dezembro 29, 2006

Dica de Sexta - Happy Feet

A primeira dica negativa, ao contrário do que esperava. Happy Feet andou pelo topo do Box Office americano durante várias semanas e foi catalogado de sucesso mas a mim não convenceu. Fui vê-lo na desportiva, com o público alvo pela mão, e saímos da sala cansados, para começar. Um filme de animação com 1h48 tem de ser um grande filme, um épico ao nível do Rei Leão, e este pinguim anda longe disso.

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A história que as sinopses apresentam é simples e bem humorada. Mumble é o único pinguim do seu clã que não sabe cantar e é por isso banido, deixando para trás o seu amor e amigos. Encontra uma nova casa com um novo grupo de pinguins bem diferentes ( são as personagens mais engraçadas do filme ) que o acolhem e ao seu jeito para o sapateado em vez do canto. Depois ele regressa como herói, com umas peripécias e canções pelo meio. É isto que nos transmite a publicidade, mas a intriga principal é outra bem diferente. Mumble vai, acidentalmente, descobrir todo o mal que os humanos fazem à fauna do pólo norte e emprega toda a sua energia numa cruzada para os combater, passando nisso mais de uma hora sem trazer nada de novo, de engraçado ou profundo.

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A moralidade e a educação devem ser partes integrantes de um filme de animação, é a minha crença, mas este Happy Feet falha porque exagera ao fazer de todo o filme um veículo para mostrar que os homens são maus para os pinguins e que é preciso mudar o mundo e que os jardins zoológicos são deprimentes. Mumble é uma boa personagem, sim, é doce e engraçado e esperto e crente, mas não é uma boa personagem de animação porque é demasiado triste e pesado, reflectindo a história. Um pequeno fardo quando o que se procura na animação é um aligeirar do mundo. Ali, somos bombardeados com precisamente o contrário, e a missão de educar falha porque as crianças rapidamente esquecem o que as aborrece e não se ligam o suficiente a Mumble Happy Feet para sentir a dor dele. Enfim, saí desiludido e com saudades de um bom e velho Disney...

Publicado por Manuel António Martins às 07:10 PM | Comentários (4)

dezembro 16, 2006

Dica de Sexta - The Holiday

Para quem está a ter dificuldade em entrar no espírito, este The Holiday é definitivamente um bom filme. Comédia romântica como se pede, longe dos cânones habituais do género, conta uma história simples mas enriquecida pelas intrigas secundárias e a densidade dos personagens. Não é, portanto, um hit de Natal banal mas sim um bom filme. Atenção, não confundir com Love Actually, porque esse é definitivamente imbatível. The Holiday é mais fechado, mais pequeno e menos profundo, mas consegue ser algo encantador para além do habitual romance que só se resolve nos últimos minutos.

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Quanto aos quatro intérpretes, quem os conhece não fica desapontado porque simplesmente eles são...eles mesmos. Cameron Diaz é aquele sorriso mágico com a solidão por detrás, Jude Law é o charme inconfundível com uma fragilidade a encobrir, Jack Black é todo ele música e boa disposição, Kate Winslet é uma mulher cheia de potencial a tentar encontrar o seu caminho. E é bom vê-los interagir enquanto casais - eles encaixam realmente bem, sem esforço, sem artificialismo. As pequenas surpresas que o filme vai revelando dão uma côr mais intensa a história e isso é certamente bom para quem espera uma comédia romântica habitual.

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São apenas quatro personagens, mas é improvável que, numa sala de cinema, haja uma pessoa que seja que não se identifique minimamente com uma delas ou talvez com mais do que uma. Isso, em cinema, é a chave para muitas portas. Mais do que observar, compreender a algo surpreendenete profundidade das reacções e dos sentimentos que surgem é algo muito bom para uma comédia romântica. A realizador Nancy Meyers de facto sabe o que faz. Três filmes, três sucessos. Entrem no espírito!

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Publicado por Manuel António Martins às 01:12 AM | Comentários (1)

dezembro 01, 2006

Dica de Sexta: Step Up!

Não será propriamente o filme mais erudito do ano, mas tem duas coisas que se encaixam perfeitamente naquilo que é cinema: entretenimento...e arte. Afinal, que se pode pedir mais? Nem sempre vamos para uma sala escura em frente de uma tela gigante para ver o filme das nossas vidas ou para reflectir, pasmar, chocar. Às vezes, um filme ganha as suas estrelas pela sua capacidade de nos divertir, fazer o tempo passar rápida e agradavelmente. E este Step Up, tirando algumas excepções, tem o que se pede.

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Tyler é o rapaz do beco, com os amigos duvidosos e sem caminho. Não são os bad boys que vendem droga, estes são simplesmente um grupinho de teens que se diverte a jogar basketball e a destruir propriedade alheia - é mesmo esta a pior parte do filme, numa sessão de estupidez gratuita por parte do protagonista e dos seus amigalhaços. Era preciso uma desculpa para o miúdo que dançava hip-hop na rua ir parar a uma escola de artes a fazer serviço comunitário, e cá está ela. Mas podiam ter pensado um bocadinho mais em vez da saída fácil...

A partir daqui, é simples. Tyler (Channing Tatum, numa interpretação regular) conhece, por acaso, Nora (Jenna Dewan,numa interpretação interessante com uma carinha bonita) uma dançarina que precisa de apresentar um trabalho final de mas que acaba de perder o seu parceiro para essa dança. Depois de a conhecer, Tyler vai a custo tentar adaptar-se a esta nova e responsável vida enquanto deixa para trás, com dificuldade, o adolescente problemático que era. Aliás, ele não vai conseguir à primeira, mas o único twist (que apesar de não ser nada demais "salva" a história) do filme vai ajudá-lo a definir o seu caminho. Para o amparar estão os novos amigos que faz na Maryland School of Arts, sendo um deles Miles, interpretado pelo cantor Mario que até revela um certo acerto na representação.

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Por esta altura, alguns de vocês devem perguntar-se: sim, muito bem, mas nada de novo. Será que é realmente bom entretenimento ir ver uma história que já sabemos como acaba? E a resposta vem logo a seguir: o que realmente salva este filme é a arte. Não propriamente na arte de representação, mas sim na música e dança que ao longo de todo o filme são momentos deliciosos, realmente agradáveis de apreciar. Mesmo para os menos amantes do hip-hop, porque o ballet e dança contemporânea estão ainda mais presentes que esse estilo de dança que marca hoje as novas gerações. Não é fácil descrever dança, creio que haja mesmo poucos críticos dedicados a isso. Mas Step Up tem um misto de energia, irreverência, sensibilidade e graciosidade que não é fácil de encontrar. A mim, impressionou-me.

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Portanto, a história não é propriamente novidade mas desenrasca-se bem, a dança é muito boa e ampara a história. Um bom trabalho onde se deve dar crédio à tripla feminina que está por trás das câmaras.As guionistas Duane Adler e Melissa Rosengberg sabem o que fazem, conhecem bem o seu público. Para dar uma ideia, Adler escreveu o guião do tão semelhante Save the Last Dance, com Julia Stiles, e Melissa Rosenberg foi uma das principais responsáveis por escrever uma dezena de episódios da terceira série de O.C. Está visto que o sucesso que ninguém esperava deste filme é por aqui fácil de explicar. E depois, a cargo do já referido grande trabalho artistico, está a estreante na realizaçãoAnne Fletcher ... Mas que conta já muitos anos no mundo do cinema...a coreografar. Assim, se estiverem numa de relaxar, simplesmente curtir um cinema, ouvir um som e apreciar muita dança contemporânea de bom nível, então façam favor de dar um passo acertado e entrar no ritmo deste Step Up.

Publicado por Manuel António Martins às 03:09 AM | Comentários (0)

novembro 18, 2006

Dica de Sexta à Noite - A Good Year

Não é propriamente uma rubríca, é uma espécie de um trailer de uma rubríca. Enquanto a review não sai, ficam as primeiras impressões. O tal lado mais "humano" de que falei num comment alguns posts atrás.
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Saí da sala de cinema bem disposto com este filme. É provavelmente o papel mais tranquilo de Russel Crowe, onde se descobre o maior potencial do homem e do sorriso, ao invés de se re-descobrir o lado guerreiro, conquistador, durão. E descobre-se-lhe também a idade, uns quilinhos a mais. Mas o seu carisma não sai ferido por isso - sai reforçado.

Riddley Scott está em bom nível, adaptando com sabedoria um livro com desfecho clássico mas não gasto. Uma boa história de amor, de valores e de personagens. Albert Finney é um contador de histórias nato, Marion Cotillard é toda a beleza que alguém pode querer - aliás, é impossível vê-los no filme e não nos lembrar-mos de Big Fish. Não há personagem ou actor que destoe neste filme, e as constantes viagens entre Londres e a Provença são de um equilibrio perfeito.

A história conta-se em poucas palavras. Maximillian é um corrector da bolsa extremamente bem sucedido, mas a quem foi deixada, pelo tio que o criou, uma mansão na Provença. A mansão onde viveu toda a sua infância e onde aprendeu todos os seus valores. Entretanto, o rush da capital britânica engolira-o, mas o regresso àquela casa transforma-o. O reviver de cada canto, cada traço, cada momento, bem como de algumas pessoas da sua infância e de uma atitude perante a vida há muito esquecidas irão mudar Max de uma forma que nem ele imaginava possível. E não é um reviver melancólico e tristonho - é mais como uma grande herdade de vinho na Primavera. Viva e pulsante, colorida, agradável.

É uma história simples, doce e cativante. Tem Russel Crowe num ângulo 'novo' e numa interpretação impecável. Aconselho!

Publicado por Manuel António Martins às 02:04 AM | Comentários (1)