes
www.cineasia.blogspot.com

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:28 AM | Comentários (8)

janeiro 21, 2006

Cantos do Mundo - América do Sul

Como o site Cine News de Diego Macedo quebrou ontem a parceria que mantinha com o Hollywood, este mês não há o habitual espaço dedicado ao cinema da América do Sul.
O projecto Cantos do Mundo será reformulado e voltará em grande no próximo mês de Fevereiro, com mais textos e novos autores. Até lá, fica o pedido de desculpas aos aficcionados da rúbrica.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:02 PM | Comentários (1)

janeiro 14, 2006

CANTOS DO MUNDO - ÁFRICA

Esteja ela escondida nas dunas ou nas planicies áridas, nas florestas mais cerradas ou à beira mar, África sempre foi um espaço natural de excepção a nivel global. E poucos têm sido os filmes a aproveitarem-se dessa genuina beleza. Mas os que o fizeram, trouxeram ao resto do Mundo imagens nunca vistas...
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Estamos sentados numa sala de cinema. Escura, com os habituais barulhos de pipocas e bebidas, com o ar condicionado ligado, demasiadamente para um dia tão frio. No ecrãn gigantesco tudo é diferente. O calor é abrasador. As roupas estão sempre a mais, a areia invade-nos os olhos e cega-nos por momentos. De repente tudo para. Voa um bando de flamingos, a camara segue-os e temos uma visão do paraiso. Mas não é o paraiso. É África.
A mesma África que Fernando Meirelles ressuscitou em The Constant Gardener, mas que há muitas décadas tem sido alvo de camaras de outros cineastas, fascinados com a sua imensa beleza natural. Das viagens ao Congo - a lembrar Joseph Conrad - feitas por John Houston em The African Queen (e depois repetida por Clint Eastwood nesse grande filme que é White Hunter, Black Heart), até ao passeis no deserto do Sahara, lado a lado com Ralph Fiennes e Kristin Scott-Thomas no aclamado The English Patient, a verdade é que, se África nunca teve um cinema que conquistasse o mundo, o mundo já foi várias vezes conquistado por África.
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A verdade é que o cinema não é só história. Ou actores. Ou cineastas. É muito mais do que isso. E dentro de tudo, é também espaço. Seja ele urbano ou rural. Criado da mente do homem, ou das mãos de Deus, da Natureza, de quem quer que seja que teve a brilhante ideia de pintar o planeta de forma tão pura e avassaladora.
E África é talvez o último espaço virgem. Não é o único. Os filmes que nos vão chegando de todos os cantos do Mundo - mesmo de uma Europa e de uns Estados Unidos para além das grandes urbes - provam que esses espaços existem ainda. Mas são uma minoria. Em África não. No Continente Negro tudo é mais puro. E se não fossem as mãos corruptas dos homens, tudo seriam mais puro e mais aprazivel de se visitar. Mas não é. E todos sabem disso. Há poucos espaços em África que possam ser visitados como quem visita Notre-Dame ou a Estátua da Liberdade.
E se nós não podermos ir até lá, o cinema traz esse mundo até nós.
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Porque se há algo que encanta em Out of Africa, The Constant Gardener, Mogambo ou os filmes de Jean Rouch, não é tanto em si as histórias que nos contam, apesar da sua importância, evidentemente. É mais o fascinio de um mundo tão perto e tão distante. É sabermos que é imensamente improvável estar a ver aquelas imagens ao vivo, uma improbabilidade que, infelizmente, encontra equivalentes em imagens do espaço ou do fundo dos oceanos. Porque África é provavelmente um dos mais belos continentes. É, segundo se diz, a genese da vida humana. Mas hoje é também um local tão ou mais inseguro de visitar como o é o Bronx ou os bairros periféricos do Rio de Janeiro. Culpa nossa, é mais do que certo, mas uma culpa que nos transcende. Durante séculos África foi-nos inacessivel. Até que fomos lá e desbravamos caminho. Mas hoje África continua quase tão inacessivel como era à quinhentos anos.
E se não fosse pelo cinema, quem nos mostraria um bando de flamingos a sobrevoar sobre o lago Vitória como se estivessemos mesmo diante do milagre da criação?

Miguel Lourenço Pereira

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:29 PM | Comentários (0)

dezembro 17, 2005

CANTOS DO MUNDO - AMÉRICA DO SUL

Amigos de infância, Deco (Lázaro Ramos) e Naldinho (Wagner Moura) estão acostumados a dividir tudo. Com a posse de um barco a motor, os rapazes transportam todo o tipo de mercadoria, inclusive as ilegais. Mas a trajetória começa a mudar quando os companheiros oferecem carona para Karinna, uma stripper que quer arrumar emprego em Salvador.
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Quando chegam à capital baiana, o trio inicia uma relação de atração e disputa. À medida que a história avança, cresce o desejo e eles se deparam com a possibilidade de uma vida a três. Mas o ciúme aumenta e acaba abalando a amizade de Deco e Naldinho. Ao perceberem que não querem mais viver sem Karinna, os amigos passam a visitá-la separadamente. O relacionamento entre eles vai se desintegrando até que se separam. Deco volta a lutar boxe, Karinna continua trabalhando na boate e Naldinho assalta farmácias. Sem conseguir continuar um sem o outro, o trio se une novamente. Essa reaproximação os leva a um caminho sem volta.

Produzido por Walter Salles, que dirigiu Dark Water e Diarios de Motocicleta, Cidade Baixa foi ovacionado na última edição do Festival de Cannes e escolhido pelo júri oficial do Festival do Rio como melhor filme. O longa marca a estréia da sobrinha de Sônia Braga nos cinemas. Alice Braga foi eleita a melhor atriz no mesmo festival. Além da jovem atriz, a produção conta com Wagner Moura e Lázaro Ramos no elenco.

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A crítica do filme na revista Hollywood Reporter destaca a violência e o sexo presentes no filme. Mas Sérgio Machado, o realizador, explica que não começou com a idéia de fazer um filme violento ou sobre sexo, apenas sobre três pessoas que encontram uma forma de viver por meio de uma paixão mais forte.

-" Eu queria fazer um filme que falasse destas pessoas de classe baixa no Brasil, que lutam muito para sobreviver. Não é um filme passado em favela, mas os personagens não são de classe alta. Eu queria falar dessas pessoas através de um aspecto muito específico que é a ligação amorosa". O filme é, antes de tudo, uma história de amor, afirmou.

- "Quando fui falar sobre esta história de amor, me pareceu muito importante ser fiel ao que era real. Então antes de começar a fazer o roteiro eu passei três meses de fato neste universo, conversando com pessoas, ouvindo coisas, fiz amigos verdadeiros neste universo". E me pareceu que era muito importante falar disso, dessas pessoas, do jeito que elas são, completou o cineasta.

Sem dúvida, é mais um clássico nacional oriundo da vigorosa safra de filmes vindos do Nordeste.

Diego Almeida

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:06 PM | Comentários (0)

dezembro 03, 2005

CANTOS DO MUNDO - ÁSIA

Tomando como ponto de partida o comentário de um dos frequentadores do meu blog, Cine-Ásia, o Nuno António, resolvi, neste artigo debruçar-me sobre quais os filmes, realizadores e tendências que nos últimos 25 anos contribuíram para a ocidentalização e divulgação do cinema asiático. Tentarei, portanto fazer referência às películas que quer pela sua singularidade, quer pela sua qualidade, são consideradas quase por unanimidade novos clássicos do cinema asiático, passíveis de serem recomendados para quem se vier a interessar pela bela cinematografia oriental.
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China

Após um centenário de filmografia, a China continua a produzir algumas obras marcantes no universo cinematográfico asiático. Em 1992, o filme Farewell my concubine de Kaige Chen, venceu a palma de ouro do festival de Cannes. Em 1994 e 1995, Zhang Yimou atingiu igualmente visibilidade em Cannes, com os seus filmes, o que lhe permitiu obter maior notoriedade, atingindo mesmo o estrelato com Hero de 2002, com Jet Li, nomeado para o Óscar da academia de Hollywod para melhor filme de língua estrangeira. A película seguinte de Zhang Yimou House of flying daggers consolidou o seu estatuto como um dos nomes mais conceituados do cinema chinês.
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Tsui Hark é outro dos nomes incontornáveis do cinema chinês. Este realizador natural do Vietname e produtor de sucesso em Hong-Kong, divulgou a cultura chinesa um pouco por todo o mundo. Com a série de filmes Swordsman e Once upon a time in China, criou e popularizou o género Wuxia (artes marciais épicas). Este ano regressa em boa forma com mais um épico de artes marciais, Seven Sword, uma espécie de homenagem a Seven Samurai de Akira Kurosawa.

Japão

A partir dos anos 90 uma nova geração de cineastas, emergiram em diversos géneros e com diversos estilos de realização. Takeshi Kitano é mundialmente conhecido graças ao seu estilo muito próprio criando obras sublimes, das quais se destacam os thrillers sobre a máfia Yakuza Boiling Point, Hanna-Bi ou Brother ou mais recentemente num registo mais intimista mas igualmente de qualidade, Dolls e O verão de Kikujiro.

Para os amantes de violência gráfica e de um gore quase anime, Takashi Miike é o realizador recomendado. Obras como Gozu, Ichi the Killer ou o fabuloso Audition – Anjo ou demónio? não vão deixar ninguém indiferente ao estilo muito próprio de ultra-violência preconizado por Miike. Curiosamente, chegou este ano às salas portuguesas a incursão de Miike no cinema mais comercial com One Missed Call, de 2003.

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O Japão é também a pátria do mais conceituado realizador de filmes de animação, Hayao Miyasaki. Princesa Mononoke, A viagem de Chihiro (vencedor do Óscar de Hollywood para melhor filme de animação) e o recente O castelo Andante são todos geniais.

O terror mainstream atingiu igualmente uma ascensão nos últimos 20 anos, vinda do Japão. Hideo Nakata com Ringu e Dark Water (ambos foram alvo de remakes americanos) foi o pioneiro do terror oriental. Takashi Shimizu com Ju-Hon (também alvo do remake americano The Grudge) e Kiyoshi Kurosawa com Kairo e Cure, são igualmente recomendações do cinema de horror japonês. (note-se que o realizador não tem qualquer grau de parentesco com o mestre Akira Kurosawa).

Igualmente recomendáveis são Taboo de Nagisa Oshima e A Sombra do Samurai de Yoji Yamada, para os apreciadores dos códigos de honra e hierarquização dos guerreiros samurais. Posso garantir que a abordagem nada tem a ver com o sofrível O Último Samurai com Tom Cruise.

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Taiwan

O sucesso sem precedentes de Crouching Tiger Hidden Dragon de Ang Lee, catapultou-o para Hollywod e deu uma maior notoriedade ao cinema deste país. Yi-Yi de Edward Yang contribuiu igualmente para que o mundo colocasse os olhos no cinema de Taiwan neste virar de século.

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Nota final: Trata-se da primeira parte de um artigo, focando as cinematografias de China, Japão e Taiwan. Na segunda parte do artigo falarei da Coreia do Sul, de Hong-Kong e de países com menos peso ao nível do cinema asiático, mas que ainda assim contribuem com películas recomendáveis. O artigo é baseado em pesquisa e visualização dos filmes que considero clássicos modernos do cinema asiático. Ressalve-se o facto de, por omissão, não falar em determinado filme, por isso, quem quiser, é livre de comentar, dar a sua opinião e eventualmente corrigir ou acrescentar algo, de forma a tornar este artigo uma referência para quem não conhecer o grande cinema asiático.


Sérgio Lopes
www.cineasia.blogspot.com

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:04 AM | Comentários (7)

novembro 26, 2005

CANTOS DO MUNDO - EUROPA

O cinema é europeu por nascimento. Mas não apenas por uma questão de bilhete de identidade. Também, e sobretudo, porque se desenvolveu com a ambição de se tornar uma forma de arte à altura das tradições culturais europeias.
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Veja-se o expressionismo alemão ou a tradução cinematográfica dos grandes romances europeus, da Mat (Mãe) de Pudovkine ao Il Gattopardo de Visconti, passando pelsa adaptações de David Lean.
Assim, duas das principais características do cinema europeu estão inscritas no seu próprio nascimento:
a) o experimentalismo, ou seja, o trabalho e a pesquisa sobre a forma, desde Meliès e Dziga Vertov e que se prolonga por aí fora através de nomes como Eisenstein, Antonioni, Fellini, Bergman, Godard ou Wenders.
b) a sua relação estreita com as tradições artísticas da pintura, do teatro e do romance.
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Digamos, para simplificar, que a primeira característica está ligada ao cinema de realizador e a segunda ao cinema de argumentista. Para além disso, temos a sua relação com o teatro, bem visível no cinema britânico, no sueco e no russo, que, aliás, exportou a sua escola de actores para os Estados Unidos.
O cinema europeu nunca foi, ao contrário de Hollywood, um cinema de produtor que impunha modelos narrativos a pensar no espectador e nas bilheteiras. Foi, antes, um cinema de realizadores, ou melhor, de autores. Movimentos colectivos contam-se pelos dedos e aparecem quando sobressai uma outra característica única do cinema europeu: o cinema ideológico ou mesmo político. A influência profunda do marxismo nos intelectuais europeus marcou ideologicamente o cinema que se fez na Europa nos momentos de mais acesa luta ideológica na Europa. E foi então que o cinema se pretendeu mais popular, dedicado à educação ideológica das massas e à sua libertação através da arte: o cinema russo, o cinema da Frente Popular (Renoir e This Land Is Mine), o neo-realismo italiano foram movimentos onde os intelectuais europeus se aplicaram empenhadamente para darem uma consciência social aos cidadãos europeus. A estabilização do modelo capitalista e democrático em meados dos anos 50 assim como os anos dourados do cinema americano vão esbatendo esses movimentos e fazendo surgir um outro, o da cinefilia. É então que, por intermédio dos Cahiers du Cinema, aparece um cinema que já não tem como referência a ideologia mas sim o próprio cinema e como objectivo não a educação das massas mas, e mais uma vez, o próprio cinema: é o cinema de autor da geração dos Cahiers. Quem se esqueceu já das críticas da escola marxista de Sadoul ao cinema “alienante” e niilista de Antonioni nos seus Deserto Rosso e Blow-Up?
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Se, nos anos 60, a luta era entre um cinema ideológico e um cinema cinéfilo de autor, hoje em dia, vitorioso este último, o debate situa-se entre um cinema de autor e uma indústria de cinema. Mas, a ainda decisiva influência dos festivais europeus de cinema perpetua o cinema de autor, que é a única marca de prestígio que o cinema europeu conhece. Alimentada por solenes festivais e dedicados cine-clubes, a Europa mantém uma noção elevada do cinema, como forma superior de expressão artística. Por esse motivo, é ainda muito forte a resistência a uma indústria de cinema assente em modelos narrativos cheios de concessões ao gosto do espectador médio, contaminado por essa grande e desprezível rival que se chama televisão.
Mas, a cinematografia europeia sempre perseguiu uma ideia de arte que a afastou do cinema popular de Hollywood, mas que a deixa numa encruzilhada: ou se mantém fiel ao cinema de autor e continua viver a crise que vive hoje, ou envereda definitivamente pela uma criação de uma industria bem semelhante ao mesmo modelo do qual sempre se tentou distanciar.

Filipe Carneiro

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:46 PM | Comentários (13)

novembro 19, 2005

CANTOS DO MUNDO - AMÉRICA DO SUL

O cinema brasileiro viveu uma atividade intensa em 2004. Desde meados de 1995, quando houve a retomada das produções nacionais de grande escala, não se produziam tantos filmes no país.
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O ano passado é motivo para comemoração: no total foram 48 longas, número que não era visto desde 1988. É o triplo do que chegou às telonas em 2003, ano marcado pelo estrondoso sucesso de Carandiru. Os documentários e biografias foram os gêneros de maior destaque e, segundo estimativas, 14% do que foi arrecadado nas bilheterias foi para longas nacionais.
As leis e projetos de incentivo à produção nacional projetam números otimistas para 2005. O Ministério da Cultura já autorizou a produção de 357 filmes, além dos que estão em fase de finalização, edição ou apenas esperando para chegar ao circuito comercial. O ano termina com mais um recorde de estréias e um novo campeão da atual fase chamada "retomada".
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2 Filhos de Francisco – A História de Zezé Di Camargo e Luciano, do diretor Breno Silveira, tornou-se no dia 2 de outubro, sexta-feira, o filme de maior público da retomada do cinema nacional. O longa-metragem, já assistido por mais de 5 milhões de espectadores, bateu os 4,693,853 espectadores do até então líder Carandiru (2003), de Hector Babenco.
Maior renda e público no país em 2005 – superando, entre outros, os blockbusters The Incredibles, Madagascar e Star Wars: The Revenge of the Sith –, o filme ocupou por nove semanas consecutivas a primeira posição do ranking de público brasileiro.
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Para completar o quadro de recordes, 2 Filhos de Francisco é o filme brasileiro de maior arrecadação nas duas últimas décadas, com mais de R$ 34 milhões (valor superior a US$ 15 milhões) acumulados, além de ser a quinta maior renda de um filme lançado no Brasil, perdendo apenas para Titanic, Spiderman (1 e 2) e The Passion of the Christ.
Produzido pela Conspiração Filmes, Columbia Tristar Filmes do Brasil, Globo Filmes e ZCL Produções Artísticas, a cinebiografia da dupla sertaneja foi eleita para representar o Brasil na disputa por uma das cinco vagas na categoria de melhor filme estrangeiro no Oscar do ano que vem.

Diego Almeida

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:50 AM | Comentários (0)

novembro 12, 2005

CANTOS DO MUNDO - ÁFRICA

"Eu sou daquela terra que é cheia de crianças, e que de idade ainda tenra já são cheias de más lembranças, eu sou daquela terra de gente generosa, que de tanto esperar, já têm a esperança idosa... eu sou daquela terra que é como uma mãe já velha e acabada, que deve ser mais amada” Para não dizerem que plagiei, o original é de um cantor angolano chamado Alberto Teta Lando.
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Pois é amigos, sou o Edson Macedo e vivo em Luanda. Natural da província de Malange, vim como muitos para Luanda devido também à questão da guerra e depois de ter passado uns bons e maus tempos pelas FAPLA (o exército governamental antes das eleições), constituí família, desenvolvi-me profissionalmente e cá estou em Luanda, trabalhando como designer publicitário e realizando e apresentando um programa de rádio sobre uma das minhas paixões que é o cinema.
O cinema angolano, depois de vários anos reapareceu com três obras, felizmente reconhecidas a nível mundial em alguns dos mais prestigiados eventos cinematográficos.
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Na Cidade Vazia de Maria João Ganga, foi muito bem recebido no festival de cinema de Milão, conseguindo o prémio do público e ainda em Haia na Holanda, apesar de ter sido convidado a participar em muitos outros certames de cinema incluindo o MOMA em Nova Iorque, no início deste ano.
O Herói de Zezé Gambôa foi escolhido como o melhor filme de língua estrangeira no Festival de Robert Redford, Sundance.
O Comboio da Canhoca conquistou um prémio no novíssimo festival de cinema da CPLP recentemente realizado no Brasil e que promete voltar as atenções para a produção cinematográfica dos países de língua portuguesa.
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Os benefícios destes prémios conquistados por essas produções angolanas, garantiram já a vinda ao nosso país de eminentes figuras do mundo do cinema, em especial do Brasil e da França em busca de parcerias para a concretização de projectos na área da 7ª arte.
Felizmente, e graças a esse “apetite” de se vir investir no país, foi reabilitado com o apoio e/ou parceria da Lusomundo, uma sala de cinema na cidade de Luanda que vai proporcionando a todos a possibilidade de ver filmes recentes, como é lógico uns melhores que outros.
Antes, e precisamente desde 1987, a cidade de Luanda (capital do país) e por arrasto o resto da nação, ficou SEM salas de cinema. Acreditem ou não, o que sabemos e vemos de cinema, só aconteceu ao longo de todos estes anos, graças ao número elevado de clubes de vídeo. Todos eles, sem excepção, sempre tiveram filmes novos (antes em K7 e agora em DVD) de todos géneros e estilos, o que nos possibilitou de estar por dentro da sétima arte, apesar de entre 3 a 6 meses depois do lançamento dos filmes.
O mercado do vídeo é tão procurado que existe em Luanda um clube de vídeo só e apenas evangélico.
O cinema mundial é possível ser acompanhado ainda graças à Lusomundo através dos canais Lusomundo Premium e Lusomundo Gallery, por fazerem parte do pacote de canais da Multichoice, serviço de Tv Paga.
É lógico que associado a tudo isso temos hoje a Internet que também facilita e ajuda.
Ainda assim, apesar do descaso das autoridades no que concerne aos audiovisuais, Angola continua aberta às parcerias para voltar a produzir filmes e os distribuir pelo mundo.
Os prémios conquistados, estão felizmente a obrigar que as pessoas de “dinheiro” invistam também nos cinemas, tanto que já se vislumbram obras em outras 4 salas de cinema além de provavelmente uma igreja vir a devolver a sala que ocupa, ao mesmo tempo em que já foi tornado público a construção de um Shopping Centre que entre outras coisas terá também 8 salas de cinema.
Assim, e como dizia o poeta maior da nação Angola, Dr. António Agostinho Neto, “havemos de voltar”.

Até breve
Edson Macedo

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:54 PM | Comentários (1)

novembro 05, 2005

Cantos do Mundo - ÁSIA

Não foi há muito tempo que o cinema asiático era maioritariamente conhecido apenas pelos filmes japoneses do grande Akira Kurosawa ou pelos filmes indianos de Satyajit Ray. No entanto, e a partir, principalmente, da década de 80, assistiu-se a uma grande evolução da sétima arte no continente asiático. Novos realizadores surgiram, como novas ideias e novas abordagens à realização, que tornaram possível a ocidentalização do cinema asiático.
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Mensalmente vou tentar falar sobre o cinema asiático, mencionando as suas tendências, o que se faz de melhor e de pior, tentando divulgar esta nova forma de fazer e sentir cinema, proveniente do oriente. Neste primeiro artigo, falarei da evolução do cinema asiático desde o princípio do século até aos dias de hoje.

Em décadas diferente, películas vindas de Hong-Kong, Japão e mais recentemente, Coreia do Sul, Taiwan e Filipinas, são alguns dos países que contribuíram para este desenvolvimento que trata o cinema de uma forma diferente, apelativa e até excitante e que tem chamado a atenção de todo o mundo e em particular do cinema americano que encontrou nos remakes dos filmes asiáticos um novo filão de receitas e uma forma de contornar a gritante falte de originalidade actual.

O primeiro país, impulsionador do cinema, no continente asiático, foi a China. Aliás neste país o cinema tem cerca de um século! No entanto, e apesar das eras douradas dos anos 30, finais dos anos 40, ou mais recentemente, os anos 80 e meados dos anos 90, a grande repressão vivida e a não permissão por parte do governo da passagem de alguns filmes devido aos conteúdos abordados não serem aceitáveis (censura!), a China foi ultrapassada por outras cinematografias asiáticas. Apesar de tudo, alguns cineastas conseguiram chamar a atenção do mundo em geral através do seu trabalho criativo. O maior exemplo poderá ser Zang Yimou que recentemente atingiu o estrelato mundial com Hero (candidato ao Óscar de melhor filme estrangeiro) ou The House of the Flying Daggers.
Apesar da censura, cerca de 150 a 200 filmes são feitos na China por ano. No entanto, poucos deles saem do território chinês ou conseguem obter resultados aceitáveis face às películas oriundas principalmente de Hong Kong. Assim, para contrariar, de alguma forma, a censura existente no país, os chineses, não tiveram outra alternativa que não fosse a de facilitar as instalações e os meios (estúdios, locais, etc) aos vizinhos de Hong-Kong, que deste modo tiveram a possibilidade de fazer filmes com reduzidos custos. Por outro lado, a China tinha a possibilidade através dos produtores de Hong-Kong a trabalhar em território chinês de divulgar internacionalmente o seu cinema e escapar à censura.
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Hong Kong acabou por lucrar bastante com esta parceria conseguindo desenvolver a sua indústria cinematográfica. Assim, na década de 70, o aparecimento de Bruce Lee e mais tarde de Jackie Chan, tornaram o cinema de Hong-Kong muito lucrativo e internacionalmente conhecido. Este facto, tornou possível o aparecimento de novos cineastas de Hong-Kong, dos quais obviamente se destacam na década de 80, John Woo e Tsui Hark, criadores de filmes de acção inovadores e que mais tarde acabaram por ir parar a Hollywood. Nessa época, Hong-kong vivia um clima de prosperidade e era conhecido como “Hollywood da Ásia”, tal era a produção em massa de películas. No entanto, face à concorrência da indústria americana e dos vizinhos Japão e Coreia do Sul, Hong-Kong tem sofrido um grande declínio, tendo mesmo sido ultrapassado por outras cinematografias.
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Assim, a partir dos anos 90, o Japão que tinha estado pouco produtivo, desde a época dourada dos anos 50 e 60, atingiu um novo pico de criatividade. Novos realizadores surgiram e revolucionaram o cinema Japonês em diversos géneros e com diferentes estilos. A nível da animação (vulgo anime), Hayao Miyazaki criou obras magníficas com Monoke Princess ou Spirtied Away. Takeshi Kitano, criou obras com uma realização muito própria baseando-se na tríade japonesa, tais como Hana-Bi ou Brother ; ou Takashi Miike, característico pela ultra-violência e uso excessivo do gore e do choque (Ichi, the killer, Audition, etc), foram alguns dos principais responsáveis pela aclamação mundial do cinema Japonês. Outros nomes, tais como o cineasta independente Nagisa Oshima (Taboo) ou o pioneiro do cinema de terror oriental Hideo Nakata (Dark Water ou Ringu), contribuíram igualmente para o sucesso e ocidentalização do cinema asiático, particularmente o japonês.
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Paralelamente ao boom do cinema japonês, neste inicio do século XXI, nasce uma grande diversidade de propostas oriundas de diferentes países asiáticos. Neste momento, assistimos com grande admiração e satisfação à ascensão do fabuloso cinema coreano. Influenciado pela cultura americana e adapatado à sua própria cultura, tem sido uma surpresa agradável e uma cinematografia a seguir com muita atenção. (Num próximo artigo debruçarei.me com mais detalhe sobre o novo cinema coreano). Por outro lado, Hong-Kong tenta regressar, mas agora com um cinema mais independente, onde se destaca Wong kar-Wai (In the mood for love ou 2046). Outras cinematografias emergentes tais como Taiwan (Crouching Tigger, Hidden Dragon recentemente nomeado para Óscar de Hollywood) ou Filipinas, Indonésia, Índia, Paquistão, etc, estão em franca ascensão o que leva a concluir que podemos esperar muito mais do cinema que é feito do outro lado do mundo. Vamos aguardar para ver…

Sérgio Lopes

www.cineasia.blogspot.com

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:33 AM | Comentários (54)